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quarta-feira, junho 22, 2022

Entrevendo

Eu vinha do toalete, o namorado me aguardava na porta; o restaurante, mimoso e acolhedor. Um homem saía da porta ao lado – o toalete masculino –, olhou-me, surpreso. O motivo: além do corpo mignon, eu estava nua, ou melhor, trajava uma saída de praia rendada, dessas que descem até abaixo dos joelhos, deixava entrever o que se veste por baixo, vinha abotoada até o umbigo, daí em diante escorregava aberta. Um segredinho: pareço mulher, mas não sou. Por isso, a surpresa maior do tal homem. Ele entreviu, por causa do movimento fugidio do tecido, algo inesperado: meu pênis soltinho. Há quem diga que sou pervertida, que adoro me exibir, que há hora para essas coisas; num lugar público, minha atitude seria indecente. A nudez é a nossa natureza, argumento. Além disso, caso se pense de modo diferente, digo: os tempos estão mudados, existem mulheres que andam nuas e ninguém reclama, as pessoas as apreciam, querem observá-las de perto, por que eu, uma pessoa trans, não posso também andar nua? Preconceito? Outro ponto, caso cada pessoa esteja preocupada com a sua vida, não vai dar por mim nem pelo que visto ou não por baixo da renda. Os proprietários do restaurante já me conhecem, conhecem o namorado, cumprimentam-nos, agradecem nossa presença. Caminhamos até uma das mesas laterais, sentamo-nos. Cruzei as pernas, cobria assim meu sexo, sentia-me protegida caso descobrisse algum outro olhar maldoso. O namorado pediu duas caipirinhas.

A praia, em frente, não permite o nudismo total, uma pena. Quando a frequento, visto um biquininho lindo. Ao ir ao restaurante, corro sempre ao toalete e dispo-me, assim me sinto mais confortável, de bem com a vida; uma ponta de excitação me completa. O namorado adora, já me conheceu com esse costume. No começo, pensou que teríamos problemas, mas depois chegou à conclusão de que o problema é das pessoas que querem nos reparar.

Descobri Célia numa mesa próxima. Você não vai me contar uma história, por escrito?, quero publicar, viu?, ela me segredou, quando seu acompanhante deu uma saidinha para fumar; você tem coisas interessantes para contar, e nos últimos tempos estamos com uma audiência enorme. Quando seu homem voltou, ela correu para a mesa onde estavam. Vestia uma saída de praia curtinha, certa vez me disse que não era tão ousada quanto eu.

Naquele dia ficamos até o final da tarde, bebemos duas caipirinhas cada um, comemos frutos do mar.

Quero namorar, segredei-lhe no ouvido. Aqui?, ele. O que você acha?, devolvi. Ele me beijou na boca, um beijo comprido. Troquei as pernas de posição, a esquerda sobre a direita. Meu pênis não é pequeno, e não ficou rijo, ainda bem. Nesse ponto sou quase uma mulher. Só não posso gozar. Porque, depois, morro de vergonha.

quarta-feira, abril 06, 2022

Mulher em dobro

Você tem um pênis enorme, ele me disse.

Como posso ter um pênis?, sou uma mulher.

Também não sei, acho que surgiu de ontem pra hoje, repare, apalpe você mesma.

Verdade, mas como?


Estávamos os dois deitados, ele nu, eu de camiseta, apenas.

Veja, até que é interessante, uma mulher com um pênis, vou me divertir em dobro, disse ele.

Você fala sério?

Claro, será mais estimulante.


Ele me virou, na cama, tirou minha camiseta, segurou onde dizia estar meu peru.


Repare como ele cresce, e você ainda tem a vagina, bonita como sempre. Só existe um problema, não para ser resolvido agora: como você vai usar aquele minúsculo biquíni que veste para ir à praia?, e a minissaia?, acho que um peru deste tamanho vai escapar, um escândalo.

Dou um jeito, falei animada, há jeito pra tudo nessa vida, tanto mais quando se tem um pênis exagerado, mas confesso, apesar do pênis gosto mesmo dos homens.

Não importa, o que vale é estarmos juntos, o pênis é um dado a mais, você vai gozar em dobro, aliás, vou fazer você gozar em dobro.

Então, comece, estou adorando, vou ser uma mulher em dobro, uma mulher com pênis, que goza de duas maneiras diferentes, isso mesmo, estou sentindo, comece assim.

Você vai adorar, disse, mudando de posição, a bunda voltada pro meu rosto.

Continue, amor, estique um pouquinho, segure-o por baixo, estou descobrindo que sou mais sensível aí, isso, devagar, não quero gozar logo.

Que bom, não?, você também pode enfiar, vai ter tal experiência, quero dizer, já está tendo, está gostando, ele dizia enquanto trepávamos.


Entrava uma faixa de sol pela janela.


O que me dá mais tesão é imaginar você vestida de mulher, com esse pênis enorme, duro, embaixo da saia.

Ah, quando sairmos, ele vai ficar pequenino, escondidinho, ninguém vai notar, falei espirituosa.

Mas, se eu roubar tua calcinha?

Não tinha pensado nisso, vixe, de saia e sem calcinha; tenho uma amiga que adora sair sem calcinha, mas não tem pênis; se tem, jamais me falou.

Não deve ter, mas enfia, enfia com gosto, isso, uma mulher com pênis, dá pra gente namorar em dobro, uma mulher que enfia, namoro completo, ele delirava.

Ai, acho que vou gozar, nunca gozei com um pênis, é novidade, como devo fazer?, perguntei sentindo que alguma coisa me escapava.

Não precisa fazer nada, fique quietinha, é natural, funciona como uma planta selvagem, cresce sozinha.

Ai, parece que tenho uma torneira entre as pernas, nunca senti nada igual.

Teu jato é quente, continue, continue, isso, não pare.

Ai, ter pênis é trabalhoso, gozei, não sei mais o que faço, só sei que estou morrendo de vergonha, é assim mesmo, depois do gozo a vergonha?

Não, no teu caso, nada de vergonha, agora abra as pernas, abra bem, vou fazer você gozar pela boceta!


Vânia, prestou atenção na história que acabei de te contar ou está pensando em outra coisa?

Prestei, sim.

O que achou?

Quero ver teu pênis.

Jura?

Juro, vai, mostre.

Primeiro é necessário sentir.

Sem ver?

Isso mesmo, insisti, você precisa sentir.

Minha amiga abaixou a calça.

Isso, fique de costas, primeiro sinta, depois deixo que veja.

Ana, nunca transei com mulher.

Não sou mulher, agora, mas um homem, isso, assim, quietinha.

Ah, estou sentindo, um peru enorme.

Abre bem as pernas, apoie no encosto do sofá, isso, apesar de você de costas estou tentando meter na frente.

Isso, Ana, continue, não pare, não sabia que isso era possível, como você é gostosa, ou gostoso, não sei, não pare, estou toda molhada, não demora gozo, ai, mais fundo, isso, ai ai ai, que gozo, que gozo, não para, mas não goza, não, Ana, deixa eu gozar sozinha, você não, por favor, você não.

Você é muito gostosa, Vânia, isso, assim, mexe também, estou tentando me segurar, estou tentando, ui ui ui, a gente às vezes consegue, outras nem tanto... ui, Vânia, gostosa...


Acabamos as duas lambuzadas, uma caída pra cada lado, Vânia ainda no sofá, eu aos seus pés.


Ana, agora quero ver teu pênis, mostre, ele é muito gostoso.

O bom é sentir, ver não vai fazer efeito, desculpe se não cumpro minha palavra.

Tapei-me com as duas mãos e corri ao banheiro.


Vânia, você viu minha calcinha?, perguntei, ao voltar.

Rá, rá, rá, se não me mostrar, vai com ele dependurado, debaixo da saia!


Cortei um dobrado. Que mulher tarada!

segunda-feira, setembro 06, 2021

A sorte de Lourdinha

Tenho uma prima que tirou a sorte grande, como dizem as pessoas mais velhas. Mas não sabe dar valor. Venho à praia todo dia, visto meu menor biquíni, passo protetor e fico debaixo do sol, às vezes não aguento e vou pra sombra, sob a barraca. Gosto de deitar de bunda pra cima, e você há de convir que não é apenas pra me bronzear nas costas. Os homens adoram me ver assim. Mesmo com todo o trabalho, o zelo, o cuidado, ou seja lá qual for a palavra, não tenho a sorte de Lourdinha. Mas mesmo sortuda do jeito que é, morre de vergonha. Tem vergonha de tudo. Lourdinha, por favor, compre um biquíni menor. Lourdinha, você não se manca, vem à praia de maiô, as mulheres estão todas nuas, olhe. Mas não adianta, ela continua do mesmo jeito. Outro dia veio me contar que arranjou um namorado. A tal sorte grande. O homem gostou dela, chamou pra tomar um café. Veja se isso é possível em M, a gente conhecer um homem e ele convidar pra tomar um café numa cafeteria bonita, cheia de bolos, de pedaços de tortas, de doces. Os caras daqui querem levar a gente direto pra cama, sem conversa nenhuma. Não que não seja boa a cama, muito pelo contrário; às vezes, o tal é tão gostoso que é bom que nada fale, assim não estraga. Mas a Lourdinha conseguiu o homem certo, embora não seja o que ela pense. Conversaram das quatro às seis da tarde, tomando cappuccino e comendo pedaços de torta. Lourdinha comeu dois. Ela é magra. Não sei como é possível. O namorado, digamos assim, porque nada havia acontecido entre eles, telefonou várias vezes, conversava e mais conversava. Você está imaginando que não ficou apenas nisso. Claro que não. Ele a convidou ao melhor restaurante da orla. Aquele que se chama... como é mesmo? Ah, lembrei, Ilhote. Pode pedir o que quiser, ele disse. Imagine se arranjo um namorado que me convide e que me diz que posso pedir o que quiser. Já sabe o que vou querer. Lourdinha, morta de vergonha, não sabia, disse que comeria o mesmo que ele. Lourdinha, falei, lá tem camarões grandes, caldeirada, salmão, também carnes de todos os tipos, e você disse que não sabia o que comer, o que deu em você? Jantaram lá o que ele pediu, depois de olhar cuidadosamente o cardápio. Era um peixe muito gostoso, segundo ela, mas não lembra o nome do prato. Depois do jantar, o que aconteceu? Nada. Ele a deixou em casa. Ainda bem, ela disse; caso me convidasse a outro lugar diria que não poderia, que tomo conta de uma pessoa doente, coisa e tal; não posso sair sem o conhecer melhor. Veja, você, se aqui nesta cidade, neste lugarejo, a gente vai conversar mais pra conhecer alguém melhor antes de ir pra cama! Logo o homem desaparece e a gene fica chupando dedo. Mas as coisas não acabam aqui. Ele ligou várias vezes; numa das ligações, perguntou se ela tinha conta em banco. Com a resposta afirmativa, pediu o número. Pra que você quer o número da minha conta?, Lourdinha perguntou. Quero te dar um presente, respondeu o namorado. Lourdinha ainda ficou desconfiada se o homem queria o número para lhe dar um presente ou um golpe. Que golpe ele vai te dar, mulher?, você nunca tem saldo na conta. Ela ainda demorou uma semana pra dar o número. Então, no dia seguinte, ela recebeu um depósito de trezentos reais. Veja você se alguém vai depositar assim trezentos reais na minha conta, mesmo eu de biquíni mínimo e de bunda pra cima nas areias da praia de Cavaleiros. Lourdinha ganhou, sem precisar fazer nada, apenas sair com ele pra tomar café e jantar. Ontem ela me telefonou, disse que precisava da minha ajuda, está apaixonada pelo homem. Que ajuda eu posso te oferecer?, perguntei; você está apaixonada, ele te faz convites, vocês saem duas vezes na semana, o homem faz depósitos na tua conta, tudo está resolvido. Não, Lúcia, ela me disse, o problema não é esse. Qual é o problema então, Lourdinha? Você vai rir de mim, mas o problema é que estou doidinha pra trepar com ele mas estou morrendo de vergonha; ele me convidou pra passarmos o final de semana num hotel, em Búzios, mas não sei, o que vou sentir quando estiver pelada na frente dele? Olhe, Lourdinha, vá logo, ao contrário roubo este teu namorado, vou aparecer nua batendo lá na porta dele, e sei mesmo onde ele mora!

segunda-feira, agosto 09, 2021

Não falaria assim

Joana, nada de me apresentar esses teus amigos, o último com quem saí através de tua mediação foi um problema. Você não vai acreditar o que aconteceu. Ninguém normal faria o que ele fez. O cara roubou minha calcinha, acredita? O que faz um homem roubar a calcinha de uma mulher? Não é melhor convidar uma mulher pra ficar com ele o tempo todo nua? E na sua casa, alguém a lhe fazer carinho? Mas o cara roubou minha calcinha, e nem me convidou pra dormir na casa dele. Tive de chamar um táxi às duas da manhã e... sem calcinha. Por favor, não me apresente mais a ninguém. Você não sabia? Como pode me recomendar um cara pra me namorar se não o conhece? Ah, sei, foi através de uma amiga. Ele era amigo de uma amiga, que já tinha namorado uma outra. Acho que os elos estão longe demais. O homem poderia me ter causado problemas maiores. Ah, você nunca voltou pra casa sem calcinha, depois de um esfrega-esfrega bem quente? Eu, já, não foi a primeira vez, mas não gostei da brincadeira. Não recomende o homem pra outras amigas. O problema é delas se te perguntam se você conhece alguém que as convide para sair? Ainda houve a história da bolsa de butique. Nunca ouviu falar, ele não te contou? Aliás, acho que você nada sabe sobre o homem. A gente saiu, foi jantar em Santa Teresa, depois acabei aceitando ir até a casa dele, acho que foi esse o problema. A solução? Deixe de brincadeira, Joana, nada de solução, só porque te pedi um namorado você fala em solução? Acho melhor ficar sozinha a partir de agora.  A história da bolsa aconteceu na casa dele. A gente estava fazendo um carinho gostoso; eu nele; ele em mim. De repente me vi nua, nos braços do homem. O cara começou a contar uma história, que ia colocar minhas roupas numa bolsa de butique, ia me levar pra passear nua. No começo, achei que era uma história pra gente se excitar, e dei corda, perguntei como era o carro, aonde íamos, onde eu sentaria, se me compraria um vestido novo. Mas depois a coisa começou a assumir um aspecto sério. O cara perguntou se eu tinha chegado nua em casa, alguma vez. Não acredita? Pura verdade. Fiquei no começo arrepiada, depois nem sei o que mais senti, meu vestido não mais estava sobre a poltrona onde eu o havia deixado. E o cara dizendo vou levar você pra passear nua, sentada no banco do carona, vamos deixar a bolsa com tuas roupas na porta de uma dessas casas de luxo que há no bairro Y. A gente dá umas voltas, eu paro na orla, a gente namora, namora, se agarra, se você tiver coragem salta do carro e desce até à beira d’água, depois a gente volta, e vai pegar de volta a bolsa. Será que ainda estará lá? Caso tenha desaparecido, dou um jeito os homens sempre dão um jeito. Enquanto contava a história, a gente estava na cama, eu ao lado dele, ele sobre mim, a gente namorando, só namorando mesmo. A história me aterrorizou, pedi por favor, quero ir embora, vou me vestir, estava com medo do homem. Ele tentou ser delicado, não precisa temer, são apenas histórias pra  gente se divertir. Acabamos namorando mais, trepando. Mas, no final, onde minha calcinha? Ele não a encontrou, chegou a perguntar se eu a havia guardado. Só faltou perguntar se eu viera de calcinha. Mas teve a delicadeza de se calar sobre isso. Na hora do amor, gostei, gostei e gozei, mas depois... Você diz que foi bom, que o importante foi que o homem me acariciou e me levou às nuvens? Sim, me levou mesmo. Mas não gosto de voltar pra casa, nua. Porque pra mim voltar pra casa sem calcinha é voltar nua. E a calcinha me custou cento e vinte reais, era a melhor que eu tinha. Por isso, vou dar um basta, nada de sair com caras desse tipo. Você acha que valeu a pena, não?, que sou eu que não sei valorizar. Você já voltou pra casa sem calcinha, Joana? E sem uma calcinha de cento e vinte reais? Acho que não. Caso tivesse acontecido, não falaria assim.

terça-feira, junho 15, 2021

Não estica a corda

Tenho um namorado que é fogo, acaba conseguindo de mim tudo que deseja. Como gosto muito dele, é difícil recusar suas propostas. Desde que o conheci, diz que sou muito bonita, que jamais namorou uma mulher parecida comigo. Elogia meu corpo, fica admirado como consigo praticar uma alimentação tão equilibrada e sentir tanto prazer pela vida. Um dia desses, veio com a história de que meu biquíni é muito grande, eu devia usar um mais ousado, mais curtinho, que mostrasse as belezas que vivo escondendo. Não sei se vou me sentir bem com um biquíni mais curto, repliquei.

Contei a ele uma peripécia minha numa praia de Búzios. Como moro em M, que fica a quarenta minutos da tal praia, não me preocupei à época e usei um biquíni mínimo, deixava tudo de fora. Não acredito, ele falou, você tão cheia de pudor, com tudo de fora... Sério, tudo de fora, afirmei, me senti nua por inteiro com o tal biquíni, e não foi coisa de namorado, mas de uma amiga, ela criou a situação; além disso, apareceram dois homens; foi aí que a coisa pegou. O que aconteceu?, perguntou, muito curioso. Ah, não é coisa pra contar pra namorado, você também já fez das suas.

Insistiu pra eu trocar de biquíni, disse que ia comigo a uma loja onde vende cada um ótimo, pagaria tudo. Não se passaram duas semanas, estava eu na praia com o biquíni mais curto que já vesti, todo entrado atrás. Ai se encontro alguém, vou morrer, disse assustada. Você não está nua, mas numa praia onde as mulheres não têm vergonha alguma, e é normal se vestir assim no litoral, ele rebateu. Você está errado, nós morremos de vergonha, não deixamos transparecer porque sabemos representar, caso alguém pudesse fotografar o que sentimos num momento de nudez, ficaria surpreso, sussurrei no ouvido dele.

Depois dessa do biquíni, ele veio com outra história, aliás, com duas histórias, só que uma depois da outra. Meu namorado é mestre nisso, sabe fazer as coisas por partes, dosar o seu desejo, avançar na hora certa, e me deixar sem saída. Sempre namoramos muito à vontade, tanto na minha casa, como na dele, quando lá não tem ninguém. Às vezes, vamos a um hotel aqui na cidade, ou a uma pousada na cidade vizinha. Outro dia, eu estava nua nos braços dele, num tremendo roça roça (eu já não mais podia). Coloca a camisinha, pedi. Ele ficou embromando, e me apertava, e me beijava, e fez que eu abrisse as pernas, e roçou ainda mais, e eu cada vez mais doidinha... Bota a camisinha, supliquei. Espere mais um pouquinho, pediu, vamos pele com pele, só um minutinho. Eu, tão equilibrada, deixei o tal pele com pele. Estava toda molhada, ele escorregou pra dentro de mim. Ai, por favor, está tão bom, mas não vai perder a cabeça, viu, pedi, a equilibrada, que já ia mal no barbante. Num determinado momento, cheguei a soprar não tira, por favor, está muito gostoso, mas não perde a cabeça, viu, por favor. Naquele momento, lembrei a amiga de Búzios, do biquíni, eu e tudo de fora, a mesma coisa a acontecer, logo comigo. Ui, não goza, não, viu, eu falava pro homem, a gente naquela praia, uma barraquinha que eles tinham, eu e a amiga, as duas peladinhas, não goza, não, viu. E eles perdendo a cabeça, nós duas já vencidas fazia horas. Voltei pra M desesperada, minha amiga nem ligou.

O namorado já estava suando frio, suspirando, você está por um triz, pronunciou, acho que hoje não escapa; então, eu, equilibradíssima que só, disse vem aqui, despeja na minha boca. Tudo aconteceu numa fração de segundos. E foi a festa!

Agora, a segunda história. Você tem um bumbum lindo, acaricia, elogia, quer uma coisa que nunca fiz. A camisinha chega a brilhar vestida no peru dele, e ele me encosta, me roça por todos os lados. Por trás, não, por favor, não insiste. Eu não querendo dizer nunca fiz uma coisa dessas, acho que não vou gostar. Ui, devagar, me beije primeiro, suba o meu corpo, veja, é todo teu. Mas o namorado é tão convincente. Acuada, me pergunto se vou gostar, ou se vou gozar. Primeiro me deixa subir na corda, me ajuda, isso, agora a vara, por favor, assim mesmo, está muito bom, ótimo, sou equilibrada, muito equilibrada mesmo. Equilibradíssima. Com a vara, um tanto melhor.

terça-feira, maio 25, 2021

Durinhos

Quando vi o homem, o bico dos meus seios ficaram duros. Verdade. Fazia tempo que não acontecia. Ele tinha acabado de me olhar de um modo invasivo, e eu que nem sou tão bonita assim, nem estava vestida para ser admirada ou paquerada, ainda era de manhã. Não sei o que despertou nele sentir tanta atração. Seu olhar me deixou nua, fiquei morta de vergonha, mas representei. Em geral, nós, quando sentimos ainda que uma ponta de vexo, sabemos dissimular. Tenho certeza que ele nada notou, consegui manter certa frieza. Como vou fazer agora, será que vai tomar a inciativa? Fiquei interessada, não queria perder o momento. Na nossa vida, em muitas ocasiões, deixamos passar as oportunidades. Ficamos sem ação, como que paralisadas por algo difícil de nomear. Mas, naqueles poucos segundos, sabia que não devia agir assim. Soltei o ar vagarosamente, olhei-o com um sorrisinho. O homem compreendeu. Ele precisava falar, contar uma história, perguntar, pedir uma informação. E logo atrás ficava um café, seria fácil, diria que era de fora, que procurava alguma coisa. Como nada falava, e eu já ia quente dentro da roupa, perguntei você quer alguma informação, não? Ele sorriu pela primeira vez, mas ainda permaneceu em silêncio durante alguns segundos. Esta cidade é quente ou fria? Achei graça. Você faz tanto mistério para propor uma questão de geografia. Pensei em voz alta. O homem pareceu surpreso. Depende da época do ano, agora é quente, veja, as pessoas vestem bermudas, shorts, ou mesmo trajes de banho, a praia fica do outro lado e vem muita gente de fora. Obrigado. Você quer sugestão para se hospedar?, tive a ousadia de perguntar. Sim, estava pesando nisso. Então, falei sobre a pousada. Não gastaria muito dinheiro e seria confortável, um lugar realmente bom.

Certa vez tive um namorado que ficou hospedado na tal pousada, por isso passei a conhecer a proprietária. No começo, eu ia esperá-lo enquanto se vestia para sairmos. Depois de alguns dias, em vez de ficar na sala de entrada da pousada, a proprietária me indicava a escada e dizia que subisse. Passamos então a fazer amor no local, antes ou depois de nossos passeios. Certa vez, cheguei a dizer no ouvido dele se essa mulher me pega nua aqui não vai me deixar mais por os pés na pousada, trata-se de uma hospedagem familiar, ela afirma. Ele ria, enquanto me acariciava e procurava me fazer feliz com uma boa trepada. Ela vai ficar contente, arranjei um hóspede para ela. Depois do namorado, passou-se muito tempo, quando a gente se encontra na rua ela para pra conversar, sempre pergunta pelo ex-namorado, se ainda o vejo. Às vezes falo com ele, mas sabe como são os homens que vêm trabalhar aqui, não demora transferem-se para outras cidades, essa indústria do petróleo...

Eu não ia dizer à mulher que arranjei outro namorado, mas que alguém estava perdido, procurando uma pousada, lembrei então a dela. E era verdade, o homem estava deambulando pelo centro, perto do supermercado, até que me dirigiu o olhar invasivo. Nesta cidade, há muitos homens, mas eles são casados, vêm para trabalhar, quando conversam com a gente contam histórias inacreditáveis, que estão livres, que querem ficar por aqui, se casar... No final, acabam partindo. Nós não podemos acreditar no que dizem. Caso tenhamos alguma relação com algum deles, é preciso ter consciência de que a coisa é passageira. O ideal é aproveitar o momento, nada de amor nem de paixão.

Um fato engraçado aconteceu com Léa, uma amiga da Riviera. Ela contou que estava na praia, era à tarde, estava ventando, já pensava em juntar as coisas para ir embora quando viu um homem lindo, jeito de artista de cinema, pensou que estavam fazendo algum filme na cidade. Você já molhou o biquíni ao ver um homem bonito?, ela me perguntou. Não, nunca. Eu também, antes, jamais. Estava já mesmo ficando frio, eu arrepiada, o homem me olhou e molhei o biquíni. Foi tão bom, ah, se isso me acontece sempre, vai ser ótimo, falou. O tal parou pra conversar. Ela acabou rindo tanto, ele perguntando qual era o motivo de tanta alegria. Não posso contar, vai ser ridículo. Ela voltou pra casa no final daquela tarde quase nas nuvens, pois se deixara nas mãos do homem por umas boas duas horas. Vocês treparam na praia, Léa, e logo de primeira, ele, um desconhecido. Demos um jeitinho, ela riu, e ele não era tão desconhecido assim, artistas sempre são populares; não fala pra ninguém, viu, o mais gostoso mesmo foi molhar a calcinha só em reparar o olhar dele! Depois, também foi bom, mas a primeira experiência eu ainda não conhecia.

E agora esse, eu caminhando ao seu lado, levando-o à pousada. O bico dos meus seios durinhos.

segunda-feira, fevereiro 22, 2021

Fico nua pra você, pronto

 Uma amiga veio conversar comigo.

 – Lena, como você tem sorte, não estou colocando olho grande, não, mas você sempre está com namorado. – Ela estava segurando um pacote, algo que tinha comprado numa loja do centro, passa sempre pela minha casa, é seu caminho. Eu estava saindo, ela aproveitou para me segurar um pouco.

– Posso te perguntar mais uma coisa, você não fica aborrecida? – insistiu.

– Claro, pergunte.

Passou um carro, o motorista diminuiu a velocidade, buzinou e me deu um adeusinho.

– Então – continuou, – você já namorou tanta gente aqui na cidade, e permanece amiga dos homens, não tem nenhuma vergonha.

– O que você quer me perguntar mesmo? – alertei.

– É isso. Você não tem vergonha quando encontra os homens com quem você já saiu, já namorou?

– Não. Por que teria vergonha?

– Não sei, mas eles já viram você nua, já transaram com você.

– Eu também já os vi nus, já transei com eles!

Ela arregalou os olhos

– Mas para uma mulher, é diferente.

–Você acha? – demonstrei curiosidade.

– Acho, não consigo, juro, morro de vergonha quando encontro um ex-namorado.

Ela falou mais algumas bagatelas e se foi. Carregava com cuidado o pacote, acho que um presente.

No dia seguinte, encontrei ao acaso Edivaldo, no calçadão. Ele me beijou e foi logo falando:

– Mulher mesmo é você, tenho saudades do tempo em que fomos namorados.

– Verdade?, mas foi você que terminou. Tem tesão por garotas, eu já sou velha pra você.

– É verdade, escute só essa história.

Começou a contar sobre sua nova namorada de vinte e um anos. Ele tem cinquenta.

– A garota me pede tudo. Cem, duzentos, quinhentos reais. Acho que já deixei uns três mil na mão dela. Um mês de namoro.

Dei uma grande gargalhada.

– Mulher jovem é assim mesmo, é preciso pagar.

– O problema não é tanto esse, é lógico que despesa demais me atrapalha, o caso é que ainda não consegui trepar com ela – falava baixo, olhou ao redor para ver se alguém nos escutava.

– Jura?

– Por que iria mentir? A gente sai, passeia, vai a todos os locais, na hora de trepar, ela inventa uma desculpa.

– Vai ver é virgem.

– Sabe que já pensei nisso? – ele me olhou com certa convicção. – Não se pergunta essas coisas a uma mulher, não é mesmo?

– Depende, caso se pague tanto, você tem direito de fazer algumas perguntas. – Ri, ele também.

– Outro dia aconteceu uma coisa estranha. Falei com ela que assim não era possível, ficar nessa história, como dois adolescentes. Começou então a chorar. Ela anda sempre com roupas curtíssimas, até perguntou se eu não me incomodo. Não, claro que não, respondi. Ela vestia uma minissaia e camiseta. Chorou e chorou. Enfim, disse, você quer mesmo é me ver nua. A gente estava no carro, voltávamos de Búzios, tínhamos passado o dia na cidade. Tirou então a saia e ficou de calcinha, no banco do carona. Pare o carro, por favor, pediu. Parei. Ela acabou de tirar a roupa, lançou todas as peças no banco de trás. Fico nua pra você, pronto, dirija agora, me leve nua pra nossa cidade. Mas te peço um favor, não quero transar hoje. Chegou-se pertinho de mim, pegou uma das minhas mãos e colocou sobre sua perna, aproximou o rosto e me beijou na boca. Vai dirige, pediu.

– Tenha um pouco de paciência, quem sabe ela esteja com receio, de repente ainda não despertou para o sexo, você sabe, as mulheres demoram.

– Ah, sim, isto é certo. Mas quando aprendem, há algumas que dão pra todo mundo – disse olhando pra mim.

– Todo mundo?, ah, quem dera, há aqueles que me acham velha, não consigo dar pra todo mundo.

– Não, desculpe, não foi isso que eu quis dizer.

– Não foi, mas disse. Vá procurar sua namorada, ensine a ela alguma coisa boa, ela vai cair como uma manga madura nas tuas mãos.

– Você acha? – perguntou animado.

– Não sei, acabei de dizer isso, mas, na verdade, acho que ela quer o teu dinheiro, vai aproveitar enquanto pode. Convide a mulher para uma viagem, uma viagem de avião, um lugar bem longe. Quem sabe você assim consegue.

– Sabe – olhou e aproximou o rosto para se despedir, tentando me beijar, – foi bom conversar com você. Vou pensar nisso. E, olha, se precisar de mim pra alguma coisa, é só telefonar, como aquela vez. Lembra? Às três da madrugada, no Hotel Prata, fui buscar você, mas até hoje não me disse o que aconteceu. 

– Ah, deixa isso pra lá, você adora essa conversa, obrigada mais uma vez.

Ele partiu, feliz em dobro, com a namorada por sabê-la fresca e jovem; comigo, porque lhe dou tanta atenção.

segunda-feira, julho 13, 2020

A noite do Mustang

Já era tarde, quase uma da madrugada. Havíamos conversado muito, eu e minha amiga. Sua casa fica numa espécie de bosque, a três quadras da praia. Surpreendo-me quando penso como foi possível à natureza produzir um lugar tão arborizado próximo à praia. O tal bosque fica em R, cidade a vinte e seis quilômetros de onde moro, litoral norte. Às vezes marcamos de passar à noite juntas, bebendo um bom vinho, comendo queijos e conversando. Assunto não falta. A vida muitas vezes é um tédio, diz, o que salva são as amizades, as conversas e alguns namoros. Tem razão, principalmente quando fala em alguns namoros, apenas alguns mesmo. Preciso descansar, falei, amanhã é domingo, a gente pode passear, ou ir à praia. Ela sorriu. Bebemos o que restava da garrafa, minha amiga ainda se aventurou a mais um pequeno pedaço de camembert. Permanecemos alguns minutos em silêncio. Levantei vagarosa e comecei a recolher taças e louça para levá-las à cozinha. Não se preocupe, amanhã a gente arruma, vamos descansar. Sorri, abracei minha amiga, um abraço fraterno, pude sentir o calor do seu corpo, um calor perfumado, quase doce, caso seja possível defini-lo assim. Vou tomar uma ducha e vou me deitar, eu disse. Corri ao banheiro, tirei a roupa, um vestidinho que me vinha até os joelhos, estampado, justo ao corpo até a cintura com a parte inferior abrindo-se solto, nada extravagante. Entrei na ducha, aproveitei e lavei minha calcinha. Saí do quarto enrolada na toalha e entrei no quarto sempre reservado a mim durante as estadas naquela casa confortável. Ia fresco o tempo. Vesti uma camiseta, emprestada por ela, sempre me esqueço de levar roupas quando vou à sua casa, coloquei a calcinha para secar no parapeito da janela. Olhei o céu estrelado e respirei fundo.

Ao acordar, o sol já levantara e inundava nossas vidas. O terreno exterior da parte construída da casa recebia a visita de muitos pássaros, piados e cantos alegravam a manhã. Abri a janela e recebi em cheio o ventinho colorido e cheiroso da manhã. Minha amiga tinha jardim e horta, perfumes e aromas não nos abandonavam. Fui ao toalete, lavei o rosto, voltava ao quarto quando resolvi ir à sala. Jaziam sobre a mesa as sobras do nosso jantar. Recolhi pratos e talheres, fui à copa e coloquei tudo dentro da pia. Depois liguei a cafeteira. Todos ainda dormiam.  Sem que eu esperasse, apareceu um homem jovem, mais ou menos dez anos a menos que eu. Oi, você por aqui, não se lembra de mim?, perguntou. Franzi o cenho numa tentativa de mergulhar no passado recente. Como já namorara tanta gente, confesso que não conseguia me lembrar dele. O cara do Mustang? Mustang?, repeti. Sim, da exposição de colecionadores, completou. Lembrei e sorri para não perder a graça. A tal exposição fora ótima, mas a noite não me aconteceu como uma das melhores, bebi demais e não recordava o que fiz. Ao amanhecer, estava nua, num quarto, nos braços do homem que ia ali à minha frente naquele instante. Você conhece a Adélia?, perguntei. Sou filho dela, permaneceu estático, admirando-me. Como podia acontecer aquilo, a Adélia tinha um filho e eu já trepara com ele. Nem sei se só com ele, porque na noite do Mustang estava ele acompanhado de mais dois amigos. Daqui a pouco vai chegar o Marcos, disse gratuitamente. Marcos?, não sei quem é. Sabe sim, voltou à tona, é aquele meu amigo que veio no carro com a gente. Automóveis fascinantes, bebidas e mais bebidas, amigos, quarto de hotel, eu nua pela manhã, tudo muito confuso. Fingi que não me constrangia. Você contou alguma coisa sobre mim para sua mãe?, perguntei assustada. Nada, não conto pra minha mãe sobre a minha vida particular, afirmou peremptório. Ah, que bom, sorri, deixa eu te dar um beijo. Aproximei-me, abracei-o e beijei-lhe o rosto, nas duas faces. Correspondeu o abraço, cruzou as mãos sobre minhas costas e ficamos durante algum tempo no abraço, como se repousássemos. Depois deslizou as mãos sobre a camiseta até as minhas coxas e disse conheço esta camiseta, já foi minha, sabia? Você quer de volta?, perguntei provocadora. Quem sabe, riu. Ele era mais alto do que eu, a tal camiseta se transformara numa camisola sobre o meu corpo. Tomamos café juntos, comemos os pedaços de pão que restavam no cesto sobre a mesa. Depois, pediu licença, tinha um passeio para aquele dia, iria para o carro esperar o Marcos. Escreveu o número do telefone num pequeno pedaço de papel e fechou-o dentro da minha mão direita. Beijou-me, gosto de café, acariciou-me a cabeça, não esqueci a noite do Mustang, citou de novo o evento. Havia carros bonitos, quis eu completar. Não são os carros que me fazem lembrar a noite, sorriu e me abraçou mais uma vez. Despediu-se e se foi. Após sua partida, sentei-me no sofá, de onde estava era possível apreciar as árvores do jardim, vários pássaros continuava a festa. E eu não lembrava o que acontecera na tal noite. Ah, não vai ficar assim, reparei que, inconsciente, apertava numa das mãos o número do seu telefone.

domingo, abril 19, 2020

Tripa

Tenho ido à praia, no Pecado, um lugar e tanto. Por aqui, o inverno também não se anunciou. Visto o biquíni e vou envolta numa toalha felpuda, atravesso a rua, ando um pouco sobre as areias brancas e pouso, anônima, o vento a me acarinhar a pele, levinho e amoroso, o sol morno, sem maiores pretensões. Ouço o rugir do mar, o explodir contínuo da arrebentação, notas graves intermináveis, como ecos sobrepostos a uma mão esquerda de pianista. Numa das tardes, porque as prefiro às manhãs de vozes infantis e hábitos brancos das babás, surgiu um homem, devia ir lá pelos cinquenta anos. Não demorou a se aproximar. Eu, que sentia o arrepio de estar só e também de ser um ente da natureza, assustei-me. Não é boa a palavra, rompe o precário equilíbrio entre o humano e o que não é o artificioso. Mas, vá lá, surgiu o homem. Bermuda azul, sem camisa, meio sem jeito, veio conversar. Como as palavras destoam da linguagem universal, sal e sol, vento e mar, aceitei a breve companhia. Veio-me à mente as dificuldades em se arranjar namorado. Justo o pensamento? Não sei, mas as mulheres sempre estão na desvantagem. Acendi primeiro um cigarro e conversamos. A princípio, apenas eu falava. Será o homem de pouca conversa? Apontei a beleza do mar, a tranquilidade da tarde etc. e tal. Ele, nada. Olhei, discreta, queria reparar se apontava o pênis por baixo da bermuda. Não que quisesse tê-lo ali, mas talvez o silêncio tivesse como motivação a minha nudez. De uns tempos para cá, passei a vestir um biquíni mínimo, a bunda de fora, e eu estava de costas. Nada achei sob o tecido masculino. Você nada comenta, alertei. Sorriu, foi então que perguntou você não é do Visconde, uma casa de dois andares? Pronto, o homem me tinha nas mãos, além de nua. Sim, resposta econômica. Admiro muito quando passa no campinho. É mesmo?, não me lembro de você. As mulheres não olham para os lados, emendou. Quem te disse?, deixei o argumento. Melhor permitir ao homem vir, o assunto crescer, até chegar onde já sabemos, a cama. Isso mesmo, os homens querem deitar com as mulheres, fazem tudo para que isso aconteça logo. Você frequenta o Arnaldo, do forró?, perguntei. O paquera arregalou os olhos, sorriu, na certa imaginou um copo grande de cerveja a sua frente, disse sim, frequentava. Então, vamos nos encontrar lá, depois de amanhã, pode me esperar, não vou faltar, assegurei. Continuou a me olhar, agachou-se, percebi que esperar dois dias lhe pesaria. Eu não poderia ir com ele naquele momento, nem estava com vontade, o importante para mim era o sol, o mar, o vento brando e o prazer do envolvimento com a natureza, sexo seria num outro momento. Abriu a carteira, tirou a caneta e escreveu um número de telefone. Recebi o pequeno papel e guardei dentro da bolsa. Pode deixar, não vou dar bolo, falei e achei engraçada a expressão. Foi-se o admirador. Lembrei um amigo que amava as possibilidades, dizia que era bom investir, assim poderia escolher mais. O admirador da praia não sabia investir, daí a pobreza de suas palavras. Meu amigo não é rico, mas sempre tem algo a receber. Investiu na semana retrasada, na passada, investe na atual, sempre o lucro, tanto mais quando se trata de mulheres!, gosta de exclamar. Em outro tempo, pode ser que eu me ralaria pelo homem ali mesmo na praia, arranjaria um jeitinho de deixá-lo escalar-me o corpo, ou eu mesma tomaria de repente suas mãos para percorrer minha pele escorregadia, depois afastaria um pouquinho as pernas, ele me roubaria o biquíni, tudo resolvido. Mas já sou escolada, não quero falatório, melhor o forró do Arnaldo. Tinha a praia, depois a dança, e o homem. Gosto de deixar o sol me aquecer o corpo até eu não poder mais, sinto, então, aquele repuxo no ventre, o calor, quase um orgasmo. Quando levantei, nem ajeitei o biquíni, nua a caminho do mar. Mergulhei. Olhei de dentro d’água na direção onde estavam os meus pertences, a praia toda para mim, ao longe uma mulher, depois dois garotos, areia e mais areia, cordões de restinga. Voltei ao guarda-sol, sentei-me sobre a canga, tive vontade de trepar, sim, mas com um amante imaginário, que me fizesse gozar duas horas seguidas, algo impossível a um homem de carne e osso. Uma amiga, certa vez, tocou neste ponto. Os homens gozam rápido, deixam-nos a desejar. Disse que gozava com o próprio corpo. Com o próprio corpo?, perguntei, você se masturba? Não, nada de masturbação, preparo-me, como se fosse deitar com alguém, passo uns cremes sobre a pele, deito-me e ponho-me a imaginar, abro as pernas, com suavidade, estou molhada, minhas mãos deslizam sobre o ventre, minhas coxas, imagino um história excitante, um fato que me deixa a mil, remexo-me um pouquinho, o gozo vem chegando... Isso dá muito trabalho, interrompi. Dá trabalho mas vale a pena, basta ter calma, toda a paciência do mundo, e muita imaginação.


O bar do Arnaldo fica na Riviera. Não é um setor vulgar da cidade. Em dois quarteirões está a praia. Há casas bonitas na vizinhança, prédios altos, carros e mais carros na beira da rua, estacionados. O Arnaldo teve de preparar o isolamento acústico do local, caso contrário teria de fechar. Conseguiu. Do lado de fora, não se escuta a música, não se acredita que se trata de um local barulhento e dançante. Forró é dança quente, animada, o homem segura a mulher pela cintura, pressiona-a na direção do seu corpo. Dança-se encostado um ao outro, sente-se calor, deseja-se sexo, é quase uma antecipação do prazer que está por vir. Não há homem ou mulher que, ao dançar forró, não se imagine numa intensa relação carnal. Como era de se esperar, mantive-me nos braços e nos passos de meu par, o homem surgido nas areias da praia, queria senti-lo mais e mais, acabar a noite numa espécie de comunhão de corpos, bem presa a ele, seu sexo dentro de mim. Num salão de forró, o bom é ficar o tempo todo com o namorado, não se deve parar de dançar, caso isso aconteça acaba-se nos braços de outro. Eu queria meu admirador da praia, até mesmo não me importaria de partir mais cedo para senti-lo frequentar minhas entranhas.

Após toda a loucura proporcionada pela dança, acabamos na minha casa, na minha cama. Nem havíamos bebido muito, melhor a embriaguez de nossas altas temperaturas. Muitas coisas na vida não acontecem como a gente imagina. Queria eu estar nua, o homem a me invadir, sem piedade. Ao sair do Arnaldo avistei Marion e Arlete sentadas a uma das mesas próximas à porta, vestidos curtinhos, uma porção de homens a olhar para elas. Dizem que Marion, depois de duas ou três horas de dança, vai ao banheiro e despe a calcinha, os homens adoram, ficam beirando a mesa, querem se certificar.

Tirei a roupa, quase enlouquecida, fiquei apenas de biquíni. Esperei por ele. Veio vagaroso. Despiu-se de costas para mim, quando apresentou-se nu, de frente, demonstrou uma ponta de vexo. Um homem vexado!, quase caí na gargalhada. Mas ele tinha seus motivos. Só então percebi. Seu pênis não enrijecera, uma tripa comprida escorrendo sobre o saco. Num primeiro momento, achei que vinha nervoso, há homens que reagem assim. Mas por que nervosismos? Aproximei-me, segurei seu pinto, acariciei, todo o cuidado do mundo. Nenhuma reação. Abracei o namorado, abrir as pernas, deixei que se aconchegasse. Nada. O peru na mesma posição. Afastei-me um pouquinho, toquei seus testículos, enfie o pênis inteiro na minha boca. Chupei o homem, tentei todas as maneiras. Nada. A tripa permaneceu imóvel.


Dias depois estive com um amigo, aliás, um ex-namorado que me acha gostosa e não deixa de me vir visitar. Fiquei nua pra ele; ele, nu pra mim. Seu peru durinho. Você já passa dos sessenta, está muito bem, falei, outro dia tentei trepar com um homem de cinquenta e poucos, o peru não ficou duro de jeito nenhum, chupei e tudo mais, nada conseguiu. O sexo do meu amigo endureceu mais com minha história. Comeu-me, com muito gosto. Uma delícia. Bom pra esquecer o dia em que fiquei na saudade. O importante foi também que gozei. Que história!, o homem e a tal tripa. O importante, naquele momento, era o pênis durinho do meu amigo!

domingo, abril 05, 2020

As pessoas têm mais o que fazer!

Chego ao apartamento do namorado, são 12h30m , abro a porta e entro. Que bom, tenho a chave, ele me cedeu logo no início do relacionamento, pode vir quando quiser, mesmo eu não estando em casa. Bom, esse namorado. Descanso a bolsa e sento no canapé. Está escuro, a temperatura é agradável. No trabalho o homem, só chega lá pelas sete da noite. Já não estarei, dou aula à noite. Vida de professora. Depois vou a minha casa, vejo-o na sexta e ficamos juntos até a segunda de manhã. Às vezes, num intervalo de meio de semana, também nos encontramos. Tiro a roupa. A primeira coisa que desejo quando entro na casa dele, mesmo sozinha, é ficar nua. Corro ao quarto e estendo meu vestido sobre a cama, onde ele costuma dormir. Volto à sala, de calcinha. Será que alguém do prédio de frente me espiona, entre as cortinas? Não acredito, as pessoas têm mais o que fazer.

Lembro uma amiga distante, de outra cidade, onde trabalhei. Ela trepava com o namorado às onze da manhã, morava num terceiro andar. Ele mostrava que era possível serem vistos de outras casas, dos terraços vizinhos. As pessoas têm mais o que fazer, ela dizia, cheia de tesão.

Na sala, de novo, o canapé. Arrepio. Bom andar nua. Bom também o namorado, ótimo quando senta no canto da cama, com o peru duro que só,  e pede vem cavalgar, vem. Aproximo-me, vamos devagar, será que vai doer?, brinco. Ele passa a mão nos meus grandes lábios, ainda estão secos, repara. Calma, dois minutos e tudo será goiabada com catupiry. Ele ri. Ri e me come. Uma vara que não esmorece. O homem me ama, sou morena, ou negra, não sei, sei que me ama.

Sozinha, no canapé, lembranças me deixam no arrepio. Não preciso me tocar, pego um livro, abro e começo a leitura. Vou nua dentro das páginas. Uma mulher é sequestrada por três homens. No começo, um apenas. Quer ser tatuado. Ela sabe marcar, e marca bem. Ele a quer na sua casa, ela recusa. Marcaram encontro num bar, ela não o conhece. No final, ele acaba convencendo-a. Ela precisa de dinheiro, ele paga o dobro. Chegam os outros dois. Violência pura. Mas o narrador dá indício de que há algo por trás. A história vai acabar mal para os três capangas.

Em cidade pequena, quando se tem namorado, dá até pra sair nua, ou apenas um paninho leve sobre o corpo. Ele para num canto escuro da estrada, me come, voluptuoso. Vou adorando a incerteza. Uma vez saí nua do carro, fiquei molhadinha, antes mesmo que me tocasse. Noutra levou, de lembrança, minha calcinha. Mas o namorado do apartamento é sério, trepa bem, como gente normal, e não vou dar ideia.

Cruzo as pernas, sobre o canapé, dentro da leitura. Por que gosto de ler nua? Deve haver uma explicação. Treze e trinta. Largo o livro, ainda sem saber o fim da tatuadora, vou à cozinha. A fome, fome nua. Comida na geladeira. Há o micro-ondas. Tudo muito fácil. Ui, a campainha. Susto. Olho no olho mágico. É a vizinha. Acho que a diarista da vizinha. Já estive com ela uma vez, fazia a faxina e me pediu um saco plástico, estava de biquíni! Agora vem vestidinha. Abro a porta. Oi, como vai. Bem. Desculpe incomodar, é que vi a luz acesa, aí nunca tem ninguém. Sorrio. Ela continua é você, a gente já conversou, tudo bem? Tudo bem, digo. Dessa vez não quero nada, só vim dar um oi. Oi. Sorrio. Não deixo que me veja nua. Mas a mulher tem bom faro. É bom esperar o namorado, preparada. Acaba a frase e dá uma grande gargalhada. Não tenho resposta. O jeito é rir junto com ela. O namorado hoje é o apartamento. Homem, só à noite, e não vou estar. Ela ri também. Sempre se dá um jeito, há muitos homens por aí, completa e se vai. Tchauzinho. Volto ao apartamento. Que mulher enxerida, e logo em Copacabana, onde as pessoas são discretas, na Bulhões de Carvalho.

Sento no sofá, o prato e o garfo nas mãos. Minha amiga trepando no terraço. As pessoas têm mais o que fazer! Meia hora depois, ainda minha amiga.  Perco, como ela, a vergonha.

segunda-feira, outubro 07, 2019

Espera pelo bombom

Gosto de ir a lugares onde ninguém me conhece. Posso, então, fazer das minhas, depois vou embora e não apareço mais. Na sexta-feira passada fui a uma praia a duas cidades de onde moro. Preparei-me, juntei minhas coisas num bolsa grande e tomei o ônibus. Uma hora e meia de viagem. Saltei num ponto a duas quadras do lugar onde pretendia ficar. Ao pisar a areia, reparei que havia poucas pessoas. Uma mulher brincava com uma criança, dois homens conversavam de pé, voltados para o mar, uma senhora estava deitada sobre uma toalha vermelha. Pousei num local sossegado, a uns cem metros daqueles frequentadores matinais. Armei o guarda-sol, estendi uma toalha azul, sentei e olhei o mar. Estava calmo. O sol ia firme. Meu coração batia mais rápido do que o ir e vir das ondas, uma excitação me tomava o corpo e espírito, queria saber o que me esperava. Às vezes queremos muito e nada acontece; outras, nada desejamos, mas é aí que tudo se desencadeia. Respirei fundo. Procurei não desejar nada mais do que o mar imenso à minha frente, o sol e a frescura do dia. Quando vou à praia na minha cidade, meu comportamento é outro, mantenho certa discrição, mesmo a roupa de banho é outra, um maiô ou um biquíni convencional evitam comentários maliciosos entre os fuxiqueiros locais. Mas numa praia distante, posso me vestir do modo bem à vontade, por isso o biquíni mínimo, de lacinhos, que me dá muito prazer em vesti-lo e mais ainda em tirá-lo!

Mês passado fui a uma praia mais ao sul, acabei nua num camping car! Verdade. Desfilei na areia de um lado a outro até que encontrei um senhor gordo, de um bronzeado lindíssimo, parecia capitão de um iate. Conversa vai, conversa vem à beira d’água, no bar de um pequeno restaurante, a caminho do tal camping onde queria me apresentar ao seu carro-casa. Você gosta de cerveja?, acho que não, deve apreciar uma bebida mais elegante, sugeriu. Champanha, soprei-lhe no ouvido. Um arrepio. Bebemos duas garrafas, eu doidinha para descer o biquíni.

O biquíni da vez, o de lacinhos, procurava um par de mãos para tocá-lo. Sério. Imaginem. Quem seria o felizardo a encontrar uma mulher nua, plena de desejo numa manhã de sol, sozinha numa praia quase deserta? Deitei e esperei. Mulheres bonitas sempre atraem alguém, nada de preocupação. Telégrafo sem fio, ou ondas de telefone, nem sei. Disfarcei a ligeira barriguinha, alguns quando a descobrem dizem que é o meu charme. Isso mesmo, tenho de escondê-la. Há homens que dizem que é sexy minha barriguinha. Já não sou jovem, daí a dificuldade de manter um corpo de modelo. Mas não decepciono. Estava tranquila, olhos cerrados, nas nuvens, quando observo uma sombra passar em direção à beira d’água. Um homem bonito, corpo de guarda-vidas. Ao vê-lo, tento reparar se o conheço. Outro dia apareceu um lá da cidade, não sei o que fazia na praia distante, escolhida por mim, tive de fugir, quem sabe digo sou irmã gêmea da Nete. Mas não ia colar. O tal, naquele momento, molhou os pés e ameaçou um mergulho. Eu o apreciava pelas costas. Como deve ser sua conversa, será alguém com algo mais? O algo mais me deu certo arrepio. Deixe-me a menos, menos uma tirinha de pano!, quero o pênis mais grosso. Melhor unir o útil ao agradável: a conversa de quem aparenta desejar não mais que a natureza, uma boa companhia e um pênis ereto. Oi, a senhora não mora na rua C, no Visconde, em M?, lógico que tal pergunta na boca de um homem que por acaso recém conheço acontecerá apenas no final, quando eu estiver preste a partir. Ou mesmo, nada de perguntas. O silêncio, na maioria das vezes, abre todas as portas, chave à próxima vez. Mas aquele ali, bem a minha frente, voltado ao horizonte, não conheço. Fico à espreita. Respiro o ar fresco com cobiça e gozo; sento e espalho o protetor solar sobre a pele. Minha irmã é igualzinha a mim, excito-me com tais pensamentos, é liberada, não tem vergonha de nada. E você?, ele pergunta. Ah, quanto a mim, adivinha, tento me fazer vexada, mas meu biquíni desmente, não fale pra ela que me conhece, viu, tem mania de roubar todos os meus namorados, mesmo que não agradem. Gargalhada. Mas ela não sabe fazer uma coisa que faço; não, não pense besteira, sabe o que é?, sei fazer bombom, falo sério, uma delícia. Bombom?, repete um tanto incrédulo, veste sunga preta, é moreno, cabelos pretos penteados para trás. Isso mesmo, senta aí e espera um pouquinho, eu trouxe alguns, sempre carrego dois ou três comigo, as pessoas gostam. Depois de alguns minutos, ambos em silêncio, levanto-me e convido-o, vamos entrar, a água está quente. O homem vem atrás, percebo sua respiração às minhas costas. Dez a quinze minutos depois, abraçados dentro d’água, seu peru, bem duro, roça meu biquininho. O bombom, espera pelo bombom, sopro-lhe ao ouvido. Os lacinhos tão frágeis, cordõezinhos de tesão. Quando a gente desembrulha, o bombom, é sobre o bombom que falo, faz um som difícil de imitar, ah, é mesmo?, você sabe?, é o som de um beijo, isso, acertou, um beijo que se estende, que estica. Como suas mãos, prata d'água sobre o meu corpo azul, molhado, inteiriço. Homem namorador. No fim do dia havia comido todos os bombons. Também o de lacinhos!

segunda-feira, março 11, 2019

Numa praia em Portugal

Tenho um desses chapéus de sol, grande, bonito, o maior charme quando vou com ele à praia. Outro dia o namorado, ou melhor, o homem com quem estou saindo, me propôs uma fantasia. Pediu que eu vestisse o biquíni e o chapéu, dentro de casa. Aceitei a brincadeira. Fui ao meu quarto e o vesti, depois voltei, escorregadia, à sala de estar. Comecei a fazer, então, algumas poses. Dei uma requebrada com a cintura, segurei o chapéu na altura dos seios, como se eles estivessem nus e eu os escondesse. Depois, desci um pouquinho, ultrapassei o umbigo e cobri a parte onde estava o biquíni. O homem adorou. Após alguns minutos, virei de costas, desfiz o laço do sutiã e, quando dei a meia volta, apareci com o chapéu agora cobrindo os seios verdadeiramente nus. Mais uma vez me coloquei de costas, mexi as cadeiras como se acompanhasse uma música africana,  a seguir, fingindo fazer de conta, desfiz os lacinhos do biquíni, eu de bunda de fora para o namorado. Atrás dele, a janela, lá longe um prédio alto e o céu. Viro de frente? Sim. Cubro os seios o a boceta? Demorei muito para decidir, senti tremendo frisson, ele beijava o meu bumbum! Nada disso, ainda estamos na fase da fantasia, protestei, volte à poltrona. Obedeceu. Nua, de costas, o chapéu à frente, virei e cobri os seios. Não sei por que temos vexo dos seios nus, não da xereca, sabe-se lá o motivo. Mais algumas poses e acabei arremessando o chapéu na direção dele. Acaricie, estava juntinho a mim, ao meu corpo, sussurrei com volúpia. Ele tomou-o nas mãos com delicadeza, fez carinho, deu mesmo alguns beijos. Agora espere que vou contar uma história. Continuava em pé, mais uma requebrada de cintura, as mãos vagando no espaço, o auditório cheio. Eu nua!

Certa vez foi muito engraçado. Adoro praia, vocês sabem. Houve uma época em que as mulheres faziam topless, isto é, tiravam a parte de cima do biquíni, é lógico que queriam mostrar os seios. Era um sucesso. Num sábado de sol, eu estava em Copacabana, ali perto do final da praia, quase posto seis. Tirei o bustiê e me cobri como chapéu. Um tremendo charme, eu recostada na cadeira de armar com as abas do chapéu cobrindo meus dois seios. Isso atraía olhares, tanto de homens como de mulheres. Lógico que os machos sentiam desejo por mim, queriam me comer inteirinha; as mulheres, bem, sobre as mulheres eu percebia que algumas sentiam inveja, queriam também mostrar os peitos mas não tinham coragem, enquanto outras, acho, tinham uma crise de boa moral, ou certa indignação porque me achavam uma fulaninha sem vergonha. Na verdade, eu não tinha vergonha alguma, elas tinham razão!, podiam me chamar de sem-vergonha! Mas naquele dia, um homem musculoso aproximou-se. Assustei-me num primeiro momento, tentei, porém, disfarçar. A senhorita, por favor, podia vestir o sutiã, quase uma ordem. Quis perguntar por quê, mas preferi não discutir. Não adiantaria expor minhas razões, talvez tivesse crianças na barraca ao lado, seria um moralista ou, quem sabe, policial. Depois, no entanto, descobri o motivo. Visto, sim, concordei, mas não aqui, você segue em frente, vou atrás. Peguei a bolsa com a mão esquerda e o acompanhei, sempre o chapéu a me cobrir os seios. Dali a uns trinta metros, virou-se para mim. Ofereci-lhe, então, o chapéu. Compreendeu meu desejo. Segurou-o junto aos meus seios enquanto eu vestia o top. Continuei sorridente como nunca e jamais perguntaria o motivo de sua abordagem. Mais tarde, confessou-me a manobra: queria ver os meus seios nus e o chapéu estava atrapalhando. Conseguiu olhando por sobre uma das abas, no momento em que eu me vestia. Acabei rindo da situação. Não posso dizer o que houve depois, mas vocês podem imaginar, ninguém é inocentes.

A plateia aplaude. Não sei se a mulher nua que não sabe onde colocar as mãos ou a sua história.

O homem continuava sobre a poltrona, olhando-me. Depois que acabei a historieta, quis vir na minha direção. Não, nada disso, espere, tenho outra, por sinal muito engraçada, aconteceu com uma amiga. Sabe, as histórias meio acidentadas não acontecem com a gente, mas sempre com alguma amiga. Ela saiu com uns garotos. Tinha trinta e cinco anos, os garotos dezesseis ou dezessete. Eram três ou quatro. Quem manda sair com criança, digo, mas ela não me escuta. Foram todos à praia, e sabiam que era desinibida, atirada. Ficaram agarrados a ela um bom tempo, às vezes dois a dois, outras um de cada vez. Ela achou aquilo tudo muito interessante. Até que um pediu que ela tirasse o top. Como a praia não tinham muita frequência àquela época do ano, concordou (acho mesmo que fosse verão a pino, tiraria, conheço-a muito bem). Eles se alegraram ainda mais. Continuaram o jogo. Pediram que fechasse os olhos e contasse até vinte. Brincadeira de criança, ela. Sim, brincadeira de criança, acertou. Quando levantou as pálpebras, onde os garotos? Minha amiga nua na praia, nenhum deles à sua volta. Moço, por favor, me ajude, pediu a alguém. Adivinha o que aconteceu depois, ela e o moço que a ajudou?

Agora, sem plateia, a história só pra você, com o corpo.

Abrace-me. Nua e sem chapéu! Hoje, les histoires sont terminées. Por que gosto de dizer, às vezes, o pronome depois do verbo? Sabe, isto se chama ênclise. Porque já fiquei nua também numa praia em Portugal!

segunda-feira, maio 21, 2018

Onde meu vestidinho?

Tenho um amigo que me adora. Aliás, às vezes nossa relação avança um pouco além da amizade, mas prefiro dizer que é meu amigo. Outro dia estávamos na praia, eu vestia um biquíni comportadíssimo, mas disse a ele que da próxima vez viria trajando apenas uma peça.

Uma peça?, surpreendeu-se.

Isso mesmo, uma peça.

Então você vem com os seios à mostra, sugeriu.

Nada disso, um maiô inteiriço, dei de ombros.

Ah, bom, ele entendeu.


Lembrei, então, de um antigo namorado, sapeca que só, não é que queria me deixar nua na praia? Eu queria mesmo era trepar com ele, uma gostosura, muito bom de cama, preferia mesmo ficar em casa a manhã inteira, eu nos braços dele. O homem, porém, queria me levar à praia. Eu cedia. Certa vez eu disse que iria, mas só com uma peça. Não fui vestindo o maiô inteiriço, apenas a parte de baixo do biquíni, e nada de comportado. Não é que dentro d’água ele me deixou nua? De uma peça, a nenhuma. Mas foi bom. A água gelada, eu nua. Ainda bem que aquela praia em R. O. estava vazia, não era temporada.


Volto ao meu amigo. Não sabe nada das minhas sapequices.

Você gosta de vestidões?, pergunta.

Vestidões, como assim?

Aqueles vestidos compridos, que descem até abaixo dos joelhos, ou mesmo até os pés.

Gosto, tenho três.

Você nunca vestiu nenhum deles pra mim, fez cara de amuado.

Qualquer dia desses a gente sai à noite, vou vestida com o mais bonito, afirmei solícita.

Ok, vou adorar, deve ficar bem em você; vou te dar mais um no teu aniversário.

Ficamos na praia, ao sabor do mar, do sol e do vento. No final da tarde, ele me abraçou, me carregou no colo. Adorei. Pele com pele, coladinha a ele. Tomamos um refrigerante num quiosque.

Sabe, voltei a falar, há homens que adoram mulheres bem vestidas.

Sou um deles.

Acho que nos desejam de vestidões, para depois nos despirem, tirar toda a roupa que temos sobre a pele, inclusive calcinha e sutiã.

Ele riu.

Você nem usa sutiã!


Eu e esse meu amigo trepamos duas vezes, e totalmente ao acaso. Uma foi na minha casa. Ele dormiu ao meu lado, durante a noite resolvi abraçá-lo. Ao acordar, pela manhã, estava nua! Jurou que não foi pelas mãos dele. Abracei-o, ainda nuazinha, e fizemos um amor muito gostoso. Depois coloquei o dedo sobre os seus lábios e disse a ele: isto não aconteceu. Continuamos amigos, nada mudou entre nós. Que bom, seja sempre assim!

A segunda vez... Bem, a segunda vez conto já. Antes, apenas um parêntese.

No dia seguinte fiquei sozinha em casa. Peguei um livro pra ler. Sentei no sofá e me perdi na história, uma história de amor. Mas, às nove da noite, o telefone tocou. Era meu amigo.

Tenho um presente pra você, afirmou solene.

Não é ainda meu aniversário.

Não faz mal, quero te dar o presente; no aniversário, dou outro.

Não gosto de largar um bom livro, mas o deixei de lado pra receber o meu amigo. Chegou às dez em ponto.

Abri a pequena caixa, um vestido. Mas nada de vestido comprido. Ao contrário, um minivestido branquinho. Meu amigo saliente!

Experimenta pra gente ver; se você não gostar pode trocar, aqui o cartão da loja e o nome da vendedora.

Fui ao quarto, vesti a roupa, cheirinho gostoso de roupa nova. Caiu perfeito no meu corpo. Tão curtinho. Voltei à sala.

Ah, eu que pensei que você gostava de mulher com muito pano!

Meu amigo me abraçou. Depois fomos ao restaurante, pertinho de casa, eu dentro do vestidinho.

Morro de vergonha, estou nua, tudo de fora.

Nada disso, você está ótima, ele me consolou.

Bebemos duas caipirinhas. Voltamos abraçados. Dormimos juntos. A bebida havia me deixado soltinha. Pendurei o vestidinho no encosto da cadeira e pulei sobre o meu amigo. Devagarinho, abri as pernas. Minha xota molhadinha!

Mas, no dia seguinte, quando acordei, ele já havia partido. Onde meu vestidinho? Não encontrei. Nem a caixa, nem o papel, muito menos o cartão da loja com o nome da vendedora.

Hum, será que meu amigo veio mesmo ou era a história do meu livrinho?

segunda-feira, abril 09, 2018

Historieta

Você pode me fazer um favor?

Ela me chamou e contou, com muita discrição, uma historieta curiosa. Depois fez o tal pedido.

Você está tão bonita com essa roupa, e a saia curta cai super bem, eu disse.

Obrigada pelo elogio, mas roupa curta pra mim pode se tornar um problema. Você é mulher, eu, bem, pareço mulher, mas..., interrompeu e fez um gesto vago com os braços.

Entendo, e os homens ficam loucos por você, e querem que faça o impossível.

Isso, o impossível. Às vezes até consigo, mas tudo tem limite.

Entendo, pisquei um dos olhos.

Mas esse último veio com a tal história da excitação. Falei que não precisava, que já tenho tesão até demais. Mas o homem não escutou, quis passar o creme, insistiu, acrescentou que tinha efeito de adesivo, me ajudaria. Acabei concordando, mas não sabia que o resultado seria tão trágico. Agora não há o que fazer, a não ser que você...

Ela não continuou, olhou como se enxergasse por baixo do meu vestido.

Mas nunca andei sem, entende?, cheguei a dizer, não sei se consigo.

Sempre há a primeira vez, e para uma mulher não é difícil, agora pense quanto a mim.

Por que você não veio vestida com uma, ou trouxe outra de reserva na bolsa?

E eles deixam? São loucos para saber que estou sem. E sobre trazer uma de reserva, confesso que às vezes trago, mas veja o tamanho da minha bolsa hoje, tão pequena...

Entendo, suspirei. Não há nenhum conhecido seu neste coquetel?

Não. E estou por um triz. Olha que consigo sair sem, consigo andar sem, mas o creme acabou me deixando sem chances.  Conto apenas com você.

Gostei do apenas. Mas escute, você consegue sair sem?

Consigo, há um jeitinho de segurar, mas o creme...

Ele passou o creme aqui, no coquetel?, interrompi.

Não, namoramos no estacionamento antes de entrarmos, uns quinze minutos. Sempre nos agarramos dentro do automóvel.

E onde está o namorado agora?

Conversando com o proprietário do empreendimento, negócios.

Ele sabe sobre você?

Não, nada falo, morro de vergonha.

Tudo bem, compreendo. Quero, porém, contar antes uma história, permite?

Claro, mas seja breve, por favor.

Certa vez, na praia, apareceu uma amiga enrolada numa toalha. Aproximou-se e me pediu o biquíni. O biquíni?, surpreendi-me. Estava sem nada por baixo e queria entrar no mar. Por quê, sem o biquíni?, perguntei. Brincadeira do namorado. E onde ele agora? Por aí, respondeu. Mas não posso ficar nua, acrescentei. Não, fico eu nua, tiro a toalha e te dou, você tira o biquíni e me empresta, é rapidinho, eu pago a você. Paga?, cheguei a repetir. Pago. Não precisa, não quero dinheiro, mas quero saber como você vai ficar nua enquanto me dá a toalha. Isso não é problema, falou, você vai me emprestar? Achei a situação engraçada, queria ver se ela tinha  coragem de ficar nua. Sim, respondi decidida. A seguir, ela ficou mesmo nua, uma porção de gente na praia, me deu a toalha e sentou na minha cadeira de praia. Enrolei-me no tecido e ainda fiz uma cena, demorei, não sabia como tirar o biquíni. Agache aqui, ela pediu. Agachei e ela tirou meu biquíni em um segundo. Vestiu-o e foi ao mergulho. Achei que não voltaria. Mas voltou e fizemos a troca. Tirou o biquíni primeiro e eu o vesti por baixo da toalha. Acho que ninguém a viu nua, em nenhuma das duas vezes. Se viu, não teve tempo de processar. Agora, acho que é quase a mesma situação.

É pior, vou mostrar, olhe, não tenho mais como segurar. O creme não sai de jeito nenhum. No começo até serviu de aderente, mas depois virou água, ou melhor, margarina, e não adianta passar papel, minhas coxas estão escorregadias.

Entramos no banheiro, levantei o vestido, tirei a calcinha e entreguei-lhe. Ela vestiu. Beijou-me, então, agradecida.

segunda-feira, novembro 20, 2017

Rosto vermelhinho

Aquele namorado me vivia enviando mensagens fora do comum: abraços, beijos e outras insinuações muito extravagantes. Nenhuma imagem. Escrevia e descrevia. Exemplos: beijinhos suaves na ponta dos lábios; mordidinhas no lábio superior, o mesmo lábio inteirinho dentro da minha boca; agora o inferior, caramelo de amor; mordidinhas na pontinha da orelha; traçados de arrepios com a ponta da língua pelo teu pescoço. O clímax: mergulho na tua boca minha língua ávida de amor.

Não é que o homem me deixou nua! E que trepada. Quem aguentaria se conter?

Ele era criativo. Dourados os reflexos do teu rosto nos talheres de prata; umbigo pleno de óleo derramado numa maré incandescente; transbordamentos sobre a pele lisa; pigmentos e suaves pelos que escondem abismos, convites a aventuras. Ui, outro o arrepio. Onde minha calcinha?

Andava eu nua pela casa, as mensagens na palma da mão. Já não posso, não me basta o telefone.

Três dias depois eu já era uma fera que nada acalmava. Fui à noite, sozinha, dar uma volta de carro. Um vestidinho e as mensagens que não cessavam. Quem sabe o ar da orla me acalme. Não mais posso me fazer de mulher difícil. As mais jovens são oferecidas, trepam por muito menos, e nem sentem tanto tesão. Eu tinha dado para ele apenas uma vez, estava dificultando o segundo encontro. O homem chegara a perguntar desagradei você? Não, não é isso, eu me coçava. Não queria mesmo era me precipitar. Ele é que tinha de saltar o abismo, convencer-me, encontrar meu corpo, um perigo iminente, respostas vagas para suas tentativas de certezas.

Ao entrar em casa após o passeio noturno e relaxante, tirei a roupa e reli o conto da Marília. Não contava que a história bobinha me acabaria excitando. A mulher diz que aceitou o convite para ir à casa do namorado. Até aqui, nada de mais. Seria a primeira vez na casa dele. Ao entrar e sentar numa poltrona, pensou que aquela relação poderia acontecer de modo diferente. Seria melhor aguardar mais alguns dias, quem sabe duas semanas, achava ruim ir para cama com um homem logo de primeira. Procurava alguém para conviver, não para o puro prazer. Mas, ao aceitar ir à casa dele, facilitava. Poderia ter ficado sentada na poltrona a noite inteira. No entanto, ela mesma o provocou. Não soube dizer por que, mas sentiu vontade. Acabou saltando do estofado para cama. Deitou, chamou o homem. Ele ainda disse você vai ficar toda amarrotada. Antes fosse, que mal haveria voltar amarrotada para casa? Tirou, então, o vestidinho e deu nas mãos deles. Ele o colocou num cabide e guardou dentro do armário, junto com suas roupas masculinas. Ela diz que ficou toda arrepiada. Um vestido levinho em meio a calças compridas, camisas sociais, paletós, cintos e gravatas. Marília conta que ficou molhada antes da hora! O homem deslizou fácil. Que vergonha!, ela tentando refletir. Mas o pior, ou o melhor (depende do ponto de vista), ainda estava por vir. Quando ia prestes a gozar, o namorado perguntou você já voltou pra casa sem calcinha? Ela nada respondeu, virou os olhos. Gozo? Tesão? Lembrou de outro namorado. Fazia tanto tempo, ela tinha dezoito anos. Não é que o garoto, após trepar com ela, roubara-lhe a calcinha? Aconteceria agora o mesmo, tantos anos depois, ela tinha certeza. Mas o que lhe provocava mesmo a maior excitação, era o vestido cercado por roupas masculinas!

Uma nova mensagem do namorado. “Vá à porta, por favor”. Corri, olhei pela fresta pequenina. Ele!, não o convidei. Abri, outra fresta, posei a cabeça. O namorado apontou o seu celular. Nova mensagem. Olhei o meu, nas minhas mãos, deixei a porta solta: “Você, o rosto vermelhinho!”

Não quis dizer a ele que eu estava ardida, consequência do conto da Marília.

Quando estamos do lado de fora do apartamento, a porta bate deixando-nos sem recursos, o corredor sombrio e silencioso; do lado de dentro, ela abre, convidativa, auxiliada por um vento saliente!

terça-feira, novembro 22, 2016

Tudo bem ali à minha frente

Estou numa loja de moda, em M. Manhã de sábado. Oi, Mariana, que bom ver você, escuto. Viro-me. É Júlia. O que você compra?, quer logo saber. Um biquíni, digo resolvida. Um biquíni?, que bom, ela repete, está mesmo calor, mas você tem biquínis tão bonitos, ela continua, vejo você vez ou outra na praia. Tenho, falo e sorrio, mas vai chegar o verão e quero um novo. Aqui é uma boa loja, ela acrescenta, você vai encontrar um ótimo, e os namorados, hem?, ela pergunta sempre no plural, namorados. Tenho de rir. Namorados, então, é esse o motivo, ela me escuta. Quero me apresentar novinha em folha, ainda argumento. Já sei, ela é curiosa, você esta semana conquistou mais um. Hum, hum, respondo. Não se deve falar demais às amigas, a inveja mata. Espero-a sair para escolher o biquíni. Um azul, de lacinho, convite à sensualidade. Vou à praia agora mesmo?, os impulsos sempre me perseguem. Não. Este não é pra hoje. Vamos esperar o momento certo, digo a mim mesma, pedagógica, como me desse uma aula. Ando pelo calçadão de M. Muitas as pessoas, vãos às compras. Apresso-me. Numa galeria, tomo um refresco. Quando levo o copo aos lábios, o rapaz da loja em frente ri pra mim. Ele me conhece? Não sei. Talvez sim, tantos me conhecem. Mas não me namorou, tenho certeza, nada com os homens fáceis da cidade. Namoro agora alguém de longe. Não perguntei de onde vem, perguntas não ficam bem num primeiro momento, mas seu sotaque é quase estrangeiro, isso sei perceber. Tomamos uma bebidinha ontem à noite e comemos uns canapés. Meus lábios vermelhos de batom, e eu a colocar vagarosamente o canapé na boca, sem que tocasse os lábios, sem que manchasse o batom. O homem reparou, e quase enlouqueceu. Quis sair comigo dali mesmo. Vamos a um lugar mais tranquilo, sugeriu. Não, espere, tudo está tão gostoso. No final, sugeri que deixasse pra outro dia, quem sabe pra hoje. Sei que não se conformou, mas manteve a elegância. Sou escorregadia. Os homens me querem, mas eu deslizo pra longe, como se estivesse toda ensaboada, eles não conseguem me segurar. E, agora, vou com o meu biquíni, por enquanto na bolsa. Entro um das transversais e, na esquina com a Teixeira, encontro um amigo. Aliás, alguém que já me acompanhou à praia num fim de semana. Olá, Mariana, sempre bela. Tive de rir, e lhe beijar ambas as faces. Cheirosa, completou. Que bom, repliquei, ainda bem que há quem repare. Ele quer saber de mim. Minha face revela bem estar, felicidade, muito bom humor. Mas não permaneço ali, despeço-me, deixo-lhe saudades. Sigo em direção ao meu bairro, menos de vinte minutos. Tantas pessoas conhecidas. Seria bom viver onde ninguém me conhecesse? Não sei, talvez sim, talvez não. Vejo Mariângela, está na varanda. Caminho rápida, apenas um movimento de cabeça como cumprimento. A ela nada posso falar, tem fama de roubar namorados e, além de tudo, é muito levada. Esta é a palavra que usam por aqui quando a mulher é atirada, sempre a buscar namorados, envolvida com muitos homens. Alguém veio me contar que Mariângela adora estrangeiros. Por isso, tenho de me guardar a seus ardis. Caso contrário, roubar-me-á o homem.  Outro dia ela apareceu com um dinamarquês, homem grande, louro, de fazer qualquer mulher morrer de inveja. E ela é magra, não tem nada pra mostrar, não sei como consegue. Quem sabe suas fantasias não deixem os homens escaparem? O dinamarquês ficou com ela o tempo em que esteve na cidade Há quem jure que viu Mariângela nua, no banco do carona do carro dirigido pelo homem da Escandinávia. Ela fica para trás, entro em casa. O telefone toca: alô?. É ele, o tal que saiu comigo ontem. Não demora e já quer me encontrar. Vamos esperar até à noite?, proponho. Ele aceita. A vulgaridade é uma acusação estúpida, superficial, uma exigência de princípios que se transformou no mais cômodo refúgio da mediocridade. Penso nisso ao ver o vizinho da casa ao lado, vestido apenas de calção de banho, mangueira na mão a molhar a grama do quintal. Ele me descobre e acena, sorri, como gostaria que eu caísse em seus braços. Quem sabe, reflito, não é um dos bobalhões da cidade e, por morar ao lado, não creio que venha a ser vulgar. O rapaz me acena. Não quer vir, está calor, fala e ao mesmo tempo se molha com o jorro da mangueira. Acho tudo muito interessante, quase uma brincadeira de criança. Venha, venha se molhar, insiste. Não seria bom, penso em frações de segundo. Com um vizinho, logo alguém vai descobrir que entrei na sua casa, fico com má fama. Digo que preciso descansar, deixa pra outro dia. Ele faz uma fisionomia de quem tristeza, não é bom estar só, tanto mais num dia de sol como este. Saio rápida da janela, pois a tentação é muito grande. Volto-me para dentro da cozinha, procuro alguma coisa para por no fogo. Enquanto descasco duas batatas, minha imaginação voa, não me dá descanso. Desço. Visto um short, o biquíni por baixo. Não o novo, é claro. o biquíni que costumo usar ultimamente, não me desaponta, nem aos homens. Oi, tudo bem?, digo. Ele se apresenta, faço o mesmo, beijo-o nas duas faces, está calor mesmo hoje, acrescento. Conversamos amenidades. Ele diz que já me vê faz tempo, queria se apresentar à vizinha mas não tinha achado oportunidade, agora então... Carlos, o nome dele. Tiro o short e tomo nas mãos a mangueira. Ele continua em pé, às vezes olhas para mim, às vezes desvia os olhos para o jardim. Você é da cidade ou veio de fora?, pergunto. De fora, ele, mas conheço algumas pessoas da cidade, estou a trabalho, como hoje é sábado... Procura mostrar-se o mais agradável. Enquanto fala, despejo a água sobre o meu corpo. O calor arrefece, sinto imenso prazer. O ideal seria uma piscina, diz ele. A mangueira está boa, asseguro, você não tem amigos ainda?, estou curiosa. Alguns, do trabalho, mas amiga mulher você é a primeira. Penso nas mulheres das redondezas, são tão atiradas, será que ainda não sabem da existência dele, caso estejam cientes devem estar a caminho, correndo para atirarem-se nos braços de Carlos. Aqui todos são muito simpáticos, falo com o desejo de tornar a estada do homem na cidade a melhor possível. Já reparei, são todos muito sorridentes, sobretudo as mulheres, continua. Então ele já sabe, elas sorriem para ele, não demora e uma bate aqui na porta, de biquíni ou, quem sabe, nua. Entrego-lhe a mangueira, junto as mãos, um pouquinho acima dos seios, uma atitude sensual, mas involuntária. Ele dirige a ponta da mangueira para o próprio corpo e se molha intensamente, chega a fechar os olhos. Sua altura é de mais ou menos um e oitenta, tem os cabelos curtos, dentes muito brancos. Olha para mim e ameaça me molhar, faço fisionomia de que estou com medo, de que vou sentir frio. Diz brincadeirinha. Você frequenta muito a praia?, pergunta. Às vezes, prefiro a parte da tarde. Retoma a palavra, já sei você acorda tarde e o sol já está muito quente. Isso mesmo, replico, não gosto do sol me tostando, e à tarde a praia já não tem tanta gente. Você vai hoje?, sua voz soa quase como um convite. Hoje, não, tenho um compromisso logo mais, se eu for a praia vou ficar morta. Ele sorri das minhas palavras, na certa entende compromisso como saída com algum namorado. Tenho de voltar, digo, deixei a panela no fogo! Visto o short e volto à realidade, o fogão, as batatas e a água fervendo, corro à janela para ver se ele ainda está no quintal. Desapareceu. Fechou a torneira e a mangueira jaz sobre o chão, como uma cobra comprida e inofensiva. Volto à cozinha, aliás, antes tiro o short e a blusa, que calor, deixo as duas peças sobre a cama e volto a cozinhar batatas. É boa a sensação de estar nua, ninguém a incomodar. Enquanto as batatas vão mergulhadas na água quente, volto à sala, sento no sofá de dois lugares, quase junto à janela, cruzo as pernas, seguro uma revista e tento me distrair com a leitura. Como os homens gostariam de me ver assim, sem roupa alguma, eu magra mas sensual, chego a sentir arrepio. Na revista, procuro fotos de homens, talvez como o que vi há pouco no quintal da casa ao lado. Dizem que as mulheres são menos fogosas do que os homens. Mas, no meu caso, não consigo acreditar, sinto muito tesão, tenho até um pênis, desses que se vendem em sexy shop. Por falar nisso, por anda? Que tal procurar por ele agora? Levanto-me e vou a um dos armários. Acho que está guardado na parte superior, bem no fundo. Isso mesmo. Encontro-o, tiro da caixa. Engraçado, funciona a bateria, a cabeça movimenta-se, uma maneira de aumentar a sensação. Abro a torneira e o lavo, cuidadosa. Acho que a bateria pifou, mas sem problemas. Basta enfiar, vagarosamente. Volto ao sofá, recosto, e aproximo a ponta do pênis à minha vagina. Encosto-o. Movo-o para um lado, para o outro, nada de enfiar rápido. Gosto de tudo com muita calma. Começo a me masturbar. Esqueço da vida, tenho todo tempo do mundo. Enfio o pênis mais fundo, já o coloco até a metade, como é grande, maior do que o dos homens normais. Estou toda molhada, tesão a mil. Alguém toca campainha. Quem será a essa hora, duas da tarde de sábado. Abro a porta, vagarosa, assustada, estou nua, ponho apenas a cabeça no pequeno vão. Surpresa. O vizinho do lado. O que foi?, pergunto abrupta. Acho que você esqueceu alguma comida no fogo, está saindo fumaça pela janela da sua cozinha. Corro e desligo o fogão. As batatas, a água secou e eu nem senti. Volto à porta. O vizinho ainda está lá. Obrigada, sabe, se não fosse você, acho que minha casa pegava fogo, por falar nisso, quer entrar um pouquinho?, entre sim, você salvou a minha casa. Ele aceita. Entra. É lógico que antes peço que espere um instantinho. Vou ao quarto e jogo uma camiseta sobre o corpo, dessas que me cobrem até as coxas. Não esqueço de esconder o pênis artificial. Já não preciso dele, tenho um natural, um corpo de cheio de músculos, tudo bem ali à minha frente.

segunda-feira, julho 28, 2014

Carrossel

Estou nua. Era para estar morta de vergonha, mas algo me acalma. Qualquer coisa de especial neste homem quase desconhecido me deixa à vontade.


Nunca fiz isso por dinheiro, falo.

Mas são dois mil reais, responde.

O que faz você gastar tanto assim?, mostro curiosidade.

Não sei, é um costume que tenho faz tempo, e também tenho muito dinheiro.


O primeiro encontro aconteceu num vagão do metrô. Eu entrara na estação Catete, ia para Ipanema. Vestia roupa de ginástica, calça colante ao corpo, uma camiseta do mesmo tecido e tênis apropriados para correr ou caminhar. No meu caso, era para a esteira. Reparei um homem olhando na minha direção. Como eu levava uma revista, tentei me prender à leitura. Mas ele não desgrudou os olhos. As estações foram se sucedendo, e ele continuava no seu afã de me espionar.

Sou uma mulher de quarenta e cinco anos. Devido ao permanente exercício tanto ao ar livre como nas academias de musculação, tenho o corpo bem delineado. Não sou, entretanto, uma mulher magra. Se não sou gorda, é porque me exercito todo dia. A aparência, ao contrário, revela a minha verdadeira idade. De um tempo para cá, me desliguei dos homens. Moro sozinha e vivo para a ginástica. Fico feliz sempre que acabo de me superar, tendo feito os exercícios programados. Alguém poderá perguntar como resolvo as questões afetiva e sexual. Não tenho respostas para elas. Digo apenas que a ginástica me basta. De resto trabalho, leio alguma coisa e uma vez na semana vou ao cinema. Tenho duas ou três amigas, ocasionalmente nos reunimos para conversar.

Mas naquele vagão de metrô, me apareceu o homem das notas de cem. Vamos apelidá-lo assim.

Quando eu me preparava para descer na última estação da Zona Sul, percebi que ele me seguia. Uma vez que ando bastante rápido, tentei fazer o máximo para deixá-lo para trás. O tal homem, porém, parecia colado ao meu encalço. Consegui chegar ao prédio da academia. Entrei e disse cá com os meus botões: estou salva, o homem ficou para trás.

Duas horas depois, ao deixar o local e caminhar de volta para a estação General Osório, percebo novamente o homem. Ele me esperava. Como alguém deve fazer para abordar uma desconhecida? Creio que ele é experiente nisso. É também um exímio artista. É sabido que qualquer mulher não deve dar conversa a homem algum, sobretudo na rua, onde a possibilidade de golpes é sempre alta. Mas o homem acabou conseguindo uma resposta minha. Uma resposta negativa, é claro. Mas estava estabelecido o diálogo. Para um mestre, aquela porta escancarava todo o castelo. E o homem me envolveu na sua história. Acabei parando para ouvi-lo. Tanto mais eu o recusava, mas ele avançava no seu intento. Então veio a conversa de shoppings, de compras espetaculares, de produtos que toda mulher deseja.


Não me troco por dinheiro, digo em algum momento.

Não se trata de dinheiro, mas do mundo contemporâneo. Quem não deseja um amigo rico, alguém que lhe supra as necessidades?, pergunta.

Não tenho necessidade alguma, afirmo resoluta.

Como, não?, rebate. Todos as temos. É porque não gostamos de pensar nessas coisas. Apenas olhamos os produtos de modo fetichista.

Fetichista?, assusto-me.


Então ele contrapôs uma longa história. Explica o significado da palavra.

Passa a me esperar na porta da academia todos os dias, após a ginástica. Depois caminhamos juntos até a estação do metrô. Num certo dia, passo a simpatizar com ele.

Traz alguns presentes. Não no segundo dia, mas na segunda semana. Objetos de adorno como pequenos broches, ornamentos para estante ou mesa de centro. Também me presenteia com perfumes e um livro, depois de descobrir o meu gosto pela leitura.


Há pessoas que podem conquistar tudo o que quiserem, afirma.

Será?, duvido.

Verdade, sentencia.


Sem rodeios, diz que eu sou uma dessas pessoas.

Já quase sua amiga, marcamos encontro num shopping. Como o homem é consumista! Nunca vi pessoa alguma entender de tantas coisas, tantas lojas, tantos produtos. Desde vestuário, até objetos de decoração, passando por joias, roupas e brinquedos.

Num sábado à tarde, vamos ao cinema. Depois, a um restaurante.


Não, obrigada, não bebo bebidas alcoólicas, recuso amavelmente o convite para tomar um vinho. Mas aceito um suco.


Tomo o suco, e ele o vinho.

Acho que quem se embriaga sou eu. E logo com um suco de abacaxi e hortelã...

Acabo a noite na casa dele. Coloca nas minhas mãos dois mil reais. E são apenas as notas a tocar meu corpo. Por quê? Adivinhem. Ou melhor, leiam a primeira linha desse texto.

domingo, março 16, 2014

Na casca do ovo

Eles adoram nos fotografar. E nós adoramos fazer pose. Na última vez, pediram que tirássemos toda a roupa. De início fizemos charminho, mas como adoramos andar nuas... Escolhemos uma praia, um local pouco frequentado, e entramos na água. Tiramos os biquínis e entregamos a eles. Começaram, então, a fazer as fotos. Primeiro sugeriram que ficássemos em pé, com o mar na altura das nossas coxas. Assim sairíamos nuas por inteiro, sem que a água nos cobrisse. Depois demos as costas para que nos clicassem, os bumbuns à mostra. Em seguida pediram que caminhássemos um pouco adiante, queriam-nos apenas com os seios de fora. Quando acabaram, pedimos ainda dentro d'água os nossos biquínis. Mas eles não nos devolveram.

“Faz parte do nosso trabalho, enquadraremos vocês de longe. Queremos reações espontâneas. Fiquem de molho um pouquinho”, disse um deles.

“Vocês são loucos?”, repliquei, “logo vai aparecer alguém, vai ser o maior escândalo.”

Não é que eles foram lá pra longe, afastaram-se tanto que não fomos mais capazes de vê-los.

“Esses rapazes são fogos, vai ver que não voltam”, falei.

“Acho que eles querem é nos namorar”, disse Olívia.

“Você acredita?”

“Claro. Ainda não disseram porque estão envergonhados.”

“Nós é que estamos nuas e são eles que ficam envergonhados?”, arrisquei.

“Lembre-se que temos seios, o corpo bem torneado, intensa feminilidade, mas há algo mais que os deixa nervosos. Ih, veja lá”, alertou, “vem dois homens na nossa direção, e não são eles, acho que nossos namorados serão outros.”

“Olívia, estou gelada, tudo meu está flutuando, no fundo é uma sensação ótima, mas estou morrendo de medo.”

“Medo de quê?, querida, vamos relaxar, não temos nada a perder.”

“Olívia, duas mulheres nuas é ótimo, mas no nosso caso será que eles vão gostar? Não temos como nos esconder.”

“Querida, nos dias de hoje não precisamos esconder coisa alguma. Somos mais lindas mesmo com tudo de fora. Além disso, o que você tenta em vão esconder é o que mais desejam.”

“Ai, Olívia, morro de vergonha! Já pensou se dá no jornal, nós duas peladinhas?”

“Não se preocupe, não vai dar em jornal nenhum. Nós é que vamos dar.”

“Mas, Olívia, eu preferia que fosse num bom hotel...”

“Querida, assim já é pedir demais!”