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domingo, dezembro 29, 2024

Tudo vai dar certo

Isaura, veja que maravilha esse mar, a praia. Ainda não amanheceu direito, mas já se pode perceber o contorno vermelhado do amanhecer no mar.

Clara, às vezes penso que estou delirando. Como isso foi possível, tão de repente? Estamos aqui no Rio, em Copacabana, aproveitando a beleza do lugar.

Isaura, feche os olhos e sinta na pele a brisa vinda do mar. É um arrepio, mas feche os olhos. A gente sente a sensação de maneira mais forte.

Clara, sim, é um tesão a sensação de que você fala. Deve acontecer porque estamos nuas, esqueceu?

Isaura, claro que não. E veja como a cidade é tão maravilhosa. Tudo deu certo, ninguém reparou até agora. Acho que nem vai reparar.

Clara, tudo começou com o teu namorado lá em Cotia. Ele ia todos os dias no mercadinho, comprava alguma coisa e falava contigo. Passou a fazer questão de ir à tua caixa. Depois vieram os presentes.

Isaura, não espalhe. Pode dar azar. Um homem assim não encontroem lugar nenhum.

Clara, não estou espalhando. Falo apenas para você. Ele é dez!

Sim, Isaura, o homem é dez. Quando soube que teríamos dias de folga, sugeriu e pagou nossa viagem. Vocês não querem passar uns dias no Rio? Vocês conhecem o Rio? Trouxe as instruções, as passagens, aonde iríamos nos hospedar e tudo mais.

Clara, estou sentindo a sensação de que você falou. A brisa sobre a minha pele, parece que o mar, com suas pequenas ondas, quer falar alguma coisa conosco. É tudo maravilhoso.

Isaura, você fala como um poeta. Por falar em poesia, gostou da festa? Ele ainda nos presenteou com uma boate num apartamento, uma festa particular. Melhor, impossível. Festa com DJ. Além disso, ninguém a nos incomodar, dançamos soltas e leves.

Clara, era o que eu queria falar, a festa. Nunca fui a uma festa assim. Umas bebidinhas super bem-preparadas, umas comidinhas especiais, aqueles estofados para a gente se sentar, descansar, a vista para o mar.

Isaura, o mais engraçado foi que ninguém nos viu descer, não é mesmo? A gente saiu do apartamento e do edifício despercebidas, atravessamos a avenida e estamos aqui. Ninguém notou.

Clara, você não ficou preocupada de aparecer alguém? De um homem nos surpreender enquanto descíamos as escadas? Talvez haja câmeras espalhadas pelo edifício, na rua. Se alguém está nos monitorando?

Isaura, se há alguém nos monitorando, é o namorado que pagou a viagem. Se pagou, tem direito, não é mesmo? Mas eu acho que ninguém notou nem está nos espionando aqui na beira d’água. Já pensou quando voltarmos, caso a gente conte a alguém? Ninguém vai acreditar.

Clara, você é muito atirada. Você ainda disse: não podemos esquecer a pequena bolsa e nossos celulares, o restante a gente consegue. Até me lembrei de um namorado que tive em São Paulo, morava o homem nos arredores de Cotia. Certa vez fomos ao parque municipal, lembra? Eu contei a você. Tirei toda a roupa, coloquei numa pequena mochila, levei a mochila às costas e passeei com ele pelo parque. Às vezes eu parava, ele me abraçava. Num momento percebi o namorado tremendo. Perguntei o que era. Ele estava mais envergonhado do que eu, e estava vestido. A nua era eu! Não sei por que lembrei do homem agora.

Isaura, deve ser porque inventamos a aventura de descer nuas para a praia.

Clara, será que não vamos ter problemas? Já está claro, é dia. Veja o sol, que beleza.

Isaura, esqueça os problemas. Já que você observa a beleza do sol, não pense nisso. Tudo vai dar certo.

Clara, vi uma mulher passar. Acho que olhou para gente com uma cara de surpresa.

Isaura, não repare nas pessoas. Finja que somos as mulheres mais vestidas do mundo, com vestidos de grifes célebres. Agindo assim, as pessoas ficam longe. Tudo vai dar certo.

Sim, Clara, estou tentando. Estou tentando. E como você confia tanto no namorado, o homem que sempre vai pela manhã no mercadinho à tua caixa, te dá presentes, foi ele que programou tudo. Então, sim, você tem razão. Vamos esperar. Daqui a pouco ele aparece e tudo vai dar certo!

Isso, Isaura. Agora, sim, estou ouvindo a amiga do coração. Hum, sinta, meu amor, sinta a brisa na pele. Ela está um pouquinho mais intensa, está a nos acariciar com mais ardor. Aproveite e ouça também o marulhar. É o paraíso.

quarta-feira, janeiro 31, 2024

Será ele o inventor da pulseirinha

Vir ao Rio de Janeiro é sempre uma boa escolha. Além de a cidade oferecer muitas opções de compras, com diversos shoppings e lojas de marca, há também a beleza natural, destacando-se as praias, tanto na própria cidade quanto em outros municípios do estado. Desta vez, escolhi ficar hospedada em um hotel no Leme, na zona sul. Como de costume, trouxe um biquíni novo para estrear aqui. Ele é minúsculo, com as tiras laterais feitas de uma espécie de fio de nylon com elástico. Antes, eu nem sabia que algo assim existia. Ao passear pela praia, as pessoas pensam que estou nua, pois as tiras são praticamente imperceptíveis. Somente ao olharem com mais atenção, notam o pequeno triângulo que me cobre na frente e um fiozinho de pano na parte de trás, que quase desaparece.

Ontem, conheci um homem muito atraente, por volta dos trinta anos. Confessou que não foi o biquíni que lhe chamou atenção, mas sim a minha beleza. Vamos acreditar nisso. Ficamos conversando e depois entramos para um mergulho. No entanto, ele não tentou nada mais. Se estivéssemos na minha cidade, tenho certeza de que os rapazes teriam tentado me conquistar. Felizmente, estou longe de lá e não pretendo voltar tão cedo.

Existe algo interessante que sinto ao usar esse biquíni. Ele aperta um pouco, uma sensação excitante me vai tomando aos poucos, chegando quase a um ápice. Acho que, se eu me deitar na cadeira de praia e deixar o sol me aquecer, talvez a sensação se intensifique! No entanto, é melhor aguardar pelo homem que conheci. Preciso ter cuidado, pois tenho amigas que compartilharam histórias que, para algumas, são excitantes, enquanto para outras são um tanto perturbadoras.

Uma dessas amigas se chama Maria Lúcia, veio da mesma cidade onde moro e ficou em Copacabana por três semanas. Maria Lúcia adorou o sol, o mar e o namorado que encontrou. Contou-me que eles mergulharam juntos e o homem a abraçou, ficaram agarradinhos dentro d'água. Em algum momento, ele colocou o pênis dentro do biquíni dela, resultando em uma experiência intensamente prazerosa. Maria Lúcia compartilhou essa história rindo, mencionando que jamais tinha vivido uma sensação tão gostosa.

Já outra amiga, chamada Glória (nome fictício), pediu sigilo porque o recente namorado lhe tirou a parte inferior do biquíni e fez uma pulseirinha. Quem usou a pulseirinha? Ele! Glória conta que, para intensificar a sensação de prazer, ele foi até a areia para conferir algo, deixando-a esperando pela devolução da pulseirinha. Felizmente, ninguém notou a nudez de minha amiga. Perguntei se havia bebido algo antes disso acontecer. "Ah, adivinha", respondeu. "Já sei", completei, "você fica animada com uma caipirinha!" "Mas morro de vergonha depois, quando fico sóbria!", segredou baixinho, quase junto ao meu ouvido. Ainda bem que o pilequinho lhe durou bastante naquele dia.

Estou indo agora para a praia, vou encontrar meu namorado. Será que ele é o inventor da pulseirinha? Que arrepio.

quinta-feira, dezembro 02, 2021

Aproveitando

Na minha cidade, somos muitas e todas queremos arranjar namorados. Não precisa ser nada sério, mas mesmo assim não é fácil. Já faz tempo que perdi as esperanças. O último que frequentou meus lençóis, ouviu de minha voz um segredinho: não demora você vai me trocar por garotas mais jovens, elas são muitas aqui na cidade. Passaram-se algumas semanas, ele se foi. Poxa, por que não ficou comigo e com a moça de 18 anos, que desfila de biquininho na principal praia da cidade? M não é uma vila, mas, mesmo assim, todas nos conhecemos. De um tempo para cá, começaram a aparecer moças muito jovens, não sei se por causa da universidade, ou se vieram acompanhando pai ou mãe que passaram a trabalhar nas empresas de petróleo. O que é certo: uma delas roubou-me o namorado. Mas é a vida, e ele tem o livre arbítrio.

Passei, então, nos dias de folga, a viajar para outra cidade, passear, aproveitar a vida. Num feriadão, fui a Cabo Frio. Para quem mora na região, o local não é dos melhores. Mas serve para variar, para conhecer novas pessoas. Fiquei num pequeno hotel, a praia quase em frente. Naqueles dias, hospedava-se no mesmo hotel um grupo de rapazes. Acabei amiga de alguns deles.

Você está sozinha?, o mais atirado perguntou. Não se fica sozinha na maturidade, cheguei a dizer, sempre há alguém no nosso pé. Ele riu. Fosse mais perspicaz, perguntaria onde estava meu pé.

Não quis, logo de primeira, dar mole para um deles, não ficaria bem, tenho o dobro da idade. Mas eles me acharam bonita, chegaram a me chamar de gostosona. Tive de rir. Aquele grupinho devia ir pelos vinte e poucos anos.

Em M, tenho uma amiga que adora trepar com garotos jovens. Diz que o peru deles é bem duro, e fica assim por muito tempo. Há apenas um problema: eles precisam entender o que ela deseja. Durante o tal feriadão, a imagem de minha amiga de quase cinquenta anos trepando com um rapaz de vinte três não me saía da cabeça. Apesar de não jovem, ela tem seus artifícios. Certo dia, quando foi despi-la, o moço descobriu que ela estava sem a calcinha. Você nunca reparou?, perguntou com cara de sapeca, já saí tantas vezes com você só com o vestido sobre a pele. Ela consegue, com suas artimanhas, manter o namoradinho. As garotas jovens não sabem nada disso, me diz em segredo.

Numa das noites, fui a um restaurante com música ao vivo. Era a única sozinha em uma das mesas. Os homens estavam acompanhados. Havia também muitas mulheres sós. Bebiam, riam e tentavam se entender entre a algazarra da noite. Pedi uma caipivodca. Lá pelas tantas, avistei meus amigos, os jovens que estavam no mesmo hotel. Dois deles vieram sentar à minha mesa. Os demais tinham outras expectativas. Bebiam cerveja, estavam muito alegres. Vestiam bermudas e camisas coloridas. Quando levantei e fui dançar com um deles, repararam que eu trajava minissaia. Meu par gostou de dançar coladinho. Como havia muitas mulheres, eles todos se arranjaram. O que ficou comigo também se arranjou. Adivinhem com quem? Caso você queira acompanhar seus amigos, não faça cerimônia, cheguei a sussurrar no seu ouvido. Mas ele não foi, permaneceu ao meu lado, acabou me abraçando, me beijando e voltamos juntos para o hotel. Seus amigos perderam-se pela cidade nos braços de moças fresquinhas, recém-saídas da adolescência.

Meu namoradinho me acompanhou depois que deixamos o tal restaurante com música ao vivo. Caminhamos até a beira da praia. Além de nós dois, ninguém no local. Abracei-o. Continuou agarrado a mim. Você não gosta de mergulhar, que tal entrarmos n’água? Riu e disse: você é muito doida.

No hotel, passou a última noite no meu quarto.

Não conte pros teus amigos, viu, vão ficar com inveja, duvido que aproveitaram tanto.

segunda-feira, novembro 01, 2021

Aqui já é outra a história

As roupas que eu usava eram mais sensatas que as da maior parte das mulheres. Elas trajavam saias curtas ou vestidos justas, não traziam meias sobre a pele. Eu vestia calça comprida e, caso viesse de saia ou vestido, o comprimento ia até os joelhos. As mulheres, principalmente as mais jovens, não tinham dificuldades para arranjar namorados. Nós, entretanto, que já passávamos dos trinta anos, devíamos ter atrativos a mais; caso isso não acontecesse, eles preferiam as mais jovens. Eu não me preocupava com essas coisas, vivia ao meu modo. Quando aparecia um homem que me olhava, eu não sorria, fazia apenas uma expressão lívida; evitava a frieza, mas a lividez leva os homens a certa curiosidade, mantém-nos interessados.

Ao completar uma semana naquele hotel de montanha, reparei dois homens a me observarem no do café da manhã. O salão amplo espalhava as pessoas pelos mais diversos lugares. Eu procurava sentar sempre à mesma mesa. Caso estivesse ocupada, ficava numa próxima. Os pretendentes cumprimentavam-me, sorriam e quando voltavam do buffet olhavam-me de novo. É preciso dizer que não estavam juntos, não se conheciam nem sabiam que desejavam a mesma mulher.

Às vezes eu ficava na varanda lendo uma revista. Isso mesmo, o hotel tinha uma lindíssima varanda, que dava para uma espécie de bosque. Eu virava as páginas e olhava as árvores, a mata, o verde deslumbrante. Procurava inflar os pulmões e sentir o aroma do entardecer. Um dos admiradores já conhecia este meu hábito de ler na varanda. Aparecia e me desejava boa tarde, chegava a parar, mas nada falava. Isso durou três dias. Quando pensei que viria falar comigo, deparei com um homem mais jovem, acho que cinco ou mesmo dez anos mais novo do que eu.

Você não quer ir comigo a uma festa hoje à noite?, convidou-me.

Vou, respondi sem titubear.

Olhou a paisagem tal qual um filósofo. Pareceu-me que encontrava naquilo tudo uma grande verdade. Não falou nada a mais. Depois descobri que não era filósofo, mas um artista, e estava de férias.

Fui com ele à festa. Dançamos. Não permitiu que ninguém se aproximasse de mim. Não me queria longe de seus braços. Depois de várias músicas, saímos um pouco ao ar fresco. Entramos num jardim, que estava às escuras. Reparamos, aqui ou ali, outros casais. Andamos poucos metros e paramos sob uma grande árvore. Ele me abraçou.

Perdoe-me, falou, você é tão encantadora.

Gostei do modo como me tratava. Sorri. Sinal de que estava tudo bem, podia ir em frente. Os abraços continuaram.

Há algo que torna você mais encantadora do que as outras mulheres, nesta estação de férias, ele disse.

Sim?, meus poucos fonemas aguardavam uma explicação a mais.

Você sempre está muito bem vestida, observou.

Continuamos abraçados. Eu, realmente, muito bem vestida.

As outras andam nuas, falei.

E nem por isso atraem, concluiu ele.

Voltamos ao salão. Dançamos mais algumas músicas e bebemos refrigerantes e refrescos. Às onze, voltamos ao hotel.

Você está acompanhada?, ele quis saber.

Não, só se for por você.

Sorriu.

Você também está acompanhado, mas é por mim, não?

É claro, mas não vi outra mulher sozinha em todo o hotel, há quem esteja acompanhada ao menos por uma amiga. Agora quanto aos homens, é normal...

Tentou acrescentar  algo, mas sentiu-se embaraçado e não terminou o pensamento.

Isso não importa, livrei-o da situação desconfortável. Ainda segurava um dos seus braços. E até agora não ficou provado que sou uma mulher, completei.

Ambos caímos numa intensa gargalhada. Depois fomos aos nossos apartamentos. De madrugada, então...

Bom, aqui já é outra a história.

terça-feira, julho 13, 2021

Meu biquíni nas mãos dele!

Naquela manhã de praia e sol, eu sentia um intenso frisson, alguma coisa quase inexplicável me penetrava os poros, estendia-se pelo interior do meu corpo, me agitava o coração e me despertava arrepios. Vestia um biquíni mínimo que instigava aos homens e a mim mesma, me provocava quase um gozo. Os rapazes se aproximavam, queriam estar perto das mulheres bonitas, nos tocavam, falavam alto, alegres, observavam as gotículas de água salgada a brilhar sobre nossa pele. Quando eu mergulhava na água fria, sentia a sensação ainda maior. Uma das vezes cheguei a gozar, a mesma sensação que se tem no clímax de uma relação sexual bem gostosa com o homem dos sonhos.

Inspirei, o ar ainda fresco, mais frisson. Como me controlar diante de tamanha felicidade?

Avistei Jorge, sabia que não demoraria a vir para perto de mim. Apesar de vez ou outra dar uma saidinha com ele, deixei bem claro, não quero namorar. Ele me adorava, e acho que ainda me adora. Quando ligava, vinha rápido. Ao me encontrar na praia, podia estar com quem fosse, corria a me abraçar e me beijar. Seu abraço misterioso me deixava a mil. Certa vez, na mesma praia, ao entardecer, ninguém dentro d’água, apenas nós dois, ele me deixou peladinha. O abraço foi o mesmo, envolvente. mas quando me soltou levou o biquíni junto. Volte aqui, gritei taradinha. Notou ele o meu ardor. Ao me abraçar de novo, imaginem o resultado. Que amor gostoso aquele dia!

O corpo cura todas as angústias. Basta um pouco de nudez e frisson que tudo passa, tanto mais quando vamos nas mãos de um homem volumoso.

Havia  mulheres que desejavam muito Jorge. Acho que ele trepava com todas, não sei. Mas nada de comentários, cada uma com o seu gozo. Acho que ele ficaria comigo, quem sabe casaria. Eu mesma, porém, descartei tal hipótese. Mais valia minha liberdade.

Naquela manhã, no entanto, todas nós estavam a mil por hora, e nem precisávamos de bebida alcoólica. Uma embriaguez causada pela pulsação do dia.

Anita me veio dizer que estava ardida. Aconselhei a passar o protetor solar. Não é nesse sentido que estou falando, contrapôs. Abraçou-se, acariciou-se, deu uma queda de quadris, fechou os olhos e deu uns passinhos à frente. Mas aqui?, perguntei, espere pela noite, todos eles vão disputar você. À noite, será outra história, desejo agora, reafirmou. E não é que conseguiu. Depois de apenas vinte minutos, já ia agarradinha a um rapaz. E não praticaram somente abraços e beijos. Conhecia minha amiga, era capaz de tudo por um homem. Fiquei a imaginar onde treparam.

Vez ou outra, uma de nós não resistia; partíamos, então, ao principal, entendem? Onde? Este era o problema. Mas a praia era, e ainda é, bem extensa. Havia também a possiblidade de amar dentro d’água, embora não gostássemos. Certa vez, um dos rapazes armou um tenda à beira da lagoa, logo no final da praia. Caramba, acho que teve até fila. Claro, éramos discretas, mas é o modo de falar. Sempre estava ocupada. Vamos colocar uma toalha separando os compartimentos. Ficou melhor, e não se precisava esperar muito tempo. Derramávamos, carinhosas, todo o nosso tesão, corpo contra corpo, fricções, cheirinho de perfume, secreções a nos escorrer.

Ah, que vida boa, que arrepio. Vinha lá o Jorge. Você está maravilhosa, me falava antes do beijo. Eu sempre me lembrava do meu biquíni nas mãos dele, do seu pênis grosso e comprido. 

segunda-feira, janeiro 25, 2021

Troféu

A gente lembra das pessoas e sente saudades. Esses tempos de quarentena aproveitei para arrumar algumas coisas e encontrei as fotos. Éramos cinco. Eles e eu. Quero dizer, quatro homens e uma mulher. A casa, em Búzios. Isso mesmo, eles tinham uma bela casa, nos fundos uma quadra de vôlei. Adoravam jogar. Formamos um time misto, quatro homens e uma mulher, faltava sempre um, ou uma. Não importa, diziam, a gente arranja alguém para completar. E sempre ganhávamos. Mesmo que o sexto não jogasse bem, ocupávamos os espaços dele. Jogávamos nas areias da praia, nos fundos de casa, no clube local. Todas as vezes que estávamos na cidade, vinham nos convidar. Vôlei e mais vôlei. No final da tarde, eu mergulhava, exausta. A água do mar me revigorava. Saíamos à noite, sempre juntos, sempre os cinco.

Preciso um parágrafo à parte para as noites. Imaginem uma casa com quatro homens e apenas eu de mulher. Uma mulher quente, como sempre sou. Dormia na sala. Estendia um colchão, cobria com um lençol e deitava nua dentro de uma camiseta. Eles me conheciam. Não demorava, no escuro da madrugada, sentia um deles encostado a mim. Eu, de costas, curvada; ele, a contornar minhas curvas, a completar meus vazios. No dia seguinte, amanhecia sozinha, toda preguiça, eles corriam nas areias da praia. Não preciso de tanto exercício, murmurava, sou levantadora. Na noite seguinte, alguém de novo às minhas costas, e eu sempre nua, mulher de todos. Nunca nada comentamos.

 

A foto: um time de vôlei, quatro homens e uma mulher. Na hora da foto, o que completava não aparecia. Éramos uma equipe ímpar.


Certa vez me virei de frente. Vou descobrir meu namorado de hoje. Mas eles eram hábeis, conseguiam esconder a face. E eu, na verdade, não me esforçava para saber quem era. Amava todos e não desejava estragar a relação. Minhas mãos e minha boceta conheciam todos os perus. Sabia eu também seus movimentos. Mas como saber de quem era durante o dia se todos iam de calções, shorts, bermudas? E não se mexiam sob a luz do sol como na hora do sexo.

Passamos o verão inteiro vencendo todas as partidas. Completávamos noites e madrugadas também vencendo no amor, sobre o colchão. Uma das vezes, na praia, mergulhamos os cinco, abracei e beije a todos, estava tão feliz. E eles me carregaram nua, como se tivessem conseguido uma sereia. Ou, quem sabe, o troféu de todo o campeonato.

domingo, fevereiro 09, 2020

Noite de verão

O verão é uma estação instigante, no litoral, então, nem se fala, a gente chega à praia com aquele afã de aproveitar o sol, o mar, e tudo mais que seja possível. A pele sente o ardor, há o arrepio e a vontade louca de amar. Neste réveillon, viajei do sul do país a uma praia no Rio de Janeiro. Logo no primeiro dia vesti um biquíni branco, pequenino, debaixo de uma saída de praia de renda transparente. A roupinha, na verdade, uma tela sobre o quase nada, atraía diversos e animados olhares. Continuei com a roupa ao entardecer, entrei num bar, pedi uma bebida. Os homens se surpreenderam. Minha pouca roupa os fazia vibrar a mil. Uma mulher nua na mesa ao lado!, é o que diziam, mesmo sem palavras. Alguns, ainda que acompanhados, não esconderam o desconforto, tiveram de olhar com o rabo do olho. Se não me deixam nua pelas mãos, pelos olhos foi mais fácil. Por falar em olhos, lembro-me de umas férias na praia, mas no litoral de Santa Catarina.

Sempre adorei biquínis mínimos, e também gosto de andar nua. Naquela ocasião aluguei uma casa em frente à praia, um local deserto, ninguém a me incomodar. Não tinha ainda a saidinha de praia de tela branca, descia às areias apenas com a roupa de banho. Como sempre gostei de apreciar a manhã, alguns dias eu acordava muito cedo. Num deles, pensei ir nua, mas achei exagero, podia aparecer alguém, sei lá, um nativo, ou alguém da colônia de pescadores. Vesti, então, apenas uma camiseta sobre o corpo, descia-me até as coxas. Caminhei até a beira d’água sob a vermelhidão do amanhecer. Como não é costume no local, a água estava quente, mais quente do que eu. Senti vontade louca de mergulhar. Tirei a única peça, enrolei deixando-a escondida na areia. Corri e entrei n’água. Um orgasmo o contato de minha pele com as águas. Sem me preocupar com as horas, permaneci ali indefinidamente. Quando reparei, um homem passeava pela areia. Ai, meu Deus, tomara não encontre minha camiseta. Depois me acalmei e achei normal estar nua, a natureza convidava. Mas ele não demorou, nem sei se me viu. Quando resolvi sair de dentro d’água, onde a camiseta? Subi nua à casa alugada. Ainda bem, todos dormiam. Tomei uma ducha e me deitei de novo. Ah, quem sabe, sonho de uma noite de verão. À noite fomos à cidade, eu vestindo apenas uma peça, camisa de mangas três quartos, não chegava aos joelhos. Que férias!

No Rio de Janeiro a coisa é outra, os sonhos são fortes, vigorosos, pura realidade. Logo vem alguém conversar, um assédio e tanto. Para quem é livre ao namoro, tudo bem, o paraíso. Mas é preciso cuidadinho; ao contrário, perde-se a graça. Os homens oferecem bebidas, comidas, passeios, mas não sai de graça. Vou com a saidinha de renda, a tal tela transparente. Depois, digo preciso ir ao hotel, tenho de me trocar, espere um instantinho. Quero fugir. Mas você está tão linda com essa roupa, não se troca não, o Rio é praia noite e dia. Vou na conversa do recente namorado. Ele, doidinho, pra me ver apenas com a telinha sobre o corpo. Ainda que fosse só isso. Mais, não conto; vale a discrição.

Segredinho: não posso subir nua ao apartamento, tanta gente, as pessoas não param de ir de um lado a outro. O namorado adora a brincadeira. É apenas o começo, uma noite de verão.

segunda-feira, dezembro 02, 2019

Torce por mim

Oi, Janete, tudo bem? Você tá acostumada às minhas mensagens escritas, mas agora achei melhor gravar, é mais rápido. Sempre me contas tuas paqueras, não é mesmo? Hoje aconteceu uma coisa boa comigo, acho que estou com sorte. Escuta, vou tentar resumir, depois te conto melhor, pessoalmente. Vim à praia, aqui atrás da pousada, sabes qual é. Uma praia deserta, o mar, o céu e, principalmente, o sol. Então, aconteceu. Surgiu um homem. Lembra aquele que gerou a história do cavaleiro negro, num baile de máscaras, no verão, acho que faz uns dois anos? O tal que surgiu aqui, parecidíssimo, achei que fosse o mesmo. Nas areias, o homem imenso, de bermuda e sem camisa. Eu quietinha no meu canto. Sabe quando a gente sente um frio no estômago, não se imagina o que pode acontecer, ao mesmo tempo teme e deseja? Que situação. Ele, a distância; eu, com minha revista. Não parecia ser perigoso, lógico que o homem não ia me agarrar. Búzios é lugar civilizado, você conhece. Não demorou, veio falar comigo, perguntou se me podia fazer companhia. Imagine se preciso de companhia. Lógico que não disse assim a ele. Entonou a frase com uma ponta de formalidade. Pois não, respondi, tentei fazer aquela fisionomia de enfado, de quem não quer ser incomodada. Depois me arrependi, achei que podia entender como uma recusa definitiva. Escutei o que tinha a dizer e, pouco a pouco, abri ligeiro sorriso. Você deve estar doidinha pra saber o que ele disse, e mesmo o que aconteceu, não? Não disse nada de mais, apenas que estava naquela praia pela primeira vez, achava tudo muito bonito, queria comprar uma bebida mas não sabia onde. Dei a dica, atrás, perto da pousada, uma venda. Mas ele não foi imediatamente. Agradeceu, olhou demorado na direção do mar, não imaginava que aqui fosse assim, tão encantador. Achei encantador mesmo o homem, porque, você sabe, com a praia já estamos acostumadas. Disse volto já e subiu na direção da rua. Desapareceu. Quando eu já me distraía de novo com a revista, ele voltou, quase de repente, não cheguei a me assustar, mas foi por pouco. Trazia uma garrafinha de suco, disse que estava fresca, eu não tinha aparência de beber refrigerante, com a pele tão bonita, bem tratada. Elogios. Imagine, não precisava se incomodar, sorri, bebi um gole. Uma mulher acenou pra ele lá de cima. Ah, não, uma mulher, vai ver o homem tem compromisso. Me senti furiosa. Ele atendeu, mas voltou rápido, com uma bebida vermelha nas mãos. A moça também prepara coquetéis, mirou o copo. Ah, que bom, não era conhecido na cidade, eu podia aproveitar. O que fazer, dali pra frente? Se eu der confiança, ele me escapa, conheço os truques. Trabalho no Rio, não vivo quase aqui, pareceu sincero. Ficou calado durante alguns minutos. Será tão, assim, sem assunto? Eu também não queria assunto, você me conhece, sabe mais que ninguém o que desejo. Mas melhor me manter comportada. Lembra minha aventura com o motociclista? Foi numa praia mais pra baixo. Faz dois meses. Te contei. Fui passar o dia e conheci o cara. Acabei saindo com ele, dar umas voltas de moto, de biquíni, na garupa. Meus pertences na praia, minha preocupação. Não tem problema, aqui ninguém pega nada dos outros, falou. Passeamos e passeamos, que tonta eu, logo fica noite, eu pelada na garupa. É lógico, o homem não me quis só pra passear. Viver a mesma coisa agora, não. Mesmo ardida como sou. Se venho à praia, é pela praia, eu tentando me convencer. Conversamos, sim. Acabamos encontrando assunto. Fumou um cigarro, me ofereceu. Se fumo? Fumei. Bebi um gole do seu segundo coquetel. Comecei a ficar soltinha. Reparei o volume do pênis dentro da bermuda. Minhas carnes todas tremeram. Ui, quase perco o controle. Mesmo tendo molhado o biquíni, consegui me segurar. Hoje, se dou alguma coisa, é só o número do telefone. Nada mais.  Entrei n’água, saí d’água, ele comigo. Não me tocou. Mais elegante, assim. Ele também se controlava. Os outros querem logo deslizar as mãos. À tardinha, me despedi. Agora, vou esperar ele telefonar. Acho que telefona, sim. Melhor, não é mesmo? Comportada. Até estou me desconhecendo. Este não tinha moto. Mesmo que tivesse, não ia, bastou aquela vez. Quem sabe aparece à noite. Hoje ou amanhã. Mais certo amanhã. Prometeu. Beijo, Janete. Desculpe ter partido a mensagem em três ou quatro. Mas foi o jeito que arranjei pra te contar. Torce por mim, viu. A gente se encontra.

quarta-feira, setembro 27, 2017

O que você acha?

Outro dia o namorado me perguntou se já saí nua de casa.

Que pergunta!, respondi, já sei, você sente tesão ao saber que uma mulher saiu nua de casa.

Quem sabe.

Quer saber mesmo?, sair nua não saí, mas numas férias quando era mais jovem, posso dizer que fiquei nua na praia. Aliás, aconteceram tantas coisas engraçadas naquele verão.

Conta, por favor. Estava curiosíssimo.

Tudo bem, começo por mim. Andava de biquíni quase o tempo todo, e os rapazes me queriam nua. Lógico que me fazia de difícil. Um dia, porém, fui passear com um deles. Acabei tirando o biquíni e deixando no carro. Desci nua à praia. Caso aparecesse alguém, não tinha nem um paninho pra me cobrir. O rapaz usava apenas sunga, nem uma camiseta. E lá fui em pelada, correndo, as mãos soltas demonstravam minha falta de jeito. Outra história é sobre uma menina que andava muito com a gente. Arranjou também um namorado. Ele tirava o biquíni dela dentro d’água, dizia que era pra não correr pra junto dos outros garotos. Nua, tinha de ficar ao lado dele. Ainda houve outra, que resolveu ser cantora. E não é que conseguiu? Cantava bem. Mas o que a tornou famosa naquele verão foi a saia curtíssima que usava no palco. Os garotos enlouqueciam. Depois não podia passar perto deles, passavam-lhe a mão. São essas as histórias, já que você sente tesão com elas. Nunca saí pelada de casa, não. Quem sabe um dia?

Jura?, mostrou-se surpresa.

Não preciso jurar, quando decido algo, cumpro, mas ainda não prometi, disse apenas quem sabe.

E os garotos?

O que tem os garotos?

Eles não desejavam transar com você?

Desejavam, claro.

E então?

Ah, você quer saber se trepei com algum?

Isso mesmo.

O que você acha? Você não gosta de trepar? Mulher é a mesma coisa.

Então conta, vai.

Contar?

Isso, mesmo, a vez que você gostou mais.

Foram tantas.

Escolhe uma.

Foi uma vez quando saí duma festa. Um vestidinho curtinho, coladinho ao corpo, e de botas, imagina.

Você ficou nua dentro do carro, nas mãos do namorado.

Dentro, não; fora, só de botas. Não há homens que resistam a uma mulher nua, só de botas que sobem até os joelhos! Foi uma amarração. A agente agarrado, eu encostada na lataria do carro. Abri as pernas e ele não perdeu tempo.  Escorregou pra dentro de mim. Depois de algum tempo, pedi que deitássemos, achei que seria melhor. Havia um gramado nas proximidades, corremos até lá, eu ainda nua. Ele forrou a grama com a camisa e subiu sobre o meu corpo. Fiquei louquinha. Longe do carro, nua, só de botas. Gozei em dobro. Quando voltei ao carro, pedi pra passear mais um pouco e continuei nua ao lado dele!

quinta-feira, maio 04, 2017

Eu, enfim, cedia

Mas se eu enfim cedia... Talvez fosse porque ninguém me conhecia naquela cidade. Quando as pessoas não sabem quem somos, ou quando estamos num lugar onde jamais estivemos e somos desconhecidas, tornamo-nos mais corajosas. Foi o que aconteceu naquela madrugada.

A cidade era Flores, um lugarejo à beira mar, e a proposta dele era tentadora, ou melhor, sugeria algo que testava minha coragem. Acho que tudo começou porque ele me viu andando pelo pequeno centro da cidade apenas de biquíni. Sempre entendi como normal uma mulher passear de biquíni quando está próxima à praia. Naquele local ainda não era propriamente a praia, faltava uma ou duas ruas, porém o cheiro do mar era tentador. Saí da casa onde estava hospedada, de biquíni e uma pequena bolsa a tiracolo. Num primeiro momento não dei conta se alguém me reparava. Havia algumas meninas brincando, também vestiam trajes de banho, e como sorriam. Sorri de volta. As meninas tinham os cabelos loiros e pareciam francesas. Segui na direção do mar. Parei numa das esquinas onde havia um quiosque, pedi dois maços de cigarros. Comecei achar que fizera a escolha certa ao permanecer alguns dias naquela cidade. Ao chegar à praia vi outras pessoas sentadas na areia, umas sobre espreguiçadeiras, outras sobre um pano estendido em cima da própria areia. E havia outras crianças. Escolhi um lugar em meio às pessoas. Um rapaz veio me oferecer uma espreguiçadeira e um guarda sol, de aluguel. Não recusei. Após sentar e apoiar minhas bolsas sobre o tecido que eu tirara da bolsa, comecei a ler uma revista. Mas a presença do mar era mais forte. Ele me tirou da página que eu tentava ler. Fiquei observando como estavam serenas as águas da praia, ao longe alguns barcos pareciam ancorados. Após olhar toda a extensão de areia, de reparar o barulho de domingo, ou de um dia de férias, voltei à leitura. O homem que apareceu para conversar chegou duas horas depois. Eu já havia entrado na água e tomara cuidado para não molhar os cabelos. Ele sorriu, ficou próximo e não demorou a vir perguntar-me se eu era turista ou se mudara para cidade. Sorri, tentando ser simpática. Disse que estava de férias, mas que não demoraria na cidade. Ele retrucou dizendo que era uma pena, o lugar era tão bom, que ficar menos de duas semanas seria uma perda. Achei engraçada a palavra perda, não tenho o costume de definir perda da mesma forma que ele. Mas sorri ainda, compassiva com o que ele dizia. Na verdade, eu não queria companhia, mas o homem ficou ao meu lado, em pé, a elogiar o local. Pensei que pudesse ser um comerciante que logo ofereceria o seu produto. No entanto, tratava-se de alguém que não está acostumado a encontrar mulheres sozinhas, um tipo de machismo muito comum nas muitas cidade do nosso país. Depois de algum tempo, peguei a revista e deixei de dar atenção a ele, voltei à leitura. Minha ação foi eficiente. Despediu-se e se retirou, antes disse que se precisasse de alguma coisa era só procurá-lo, pois todos o conheciam na cidade, chamava-se Éden. Continuei no mesmo lugar, lia a revista e sentia no corpo o sol e o cheiro do mar, a cidade possuía um frisson que excitava, difícil de traduzir em palavras. Fui à agua várias vezes, mas sempre com cuidado para não molhar os cabelos. Em uma dessas idas, reparei um rapaz, que também me olhou e sorriu, chegou a piscar um dos olhos. Tive vontade de conversar com ele, porém, não se aproximou. Às cinco horas, voltei para a pousada.

Fiquei no quarto até nove da noite. O banho de mar me deixara mole e sonolenta. Mas não podia ficar sem comer até o dia seguinte. Saí às dez e logo descobri, no pequeno centro, uma rua estreita onde se enfileiravam muitos bares, todos cheios, com pessoas jovens em sua maioria, bebiam e conversavam animadamente. O que me chamou a atenção foi que estavam todos muito bem vestidos. Encontrei uma mesa lateral em um dos bares e pedi ao garçom o cardápio. Havia vários pratos quentes e frios. Optei por uma salada e uma taça de vinho branco. O bar requintado da cidade interiorana era bem abastecido, tinha até mesmo muitas bebidas importadas. Antes da salada, serviram-me uma espécie de entrada, um prato quase ornamental, uma grande folha de alface espetada, e duas fatias de presunto, que vinham enroladas em si mesmas. Ao fim de trinta minutos, veio o prato pedido. Nesse meio tempo eu já observara às pessoas ao redor e reparara uma jovem que não cessava de olhar para mim. Achei estranho seu olhar. Num momento de distração, enquanto repousava o garfo e tomava um gole da taça de vinho branco, reparei que se encontrava ao meu lado, sempre sorridente, com ar indagativo. Perguntou se eu não me aborrecia estar sozinha. Respondi que não, estava acostumada a viajar e já me habituara. Perguntou ainda se podia ficar um pouco à minha mesa. Sim, respondi movimentando os ombros, como se aquilo não me aborrecesse.

É a primeira vez que você vem a Flores?, ela quis saber.

Sim, falei enquanto levava a taça aos lábios.

De repente ela perguntou:

Você reparou como os homens dessa cidade são engraçados?, disse isso enquanto sinalizava ao garçom para se aproximar. Sorrindo, pediu a ele um coquetel, não entendi o nome.

Os homens daqui são terríveis, viu? Terríveis e engraçados.

Engraçados, como?, demonstrei surpresa.

Ah, engraçados; chegam a estar pertinhos da gente, perguntam alguma coisa e depois desaparecem.

Desaparecem?, repeti.

Isso mesmo, repetiu, se a gente fica com vontade de sair com algum deles, fica apenas na vontade, porque não se sabe mais onde estão.

Agora me lembro, recuperei o que me acontecera na praia, um homem se aproximou e veio conversar, disse que todos o conhecem na cidade, que se precisasse de alguma coisa era só procurar por ele, seu nome é Éden, depois surgiu um rapaz que piscou o olho e não se aproximou.

São assim, sei quem é o que foi até você e se ofereceu para qualquer necessidade, fala assim com todas as mulheres.

E vocês, eu queria saber, não namoram ninguém, não casam nesta cidade?, fiz cara de curiosa.

Ela deu uma gargalhada. O garçom se aproximava com uma bebida de cor vermelha, colocou a taça, muito bonita, diante dela.

Ah, ela mostrou-se surpresa, não me apresentei, meu nome é Gorete.

E o meu é Sandra, retruquei. Onde estão suas amigas?, olhei para mesa onde ela estava momentos antes e reparei que se encontrava vazia.

Ah, foi sobre isso que falei a você, querem testar os homens da cidade, falei que não valia a pena, mas mesmo assim elas não me deram muita bola.

Elas não residem aqui?

Não, em Estância, fica a trinta quilômetros do litoral. Sempre vêm à cidade nos dias de folga, adoram este centro e dizem que aqui é mais fácil de paquerar.

Paquerar?, repeti e sorri.

Gorete começou a contar sobre uma de suas amigas, que namorara um rapaz na cidade. Saía com ele todas as noites, mas dizia estar cansada de fazer as mesmas coisas. O rapaz, para não perder a namorada, começou a criar fantasias, assim ela se distrairia e não ficaria reclamando. Passaram a representar papais diferentes, como não se conhecessem e se encontrassem de repente ao acaso, viviam várias situações, até mesmo algumas em que a mulher simulava estar em apuros.

Como, em apuros?, quis que ela me explicasse melhor.

Acho que faziam de conta que ela precisava de ajuda, como se estivesse afogando na praia, ou perdida na estrada. Numa dessas brincadeiras ela me falou que ficou esperando por ele totalmente nua, sorriu ao pronunciar a última palavra, e levou aos lábios o coquetel.

Ao vê-la tomar um gole, lembrei-me de dizer que a atmosfera da cidade me causava certo frisson.

Frisson?

Gorete achou a palavra interessante.

Então, falta frisson aos homens dessa cidade, acrescentou.

Mas sua amiga arranjou um homem que provoca arrepios, não?, acrescentei.

Ele é uma exceção. Já até tentei sair com ele, mas o homem não quis.

Jura?

Juro, meneou a cabeça positivamente. A cidade é muito pequena, ele falou, logo alguém vai nos ver juntos. E o que tem isso de mais?, perguntei a ele. Gosto muito da Anita, encerrou ele a conversa.

Não tenho atualmente necessidade de homens, não hesitei em falar. Eles, na maioria das vezes, aborrecem muito.

Você tem razão, mas a gente nunca segue o pensamento lógico, é a tal da paixão a nos complicar, ou o corpo a respirar, franziu a testa e sorriu. Sua expressão revelou mais charme do que eu antes pudera perceber.

Uma mulher chamou por Gorete, estava à beira da rua, fez sinal para que ela viesse até a borda do bar. Gorete atendeu ao chamado. A mulher cochichou algo no seu ouvido. Gorete sorriu, devolveu algumas palavras, deu um breve adeus e voltou à mesa.

Uma maluquete amiga minha, e deu uma sonora gargalhada.

Suas amigas são interessantes, atalhei.

Nem sempre, às vezes são engraçadas.

O que há de cômico nessa?

Acho que você não vai gostar de saber.

Por quê?

Porque você parece uma pessoa recatada, ela falou.

Como você sabe?

Veja, você ficou na praia a tarde inteira e não namorou ninguém, usa um biquíni até certo ponto conservador, não veio para este bar com a intenção de azarar, gostar de sentir a atmosfera de frisson que emana da cidade...

E o que há isso com o fato de sua amiga ser cômica.

É outra que vive a mil com o namorado, veio dizer que vai com ele a uma boate.

Que legal, não sabia de boates por aqui.

O problema não é esse, acrescentou, você reparou, ela já está quase nua e disse que só volta de manhã. Outro dia veio com a história de que o namorado gosta de lhe roubar a calcinha, toda vez que sai com ele volta sem. Hoje veio me dizer que ele não vai poder roubá-la, adivinhe por quê?

Ela veio sem.

Isso mesmo, você é inteligente. Ao terminar de falar, Gorete sorriu e me convidou para uma surpresa.

Se é uma festa não quero, afirmei, não gosto de multidão.

Nada de festa, vai ser uma experiência nova para você, garanto, e é um segredo nessa região. Vamos comigo, trata-se de algo ligado à natureza.

Você me espera beber mais uma taça de vinho?, impus como condição.

Ok, ela atendeu.

Enquanto esperei pela nova taça, acrescentei:

Na minha cidade já tive um namorado como este de sua amiga. Ele gostava de me levar nua dentro do carro, acredita?

Sério? Na cidade grande também acontece isso?

Os homens são os mesmos em qualquer lugar. Ele vestia terno, todo bem arrumado, ia me pegar quando eu saída de uma academia de ginástica. Eu vinha com aquela malha grudada ao corpo. Ele pedia que eu a tirasse dentro do carro, guardava toda a minha roupa dentro de uma valise e me levava nua ao seu lado. Era uma coisa de arrepiar.

E você acabou gostando?

Não é que acabei gostando, era o susto, sei lá, às vezes até era bom, mas o namoro não deu certo, não era isso que eu queria.

O garçom chegou coma a nova taça de vinho, e a amiga de Gorete surgiu novamente na borda do bar e a chamou. Gorete pediu licença. Enquanto tomava o vinho, ela deixou a amiga durante alguns instantes e foi ao toalete. Depois voltou, aproximou-se dela e lhe disse alguma coisa, os braços de ambas se cruzaram. Tomei mais um gole do vinho e Gorete voltou à mesa. Sua amiga desaparecera.

Deixamos o bar e a rua plena de gente. Caminhamos duas quadras e entramos no carro de Gorete. Ela guiou durante uns trinta minutos, afastando-se sempre da zona urbana. Antes da rodovia estadual, entrou num atalho, dirigiu durante mais dois quilômetros e parou o carro. Descemos. Havia várias árvores e estava escuro.

Não tenha medo, ela disse, venha comigo.

Ela andava como se já frequentasse o local havia tempo, caminhava rápida entre as árvores, vencia obstáculos e segurava minhas mãos quando me reparava temerosa. Chegamos, enfim, a um lago.

A água é quente, você vai gostar.

Caminhou até a beira, tirou a sandália e molhou os pés.

Venha ver, é muito gostosa, em cada lugar a temperatura é outra.

Não queria me molhar, falei.

Não se incomode, você nunca sentiu um prazer tão grande, falou e, radiante, deu-me as costas e tirou o vestido. Gorete estava sem calcinha.

Venha, não tema.

Não queria desagradá-la, mas confesso que comecei a ficar preocupada, pois a conhecera fazia pouco tempo, não sabia de quem se tratava e a mulher me convidava para ficar nua à meia-noite.

Não tema, venha.

Comecei a me despir, mas fiquei preocupada onde deixaria minhas roupas.

Não se preocupe, acrescentou adivinhando meus pensamentos, ninguém vem aqui.

Entramos então na água. Ela segurou uma das minhas mãos.

Gorete tinha razão. Em cada lugar que parávamos havia um tipo de temperatura.

Este lago mexe com a gente, ela fechou os olhos e demonstrou que sentia um tipo diferente de prazer. A gente até goza, nem precisa de concentração.

Apesar dos meus temores, tentei imitá-la na busca pelo prazer. E qual foi minha surpresa ao me ver arrepiada, começava a sentir um gozo como jamais sentira. Fui ficando cada vez mais excitada, meu coração chegou a se agitar.

Ainda bem que não sofro do coração, deixei escapar.

Ela sorriu. Ninguém morre de prazer, sentenciou. Ficamos as duas numa espécie de gozo que se prolongava, que se repetia, que nos arrebatava. Ele chegou a dizer:

Sinta apenas, não precisa olhar, chega-se a sentir um pênis a nos penetrar.

Não mais queríamos deixar o lago.

Parece um feitiço, cheguei a dizer, mas um feitiço positivo.

Um feitiço, uma magia, a magia do prazer, e ela gritou como se gozasse intensamente, um orgasmo profundo, quase definitivo. Não me contive, imitei-a no grito, um ardor prolongado.

Exaustas e ainda nuas deixamo-nos cair um pouco acima de uma das vertentes, ficamos de mãos dadas, tocando-nos com a lateral do nossos corpos.

Aqui ficam todas as angústias, falou depois de um longo tempo.

E não precisamos dos homens, acrescentei, o que é muito importante.

Quando começamos a voltar ao carro foi que nos preocupamos em descobrir onde tínhamos deixado nossas roupas.

Cheguei à casa onde estava hospeda ao amanhecer. Naquele dia dormi até às duas da tarde.

Depois do almoço, fui à praia. Deitada sob o sol e olhando uma paisagem surpreendente, comecei a pensar sobre o prazer que sentira na noite anterior. Não passou muito tempo para que se aproximasse e se agachasse junto a mim o homem do dia anterior. Perguntou se eu precisava de alguma coisa. Respondi que o mais interessante naquele lugar era a tranquilidade. Minha resposta tinha a intenção de afastá-lo. Mas não foi assim que ele entendeu;.

Este local é realmente um paraíso. Tenho um amigo que pertence a uma igreja que quer construir o paraíso na terra, disse a ele para vir aqui, o paraíso já existe, terminou sua sentença com um enorme sorriso. Depois me perguntou se eu mergulharia, pois, continuou, não era bom arriscar-se a uma insolação.

Ri de sua última palavra, e ele entendeu o meu gesto como sinal de simpatia. Caso eu entrasse no mar, estava pronto a me acompanhar, embora afirmasse que a praia, apesar de mar aberto, tinha as águas calmas. Permaneceu ainda ao meu lado por um tempo que me pareceu enorme. Não tinha mais o que falar. Eu também me mantive silenciosa.

Quando o sol atingiu aquele ponto limite sobre meu corpo, o estágio que aponta tênue divisa entre moderação e excesso, levantei-me, sorri ainda uma vez ao homem e caminhei para a beira d’água. O contraste entre a temperatura do meu corpo e a da água do mar provocou-me certo prazer. Mergulhei. Depois de dois ou três segundos voltei à tona. A água escorria pelos meus cabelos e borrifei através dos lábios um pouco da água salgada que sempre ouso experimentar enquanto mergulho. O sal sempre estimulou todos os meu sentidos. Dei as costas para a praia, pretendia admirar o horizonte. Mas o que descobri em primeiro plano foi o homem que me espionava na areia. Viera atrás de mim, também mergulhara e nadara, submerso, mais longe. Sorria, pouco a pouco aproximou-se. Notou que não me agradava, mergulhou de novo, deixando-me sozinha. Naquela tarde não mais o vi. Então, pude praticar algo que sempre me deu prazer, desde menina, sei que é uma bobagem, mas para mim tem significado. Tirei a parte de baixo do biquíni e o prendi no tornozelo, como se faz com uma pulseira em volta de um dos braços. Nadei apenas de top, de um lado a outro, sentindo o prazer da água fria entre minhas pernas. Pensei no homem que me espionara. Será que estaria por perto. Acho que gostaria de me encontrar nua, de poder tocar a minha pele, de me namoricar um instantinho que fosse. Achei até que poderia estar escondido, quem sabe submerso, e conseguisse descobrir minha nudez. Mas isto não aconteceu. Às cinco da tarde, voltei à pousada.

À noite, depois das nove e meia, encontrei Gorete de novo. Ficamos durante algum tempo no mesmo bar da noite anterior. Ela pediu sua bebida rubra, enquanto eu optei pelo mesmo vinho. Aqui, os donos de bar tem bom gosto, as bebidas são esmeradas, elogiei.

Gorete sorriu. Sua amiga, a mesma que a chamou da borda do bar na noite anterior, aproximou-se. Beijou-lhe ambas as faces. Gorete apontou para mim, a moça sorriu e acenou. Ao voltar, segurou seu copo, tomou um gole e falou:

Ela achou seu vestido lindo, disse que adora vestidos que vão até os pés.

Achei que ela preferisse sempre os de pouco comprimento.

Nada disso, o negócio dela é mais embaixo.

Ambas rimos.

Passava de uma hora quando saímos juntas do bar. Vamos andar de carro, sugeriu minha amiga. Ela se pôs ao volante, ligou o carro e deu a partida. Costeamos a praia, e entramos por uma pequena estrada que subia um morro. Na parte mais alta era possível ver o outro lado da enseada.

Bonito daqui, falei.

É muito bonito.

Será que o prazer vai ser o mesmo de ontem?, eu comecei a sentir o frisson que a noite emanava.

Acho que maior, ela sorriu depois da resposta.

Gorete dirigiu descendo a vertente oposta da montanha. Não havia ninguém, apenas nós deslizávamos estrada a baixo. Ao chegarmos à praia, ela desligou o motor, abriu a porta e saímos direto para a areia da praia.

A água aqui é quente, como a do lago, embora o mar seja aberto.

Tirei as sandálias, segurei-as com uma das mãos e caminhei até a beira. Verdade, a água estava quente.

Gorete aproximou-se e segurou-me pela cintura, levantou o meu vestido.

Não precisa fazer isso, eu mesma tiro.

Fiquei nua. Gorete abraçou-me. Ao apertar-me num abraço estreito, senti algo rijo onde deveria ser o sexo de uma mulher. Ela também tirou a roupa. Gorete tinha um pênis. Como eu não notara da vez em que estivéramos no lago? Ah, o prazer foi tanto..., pensei

Não se assuste, só se você quiser, falou, sem conseguir escondê-lo, sem conseguir evitar que crescesse ainda mais.

Olhei um tanto estupefata, mas me recuperei a tempo. Pensei muito, num curto espaço de tempo.

Já sei, dei uma sonora gargalhada, é você que rouba as calcinhas das moças da cidade.

Só as calcinhas? Já levei comigo tantos vestidos, elas adoram andar nuas, e adoram trepar comigo.

Sou como elas, eu enfim cedia, por aqui ninguém me conhece, faça a seu bel prazer, aja como se eu fosse uma delas. Corri e mergulhei no mar noturno. Gorete seguiu-me.

terça-feira, novembro 15, 2016

Tirou o biquíni e o entregou na minha mão

Na verdade, tudo não passou de uma brincadeira de verão. Íamos à praia para ter a pele bronzeada mas, principalmente, para olhar os rapazes bonitos. Apostávamos se viriam conversar conosco. Quando se aproximavam, fazíamos de conta que éramos mulheres difíceis, sérias, não incentivávamos a conversa. Mas sempre estávamos doidinhas para namorá-los. Às vezes quando entrávamos na água, algum deles mergulhava. Eu achava que era para ver de perto as minhas pernas, reparar o meu biquíni bem pequenino. Aí veio a Fanny com a tal brincadeira:

“Quer valer como não descobre?”, perguntou.

“Não descobre o quê?”, eu não havia entendido.

“Não descobre que você está nua.”

“Nua? Como?”, custei a perceber o que ela insinuava.

“Vamos apostar”, falou. “Tiro o biquíni, deixo com você, quando um deles vier conversar aposto que não descobre.”

“E se descobrir?”

“Não descobre, não; nem vou pensar nisso.”

Ela não se fez de rogada. Tirou o biquíni e o entregou na minha mão. Ficou apenas de top. Veio um, veio dois, conversaram durante vários minutos, acho que uma meia hora. Nenhum deles deu falta do biquíni. Quando percebi que ela ganharia a aposta, sai da água e levei a peça comigo.

Depois de algum tempo, Cecília apareceu e me falou:

A Fanny está chamando você, e olha que está furiosa?”

"Onde ela está?"; fingida, eu.

"Lá, dentro d'água", apontou.

“Ok”, respondi.

Voltei.

“Você saiu da água, cadê o meu biquíni”, perguntou, parecia tão calma, uma artista a Fanny..

“Guardei lá na minha bolsa”, falei. “Espere que volto já.”

Então ela mergulhou rapidinho. Sem que eu esperasse, desfez os meus lacinhos. Só entendi o ardil, quando senti o biquíni escapar.

“Volto logo, deixa que eu mesma vou buscar”, falou e se afastou.

“Ei, volte aqui”, gritei agitadíssima. Ela vestiu o meu biquíni e se foi.

Ao me perceber só, fiquei quietinha, temia atrair alguém. Estava, porém, desesperada.

Depois de intermináveis vinte minutos, lá veio ela de volta.

“Que susto, Fanny, pensei que você não voltaria.”

“Fiz isso pra você ver como é estimulante correr risco”, fez cara de santa e me devolveu a calcinha. Estava escondida dentro do seu biquíni.

Suspirei, então:

“Fanny, você tem razão, é muito bom. Fiquei e estou toda trêmula, mas acho que gozei.”

Ela riu e completou: “gozou sem que algum dos rapazes viesse conversar com você? Espere que vou deixar você nua de novo!”

“Não, Fanny, por favor, assim eu morro.”

“Não morre, não.”

Realmente, não morri. E à noite ainda acabei pelada pelas mãos de um rapagão, o que mostrou os olhos mais abertos durante o dia. Era tudo o que eu queria.

quarta-feira, julho 13, 2016

Tive de escondê-lo

Um pinto faiscou um segundo em meus olhos, e me transformou toda em arrepio. Foi na praia, mês que antecedia o verão, o tempo ainda fresco e as águas do mar geladas de dar dó. O pinto, naquele momento, era supremo. É tudo o que posso afirmar. E veio a preencher a solidão que eu sentia em meio a guarda-sóis afastados, caminhantes longínquos e mulheres que tomavam sol. Como vou falar do pinto sem ser chula? Vejamos, uma história primeiro. Certa vez tive um namorado dez anos mais jovem que eu, mas era homem maduro. Nem sei porque terminamos, coisa do destino, talvez. Levava-me a passear, trazia-me à praia. Vivíamos o embate de dois polos antagônicos: a noite profunda e o dia com toda a sua luz. Foi numa noite profunda. Íamos de automóvel, ele a dirigir, e eu relaxada no banco do carona. Então, a surpresa invadiu-me os olhos, uma mulher de calcinha, na rua, gritei e me virei a ele. Mulher?, repetiu, nada disso, parece mulher mas não é, sentenciou. Foi numa parte suspeita do centro da cidade. E continuamos mergulhados na noite, queríamos ainda a madrugada. Os homens não sofrem de celulite, afirmei, caso se tornem mulheres, ou fingem sê-las, não sei bem, suas pernas são lisas de dar inveja. Sério?, pareceu duvidar. Sério, falei com convicção. Como você sabe, já viu um exemplo desses de perto?, suas palavras e seu olhar incisivo enquanto segurava o volante pareceram desafiar-me. Sim, afirmei, como se não quisesse revelar um grande segredo. Onde aconteceu?, quis ele saber, esperou, a respiração um tanto opressa, como se minha resposta fosse transformar tudo que nos viria pela frente. Num desfile de modas, acrescentei  Ah, bom, ele replicou aliviado. Mas a historinha não foi bem assim. Certa vez viajamos, quatro mulheres. Que bagunça, não é mesmo? Fomos a um hotel, desses que dão para a praia, no Nordeste. Lá, aproximou-se de nós alguém que pensamos a princípio ser uma mulher. Fazia bem o papel, demoramos a descobrir o que realmente era. Quando de fato aconteceu, não fizemos alarde, agimos com a maior discrição. Na noite anterior ao dia em que regressaríamos, saímos as quatro e mais a fingida mulher. Bebemos mais do que podíamos. No hotel, um fio de tesão começou a correr em cada uma de nós, em consequência inventamos uma brincadeira; saíamos nuas do quarto para bater no quarto das outras, já que ficamos hospedadas em duplas. Após muitas risadas, decidimos ir ao quarto de nossa amiga / amigo. Ela assustou-se com o mulheril. Dissemos faça como nós, vamos desfilar. Ela, ou ele, não sei como dizer, enrubesceu. Mas uma das mulheres conseguiu despi-la. Pudemos ver, então, um pênis mediano. Algumas começaram a agarrá-lo e ele começou a crescer. Ela disse não sinto tesão por mulher, mas quem sabe vocês possam me dar prazer e, ao mesmo tempo, obter a diversão que desejam. Cada uma de nós a exercitou um pouco, mas o pênis não enrijecia como desejávamos. Há um jeito de eu sentir tesão, ela falou, mas vocês precisam me dar de presente suas calcinhas. Calcinhas?, mas viemos nuas. Não faz mal, rebateu, busquem-nas, era culta a mulher. Lorena voltou aos nossos quartos e pegou tantas calcinhas quantas conseguiu carregar. Trepamos então com a travesti durante boa parte da noite, seu pênis endureceu tanto como o de um verdadeiro macho. Jamais consegui entender a relação entre nossas calcinhas e ereção. Como esse tipo de gênero não ejacula com facilidade, pudemos aproveitar bastante. Só que, no final, ela não devolveu nossas pequeninas peças, considerou-as como pagamento. Levamos, porém, tudo na esportiva, e rimos muito no avião de volta.

Um pinto faiscou em meus olhos e me transformou toda em arrepio. Alguém sorriu pra mim. Não estava nu, ou nua, não sei bem explicar. Na verdade, era eu a nua, e não queria deixar a coisa entre sorrisos. Gostei do arrepio, que já não me abandonava. Daqui em diante, vai depender do pinto, disse a mim mesma. Como o da amiga / amigo lá das férias no hotel. Com alguma lábia e com o tempero do gozo, mantém-me a mil e, quem sabe, leva-me também a calcinha!, completei. Se sabemos conduzir, as coisas acontecem como a gente deseja. Entramos na água. Quem sabe a fantasia não era um meio de conquistar as mulheres. Como já conhecia o truque, vesti-o com o meu biquíni. Lindo o biquíni, afirmou solene. Seu pinto logo virou frangote e pulou porta afora. Tive, então, de escondê-lo. Que se tornasse enorme galo, mas que cantasse dentro de mim.

quarta-feira, setembro 02, 2015

Por falar nisso, onde você escondeu o meu biquíni?

Durante uma semana, fiquei naquele Resort em Ilhéus. Quando faltava um dia para ir embora, me aconteceu o fato que passo a narrar.

Tinha acabado de sair da piscina, subi os degraus que levavam ao bar, mas antes de parar ali para pedir uma bebida, achei melhor ir ao banheiro. Contornei a construção. Ao passar em frente ao corredor dos banheiros, um homem jovem cruzou à minha frente e deu uma piscadela. Assustei-me, pois não percebi de onde ele saíra. Quando voltei ao bar, já aliviada, dei uma olhada em volta. Queria saber se ele ficara na piscina. Como eu usava óculos escuros, me senti protegida enquanto o procurava. Mas nada do homem. Desaparecera.

Sentada junto a uma das mesas, com uma caipirinha às mãos, o vi de novo. Mais uma vez me assustei. De onde saíra ele? Ao perceber que eu olhava em sua direção, caminhou até onde eu estava e parou. Morri de vergonha. Achei que a paquera tinha de acontecer de modo mais discreto. Ele, porém, não abdicou da impetuosidade:

Você é linda. E com esse biquininho mata qualquer um de tesão.

Eu não sabia onde enfiar a cara.

Mas ele mesmo me salvou.

Não precisa ficar tão envergonhada. Aqui, quando dois concordam, reina a paz. Caso a sua pele não esteja arrepiada apenas por causa do calor, me acompanhe. E não tema. Se ficar parada aí, você vai se arrepender.

Acreditei no homem. Levantei. Sempre segurando o copo de caipirinha, fui atrás dele.

Acabamos no seu chalé.

Mas o céu ainda está tão azul, o sol brilha, falei com minha voz cheia de manha.

E vai ficar assim por muito tempo. Daqui a pouco a gente volta, acrescentou.

Nem tive tempo de sentar. O homem me abraçou, e quando soltou meu corpo eu já estava nua.

Trepamos durante uma hora e meia. E que trepada!

No final, falei:

Você tirou minha virgindade...

Muitas mulheres falam isso quando acabam de transar com um desconhecido.

Neste hotel. Me deixa finalizar, ironizei.

Ah, desculpe.

Foi o suficiente para ele me pegar firme e me deixar arrepiada de novo.

Vamos agora para a piscina, convidou. O céu está azul; o sol, intenso.

Vamos, concordei. Mas primeiro, tenho de me vestir. Por falar nisso, onde escondeu o meu biquíni?

Você é tão gostosa. Acho que engoli!

quarta-feira, agosto 19, 2015

Wimereux

Estive numa praia no norte da França, Wimereux, na cidade de Boulogne-sur-Mer. Que lugar lindo! Apesar do verão europeu, a temperatura estava amena, acho que vinte e um graus. As pessoas divertiam-se. A praia tinha cabines sobre o calçadão, pertenciam aos moradores que vivem no local. Todos têm sua casa e, junto à praia, uma cabine para trocarem de roupa ou guardarem os apetrechos de praia. Aqueles que não moram ali, podem usar as cabines dos hotéis. As areias eram compridas, o mar distante, vez ou outra via-se alguma piscina natural entre a parte baixa da praia e a longínqua maré. As pessoas praticavam esportes, ou sentavam ao sol, conversavam, e havia aquelas que andavam de um lado a outro. Em algum momento, vi uma mulher de biquíni, mas usava um casaco. Engraçada a silhueta, o casaco a cobria até a cintura e, como prolongamento, o biquíni e as coxas nuas. Eu não podia perder aquele momento. Aluguei uma cabine num hotel próximo e troquei de roupa. Saí dali apenas de biquíni. Mas senti um pouquinho de frio, cheguei a cruzar os braços sob os seios. As pessoas, de início, não reparam nada demais em mim, mas percebi que, pouco a pouco, alguns homens levantavam os olhos quando cruzavam comigo. Desci à areia e me pus a caminhar à beira d’água, mas junto à primeira orla, porque a maré mesmo estava muito distante. Após andar uns quinhentos metros, ouvi duas jovens me chamarem.

Ei, venha até nós, fique com a gente; se você sente frio temos uma pequena barraca, pode descansar lá dentro, apontaram areia acima.

Eram duas francesas, e falavam como se eu fosse uma delas. Respondi que sim, ficaria com elas. Perguntaram de onde eu era. Disse que de Paris. Como estudo francês desde criança, consegui fazê-las acreditar. Eram estudantes, mas não moravam em Paris, apenas estudavam na capital.

Você usa um biquíni muito curto, onde comprou?, perguntou Céline, a mais loura.

Comprei em Roma, respondi.

Elas se entreolharam admiradas, chegaram a repetir:

Em Roma, e depois, tre joli, e sorriram.

Você gosta de namorar?, perguntou a outra, que disse chamar-se Ceci.

Gosto, respondi com um largo sorriso.

Virão alguns rapazes, quem sabe?, acrescentou.

Ficamos as três a olhar o mar. As duas não tinham a mesma sensualidade de nós, brasileiras, eram um pouco desajeitadas e brancas de dar dó.

Você é morena, Céline alisou-me a pele.

Uma delas apontou o outro lado do Canal da Mancha:

Veja, a Inglaterra.

Podia-se perceber ao longe a parte sul de uma grande ilha.

Fica a cinquenta quilômetros daqui, acrescentou.

Chegaram os rapazes. Elas os beijaram e fizeram as apresentações. Ele estavam viajando de férias, por toda a França, gostaram de me conhecer. Estabeleceu-se uma conversa vaga.

Eles tinham uma bola de futebol e ficaram jogando durante algum tempo. Nós, mulheres, observamos seus passes, embaixadas e cabeçadas. Depois, o mais alto segurou a bola e os três voltaram-se para nós. Pareciam não ter muito assunto. Um deles tirou o maço de cigarros, ofereceu-nos. Apenas eu aceitei, e tive muita dificuldade para acendê-lo, porque o vento era intenso.

Depois de um quarto de hora, Céline caminhou à barraca. Um dos rapazes a seguiu. A seguir, foi a vez de Ceci. O outro pôs-se a caminhar atrás dela. Sobrou um, que tinha de ser meu. Puxa, nem tive escolha. Mas não levantei, como fizeram as duas, permaneci onde estava, sentada sobre um pano, abraçada às próprias pernas. Ele então sentou ao meu lado e me abraçou. Pelo menos isso, não preciso tomar a iniciativa. Começou a me acariciar. Após um ou dois minutos estirei-me sobre a areia, ele ficou a me bordear o corpo. Que sorte, pensei, saio de minha casa, não conheço ninguém nesse lugar e agora estou nas mãos de um homem bonito e jovem. Ele aproximou-se e me beijou, um longo beijo na boca. Depois soltou o meu top. Continuei deitada, com os seios apontando ao céu, sorria e esperava por ele. Uma das moças veio correndo da barraca, enrolada numa toalha, percebia-se que ela já se despira do biquíni. Falou a mim, atabalhoada.

Venha com a gente, você não pode ficar nua aqui, o pessoal é muito conservador.

Fomos os três à barraca. Ela, à frente, com sua toalha desajeitada a lhe ocultar parte do corpo e eu de peito de fora, atrás dela, ao meu lado vinha o namorado. Foi uma tarde de muito amor. Já fazia tempo que eu não trepava cercada por outras pessoas que também trepavam. Mas foi muito divertido. Quando tudo terminou, a mais loura perguntou onde eu estava hospedada e quantos dias eu ficaria na praia. Respondi a ela.

Vamos buscar você, falou, enquanto estiver aqui vamos sair as três juntas.

Em algumas noites andamos pelas ruas internas de Wimereux, pudemos então apreciar as construções típicas do local, casas elegantes, centenárias, que se enfileiram, todas altas, com dois ou três andares, arcadas, floreiras, tudo muito peculiar. Ceci, a mais interessada na arquitetura do lugar, explicava as características de cada construção e até mesmo sabia a história de algumas casas. Contou sobre o tempo da ocupação nazista, quando os invasores intimaram os moradores a abandonarem o local em duas horas levando consigo o que pudessem, pois não permitiriam que retornassem. Enquanto durou a guerra, os oficiais alemães que ficaram naquela região residiram nas melhores casas. E não é preciso dizer que também as dilapidaram. A moça narrou também a história de uma antiga moradora que viveu a infância em uma delas: quando voltou, muito tempo depois, bateu à porta e pediu para entrar, queria rever os cômodos e o pátio onde vivera seus primeiros anos. Em uma das construções havia a inscrição “Esperanto”, esclareceu-nos que se trata de uma língua, em 1905 ocorreu na cidade o primeiro congresso mundial do idioma; na casa, alguns participantes do evento hospedaram-se. Quando saíamos à noite por aquelas ruas, sempre encontrávamos algum bar onde parávamos para bebermos um refresco, ou mesmo saborear algum coquetel.

Ficamos quinze dias naquela praia, namoramos muito. No dia de ir embora, Céline pediu meu biquíni de presente. Como estávamos na praia, soltei os laços e o entreguei a ela.

S'il vous plaît, vous ne pouvez pas être nue ici!

Rimos muito todas as três.

No dia seguinte, nos despedimos na estação de trens. Eu voltava a Paris; elas, à cidade de origem.

Há ainda um fato interessante, que me lembrei agora. Aconteceu numa das minhas primeiras noites em Wimereux, antes de conhecer as duas mulheres e os rapazes. Queria encontrar o caminho de volta ao meu hotel e não conseguia. Reparei que andava em círculos e acabava sempre numa mesma rua. Resolvi então bater à porta de uma casa e pedir ajuda. Um homem veio atender. Ele tinha uns trinta e poucos anos. Após me ouvir, disse que me levaria ao endereço descrito. Pediu, no entanto, que entrasse e esperasse um pouquinho. Ele fervia água para fazer café. Reparei sobre a mesa um exemplar de Austerlitz, de Sebald, em francês. O homem notou meu interesse pelo livro e perguntou se o havia lido. Disse que sim, e que gostara muito. Ele o estava lendo, afirmou que concordava com Sebald quando este demonstrava certo desgosto pela Bélgica. Sorri. Continuou falando enquanto terminava de fazer o café. “Foram as fortificações que fizeram Sebald virar as costas para o país, foram muitas as guerras, muitos infortúnios, elas transmitem certo ar lúgubre.” No final, trouxe a xícara e ofereceu-me. Bebemos o café em silêncio. Antes de me ensinar o caminho de volta, ele disse que dali a alguns dias precisaria ir à Bélgica, e confessou que o seu sentimento sobre o país era o mesmo de Sebald. Dei a ele o meu endereço de Paris e sugeri "concordo com você, o que importa é que Austerlitz é um grande livro. Quem sabe depois da Bélgica você possa ir a Paris, então conversaremos mais e ainda nos divertiremos." Ele moveu a cabeça como se aceitasse o convite e pousou o meu cartão ao lado do livro.

quinta-feira, março 12, 2015

Vale encantado

Estava hospedada no hotel fazenda Vale Encantado, no interior do estado do Rio de Janeiro, em meio a montanhas. Um local de onde não mais se deseja sair. Acompanhava minha filha, meu genro e minha neta. Por falar em neta, o local é um paraíso, principalmente para as crianças. Há várias piscinas, parques, brinquedos, campos para jogos, recreadores e, mais adiante, um lindo bosque. 

Apesar de já ter entrado nos cinquenta, tenho o corpo muito bonito, e, para completar, uso um biquíni mínimo, não é preciso dizer que a parte de trás é apenas aquela tirinha estreita, que entra toda no meu bumbum. Adoro. Minha filha não tem coragem de usar biquíni semelhante.

No segundo dia no hotel, depois de no dia da chegada ter ficado o tempo inteiro na piscina brincado com a minha neta, notei que um senhor me olhava com algumas intenções que não eram a de apenas apreciar a natureza.

Logo que voltei à piscina – já sentia o sol me queimar – ele apareceu ao meu lado, o cabelo curto escorrendo água devido ao recente mergulho. Cumprimentou-me, puxou conversa. Como faria qualquer pessoa educada, correspondi ao seu assunto.

Era viúvo, mas também viera acompanhando familiares. Isso não vai dar certo, pensei. Depois de algum tempo a falar sobre a beleza do local, o clima agradável, a necessidade que temos de passar alguns dias de papo para o ar etc., convidou-me para ir ao bar.

"Bebo uma caipirinha", salientei, "apesar de minha bebida preferida ser vinho. Acho que não há vinho no bar da piscina."

"Acompanho você na caipirinha, depois tenho uma surpresa", falou. 

Imaginei o que ele já estava aprontando. 

No bar, minha filha passou por mim e fez a cara de sonsa que costuma representar quando me vê acompanhada de algum homem. Não correspondi. 

Quando já bebíamos nossas caipirinhas, meu pretendente falou:

"Sabe qual a surpresa? Trouxe comigo duas garrafas de vinho italiano, convido você para beber à tarde", sorriu com ar conquistador. 

Demorei um pouco para dizer se aceitava ou não, mas acabei dizendo que seria um prazer. 

"Convide também seus familiares", disse ele, “caso apreciem um bom vinho.”

Naquela tarde todos bebemos um delicioso Corvo. Meu admirador chamava-se Abelardo. Falou muito sobre as vantagens das férias naquele sítio. Disse que morava a duas horas dali e que já era freguês, vinha quase todos os meses.

No terceiro dia de estadia, minha filha notou alguma coisa além da conversa e resolveu não aparecer para o vinho vespertino. Meu genro parece que, naquele momento, disputaria uma animada partida de futebol. Então, apenas meu admirador e eu apreciamos uma garrafa inteira de Valpolicela. Quando terminamos, confesso que o provoquei.

“Vamos dar um passeio, sugeri.”

Era o convite que ele espererava.

Levei-o através de toda a extensão do hotel, na direção do bosque.

Ao reparar que nos aproximávamos das árvores, falou:

“Queria muito convidar você para passear, mas pensei que acharia a caminhada um tanto longa.”

“Estou acostumada a caminhadas maiores.”

Entramos pelo bosque. O canto dos pássaros àquela hora da tarde era irresistível. Continuamos a dar passadas largas e percorremos um caminho em que predominava uma quantidade maior de árvores. Paramos para apreciar a paisagem. De propósito toquei sobre um de seus braços para apontar a vista. Deixei minha mão ali por alguns segundos. Abelardo parecia embevecido não tanto com a vista a partir daquele ponto da montanha, mas com o calor do meu corpo. Arrastei-o, com uma das mãos, até um arbusto que nos escondia. Qual então não foi nossa surpresa, encontramos um biquíni, isso mesmo, a parte inferior de um biquíni pendurado em um dos galhos mais salientes. Alguém o havia deixado ali fazia pouco tempo, pois dava para perceber que ainda estava molhado.

Coloquei o indicador sobre os lábios sinalizando que nada falasse. Procuramos um lugar mais resguardado. Quando senti que podia dizer alguma coisa, soltei em surdina:

“Acho que alguém teve a mesma ideia que nós, não é mesmo?”

Ele me abraçou e me beijou na boca.

Assim que terminou o beijou, perguntei irônica:

“Será que deixo o meu biquíni no mesmo galho?”

Abelardo me abraçou novamente. Não tive tempo de falar mais nada. Meu biquíni? Ele o tirou. Procuramos um canto sobre a relva e trepamos durante muito tempo.

Quando acabamos, anoitecia. Era possível reparar os postes com lâmpadas oscilantes no outro lado da montanha.

Ao passarmos pelo mesmo local, ainda estava lá o tal biquíni.

“Que tal trocar ou mesmo ficar com os dois, o outro ainda está lá!”, sugeriu, parecia excitado, apesar de todo o sexo que fizemos.

“A ideia não é má.”

“Qual delas?”

“A segunda.”

A última palavra lhe despertou novo desejo. Quis me colocar nua mais uma vez.

“Calma, amanhã ainda haverá tempo, e quem sabe será mais interessante?”, acrescentei.

Mas ele não resistiu. “Amanhã e ainda hoje!”

“Está bem”, falei, “mas espere um instante.”

“Aonde você vai?”

“Vais já saber.”

Fui até o galho e coloquei o meu biquíni ao lado do que lá estava.