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segunda-feira, janeiro 25, 2021

Troféu

A gente lembra das pessoas e sente saudades. Esses tempos de quarentena aproveitei para arrumar algumas coisas e encontrei as fotos. Éramos cinco. Eles e eu. Quero dizer, quatro homens e uma mulher. A casa, em Búzios. Isso mesmo, eles tinham uma bela casa, nos fundos uma quadra de vôlei. Adoravam jogar. Formamos um time misto, quatro homens e uma mulher, faltava sempre um, ou uma. Não importa, diziam, a gente arranja alguém para completar. E sempre ganhávamos. Mesmo que o sexto não jogasse bem, ocupávamos os espaços dele. Jogávamos nas areias da praia, nos fundos de casa, no clube local. Todas as vezes que estávamos na cidade, vinham nos convidar. Vôlei e mais vôlei. No final da tarde, eu mergulhava, exausta. A água do mar me revigorava. Saíamos à noite, sempre juntos, sempre os cinco.

Preciso um parágrafo à parte para as noites. Imaginem uma casa com quatro homens e apenas eu de mulher. Uma mulher quente, como sempre sou. Dormia na sala. Estendia um colchão, cobria com um lençol e deitava nua dentro de uma camiseta. Eles me conheciam. Não demorava, no escuro da madrugada, sentia um deles encostado a mim. Eu, de costas, curvada; ele, a contornar minhas curvas, a completar meus vazios. No dia seguinte, amanhecia sozinha, toda preguiça, eles corriam nas areias da praia. Não preciso de tanto exercício, murmurava, sou levantadora. Na noite seguinte, alguém de novo às minhas costas, e eu sempre nua, mulher de todos. Nunca nada comentamos.

 

A foto: um time de vôlei, quatro homens e uma mulher. Na hora da foto, o que completava não aparecia. Éramos uma equipe ímpar.


Certa vez me virei de frente. Vou descobrir meu namorado de hoje. Mas eles eram hábeis, conseguiam esconder a face. E eu, na verdade, não me esforçava para saber quem era. Amava todos e não desejava estragar a relação. Minhas mãos e minha boceta conheciam todos os perus. Sabia eu também seus movimentos. Mas como saber de quem era durante o dia se todos iam de calções, shorts, bermudas? E não se mexiam sob a luz do sol como na hora do sexo.

Passamos o verão inteiro vencendo todas as partidas. Completávamos noites e madrugadas também vencendo no amor, sobre o colchão. Uma das vezes, na praia, mergulhamos os cinco, abracei e beije a todos, estava tão feliz. E eles me carregaram nua, como se tivessem conseguido uma sereia. Ou, quem sabe, o troféu de todo o campeonato.

segunda-feira, junho 04, 2018

Encanto

Na praia, sempre há alguém a nos olhar, sobretudo os homens. Nós, mulheres, sempre exercemos encanto sobre eles. Alguém pode dizer que o inverso é verdadeiro, quero dizer, os homens também enfeitiçam as mulheres. O dito não deixa de ter sua ponta de verdade. Mas as mulheres tem mais poder, e devem preservá-lo. O pior para uma de nós é tornar-se alguém que perdeu o poder de encantar. Toda mulher, por natureza, tem este dom. Vide, na história da literatura, as fadas e as feiticeiras. O poder de encanto que perdura, no entanto, acontece quando somos fugidias. Assim, os homens tornam-se apaixonados, ou quando não, atraídos. Por isso, temos de tomar muito cuidado. Outro dia, conversei aqui na praia, sob este mesmo guarda-sol, com uma amiga, enquanto aproveitávamos o dia.

Como fazemos para não perdermos o poder de encantar?, quis ela saber.

Não faça nada.

Como, não faça nada?, repetiu.

Quando um homem demonstrar interesse por você, espere. Apenas.

Esperar, como assim?

Deixe-o se encantar mais e mais. Faça de conta que não está percebendo o que ele quer.

Sim, entendi, ela replicou; se um homem estiver a fim de sair comigo, não aceito.

Na teoria, sim. Mas não seja tão explícita. Desconverse.

Mas gosto tanto dos homens, ela insistia.

Eu também, mas gosto mais do meu poder de sedução, do meu poder de encantamento. Caso aceito sair com alguém, sobretudo de primeira, este poder acaba. Nada pior a uma mulher do que perder sua capacidade de encantar, insisti.

Nunca pensei nisso, acho que o importante é satisfazer o meu desejo.

Caso você o satisfaça com um homem maravilhoso, amanhã ou depois terá o mesmo homem ou ele vai atrás de outra?

Na certa vai procurar outra, sim, são eternos insatisfeitos.

Melhor sentirmos prazer, uma espécie de orgasmo, com o nosso poder de encantamento. Cada vez que encantamos um deles, um gozo. Melhor do que o gozo com o homem transitório, prestes a nos deixar.

Mas, como fazer?, precisamos sentir o corpo masculino, o sexo masculino. Satisfazer-se com o próprio poder de encantamento é uma satisfação abstrata.

Nada disso, uma satisfação abstrata que reflete no próprio corpo.

Sério?, ela pareceu não acreditar.

Sério. Quer saber como?

Sim.

Deite sozinha, pense no seu poder de encantamento, de feitiço, imagine os homens que você seduziu, que deixou enfeitiçado por você. Faça isso nua, à noite. Goze com o seu próprio corpo, com o seu meio de encantá-los. É tão gostoso... Tenho uma amiga que, para se excitar mais, pensa nas sacanagens que os homens dizem no seu ouvido, sobretudo aqueles que ela seduziu.

Você fala sério?

Falo, vou contar uma pequena história. Quer ouvir?

Sim, talvez sirva de exemplo.

Tenho um amigo que recebeu pelo zap algumas fotos de uma mulher com quem ele se relaciona. Ela aparecia nua nas fotos e escreveu assim: eu gozando, guarda pra você. Ao aumentar a imagem, reparou que a vagina dela estava molhadinha, dava pra ver perfeitamente uma pérola de gozo. Ao encontrá-la, dias depois, ele perguntou você, pra fazer aquelas fotos, se masturbou. Ela disse não. Como você conseguiu gozar, então? Com meu próprio corpo, respondeu. Nem é tão bonita, mas tem um poder de encanto imenso. O poder é tanto, que ela se encanta consigo mesmo.

Minha amiga entortou a cabeça. Bem, não tinha pensado nisso, quem sabe também consigo.

Consegue, sim, todas conseguimos, sorri, como tivesse encontrado a verdadeira solução para o amor.

E o amor, qual o lugar dele nesses relacionamentos?, minha amiga pareceu adivinhar meu pensamento.

Amor mesmo é muito difícil, quase impossível, o que existe é atração física e paixão. Caso houvesse amor, os homens não correriam atrás de outras depois de trepar com a gente, não é mesmo? Por isso, a história do poder de encanto... e tem mais uma coisa, não quero dizer que não vamos trepar com homem nenhum, vez ou outra, quem sabe. Pode ser, de vez em vez com alguém daqui da cidade, ou vamos a um local onde ninguém nos conhece. Estes vão ficar ainda mais encantados. Não sabem nada de nós nem vão nos encontrar de novo!

segunda-feira, março 26, 2018

Goiaba nua

Eu segurava os seios com uma parte do braço e uma das mãos, enquanto o outro braço descia até abaixo do umbigo e a mão direita tentava cobrir minha boceta. Ah, essa história de mandar fotos para o namorado, aliás, fotos da mulher aqui nua! Que perigo, alguém há de dizer. Não há perigo algum, respondo, não sou de mostrar a face, mas as outras partes. Que sacrifício, onde a câmera? Será que estou no enquadramento? Viro à esquerda, à direita, frontal, a máquina a disparar.

Tal brincadeira (se é que se pode chamá-la assim) começou há dois meses. Quando está longe de mim, para matar as saudades, o namorado pede que eu lhe envie fotos. De início, nada sobre a nudez, mas pouco a pouco teve coragem de pedir. Achou que eu iria negar. Nada disso, fiz as fotos e mandei. Oh, que bumbum lindo, ressaltou; a foto de nu frontal está uma gracinha, elogiou; falta uma com os seios nus. Seios nus? Oh, sim, seios é palavra masculina, e se usa quase sempre no plural. Logo você que tem os seios tão rijos, não mandou a foto, observou. Fiz a foto, do pescoço para baixo e do umbigo para cima. Ele a babar, enquanto dele estou distante.

Certa vez tive um namorado que produziu uma montagem. Pegou uma foto onde estou vestida e, como num crime sanguinário, separou-me a cabeça do corpo! Então, colocou partes do corpo de outras mulheres! Esta não sou eu, afirmei, os seios são grandes e bonitos, queria tê-los assim, repliquei. Então mandei as fotos, queria evitar tantos esquartejamentos.

Como é difícil se autofotografar. Mais fácil escrever uma autobiografia, mais fácil sair nua à noite para namorar. Fazer fotos de si própria, quase impossível. Depois que as enviei, no entanto, senti certo alívio. Engraçado, eu ainda nua, com o telefone nas mãos a mandar fotos pelo Zap. Já pensou se clico o destinatário errado? Deus me livre. Estava certo o destinatário, lá o nome dele. Pousei o telefone sobre a mesa e sentei na cadeira ao lado. Cruzei as pernas e dei um suspiro. Caso houvesse alguém em casa, o namorado, ou mesmo um estranho, adoraria ver a mulher pelada sentada num dos lugares da mesa de jantar. No que vai dar este namoro?, pensei, com tanta foto indo pelo Zap... Ah, grande ideia, vou pedir uma foto dele, e tem de estar inteiramente nu. Logo veio a resposta: homem nu é horrível, bonito é mulher nua! Nada disso, retruquei, horrível para você, para mim é lindo, caso não mande a foto do teu peru dentro de cinco minutos, as fotos que fiz de mim nua vão voar para pelo menos cinco amigos. Mas, mas..., ele a gaguejar. Nada de mas, mas..., repliquei mais uma vez, faça a foto.

Veio a foto. Ele disse que o peru era dele. Mas resta-me a dúvida. Acho que pegou em algum site. Como não posso provar, finjo que acredito. Quando vier aqui, comparo.

Levantei-me e fui até o quintal. Quanta goiaba na goiabeira. Estico o braço e tiro uma de um galho menor. Dou uma mordidinha. Ih, onde escondo a goiaba nua?, tem alguém batendo lá no portão!

quarta-feira, fevereiro 01, 2017

Por que você está sem a calcinha?

Sempre mudo a foto do meu zap, adoro. Ora poso de short, ora de vestidinho, ora de blusa que mostram meus ombros nus, já até postei foto de biquíni de praia, mas por apenas quinze minutos. De um tempo para cá, resolvi me casar. Juro. Não esses casamentos de igreja com véu e grinalda, nada disso, a gente só casa assim uma vez na vida. Mas um casamento bem atual, desses que chamamos o namorado para vir morar junto. Ele gostou da ideia, instalou-se na minha casa. Casa pequena, bairro simples, distante do centro, mas muito agradável. Eu não sabia, porém, que o homem era tão ciumento. Viu a minha foto do zap e foi dizendo nossa, você não pode se mostrar assim. Era a tal foto em que eu estava de shortinho. Postei, então, foto mais recatada, de bermuda. Meus amigos passaram a me mandar mensagens: Márcia, você nunca mais mudou a foto, era tão interessante ver você cada semana com uma roupa diferente. Acho que eles queriam dizer cada vez com menos roupa. Meu marido passou a controlar o meu telefone. Que aborrecimento. Tive de apagar as mensagens, de parar de conversar com alguns amigos. Tudo ele queria saber. Comecei a me arrepender do casamento. Que bobagem esta relação, passei a murmurar a mim mesma. O que compensa é que ele é muito gostoso. Acho que nunca tive um homem tão gostoso e disposto a trepar comigo a qualquer hora do dia ou da noite. Mas um dia desses me telefonou um homem com quem eu saí duas ou três vezes, alguém com quem tenho interesse em manter certa ligação, porque me dá muitos presentes, me convida para lugares chiques, eu é que recuso. Meu marido viu a tal ligação, o nome do homem e sem que eu soubesse ligou de volta para ele.

"Com quem você quer falar?", perguntou.

Acho que o homem ficou surpreso ao ouvir voz masculina.

"Não sei, não telefonei."

"Apareceu este número aqui, estou devolvendo a ligação, disse meu marido."

Acho que o homem fez a pergunta natural, aquela pergunta que a gente faz quando alguém atende o celular que não é o seu.

"Este telefone é o da Márcia?"

"Sim, quer falar com ela?, ela está aqui."

Me passou o telefone. O que eu iria dizer? Meu marido ali ao lado, o homem com quem eu transara duas ou três vezes do outro lado da linha. Um constrangimento. Mas consegui conversar como se fosse apenas um amigo. Dois dias depois saí para trabalhar, tive vontade de ligar ao tal amigo. Com tanto controle, achei que o marido precisava ser traído. Mas me segurei. Achei melhor dar a ele mais uma chance. No dia seguinte, porém, meu marido estava no celular, e conversava com uma mulher. Isso não vai dar certo, pensei. Liguei ao meu amigo, marquei um encontro, pedi um presentinho. Ele não é de negar.

Meu amigo adora minhas pernas, olha pra elas com intenso desejo. Deixa que eu tiro tua calcinha, disse. Eu já estava no hotel com o homem, esquecida do casamento. Ele não é tão quente como meu marido, mas também não é de se jogar fora. Tudo bem, boa a trepada. Me deu o que pedi, o tal presentinho.

Vou entrando em casa. Quero esquecer o que fiz. Será que já estou arrependida? Meu marido me espera. Arrepio. Caramba, será que o homem adivinha pensamentos. Vem cá neguinha, estava morrendo de saudade, onde você andava, hein? Me beijou na boca, foi me puxando a bermuda. Caramba, será que vai notar alguma coisa? Espera, alertei, estou morrendo de vontade de fazer xixi. Não faz mal, ele abaixou minha bermuda, faz aqui na minha boca. Foi então que reparou surpreso: ué, por que você está sem a calcinha?

terça-feira, outubro 18, 2016

Melhor mesmo é fotografar

Não faz muito tempo, eu era maluquinha. Namorava todos os homens que apareciam no meu caminho. Ganhava tantos presentes, que não tinha onde guardá-los. Certa vez vivi uma experiência sedutora.

Conheci um fotógrafo. Devido à profissão, ele não perdia a oportunidade de fotografar tudo que achava interessante. Então, aproveitava também para fazer umas fotos minhas. Naquele tempo ainda não existiam as máquinas digitais. Fazíamos as fotos e tínhamos de esperar alguns dias para ver se ficaram boas. Toda semana, pedia para ele me fotografar. Ele atendia, e as fotos iam se avolumando. Tenho todas as cópias até hoje. Numa determinada fase do nosso namoro, quando já vivíamos mais intensamente a relação, pedi que me fotografasse nua. No início, recusou. Mas depois, após eu insistir, começou a fazer as fotos. Às vezes eu usava algum tecido para cobrir determinadas partes do corpo, só para provocar quem acaso viesse a apreciar as fotos. Mas, na maioria, eu saí nua por inteiro. Toda mulher tem um ponto vulnerável, e o meu passou a ser as fotos de mim mesma. Certa vez, tentei pregar-lhe uma peça. Levei uma das fotos a uma agência de publicidade. Queria que fizessem um outdoor. Perto de onde eu morava, havia um monte deles. Após insistir e pagar uma pequena fortuna, consegui o outdoor por três dias. Eu aparecia nua, mas de perfil; no alto, ia escrito: “venha, Antônio, estou lhe esperando”. Ninguém de onde moro me reconheceu. Pelo menos foi o que pude deduzir. Lembro que saí de casa todas as manhãs para passear bem defronte à minha própria imagem. Houve apenas duas diferenças entre a mulher da grande foto e eu. Passeei vestida e de óculos escuros. Nem meu namorado percebeu a minha imagem. Mas faço uma ressalva: ele era muito distraído. Depois de substituída a foto por uma propaganda qualquer, contei a ele. Mas não acreditou.

O tempo passou. Meu namorado foi embora do Brasil. Eu não quis acompanhá-lo. Fiquei por aqui. Daí surgiram outros. E como não descobrissem o meu ponto fraco, eu lhes soprava no ouvido, você não tem uma câmera? Após a primeira foto, eles também se tornavam dependentes dessa arte. E do meu corpo.

Chegaram, então, as digitais e os celulares que fazem fotos. Tudo ficou mais fácil na minha vida de namoradeira prestes a ser clicada nua. Cada admirador passou a colecionar um punhado de fotos minhas.

O engraçado é que sempre após o término dos namoros, as fotos ficavam com eles. Aliás, houve um que, tristonho, voltou com o intuito de devolvê-las. Nada disso, disse-lhe eu, fica de presente. Mas você está nua, ainda tentou me convencer. Não tem problema, retruquei, o que há de mal nisso?

Na semana passada, após longo inverno sem namorado, surgiu a ocasião de a maluquinha aqui entrar em ação de novo. No apartamento do homem, pedi, faça uma foto minha. Ele atendeu. Pedi mais uma vez, quero uma foto nua. Nua?, replicou, acho que fingindo surpresa. E fui tirando a roupa. E foi ele me clicando. Depois das fotos, ainda nua, contei-lhe a minha longa história de fotografias. Lógico que sem ressaltar os namorados. Você não tem medo que essas fotos vazem?, arregalou os olhos. Vazem?, repeti. Isso mesmo, que caiam na internet?, acrescentou. Nunca pensei nisso, respondi, e não vou me preocupar agora, mas peço uma coisa a você, ok? Ok, respondeu, já sei, que eu tome muito cuidado com essas fotos... Nada disso, concluí, quero que você venha até aqui bem pertinho, tire a roupa e enfie esse peru gostoso bem fundo dentro de mim. Ele veio. Sabe, sussurrei-lhe no ouvido, esta história de fotos é muito boa, melhor, porém, é trepar, e uma trepada bem gostosa...

quarta-feira, março 02, 2016

Deixe as coisas acontecerem

Os óculos escuros? Foi você mesmo quem pediu, e as lentes combinam com a minha pele, são da mesma cor, reparou? Além disso, protegem os olhos e me mantêm anônima. Sei que em alguns momentos, sobretudo durante a noite, chamam a atenção. Por que uma mulher de óculos escuros a esta hora? Talvez pensem que sou cega ou, quem sabe, cantora de blues. As pessoas a me pedirem autógrafos. Caso você me queira sem os óculos, estarei nua. Você ri? Verdade. Vou chamar ainda mais atenção. Você diz que não estou nua, que uso o vestidinho. Mas é tão curto, colado ao corpo, uma coisinha à toa, é como andar nua. Lembro a primeira vez que me pediu para usar os tais óculos. Eu estava na praia, “este óculos vão ficar o máximo em você”, ofereceu; “não, obrigada, não estou interessada”, devolvi pensando que fosse um vendedor de óculos; “é de graça, experimente”, você, as mãos estendidas, os óculos abertos, pronto para o meu rosto. A amiga, ao meu lado, namoradeira que só, quase saltou sobre o teu pescoço. Mas era apenas pra mim que você os oferecia. Ela, a ver navios. Olhei pro mar e pensei, quem sabe toda essa água sirva pra apagar o fogo que ferve dentro dela. Você conversou comigo, depois me deu o número do telefone, permaneceu um bom tempo ao meu lado. Começou assim nosso chamego. Saímos duas ou três vezes, você a me pedir o vestido curtinho, coladinho ao corpo, e os óculos, sempre os óculos. Agora, quanto à foto, morro de vergonha, nunca posei pra ninguém do jeito que você deseja. Se eu não aceitar, você chama minha amiga? Olha que ela vem em um minuto, e vem quase pelada, nem precisa pedir, já até dirigiu nua por aí, à cata do namorado, acredita?, é louca, mas como se diverte. Ficou excitado? Não se pode contar nada das mulheres para os homens, eles não resistem. Não duvide, chamo sim, já sei o que vai acontecer. Ela vai tirar toda a roupa, a saia bem curtinha, vai fazer todas as poses que você quiser e mais as que ela inventar, depois, bem, depois você sabe a continuação da historinha. Posso fazer ainda o seguinte, fico escondida enquanto você a fotografa, surrupio então a roupinha dela. Mesmo tendo que voltar nua, ela nem vai se importar, o melhor será conquistar você. Sabe que isso já aconteceu? Não, claro que não foi com você, mas com outro, e não fui eu quem lhe furtou a roupinha. Ela mesma contou. Agora, quanto a mim, sou um pouco travada, pra ficar nua pruma foto, vai demorar. Posso cruzar as pernas, o vestido subindo, você faz a foto. Depois, daqui a umas semanas, quem sabe, poso pra tal foto que você deseja. Nuinha, apenas os óculos escuros. Vamos passear agora, você prometeu me ensinar a dirigir o seu lindo automóvel. E aceitei vir com o tal vestidinho. Depois a gente vai a um bar, e bebo uma caipirinha, que me deixa doidinha, você já percebeu aquele dia na praia. Não me peça nada agora, por favor, deixe as coisas acontecerem...

terça-feira, fevereiro 09, 2016

Vinte e quatro horas em exposição

Você sabe, essas coisas são de arrepiar. Há quem diga que sou louca. Mas isso não é verdade. É consenso dizer que as mulheres gostam de se exibir. Se usamos pouca roupa, é porque gostamos de andar nuas. Não tenho nenhum problema quanto a isso. Ando nua e não sinto a menor vergonha. Quando tenho algum namorado que pede para me fotografar, faço logo a pose. Peço que tire uma boa foto. Se poso nua? O que você acha? Claro, e bem nua, em pelo, ou sem eles, sei lá. E acabo sempre deixando as fotos com eles. Uma amiga perguntou se não tenho medo de que um desses caras me chantageie. Não compreendo como um homem poderá me chantagear se meu estado natural é andar nua. Às vezes olho esses sites cheios de mulheres peladas só para ver se há alguma foto minha. Até hoje não encontrei. Quando estou deitada à noite, fico a pensar se algum ex-namorado está a olhar o meu rosto e, sobretudo, o meu corpo naquele momento.

Tenho uma amiga que diz: “eu morreria caso algum homem tivesse alguma foto minha nua, Já pensou, seria como estar pelada o tempo todo no meio de um monte de gente." Digo que não é nada disso, e que gosto cada vez mais de escapulir nua por aí. Ela ainda retruca: “Lúcia, você sabe que já fiquei nua num daqueles bailes de carnaval de antigamente, mas não aconteceu só comigo, tinha muitas outras mulheres junto. Os rapazes resolveram botar o mulheril todo nu, e até que foi engraçado. Mas tudo terminou de manhã, quando entrei em casa. Agora, ficar o tempo todo nua, vinte e quatro horas diárias em exposição, é de matar."

Contraponho: “Angélica, deixa os rapazes se divertirem. Eles adoram as mulheres nuas. Quando eles não as têm ao vivo, as possuem em fotos. E quem lá vai assegurar que sou eu a fotografada? Posso dizer que é montagem. Mas lógico que não vou desconversar. Adoro que me admirem. E cá entre nós, sou muito bonita...”

quarta-feira, maio 13, 2015

Deixo que me fotografe

Essas viagens ao exterior são emocionantes, principalmente quando se viaja sozinha. Estou em Santiago do Chile, num hotel muito bom. Um prédio alto, de entrada luxuosa, com um balcão comprido revestido de madeira e aço, luminárias prateadas, funcionários solícitos. No foyer há várias poltronas ao lado direito de quem entra, enfileiram-se até a parte mais interna do prédio. Neste mesmo lado, localiza-se a entrada do bar e restaurante do hotel. Ao fundo do corredor há os elevadores e à esquerda é possível ver a escada que conduz a uma espécie de mezanino, onde se situa um dos centros de convenção, mas o que se percebe à primeira vista é uma cabine com vários computadores, todos para uso dos hóspedes. O hotel possui ainda piscina e academia, no décimo oitavo andar, de onde se tem uma vista panorâmica do bairro e de parte da cidade.

Observo as pessoas com a liberdade de uma aventureira, e posso até sorrir para os homens. Todos correspondem. Um deles olha para mim no momento em que saio do café da manhã. Aproveito então para sentar por alguns minutos numa das poltronas. Começamos a travar um animado diálogo. Ele quer saber de onde venho. Respondo-lhe. Diz adorar o meu país, já o visitou diversas vezes.

Estás a turismo?, pergunta.

Viajei com a intenção de descansar.

Muito importante descansar, completa numa mistura de português e espanhol. Não vai passear, fazer city tour?

Não sei, ainda não decidi.

Estou a trabalho, mas quando venho a Santiago não deixou de visitar o centro histórico, é muito interessante. Há também bairros boêmios, com muitos bares e vida cultural.

Sorrio e agradeço a sugestão. Digo que preciso subir, despeço-me desejando-lhe boa estada na cidade.

No quarto aproveito para relaxar, ler algumas páginas do livro que trago comigo e lembrar-me do homem recente. Ele deu mostras de interesse por mim. Por que não ajo como as garçonetes, ou as camareiras de hotel? Sei que todas elas são mulheres de respeito, mas encantam-se quando se descobrem amadas por um homem, seja ele quem for. E aproveitam. Gostam de presentes, cada um mais caro que o outro. Numa conversa recente, uma amiga falou-me de sua empregada doméstica. Esta lhe contou como faz em relação aos homens que a desejam. Trabalhou certa vez num hotel. Gostou do serviço, mas o patrão cismou com ela. Não ficou muito tempo. Mas enquanto trabalhou deu-se bem nas finanças e no amor. Ganhava gorjetas dos hóspedes e, quando eles a apreciavam... Adivinha? Certo dia um deles pediu que ela fosse até o quarto onde estava hospedado. Queria que ela o fotografasse. Um pedido até certo ponto surpreendente. Pegou a câmera, ensinou-lhe o manejo e fez várias poses. Depois perguntou se ela gostaria de aparecer em uma ou duas fotos. A mulher respondeu que nas horas vagas era modelo.

Modelo?, realçou a palavra o homem surpreso.

Isso mesmo, modelo. Não reparou como tenho o corpo perfeito?

Ah, acho que não reparei devido à roupa de funcionária do hotel, ele desculpou-se.

Deixo que me fotografe, ela afirmou.

Ele fez as duas fotos.

O senhor não deseja se certificar de já fui modelo mesmo?

Gostaria, mas não sabia como lhe pedir.

Não precisa pedir, espere um instantinho só.

Ela entrou no banheiro e saiu de lá enrolada numa toalha.

Pode deixar que depois trago outra para o senhor, ela disse.

Não, não há problema, pode usar a toalha o tanto que quiser.

O homem fez várias fotos da mulher. No final, ela soltou a toalha e posou nua.

Contou à patroa que os dois fizeram uma festa. E o homem, antes que ela batesse a porta do quarto e retomasse o trabalho, ainda lhe enfiou no bolso do vestido duas notas de cem dólares.

Após ler durante uma hora e meia, decido sair pela cidade. Não sou camareira nem garçonete, mas tenho o fogo das mulheres que gostam de amar. Num city tour, e ainda mais com um estrangeiro, quem sabe?

sexta-feira, dezembro 05, 2014

Par de botas, tênis cano longo, nós e laçarotes


Não sei dar nós, logo desatam. Ou não demoro a me embaraçar. Por que estou a falar nisto? Talvez por causa do par de botas que tento calçar. Botas de cano longo, até os joelhos; para completar, dois cadarços muito compridos. Portanto, nós e laços. E sou horrível nisso. O calçado, que me insufla ares de elegância e sensualidade, foi presente de um namorado. Apaixonei-me defronte à vitrina. Explico melhor, apaixonei-me pelas botas. O homem galanteador, ainda com ares de rapaz (apesar do ar jovem entende as mulheres), pagou-me a prenda. Em casa, quis recompensá-lo. Enfiei-me nas botas, apenas a pele. Apareci diante dele. Estupor. Uma mulher nua dos joelhos para cima. Pode fotografar, autorizei, desde que não me poste no facebook. Quem acredita na palavra de um namorado? Façamos de conta. O flash piscou várias vezes. A foto mais interessante – meu o julgamento – é a que apareço agachada, dobrada sobre os joelhos. Depois? Não tem graça contar mais...

Saímos algumas vezes. E ele me queria de botas. Ficarei conhecida como a mulher de botas, afirmei. Lembra o gato? Riu. Na mesma vitrina, três semanas depois, uma sandália de saltos, prateada! Não precisei pedir. O ritual, eu apenas de sandália.

As botas lembram um namorado de outros tempos. Íamos à Cascatinha. Muitos não lembram o local. Mas fica dentro da floresta da Tijuca. Acho que já falei nisso aqui. Passáva por baixo de uma ponte (ainda deve estar lá), e apreciávamos o volume de água montanha abaixo. Chegava a respingar nossos corpos. Os casais iam à noite, para namorar, e não saíam dos automóveis. Eu queria a natureza. Ele me pedia vamos ficar no carro. Nada disso, primeiro quero a vista, o cheiro próximo das árvores, as gotas da chuva gelada que vem da montanha. Então aconteceu. Escorreguei e molhei todo o vestido. Acho que já era o meu desejo. Como fazemos?, ele, preocupado. Nada, esperemos, respondi. Tirei o vestido. De botas, apenas. E do lado de fora do automóvel. Entre, alguém pode ver você nua ele, preocupado, insistiu. Não vê, não; as pessoas vieram aqui para namorar, não enxergam nada além disso, venha comigo, ordenei, Como assim?, assustou-se. Venha logo e não faça perguntas. Adentramos a mata. O tanto que nos afastávamos, ele mais se preocupava. Você está nua, como vamos fazer para voltar?, ele. Não respondi. Acho que subimos duzentos ou trezentos metros. Numa noite escura, em meio ao arvoredo e aos tantos volteios que precisávamos fazer para nos desviar de obstáculos maiores, era uma boa distância. Ao encontrar um sítio mais largo, com muitas folhas secas caídas sobre a grama e o ar quente, abracei-o e quis trepar com ele. Apesar da apreensão, ele me obedeceu. E até gozou. Na semana seguinte, voltamos ao lugar. É melhor não abusar, ainda advertiu, confiança demais é capaz de estragar tudo. Mas seguimos o mesmo caminho, encontramos o mesmo prado, e fizemos de novo amor.

Oh, a vitrina traz também um tênis de cano longo. As meninas de dezesseis ou dezessete anos adoram esse tipo de calçado. Acho que compro um. Não, não compro. Meu namorado não há de me negar. Na última quarta-feira, fiquei enfeitiçada diante da tal vitrina durante vários minutos.

O que leva os homens a gostarem das mulheres nuas e de botas, nuas e de tênis cano longo? Não sei ao certo, mas acho que são os nós. Eles gostam de nos ver embaraçadas. Nuas e embaraçadas. Mas acho que têm razão. Há certo charme nisso.

Algum de vocês pode me ajudar? Preciso desatar estes nós! Prometo que mostro onde fica a Cascatinha...

quinta-feira, outubro 09, 2014

Nudista anônima

Esse nosso mundo de hoje é movido pela imagem, e ninguém consegue se libertar disso, muito pelo contrário, as pessoas cada vez mais se tornam prisioneiras de fotografias e vídeos, desejam não só aparecer neles mas também mostrá-los a amigos e conhecidos. Outro dia, meu namorado comprou uma câmera nova, com ela é possível fazer todas as fotos ou vídeos que a gente possa imaginar.

Amor, vou fotografar você, ele pediu.

Mas já tenho tantas fotos...

Não faz mal, quanto mais, melhor.

E começou. Clique daqui, clique dali, e veste isso, e veste aquilo, de vestido, de short, de biquíni, até que... nua. Num primeiro momento nada de nu frontal mas, pouco a pouco, chegamos lá.

Olha que essas fotos são salvas automaticamente numa nuvem, a câmera está conectada, avisei.

Nada disso, está offline.

Jura?

Sentei diante do piano e toquei um pouquinho nua, para ele me fotografar.

Acho que, ao todo, o namorado fez mais de trinta fotos. Também apareço no sofá, na janela, na cozinha como se estivesse fazendo comida, entrando no banheiro. E em todas elas nua.

Depois que ele foi embora, comecei a me preocupar. Já tive tantos namorados e sei que os namoros não duram para sempre. Com alguns a briga foi tão feia, que não fomos capazes nem mais de conversar. Como será com esse? E se não caso com ele? Ai, ai, ai. E nem adianta amanhã pedir para ele eliminar as fotos que estão na câmera. Como vou ter certeza se já  não as descarregou em outro aparelho?

Não sei não, acho que me meti numa enrascada. Gosto muito dele e ele de mim, mas todos sabem como são os homens.

Fiquei muito nervosa. Queria desfazer a situação. Mas como? Lembrei-me de um namorado que me pedia para ir nua do lado de fora do seu apartamento e tocar a campainha para ele abrir. No começo, pensei que poderia me deixar nua lá fora pelo resto da noite. Mas com o tempo fui acostumando a não ter medo, porque ele sempre abria e tudo acabava bem. Tive também outro namorado que adorava transar comigo na praia. Bastava entrarmos na água para ele desatar o meu biquíni. Permiti também que me fotografasse nua uma vez. Até hoje me dou com ele, é uma ótima pessoa, creio que um telefonema seria suficiente para trazê-lo de volta. Um relacionamento que acabou mas que deixou saudades. Vou torcer para que com o atual namorado as coisas fiquem sempre bem.

Contei a uma amiga desse meu stress sobre o destino das fotos. Ela rebateu:

Você acostuma, não vai acontecer nada, não.

E se pôs a contar que também já se deixou fotografar sem roupa alguma. Nem se deu conta em que mãos foram parar as fotos.

Quem sabe, me acostumo, me acostumo tanto que amanhã me deixo fotografar nua de novo!, pensei comigo. Ai, não tomo jeito, será que existe alguma sociedade dos nudistas anônimos? Não sei, não. Mas mesmo que exista é capaz de eu aparecer lá peladinha!

quinta-feira, julho 24, 2014

Queres saber quem me levou para casa?

Viste as fotos? Foram tiradas ao entardecer, ao mesmo tempo em que fazias teu filme. Eu caminhava sobre a areia da praia. Pouco gente àquela hora, pois é inverno. Embora no Rio a temperatura quase sempre seja quente, nos meses de junho, julho e agosto ela se torna mais amena. Mesmo assim muitas pessoas continuam a frequentar a praia. E o entardecer é o período ideal.  A maioria caminha pelo calçadão, ou pedala na ciclovia, por isso a areia quase deserta, e mesmo despercebida. Eu estava à beira d’água, depois caminhei até um guarda-sol solitário, onde devia pousar por alguns instantes. Na verdade, caso eu desistisse ficaria no prejuízo. Após ganhar algumas notas de cem, eu não podia fugir, não é mesmo? Meu dever era desfilar para ser filmada. Mas não se via quem empunhava a câmera, porque filmava de longe, não queria chamar a atenção. Permaneci algum tempo sentada sob o abrigo. Depois, devagarinho, tirei o top; a seguir, o biquíni. Um garoto me trouxe o pagamento, tão discreto ele, nem olhou para mim. Eu, nua, e ele com vergonha. Levantei e caminhei em direção ao calçadão. Não era meu dever pensar em nada. Melhor a mente vazia, ou a lembrança de alguma coisa distante, algo de outro lugar ou de outro tempo. Pensa sobre um livro que tenhas lido, ou mesmo sobre um filme, assim será mais fácil, aconselhou-me uma amiga. Meus passos, firmes. No começo, os óculos escuros a cobrir-me parte do rosto. Sigo como se fosse a pessoa mais séria do mundo. Vou até perto do calçadão. Faltam dez metros, talvez doze, para o calçamento. Até ali estou incógnita, longe de algum quiosque. Ainda bem, os quiosques atrapalham, sempre há alguns bebedores de cerveja, sempre há quem olhe o mar. Não seria difícil descobrirem uma mulher nua. Não demorariam a dar o alarde, chamariam outros para ver. Fazer uma descoberta e nada dizer não tem graça. Dou as costas para a avenida e volto na direção do mar. Procuro o guarda-sol, mas onde mesmo? Preciso manter a calma, fazer de conta que nem é comigo. Sei que estás ansioso, talvez me perguntes, como vais fazer agora, nua e fora de rota? Calma, tudo há de se arranjar. Li em algum lugar que as mulheres bonitas atraem boa sorte. Portanto, longe o desespero. O que há de mal na nudez? Quem sabe haverá um admirador silencioso, fará uma foto e a guardará como lembrança, mostrará a mulher nua que encontrou na praia apenas ao amigo íntimo, recordação das férias que não mais voltarão. Vou à beira d’água. O marulhar chega ao meus pés. Tenho vontade de mergulhar, de vestir a capa transparente bordada de espumas, mas estou tão sequinha, bonita, o cabelo tratado. Melhor o corpo liso, melhor a nudez. Onde um amigo? E não é que alguém vem ao meu encontro? Uma mulher. Ri. Estende a mão. Está de biquíni. Um biquíni mínimo, mas vestida. Ri mais uma vez. Você precisa de ajuda?, pergunta. Não, digo com firmeza, estou ótima. Então tá. Vira-se e se vai. E eu a céu aberto, tão nua. Logo depois que a mulher desaparece, lembro das notas de cem, as notas que me mandaste pelo garoto. Sinto então o vento frio, um arrepio (ou uma carícia?), e o desejo das tuas mãos sobre a minha pele. Aí me vem uma cosquinha, bem lá no fundo, o dinheiro dobrado no saquinho plástico, guardadinho dentro de mim. Esse eu não posso perder. Viste mesmo as fotos? O que achaste? Apareceram na internet, quase ao vivo. São três; e nas três, eu nua. Na última, estou sem os óculos de sol. Não sei se posso negar que a mulher sem o top e o biquíni em Ipanema, ao entardecer, sou eu. Queres saber como fiz depois? Ah, lembras? Mulher bonita atrai boa sorte. E que sorte! As mãos, sempre as mãos, como as tuas.

quarta-feira, agosto 28, 2013

Não foi traição, mas uma situação de emergência

Naná, quer dizer que você foi parar nua na casa de um desconhecido?

Desconhecido, não, Lana, o homem bem que já de um tempinho me paquerava.

E como foi?

Ah, Lana, nem fala, foi bom, acabei até gostando, mas o Jorge ficou furioso.

Ele soube?

Sim.

Quem contou pra ele, Naná?

Quem? Eu mesma.

Você é louca...

Do modo como aconteceu, ele não poderia deixar de saber.

E qual foi a reação dele?

Assim que soube, falou:

Você não devia ter transado com ele.

Mas como não? Naquela situação..., tentei explicar.

Você devia ter corrido de volta.

E aquela gente toda? Com que cara eu ia ficar?

Eu dava um jeito.

Jeito? Que jeito?

Quer dizer que você preferiu me trair a se expor?

Não foi traição, foi uma situação de emergência.

Emergência?

Sim. Emergência, e dei por encerrada a conversa. Mas, para você entender toda essa situação, Lana, preciso contar o que aconteceu antes.

Então conta, estou curiosíssima.

Nós estávamos na casa de campo, sozinhos. Jorge resolveu, então, me fotografar. Fez dezenas de fotos minhas em meio ao quintal, às árvores, à beira da piscina etc. Quando já estava exausta de tanta pose, sugeriu que eu tirasse a roupa, que ficasse apenas de tênis. Fez então as últimas fotos. Eu, nuinha, apareço andando e sorrindo, como se estivesse num meio rural afastado e não precisasse me preocupar em vestir. Mas foi aí que aconteceu o inesperado. Chegaram dois automóveis repletos de amigos e amigas dele. Souberam que estava no sítio e lhe quiseram fazer uma surpresa. Num primeiro momento corri e me escondi atrás de uma árvore de tronco largo. Ao reparar que os carros se aproximavam, corri para a direita, era o muro que limita a propriedade com a do vizinho. Premida pelo desespero, subi e saltei para o outro lado. Logo que me vi no chão, um cachorro enorme se aproximou e se pôs a latir. Pensei que seria devorada. Depois veio o dono, um homem beirando os sessenta. Sem demonstrar surpresa, afastou o cão e perguntou: “Moça, o que houve?” A única frase que consegui falar naquele momento foi: “Moço, por favor, me dê abrigo”. Ele me levou pra dentro da casa. Ainda bem que morava sozinho e não havia ninguém com ele. Sentei num pequeno sofá, cruzei as pernas, cobri os seios com um dos braços e contei o que acontecera. O homem me deu abrigo. Quer dizer, não apenas abrigo, você entende, não?

Oh, se entendo...

Jorge não saiu logo à minha procura. Ficou com seus amigos e não falou nada sobre mim. Tanto tempo nua junto a um homem, o que poderia acontecer? E tem mais uma coisa, você até podem me chamar de piranha, mas o homem foi de tamanha habilidade, que acho nunca ter dado uma trepada tão gostosa!

sexta-feira, maio 24, 2013

Toda serelepe

Você fala que saí na foto toda serelepe. Gostei da palavra, tão mimosa. De agora em diante vou me portar assim, toda serelepe. Reparou o meu rosto? Não olho na direção da câmera, mas um pouquinho para baixo, como se quisesse observar os pés de quem me fotografa. Então parece que me escondo, parece que não consigo evitar uma ponta de vergonha. Notei também que lhe agradou a minha sandália, bonitinha, não? Vermelha, de meio salto. Tenho certeza de que a pose é encantadora, eu bem esticadinha, as pernas juntas, o braço esquerdo encostado ao corpo. Com o braço direito seguro a coleira de minha cadela, Lana, que aparece à direita. Bonita ela, é jovem, não tem ainda um aninho. Adora passear com a dona. Repare a lateral, à esquerda de quem olha, e o fundo da fotografia. Há o calçamento, um meio muro com plantas; atrás, o jardim de uma casa; é possível também enxergar um homem, ele olha de modo disfarçado para mim. Acho que o surpreendi. Volte os olhos ao meu corpo. Veja a pulseira de contas que uso no pulso direito, acima da mão com que conduzo Lana. Gostou? Ah, outro detalhe, minhas unhas vermelhas combinam com a cor da sandália. O mais interessante, porém, é meu sorriso. Aparento certo vexo. Também não era para menos, você não acha? Que outra expressão eu poderia trazer? Repare os meus seios. Não sou tão narcisista assim, mas os acho tão bonitos, tão – como dizem por aí – bem feitos. Reparou o umbigo? Que delícia, não é mesmo? Desça os olhos mais um pouquinho. E então? Não posso dizer mais. Eu, na rua, de manhãzinha, eu e minha cadela. Precisei ter muita coragem. Como poderia transmitir desenvoltura assim tão... tão...? Repare o pelo da Lana, muito bem tratado; agora volte a vista, me observe de novo. O meu pelo? Não, não tenho pelo... Na verdade, vou em pelo! Por isso a ponta de vexo, por isso, talvez, toda serelepe!

domingo, fevereiro 17, 2013

Melhor que seios?

Morro de vergonha se tenho de mostrar os seios. Faço qualquer coisa, mas ficar de peito de fora diante de um homem me mata. Tenho um amigo que mora em Copacabana. Ele leva várias mulheres ao seu apartamento com o objetivo de fotografá-las. A maioria tira rapidinho toda a roupa. Mas eu não consigo despir a blusa, ou o top. Exibir os seios, no meu caso, é uma verdadeira angústia. Outro dia fui de novo ao tal apartamento. Ele fez tantas fotos minhas, cada uma mais linda do que a outra. Mas na hora que me pediu para tirar o sutiã, foi um Deus nos acuda. Não consegui. Já tomei calmante, fumei baseado, bebi vodca... Tudo em vão.

“Jéferson, há tantas outras poses, nada demais eu ficar de blusa, ou de top, você não acha?”

“Concordo, Luíza, mas falta uma pontinha de você para estar completa, ou melhor, perfeita.”

“Mas qual o problema de eu não estar completa ou perfeita? Na vida nada é completo nem perfeito.”

“Luíza, assim você já está querendo introduzir uma questão filosófica. Desejo apenas fotografar seus seios nus.”

Certa vez fui a uma praia com umas amigas. Segundo elas o lugar era famoso por ser permitida a prática de nudismo. Ligeiras, desfizeram-se de todas as peças. Eu não pude. Aliás, tirei a roupa, mas conservei o top.

“Por favor, não toquem em mim”, pedi, “se tiver de mostrar os seios, eu morro”, falei muito preocupada.

“Mas você viaja até aqui e não fica nua.”

“Não estou vestida”, repliquei.

“Não?”, a amiga insistia.

“Estou sem a parte de baixo, você não notou?”

Voltando ao meu amigo do apartamento.

“Luíza”, ele falou outro dia, “fui incumbido de fazer umas fotos para uma revista norte-americana. Lembrei logo de você. Mas temos de superar aquele problema.”

“Problema? Que problema?”, ingênua eu, não?

“O dos seios.”

Dei então a solução.

“Não sei se eles vão aceitar, Luíza. Dizem que tem de haver uma foto da modelo nua por inteiro.”

“Deixa comigo, pode ser que aceitem o que estou pensando.”

Daí veio a foto que me fez famosa internacionalmente, invejada até mesmo pelas melhores modelos mundo afora. Fiquei nua, mas de costas, um pouquinho inclinada para a direita e com a cabeça voltada para a câmera, aparece apenas o bico de um seio.

Se quiserem mais, ficarão a ver navios. Melhor navios do que seios? Para uns, talvez; para outros, porém, melhor que me roubem o sutiã!

domingo, fevereiro 10, 2013

Será que exagerei na dose?

Nós, mulheres, sempre temos algum ex-namorado que vez ou outra sofre uma recaída e nos procura. Depois da invenção da internet, então, nem se fala. Os e-mails e as mensagens nas redes sociais se oferecem com tanta facilidade que, quando eles dão conta do que fizeram, já é tarde demais. Um dia desses recebi uma mensagem de um homem que namorei em 2004. Quanto tempo, não é mesmo? Ele dizia:

Querida, sinto muita saudade de você. Sei que já faz tempo que não nos vemos. Talvez você já tenha tido muitos namorados depois de mim, ou, quem sabe, vai ver que até casou. Não faz mal, não fico aborrecido com isso. Gostaria apenas de fazer um pequeno e fácil pedido a você. Será que poderia me enviar uma foto sua? Apenas uma bastaria para saciar o meu desejo. Caso você esteja disponível, até podemos nos encontrar. Mas não faço essa proposta agora, nem mesmo sei se é decente cogitá-la. Uma foto, por enquanto, me bastaria. Beijos. R.

Lembrei os momentos em que passamos juntos. Foram ótimos, não resta dúvida. Mas como eu morava e ainda moro em BH e ele no Rio, o relacionamento não vingou. Uma amiga diz que se há amor, não importa a distância, dá-se um jeito. Mas no nosso caso, não sei. Se aquilo não foi amor, não posso dizer o que tenha sido.

Quando namoramos, ele fez várias fotos minhas. Em muitas delas, apareço nua. Essas fotos ficaram com ele. Mas eis que oito ou nove anos depois ele quer mais uma. Não respondi de imediato. Deixei que pensasse que eu iria ignorá-lo. Há três dias, porém, resolvi atender o seu pedido. Fiz a foto: estou sentada numa poltrona, de pernas cruzadas; no rosto, um ligeiro sorriso.

Dias depois veio o agradecimento.

Querida Rita de Cássia, que foto! Estou em permanente enleio. Não consigo me afastar de você pelo mínimo espaço de tempo, por isso fiz muitas cópias e espalhei a sua bela imagem por toda a casa. Meu agradecimento vai além, porque quando lhe fiz o pedido não contava que me enviaria uma foto dessas... Estou novamente apaixonadíssimo. Você continua (como posso dizer?) linda como sempre.

Fiquei na dúvida, será que exagerei na dose?

quinta-feira, dezembro 20, 2012

Nua por uma noite

Uma mulher para andar nua por aí precisa ser muito bonita; na verdade, deve ter o corpo perfeito. Sempre acreditei que tenho essa qualidade, por isso insisto em sair algumas vezes sem roupa alguma; em outras, seminua. Também gosto que me fotografem. Já tive dois ou três namorados que me clicaram como vim ao mundo. As fotos ficaram lindas. Um problema, porém: nunca recolhi as tais fotos, sempre as deixei com eles. Mas não tive problemas por causa disso. Eles foram suficientemente honestos. Ficaram com as fotos para lembrar de mim quando não mais me tinham por perto. Tenho lido ou escutado muitas histórias de fotos tiradas por namorados, que foram parar na internet. Há homens que fazem chantagem com as mulheres. Ou elas cumprem o que eles exigem, ou eles as colocam nuas na rede. Comigo isso nunca aconteceu. Meus namorados jamais me procuraram para me chantagear. E nunca encontrei em sítio algum uma foto em que estivesse nua. Confesso que às vezes sinto um arrepio. Pode ser que alguém tenha postado uma delas. De repente a pergunta: “essa, por acaso, não é você?” O que direi caso isso aconteça? Tentarei disfarçar ou afirmarei que não se trata de foto minha, mas de alguém muito semelhante? Posso dizer que é uma montagem. Com a tecnologia atual é possível despir as mulheres sem que elas concordem. Quando penso nas poses que fiz para os namorados, sinto ligeiro frisson. Na verdade vou contar um segredinho: às vezes sinto vontade de que eles tornem pública a minha nudez. Quero que as pessoas me admirem. Como disse no começo, para posar nua é preciso ser perfeita. Já que estou incluída nesse item... Lembro a brincadeira que vez ou outra faço para excitar alguns desses homens com quem namoro. Saio de casa em pelo e peço que o namorado tranque a porta. Espero um ou dois minutos do lado de fora, depois bato para que ele venha abrir. O tempo que permaneço nua correndo o risco de ser descoberta, ou mesmo correndo o risco de um deles não abrir, me deixa a mil por hora. Aparecer, portanto, nua num sítio, na internet, seria até excitante. Quem sabe, passar não todo o tempo mas uma noite nua na rede não será mais excitante do que estar a bater nua por apenas um minutinho na porta do namorado?

quinta-feira, julho 05, 2012

Perdi a cabeça

Sinto tantas saudades de um namoradinho. Faz alguns anos que não o vejo.  Outro dia, revendo uma foto minha, despertei para as sensações que ele me proporcionou no curto período em que estivemos juntos. Lembro que fui apresentada a ele por uma amiga. Fazíamos um curso juntas. Ela já tinha viajado à cidade onde ele morava, no interior do Rio. Não perguntei se viveram um romance. Ela apenas me falou que se tratava de alguém muito interessante, e me passou o número do seu telefone. Liguei num domingo à noite. Fui atendida com muita cordialidade. Ficamos de conversar nos dias que se seguiram. Não passou muito tempo, viajei ao o Rio.

“O que você gostaria de fazer?”, Carlos me perguntou na primeira noite.

“Não conheço nada por aqui, é melhor você escolher”, respondi.

Embora morasse a duzentos quilômetros da capital, ele dirigiu até o Rio para me levar ao teatro, o Maison de France.

Depois jantamos num restaurante da Zona Sul. Lá pela uma da madrugada, sempre carinhoso, me levou para um hotel na Praia do Flamengo.

“Você é muito bonita, deixa eu fazer algumas fotos suas”, pediu.

“Você é fotógrafo?”

“Mais ou menos.”

“Como alguém pode ser mais ou menos um fotógrafo?”, eu quis saber.

“É que não trabalho profissionalmente com fotografia, mas sempre trago a câmera para clicar o que acho belo.”

“Então quer dizer que sou bela?”

“Belíssima”, sentenciou.

No apartamento do hotel, fiz várias poses para ele. Não pediu para me fotografar nua, mas, como já tinha bebido e estava soltinha, sugeri a foto mais ousada. Sentei-me comportadíssima, de pernas cruzadas, mas inteiramente nua. Meu braço direito cobria parte dos seios, e eu sorria. Ficou linda a foto. Logo depois ele me mandou por e-mail.

Naquela mesma noite namoramos destemperadamente. Como Carlos me deu prazer! Conforme fui ficando excitada, comecei a gritar: "ai, vou perder a cabeça, vou perder a cabeça, não aguento mais; ai, estou perdendo, estou perdendo a cabeça, estou nas tuas mãos; por favor, não perde a tua, te segura, não goza dentro, por favor; ai... ai... ui... ui... estou gozando, estou gozaaaaannnndo". Ele foi cavalheiro, me fez gozar três vezes; só depois vestiu a camisinha, me penetrou mais uma vez e gozou.

No dia seguinte voltamos à sua cidade. Ali há uma praia linda. Mesmo não sendo verão, fomos tomar sol e banho de mar. Ficamos o dia inteiro passeando. Almoçamos num restaurante rústico e depois voltamos para a praia. Então ele me pediu algo que me deixou primeiro temerosa, mas depois arrepiada. Queria que eu tirasse o biquíni dentro d’água e desse a ele para guardar lá no guarda-sol, junto aos nossos pertences. 

O arrepio durou  uns cinco minutos, e os saltos do meu coração mais ou menos dez. Enfim, aceitei. Tirei o biquíni e entreguei a ele.

Como foi bom a partir daí. Nuazinha dentro d'água pelo resto da tarde. Carlos ora ao meu lado, ora à minha frente, ora às minhas costas. Perdi a cabeça mais uma vez. Nem tremi quando uma moça e um rapaz passaram junto a nós. Transar naquela praia foi demais.

À noitinha fomos para casa, e não conseguimos parar de trepar.

Veio o domingo, era meu último dia na cidade. Viajamos quarenta minutos até Búzios. Achei a cidade encantadora.

No final da tarde, pedi outra foto a ele:

“Você me fotografa nua, nessa praia?”

“É pra já”, suspirou de alegria.

Mesmo com pessoas aqui e ali, tirei as duas peças e pedi que ele agisse rápido. Acho que pensaram que eu era atriz. Apenas um garoto se aproximou ao constatar que eu estava nua, mesmo assim ficou a uma boa distância.

À noite, parti de volta à minha cidade. Tinha de voltar, não havia jeito. Muitas promessas da parte dele e cara de choro a minha. Mesmo assim tive ideia para mais uma ousadia. Esqueci (de propósito) o biquíni na torneira do chuveiro. Minutos antes, eu perdera a cabeça mais uma vez. Aliás, perdemos os dois.

A foto que me apanhou nua na praia, lembrança boa dele, lembrança boa daquele final de semana. Por que não fiquei com o homem?

Acho que perdia a cabeça.

quarta-feira, abril 04, 2012

Temporários

Quando abri aquele e-mail, exclamei a mim: não é possível! Um arquivo mostrava eu mesma inteiramente nua. Não precisei fazer esforço mental para me lembrar daquelas fotos. Um namorado de ocasião me fotografou quando estive no Rio, e isso já fazia algum tempo. Lá estava eu: de pé; sentada; de costas; com os braços ora sobre o ventre, ora sobre os seios. Em uma delas, eu estava em desalinho. Ele ameaçara me fotografar antes que eu fizesse a pose. Então, atabalhoada, tentei esconder minha nudez, rodopiei sem encontrar abrigo; as mãos soltas, num último esforço, convergem em vão na direção dos seios, fiquei um tanto cômica na foto. Mas, afinal, ao me mostrar ainda quando éramos namorados, acabei achando-a engraçada.

O problema todo surgiu porque abri o arquivo no computador de trabalho e, como se sabe, esse tipo de arquivo permanece gravado temporariamente em algum lugar do disco. Tentei descobrir o caminho que me levaria ao local onde tais arquivos ficam depositados, mas o acesso me foi negado. Restava recorrer ao pessoal da informática. Eu teria, porém, coragem para isso? O que deveria fazer?, pensei comigo. Optei pelo silêncio, ficaria quieta no meu canto. Quem sabe ninguém se desse ao trabalho de olhar arquivos temporários? Mas não se passaram nem três dias e um funcionário da informática veio falar comigo.

“Rita, quero mostrar uma coisa a você”, convidou-me para ir até sua sala. “Olhe o que encontramos?”

Depois de me ver mais uma vez nua, perguntei: “encontramos?”, minha surpresa era o plural.

“É, encontramos. Você sabe que se fosse apenas eu, resolveria, mas há outra pessoa nisso.”

Na verdade eu não confiava nele. A conversa visava me impressionar e permitir que ele, cujo nome era Josias, e o chefe alcançassem seus objetivos.

“Você sabe que isso dá demissão”, silenciou depois da última palavra.

“Basta que você, ou melhor, vocês, não passem adiante.”

“Essas coisas não são tão simples assim. A outra pessoa que está a par das fotos é o chefe da seção”, falou em tom sério, como se ele próprio nada tivesse com isso.

“Falo com ele”, afirmei convicta. “Ele vai compreender e acabará por deletar essas fotos.”

“Não acho que isso será fácil”, afirmou e desviou os olhos a um ponto indefinido, longe da tela do monitor.

“Onde está o Ivo?” Era o chefe da informática, um homem gordo, sempre descomposto, contínuo no ar de deboche.

“Não se encontra no momento.”

“Não? E quando volta?”

“Assim que voltar chamo você,” acabou de falar, virou as costas e se foi

Passaram-se mais ou menos duas horas, recebi uma mensagem do chefe da informática. Devia comparecer à sua sala.

Em resumo: apagaria o arquivo, mas não me sairia barato. Teria de trepar com ele e com Josias, o seu funcionário. O pior de tudo foi seu ar de escárnio e sua grosseria. Eu teria, ainda segundo ele, dois dias para lhe dar a resposta.

Saí furiosa da sala, não mais falei com ninguém naquela tarde e deixei o serviço antes da hora.

O primeiro dia transcorreu sem que eu desse resposta alguma. No segundo, exatamente às quinze para as cinco, faltando poucos minutos para o encerramento do expediente, fui à sala de Ivo.

“Como fazemos?”, tentei ser eu a debochada.

“Ah, a mocinha. Pensou direitinho?”, perguntou sorridente, mas não era sorriso de gente de bem.

“O que você acha?”, falei com o rosto inclinado, como se o achasse um lixo.“Primeiro quero apagar o arquivo, sei como funciona”, afirmei convicta.

“Apagar o arquivo?”, repetiu minhas palavras tentando imitar-me a pronúncia e caiu na gargalhada.

“Mesmo assim não sei se posso confiar em vocês dois, já o devem ter salvado em outro lugar.”

“Oh, a mocinha não confia em nós? Tenho esse aspecto gorducho, escrachado, mas tenho caráter. Meu funcionário também. Aqui na informática, sabemos de coisas que você nem imagina”, falou e me olhou nos olhos. “Caso não confie em nós dois”, nesse momento apontou para Josias, “é melhor pedir demissão”.

“Como vamos fazer?”, perguntei querendo resolver logo a questão.

“A senhorita não vai querer cumprir o trato aqui, não é mesmo?”

“Não sei. Só digo que não tenho muito tempo.”

“Aguarde alguns minutos após o expediente, vamos chamá-la assim que for possível, ok?”, agora, pode nos deixar sozinhos”, fez sinal para que eu saísse, permanecendo na sala ele e o seu funcionário.

Assim que todos saíram após as cinco horas, meu telefone tocou. Era Ivo de novo.

Ao voltar, os dois me esperavam. A primeira palavra que o chefe disse foi: “se quiser que o arquivo seja apagado, vá tirando a roupa. Pelo que entendi, você deixou em nossas mãos a decisão sobre o local.”

“Mas assim...”, deixei escapar.

“Quer que cantemos uma musiquinha para você se despir?”

Virei de costa. Tirei primeiro a blusa; depois, a calça comprida.

“Continue.”

Inteiramente nua, ainda permaneci de costas para eles. Percebi que um deles aproximou-se e recolheu toda a minha roupa. Eu a havia deixado numa poltrona ao lado.

“Vire de frente”, ordenou.

Virei, sempre o olhando de modo enviesado.

Primeiro tive de me agachar e abocanhar o pênis de Ivo. Quando abriu a calça, já estava praticamente enrijecido. O gorducho sentia tesão por mim. Pouco a pouco introduzi todo o seu sexo na minha boca. Passei a friccioná-lo com os lábios, apressadamente, fazendo-o diversas vezes desaparecer. Quando isso acontecia, eu olhava desdenhosa para seu rosto. Ao perceber que ele dava ares de que iria gozar, deslizei meus lábios quase permitindo que aquela ponta de músculo se soltasse da minha boca. Mas, num último instante, mantive-me atada; com a ponta dos lábios prendia-lhe a ponta do pênis.

“A mocinha entende da coisa”, falou através de um suspiro.

Depois agi do mesmo modo com Josias. Mas este tinha o sexo menor e mais estreito, o que me proporcionou mais conforto. Enquanto isso, Ivo nos olhava.

A seguir, foi minha vez de deitar para que novo ritual se realizasse. Novamente, o primeiro a se apresentar foi o chefe. Subiu sobre meu corpo tentando não me esmagar com seu peso de brutamontes; depois veio Josias, bem mais delicado.

No final de tudo aquilo, Ivo, sempre insaciável, ruminou:

“Acho que vamos deixar você em casa, mas peladinha.”

“Vocês querem namorar comigo, não é mesmo?”, acabei sugerindo e sorrindo.

“Acho que ela gostou da gente”, o chefe falou e olhou para o funcionário. “Sabe”, continuou, “não é má a ideia de namorar você”, concluiu.

“Vocês são tão ágeis”, ironizei sobre a trepada que deram, “será que são capazes de uma segunda vez?”

“Ouviu isso, Josias? Ela está querendo mais.”

“Estou mesmo, já que vocês me excitaram...”

Fiz que o chefe continuasse despido. Sentei-o numa das cadeiras, abri as pernas e montei sobre seu pênis. Rapidamente fiz que escorregasse para dentro de mim. Comecei então a me mexer, meus olhos sempre revirados e desdenhosos.

Depois que acabamos essa segunda rodada, Ivo me chamou ao computador.

“Venha cá, vou mostrar como isso funciona. Está vendo suas fotos aqui na tela? Veja onde estão arquivadas. Há dois arquivos, o temporário e mais outro, onde as guardamos. Delete você mesma.”

“O que garante que vocês não as copiaram e as guardaram em um disco externo?”

“Você não falou que queremos namorar você? Não vamos fazer uma coisa dessas com nossa namorada.”

Deletei os arquivos. Depois sentei numa das cadeiras, cruzei as pernas e olhei para eles.

Ivo acendeu um cigarro e me ofereceu: “depois do expediente não é proibido, fume.”

“Então, vamos?”, falou quando acabamos.”O expediente está encerrado”, decretou.

Levantei e os segui, ainda nua, fazendo-me de esquecida. Quando íamos quase saindo do escritório, ele, o chefe, sentenciou: “se não fosse pegar para nós três, até que seria bom ter você nua passeando com a gente, ia fazer o maior sucesso.”

“Se vocês me querem nua, quem sabe no carro?”, insinuei e sorri mais uma vez dissimudada.

Naquele momento ele não debochou, percebeu que me poderia ter por mais vezes.

“Você gostou da gente, não?”

“Gostei”, afirmei com convicção. “Nunca pensei em ter dois namorados, sair com os dois, trepar com os dois, e ter sempre os dois aos meus pés.”

Eles riram.

A partir daquele dia, tornei-me namorada de ambos. Passaram-se alguns meses prestei concurso público e pedi demissão da empresa. Ainda assim saímos mais algumas vezes. Depois, no entanto, fui transferida de cidade. Foi aí que desapareci, sem dizer nada a eles.

quarta-feira, outubro 26, 2011

Mas você não acha que estou até mais bonita?

“Carol, você é louca, deixou que o homem te fotografasse nua e nem ligou para o destino das fotos. Se ele faz chantagem contigo?”

A voz de Ana ecoava na minha cabeça. Na verdade, jamais pensara nisso, e ele não foi o primeiro a me fotografar nua. É preciso dizer que não sou modelo fotográfico, posei só de brincadeirinha.

Quando fiz fotos pela primeira vez nua, ainda não havia a internet. Cheguei a dizer tempos depois a um ex-namorado que também me perguntou se teria coragem de ficar sem roupa para algumas fotos: “já fui fotografada nua e nem sei onde andam as fotos, acho que com o rapaz que me clicou.” Ele retrucou: “você não tem medo do que ele possa fazer com essas fotos?” De pronto, respondi: “nem penso nisso.”

Mas Ana me deixou preocupada. Agora existe essa bendita rede. Está certo que é imensa, que nela há de tudo, logo não será fácil alguém me encontrar pelada num site. Mas se procurar com empenho, acabará achando.

Fui para o computador enlouquecida. Coloquei meu nome por inteiro, pela metade, meus apelidos, todos os nomes falsos que costumo dizer aos namorados. Nada, nadinha de eu pelada. Ainda bem. Já pensou se apareço num desses sites visitados milhares de vezes ao dia por pessoas do mundo inteiro? Vou ficar roxa. E no meu trabalho, o que vou dizer? Será que me mandam embora?

Falei a mim mesma: calma, Carol, você sempre teve sorte, nunca pensou nesses problemas, vai começar a viver essa paranoia? Ana é cheia de medo, vai à terapia, anda escondida para não ser assaltada, não usa roupa curta nem tem namorado, você, cheia de homens te seguindo, se quiser escolhe a dedo, vai ficar ruminando isso agora?

Ainda bem, só me preocupei durante um diazinho. Voltei a ser eu mesma. Ando pelada, vou à praia pelada, permito que o namorado desate os lacinhos do meu biquíni no banho de mar. E tem mais, deseja saber? Se ele quiser fico peladinha pra mais algumas fotos. Qualquer problema, eu nego. “Não, essa não sou eu, existe programa de computador pra tudo, foi alguém que criou as fotos. Mas você não acha que estou até mais bonita?"

Vou tirar um sarro.

quarta-feira, junho 22, 2011

Uma foto minha

Meu amigo me mostrou a foto. Fiquei surpresa. Nunca fui fotografada nua correndo na rua. Ou melhor, não apareço na foto nua por inteiro, mas apenas de miniblusa, bolsa a tiracolo e sandália meio salto. Nada mais. E estou com cara de apavorada, como se estivesse fugindo de alguém, ou temendo ser surpreendida. Ele ainda pôs o seguinte título: Rachel correndo nua. Não sei como conseguiu me fotografar. Como gosto de andar nua, não vou dizer que a foto seja falsa. Mas não me lembro de corrida tão atabalhoada nem do esperto fotógrafo. Olhando com mais atenção pode-se reparar minha perfeita maquiagem e o contorno nítido do meu rosto. A própria fotografia se apresenta bem acabada. Ao fundo, está escuro, é noite, há a luz dos postes, percebem-se alguns carros estacionados. Não há viva alma além de mim.

Já namorei este meu amigo. Ele é muito bonito e gostoso. Diz que, quando me insinuei a ele naquela noite, pediu em contrapartida apenas a possibilidade de fazer meu retrato numa cena externa.

Digamos que seja tudo verdade. Não há problema uma foto minha, eu pelada na rua. O mais prazeroso, porém, é namorar com ele. Não há nada mais gostoso. De suas carícias naquela noite, não me esqueci. Fui à casa dele, bebemos vinho, ficamos excitadíssimos. Depois me levou para o quarto. Fizemos amor de todas as maneiras. Uma mulher não gosta de descrever os pormenores do seu ato de amor, geralmente o deixa implícito, melhor que todos o imaginem, pensem no que há de mais estimulante numa relação a dois. Gosto de ressaltar o momento em que fico nua, altiva e desinibida. Acrescento aqui curto episódio: o namorado a procurar todo o meu corpo com mãos de mil carícias, a me beijar a boca; o ato de eu deitar sobre ele, ou ele sobre mim, não importa.

Mas a foto, não lembro...

Ou será que esqueci de propósito? Diz ele: “pedi para você ir lá fora, sua reação foi afirmativa e imediata.” Ainda, segundo ele, saí nua de casa. Sua sugestão era que eu fosse até a calçada, vestida.

Acho que recordo apenas o ar frio. Era noite de outono. Também lembro que quase pedi para vestir um casaquinho. Fora isso, mais nada.

Agora ele me mandou essa foto, anexa a uma mensagem. Apesar de aparecer um tantinho vexada, não posso recusá-la. Fiquei tão bonitinha. Mas fiz uma ressalva: “olhe, não vá postá-la por aí, viu?” Não demorou a me responder: “você é tão exibida, aposto que está doidinha para ser admirada por seus fãs.”

Então, após refletir um pouquinho, mudei de opinião. Antes que acontecesse, eu mesma a postei. Espero que todos me apreciem. E gostem!