terça-feira, junho 21, 2016

Nós, mulheres, sempre queremos mais um pouquinho

Usar esses vestidinhos colados ao corpo, curtinhos, é um problema ou, quem sabe, é a solução, depende do que cada uma de nós deseja. Sou alta, 1,80, magra, a perna um tantinho grossa. Quando uso um deles é uma atração à parte. É melhor à noite, entra-se no automóvel e salta-se no local da festa, ou na porta do restaurante combinado. Tenho um namorado que me adora de pernas de fora, e o vestidinho ajuda.

Outro dia fomos a uma festa no Jóquei Club. Não preciso dizer que minha presença causou quase um escândalo. Escândalo no sentido positivo. Não houve homem que não olhasse pra mim. Mesmo aqueles que estavam acompanhados das mulheres mais lindas. Quando fui ao toalete, muitas me olharam com inveja. Sempre há uma engraçadinha, não é mesmo? E ela pediu se podia vestir meu vestido por alguns instantes, queria ver se ficava bom nela. Não posso voltar nua, eu disse assustada. É só um pouquinho, e juro que não saio do banheiro, deixo saia e blusa com você. Tudo bem, falei, como somos todas conhecidas... Tirei o vestidinho e permiti que ela o experimentasse. Foi presente do namorado, sabe, falei, na verdade eu devia perguntar a ele se posso deixar outra mulher vesti-lo. Ah, ele ia adorar, duas mulheres nuas pra ele, e com o mesmo vestidinho, disse a engraçadinha desfilando e dando várias voltinhas. Saí do toalete e me misturei aos outros convidados, encontrei o namorado. Ainda bem que não mais a vi, nem voltei ao toalete.

O que serve de fetiche aos homens quando estou com esse tipo de roupa é que eles desejam saber se uso calcinha. Sabe que já até saí sem calcinha, mas é melhor vir completa, de calcinha e top. Mas eles sonham que o vestido vai subir e eles vão ver minha xereca. Não gosto do nome, não é nada literário, mas não encontro outro. Continuando no fetiche, há também aqueles que desejam subir as mãos por baixo do tecido e tocar minhas coxas até atingir o meio das pernas. Tenho amigas que querem ficar logo peladas, são ousadas, dizem que estão molhadinhas de tesão. Mas acho que é da boca pra fora. A mulher pra ficar excitada precisa de algum estímulo, não basta estar nua. Há ainda aquelas que ficam anos sem namorado, sem transar, a velha história de que o sexo da mulher é para dentro, por isso conseguem se segurar.

Há algumas coisas que me excitam, não sei explicar por quê. Uma delas é namorar dentro do carro. Não em qualquer lugar, mas em lugares especiais, onde existem árvores, silêncio e um céu cheio de estrelas. Há um lugar assim na Cosa Verde, onde predomina a mata de um lado e o mar de outro, é bom parar o carro numa das estradinhas laterais, deixá-lo estacionado em meio às árvores e namorar. É possível fazer sexo dentro do carro; se a temperatura estiver alta, pode-se mesmo fazer fora. Foi dentro de um carro que tirei o vestidinho pela primeira vez num lugar público. Estendi-o no banco de trás e deixei o namorado vir com todo ardor. Num outro dia, fizemos uma brincadeira. Saí correndo do automóvel, nua, e ele tinha de me pegar. Como estava escuro, me escondi. Foi um ótimo meio de nos excitarmos. Quando me encontrou, não aguentamos, trepamos encostados num tronco de árvore. O local estava como gosto, silencioso, o cheiro de mato, o céu cheio de estrelas, e lá longe, na pista, viam-se os faróis dos veículos.

Gosto de ter muitos namorados, não todos ao mesmo tempo, mas é bom experimentar os mais diversos tipos de homem. É importante também fazer papel de mulher séria, nada de piranhice.  Os homens ficam caidinhos pelo meu encanto, pelo meu jeito angelical, pelas minhas pernas longas e nuas. Houve um que me pediu que eu fosse no banco do carona sem o vestidinho, ainda que por alguns minutos. Como ele era muito atraente, simpático e de uma família rica, concordei. Acabei que não vesti mais a roupa. Ele parou à porta de minha casa e disse está escuro, você está só em casa, devolvo teu vestidinho amanhã, assim durmo com o teu cheirinho. Jura que devolve?, perguntei, gosto tanto dessa roupa, afirmei. Juro, respondeu solene. Ele esperou eu abrir a porta e entrar. Eu, apenas de sandália e com a bolsa a tiracolo dei um adeusinho. Ele voltou no dia seguinte. Trepamos que foi uma beleza. E o vestidinho voltou passado e muito cheiroso. A nós, mulheres, no momento do sexo sempre parece que falta alguma coisa, queremos mais um pouquinho. Os homens não são capazes de nos satisfazer. Mas esse namorado me completou. Ou, não sei, foi o que chegou quase lá!

quarta-feira, junho 15, 2016

Foi o paraíso

O ex-namoradinho, muito engraçado, gostava de histórias picantes. Telefonou pra perguntar como estou passando. No final, antes de se despedir, disse que qualquer dia desses vem aqui à minha cidade me roubar a calcinha. Até que namorar com ele foi bom, mas não sei por que terminamos; o motivo, acho eu, foi o excesso de trabalho. Isso mesmo, quando se trabalha demais não se tem tempo pra mais nada, a não ser descansar, dormir, acordar tarde nos dias de folga. A habilidade do homem em me roubar calcinhas era verdadeira, me surrupiou até mesmo um biquíni, e eu estava na praia da Joana. No entanto, não demorava a me encher de presentes, tantas coisas, pequenos quadros, enfeites para mesa de centro, azulejos pintados, pratos comemorativos (vejam que gosto!), cordões, pulseiras e, é lógico, calcinhas. Eu, safada que só, adorava o homem. Que ele venha um dia desses, tudo bem, a aventura será estimulante.

Duas ruas além de onde moro, há um senhor que vive sozinho. Faz pouco tempo, porém, descobri que ele é casado, a esposa não mora aqui na cidade, mas com a filha em Rio das Ostras. Toda vez que passo diante da casa dele, sinto seus olhos espichados a me acompanhar os passos. Outro dia o tal senhor me chamou. Como nossa cidade não é das maiores, é um lugar onde as pessoas costumam se cumprimentar, parei e esperei que ele desse o recado. Veio com uma história exótica, mas não demorei a perceber que era uma cantada, e muito original. Quando dei por mim, estava enredada nas suas palavras. Com uma fisionomia séria, ele contou sobre sua vida sexual. Eu deveria ficar surpresa, pois o homem apenas me cumprimentava e, de repente, me para na rua para falar de suas trepadas. Teve alguma sutileza, mas foi completamente compreensível que ele me convidava.
“Tenho namorado”, afirmei falsamente.

“Não faz mal”, contrapôs, “quem tem um pode ter dois, e vai lucrar mais.”

Aqui entra a parte dele.

“Você vai ganhar muitos presentes, caso aceite a minha companhia. Esta não será todos os dias, prometo, uma ou duas vezes na semana. E lhe asseguro que ninguém saberá.”

Pelas palavras, o homem parecia um erudito. Fez um recurso sobre a razão naturalista, pode-se dizer assim. Seu discurso não levava em consideração razões morais.

Com educação, escutei suas palavras. O homem prometia dinheiro, vantagens, presentes. Caso eu assim o desejasse, poderia aproveitar.

“Namoro por sentimento”, disse eu secamente.

“O sentimento está na beleza, na riqueza, na oportunidade de aproveitar a vida, pense nisso, não precisa me responder hoje”, agradeceu minha atenção.

“A senhorita é muito afável”, disse antes de eu ir embora.

Naquela semana evitei a rua onde morava todas as vezes que tive de sair e meu caminho era aquela direção. Preferia seguir por uma transversal e dobrar a terceira, uma rua depois da dele. Contei o assunto pra um amigo com quem eu saía vez ou outra. Eu e esse amigo transávamos, mas não éramos namorados nem tínhamos pretensões futuras, apenas aproveitávamos o momento. Ele achou a história engraçada.

“Na certa é um homem carente, que procura comprar uma mulher com dinheiro, caso você dê margem de manobra ele não vai desistir”, chegou a me falar. Ri e rolamos na cama, no último momento eu ia por cima.

O senhor mandou um presente. Não queria aceitá-lo, mas achei que não deveria recusar, não gosto de ser indelicada. Abri e me assustei. Uma pulseira dourada. Corri a uma loja de joias pra me certificar. O joalheiro me assegurou: é ouro, e dos bons. Aceitar o presente seria concordar com o convite e com as propostas do homem. Fui à sua casa, bati à porta que antecedia o jardim. Ele veio atender. Agradeceu minha visita e insistiu que eu entrasse.

“Tenho pouco tempo”, aleguei, “uma consulta médica.”

Mesmo assim aceitei. Entrei. Ele me trouxe um café.

“O senhor já sabe o motivo da minha visita, não é mesmo?”

“Oh, imagino”, ele sorriu. “Tenho mais uma coisa pra você.”

Levantou-se e correu a um cômodo além da sala. Voltou em alguns segundos trazendo numa das mãos uma caixinha de camurça.

“Veja, é o complemento da pulseira, estava esperando você para completar o presente.”

Ele deixou que o cordão se desenrolasse e trouxe até junto de mim.

“Mas...”, tentei dizer.

“É ouro verdadeiro, não é daqui do nosso país.”

Era um cordão comprido, a corrente, grossa, devia valer uma fortuna, ainda havia uma medalha que não consegui distinguir o motivo, de tão nervosa que estava.

“Não posso aceitar”, falei um tanto desolada.

“Não diga isso”, sorri, um sorriso triste e compreensivo, “no começo as pessoas se surpreendem, é assim mesmo.”

“O senhor já presenteou outras pessoas?”, curiosa, olhei com ar de desafio.

“Sim, é comum eu oferecer presentes, e, assim como você não são todas que aceitam”, acrescentou.

Deixei a pulseira com ele e não aceitei o cordão. O homem não insistiu, pareceu compreender minha vontade.

Parti com um pouco de remorso. Meu coração bateu um pouquinho mas forte. Quem sabe eu já estava criando um sentimento por ele. Além disso, eu estava precisando de dinheiro e aqueles presentes resolveriam todos os meus problemas. Mas existe uma coisa chamada liberdade, e ela eu não queria perdê-la. Se eu pudesse receber os presentes e continuar livre... Mas pra frente, talvez, a gente poderia conversar.


Eu vestia tênis, calça legging, um camisão que descia até as coxas, por baixo uma faixa de lycra que me segurava os seios (na verdade um top), meu cabelo pintado todo de preto balançava ao sabor do vento. Era noite e eu estava na ponta da praia. Olhei o relógio e me perguntei se ele viria. Passavam, vagaroso, os veículos. Os bares e restaurantes estavam cheios.

Um automóvel trafegava lento. De repente, parou ao meu lado. O vidro desceu e alguém me chamou lá de dentro. Era quem eu esperava. Abriu a porta e me convidou a entrar. Assim que entrei e fechei a porta, o barulho externo tornou-se distante, uma fantasmagoria. Ele aproximou o corpo e me beijou.

“Não falei que viria?”, sorriu e me beijou mais uma vez, "vim roubar sua calcinha", brincou, quem sabe.

Abracei com força seu corpo.

“Vamos, pode fazer de mim o que quiser”, estava eu eufórica. “Trouxe um biquíni que é uma coisinha à toa”, acrescentei em tom divertido.

Ele deu a partida. Dali em diante, foi o paraíso.

sexta-feira, junho 10, 2016

Escrever histórias

Escrever histórias é um vício. Lógico que é um vício gostoso, não cansa nem faz mal à saúde. E há tanta coisa engraçada pra escrever. Engraçada e picante. Se é literatura? Não sei. Dei o nome ao blog faz tempo, e tem no título a tal literatura, mas acho que os estudiosos olham atravessado ao que escrevo. Não tem problema, o importante é ser divertido. Tenho três histórias ótimas. Mas vamos devagar, hoje apenas uma, e durante as semanas que se seguem publico as outras. Há leitoras reclamando que não converso diretamente faz tempo. No entanto, se observarem, estou sempre a conversar. Tudo que escrevo têm a minha voz, e já faz mais de dez anos que converso com vocês. Surgiu tanta coisa nova, não?, as redes sociais emplacaram, o blog, porém, continua. E não tenho intenção de largá-lo. Há amigos ou amigas que me pedem: “publique um livro, vai ficar mais bonito, escolha as melhores histórias, todos vão gostar, vão elogiar.” Quem sabe, prometo pensar nisso, apenas prometo, quanto a publicar... Uma leitora argumenta que vou perder minhas histórias caso as deixe apenas no blog. “A internet é transitória”, afirma, “o livro fica, sempre haverá alguém com um exemplar em alguma estante, numa biblioteca, ou no catálogo da Biblioteca Nacional, as páginas da web não duram, quando a gente resolve procurá-las não estão mais lá, desapareceram sem deixar vestígios.” Prometo mais uma vez que vou pensar no assunto.

Vamos agora à história de hoje. Ah, mais uma coisa. Uma leitora aflita me pediu que contasse a história em que tive de escrever um conto pra ter minhas roupas de volta! Já escrevi sobre isso, querida, basta você clicar lá atrás, chama-se “Seus amigos teimaram que eu tinha de escrever um conto especial para eles, e eram três horas da madrugada”. Título comprido, talvez o maior que já escrevi. Vale a pena, é uma bela história, e aconteceu mesmo.


Estava eu em casa quando recebo um caixa de bombons. Da Kopenhagen. O homem mandou a caixa com um cartão. Não demorei a experimentar um, dois, três. Passaram-se três semanas e veio outra caixa. Meu Deus, não posso engordar, e esses chocolates são uma delícia. De novo experimentei um, dois, três. Na semana seguinte, recebi a mensagem:

“Margarida, adoro você, faço uma proposta indecente. É má a palavra, mas não tenho outra. Dou o presente que me pedir, mas (sou direto, nado mal nas águas da literatura) quero ver você nua comendo os chocolates.”

Não respondi ao homem, de imediato. É sempre bom deixar passarem os dias, deixá-los ansiosos. Apaixonam-se e cedem mais. Se daria um presente, dão dois; se dois, quatro. E lá se foi mais uma semana. Minha resposta:

“Chocolates de que origem?”

Quando veio a resposta, ele parecia estar a mil, coitado.

“Da Kopenhagen.”

Combinamos o presente após mais dois dias de negociações. Não posso dizer o que pedi além dos chocolates, o mundo anda muito perigoso. Mas aos mais próximos, prometo soprar ao pé do ouvido.

Veio um automóvel me buscar. E lá fui eu ao encontro dos bombons e do presente.

Gente, vocês não imaginam a suíte real em que me vi. Faz tempo não vou a lugar assim, os homens andam muito pobres. Ele tirou a caixa, e me mostrou o presente.

“Então?”, pronunciou com sofreguidão.

“Calma”, falei, “deixe explicar aos meus leitores como você é”, completei.

Alto, bem vestido, de terno e gravata, cabelo castanho penteado para trás, cheiroso, acho que Kenzo. Adorei. Mas sou furtiva.

“Primeiro, deixe-me ver o presente.”

Ele passou-o às minhas mãos. Depois vieram os chocolates.

“Por favor, onde o toalete?”, perguntei.

Voltei de lá apenas de salto alto. Ah, esses homens são um tanto homossexuais, adoram um salto, mas deixa pra lá. Sentei, cruzei as pernas, abri a delicada embalagem, tinha uma fita vermelha. Comi o primeiro, depois o segundo, e mais um terceiro. Ao parar, ele disse:

“Coma mais, por favor.”

Eu não queria estragar a festa. Comi.

“Mais um, por favor.”

Continuei não querendo estragar a festa. Porém, quando ele me pediu que comesse oitavo bombom, contra-argumentei.

“Não seria melhor esperarmos um pouquinho?”, e sorri a ele, dentro da boca ainda o último pedaço.

“Estou lhe oferecendo um presente tão caro, você tem de comer a caixa toda.”

Assustei-me. Nunca me deparei com tal tara. Um homem a ver uma mulher nua a comer a caixa inteira de chocolates. Fingi, no entanto, que era a coisa mais natural do mundo. Comi mais um. Então, chamei-o pra sentar junto a mim.

“Não está no contrato”, contrapus, “mas vou lhe proporcionar mais prazer.”

Coloquei mais um bombom na boca, seria o último, jurei a mim mesma. Abri a calça do homem, tirei seu peru e mergulhei num boquete gostoso. O chocolate quente formava uma massa que envolvia seu pênis, tornando a chupada excitante. Ficamos num namoro gostoso, o homem sempre dentro da minha boca. É isso, Margarida, ou o gozo do homem ou a caixa inteira.

Enfim, posso dizer que o homem me deu um trabalho terrível. Mas gozou. E quando os homens gozam, ao contrário das mulheres, arrefecem o desejo. Engoli a porra junto com os restos do precioso bombom. Fiz fisionomia de que estava adorando. Ele ainda gritou que gozava mais por causa da minha ousadia. Abaixei rápida e recebi mais um jorro na boca. A partir daí, esqueceu a caixa de bombons. Ainda ficamos juntos por duas horas, bebemos licor e tomamos café. Eu sempre nua.

Tenho de ir, pensei, logo volta o desejo e ele vai me fazer comer o restante da caixa.

“Agora você tem de mostrar o conto”, ele pediu.

“Conto?”, fingi surpresa.

“Você não é escritora?, quero que escreva algo especialmente pra mim, não esqueci, viu, ainda há dezesseis bombons.”

Sorri, como se nada tivesse acontecendo.

“Lápis?”, perguntei.

Ele trouxe o notebook. Dei-lhe então este conto.

Ele leu.

“Adorável.”

“Com licença, o toalete”, levantei-me, e fui me vestir.

Ah, esses homens... Além de me ver nua comendo chocolates, receber um belo dum boquete e ter um conto meu escrito ao vivo, roubou minha calcinha!

terça-feira, junho 07, 2016

A pinça e o gelo

O que você está fazendo nua aqui?

Pergunto o mesmo a você.

Me colocaram aqui enquanto não começa o desfile.

Você vai desfilar?

Vou?

Engraçado a pinça e o gelo, e mais engraçado onde você está esfregando.

Ah, sim, apenas precaução.

Você desfila, tem corpo de mulher e não é mulher.

O que há de mal nisso?

Pensando bem, nada. É estranho a pinça e o gelo sobre o pênis!

Não ria, é apenas precaução, tem de caber na calcinha. Nunca viu travestis desfilarem?, são o maior sucesso, talvez você já tenha ouvido falar de mim, sou Miriam Love.

Oh, Miriam Love, muito prazer, sou Lina Hate.

Ok, que nome engraçado. Mas me conta, o que você faz nua aqui.

Houve um pequeno problema.

Problema? Mulher nua não é problema, problema é travesti nua.

Talvez. Mas houve um pequeno problema.

Você vai desfilar?

Não, não sou modelo.

E o que faz nua, então?

É um teste, ok? Um pequeno teste.

Pretende desfilar, então?

Não, nada de desfile. Mas vejo que você está em apuros, seu pênis não diminui, assim você perde o emprego.

Nada disso, vira essa boca pra lá.

Deixa que eu resolvo, vira de costas. Vamos, rápido. Isso, assim.

Você está segurando meus testículos.

Nada disso, é para o pênis diminuir.

Diminuir? Está crescendo, para, por favor.

Calma, primeiro cresce, depois diminui. Aguente firme.

Você está me masturbando, por favor.

Calma, você vai ver, ninguém, jamais, masturbou você assim.

Ai, está gostoso.

Não falei?

Imagine se alguém abre a porta, meu piru está enorme.

Ninguém vai abrir a porta, estão preocupados com o desfile.

Ai vou gozar, por favor, não me deixa gozar, vou sujar tudo.

Vira de frente, rápido.

Você é boa nisso, abriu a boca e não deixou cair um pingo. E agora, onde você vai cuspir?

Hum, hum.

Ah, você engole, que beleza.

Veja se agora não está diminuindo.

Ah, está.

Viu, não precisa mais do gelo. E me dê aqui , vai, estou morrendo de sede.

Você ainda não falou por que apareceu nua aqui.

Foi pra fazer seu pênis ficar pequeno!

Ah, nem precisa contar outra, essa é boa.

terça-feira, maio 31, 2016

Eu,Tu e Ele

Eu, Tu e Ele moravam na mesma rua, numa pequena cidade. Cada uma delas vivía numa linda casa, muito confortável e com vista para o mar. Eunice sempre convidava Tuane e Eleonora pra contar suas travessuras. A Eu, muito extrovertida e safadinha, em pleno chá das cinco começou a delirar com o que tinha vivido à noite anterior.

"Sabe, meninas, está meio sem graça a minha transa com Samuel. Ontem saí à caça de carne nova. Encontrei o Marcelo, 25 anos e cheio de amor pra dar. Convidou-me pro motel. Lógico que aceitei. Vocês precisavam ver a ganância do homem pela minha buceta. Começou a me beijar o pescoço. Nos seios, eu vibrei. Sabe, né, se tocar meus seios com a língua e fazê-los de chupeta eu logo me entrego, fico esperando que o meu parceiro chegue logo me beijando entre as pernas. Na minha buceta, já super molhada, ele deu uma linguada profunda e chupou meu clitóris. Foi delicioso demais. Depois me colocou numa posição que conseguia me enfiar o pau e ainda acarinhar todo o meu corpo."

Tuane, pra não ficar pra trás, começou também a contar suas experiências fora de casa

"Sabe, Eunice e Eleonora, arroz com feijão todo dia enjoa. Ontem cerquei o Murilo, que já me come com os olhos todos os dias que vou à sua padaria. Falei: 'Olha, comigo é pegar ou largar, não gosto dessas seduções, não. Eu aqui pingando de prazer e você aí encostado nesse forno. Você precisa é conhecer a quentura da minha xota inchada esperando que um pau roliço venha penetrar nela com vontade. Você tem mais é que me sacudir agarrando com as duas mãos minhas nádegas, rodando e enfiando, tirando, enfiando e rodando'. O padeiro ficou vermelho e aceso com aquela conversa. Não perdeu tempo, aproveitou a hora do almoço, hora que ninguém procura pão, me puxou pro canto do forno que não estava ligado. Tirou toda minha roupa, fez tudo que eu havia pedido e mais. Aquilo que é macho, não aquele projeto de homem que tenho em casa. Hoje estou levíssima, satisfeita. Uhuuuuu!"

Eleonora ficou também ansiosa pra contar o que lhe aconteceu. Disse que pegou o Julio da quitanda porque toda vez que vai lá ela fica alisando a maior cenoura da banca. Sabia, pelo volume, que Júlio era bem dotado de vara. Justamente o que ela queria.

"Meninas, fizemos as palhas de banana de cama ao anoitecer, e tudo que havia sonhado aconteceu. Por falar em palha, dizem que é difícil achar agulha no palheiro. Imaginem se consegui encontrar minha calcinha! Muito gostoso o rola tola com ele!"

As três deram as mãos e falaram:

"Somos filhas de Deus, esses maridos cornos que nós temos que se virem."

quarta-feira, maio 25, 2016

Não pude deixar de rir

Franzi a testa. Não pude deixar de rir.

“Você é louco”, falei.

“Por quê?”, ele fez de conta que não entendia.

“Você vai me deixar assim, aqui?”

“Assim?, não estou entendendo”, ele queria que eu definisse o que era estar assim.

“De calcinha e sutiã.”

“Ah”, fez uma expressão de satisfação, “de calcinha e sutiã”, repetiu, “não foi você quem sugeriu?”

“Sugeri, mas para namorar com você, não sabia que te excita tanto deixar uma mulher pelada numa praia, de madrugada.”

“Não é só excitação”, ele disse e me abraçou, “achei que você queria experimentar.”

“Experimentar? O que posso experimentar a mais do que estar nua pra você num lugar público?”

“Já vi mulheres que desejaram experimentar uma sensação maior, trata-se de um tipo de desafio.”

“Pode explicar melhor?”

“Claro”, ele me puxou pra junto dele, beijou minha testa, depois continuou, “uma delas me pediu para sair nua do apartamento. Que eu fechasse a porta. Dias depois, escreveu a experiência.”

“Ela ficou nua do lado de fora?”

“Isso mesmo, nua e trancada do lado de fora. Após dois minutos, bateu pra eu abrir. Ela disse, então, que sentiu um calafrio de abandono.”

“Ela escreveu a experiência?”, fiquei curiosa.

“Isso mesmo. Se quiser, trago pra você ler. Mas ela romanceou, as coisas não saíram tão bem como esperava.”

“O que ela esperava?”

“Que eu abrisse logo a porta. Mas não foi o que eu fiz. Deixei a mulher de molho por um bom tempo. Por isso, naquela noite, ela ficou furiosa. Uma ou duas semanas depois, porém, quis ir nua de novo lá fora.”

“Não quero ficar nua durante nem mais um minuto, vamos embora, quero o meu vestido, por favor”, comecei a ficar nervosa. Puxei seu braço com a intenção de voltarmos ao carro.

“Vamos ficar mais um pouco", mostrou-se irredutível. "Você sabe que posso ir embora e deixar você nua.”

“Você não faria isso. Qual o motivo?”

“O motivo?”, repetiu, “não sei, talvez certo prazer.”

“Você sente prazer em me abandonar nua? Isso significa que você gosta de maltratar as mulheres, ou mesmo que não gosta do sexo feminino.”

“Quem sabe”, ele disse em voz baixa.

“Com quem fui me meter”, deixei escapar, “você é louco mesmo. Já saí com muitos homens, nenhum deles me fez passar por uma situação tão constrangedora.”

"Você está constrangida?, foi você que suspirou 'vou descer de calcinha e sutiã, é uma antiga fantasia, ficar nua na praia, de madrugada'.”

“Concordo que falei, mas não sabia que as coisas tomariam outra direção."

"As mulheres sempre querem manipular os homens. Quando a situação fica fora de controle, se tornam desesperadas."

"Você sabe que vou ter problemas caso você me abandone nua aqui. Logo vai chegar alguém. Pega minha roupa, vai, do contrário não quero saber mais de você.”

“Jura? As mulheres adoram correr perigo, e acabam sempre voltando.”

Que loucura! Refleti rápido e conclui que, para sair de modo favorável da tal situação, precisava representar. Sorri falsamente e disse:

"Ok, vamos combinar algo diferente", minha fisionomia passou a ser de deboche, mas por dentro estava morrendo de raiva, "não precisa ir buscar minha roupa." Soltei as alças e abaixei o sutiã,  meus seios se mostraram, virei o fecho pra frente e abri a presilha, "pega, vai, guarda também isso lá", entreguei a peça a ele. Como não esperava por isso, ficou com o sutiã nas mãos, meio envergonhado. "Vou dizer mais uma coisa, continuei, "digamos que não aconteceu comigo, mas com uma amiga. O namorado fez essa mesma brincadeira, deixou a mulher nua e se foi. Sabe o que aconteceu?" Ele continuou olhando, curioso, colocou as mãos pra trás, ainda segurando o sutiã. "Ela conheceu outro homem e foi com ele."

"Verdade?", arregalou os olhos.

"Verdade, e este era muito melhor!", dei minha última carta e aguardei sua reação.

"Espera um instantinho", ele disse, "vou até o carro guardar isto", mostrou meu sutiã e deu as costas.

Enquanto subia a faixa de areia, acompanhei-o sem que ele percebesse. Temia que ele fosse embora. Ao destravar o carro, abri a porta de trás ao mesmo tempo que ele abriu a da frente. Como estava escuro, não notou. Por instinto de sobrevivência, peguei meu vestido enquanto ele lançou a pequena peça sobre o banco do carona. Em seguida, fechou a porta. Tudo aconteceu muito rápido. Depois desceu à praia pra encontrar comigo. Quando chegou ao local onde estivéramos, olhou prum lado e pro outro. Me procurava.

"Ei, estou aqui", falei.

"Ah, pensei que alguém já tinha levado você", me abraçou e me beijou na boca. "Vamos passear um pouco", sugeriu, "Você acha que eu ia mesmo abandonar você nua aqui?"

Eu havia largado o vestido num ponto da areia um pouco acima, antes de ele me avistar. Não queria dar o braço a torcer. Ai, agora é que volto nua pra casa, cheguei a pensar; não faz mal, me animei a seguir, não vai ser a primeira vez. Como eu representava, não era Miriam que desfilava nua, de braço com o namorado, sobre as areias da praia. Mas, digamos, Sílvia. Que bom os muitos cursos de teatro! Franzi a testa. Não pude deixar de rir.

Para lidar com um maluco como esse namorado, só uma mulher como a Sílvia; Além de louca, era muito safada. Mais adiante tirou a calcinha e pediu que ele a guardasse no bolso. E, antes de nascer o sol, gozou duas vezes. Uma trepada de dar gosto.

terça-feira, maio 17, 2016

Nem vou espichar o vestidinho

Estou numa festa, sentadinha na sala, pernas cruzadas, vestido curtinho. Todo cuidado é pouco. Há pessoas conversando, umas riem, outras falam alto, vários assuntos alçam ao espaço, enredam-se. Ao meu lado uma mulher quase grita o sexo é ótimo, outra diz que os homens têm mais fogo do que as mulheres. Não chegam a um acordo. Os desejos são os mesmos, a da ponta alerta olha o preconceito. Nada falo, apenas sorrio discreta. Um garçom com as bebidas, de que o coquetel? Cereja. Delicioso. As mulheres não sabem sobre o meu desejo de sexo. Não adianta afirmarem que somos menos fogosas do que os homens porque o sexo deles é pra fora e o nosso pra dentro. Que absurdo! Os homens, tão pouco na festa, conto nos dedos, olham pra mim. Também, pudera, tão curto o vestidinho. As travestis, uma intervém, têm o maior dos fogos, o fogo dos homens e o das mulheres ao mesmo tempo. Uma gargalhada confortável, o arrepio. Um rapaz aproxima-se, junta-se a nós. Nossa conversa é indecente, acrescenta a terceira do sofá. A música convida, diz a dona da festa. Muita gente quer ver debaixo da minha roupa coladinha ao corpo, o tecido encolhendo, subindo, incluo na conta algumas das mulheres. Dançamos soltas, passos fingidos, movimentos medidos. O namorado quer a menina nua, não aqui nem agora, uma lembrança enquanto sinto as coxas bem arejadas, ele quer levá-la a passear sem peça alguma, ela vai sentada no banco do carona. A dona da festa vem dançar comigo, me toma pela cintura, desce um pouquinho uma das mãos. Já sei, quer saber se estou sem calcinha. Acho que se decepciona. Sabe a Karem, diz ao meu ouvido, olha pra ela, a saia fofa, também muito curta, é um tal de ir ao toalete, completa enquanto dá um passo atrás e faz que vai ao outro canto da sala. Lembra a Dina?, uma das moças vem junto a mim. Dina?, pergunto. Vai dizer que não lembra?, a travesti, afirma peremptória. Ah, finjo surpresa, o que houve? Vem à festa, diz. Que bom, afirmo fria. Dá ultima vez trouxe o namorado, um homão, sorriu, como se concentrasse nele todas as esperanças, ele adora a Dina de vestidinho como o teu, sabia?, ela insiste. Vai ver que compra na mesma loja, chego a dizer. É ousada, pra uma travesti, não sei como consegue, é outra que toda hora vai ao toalete, dá uma risadinha após a última palavra. Gira, continua a dançar, quase me toca com os seios. Reparo os bicos rijos. O garçom traz outro coquetel. Aceito. Sento no sofá, olho as amigas dançando. Duas também aceitam a bebida, vem pra junto de mim. Fogo?, ouço a voz de uma. Fogo, sim, mas nada de metáforas, fogo do isqueiro, ou de um palito de fósforo. Jura?, a primeira faz de conta que não acredita. Ouviu o que ela está dizendo? Não, quero dizer, ouvi fogo, será um incêndio?, brinco. Um incêndio monstruoso, repete a primeira, na verdade um novo método para o amor, ou velho método, não sei, dizem que as mulheres são frias, daí uma chama verdadeira pra aquecer. Ri. Finjo que entendo. Olha quem está chegando, uma aponta, a louca da Ângela. Por que louca?, quero saber. Ela mesma gosta de contar, diz a que está à minha direita, adora trepar em público. Levo o coquetel à boca e penso na Dina. Ela é que está certa, é travesti e tem o homem mais bonito, mais desejado de todas as mulheres, corresponde a todos os desejos dele. Uma fofoca, diz Ângela depois dos cumprimentos, na semana passada fui a uma festa na Teresa, adivinha quem estava lá?, a Dina, ela e o namorado, o vestido tão curtinho que quase pedi pra entrar no toalete com ela, qual o teu segredo?, eu quis perguntar. Todas as quatro mulheres, no cantinho da sala, ficam curiosas e arrepiadas! Uma diz será que a Dina topa a brincadeira? Qual brincadeira, responde a mais atirada. Vamos lhe pedir emprestada a calcinha! Peça também à Angela, você vai se surpreender, de novo a mais atirada. Riso geral. Essas mulheres não tem outro assunto?, pergunto-me, será que ninguém lê um livro nesta roda?, ou frequenta alguma galeria de arte? Quem sabe... Rio. Posso eu criticá-las? Não vou ao toalete nem vou espichar o vestidinho.