terça-feira, setembro 20, 2016

Literatura policial

“Um australiano que teve vontade de viver a vida e que viveu”, eu dizia ao meu amigo.

“Quem é o autor?”

“Simenon, George Simenon.”

“Ah, interessante”, mostrou admiração.

Estávamos em Rio das Ostras, sentáramos na areia e olhávamos o mar.

“Literatura policial, você não gosta?”

“Gosto”, afirmou, “Mas o que há de mais nessa história?”, ele quis saber.

“Um caso de amor.”

“Casos de amor? Casos de amor sempre são interessantes.”

“E nesse há um assassinato.”

“De quem?”, ele estava curioso.

“Do australiano. Ele não era jovem, tinha uma amante da mesma idade, bebiam juntos, faziam muitas coisas juntos.”

“Só isso?”

“Não, mas acho melhor você ler o livro”, falei e me viverei para ele, “acho que está aqui na bolsa.”

“Não, por enquanto não, prefiro que você me conte o principal dessa história.”

“Vocês homens são práticos, não?, sempre o principal, nada de leituras.”

Passou um ambulante vendendo cerveja, fiz sinal a ele. O homem parou, pedi uma long neck. Paguei e ele se foi. Tomei um gole. Meu amigo disse que queria saber da história.

“Ele arranjou uma mulher mais jovem, A amante então o seguiu e o matou, com uma faca.”

“E não foi presa?”

“Não. Contando assim pode não ter graça. Mas o inspetor achou melhor poupá-la, tinha poucos meses de vida, tanto menos quanto mais bebesse.”

“Bebesse?”, surpresa da parte dele.

“Isso. E era ao mesmo tempo um caso de alcoolismo.”

“Então, acho que você também gosta de facas”, meu amigo falou.

“E você de mulheres nuas, não?”

“Acho que todo homem gosta.”

“Então, você também tem uma história.”

“Tenho. Ambientada nessa praia.”

“Agora sou eu que quero ouvir, pois conte.”

“Aconteceu com uma amiga.”

“E como foi?”, a curiosa agora era eu.

“Não foi uma história de detetives, mas ela teve de se esconder, por pelo menos uma hora e meia.”

“Pouco tempo.”

“Na situação dela, o tempo foi imenso.”

“Por quê?”

“Porque ela estava nua, dentro d’água, nessa mesma praia. O namorado sempre quis vê-la tomando banho de mar nua. Ele pediu o biquíni e ela deu. Tirou e deixou nas mãos do homem. Só que não contava que ele sairia d’água e guardaria o biquíni na bolsa. Ela coberta apenas pela capa provisória das ondas e espumas, e as pessoas passando pra lá e pra cá, um dia de sol, de tardinha.”

“Poxa, mau esse namorado. Eu é que não queria saber dele.”

“Verdade? Olha que você ia gostar. Toda mulher gosta de andar nua.”

“Há mulheres que gostam, mas não é o meu caso, me sinto desconfortável quando estou nua.”

“Mas não era o caso dela. No início, ela gostou muito. Mas quando viu que ele não voltava, começou a ficar preocupada. E no final...”, meu amigo parou de contar para fazer suspense. “No final, uma moça parou para falar com ela, era uma amiga que a reconheceu.”

“Ela então pediu ajuda.”

“Nada disso, diz que até teve vontade, mas ficou caladinha.”

“E aí?”

“Gostou, não? Está curiosa.”

“Quem não ficaria?’

“A amiga não notou que ela estava nua. Aí, depois que a tal amiga se foi o namorado voltou, devolveu o biquíni, ela o vestiu e tudo acaba bem. Disseram que até foram comer uma pizza!”

“E quem contou a história?”

“Ela mesma. Mas não para mim. Para uma amiga, que me contou. Mas me pediu silêncio. Como você não a conhece, estou contando.”

“Então, acabou bem.”

“Sim. Sem facadas. Um caso de amor, de amor e de tesão. E uma pizza de muzarela!”

Ri. Ele riu também. Então olhou para os lacinhos do meu biquíni, e pediu um gole de cerveja.

terça-feira, setembro 13, 2016

Na mira da onça

Contam que num lugar chamado Estrela vivia uma mulher muito tarada. O nome Estrela era porque ficava no alto de uma montanha, mais perto do céu e das estrelas. Todos adoravam aquele lugar de difícil acesso, onde nunca chegara o telefone nem chegaria a internet. 

Certo dia apareceram por lá muitas pessoas, iam a um banho de cachoeira. Os visitantes deixaram a condução no sopé da montanha e subiram a pé, contemplando a natureza, os pastos, as árvores. Sentiam na pele o sol ainda brando, respiravam o orvalho ainda fresco da noite. No meio dos excursionistas havia um rapaz claro já um pouco maduro, de cabelos loiros, que nunca tivera uma mulher. Todos iam muito alegres, mas Jonathan sempre na sua e caladão. Monique, da janela de sua bela casa no meio daquela relva, árvores, cercas e curral, via a multidão subindo em direção à cachoeira. Quase nunca ia às quedas d'água, mas naquele dia, depois de ter descoberto o rapaz, aprontou-se com um biquíni de lacinhos, sutiã tomara que caia, viseira, uma saída de cachoeira toda em crochê trazida de uma viagem que fizera ao nordeste, sandália rasteirinha e caminhou devagar e charmosa misturando-se às pessoas. Parou precisamente onde estava Jonathan, que ficou um pouco afastado de toda aquela muvuca. Olhou o rapaz sem que ele reparasse que ela estava ao seu lado.


Ele lhe lembrou um namorado que ela arranjara ao acaso, fazia uns dois anos, ali mesmo pelos lados da Estrela. Naquela vez a farra foi tão boa, que a morena deixou-se despir dentro d'água. Namoraram sobre uma pedra, todas as posições, ninguém pra incomodar. A safadinha também não esqueceu que o vestidinho que lhe cobria o corpo acabou indo por água abaixo. Não faz mal, pensou à época, ainda está escuro, volto pra casa coberta pelo ardor de um homem verdadeiro.

Monique tinha belos seios e um corpo de violão. Aproximou-se  de Jonathan e segurou-o por trás. O rapaz chegou a se assustar, mas diante da beleza da mulher esperou pra ver o que ia acontecer. Ela foi logo fazendo um cafuné no seu pescoço. Ele jamais imaginaria que naquele lugar vivia uma mulher tão bela e fogosa. Aquilo mais parecia um conto de fadas. Ele ficou muito excitado. Não perdeu tempo, arrastou Monique, enfiando-se com ela pelos cipós e se escondendo de todos. Não se apresentaram nem conversaram. Num gesto rápido, abaixou o sutiã da mulher. Saltaram dois belos seios nos quais não se fartou de chupar. Ela ardia em fogo. Jonathan fez penetrar na buceta melada de Monique o seu exuberante pau. Para quem jamais experimentara uma mulher, até que ele se saiu bem. Ela, como ótima instrutora, o deleitava com as mais variadas técnicas sexuais. A  morena ficou de frente, de costas, veio por cima, por baixo, gemia e gritava de gozo. No final, a ousada fêmea fez que Jonathan se deitasse. Ela abriu as pernas o máximo que pode e, como hábil bailarina, deu um giro de trezentos e sessenta graus tendo como eixo o peru do rapaz. Os dois foram aos delírios de prazer. Correram por entre as árvores e fizeram tudo de novo por mais uma, duas, três vezes. Enquanto a felina não pediu arrego, Jonathan não a perdoou. Foi o dia que o leão venceu a onça.

terça-feira, setembro 06, 2016

Batas

Sempre gostei de usar blusas soltas, conhecidas também com batas, dessas que descem até abaixo do umbigo. Há outras mais compridas, que vão até às coxas. Gosto de todas, mas prefiro as mais curtas. Um dia desses, o namorado me deu uma de presente. Acho que comentei alguma coisa e ele anotou. Uma bata linda, verde clara, adorei. Há uma coisa que não contei a ele. Sinto um prazer enorme em andar dentro de casa vestindo apenas a bata. Isso mesmo, a bata e a calcinha. É tão confortável. Quando usei o presente, ele disse que eu estava linda.

Saímos, passeamos, acho que fomos ao cinema, fizemos um lanche. Depois trouxe o namorado pra minha casa. Logo ao entrar, começamos a nos abraçar, beijar, um agarra agarra e tanto. Antes de chegar ao quarto, já estava eu sem a calça comprida, apenas a bata sobre o corpo, como costumo fazer quando estou sozinha. Ele falou você fica bem assim, só de bata, as pernas de fora, e essa calcinha pequenina. Fiz um gesto inocente, na verdade uma pose, o sorriso nos lábios, as pernas um pouquinho curvadas e as mãos sobre as coxas. Merece uma foto, ele completou. Mas lógico que não clicou, ficamos apenas nas palavras. Mais um pouquinho eu continuava de bata, mas sem a calcinha. Daí em diante, não preciso contar, fizemos a festa.

Meu namorado ficou com a imagem na cabeça: eu de calcinha e de bata. Seria bom se você pudesse sair assim, de calcinha e de bata, sugeriu. Sorri. Vai ser um escândalo, respondi com fisionomia de quem tem na pele um arrepio. Sabe, tenho uma amiga que topa qualquer coisa, já saiu até nua, acrescentei. É mesmo, como ela faz?, ele quis saber. Hum, eu dando ideia, o que iria acontecer comigo? Ah, acho que ela sai de casa pra garagem, entra no carro e dirige nua. Jura?, ele, curioso, dirige nua?, repetiu. É totalmente louca, acho que já foi nua encontrar o namorado, afirmei. Ficamos nisso, ele não perguntou nada mais, nem nada acrescentei.

Lembrei um episódio de minha adolescência. Certa vez fui à praia com dois amigos também adolescentes. Na volta, paramos na minha casa, fizemos um lanche, depois os levei pro meu quarto. Pedi licença, fui ao banheiro, tomei uma ducha e voltei enrolada na toalha. Vocês permitem que eu fique nua?, não é sem vergonhice não, adoro ficar nua depois que chego da praia, mas não significa que vocês possam me agarrar, compreenderam? A princípio eles ficaram surpresos, e adoraram me ver nua, deitada na cama; eles juntos a mim, um de cada lado. A partir daquele dia, passamos a fazer aquele programa. Praia, minha casa, lanche, e eu nua no quarto entre os dois. Chegamos mesmo a namorar, os três ao mesmo tempo. Eles, como só tinham a ganhar, jamais comentaram com alguém. O namoro, porém, nunca foi além de beijos e carícias, dois pares de mãos a percorrer meu corpo.


Que legal essa tua amiga, foi encontrar nua o namorado. Acho que ele me imaginou batendo nua à porta dele. Já pensou se alguém do apartamento ao lado abre antes de você?, perguntei em meio a uma breve gargalhada.

Num outro dia, andava eu sempre de bata pela casa, mas estava sozinha. Desfilei de um lado a outro, fui à cozinha, preparei um lanche levinho. Que prazer. No sábado à noite, encontrei o namorado,

Vestia saia curtinha, blusinha leve, verão, perfume no ar. Como você está linda, ele disse surpreso. Está muito calor, retruquei. E saímos no carro dele. Um passeio pela orla, a parada num quiosque, água de coco e um sorvete. Que namoro inocente, vocês dirão. Será?, voltamos pra casa depois da meia noite e fizemos outra festa. Ele pediu pra eu desfilar apenas vestindo a blusinha. Somava-se a ela apenas a bolsa a tiracolo e a sandália plataforma. O homem ficou morrendo de tesão. Até que eu disse tenho uma surpresa, espere um instantinho. Abri a porta, e saí como estava vestida. Volto já. Percebi que ele ficou a mil. Quis ir comigo. Não posso deixar você sair assim por aí, quis ele intervir. Nada disso, vai dar tudo certo, assegurei. Ele pensou que eu ia ficar ali pela porta de casa, no pequeno jardim. Eu havia apanhado a chave do carro, escondidinha, e saí pruma volta no quarteirão. Ao ver que eu já ia longe, e de automóvel, ele quase enlouqueceu. Quando voltei, ele fez charminho. Deixou-me batendo à porta um bom tempinho. Eu, seminua. Olhe, se passar alguém na rua vou com ele, viu, tem tanta gente querendo me namorar. Então, abriu a porta e eu me atirei nos seus braços. Você é totalmente louca, sentenciou. Depois disso, bem, vocês imaginem. Meu namorado ficou com a pulga atrás da orelha, como minha avó dizia. Como você aprendeu essas coisas todas? Todos os homens vão querer você, caso saibam das tuas artimanhas.

No último sábado, saí de vestidinho. Ele me perguntou você me deixa te levar pra passear peladinha? Hum, quem sabe, eu estava esperando a sugestão, mas não fui me atirando de cabeça. Vamos andar um pouquinho, depois pensamos nisso, suspirei sem que ele notasse. E saímos pro nosso passeio. Um passeio demorado, uma volta completa, com água de coco e sorvete. Então, chegou a hora de passear nua. O que você está fazendo?, perguntou num faz de conta. O que você sugeriu, estiquei o pescoço e taquei-lhe um beijo. Tirei o vestidinho. Eu, de calcinha, os peitinhos de fora. Está bom assim? ele veio acariciar-me, tocar-me os dois seios. Falta uma coisinha, disse eu rindo que só. Tirei a calcinha, um gesto rápido, de acrobata. Você abre a mala do carro?, perguntei. Está aberta. Saltei, corri até a traseira, levantei a tampa e coloquei lá dentro o vestidinho e a calcinha. Pronto, agora podemos ir, falei depois de entrar e bater a porta. Tocava uma música romântica no rádio, nós dois rolando na autoestrada. Não olha pra mim não, afirmei cruel, você está ao volante. Cuidado!, cheguei a dar um gritinho. Suspirei, cruzei as pernas e dei uma risadinha, esquecida do mundo lá fora. Numa saída lateral a uma estrada secundária, ele desviou; logo depois, parou. O final, vocês imaginem com muito amor, muito mesmo.

Depois da praia eu nua de novo na minha cama; de cada lado, meus namoradinhos de adolescência!

terça-feira, agosto 30, 2016

Vice-versa

O difícil é convencê-lo. Como posso deixar você assim, quase uma da madrugada e num lugar tão deserto?, nervo puro o homem. Desde o começo avisei que não daria explicações sobre isso, rebato, e tem mais uma coisa, lembra que aceitei a sua aproximação, deixo você realizar o seu desejo, sempre nos encontramos duas horas antes e ficamos muito à vontade. O homem respira fundo. Teme que me aconteça algo ruim. Não vai acontecer nada, fique tranquilo, uma mulher bonita tem sorte, depois de amanhã estaremos juntos de novo, você vai poder invadir o meu corpo, como gosta de dizer. Ele fica sério. Toma a sacola nas mãos sem mostrar muito jeito, aponta sem saber como agir. São roupas, digo já sem paciência, nunca viu roupa de mulher?, depois de amanhã pego de volta, cuida porque são roupas caras, e tudo está pelos olhos da cara. Ele acaba aceitando. Entra no carro, mas demora a dar a partida. Bato duas vezes na lataria da porta. Não o vejo, mas faço sinal que se vá. Assim que o carro desaparece, sinto aquele friozinho no estômago, comum nessas situações. Ao longe faróis anunciam a aproximação de outro veículo. Da beira da estrada, pulo para dentro do mato, me agacho. Sei que não é quem aguardo. Para uma picape. Desce um homem grande. Acho que desconfia, talvez me tenha visto de relance. Meu coração acelera. Permaneço quietinha, guardo até mesmo a respiração. Chego a suar. Dou com as nádegas na terra, entre a vegetação. Se esse homem me encontra, já sei o que vai acontecer, penso, ainda sem soltar o ar. Escuto som de água correndo, depois sinto o cheiro. Xixi. Isso mesmo. O desconhecido urina quase ao meu lado. Ao longe ouço o som de outro automóvel. Assim que passa, um cão gane. O ronco do motor anuncia a partida do automóvel. O grandalhão se vai. Solto a respiração. Volto cautelosa à beira da pista. Limpo com as mãos o naco de terra que me gruda às coxas e ao bumbum. Procuro o perfume dentro da bolsa, mas faróis novamente se aproximam, e o alerta vem piscando. É o sinal. Carlos para, abre a porta. Entro. Ai, você ainda me mata, pouso as mãos sobre as coxas depois de beijá-lo. A questão deste é outra, quer saber como faço para chegar nua até ali. Nada de perguntas, vamos aos fatos, declaro. Então ele me leva a um hotel, desses em que se entra com o automóvel dentro da garagem do apartamento. Juntos tomamos banho. Carlos me ensaboa e eu passo as mãos sobre o seu tórax. Quando voltamos ao quarto, tira da bolsa a garrafa térmica. Ela contém água morna. Serve-me um grande gole num copo que há sobre o frigobar. Encho a boca com a água. Está suave. Sento-me na cama. Ele chega o pênis bem junto do meu rosto. Abro a boca. Deixo que deslize através dos meus lábios até mergulhar no líquido tenro, que guardo entre as bochechas. Fazemos um sexo oral delicioso. Seu pênis indo e vindo, banhado na água morna. Carlos se extasia e não demora a gozar. Quando tira fora o sexo tapa-me a boca, pede que eu engula a água junto com a porra. Faço hum hum como sinal de aprovação. Assim que vê os músculos do meu pescoço demonstrarem o movimento de deglutição me solta e corre a beijar minha boca. Deitamos e ele enfia seu sexo na minha vagina. Quando está próximo o fim da madrugada digo a ele vamos, não tenho o que vestir. Ele morre de tesão e me come mais uma vez, pleno de voracidade. Saímos às cinco e quinze. Ainda predominam as sombras, mas à oriente se percebe alguma claridade. Quando chegamos a casa beijo o namorado, olho ambos os lados, abro a porta do automóvel e corro. Amanhã você me conta como faz para vir nua ao meu encontro, ainda o ouço. Ok, respondo, amanhã falamos sobre isso. Já pensei também em começar por Carlos. Ser deixada na estrada depois da meia-noite por ele e apanhada pelo namoradinho da matinê. Mas, desse modo, saberiam o meu segredo. Logo, nada de vice-versa.

terça-feira, agosto 23, 2016

A calcinha ficou no bolso dele!

Ele sempre me pedia para eu vir com o vestido curto, coladinho ao corpo. Eu não podia sair lá da Baixada, onde moro, tomar o trem vestida, ou melhor, nua daquele jeito, os homens querendo-me despir com seus corpos, beliscando minhas coxas e outras coisas mais. Iam me chamar de piranha, vadia, vagabunda. Eu estaria a serviço de quem pagasse mais. Por isso o vestidinho veio na bolsa, e eu de macaquinho, as pernas de fora, mas comportadas. À tarde, encontrei com o namorado. Fomos a um hotel. Bonito o lugar, pode-se dizer requintado. Ele gosta de conversar, de me abraçar, beijar, de ficar agarrado comigo, quase inocente. Olhei o cardápio e telefonei pedindo um lanche. Continuamos nosso papo e nossos toques. O lanche não demorou. Comi com gosto. Ele apenas ficou olhando para mim, me apreciando. Quando acabei, ainda esperei um pouco, sorri, fui até a janela e olhei lá embaixo. Depois voltei e disse que ia ao banheiro. Demorei uns dez minutos. Tomei um banho, escovei os dentes e vesti o vestidinho. Abri a porta e disse:

“Surpresa.”

Ele ficou realmente excitado. O vestido curtinho, coladinho, subia quando eu dava alguns passos. Ao chegar perto dele, não deixei que viesse logo me agarrar, não queria que colocasse as mãos por baixo do pano. Pelo menos naquele momento. Fiquei um pouquinho distante. Desfilei. Só depois fui chegando a ele, me encostando. O namorado me pegou pela cintura, me levantou.

“Não vou tirar o teu vestido, não, mas a calcinha.”

Me colocou no chão, deslizou as mãos pelas minhas coxas e trouxe a pequena peça enroladinha, puxou até os joelhos, depois desceu aos tornozelos, ultrapassou o calcanhar e a calcinha nas mãos dele. Guardou em um dos bolsos. Tal ação me provocou arrepios. Há homens que adoram nos deixar sem a calcinha não apenas no momento do sexo, mas também gostam de guardá-la com eles. ‘Depois compro outras pra você’, dizem. Já tive namorados assim.

Mas este não ia roubar minha calcinha. Ele adorava meter em mim seu grande pênis. Primeiro pediu que eu o chupasse. Quando me dei por satisfeita, levantei a cabeça, deitei, ele veio me penetrar. No meio do caminho, falou:

“Vamos fazer coisa melhor.”

Sentou numa cadeira, pediu que eu me aproximasse, que abrisse as pernas, o vestidinho sobre o corpo, e que descesse e subisse várias vezes sobre o sexo dele. Eu é que devia regular os movimentos, o nível da penetração.

Uau, que delícia.

Não posso nem pensar. Deixei mesmo que ele gozasse dentro de mim. Estava tão gostoso que não tive coragem de tirar. Ele cuidou para que não sujasse o vestidinho.

“Você passeia comigo com o vestidinho?”

“Como pego o trem depois?, vão me agarrar”, retruquei.

“Fazemos assim, passeamos, depois vai ao banheiro do Mc Donalds e troca pelo macaquinho.”

Concordei. Fomos ao passeio. Era fácil perceber todos os homens a me acompanhar com os olhos. Não é só no trem que há tarados.

Anoiteceu, tomamos um suco no café da Cultura.

“Então, vamos”, pedi.

“Ao Mc Donald, que não serve só hamburguês”, ele completou.

Ri. No banheiro, ao vestir o macaquinho foi que lembrei: onde a calcinha?

Na saída, nada falei, sorri, beijei-o e parti.

Quando cheguei a casa, lembrei: a calcinha ficou no bolso dele!

Ah, deixa pra lá. O importante e que tudo foi muito bom. E o vestidinho pronto para entrar em ação de novo.

terça-feira, agosto 16, 2016

Trinta minutos

Olha, Sirlene, o homem é bonito. Ela ria, três copos de cerveja, ria desbragada. Olha, Sirlene, vamos manter a compostura, modos, podemos desejar, mas discrição acima de tudo. Cruzou as pernas para o outro lado, a esquerda agora sobre a direita. Nas paredes, fotos de cantores, a música paga, jukebox. Quer ouvir de novo, Sirlene? Quanto a ficha? A mesma música mais uma vez, emoção. O homem de costas para o balcão olhava em linha reta. Não sei se a mim ou a ela. Sei que olhava, tenho certeza. Às duas? Talvez. Não, não, às duas não. Sirlene ria, olhou pra mim. Você gostou, hein?, eu disse, na verdade gosta de todos, cada semana um, ou todos ao mesmo tempo, não sei. Ela suspirou duas ou três palavras; quero pagar pra ver. Quatro palavras, afinal. Deixe que ele venha, não precisa avançar tanto, Sirlene, com dificuldade eles gostam mais, traçam planos, estratégias. Lembra a Emengarda? Sei que já está entrada em anos, Emengarda e o vestidão, mas eles não desistem, o que conta é o sorriso enigmático, eles não sabem se avançam ou esperam, se ela sorri pra eles ou pra dentro. Verdade, Sirlene, há mulheres que sorriem pra dentro, tudo pra dentro, isso mesmo, querem tudo ao avesso, não apenas o sorriso, o homem também, o homem pra dentro delas, o prazer assim é maior, o jogo demorado, às vezes a noite inteira, e Emengarda nua às quatro e trinta da madrugada, só tenho meia hora ela diz aos homens, tenho compromisso, eles fazem de conta que não entendem, mas ela goza, e como, lógico que eles também, mas ela não deixa que eles gozem primeiro, sabichona a velha, ou melhor, nem tão velha, madura, ou no ponto, sei lá. Não acredita, Sirlene?, por que então a mulher fica num bar até as quatro e trinta com um copo de guaraná?, além do gozo, a mulher não bebe, juro, nem uma gota, deixa pro gozo, sem bebida é mais intenso. Como sei disso? Lógico que não foi ela quem me contou. As paredes têm ouvido, Sirlene, aliás, têm olhos também. Não se trata de fofoca, mulher, não me dou com fofoqueiras. Sei que a ladeira é cheia delas, mas não me dou com fofoqueira alguma. Verdade, amiga, quem me conta, jura, e não brinca, é pessoa séria. Emengarda tem um segredo. Relato da mesma pessoa, pessoa séria, posso afirmar. Modos, mulher, faz como a Emengarda, pernas fechadas, discrição, no final quando sobra ela e o homem, às quatro e trinta, ela diz só tenho trinta minutos, tenho compromisso. Mas enquanto bebe o guaraná, nada fala, nada de expansões vazias, o homem tem de sofrer, se for fácil, vai embora logo, eles ficam, esperam a hora que ela vai. E só às quatro e trinta, apenas meia hora. Sirlene, calma, ele não vai agora. Está olhando pra mim? É porque sou mais difícil, mulher, não estou me abrindo pra ele, não mostro as pernas num bar, nada de vestido curto, nada de calcinha na bolsa, eles se interessam, depois vem falar ao meu ouvido. Não sei, vou responder espero o namorado. Eles morrem de raiva e de tesão quando ouvem que a mulher espera outro homem. Pagam pra ver, ficam até ela ir embora. Ele não veio, tenho enfim de dizer, me deu bolo. É a única vez que sorrio. Não sabem se é de disfarçada desilusão ou porque fiz que esperassem até quatro e trinta da madrugada, a noite quase perdida. Como Emengarda. Nenhuma de nós dá nada por ela, e sempre trepa mais do que a gente. E de vestidão. Eles não desconfiam que ela se insinua com vestidões. A mulher tem ardil, acaba a noite sempre com um homem, nada de noite perdida, e cada um mais bonito do que o outro. E querem voltar, se deixar querem até morar com ela. Emengarda se transforma quando tira o vestidão. Certa vez deixou um deles tão louco que ele lhe levou o vestidão. Mas ela não ligou, tinha outro em casa. Sirlene, você não escutou o que ele me falou, sei, o jukebox, a música, o volume alto. Você espera por mim? São quatro e trinta, tenho compromisso, apenas trinta minutos, viu, apenas trinta minutos.

quarta-feira, agosto 10, 2016

Você quer que eu fique nua pra você?

Você quer que eu fique nua pra você?, tudo bem, mas vamos a um hotel, não gosto de namorar dentro de carro nem lá embaixo na areia da praia, eu disse.

Eu o conhecera já fazia duas ou três semanas, ele viera trabalhar na cidade, na verdade um lugarejo, mas que tinha instalações para exploração de petróleo em alto mar. Passamos a nos encontrar quase todos os dias, frequentamos o principal restaurante, que ficava na orla marítima. Ele atendeu ao meu pedido. Ensinei o caminho e fomos a um hotel na cidade vizinha.

Durante o tempo em que ele permaneceu na minha cidade, ficamos juntos. Levei-o uma ou duas vezes pra casa. Mas não quis que virasse costume. Como nesse tipo de lugar quase todos se conhecem, logo começa o falatório, e eu não estava a fim de ouvir bobagens. Sabia que ele não ficaria pra sempre, o trabalho dele não permitia, eu tinha consciência também de que quando ele partisse seria muito difícil encontrá-lo de novo. Nos seus últimos dias, resolvi fazer algo marcante, algo que me tornaria inesquecível a ele.

Tenho uma fantasia, falei. Fantasia?, ele me olhou curioso, sorriu e esperou a explicação. Nada de carnaval, lembra quando saímos nas primeiras vezes?, você queria tirar minha roupa dentro do carro, pedi então pra irmos a um hotel; aqui há um pequeno morro, de lá dá pra ver a cidade inteira, embora a escalada seja um pouco cansativa; minha fantasia é tirar a roupa lá no topo; não podia pedir isso a você naquele dia; vamos hoje? Ele concordou, achou a ideia muito boa e engraçada. Ensinei o caminho. Guiou até as proximidades. Deixamos o carro bem protegido, num trecho da estada que pouca gente conhece. Começamos a subida.

Sabia que não encontraríamos pessoa alguma naquelas bandas, mas mesmo assim preferi tomar o caminho mais difícil, afastado da possibilidade de um encontro casual com qualquer habitante da cidade. Algumas vezes tínhamos de andar no meio do mato; outras, aparecia um tipo de trilha, que nos ajudava. Faltando cem metros para atingirmos o topo, encontramos uma espécie de caverna. Como eu já conhecia o local, entrei e o chamei. Ali dentro o abracei, beijei-o na boca e ficamos agarrados um ao outro por um longo tempo. Você não me quer nua?, incentivei. Ele fez que sim com a cabeça. Tirei então toda a roupa, enrolei a blusa, a calcinha e o sutiã e os coloquei dentro da calça comprida, enrolei a calça e a escondi num dos cantos da gruta. Quem cavou isso aqui?, ele perguntou. Não sei, esse lugar já existe faz tempo. Você não tem medo que alguém more nesse lugar, algum desconhecido?, você vai deixar suas roupas aqui?, ele duvidava. Não vem ninguém não, vamos subir. Peguei o namorado pelo braço e continuamos a escalada. Após um tempinho, atingimos a parte mais alta. Sempre à frente, mostrei os quatro cantos da cidade. Foi engraçado, eu nua puxando o homem de um lado a outro pra mostrar a paisagem. Ninguém ainda teve essa mesma ideia, de vir aqui pra namorar?, ele estava preocupado. Acho que não, falei, a cidade tem lugares mais fáceis de se chegar, onde se pode namorar sem ser incomodado.

E realmente foi assim, namoramos bastante e não apareceu ninguém enquanto estivemos ali. Mas o namorado se mostrou um pouco intranquilo. Você não precisa ficar preocupado, relaxe, eu dizia, quem está nua sou eu. Abracei-o mais uma vez e trouxe o seu sexo de novo para o meio das minhas pernas. É bom a gente gozar com essa paisagem bonita em volta, debaixo desse céu salpicado de estrelas, veja como brilham, falei O céu estava sem nuvens e sem lua, dava para ver até mesmo a via láctea. Quando ele pensou em descer, resolvi pregar uma peça. Contei uma história.

Você deve estar pensando que trago aqui todos os namorados, ou todos os homens que conheço, mas não é isso não; confesso que já vim, fiquei nua, mas apenas com dois deles; e o mais engraçado foi o que aconteceu uma das vezes. Alguém surpreendeu vocês, e como você estava nua..., ele insinuou. Não, não foi bem assim, sabe a caverna?, fiz como agora, deixei minhas roupas lá, mas quando voltamos elas tinham desaparecido. Jura?, ele fez cara de surpresa. Juro, procurei tudo, mas não encontrei, o rapaz ficou como você, mais apavorado do que eu. Não posso voltar nua pra casa, disse a ele, mas temos um jeito, me empresta tua camisa, pedi. Ele vestia uma blusa de mangas compridas de tecido aflanedado, pois era outono e ele parecia sentir frio à toa. Sem a blusa vou ficar doente, mas tenho outra solução, vou descer sozinho e volto com uma roupa pra você, ele assegurou. Acreditei no homem e fiquei esperando, agora me pergunte se ele voltou?, eu disse finalizando o relato. E como você fez? Ah, isso não posso contar, morro de vergonha. Você voltou pelada pra casa?, perguntou ansioso. Não posso dizer que não, mas também não posso dizer que sim. Agarrei o homem, tirei seu sexo para fora da calça e trepamos mais uma vez. Descemos calados, já alta a madrugada. Entramos no carro e ele me deixou em casa. Antes de ir embora, ainda o beijei pela última vez. Você ficou me devendo, ele acrescentou. Eu?, o quê?, retorqui. O fim da história. Ah, não liga não, brincadeirinha, sabe como é a vida numa cidade pequena, sorri e acenei um adeusinho. Fiquei olhando o carro até desaparecer no final da rua.

Ah, meu namoradinho que me deixou nua, tomara que um dia desses você apareça de novo por aqui.