segunda-feira, julho 15, 2019

Caixa de bombons

Sentei na poltrona, cruzei as pernas, e comecei a abrir a caixa de chocolates. Retirei o papel celofane e o coloquei sobre a mesa, levantei o cartão e tirei um dos bombons, envolvido numa embalagem colorida. Desenrolei o papel e mordi o primeiro pedaço. Seria longa a marcha, eu tinha de comer todos os bombons, e eram doze! Apostara que conseguiria. Mas faria tudo com muita calma, mastigaria devagar, sensual, lambendo os lábios. Antônio olhava-me, sentado no sofá em frente.

A brincadeira começara dias antes quando me enviara uma mensagem: “Vou visitar você e levar uma caixa de bombons, porto ainda outro presente, este dentro de um envelope, você já deve saber do que se trata. Quanto aos chocolates, você deverá comer todos que estarão na caixa, um após o outro, enquanto a aprecio olhando o movimento de sua boca e os músculos de sua garganta, marcas do seu gosto pelo doce e da ingestão do agrado. Peço mais uma coisinha, quero você nua no momento de comer os bombons!”

Seu texto não me surpreendeu. Aquele ex-namorado sempre fizera propostas extravagantes. Continuava o mesmo. Eu, de um tempo para cá, diminuíra meu jeito de amar, por isso sua sugestão, a princípio, desagradou-me. Senti-me vulgar diante de tal proposta. Já não sou aquela Eliane de outros tempos, falara a ele fazia alguns dias. Não respondi de pronto a tal mensagem. Jamais é boa uma resposta imediata. Esperei as primeiras vinte e quatro horas. Foi então que lembrei, em sua cidade há uma marca de chocolate que adoro. Qual a marca dos chocolates?, perguntei e esperei. Não ia tirar a roupa em troca de bombons de supermercado. Não demorou a resposta. Kopenhaggen, escreveu econômico. Vou pensar, disfarcei. Mas é lógico que já decidira. Caso não conseguisse comer todos, seria eu o bombom para ele. Era o combinado. Eu queria os presentes, quanto a trepar, sempre achei que não é bom voltar a ex-namorados.

Desembalei o segundo bombom, comi em quatro mordidinhas; depois o terceiro; o quarto; antes do quinto, respirei fundo; mordi o sexto. Posso descansar um pouquinho? pedi depois de engolir o último pedacinho? Balancei-me na poltrona, os bicos dos seios durinhos. Cinco minutos, concordou, está enjoada? Nada disso, pelo contrário, adorando. Descruzei as pernas, permaneci com elas juntas durante alguns segundos, depois cruzei-as de novo, agora a esquerda sobre a direita. Desembalei o sétimo e o engoli após duas mordidas. Depois, o oitavo. Que tal uma pequena dose de licor?, perguntou, ajuda a descer. Sim, o licor! Bebi e comi mais dois, fiz uma encenação, voltas e voltas no segurar e no desenrolar da embalagem, nas mordidas pequenas, na mastigação, até o chocolate mergulhar nas minhas entranhas, massa marrom a me excitar. Ui, um arrepio. Faltavam outros dois. Olhou a caixa: falta pouco!, exclamou. Temia que eu desistisse. Lembrei-me de um antigo namorado que me abraçou e arrancou minha calcinha enquanto eu mastigava um bombom. Vou pegar alguns quilos, disse quando mastigava o décimo primeiro. Pra você é fácil perdê-los, basta correr na praia três manhãs seguidas, afirmou zeloso. Quando mordi o último, aconteceu. Uma vontade louca de trepar. Acho que foi o licor, esperto este ex. Enquanto mastigava, descruzei as pernas e mantive-as juntas. Quer ver uma coisa?, perguntei com cara de safadinha, cheia de fogo, venha aqui. Acho que você colocou alguma coisa nos bombons! Afastei as coxas devagar e descobri uma parte da poltrona, enquanto engolia o pedacinho final do último bombom. O que foi?, pareceu surpreso. Venha, veja, e toque aqui. Mas não aperte minha barriga, viu, por favor. Foi ele quem confirmou: você está molhadinha! Ponha teu peru pra fora, vai, acho que vou perder a cabeça; ganhei a aposta, mas perco a cabeça, não estou conseguindo me conter; vem, enfia em mim, enfia, quero ele inteirinho, deixa eu te chupar primeiro, tá?... Gostoso?, hum, peru sabor chocolate!, agora vem, mete. Sentou no sofá, eu me coloquei por cima. Estou louquinha; ui, isso, assim, assim, ui, ui, vou gozar, eu gozo rápido, viu, mas quero gozar mais vezes, gozar muito, isso, enfia bem fundo, esporra dentro, vai, goza, esporra bem forte, bem forte; ai, ai, ui. acho que vou gritar, Gritar, berrar, berrar de gozo!

segunda-feira, julho 01, 2019

Sem precisar me tocar!

Outro dia me aconteceu algo engraçado, ou melhor, algo muito prazeroso. Tirei toda a roupa e deitei nua no canapé, que fica na sala de minha casa. A princípio relaxei e fechei os olhos; após alguns minutos, mexi um pouco as coxas. Comecei, então, a pressentir que iria gozar. É difícil uma mulher gozar sozinha, ainda mais sem se tocar. Permaneci deitadinha, sentindo meu próprio corpo. O  motivo foi a lembrança de três ex-namorados, ou três homens com quem saí algumas vezes. O primeiro não era muito alto, mas tinha um peru enorme. Era mesmo desproporcional. Acho que não querendo me assustar, veio vagaroso, carinhoso, sua língua trabalhou primeiro. Fez algo que adoro, deu uma mordidinha no meu grelo, depois colocou-o inteirinho dentro da sua boca. Gozei, de primeira. Mais tarde, veio com o pênis, eu já molhadinha. Que tesão! O segundo namorado era um negro. Tenho amigas que adoram trepar com homens negros. Sério. Dizem que são muito quentes, que demoram a gozar, que se preocupam com o prazer da mulher. É verdade. Escalou meu corpo, com cuidado, não queria me magoar. Seu pênis procurou por conta própria minha boceta, parecia guiado por controle remoto! Mexeu à esquerda, depois à direita, afagou-me debaixo para cima, encontrou-me. Já emanava meus eflúvios, entrou sem muito esforço, uma gostosura. O terceiro deles tinha um metro e noventa e oito de altura. Sério, me disse logo que expressei minha surpresa com o seu tamanho. Não chego a um e sessenta, exclamei, será que vai dar certo? Progrediu devagar. Estou surpresa, os homens nesses últimos tempos têm pensado mais nas mulheres. Acalmou-me. O que fez para tanto? contou-me uma história.

Carregava-me no colo numa madrugada, num acampamento. Todos dormiam, mais de três da madrugada, só nós dois dividindo aventuras. O campo era próximo a uma lagoa e eu cismara tomar banho na lagoa, nua. Aceitou a proposta. Também tinha de ir nu. Riu muito. Caminhamos de mãos dadas, em determinado momento escondemo-nos entre as árvores. Foi engraçado, o homem alto nu, com o peru dependurado, imaginei o susto caso alguém nos surpreendesse. Chegamos às águas plácidas. Entre devagar, não vamos fazer barulho, pediu. Eu, doidinha, minha fantasia, tomar banho nua num lago. Será que você quer apenas tomar banho?, olhou e sorriu. Não vou contar como tudo terminou, imaginem o melhor possível, a história era dele, lembrem-se disso. Mas acho que olhos estrangeiros nos admiraram de longe, quem sabe de outro casal que escondia a nudez. Na volta, enquanto nos esgueirávamos entre as primeiras barracas, esbarrei com um bustiê dependurado numa haste. Tive vontade de tomá-lo para mim, mas fiquei só na vontade. Outra coisa, depois que gozo, se estou ao ar livre, morro de vergonha dos meus seios nus.

Tal história, ao mesmo tempo que me acalmou, despertou meu desejo. Já não receei o um metro e noventa e oito de homem..

A sensação foi crescendo, crescendo, vinha lá de dentro. Eu deitada no canapé, as lembranças me ascendendo, tocando fogo entre minhas pernas. Passaram-se alguns segundos, fiquei então molhadinha, plena de gozo, nuuma enorme euforia. Peguei meu telefone e fiz três fotos. A primeira, das pernas para cima aparecendo minha boceta banhada pela umidade de todo aquele prazer; a segunda só a boceta no enquadramento; a terceira pegou meu corpo quase inteiro, deixando de fora apenas parte do rosto, em destaque meus seios. Como estava ainda envolvida pelo gozo, enviei as três fotografias a um ex-namorado, nenhum dos três citados acima. Sei que ainda gosta de mim. “Guarda só pra você, eu gozando sozinha”, escrevi. Lógico que não contei como cheguei a todo aquele gozo. Dias depois ele me telefonou, disse que adorou o presente. Perguntou se eu me masturbei.

“Não, gozei com meu próprio corpo.”

“Que bom você conseguir gozar sozinha, quase nenhuma mulher consegue.”

"Pois é."

No meio da conversa chegou a dizer que eu não mais precisaria arranjar namorado, porque sabia me satisfazer sozinha, e sem me tocar, algo excepcional.

“Não vamos exagerar”, interpelei, “vez ou outra é bom ter alguém.”

No final, acrescentou: “quando você gozar de novo, me fala, vou adorar, se puder, manda outra foto.”

A vida de uma mulher é um pouquinho complicada, principalmente, quando já não é jovem e quer homem para namorar, apenas. Mas, confesso, o gozo que senti foi tão intenso, que me deixou lá em cima. Na verdade, já não preciso sair peladinha correndo atrás dos homens. Eu mesma vou me namorar, vou gozar. E sem precisar me tocar!

terça-feira, junho 18, 2019

No banco do carona

Adoro andar com os seios à mostra, principalmente quando estou sozinha em casa. Outro dia me lembrei de um acontecimento engraçado. Certa vez apareci na janela e um homem estava no portão, eu era a nua, mas foi ele quem ficou envergonhado. Coloquei uma camiseta e fui ver o que era. Uma encomenda. Agradeci, assinei o recibo e me despedi. Voltei para dentro de casa e retirei a camiseta. Cidade de interior é fogo, não há muito o que fazer, daí a gente procura prazer nas pequenas coisas, como andar nua dentro de casa! Por falar em interior, não se pode dizer que não há bons restaurantes. Inauguraram um outro dia, o dono é estrangeiro e veio para cá com umas ideias extravagantes. Espalhou enormes quadros, todos da França, inclusive um da Torre Eiffel. Fui jantar uma noite dessas, com Marília, que adorou o local, pretende ser frequentadora assídua, sobretudo após ter conhecido le patron, como dizem na França. Ele veio até a nosso mesa, cumprimentou-nos dizendo que se sentia honrado com a presença de mulheres tão elegantes. Marília cruzou as pernas, a direita sobre a esquerda, e o vestido subiu um pouquinho deixando-lhe um pedaço de coxas de fora. Não adianta, disse eu após ele se ter afastado, donos de restaurantes não são muito de mulheres. Nada disso, rebateu, os franceses são machos, mesmo com seus restaurantes cheios de mimo. Bebemos e comemos, os pratos não são plenos como os brasileiros, mas verdadeiras obras de arte. Será que não sentem fome na França?, arriscou minha amiga. Quem sabe, há diversas formas de fome, talvez de sexo, sorri. Minha amiga começou a saborear o prato e disse quero comer le patron!, parecia mesmo plena de tesão, a cor do seus lábios, sua maneira de morder os alimentos e sua virada de olhos revelavam. Calma, Marília, precipitei-me, hoje é nossa primeira vez, há tempo para tudo. Ponderou sobre a Tânia, quando descobrir este lugar vai ser um inferno, não vai sair daqui enquanto não tiver o homem no seu quarto. É verdade, tive de concordar, mas será que um homem tão requintado vai com a Tânia? Não sei, acho que sim, os homens não são muito diferentes, e ela é muito artificiosa. Artificiosa, repeti, engraçada a palavra, não pensei nisso. Você sabe que ela é artificiosa, sim, tem mil trejeitos para conquistar qualquer um.  Suspirei, ele, em pessoa, o proprietário, veio completar nossas taças de vinho. Marília mudou as pernas de posição, ele sorriu, não pelo deslocamento das pernas de minha amiga, mas ao reparar a bebida rubra a invadir nossos lábios, nossa boca, a descer por nosso interior e, acho, por nos deixar mais excitadas. Marília quase deu um grito, estava em êxtase. Lembra do norueguês? Norueguês?, repeti. Sim, o norueguês que esteve aqui no último verão, pegou a gente com um carro alugado e nos levou pra Búzios, a praia mais deserta do lugar. Ah, claro, lembro, não tínhamos levado nossos biquínis, continuei, era noite, ele nos queria tomando banho de mar!, um banho sob os raios da lua dos trópicos, como dizia, nos duas nuas, em meio às espumas da praia, e estava fria a água. Isso mesmo, fechou os olhos Marília enquanto engolia mais um pedacinho de camarão, a água fria me deu um tesão incrível, aliás, não sei por que água fria me dá tanto tesão, quem sabe le patron leve a gente passear, assim como o norueguês, um sonho. Calma, Marília, tudo tem seu tempo, pelo que observo não será difícil, vamos bolar um plano. Vamos, mas nada de as artes dentro do automóvel, lembra? Claro, você acha que eu ia me esquecer, o norueguês gozou três vezes, duas trepando conosco, a terceira ao sentarmos peladinhas ao seu lado no banco do carona!

O jantar, a conversa com Marília, a possibilidade de sairmos com o francês (ele nos deixou seu cartão), ai, tudo me deu intenso arrepio. Logo que entrei em casa, me despi, me lavei e fui deitar. Os seios sempre de fora.

terça-feira, junho 04, 2019

Você é muito gostosa, Lucinda

Contei ao namorado que escrevo contos eróticos. Mostrei-lhe o conto chamado Lucinda. Não disse que a história aconteceu comigo, mas com uma amiga. Ele, após ler com calma, perguntou se Luquesi passou creme apenas na vagina ou se também lambuzou o bumbum de Lucinda. Ah, aí é que está a questão principal, falei afoita. Mas logo retomei o ritmo pausado, não queria demonstrar nenhum entusiasmo. Passou creme na mulher por inteiro, acabei por lhe revelar, isto significa que também lhe lambuzou o bumbum. Daí ela tem razão em dizer que ficou muito ardida, completou não sem um ligeiro sorriso. Lembrei-me de minha amiga Márcia e do que me contou certa vez. Tão engraçado.

Márcia era metida a namorar todos os homens. Certa vez encontrou um para quem trabalhara. Costumava chegar pertinho, tocava no seu braço, alisava, fazia uma cara de desejo e depois corria dele, como se não fosse nada disso. Um dia acabou aceitando o convite. Encontraram-se no centro da cidade. Ao telefone, quando marcaram, ela disse, comprei um macaquinho lindo, caiu tão bem. A roupa era mesmo linda, ressaltava o corpo sensual de Márcia. O colega imaginou-a com as pernas grossas de fora. Mas no quarto de hotel é que a coisa pegou fogo. Ela foi ao banheiro, tomo um banho, vestiu a calcinha e o top e enrolou-se na toalha. Voltou ao quarto e deitou-se. O homem a abraçou. Agiu por partes. Primeiro soltou-lhe a toalha, depois o top e, enfim, a calcinha. Márcia nua na cama, nas mãos do homem. Quando se agarravam, ela falou, você gosta de ouvir histórias de sacanagem? Lógico que sim. Ela, então, começou a falar uma porção de bobagens no ouvido do homem. Num momento disse, você bota no meu cu?, adoro dar o cu. O homem não titubeou. Como estava difícil para entrar, ela pediu, coloca na frente primeiro, já estou molhadinha, depois vai ser mais fácil enfiar atrás. Fizeram como ela sugeriu. Ao virar de costas, ela reparou o tamanho do pênis do homem. Chegou a tremer. Mas não demonstrou. Ele enfiou até o fim. Ela passou a dizer, ui, que gostoso, nunca senti um peru tão grande. Quando gozou, berrou tanto de prazer que até assustou o homem. Não para, por favor, não para, estou adorando, deixa dentro a tarde inteira.

Eu disse ao namorado que com Lucinda aconteceu algo semelhante. Só que o homem lhe encerou as nádegas de tal forma que tudo deslizava incrivelmente, até encaixou o pênis de um jeito que não soltava de modo algum, quando ele fazia o movimento para fora parecia que lhe iria arrancar as pregas. Acho que a pasta secou quando o peru do homem ia bem fundo, falei. Não é possível, rebateu o namorado. Como não?, você já viveu a experiência?, acrescentei. Ele sorriu, bem, com um homem acontecem muitas coisas. Tem mais uma coisa, adiantei-me, Lucinda era virgem no bumbum. Jura? Jurar não juro, mas foi o que me contou, por isso ficou tão ardida.

Abracei o homem e abri-lhe a camisa. Não passou muito tempo fiquei nua, inteirinha. Fica de costas um pouco, pediu. Tudo bem, eu disse. Lembrei de novo Márcia, na primeira vez foi horrível, jurei que não deixaria mais ninguém enfiar atrás, mas depois de dois ou três namorados tudo ficou apenas nas palavras. Você é muito gostosa, Lucinda. A voz do namorado no meu ouvido.

terça-feira, maio 21, 2019

História de cabides

Olá, Rosa, como vai, tudo bem? Que bom falar com você. Vou bem. Estou escrevendo, sim. Sei, as pessoas estão acostumadas com muito texto, toda semana uma história, mas a vida de uma escritora é assim mesmo, nem sempre vai no mesmo ritmo. Às vezes dizem por que você não escreve um romance, desses bem extensos, quatrocentas páginas? Olhe, que engraçado, dizem até a quantidade de páginas!, como se fossem o editor e suas exigências de mercado. Aliás, os editores do nosso país não gostam de livros longos, a tal realidade cultural do país. Mas as pessoas desejam que a gente faça o que elas gostariam, tem muita gente que adora minhas histórias, então perguntam por que não escrevo o longo romance, com todos os ingredientes de que gostam, uma torta de morango, e que faça muito sucesso. É muito engraçado, certa vez, no lançamento de um de meus livros, muitos leitores queriam me contar uma pequena história, alguns faziam um rápido resumo e diziam, antes de me beijarem, olhe, não deixe de falar disso, vai ser um grande sucesso. Ah, sim, mas já passei dessa fase. Você sabe que escrevo por prazer. Não me cobro, não, está bom assim, as pessoas gostam do que escrevo, é uma espécie de escrita pequena, subversiva. Já pensou se me torno muito famosa? Aonde irei, aquele monte de jornalistas atrás, tanto mais se tratando dos assuntos meus. Está bom assim, não digo que já não quis escrever uma literatura maior, participar de círculos de debates nas universidades. Mas isso tudo é um grande aborrecimento. Professores universitários fazem pesquisas acadêmicas, não me dou muito bem com isso, sou espontânea e gosto de me divertir. Sim, acho que na vida privada eles leem minhas histórias. Não faz mal que este tipo de literatura não se torne arte maior, como os críticos literários afirmam, mas não ligo pra isso, não. Olhe, tenho uma história ótima, pra você que é minha amiga, vou mandar por e-mail, ok?, mas não mostra pra ninguém, espere sair primeiro. Sou louca?, sei, é porque distribuo histórias antes de serem publicadas. É só pra você, viu, que é minha amiga, minha leitora favorita. Está tudo bem, não? Vou, sim, está marcado, vamos ao teatro e depois àquele restaurante, sei, conversamos melhor. É mesmo?, a Sônia?, ela é fogo viu, não deixa passar ninguém, quem sabe até escrevo uma história sobre suas façanhas. Tudo bem, você me conta. Beijos, amiga, muitos beijos.

Oi, Rosa, conforme prometi, eis a história. Guarde, por favor, bem guardadinha, e aproveite, você vai gostar.

Histórias de cabides. Vejam se cabides podem servir de motivo para um conto. Mas foi muito engraçado. O namorado abriu a porta do apartamento e me deixou passar na frente. Não repare, por favor, sabe como é, homem que mora sozinho. Entrei, sorrindo como sempre, e perdoando-lhe alguma possível desordem. O que mais gostei foram alguns livros de poesia que encontrei sobre uma espécie de mesa de centro, eram poemas de Eucanaã Ferraz. Que ótimo, adoro os poemas dele. O namorado sorriu. Ele não sabia, até então, dos meus dotes para a poesia. Fique à vontade, disse e foi até à cozinha. Tenho umas comidinhas muito gostosas, você vai adorar. O namorado sempre solícito. Voltou com uns salgadinhos de forno, uma garrafa de suco, outa de água, tenho também cerveja e vinho, disse. Ótimo, falei. Saboreamos os salgados, os biscoitinhos, uma pasta com rodelinhas de pão francês, depois o vinho. Conversamos amenidades. Jamais se devem puxar assuntos sérios ou difíceis com um namorado, tudo deve seguir com leveza, o corpo de uma modelo, como se a vida fosse uma grande esteira de prazeres. O céu, olhe, como estão lindas, quantas as estrelas, ar fresco, falei. Um abraço romântico, nossos hálitos, corpos quentes, beijos e mais beijos. O vinho descendo na garrafa, alguns salgados desaparecendo, penetrando nossas bocas, o prazer do paladar. Como a vida é boa, simples, e acabamos querendo tantas coisas complicadas. James Joyce e Saul Bellow escreveram livros muito difíceis, plenos de angústia, acho que o passar do tempo, a solidão, o desejo reprimido, a premência da morte. A mão do namorado encostou às minhas coxas nuas, a saia curta convidava. O vinho tinha escrito a introdução. A vida fluía natural, era um rio, que não encontrava obstáculos. Aliás, outro dia li não sei onde, é possível se banhar duas vezes no mesmo rio sim; basta que ele seja lento e que tenhamos uma bicicleta veloz. Não sei por que lembrei a história do cabide. Minha amiga Tânia arranjou um namorado, de primeira ela aceitou o convite para ir à casa dele. Louca, a Tânia. Louca e feliz. Trajava um vestidinho branco, tinha renda e forro, bem passado, estava armadinho, não consigo imaginá-la que não vestida de bailarina. Sentou no sofazinho da saleta do namorado, era um apartamento pequeno, jeitosinho, um estúdio na verdade. O homem veio sorrateiro, sentou ao lado. Lembrou então que tinha na geladeira uma garrafa de champanhe. Ah, a champanhe!, afirmou minha amiga. Depois que ele abriu tudo correu bem, como o creme nas mãos de uma boa massoterapeuta. Minha amiga se soltou, imaginem. Uma delícia essa champanha. Por conta própria, avançou através da porta da pequena saleta. Oh, o quarto, que bom, a cama imensa. Deitou-se, inocente, chamou o homem pelo nome. Ele não demonstrou surpresa, apenas perguntou a roupa?, você vai ficar toda amarrotada. Você tem um cabide?, Tânia nua, nos braços do homem, o tal creme, mas já não o da massoterapeuta.

Meu namorado ficou a me admirar. Em que eu estava pensando? Quando éramos adolescentes perguntávamos ao namorado, caso o silêncio fosse longo, em que você está pensando? Outra coisa que acontecia naquela época era a dificuldade de se desligar o telefone quando nos despedíamos. Desligue você primeiro. Não, desligue você. Não, da outra vez fui eu quem desliguei, é a sua vez. O tempo passava acompanhando, curioso, nossa falta de assunto.

Depois de mais um beijo, bem quente, devastador, procurei minha taça de vinho sobre a mesa e tomei mais um gole. Posei-a a seguir sobre a mesa e sorri. Arrumei meus cabelos. Você gosta de sacanagem, não?, ri depois da minha pergunta. O namorado também sorriu. Pega então um cabide pra mim, vai.

terça-feira, maio 07, 2019

Ele fez o leme

Eu passava pela porta do prédio dele e via seus olhos a me acompanharem. Quem manda usar saia curta, tudo de fora?, eu me perguntava. Ele acha que estou querendo trepar, só pode ser. Aliás, todos os homens pensam que a gente está morrendo de tesão, que quer trepar, não há outro modo de refletir. Houve um que me pediu pra tirar uma foto, ele o fotógrafo, e eu a fotografada. Nua! Não, por favor, nada de fotos; mas acabei deixando o homem enquadrar meu grelo. Apenas o grelo, viu, ninguém precisa saber que é o meu. Quando vi na tela do computador, que coisa horrível! não sei como você pode admirar isso. Levou meu grelo no telefone, todo satisfeito. Será que contou ao admirador que me olha quando passo em frente ao tal prédio? É muito ruim ser falada, cair na boca dos homens como se fosse uma vagabunda. Disse ao meu fotógrafo não conta pra ninguém, você vai ter tudo que quiser. O homem vibrou. Tudo? Sim, tudo. Ele é calado, e ficou maravilhado com a foto, mais com a foto do que comigo.

Fui à praia no dia seguinte, uma camiseta sobre o biquíni, a bolsa a tiracolo e uma sandália de borracha. Dizem que o acaso não existe, mas encontrei na praia um homem que não via fazia tempos. E o lugar em que o conheci nada tinha a ver com o mar e as areias. Foi uma carona que aceitei há algum tempo. O cara me levou pra casa, melhor dizendo, pra perto de casa. Na pracinha do Alto, estacionou e pediu que eu ficasse um pouco, vamos conversar. Todos os homens têm muitas histórias, mesmo que não sejam bons leitores, mesmo que jamais tenham lido sequer um livro. Contou de suas idas e vindas por aquele caminho, se eu conhecia o fulano, a fulana, o beltrano, a beltrana. A cada nome de mulher eu sentia um arrepio. Mais uma que ele comeu! Quem sabe eu viraria assunto, história para enriquecer sua antologia. Essa bermudinha tua é bonita, ele disse. Olhei pra minha bermuda, uma bermuda preta, bem colante, sem atrativo algum, conclusão, no lugar da bermuda, minhas pernas, era o que ele admirava. É, falei, são boas sim. Ele sorriu. Passei minhas mãos sobre a bermuda, desci ambas até os joelhos. Bem, tenho de ir, sabe, não posso me atrasar, qualquer dia desses a gente se encontra. Lembrei-me então da Adalgisa. Virgem, que nome, mas minha amiga é bonita e tanto, diz que se chama Alda. Certa vez cavalgou sobre o homem, até aí nada de mais. Mas dentro de um automóvel, numa rua escura, ela de sainha sem calcinha. A própria me contou. Disse que sentiu um medo terrível, mas o desejo era maior. Tem de ser de camisinha, viu? O porta-luvas do automóvel estava cheio, pode escolher ele disse. Pode escolher, ele me disse. Pra que fui abrir o porta-luvas? Mania minha de apertar botões. O troço saltou na minha direção. O que eu ia fazer com tanta camisinha, e eu só de bermudinha...

A praia estava boa, calor, aquela quentura que dá no ventre, sei lá, sente-se um arrepio magnífico. O homem que me dera a carona a me olhar. Caramba, faz dois ou três anos, quem sabe quatro. Difícil esquecer essas coisas. Dentro d’água o bronzeador não sai não, é do bom, assegurou. Não tinha o porta-luvas; mas as camisinhas, sim. Como você pode ter camisinha no bolso de uma bermuda, dentro d’água, na Prainha. Bem, dá-se um jeito, nada de cavalgar, acho que nado cachorrinho. Ele fez o leme.

segunda-feira, abril 22, 2019

A garota da farmácia

Eu e Isabela éramos amigas fazia tempo. Saíamos juntas, frequentávamos cafés, bares, restaurantes e festas. Vez ou outra ela dormia no meu apartamento. Uma vez eu estava nua, acabara de tomar banho, enxugava-me. Ela, então, começou a apertar meus seios com ambas as mãos, como se a ação fosse a coisa mais natural do mundo. No começo pensei em protestar, afastar suas mãos, mas os toques eram tão delicados que senti uma ponta de tesão, cheguei mesmo a afastar um pouquinho as coxas, como se esperasse o pênis de um homem. Ela continuou a me pressionar, deslocando os dedos alguns centímetros, ora para cima, ora para baixo, ora à esquerda, ora à direita. Olhei a sala antes de fechar os olhos, vi a revista que Isabela lia minutos antes sobre a poltrona, em cima da mesinha de centro, que era um largo quadrado de madeira onde havia alguns livros. Ela diminuiu a pressão, achei que iria encerrar a sessão, emiti um gemido, ela entendeu e continuou. Depois de alguns segundos soltou uma das mãos, enquanto a outra se mantinha sobre meu seio direito. A mão solta desceu escorregando sobre meu ventre e só parou quando atingiu a altura da vagina. Nunca sentira tanta maciez. Continuou a me acariciar, de repente procurou meu grelo. Encontrou-o saliente. Acabei deixando na ponta de seus dedos a umidade de todo o gozo que sentia naquele momento. Quando foi a vez de Isabela tirar a roupa e ficar nua a minha frente, não consegui ter o seu mesmo desempenho. Não faz mal, ela disse, há pessoas que são feitas para dar; outras, para receber.

No dia seguinte fui à farmácia comprar lubrificante. Isabela adora cremes e óleos, tanto mais quando os espalho sobre todo o seu corpo com mãos cada vez mais ágeis. Descobrimos que, assim, ela goza, e como. Aprendi a dar, apesar de, segundo ela, ter sido dotada para receber. A funcionária da farmácia, ao reparar que eu estava perdida em meio a tantos produtos, perguntou se me podia ser útil. Claro, procuro lubrificante. Não chegou a rir, pois manteve o profissionalismo, mas percebi que minhas palavras produziram algum efeito sobre sua pele. Entregou-me o produto, indicou-me a caixa e, acho, engoliu em seco.

O corpo de Isabela deslizava sob minhas mãos, ela deitada sobre o tapete da sala. Aproveitávamos uma toalha antiga, para não deixar que o óleo manchasse o próprio tapete, o estofado, o chão, enfim, tínhamos cuidado de não deixar rastros daquele nosso recente amor em toda a sala. Nossa relação sexual úmida e escorregadia atingia as raias da alegria. Ela pressionava-me os seios, eu abria as pernas, meu grelo úmido, meu gozo; depois, a vez dela, o corpo untado, minhas mãos a usurpá-la, seu gozo.

Até que surgiu um homem. Acho que teria sido melhor se eu contasse por que comprava lubrificante à funcionária da farmácia. Quem sabe ela viria encontrar comigo e com Isabela, assim, seríamos felizes.

Mas um homem é um homem e a gente não consegue dividir números primos, a não ser por um ou por ele mesmo. A funcionária da farmácia junto a mim e a minha amiga não constituiria também um número primo? Não sei, mulher é desdobrável, multiplicável. Quanto a mim e à Isabela, éramos heterossexuais, descobrimos quase ao acaso nossa homossexualidade, ou melhor, o amor que sentíamos uma pela outra. Pouco a pouco comecei a esquecer os homens, às vezes me lembrava de sentir o pênis de um namorado ocasional a me penetrar, mas eram lembranças que tinham a tendência de se perder no tempo. Isabela penetrava-me da mesma forma que um homem, eu gozava como junto a um homem. Mas minha namorada trouxe um homem, e um homem é um homem. Disse que era um velho amigo, que frequentava a casa dela, saíam juntos, trocavam confidências. Contou a ele nossa relação, relatou como tudo começou, descreveu nossas preferências. Confesso que achei aquilo um tanto doentio. Aconteceu, então, de um dia, ela começar a me acariciar na frente dele. No começo, fez de conta que nada de surpreendente acontecia, mas quis que ele nos visse trepar. Não, por favor, não é justo, protestei. O amor é justo, e podemos namorar assim que sentimos vontade, como agora, retorquiu. Vamos para o quarto, pedimos licença ao nosso amigo, sugeri. Dentro do quarto, porém, não foi a mesma coisa, estávamos acostumadas a namorar a sós, sobre o tapete da sala, a toalha ajudando-nos a não derramar o óleo, os móveis a nos espreitar silenciosos. Léo ficará em silêncio, será como a poltrona, o estofado, ou a mesa de centro.

Ela voltou à sala. Seu amigo lia uma revista. Disse qualquer coisa a ele. Chamou-me, pediu que, assim como ela, viesse nua. Eu gostava muito dela, por isso acatei o pedido. Apareci na sala, em pele e sem saber onde posar as mãos. Léo fez de conta que não me viu. Sentei-me no estofado e esperei por Isabela.

Depois do gestual de sempre, ela esperava que eu ficasse excitada, mas isso não aconteceu. Tanto mais tentava, tanto mais eu esfriava. Estava travada, eis a palavra certa. Com um gesto de cabeça, fez que o amigo se aproximasse. Isabela desceu a calça dele e tirou seu pênis. Olhei aquilo ainda assustada, sem ter o que dizer. Por que alguém que dizia gostar tanto de mim segurava com tanto ardor o pênis de um homem? Trouxe o homem para junto de si, segurando seu sexo enfiou-o na própria vagina, em pé, com uma das pernas flexionada sobre a mesinha. Transaram ali mesmo. Ela fechava os olhos, quase transtornada, e dizia daqui a pouco será a tua vez, a tua vez, espere um pouquinho, e se mexia alucinadamente. Após dois ou três minutos, interromperam abruptamente os movimentos, minha amiga afastou-se. Pude reparar que Léo gozara, a boceta de Isabela babava toda a porra que ele despejara dentro dela. Não suportei ver aquilo. Não por causa do ato sexual em si, mas por constatar que uma mulher que eu amava tanto não me correspondia em seus sentimentos. Corri dali e me tranquei no quarto. Como estava em meu apartamento, não tinha satisfações a dar.

Isabela foi embora junto com seu amigo. Tentou falar comigo algumas vezes, deixou recados. Não respondi a nenhum nem a procurei mais. Para me sentir mais segura, troquei a fechadura da porta do apartamento. Voltei à vida de antes de conhecê-la. Desde então não tive mais relacionamentos.

Aliás, outro dia fui à farmácia, comprei lubrificante e sorri para a funcionária que já me conhecia.