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domingo, dezembro 11, 2022

Convite para terça-feira

Eu já imaginava que aquele convite me deixaria numa situação delicada. Era uma terça de janeiro, o telefone tocou; antes de atender, o nome dele já aparecia na tela.

Oi, como vai, tudo bem?, você está aí na Serra?, a voz dele, incisiva, parecia dizer que me desejava encontrar.

Estou, sim, respondi, sei que meu tom de voz revelou algum interesse, como se eu dissesse você vem encontrar comigo?

Vou a M. hoje, gostaria de ver você.

Suspirei. Minha vida estava parada, eu enfurnada em casa em pleno verão...

Você vem a M. mesmo?, quis me certificar.

Vou. E quero encontrar você.

Tudo bem, respondi, vou descer, que hora você chega?

Lá pelas onze.

Depois que desligou, abri o armário e escolhi uma roupa que combinava com o verão. Não sou muito de short, nem de bermuda, preferi uma blusa de malha e uma minissaia. Mas nada extravagante. É preciso dizer que ele, o homem do telefonema, já fora meu namorado, ou mesmo bem mais do que isso. Mas depois de sua partida da cidade, o relacionamento esfriou. Foi quando arranjei o meu atual companheiro. O homem mora comigo, mas deu para ser locutor de uma rádio comunitária, onde permanece bem mais do que em casa. E o pior é que nada ganha, tudo nas minhas costas, salário de professora.

Desci para M. no ônibus de dez e vinte. Fui apreciando a paisagem. O lugar não era feio, mas as pessoas não sabem dar o devido valor ao que possuem. O ar estava fresco. Quando o ônibus acabou de descer a serra e atravessou a rodovia, era possível sentir a brisa que vinha do mar. Sobreveio-me um arrepio. Quem sabe meu antigo namorado vai querer ir à praia, e eu nem trouxe o biquíni.

Às onze e dez cheguei ao local combinado. Não era na rua principal da cidade, mas na rótula, próxima ao Cajueiro. Ele já me esperava.

Beijei-o e sorri ao entrar no carro. Correspondeu ao beijo e ao sorriso. Deu a partida e seguiu na direção de Cavaleiros.

Não vamos a Cavaleiros, por favor, conheço muita gente, vai dar o que falar, sugeri.

Era o preço de viver em lugar pequeno. Sempre uma fofoca. Sempre a saberem quem está traindo quem. E meu objetivo nem era trair. Estava gostando daquele convite inesperado.

Ele tomou a estrada e seguimos na direção de Rio das Ostras.

No meio do caminho, falou:

Sei que você tem parentes em Rio das Ostras, por isso estou pensando em outro lugar, vamos ficar bem protegidos.

Acho que não há problema se alguém nos vir juntos, somos amigos, sorri no final.

No meio do caminho, aconteceu o que eu não esperava. Fez o retorno e entrou num hotel. Desses à beira da estrada.

Poxa, não sabia que você iria me levar para um lugar assim, cheguei a me queixar.

Não vou fazer nada contra a sua vontade, ok? Quero apenas ficar com você, e um pouco de tranquilidade.

O hotel era daqueles antigos, onde se dirige até à varanda do apartamento. Saímos do carro e entramos. Algo me surpreendeu. Bem ao lado do quarto havia uma piscina, e para o tamanho do local era enorme.

Está calor, não?, sorriu.

Sentamos e conversamos amenidades. Pediu um serviço de quarto. Para ele uma cerveja, para mim um suco com espumante. Lembrou a tal bebida que sempre apreciei. Num determinado momento, tirou a camisa, viera de bermuda.

Você não repara, vou entrar na piscina, está calor, só que não trouxe roupa de banho, sorriu ao terminar a frase.

Foi a banheiro, tirou a roupa e voltou enrolado na toalha. Depois, à beira da piscina, ficou de costas para mim, soltou a toalha e entrou n’água. O gesto dele me provocou um arrepio.

Você não quer entrar?, sugeriu.

Não sei, estou pensando.

Ele ficou dentro d’água, o copo à beira da piscina, ele com a cabeça de fora.

Acho que vou entrar, falei a mim mesma, em pensamento.

Pedi licença, fui ao banheiro e voltei enrolada na outra toalha. Fiz a mesma encenação dele, virei de costas, deixei a toalha ao lado e entrei n’água, não sem fazer alguma agitação na superfície que estava tão plácida. Continuamos a conversar como se tudo aquilo fosse a coisa mais normal do mundo.

Aproximou-se de mim.

Por favor, não me toque, não quero praticar um adultério.

Adultério?, repetiu. Achou a palavra muito engraçada.

Estou com você como amigo, não quero trair meu atual companheiro, eu disse. Mas estava ardendo de desejo. O pior é que queria negar que tinha tesão pelo homem bem ali à minha frente.

Tudo bem, não vou tocar você. Como já falei, não vou fazer nada que você não queira.

Mas lá pelas tantas fui eu que toquei nas costas dele. Virou para mim cheio de entusiasmo, mas adverti:

Não, não, foi apenas uma brincadeira, nada disso.

Vou apenas segurar na tua cintura, falou em tom de pedido.

Acabei deixando, ficamos os dois ali, um olhando para o outro, como caras de bobo.

Você veio a M. apenas para me ver?, perguntei interessada.

Digamos que sim.

Então, ainda gosta de mim.

Sim.

E você tem interesse em transar comigo, mesmo eu já não sendo aquelas coisas. Estou ficando velha.

Lembro você, corajosa, a circular nua ao meu lado, pela cidade, nua na estrada, na praia. Sinto tesão nisso.

Então você gosta do passado, afirmei.

Também do presente, você está nua à minha frente e tem muito charme. Acho que vou deixar você em casa, peladinha, como da outra vez.

Sorri.

Nada disso, onde moro há uma porção de gente.

Naquele tempo também havia.

Continuou com as mãos na minha cintura, aproximou-se, quase roçando minha pele.

Acho legal você ter vindo, venha outras vezes, venho ver você, disse dissimulada.

Então desfile pra mim, vai, sai da piscina e desfile.

Ah, tenho vergonha, ri.

Vergonha de quê? Só há nós dois aqui.

Espere, tenho de me preparar.

Afastei-me dele, apoiei na escadinha e saí da água, de costas. Peguei a toalha e fiz um curto tomara que caia. Virei para ele e sorri. Tocava uma música romântica na rádio. Comecei o desfile a passos curtos. No ponto mais distante dele, deixei cair a toalha.

Quando acabei o desfile, corri para junto dele.

À tarde, deixou-me no ponto, o mesmo onde eu saltara pela manhã. O dia ainda estava claro, fazia calor, mas fora eu que pedira para ir embora. Voltava satisfeita com tudo que vivera, mas sempre quando está próxima a noite a gente sente a consciência um pouco pesada. Realizar um desejo não é pecado, mas muitas vezes nos deixa com a pulga atrás da orelha. Afinal, traem-se uns aos outros não apenas com homens e mulheres, mas também com coisas, com trabalho, com algum jogo, ou mesmo com um amigo em uma mesa de bar. O resultado daquilo tudo era simples: as pessoas sempre estão se enganando, cada uma na verdade é a primeira a colocar chifres em si próprio.

Abri a porta e entrei. Do quarto ouvia-se o correr do riacho, bem aos fundos da casa. Tive vontade de ir até lá, de tirar de novo a roupa e namorar as águas do rio, faria de conta que estava com aquele homem que agora ia longe, em algum trecho da estrada. Lembrei-me, então de Gerson, homem que aparecera em Glicério nos tempos em que eu ainda não conhecera meu atual companheiro. Gerson, na verdade, queria trepar comigo.  Entardecia e eu tomava banho de rio, junto às pedras, onde se forma uma pequena queda d’água. Como uma mulher surpreendida nua por um homem pode fugir dele, tanto mais quando a nudez é motivada pelo puro tesão?

O mesmo aconteceu àquela tarde. Como uma mulher nua dentro da piscina de um quarto de motel ia escapar do ex-namorado? Tanto mais depois que ele passou um creme sobre o meu corpo.

quarta-feira, abril 27, 2022

Entusiasmados

Quando eu era mais jovem, ia com o namorado à noite para a floresta. A gente, de dentro do carro, tentava descobrir se havia alguém por perto; em caso negativo, saltávamos; eu, nua; ele, também nu, namorávamos em meio às árvores e toda aquela natureza.

Certa vez percorremos uma distância enorme. Quando demos pela localização, estávamos muito longe do nosso carro. Em certo momento, paramos para descansar, deitamos sobre um gramado e fizemos amor. Depois, penamos um pouco para encontrar a trilha de volta. Cheguei a pensar que não conseguiríamos. Que susto.

Numa outra noite – eu sempre nua –, avistamos um pequeno veículo, bem para dentro, num atalho secundário. Corremos até ele e tentamos olhar se havia alguém do lado de dentro. Um casal se agarrava. Ainda bem que eles não deram por nós. Depois daquilo, senti mais tesão e trepamos também logo ali, quase ao lado do veículo alheio. Tais ações eram perigosas, mas nós nos divertíamos.

Mais tarde, já morando em M, arranjei um namorado lindo, por quem eu me apaixonei de verdade. Passeávamos muito, tanto na orla da cidade, como em lugarejos menores. Nas férias, viajávamos. Vivi um romance que parecia mais um sonho. Nunca contei a ele sobre outros namorados, muito menos sobre o que fazíamos. Certa vez, indo a um recanto na serra, lembrei do namoradinho e das ações que nos excitavam. Quando voltávamos, pedi que parasse na lagoa. Estava um final de tarde maravilhoso, com o sol avermelhando-se a poente e uma brisa úmida refrescando-nos a pele.

Andamos toda a orla da lagoa, paramos em diversos pontos e fizemos várias fotos. Quando estávamos caminhando de volta para o nosso carro, reparei que a uns cinquenta metros havia outro veículo que não estava lá quando chegamos. E ele estava balançando. Que estranho, um automóvel estacionado mas se movendo. Quis saber o que estava acontecendo. Corri até o local, mas, por precaução, fui pela traseira. Quando faltavam poucos metros, reparei que um homem e uma mulher namoravam sobre o banco do carona. Achei tudo aquilo muito divertido. Meu namorado, que vinha atrás, também se surpreendeu.

Quando íamos voltar, no momento de eu entrar no carro, o namorado pediu você entra nua na lagoa? Agora?, assustei-me. Sim, agora. Mas como volto molhada pra casa? A gente dá um jeito, ele falou. Tirei o vestido e mais o que me restava sobre o corpo, deixei tudo sobre o banco onde eu sentara, corri a uma das margens e entrei nas águas mornas da lagoa. Foi então que reparei. A mulher do outro carro, vinha abraçada ao namorado, ambos caminhavam também para um banho de final de tarde. Só que ela vinha de biquíni. Meu namorado, ao repará-los quase próximos a mim, pensou vir ao meu socorro. Mas ficou apenas no pensamento. O casal não me reparou. Ambos estavam muito entusiasmados para se preocuparem com qualquer outra pessoa.

quarta-feira, abril 13, 2022

Última façanha amorosa

“Márcia, você é fogo, viu, não perde tempo, mal conheceu o homem já foi com ele.”

“Tem que ser assim, Sônia, vamos que ele desapareça no dia seguinte.”

“Desapareça?”

“Isso mesmo, tem tanta mulher tarada por aí.”

Sônia riu sem discrição, não fazia parte das mulheres taradas.

“Márcia, eu reparei bem, vocês estavam dentro do táxi, ele era bem mais jovem do que você.”

“E o que há de mal nisso? Quanto mais jovem, melhor; há algo que apenas os jovens têm”, revirei os olhos depois da última palavra. Sônia entendeu o que eu queria dizer.

“Ele era um amigo do meu filho.”

“Por favor, mãe, não conte para ninguém, se meus amigos souberem, passo vergonha.”

Estava preocupado, ele tem 22 anos; o amigo, 24, e a mãe, 45, namorada do amigo.

“Por mim, tudo bem, mas fale isso também para ele”, encerrei o assunto.

No dia seguinte, fui com o namoradinho a um passeio. Ele dirigia, eu olhava a estrada. Subimos uma serra, a vista era bonita lá de cima. Chegamos a um vilarejo onde a maioria das casas era de madeira. Estacionou. Fomos até uma das casas. Um restaurante parecido a um chalé suíço.

“Que lugar lindo, não conhecia”, falei.

“Fico contente que você tenha gostado.”

“Verdade, não sabia que, há duas horas do Rio, existe um lugar desses.”

A dona do restaurante veio falar com a gente, trouxe um cardápio comprido. Havia comidinhas da região, peixes de rio, arroz com açafrão. Não faltou a caipirinha.

Em um determinado momento, saí para fumar. Ele permaneceu à mesa. A dona voltou e comentou com ele algo que não consegui ouvir. Fiquei fumando e olhando a pequena praça que distava uns duzentos metros de onde eu estava. Passou, vagarosa, uma perua, que estacionou um pouquinho antes da praça, trazia uma canoa na capota. Uma moça saltou do carro pela porta do motorista. Vestia uma camiseta super curta e estava de biquíni. Achei estranho uma mulher quase nua num local de montanha, mas depois me lembrei da canoa, logo, o rio, daí o minúsculo traje. Ela veio até onde eu estava.

“Você tem um cigarro para me emprestar?”, pediu.

Ofereci. Acendeu no meu isqueiro, agradeceu dizendo que se eu quisesse ela tinha canabis, e o fumo do lugar era ótimo. A moça morava logo na segunda casa a seguir. Agradeci, disse que iria pensar no caso.

“Não pense, não, pegue logo comigo, depois você pode não me encontrar.”

Aceitei. Ela foi até a casa e voltou com um longo cigarro de maconha.

“Não se preocupe, disse, aqui todos fumam, faz bem para a saúde e para a economia local.”

Sorriu depois da frase, como uma expert em economia.

Voltei para o restaurante, não falei nada ao namorado. Comemos e bebemos durante uma hora e meia. Tomei duas caipirinhas e comi alguns camarões.

“Engraçado ter camarões aqui”, afirmei.

“Tem tudo que a gente quiser.”

“Será?”, fiz uma cara de deboche, tentando deixar no rapaz uma ponta de desconfiança sobre o que eu desejava.

Andamos um pouco, saímos do vilarejo e chegamos a um platô, uma altitude acima do conjunto de casas.

Tirei o baseado da bolsa e acendi. O namorado nada falou. Depois de alguns tragos, passei a ele, que fumou com prazer.

“Vi quando a moça te chamou e foi pegar pra você”, disse e apontou o cigarro.

“Não sabia que as coisas aqui são tão fáceis, ela nada me cobrou.”

“Os moradores são afáveis, e vivem de um modo diferente da gente lá de baixo.”

Descemos por uma trilha, chegamos a uma das margens do rio. O baseado não demorou a acabar. Eu me sentia plena de amor para dar. O namoradinho notou.

Tirei toda a roupa e a coloquei no sopé de uma árvore. Entrei no rio. A água fria me provocou arrepios e um pouco mais de tesão. O namorado veio atrás, mas não teve coragem de ficar nu. Abracei-o de frente. A corrente d’água me impregnava de frisson, uma ou outra ave passava e emitia o seu som, o farfalhar do vento sobre as copas, um ou outro barulho no meio do mato, tudo me provocava. Eram coisas maravilhosas para uma mulher da cidade grande, que não sabe o prazer que há em lugares assim.

Não sei quanto tempo permaneci agarrada a ele. Também não sei descrever a intensidade do prazer que eu sentia. Me lembro que pensei: que bom meu namoradinho de 20 anos. Caso eu arranjasse um de 40, tenho certeza, não estaria nua dentro de um rio, banhada por aquelas águas que vinham ainda selvagens de uma cachoeira que não estava muito longe de nós.

Dormimos numa pousada que ficava sobre o mesmo restaurante onde almoçáramos. Ao acordar, na manhã seguinte, encontrei um bilhete do namorado, que eu o encontrasse no rio, no mesmo lugar da véspera. Não perdi tempo, vesti-me sumariamente e corri até o local. Estavam dentro d’água, ele e a dona do restaurante. Acenaram para que eu mergulhasse e me juntasse a eles. Antes, porém, ele apontou a árvore onde ambos haviam deixado suas roupas.

Não contei a Sônia sobre o passeio nem sobre aquela relação a três, de amor ou de amizade, como ele definiu. Foi tão bom que podia dar azar. Nunca é bom falar demais. Acho também que ela não entenderia. Suas histórias de amor são um tanto atrapalhadas. Ela também gosta de andar nua, contou que certa vez foi como viera ao mundo no banco do carona, no carro do namorado. Quando a encontrei, ela quis que eu contasse tudo, mas eu apenas disse adivinhe!, e sorri, um sorriso dissimulado. Ela, para romper o silêncio, contou a sua última façanha amorosa.

quarta-feira, fevereiro 23, 2022

Não há dúvida

Eu tinha me separado e me mudado para a serra. É assim que a gente fala aqui na região. Há uma diferença entre morar na cidade, que é a sede do município, e a serra, na verdade um distrito, lugar rústico, de clima ameno, cortado por um rio de águas cristalinas permeado por várias quedas d’águas.

Logo nos primeiros meses, fiz amizades, em geral com pessoas bem mais jovens do que eu. Contaram-me sobre as possibilidades de passeios, como caminhadas e escaladas, recantos de onde se pode apreciar uma paisagem muito bonita. O mais interessante, porém, é o período de verão. Muita gente vem tomar banho na cachoeira ou no rio. Há jovens que preferem o banho à noite, quando, da mesma forma que acontece durante o dia, desejam aliviar o calor trazido pelas correntes de ar quentes que envolvem a região.

Com o passar do tempo, no entanto, não custei a descobrir que a frequência ao banho noturno não é desejada apenas para aliviar o calor, mas porque os rapazes aproveitam para tirar a roupa das moças, que mergulham como Evas e nadam nas águas frescas locais. Formam-se casais sem se fazer alarde, o prazer então é maior.

Como sou dez ou quinze anos mais velha do que a maior parte dos jovens, a princípio fiquei com um pé atrás, mas em poucos dias me apareceu um admirador que foi comigo para o tal banho. Arranjamos um local à margem, arborizado, onde eu pudesse me despir à vontade. Depois entramos n’água e aproveitamos. Caso encontrássemos outro casal, tudo permaneceria na maior discrição, como se fôssemos os únicos no local. Meu namoradinho, que é só para essas coisas (nada de ficar no meu pé, já avisei de antemão), no escuro da noite, entre carícias da água morna e de suas mãos, me contou casos muito engraçados da região, dentre eles o de uma frequentadora gostosona que tem um marido muito ciumento.

Ela, durante o dia, estende uma toalha sobre a pedra, abre uma revista e fica tomando sol vestindo o menor biquíni da região. À noite, quando o marido está de plantão, ela reaparece, e não é apenas para o banho. Há quem diga que ela tem cinco amantes. Como o lugar é pequeno, poucas coisas para fazer, é preciso dar um desconto. Ela deve namorar no escurinho da noite com apenas dois, ou mesmo um. Foi o que pude constatar numa das vezes em que me misturava às sombras das árvores, à cata de minhas roupas. Ela sorriu para mim, um sorrisinho cúmplice e levou um dos rapazes pelo braço. Não notou que eu tinha um acompanhante, fez um sinal que eu esperasse, queria me mostrar algo. Fiquei pensando o que uma mulher poderia mostrar a outra num lugar escuro, depois das dez da noite. O que fiz foi namorar, o máximo que pude. Depois disse ao namoradinho vamos lá pra casa, podemos aproveitar. Após ele ter ido embora, fiquei a refletir o que aquela mulher desejava conversar comigo.

No dia seguinte, descobri. Ela foi bater à minha porta para pedir um favor: aqui todos são discretos, conto com você, viu; se meu marido souber, acho que me mata, não fale nada pra ninguém. Contou em seguida sobre as alegrias que vivia na região. No final, ainda confessou: aqui é como o paraíso, namoramos todos, e eles namoram todas, nunca houve um lugar tão feliz: às vezes a bagunça é tão grande, continuou ela, bagunça no bom sentido, você entende, que volta e meia uma de nós volta nua pra casa, só no dia seguinte é que consegue encontrar as peças de roupa, é o maior arrepio!

Não consigo sentir arrepio em ter de voltar pelada pra casa, mas que os garotos são gostosos, não há dúvida.

segunda-feira, novembro 01, 2021

Aqui já é outra a história

As roupas que eu usava eram mais sensatas que as da maior parte das mulheres. Elas trajavam saias curtas ou vestidos justas, não traziam meias sobre a pele. Eu vestia calça comprida e, caso viesse de saia ou vestido, o comprimento ia até os joelhos. As mulheres, principalmente as mais jovens, não tinham dificuldades para arranjar namorados. Nós, entretanto, que já passávamos dos trinta anos, devíamos ter atrativos a mais; caso isso não acontecesse, eles preferiam as mais jovens. Eu não me preocupava com essas coisas, vivia ao meu modo. Quando aparecia um homem que me olhava, eu não sorria, fazia apenas uma expressão lívida; evitava a frieza, mas a lividez leva os homens a certa curiosidade, mantém-nos interessados.

Ao completar uma semana naquele hotel de montanha, reparei dois homens a me observarem no do café da manhã. O salão amplo espalhava as pessoas pelos mais diversos lugares. Eu procurava sentar sempre à mesma mesa. Caso estivesse ocupada, ficava numa próxima. Os pretendentes cumprimentavam-me, sorriam e quando voltavam do buffet olhavam-me de novo. É preciso dizer que não estavam juntos, não se conheciam nem sabiam que desejavam a mesma mulher.

Às vezes eu ficava na varanda lendo uma revista. Isso mesmo, o hotel tinha uma lindíssima varanda, que dava para uma espécie de bosque. Eu virava as páginas e olhava as árvores, a mata, o verde deslumbrante. Procurava inflar os pulmões e sentir o aroma do entardecer. Um dos admiradores já conhecia este meu hábito de ler na varanda. Aparecia e me desejava boa tarde, chegava a parar, mas nada falava. Isso durou três dias. Quando pensei que viria falar comigo, deparei com um homem mais jovem, acho que cinco ou mesmo dez anos mais novo do que eu.

Você não quer ir comigo a uma festa hoje à noite?, convidou-me.

Vou, respondi sem titubear.

Olhou a paisagem tal qual um filósofo. Pareceu-me que encontrava naquilo tudo uma grande verdade. Não falou nada a mais. Depois descobri que não era filósofo, mas um artista, e estava de férias.

Fui com ele à festa. Dançamos. Não permitiu que ninguém se aproximasse de mim. Não me queria longe de seus braços. Depois de várias músicas, saímos um pouco ao ar fresco. Entramos num jardim, que estava às escuras. Reparamos, aqui ou ali, outros casais. Andamos poucos metros e paramos sob uma grande árvore. Ele me abraçou.

Perdoe-me, falou, você é tão encantadora.

Gostei do modo como me tratava. Sorri. Sinal de que estava tudo bem, podia ir em frente. Os abraços continuaram.

Há algo que torna você mais encantadora do que as outras mulheres, nesta estação de férias, ele disse.

Sim?, meus poucos fonemas aguardavam uma explicação a mais.

Você sempre está muito bem vestida, observou.

Continuamos abraçados. Eu, realmente, muito bem vestida.

As outras andam nuas, falei.

E nem por isso atraem, concluiu ele.

Voltamos ao salão. Dançamos mais algumas músicas e bebemos refrigerantes e refrescos. Às onze, voltamos ao hotel.

Você está acompanhada?, ele quis saber.

Não, só se for por você.

Sorriu.

Você também está acompanhado, mas é por mim, não?

É claro, mas não vi outra mulher sozinha em todo o hotel, há quem esteja acompanhada ao menos por uma amiga. Agora quanto aos homens, é normal...

Tentou acrescentar  algo, mas sentiu-se embaraçado e não terminou o pensamento.

Isso não importa, livrei-o da situação desconfortável. Ainda segurava um dos seus braços. E até agora não ficou provado que sou uma mulher, completei.

Ambos caímos numa intensa gargalhada. Depois fomos aos nossos apartamentos. De madrugada, então...

Bom, aqui já é outra a história.

quinta-feira, maio 06, 2021

Cuidado com as abelhas

Fico quietinha no meu canto . Ele me telefona, ou me envia uma mensagem e diz que me deu um presente. Olho o saldo da minha conta bancária, lá está o depósito que ele fez. O segredo é o silêncio, não posso falar pra ninguém. Nesta cidade, há muita gente invejosa. Caso alguém saiba da história, vai colocar areia. Lembro a Salete, era doidinha, vivia pra lá e pra cá atrás de namorado. Quando arranjou um, ele pagava tudo, lhe comprava roupas e presentes dos mais caros. Mas bastou aparecer à noite na orla com uma roupa nova, que ficou todo mundo de olho. Sabe como é, Gil, você me conhece, é minha amiga, eu não devia ter aparecido vestida com aquelas roupas de marca, melhor ter deixado pra quando eu viajasse, assim ninguém ia ficar colocando olho grande, ele me contou. Não demorou, deram tanto em cima do namorado dela, que o homem passou a ter duas ou três namorados, depois se mudou, dizem que foi transferido. Gil, não conta pra ninguém, mas ele continua me dando uns presentinhos, nada é pra sempre, eu sei, mas aproveito. Acho que era uma desculpa inventada por ela para disfarçar que fora traída. Nada de dar com a língua nos dentes, como dizia minha avó, com silêncio você vai longe. O que meu namorado quer em troca? Ah, assim já é querer saber demais. Posso dizer, acho que não tem problema, como escrevo, a possibilidade de fofoca é menor. E uma história sempre pode ser considerada ficção. Ele pede que eu o namore, que eu seja sempre criativa. Daí, preciso pensar o que vou dizer, como vou tocá-lo. Fico mesmo imaginando um modo de prendê-lo, diferente de todas as outras mulheres. Assunto sério, quando converso com alguma amiga sobre namoro, é sempre a mesma coisa, quase um feijão com arroz. Então eu penso que as coisas funcionam como numa receita de comida. Caso a gente consiga descobrir uma maneira de acrescentar algo que combine, que ressalte o sabor, que dê certa beleza ao prato, ele vai se apaixonar cada vez mais. Vera, outra amiga, acha que o homem precisa se preocupar com a mulher, é ele a peça chave na conquista, segundo suas palavras. Por causa de concepções assim, muitas de nós não temos namorados, maridos, nem mesmo amigos. É preciso que se pense como se tornar surpreendente. É como na literatura. Quando lemos algum romance que aborda um assunto sobre o qual jamais pensamos, dizemos é isso, que legal.

Não são todos os homens que gostam de mulheres nuas ao seu lado. Por aqui, há muitas que gostam de sair peladas quando arranjam namorado. Muitas vezes, é um erro. Muitos gostam de mulheres bem vestidas. E, quando as têm como namoradas, compram roupas e mais roupas para elas. Uma maluquete daqui da cidade, ao ouvir de uma conhecida que caso quisesse ficar nua poderia subir a serra e tomar banho na cachoeira, porque lá é tranquilo, não aparece ninguém, rebateu: gosto de ficar nua para que os homens me vejam, não vou tirar a roupa onde não aparece ninguém! Sobre relacionamentos amorosos, é frequente acontecer o contrário do que a gente pensa. Se você vai nua, alguém te quer vestida; caso vá vestida, o homem te quer nua. Acredita que já houve um que me quis num vestido de mel? Sério. Existe mesmo uma história sobre isso. Ele trouxe uma garrafa cheia, pediu que eu tirasse a roupa e me lambuzou toda; depois colou umas tiras de papel laminado. Ainda gritei cuidado com as abelhas! Mas o bom mesmo é o meu atual. Ele me enche de dinheiro, diz que prefere assim, ninguém melhor do que eu para escolher os presente que desejo. Vou continuar quietinha.

segunda-feira, julho 01, 2019

Sem precisar me tocar!

Outro dia me aconteceu algo engraçado, ou melhor, algo muito prazeroso. Tirei toda a roupa e deitei nua no canapé, que fica na sala de minha casa. A princípio relaxei e fechei os olhos; após alguns minutos, mexi um pouco as coxas. Comecei, então, a pressentir que iria gozar. É difícil uma mulher gozar sozinha, ainda mais sem se tocar. Permaneci deitadinha, sentindo meu próprio corpo. O  motivo foi a lembrança de três ex-namorados, ou três homens com quem saí algumas vezes. O primeiro não era muito alto, mas tinha um peru enorme. Era mesmo desproporcional. Acho que não querendo me assustar, veio vagaroso, carinhoso, sua língua trabalhou primeiro. Fez algo que adoro, deu uma mordidinha no meu grelo, depois colocou-o inteirinho dentro da sua boca. Gozei, de primeira. Mais tarde, veio com o pênis, eu já molhadinha. Que tesão! O segundo namorado era um negro. Tenho amigas que adoram trepar com homens negros. Sério. Dizem que são muito quentes, que demoram a gozar, que se preocupam com o prazer da mulher. É verdade. Escalou meu corpo, com cuidado, não queria me magoar. Seu pênis procurou por conta própria minha boceta, parecia guiado por controle remoto! Mexeu à esquerda, depois à direita, afagou-me debaixo para cima, encontrou-me. Já emanava meus eflúvios, entrou sem muito esforço, uma gostosura. O terceiro deles tinha um metro e noventa e oito de altura. Sério, me disse logo que expressei minha surpresa com o seu tamanho. Não chego a um e sessenta, exclamei, será que vai dar certo? Progrediu devagar. Estou surpresa, os homens nesses últimos tempos têm pensado mais nas mulheres. Acalmou-me. O que fez para tanto? contou-me uma história.

Carregava-me no colo numa madrugada, num acampamento. Todos dormiam, mais de três da madrugada, só nós dois dividindo aventuras. O campo era próximo a uma lagoa e eu cismara tomar banho na lagoa, nua. Aceitou a proposta. Também tinha de ir nu. Riu muito. Caminhamos de mãos dadas, em determinado momento escondemo-nos entre as árvores. Foi engraçado, o homem alto nu, com o peru dependurado, imaginei o susto caso alguém nos surpreendesse. Chegamos às águas plácidas. Entre devagar, não vamos fazer barulho, pediu. Eu, doidinha, minha fantasia, tomar banho nua num lago. Será que você quer apenas tomar banho?, olhou e sorriu. Não vou contar como tudo terminou, imaginem o melhor possível, a história era dele, lembrem-se disso. Mas acho que olhos estrangeiros nos admiraram de longe, quem sabe de outro casal que escondia a nudez. Na volta, enquanto nos esgueirávamos entre as primeiras barracas, esbarrei com um bustiê dependurado numa haste. Tive vontade de tomá-lo para mim, mas fiquei só na vontade. Outra coisa, depois que gozo, se estou ao ar livre, morro de vergonha dos meus seios nus.

Tal história, ao mesmo tempo que me acalmou, despertou meu desejo. Já não receei o um metro e noventa e oito de homem..

A sensação foi crescendo, crescendo, vinha lá de dentro. Eu deitada no canapé, as lembranças me ascendendo, tocando fogo entre minhas pernas. Passaram-se alguns segundos, fiquei então molhadinha, plena de gozo, nuuma enorme euforia. Peguei meu telefone e fiz três fotos. A primeira, das pernas para cima aparecendo minha boceta banhada pela umidade de todo aquele prazer; a segunda só a boceta no enquadramento; a terceira pegou meu corpo quase inteiro, deixando de fora apenas parte do rosto, em destaque meus seios. Como estava ainda envolvida pelo gozo, enviei as três fotografias a um ex-namorado, nenhum dos três citados acima. Sei que ainda gosta de mim. “Guarda só pra você, eu gozando sozinha”, escrevi. Lógico que não contei como cheguei a todo aquele gozo. Dias depois ele me telefonou, disse que adorou o presente. Perguntou se eu me masturbei.

“Não, gozei com meu próprio corpo.”

“Que bom você conseguir gozar sozinha, quase nenhuma mulher consegue.”

"Pois é."

No meio da conversa chegou a dizer que eu não mais precisaria arranjar namorado, porque sabia me satisfazer sozinha, e sem me tocar, algo excepcional.

“Não vamos exagerar”, interpelei, “vez ou outra é bom ter alguém.”

No final, acrescentou: “quando você gozar de novo, me fala, vou adorar, se puder, manda outra foto.”

A vida de uma mulher é um pouquinho complicada, principalmente, quando já não é jovem e quer homem para namorar, apenas. Mas, confesso, o gozo que senti foi tão intenso, que me deixou lá em cima. Na verdade, já não preciso sair peladinha correndo atrás dos homens. Eu mesma vou me namorar, vou gozar. E sem precisar me tocar!

sexta-feira, março 22, 2019

Salve o vestidinho!

Não sabia que na minha idade sentiria tanto tesão. Mas a história do rapaz (vamos chamá-lo assim), de trazer um vestido curtinho de presente para mim acabou... Bem, saberão a seu tempo, e aqui ele nem é longo.

“Não tenho mais idade pra sair assim”, assustei-me ao ver a roupa.

“Tem corpo, e quando se tem corpo a idade não importa.”

Experimentei o presentinho.

“Você quer me levar pra passear com essa roupa?, vai ser um escândalo, tanto mais nesse lugar aqui”, ressaltei.

“Vamos de madrugada, ninguém vai ver você”, assegurou.

Lembrei-me de um ex-namorado, fazia uns vinte anos. Sério. Vinte anos é muito tempo. Mas o que há de se fazer? O tempo passa pra todo mundo. Era aniversário dele e eu quis fazer uma surpresa. Fui esperá-lo com um vestidinho daquele tipo, curtíssimo, e o melhor, sem nada por baixo. Ele veio me apanhar. Entrei no carro e saímos. Fiz uma mis en scène danada, me remexia no banco, esticava vez ou outra o tecido, como se não quisesse mostrar as coxas. No final da noite, depois da bebida e do restaurante, agarramo-nos dentro do carro. Descobriu então que eu só trazia o vestidinho sobre o corpo. Era demorado pra descobrir as coisas aquele namorado. Acabou por dizer poxa, logo hoje que eu queria roubar tua calcinha. Não faz mal, respondi de pronto, roube o meu vestido. Ele ficou excitadíssimo com a proposta. No final, não titubeei, deixei o vestidinho nas mãos dele e saí nua do carro, apenas a bolsa e a sandália. Procurei a chave, abri a porta e entrei. E eu nem morava sozinha.

Voltando a história do presente. Vesti-o, experimentei.

“Cai como uma luva?”, eta rapaz que adora lugares comuns.

Esperamos a hora passar, vimos um filme na TV. Perto da madrugada, saímos, como ele havia sugerido.

Um céu cheio de estrelas, que cintilavam como eu jamais vira, ou jamais reparara, não havia lua, mas tudo muito bonito. Com a roupa curta, rejuvenesci. Será que salto do carro?, pensei. Ele dirigiu pra orla. Descemos a serra e, no banco do carona, meu vestidinho subia.

“Não quero namorar dentro do carro, não tenho mais idade pra isso”, alertei.

“Não se preocupe”, tranquilizou-me.

Jantamos num hotel. Uma suíte com jantar. Depois de comermos e bebermos, desfilei pra ele com o vestidinho. Mas ele quis que eu também desfilasse sem a roupa. Não me fiz de rogada. Com alguns disfarces, desfilei. No final, tive de desfilar mesmo nua! Ele adorou. E eu também. Pensei que já não tivesse tanto tesão, tanto desejo. Num determinado momento, pediu que eu sentasse nua, na poltrona, de pernas cruzadas. Ficou durante muito tempo a me apreciar. “Você é muito bonita, muito gostosa.”

Descruzei as pernas e o convidei mais uma vez para vir trepar comigo. Fizemos a festa até o amanhecer. Depois dormimos. Um sono justo. Lá pelas onze da manhã foi que lembrei que não tinha outra roupa além do vestidinho pra voltar pra casa. Vai dar o que falar.

Entramos no carro e subimos a serra. Fomos encontrando as pessoas pelo caminho, cumprimentando um, acenando pra outro. Houve um homem que pediu carona.

“Não pare, por favor, finja que não viu.”

Mas ele não quis ser deselegante. O homem entrou pela porta de trás, cumprimentou e, no final, agradeceu.

“Bom dia, dona Nete, disse quando desceu.”

Eu não tinha onde enfiar a cabeça.

“Não se preocupe”, falou o namorado, ele não notou.

Quando cheguei à minha casa, havia algumas pessoas nas proximidades.

“Vamos esperar um pouco”, pedi.

Ele ainda ficou a passar as mãos sobre as minhas pernas, por baixo do vestido.

“Ai, vou querer trepar de novo”, cheguei a dizer e sorrir.

Pedi a ele que saltasse, abrisse a porta da minha casa. Ele obedeceu. Quando vi que ninguém estava a me vigiar, corri e entrei, puxei-o atrás de mim.

Namoramos mais uma vez, dentro da minha casa.

“Falem os outros o que quiserem, mais vale o meu prazer”, eu nua nos seus braços.

“Salve o vestidinho!”, não pude negar.

segunda-feira, fevereiro 26, 2018

Banho de piscina

Eu e Leila subíamos o Goiabal, em Paty.

“Você está com namorado?", quis ela saber.

“Não, estou sozinha. Sozinha e soltinha”, reiterei.

“É ruim ficar só.”

Um carro nos ultrapassou, o motorista olhou, talvez cobiçando nossas pernas. Leila usava short e uma blusa curta; eu, um vestido florido curtinho.

“Viu, olhou pra gente, não dá pra ficar sozinha”, insistiu.

“É, olhando por este ângulo, sempre há alguém a cobiçar nossas pernas.”

“Ah, lembrei, quero contar uma história. Veja que engraçado. A Luiza esta com o Agenor.”

“Que Agenor?”, franzi o cenho.

“O Agenor que estava com a Lourdes.”

“Nossa”, suspirei.

“Isso mesmo, é um tal troca troca. O Waldir se separou da Ana, está com a Anita. Engraçado, os nomes começam pela letra A. O Nelson saiu da Cidinha e voltou pra Norma. A Norma era do Leocádio, mas antes do mesmo Nelson...”

“Eta, pessoal que não arreta”, exclamei.

“E o pior”, continuou Leila, levantou a barra da blusa para ver se o sol a queimava, “o pior é que neste lugar não há onde namorar.”

“Você tem razão”, interrompi, "pra quem não é casado, não há onde namorar. Cansei de sair com algum homem daqui para trepar dentro do carro. Já não tenho disposição.”

“Dentro do carro até que é bom, tanto mais se for um carro que tenha conforto, basta o homem parar num desses atalhos da estrada, avançar um pouco, onde não passa ninguém.”

“Não, não gosto, caso alguém queira sair comigo, tem de me leve a um hotel.”

Paramos na esquina da venda de seu Oscar. Leila tinha que entrar à esquerda, eu continuaria por mais quinhentos metros.

“Deixa eu te contar um fato interessante”, retomei. “Namorei certa vez um homem lá da Várzea. Era caseiro de uma propriedade próxima à Cascata. Ele me chamava quando a proprietária estava fora. Eu ia, mas queria mesmo era tomar banho de piscina. Era ótimo. Tomava banho nua. O homem babava. Caso ele viesse me agarrar dentro d’água, eu dizia ‘calma, só aceito trepar se for na cama da patroa’. Ele acabava aceitando minha proposta. Eu saía nua, me enxugava numa toalha e íamos pro tal quarto. Ficava com ele até de manhã. Quando o sol já ia alto, eu levantava e corria de novo à piscina, depois de mais ou menos trinta minutos saía e tomava uma chuveirada, só então procurava pelas minhas roupas. Me vestia e ia embora. Uma beleza, prazer e conforto andavam juntos.”

“E por que não continuaram?”, Leila curiosa.

“Sei lá, todas as coisas um dia acabam, mesmo os relacionamentos. Acho que arranjei outro com uma piscina maior!”

Leila deu um riso alto e solto. Passou um Chevrolet. O motorista buzinou, minha amiga o acompanhou com os olhos, sem mover a cabeça. O sol refletiu na lataria do automóvel, era mais forte que o homem.

“Pena que não parou. Os homens não são os mesmos”, riu de novo, me beijou e se foi. Dez passos depois se virou e gritou: “vamos ver como vai ser hoje à noite.”

Segui meu caminho, com a bolsa de compras na mão direita. Vamos ver como vai ser hoje à noite, sua voz e sua expectativa ressoaram na minha cabeça.

quarta-feira, janeiro 31, 2018

São tantos os namorados

São tantos os namorados, afinal, a fila anda. Entrei num desses sites de relacionamento, não passou muito tempo já havia uma chuva de pretendentes. Escolhi os que mais me agradavam e passei os contatos para o Zap. Tenho de confessar que, apesar dos quarenta anos, caso eu permita os homens aparecerão aqui no dia seguinte, ou quem sabe ainda na mesma noite. Isso acontece por causa das fotos que envio. Fotos verdadeiras! Mas é bom um pouco de precaução. Depois de várias trocas de mensagens, analiso o que disseram, o que me enviaram e marco com um deles. O último morava em Friburgo.

Preferi ir a ele, num domingo. Enquanto subia a serra, pensei no dia bonito que estava pela frente. O ar fresco alegrava o rosto das pessoas. Percebi, dentro do ônibus, um rapaz que, vez ou outra, virava e me observava. Era bonito o rapaz. O veículo trafegava em meio à vegetação densa, a árvores grandes. Num dos trechos do percurso, reparei ao longe uma casa, bem depois de uma fileira de arbustos. Como seria bom estar nos braços de uma pessoa agradável naquele lugar. Gostaria que o homem, talvez aquele a quem eu estava indo, morasse num lugar como aquele. Não sei por que razão lembrei-me de uma amiga, Nara, muito preocupada quando vai encontrar alguém pela primeira vez. Mas faz a fila andar mais rápido do todas outras mulheres que conheço. Disse que já passou por duas situações perigosas. Não concordei com ela sobre o tal perigo. Situação perigosa para mim é quando a gente corre risco de morrer, ou de se ferir gravemente. Com ela não foi isso que aconteceu. O que a fez tremer tanto e a princípio dizer que não mais sairia com nenhum desconhecido foi o homem tê-la despido na praia. Ela usava um biquíni tão pequeno, que já estava nua antes de ele recolher a peça na palma da mão. A outra vez foi na Serra mesmo. Decidiu andar de carona numa dessas motos que saltam obstáculos, era noite e ela trajava um vestidinho. Desde que você aceitou ir nua, querida, eu disse a ela, não podia reclamar. Ficou furiosa porque o rapaz pediu que ela saltasse um pouco, ele iria buscar umas cervejas. Nara disse que não entendeu direito o que ele lhe dissera. Quando reparou, o rapaz deu a partida deixando-a à beira da estrada. Ela ficou uma fera. Ainda bem que não saiu do lugar. Depois de quinze minutos, ele voltou. Os dois beberam juntos. Acho que o perigo fez que ela gozasse melhor. Agora, onde o vestidinho?

Quando já estava próxima a estação de ônibus, em Friburgo, o rapaz que me olhou a viagem inteira veio me entregar um papel pequenino, havia o seu nome e o número do telefone.

Saltei na Rodoviária. Meu pretendente estava à espera. Como já me conhecia de fotografia, veio me beijar. Olhou o meu vestido florido e pareceu pleno de admiração. Após o beijo, beliscou-me a cintura. Arrepiei-me. Já queria ficar nua ali mesmo. Calma, Graça, disse a mim mesma, você tem mais tesão do que muitos homens, mas recolha o fogo ao menos até o destino aonde ele vai te levar.

Caminhamos duas ruas e dobramos uma pequena estrada de terra. A seguir, à esquerda, ele abriu uma porteira, como essas de fazenda, e me convidou a entrar. Na verdade, morava num sítio, acho que tomava conta para alguém. No centro da propriedade havia um lago. Pode tomar banho se quiser, disse, a água é limpa e não há ninguém por aqui. Olhei para água convidativa e olhei para ele. Não é nada mal, sorri, beijei-lhe antes de tirar a sandália e caminhar até à beira.

Não entrei logo no lago. O namorado sentou ao meu lado e se pôs a fazer algumas confidências.

Você sabe, já conversamos muito pelo Zap, mandei várias fotos, você curtiu. Também falei de minhas preferências. Às vezes acontece de vir alguma garota pra cá, gente jovem, mas logo desanimo. A maior parte não sabe namorar, não sabe trepar, abrem as pernas e querem que eu faça tudo. Logo me enjoo. Houve uma que ficou nua o tempo todo, andava pra lá e pra cá, mergulhava no lago, saía e pedia pra trazer uma bebida pra ela. Acho que pensou que estava numa colônia de férias.

Depois de suas palavras, comecei a ficar preocupada. Quem sabe, também sou como a jovem, quero que o homem venha, suba sobre o meu corpo e me satisfaça. Sorri interiormente. Lógico que também sei uma porção de coisas, dessas que deixam os homens loucos. Como uma boa chupada, os lábios macios a deslizarem por seu pênis, a língua ligeira e quente a acariciá-lo. Queria logo tirar o vestido e mergulhar, mas achei imprudente. Talvez ele me achasse parecida com suas visitantes juvenis. Após falar sobre o ar do lugar, as belezas de Friburgo, tudo que eu poderia usufruir ao seu lado, acabou sugerindo que eu tirasse a roupa e entrasse na água. Fiz um pouco de charminho antes de tirar o vestido. Apenas de calcinha, entrei. Não tem problema ficar nua aqui?, ainda perguntei. Não, estamos apenas os dois. Dei as costas a ele e tirei a calcinha, deixei junto do vestido numa das bordas. Falei aquilo que sempre desperta grande excitação nos homens: olha que não posso voltar nua pra casa! Ele adorou. Mergulhei até o pescoço, escondi minha nudez na sombra das águas daquele lago. Senti um friozinho... O suficiente para ficar arrepiada. Você não vem?, perguntei. Vou, respondeu. Antes, tomou nas mãos minhas roupas e pendurou num varal ao lado da casa. Senti outro arrepio ao vê-lo se afastar levando as duas peças. Ao voltar, pude então reparar seu enorme pênis.

Sei que algumas amigas podem me achar louca. Era a primeira vez que via o homem, a primeira vez que fora à sua casa. Não o conhecia. Ninguém sabia que eu estava ali, caso fosse um louco... Mas não era, muito pelo contrário. Abraçou-me ainda dentro d’água, ficamos num roçar gostoso, o peru no meio das minhas pernas. Afastei e fiz que me penetrasse. Soltei alguma goma, senti-me lubrificada, seu pênis deslizou dentro de mim. Num determinado momento, ele sentou à beira do lago e foi me trazendo sobre o seu colo. Estávamos encaixados, minha vagina mordiscava-o, o que o levava à loucura. Beijei-lhe a boca, tinha gosto de morango, passei a língua no seu tórax, ajeitei-me com mais agilidade sobre seu corpo. O homem não resistiu, explodiu em gozo. Eu apertava, não queria que nada me escapasse.

Trouxe uma toalha. Deitei-me na beira do lago, ainda nua, o tecido felpudo por baixo do corpo. Pensei em segredo no meu namoradinho do ônibus. Será que ele gostaria de estar no lugar deste homem. Na certa não sabia fazer tanta arte, mas eu poderia ensiná-lo. Tudo a seu tempo.

Fiquei nua pelo resto da tarde, acho que como suas namoradas jovens. Bebemos dois Martinis, com azeitona e tudo, ele sabia preparar direitinho. Mais tarde o foguinho começou a aquecer de novo e caímos um nos braços do outro, agora dentro da casa. Em algum momento, ele pediu que eu, ainda nua, sentasse numa das poltronas. Fiz uma pose para um lado, para o outro, pernas cruzadas, semiabertas etc. Lembrei-me de um ex-namorado que gostava de me fotografar nua naquelas posições. Trepamos de todas as maneiras possíveis. Vez ou outra eu engolia seu pênis com o ardor dos meus lábios. Foi assim até o entardecer. Então, eu pedi pega minha roupa, tenho de voltar pra minha cidade.

À noite ele me levou à rodoviária. Prometi que lhe telefonaria. Mas Friburgo é uma cidade distante da minha. Não disse a ele que não sabia se voltaria. Convidei-o a ir à minha casa. Quase não saio daqui, falou, você viu como a gente se divertiu, volte você, só não posso te convidar para morar comigo porque a casa não é minha.

Na descida da serra, no ônibus, arranjei outro namoradinho. Veio a viagem toda sentando bem ao meu lado, devia ter vinte anos. Puxou conversa, o rapaz tinha imaginação! Reparou que eu estava fresquinha, o vestido fino, sem agasalho. Quando desci na minha cidade, perguntou se podia me acompanhar um pouquinho. Aonde?, quis eu saber. Há tantos lugares interessantes por aqui, retrucou, vamos tomar uma Coca-Cola. Dei uma chance ao rapaz. Acabamos numa pousadinha, à beira de um imenso parque florestal.

Tenho de dizer uma coisa, confidenciei, é melhor avisar antes porque há homens que não gostam quando descobrem.

O que é?, pareceu preocupado.

Estou sem calcinha.

Ele riu. Riu e adorou.

segunda-feira, dezembro 04, 2017

Acreditou que era ele!

Ele me pediu para contar histórias. Mas não histórias quaisquer. Aquelas que se diz ao pé do ouvido no momento do amor.

– Você tem jeito de ser muito levada, não é mesmo? –, sorriu após a última palavra. – Então me conte uma história, das bem ardidas, povoada de fatos que você saboreou e lembra com saudade até hoje. Peço, porém, uma ressalva. O seu par nessas histórias tem de ser eu, nada de mencionar outros namorados.

Esperou minha reação. Contar histórias de sacanagem, daquelas que me arrepiaram intensamente...

– Não é difícil – sorri, – mas acho que vou ficar vermelha, tenho vergonha.

– É uma questão de exercício –, ressaltou, – basta começar que vão sair macias da sua boca, como o teu corpo pleno de óleo, deslizando nas minhas mãos, tua boca escorregadia, sem encontrar resistência.

– Não fale assim –, intervi, – não gosto, fica parecendo que abro as pernas pra todos os homens escorregarem pra dentro de mim. Lembre-se, nenhuma mulher gosta de se sentir fácil.

Fechei o rosto, virei para o lado. Como estava nua, de pernas cruzadas, sentada na poltrona, puxei a perna que estava por cima na direção do meu ventre, cobri assim alguns de meus pelos que me escapavam e acirravam o apetite do homem.

– Não me leve a mal, lhe dou um presente como pedido de desculpas.

Foi até a pasta que trouxera à mão e tirou um envelope, o papel branco, imaculado. Voltou pra junto de mim, beijou-me os lábios e me entregou. Sorri, já sabia do que se tratava. Agradeci discreta e pedi que não mais falasse daquele modo. Desci um pouquinho a perna que estava por cima, fiz um movimento vagaroso e fiquei com as duas coxas juntas, paralelas, acentuando minha nudez. Pousei o envelope na extremidade superior das coxas. Depois abri as pernas e o prendi numa posição vertical, como se estivesse prestes a ser lançado dentro de uma caixa de correio. A seguir, voltei-me ao namorado e sorri.

– Você falava sobre histórias, tenho muitas, sim, você vai adorar, aliás, ninguém escapa ao feitiço de boas histórias. Para narrá-las, no entanto, faço uma exigência.

– Estou pronto a te atender – disse.

– Jura? – eu não acreditava.

– Juro!

Sua voz foi resoluta.

– Então – avisei – você precisa ficar sentadinho, sem me tocar, ok?

– Mas que maldade – chegou a se lamentar.

– Você jurou, repeti. E vai ficar vestidinho, a nua aqui sou eu.

Comecei a contar minha história.

Eu estava no centro de M. e não vinha o ônibus. Quero dizer, será que não vinha mesmo ou esperava que você passasse e parasse pra me oferecer carona. Chovia, eu tinha uma sombrinha pequena, que não me protegia do clima de inverno. Você veio devagar e piscou os faróis. Quem será?, pensei, não era possível avistar o motorista. Você encostou, sob os olhares de algumas pessoas que também esperavam o ônibus. Desceu a janela da porta do carona. Foi então que vi que era você. Sorriu oferecendo o banco vazio, vamos, levo você. Naquela época nos conhecíamos apenas de vista. Como chovia, entrei no carro, agradeci. Você deu a partida. Não vou me alongar nos detalhes. Você seguiu em direção à saída da cidade, a caminho da serra. Ficamos em silêncio durantes muitos minutos. Enquanto isso, eu pensava: não tenho namorado, e ele é tão bonito, será afetuoso? Você guiava sem adivinhar o que eu tinha em mente. Como uma mulher pode desejar e conseguir um homem como este, sem se fazer de oferecida?, continuava eu mergulhada em reflexões amorosas. Você então me mostrou a lua, entre duas nuvens fugidias. Uma lua bonita, quase cheia, tornava a noite mais cálida, apesar da chuva que ainda persistia. No meio do caminho, não sei se por causa da chuva, ou se porque eu me ardia, fiquei com vontade de fazer xixi. Tentei aguentar o máximo que pude, mas a vontade foi aumentando à medida que você subia a serra, que fazia as curvas. Por favor, pedi, preciso de fazer xixi. Está tudo tão molhado, você ainda contrapôs. Não vou aguentar, pare, por favor, supliquei. Você obedeceu. Saltei segurando a sombrinha. Como vou fazer xixi segurando uma sombrinha? Como estava de vestido, foi mais fácil. Agachei-me à lateral do automóvel e baixei a calcinha. Mas o xixi resolveu não sair. Quer alguma ajuda?, ouvi sua voz. Segure a sombrinha pra mim, por favor?, pedi. Você veio, eu agachada, a calcinha nos joelhos, que vergonha! Mas estava muito apertada. Foi então que o xixi começou a jorrar, um jato fraquinho que pouco a pouco foi aumentando de fluxo, até atingir uma espessura tal que me fez corar, ainda havia o ruído, e depois o escorrer de um pequeno córrego. Aconteceu, porém, algo inesperado. Um movimento em falso de minha parte fez que eu molhasse a calcinha. Ai, não, isso não podia acontecer, deixei escapar. O que foi?, você olhou curioso. Eu não queria dizer, deixa, não foi nada. Levantei os pés, um de cada vez, tirei a calcinha e a guardei dentro da bolsa. Você acabou descobrindo do que se tratava. Dirigiu até onde eu pedi que me deixasse, com uma mulher sem calcinha ao seu lado. Desastrada, eu pensava comigo, esse cara jamais vai me desejar. Saltei do carro e, naquela noite, corri pra casa sem olhar pra trás. Foi no final de semana seguinte, porém, que a história ficou mais quente.

Resolvi descer a serra para ir à praia. A gente mora na serra e gosta de praia, tudo sempre ao contrário. Quando chego ao ponto, quem passa antes do ônibus? Você! Estava descendo sozinho, não sabia ao certo o que faria naquele domingo. Ofereceu-me carona. Eu, ainda constrangida por causa da carona desastrada, sorri meio sem graça e entrei no automóvel. Tocava uma música lenta, em inglês, dessas músicas famosas, não sei o nome. Respirei fundo sem que você notasse. O ar da manhã sempre me provoca arrepios, ou uma alegria difícil de explicar. Naquela manhã, senti algo mais vibrante, lá no fundo de mim, meu biquíni pequenino, por baixo da canga comprida, não foi suficiente para segurar o meu prazer. Acho que tudo se misturou, o prazer do dia de sol, o ar fresco, o ato de estar ao seu lado e certa curiosidade sobre o que aconteceria dali em diante. Lembrei-me, enquanto você dirigia, de uma amiga muito assanhada. Ela diz que ao ir à praia ao lado de um homem sente vontade de descer o biquíni. Veja que atitude, só a canga sobre a pele, o corpo nu. Mas eu aguentei caladinha, mesmo que me rondasse um pouco de excitação. Você me perguntou em que lugar da praia eu queria ficar. Demorei a responder. Não queria que você partisse e me deixasse só. Quando parou, você disse: caso fique aqui mesmo, procuro você, não demoro; isto é, caso não tenha compromisso e a minha presença não seja inoportuna. Claro que não, respondi de imediato. Depois, achei que deveria ter demorado um pouco na réplica. Uma mulher não pode ser tão dada. Logo ajeitei minhas coisas sobre a areia, abri o guarda-sol e fiquei me bronzeando. Quando a pele esquentou, aliás, eu já estava quente desde que encontrei você, mergulhei e fiquei um pouco de molho. Acho que se passou uma hora, você então chegou. Ficou ao meu lado o dia inteiro. Passamos o dia juntos. Bebemos, comemos uns petiscos e acabamos por nos abraçar, nos beijar e, à tarde, fiquei peladinha nos seus braços, louquinha, meladinha! Eu, que não sou de trepar com qualquer um, naquele dia estava cheia de fogo, lembra? Engoli você inteirinho. Voltei pra casa enrolada na canga, sem o biquíni. Você adorou. Fiz como na vez do xixi, antes de entrar no carro, tirei e guardei a pequena peça na bolsa!

Volto ao momento em que escrevo esta história. Vocês lembram que ele havia me pedido pra falar sacanagem no seu ouvido, um conto picante que eu tivesse vivido, mas que não falasse de outros homens, ele tinha de ser o protagonista? Mas, como tudo era fingimento, ele me interpelou:

– Quem foi esse que viveu esta aventura de domingo com você?

 – Foi você, meu amor – respondi solícita.

– Não, por favor, fale a verdade, quem foi?, eu o conheço?

– Foi você, meu amor.

Fiquei vermelhinha. E agora, como saio dessa? Lembrei outra amiga que dizia você não mude de opinião diante de um homem, mesmo que seja a maior mentira do mundo mantenha a sua afirmação.

Ele acabou acreditando que era ele. No domingo seguinte, levou-me à praia. Adivinhem o que aconteceu? Vivemos quase o mesmo da minha história. A única diferença foi que, no final, ele quis o meu biquíni pequenino dentro da sunga dele!

quarta-feira, julho 05, 2017

Ninguém no meu pé

Faz alguns meses me separei, deixei a região serrana e voltei para a cidade. Como as notícias correm rápidas, um homem começou a rondar minha nova residência. Às vezes, essas pessoas provocam medo na gente. Mulher é um ser frágil, há quem se sinta no direito de nos perseguir para obter vantagens. Por mais que se aproximasse e puxasse assunto, não dei conversa. Cansou e deu um chá de sumiço.

Num sábado de sol, resolvi ir à praia. Como meu biquíni era antigo, corri ao centro e comprei um novo. Estava tão eufórica que aceitei um biquíni menor do que costumo usar, acho que era o sol a me provocar. Do centro mesmo fui a Cavaleiros, bem naquele pedaço em que a praia termina e começa o Pecado. Aliás, avancei mais um pouco, e fiquei num local de pouca gente, acho que uma mãe com duas crianças, alguns jovens a trinta metros, uma mulher alta mais adiante etc. Estendi minha toalha, finquei o guarda-sol, e me deitei. Estava tão agradável o ar que dormi durante uns vinte ou trinta minutos. Cheguei a sonhar. Um sonho com uma amiga dizendo praia me dá tesão. Logo que começa a tomar sol e sente o corpo esquentar, é assaltada por uma vontade louca de trepar. Não sai por aí agarrando o primeiro que aparece, disse que se contém e gosta da sensação. Certa vez um homem insistiu para tirar uma foto dela, você tem o corpo perfeito, afirmou. Não gosto de fotos, por favor. Não fez a foto, mas ficaram os dois conversando. Não vai mergulhar?, ele quis saber, está muito quente. Sabia que o mergulho na água fria lhe aumentaria o desejo por sexo, temia não resistir e entregar-se ao homem. Acabou dizendo não entro n’água. Ele foi sozinho.

A história provocou-me arrepios. Ainda bem que ninguém por perto, nem um paquera, estava esquecida em meio à areia, o mar, e aquela pouca quantidade de gente. Fui dar um mergulho. Após entrar n’água, nadar, voltei-me para a areia, surpreendi-me, um jovem muito bonito, de corpo de esportista, estava próximo ao meu guarda-sol. Será que espera por mim?, refleti. Voltei para junto dos meus pertences. Ele distanciou-se, esperava um amigo. Quando este chegou, foram juntos para o mergulho. Não olhou nem um instante para mim. Mesmo que estivesse nua, ele não repararia. Lembrei-me do meu paquera do quarteirão, você aceita uma cerveja?, perguntaria. Não sou de cerveja, obrigada, eu tinha pronta a resposta. Ele manteria a pose, tiraria do bolso o maço de cigarros, acenderia um, sorriria, olharia o mar e soltaria a fumaça de modo que não me incomodasse. Posso ficar um pouco na sombra?, perguntaria olhando o guarda-sol vazio. Nesta cidade os homens são invasivos, insistentes, as mulheres querem independência, não desejam ninguém na cola. Se houvesse homem que trepasse com a gente e depois fosse embora, nada comentasse, só aparecesse caso fosse chamado, seria ótimo. Mas este não é assim, vai acabar achando que é meu patrão. O jovem que esperava o amigo era de outra qualidade, adoraria ser paquerada por ele, quem sabe rolasse algum namoro. Mas o jovem não voltou, agradou-lhe mais o amigo. Fiquei na praia até as três ou quatro horas. Ora sob o sol, ora num mergulho refrescante. Tive vontade de trepar sim, como minha amiga do sonho, mas fiquei só na vontade, e a vontade é boa quando a gente sabe mantê-la, há todo um gozo nisso.

Numa noite dessas houve festa na serra. Quando há esse tipo de evento, vem gente de fora, até mesmo de outro estado. Arranjei um namorado só para aquela noite, muito parecido com o jovem da praia, achei até que podia ser ele, mas nada perguntei. O importante é que homens de fora não voltam para ficar no pé das mulheres daqui. Então, entreguei-me. Fiz de conta que era a maior piranha do lugar. Trepamos dentro do carro dele. Onde estacionara, não havia ninguém, todos estavam longe, na festa. Tirei toda a roupa e fui por cima. O peru do homem estava tão duro, mas tão duro, que parecia prestes a explodir. Abri as pernas e sentei sobre o rapaz. Chegamos o banco do motorista para trás, assim eu tinha onde esticar uma das pernas; para a outra, foi preciso abrir a porta. Então, eu controlava a trepada, descia e subia. No início demorei para acertar, mas pouco a pouco fui ficando molhadinha, a partir daí foi fácil, escorregava no pau do homem como num pau de sebo. Quando eu sentava totalmente sobre aquele sexo enorme, sentia o volume bem fundo dentro de mim. A loucura foi tanta que perdi a cabeça, mesmo sem conhecer o tal jovem acabei deixando que gozasse dentro de mim. Mas foi só naquele dia. Depois que terminamos, me vesti e voltei para festa. Ninguém no meu pé!

quarta-feira, março 15, 2017

Louco pela rádio

Outro dia saí com um namorado extravagante que só. Adora me convidar a passeios noturnos. Como nossa cidade é pequena, logo se atinge a rodovia federal. Ele me leva tarde da noite no seu carro, para num trecho do acostamento e pede para eu tirar toda a roupa. Mais rápida do que uma lebre em fuga, deixo no banco traseiro todas as peças e mergulho nos seus braços. Num dia desses, saí peladinha do carro. Ele adorou minha iniciativa. Passamos a transar também do lado de fora, e até mesmo nos afastar do carro para dentro da escura vegetação que bordeia a rodovia. Eu sempre nua.

Ainda não falei, mas sou casada. Tenho o marido e mais este namorado. Meu marido é uma pessoa que trabalha numa rádio comunitária. Aliás, não trabalha, é voluntário, fala o tempo todo nisso. Já não aguento. Ganha uma pequena aposentadoria e não faz mais coisa alguma na vida para conseguir dinheiro. As grandes despesas sou eu quem pago com o meu salário de funcionária da prefeitura. Além de viver nesta bendita rádio, quando chega em casa ele enche a pança e cai num sono pesado. Acorda somente no dia seguinte, lá pelas oito da manhã.

Meu namorado serviu para eu sair da vida enfadonha ao lado do marido que nem sexo me oferece. As aventuras que vivemos proporcionam-me intenso gozo, dão-me gosto pela vida e me deixam plena de sorrisos.

Num dia desses aconteceu uma coisa muito engraçada, que veio melhorar a relação com este rapaz que conheci faz pouco tempo. Nossas transas à beira da estrada foram se multiplicando. Ele, um tanto mais ardiloso, inventou nova maneira de ficarmos ainda mais excitados. Passou a pedir para eu sair pelada do carro e fazermos uma encenação. Ele parte com o veículo e volta depois de uns quinze ou vinte minutos. Fico esperando por ele, mas finjo então que se trata de um desconhecido. Ele para ao me ver nua, aproxima-se, abre a calça e põe o pinto pra fora. Eu tenho de chupá-lo. Quando acabo, passa-me uma nota de cinquenta, entra no carro e vai embora, deixando-me ainda nua. Num dia desses, além do sexo oral, trepou comigo, eu encostada à lataria do automóvel. No final, gozamos juntos. Então me passou quatro notas de cinquenta e foi embora. Fiquei esperando dez, vinte, trinta minutos, mas ele não voltou. O que vou fazer agora, nua, longe de casa?, pensei, mas sem desespero. Caso eu tivesse ficado com o celular, não adiantaria telefonar para o marido vir buscar-me, porque ele não acorda por nada deste mundo. De repente lembrei que ali perto há o sítio de um amigo, que mora sozinho. Caso eu chegasse lá nua, seria o queijo na goiabada. Caminhei vinte minutos e ouvi latido de cães. Meu amigo logo apareceu, pensou que fosse algum ladrão. Ao me avistar, esfregou os olhos, pensou ser um sonho. O que houve com você?, exclamou. Absolutamente nada, disse tranquila, apenas um imprevisto. Não contei a ele que tinha um namorado e que ele havia me abandonado nua. Aliás, nada falei, só pedi abrigo até às cinco da manhã, e depois que me levasse em casa. Ele compreendeu. Teve a elegância de nada mais perguntar. Eu o abracei e, adivinhem o que aconteceu? Mais um namorado.

Nos dias que se seguiram, o homem que me deixou nua voltou a me procurar. Saí com ele. Não havia problema algum, nem fiquei aborrecida por causa daquele gesto impensado da parte dele.  Jurou que não o repetiria. Mas mantive segredo, não disse a ele como voltei para casa nem o que aconteceu. Você é fogo, viu, falei sorrindo. E o abracei. Mas me senti tentada a pedir que ele me abandonasse nua de novo, no mesmo lugar.

Enquanto isso, meu marido na rádio. Enquanto isso meu marido enchendo a pança e dormindo de barriga para cima. Não acorda por nada nesse mundo. Azar o dele! 

terça-feira, janeiro 24, 2017

Saudade

Estou com saudade de você. Lembra quando saíamos para ir à praia, passeávamos pelo litoral, íamos a bares e restaurantes? O mais engraçado foi aquele dia em que você me deixou sem o biquíni dentro d’água, numa praia em Rio das Ostras, e o local até estava bem frequentado. Lembra que frisson? Mas tudo acabou bem, e foi divertido, ufa! – eu falava com ele ao telefone, já fazia dois anos que não nos víamos.

Por falar em saudade, sabe que na Serra há um clima para se sentir mais saudades? Acho que é por causa da paisagem bucólica. A gente olha as montanhas, a vegetação, escuta o rolar dos córregos, essas coisas tocam lá no fundo, provoca aquele sentimento que brota direto do coração. Então desejamos estar ao lado das pessoas que amamos – ele continuava me ouvindo, calado, acho que desejava saber onde eu queria chegar com a minha história.

Por falar em córregos, aqui é bem legal, sabe. Outro dia fui a uma das cachoeiras. Fiquei tomando sol, lendo uma revista, observando as outras pessoas, até que presenciei uma cena engraçada. Lembrei-me das nossas ousadias. Passavam das quatro da tarde quando resolvi caminhar mais acima, ao lado das corredeiras. Após uns vinte minutos, parei para descansar junto a uma pedra. Havia ali uma sombra muito refrescante. De repente, encontrei uma peça de roupa sobre a pedra, na verdade um biquíni de mulher, e tão pequeno. Primeiro achei que alguém o havia perdido, ou mesmo numa brincadeira de namoro ficara esquecido sobre a impassibilidade daquela rocha. Mas não demorou, ouvi uma conversa. Tentei não fazer barulho, não queria ser descoberta. Tratava-se de um casal que namorava muito discretamente, num recôncavo, entre duas pedras tapadas pela ramagem de uma árvore maior. Queria saber quem eram as pessoas, já que conheço todo mundo neste lugar. Mas confesso que não consegui. Iria me expor, poderiam me surpreender, não ficaria bem. Continuei a acompanhar os sons, as vozes. A mulher às vezes parecia rir; outras, emitia um som de quem está satisfeita da vida. Num movimento rápido por entre a folhagem descobri que estava nua. O biquíni que eu encontrara na verdade pertencia a ela. Peguei-o nas mãos, enrolei-o bem pequenino e o coloquei na minha sacola. Caminhei, rápida, para longe dali. Mais adiante entrei na cachoeira e levei comigo o biquíni. Lavei-o da melhor maneira possível. A seguir, substitui o meu por aquele biquininho. Deu direitinho, só que deixava minha bunda toda de fora. Você é que ia gostar de me ver vestida assim, ou melhor, despida assim. Tomei banho com ele durante uns bons vinte minutos. Depois, vesti o meu novamente e voltei ao local onde o encontrara. Minha intenção era recolocá-lo sobre a pedra, no mesmo lugar de antes. Mas não havia viva alma. Enrolei-o novamente, bem pequenino, e o guardei na bolsa. Quem sabe descobriria a quem pertencia. Voltei para casa. Ontem fui de novo às cachoeiras, e não é que descobri uma mulher com duas peças diferentes? Era a Adalgisa, esposa do Nicanor, um motorista que vive mais em Macaé do que aqui na Serra.  O sutiã era semelhante ao biquíni que eu levara, aliás, que eu vestia naquele momento. Ainda bem que eu estava enrolada numa canga. É lógico que não pude mergulhar ali, apenas a cumprimentei e segui adiante. Mais à frente, fora do alcance de sua visão, tirei a canga e entrei na água que descia de uma das cachoeiras. Já pensou se ela descobrisse? Você gostou da historinha, não? Muito engraçada. Isso mesmo, engraçada e mais alguma coisa. Você sempre gosta. Vesti o biquíni da mulher porque era tão pequenino como jamais usei, nunca tive coragem de comprar um assim. E dá uma tesão... Se vou devolver a ela? Acho que não. O que eu poderia dizer? Acho arriscado, é melhor eu ficar com o biquíni para mim. Ah, não sei como ela voltou para casa sem o biquíni, talvez o homem arranjou um jeito. Namorado sempre tem jeito para tudo. O quê?, você também tem uma solução?, quer vir aqui para me roubar o biquíni? Ah, espera mais um pouco, quero aproveitar mais as cachoeiras com ele, me sinto quase nua, é tão bom. Qualquer dia desses eu telefono de novo, aí, quem sabe.

Depois de desligar o telefone, pensei bem. Melhor deixar assim, enquanto ficamos no nível das histórias tudo vai às mil maravilhas. E o biquininho, hein, tão bom, nada melhor do que namorar com ele!

sexta-feira, dezembro 16, 2016

O biquíni dentro da bolsa

Ele me sussurrava enquanto namorávamos no seu apartamento, “você é muito gostosa, jamais vi uma mulher assim”. Sei que os homens falam sempre essas coisas para todas as mulheres, mas eu fingia que acreditava, já estava acostumada a tais elogios. Apenas me surpreendi quando ele acrescentou, “vou levar você à Floresta da Tijuca, vou tirar toda sua roupa e transar com você sobre a grama, depois lhe vou levar para passear inteiramente nua”. Arrepiei-me com a proposta, mas tentei não demostrar. Duas semanas depois, de novo em sua casa, entre beijos e abraços, eu disse, “você não cumpriu sua promessa”. “Que promessa?”, pareceu assustar-se. “Você falou que iria me levar à Floresta e me deixar nua”. “Ah, é mesmo, mas ainda vamos, ok?”, sorriu e me beijou os lábios. “Claro, estou esperando você me levar”. “Também quero levar você à praia e, dentro d’água, tirar o seu biquíni”, continuou. Lembrei-me de que havia contado a ele um episódio de adolescência, certa vez mergulhara de uma pedra, na então Praia do Flamengo, e senti uma sensação muito estranha, na verdade um orgasmo, no momento em que atravessei o espelho d’água, a temperatura baixa da água do mar me fez gozar. Afirmei também que mesmo tentando várias vezes nunca mais tive a mesma sensação, acrescentei que, algumas vezes, cheguei a tirar o biquíni dentro d’água em busca daquele gozo perdido, mas nada. Ele disse que iria me levar ao orgasmo na Floresta e na praia, que seria um gozo inesquecível. “Será?”, eu duvidava, mas o arrepio retornou.

Duas semanas depois fomos à Floresta. Subimos a serra de carro, ele dirigindo, estava um dia ensolarado de primavera. Chegamos pelas dez da manhã. “Tem muita gente”, falei, “acho que não vamos conseguir”. “Sempre se encontra um lugar deserto, a floresta é grande”, rebateu. Subimos, após várias curvas demos com um larguinho onde ele estacionou. Saímos do automóvel, eu levava uma bolsa de palha e vestia uma canga com o biquíni por baixo. Subimos por uma trilha. Às vezes encontrávamos outras pessoas, principalmente jovens, que pareciam preparados para longas caminhadas ou escaladas. Num estágio do caminho, havia uma plataforma que rodeava um grupo de árvores largas. Ele me puxou para a esquerda e entramos em meio à vegetação. Os galhos altos e as folhas das árvores filtravam os raios de sol. “É melhor a gente voltar num dia de semana, hoje tem muita gente”, eu disse um tanto temerosa. “Veja, aqui não há ninguém, e a gente pode ainda ir mais adiante”. Havia um corredor de árvores, mas nenhuma trilha. Às vezes o mato crescido no impedia a passagem. Contornamos uma pedra larga com vegetação que repousava sobre ela. Apoiei as mãos sobre alguns galhos para caminhar com mais segurança. Quando acabamos de contornar a rocha, nos deparamos com um local ainda mais retirado, que não havia vestígio de outras pessoas. As árvores, mais densas, tornavam o sítio escuro, e havia umidade no ar. Comecei então a sentir o tal gozo. Paramos atrás de uma árvore maior e nos abraçamos. Apressei-me a soltar a canga, dobrei-a com cuidado e a coloquei dentro da bolsa. Estava doidinha para ficar nua, mas ainda esperei um pouco, voltei a me agarrar a ele e a o beijá-lo na boca. “Tira o meu sutiã”, pedi baixinho. Ele soltou os laços e meus seios apareceram. Apertei seu tórax querendo sentir sua pele. Ele estava quente. Ficamos mais algum tempo abraçados, eu escondia  minha nudez superior dentro de seus braços. Como ele demorava para me tirar o biquíni, acabei eu mesma tomando a iniciativa. Não sei se estava temeroso ou se duvidava de que eu me aventuraria nua em plena floresta. Enquanto guardei o biquíni também dentro da bolsa, junto com o sutiã e ao lado da canga, reparei que ele olhou ao redor para se certificar de que estávamos sozinhos. Depois, fiquei agachada. Nua e agachadinha, a esperar por ele, queria que viesse por baixo. Ele entendeu o meu desejo, mas não quis tirar a roupa, apenas colocou o pênis para fora. Abocanhei de início aquele sexo gostoso. Após alguns minutos, pedi que se sentasse e fui sobre ele. Ficamos naquela posição durante muito tempo, eu me deliciando num intenso sobe e desce, deslizando o peru de meu namorado para dentro de mim e o trazendo de volta até a ponta, equilibrando-me para que não escapasse. Sentimos um sopro de vento a varrer aquela parte da mata, partículas de terra e folhas que me tocavam o corpo traziam-me intenso gozo, um orgasmo quase em dobro. Deitei e pedi que viesse sobre mim. Transamos demoradamente. Mas pelo meio da transa, descobri entre duas árvores, que estavam a uns dez metros de nós, duas fisionomias juvenis. Garotos nos observavam. Nada falei ao um homem, ao me sentir observada meu prazer cresceu, a mesma sensação que tivera ao mergulhar da pedra tempos atrás. Quando acabamos, meu namorado disse: “vamos à praia, agora quero você nua dentro d’água”. Acho que não vai dar, falei e sorri. “Por quê?”, ele fez uma fisionomia triste. “Enquanto trepávamos, alguém veio escondido e roubou minha bolsa, agora não posso voltar nua até o carro, você vai ter que arranjar uma solução”, eu disse, mas sem revelar preocupação alguma na fisionomia. Ele olhou, preocupado, para todos os lados, e deu com minha bolsa ao pé de um tronco, logo adiante. Caminhou dois passos e voltou com a bolsa. “Brincadeirinha”, falei, vamos à praia, sim, mas antes quero passear nua pela floresta!

segunda-feira, março 30, 2015

A faltar uma blusinha

Ai, acordar peladinha depois dessas festas, nem lembrar como tudo aconteceu... Ainda estou morrendo de sono, acho que são nove ou dez da manhã. É o sítio de Mariinha, quanto a isso não posso me enganar. Quando eu morava em BH, as festas eram mais discretas. Cidade grande é outra história. Aqui, nesse lugarejo, as meninas são de um fogo terrível. O pior é que acham que lá, na cidade grande, as mulheres são mais atiradas que cá. E querem imitá-las. Pior que imitam apenas uma ideia. Então marcam essas festas, onde acabamos quase todas nuas, mesmo que de uma nudez disfarçada, e dormindo em casas alheias, nem sabendo onde foram parar uma das blusas. Isso mesmo, sempre desaparece uma blusa; já aconteceu de sumir uma saia. Como voltar para casa em tal circunstância? É preciso que alguém empreste uma roupa, como um casaquinho de meia estação. Depois vamos até o Shopping, a 120 km da cidade, comprar novas roupas. Aqui em Minas todas vivemos de aparência. É lógico que é o único modo de a sociedade nos aceitar. Fingimos. Em nossos trabalhos somos exímias profissionais. Uma de nós é dentista. Não digo qual, não quero dar pistas sobre as amigas, quem sabe eu? Mas voltando às festas, são de lascar, isso mesmo, acho que é essa a palavra, porque como diz o mineiro do campo, são de tirar o couro. Como não podem nos tirar o couro real, nos tiram a roupa. Depois, dão no couro! Muitas querem ter namoradinhos, curtir a vida a dois, casarem-se. Mas já pensaram sobre? Casarem-se? E quem já passou por isso tudo, quem já cansou? Não se pode viver para o marido, nem para os filhos. É bom ter filhos, não nego, mas não se pode viver em função deles durante toda a vida. Então apareceu a Mariinha e deu a ideia. Chamou as mulheres mais destemidas da cidade e convidou-as todas. Mas, Mariinha, alguém há de acabar descobrindo, afirmou uma. Não, basta que fiquemos de boca fechada, ela retrucou, e não precisa que as festas aconteçam sempre, três ou quatro vezes ao ano é o suficiente, e nada de homem da cidade, acrescentou a promotora. Engajamo-nos na brincadeira, mulheres da cidade e outras que ficavam nela apenas parte do tempo, como médicas, a tal dentista e professoras. O local seria um sítio, a 40 km, na serra de G, digamos assim. Na primeira das festas, não aconteceu nada demais. Apenas comemos, bebemos e dançamos... como dançamos! Homens de menos, mulheres sempre mais numerosas. Fizemos mais duas festas, a frequência aumentou e também a quantidade de homens, mas as mulheres sempre mais numerosas. Na quarta festa, propus que mudássemos o local, precaução apenas. Alguém já está comentando pela cidade?, quis saber a amiga. Não, nada ouvi, mas sabe como é, melhor não facilitarmos. Nas festas seguintes, fomos a uma pousada, era de uma das frequentadoras dos eventos. Numa pousada, algumas se assustaram, isso pode soar mal. Há no lugar um grande salão, e depois, fica-se mais à vontade. E passamos a alternar, uma vez no sítio de Mariinha, outra na pousada. Vieram homens de longe, inclusive de BH, acharam a nossa ideia maravilhosa. Exercíamos nossas profissões durante os dias, éramos as pessoas mais sérias da cidade, mas durante as festas a liberdade era total. Até mesmo vieram algumas mulheres casadas. Mulheres casadas, assustei-me, podem arrepender-se e sair comentando por aí. Nada disso, rebateu Mariinha, tenho o nome de todas, estão arriscando o próprio casamento, e é lícito que se divirtam. E vinham elas, mais sorridentes do que todas nós, mais provocantes, arrumavam-se num dos banheiros da casa, transformavam-se em autênticas piranhas. Não há problema que namoremos, disse a dona do sítio, o importante é que não vire rebu. Achei engraçada a palavra, rebu. Daí em diante já se via uma ou outra agarradinha com seu par, depois a sair ao ar fresco, até que alguém falou pois não há um quarto com cama? Concordou-se, então. A respeito do quarto e da cama. E as festas, oh, uma beleza. Mas nada pode durar para sempre, trata-se de uma verdade absoluta. Fizemos a última ontem, a de despedida (será?). Já está dando na pinta, surpreendeu-me a amiga. Mas até na última acordar peladinha, e sempre a faltar uma blusinha...

segunda-feira, março 09, 2015

O que eu vou fazer da minha vida?

Jessé balançou os dois últimos caroços na concha da mão e lançou-os em dado. Era noite, e o jogo estava feito. Eliane arrepiou-se, ela fazia parte da aposta. Como flertava com o perigo, o friozinho na barriga dava-lhe prazer. Ao abrir uma das mãos o homem, com um dos cantos da boca, lançou-lhe um sorriso de escárnio, sabia que ainda não seria sua a vitória. A mulher, corajosa, tinha sorte, ele concordava. Jogador escolado, o mulato também sabia que a sorte um dia escapa. Era só ter paciência que ela, a mulher, cairia de joelhos. Pagou o que devia. Eliane sorriu. Muitos homens já haviam frequentado seu corpo sem necessidade de lance de dados. Quanto a Jessé, tratava-se de um capricho, queria prendê-lo. Ele era elegante, bonito, a pele brilhosa, o cabelo negro farto e bem penteado. Um homem que não fora feito para qualquer garota. O jogo, portanto, era a arma da mulher. Ela tinha consciência de que corria risco; a sorte, como lera nos olhos de Jessé, não dura para sempre. Enquanto pudesse, no entanto, arriscaria; era um modo de se valorizar, de criar no homem a cada dia o desejo mais intenso. Talvez, assim, ele durasse ao seu lado mais tempo. Não tinha ilusão, conhecia os homens Ao conseguir uma mulher, ao desarmá-la de seus encantos, eles depressa vão à cata de outra, de novas experiências, que logo se tornarão velhas. A roda continuava a girar. Eliane sabia que no fundo tudo era ilusão.

Fazia três anos que percebera sua tendência para a sorte no jogo. Um ex-namorado a convidara a um café numa cafeteria no centro de M. Eliane aceitou. Os dois encontraram-se por volta das 16h00. O local era bonito. Tomaram dois expressos e comeram duas fatias de bolo. Jonas pediu um pouco de leite. Ela começou a contar sobre o casamento. Disse que estava muito feliz, o marido era companheiro e atencioso. Ressaltou a palavra companheiro duas vezes. O homem não deixou escapar as palavras de Eliane. Como já conhecia a mulher, desconfiava de algumas das histórias contadas por ela. Quando já estavam à mesa por mais de trinta minutos, perdurou um profundo silêncio entre os dois. Ela aproveitou para olhar através do vidro o trânsito que era intenso na rua defronte. Era possível avistar as árvores que se enfileiravam no outro extremo da avenida formando um pequeno parque. A mulher sorriu, lembrou que já passeara naquele local tarde da noite com o homem que estava à sua frente. Voltou o rosto a ele e continuou com o ar de alegria que o momento permitia. Eu e meu marido somos apenas companheiros, queria dizer isso a você, tocou no assunto novamente; não fazemos sexo, entende?, somos apenas amigos, ajudamos um ao outro. Jonas franziu a testa. Amigos?, repetiu; estranho. Verdade, Eliane retomou a palavra; ele tem um problema, não pode fazer sexo, nunca fizemos, mas está bom assim, concluiu. Jura?, ainda perguntou Jonas. Eliane apenas moveu a cabeça. Saíram da cafeteria e seguiram a rua Teixeira. Continuaram a conversar assuntos esparsos, ora olhavam os carros, ora os prédios do lado onde caminhavam. Tenho de ir até em casa, ela falou. Eliane tinha duas casas, uma na serra, outra na cidade, referia-se à da cidade. Jonas não falou nada num primeiro momento, depois continuou ao lado dela; mais adiante perguntou se podia acompanhá-la. Pode sim, ela disse. Dobraram à direita numa transversal e seguiram até o Visconde, um bairro de casas de dois andares. Antes margearam a rodoviária. Quero ver se pego o de 17h30min, disse ela. Faltam ainda trinta minutos, replicou Jonas olhando o celular. Ao chegarem à casa que Eliane ainda mantinha na cidade, ela advertiu: está muito diferente da casa que você conheceu, dei alguns objetos, levei todas as minhas roupas para a casa da serra, mantive apenas o sofá, a cama e o fogão. Jonas assentiu, sabia que ela na verdade já não residia ali havia pelo menos três anos. Ao chegar, seguiram o pequeno corredor do térreo até entrarem no corpo da casa, subiram dois lances de escada. Eliane abriu a porta, que nem estava trancada. Ambos entraram. Ela primeiro; ele, a seguir. Não repara, pediu a mulher; está uma bagunça. Não faz mal, compreendo a situação, redarguiu Jonas. Eliane procurou um objeto, mexeu em outro, olhou para seu ex-namorado e sorriu. Lembra que você foi nua lá embaixo, certa vez?, Jonas disse em voz baixa. Você não esquece isso, ela falou e sorriu, um sorriso luminoso. Ele teve vontade de abraçá-la, mas nada falou. Ela continuou nos seus afazeres. Eliane tocou de novo o nome do marido. Como falava nele... Disse que ele lhe pedira algo, e que logo iria ligar para saber se conseguira. Jonas permaneceu em silêncio. Eliane não era boba, sabia que o ex-namorado ainda lhe desejava, fazia bem para sua autoestima, ela valorizava o momento. Pensou em perguntar a Jonas se queria que ela tirasse a roupa; ficaria nua e pediria para ele segurar seu vestido; ah, os homens, sempre ficam excitados com mulheres nuas. Nada mais, porém, apenas a nudez, a pele branquinha à mostra. Suspirou, tocou de leve no tecido que compunha o vestido. Ia aos joelhos. Ele não gosta da casa da cidade, ela acrescentou referindo-se ao marido. Você está precisando de dinheiro?, Jonas interveio. Dinheiro?, sempre a gente precisa, por que a pergunta?, ela quis saber. Achei que você precisava; a licença, o afastamento do trabalho, as dores que você sente, deve estar precisando, ele retrucou. Sim, você acertou. Jonas abriu a pasta, tirou a carteira e de dentro dela puxou duas notas de cem e duas de cinquenta, estendeu a mão com as notas a Eliane. Como faço pra pagar?, ela perguntou. Não sei, faça como achar melhor, respondeu ele. Não vou ter pra devolver tão cedo, ela continuou. Não faz mal, não estou precisando agora, disse o ex-namorado, com uma entonação decisiva. Eliane guardou o dinheiro. Bom, vamos embora. Acabou de falar e ouviu o telefone. É ele, meu marido. Foi até a janela e conversou um pouco, prometeu que voltaria logo, já havia resolvido tudo que programara. Não, não demoro não, ok?, um beijo. Desligou. Ao olhar na direção onde Jonas estava minutos antes, não encontrou ninguém. Ele partira sem que ela notasse. Sentiu-se só. Jonas lhe fazia bem. Lembrou-se da vez em que foram juntos à praia e ele sugerira que ela tirasse o biquíni e o entregasse a ele. Ela, como sempre espevitada e querendo demonstrar determinação, desfez os laços e ficou nua. Entregou o biquíni nas mãos de Jonas, deu um mergulho. Ao voltar à tona, percebeu que ele havia desaparecido. Acontecia de novo. Jonas se fora. Ela, só, sem ninguém a socorrê-la... O que eu vou fazer da minha vida?

Jessé balançou os dois últimos caroços na concha da mão e lançou-os em dado. O jogo estava feito. Era noite. Ele a incentivava, e ela sabia que tinha sorte. Ao menos por enquanto, sabia também que um dia perderia. Para a ocasião, já trazia pronta e ensaiada a frase. Jessé, sei que você está louco por mim, pra isso nem precisava de aposta; se você tivesse falado antes, a gente já transava fazia tempo; mas apenas isso, viu? A roda continuava a girar. Eliane sabia que no fundo tudo era ilusão.