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domingo, dezembro 10, 2023

Parceira

A busca por um parceiro tem sido desafiadora. Muitas amigas me dizem: “Eliane, você acabou de entrar nos cinquenta anos, mas mantém uma beleza e juventude que poucas mulheres possuem. Esta cidade onde moramos, digamos que se chame M, com seus trezentos mil habitantes, tem muitos lugares para nos divertirmos, muita possibilidade de paquera, e você, com o seu pequeno apartamento acolhedor, é privilegiada, um local perfeito para o amor.”

Mal sabem elas que, apesar da beleza que insistem em elogiar, sinto um vazio nas noites solitárias. Gosto de fazer amor, mas a conexão certa parece escapar entre os dedos. Foi então que apareceu um amigo de longa data, alguém que prometia ensinar-me algo especial. Ele me conduziu a uma prática única de relaxamento e movimento de energias interiores, algo que despertou minha curiosidade e, quem sabe, um novo prazer. Primeiro, pediu-me que deitasse e largasse todo o peso do corpo sobre o solo. Depois, pouco a pouco, me fez desligar parte por parte, começando pelos pés, a seguir as pernas, os joelhos, coxas etc., até completar todo o corpo. Senti-me flutuando. A partir daí, fez com que eu juntasse energias e as movimentasse desde a cabeça até os pés. Em alguns momentos me senti livre, no ar; em outros, experimentei uma quentura por onde passavam as energias. Foi a vez então de concentrar seus movimentos nos órgãos que nos estimulam o sexo. Não passou muito tempo, senti um gozo enorme.

Decidi praticar as técnicas por conta própria. Saía com amigas, ouvia histórias românticas, mas mantinha segredo sobre minha própria jornada. Ao chegar em casa, entregava-me à "yoga do amor", movimentando energias que traziam um prazer tão intenso que parecia uma dança solitária e mágica.

Numa noite comum, conheci um homem especial. Convidei-o para meu pequeno apartamento, onde conversamos, compartilhamos um bom vinho e, eventualmente, começamos a namorar. Corajosa, pedi-lhe que se deitasse imóvel, enquanto eu explorava as energias interiores. A dança que se seguiu foi intensa, levando-nos a um prazer profundo e prolongado, uma transa que se estendeu por quase duas horas. Seu sexo rijo me penetrava, mas pedia-lhe que não se mexesse, as energias que eu movimentava interiormente refletiam nos meus grandes lábios, que mordiam seu pênis num intervalo de tempo pontual e contínuo.

Os dias transcorreram e ele prometeu um próximo encontro. Em uma noite de sexta-feira, juntei-me às minhas amigas, mantendo uma fachada de normalidade. Optamos por um restaurante à beira-mar, onde desfrutamos de vários coquetéis e saboreamos pratos leves. Conversamos sobre assuntos ligeiros, desde trivialidades até casos divertidos ou surpreendentes relacionados a namorados e paqueras.

Ao nos despedirmos, peguei um táxi de volta para casa, ansiosa pelo encontro com meu namorado. No entanto, ele não apareceu. A desilusão momentânea foi logo substituída por um sentimento de autossuficiência. "Sem problemas", pensei. Sou feliz sozinha, em companhia de mim mesma, como sugerem as terapeutas da mente. Aquela noite solitária não seria um obstáculo, mas uma oportunidade para explorar ainda mais a minha jornada pessoal, um caminho que me proporcionava satisfação independente de qualquer presença externa.

Deitei-me, relaxei e, mais uma vez movimentei as energias interiores. O prazer que experimentei foi profundo, uma celebração da minha própria jornada, uma yoga do amor que me pertencia, independentemente de qualquer outra presença. Num momento de êxtase intenso, tremi involuntariamente, meus grandes lábios latejaram, ávidos, eu não precisava me concentrar, não precisava de nenhum pênis, tudo era muito natural. Meu corpo era o meu próprio prazer. Gozei com ele, gozei por ele, e não foi só uma vez. Planava una e úmida. Alta a noite, senti-me plena, recompensada, como jamais.

quarta-feira, outubro 26, 2022

Adivinhe por onde

Ele me queria de pernas juntas. Muito engraçado, eu nua, sentada na poltrona, e de pernas juntas. Por que não posso cruzá-las, a direita sobre a esquerda? Sentia um friozinho no estômago, o calor de uma perna sobre a outra me ajudaria, ficaria mais tranquila. Que bobagem, você dirá, apenas vocês dois, na sala do apartamento, ele te servindo um copo de cerveja, foi você quem escolheu, havia vinho, uísque, caipirinha ou caipivodca, você com a bebida dourada numa das mãos, fazendo de conta que não sentia nenhuma vergonha. Eu sei, Roberta, mas prefiro um quarto escuro, nua debaixo das cobertas, ele vindo por cima. Nua na sala, em meio aos quadros, mesa, cadeiras e o sofá, não é pra qualquer uma. Você é diferente, lembro a história que você certa vez me contou, saiu pra passear nua, de madrugada, sentadinha no banco do carona, o namorado ao lado, dirigindo, falando com você como se conversasse com a pessoa mais vestida do mundo, muita naturalidade. E você, tranquila, nem uma tremura. O namorado devia mesmo gostar de você, pelo menos não precisava dar roupas de presente. Você pedia perfumes, viu como não esqueci? E dos mais caros. Engraçado, apenas o perfume sobre o corpo. Acho que sem as roupas o bom odor se perde, mas você diz que não. Eu não teria coragem de sair pelada. A gente às vezes compra uma roupa mais ousada, para ir a uma boate, ou para uma ocasião especial, mas nua por inteiro, do lado de fora da casa, acho que vou ficar tão nervosa que me mijo toda. Por outro lado, gosto tanto das minhas roupas, não sairia sem elas. E se acontece alguma coisa, um enguiço do carro, um pneu furado, uma barreira policial? Imagine, uma barreira policial, e eu nua no banco do carona. Os caras iam querer me comer. Nem pensar. Você é louca, Roberta, ainda diz que o perigo te deixa mais excitada. Mas volto ao sofá, eu bebendo a cerveja e comendo pequenos pedaços de queijo, o namorado ao meu lado, vestido, roupas elegantes, uma camisa linda, de uma loja de grife. Queria mesmo que me levasse para o quarto, que metesse bem gostoso. Esse negócio de ficar no fetiche não é muito comigo, mas cada um tem seu gosto, e a gente, pelo menos uma vez ou outra, precisa respeitar. Ele foi à cozinha, foi buscar um salgadinho pra me servir. Uma coxinha. Adoro. A cena, eu nua comendo coxinha! Não precisa, não quero engordar. Não engorda, não, você é magrinha, gostosinha. Quando voltou, eu estava de pernas cruzadas, um dos braços com o copo cobria um dos seios. Pelo menos, me faço de gostosa. Outro dia, ele inventou algo novo, ainda não te contei, Roberta. Adora me dar bombons. Bombons é chocolate, é doce, falei. Ele trouxe bombons sem açúcar, gostoso, uma caixa linda. Acredite, ele pediu pra eu sentar no mesmo sofá, lógico que nua, e em cima de um dos bombons. Vou fazer uma lambança, cheguei a dizer. Não faz mal, respondeu, vale a façanha. Aproveitou pra me fazer cosquinha com o celofane da embalagem. Não aguentei, a sensação foi tão gostosa No início, como que no automático, cruzei as pernas, depois, porém, voltei a ficar com elas juntas, mas para que a tal operação desse certo, tive de abri-las, e o tanto que pude. Engole o bombom, por favor, ele pediu, excitadíssimo, engole que depois deixo você ficar de pernas cruzadas. Engoli, inteirinho. Adivinhe por onde? Ficou arrepiada, Roberta?, pede ao namorado, você, que é tão desinibida.

sábado, setembro 24, 2022

Namorada do vizinho

É sempre bom criar um clima de curiosidade. Por isso, ao conhecer alguém, me escondo, ou escondo meu corpo. Há quem goste de sair nua, sobretudo à noite. Não tenho nada contra. O mais interessante, porém, é esconder. Nada de roupas como as duquesas de séculos atrás, mas um vestido discreto, um pouquinho transparente, o tipo de branco que se olha durante alguns segundos para ver se o tecido deixa passar alguma possibilidade.

Arranjei um namorado. Andam raros atualmente. Sempre achei que os homens são fãs das mulheres jovens, o que não é o meu caso. Aliás, sou jovem, mas não tanto. Uma namoradinha do meu vizinho sai ao corredor do prédio só de calcinha, não sei o que deseja com tal estrepolia. Certa vez a encontrei, ela sorriu, cumprimentou-me, e se fez a pessoa mais vestida do mundo. De onde vinha?, do compartimento onde se coloca o lixo?, foi em busca do sapato esquecido ao lado de fora ou chegou nua para excitar o homem? Não procurei saber. Tenho certeza, no entanto, de que, na próxima semana, o rapaz estará nos braços de outra, talvez ainda mais ousada. O círculo jamais se fecha, ao contrário, a tendência é alargar-se.

Entrei na casa do namorado. Ele queria sair, ir a um restaurante. Como mora sozinho, sugeri levar algumas coisas à casa dele. Passei no supermercado, comprei uma garrafa de champanhe, algumas pastas, um camembert, diversos tipos de pães. Por desencargo de consciência, levei também as taças especiais para a bebida. Um parêntese: certa vez tive um namorado que não tinha em sua casa um saca-rolha, eu segurando a garrafa de vinho e ele... que pobreza. Fecho o parêntese.

Cheguei com a pequena bolsa de compras, um sorriso nos lábios e a vontade de beijá-lo. Recebeu-me bem, mas não estava acostumado a ter relação com mulheres do meu tipo. Arrumei as compras sobre a mesa, fui em busca de pratos e talheres, preparei tudo com esmero e requinte. O homem, brusco, agarrou-me junto à porta da cozinha, queria trepar ali mesmo, tentou arrancar-me a saia. Procure se acalmar, por favor, tudo tem seu tempo, há um momento para cada prazer, soprei-lhe carinhosa. A frase soou sentenciosa, e ele parecia não gostar de sentenças. Seria eu juíza de direito?, quem sabe, ainda não dissera do que vivia.

Eu me vestia bem naquela noite, ou melhor, como sempre me visto. Roupas de grife, combinação de cores, acessórios, artigos caros, desejados por grande parte das mulheres. Mas ele nada observava, me queria nua de imediato. Vamos beber e comer inteiramente nus!, sugeriu um tanto desesperado. Ok, concordei. Não deixaria passar a oportunidade. Caso negasse, seria melhor partir deixando champanhe e comidinhas para ele e alguma futura companhia. Ok, concordo, voltei a falar, mas você se despe primeiro. Você jura que fica nuinha depois que eu tirar a roupa toda?, perguntou. Preciso jurar?, tenho palavra.

O homem pôs-se a caminho. A camisa, o cinto, a alpargata, a calça e por último a cueca. Tudo ficou amontoado sobre uma das poltronas. O homem nu à minha frente apontava já o seu desejo, a meio pau, não de luto, mas um começo de furor.

Tirei a echarpe, a botinha, a meia curta, a jaquetinha, a blusa de mangas compridas, deixei descer a saia. Soltei o sutiã e, de calcinha, pousei todas as roupas sobre o estofado próximo à janela. Virei-me a ele e disse tire-a, mas com cuidado, não a estrague, por favor. Agora, posso acabar de arrumar a mesa. Ele veio me abraçar, roçar seu sexo sobre meu ventre. O namorado era bem mais alto do que eu. Não gosto assim, quero tomar champanhe primeiro. Sentou-se sobre uma das cadeiras, que estava em volta da mesa, cruzou as pernas e aguardou eu acabar de preparar o jantarzinho. Passei-lhe então a garrafa de champanhe. Quando a abriu, com toda a explosão possível a uma comemoração de conquista, serviu-me o primeiro gole. Imaginem, eu nua, segurando uma taça de champanhe, e não tenho o mesmo corpinho das garotas de academia.

Lembrei o dia em que um namorado, que morava na praia de Cavaleiros, me levou pra passear nua, de madrugada. Nada posso falar da namorada do meu vizinho!

quarta-feira, setembro 14, 2022

Esquenta

Existem vários modos de se manter um namorado. Um deles é, antes do encontro, esquentar. Os homens adoram a manobra. Querem – mesmo que não o digam – a mulher nos braços de outro. Este deve deixá-la no ponto. Nada para mais nem para menos. Dali em diante, a continuação é com eles. Ela pode e deve vir em plena rotação, lubrificada, mas não pode ter gozado antes, isto é, ter vazado o óleo.

Não demorei a perceber o jogo do namorado. Como há sempre alguém me desejando, foi fácil arranjar um namoradinho como entrada, digamos assim. Mas não podia eu comer o prato principal! Que maravilha mas, ao mesmo tempo, que tortura. A entrada, uma delícia, porém nada de transformá-la no prato principal, que seria o namorado titular.

A gente ia a um motel, eu e o namoradinho, o do esquenta-esquenta. No apartamento, havia uma piscina de água quente, aliás, água quase fervendo. Em temperaturas elevadas, a água relaxa, baixa a pressão, tira as forças e provoca um pouco de sono. O namoradinho não era diferente. Assim que começava a me acariciar, sentia uma enorme vontade de descansar. As coisas se encaixaram, ele só ia até certo ponto. Eu não precisava ficar alertando. Antes da piscina, seu pênis estava eretíssimo, mas depois, já não aparentava o mesmo vigor. Caso ele não quisesse mergulhar, eu dizia olha o que combinamos.

Tive uma amiga que saía com o reserva e ficava com ele durante a tarde inteira. Não dá confusão, Marcia, como você aguenta? É questão de treino, ela me dizia.

Minha estratégia funcionou durante alguns meses. Um dia, no entanto, quando já ia nua, ao lado dele, à beira da piscina, percebemos que a água estava fria. Telefonei à recepção. A resposta foi há um defeito no aquecimento geral, vamos dar desconto no pagamento. Não me interessava o desconto, mas o tal que me bolinava sem chegar ao principal. Ele prometeu que não atravessaria a fronteira interditada. Sim, verdade, prometeu mesmo, mas quem atravessou o limite entre a entrada e o prato principal?

O namoradinho começou a me tocar, a me acariciar. Como eu vinha da praia, estava de biquíni. Não passou muito tempo para eu ficar nua. Ele, a me olhar; seu pênis, durinho. Que delícia, pensei, que beleza, toquei-o. Entramos na água fria da piscina. A temperatura geladinha nos excitou. Ele me pôs sobre a borda. Como é mais alto do que eu, achamos uma posição em que, de pé, de dentro d’água, conseguia me penetrar. Eu, apoiada, nas duas mãos, controlava o movimento de subir e descer.

O esquenta-esquenta se tornou incontrolável. Eu sempre prolongando a transa, até que... Não resisti. Ou melhor, nem eu nem ele. Comemos a entrada e o prato principal!

Como vou ter vontade para outra refeição quando encontrar mais tarde o namorado titular? Qual será minha desculpa? Melhor desmarcar, pensei naquele dia.

Minha amiga Márcia sempre diz tudo é uma questão de treino. Por isso, você está um pouco gordinha, tenho vontade de replicar.

terça-feira, julho 05, 2022

Papel laminado

As idas à casa do namorado são plenas de fantasias. Hoje, é difícil mantê-los, tantas são as pretendentes, por isso, tenho de me empenhar, preciso ser criativa. Há amigas que dizem Sônia, você é louca, deixe esse homem de lado, nada melhor do que uma mulher sozinha. Retruco, rápida, como?, o homem me faz gozar como jamais, não posso abandoná-lo.

Vou à casa dele, com minha bolsa e meus truques.

Numa das noites anteriores, no momento em que estava nua em seus braços, pedi que me falasse algo excitante.

"Algo excitante?, como assim?"

"Uma história apimentada."

Estávamos trepando, eu sobre ele, num movimento de sobe e desce, seu pênis deslizando sem obstáculos; eu, doidinha pra gozar. Olhou-me com os olhos semicerrados e disse:

"Você veio pelada encontrar comigo, onde deixou as roupas?"

"Ah, sim, vim pelada" repeti, os olhos fechados, comprimindo-me, sentindo seu enorme sexo dentro de mim. "Não sei, vim de táxi, acho que já saí nua de casa, vim apenas de sandália e de bolsa, trouxe o celular caso houvesse algum problema."

"E o motorista, ele aceitou te trazer nua?"

"Sim, como aceitou! Na verdade, já me conhece, tem um tesão intenso por mim, mas eu disse você pode me olhar, mas não me tocar, um dia desses te recompenso."

Continuava saltando sobre o namorado, cada vez em movimentos mais rápidos.

"O motorista vai querer te comer", disse o namorado.

"O que é isso?, muito vulgar, me comer?"

"Vamos dizer de outro modo, ele vai querer trepar com você", assegurou o namorado.

"O que há de mal nisso, eu deixar o motorista trepar comigo pelo menos uma vez?, eu estava de olhos fechados.

Passaram-se alguns segundos.

"Você pode deixar o tal te ver nua, te esquentar, mas a trepada precisa ser comigo, compreendeu?

Achei engraçada a opinião do namorado. Já tinha escutado sobre isso, casais que tem amigos e amigas para esquentar antes de se encontrarem. E ele falava como um macho.

"Mas se o homem me agarrar?", perguntei e gemi, quase num começo de gozo.

"Ele não pode te agarrar, se isso acontecer você dê parte dele."

"Como vou dar parte?, estava nua, num táxi, os policiais não vão considerar minhas palavras, não é permitido a uma mulher tomar um táxi nua."

Comecei a revirar os olhos.

"Ai, vou gozar, mais rápido, por favor, mais rápido."

A história do táxi, eu nua, o motorista prestes a me agarrar, querendo me comer, eu a me defender, pode me olhar, mas não trepar; os policiais, eu nua, não era apenas o motorista, eram todos querendo me comer.

"Ai, ai, vou gozar, essa história está muito forte, fale mais, fale mais sobre isso", gritei, "ai, ai, quero gritar."

"Cruze as pernas, coloque a bolsa sobre o colo, assim você vai ficar protegida dos olhares", disse o namorado,

"Protegida? Gozei, gozei, que bom, gozei antes de você."

Daquele dia em diante, concluí que tinha de contar histórias.

"Fale  você agora", ele pediu.

"Sabe o que houve, ainda no táxi?", incentivei.

"O quê?"

"Deixei o banco molhadinho, não aguentei, nunca fiquei tão úmida, acho que era a sensação de estar nua pela primeira vez num táxi, vindo a teu encontro."

"Você molhou o banco? Ele não brigou com você?"

"Não viu, o homem não soube."

"Se fosse eu o motorista, iria verificar; se estivesse molhado, ia pedir pra você enxugar. Você não precisaria abrir as pernas para mim, mas enxugar o banco seria muito importante. E não seria com a minha flanela, teria de fazer aparecer uma. Caso você não conseguisse...  Ah, vou gozar, só de imaginar você nua, agachada, procurando um meio de limpar o banco do táxi... Morro de tesão. Estou gozando, pele com pele, vai ficar toda meladinha..."

quarta-feira, maio 25, 2022

Toda a beleza do mundo

Outro dia estava deitada, eram quatro da tarde, um sábado. Senti vontade de me vestir, com a melhor roupa, olhar-me no espelho, desfilar pela casa. Fui ao guarda-roupas e procurei o tal vestido. Era um de festa. Difícil um vestido chique ser confortável, mas o tal me desmentia, que bom. Tirei toda a roupa, toda mesmo, calcinha e sutiã inclusive, fui ao banheiro, tomei uma ducha, me enxuguei com cuidado e voltei ao quarto. Vesti-o, com todo o cuidado do mundo. Fora feito especialmente para uma festa, acho que da minha sobrinha quando comemorou seus quinze anos. Deixava minhas costas nuas, o decote avantajado insinuava que meus seios escapariam a qualquer movimento temerário. Passaram-se alguns anos, mas cabia direitinho. Devo confessar que peguei um ou dois quilos de lá pra cá, mas isso não afetou o vestido sobre o meu corpo. Olhei-me no espelho, depois fechei a porta do armário e fui andar um pouquinho pela casa. Saí do quarto, dei um passo à direita e entrei na sala. As janelas estavam abertas, o céu claro, o verde de uma árvore entrava pela janela, vozes de mulheres, de crianças, de jovens. Vinham da rua, dos outros apartamentos, da vida social que cada um levava. Eu estava sozinha, eu e meu vestido, minha nudez, o prazer de sentir a fazenda roçar sobre a minha pele. Sentei-me numa poltrona, virada para a janela, a perna direita sobre a esquerda, o pano preto brilhoso, os raios do sol a três passos de mim.

Veio-me à cabeça um namorado de outros tempos. Pedia-me fotos e mais fotos. Engraçado, “me dê uma foto de você vestida bem bonita”, ele, reivindicativo. “Pensei que me querias nua”, cheguei a dizer certa vez. Riu, “nua já te possuo todas as noites”. Engraçada a palavra possuir, não dizia no sentido de propriedade, mas no de trepar comigo. “Também te possuo, e mais do que você, porque te guardo dentro de mim”. Continuava a rir, a imagem solar, “esta é boa”. O namoro como durou.

Levantei-me, cheguei à janela, vi um homem jovem do outro lado da rua, na janela de outro apartamento, outro prédio, bebia uma taça de champanha. Levantou-a para mim fazendo-me um brinde. Sorri, levantei também a minha taça imaginária. Brindamos. Sorriu e bebeu um gole. Imitei-o, bebi também o meu. Como estava gostoso o champanhe. Dei um adeusinho. Enviou-me um beijo. Escapei da janela a tempo, queria-me sozinha com meu vestido, o tecido a roçar-me a pele. Quis deitar-me na cama, no quarto, sentir todo o prazer do mundo. Arrepio, frisson, languidez. Após meia-hora, levantei-me e fui à cozinha. Fiz café. Bebi, esbelta, feliz, ainda vestida e nua, toda a beleza do mundo.

quarta-feira, abril 06, 2022

Mulher em dobro

Você tem um pênis enorme, ele me disse.

Como posso ter um pênis?, sou uma mulher.

Também não sei, acho que surgiu de ontem pra hoje, repare, apalpe você mesma.

Verdade, mas como?


Estávamos os dois deitados, ele nu, eu de camiseta, apenas.

Veja, até que é interessante, uma mulher com um pênis, vou me divertir em dobro, disse ele.

Você fala sério?

Claro, será mais estimulante.


Ele me virou, na cama, tirou minha camiseta, segurou onde dizia estar meu peru.


Repare como ele cresce, e você ainda tem a vagina, bonita como sempre. Só existe um problema, não para ser resolvido agora: como você vai usar aquele minúsculo biquíni que veste para ir à praia?, e a minissaia?, acho que um peru deste tamanho vai escapar, um escândalo.

Dou um jeito, falei animada, há jeito pra tudo nessa vida, tanto mais quando se tem um pênis exagerado, mas confesso, apesar do pênis gosto mesmo dos homens.

Não importa, o que vale é estarmos juntos, o pênis é um dado a mais, você vai gozar em dobro, aliás, vou fazer você gozar em dobro.

Então, comece, estou adorando, vou ser uma mulher em dobro, uma mulher com pênis, que goza de duas maneiras diferentes, isso mesmo, estou sentindo, comece assim.

Você vai adorar, disse, mudando de posição, a bunda voltada pro meu rosto.

Continue, amor, estique um pouquinho, segure-o por baixo, estou descobrindo que sou mais sensível aí, isso, devagar, não quero gozar logo.

Que bom, não?, você também pode enfiar, vai ter tal experiência, quero dizer, já está tendo, está gostando, ele dizia enquanto trepávamos.


Entrava uma faixa de sol pela janela.


O que me dá mais tesão é imaginar você vestida de mulher, com esse pênis enorme, duro, embaixo da saia.

Ah, quando sairmos, ele vai ficar pequenino, escondidinho, ninguém vai notar, falei espirituosa.

Mas, se eu roubar tua calcinha?

Não tinha pensado nisso, vixe, de saia e sem calcinha; tenho uma amiga que adora sair sem calcinha, mas não tem pênis; se tem, jamais me falou.

Não deve ter, mas enfia, enfia com gosto, isso, uma mulher com pênis, dá pra gente namorar em dobro, uma mulher que enfia, namoro completo, ele delirava.

Ai, acho que vou gozar, nunca gozei com um pênis, é novidade, como devo fazer?, perguntei sentindo que alguma coisa me escapava.

Não precisa fazer nada, fique quietinha, é natural, funciona como uma planta selvagem, cresce sozinha.

Ai, parece que tenho uma torneira entre as pernas, nunca senti nada igual.

Teu jato é quente, continue, continue, isso, não pare.

Ai, ter pênis é trabalhoso, gozei, não sei mais o que faço, só sei que estou morrendo de vergonha, é assim mesmo, depois do gozo a vergonha?

Não, no teu caso, nada de vergonha, agora abra as pernas, abra bem, vou fazer você gozar pela boceta!


Vânia, prestou atenção na história que acabei de te contar ou está pensando em outra coisa?

Prestei, sim.

O que achou?

Quero ver teu pênis.

Jura?

Juro, vai, mostre.

Primeiro é necessário sentir.

Sem ver?

Isso mesmo, insisti, você precisa sentir.

Minha amiga abaixou a calça.

Isso, fique de costas, primeiro sinta, depois deixo que veja.

Ana, nunca transei com mulher.

Não sou mulher, agora, mas um homem, isso, assim, quietinha.

Ah, estou sentindo, um peru enorme.

Abre bem as pernas, apoie no encosto do sofá, isso, apesar de você de costas estou tentando meter na frente.

Isso, Ana, continue, não pare, não sabia que isso era possível, como você é gostosa, ou gostoso, não sei, não pare, estou toda molhada, não demora gozo, ai, mais fundo, isso, ai ai ai, que gozo, que gozo, não para, mas não goza, não, Ana, deixa eu gozar sozinha, você não, por favor, você não.

Você é muito gostosa, Vânia, isso, assim, mexe também, estou tentando me segurar, estou tentando, ui ui ui, a gente às vezes consegue, outras nem tanto... ui, Vânia, gostosa...


Acabamos as duas lambuzadas, uma caída pra cada lado, Vânia ainda no sofá, eu aos seus pés.


Ana, agora quero ver teu pênis, mostre, ele é muito gostoso.

O bom é sentir, ver não vai fazer efeito, desculpe se não cumpro minha palavra.

Tapei-me com as duas mãos e corri ao banheiro.


Vânia, você viu minha calcinha?, perguntei, ao voltar.

Rá, rá, rá, se não me mostrar, vai com ele dependurado, debaixo da saia!


Cortei um dobrado. Que mulher tarada!

terça-feira, dezembro 21, 2021

Paredes

Eu estava subindo pelas paredes. Como tenho um amigo para essas horas, telefonei para ele. Antes eu entrava num site, e procurava alguém. Mas, um dia, houve um incidente, por isso, por segurança, passei a preferir o amigo.

Você quer aproveitar?, perguntei pelo telefone, aproveite, assim como eu, mas não vá se apaixonar, viu.

Nada disso, meu amigo é profissional. Veio no mesmo dia. Recebi-o vestidinha, disfarçando o fogo. Às vezes, eu dava um suspiro.

Lembrei-me, então , de uma amiga. Ela diz ter umas lingeries lindas, tudo presente do namorado. Visto para ele tirar. Adorável, um namorado que dá calcinhas de presente. Quando ela quis saber se o meu não era semelhante ao seu, ao menos em relação aos presentes, eu disse num tremelique de lábios: ah, o meu leva minhas calcinhas de lembrança, volto pelada pra casa.

Meu amigo conversou um pouco, contou umas histórias, rimos, bebemos cada um uma taça de vinho. Depois, pediu-me que encostasse a uma das paredes.

Quero ver você subir.

Não!, alertei, pedi que você viesse aqui para evitar que eu as escalasse.

Tirou minha roupa. Senti o frio da alvenaria sobre os seios, eu de costas para ele. A seguir, me suspendeu, e me penetrou a boceta, como os cães fazem com as cadelas. Permaneci alguns segundos suspensa, colada à parede, como uma aranha, equilibrada na ponta do seu pênis.

A posição me excitava. Gritei forte. E nunca gozei tanto. Ele teve de abafar o som.

O síndico vai chamar a polícia, vai pensar que alguém está te matando, sussurrou no meu ouvido.

Me mata, me mata de tesão, quero morrer assim, gritava eu cada vez mais alto.

Depois me levou para cama, onde o enlevo foi mais suave. Mesmo assim, meus orgasmos se multiplicaram. No final, fechei os olhos e dormi.

Quando acordei, ele já tinha partido. Ainda bem, eu ainda nua. Nessa hora é bom estar sozinha. Morro de vergonha depois do gozo.

terça-feira, novembro 09, 2021

Pingar mel em uma fatia de pão

Entrei no apartamento dele, segui o curto corredor, logo estávamos na sala. Um sofá de dois lugares, a mesa, três cadeiras, um pequeno aparelho de som e, na parede, um quadro a grafite, um homem numa cidade, talvez Amsterdã, o casario, um canal e pessoas passando ao fundo. Que tipo de música você gosta?, perguntou. Alguma de ritmo lendo, instrumentos perfazendo notas longas, ou coisa parecida, falei. Sentei-me no pequeno estofado, a música não demorou a inundar o ambiente. Ele desapareceu para voltar após menos de um minuto com a garrafa de vinho. Duas taças, o tira-rolhas, dois pequenos pratos. Arrumou tudo sobre a mesa. Havia um livro sobre ela, numa das pontas. Afastou-o para um suporte lateral, desdobrou a toalha que – só então reparei – ficara enrolada num dos cantos, como um logo canudo. Não quer conhecer o restante do apartamento?, perguntou enquanto abria a garrafa. Temos tempo, pronunciei em voz baixa as duas palavras. Experimente, ele pediu. Provei o vinho, aprovei com breve sorriso. Completou um pouquinho mais a taça, brindamos e bebemos os primeiros goles.

    O apartamento do namorado trouxe-me à memória um homem com quem me relacionei fazia alguns anos. Tudo era muito parecido. Será que não era o mesmo, que voltava e eu, desligada que sou, não reparava? Nada disso, a cidade era outra, o bairro à beira-mar. E naquele tempo aconteceu algo engraçado. Sim, uma coisa divertida. Eu, que não sou de muitos sorrisos, principalmente no começo de um namoro, perguntara ao homem se poderia tirar a blusa. Na época, mesmo com o mar próximo, fazia um terrível calor, anoitecia, a hora em que parecem refluir todos os raios do sol irradiados durante o dia. Claro, dissera. Tirei a blusa e o top, sentei-me na poltrona, apenas de bermuda. Agora, não fazia calor, e eu, de um tempo para cá, passei a ter crises de vexo. Sério, depois dos trinta e cinco, uma mulher que sente vergonha é coisa rara. Mas o que há de se fazer?

    

    A música expandia-se com novos instrumentos, não se ouvia voz, apenas o som de cordas e metais, talvez um jazz um tanto mais animado. Ele sentou-se ao meu lado. Você sabe recitar poemas, sugeriu, bem perto dos meus ouvidos. Têm livros de poesia?, perguntei olhando em volta, encontrei uma pequena pilha deles sobre a mesinha lateral, onde também havia uma luminária. Tomou nas mãos alguns deles, Rimbaud, Carlos Drummond, Bandeira, Florbela Espanca, Alberto Caeiro, Álvaro de Campos. Ulisses, de Joyce. Nossa, acho que vou ler este, peguei o grosso volume, é prosa mas cheio de poesia. Riu. Você tem um charme e tanto ao falar assim, acrescentou. Não, não é charme, ou o charme não é meu, mas da literatura. Folheei o começo do Joyce. O homem foi acho que à cozinha, voltou com dois tipos de queijo, uma garrafa de água mineral, abaixou o volume da música. Você sabe que eu morria de vergonha de ler em voz alta, na época da escola?, encarei-o depois da minha confidência. As meninas eram as mais atiradas no meu tempo de escola, disse ele. Ah, sim, atiradas, mas em outro sentido, intervi. Riu mais uma vez, gostou da insinuação, mas não tinha maldade no pensamento. Morria de vergonha, verdade, continuei, depois me tornei atirada, como você diz; mas, agora, depois dos trinta, sinto vergonha de novo, não para ler umas páginas do Ulisses, é claro.

    “Majestoso, o gorducho Buck Mulligan apareceu no topo da escada, trazendo na mão uma tigela com espuma sobre a qual repousavam, cruzados, um espelho e uma navalha de barba [arregalei os olhos instintivamente e olhei para o namorado]. Um penhoar amarelo, desamarrado, flutuando suavemente atrás dele no ar fresco da manhã. Ele ergueu a tigela e entoou:

– Introibo ad altare Dei.

Parado, ele perscrutou a escada sombria de caracol e gritou asperamente:

– Suba, Kinch! Suba, seu temível jesuíta!”

    Pronunciei a última frase com entonação teatral. O namorado arregalou os olhos, como se dissesse continue, continue. Mergulhei nas páginas seguintes. Durante vários minutos, enveredei pela trilha do autor dublinense.

    “Toda Irlanda é lavada pela corrente do golfo – disse Stephen enquanto deixava pingar mel em uma fatia de pão.”

    Após essas últimas palavras da leitura, olhei a mesa, como se procurasse o pão com algum mel para derramar sobre. Genial, genial mesmo, revelou-se entusiasmado, me vi no teatro, a maior viagem, acrescentou, seu vocabulário não correspondia notadamente ao de Joyce. Está ótimo, continuou, adorei, e olha que as atrizes não se sentem envergonhadas. Levantou-se e foi cortar umas fatias de pão. Você quer mesmo o mel?, quis saber. Quem sabe, irônica, deixei o livro de lado.

    Depois de duas rodelas da baguete, do queijo com mel, e de eu ter bebido uma taça de vinho quase inteira, ele veio sentar-se ao meu lado. Você disse que se tornou envergonhada, não é mesmo? Talvez, respondi, sucinta. As mulheres são assim mesmo, sentenciou. Eu não teria tanta certeza, conheço uma que chega à casa do namorado e, a primeira coisa que faz, é ficar pelada. Ela não lê versos de poemas?, ele, sarcástico. Talvez leia, ou melhor, pode ser que peça para o homem ler, mas a literatura do corpo dela. Literatura do corpo, repetiu, não deve ser tão bela como a de Joyce. Não sei, eu não teria tanta certeza, finalizei. Naquele momento, senti sua mão apertar-me os seios nus, seus lábios procurarem os meus.

terça-feira, outubro 05, 2021

Muito especial

Meu amigo me deixou numa situação! Veio me visitar, com a minha permissão, é claro, e acabou me deixando a mil por hora. Como posso falar de outro modo? Ele é bonito, vive me galanteando, me convida para tomar café à tarde, sabe que adoro cafeterias e bistrôs. Acabou vindo aqui em casa, eu sozinha. Como eu poderia ter reagido? Levantado, tê-lo abraçado e lhe ter dito a verdade? Olhe, estou morrendo de tesão, venha trepar comigo. Nada disso, fiquei quietinha, apesar de toda toda molhada. Pensei mesmo ir ao banheiro trocar a calcinha. Ele continuou com a conversa: arte, literatura, lugares bonitos para passear. Como diz minha prima Ana, eu devia ser mais atirada.

Quando era bem jovem, tive uma amiga cheia de fogo. Ela me contava que era normal sentir vontade de experimentar o sexo dos rapazes. Quando havia a tal oportunidade, não perdia tempo, saía com eles e deixava-os entrarem em ação. Não se incomodava se depois dissessem que ela era piranha. Quando aparecer alguém que goste de mim, não vai se importar com quantas pessoas trepei, afirmava. Ela fazia a festa, levantava a saia e gozava que só. Não sei se eram verdadeiras todas as suas histórias. Disse que, certa vez, trepou no banheiro do Mc Donald.

Eu e meu amigo ali na sala, a conversa fluindo, eu me remoendo. Sônia, tenha compostura, disse a mim mesma, o cara não está te convidando para a cama. Mas ele é tão bonito, e me dá uma atenção que eu já não tenho faz tempo. Vou preparar um café, falei. Vou com você, ajudo. E fomos para a cozinha. Uma cozinha pequena, a gente quase a se roçar. Daqui vamos para o quarto, cheguei a pensar, ou mesmo ele me encosta na parede da cozinha e... Mas o que fez mesmo foi elogiar o café, como está gostoso, nunca tomei um igual. Voltamos para a sala, conversa para lá, conversa para cá, fui sentar ao lado dele, no sofá, quase tocando o seu joelho. Ele também estava com vontade de me possuir, percebi, mas não quis arriscar. Sua filha está em casa?, perguntou. Não, foi passear com uma amiga, só volta ao anoitecer. Sorri. Como se faz para dar a entender a um homem que a gente está a fim? Não posso pedir licença, ir ao banheiro ou ao quarto, tirar a roupa e voltar nua. Sei de mulheres que agem assim. Mas, quanto a mim...

Meu amigo falou bastante, eu também. No final, sugeriu, vamos sair uma noite dessas, ir a um restaurante, variar um pouco, depois do restaurante a gente faz outra coisa. Fiquei doidinha para perguntar que outra coisa seria aquela. Mas, como de costume, permaneci apenas na vontade.

Antes de ir embora – já eram mais de seis da tarde – me beijou e disse: você é uma pessoa muito especial.

segunda-feira, agosto 09, 2021

Não falaria assim

Joana, nada de me apresentar esses teus amigos, o último com quem saí através de tua mediação foi um problema. Você não vai acreditar o que aconteceu. Ninguém normal faria o que ele fez. O cara roubou minha calcinha, acredita? O que faz um homem roubar a calcinha de uma mulher? Não é melhor convidar uma mulher pra ficar com ele o tempo todo nua? E na sua casa, alguém a lhe fazer carinho? Mas o cara roubou minha calcinha, e nem me convidou pra dormir na casa dele. Tive de chamar um táxi às duas da manhã e... sem calcinha. Por favor, não me apresente mais a ninguém. Você não sabia? Como pode me recomendar um cara pra me namorar se não o conhece? Ah, sei, foi através de uma amiga. Ele era amigo de uma amiga, que já tinha namorado uma outra. Acho que os elos estão longe demais. O homem poderia me ter causado problemas maiores. Ah, você nunca voltou pra casa sem calcinha, depois de um esfrega-esfrega bem quente? Eu, já, não foi a primeira vez, mas não gostei da brincadeira. Não recomende o homem pra outras amigas. O problema é delas se te perguntam se você conhece alguém que as convide para sair? Ainda houve a história da bolsa de butique. Nunca ouviu falar, ele não te contou? Aliás, acho que você nada sabe sobre o homem. A gente saiu, foi jantar em Santa Teresa, depois acabei aceitando ir até a casa dele, acho que foi esse o problema. A solução? Deixe de brincadeira, Joana, nada de solução, só porque te pedi um namorado você fala em solução? Acho melhor ficar sozinha a partir de agora.  A história da bolsa aconteceu na casa dele. A gente estava fazendo um carinho gostoso; eu nele; ele em mim. De repente me vi nua, nos braços do homem. O cara começou a contar uma história, que ia colocar minhas roupas numa bolsa de butique, ia me levar pra passear nua. No começo, achei que era uma história pra gente se excitar, e dei corda, perguntei como era o carro, aonde íamos, onde eu sentaria, se me compraria um vestido novo. Mas depois a coisa começou a assumir um aspecto sério. O cara perguntou se eu tinha chegado nua em casa, alguma vez. Não acredita? Pura verdade. Fiquei no começo arrepiada, depois nem sei o que mais senti, meu vestido não mais estava sobre a poltrona onde eu o havia deixado. E o cara dizendo vou levar você pra passear nua, sentada no banco do carona, vamos deixar a bolsa com tuas roupas na porta de uma dessas casas de luxo que há no bairro Y. A gente dá umas voltas, eu paro na orla, a gente namora, namora, se agarra, se você tiver coragem salta do carro e desce até à beira d’água, depois a gente volta, e vai pegar de volta a bolsa. Será que ainda estará lá? Caso tenha desaparecido, dou um jeito os homens sempre dão um jeito. Enquanto contava a história, a gente estava na cama, eu ao lado dele, ele sobre mim, a gente namorando, só namorando mesmo. A história me aterrorizou, pedi por favor, quero ir embora, vou me vestir, estava com medo do homem. Ele tentou ser delicado, não precisa temer, são apenas histórias pra  gente se divertir. Acabamos namorando mais, trepando. Mas, no final, onde minha calcinha? Ele não a encontrou, chegou a perguntar se eu a havia guardado. Só faltou perguntar se eu viera de calcinha. Mas teve a delicadeza de se calar sobre isso. Na hora do amor, gostei, gostei e gozei, mas depois... Você diz que foi bom, que o importante foi que o homem me acariciou e me levou às nuvens? Sim, me levou mesmo. Mas não gosto de voltar pra casa, nua. Porque pra mim voltar pra casa sem calcinha é voltar nua. E a calcinha me custou cento e vinte reais, era a melhor que eu tinha. Por isso, vou dar um basta, nada de sair com caras desse tipo. Você acha que valeu a pena, não?, que sou eu que não sei valorizar. Você já voltou pra casa sem calcinha, Joana? E sem uma calcinha de cento e vinte reais? Acho que não. Caso tivesse acontecido, não falaria assim.

terça-feira, março 16, 2021

Bem fundo

Amor, por favor, não, você sabe que gosto dos meus textos bem escritos, revisados à exaustão, não posso escrever agora, nesta situação. Eu sei que você tem muitas fantasias, inclusive a de me ver escrevendo peladinha uma história, mas é difícil ficar sentada aqui em frente ao computador cheia de tesão, doidinha pra trepar com você, a tentar escrever uma história. Tanto mais com você nu ao meu lado, com esse pinto durinho, eu a dar beijinhos na ponta. Não, por favor, amor, vamos deitar, amanhã escrevo. Lembra aquela vez, contei a você, dois homens me pediram a mesma coisa, era uma aposta, fiquei exausta, acabei escrevendo e publicando na mesma hora, pra interesse deles. Mas foi uma exceção, eu tinha um amigo que morava na Dinamarca, ele me dava tantos presentes, e ganharia a aposta. Acabei cedendo. Tenho uma amiga que me diz Célia, relaxe e goza, os homens estão sempre a te paparicar, a te dar presentes, se eu fosse você não pensava duas vezes. Mas, para quem está do outro lado, em frente ao teclado, não é a mesma coisa. Estou tão excitada. Não, amor, sei que você já me dá mil presentes, não precisa me pagar pra escrever. Não é assim que funciona. As coisas caminham assim nas editoras. Muitas mulheres aceitam qualquer coisa pra publicar um livro. É como na TV, pra conseguir uma vaga tem o teste do sofá, e agora está armado este circo todo, com as atrizes processando os homens por abuso sexual, assédio e até estupro. Amor, compreende, vem, vamos deitar, pronto dei mais um beijinho na ponta do teu pinto, você chega estar quente, e quer me ver escrevendo. Devia me comer, imediatamente, sem perder um minuto. Você gosta de fazer tudo com calma, nada de gozar logo, sei, tanto melhor para as mulheres. Fico pensando nas namoradas que você teve, não souberam aproveitar o homem que tinham junto a si. Ah, adivinhei, elas não era escritoras, caso o fossem e escrevessem peladas às duas e trinta da madrugada estariam com você até hoje! Você só quer namorar escritoras, e vê-las escrevendo nuas, e vendo-as publicar imediatamente após terminar o texto. Mas, amor, um texto nunca está terminado, tanto mais a gente lê, mais encontra algo que não agrada, precisando ser modificado. Quando se publica um conto ou um romance, é porque é preciso sair o livro, caso permitissem a gente ficaria revisando a vida inteira, e sempre acharia ainda o que modificar. Mais um beijinho, abaixe aqui, viu, isso, quero a tua língua, bem gostosa, está quentinha também. É por que você espera pelo meu texto? Não, amor, você precisa ceder, não pode fazer isso com uma mulher, obrigá-la a algo que ela não quer, é como um estupro. Você não entende assim? Verdade. Nada disso de relaxe e goza, comigo não funciona, aliás, só funcionou uma vez, e eu não gosto de falar sobre. Não, claro que não, amor, não vou escrever sobre o que aconteceu. Acho que já até escrevi, não lembro. Talvez se procurar entre todos os meus textos, há alguma referência. Agora quero namorar. Caso escrevesse alguma coisa hoje, seria sobre vir à casa do namorado pra trepar com ele. Escreveria é ótimo ter um namorado que nos convide para ir ao seu apartamento, por isso é importante arranjar namorado que não seja comprometido. Então, no apartamento, ele me serve uma taça de vinho tinto, coloca música; sento, cruzo as pernas e fico olhando a ele. Assanhada. Mas nada de tirar a roupa logo, aguardo. Seria uma história delicada, de amor e carinho. Sem chances de ser diferente. Acho que já escrevi sobre uma vez que deitei na cama de um namorado vestida inteirinha e ele me disse você vai ficar toda amarrotada, deitei mesmo assim, depois de uns apertos e uns beijos fiquei toda amarrotada mesmo! Começamos então a rir, ele disse tenho ferro elétrico se você quiser passar, ou empresto uma roupa minha, as mulheres adoram roupas de homem. Amor, já falei demais, nada de escrever agora, vamos pra cama, já estou levantando, me abraça, adoro quando você me abraça apertado, me encosta na parede, eu nua. Isso, amor, assim, assim, vamos deitar, amor, estou ficando toda molhada, não posso mais resistir. Amanhã. logo ao acordar, escrevo a história pra você, prometo, também publico imediatamente, vou vencer minhas neuras de revisar um texto ao infinito. Agora vem, amor, isso, amor, um carinho bem gostoso, assim, é como gosto, a literatura fica pra depois. Ai, amor, ai, você sabe que gozo várias vezes, não para, não, não para, mete, mete bem fundo...

segunda-feira, março 08, 2021

Não me deixa faltar

Ele me enviou uma mensagem dizendo teu aniversário passou mas não esqueci, ainda é tempo de te dar um presente. Tal namorado (nomeio namorado porque sempre está cheio de amor por mim) só tem uma exigência, que eu vista um vestidinho de tecido fino, minha pele lisa por baixo, apenas, deixando-o cheio de tesão. Outro dia pensei não posso atender seu pedido, tenho minha personalidade, não é meu modo costumeiro de vestir. Além disso, acabo sendo objeto de admiração de todos os outros homens. Às vezes vêm atrás de mim! Mas ele me paga de duzentos a trezentos, apenas para ir com o vestidinho e lhe dar um beijinho na hora de ir embora. O envelope, tira-o do bolso do blazer, branco que só. Abro quando estou sozinha, em casa. Fico numa tremenda dúvida, vou ou não? Leio a mensagem no celular. Houve uma vez quando usei um macaquinho, as pernas morenas de fora, as costas, os ombros morenos leitosos, o homem não aguentou, pude reparar direitinho. Tenho uma amiga que não vê problema nenhum aceitar estes pedidos, diz que tem uma conta no Instagram, entra em contato com os homens, não demora a declarar que está apaixonada, passa uma semana diz que no banco sua conta vai no vermelho, alguém a assedia por causa de uma dívida, será que ele não pode lhe depositar quinhentos reais? De início, o recente namorado se assusta, mas acaba depositando se não o total, pelo menos a metade. Ela envia uma porção de fotos para ele, deitada, sentada, de pé, sempre nua. Outro dia disse vou tomar uma ducha, e logo mandou duas fotos dela nua no banho. O homem esperou com impaciência. Mas quanto a mim, tenho certo receio. Não abri conta no Instagram, me basta o Zap, o Facebook, a quantidade de homens atrás de mim é alta, mas adivinhem o que eles querem. Não posso dar pra todo mundo. Fica chato. E olha que gosto à beça de transar. Este que me gosta de vestidinho leve e fino é tão delicado, tem conversa boa, me leva pra lugares agradáveis. Pena que só trepei com ele uma vez. Não sei por que não saímos mais vezes, acho que falta de oportunidade. Não é tão bom de cama como outros homens que conheci e que conheço, mas adora minhas histórias. No dia em que trepamos, contei uma sacanagem no ouvido dele, o homem ficou logo de pau duro, pediu que eu o chupasse nos intervalos da narração, (contei uma história louca, do dia em que fui à praia em Mangaratiba com um biquíni mínimo do mínimo) acabou gozando dentro da minha boca. Não tive coragem de cuspir sua porra. Até que estava gostoso, tudo no fim me rendeu 500 reais. E o saborzinho pareceu de chocolate! Agora, foi meu aniversário, deixa de bobagem, Zilda, falo comigo mesma, tudo se resolve em quarenta minutos.  Mas dessa vez, se além do presentinho pudermos ir de novo a um hotel, quero que meta lá dentro, bem fundo. Conto a história da Juliana, biquíni de lacinhos, amarradinho no tornozelo do namorado, na praia de Muriqui, os dois dentro d'água, mas pela minha voz a protagonista sou eu e o homem este sobre a cama comigo! O namorado é mais velho que eu doze anos, mas, depois de minhas historias, não vai me deixar faltar.

segunda-feira, março 01, 2021

Pelas próprias mãos

Deitada, penso nele. Melhor assim, a imaginação tem asas, voos diversos e muitas vezes de longo curso. Meu amigo, ouço ainda sua voz, tom de afeto. Quem não vive situação semelhante? Na verdade, os homens são problemáticos. Ter relação estável com algum deles é sinônimo de alguns percalços. O principal é que tendem à infidelidade. Sei que o admirador que me sopra palavras doces não as faz voar apenas a mim. No entanto, escuto-as, finjo que acredito, solto um tantinho a corda. Quando quer marcar encontro, não sei se vou. São sedutores demais. Por mais que digamos não vou me apaixonar, ou tenho domínio sobre mim, não há garantias. Alguns deles parecem dominar os segredos de linguagem, trejeitos complicados, difíceis de perceber. Quando dou por mim, estou cativa. Ou jamais dou por mim – recurso falacioso de negar a captura. Digo que se trata de resultado do meu charme, ou de uma construção voluntária, longa, estudada. Passam-se alguns dias, ou algumas semanas, e pergunto ainda uma vez quando e como me deixei convencer: nua, agarrada a ele. Ana Maria, amiga de longa data, diz que nunca se deu conta de nada. E tantos são os homens. A maioria trepa muito bem, e é isso o que desejo. Pois é, rebato, ou seria melhor dizer replico (sua atitude). Rebato, primeiro. O problema é que me apaixono. O homem diz apaixonado, jamais encontrou uma mulher tão sensível. Sim, sensível, não resisto ao seu tato, sua mão deslizando-me sob a saia; eu, presa insensata a ficar nua pelas próprias mãos. Ana Maria diz que a calcinha deve ser retirada pelo homem. Nua a esperar pelas mãos fugidias que vão lhe fazer desaparecer a derradeira peça. Mas eu não tenho vergonha de confessar, tanta é a paixão que acabo por tirar, além do vestido, calcinha e sutiã. Mas, agora, deitada na minha cama, a coberta a roçar-me o corpo, sinto-me protegida. Longe a paixão súbita, melhor o pensamento. Mexo-me e sinto suas possíveis mãos. Ele disse que tenho alma de artista, que minha voz é suave, jamais um grito. Ah, sim, nada de gritos. Tenho uma filha pré-adolescente, às vezes dou uns gritos a ela. Não sei se é esse tipo de grito a que ele se refere. Como ainda não transamos, acho que não pode ser o grito de orgasmo. Mas, caso ele o espere, não o terá. Não grito na hora agá, ou, explicado: no momento do gozo. Faz alguns anos tive um namoradinho, ele me pedia para gritar. Faça de conta que está num palco. Mas não sou atriz, rebatia eu. Não faz mal, faça de conta. Dei, então, um grito intenso. Assustei a vizinhança. Eu havia saído do banho, o corpo fresco, as mãos do jovem a me acariciar, horas antes estivéramos na praia, nossos corpos traziam ainda o calor do dia de verão, do sol imperial. A vizinha veio bater à porta. Não, não foi aqui, não, retruquei, a porta entreaberta, ela a observar meus ombros. Você está nua, minha filha, vai pegar uma pneumonia. Voltei ao namoradinho. Ele ria e ria, não precisava um grito de tal envergadura. O tal era aprendiz de escritor. A tal envergadura. Vai ver lançou livro e vou, sem saber, como personagem. Tomara que não me tenha largado nua na mão de seus leitores. Deitada ainda, agora de manhãzinha, friozinho, a coberta, edredom fofo, ainda a lembrança do admirador. O tom de voz precisa ser baixo; o namoro, verbal. Do verbo fez-se a vida, lembro. Portanto, o verbo é perigoso, muito perigoso, capaz de gerar mundos. Um mundo meu corpo, maiô inteiriço, cavado atrás. O namorado goza ao me ver de costas, na praia. Assim, arrefece. Não se apresse, dispo-me pelas minhas mãos.

segunda-feira, dezembro 07, 2020

Vem comer meu pão de ló

Fui eu a culpada, numa das últimas mensagens a ele escrevi aproveita pra me telefonar porque vou me casar, depois não quero mais conversar com outros homens. A mensagem deu a entender que eu ainda queria falar com ele, mas ele nada respondeu. O homem foi alguém muito especial pra mim durante um bom período. Namoramos, chegamos a viver juntos. Depois cada um seguiu sua vida. Faz uns três ou quatro anos, nos reencontramos. Ele telefonou algumas vezes, chegou a vir aqui. Em todas, acabamos fazendo amor. Não consigo resistir às histórias que ele conta, na verdade são cantadas, caio em todas elas direitinho, muito sedutor o homem. Na última vez, veio resolver um problema aqui na cidade, depois passou na minha casa, ficamos conversando um bom tempo. Num momento, resolvi lhe mostrar um vídeo onde eu estava nua. Ele logo falou você está tão bonita. Que nada, estou gorda, já não sou jovem. Não, não, você é muito bonita e gostosa, acrescentou. Cinco minutos depois, eu estava nua, ele fazendo carinho nas minhas costas, uma espécie de massagem. Que tesão! Daquele dia pra cá, nos falamos apenas por mensagens, ele sempre dizendo você é muito gostosa. Agora tenho namorado, rebatia, nada de se engraçar pro meu lado, viu? Precisei de dinheiro, pedi a ele. Depositou trezentos e cinquenta reais na minha conta. Quando for aí, te faço um carinho. Nada disso, retruquei, agora tenho namorado, quero ficar apenas com ele. Então, mesmo eu já tendo enviado duas mensagens, ele não mais entrou em contato. Acho que foi por causa da tal mensagem lá no começo. É importante não definir as coisas, não se sabe o dia de amanhã, é o que diz uma amiga. Pode ser que esteja certa. Vamos supor que amanhã eu volte a estar sozinha, ele vem aqui e a gente pode dar uma namoradinha. Quando me olho nua no espelho, penso nele, você é muito gostosa, mesmo com essa barriguinha. Barriguinha?, você acha mesmo que isso é barriguinha? O problema é que, agora, estou com a maior vontade, e meu namorado anda longe, trabalhando em outra cidade. Os homens aqui me paqueram, mas não vou trepar com um deles, logo fico mal falada. Mas o meu amigo, caso aparecesse, até que seria uma solução. Por que fui cair na besteira de enviar a tal mensagem? Você é muito confusa, Nete, diz minha irmã, não sabe aproveitar as oportunidades. Às vezes conto das minhas pra ela. "Se eu tivesse alguém como esse teu ex-namorado, que até faz depósito na tua conta quando você pede, não pensava duas vezes, tratava o homem a pão de ló." Tão engraçada a expressão, será que alguém ainda faz pão de ló? Vou fazer um, vou chamar o homem pra vir aqui em casa, deito nuinha e coloco o tal pão de ló sobre minha barriga. Vem, meu amor, vem comer meu pão de ló!

segunda-feira, novembro 16, 2020

A bolsa

À noite, sonhei com ele. Acordei envergonhada. Não por ter estado nua ao seu lado, mas por me ter tornado mulher de fácil conquista. Está pronta para o nosso passeio?, perguntou enquanto me oferecia uma bolsa de butique. Tomei-a nas mãos, reparei que estava vazia.


Sempre que passava pela porta daquele homem, recebia seu olhar malicioso. Ele é velho, disse a mim mesma, em silêncio. Cidade pequena é fogo, todo mundo conhece a gente, e qualquer escapada é logo descoberta. Não podia ficar perguntando pra uma ou pra outra quem era o tal que me paquerava. As mulheres daqui, quando querem beber de outra caneca, pulam pra cidade vizinha, a cinquenta quilômetros. No dia seguinte, ele me chamou.

"Meu nome é Manoel, e o seu?"

Parei, por educação, e me apresentei.

"Reparo que você passa sempre aqui", disse ele.

Bem que eu queria falar passo sim, e você está sempre a me comer com os olhos, porque acho que o peru já não funciona. Mas arrefeci. Me fiz de boazinha.

"Verdade."

"Aceite um café, entre, moro sozinho, vamos tomar uma xícara."

Declinei do convite, pedi desculpas e segui em frente.

Nos dias que se seguiram, evitei passar em frente à sua casa. Segui outro caminho naquele meu passeio matinal, sempre à procura de tomar um pouco de ar e comprar algo para o almoço.

Dois dias depois, como por coincidência, ouvi dizer que o tal gostava de mulher jovem, e pagava bem. Uma amiga chegou a dizer:

"Acho que vou me oferecer ao Manoel, dizem que distribui dinheiro."

"Verdade? Sabe que nunca reparei esse homem.", tentei mostrar surpresa. "O que será que deseja em troca?"

"Ah, imagine", ela moveu a cabeça, "o óbvio".

"Mas ele é tão velho, será que ainda consegue."

Ele se satisfaz ao modo dele, completou a amiga.

Quis perguntar se já tinha entrado pra tomar café, mas preferi o silêncio. Enquanto voltava pra casa, pensei no tal dinheiro que o homem devia distribuir. Eu, sempre devendo, sempre precisando de pagar uma prestação, as dívidas se alongando.

Voltei a trilhar o tal caminho, Manoel parecia estar esperando-me.

Hoje, você vai tomar um café.

Sim, vou.

Foi o suficiente. Ele sabe fazer um café muito gostoso. Elogiei. Olhou pra mim, queria dizer que a gostosa era eu. Bebemos, em silêncio. Após alguns minutos, começou a contar uma história. Não era a dele, ainda bem.

Nos dias que se seguiram, não saí de casa. Aproveitei para organizar alguns papéis. Na semana seguinte, quando passei em frente a casa dele, ouvi:

"Sumida, fiz café todos os dias e você não apareceu."

Dei um ligeiro sorriso, aceitei o café.

"Caso você precise de alguma coisa, fale comigo, sou um homem generoso."

"Alguma coisa?", eu quis saber que coisa.

Ah, imagine.

Dois dias depois, parei de fronte à sua casa. Ele não estava. Achei estranho. Será que aconteceu alguma coisa? Quis entrar, olhar lá dentro. Sabia que encontraria a porta sem tranca, mas não tive coragem. As janelas estavam abertas, via-se a sala arrumada, mas ele não apareceu. Evitei bater. Será que contava a mesma história a todas as mulheres que passavam ali em frente? Vai ver estava com uma delas na cama. Atravessei o portão do quintal e fui, sorrateira, olhar o quarto através da janela. Mas não havia sinal de vida. Temendo ser surpreendida, corri pra fora. Antes de partir, encontrei uma bolsa de butique, estava encostada à porta, do lado de fora, como esperasse ser levada por alguém. Tomei-a nas mãos e reparei que continha roupas de mulher.

Na semana seguinte, aconteceu. Estava sentada na poltrona; ele, no pequeno sofá. Bebíamos café. Você sabe fazer café muito bem, ele disse, segurava a xícara e olhava os meus peitos nus. Além do café, você tem o corpo bonito, uma mulher bonita fazendo café, e me fazendo feliz. Tomou mais um gole e sorriu. Descruzei as pernas e mudei de posição, numa das mãos a pequena xícara; na outra, o pires. Não tive outra saída senão rir. Vi, como num filme, tudo o que vivemos até àquele momento. Me surpreendi, não era nada mais do que uma mulher fácil. Mas o que fazer? Era generoso o homem; eu, cheia de dívidas. Quando me levantei para levar a xícara vazia à cozinha, sabia que ia me apreciar pelas costas. Ao voltar à sala, parei diante dele e cruzei os braços sob os seios: "será que vim só pra tomar café e passear nua?", falei em tom de galhofa.

"Claro que não."

Manuel, então, me comeu. Comeu profundamente. Quanto à bolsa, melhor não perguntar.

segunda-feira, setembro 28, 2020

Agora vem, deita aqui ao meu lado

Você sabe, estas histórias de gênero são complicadas. Ainda bem que existe a Margarida e ela me deixa escrever aqui, já que você quer em tempo real. Escute, cada homem tem a sua fantasia. A tua é me ver nua escrevendo ao vivo.

Mas sobre gênero, o ponto principal e saber separar. Uma coisa é sexo; outra, gênero. A pessoa ter nascido homem e depois se tornar mulher não significa que tenha se submetido a uma cirurgia. Você compreende, não? Grande parte dos transgêneros transforma o corpo, mas não significa que o masculino tenha que se tornar totalmente feminino, nem o feminino se tornar masculino. Hoje, é possível para quem nasceu homem tornar-se mulher no nome civil, mesmo que mantenha o pênis. Para quem nasceu mulher e deseja se torna homem, também tem o mesmo direito, é lógico, pode mudar de identidade sem precisar de exame médico para mostrar que passou a ter um pênis! Muitas vezes, porém, quando a gente arranja namorado, não é assim que ele entende. A compreensão geral ainda é muito antiquada, as pessoas nada sabem sobre isso e são cheias de preconceitos.

Quanto ao jeito de namorar, outro problema. Há trans, como eu, que se tornou mulher mas não retirou a principal marca masculina, o pênis. Tenho nome de mulher, está na identidade. Para que os homens entendam, em geral, preciso dar aula. Sério, já pensou, você nua, na cama de um hotel, a dar aulas do que é transgênero. Existem muitos livros, basta comprar e ler, muita literatura interessante. Mas ele quer escutar da minha própria voz. Depois quer ver, examinar. Não vim aqui pra isso, assim perco a tesão. Há travestis (vamos usar a palavra que os homens adoram, embora não signifique exatamente transgênero), bom, há travecos que levam faca, punhal, navalha, tudo na bolsa, dizem que é para se defender. Não trago tais objetos, não me acostumo com armas. Mas a violência acontece porque muitos homens querem fazer maldade ao trans. A primeira ação que muitos adoram é nos roubar a calcinha. Querem ver como vamos fazer para o peru não escapar por baixo da minissaia, ou do vestidinho. Sério, não são poucos os que têm esta fantasia. Outra coisa, alguns querem nos colocar objetos dentro do cu. Houve um que me enfiou um bombom. Sério, com celofane e tudo. O chocolate desapareceu. Deixa que eu procuro, ele disse. Tive de ficar agachada um tempo enorme, tremendo de medo de que não conseguisse e aquilo me fizesse mal. Quando encontrou, tirou o papel, ainda esfregou o chocolate no meu anus e o comeu. Que loucura, você deve estar pensando. Mas existem ainda coisas piores, não quero contar aqui. Outra ação é quererem tirar fotos da gente. Cruze as pernas, agache, levante, sente, mostre os seios, agora cubra-os, esconda o peru, mostra. Um transtorno. Para que você quer tantas fotos?, estou aqui com você. Trata-se de uma fantasia, e quando o assunto é fantasia é difícil tirá-la da cabeça dos homens. Só pra terminar, ainda faltou contar outro ponto. Na maioria das vezes, peço por favor, não toque no meu pênis. Mas os homens não se satisfazem, querem porque querem me ver de pau duro. Quase não tomo hormônios, sou feminina de natureza, mas quando insistem em me deixar de peru duro, meu organismo produz hormônios também masculinos e isso me desestabiliza. Gosto de fazer amor, mas que não toquem no meu pinto. Quando gozo, lógico que ejaculo, mas o pinto vai estar mole, sem problema algum. Não é dele que preciso pra gozar,

Então, gostou da minha história, você também tem fantasias, mas ela é soft. Agora, vem, deita aqui ao meu lado, teu peru parece ser muito gostoso.

terça-feira, setembro 22, 2020

Bom demais

Meu namorado me adora ver almoçando, jantando ou mesmo fazendo um breve lanche. Diz que demonstro muito prazer, parece que estou na plenitude de um orgasmo. Sério, não acredita? Outro dia me pediu algo surpreendente. Que eu almoçasse nua. Deixe-me, ao menos, cobrir os seios, não fica bem mastigar com os seios dependurados, à borda da mesa. Fui ao quarto e voltei vestida apenas com um top. Comecei a comer. Ele reparou meus movimentos da boca, meus olhos a demonstrarem o gosto pelo alimento. Nua, de pernas cruzadas, à mesa, a mastigar, sinto-me cavalgando sobre ele, num namoro à hora tardia. Ele imagina o mesmo, olha-me, boa a trepada. Quando vê minha garganta mover-se, o momento da deglutição, goza junto comigo. Um dia desses, não satisfeito apenas a me olhar, filmou-me, bem próximo; focou a cabeça, a boca, o pescoço, todos meus os movimentos que envolviam a mastigação e os traços que a alimentação deixa na gente. Engoli o último pedaço da sobremesa, um pudim de leite condensado. Foi então que molhei a cadeira, adivinhe por quê. Acho que por isso usamos calcinha, não é bom molhar os lugares por onde passamos. Agora, conta você, já que começou com a história de namorados, do que eles gostam e coisa e tal.

O meu me adora ver movendo os lábios, mas não é bem na hora da refeição. Quem me dera fosse assim, suave, de modos refinados, como o teu. Vou te pedir emprestado, viu. Meu namorado é selvagem. Não sei, mas acho que me acabei acostumando. Ele pega, me puxa pra junto dele, me levanta, enfia um peru imenso dentro de mim; eu grito, peço pra me colocar no chão, reclamo, mas tudo não passa de um faz de conta, finjo que estou furiosa. Mas doidinha pra abrir as pernas. Adoraria que ele me pedisse o mesmo, essa tal deglutição, inteiramente nua, afastado de mim, a me observar mastigando. Ele me quer ver engolindo, sim, mas é a porra que sai do pau dele. Você nunca engoliu porra, ou só engole pudim de leite condensado? Finjo que não gosto, mas o sabor passa a ser uma delícia depois da terceira vez, além disso, o líquido é quente, acho que tem a temperatura do corpo. Ainda bem que fazemos tudo dentro de um quarto, na minha casa, ou num hotel. Tenho uma amiga que anda nua por aí, a pedido do namorado. A gente não imagina o que as pessoas fazem para ter um namorado nos dias de hoje.

O meu não é só delicadeza, não, ele também é selvagem, tem os dois lado. Quer-me ver comendo, sim, mas quando eu encosto nele, ele desperta, parece que estou na selva. E quanto a esse negócio de sair nua por aí, ah, nem fala, você não imagina o que já me aconteceu.

Conta, gosto das tuas histórias.

Não, não posso contar, pelo menos hoje, não, quem sabe um dia desses.

Minha amiga... Espere, me deixa acender o cigarro. Hum, bom esse cigarro, depois não querem liberar pra fins recreativos, não sabem o prazer que é isso. Minha amiga, tenho uma conhecida que ficou nua numa estrada, saltou do carro nua e ficou no acostamento. O namorado foi dar umas voltinhas e ela a esperar por ele. Veja se isso é concebível, uma mulher tão instruída, professora universitária, nua numa estrada!

Prefiro falar sobre os doces, os doces que comi nua!

Há homens de todos os tipos. São sempre um pouco tarados. É bom que sejam assim, pelo menos tem interesse por nós e nos dão prazer. Imaginem se ficam vendo TV e depois vão dormir.

Imaginem se ficam vendo a mulher nua comer e depois vão dormir. Vão dormir com ela cavalgando por cima dele! Que tal mais um café?

Boa ideia. O café, esse cigarro e essas histórias. Bom demais.

domingo, novembro 17, 2019

Fila

Ele me pediu para escrever um texto excitante e lhe enviar como mensagem. Você acha essas histórias mais instigantes na narrativa de uma mulher, afirmei. Isso mesmo, retrucou, as mulheres tem mais força narrativa. Os homens são assim, adoram uma mulher falando sacanagem. Você quer então transar pelo telefone, isso é coisa antiga, sabia?, provoquei. Ele disse que sim e, como estávamos ali um ao lado do outro, cheguei a dizer será que não basta a gente transar num quarto de hotel, ou mesmo em seu apartamento, como temos feito? Deu de ombros e fez uma fisionomia alegre, mas sem um sorriso propriamente. Lembrei então de um rapaz que eu conhecera, fora meu estagiário numa das empresas em que trabalhei, sabia fazer a mesma cara, transmitia alegria sem sorrir. Sua fisionomia impressionava outras mulheres, queriam ficar o tempo todo junto dele. Logo uma delas começou a provocá-lo.

“Acho que ele não vai querer”, eu lhe dissera, “quem sabe queira se manter apenas profissional, sem se envolver com alguém aqui na empresa?”

“Vai ver o homem é gay, e você tentou sair com ele mas não conseguiu.”

“Nada disso, não podemos fazer uma afirmação dessas, caso ele saiba poderá até nos processar.”

Minhas palavras pareceram assustar a candidata.

“Vou tentar mesmo assim, quem sabe consigo”, insistiu.

Na semana seguinte a mulher voltou a conversar sobre aquele meu estagiário.

“Saí com ele, quero dizer, saímos.”

“Saímos?”, indaguei curiosa.

“Isso mesmo, eu, Dora e Silvana.”

“Então foram apenas a um bar, uma happy hour.”

“Nada disso”, ela retomou, “fomos a um hotel.”

“Um hotel?”, surpresa na minha voz e acho que no meu rosto.

“Isso mesmo, ele aceitou, você precisava ver, nós três nuas agarradas ao homem.”

“Mas, isso é uma vergonha, o que ele vai pensar de vocês, da nossa empresa?”

“Nada disso, o homem é cabeça feita, um ótimo amante, e uma coisa é trabalho, outra sexo.”

“Mas três mulheres com um homem, não é normal”, afirmei.

“Mara, o que é normal hoje em dia, sobretudo aqui na nossa empresa?”, ela terminou e se foi.

Fiquei pensando no sobretudo que ela pronunciou.

Por que você está tão calada?, perguntou meu amigo, acho que eu ficara hipnotizada com a lembrança. Nada, com essa sugestão sua, lembrei uma história de alguns anos atrás. De tanto insistir, contei a história. Sabe que já aconteceu comigo?, veio ele com o contraponto, sério, foi numa escola, eu tentava ser professor, também era estagiário, e no ensino médio; o professor me apresentou à turma, com toda a seriedade, este é o nosso estagiário, vai ajudar a tirar as dúvidas de vocês e vez ou outra vai dar algumas aulas; fomos assim por um semestre; perto do final do estágio, duas delas me convidaram para uma festa; aceitei, mas não era bem uma festa, havia cinco ou seis delas que queriam trepar comigo, sério, cinco ou seis, fizeram até fila, apenas pedi que eu trepasse sozinho com cada uma enquanto as outras esperariam do lado de fora do quarto, mas fiz uma exigência inusitada, que me deixava excitado e capaz de me dar fôlego para transar com todas; que ficassem nuas, em fila, na porta do quarto; quando saísse uma, a seguinte deveria entrar, e eu precisava ver todas nuas e em fila, repeti; elas se mostraram obedientes, assim como eram na escola, e tudo terminou muito bem; uma boa lembrança que não esqueço. Como você quer então transar comigo por mensagens de celular, algo tão comportado diante de uma história dessas?, eu estava curiosa. Ora, essa experiência, a de trepar por mensagens de celular, eu nunca tive; ah, outra coisa, você tem de dizer que está inteiramente nua, seu único artefato será o telefone, ok?

domingo, outubro 20, 2019

A gente nem sempre consegue

Estava doidinha pra trepar, era quase meia-noite. Às vezes desconfio dos namorados, quem sabe colocaram alguma coisa na minha bebida, dessas poções afrodisíacas que dão vontade de tirar a roupa antes de chegar à casa. Como estávamos na Tijuca, convidei-o à casa de minhas filhas, onde eu me hospedava durante alguns dias. Tratava-se de um vasto apartamento, um andar inteiro. Quando chegamos havia muita gente, parecia uma festa. A mais velha me beijou e contou que estavam com uma porção de amigos e amigas, logo sairiam a um encontro no Grajaú. Sorri, mas disfarcei, não podia demonstrar que ficara alegre porque eu e o namorado teríamos o apartamento inteiro. Fiquem à vontade, acrescentou, voltariam apenas ao amanhecer. Conversamos, eu e o namorado, enquanto os últimos se despediam e foram saindo, sorridentes, plenos de desejo pela noite que se anunciava. Olhei meu homem e o beijei, também plena de desejo, queria era mesmo tirar a roupa todinha, nuazinha na sala de estar. Que tal uma taça de vinho?, sugeri. Eu mesma peguei duas taças e fui buscar a garrafa. Ele abriu e as encheu. Sentamos lado a lado e começamos a nos acariciar. Após alguns minutos fiquei apenas de calcinha, minhas roupas espalhadas sobre os estofados. Melhor irmos ao quarto, não?, sugeriu. Nada disso, venha atrás de mim. Andei pela sala, saleta, cozinha, área de serviços, quartos, a todos os lugres eu o puxava pelo braço e o beijava na boca. Quando entramos no meu quarto, mexi com os quadris, dei as costas pedindo que me tirasse a calcinha. Obedeceu, depois tirou a calça, seu pênis estava duro que só. Sentou na beira da cama, eu fiquei por cima, cavalgando. Como já estava molhada demais, foi fácil a penetração. Já pensou se ainda há alguém na casa?, sussurrou no meu ouvido. Não sei se para me assustar ou para dizer que eu também namorasse com o perigo. Lembrei minhas roupas espalhadas pela casa, não posso trepar sossegada, caso chegue alguém vai se surpreender com roupas de mulher esquecidas sobre o estofado da sala, até mesmo o sutiã! Mas continuei meus movimentos cadenciados, queria mesmo era o prazer. Enfia mais, vai, quero gozar, estou doidinha de vontade. Ele me tomou pelas pernas, me levantou e, devagar, queria prolongar seu gozo. Isso, vai, devagar, enfia esse peru duro dentro da minha boceta. Eu gemia, sempre quero bem fundo. O prazer era muito.

Foi então que lembrei, não sei bem o motivo, do verão em que tive um namorado no litoral paulista. Hospedávamos numa pousada, numa das ilhas, em São Vicente, à noite saímos e pegávamos emprestado um barco a remo, eu cismava de ir nua, amarrávamos o barco do outro lado, numa ilhota onde não habitava viva alma. Ele me comia. A trepada durava toda a eternidade, jamais experimentei trepadas tão longas.

Vamos trepar mais, sim, disse após o primeiro orgasmo, mas espere, interrompi o cavalgamento, tenho de juntar minhas roupas que ficaram na sala, nem sabemos se ainda há alguém no apartamento. Dei as costas, corri do quarto, nua, à cata das roupas. Quando acabo de juntar todas as peças e viro de frente dou com um homem de quase dois metros de altura, vestido com um blazer lindo. O tal me olhou interessado, interessado e desconfiado. Ah, que bom, quero dizer, que susto você me deu! Ele riu. Venha comigo, falei intempestiva. Nem sabia de onde o homem saíra e eu já o puxava pelo braço. Explico tudo, sei que me conhece, sou mãe da dona da casa. Tranquei o banheiro, eu e o homem dentro. Sentei na borda da banheira, uma perna para dentro outra para fora, olhei o homem vestido. Até ali ele não dissera palavra. Estou à espera, minha a voz. Pouco a pouco, refeito da surpresa, tirou a roupa. Quem seria? Alguém que desistira da festa, ou o namorado de alguma das moças? Arrepiei de susto ao pensar que poderia ser o homem de alguma de minhas filhas. Não, nada de pensamentos negativos. Quem sabe um segurança?, isso, o guardião do prédio, ou do apartamento. Os tempos são perigosos. Ao reparar o tamanho do pênis, segurei-o e trouxe imediatamente à boca. Alguns minutos de delírio, para nós dois. Não importa quem seja você, quero que meta este peru dentro de mim, o mais fundo possível. Troquei de lugar com ele. A senhora não está acompanhada?, ouvi-o dizer. Senhora? Não era hora para respostas. Ele sentou na borda da banheira e foi a minha vez de ir por cima. Controlava os movimentos, subia e descia numa cadência quase melódica. Depois de alguns minutos, alguém bateu à porta. Congelamo-nos. Você está bem, amor?, a voz do namorado, viera a minha procura. Estou ótima, espere lá no quarto, por favor, pedi e sorri para aquele que tinha o pênis dentro de mim. Continuamos, mais abrasados pelo risco. Eu queria gozar o máximo possível, prolongar o orgasmo que tivera momentos antes, com o namorado. Por favor, não goza dentro, não, deixe-me perder a cabeça sozinha. A senhora fala bonito (senhora, de novo), vou tentar cumprir o pedido, mas, a madame há de compreender, nem sempre a gente consegue.