terça-feira, maio 03, 2016

Recatada

Sempre fui uma mulher recatada, visto roupas que destacam o meu corpo, mas nada de saias ou vestidos muito curtos. Pernas de fora, apenas na praia, é o que sempre achei. Mas o meu namorado acabou me convencendo a usar roupas extravagantes.

Se encontro alguém?, pergunto preocupada.

Você faz de conta que é outra pessoa.

Outra pessoa?, assusto-me.


Passei a sair com penteados diferentes, ele me deu dois ou três pares de óculos, dois de lentes escuras. Alguns dias cheguei a cobrir a cabeça com lenços, ou mesmo com uma espécie de véu. Comecei a gostar da brincadeira.

Frequentamos os restaurantes de uma cidade vizinha. Tudo ia às mil maravilhas até que, de repente, avistei uma pessoa conhecida. Ela não me viu, ainda bem. Fiquei tão preocupada que não reparei com quem ela estava. Quem sabe alguém já me avistou e nada falou? Meu namoradinho, porém, se mostrava cada vez mais entusiasmado. A cada entusiasmo dele, minhas saias ou vestidos ficavam mais curtos.

Houve uma época em que pensei um modo de atrair os homens, não imaginava que a roupa produziria tanto frisson. Que ótimo, agora já sei, caso este namorado desapareça, já tenho um método, vou atrair o homem que eu desejar.

Certo domingo ao entardecer ele veio me buscar para mais um passeio.

Tenho uma surpresa, disse.

Tirou de uma sacola um presente. Abri o pacote.

Que camiseta linda!, adorei.

Não é camiseta, sussurrou.

Não? O que é, então?

Um vestidinho.


Gelei. Ele me quereria domingo a passeio com o vestidinho.

Vesti-o apenas para agradá-lo. Vim à sala e disse:

Caso saio assim, só de camiseta, todos os homens vão correr atrás de mim.


Não adiantou minhas ponderações. O namoradinho insistiu tanto, que saí de camiseta.

As pessoas vão pensar que você está de short por baixo, falou.

Veja se há alguém na rua, pedi.

Não tem ninguém na rua, pode vir.


Corri para o carro e entrei. Ele guiou para Rio das Ostras. Durante a viagem ligou o som e escutamos músicas que nos estimulavam. Ele passava a marcha e escorregava a mão direita sobre minhas coxas.

Paramos na Costa Azul. Ventava. Saímos do carro. Ele comprou duas garrafas de cerveja e me deu uma. Descemos à praia.

Ele me abraçou, me beijou e deslizou a mão por baixo da camiseta.

O que foi?, perguntei ao perceber que ele se estava surpreso.

A calcinha?

Ah, eu disse, falta a calcinha.

Por que não me pediu? Eu compraria pra você.

Não estou sem por falta de calcinhas em casa, imagina o motivo.

Ah, sim, que tolo, já imaginei.


Escurecia. Só nós dois na praia. Ele levantou minha camiseta até me deixar de peitos de fora, depois puxou e conseguiu tirá-la de mim. A seguir, arremessou-a no ar e deixou que o vento a levasse.

Não faz mal, afirmou, se desaparecer vou comprar mais três.

Mais três?, repeti. Ah, não esqueça das calcinhas!

terça-feira, abril 26, 2016

O que aconteceu depois?

No momento do amor, ele sussurrou no meu ouvido:

“Conta pra mim o que te excita, vai, diz o que te deixa com tesão, principalmente quando você está sozinha e deseja alguém.”

Continuei agarrada a ele, passava as unhas sobre suas costas.

“Quer saber mesmo?, olha que conto, você vai adorar.”

“Então, conta, adoro ouvir você contar sacanagem.”

“Mas você precisa dizer alguma coisa antes”, afirmei, “algo que eu possa continuar; falar assim direto é difícil pra mim.”

“Tudo bem, começo e você continua, ouça: você adora se disfarçar, vestir uma saia bem curta, ou um vestidinho colado ao corpo, sair à noite, ir a uma boate, fingir que é outra pessoa...”

“Outra pessoa, isso mesmo, fingir que sou outra pessoa, mas preciso de uma máscara, dessas de maquiagem, como a dos atores, coloco a máscara e vou; sabe que tenho uma carteira de identidade com outro nome, achei certa vez a carteira, uma mulher bonita, tão bonita, procurei por ela mas não encontrei, queria devolver o documento, achei uma pena entregar nos correios, coloquei um anúncio e não apareceu ninguém, fiquei com a carteira; às vezes tento ser esta mulher, já fingi três ou quatro vezes, saio à noite, sou Silvia, o nome dela, ando pela cidade, vou a festas, a algum baile, até criei um história, um passado pra Sílvia, quando nasceu, onde morou boa parte da vida, o que estudou e o que faz atualmente, ela é uma mulher adorável, tenho tudo escrito; ela usa a saia curtinha, é atirada, sabe, sai com um homem de primeira, não pensa nos perigos, aliás para ela perigos não existem; adorável Sílvia.”

O namorado estava muito excitado, um toque a mais gozava.

“Assim você não vai saber a história de Sílvia”, falei em seu ouvido “relaxe.”

Ele soltou meu tronco, afastou o rosto e sorriu.

“A boate era na verdade uma caixa, de tão pequena; havia uma sofá que corria pela lateral e acompanhava toda o perímetro da pequena sala; as pessoas, sentadas, namorados agarrados às namoradas, as saias curtas, malhas que subiam, encolhiam, as mulheres não conseguiam manter as coxas cobertas; no centro, as pessoas dançavam; parei num canto, esperei, não sei por que mas se podia fumar no local, acendi o cigarro; um casal levantou e foi dançar, juntou-se aos outros; sentei no local recém desocupado, traguei o cigarro e soltei a fumaça com a cabeça um pouco inclinada para cima; não demorou um homem apareceu ao meu lado, ofereceu tudo que se vendia ali; recusei, mas ele trouxe uma garrafinha de vodca, acabei aceitando; ficou juntinho a mim, num curto espaço de tempo já estava com um dos braços envolvendo meu pescoço, me puxou para junto dele e me beijou na boca; do homem emanava um perfume adorável, foi o que me vez gostar de ficar coladinha a ele, naqueles momentos não tentou nada além do beijou e de alguns apertos; preferimos ficar curtindo as músicas e namorando, vez ou outra bebericando, nada de muitas palavras; lá pelas tantas levantamos e fomos para o centro da sala, três ou quatro casais dançavam, as luzes misturavam nossas silhuetas, a fumaça nos envolvia, a bebida subia e o pilequinho adiantava o tesão; quando tudo acabou fui com ele, saímos da boate quatro ou quase cinco da manhã; me levou para um hotel; já imaginou, eu nada sabia do homem, ninguém entre meus amigos sabia onde eu estava, eu era Sílvia, mulher que nenhum de meus amigos conhecem, o que fazer caso o homem tentasse algo de mal contra mim?; não pensei mais nisso, pedi apenas para ir ao banheiro, tomei um banho e voltei para o quarto enrolada na toalha.”

“O que aconteceu depois?”, o namorado me agarrou de novo, me beijou, subiu sobre mim.

“Aconteceu o que vai acontecer agora; aliás, agora, você precisa tirar minha calcinha!”

quarta-feira, abril 20, 2016

Virgínia

Vi quando Virgínia atravessou a Galeria do Comércio. Tentei alcançá-la, cheguei a correr, quase tropecei, mas ela entrou pela Gonçalves Dias e desapareceu. Tenho certeza de que também me avistou, mas fingiu não me ver. O que nunca entendi foi o seu desaparecimento.

Estivéramos juntas no último verão e foi ela quem me fez o convite.

“Um ricaço está com um barco ancorado na Marina, quer duas mulheres com ele, você está interessada?”

“Você o conhece?”

“Não, mas a indicação é segura, não há perigo algum.”

“E o que precisamos fazer?”, perguntei antes de levar à boca a xícara de café. Estávamos no salão de chá do CCBB.

“Basta que confirmemos através do telefone; o convite é para estarmos lá por volta das dez da noite.”

“O que você acha, devemos ir?”

“Passar a noite num barco parece ser estimulante, não? E, além disso, o ambiente é suntuoso, teremos uma noite de beleza e prazer.”

O garçom se aproximou e deixou, diante de Virgínia, um bonito pedaço de torta de morango. Eu comia, de garfo e faca, um pão ciabata com mussarela de búfala e tomates secos.

“É para hoje o convite?”, perguntei.

“Amanhã.”

“O que devo vestir?”

“O que quiser; ao chegarmos lá, passaremos antes por uma espécie de vestiário; devemos usar as roupas que ele tiver escolhido.”

“Roupas de que tipo?”

“Não sei, mas devem ser roupas chiques. É um tipo de fantasia que ele tem: gosta de vestir as mulheres."

“E quem as despe?”, sorri eu mesma com a pergunta.

“Ele, também.”

“Ok, combinado.”

No dia seguinte fomos juntas. Peguei um táxi e apanhei Virgínia em Copacabana. Na entrada da Marina, identificamo-nos. De imediato, abriu-se o portão e o táxi nos levou até o local indicado pelo funcionário; este vestia uma espécie de farda azul com botões dourados, muito semelhantes daquelas que vestem os empregados dos hotéis internacionais. Ao sairmos do automóvel, uma recepcionista muito simpática recebeu-nos. Acompanhou-nos até um vestiário. Lá nos entregou roupas boas, muito bem cortadas e costuradas, na verdade roupas de desfile; e, como é comum a esse tipo de roupa, extravagantes, muito curtas e transparentes. Como estou habituada, não me senti desconfortável. Mas Virgínia não reagiu da mesma forma; falou: “Estou nua.”

“Nua, nada, quantas mulheres não gostariam de estar em nosso lugar?”

A recepcionista, que nos acompanhava em tudo, sorriu. Após dizer que estávamos lindas, levou-nos até a embarcação.

Entramos. O leve marulhar proporcionava graça especial. O barco acompanhava os ligeiros movimentos da preamar. Descrevê-lo, por mais preciosas as palavras, seria tentativa vã. Imaginem o que há de melhor arranjado e de mais alto requinte. A mulher deixou-nos. Fomos recebidas por um homem de farta cabeleira grisalha, avantajada para sua idade. Ele era forte, mas um pouco acima do peso; deveria estar por volta dos sessenta anos. Dirigiu-se a nós, apresentou-se educadíssimo.

Virgínia piscou-me os olhos. Entramos na cabine espaçosa. Uma música em inglês soava baixa, voz de mulher, parecia blues nova-iorquino.

“Como estão passando as maravilhosas senhoritas?”, foram as palavras dele.

Apenas sorrimos. Ah, o nome dele era Taylor.

Ofereceu-nos bebida apontando para um bar em que os copos de cristal ficavam encaixados em suportes. Garrafas de todas as bebidas se enfileiravam de modo harmonioso.

“Que tal champanhe para comemorar o gracioso momento?”

“Não é mal”, eu disse.

Abriu uma garrafa especial, segundo ele. Serviu-nos. Tilintamos as taças e bebericamos. Estava uma delícia.

Deslizou uma pequena plataforma que se transformou em mesa. Apareceram vários tipos de salgados. Também havia pastas e pequenos sanduíches. Fez um gesto para que experimentássemos.

Entabulamos conversa sobre os sete mares. Aliás, apenas ele entendia de mares. O máximo que eu e Virgínia podíamos fazer era esticar nossas aventuras litorâneas, enumerar as praias que frequentávamos e aquelas onde, muitas vezes, apenas a água do mar escondera nossa nudez.

Em certo momento, após descansar o copo com uísque sobre o encaixe da mesa – sim, agora ele bebia uísque, eu e minha amiga mantivemo-nos fiéis ao champanhe –, tomou Virgínia pelas mãos, levantou-a e fez que ela desfilasse num ligeiro rodopio, ainda segura por um ou dois dedos dele. Sem demora, soltou-lhe o vestido, que foi ao chão; ela ficou só de calcinha – bem pequena por sinal – mas manteve-se altiva e risonha, fazendo de conta que esperava por aquele gesto. Não houve demora para que chegasse a minha vez. Tomou-me pelas mãos e, em vez de girar-me, conduziu-me até a pequena escada que levava ao passadiço; fez que eu a subisse. Do lado de fora, tirou minha roupa. Deixou que o vento a levasse.

Namorou ambas, quase ao mesmo tempo. Jamais vi homem com tamanho vigor. A noite e a madrugada transcorreram maravilhosas.

Mas lá pela tantas houve um incidente. Virgínia atirou-se ao mar. Ele mergulhou ao perceber que ela não voltava. Veio à tona duas ou três vezes antes de encontrá-la. Quando a trouxe nos braços, gritou para mim:

“Me ajude a tirá-la de dentro d’água.”

Acho que o episódio excitou-o ainda mais. Amou, uma vez mais, cada uma de nós.

Partimos apenas ao amanhecer.

Ele em momento algum mencionou o incidente, e Virgínia também não tocou no assunto.

sexta-feira, abril 15, 2016

Esquentação

Outro dia eu contava a Miriam sobre a francesa com quem aprendi uma boa maneira de esquentar o relacionamento amoroso. O segredo, segundo ela, é a gente arranjar outro homem além do namorado, mas apenas pra conversar, ficar juntinho, passear, pedir uma carona, despertar o seu desejo, mas jamais praticar o principal, o sexo. Este deve ser deixado pra depois, pra hora do encontro principal, com o namorado. Miriam sorriu, acabou dizendo essas francesas são terríveis.

Continuei a falar sobre meus relacionamentos. Sempre quando marco com Jonas, tenho um amigo que me dá carona. Saímos do trabalho juntos e vamos ao estacionamento. Dentro do carro, antes de ele dar a partida, faço carinho num dos braços dele, me aproximo, faço de conta que vou deitar a cabeça no seu ombro, deixo que ele encoste as mãos em mim, mas quando a coisa começa a esquentar me afasto. É muito engraçado. Ele dá a partida e dirige pelas ruas da zona sul. Às vezes coloco uma das mãos sobre sua coxa direita, outras vezes deixo que ele passe a mão, de leve, sobre as minhas pernas. Ao saltar, beijou-o com algum calor. Dali corro para os braços do Jonas, quentinha, ardendo pelo sexo dele.

A francesa tinha um namorado com quem vivia agarrada. Mas antes, era mais atirada do que eu, levava o amigo pra casa, queria que ele a esquentasse antes do namorado chegar, lógico que nada comentava sobre isso, fazia-se de inocente. Houve um dia em que entraram no apartamento e ela pediu licença para ir trocar de roupa. Voltou com uma camisola transparente, falou a ele assim: “você é quase meu irmão, não faz mal me ver nua, não é mesmo?” E sentou do lado dele. Ficaram uma hora e meia tocando um no outro, como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo. Ela conversava, um assunto emendava noutro e as mãos tocavam braços, pernas, coxas, até que... Nada disso, o marido abriu a porta e entrou, beijou a mulher, cumprimentou o amigo e sentou-se numa das poltronas. Ela levantou-se e se acomodou ao seu lado. O amigo, muito sem graça, disse que tinha um compromisso e se foi. A francesa dizia que gozava muito depois de tanto aquecimento.

Miriam parecia arrepiada, cada vez mais surpresa. Será que isso dá certo mesmo?, chegou a perguntar. Conversamos mais um pouco. Lá pelas seis da tarde ela se despediu e foi embora.

Suzana, você tem razão, você e tua amiga francesa, Miriam me falou tempos depois. Ela me beijou e sorriu. Disse que minha conversa ajudou muito. O namoro em que havia se metido estava fervendo. O namorado percebeu que ela andava muito com outro homem, pra todo lado o homem a acompanhava. Então, ela falou da francesa. Primeiro, ele ficou desconfiado, mas depois, ao perceber o ardor da mulher, não quis outra vida. Mas quem não entendeu foi o amigo. Não houve quem lhe tirasse o pensamento de que Miriam não queria nada além daquelas cenas de esquentação. Ela nada falou a ele sobre isso, queria que ele percebesse. Mas o homem não tinha a menor sensibilidade. Não é melhor você ter uma mulher nua ao teu lado do que não ter ninguém?, ela, num momento de irritação, lhe perguntou; amanhã eu posso não estar aqui, é melhor assim, completou. E ficou agarrada a ele, deixando o principal para o verdadeiro namorado. Eu quis saber se Miriam ficara nua ao lado do segundo. Não, fiquei com uma sainha que é uma coisa à toa; o homem passou a mão pelas minhas coxas, conseguiu ir mais longe do que nos dias anteriores; olha, assim não volto amanhã, disse eu, então ele sossegou. Você nunca soube de ninguém que acabou dando pro segundo?, ela me perguntou, de seu rosto emanava um ar de curiosidade.

Uma vez aconteceu, com uma amiga, confessei a ela, mas não foi bom, ela acabou a relação com o segundo, e ficou sem ninguém pra esquentar.

Que pena!, Miriam lamentou; tenho, então, que ser muito inteligente; sabe, Suzana, outro dia quase aconteceu, mas me recompus a tempo, foi por um triz, quase escorreguei, quero dizer, quase ele escorregou, já ia caindo lá dentro.

Ambas demos uma sonora gargalhada. Tudo depende de nós, querida, falei, basta pensar: o que vem depois será muito melhor.

terça-feira, abril 12, 2016

Vestido curtíssimo

Luiana tinha cabelos compridos porém maltratados, rosto suave mas sem nenhum atrativo. À primeira impressão, todos os moços achavam-na feia. Lu, como a família costumava chamá-la, vestia-se com retalhos de tecidos que o amante lhe trazia. A traída era costureira. Lu emendava aqueles pedaços de tecido com muito gosto. Era o que podia esperar daquela situação. Fazia saias e blusas para cobrir seu esculpido corpo. Corpo que Manoel, da cidade vizinha, aproveitava. Ninguém da família sabia deste romance. Com muitos irmãos homens, Luiana tomava o maior cuidado, pois não queria perder o que mais lhe fazia bem: o sexo. Seus irmãos pensavam ter uma irmã ingênua, pura e virgem, sempre falavam: "o cabra que fizer algum mal a mana terá que se ver com os nossos facões afiados". E Lu guardava seus encontros em segredo. Tinha um lugar secreto para se encontrar com o amante. Uma gruta na localidade vizinha. Ela falava para os pais, já velhos, que precisava visitar um abrigo muito longe dali. Adorava crianças, fazia de conta. Na verdade, Lu adorava era ensaiar pra fazer bebê, mas tomava as providências necessárias

Manoel era bom no assunto. Sabia que debaixo daquelas saias tinha uma vagina quente, espumando, à espera de prazeres. Eles se encontravam duas vezes por mês. Luiana, para despistar pais e irmãos, dizia que a coordenadora do abrigo lhe dava os retalhos para costurar também roupas de criança.

Luiana vivia costurando, mas não saía nenhuma roupa infantil. Ela costurava, além de sua roupa, colcha para forrar a relva ou uma pedra, em formato de coração, sobre a qual se deitava com Manoel.

Um dia Luiana estava tão estimulada, que deixou Manoel esfolado. Em casa, ele nem procurava a esposa, vinha esgotado do trabalho, dissimulava ele como desculpa.

A esposa costurava muito, e Manoel dizia vender os retalhos na capital. Ele conseguia dinheiro, mas o usava apostando nas casas de jogo das cidades próximas. Tinha sorte no jogo e, muito mais, no sexo.

Numa determinada tarde, Luiana surpreendeu Manoel, foi ao encontro dele com um vestido curtíssimo, que ela mesma costurou. Vestiu-o antes de entrar na gruta. Fizeram o sexo mais explosivo de todos aqueles encontros. No final, Manoel era o homem mais feliz do mundo. Mas seu coração não aguentou. Luiana saiu correndo deixando lá o corpo do amante. Estava tão assustada que se esqueceu de trocar o vestidinho pelo que costumava usar ao sair de casa.

A viúva jamais encontrou Manoel e pensa que ele está enterrado num mangue bem longe dali. Que foi morto por cobrar aos compradores de retalhos.

Luiana envelheceu com aquela história de amor no coração. Ficou solteira, porém não mais virgem. No seu interior, sentia-se feliz por ter conhecido Manoel e aproveitado o melhor da vida.

terça-feira, abril 05, 2016

Você gosta de ouvir sacanagem?

Eu estava no banheiro de um hotel. No quarto me esperava quem eu mais gosto. E era a primeira vez com ele.

Chegáramos havia uma hora. Durante um bom tempo apenas conversamos. A seguir, olhei o cardápio e pedi um pequeno lanche, que foi entregue após quinze minutos. Comi vagarosa. Ele não quis, almoçara, apenas bebeu um gole do meu suco. Quando acabei e me sentei na cama, senti suas mãos sobre meus ombros. Nada falei naquele momento deixei que percorressem minhas costas, que me massageassem. Passaram-se alguns minutos. Pedi licença para ir ao banheiro.

Entrei, tranquei a porta, escovei os dentes; depois tirei a roupa e tomei um banho. A água morna me tranquilizou. Sai da ducha e enxuguei todo o corpo. Vesti a calcinha e o top, enrolei-me na toalha, abri a porta e voltei ao quarto.

Deitei na cama ao lado dele. Ele sorriu, me beijou timidamente e começou a me fazer carinho. Aproximou as mãos dos meus peitos e os percorreu com os dedos; apertou-os, cuidadoso, com as palmas das mãos. Pode tirar, falei. Dei as costas, ele soltou as presilhas liberando o sutiã. Meus seios saltaram. Ele os beijou. Soltou a toalha, presa à minha cintura. Fiquei apenas de calcinha. Desceu as mãos pela lateral dos meus seios, do meu abdômen e beliscou as alcinhas da pequena peça. Desceu a calcinha e ficou com ela nas mãos durante alguns segundos. Estava louca que ele deitasse sobre mim, não via a hora de tê-lo sobre meu corpo, de experimentá-lo. Ele largou a calcinha em algum ponto da cama e se achegou a mim. Pouco a pouco foi tirando a roupa. Ele ainda estava vestido! Há mulheres que morrem de vergonha quando estão nuas ao lado e um homem vestido. Mas não é o meu caso. Esperei que tirasse toda a roupa e que deitasse, primeiro ao meu lado, depois sobre mim. Mas não foi uma relação rápida, como marido e mulher. Fizemos várias posições, chupei o seu pênis, virei de costas, deixei que percorresse meu corpo com a língua. Depois sentei sobre ele, quis que me penetrasse. Mais alguns minutos, deitei. Ele veio sobre mim. Foi então que comecei a falar baixinho, no seu ouvido, você gosta de ouvir sacanagem?, vou contar uma porção de coisas. Ele disse sim, conte, adoro ouvir uma mulher dizer sacanagem. Soltei essa: estou ardendo, quer botar no meu cu, quer?, sei que você vai adorar botar no meu cu. Até aquele momento eram só palavras, eu achava que assim o excitava mais e mais. O homem, porém, veio, quero meter nele sim. Espera, eu disse, ainda quero contar mais. Comecei a falar tudo que sempre me vem à cabeça, tudo que todo homem gosta. Até disse que adoro gozar e engolir um pedaço de chocolate ao mesmo tempo, que trouxesse uma caixa de bombons na próxima vez, disse que ficava nua pra ele o tanto que quisesse, que me podia por de castigo, as mãos amarradas atrás da cadeira. Contei a ele que saí de casa nua num dia em que faltou energia, atravessei um campo enorme enquanto estava escuro, mas em determinado momento a luz acendeu, me vi em maus lençóis, quero dizer, sem lençol algum. Ele sorriu, ouviu tudo, tranquilo, me incentivou a contar ainda mais sacanagem. Eu, com minha lábia, desfiava histórias e mais histórias, tudo que gosto, tudo que sempre desejo que os homens façam comigo.

Quando esgotei o repertório, ele falou está ótimo, agora vire que vou enviar no teu cu! Não dava mais pra eu dizer que tinha falado de brincadeira...

terça-feira, março 29, 2016

Vou te mostrar pra que serve uma mulher

“Cris, chega aqui que quero lhe pedir um favor.”

“Fala, Lena, o que foi?”

“Você tem uma calcinha pra me emprestar?”

“Uma calcinha, por quê?”

“Ah, Cris, depois te conto, você arranja uma calcinha pra mim?”

“Hum, deixa eu ver, já até imagino o que aconteceu, você com esse vestido coladinho ao corpo e com a fama de namoradeira que só, esses garotos, essa festa concorrida.”

“Vai, Cris, você arranja; se não, tenho de ir embora.”

“Vou procurar no armário de mamãe, no meu quarto vai dar na pinta, tá cheio de gente.”

“Tanto faz, Cris, o importante é você me ajudar.”

Ela se foi e eu fiquei esperando, no corredor que dava acesso à escada do segundo piso. Não via a hora de o Eduardo mostrar minha calcinha para os outros garotos.

Ainda bem, Cris voltou logo.

“Pegue, Lena, foi o que eu consegui.”

“Cris, tua mãe usa calcinhas menores do que a minha.”

“Pois é, o que vou fazer? Minha mãe também gosta de vestidinhos tubinhos, bastante curtos, e deve viver perdendo a calcinha por aí.”

Voltei para junto de alguns convidados. Mas, dessa vez, para a varanda.

Chegaram novas pessoas, dois rapazes e três moças. Elas também usavam roupas extravagantes, saias curtas, tops que mais pareciam uma faixa a cobrir os seios. Como eu já os conhecia, fiquei entre eles. Mas não demorou a surgir o Eduardo.

“Oi”, falou, “você por aqui?”

“Não gostei, Eduardo, não vou mais ficar com você, isso não é brincadeira que se faça.”

“Que brincadeira?”, ele fez de conta que não entendeu.

“Você e seus amigos não gostam de mulher, não sabem aproveitar as garotas, querem apenas disputar entre vocês quem rouba mais calcinhas. Outro dia a mãe do Marcos veio me perguntar se eu também deixava que os rapazes roubassem as minhas. ‘Por quê?’, perguntei a ela. ‘Porque o Gustavo sempre tem uma calcinha guardada na gaveta de roupas dele. Diz que é da namorada’, disse ela com um sorrisinho de escárnio.”

“Vou te dizer uma coisa, bem baixinho”, retomou Eduardo, “não é só você que ficou sem, há três outras meninas na mesma situação.”

“Três outras?”, fiz cara de surpresa.

“Isso mesmo, três, e não duvido que daqui a pouco vai ter quatro ou cinco. Todas como você, todas sem.”

“Quem disse que estou sem?”

“Você agora traz calcinha reserva?”, perguntou com os olhos bem abertos.

“Quem sabe”, dissimulei.

Eduardo pediu licença, chegou a Sheila, também de vestido curtinho.

Fiquei na festa, até aceitei dançar. Os garotos olhavam para mim, para Sheila, para Jéssica, para Carla, não afastavam os olhos nem por um minuto. Num determinado momento, passaram também a assediar a Cris, a dona da festa. Notei nela um sorrisinho irônico.

Algum tempo depois, Eduardo me pegou pelo braço e disse:

“Vem cá rápido, por favor, quero falar com você.”

“O que é dessa vez?”

“Quero devolver tua calcinha?”

“Não precisa, pode ficar, guarde de lembrança.”

“Não, não, quero devolver.”

Sem que eu pudesse reagir ele tirou minha calcinha de um dos bolsos e a colocou na minha mão. Durante alguns segundos fiquei segurando aquele pedacinho de pano vermelho. De repente, virei de costas, e enfiei a calcinha dentro do top, fazendo-a desaparecer como num toque de mágica.

Lá pelas tantas, vi a mãe de Cris. Os garotos também olhavam pra ela com uma intensidade que me causou desconfiança.

“Lena, a Cris está te procurando”, disse Marta.

“Ah, ainda bem que eu te encontrei Lena”, disse Cris, “você precisa me devolver a calcinha, por favor, caso contrário vou ter problemas.”

“O que aconteceu, Cris?”, fiz de conta que não entendi o motivo daquele desespero.

“Sabe como é a minha mãe”, ela ficou com o Gustavo, nos fundos da casa, perto da piscina. Imagina o que aconteceu?”

“Ela também?, Cris.”

“Ela é humana, como qualquer uma de nós. Já teve até um namorado da nossa idade. E foi um namoro sério. Vamos ao banheiro e me devolva, por favor, na gaveta em que eu a peguei tinha apenas essa, que eu te emprestei. Acho que ela não vai querer ficar sem durante toda a festa, vai acabar procurando pela única calcinha que estava na gaveta.”

“Tudo bem, devolvo, mas você pode me dizer algum lugar dessa casa onde eu possa ficar sozinha?”, minha perguntou revelou toa minha ansiedade

“O sótão, ninguém vai lá?”

“Obrigada, mas não fale a ninguém, por favor.”

Fomos ao banheiro. Tirei a calcinha e lhe entreguei. Quando saía do banheiro, encontrei o Eduardo.

“Eduardo, me siga, quero falar uma coisa com você.”

Ele não pensou duas vezes. Entramos os dois no sótão. Tranquei a porta.

“Tire minha roupa, vai, quero trepar. Esse negócio de roubar calcinha não me satisfaz.”

Ele arregalou os olhos como se dissesse é pra já!

“Vou te ensinar pra que serve uma mulher”, soprei no ouvido dele.