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quarta-feira, julho 13, 2022

Calcinha debaixo da mesa

Posso tirar a blusa?, perguntei depois de me sentar num estofado de dois lugares, no apartamento do novo namorado. Chegáramos havia pouco. Apesar da noite recente, fazia muito calor, acho que era dezembro.

Fique à vontade, ele respondeu.

Não tirei apenas a blusa, mas também o top. Os peitos de fora, nada de acanhamento, o que se espelhava na minha face era muita naturalidade. Veio-me à mente uma amiga que dizia ficar nua, mas tinha que ter pelo menos um top: ao contrário, sentia-se constrangida. Como você pode estar nua se está de top?, perguntei certa vez. Ah, é o modo de dizer, ela retrucou. Eu não agia por malícia, sentia mesmo muito calor, calor de verão. Estávamos ali porque passeáramos durante toda a tarde, quando andamos em busca de árvores e flores. A caminhada fora longa, nosso objetivo alcançado. Podia dormir nua por inteiro, mas caso ele quisesse namorar, teria de esperar pela minha revitalização. Repouso e água gelada faziam parte do meu cardápio.

Eu ainda não trepara com ele, nem me vira nua.

Como você pode ser tão dada?, alguém perguntaria. Não sou dada, aliás, não gosto da expressão. Ser alguém dada, pode ter significado duvidoso, quem sabe uma mulher que dá para todos os homens que conhece. Sou espontânea.

Meu amigo me trouxe um copo com suco de abacaxi. Que delícia, duas pedrinhas de gelo dentro, eu tomando a pequenos goles. Acho que foi o suco que me excitou, jamais ouvi dizer que abacaxi deixa as mulheres mordidas. Enquanto eu bebia, ele me olhava sem mirar meus seios.

Gosto de andar nua, é verdade, o motivo não é apenas o calor, adoro ver um homem admirar meu corpo, principalmente meus seios, fartos e rijos. Mas ele fazia de conta que eu era a mulher mais vestida do mundo. Agora estou na dúvida, não sei se foi a minha atitude ou o suco de abacaxi. Algo começou a me picar.

Sente aqui, pertinho de mim, pedi e levei aos lábios o suco, mais uma vez. Depois, pousei-o sobre a mesa, voltei-me ao namorado e colei meus lábios aos seus. Um longo beijo. Tomei uma das suas mãos e trouxe-a para sobre um dos meus seios. Ele o apertou. Suspirei, abri os olhos sorrateira e o vi de olhos fechados, perdido no longo beijo.

Me dê licença, pedi quando voltamos à posição inicial. Levantei-me, desabotoei a bermuda e a deixei escorregar. Pronto, de calcinha, peitos à mostra. O restante, naquele momento, era com ele.

Lembrei Gisele, que andava de biquíni pela rua principal de uma das cidades litorâneas, a parte de baixo era uma tirinha a toa bem enfiada no cu. Queria conquistar o gerente de uma loja de presentes para o lar.

Voltando ao namorado. Naquele início de noite, não tive tempo de pensar o que o homem achava de mim, o namoro de uma semana, uma jovem em seus braços, mulher fácil, peladinha, despreocupada da calcinha largada debaixo da mesa.

Ah, o cansaço? Nem sei. Acho que o deixei pro outro dia.

quarta-feira, março 16, 2022

E ela beijava tão bem!

Estava num restaurante, na Barão da Torre esquina com a Vinicius de Morais. Era domingo de carnaval. Um carnaval em suspenso por causa do Covid. A quantidade de pessoas tanto do lado de dentro quanto na calçada, onde conversavam em pequenos grupos e aguardavam uma mesa, era grande. Entardecia. Muitos vinham da praia. Homens, mulheres, alguns trazendo crianças, muitos rapazes e moças. Nas mesas, todos bebiam seu chope ou algum drink colorido. As mulheres, principalmente, vestiam roupas curtas, como biquínis ou cangas transparentes, que não escondiam corpos bem delineados.

Não sou do Rio, e sempre achei a cidade aberta a qualquer experiência no modo de vestir ou de ser, por isso eu trajava um maiô que me deixava com metade dos seios de fora, o tipo de roupa de banho presa por uma tira em volta do pescoço que, descendo, apresenta as laterais muito compridas, o que permite a apreciação da massa tão adorada pelos homens. Quando a garçonete nos indicou a mesa, recebi muitos olhares; depois, já sentada, não houve disfarce, tantos os homens acompanhados quanto suas mulheres se voltaram para mim. De certa forma, eu sorria em retribuição, como uma turista maravilhada à recepção calorosa. Já que não há carnaval, há as fantasias, pensei, não há problema eu incentivar. Acompanhavam-me duas mulheres jovens, mais ou menos da minha idade, e um homem, de seus trinta anos, ele estacionara o automóvel nas proximidades e chegara alguns minutos depois de estarmos sentadas.

Pedi um drink, como o faziam algumas pessoas, um coquetel de gim, com alguma fruta vermelha, que tinha como cobertura creme de gengibre. O coquetel aparentava ares de milkshake, só que era alcoólico.

Já comera muito durante o dia, naquele momento belisquei apenas dois pastéis de camarão. Depois de conversarmos sobre o dia, os prazeres da viagem, o apartamento onde estávamos instaladas, percebi que um certo pilequinho me avizinhava. Ah, era o gengibre. Tal raiz é afrodisíaca. Lembrei de uma amiga que fazia chá com ele quando esperava o namorado. É uma extravagância, ela afirmava, não tome isso sozinha. Eu, no Rio, com outras mulheres, e sem namorado. Como iria fazer? Dá-se um jeito, tentei me consolar.

Minhas amigas e o amigo comeram torresmo. Sério, de onde se faz torresmo? Sou urbana, desculpe a má pergunta. Da barriga do porco, alguém respondeu. Sempre achei porco um animal tão bonitinho, mas nada falei para não estragar a festa.

Ficamos no restaurante durante uma hora e meia. Eu, atirada, bebi dois do tal coquetel. Meu amigo tomou dois chopes. Vou ter de deixar o carro no estacionamento, afirmou. Não faz mal, disse uma das moças, vamos até a Farme de Amoedo, fica aqui perto e é uma rua muito divertida.

Eram nove da noite quando seguimos pela Vinícius, atravessamos a Visconde de Pirajá, dobramos à esquerda e caminhamos até a Farme. O ar noturno, que vinha da orla marítima, me animou. Minhas amigas observavam as pessoas e faziam comentários. Ao chegarmos à esquina da nossa rua pretendida, havia muita gente conversando na beira do meio fio. Muitos seguravam garrafinhas de Heineken, outros fumavam. Homens conversavam com homens, mulheres com mulheres. Percebi, então, que se tratava de um ponto turístico gay, um dos mais famosos do Rio de Janeiro. Saiu numa revista americana que este lugar está entre os cem melhores do mundo, onde os homossexuais podem se sentir à vontade. Caminhamos até um aglomerado de gente na porta de um dos bares. Muitas mulheres conversavam em inglês; adiante, alguns homens também trocavam palavras na mesma língua. O que vamos fazer aqui?, perguntou uma das amigas. Quem sabe, respondeu outra, não viemos para arranjar namorado nem namorada, ela mesma continuou; mas, às  vezes, descobre-se alguma coisa nova. Uma das americanas veio até a mim, olhou meus seios quase de fora e disse Uau, you are in the right place. Tacou-me, então, um beijo na boca. Nem fiz menção de escapar. E ela beijava tão bem!

quarta-feira, março 02, 2022

Nem algodão nem cola

O carnaval é uma festa de prazer, inventamos tantas coisas boas, depois sentimos falta. No último, antes do Covid, vivi uma situação muito engraçada. Ao recordá-la, hoje, morro de rir.

Vestida apenas de biquíni (quem me conhece, já sabe o tamanho; os outros, imaginem) e com dois pequenos pompons de algodão colado nos bicos dos seios, fui desfilar num bloco que saía domingo, na General Osório. O desfile começava em torno das cinco da tarde e durava mais ou menos duas horas. O bloco costumava contornar a praça, seguir por uma rua lateral e entrar na Vieira Souto; dali, avançava até a Joana Angélica, quando então dobrava à direita e voltava pela Visconde de Pirajá. Porém (sempre há um porém na minha vida, ainda bem), aconteceu-me um problema. Logo no início do desfile, antes de entrarmos na orla, alguém veio me avisar que o pompom que cobria o meu seio esquerdo tinha se soltado e eu estava nua. O que há de mau nisso?, perguntei, o algodão já não cobria mesmo quase nada. Continuei dançando. Mas o pessoal da organização veio conversar. Um homem me pediu, com toda a educação, que vestisse a camiseta do bloco, porque ali havia crianças desfilando, não ficava bem para a agremiação apresentar cenas de nudismo às cinco da tarde. Não discuti, vesti a camiseta e continuei a dançar. Muitas pessoas, que assistiam ao desfile, ficaram aborrecidas, queriam continuar a ver-me nua, ao menos pela metade. Azar o delas, eu tentava me desculpar, nem tudo na vida sai como a gente deseja. Desfilei e me diverti muito.

No final, quis devolver a camiseta, mas o homem disse que eu poderia guardá-la, todos os integrantes tinham direito ao tal brinde. Quem me quer como brinde? Gracejei.

Continuei com meu biquininho, entre os amigos, bebia cerveja com eles. Depois de alguns minutos, lembrei-me de que poderia restaurar a minha fantasia original. Colei novos maços de algodão nos seios e pude ficar, novamente, nua. Os homens passavam só para me admirar. Eu fingia que a fantasia era a coisa mais normal do mundo.

Então, aconteceu o inesperado. Um grupo de travestis veio a mim. Todos estavam muito bem fantasiados, ao contrário do que eu apresentava. Você vem com a gente, por favor, precisamos de uma mulher, e bem nua!, exclamou um deles sorrindo. Bem nua?, repeti rindo. Isso mesmo, assegurou. Tomou-me pelo braço e cochichou-me um segredo. Aceitei o convite, mas fiquei temerosa de ter problemas. Garantimos, há toda a segurança do mundo. Você vai fazer o maior sucesso, disseram; não é de graça não, viu, ainda vai ganhar um cachê.

Fui com eles, um baile no Joá, como nos velhos tempos. Você sabe, mulher tem mais liberdade do que nós, segredou-me outro trans. Olhe o que vocês vão me aprontar, disse e caí na gargalhada.

Na festa, eles faziam parte de uma alegoria. Trocaram de fantasia, vestiram roupas super extravagantes, mínimas, tornaram-se mais nus do que eu. Como não eram mulheres, não lhes era permitida a nudez total. Aqui, é que entro em cena. Na primeira apresentação, apareço dançando no meio deles, com uma camiseta, apenas; na segunda, o biquininho, os chumaços de algodão e uma fita a me rodear o pescoço, uma espécie de colar comprido, cor de rosa, com enfeites aqui e acolá. Depois da meia noite, houve o show principal. As trans entravam dançando quase nuas; a seguir, era a minha vez. Uma delas, depois de duas músicas, vinha até a mim e descolava os algodões; depois, vinha outra e me roubava o biquininho; uma outra despia-me da fita cor de rosa e arremessava ao público delirante. Muitos homens me apontaram a lanterna do celular, tentavam, inutilmente, descobrir onde eu escondia o meu pênis! E não precisei de algodão nem cola.

terça-feira, novembro 09, 2021

Pingar mel em uma fatia de pão

Entrei no apartamento dele, segui o curto corredor, logo estávamos na sala. Um sofá de dois lugares, a mesa, três cadeiras, um pequeno aparelho de som e, na parede, um quadro a grafite, um homem numa cidade, talvez Amsterdã, o casario, um canal e pessoas passando ao fundo. Que tipo de música você gosta?, perguntou. Alguma de ritmo lendo, instrumentos perfazendo notas longas, ou coisa parecida, falei. Sentei-me no pequeno estofado, a música não demorou a inundar o ambiente. Ele desapareceu para voltar após menos de um minuto com a garrafa de vinho. Duas taças, o tira-rolhas, dois pequenos pratos. Arrumou tudo sobre a mesa. Havia um livro sobre ela, numa das pontas. Afastou-o para um suporte lateral, desdobrou a toalha que – só então reparei – ficara enrolada num dos cantos, como um logo canudo. Não quer conhecer o restante do apartamento?, perguntou enquanto abria a garrafa. Temos tempo, pronunciei em voz baixa as duas palavras. Experimente, ele pediu. Provei o vinho, aprovei com breve sorriso. Completou um pouquinho mais a taça, brindamos e bebemos os primeiros goles.

    O apartamento do namorado trouxe-me à memória um homem com quem me relacionei fazia alguns anos. Tudo era muito parecido. Será que não era o mesmo, que voltava e eu, desligada que sou, não reparava? Nada disso, a cidade era outra, o bairro à beira-mar. E naquele tempo aconteceu algo engraçado. Sim, uma coisa divertida. Eu, que não sou de muitos sorrisos, principalmente no começo de um namoro, perguntara ao homem se poderia tirar a blusa. Na época, mesmo com o mar próximo, fazia um terrível calor, anoitecia, a hora em que parecem refluir todos os raios do sol irradiados durante o dia. Claro, dissera. Tirei a blusa e o top, sentei-me na poltrona, apenas de bermuda. Agora, não fazia calor, e eu, de um tempo para cá, passei a ter crises de vexo. Sério, depois dos trinta e cinco, uma mulher que sente vergonha é coisa rara. Mas o que há de se fazer?

    

    A música expandia-se com novos instrumentos, não se ouvia voz, apenas o som de cordas e metais, talvez um jazz um tanto mais animado. Ele sentou-se ao meu lado. Você sabe recitar poemas, sugeriu, bem perto dos meus ouvidos. Têm livros de poesia?, perguntei olhando em volta, encontrei uma pequena pilha deles sobre a mesinha lateral, onde também havia uma luminária. Tomou nas mãos alguns deles, Rimbaud, Carlos Drummond, Bandeira, Florbela Espanca, Alberto Caeiro, Álvaro de Campos. Ulisses, de Joyce. Nossa, acho que vou ler este, peguei o grosso volume, é prosa mas cheio de poesia. Riu. Você tem um charme e tanto ao falar assim, acrescentou. Não, não é charme, ou o charme não é meu, mas da literatura. Folheei o começo do Joyce. O homem foi acho que à cozinha, voltou com dois tipos de queijo, uma garrafa de água mineral, abaixou o volume da música. Você sabe que eu morria de vergonha de ler em voz alta, na época da escola?, encarei-o depois da minha confidência. As meninas eram as mais atiradas no meu tempo de escola, disse ele. Ah, sim, atiradas, mas em outro sentido, intervi. Riu mais uma vez, gostou da insinuação, mas não tinha maldade no pensamento. Morria de vergonha, verdade, continuei, depois me tornei atirada, como você diz; mas, agora, depois dos trinta, sinto vergonha de novo, não para ler umas páginas do Ulisses, é claro.

    “Majestoso, o gorducho Buck Mulligan apareceu no topo da escada, trazendo na mão uma tigela com espuma sobre a qual repousavam, cruzados, um espelho e uma navalha de barba [arregalei os olhos instintivamente e olhei para o namorado]. Um penhoar amarelo, desamarrado, flutuando suavemente atrás dele no ar fresco da manhã. Ele ergueu a tigela e entoou:

– Introibo ad altare Dei.

Parado, ele perscrutou a escada sombria de caracol e gritou asperamente:

– Suba, Kinch! Suba, seu temível jesuíta!”

    Pronunciei a última frase com entonação teatral. O namorado arregalou os olhos, como se dissesse continue, continue. Mergulhei nas páginas seguintes. Durante vários minutos, enveredei pela trilha do autor dublinense.

    “Toda Irlanda é lavada pela corrente do golfo – disse Stephen enquanto deixava pingar mel em uma fatia de pão.”

    Após essas últimas palavras da leitura, olhei a mesa, como se procurasse o pão com algum mel para derramar sobre. Genial, genial mesmo, revelou-se entusiasmado, me vi no teatro, a maior viagem, acrescentou, seu vocabulário não correspondia notadamente ao de Joyce. Está ótimo, continuou, adorei, e olha que as atrizes não se sentem envergonhadas. Levantou-se e foi cortar umas fatias de pão. Você quer mesmo o mel?, quis saber. Quem sabe, irônica, deixei o livro de lado.

    Depois de duas rodelas da baguete, do queijo com mel, e de eu ter bebido uma taça de vinho quase inteira, ele veio sentar-se ao meu lado. Você disse que se tornou envergonhada, não é mesmo? Talvez, respondi, sucinta. As mulheres são assim mesmo, sentenciou. Eu não teria tanta certeza, conheço uma que chega à casa do namorado e, a primeira coisa que faz, é ficar pelada. Ela não lê versos de poemas?, ele, sarcástico. Talvez leia, ou melhor, pode ser que peça para o homem ler, mas a literatura do corpo dela. Literatura do corpo, repetiu, não deve ser tão bela como a de Joyce. Não sei, eu não teria tanta certeza, finalizei. Naquele momento, senti sua mão apertar-me os seios nus, seus lábios procurarem os meus.

segunda-feira, novembro 23, 2020

Peitos de fora

Nesta cidade existe uma porção de fofoqueiros, se a gente sai com um homem hoje e com outro semana que vem fica logo com má fama, imagine ficar com os seios de fora quando se vai à praia. A conversa aconteceu na casa da Dorita, e foi ela quem disse sentir imenso prazer ao ir à praia e ficar sem o sutiã, um orgasmo.

Não sei por que me lembrei dela, eu estava em frente ao Country, trecho onde ficam as pessoas mais ricas. Quando reparei a Lilian, resolvi caminhar um pouco mais e parar no início da praia do Pecado. Ela não me viu, pelo menos é o que acho. Não queria falar com ela, sua conversa é a mesma de sempre, só fala de homens, de namorados, das festas que foi, e dos convites recebidos, gesticula e gosta de mostrar a bunda, o biquíni cada vez menor, o corpinho mignon. É bonita, mas como é convencida disso.

Acho que ela e muita gente têm inveja de mim porque sou uma pessoa bem sucedida. Meu consultório sempre está cheio. Quando falam em dentista, na cidade, falam de mim. Mas muita gente pensa que uma dentista não tem vida própria, que está sempre a trabalhar e nada mais tem pra fazer. Não é bem assim, gosto de sair, dos restaurantes durante a noite e da praia nos dias de folga. Não posso. porém, permanecer em lugares muito frequentados, logo aparece alguém pra conversar, e mesmo pra me pedir pra dar uma olhadinha num dente. Como é possível a pessoa abrir a boca em plena praia e querer mostrar um dente pra eu examinar?

Houve um tempo em que ia a Búzios, porque aqui não era possível frequentar a praia. Pros lados do Pecado, fico sossegada, não vejo nenhum conhecido. Armei o guarda-sol, abri a cadeira e sentei. Tinha levado uma revista e um livro, comecei a olhar primeiro a revista. Depois de algum tempo, passou um rapaz vendendo cerveja, dessas que estão na moda, Heineken, acho. Comprei duas, deixei uma dentro de uma bolsa térmica e abri a outra. Que delícia! A cerveja tem outro sabor quando se está na praia. Depois de trinta minutos, tive de entrar n'água, tanto era o calor. Mergulhei, fiquei de molho por uns vinte minutos. A água não estava fria totalmente, como é o costume aqui, mas dava um arrepio gostoso. Depois que voltei ao guarda-sol, sentei novamente e continuei minha leitura, Em determinado momento, abri a segunda cerveja. Poucas pessoas passavam pelo local, e eu não dava importância a isso. Um homem passou bem rente ao guarda-sol. acho que foi a única maneira pra me despertar do torpor que o sol e a revista me colocavam. Ele era realmente bonito, não tenho como fazer reparação alguma.

Nesses momentos, é difícil começar a estabelecer um contato, apesar de termos vontade. Como se deve fazer? Chamar? Ei, venha aqui, você é muito bonito, quero te namorar. Não fica bem. E ele, caso seja tímido, como deve se aproximar? Estamos num tempo em que o assédio às mulheres é condenável, por isso muitos homens apenas nos olham e nada mais têm a fazer. Ele venceu sua timidez ao passar rente ao guarda-sol, com a praia vazia, e não mais tentou ação alguma. Aliás, o que fez foi parar trinta metros adiante, olhar o mar e vez ou outra voltar os olhos pra mim. Eu jamais fui a primeira a falar com um homem, mesmo achando-o muito bonito e simpático.

Continuei a ler a revista, vez ou outra olhava por cima, para ver se ele ainda estava lá. Tive a ideia de dar um novo mergulho, quem sabe se tirasse o top o homem viria até a mim, com mais facilidade. Mas se eu não chegava a dar a primeira tacada, como iria ficar de peitos de fora? Resisti ao mergulho ainda durante dez minutos. Levantei-me, ele ainda estava lá, naquele momento olhava o mar. Caminhei lentamente, molhei os pés, esperei um pouco, depois, ainda vagarosa, entrei até o nível da água ultrapassar meu ventre. Mergulhei, nadei um pouco na direção das ondas. O mar não estava violento, mas tinha ondas. Venci duas delas e permaneci atrás da arrebentação. Ele mergulhou, não sei se estimulado por mim. Nadou um pouco, foi além do ponto onde eu estava e manteve sempre a distância de uns trinta metros. Num momento, tive a impressão de que sorria para mim. Permaneci nas imediações durante uns quinze minutos, depois voltei para o guarda-sol. Quando sentei ao sol e me voltei para o mar, ele ainda estava no mesmo lugar, era possível repará-lo a cortar as ondas.

Se fosse Lilian, será que tentaria estabelecer um contato? Talvez, ela adora pessoas diferentes, gente que jamais viu na cidade. Mas, quanto a mim, não é o meu costume. Ele poderia vir, perguntar se eu tinha fogo para acender um cigarro, ou mesmo perguntar algo sobre a cidade, dizendo que era de fora e nada conhecia por aqui. Mas não foi assim que as coisas aconteceram.

O que me salvou, ou melhor, nos salvou, foi o vento. Sério, quando conto, ninguém acredita. Um forte vento começou a soprar e tudo começou a voar, nesse tudo, levou as minhas coisas. O homem voltou à areia e correu pra onde eu estava, recolheu o que pode, ajudando-me, inclusive conseguiu ir atrás e recuperar o guarda-sol, que se soltara como alguém que se revira de pernas para o ar. Quando tudo estava em ordem, rimos um pouco. Ele ajudou-me a levar os objetos para o carro.

Apresentou-se, Fernando. Maria Célia, retribuí. Você é da cidade?, perguntei. Não, e me disse o motivo de sua temporada no local, do seu trabalho, o que fazia. Fiquei calada, esperei que pedisse pra que falasse sobre mim. Assim começou nosso namoro. Achei melhor, dali em diante, encontrar com ele em R O, onde a poderíamos ficar à vontade, porque a possibilidade de encontrar conhecidos era menor.

Acho que Dorita está certa, talvez um dia eu consiga seguir seu exemplo. Se tem vontade de ficar com os peitos de fora, ninguém nada com isso.

segunda-feira, junho 08, 2020

Minha amiga eu mesma

“Você é uma mulher muito elegante para dar aulas naquele tipo de escola.”

Escutei de um colega enquanto conversávamos, no começo do dia, numa das escolas onde leciono. O comentário versava sobre as más condições de trabalho no nosso meio profissional, mas senti que ele mostrava sua admiração por mim. Sorri, nada retruquei, nem sei o que fiz depois, devo ter ido até a sala dos professores pegar minhas coisas para a primeira aula.

Será que o tal colega me paquerava? Já não tenho homem faz tempo, minha vida é organizada, trabalho e tenho meus pequenos prazeres. Como já não sou jovem, admirei-me da iniciativa. Há tantas professoras de menos idade, bonitas e cheias de calor.

Faz alguns anos, quando trabalhei numa escola do litoral norte, vivi situações que me deixavam a mil por hora. A cidade era convidativa a muitas paqueras, à frequência à praia durante as horas vagas e a saídas noturnas a vários restaurantes e bares aconchegantes. Lembro que certa vez andava pela praia ao entardecer. Não sei o que me deu – a  acho que fui picada por um desejo recôndito –, tirei o top e passeei pela orla vestida apenas por uma camiseta larga. Um homem passou por mim e sentiu-se surpreso ao reparar meus seios nus!, chegou dar um sorrisinho com o canto da boca. Continuei minha caminhada como se aquela fosse a atitude mais normal do mundo. Na época tive uma amiga que era maluquinha, além de namorar vários homens ao mesmo tempo, ia à praia com um biquíni pequeníssimo, dizia adorar a praia da Joana, onde vez ou outra podia ficar com os seios de fora. Era solícita com todos que se aproximavam, dava seu número e, na maioria das vezes, marcava encontros. Gosto de tomar uma caipirinha, dizia, depois a gente vê o que acontece. E, segundo ela, só aconteciam coisas boas. Uma vez arranjei também um namorado. Você bebe uma taça de vinho?, perguntou. Claro, importado, ressaltei. Fomos a uma adega. Depois... Tenho vergonha de contar. Fiz coisas que ninguém imagina. Pude constatar que a tal amiga tinha razão. Mas nada falei a ela, não queria que me roubasse o namorado.

Volto à escola onde um colega chamou-me de mulher elegante. Fiquei interessada no tal. Quem sabe, seria tão bom a gente sair e passear, talvez uma taça de vinho. Mas levou um tempo enorme para eu estar com ele como gostaria. Toda vez que passávamos um pelo outro nos cumprimentávamos, sorríamos e seguíamos cada um seu caminho. As mulheres, no entanto, tem poderes especiais, não vai demorar ele cairá nas minhas malhas. Lógico que meus artifícios são discretos, mas o sucesso é garantido.

Você sabe, perto da minha casa abriu um bar de cervejas artesanais, uma delícia, disse eu a ele ontem. É mesmo, adoro cerveja artesanal. Caso você queira ir, eu acompanho você. Vamos marcar, então, vamos amanhã, pediu. Ok, ótimo, vamos sim.

Fiquei esperando, vestidinha, na porta de casa. Chegou de táxi, me beijou e fomos ao restaurante. Imaginem a noite mais animada do ano, pelo menos para nós dois. Não preciso dizer que não bebo muito, mas bastaram dois copos. Que calor. Lembrei a camiseta, os seios soltos por baixo, sorri para o homem. Ele, não custa, vai me ver nua!, pensei num momento. Ah, minha amiga professora lá no litoral norte, o namorado tinha uma Mercedes, e ela nua no banco do carona!

Quando a gente fala muito de amiga, quem sabe fala de si própria!

sábado, dezembro 14, 2019

Veio sentar ao meu lado

Essas aventuras são tão boas, que se deseja permanecer no enlevo, como se o momento fosse eterno. O namorado me olhava, eu pensava. Meus seios. Conheci-o fazia algumas semanas. Passeávamos, apenas. Eu, como já não sou jovem – digamos, vou pela meia idade –, deveria ser um tanto mais atirada? Acho o motivo inconsciente, ou mesmo porque sou escolada. Já passei por tantas situações, melhor a precaução. Mas como a precaução diante do impulso amoroso, sexual? A paixão sempre vence. Caso o resultado fosse o contrário, o mundo seria outro, menos conflituoso. Insensatez dizer que sempre deve vencer a razão. É o que desejamos, ou melhor, o que quer o conjunto das opiniões. Cada um, no entanto, arrefece diante da sua tentação. Não há, aqui, vencedor. O namorado me olhava. Eu sorria. Havíamos passeado durante a tarde, um parque arborizado, imenso, verdejante. A primavera. Procurava eu uma árvore, isso mesmo, estranho num lugar de tanta vegetação eu procurar precisamente uma árvore específica. Explicação: florescia pouco, por isso a raridade. As flores tão bonitas. Andamos de norte ao sul, leste a oeste. Onde a árvore? Descobrimos várias, mas não tive certeza se era a dita. Tantas flores sobre muitas. No final, entardecia. O namorado abraçou-me. Que tal um café, ou um suco, um copo d’água, não sei? Procuramos, encontramos numa das extremidades, a pequena cantina, digamos assim. Tão bom o ar, sussurrei ao seu ouvido. Beijou-me. Não sou beijada em público faz tempo. Beijo demorado, bocas, línguas. As pessoas envolvidas nos seus prazeres não tinham tempo de nos olhar. Melhor assim. Andamos pela avenida, anoitecia, ruídos de automóveis, pessoas a passear, famílias a terminarem o domingo, felizes. Entramos numa rua transversal, atravessamos, pessoas nas calçadas. Voltávamos. Que tal descansarmos lá em casa?, sugeriu. Sim. Estava calor, anunciava o verão. Seria quente o verão. O namorado conduzia-me, mãos dadas, beijos ocasionais, sorrisos cúmplices. Como arranjara o homem? Ah, uma palestra, sobre filosofia. As pessoas procuram a filosofia, querem explicações. Eu também procurava. Ele pesquisava. O sentido da vida? Não sei. Não há sentido para a vida. Não há explicação ao amor. Eu vinha num namoro comigo mesma, mas apareceu o homem. Que tal a tentativa? Desafiei-me. Aceitei. Pensei na Deia nua, envolvida pelas próprias mãos. Chegamos ao prédio onde morava o homem. Um edifício alto. Dois elevadores. Oitavo andar. O ruído de chave a destravar a fechadura, a porta aberta, uma saleta. Sentei no estofado de dois lugares. Você mora aqui, exclamei. Aconchegante. Trouxe uma garrafa d’água, o vidro suado, dois copos. Ou seriam dois corpos? Enchi o meu até a metade. Adoro ficar nua, pensei sem motivo. Quem sabe o motivo? Todas gostamos de ficar nuas. Não ia, no entanto, tirar a roupa na casa do namorado, de repente, à primeira vez. Mas estava tanto calor. Ele trouxe o ventilador, apertou uma tecla, o vento começou a rondar da esquerda à direita, da direita à esquerda, procurava-me, movimentos mecânicos. O homem continuou premendo teclas. Agora, o aparelho de som, música instrumental. Posso tirar a blusa?. Ele deu de ombros. Surpreso. Feliz. Tirei-a. Livrei-me também do sutiã. Calça comprida, apenas, deixara o tênis à entrada. Seios nus. Fiz de conta que era a coisa mais natural do mundo. Meus seios de fora, não sei se são caídos ou rígidos, depende de quem olha, depende do ponto de vista. Nua da cintura para cima. Grande prazer. Pus-me a rir. Por que você está rindo? Não sei, estou tão feliz, feliz mesmo. Meus seios apontaram à face do namorado, espelho da minha felicidade. Veio sentar ao meu lado.

segunda-feira, julho 01, 2019

Sem precisar me tocar!

Outro dia me aconteceu algo engraçado, ou melhor, algo muito prazeroso. Tirei toda a roupa e deitei nua no canapé, que fica na sala de minha casa. A princípio relaxei e fechei os olhos; após alguns minutos, mexi um pouco as coxas. Comecei, então, a pressentir que iria gozar. É difícil uma mulher gozar sozinha, ainda mais sem se tocar. Permaneci deitadinha, sentindo meu próprio corpo. O  motivo foi a lembrança de três ex-namorados, ou três homens com quem saí algumas vezes. O primeiro não era muito alto, mas tinha um peru enorme. Era mesmo desproporcional. Acho que não querendo me assustar, veio vagaroso, carinhoso, sua língua trabalhou primeiro. Fez algo que adoro, deu uma mordidinha no meu grelo, depois colocou-o inteirinho dentro da sua boca. Gozei, de primeira. Mais tarde, veio com o pênis, eu já molhadinha. Que tesão! O segundo namorado era um negro. Tenho amigas que adoram trepar com homens negros. Sério. Dizem que são muito quentes, que demoram a gozar, que se preocupam com o prazer da mulher. É verdade. Escalou meu corpo, com cuidado, não queria me magoar. Seu pênis procurou por conta própria minha boceta, parecia guiado por controle remoto! Mexeu à esquerda, depois à direita, afagou-me debaixo para cima, encontrou-me. Já emanava meus eflúvios, entrou sem muito esforço, uma gostosura. O terceiro deles tinha um metro e noventa e oito de altura. Sério, me disse logo que expressei minha surpresa com o seu tamanho. Não chego a um e sessenta, exclamei, será que vai dar certo? Progrediu devagar. Estou surpresa, os homens nesses últimos tempos têm pensado mais nas mulheres. Acalmou-me. O que fez para tanto? contou-me uma história.

Carregava-me no colo numa madrugada, num acampamento. Todos dormiam, mais de três da madrugada, só nós dois dividindo aventuras. O campo era próximo a uma lagoa e eu cismara tomar banho na lagoa, nua. Aceitou a proposta. Também tinha de ir nu. Riu muito. Caminhamos de mãos dadas, em determinado momento escondemo-nos entre as árvores. Foi engraçado, o homem alto nu, com o peru dependurado, imaginei o susto caso alguém nos surpreendesse. Chegamos às águas plácidas. Entre devagar, não vamos fazer barulho, pediu. Eu, doidinha, minha fantasia, tomar banho nua num lago. Será que você quer apenas tomar banho?, olhou e sorriu. Não vou contar como tudo terminou, imaginem o melhor possível, a história era dele, lembrem-se disso. Mas acho que olhos estrangeiros nos admiraram de longe, quem sabe de outro casal que escondia a nudez. Na volta, enquanto nos esgueirávamos entre as primeiras barracas, esbarrei com um bustiê dependurado numa haste. Tive vontade de tomá-lo para mim, mas fiquei só na vontade. Outra coisa, depois que gozo, se estou ao ar livre, morro de vergonha dos meus seios nus.

Tal história, ao mesmo tempo que me acalmou, despertou meu desejo. Já não receei o um metro e noventa e oito de homem..

A sensação foi crescendo, crescendo, vinha lá de dentro. Eu deitada no canapé, as lembranças me ascendendo, tocando fogo entre minhas pernas. Passaram-se alguns segundos, fiquei então molhadinha, plena de gozo, nuuma enorme euforia. Peguei meu telefone e fiz três fotos. A primeira, das pernas para cima aparecendo minha boceta banhada pela umidade de todo aquele prazer; a segunda só a boceta no enquadramento; a terceira pegou meu corpo quase inteiro, deixando de fora apenas parte do rosto, em destaque meus seios. Como estava ainda envolvida pelo gozo, enviei as três fotografias a um ex-namorado, nenhum dos três citados acima. Sei que ainda gosta de mim. “Guarda só pra você, eu gozando sozinha”, escrevi. Lógico que não contei como cheguei a todo aquele gozo. Dias depois ele me telefonou, disse que adorou o presente. Perguntou se eu me masturbei.

“Não, gozei com meu próprio corpo.”

“Que bom você conseguir gozar sozinha, quase nenhuma mulher consegue.”

"Pois é."

No meio da conversa chegou a dizer que eu não mais precisaria arranjar namorado, porque sabia me satisfazer sozinha, e sem me tocar, algo excepcional.

“Não vamos exagerar”, interpelei, “vez ou outra é bom ter alguém.”

No final, acrescentou: “quando você gozar de novo, me fala, vou adorar, se puder, manda outra foto.”

A vida de uma mulher é um pouquinho complicada, principalmente, quando já não é jovem e quer homem para namorar, apenas. Mas, confesso, o gozo que senti foi tão intenso, que me deixou lá em cima. Na verdade, já não preciso sair peladinha correndo atrás dos homens. Eu mesma vou me namorar, vou gozar. E sem precisar me tocar!

terça-feira, junho 18, 2019

No banco do carona

Adoro andar com os seios à mostra, principalmente quando estou sozinha em casa. Outro dia me lembrei de um acontecimento engraçado. Certa vez apareci na janela e um homem estava no portão, eu era a nua, mas foi ele quem ficou envergonhado. Coloquei uma camiseta e fui ver o que era. Uma encomenda. Agradeci, assinei o recibo e me despedi. Voltei para dentro de casa e retirei a camiseta. Cidade de interior é fogo, não há muito o que fazer, daí a gente procura prazer nas pequenas coisas, como andar nua dentro de casa! Por falar em interior, não se pode dizer que não há bons restaurantes. Inauguraram um outro dia, o dono é estrangeiro e veio para cá com umas ideias extravagantes. Espalhou enormes quadros, todos da França, inclusive um da Torre Eiffel. Fui jantar uma noite dessas, com Marília, que adorou o local, pretende ser frequentadora assídua, sobretudo após ter conhecido le patron, como dizem na França. Ele veio até a nosso mesa, cumprimentou-nos dizendo que se sentia honrado com a presença de mulheres tão elegantes. Marília cruzou as pernas, a direita sobre a esquerda, e o vestido subiu um pouquinho deixando-lhe um pedaço de coxas de fora. Não adianta, disse eu após ele se ter afastado, donos de restaurantes não são muito de mulheres. Nada disso, rebateu, os franceses são machos, mesmo com seus restaurantes cheios de mimo. Bebemos e comemos, os pratos não são plenos como os brasileiros, mas verdadeiras obras de arte. Será que não sentem fome na França?, arriscou minha amiga. Quem sabe, há diversas formas de fome, talvez de sexo, sorri. Minha amiga começou a saborear o prato e disse quero comer le patron!, parecia mesmo plena de tesão, a cor do seus lábios, sua maneira de morder os alimentos e sua virada de olhos revelavam. Calma, Marília, precipitei-me, hoje é nossa primeira vez, há tempo para tudo. Ponderou sobre a Tânia, quando descobrir este lugar vai ser um inferno, não vai sair daqui enquanto não tiver o homem no seu quarto. É verdade, tive de concordar, mas será que um homem tão requintado vai com a Tânia? Não sei, acho que sim, os homens não são muito diferentes, e ela é muito artificiosa. Artificiosa, repeti, engraçada a palavra, não pensei nisso. Você sabe que ela é artificiosa, sim, tem mil trejeitos para conquistar qualquer um.  Suspirei, ele, em pessoa, o proprietário, veio completar nossas taças de vinho. Marília mudou as pernas de posição, ele sorriu, não pelo deslocamento das pernas de minha amiga, mas ao reparar a bebida rubra a invadir nossos lábios, nossa boca, a descer por nosso interior e, acho, por nos deixar mais excitadas. Marília quase deu um grito, estava em êxtase. Lembra do norueguês? Norueguês?, repeti. Sim, o norueguês que esteve aqui no último verão, pegou a gente com um carro alugado e nos levou pra Búzios, a praia mais deserta do lugar. Ah, claro, lembro, não tínhamos levado nossos biquínis, continuei, era noite, ele nos queria tomando banho de mar!, um banho sob os raios da lua dos trópicos, como dizia, nos duas nuas, em meio às espumas da praia, e estava fria a água. Isso mesmo, fechou os olhos Marília enquanto engolia mais um pedacinho de camarão, a água fria me deu um tesão incrível, aliás, não sei por que água fria me dá tanto tesão, quem sabe le patron leve a gente passear, assim como o norueguês, um sonho. Calma, Marília, tudo tem seu tempo, pelo que observo não será difícil, vamos bolar um plano. Vamos, mas nada de as artes dentro do automóvel, lembra? Claro, você acha que eu ia me esquecer, o norueguês gozou três vezes, duas trepando conosco, a terceira ao sentarmos peladinhas ao seu lado no banco do carona!

O jantar, a conversa com Marília, a possibilidade de sairmos com o francês (ele nos deixou seu cartão), ai, tudo me deu intenso arrepio. Logo que entrei em casa, me despi, me lavei e fui deitar. Os seios sempre de fora.

quarta-feira, agosto 23, 2017

Pelo Zap!

Ele quer me namorar pelo Zap! Criativo, não? Um namoro em poucas palavras e muitas sensações, segundo ele.

“Acaricio seu ventre, você deitada no canapé, vou levantando sua blusa. Sempre gostei dos seus seios pequenos, nem precisa de sutiã. Você dá uma tremidinha, um leve suspiro, e espera que eu morda seus lábios, com suavidade, como já fiz ao vivo.”

Nada respondo, quem sabe ele desiste. Mas suspiro, engulo em seco. Gosto de homens junto a mim, a tocar meu corpo. Namorar pelo Zap? Sentir tesão com palavras? Palavras não são mãos nem peru de um homem.

“Levanto sua blusa, toco os pequenos seios, os bicos estão durinhos. Você, adorável. Amo quando fecha os olhos, imagino o que sente, o que pensa. Você deseja perdurar o gozo. Tiro sua blusa. Você só de calça leg grudadinha no corpo e a sandália de meio salto. Estiro os braços e deixo você sem a sandália.”

Ele gosta de capítulos, tudo em conta-gotas. Continuo nada respondendo. Mas dou outro suspiro. Engulo, mas não em seco, a saliva inunda-me a boca.

“Você sem a blusa, alongada no canapé, a cabeça num dos recostos de braço. Começo a descer sua calça leg. As pernas começam a aparecer, douradas, grossas, quero dar uma mordida, muitos beijos, molhá-las com minha língua.”

Por que ele não manda tudo de uma vez? Leio e acabou, nada de resposta. Vai ficar nessa lenga lenga. Após duas horas, a continuação. Ai, o que ele estava fazendo durante todo esse tempo?, me interesso.

“A calça leg já vai abaixo do joelho. Você de calcinha vermelha. Ah, você sempre gostou de lingerie vermelha. Eu deixo a calça descansar, e percorro suas coxas com a ponta dos dedos, aqui ou ali faço uma massagem. Você está de olhos fechados, não resiste, aceita minhas investidas, dá vários suspiros, geme. Puxo a calcinha, que escapa junto com a calça leg.”

Eu, nua, deitada no canapé, conforme a mensagem dele. Dou mais outro suspiro. Salivo de novo. Engulo duas vezes. Acho que quero um copo d’água. Demora uma hora a outra mensagem. Por que tanto tempo?, no Zap as coisas precisam ser rápidas.

“Você nua no canapé. Que bela, até a ligeira barriguinha é um convite ao tesão, e tem a tatuagem!, abaixo do ventre está raspadinha!, vejo a ponta do clitóris. Acho que dou uma mordidinha. Mas tudo com muito carinho.”

Ui. Não posso ouvir falar em clitóris, mexo as pernas, acho que ele cresce um pouquinho. Já reparam?, o clitóris aumenta quando a gente está... com vontade de trepar. Bem, deixa pra lá. Não dou resposta, não quero dar bola pra ele. Acho melhor bloquear o contato. Mas prefiro primeiro pegar o copo d’água.

“Tão bom o clitóris, gostinho de uva, sério, uva fresca. Depois de morder a uva, vem o vinho. Você, molhadinha. O clitóris na minha boca, você dando uma tremidinha.”

Não posso admitir. Vou bloquear o contato. Nada de brincadeiras desse tipo. Fico nervosa. Estou tremendo. Vou bloquear agora. Mas, ui, outra mensagem.

“Você diz em voz baixa, vem, por favor, sobe sobre o meu corpo, já não aguento, quero te sentir dentro de mim. Nós dois nus sobre o canapé. Resistente este canapé. Movimentos brutos, você se mexe mais do que eu, suspira, geme, chega a gritar, e...”

Gozo!

Caramba, eu tinha escrito de brincadeira. A mensagem partiu sem querer! Não posso trazê-la de volta. Quem inventou isso devia também ter inventado um modo de a gente regatar a mensagem a tempo. A tempo do arrependimento. E agora? Bem, acho que vou esperar até amanhã pra bloquear este contato!

quarta-feira, junho 28, 2017

Amigo

Naquele tempo a praia do Flamengo tinha uma parte reservada. Havia pedras formando uma barreira, acho que separava a praia de um matagal, local onde depois viriam construir a Marina, a seguir se estendia a própria praia, que todo mundo frequentava. Mas a gente gostava mesmo era da parte escondida, onde se podia ficar à vontade. Nos reuníamos desde às onze ou doze horas da manhã, as meninas, como éramos conhecidas, e aproveitávamos para tomar banho sem o top. Podia aparecer alguém ou, quem sabe, a polícia? Na teoria, sim, mas não na prática. Quero dizer, tínhamos protetores com boas relações. A polícia não aparecia ali. Caso acontecesse, era para nos admirar e nos proteger. Entrávamos n’água e nos cobríamos até o pescoço, ninguém sabia que estávamos seminuas. Às vezes surgia na pequena extensão de areia alguns curiosos, já sabiam que nos banhávamos naquele trecho, disfarçavam e esperavam que saíssemos d’água, alguns se escondiam ou faziam de conta que não nos observavam, mas queriam mesmo era nos surpreender com os seios de fora. Que bobagem tudo aquilo!, o que tem de mais um ser humano qualquer com os peitos de fora? Mas toda aquela gente sentia muita graça nisso, muita excitação. Certo dia apareceu um homem jovem que entrou n’água e veio até nós, arranjou uma conversa fiada e esperou que ríssemos de suas piadas. Amelinha foi na onda, aceitou a brincadeira e resolveu ficar frente a ele, conversando e se divertindo. Ele não sabia do principal, ela me contou depois. Como?, indaguei. Não sabia mesmo, quando disse, continuou Amelinha, ficou surpreso, como vocês fazem para que ninguém note?, perguntou, a voz dele, segundo ela, trazia alguma excitação; as pessoas notam, sim, elas sabem, e convivem com isso, disse minha amiga; eu não notei, ele falou; agora que você já sabe..., ela sorriu, sem concluir. Ele,  porém, entendeu de outra maneira, abraçou-a, achou que fosse um convite. E você deixou, Amelinha?, perguntei. Ele era musculoso e fofinho, observou. O homem agarrou-se a ela e não quis soltá-la de modo algum. Ficaram no abraço apertado. Por que você não toma banho de mar nua por inteiro, ele quis saber; à princípio senti um arrepio, depois me refiz e respondi seria um escândalo, não?, apenas os seios de fora já está até bom demais, você não acha melhor a gente marcar pra depois, num outro lugar?, disse Amelinha, fazendo de conta que estava incomodada com o abraço, que durava. Qualquer homem aceitaria, mas ele... Que tal aqui, agora e depois?, ele, malandramente. Ela não teve outra saída senão rir. Se não o quisesse, deveria ter recusado desde o começo. Então, aconteceu. Ficaram os dois durante mais de uma hora. Vem cá, Rosana, preciso de você, ela me chamou depois que o rapaz partiu. Que bom eu ia por perto, a gente sempre ajuda os amigos. Ela estava tranquila, e ria muito. Esses rapazes são muitos traquinas, adivinha o que ele quis? Um beijo na boca, respondi afoita. Nada disso, deslize as mãos aqui. Segurou minhas mãos fazendo que descessem desde a cintura até a coxas. Deixei escapar um ah! Ele disse que devolve no nosso encontro de logo mais, vou tentar acreditar, sorriu. Amelinha tem bom humor. Esses engraçadinhos são tão sedutores, cheguei a dizer. Minha amiga concordou, concordou e suspirou.

quarta-feira, junho 07, 2017

Marquinha do biquíni

Esta história aconteceu há mais ou menos dez anos. Na época, ainda não havia por aqui smartphones, escrevi e arquivei num notebook antigo, que logo pifou. Agora, que consegui recuperar a memória daquele computador, descobri acontecimentos que vivi e anotei, algumas histórias estão prontas. A que vai a seguir é uma delas.

Estávamos numa praia retirada. Este é mesmo o melhor vocábulo: retirada. À época, ainda não havia estrada para chegarmos a ela. Foi preciso escalar um morro, acho que uma hora ou uma hora e meia de subida e descida. Ao pisarmos nas areias, eu, Augusta e Frida sentimos um friozinho no estômago. Que maravilha!, ninguém a nos incomodar, uma praia inteira para nós, quem sabe pudéssemos mesmo acampar, passar ali vários dias.

“Não trouxemos tenda para acampamento”, alertou Augusta.

É mesmo, estávamos mesmo desprevenidas, apenas a roupa do corpo, o biquíni por baixo e cada uma com sua bolsa e o conteúdo que toda mulher acha necessário para as circunstâncias.

Estendemos nossas tolhas sobre a areia, abrimos um guarda sol, nem precisamos nos preocupar com nossos pertences. O mar estava maravilhoso, as ondas explodiam longe, havia uma extensa faixa de areia, a água transparente chegava mansa, respeitosa, quase surpresa com nossa presença.

“Sempre quis bronzear os seios”, disse Augusta excitada pelo momento, “nada de marca do top, dessa vez meu namorado vai ficar surpreso, como você pode ter marquinha do biquíni e não do top?, ele vai perguntar.”

“O que você vai dizer?”, Frida falou de olhos bem abertos.

“Vou sugerir que adivinhe”, completou demonstrando muita alegria.

Acompanhamos seu entusiasmo.

“Você tem razão”, disse eu, “aqui não há ninguém, podemos até mesmo ficar nuas.”

“Nua, nua, acho melhor não, vou ficar apenas sem o top”, afirmou Augusta, e foi tirando a parte de cima do biquíni, admirou os próprios seios, olhou para nós duas e riu, depois se deitou esquecida da vida. Não passou muito tempo para Frida seguir seu exemplo, primeiro deitou-se de costa, depois soltou os laços, puxou o sutiã com os seios encostados na toalha e permaneceu na posição, seus seios grandes pressionando a toalha. Pediu que eu passasse o protetor solar. Fechou os olhos e fez de conta que aquilo era a ação mais normal do mundo.

Eu, que sou um tanto atirada, até ali permanecia vestida, as duas peças nos devidos lugares. Caminhei à beira d’água e molhei os pés, estava gelada, mas dava para experimentar certo frisson. Olhei o mar, o horizonte, depois virei-me para as extremidades da praia, acompanhei a extensão de areia, a cadeia de montanhas que se erguia do lado oposto e o caminho de onde viemos. Voltei ao guarda-sol e só então me desfiz do top. Espalhei um pouco de protetor sobre o ventre, sobre os seios, e permaneci deitada, de peitos voltados para o sol.

Após trinta minutos, achei que as amigas tinham dormido. Nenhuma delas falara alguma coisa durante aquele espaço de tempo nem abrira os olhos. Pensei, então, que poderia aparecer alguém. Talvez seguisse o mesmo caminho que fizemos. Olhei na direção, mas não vi ninguém. Seria engraçado caso chegasse um homem e desse com nós três de peito de fora.

Veio-me à mente uma lembrança, acho que em Búzios, fazia alguns anos. Eu decidira tomar sol de seios de fora e aparecera alguém. A princípio não liguei, mas depois comecei a ficar preocupada. Nesses lugares às vezes os homens são machistas, acham que podem agarrar, trepar com uma mulher que encontrem nua, não acham que ela tem seus desejos, suas preferências e que o desconhecido pode não estar em seus planos, e que mesmo não ficamos nua com o objetivo de trepar com o primeiro que aparece. Mas não aconteceu nada de mais, apenas ficamos conversando. Depois de algum tempo, peguei um enorme chapéu que trouxera para me proteger do sol e com ele cobri os seios. O homem sorriu e nada comentou, fumou um cigarro comigo e partiu.

“Meninas, vocês vão dormir a manhã inteira?, viemos à praia para curtir”, falei.

Ambas abriram os olhos e mudaram a posição, Augusta de ventre para cima, Frida de costas. Reparam que eu também estava sem o top e enrolara um tanto a calcinha para que a marquinha ficasse mais baixa.

“Será que aparece alguém?”, perguntei.

“Seria, bom, está tão monótono”, disse Frida, mas em tom de pilhéria.

“Jura?”, eu disse, “você não se sentiria vexada?”

“Eu, não, ninguém me conhece aqui, seria mesmo muito bom.

Reparei que ela não brincava.

Augusta riu, pareceu concordar com Frida. “Se alguém nos vir nuas vai achar que damos pra qualquer um, vamos ter problemas para nos safarmos.”

“E quem disse que quero me safar”, continuou Frida, com toda graça do mundo.

Mergulhamos, caminhamos pela areia, divertimo-nos, fizemos nossos lanches e bebemos o refresco que trouxemos. Sempre de seios nus.

Às quatro da tarde vestimos nossas roupas e pegamos o caminho de volta. O sol e a praia nos deixaram cansadas, mas pouco a pouco subimos e descemos o morro. Do outro lado, descobrimos um quiosque. Antes de partirmos, decidimos entrar e sentar um pouco. Frida pediu uma cerveja.

quarta-feira, abril 26, 2017

Por que você veio de biquíni?

No começo achei aquilo estranho, mas pouco a pouco fui me acostumando. Ele tirava toda a minha roupa, pedia para eu ficar deitada, imóvel, então começava a me acariciar. Primeiro os seios, depois o ventre, a seguir ia descendo, vagaroso, sem demonstrar pressa alguma; um pouquinho mais abaixo tocava meu sexo com a ponta dos dedos. Já excitada, queria que ele logo viesse sobre mim, precisava sentir-me invadida por seu sexo rijo. Chegava a me mover, pequeno sinal de desconforto, queria dizer sem palavras que suas mãos não me bastavam. Quando tudo parecia se consumar, quando eu pensava que subiria, ágil, sobre meu corpo, ele pedia para me contar uma história. Uma história?, eu replicava impaciente, uma história logo agora? Uma história de tesão, de excitação, se é que as duas palavras não se igualam, você vai arder ainda mais, ele sentenciava. Mas já estou ardendo, daqui a pouco não vou mais querer, perco a vontade, contra-argumentava. Nada disso, sua fala lenta, a voz clara tentava me convencer, você vai adorar, não desejará outra vida. Começava a desfiar uma narrativa. História bobinha, chegava eu a sussurrar, mas não demorava a pedir continue, continue, estou gostando, quero saber como vai acabar.

As mulheres gostam de andar nuas, e você não é exceção. Em casa fica sempre nua, principalmente no verão. Como mora sozinha, não sente necessidade de vestir-se, sai de um cômodo, entra noutro, a nudez lhe proporciona forte tesão, desejaria ter alguém ao seu lado, mas não é sempre que isso é possível. Muitas mulheres dizem que está difícil arranjar namorado nos tempos atuais, tanto mais um namorado fiel, que as ame. Você, sempre nua, senta na poltrona da sala de estar, cruza as pernas e pensa na questão. Acaba por lembrar uma amiga que, por sua vez, narrou uma situação de arrepiar. Ela, que também adora andar nua, sentiu urgência de arranjar um namorado; apelou, como rápida saída, para as relações virtuais. Depois de alguma conversa, o homem a convenceu a um encontro real. Ela de início sentiu-se intimidada. Mas respirou fundo e decidiu ousar, era tudo ou nada. Planejou, com muitos detalhes, uma surpresa que, segundo ela, tornaria o namorado seu prisioneiro, uma espécie de cárcere de amor e de tesão. Marcou na ponta da praia, às dez da noite. Na ponta da praia?, o homem perguntou surpreso. Por que a surpresa? Lá é totalmente escuro, nenhum poste de luz. Isso mesmo, confirmou ainda segurando o telefone, na ponta da praia. Diana chegou de carro, não foi difícil identificar aquele que a esperava, afinal não havia outra pessoa no local. Ele, que se identificara como Jorge, permaneceu imóvel ao ver o veículo encostar. Ela, da mesma forma, não se deslocou um centímetro sequer do assento do motorista; esperou que ele se aproximasse. Ao olhar através da janela, pensou a princípio que ela estivesse nua, uns segundos a mais percebeu que a mulher viera de biquíni. Isso mesmo, de biquíni de praia, e apenas com a parte inferior. Tentou não demonstrar surpresa; cumprimentou-a e esperou que ela tomasse a iniciativa. Entre, por favor, ouviu a voz melodiosa da mulher. Contornou o automóvel pela parte dianteira, parou diante da porta do carona, abriu, pediu licença e entrou. Reparou o rosto de Diana, sorriu, percorreu com os olhos os seios, o ventre e as pernas da mulher, movendo um pouco a cabeça. Como era bonita! Apesar de entrada pelos quarenta, tinha o corpo bem delineado. Ela retribuiu o sorriso e, sem palavras, não demorou a abraçá-lo. Minutos mais tarde, subiu por cima do homem. Era menor e bem mais leve do que ele. Agarrou-o com força e deixou que ele agisse. Depois de namorarem e treparem com voracidade, ela pediu vamos até à beira d’água, preciso dar um mergulho. Os dois saíram do carro, cada um de seu lado, deram-se as mãos e caminharam até a beira da praia. Por que você veio de biquíni?, enfim, ele perguntou. Para que você o tirasse, ela respondeu com naturalidade.

Depois da tal história, você ficou a mil. Seria verdade? Como a amiga poderia agir de tal modo, arriscar-se a ser surpreendida por algum morador da cidade, e quase todos conhecem seu carro. Levava em conta que o tal Jorge era desconhecido, alguém de outra cidade. Mas quem sabe ele seria um morador dali, alguém que lhe pregaria uma peça? Segundo ela, porém, tudo terminou bem. Ele maravilhado com a ousadia da mulher, ela satisfeita plenamente, com o prazer em dia. Você, após ouvi-la, pensou numa maneira de também satisfazer seu tesão. Como agiria? Da mesma forma que Diana? Não teria coragem, não é mesmo? Poderia sair nua de casa, isso mesmo, nua, dirigindo, daria umas voltas pela cidade, sentiria na pele o ar noturno, o calor do verão, mas voltaria direto para casa, nada de descer nua a areia da praia. Era o que você tinha a intenção de fazer. Mas, como estava trêmula, não sabia dizer se de temor ou de excitação, tomou uma dose de vodca antes de sair de casa. Foi o que lhe deu coragem. Não fez as coisas conforme planejou, foi além. Saiu, entrou no carro e deu a partida, seguiu a sua rua no sentido sul, contornou o larguinho do Bosque, pegou a Avenida das Rosas e depois o entroncamento que divide a saída da cidade com a via que leva ao litoral. Lá, acelerou, jamais viu o velocímetro marcar tanto, estava doidinha para chegar à orla marítima. Depois da meia noite, a orla é quase deserta, apenas alguns cães vagam pelo local, a ponta da praia sem postes de luz. Arrepios a mais. Encostou o automóvel no mesmo lugar onde a amiga deixara o seu. Pena que não posso escondê-lo, seria muito ruim alguém ver esse carro sozinho, estacionado aqui a esta hora da madrugada, você pensou. Mas não houve jeito, o melhor seria deixá-lo ali mesmo e caminhar até à beira d’água. Foi então que aconteceu o inesperado. Quer que eu conte mesmo? Você já tem a história, não preciso dizer mais. Quer que eu conte? Está gostando? Ok, vou narrar. Enquanto descia a faixa de areia, você sentiu-se molhada, encharcada, mas não por algum respingo da forte maré, foi na verdade tomada por intenso gozo, mesmo que homem algum não a agarrasse. Após vinte minutos de idílio, a surpresa. Forte ronco de motor chegou aos seus ouvidos. O que será isso?, você se perguntou. Virou rápida para ver se o automóvel estava no mesmo lugar. Sim, ninguém por perto, suspirou aliviada. Outro veículo, no entanto, estacionou atrás do seu. Você voltou-se novamente para o mar e tentou esquecer o que acontecia lá em cima. Será ele?, você se perguntou. Mas não marquei com ninguém. Será ele?, continuou a imaginar. Continuou a descer a areia, o gozo, ao invés de interrompido, cada vez mais forte, mais quente. Foi então que sentiu alguém a agarrando pelas costas. Ah, Jorge, que bom, vieste rápido, já estou nua, pelada pra você, estou molhada, encharcada, você gemeu tais palavras numa voz de ardor, enfia, enfia logo, tira o meu gozo, estou faz tempo sem namorado.

Jorge, vem, sobe sobre mim, sua história é ótima, mas agora quero sentir teu pau, nada melhor do que ele, falei em meio ao meu delírio de prazer proporcionado pelo pequeno conto. Vem, demora bastante dentro de mim.

Dei-me conta, não muito tempo depois de conhecê-lo, de que não viveria sem suas histórias. Mesmo quando estou só e nua em casa, quando muitas vezes sou tomada pelo arrepio de tesão, penso nelas. Não posso negar que muitas, se não me fazem gozar, me deixam no ponto. O que também não deixa de ser um grande prazer.

quarta-feira, abril 12, 2017

À noite apareço pra devolver

Entre lençóis e almofadas acordo na casa do namorado. Oito horas, silêncio, manhã que começa dourada. Pouco a pouco vou recompondo o dia anterior, a noite de amor, as horas de prazer. Espreguiço-me, fecho os olhos, tento mais um pouquinho de sono, não quero renunciar ao paraíso. Mais um quarto de hora sinto vontade de tomar café, café fresco e bem quente, começar meu dia com disposição. Sento à beira da cama, os pés a tocar o chão, nua por inteiro, como costuma acontecer quando durmo com o namorado. Enfim, levanto-me, arrasto comigo um dos lençóis, como um grande manto, começo a juntar minhas roupas. Calça, calcinha, meias, top, casaquinho. Onde a blusa? Tenho problema com blusas, elas desaparecem sem deixar o menor vestígio. Há pessoas que não sabem, nós, mulheres, podemos perder algumas peças de roupa, mas morremos de vexo caso não encontremos a blusa. É certo que gostamos de exibir os seios. Mas há momentos próprios para isso. Ficar de seios à mostra ao inesperado é duro, muito duro. Junto a roupa toda sobre a poltrona do canto do quarto. Com meus próprios movimentos, deixo escorregar o lençol. Não há problema, melhor ir à cozinha, o café espera-me. Após dez minutos, estou sentada na mesinha da própria cozinha, xícara à frente, um pedaço de queijo, uma torrada, manteiga. Mas onde enfiei a blusa?, eu a pensar com os meus botões, aliás, a pensar sem pano e sem botões. Uma lembrança me vem à memória. Devia ter dezoito ou dezenove anos, uma festa como as que aconteciam naquele tempo. Acho que quando eu era bastante jovem todos eram loucos, isso mesmo, totalmente pirados. Não sei se a ideia fora tramada por antecipação ou alguém a gerou naquele mesmo momento. As garotas podem tirar a blusa, vamos apagar as luzes, todas ganham um prêmio. Caímos na história. Mas até que foi engraçada aquela noite. Tiramos blusas, tops, sutiãs, e houve quem ficasse nua por inteiro. De mais detalhes, não lembro. No final da tal festa, lá pelas quatro e tanto da madrugada, onde a minha blusa? Eu e Aninha sem a blusa. Como volto pra casa com os peitos de fora?, o que vou dizer à minha mãe?, Aninha desesperada. Suas palavras serviam para mim. Não sei de quem fora a brincadeira, mas eu e ela não encontramos o menor vestígio de nossas blusas. Tempos depois houve outro fato semelhante, mas com um homem com quem tive um caso. Ele me roubou a calcinha, o que me deixou furiosa durante alguns dias, mas depois esqueci. Melhor sem calcinha do que sem blusa!

O apartamento do namorado, tão bonito, ajudei a decorar, a comprar alguns objetos, tudo muito mimoso, requintado, há também muitos livros. Mas cadê minha blusa? Será que vai se repetir o desfecho daquela festa perdida no tempo? O namorado sai cedo, precisa trabalhar. Não acredito que levou minha. Por que desejaria minha a blusa consigo? A blusa na sua mochila, vez ou outra ele vai ao banheiro, tranca-se, pega o tecido fino nas mãos e o cheira, meu perfume o acompanhará durante boa parte do dia. Não acredito, ele há de me preferir ao vivo, conheço-o bem, não vai querer a namorada em segunda mão na pele de um pano de algodão. Ando pela casa. Banheiro, saleta, sala, escritório. Nada. Minha blusa criou asas e voou. Cubro-me com o lençol mais uma vez, um tomara-que-caia comprido, além dos pés, arrasto a cauda pelo chão da sala, chego à janela, olho os outros apartamentos, a rua defronte, uma marquise. Lógico que não há blusas em lugar algum. Volto à cama, aproveito e me deito de novo, enrolo-me no lençol, aperto o tecido junto aos seios. Como pode uma blusa desaparecer assim tão, tão, sei lá, tão de repente? Ah, sim, minha blusa abduzida. Vou dormir de novo, pode ser que ao acordar ela tenha aparecido. Caso isso não aconteça, o namorado tem dezenas de blusas, camisas, camisetas... Resolvido. Escolho uma e vou pra casa. À noite apareço pra devolver. À noite, aperto seu corpo quente, sua pele nua, seu abraço a me cobrir. Posso, então, perder a blusa novamente.

quarta-feira, fevereiro 22, 2017

Beijo na orelha

Eu queria enviar uma mensagem para ele, ou mesmo um ícone daqueles que há no whats app. Fiquei um tempo enorme pensando, demorei a decidir. Um dia antes, era segunda-feira, ele me telefonou, perguntou se eu estaria no consultório à tarde. Respondi que sim. Vou tentar aparecer lá, ele falou. Mas não foi o que aconteceu. Atendi uma, duas, três pessoas, e nada de ele tocar a campainha, pelo menos para me dar um beijo, como às vezes faz. Quando eu consultava um dos pacientes, o celular tocou. Porém não pude responder. Não ia interromper a consulta por causa de uma ligação para o celular. Só no final do dia pude olhar o número da ligação perdida. Era o dele, que pena. Voltei para casa. Ele não aparecera para me visitar nem ligou de novo.

Por isso eu queria mandar a mensagem, ou o ícone do whats app. Acabei encontrando um coração pulsante. Isso mesmo, um coração rubro, que pulsa à medida que o destinatário abre a mensagem e o observa, uma gracinha. Antes de enviar, lembrei-me mais uma vez do gesto dele ao me visitar. Dá-me dá um abraço apertado, segura-me por alguns segundos, eu agarradinha nele. Não posso dizer que não gosto. Certa vez esperava-me para descermos ao café, então o telefone tocou. Atendi. Não sei se era um paciente ou uma ligação comercial. O que recordo é que, enquanto eu respondia a ligação, ele deu meia volta e beijou a minha orelha, a orelha contrária à de onde eu colocara o gancho do telefone. Senti um arrepio incrível, confesso que até fiquei envergonhada. Como se diz por aí, perdi o rebolado: esqueci o que devia dizer à pessoa que me aguardava do outro lado da linha. Naqueles poucos segundos, lembrei-me de um acontecimento que me ocorrera quando era bastante jovem.

Estava com um namoradinho, acho que era sábado à noite, ele agiu da mesma forma. Um beijo molhadinho na minha orelha. O rapaz, então, surpreendeu-me num ligeiro tremor. Envergonhada, abracei-o. Ele entendeu meu abraço como um sinal de aceite. Como faria para dizer que tudo não passava de um mal entendido? Ainda para incentivar, eu vestia um tomara que caia curtinho. Dá para acreditar? Não consegui escapar de suas investidas. No final, eu ainda me sentia molhadinha, e não era só na orelha. Quis dizer que não gostei, fiz cara de furiosa, mas quem acha que consegui?

Volto ao consultório. Após o beijo, permaneceu juntinho a mim, abriu a boca e deu também a tal lambidinha, bem dentro da minha orelha. Parece que minha lembrança atraiu sua ação. Fiquei toda arrepiada, quase não aguentei. Ou melhor, não aguentei mesmo. Mas tive de disfarçar e dizer para com isso, estou no telefone.

Na mensagem do whats app, não escrevi nada, apenas enviei o coração pulsante. Sei que ele vai entender. Meu coração pulsa por ele. Na próxima vez que me beijar, sei que me vou toda derreter.

quarta-feira, dezembro 21, 2016

Meu namorado adora me deixar nua

Meu namorado adora me deixar nua, seja em casa ou em qualquer outro lugar, principalmente ao ar livre. É um arrepio, como gostamos, como gozamos. Ao irmos à praia, quando há pouca gente, tira-me o biquíni na própria areia, primeiro o top, depois a calcinha. Caso haja outras pessoas, entramos n’água; a primeira coisa que faz é me roubar o biquíni, literalmente, fico apenas de top. Certa vez me quis totalmente nua. Sem o top, as pessoas vão notar, tenha calma, adverti. Ele aceitou. Fiquei sem a parte de baixo durante uma boa meia hora.

Antes me surpreendia com tais investidas suas, contei então a uma amiga. Você não é a única a ficar nua em lugares públicos, assegurou, há outras que são até mesmo mais ousadas. Mais ousadas?, refleti. Contou-me o que faziam. E acho que fazem até hoje. Cada coisa de dar frio no estômago. Uma dirigiu nua, parou, saltou do automóvel e ficou na estrada a esperar pelo namorado que partiu para dar uma volta com o carro dela mesma. Além dessa, havia histórias muito excitantes. Até mesmo a de uma mulher encontrada nua de madrugada por um motorista que já a paquerava havia muito. Meu coração bateu mais forte. Será verdade?, quer dizer que há tanta gente nua por aí dia e noite?, perguntei curiosa. Isso mesmo, confirmou, mas não conte a ninguém suas aventuras, deixe que cada uma pense que é exclusiva. Engraçado, tememos mas, ao mesmo tempo, queremos aventuras e exclusividade. Lembrando as palavras de minha amiga, pensei sobre uma aventura que vivi e não disse a ela. Já saí nua de casa, não dirigindo o automóvel, mas sentadinha no banco do carona, sem suar de temor. Quero dizer, no começo fuquei um tantinho grudenta no assento, mas pouco a pouco me fui soltando. Correu tudo bem, meu namorado parou o carro num recanto arborizado, estacionou e trepamos ali mesmo. Mesmo depois de terminada a transa, eu ainda estava excitadíssima. Depois ele guiou pela orla, onde se reúnem muitos jovens para beber sábado à noite, mas me mantive tranquila, Chegou a sugerir quer saltar? Quem sabe, sorri desejosa. Tudo terminou bem. Quando entramos em casa, levou-me no colo, colocou-me no sofá da sala, tirou a roupa e escalou meu corpo, acariciou minhas carnes, descobriu em mim mais um ponto de gozo.

Semanas depois à praia, aconteceu algo engraçado. Ainda bem que não foi por aqui, onde moramos, mas duas cidades ao sul, num sábado à tarde, quase ninguém a tomar banho de mar, dois ou três casais, uns garotos ao longe jogando futebol. Ele tirou minha calcinha, como sempre faz quando entramos n’água. Mas, naquele dia, resolveu ir adiante. Roubou-me o top. Não tem ninguém por aqui, hoje quero deixar você nua inteira, disse e saiu da água levando nas mãos minhas duas peças. Recostou lá onde estavam as nossas coisas e cochilou. Aí surgiu, como que do nada, um homem. Tomei um grande susto. Mas, como não gosto de dar mancada, tentei manter a pose. O problema é que uma mulher de seios de fora é descoberta num piscar de olhos. Sem ter o que fazer, nada falei, a solução foi rir. Ele também riu. Você é bonita, afirmou no meu ouvido, bem pertinho, uma voz melodiosa, e ficou juntinho a mim; a seguir me segurou pela cintura. Ainda bem que não perguntou por que estava nua, eu morreria de vergonha. O desconhecido tinha talento, soube me deixar muito à vontade. Você só vai ter de cuidar de uma coisa, disse sorrateira e olhei para a areia. Ele já sabia, não precisei continuar. E o namorado?, lembrei a pergunta caso um dia contasse a história a alguma amiga. Adora me deixar nua, seja em casa ou em qualquer outro lugar, principalmente ao ar livre.

terça-feira, dezembro 06, 2016

O presente e o frisson

Meus seios sempre foram grandes, não que isso me cause algum tipo de problema, muito pelo contrário, os homens adoram, e me olham com um desejo e tanto. Mas, às vezes, sinto um pouco de vergonha, principalmente quando uso blusas soltas. Não posso sair sem sutiã, ou sem algum tipo de top. Outro dia, um namorado insistiu para eu sair com ele sem o top.

“Já fico nua pra você, por que quer que os outros vejam meus seios?”

Ele nada falou, na verdade queria me exibir às outras pessoas. Fiquei um pouco chateada com a insistência e pensei em terminar o namoro. Nada de ser objeto de exibição.

Um episódio, porém, me surpreendeu e mexeu comigo. Aconteceu no último sábado. Eu caminhava pela praia, vinha do Pecado quando na altura do Durval me deparei com uma senhora que também caminhava. Ela vinha de camiseta e sem top, seus seios eram grandes e, apesar da idade, eram rijos e bonitos. Fiquei pensando por que andava daquele jeito, sem vergonha alguma e desejosa de mostrar o que tinha de mais bonito. Será que seu objetivo era arranjar namorado ou, quem sabe, sentia prazer em mostrar os seios?

“Jacqueline, você tem os seios grandes!”, exclamam minhas amigas caso me surpreendam nua, “queria ter seios assim”, dizem com certa inveja.

“Não é fácil ter os seios grandes”, rebato, “os namorados ficam loucos, e me querem sempre com os peitos de fora.”

Elas riem, acham ótimo, adorariam ter namorados como os que me aparecem.

E apareceu de novo o namorado que me desejava sem o top. Acabei saindo com ele, um sábado à noite. Fomos a um restaurante. Dele o convite. Um lugar aconchegante, à luz de velas. Bebemos vinho, culinária francesa, tudo do bom e do melhor. Será que vai me querer nua depois do jantar?, pensei. Lembrei na hora a mulher que caminhava pela praia de camiseta, sem o top. Ela seria a primeira a tirar a blusa. No final do jantar, andamos um pouco pela praia, uma brisa fresca, um arrepio. Ele contou uma história, uma viagem, barcos e aviões. O mar inspirava. No final, deu a senha.

“E então?”

“Então o quê?”, fiz-me séria, como se não o entendesse.

“Você vai me deixar roubar o teu sutiã?”

“Rá, rá, sorri forçada, você não esquece isso.”

“Como eu poderia esquecer, você com esses seios grandes é um charme.”

“Você quer mesmo meu sutiã?”

“Claro.”

Lembrei algo que eu queria comprar mais não tinha dinheiro, e era tão bonito. Falei a ele.

“Será que a loja está aberta, agora?”

“Quem sabe?”, respondi.

Deixamos o shopping para o domingo à tarde, pois era sábado, quase meia-noite. Mas fui para casa dele. Trepamos. Um gozo e tanto.

“Vou roubar teu sutiã agora, e quero que você vá apenas de blusa até lá fora”, o homem morria de ansiedade.

“Nada disso”, contestei, “você terá de esperar até amanhã.”

Ele esperou. No dia seguinte, fomos à loja determinada e ele comprou o que pedi. Não falo qual o presente porque morro de vergonha, as pessoas podem pensar que sou prostituta.

No carro, no escurinho da noite, ele:

“E então?”

Enquanto o homem dirigia, tirei a blusa, depois o top, coloquei as duas peças no banco traseiro do automóvel.

Com o presente na bolsa, valia a pena passear de torso nu, tanto mais no escurinho da estrada. Comecei a entender a senhora que passeava de camiseta e seios soltos à beira da praia. Um arrepio. Aliás, dois, o presente e o frisson.

terça-feira, novembro 01, 2016

O sofá

O sofá jazia na rua, junto a um poste. Esperava pela compaixão de alguém. Ou pelo caminhão da limpeza pública. Era um sofá de pano. Via-se que estava gasto, um tanto desbotado, mas ainda servia. Quem quisesse sentaria nele e descansaria. Não era isso, porém, que me despertava o sofá. Lembrava um namorado. E fazia mais de dez anos. O namorado tivera um sofá semelhante. O pano estampado de listras cinzas e brancas. O namorado insistira em me levar ao seu apartamento. O namoro ainda ia cru, duas semanas de encontros, apenas. Eu não queria, não do jeito dele. O sofá jazia na rua. Ninguém viera buscá-lo até aquele momento. Nem havia alguém que o espreitasse. O sofá do namorado era convidativo. Ele perguntou se eu bebia alguma coisa. Havia vinho e cerveja na geladeira. Não, obrigada. Bebera momentos antes num bar, com ele. Insistira e eu acabei sentada sobre o sofá de sua sala. Uma sala limpa, aceitável, alguns livros numa estante. Cruzei as pernas, o vestido comprido, de flores verdes e fundo branco, escondia minhas pernas. Esperava a reação do namorado. Ele observava minha fisionomia ressentida. Vencera. Conseguira-me sentada no seu sofá. Descruzei as pernas, olhei-o desafiadora. Por que a mulher sempre é levada ao local mais fácil?, acho que pensei naquele momento. Merecia um hotel. Não o Palace, mas um hotel razoável, paredes claras, a luz quebrada ao meio. O sofá era convidativo. Ele sentou ao meu lado. Deu-me um longo abraço, um começo de beijo. Eu, rígida, como se não quisesse o beijo, como se recusasse o abraço. Não queria o apartamento, muito menos o sofá. Sentia-me vencida. Sim, eu era uma mulher vencida. Mas não sabia dizer o que seria uma mulher vencedora. Não naquele momento. Descobriria duas ou três horas depois. Mas a dor de se sentir vencida é um fato quase irrecuperável. O sofá, o da rua, eu diante dele fazia tempo. Quem via a mulher louca diante daquele refugo? Louca ou mendiga, dá no mesmo. Minhas roupas, no entanto, revelavam uma mulher limpa. Talvez queira levar o sofá para casa, alguém pensaria. Talvez esteja cansada e queira sentar. Nada disso. Era o namorado. Eu estava sentada ao seu lado. De repente levantei, dei alguns passos. Queria conhecer o resto do apartamento. Começava a conquista. Entrei no quarto, caminhei até a janela. O outro lado da rua, um prédio de apartamentos, uma mulher passou rapidamente de um cômodo a outro. Estava envolvida numa toalha. Sua rapidez revelava o desejo de não ser descoberta. Voltei à sala. Entrei na cozinha, na área de serviço, nas dependências de empregada. Havia um secador pequeno na área de serviço, pequeno e vazio. Ele não lavava as roupas? Voltei à sala. Sorria dentro de mim. Ele não lavava as roupas. Ele ainda sentando, à espera. Seu olhar indagativo. Eu aceitava? Não sei. Entrei no quarto mais uma vez e deitei na cama. Venha até aqui, gritei. Deitada, esperava que subisse sobre meu corpo. Seu vestido vai ficar todo amarrotado, preocupava-se ele com meu asseio. Não faz mal, não ligo aos vestidos. Deitou enfim sobre mim. Beijou-me. Um beijo longo. Assim que acabou, tirei o vestido e o arremessei sobre uma cadeira. Arre a todos os vestidos. Meus seios se aprumaram. Ele sabia que eu não usava sutiã. Deitei-me e ele veio de novo sobre mim. Tira minha calcinha, ordenei. Sou eu que rejo a orquestra, falei dentro de mim. Começamos um duelo vigoroso. Eu sabia que não haveria vencedores. E numa orquestra há muitos homens. Homens e mulheres. No sexo, ambos ganham. Ou perdem. Depende do ponto de vista. Mas o vestido sobre a cadeira mostrava minha determinação. Uma determinação de mulher que não tem medo de sair nua andando quadras e quadras. Eu era essa mulher. A princípio vencida pelo namorado, levada cordata à sua casa. Mas depois. Bem, depois há sempre aquele que diz que já não é possível a vitória. Mas eu vencera. Tanto vencera que fiz questão de reger uma orquestra. Eu, que jamais aprendera música nem sabia tocar instrumento algum. Uma mulher que não tinha a preocupação de ir embora amarrotada. Melhor, então, a vitória final. Não iria embora amarrotada. Não iria embora. Ou Iria embora nua. E de cabeça erguida. Os seios aprumados. Seria presa? Não me importava a prisão. Importava reger a orquestra. Antes de sair ainda sentei uma vez no sofá. Para calçar a sandália. O sofá. Que jazia na rua. 

quarta-feira, março 23, 2016

Levada

“Olá, tudo bem? Que saudades. Quero encontrar você, dar uma mordidinha. Está assustada com a proposta? Ou com a palavra? Talvez esteja surpresa. Ninguém nunca falou assim? Você sabe o que significa dar (ou levar) uma mordidinha. Deve estar arrepiada, você sempre se desmancha quando envio uma mensagem ou quando ligo, pensa que não sei? Lembra quando nos encontramos ao acaso, naquela tarde de outubro? Estava magra, corpo mignon. Estou fazendo dieta, escutei sua voz, disse que se tratava de um probleminha de saúde. Agora sei que já está bem, não sofre de mal algum, e seu desejo, seu tesão, sempre foi grande, então lembrei a mordidinha. Você vai gostar, tenho certeza, e não será a primeira vez. Uma mulher muito levada, é assim que sempre imagino você. Mas também, pudera. Você lembra, ficou nua na praia, dentro d’água, deixou que eu levasse seu biquíni. Depois voltei para namorarmos, banhados pelas águas do mar. Não se preocupe, eu disse, caso apareça alguém estamos abraçados, você está vestida na frente pelo meu corpo e atrás pelas minhas mãos. Você riu, adorou a brincadeira, nem pensou que poderia ter de sair pelada de dentro d’água. No final, uma pizza. Assanhada, comendo a pizza e o biquíni dentro da bolsa. Agora convido de novo, que tal?, quero dar uma mordidinha, vai ser tão gostoso, garanto que vai gozar muito, muito mesmo, impossível representar com palavra. Num primeiro momento, as mulheres recusam, mas não demoram a deixar que lhes roubem a saia. Vamos fazer assim, você vem à minha cidade, não precisa se preocupar, não haverá custos, tudo por minha conta, e ainda vai ganhar um presente e tanto. No nosso último encontro, você falou sobre seu casamento. Eis as palavras: não temos nada, apenas amizade; além disso, ele fica na casa da serra e eu na da cidade, ele não consegue viver em M., de modo algum, eu é que vou à serra de quinze em quinze dias encontrar com ele, mas apenas para nos vermos e conversarmos um pouquinho; sexo, nem pensar. Portanto, disse eu, nada de consciência pesada, isso não é casamento, e se não é casamento, não há traição. Você riu, me deu razão. Espero você. Sei que está doidinha. Vou te sacudir e vais te renovar, por dentro e por fora. Não há o que o gozo não cure. Às vezes, desconfio, do jeito que você é levada, e como faz muito calor, quem sabe vai a Cavaleiros e lá, dentro do mar, uma mãozinha que sempre paquera você rouba o teu biquíni. E você a sorrir, a gostar, a namorar... Será?”

Que e-mail comprido. Ele a me convidar, a querer me deixar nua!, a desconfiar de mim. Que arrepio. Ainda bem que ele não está vendo, morro de tesão, verdade. Quanto a outro, não sei. Bem que, um dia desses, vi um homem tão bonito, não pude controlar meus pensamentos (só os pensamentos?). Voltando ao autor do e-mail, o homem que me faz o convite. Assim que eu estiver na cidade dele e ele me tocar, vou virar os olhos, vai poder fazer comigo o que quiser. Estarei pro que der e vier. Lá ninguém me conhece, posso até sair nua do apartamento. Vou levar minha caixa de surpresas: um vestido curtinho, desses que ficam coladinhos ao corpo; duas calcinhas pequeninas, uns fiapinhos à toa, uma saia de baianinha, uma camiseta curta, e também um vestido de odalisca; um biquíni de praia (fio dental), mas nada de top, apenas a calcinha, pra fechar uma lingerie de corpo inteiro, como uma meia que desce do pescoço às pontas dos pés, pra passear depois da meia noite. Todas essas surpresas pra desfilar pra ele e com ele. Ai, tomara que esse dia chegue logo. Até que enfim vou poder gozar, e gozar muito! Nada de ficar só no conto, quero também o corpo... Às vezes penso, em vez de ir à cidade dele, posso chamá-lo para vir à minha, vamos então pra uma praia deserta e, depois, pra um hotel. Ele vai adorar. Que show!

domingo, fevereiro 22, 2015

Ele adora me ver sem sutiã

Ele adora me ver sem sutiã. Apenas a calcinha, e bem pequena, entrando toda no bumbum. Mas um dia desses aconteceu um problema. Não digo que seja ele o culpado, eu também andava gostando da brincadeira. Nossa cidade não é grande, mais cedo ou mais tarde todos acabam se conhecendo. Há pessoas de famílias tradicionais, que vivem aqui desde uma época que já se perdeu no tempo; há outras que vieram há duas ou três décadas para trabalhar na industrialização que começava. Minha família é desta época. Há também empregados que ficam na cidade apenas nos dias de semana, sexta à noite voltam para os seus lugares de origem. Isso tudo para contar o que me aconteceu de anormal, vejam só. Meu namorado, com tais gostos extravagantes, passou a pedir que eu saísse sem sutiã. No princípio, não aceitei; depois, fiquei na dúvida. Até que, num dia desses, resolvi arriscar. Para muitas mulheres, andar por aí sem sutiã é a coisa mais normal do mundo. Para mim não foi tão fácil. Na primeira vez me senti nua, e olha que costumo ir à praia com um biquíni mínimo. O dia em que saí apenas com uma blusinha de verão por cima da pele foi para ir a um restaurante. E meu namorado me prometeu que seria à meia luz. Promessa cumprida. Fiquei achando, porém, que todos estava olhando para mim e descobrindo meus seios. Na vez seguinte, fui sem sutiã a uma discoteca. Estava uma loucura. Nem houve tempo para eu pensar que os homens me adivinhavam nua. Mas um dia na praia, quando ficamos num bar bebendo e comendo uma besteirinha, reparei um homem que me olhava com insistência. Ele estava em outra mesa. Apesar de eu ter estado de top durante o tempo em que fiquei na praia, ao irmos ao bar meu namorado pediu que eu fosse ao carro e que voltasse apenas de camiseta. Dois dias depois dei com o mesmo homem na condução, enquanto eu ia para o trabalho. Achei que fosse coincidência. Três dias depois, quando voltava a um dos restaurantes com o namorado, o homem estava lá de novo. Concluí que estava me seguindo. Comecei então a ficar preocupada, mas nada falei ao meu namorado. Na semana seguinte fomos à praia, era de tardinha. O tempo estava fresco. Logo ao entrar na água, meu namorado começou a me abraçar, a me beijar, a passar as mãos por todo o meu corpo. Não demorou a pedir que eu tirasse o top. Pode aparecer alguém, alertei. Não aparece não, falou, a praia está quase vazia. Fiz a vontade dele. Ele pegou meu top e levou lá para a areia, onde estavam as nossas coisas, como a cadeira de praia, minha bolsa e uma toalha. Fiquei com os peitos nus, debaixo d’água. Meu namorado, ao menos naquele momento, teve razão. Ninguém à vista. Três dias depois fui à praia sozinha. Fazia um calor intenso. O namorado disse que, caso resolvesse o problema de uma construção sobre a qual era o responsável, viria à orla mais tarde encontrar comigo. Para minha surpresa, logo que mergulhei, após ter permanecido meia hora sob o sol, dei de cara com o tal homem que me seguia. Aproximou-se e perguntou como eu estava passando. Nada respondi. Tentei me afastar. Ele falou outro dia vi que você tomava banho sem o top, seu namorado gosta da brincadeira, não é mesmo? Fiquei desconcertada. Mas mantive a pose enquanto voltava à areia. O homem não me abandonou, Afastou-se, porém permaneceu nas proximidades. Reparei que continuava de olho em mim. Naquele dia, meu namorado não apareceu. Às duas horas, voltei para casa. Andamos por bares e restaurantes, festas e algumas boates, eu sempre sem sutiã e usando roupas de acordo com o desejo do meu namorado. O homem que me seguia desapareceu durante alguns dias, mas não desistiu. Confesso que comecei a gostar de estar sendo admirada por dois homens, muito másculos por sinal. Três semanas depois voltei sozinha à praia. O homem, quase como um fantasma, apareceu ao meu lado, na areia. Oi, gata, quanto tempo, que saudade, ele disse. Tive de rir. O que ele encarou como sinal de vitória. Conversamos um pouco. Entramos na água. e acabei nos braços dele. A cidade não é grande, sussurrei, logo aparece uma conhecida. Deixa comigo, ele retrucou. Ficamos abraçados, bem longe da areia, eu de costa para aquele pequeno mundo. Dali fomos direto a um motel, numa cidade vizinha. Cheguei em casa quase à noite, ainda vestindo o biquíni. Ou sem ele!, o homem me deixou louca. Passei a namorar os dois, mas morta de medo de ser descoberta. O segundo, que eu chamo de namorado fugidio, sempre me tranquiliza. Deixa que eu resolvo, afirma com toda a segurança do mundo. E resolve mesmo: exige muito mais de mim do que andar sem sutiã.