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segunda-feira, janeiro 19, 2026

As-tu déjà lu Murakami ?

Quand je me suis réveillée, il était assis au bord du lit, en me regardant. J'ai esquissé un sourire, un léger sourire, celui de la satisfaction d'avoir trouvé refuge. Il m'a alors demandé :

« Comment es-tu entrée ? »

« Je ne sais pas trop, mais je crois que la porte d'entrée n'était pas verrouillée. »

« Où sont tes vêtements ? » a-t-il voulu savoir.

Certes, j'étais nue ! Mais je n'en ai pas eu honte.

« Je ne sais pas, je crois que je les ai perdus », ai-je répondu avec le même sourire innocent.

« Tu te réveilles dans mon lit, tu ne sais pas comment tu es entrée, tu as perdu tes vêtements et tu dis ne te souvenir de rien… Comment t'es-tu retrouvée à te promener nue en pleine nuit ? »

J'ai fait une grimace, complètement perdue. J'avais déjà perdu mes vêtements une fois, mais je ne lui avais rien dit.

« Viens t'allonger près de moi », ai-je proposé, « on essaiera de comprendre. »

J'ai tendu la main vers lui. Quand il s'est approché, je lui ai enlevé son short et son caleçon, puis je l'ai attiré contre moi. Au début, nous étions enlacés ; puis, je me suis légèrement tournée vers la droite ; il a compris mon intention et s'est tourné avec moi. Une fois sur lui, j'ai passé ma langue sur ses lèvres, puis je suis descendue le long de son cou, de sa poitrine, de son ventre, jusqu'à atteindre son pénis, qui était très dur ; je l'ai pris entièrement dans ma bouche et j'ai senti le bout dans ma gorge. Après une minute ou deux, je suis montée sur lui et j'ai commencé à le chevaucher, par de doux mouvements de va-et-vient. Il m'a pénétrée profondément. Nous avons rapidement joui tous les deux, presque en même temps. Nous nous sommes ensuite allongés côte à côte, nous embrassant et nous caressant. Il a demandé :

« As-tu déjà lu Murakami ? »

« Qui ? », je n'avais pas compris.

« Murakami, un écrivain japonais. »

« Non, je ne l'ai jamais lu, pourquoi ? »

« Il a écrit un roman avec une scène comme celle que nous vivons. »

« La femme est-elle arrivée nue chez lui, elle aussi ? » demandai-je, curieuse.

« Oui, elle ne se souvient pas non plus comment elle est arrivée là ni où elle a perdu ses vêtements. »

« Et ensuite ? » demandai-je, les yeux écarquillés.

« Pas grand-chose, en fait. Elle trouve une solution : il y avait beaucoup de vêtements de femme dans la maison, sa femme l'avait quitté récemment sans rien emporter. »

« Elle a eu plus de chance que moi ! » Mon exclamation amusée provoqua la surprise.

« Peut-être tu n’as pas tort» dit-il, amusé lui aussi.

quinta-feira, outubro 09, 2025

Fios da rede

Meu namorado disse "as mulheres adoram andar nuas". Não retruquei, apenas soletrei "ah, tá". Na nossa saída seguinte, apenas a canga envolvia-me o corpo. Ele, eufórico, guiou o automóvel a uma praia deserta. Estacionou. Saltamos e descemos à areia, deitamos e transamos boa parte da noite. Vivemos momentos ardentes, maravilhosos. Na hora de partirmos, porém, reparei que minha canga havia desaparecido. Ele, mostrando-se preocupado, disse que ia procurar algo para eu vestir.

A madrugada se desdobrava em tons intensos, e eu me encontrava sentada na areia, perdida em pensamentos, aguardando o retorno do homem que desaparecera na escuridão da noite em busca de algo para me cobrir. O som hipnotizante das ondas quebrando na praia era a única companhia para a ansiedade que crescia dentro de mim a cada minuto que passava. 

A luz suave do amanhecer começou a banhar o céu, colorindo-o com tons de rosa e laranja, mas ele não retornava. Uma sensação de desamparo começou a se instalar, e a incerteza sobre seu paradeiro obscurecia meus pensamentos. Que ideia minha, como essa canga foi desaparecer? E o que vou fazer caso o homem não volte? Devia ter refletido antes de me vestir sumariamente e aceitado vir para essa praia com ele. Caramba, se um homem qualquer me encontra nesse estado, vai fazer uma festa. Na certa, vou ter de abrir as pernas. Encontrar uma mulher nua numa praia, vai achar que ganhou um prêmio. Caso apareça uma mulher, pode ser que me socorra com um pano qualquer, mas uma vez fui chamada de vagabunda por uma delas, vai me deixar aqui pelada e ir embora. Ai, a polícia, não! Eu, presa, na delegacia, sentada numa cadeira desconfortável, sem ter como me cobrir, homens passando de um lado a outro, as pessoas a me olharem de rabo de olho. Será que tenho direito a um telefonema, como nos filmes? Não vou poder alegar que fui assaltada, ninguém vai acreditar.

Com o sol prestes a nascer, tomei uma decisão. Ergui-me da areia, consciente de minha nudez, e caminhei ao longo da praia em busca de ajuda. A paisagem ganhava vida com os primeiros raios de sol; apesar de vulnerável, senti-me determinada.

Avistei ao longe uma cabana de pescadores e, com cautela, me aproximei. Um golpe de vento acertou-me o corpo. Arrepiei-me, segurei meus cabelos (era a única coisa que eu podia segurar naquele momento),queria manter apresentável. O pescador idoso que ali estava e consertava sua rede não se se surpreendeu: "você não é a primeira que aparece nua aqui." Ouviu minha história com compreensão; por fim disse: "vista aquela túnica que está ali no canto. Vesti-a com gratidão, sentindo o alívio misturar-se com a vergonha. Completou: "pertence à minha mulher, ela usa quando vai embora depois do banho de mar, nem sei porque ficou na cabana..." E se ela desse falta da tal roupa?, pensei, mas deixei a solução para o homem. Ele indicou o caminho de volta à cidade, e eu agradeci, ainda perplexa com a experiência vivida.

O sol já estava alto quando alcancei uma estrada, e, com a dignidade recém-descoberta, consegui uma carona de volta para casa.

Apesar da peculiaridade do episódio na praia deserta, eu devia ter aprendido uma lição valiosa. Mas não foi o que aconteceu. Depois de tirar a túnica e tomar um banho, deitei-me nua na cama. Senti então um forte desejo de trepar com alguém ainda uma vez.

Dias depois, outra solução veio-me à cabeça. Uma solução que me deixou a mil por hora. Vocês sabem, depois que o perigo passa, a gente tem muitas ideias geniais! Quem sabe, no lugar de encontrar um pescador idoso, eu deparasse com outro, mas jovem e vigoroso, que me segurasse pelo braço, me deitasse sobre o chão arenoso de sua cabana e me comesse ainda uma vez. Depois...  Bem, depois me mandaria andar, peladinha, e que tomasse cuidado para, ao sair, não embaralhar os fios de sua rede.

terça-feira, fevereiro 13, 2024

O vestido e a paquera

Na cidade animada durante o Carnaval, um clube noturno vibrava com a energia contagiante da festa. O som pulsante da música ecoava nas paredes enquanto as pessoas dançavam e celebravam vestidas em fantasias extravagantes. No entanto, a história intrigante girava em torno de um casal, Pedro e Júlia.

Naquela noite, as garotas da turma costumavam namorar num bosque tranquilo, atrás do gramado de um campo próximo ao clube. O ambiente natural oferecia um contraste à agitação da festa, proporcionando um refúgio romântico.

Pedro ficou surpreso quando Júlia sugeriu uma escapada para o bosque. Eles caminharam juntos, compartilhando risos e segredos sob as estrelas. Em um momento de espontaneidade, Júlia, empolgada pelo clima festivo, decidiu ficar apenas de biquíni. Pedro, admirando a ousadia da namorada, não conteve seu sorriso.

– Pode ser arriscado – chegou a dizer.

– Que arriscado nada, gosto de namorar também com o perigo – sorriu ela, arteira.

Agarraram-se com avidez e fizeram tudo que tinham vontade. Beijos, abraços, carícias; rolaram na grama, aconchegaram-se.

Quando decidiram retornar ao clube, Pedro percebeu que o vestido de Júlia havia desaparecido.

– Nossa, e agora? – ela pareceu assustar-se. Sem querer chamar atenção, sugeriu que ele fosse procurar uma camiseta enquanto ela esperava no esconderijo.

– Vista a minha – sugeriu, fez um movimento de que iria tirá-la para entregar à namorada.

– Não pode ser a tua, não, as pessoas vão reparar você sem a camisa e eu vestida com ela, sabe como são as fofocas nessa cidade; vai, rápido.

Pedro demorou um pouco, mas conseguiu voltar trazendo a camiseta. Para sua surpresa, porém, Júlia não estava lá. Ele a procurou ao redor, suspeitou que alguém tivesse aparecido e ela afastara-se para um local mais arborizado, evitando ser flagrada vestindo apenas a parte inferior do biquíni. Depois de olhar todo o local, deu-se por vencido. Quem sabe ela teria conseguido safar-se de outro modo, com a ajuda de uma amiga.

A verdade, no entanto, era outra. Havia tempo que Antônio, um homem alto e bonito que Júlia apreciava, andava à espreita. Quando notou a mulher nua e sozinha aproveitou para aparecer. Acabaram fazendo uma festa. Como ele tinha um apartamento na região, levou Júlia, onde ficaram até o meio-dia.

Júlia, então, ligou para Clara, uma amiga, a quem fez o pequeno relato de suas aventuras e pediu que a acolhesse dali a uma hora; que abrisse a porta da casa assim que ouvisse a buzina do carro do homem que a levava, porque vestia apenas a camiseta emprestada por ele, resultado de tantos exageros cometidos por ela naquela ótima festa.

Ao entrar em contato com Pedro durante a tarde, Júlia lhe explicou que, enquanto ele buscava a camiseta, ela encontrou uma amiga que a ajudou a se esconder. Como ele demorava, a amiga sugeriu outra solução, emprestou o curto chale, parte da fantasia que vestia, que serviu de vestidinho a ela, Júlia.

Pedro, inicialmente confuso e surpreso, acabou rindo da situação e acreditou que Júlia, ajudada por Clara, dormira na casa da amiga.

– Por que você não telefonou? – quis ele saber.

– Se você fosse uma mulher pelada às cinco da madrugada, também não lhe passaria pela cabeça ligar para alguém, mesmo que este fosse o namorado, o noivo ou mesmo o marido.

Pedro aceitou o argumento. Ambos riram e a história se tornou uma anedota entre eles. O Carnaval ficou marcado não apenas pelas festas extravagantes, mas também por essa aventura inesperada e divertida no bosque.

E Antônio? Um conquistador nato. Júlia foi uma de suas conquistas. Ela saiu com ele ainda uma vez, mas logo descobriu que melhor mesmo era ficar com o namorado. A história do bosque e o segundo encontro acabaram como lembranças de arrepiar. Um dia, ela poderia contar tais aventuras às amigas mais íntimas, prova de ousadia e de que gostava de experimentar.

quarta-feira, novembro 22, 2023

Fonte

Eu achava bom não ter namorado, ficar sozinha, ter prazer comigo mesma. Mas apareceu mais um homem na minha vida. Foi no aniversário de uma amiga. Ele estava conversando com ela e mais algumas pessoas, quando a aniversariante me chamou para ficar entre eles.  Não passou muito tempo o tal estava me olhando e querendo conversar comigo. Lá pelo meio da festa, andei de um lado a outro, conversei aleatoriamente com outras pessoas, mas sempre acabava dando com ele. Pelas tantas da madrugada, trocamos nossos números para enviarmos mensagens um ao outro. No final da festa, meu recente-admirador se ofereceu para me levar em casa. Recusei e recusei. No entanto, minha amiga aniversariante acabou dizendo vai com ele, Leila, já é tarde, pegar um Uber agora, acho que não é bom. Aceitei a carona, mas me mantive muito séria.

Passaram-se algumas horas, recebi mensagem dele. Gosta de se fazer de engraçado. Trata-se de alguém com bom humor e umas tiradas intelectuais. No subúrbio, um tipo assim faz sucesso. Pouco a pouco fui correspondendo às suas investidas, marcamos encontro e saímos. Fomos ao cinema, no shopping, e depois a um restaurante. Ele se mostrou divertido, perguntou pelo que eu mais me interessava. Que coisa difícil de se conversar, logo eu que não sou intelectual, que não penso muito nessas coisas. Não me apavorei. Ele conhece alguma coisa, mas não é tanto assim, seu comportamento tem mais pose do que verdade.

O que me fez namorá-lo, porém, não foi isso. Adivinhem! Não queria falar assim, abertamente, mas não tenho outro modo. O que me prende a ele é o sexo. Isso mesmo. De todos os homens com quem tive relações, ele é o mais intenso. Essa é a palavra, vou repetir: intenso. A gente trepa durante um tempo enorme, ele faz algumas encenações, gosta de me penetrar e demora a gozar. Me ensinou mesmo algumas coisas sobre as quais eu jamais pensara. Nenhum homem demora tanto assim no ato sexual, como ele faz comigo. Por isso, minha intenção de ficar sozinha, de gostar de mim mesma e aproveitar a vida sem ter de me preocupar com homem algum, foi por água abaixo.

Por falar em água abaixo, é engraçado. O namorado me excita tanto, que eu me transformo em água. Verdade. Nunca senti nada igual. Consultei mesmo uma médica pensando que eu estava com algum problema. Ela me perguntou quanto tempo você não tem relação sexual com um homem? Respondi. É por isso, você ficou muito tempo sozinha, procurando prazer com a imaginação, o que não é tão eficaz, respondeu.

Continuo com ele, o namoro vai bem, a gente faz mil coisas juntos. Não conto pra ninguém, pode dar azar. E a qualquer momento, quando resolvemos transar, me transformo numa fonte. Isso mesmo, fonte, a palavra certa.

quarta-feira, maio 03, 2023

Nunca fiquei tão solta

Vou te contar, escuta, foi muito excitante, nunca fiquei tão solta. Saí com ele, aquele cara que conheci semana passada, já te falei sobre o homem. Fomos a um bar, entramos, sentamos e começamos a conversar. Papo vai, papo vem, cada um contava um caso, assunto puxa assunto e coisa e tal. Ele olhava pra mim, os olhos brilhantes; eu, pra ele, revelando já certa volúpia, e olha que fui vestidinha, super bem-comportada. A seguir, ele perguntou: você quer beber o quê? Acho que um coquetel. Olhamos o cardápio, cada coquetel que era uma maravilha. Escolhi um composto com gin, de cor azul, lindo. Chamamos o garçom, pedimos. Não passou muito tempo, as duas taças diante de nós. À medida que consumíamos, a conversa ficava mais animada. Ele pediu alguns salgados, muito gostosos por sinal, umas pastas, torradas etc. O garçom voltou, colocou tudo sobre a mesa. Comíamos com delicadeza, a conversa versou sobre teatro, cinema, atores e atrizes. Juro, não sabia que ia ficar tão animada, não conseguia me conter, comecei a rir, às vezes o escutava com tanta atenção, que parecia estar prestes a me fazer uma descoberta.

Lá pelas tantas, sugeriu: vamos beber mais, ok? Como eu já estava rindo à toa, nem respondi. Quando veio o outro coquetel, só ficávamos quietos ao colocar a boca na beirada do copo para tomar mais um gole. Comecei a contar casos que eram segredos, como o que aconteceu com a Luciene, lembra? Conheces a história: era mais de meia-noite quando ela me telefonou, tive de sair às pressas para buscá-la no centro da cidade, levei uma canga para que não voltasse nua pra casa. Ele achou a história muito engraçada. Como uma mulher vai parar num quarto de hotel com o namorado e na hora de ir embora não encontra as próprias roupas? Falei de outras amigas minhas, suas dissimulações. Ele ouvia. Também revelei que estou sozinha há muito tempo.  Permanecemos no bar até as seis da tarde.

Ao nos darmos por satisfeitos, ele pediu a conta e saímos abraçados um ao outro. Andamos um pouco pela rua, pensei de repente: aonde é que nós vamos agora? Ele não me falava nada sobre isso, estávamos ali pelas imediações do Largo. Então, convidei: vamos até lá em casa tomar um café? Ele aceitou.

Entramos na rua das Laranjeiras e seguimos em frente. Depois do viaduto, ainda andamos duas quadras e dobramos à direita, na minha rua. Chegamos ao prédio. Subimos.

Logo que entramos, fui a cozinha e coloquei a cafeteira pra fazer o café.  Voltei à sala e me sentei ao lado dele. Em certo momento, não aguentei, era tanto fogo que eu sentia. Nossos rostos estavam próximos, dei-lhe um beijo na boca. Não duvide, fui eu que tomei a iniciativa. Ficamos agarrados, ele me abraçando, até que falei espera um instantinho. Corri ao banheiro, tirei toda a roupa, todinha mesmo, envolvi o corpo numa toalha e voltei pra sala. Pedi pra que ele se levantasse e viesse me dar um abraço. Ele obedeceu. Levantou-se e veio até o centro da sala. Dei-lhe outro beijo na boca, com bastante ímpeto. Abracei-o com força. Ele puxou a toalha, que foi ao chão. fiquei agarradinha a ele, nua por inteiro. Acabou me carregando no colo e me levou pro quarto.

Aí aconteceu, foi uma transa inesquecível. Que loucura. Lembro perfeitamente. Nem colocamos camisinha, nenhuma proteção. Perdi mesmo a cabeça. Ele me acariciou de todas as maneiras. Depois, fez o principal. Que delícia! Ainda ficamos deitados durante umas duas horas.

Quando levantamos, voltei à cozinha e trouxe o café, que ainda não havíamos bebido. Sentamos novamente lado a lado no canapé e bebemos, eu ainda nua. Continuamos a conversar, mas com poucas palavras. Vez ou outra ele me tocava a pele, me beijava o rosto ou os lábios. Em um momento, tocou-me um dos seios. Comecei a sentir de novo uma enorme quentura.

Ele partiu às onze e trinta, tinha de acordar cedo pra trabalhar. Eu, então, comecei a pensar na nova situação, tudo tão de repente. O que vou fazer daqui pra frente? Sei, Glória, pra você as coisas são mais fáceis. Quanto a mim, sou ainda um pouco dura, sem jogo de cintura, como dizem por aí. Além disso, veja a minha idade, já não sou uma garota, não sei se uma nova relação amorosa vai me fazer bem. O amor nos deixa aos sobressaltos. Você acha mesmo? Que bom, vou pensar, tudo bem. Ok, um beijo, amanhã a gente se fala.

terça-feira, novembro 15, 2022

Dois dias e duas noites

Tranco-me no quarto, deixo a toalha sobre a poltrona lateral e deito-me. O que penso? Saí do banho há pouco, está na hora de dormir; a casa, em silêncio. Minha filha, no seu quarto, distrai-se com o celular. É hora do meu prazer maior do mundo. Procuro algum namorado do passado, alguém que me tenha dado intenso prazer; vou também à procura do namorado do futuro, mas este virá devagar, com o correr da noite, depois do gozo com o primeiro. Este é alguém que me deu um biquíni de presente, desses muito curtos, usados pelas garotas adolescentes. Elas vão à praia vestidas no paninho estreito e não pensam muito em sexo. Para pessoas como elas, a nudez é normal. Para mim, ou para a minha geração, já não é assim que sentimos. Num primeiro momento, achamos que a praia toda está a nos olhar, a nos explorar a pele, os centímetros de corpo ainda cobertos. Depois, porém, chegamos à conclusão de que não somos a estrela do local; é certo que há quem nos olhe, mas, de modo geral, as pessoas têm mais o que fazer. Vou à praia dentro do tal biquíni, uma praia onde ninguém me conhece. Sobre a areia, sentada na cadeira ou deitada sobre a toalha, sou a mulher mais desinibida do mundo. O namorado, a tarde já avançada, gosta de me levar a um motel. Cada um mais bonito do que o outro. Amor, não posso chegar à noite em casa, nua, não vai ficar bem. Você não está nua, mas de biquíni, ele rebate. Estou nua, você não sabe olhar. Houve um dia em que esquecemos, fiz ele ir ao shopping comprar um vestido, enquanto eu esperava no estacionamento, nua dentro do carro. Por que o namoro não durou? Não lembro, acho que ele foi trabalhar em outra cidade, lá conheceu alguém e casou.

E quanto ao namorado do futuro? Esse é alguém que conheço. Mas estamos apenas na fase dos cumprimentos e sorrisos, conversarmos respeitosamente. Engraçada a expressão, conversas respeitosas. Um acaso, encontramo-nos no centro da cidade, numa rua onde há hotéis turísticos. Por falar nesse tipo de hotel, certa vez um amigo me falou sobre hotéis turísticos do centro velho. Eu pensava que todos eram hotéis de viração, amantes de hora do almoço ou trepadas ocasionais quando não se sabe nem se quer saber o nome do parceiro ou da parceira. Meu namorado do futuro, o tal homem dos cumprimentos, encontra-me na Senador Dantas, ou na Presidente Vargas, quem sabe na Alcindo Guanabara. Estou sozinha à porta do hotel, o guarda-chuva aberto protege-me de chuviscos. Estava passando, um consultório por perto onde frequento, digo sem graça. Ele levanta os olhos e repara o letreiro: Hotel. Pego-o pelo braço, puxo para o saguão. É pequeno o local. Você jura que não fala pra ninguém?, sopro-lhe no ouvido. O homem da recepção encara-nos. Pergunta o tipo de apartamento que desejamos, o tempo que vamos ficar. Onde as malas? Já vão chegar, retruco. Dois dias, digo, dois dias de estadia. Meu namorado recente me olha sem demonstrar surpresa. Gosto dos hotéis dessa região, declara. Sétimo andar. Subimos. Dentro do apartamento, o mundo tornou-se mágico. O namorado do futuro (ainda estou na minha cama, gozando com a história) pede para sair um instante, precisa resolver um problema, volte logo, não vá embora, por favor, peço. Já vi vários filmes semelhantes. Não vai voltar. Deito-me nua na cama do hotel, minha roupa dentro do armário, arrumada. Esqueci de trazer peças íntimas! Telefono-lhe, envio-lhe mensagens, compre-me um par de calcinha, por favor.

O final é diferente dos filmes americanos que eu costumava a ver. O namorado do futuro me come dois dias e duas noites seguidas. Tanto o prazer. Nenhum problema. O par de calcinhas, onde você guardou? Arrepio.

domingo, novembro 13, 2022

O marido de Milena

O marido de Milena adora me paquerar, onde quer que me encontre, está a me dizer elogios, a me olhar de um jeito apaixonado. Antes dela, ele me namorou, inventava uma porção de artifícios para a nossa relação se tornar cada vez mais ardorosa. Subia a ladeira onde moro, eu aparecia à porta, saía para a calçada, ele me abraçava, me beijava e dizia vamos apreciar essa paisagem maravilhosa, tão atraente como você. Depois, entrávamos. Nosso ardor caminhava pela sala, cozinha e terminava no quarto. Minhas poucas roupas espalhadas pela casa. Às vezes, me convidava para passear, alugava um desses carros grandes, com motorista, me levava então pela orla marítima: Leme, Copacabana, Ipanema, Leblon etc. Um dia, porém, fez a pergunta crucial: Márcia, quer casar comigo? Não, por favor, casamento, não. Ele não entendeu a minha negativa. Não era pelo casamento ser com ele, mas com qualquer um. Por mais que eu falasse, faltavam-me argumentos para fazê-lo acreditar. Pouco a pouco, diminuiu suas vindas à minha casa, até que um dia, aproximou-se, me beijou e disse tenho uma coisa para te dizer. Esperou minha reação. Continuei olhando-o, como se quisesse que falasse logo. Disse vou me casar com a Milena.

Não posso afirmar que não fiquei triste com a notícia. Pouco a pouco, no entanto, passei a lhe estimular. A Milena é minha amiga, deve estar muito feliz. Veio ela à minha casa, com o convite de casamento, me informou que eu seria a madrinha. Aceitei. Preparamos nossos vestidos para a cerimônia. O dela, de noiva, é lógico; o meu, muito parecido, mais discreto no entanto.

Aconteceu o casamento. A festa foi ótima. Muita bebida e comida, uma delícia. Adoro champanhe. No final, ela veio falar comigo, disse você continue amiga do meu marido, viu, ele vai ficar muito feliz, vamos aproveitar porque a vida é breve, completou.

Depois que a vida de marido e mulher se estabeleceu entre os dois, ele quase sempre passava lá em casa antes de ir para junto da Milena. A gente conversava e conversava, ele me abraçava, me apertava e me beijava na boca. Sempre nos beijamos na boca, não iríamos interromper por causa do casamento. Ele tinha um jeito todo especial de me excitar, nada mudou em seu comportamento, e eu não iria dizer que um homem casado não podia praticar tal e tal ação com uma mulher que não fosse a esposa.

Numa sexta-feira, ele e Milena vieram me buscar, me levaram com eles para passear. Milena disse temos os mesmos direitos, eu e minha madrinha! Ficamos as duas agarradas ao homem; ela, muito contente. Jantamos, dançamos e namoramos os três. Já passava da meia-noite quando me deixaram em casa.

Ele, sempre quando vinha ao meu encontro, ficava mais de meia hora; depois, ia embora todo excitado. Gostava de fazer as preliminares comigo antes de ir à Milena. Não me importava, porque me dava muito prazer. Eu dizia toma cuidado, não vai gozar comigo e deixar a Milena na mão, aqui é apenas o esquenta. Ele ria, e me beijava, todo fagueiro. Algumas vezes, quando nos agarrávamos dentro da minha casa, estava vestida com um minivestido, ou minissaia, ele introduzia sua mão por entre as minhas pernas e passava um gel na altura da minha vagina. Que delícia a sensação, o tal produto começava geladinho, depois ia esquentando, esquentando, até que eu não podia mais. Então introduzia seu pênis, me deixando doidinha. Eu não demorava a gozar. Ele mantinha o controle, me dava prazer sem perder o seu, ia embora porque sabia que Milena queria a parte dela.

Mas num dia desses a gente namorava a toda prova, o gel fazendo maior efeito, esquentando, eu a mil por hora. De repente, eu disse hoje fica mais um pouco, não vai agora, não. Deitamos na minha cama, mais conforto do que namorar na sala, ele sempre sobre mim. No final, uma explosão. Quando me senti toda meladinha, perguntei Oswaldo, quer que eu ligue pra Milena? Aposto que ela vai compreender.

quarta-feira, setembro 14, 2022

Esquenta

Existem vários modos de se manter um namorado. Um deles é, antes do encontro, esquentar. Os homens adoram a manobra. Querem – mesmo que não o digam – a mulher nos braços de outro. Este deve deixá-la no ponto. Nada para mais nem para menos. Dali em diante, a continuação é com eles. Ela pode e deve vir em plena rotação, lubrificada, mas não pode ter gozado antes, isto é, ter vazado o óleo.

Não demorei a perceber o jogo do namorado. Como há sempre alguém me desejando, foi fácil arranjar um namoradinho como entrada, digamos assim. Mas não podia eu comer o prato principal! Que maravilha mas, ao mesmo tempo, que tortura. A entrada, uma delícia, porém nada de transformá-la no prato principal, que seria o namorado titular.

A gente ia a um motel, eu e o namoradinho, o do esquenta-esquenta. No apartamento, havia uma piscina de água quente, aliás, água quase fervendo. Em temperaturas elevadas, a água relaxa, baixa a pressão, tira as forças e provoca um pouco de sono. O namoradinho não era diferente. Assim que começava a me acariciar, sentia uma enorme vontade de descansar. As coisas se encaixaram, ele só ia até certo ponto. Eu não precisava ficar alertando. Antes da piscina, seu pênis estava eretíssimo, mas depois, já não aparentava o mesmo vigor. Caso ele não quisesse mergulhar, eu dizia olha o que combinamos.

Tive uma amiga que saía com o reserva e ficava com ele durante a tarde inteira. Não dá confusão, Marcia, como você aguenta? É questão de treino, ela me dizia.

Minha estratégia funcionou durante alguns meses. Um dia, no entanto, quando já ia nua, ao lado dele, à beira da piscina, percebemos que a água estava fria. Telefonei à recepção. A resposta foi há um defeito no aquecimento geral, vamos dar desconto no pagamento. Não me interessava o desconto, mas o tal que me bolinava sem chegar ao principal. Ele prometeu que não atravessaria a fronteira interditada. Sim, verdade, prometeu mesmo, mas quem atravessou o limite entre a entrada e o prato principal?

O namoradinho começou a me tocar, a me acariciar. Como eu vinha da praia, estava de biquíni. Não passou muito tempo para eu ficar nua. Ele, a me olhar; seu pênis, durinho. Que delícia, pensei, que beleza, toquei-o. Entramos na água fria da piscina. A temperatura geladinha nos excitou. Ele me pôs sobre a borda. Como é mais alto do que eu, achamos uma posição em que, de pé, de dentro d’água, conseguia me penetrar. Eu, apoiada, nas duas mãos, controlava o movimento de subir e descer.

O esquenta-esquenta se tornou incontrolável. Eu sempre prolongando a transa, até que... Não resisti. Ou melhor, nem eu nem ele. Comemos a entrada e o prato principal!

Como vou ter vontade para outra refeição quando encontrar mais tarde o namorado titular? Qual será minha desculpa? Melhor desmarcar, pensei naquele dia.

Minha amiga Márcia sempre diz tudo é uma questão de treino. Por isso, você está um pouco gordinha, tenho vontade de replicar.

quarta-feira, setembro 07, 2022

Fantasias avançadas

Namorados inquietos há por toda parte, sobretudo aqueles que nos provocam com fantasias avançadas. O namoradinho que me assediava queria-me, porém, só de vestidinho. Tantas vezes passeei coberta apenas por tecido fino no verão, tecido mais consistente no inverno. Calcinha e sutiã, poupados, guardadinhos no meu armário. Depois de algumas saídas, percebi, não me era apenas o vestido que ele desejava, mas trepar comigo onde lhe desse vontade. Dentro de um automóvel, nas areias da praia, à margem da lagoa, numa rua escura ao lado de um quiosque onde, durante o dia, se vendem jornais, salão de festas de um prédio sem vigia. Ações também que não tinham tanta criatividade, devido às muitas experiências de quem adora aventuras. Descobri, a seguir, que ele queria um passo além, queria avançar no seu desejo. Hoje, trepa-se muito, por toda parte, mas se usa camisinha. Uma amiga repete e repete: trepar de camisinha não suja, é ótimo, a gente pode, depois, continuar o dia de modo normal, como se nada tivesse acontecido. Verdade, há homens que depois da transa, concluímos que nada aconteceu, e não foi por causa da camisinha! Meu namoradinho, no entanto, não queria o preservativo. Ou melhor, pedia que começássemos sem ele e que o colocássemos depois de algum tempo. Quero sentir melhor você, dizia. Eu também gosto de sentir o namoradinho, quero dizer, seu pênis a me penetrar. Nada melhor do que isso. O problema é que quando se sente, não se quer mais deixar de sentir. Nós, mulheres, acabamos num intenso ardor, quando menos esperamos sentimos o jato quente de porra a nos invadir. Depois, as consequências. O risco principal são as doenças transmissíveis pela relação sexual, um pleonasmo. Ele, satisfeito, trouxe seu exame recente. Nenhum vírus, nenhuma possibilidade de me contaminar. Gravidez, o segundo problema? Não, não corro o risco. Mas como vou trepar com você limpinho da silva, despejando esse sêmen todo, eu só de vestidinho? Vou ter de ficar agachada em algum canto depois do seu gozo, mesmo assim não terei certeza se há um restinho que vai gostar das minhas coxas, percorrê-las sorrateiro e sem dó. Após insistir, de apresentar suas razões, acabei aceitando tal prova. A verdade é que eu estava doidinha para trepar. Saímos no seu carro, fomos a um quiosque na Barra da Tijuca. Vejam se ainda há essa moda, quiosques, as pessoas não se arriscam tanto. Eu, de pé, encostada numa trave de vôlei de praia, a barra do vestidinho levantada e o namoradinho cumprindo seu papel. Você vai sentir, pele a pele, ele dizia, vai gozar com o risco, noventa por cento de sentir minha explosão de porra dentro de você. Percebi quando se avizinhou ao gozo, vesti-lhe a camisinha. Esteja à vontade, eu replicava.

Preciso de um parágrafo. Faz dez anos tive um namorado lindo. Era o máximo na trepada. Quando chegava à minha casa, abraçava-me, encostava-me numa das paredes. Eu não demorava a perder bermuda e calcinha. Ele me colocava de tal modo que eu ficava equilibrada apenas pelo seu pênis, meus pés longe do chão. Como eu gozava! Era sincero o homem, dizia que só conseguia ejacular deitado sobre mim, posição papai mamãe; naquele momento, a camisinha. Certa vez, próximo da tal parede, a me equilibrar, ele me fez girar, uma hélice em eixo oleoso. Quem gozou em quem?

Voltemos. O namoradinho me levou para Rio das Ostras. De início, não gostei do lugar, achei que faltava requinte. Houve, porém, um dia, numa praia comprida chamada de Costa Azul. Ele me deixou totalmente nua. Nosso corpo a corpo sem camisinha, um exercício e tanto, que beleza. Ah, vou gozar, amor, ele dizia, vou despejar tudo dentro de você, vai ficar cheinha, transbordando. Eu fingia acreditar. Caso eu goze, continuou, arranjo um paninho para limpar sua bocetinha. E continuava. Ele, no final, respeitou. Não gozou dentro, não. Ventava e ventava na noite sem lua, ele lutava com a camisinha. Quando gozou, eu já ia pelo terceiro orgasmo. Na tal madrugada, porém, quem gozou mesmo não foi o namoradinho, mas o vento, sapeca que só, levou meu vestidinho!

quarta-feira, agosto 10, 2022

Temos companhia

Minha avó saía com todos os homens que conhecia, tinha 57 anos, era magra, bem cuidada, tinha facilidade de arranjar namorados. Soube de tudo quando vi o celular dela se iluminar. Tomava banho e deixou o telefone sobre a mesa da sala. Você vai mandar ou não a foto de teu bumbum?, a mensagem que li. Peguei o telefone e procurei outras mensagens do mesmo homem. Que safada, ela provocava, dizia que iria pensar, que ele não era fiel a ela. Isso foi em outros tempos, ele rebatia, tua bunda sempre fui muito bonita, continuava a mensagem. Coloquei o celular no mesmo local e fingi que fazia outra coisa quando minha avó saiu do banheiro.

Nos dias que se seguiram, consegui olhar de novo seu celular, li outras mensagens, de outros homens, pelo menos uns cinco diferentes. Todos queriam fotos, diziam que ela era gostosa. Um lembrou uma vez que transou com ela numa praia em M, depois da meia-noite, que sensação, jámais senti algo igual. Ele parecia vidrado. Ela respondeu quem sabe a gente vai lá de novo.

Passaram-se alguns dias e achei que aquilo tudo era apenas conversa de zap, apenas para passar o tempo. Um dia, porém, encontrei minha avó no Ilhote Sul. Eu estava com duas amigas da minha idade, dezenove, vinte anos, todas da faculdade. Como o restaurante estava cheio, ela não me reparou. Minha avó estava acompanhada de um homem jovem, que podia ser meu namorado! Fiz de conta que não a conhecia. Pensei segui-la, mas não daria certo. O que fazer?

No dia seguinte, descobri no celular dela quem era o tal homem. Ela o chamava de meu amor, ele a apelidara de gostosinha. Havia um dia e endereço onde iriam se encontrar de novo. Mas, naquele mesmo dia, encontrei outra mensagem, de outro homem. Ela respondia que sim, que sairia com ele dois dias depois.

Eu não sentia necessidade de sexo, chegava a conversar sobre isso com algumas amigas. Elas diziam que era assim mesmo, toda garota que se inicia na vida sexual, no começo não sente prazer. Comecei a achar que minha avó era o exemplo disso, cada vez que ficava com mais idade o prazer era maior. Será que com o passar dos anos a vontade de trepar aumenta, ou será que minha avó é uma safada de primeira linha? Cheguei a perguntar a algumas pessoas sobre sexo. Elas diziam você está tão interessada nisso agora, o que está acontecendo? Eu tinha que desconversar. Eu tivera apenas dois namorados, naquele momento estava sozinha, transara mesmo apenas com um, e não tinha sentido muito prazer.

Algumas semanas depois, deixei de lado o telefone dela. Eu arranjara um namoradinho. Ele começou a me levar para passear nos mais diversos lugares. Como era mais velho do que eu quase dez anos, já tinha a vida estabilizada.

Uma noite comemos muito e paramos o automóvel diante de um hotel na praia do pecado. Entramos e alugamos um apartamento por boa parte da noite. Quando saímos, já quase pela manhã, resolvemos descer até a praia. Era um local que não dava para chegar pela orla, foi preciso caminhar por uma rua interna, cercada de vegetação alta de ambos os lados. O carro não conseguia atravessar. Nossa intenção era sentar na areia e apreciar o amanhecer.

Quando nos aproximamos do final da praia, meu namoradinho disse silêncio, acho que ouvi alguma coisa. Nos agachamos e ficamos observando. Uma mulher inteiramente nua estava deitada sobre um uma canga e um homem acariciava suas costas.

Temos companhia, vamos mais adiante.

Não, eu disse, quero ver se conheço a pessoa. 

Para que fui falar tal besteira. A mulher se levantou e caminhou para a beira d’água, nua como viera ao mundo. Pela estatura e pelo corte de cabelo, pude reparar que era a minha avó. Ela estava tão bonita, combinava com o lusco-fusco do amanhecer que se anunciava, era capaz de irradiar uma bondade que apenas eu podia perceber. Naquele momento, quis ser igual a ela. Cheguei a prometer que faria tudo para seguir seus passos na vida, descobrir o prazer que ela sentia em cada gesto, o êxtase que a natureza irradiava do corpo dela. Todo o preconceito que eu tinha contra ela desaparecera como num toque de mágica.

Nada falei ao namorado, ele conhecia a minha avó, sabia que a mulher ali à beira d'água era ela. Teve a elegância de nada comentar.

Como estava nua, ficou. O homem a seu lado a acariciava.

Afastamo-nos sem sermos percebidos. Eu também ficaria nua, mas em outro lugar.

Dali em diante, minha vida seria outra.

quarta-feira, junho 15, 2022

Nete e Nara

Tenho uma amiga chamada Nete. Ela já é entrada nos cinquenta anos, mas é bonita mesmo. Gosta de se arrumar e sair para passear. Paquera muito os homens, mas é muito dissimulada. Certa vez veio me contar uns gostos estranhos que lhe assediam. O principal deles é descobrir mendigos bonitos.

“Nete, existem mendigos bonitos, nessa nossa cidade tão mal tratada?”, perguntei.

“Claro, é só prestar atenção. Lá pelos lados do Miramar, há um que é louro, os olhos verdes.”

“E como você faz?”, insisti, minha curiosidade é de matar.

“Não faço, só fico olhando. Aliás, houve uma época em que eu conversava com um ou outro, mas é arriscado. As pessoas acabam vendo a gente conversando com mendigos e falam muito por aí, uma fofocada atroz.”

Descobri que ela não apenas fica olhando, sorrateira, como afirmou, mas conversa com eles. Houve um que ela quis levar para casa e dar um banho. Ele a olhou assustado. Nete acabou me contando a verdade.

“Você não quer se arrumar, sair por aí, passear comigo?”, propôs ao tal.

Ele continuou a olhá-la assustado. Segundo ela, ele não foi. Mas Nete às vezes não me fala a verdade inteira.

Houve um final de semana em que a convidei para irmos, nós duas, a Lumiar. Procurei a mulher pela cidade o dia todo, nada de encontrá-la. Dias depois, quando a vi perto da rodoviária, ela se engasgou toda para me dizer o que fizera no tal fim de semana. Antes de se despedir, disse que uma hora dessas me contaria direito o que aconteceu, mas nada, até hoje não sei.

Imagino Nete levando o mendigo louro para casa. Ou para um hotel. O problema seria entrar num hotel com ele. De repente, ela arranjou uma roupa, um vidro de perfume, ajudou o homem a melhorar a aparência e os odores e entrou com ele naquele hotel que fica atrás do antigo parque. Há umas suítes com banheira, ou minipiscina, não sei bem. Nete enfiou o homem dentro e ensaboou-o até brilhar a pele, até seus cabelos ficarem novamente totalmente louros. Depois, ela tirou a roupa e levou o homem para cama. Aqui no hotel não tem cachaça, ela deve ter falado. Pediu, então, um espumante. O homem bem que gostou. Da bebida e da mulher.

Numa outra data, ela foi para Rio das Ostras, hospedou-se sozinha numa pousada em Costa Azul, baixa temporada. Foi à praia durante o dia. À tarde, ela entrou na tal pousada com um rapaz, ele apenas de sunga. Nete, como vou embora de sunga de noite?, perguntou assustado. Nada de ir embora, só amanhã. E ficaram namorando à noite inteira. Ela lhe contou que também já viveu algo parecido. Saiu numa sexta-feira para ir à praia, de biquíni e envolta numa canga de renda transparente; arranjou um namorado, voltou para casa domingo à tarde; que festa. O rapaz adorou a história.

Minha amiga é de um fogo difícil de apagar. Sei que este não vai ser o único mendigo a quem vai dar um trato. Depois virão outros, e mais outros. Caso não consiga convencer um deles a deixá-la lavá-lo, acho que, mesmo assim, arranja um jeito de trepar com ele.

“Você sabe, Nara, já vi uma mulher de pernas abertas sobre um mendigo, passava de uma da madrugada. Ela dizia, mete, mete fundo, mas não toca em mim, e olha que eu limpei bem o teu peru.”

Às vezes penso que a tal, de pernas abertas sobre o mendigo, seria a própria Nete!

quarta-feira, maio 18, 2022

Acabar bem

Esse negócio de andar nua por aí ainda não vai acabar bem. Outro dia um ex-namorado me telefonou. Todos os ex me adoram, não sei bem o motivo, mas não me largam o pé (as pernas, coxas e tudo mais). Convidou-me a visitá-lo, no Rio. Tenho tantos convites, respondi, o dia que for ao Rio vou ter de fazer um tour. Ele riu. Isso mesmo um tour pelos apartamentos de admiradores e de ex-namorados. Pois faça, acrescentou, melhor pra você. Imagino-me saindo cedo da minha cidade, três horas de viagem. Durante o caminho vou pensando quem será o primeiro. O da Tijuca, o do Meyer, o do Engenho de Dentro, o rapaz de Botafogo ou o de meia idade que mora em Copacabana? Melhor talvez ficar dois ou três dias na cidade. Quantas roupas provocantes terei de levar? Um deles adora roubar minhas calcinhas. Tenho de deixar este por último, caso contrário chego nua na casa dos outros! Os homens adoram tirar minha calcinha. Eu, de vestidinho e por baixo... nada! O que o admirador vai pensar de mim? Vamos lá, máxima discrição, vou combinar com eles, e é lógico que nenhum vai saber do outro; aliás, o que vou deixar por último pode saber, ele não se incomoda. Telefono dois dias antes e digo que vou ao Rio, que não tenho muito tempo, tenho de rever uma parenta. Minha desculpa, coitada da minha parenta, ela existe mesmo mas vai ficar a ver navios. Marco dez horas da manhã o primeiro; o segundo, treze horas; dezesseis o terceiro. Terei forças para o quarto? Acho que vale a pena marcá-lo para as 19h00. Volto a minha cidade no último ônibus, ou, quem sabe, durmo com o ele, o tal que adora me deixar em pele por baixo do vestido. Retorno no dia seguinte, pela manhã. Como escrevi lá em cima: “esse negócio de andar nua” por aí lembra este namorado, o tal que gosta de me ver nua o tempo todo. Uma vez, num desses encontros sem compromisso, eu disse minha calcinha custou sessenta reais, pode me pagar. Ele, de pronto, deixou o dinheiro sobre a mesinha de cabeceira. Ainda quando namorava com ele na minha cidade vivi um episódio muito engraçado. Quero dizer, engraçado contando agora. Saímos à noite, lá pelas vinte e duas horas, passeamos, fomos a um restaurante, bebemos e comemos. Na volta, como sempre, pediu para eu tirar toda a roupa, no banco do carona. Aceitei. Sempre aceitava suas loucuras (como gostava!). Me despi e coloquei as peças de roupa no banco de trás. Ele ainda dirigiu pela orla, perguntava como eu me sentia estando nua ao seu lado, ou se eu desejava que ele parasse para eu descer e caminhar um pouquinho sobre o passeio. É lógico que estava sentido intenso arrepio, mas nada falei, apenas sorri e lhe beijei. Quanto a saltar, por favor, estou morrendo de vontade de trepar. Conduziu, então, até a minha casa. Naquele tempo ele ficava comigo nos dias em que trabalhava na cidade. Mas ao chegarmos, ele disse você vai ter uma surpresa!, pegou minhas roupas e correu com elas para dentro da casa. É preciso dizer que o imóvel era dividido em quatro apartamentos, eu morava no mais alto, dois lances de escada. Eram duas da manhã, a rua estava silenciosa e, dentro do prédio, todos pareciam dormir. O que faço agora?, falei sozinha, apavorada, depois que ele entrou e a porta bateu. Não posso ficar nua, dentro do carro, não demora amanhece, vai logo ter alguém me olhando através do vidro, vai juntar gente. De repente tomei coragem, abri a porta, reparei que minha bolsa estava no banco de trás. Engraçado, eu tinha apenas a bolsa e a sandália. Corri, enfiei minha chave e abri o portão, avancei sobre a escada e subi os dois lances. Lá em cima, bati à porta com o nó dos dedos. Abra, por favor, não tenho a chave daqui. Ele demorou dois ou três minutos, que me pareceram uma eternidade. Ao entrar, me abraçou, me carregou pra cama, nem deixou que eu reclamasse. O peru do homem estava duríssimo, nunca vi um igual. Que trepada! Mas voltando ao meu tour pelo Rio, deixo este por último. Caso ele me largue nua, de castigo, já terei dado pra todos os outros! Acho que volto sempre pra ele por causa disso, esse negócio de andar nua por aí ainda não vai acabar bem. Mas como sinto tesão.

quarta-feira, maio 11, 2022

Quem seria a tal Eliete?

Posso me sentar nessa poltrona? Adoro ficar nua, e me acomodar numa poltrona desse tipo deve ser a maior sensação. Que bom, obrigada, mas me deixe vestir a calcinha, porque do jeito que estou, o estofo vai ficar marcado. Você sabe que na minha casa quase não dá para eu estar nua, as janelas dos vizinhos são muito próximas, quando é bem tarde e tudo vai muito escuro, então arrisco. Você não quer que eu vista a calcinha? Pegue então um forro para a poltrona. Ah, está bom, serve o papel toalha. Você gosta de me ouvir, não é mesmo? Então, tiro toda a roupa de madrugada, nenhuma luz nas outras janelas. Aqui é distante, posso desfilar nua o dia inteiro. Tive um namorado que não me deixava entrar na casa dele vestida, acredita? Logo que eu pisava depois da porta, me entregava um cabide onde eu devia pendurar ali toda a roupa, a calcinha eu entregava nas mãos dele. O homem levava tudo lá pra dentro, nem sei onde guardava. Certa vez, cheguei vestindo uma camiseta comprida, sem nada por baixo, deixei o homem louco. Na hora de embora, ele não queria me devolver a tal camiseta. O homem era tarado. Eu sentava nua e ele gostava de contar histórias de sacanagem no meu ouvido. Em todas eu era a protagonista, e ia sempre nua.  Você quer saber por que a gente terminou, um namoro assim tão estimulante? Ah, não sei se conto, tenho vergonha. Você me dá o que de presente, se eu narrar tudo? Jura? Vou pensar, espere um pouco. Não gosto de ficar falando coisas como essas, porque depois, há homens que querem fazer o mesmo com a gente. São situações perigosas. Mas conto sim, você é atencioso e adora me dar presentes. Tenho uma amiga que passou mal pedaço. Ela acabou saindo nua ao lado do namorado, e se deu mal, posso dizer o nome dela porque você não a conhece e dificilmente vai conhecê-la, se chama Eliete. O namorado morava numa casa onde havia a garagem ao lado, ela corria nua do corpo da casa para o carro e eles saíam, até que... Ele deixou a mulher nua, na estrada, acredita, disse que voltava em dez minutos, que ela esperasse abaixadinha. Ele não voltou. Ela afirmava e reafirmava que já tinham praticado a brincadeira várias vezes, ele sempre voltava. Mas há uma vez em que as coisas não dão certo, eu acabei dizendo a ela. Como ela fez pra voltar nua pra casa? Nem conto, foi um problemão. Vamos continuar com nosso jogo aqui, estou adorando a poltrona, agora diz alguma coisa. Ah, você gosta também de contar histórias? Que ótimo, estou ouvindo. Você quer mostrar algo surpreendente, já sei o que é, você deve estar muito excitado, mas antes quer saber sobre as janelas próximas à minha, se um dia alguém me surpreendeu nua! Olhe que conto, você não vai gostar. Quer ouvir mesmo? Sim, e foi alguém muito bonito, um homão que me vinha paquerando, eu já tinha notado. Acabei deixando o espião entrar!, e disse a ele fui eu quem te descobriu, se você conta pra alguém, conto de você. Ele trepou comigo naquela noite, depois foi embora e não mais voltou, achei melhor assim. Agora mostra o que prometeu. Não acredito. Um biquíni! Não vai me pedir para vestir. Sei, você vai narrar a história da minúscula peça, deixe eu segurar enquanto você conta, é pequena, a mulher devia ser mignon.

Acho que vou fugir do seu apartamento, quem sabe nua mesmo, depois dessa história, você deve ser parente do homem que deixou minha amiga nua na estrada, se não for o mesmo. Coitada da mulher, ela não procurou você depois? Também pudera, que situação. 

Agora venha, vamos parar um pouco as histórias porque, se continuar, saio correndo porta afora. Me abrace, quero ficar de pé primeiro, encostadinha na parede, ela está fria fria, e eu cheia de tesão. No final, você devolve minha roupa, viu, não vou embora nua, não. Agora vem, estou quentinha. O quê? Não contei a história do namoro estimulante que acabou de repente? Você me prometeu dar um presente caso eu conte o final?  Contei, sim, você não entendeu. Quem seria a tal Eliete?

quarta-feira, abril 06, 2022

Mulher em dobro

Você tem um pênis enorme, ele me disse.

Como posso ter um pênis?, sou uma mulher.

Também não sei, acho que surgiu de ontem pra hoje, repare, apalpe você mesma.

Verdade, mas como?


Estávamos os dois deitados, ele nu, eu de camiseta, apenas.

Veja, até que é interessante, uma mulher com um pênis, vou me divertir em dobro, disse ele.

Você fala sério?

Claro, será mais estimulante.


Ele me virou, na cama, tirou minha camiseta, segurou onde dizia estar meu peru.


Repare como ele cresce, e você ainda tem a vagina, bonita como sempre. Só existe um problema, não para ser resolvido agora: como você vai usar aquele minúsculo biquíni que veste para ir à praia?, e a minissaia?, acho que um peru deste tamanho vai escapar, um escândalo.

Dou um jeito, falei animada, há jeito pra tudo nessa vida, tanto mais quando se tem um pênis exagerado, mas confesso, apesar do pênis gosto mesmo dos homens.

Não importa, o que vale é estarmos juntos, o pênis é um dado a mais, você vai gozar em dobro, aliás, vou fazer você gozar em dobro.

Então, comece, estou adorando, vou ser uma mulher em dobro, uma mulher com pênis, que goza de duas maneiras diferentes, isso mesmo, estou sentindo, comece assim.

Você vai adorar, disse, mudando de posição, a bunda voltada pro meu rosto.

Continue, amor, estique um pouquinho, segure-o por baixo, estou descobrindo que sou mais sensível aí, isso, devagar, não quero gozar logo.

Que bom, não?, você também pode enfiar, vai ter tal experiência, quero dizer, já está tendo, está gostando, ele dizia enquanto trepávamos.


Entrava uma faixa de sol pela janela.


O que me dá mais tesão é imaginar você vestida de mulher, com esse pênis enorme, duro, embaixo da saia.

Ah, quando sairmos, ele vai ficar pequenino, escondidinho, ninguém vai notar, falei espirituosa.

Mas, se eu roubar tua calcinha?

Não tinha pensado nisso, vixe, de saia e sem calcinha; tenho uma amiga que adora sair sem calcinha, mas não tem pênis; se tem, jamais me falou.

Não deve ter, mas enfia, enfia com gosto, isso, uma mulher com pênis, dá pra gente namorar em dobro, uma mulher que enfia, namoro completo, ele delirava.

Ai, acho que vou gozar, nunca gozei com um pênis, é novidade, como devo fazer?, perguntei sentindo que alguma coisa me escapava.

Não precisa fazer nada, fique quietinha, é natural, funciona como uma planta selvagem, cresce sozinha.

Ai, parece que tenho uma torneira entre as pernas, nunca senti nada igual.

Teu jato é quente, continue, continue, isso, não pare.

Ai, ter pênis é trabalhoso, gozei, não sei mais o que faço, só sei que estou morrendo de vergonha, é assim mesmo, depois do gozo a vergonha?

Não, no teu caso, nada de vergonha, agora abra as pernas, abra bem, vou fazer você gozar pela boceta!


Vânia, prestou atenção na história que acabei de te contar ou está pensando em outra coisa?

Prestei, sim.

O que achou?

Quero ver teu pênis.

Jura?

Juro, vai, mostre.

Primeiro é necessário sentir.

Sem ver?

Isso mesmo, insisti, você precisa sentir.

Minha amiga abaixou a calça.

Isso, fique de costas, primeiro sinta, depois deixo que veja.

Ana, nunca transei com mulher.

Não sou mulher, agora, mas um homem, isso, assim, quietinha.

Ah, estou sentindo, um peru enorme.

Abre bem as pernas, apoie no encosto do sofá, isso, apesar de você de costas estou tentando meter na frente.

Isso, Ana, continue, não pare, não sabia que isso era possível, como você é gostosa, ou gostoso, não sei, não pare, estou toda molhada, não demora gozo, ai, mais fundo, isso, ai ai ai, que gozo, que gozo, não para, mas não goza, não, Ana, deixa eu gozar sozinha, você não, por favor, você não.

Você é muito gostosa, Vânia, isso, assim, mexe também, estou tentando me segurar, estou tentando, ui ui ui, a gente às vezes consegue, outras nem tanto... ui, Vânia, gostosa...


Acabamos as duas lambuzadas, uma caída pra cada lado, Vânia ainda no sofá, eu aos seus pés.


Ana, agora quero ver teu pênis, mostre, ele é muito gostoso.

O bom é sentir, ver não vai fazer efeito, desculpe se não cumpro minha palavra.

Tapei-me com as duas mãos e corri ao banheiro.


Vânia, você viu minha calcinha?, perguntei, ao voltar.

Rá, rá, rá, se não me mostrar, vai com ele dependurado, debaixo da saia!


Cortei um dobrado. Que mulher tarada!

quarta-feira, março 30, 2022

Fugidinha

Domingo de sol com o namorado. Bebemos refrescos com pedras de gelo. Ao longe, a praia. Olho o celular, uma mensagem. De um admirador. Não posso ler à vontade. O namorado aproxima-se, beija-me, acaricia-me, não tem a intenção de olhar o que me vem pelas antenas. Guardo o telefone. É o Alberto, tenho certeza, gosta de me enviar elogios nos dias de domingo.

Certa vez nos encontramos ao acaso e passeamos pela orla marítima a manhã inteira, eu não tinha compromisso naquele dia. Alberto me olhava, com seu jeito sedutor. Eu, calada. Como toda mulher, gosto de ser apreciada pelos homens. Ele sabia que nosso passeio era apenas pelo passeio mesmo, não poderíamos ir além. Em determinado momento, paramos e ele comprou sorvetes. Não sou muito de sorvetes mas, para agradá-lo, aceitei. Minha boca ficou muito vermelha. Morango é a tentação. Teve vontade de me beijar, em meio ao morango, à temperatura fria do sorvete e ao sol que nos enlouquecia o desejo. Passeamos e passeamos. Delicado, despediu-se no final do dia. Já tive namorados desse tipo, me comiam com os olhos e queriam me levar ao seu apartamento, ou mesmo a um hotel. Alberto, porém, nada falou. A gente se encontra por aí, qualquer dia desses, eu disse. Não mais o vi.

Agora, eu com o namorado e a mensagem de Alberto no celular. O namorado disfarça, tenta respeitar minha independência, mas sinto que o ciúme não lhe abandona. Nenhum homem quer sua mulher recebendo mensagens de outros homens, sejam eles apenas amigos ou mesmo parentes, querem a mulher apenas para si. Como conviver com isso? Vai à cozinha. "Vou pegar uma cerveja", diz. Consulto o celular? Não, não consulto. Ele volta rápido e vai me surpreender. O problema de ter compromisso com um homem implica inconvenientes. Como posso saber o que Alberto tem a me dizer? Deve estar na orla e lembrou-se de mim.

Vem-me à cabeça um domingo de outros tempos, um namoro não me lembro com quem. Estava eu na praia, final do dia, acabei na casa do homem. Acho que o lugar era Mangaratiba. Ou será que cheguei a trepar com Alberto naquele domingo? Não, não era Alberto. A trepada foi boa. O homem me tirou o biquíni e se pôs a me acariciar longamente. Tão longamente que cheguei a cochilar. Estava tão bom. Ao passar a língua sobre os meus lábios, despertei. Eu, nua às cinco e meia da tarde, numa casa de praia, com um homem que conhecera horas antes. Será que há outras pessoas na casa?, cheguei a me preocupar. Quando pensei nisso, senti o seu pênis a me penetrar. Suave, muito suave, escorregadio, abria todas as cancelas. Pingos de leite. Por que a lembrança agora, o que a mensagem de Alberto tem de ver com isso?

O namorado volta com a cerveja. “Você está bebendo refresco, mas tenho certeza de que vai me acompanhar na cerveja”. “Acompanho, claro”. Ainda bem, o pensamento, uma fugidinha. Eu, nos braços de outro, a pele lisa, morango com chantili não combina com cerveja. Engulo o morango.

terça-feira, dezembro 21, 2021

Paredes

Eu estava subindo pelas paredes. Como tenho um amigo para essas horas, telefonei para ele. Antes eu entrava num site, e procurava alguém. Mas, um dia, houve um incidente, por isso, por segurança, passei a preferir o amigo.

Você quer aproveitar?, perguntei pelo telefone, aproveite, assim como eu, mas não vá se apaixonar, viu.

Nada disso, meu amigo é profissional. Veio no mesmo dia. Recebi-o vestidinha, disfarçando o fogo. Às vezes, eu dava um suspiro.

Lembrei-me, então , de uma amiga. Ela diz ter umas lingeries lindas, tudo presente do namorado. Visto para ele tirar. Adorável, um namorado que dá calcinhas de presente. Quando ela quis saber se o meu não era semelhante ao seu, ao menos em relação aos presentes, eu disse num tremelique de lábios: ah, o meu leva minhas calcinhas de lembrança, volto pelada pra casa.

Meu amigo conversou um pouco, contou umas histórias, rimos, bebemos cada um uma taça de vinho. Depois, pediu-me que encostasse a uma das paredes.

Quero ver você subir.

Não!, alertei, pedi que você viesse aqui para evitar que eu as escalasse.

Tirou minha roupa. Senti o frio da alvenaria sobre os seios, eu de costas para ele. A seguir, me suspendeu, e me penetrou a boceta, como os cães fazem com as cadelas. Permaneci alguns segundos suspensa, colada à parede, como uma aranha, equilibrada na ponta do seu pênis.

A posição me excitava. Gritei forte. E nunca gozei tanto. Ele teve de abafar o som.

O síndico vai chamar a polícia, vai pensar que alguém está te matando, sussurrou no meu ouvido.

Me mata, me mata de tesão, quero morrer assim, gritava eu cada vez mais alto.

Depois me levou para cama, onde o enlevo foi mais suave. Mesmo assim, meus orgasmos se multiplicaram. No final, fechei os olhos e dormi.

Quando acordei, ele já tinha partido. Ainda bem, eu ainda nua. Nessa hora é bom estar sozinha. Morro de vergonha depois do gozo.

terça-feira, dezembro 14, 2021

Enroladinha

Outro dia li uma história onde havia uma personagem feminina que, ao ver um homem forte, másculo, bonito, molhava a calcinha. Verdade, ficava a mil e não conseguia evitar o gozo. Aliás, gostava mesmo da sensação, sexo a flor da pele. Lembrei algumas vezes em que senti a mesma coisa. Quando vou à praia vestindo um biquíni mínimo, daqueles que deixam meu bumbum todo de fora, não chego a molhá-lo devido a um eventual orgasmo, mas atinjo as bordas. Quando ando, sinto o tecido apertado, todo entrado atrás, a pressão por baixo da minha vagina, os músculos da minha bunda mexendo-se e atraindo olhares. Da primeira vez que usei um biquíni desses, senti-me nua, mas pouco a pouco me fui acostumando, imagino mesmo comprar um menor. Há mulheres que andam de biquíni no calçadão da orla marítima, fazem o maior sucesso. Nós, que vivemos aqui, não chegamos a tanto, caso precisamos ir ao calçadão vestimos a saidinha de praia. Estive conversando com uma amiga que não via fazia tempo. Ela costuma ir  à orla apenas de biquíni, pede para quem está próxima para tomar conta de suas coisas. Perguntei se não achava esquisito ir passear praticamente nua na calçada. Que nada, é gostoso, respondeu, os homens ficam olhando, sinto que me comem com os olhos, além disso, a gente arranja namorado com facilidade. Perguntei se ficava excitada. É um gozo, chegou a dizer. Outra que molhava o biquíni. 

Certa vez gozei na praia, tenho de confessar. Mas não foi sozinha. Tive um namoradinho que entrava na água comigo. Então, acontecia. Deixei uma ou duas vezes que tirasse o meu biquíni. A gente nadava até um ponto onde havia poucas pessoas e... acontecia! Uma transa e tanto. 

Sempre achei que, para gozar, seria preciso alguém a me tocar, a me acariciar, um grande pênis a me penetrar. Mas, através de histórias, e depois de conversa com amigas, descobri que não é bem assim. Uma me contou que já gozou ao mergulhar numa praia. A água estava tão fria, que a fez chegar ao orgasmo. Há outra que me narrou uma aventura arriscada, mas adorável. 

Saía à noite com o namorado e realizava algumas fantasias. Na verdade, gozava com as fantasias. Uma das vezes veio à praia depois da meia-noite. Entrou na água e tomou banho de mar nua. Um gozo. Outra vez pediu para ele levá-la a passear nua. Mais um orgasmo. Mas o principal aconteceu numa madrugada de outono. Ele parou o carro numa estrada escura, os dois desceram e ficaram namorando do lado de fora. Ela despiu-se. Ficou vestida apenas com o casaco que lhe descia até a cintura e uma bota de cano curto. Namoraram encostados na lataria do carro, a seguir sobre o mato, próximo à estrada. Antes de irem embora, pediu que ele desse uma volta de carro e voltasse depois para buscá-la, que demorasse uns quinze minutos. Mas você está nua!, ele. Por isso mesmo, ela. O namorado aceitou. Quando ele partiu, ela ficou molhadinha. Gozo jamais sentido. Não perguntei se ele voltou! 

Desde então tenho pensado nisso, gozar com minhas fantasias. Uma delas é ir a uma cidade próxima, que dista trinta quilômetros daqui, onde não conheço pessoa; ir vestida como se fosse outra mulher, criar na verdade uma personagem. Conhecer alguém, trepar, não dizer meu nome nem saber o dele. Antes de voltar, deixar-lhe um presente. A calcinha. Enroladinha.

terça-feira, dezembro 07, 2021

Você acha isso normal?

Já que você fica me pedindo pra contar minhas aventuras, escute, então. Veja como os meus mamilos estão durinhos, como estou arrepiada, acho que é a batida de maracujá. A história envolve algo que me aconteceu e que me agradou, o problema é que acho absurdo ter gostado do tal fato. Tive um namorado que me queria nua ao seu lado, sentada no banco do carona, a passear com ele de automóvel. Posso ser presa, eu disse. Não, aqui nesta cidade já não tem polícia de dia, imagine à  noite. Acabei fazendo-lhe a vontade. Além de sair pelada, como estou agora nesta poltrona, também saltei do carro num trecho da rodovia estadual. Pedi pra ele dar uma voltinha e depois retornar pra me buscar. Ele deu a partida, e fiquei ali, nua, nua. De repente, me senti molhadinha entre as pernas! Às vezes vinha um carro ao longe, eu me agachava dentro do mato, ao lado do acostamento. Depois de um quarto de hora ele voltou, entrei no carro e fomos pra sua casa. Trepamos durante o que restava da noite. Você sabe, toda vez que passo pelo local, sinto saudade do ex-namorado, daquela madrugada, sinto falta de tudo que aconteceu. Você acha isso normal?

Vocês, homens, acham tudo muito normal. Outra história, aconteceu alguns anos antes da que acabei de contar. Conheci um homem no cinema. Ele era bonito, fui eu que o abordei. Sabe aquela velha história, conheço você de algum lugar? Ele caiu direitinho. Ficamos conversando, vimos o mesmo filme, lado a lado, e deixei pegar a minha mão. Na saída, me ofereceu carona. Moro no Meyer, vou de ônibus. Ele insistiu, acabei aceitando. Pra encurtar, marcamos de nos encontrar na semana seguinte, acho que um sábado no final da tarde. O encontro foi em frente ao cinema Odeon. Ficamos conversando, fomos a um café, depois me convidou pra ir à casa dele. Morava no centro. Enquanto caminhávamos, pensei se esse homem for louco? Mas o desejo de estar com ele era maior. O apartamento era pequeno, havia uma saleta e um quarto com uma cama de casal. Que bom, tão difícil arrumar namorado nos dias atuais. Passaram alguns minutos e a gente começou a se agarrar. Naquele tempo eu era mais tímida do que hoje, pedi que tivesse paciência comigo. Fiquei então de calcinha e sutiã. Beijei-o com muito ardor. Após uma hora daquele agarramento, insistiu pra me tirar o sutiã. Acabei permitindo. Ele me abraçava, a gente rolava na cama, e eu de calcinha. Não fomos além, tenho certeza, só trepamos uma ou duas semanas depois. É uma história diferente, não? Eu, super tímida, de calcinha, cobrindo os seios com as mãos!

Me dá um cigarro, vai, acende pra mim, te conto mais uma. Ah, que gostoso. Só fumo nessas ocasiões. Certa vez fui a Búzios. Eu e uma amiga. Quando a gente viaja a um lugar onde ninguém nos conhece, é ótimo, não temos preocupação alguma. Ficamos em uma pousada. Um fim de semana prolongado. Fomos a várias praias, bebemos demais, ríamos à toa. Minha amiga se chamava Iracema, veja que engraçado, quase ninguém se chama Iracema hoje, deve estar agora beirando os cinquenta anos. A gente pintou e bordou. Conhecemos de cara dois sujeitos. Eu disse não fala onde estamos hospedadas. Entramos de biquíni no carro deles. Adivinhe o que aconteceu. Isso mesmo o que você está pensando, logo de primeira, não tinha nem duas horas que estávamos na cidade. Pedimos, depois, que nos deixassem numa determinada praia. Eles nos atenderam, mas ainda ficaram com a gente um tempo enorme. Queriam marcar encontro à noite, a cidade tem uma ótima vida noturna, disse um deles. Mas desconversamos, não queríamos ficar presas a eles. Eu disse de repente a gente se encontra ao acaso. Eles concordaram e foram embora. À noite, colocamos vestidos leves e soltos, fomos à tal rua das Pedras. Não passou muito tempo, paramos num bar bem movimentado, dois ingleses vieram conversar. Nem conto o resto, você pode imaginar. Não foi logo de primeira, como à tarde, mas depois das duas da madrugada, onde eles estavam hospedados. Havia outras pessoas, um hostel, fiquei achando que chegaria alguém e me surpreenderia nua. Mas acabou tudo bem. Trepei com dois homens num espaço de doze horas. E Iracema (que alegria!), também nua, em dia com seus orgasmos, dizia: me ajuda a encontrar o vestidinho.

Agora, estou com você, que gosta de ouvir minhas aventuras. Isto é normal? Traz mais uma batida pra mim, por favor.

terça-feira, outubro 26, 2021

Ainda bem que tinha o shopping

Toda mulher tem a fantasia de viajar para um lugar onde ninguém a conhece e fazer, ali, tudo o que tem vontade. Não sou diferente, fico toda arrepiada quando penso nisso. Um dia desses, uma amiga me pediu para acompanhá-la a Cabo Frio. Por quê?, quis eu saber. Ah, você vai ver quando chegar lá.

Saímos de M às sete da manhã, pegamos um ônibus que parou em todos os pontos, um entra e sai exaustivo. Durante a viagem, ora olhei a paisagem ora cochilei um pouco. Quando acordava, tentava reparar os outros passageiros. Chegamos ao nosso destino duas horas depois.

Não tenho muita habilidade para andar pelo centro daquela cidade, mas, guiada por minha amiga, olhamos o comércio e acabamos entrando num pequeno shopping. Não demorou a aparecer um homem, um amigo, segundo ela, no entanto achei que tinham em comum algo mais do que a amizade. Depois, contou-me, quase em segredo, gostava de sair de M porque podia aproveitar melhor a vida, longe das fofocas locais.

O que fizemos no dia, não foi tão importante. Almoçamos num restaurante da Praia do Forte, passeamos pela orla,  bebemos uma ou duas caipirinhas. E eu que não gosto de bebidas alcóolicas em dias de semana. Quando deu quatro da tarde, ela me levou para um canto e me perguntou você pode me esperar um pouco, é só por uma hora ou uma hora e meia. Respondi sim, mas fiz um gesto que revelava minha insegurança. Onde esperá-la durante aquele tempo todo?

– Fique no shopping – sugeriu ante a minha inquietação – , lá tem movimento, visite as lojas, ou permaneça num bistrô, depois vou encontrar com você.

Aceitei. Fui para o tal shopping.

O engraçado aconteceu quando sentei na praça de alimentação. Não comprei nada, porque, depois de um almoço cheio de regalo, nada passava. A princípio, não havia lugar para sentar. Reparei um homem de uns quarenta anos, sozinho, comendo um prato de comida, desses bem cheio. Fui até onde estava e perguntei se podia sentar na mesma mesa. Ele aquiesceu. Acabamos conversando. Quis logo saber de onde eu era. Não falei a verdade, enrolei um pouco, disse que viera à cidade pela primeira vez e aguardava uma amiga. Era sedutor o tal, disse seu nome e tinha uma conversa envolvente. No final, deixou-me o número do telefone, caso voltasse à cidade, procurasse por ele, tinha muito tempo disponível. Sua amiga já está para chegar?, perguntou. Sim, já deveria ter chegado. Imaginei-a nos braços do namorado, esquecida da nossa volta a M. Caso aquele homem a minha frente permanecesse ali indefinidamente e minha amiga não aparecesse, o que eu faria? A conversa enveredou pelos passeios de fim de semana, pelas possiblidades que a cidade oferecia. Eu de vestido esvoaçante, flutuando ao lado dele. Olhei o relógio algumas vezes, tentei não demonstrar impaciência, o desconfortável da situação. Ele me revelou que trabalhava para o prefeito local e que tinha muitas regalias. Talvez as regalias fossem levar-me a um hotel para passarmos a noite, caso minha amiga não voltasse.

Mas ela voltou, com meia hora de atraso, e veio sozinha.

– Estou te procurando há um tempão, pensei que tivesse voltado para M sozinha – ela disse.

Apresentei-lhe meu recente amigo. Ela deu um sorrisinho malicioso, fazendo-me sua cúmplice e revelando a ele, com o gesto, coisas que deviam ficar entre nós duas. O homem deixou o número do telefone. Mas não lhe telefonei e, por sua vez, não lhe dei o meu.

Pegamos a condução de volta às sete da noite. Depois deste dia, comecei a pensar que poderia fazer o mesmo que minha amiga, mas agiria de modo diverso, não chamaria ninguém para vir comigo.

– Você poderia ter vindo sozinha, ficaria mais à vontade – arrisquei.

– Nada disso, não tenho nada a esconder. Chamei você porque achei que ia gostar, seria uma oportunidade de passeio.

– Ah, isso é verdade, um belo passeio. Arranjei até um namorado.

– Jura? Quem?

– Não te apresentei?

– Me conta, então, como vocês fizeram.

– Hum, como vou contar? Ouça, ainda bem que tinha o shopping, sabe...

– Por quê?

– Depois de tanto furor, tive de comprar uma calcinha nova!

terça-feira, outubro 19, 2021

Uma caixa de chocolates e a história das três empadas

Um dia desses fui tomar café da manhã com um amigo, em Copacabana. Digo amigo, mas na verdade já tive um caso com ele. Quando nos encontramos, ele me beijou e disse você está tão bonita. Passeamos pelo calçadão, a praia toda, fomos até o Leme, onde seguimos por um caminho junto à pedra. Ficamos admirando o mar. Depois voltamos. Caminhamos pela areia da praia durante um bom tempo. Lá pelo posto 5, ele disse é uma boa hora para um café da manhã. Entramos uma transversal e paramos num Bistrô.

Peça o que quiser, aqui há um café com muitos acompanhamentos, incentivou. Decidi por um em que vieram queijo, frios, manteiga, requeijão, mel, croissant, suco de laranja e café expresso grande. Meu amigo reparou o prazer que sinto quando saboreio todas essas coisas. Você tem os lábios lindos, falou enquanto eu, delicadamente, mordia um pedaço de queijo. Fez uma foto, eu com a xícara numa das mãos. Tive a intuição de que ele queria a minha boca e os meus lábios para outra coisa, verdade.

Certa vez, estivemos num hotel, onde passamos a tarde. Eu pelada no colo dele. Deve ter imaginado a cena ao me ver comendo. Você chupa meu peru? A pergunta, no hotel, não na cafeteria, no tempo em que tivemos o tal caso.

Depois de beber e comer, ainda no bistrô, pedi mais um croissant. Estou um pouquinho acima do peso, mas ele me admira do jeito que sou.

Quero você nua, com esses lábios sensuais comendo chocolate na cama, ele disse enquanto eu tomava o último gole do café. Chocolate?, repeti. Isso, a caixa inteira, confirmou. Será que compreendi?, ele me ouvia, você me quer nua comendo uma caixa inteira de chocolates, recostada na cama? Isso mesmo. Mas você não acha que já estou gorda o suficiente, ainda uma caixa inteira de chocolates? Não faz mal, ele assegurou, gosto de você gordinha, e depois posso ajudar a pagar a academia. Mal sabe ele que para emagrecer é necessário apenas fechar a boca, e não uma ginástica cara. Acabei de tomar o último gole, juntei os talheres e esperei por ele. Tinha certeza de que não iríamos a outro lugar. Eu tinha um problema para resolver e com ele acho que acontecia o mesmo.

Na rua, ainda caminhamos um pouco, até a Av. Atlântica. Ele falou umas coisas engraçadas. Eu ri. Depois nos despedimos e cada um partiu para o seu lado. No caminho, lembrei de um homem com quem saíra algumas vezes. Ele tinha essa mania, de gostar de me ver comendo. Certa vez trouxe cinco empadas grandes e quis que eu as comesse todas. Todas?, vou passar mal, respondi. Come devagar, temos toda a tarde. Comecei a comer e a beber uma  água mineral que tinha na geladeira. Depois de uma hora de conversa, eu tinha comido apenas uma das empadas. Você não comeu nada, falou. Não aguento, vou guardar para mais tarde. E foi feito. O homem não me pediu mais. Comi as três empadas restantes depois, uma à noite, e as outras no dia seguinte. Ele, sim, me comeu ali mesmo, na sala, depois de eu guardá-las na cozinha. No final, quis que eu desfilasse nua pra ele, era o que tinha de pagar pelas empadas em estoque! Vá entender os homens.