segunda-feira, dezembro 17, 2018

Toda manhã

Toda manhã, antes de chegar ao trabalho, faço uma paradinha num quiosque que vende pão com manteiga e café com leite. É muito gostoso tomar o café de manhã cedo, em meio a outras pessoas que também tentam sentir o sabor do início do dia antes de começarem suas tarefas. Como nossa vida é cheia e surpresas, numa dessas manhãs reparei um homem. Ele, não posso negar, também olhou para mim, chegou mesmo a piscar e sorrir. Retribuí com meu sorriso enigmático. Os dias se passaram sem que eu o visse de novo. Na última quinta-feira, no entanto, encontrei seu rosto entre as pessoas, todas afoitas e plenas de prazer devido ao cheiro forte de café. Eu usava botas compridas, dessas que sobrem até um dedinho abaixo dos joelhos e um vestido que descia ao encontro das mesmas botas. Os homens adoram. Estava frio e a fazenda do tal vestido era pesada. Em tempo de inverno, a gente anda com muita roupa, em consequência não se fica elegante, pelo menos é a minha opinião. Tenho uma amiga que adora o inverno, diz que é época de se vestir bem, com requinte. Não tenho a mesma opinião, muita roupa não combina comigo. Mas o admirador veio conversar, disse que eu estava bonita, perguntou onde eu trabalhava. Perguntas comuns de duas pessoas que começam a estabelecer alguma ligação. Não menti. Contei o que podia. Ele, sempre simpático, disse conhecer bem a região, sempre trabalhou no bairro. Percebi que desejava me convidar para sair, mas não encontrou clima. Deixei meu número.

“Você sai cedo, do trabalho?”, perguntou.

“Às vezes, sim, mas geralmente saio lá pelas seis.”

Não sei por que lembrei um paquera que apareceu faz uns dois anos, passou a me esperar na saída do trabalho. Quis me desvencilhar dele, não gosto de gente no meu pé. Foi um sacrifício. Ainda bem, este não disse que me aguardaria. Podia mesmo perguntar se eu gostaria de ir a um bar, ou mesmo ao Mc Donald, depois do expediente, mas nada falou.

Dei um adeusinho e corri ao trabalho. Enquanto subia o prédio, pensei num namorado que tive fazia um tempinho. Ele dizia que eu, sobre botas, fico muito alta. Eu ria. Ele acrescentava, deixe tirar você de cima dessas pernas de pau. Ele me tirava mesmo, quero dizer, despia-me das botas e depois do resto. Nas revistas masculinas, há mulheres nuas vestindo apenas botas. Quem sabe o admirador do quiosque de café não me desejava nua, desfilando de botas só para ele.

Naquele dia, não sei o motivo, trabalhei um tanto eufórica. Tenho uma amiga que, ao sentir tal sensação, vai ao banheiro, olha-se no espelho, senta-se sobre o vaso para descansar, respira fundo. Não sei em que ela concentra-se. Mas, depois, volta muito calma à sua mesa. Não sei, mas acho que se vou ao banheiro para me acalmar, vou acabar tirando a roupa. Talvez assim eu me acalme.

Durante o dia, o tal homem começou a me enviar mensagens. Oi, querida, adorei você. Oi, amor, que tal um beijo, teus dedos são de fada, toque o meu rosto, ele insistia. Amanhã a gente se encontra, escrevi.

O quiosque ainda estava pouco frequentado, ele não havia aparecido. Será que iria embora só? Mas ele veio, sim, devagar. Chegou bem pertinho, pensei que iria me beijar, mas não o fez. Talvez temesse uma recusa. Não é bom ir logo de primeira. Pediu café, apenas. Perguntou se eu estava disposta para o dia que começava. Suspirei. É preciso trabalhar, falei. Ele sorriu, aliás, manteve o sorriso. Em certo momento disse você aparece também à noite, como a lua, que na maioria das vezes é noturna. Entendi, um convite para sair. A gente se fala durante o dia, estou atrasada. Parti para o escritório.

Naquele dia, enquanto trabalhava, pensei se ele descobriria meu segredo. Mas ainda não mandara mensagem alguma. O homem sabia criar expectativa. Eu não queria viver de expectativas, meu problema de sempre, desejava liberdade, de amar e de fazer o que bem entendesse. Não é bom ficar presa a um homem. Antes que ele ligasse, resolvi me antecipar. Liguei. Mas não para ele. Tenho uma pessoa que sai às vezes comigo. Não é meu namorado nem coisa parecida, mas a gente passeia, conversa e também trepa. Isso mesmo. E sou eu quem marco. Nada de expectativa. Evandro, vamos sair hoje? Imaginei seus olhos, por trás da distância que nos separava. Ele disse sim, ficaria muito feliz com a minha presença. Então, naquele dia, mesmo que meu paquera do café mandasse uma mensagem, nada feito, já tenho compromisso. Evandro sabe boa parte do que me excita, e pede para eu lhe fazer pose. Já até sabia como seriam as da noite próxima: de botas e bustiê. Gostosa a sensação.

O homem do café telefonou. Uma proposta deliciosa. Quem sabe, amanhã!, criei eu a expectativa.

Com Evandro foi um gozo e tanto. Gosto dele porque sabe dar prazer às mulheres. Há homens que pensam apenas em si, sobem sobre nós e despejam seu gozo grosso. Evandro, não. O carinho é intenso, sabe tudo sobre meu corpo, meus pontos de prazer. Deixa-me molhada a maior parte de tempo.

No dia seguinte, após a transa maravilhoso com Evandro, saí com o novo paquera. Caso ele fosse apressadinho, eu já teria gozado na véspera.

Qual foi a minha surpresa. Levou-me a um hotel que tinha vista para o Aterro do Flamengo, dava mesmo para apreciar o aeroporto, com seus aviões descendo e decolando. Mas nada de barulho. De som, apenas sua voz a sussurrar no meu ouvido, falava cada coisa de me deixar a mil. Ele, a princípio, me abraçou, me beijou; enfim, mil e uma carícias. Havia uma mesinha e duas cadeiras na antessala, onde começamos o namoro. Sentei-me e ele ficou ao meu lado. Depois de alguns minutos, entramos no quarto, sentamos na cama e continuamos a nos acariciar. Para evitar ter de tirar a roupa na frente do homem, decidi ir ao banheiro. Dei-lhe um beijinho, corri e fechei a porta. Despi-me e tomei um banho rápido. A água quente, gostosa. Depois, envolvi-me na toalha, abri a porta e saí, fresquinha, pronta a me atirar nos braços dele.

Mudo de parágrafo. O que aconteceu depois merece descrição à parte. O homem, com mãos e dedos macios, acariciou-me o corpo inteiro. Descobriu que amo histórias de sacanagem.  Nunca pensei que gozaria dois dias seguidos. Para nós, mulheres, o gozo é difícil. Não demorei, porém, a transbordar meus eflúvios. Ao mesmo tempo que o desejava sobre mim, seu pênis bem duro a me penetrar, queria suas mãos contínuas a me acariciar, sua voz máscula a insistir-me protagonista de aventuras sexuais. Após alguns minutos, por minha própria conta, virei de costas e levantei o bumbum, permaneci deitada mas com os joelhos mantendo elevadas minhas coxas e o quadril. Ele entendeu o que eu desejava. Colocou-se sobre mim, seu pênis a procurar minha vagina. Ui, que arrepio. Logo que me penetrou, senti um orgasmo. Ah, estou gozando, falei, não para, por favor, quero gozar mais, mais e mais, minha voz perdia-se na minha loucura. Veio-me à mente a lembrança de um namoradinho de outros tempos, ele adorava me levar à praia e, dentro d’água, tirar o meu biquíni; assim que me sentia nua, gozava. Naquele  instante, sobre a cama, eu sentia o mesmo, o gozo especial que a gente alcança nas primeiras vezes e dificilmente se repete. Conforme ele metia, eu dizia me rasga, vai, me rasga toda. Não passou muito tempo para eu sentir seu gozo quente dentro de mim, várias explosões, vulcão que não parava sua erupção.

Como vou viver sem um homem como esse? Não posso perdê-lo. Tenho Evandro, que conhece todo o meu corpo. Agora, este outro, a quem, tenho vontade de presentear com minha calcinha! Mas não foi necessário, meus gritos de gozo revelaram que me deixasse sempre nua.

segunda-feira, dezembro 03, 2018

Boas histórias ou duas maçãs bem vermelhas

Nely acordou envolvida num lençol. Como sentia prazer nisso, nua, o tecido suave, única coberta a lhe acariciar o corpo, mão carinhosa a deslizar creme de calêndula sobre a pele. Moveu-se à direita, à esquerda, sorriu, serrou-se dentro dos panos e imaginou como seria o dia que brotava. Havia sentido enorme prazer à noite, antes de dormir, mas, no momento, pensava numa visita que receberia, um ex-namorado viria a sua casa, vinha de longe, morava em outra cidade, por isso pedira pouso, precisava de um documento na prefeitura da cidade onde ela morava. Gostava naquele ex o fato de ele pensar em lhe dar prazer muito lhe agradava. Você está contente?, ele perguntava, sente prazer? Quando transava com ele, o homem queria mesmo era fazê-la gozar. Gozou?, perguntava no final. É difícil fazer uma mulher gozar, para algumas trata-se de um trabalho hercúleo. Nely sabia que ele se preocuparia em agradar-lhe o máximo, em deixá-la feliz. Na certa, traria um presente. Moveu-se sob o lençol, sentiu mais uma vez o namoro com o tecido, quase um arrepio. Não sentia vontade de sair da cama.

Ela sabia que, naquele dia, lá pelas onze da manhã, depois da chegada do tal homem, ficaria nua na sala de casa. Sério, não resistiria. Não precisava se preocupar, ele surpreenderia. Nely estaria trajando um vestido florido, macio, que descia até os joelhos, roupa confortável para se ficar em casa ou mesmo circular pela vizinhança.

Ao chegar, ele abraçou-a e beijou-a. Os dois sentaram-se juntinhos no sofá de fronte à mesa, na sala de estar. A conversa circulou em torno dos últimos acontecimentos, da vida de Nely, da praia próxima, dos passeios que ela às vezes fazia. Ele permanecia silencioso, sua face demonstrava contentamento. Pousou uma das mãos sobre um dos joelhos da mulher. Ela fez como se nada tivesse acontecido. Continuou a falar, olhou a ele, virou-se novamente para frente e contou como fora o último final de semana. Falava como se houvesse uma terceira pessoa diante dela. Quando virou a cabeça para o homem, beijou-o e ele já deslizava a mão sobre suas coxas, por baixo do vestido. Após o beijo, Nely ficou paradinha, como meditasse ou como esperasse até onde ele seria capaz de avançar. Subiu a mão, sempre tateando as coxas da ex-namorada, avançou até acima da virilha e parou junto ao elástico superior da calcinha. Introduziu a outra mão também por debaixo da saia. Desencosta um pouquinho, pediu ele. Ela fez o movimento, como o gesto mais natural do mundo. A calcinha desceu nas mãos dele, ultrapassou os joelhos e, enfim, o calcanhar. Ele a comprimiu dentro de uma das mãos e depois a arremessou sobre a mesa. Ela caiu dentro da fruteira, junto a duas maçãs bem vermelhas. Nely nua, apenas o fino pano sobre a pele. Como gostava da sensação. Lembrou-se que um dia saíra tal qual estava agora, a pedido de um namorado, apenas o vestido fino a lhe disfarçar a nudez, e uma excitação que a fazia comprimir as coxas.

Ficaram de pé. Ele a abraçá-la. Que bom assim, não precisava ter compromisso. Os homens apareciam, acariciavam-na, trepavam com ela e ela gozava. E a vida continuava. Ele levantou o vestido de Nely, que saiu pela cabeça, deixou-a nua. Isso, como ela gostava, nua, agarrada ao homem ainda vestido. Permaneceram naquele elevo por demorados minutos. Beijaram-se. Ele lhe disse algumas palavras no ouvido, palavras que ela gostava de ouvir. Deram alguns passos e deitaram na cama, que ficava no quarto. Namoraram de modo suave. Só então ele tirou toda a roupa e trepou com Nely. Transar com você é bom porque não me exige posições difíceis, ela. É mesmo?, pareceu surpreso. Tem homem que exige que eu seja malabarista; quando acaba, estou toda doída. No final, ele perguntou: você gozou? Já gozei ontem, assegurou ela um tanto sem jeito. Ontem? Um namorado ficou falando bobagem pelo telefone, acabei gozando, e foi tão bom. Após as últimas palavras, ela trocou o vexo pelo riso leve.

Durante alguns minutos, Nely não estava mais na manhã ensolarada de maio, mas na véspera, noite fechada, nua no canapé, o telefone no ouvido, uma trepada a distância, em que, a princípio, ela não acreditava. Ficou tão molhada. O homem era bom em historias.

Quer dizer que você tem gozado bastante.

Bastante, não, vez ou outra.

Nely olhou o ex-namorado, ainda agarradinha a ele. É bom assim. E quando você puder, ligue para mim, quem sabe também vai conseguir me fazer gozar. Afinal, você sabe contar boas histórias.

segunda-feira, novembro 19, 2018

Tudo muito engraçado

Tive um homem, para quem trabalhei, que era encantador. Levava-me a um hotel lindo. Adorava quando me tirava a calcinha. Suas mãos a segurarem o elástico lateral, o ato de puxá-la coxas abaixo, o momento em que se soltava do meio das minhas pernas, tudo chegava a me proporcionar um pequeno orgasmo. Além disso, era brincalhão, dizia vou levar tua calcinha de lembrança. Eu sorria, feliz por estar em seus braços.

Outro dia estava esperando um telefonema de um admirador com quem troquei uns carinhos faz algum tempo. Fazia um tempo enorme que não o via. Mas ele não ligou. Como havia perdido seu número, não consegui entrar em contato. O jeito seria esperar, quem sabe ligaria outra hora. Foi então que recebi uma ligação, mas de outro homem de quem nem mais lembrava. No início, pensei tratar-se de uma armadilha, mas ele veio ao meu encontro, recordei-me de quem se tratava. Convidou-me a uma casa de chá. Achei elegantíssimo. Gosto de homens que me convidam a lugares sofisticados. O garçom nos trouxe xícaras de porcelana, os sachês de chá para a nossa escolha. Olhei meu homem e sorri, reparei em volta a decoração: quadros, paredes de madeira, mesas de mármore branquíssimo, tudo muito bonito. Escolhi o chá. O garçom versou a água quente e esperei alguns minutos até que o líquido tomasse consistência. Logo nos primeiros goles, senti uma ponta de excitação. Dizem que chá acalma, ao contrário, senti uma alegria interior imensa, e depois, pouco a pouco, foi-me crescendo a vontade de namorar. Conversamos sobre assuntos banais, mas eu tocava suas mãos; quando podia, seus braços; cheguei a percorrer, com a ponta dos dedos, seu tórax. Aquele excesso de gesto iria me valer a estada num hotel dali a pouco, onde ficaríamos por umas três horas. Eu nua, pernas abertas; ele, um peru enorme, como eu não via fazia tempo. Sua calcinha é um requinte só, dá vontade de levar de lembrança, ele disse. E eu nos braços do homem. Os homens falam algumas bobagens no momento em que estão prestes a gozar, mas depois esquecem. A ejaculação leva consigo todas as fantasias. Aliás, houve outro homem... Daqui a pouco conto, mas este aqui me penetrou severo, rígido. Tomara que não me peça para chupá-lo, não tenho garganta para engolir um pau tão longo. pensei. Mas gostei da trepada funda, bem dada. Voltei para casa realizada. A casa de chá. A trepada funda.

Aliás, houve outro homem... A tal continuação. A história nada tem a ver com o requinte do salão de chá! Vesti-me com um vestidinho daqueles curtos, colados ao corpo e fui a um forró. Isso mesmo, adoro forró. Vários homens dançaram comigo. Tudo muito quente, muito suor. Adorei. Mas houve um, lá pelas tantas da madrugada, que me agarrou firme e queria trepar. Dizia no meu ouvido você é muito gostosa, não posso te deixar escapar. Per aí, eu pedia, calma, me dê o teu número, prometo que telefono. Mas o homem foi insistente, queria naquela hora, e ali por perto. Nada disso. Cozinhei-o em banho-maria, dei-lhe uns beijinhos, deixei que me abraçasse num canto retirado. Havia outros casais namorando nas proximidades. Ele apertou-me, beliscou, quis deslizar as mãos pelas minhas pernas, subir minhas coxas. Imaginem, eu com aquele vestidinho fino, curto, o homem avançando. Mostrou uma camisinha. Ele, de camisinha. Eu, sem calcinha! Lembrancinha.

Na hora, a gente fica nervosa. Depois que tudo passa, acha tudo muito engraçado.

segunda-feira, novembro 05, 2018

Saia justa

A folha em branco não me assusta. Minha preocupação principal é não deixá-la molhar. Sério. Você não entendeu? Então, preste atenção.

Outro dia estava com meu namoradinho. Saímos, passeamos, comemos e saboreamos uma bebidinha. Depois, o carinho gostoso. No final, porém, aconteceu algo que me deixou numa saia justíssima.

Para ser mais clara, mudo de parágrafo. Ele me despiu pouco a pouco. Adora começar por baixo. Eu vestia uma bermudinha. Continuou, tirou-me a calcinha. Adoro ficar de pernas nuas, apenas a blusa. Neste dia, fazia um fresquinho, além da blusa o casaquinho. Eu nos braços dele, metade nua, metade vestida. Beijos, mãos, carícias, ponta dos dedos por baixo da blusa, meus mamilos, minha língua dentro de sua boca. Passou um pouquinho, sua mão no meu clitóris. Adoro. A palavra e a ação. Comecei a abrir as pernas. Tirou-me o agasalho, então a blusa. Eu nua, ele vestidinho. Gosto de roçar meu corpo no algodão, ele completo, a me abraçar forte.

Outro parágrafo. Mudança de foco, ação importante. Isso. Contei uma história, bem junto ao seu ouvido. Sou arteira, vocês sabem; gosto de excitar as pessoas com a minha voz, minhas narrativas, tendo-me protagonista. Ele, como a maioria dos homens, adora histórias sussurradas, plenas de sexo. Um domingo, já faz muito tempo, apressei-me a lhe dizer, namorei três homens. Na praia. Não sei por que não fiquei com o primeiro, o mais bonito. Ofereceu-me carinho e um sorvete! Eu quis falar com uma amiga que estava nas proximidades, quando acabei de beijá-la surgiu o segundo. Ela piscou o olho direito. Entendi a mensagem. Após uma hora, ele, ao meu lado, acariciando minhas costas. Você quer saber se fui pra cama com algum deles? Bem, digamos que não, estávamos na praia. Há mulheres que trepam lá mesmo. Mas é tão desconfortável. Tudo ficou em algum carinho e beijinhos na boca. Ninguém queria ir embora, a praia é o paraíso. Ao entardecer, seria talvez o momento certo para o sexo. Surgiu o terceiro; recitou-me um poema, depois suas mãos, lisas e úmidas, deslizando sobre minhas pernas plenas de creme. Os três me adoraram, porém ficaram em suspenso, pelo menos naquele dia de sol intenso. Eu e minha amiga, nuas dentro d’água, excitadíssimas, mestras ao criar expectativas. De brincadeira trocamos a parte de baixo do biquíni. O dela ficou um pouquinho menor no meu corpo. Um arrepio. Você quer sabe se nos agarramos? Não. Gostamos mesmo de homens.

Meu namorado me tomou nos braços e colocou-me sobre o pequeno sofá. Seu pênis, tão duro, chegou a envergar. Dei um beijinho bem na ponta, depois avancei a cabeça, deixando a metade ao trabalho de meus lábios e língua. Não sei por que – isto não contei a ele – lembrei-me de um cara que paquerei na mesma praia, chupei o pau do homem debaixo d’água; tentava manter o fôlego o máximo que podia; quando voltei à tona, abraçou-me com força; Carmen estava a uns dez metros de mim, também agarrada ao namorado, olhos fechados; eu tinha certeza que ela estava sem o biquíni, costumava pedir ao homem para guardá-lo dentro da sunga, assim não o perdia; e se perdesse o homem? Mas, naquela sala, eu já tinha seu peru inteiro dentro da minha boca, a extremidade quase na garganta; estava quente. Por momentos, desejei que gozasse. Como faria para engolir tanta porra? Confesso que desejei muito. Ele se conteve. Ao vir sobre mim, seu grande membro, por instinto, procurou minha abertura principal. Deixe sentir você, ele pediu, depois coloco o preservativo. Vagarosamente, a penetração aconteceu. Com carinho; eu, molhadinha. À medida que seu pênis avançava, eu dizia que gostoso, que gostoso, não tira!, por favor, não tira! Sentia tanto prazer que não queria sequer perder um segundo. Logo, comecei a sussurrar Ah vou perder a cabeça, vou perder a cabeça, está muito gostoso!, que delícia. E não é que perdi mesmo. Ele friccionava cada vez mais dentro de mim. A saia justa, justíssima. Vou gozar!, gritei, vou gozar!, não tira, por favor, não tira, não perde a cabeça não, choraminguei, se segura. Não gozo, não, ele disse, aguento o máximo possível. Gozei uma, duas vezes, acho que três. Depois pensei, ah, esse homem vai esporrar dentro de mim, vai me deixar toda encharcada, embaraçada. Mas ele cumpriu o combinado. Após alguns minutos, colocou a camisinha e voltou para gozar. Você é ótimo, falei, qualquer hora dessas deixo você gozar dentro, ok? Também gosto, adoro sentir teu jato quente. Ui, ao falar, ainda consegui mais um orgasmo. Não sei por que lembrei Carmen, peladinha dentro d’água, na praia, a espera do namorado. Onde o maiô?, perguntei. Adivinha, respondeu. Você confia muito nos homens.

segunda-feira, outubro 22, 2018

Em dobro

A história que vai a seguir é um pouco delicada, talvez mesmo difícil de se contar.

Fui a uma festa onde conheci várias pessoas, dentre elas uma mulher linda. Dançamos juntas, eu, ela e mais quatro ou cinco mulheres. Como a música era de ritmo rápido, convidava-nos ao meio da pista. Havia poucos homens, sempre mais preocupados em beber do que dançar. A mulher linda ficou junto a mim, depois veio conversar, já um pouquinho distante da música alta.

Quero que você entenda, falou, pareço mulher, mas há um pequeno detalhe.

Arregalei os olhos.

É sério, continuou, tenho corpo de mulher, ajo como uma, todos me admiram como mulher, mas não sou mulher, entendeu?

Ah, sim, respondi meio sem jeito.

Como há tantos transexuais por aí, fiz de conta que sua história era muito natural. Depois de determinado momento, cheguei a perguntar:

Como você faz pra usar uma roupa assim tão curta?

Ela não demorou a responder.

Sempre me perguntam a mesma coisa, sorriu.

Então?, insisti.

Tem um jeitinho, sabe, respondeu delicada, dá pra gente se arranjar.

Por que você não opera?, perguntei afoita.

Deus me livre, disse assustada, prefiro como sou, uma mulher com pênis.

Depois de sua resposta, pensei que seria interessante, pelo menos por algumas horas ou por alguns dias, ser uma mulher com pênis.

“E tem mais, acrescentou, se corto (ui, nem gosto de falar assim), perco meu eleitorado.

Depois desta última frase, acentuou-me o gosto de ter um pênis durante pelo menos um curto espaço de tempo. Eu seria um cometa a jorrar minha calda através do espaço, todos a me admirar. Lógico, avisaria a eles no momento do encontro, sou uma mulher com pênis. Você é travesti?, eles mostrar-se-iam surpresos. Não, não sou travesti, sou uma mulher com pênis. Sério?, insistiriam. Por que preciso mentir? Acho que haveria uma fila imensa de homens atrás de mim, afinal, tudo que é exótico atrai. Preste atenção, eu diria ao recente admirador, sou uma mulher que fez uma cirurgia, implantou um pênis, mas quero continuar como mulher, não fiz o implante para usar o membro como homem. Ele arregalaria os olhos. Isso mesmo, eu asseguraria, acredite se quiser. Mas eu teria de recorrer à minha nova amiga para saber os truques.

Ensine-me, por favor, como faço para usar um vestido tão curto, com calcinha tão pequena?

Ela me daria uma aula, aconselhar-me-ia.

E à praia, como se faz?, eu gostaria de saber.

Não há mistério algum, arranja-se da mesma forma de quando se usa o vestidinho. Tem mais uma coisa adorável, ela a me ensinar, com o pênis temos mais ardor sexual, o gozo é intenso. Você não sabe o que é uma ejaculação? Sempre recebeu a ejaculação dentro de você, mas agora é você quem vai ejacular!

Eu, doidinha para arranjar alguém, querendo que me faça ejacular. Será que depois do gozo eu correria, morta de vergonha? Há homens que quando gozam perdem todo o prazer, ficam de cara fechada, demoram dias para se recuperar. Não, não quero mais o pênis, prefiro viver no meu constante estado de gozo sendo mesmo uma mulher.

Calma, disse a amiga travesti, tudo depende de treino, quando se tem o sexo para fora, o fogo é maior; e basta um pouco de controle, você vai viver a mil, muito mais do que uma mulher. Travesti é homem e mulher ao mesmo tempo, logo tem o desejo sexual em dobro.

Adorei. Mas tenho outro problema, pensei sem dizer a ela, adoro andar nua, com o pênis não vou poder, um travesti nu por inteiro é impossível.

Ela pareceu adivinhar meu pensamento:

Calma, você é muito precipitada, tudo a seu tempo, dá pra ficar nua por inteiro sim, e é uma gracinha!

segunda-feira, outubro 08, 2018

Leu num livro

Vamos, acelere, bom que a estrada é tranquila e escura, apenas os faróis do teu carro, vou contando pelo caminho toda essa situação. Já faz tempo que você me observa, não é mesmo? Também descobri você, não pense que não o espiono. A historia é a seguinte:

homem é mais velho do que eu vinte anos, também pudera, você não acha? É muita coisa. A gente namora e namora, no começo só beijinho e abraço, às vezes alguma coisa mais saliente. Imagina, não? Eu nua nos braços dele, na cama com ele, fazendo de tudo para ele ficar com o peru duro. Esforço infrutífero, como se diz de modo polido. Eu o conheci num desses bares da orla, veio falar comigo, eu estava com uma amiga, pediu para que o acompanhássemos na sua mesa. Educadamente aceitamos. No final da noite, deixei meu número. Não demorou a telefonar. Ele é pessoa interessante, trata-se de um homem erudito, educado, sabe se expressar maravilhosamente; qualquer um que se puser a escutá-lo gostará dele, principalmente as mulheres. Logo me interessou, senti mesmo uma ponta de paixão. Começou a me convidar a vários passeios, cada lugar mais bonito do que os outros, e não foi apenas aqui na cidade e no entorno. Mas na cama ele é um problema. Para ter uma ereção leva horas, e mesmo assim seu pênis não fica duro por mais do que trinta segundos. Sério, não acredita?, já calculei. Mesmo vendo filmes pornôs, revistas masculinas e coisa e tal, não adianta. Ele tem muito fogo, me abraça, me beija demorado, me chupa toda, gosta de me ensaboar e passar as mãos por todo o meu corpo. Mas seu pênis dificilmente fica ereto. Então, descobriu algo que o excita muito; conseguiu, enfim, a bendita ereção. Sério, não se trata de medicamento. Aliás, quanto ao Viagra, ele se recusa a tomar, diz que ataca o coração e encurta a vida; há também o viagra natural, receitado por um amigo, tentamos uma ou duas vezes, deu certo, mas é enjoativo, tanto para ele quanto para mim, passamos a usá-lo vez ou outra. Mas o que fez você me espionar e me conhecer, até chegarmos ao ponto em que estamos agora, aliás ao ponto não, ao trajeto da estrada, foi uma descoberta dele. Leu num livro sobre uma mulher que chegava nua à casa do namorado. Ficou louco com a história. Emprestou-me o livro. Confesso que também gostei. Como sou fogosa, meu coração logo bateu mais forte. Começamos a praticar o que lemos juntos. Na primeira vez, morri de medo. Eu, nua do lado de fora da casa, batendo para que ele abrisse a porta. Demorou um tempo imenso, pensei que jamais abriria a bendita porta, e eu não tinha o que vestir, pois saíra nua momentos antes da mesma casa e fazia de conta que vinha de outo lugar. Quanto mais demora a abrir, seu pinto fica mais duro. Quando entro, é uma festa. Atira-se sobre mim e enfia o peru duro como jamais visto. Ficamos na brincadeira uma vez na semana. Ele chegou a pedir que eu saísse nua, ao lado dele, no automóvel. Você quer saber se aceitei? O que você acha? Vivemos assim durante dois meses. Ele teve todas as ereções. Depois disso, apareceu você, lembra?. Reparei que havia alguém a me espionar enquanto eu batia à porta. No começo, fiquei morrendo de medo, mas depois passei a gostar. Mostrava o meu lindo corpo para dois homens. Acho que você pensou que eu nada percebia, verdade? Memorizei a placa e a marca do teu carro e passei a investigar sobre você. Descobri tudo: onde mora, se tem ou não mulher, idade, profissão etc. Então, achei que seria interessante ter uma aventura com outra pessoa que não fosse o meu atual namorado. Isso mesmo, uma aventura apenas, por isso estou aqui. Em vez de bater à porta de casa, bati à porta do teu carro, entrei nua. Agora, depende de você, estou nas tuas mãos. Mas no final da noite, você deve me deixar, escondidinha, no mesmo luar onde me pegou. Se ele não tiver morrido de tesão com o peru duro aguardando a minha chegada, vai ser mais uma trepada e tanto!

segunda-feira, setembro 24, 2018

Lâmina de porra

O homem tinha suas artimanhas. Pouco a pouco, começou a me deixar louca. Imaginem, com o indicador e o médio percorreu meu ventre, desceu-os até minha púbis e me tocou o clitóris, que escapou das bordas e ficou durinho. Jamais senti algo semelhante com outros namorados, normalmente afoitos e prontos ao gozo rápido. Involuntária, movimentei-me sobre a cama não conseguindo esconder o ligeiro frisson. Um pequeno orgasmo, inesperado, como certa vez na praia quando um namorado desfez os laços do meu biquíni. Queria investir nos meus melhores dotes de atriz, maneiras de fazer o homem se apaixonar, mas tudo o que consegui foi dobrar várias vezes os olhos, dominada pelo prazer excessivo. Cheguei a pensar se poderia ejacular. Mulher ejacula?, a maioria goza pra dentro. Mas, quem sabe, eu, uma exceção. Vou fazer você saltar de tesão, ele disse. Mal sabia que eu flutuava em nuvem úmida, preste a se desfazer em gotículas mornas de verão tardio. Tive sede. Venha à minha boca, quero engolir tua porra inteirinha.

O homem surgira de repente, um dia, na loja onde trabalho. As outras vendedoras não podiam saber do caso, ele comprava roupas comigo, sorria e dava o cartão. Sou eu que devo lhe dar o cartão, afinal, quem vende aqui?, falei em vão.

O vestido curto de malha, colado ao corpo, quase camiseta, desses que a gente fica esticando a barra o tempo todo, deixa os homens loucos. É perigoso vestir assim rua a fora e trepar com um desconhecido. Alguns pedem que a gente trepe de vestido, sem a calcinha; outros, bem, outros querem o vestido! Ah, uma advertência, não é recomendável ir a um encontro sem a calcinha, sobretudo se não conhecemos o homem. Certa vez houve um que me levou a uma loja de lingerie; impaciente, queria-me vestida!

Na hora do sexo não se pensa. Trepa-se em carne viva. Mas, depois, ao voltar a si, quem está toda esporrada? Mesmo assim gosto, e muito. Nua a caminho de casa.

Este agora, dois dedos e meu grelo pra fora, durinho. Sou mulher, cheguei dizer, o que você procura aí? Te dar prazer, ele operava. Que lambança, assoviei, vou gozar, vou gozar. Não aguentei. Mas não perdi a pose. Gozo muitas vezes.

Sabe que já fui equilibrista?, sério. Namorados me queriam nua sobre a corda, uma delícia. Você tem a corda?, ele quis saber. Quem sabe, respondi. Empresta. Já sei, a corda tem muitas utilidades.

A corda serve par tirar a vida. A corda serve como abismo. Mas serve também pra provocar o gozo. Ele me amarrou. Todinha. Braços, pernas, mordaça. Ui, quanto mais apertava, mais eu tremia. Imobilizada. Confesso que não é a posição mais confortável. Veio sobre mim, não foi difícil escorregar o enorme pau dentro da minha boceta. Naquela hora, eu engolia qualquer coisa, por maior que fosse. Tapou meu nariz. Sério. Pensei que fosse me matar. Tantos tarados por aí. Contudo, percebi o jogo. Deixou que eu inspirasse o ar um pouquinho, para isso afrouxou a mão. Depois, tapou-me os orifícios, prendeu-me o ar nos pulmões. Aprendi a nadar naquela correnteza. Inspirava o tanto que podia e guardava. Então, aumentou o tempo, mais segundos e eu sem ar. Vou ter de contar a história depois de morta, cheguei a pensar. Hum, hum, hum, meu coração aos saltos. Comprimida. Tanto e tanto. Ainda há a história da faca. Acho que teve vontade de prolongar o gozo. Foi aí que substituiu o peru por uma faca de manteiga. Com cuidado, introduziu-ma. Não está afiada, chegou a dizer. Eu, amarada, amordaçada, dedos me prendendo o nariz, a faca... Não consegui me conter. Esporrei. A tal ejaculação feminina. Esporrei e respirei pela boceta. Verdade. Meu grelo ainda durinho. Um número de circo erótico. O tal do equilibrismo. Antes que ele me tapasse de novo todos os buracos, reparei a lâmina de porra.