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quinta-feira, outubro 09, 2025

Fios da rede

Meu namorado disse "as mulheres adoram andar nuas". Não retruquei, apenas soletrei "ah, tá". Na nossa saída seguinte, apenas a canga envolvia-me o corpo. Ele, eufórico, guiou o automóvel a uma praia deserta. Estacionou. Saltamos e descemos à areia, deitamos e transamos boa parte da noite. Vivemos momentos ardentes, maravilhosos. Na hora de partirmos, porém, reparei que minha canga havia desaparecido. Ele, mostrando-se preocupado, disse que ia procurar algo para eu vestir.

A madrugada se desdobrava em tons intensos, e eu me encontrava sentada na areia, perdida em pensamentos, aguardando o retorno do homem que desaparecera na escuridão da noite em busca de algo para me cobrir. O som hipnotizante das ondas quebrando na praia era a única companhia para a ansiedade que crescia dentro de mim a cada minuto que passava. 

A luz suave do amanhecer começou a banhar o céu, colorindo-o com tons de rosa e laranja, mas ele não retornava. Uma sensação de desamparo começou a se instalar, e a incerteza sobre seu paradeiro obscurecia meus pensamentos. Que ideia minha, como essa canga foi desaparecer? E o que vou fazer caso o homem não volte? Devia ter refletido antes de me vestir sumariamente e aceitado vir para essa praia com ele. Caramba, se um homem qualquer me encontra nesse estado, vai fazer uma festa. Na certa, vou ter de abrir as pernas. Encontrar uma mulher nua numa praia, vai achar que ganhou um prêmio. Caso apareça uma mulher, pode ser que me socorra com um pano qualquer, mas uma vez fui chamada de vagabunda por uma delas, vai me deixar aqui pelada e ir embora. Ai, a polícia, não! Eu, presa, na delegacia, sentada numa cadeira desconfortável, sem ter como me cobrir, homens passando de um lado a outro, as pessoas a me olharem de rabo de olho. Será que tenho direito a um telefonema, como nos filmes? Não vou poder alegar que fui assaltada, ninguém vai acreditar.

Com o sol prestes a nascer, tomei uma decisão. Ergui-me da areia, consciente de minha nudez, e caminhei ao longo da praia em busca de ajuda. A paisagem ganhava vida com os primeiros raios de sol; apesar de vulnerável, senti-me determinada.

Avistei ao longe uma cabana de pescadores e, com cautela, me aproximei. Um golpe de vento acertou-me o corpo. Arrepiei-me, segurei meus cabelos (era a única coisa que eu podia segurar naquele momento),queria manter apresentável. O pescador idoso que ali estava e consertava sua rede não se se surpreendeu: "você não é a primeira que aparece nua aqui." Ouviu minha história com compreensão; por fim disse: "vista aquela túnica que está ali no canto. Vesti-a com gratidão, sentindo o alívio misturar-se com a vergonha. Completou: "pertence à minha mulher, ela usa quando vai embora depois do banho de mar, nem sei porque ficou na cabana..." E se ela desse falta da tal roupa?, pensei, mas deixei a solução para o homem. Ele indicou o caminho de volta à cidade, e eu agradeci, ainda perplexa com a experiência vivida.

O sol já estava alto quando alcancei uma estrada, e, com a dignidade recém-descoberta, consegui uma carona de volta para casa.

Apesar da peculiaridade do episódio na praia deserta, eu devia ter aprendido uma lição valiosa. Mas não foi o que aconteceu. Depois de tirar a túnica e tomar um banho, deitei-me nua na cama. Senti então um forte desejo de trepar com alguém ainda uma vez.

Dias depois, outra solução veio-me à cabeça. Uma solução que me deixou a mil por hora. Vocês sabem, depois que o perigo passa, a gente tem muitas ideias geniais! Quem sabe, no lugar de encontrar um pescador idoso, eu deparasse com outro, mas jovem e vigoroso, que me segurasse pelo braço, me deitasse sobre o chão arenoso de sua cabana e me comesse ainda uma vez. Depois...  Bem, depois me mandaria andar, peladinha, e que tomasse cuidado para, ao sair, não embaralhar os fios de sua rede.

sexta-feira, abril 11, 2025

Esconderijo

Eu andava pela areia; no final da praia, subindo em direção à vegetação existente na junção das duas bordas de mar, havia um refúgio. Não sei se era conhecido de alguém naquele tempo. Era preciso descer uns degraus. Talvez o local fora utilizado como depósito de algum quiosque. Com a derrubada deles e a tentativa de reforma da orla, o pequeno espaço quase subterrâneo tenha sido deixado de lado. Era difícil percebê-lo. Acabei descobrindo-o porque sou curiosa e vivo buscando novas experiências.

Ao entrar no refúgio, procurei olhar para todos os lados, temia algum bicho. O que encontrei, no entanto, foi muita areia, trazida certamente pelo vento. Quando se entrava no pequeno compartimento, talvez de nove metros quadrados, não era possível que alguém do lado de fora percebesse pessoa alguma escondida. Após explorar o local, de me certificar de que não havia rastro humano ali dentro, saí e me prometi voltar, só que à noite.

Numa noite de quinta-feira, voltei à orla da praia. Deixei o carro distante, perto de um restaurante, e caminhei em meio às sombras até a parte da areia que dava acesso ao esconderijo; vamos nomeá-lo assim. Quando pisei na areia, tirei a sandália de meio salto que calçava, era mais confortável sentir a temperatura fria do chão. Ouvi o marulhar e me aproximei da linha da água. Meu vestido ia um pouquinho acima dos joelhos; portanto, não o molharia. Deixei uma pequena onda tocar-me, acariciar-me os pés. A temperatura baixa da água me provocou um tremor que, não sei o motivo, deixou-me em certa euforia. Tive vontade de mergulhar, de nadar escondida pela noite. Meu coração se acelerou. Virei-me para a parte de cima da praia, onde ficava a vegetação acima do refúgio. Então, lembrei-me, vou entrar agora no tal esconderijo. Caminhei, olhei em todas as direções, será que alguém me vira, será que me seguia? Não vi alma.

Ao chegar ao local recém-descoberto, desci os três degraus, abaixei-me e o iluminei com a luz do meu celular. Continuava vazio, sem dar mostra de que alguém o frequentara desde a última vez que estivera ali. Checado o piso, as paredes, entrei. Minha altura era suficiente para que não batesse a cabeça no teto. Pousei a bolsa num dos cantos, após verificar se o local não estava sujo. Na verdade, como sempre, a areia era muita, mas branquinha, como à beira da água. Que loucura! Pensei, se aparecesse algum homem, não teria como me safar. Certamente me agarraria, diria que a curiosidade mata e ele não seria culpado, mas eu e minha teimosia. Quis correr dali, mas algo mais forte me reteve: o gosto pela aventura. Tive, então, a ideia que sempre me tentou: tomar banho de mar nua. Como não era possível durante o dia, à noite, e com aquele refúgio para guardar os meus pertences, a boa situação se apresentava. Mas estava escuro, eu podia tirar a roupa à beira da água, guardar o vestido e tudo mais dentro da bolsa e mergulhar, deixando-a na areia, mais próxima a mim do que naquele refúgio, de onde teria de caminhar nua mais ou menos trinta ou quarenta metros.

Não passou muito tempo, decidi pelo refúgio. Apesar da distância, era mais protegido. A bolsa sobre a areia poderia chamar atenção, brilhar sob alguma lanterna, algum farol de automóvel que descesse a pequena rua. Tirei a roupa, inclusive a calcinha, guardei tudo com muito cuidado. E a chave do automóvel, e o celular? Queria tê-los comigo para alguma emergência. Como, porém, entraria na água com o celular. Impossível. A chave poderia fazê-la de pulseira, mas com telefone não dava.

Olhei um lado, olhei outro e desci a areia. Não corri. Desnecessário. Andei, um desfile pausado. Ainda me voltei à vegetação superior, ninguém. Entrei na água, cuidei de não fazer barulho. Nadei. O mar não estava bravio, e aproveitava minha experiência de natação. Permaneci dentro d'água durante uma boa meia hora. Quando comecei a sentir muito frio, decidi sair. Adotei o mesmo procedimento.

Com muita calma, olhei todos os lados e caminhei, outro desfile, até o refúgio. Entrei, suspirei, quis deixar que as gotas d'água secassem sobre meu corpo. Não tinha pente ou escova para o cabelo. Procurei a bolsa. Estava no mesmo lugar. Ainda bem... O que me aconteceria se não a encontrasse? Nem pensar. Naquele momento, uma corrente de ar fresco penetrou o refúgio, provocando-me arrepios. Que vontade de abraçar um homem grande, largo, eu ainda nua. Mas onde um homem assim? Que eu abandonasse a ideia, às vezes os homens são o contrário do que desejamos. O corpo, no entanto, solta faíscas, o desejo por sexo é sempre muito presente. Poderia me deitar no esconderijo, mover minhas energias interiores, lembrar situações excitantes e atingir o prazer... Mas o chão estava cheio de areia; eu, ainda úmida das águas do mar. Levantei a bolsa com uma das mãos, saí da gruta e corri para o carro. Não olhei para ver se havia viva alma por perto.

Tive sorte, ninguém envolto nas sombras da noite por aquelas bandas. Algumas estrelas cintilavam para mim quando olhei o céu, piscavam seus olhinhos incentivando à aventura maior. Cheguei-me junto à porta do automóvel, pressionei a chave. Ouvi o ruído de destravamento das trancas, soou alto para as horas. Já imaginaram, apenas o bramir do mar, o ligeiro zunir do vento e a expansão de um som que revela a presença humana, o receio a ladrões, a pretensão de se resguardar a propriedade? Esperei. Ninguém ouviu o alarme; pelo menos, era o que a tranquilidade indicava. Entrei, sentei-me no banco do motorista, pousei a bolsa sobre o banco ao lado, afastei um pouco mais o meu banco, queria ter dois metros, estiquei as pernas, o volante distante do meu ventre. Relaxei.

Daí em diante, não sei contar o que aconteceu. Adormeci? Cochilei? Tive um sonho tão feliz? Acho que sim. Um homem a me namorar, sobre meu corpo. O calor dos nossos corpos não se dissipou tão facilmente depois que despertei. Mas, onde, ele, o homem?

Meu Deus, quatro e quinze da madrugada. Cadê a chave do carro? Viro daqui, dali. Será que a perdi? Não! Não estaria eu sobre o banco do motorista. Olho a bolsa, levanto-a. A chave largara-se no estofado do banco do carona, entre o assento e o encosto. Seguro-a, as mãos ainda trêmulas, enfio na ignição, aciono o motor. Engato a marcha avante e dou a partida. O veículo me leva para casa.

Já dirigi nua outras vezes.

domingo, dezembro 29, 2024

Tudo vai dar certo

Isaura, veja que maravilha esse mar, a praia. Ainda não amanheceu direito, mas já se pode perceber o contorno vermelhado do amanhecer no mar.

Clara, às vezes penso que estou delirando. Como isso foi possível, tão de repente? Estamos aqui no Rio, em Copacabana, aproveitando a beleza do lugar.

Isaura, feche os olhos e sinta na pele a brisa vinda do mar. É um arrepio, mas feche os olhos. A gente sente a sensação de maneira mais forte.

Clara, sim, é um tesão a sensação de que você fala. Deve acontecer porque estamos nuas, esqueceu?

Isaura, claro que não. E veja como a cidade é tão maravilhosa. Tudo deu certo, ninguém reparou até agora. Acho que nem vai reparar.

Clara, tudo começou com o teu namorado lá em Cotia. Ele ia todos os dias no mercadinho, comprava alguma coisa e falava contigo. Passou a fazer questão de ir à tua caixa. Depois vieram os presentes.

Isaura, não espalhe. Pode dar azar. Um homem assim não encontroem lugar nenhum.

Clara, não estou espalhando. Falo apenas para você. Ele é dez!

Sim, Isaura, o homem é dez. Quando soube que teríamos dias de folga, sugeriu e pagou nossa viagem. Vocês não querem passar uns dias no Rio? Vocês conhecem o Rio? Trouxe as instruções, as passagens, aonde iríamos nos hospedar e tudo mais.

Clara, estou sentindo a sensação de que você falou. A brisa sobre a minha pele, parece que o mar, com suas pequenas ondas, quer falar alguma coisa conosco. É tudo maravilhoso.

Isaura, você fala como um poeta. Por falar em poesia, gostou da festa? Ele ainda nos presenteou com uma boate num apartamento, uma festa particular. Melhor, impossível. Festa com DJ. Além disso, ninguém a nos incomodar, dançamos soltas e leves.

Clara, era o que eu queria falar, a festa. Nunca fui a uma festa assim. Umas bebidinhas super bem-preparadas, umas comidinhas especiais, aqueles estofados para a gente se sentar, descansar, a vista para o mar.

Isaura, o mais engraçado foi que ninguém nos viu descer, não é mesmo? A gente saiu do apartamento e do edifício despercebidas, atravessamos a avenida e estamos aqui. Ninguém notou.

Clara, você não ficou preocupada de aparecer alguém? De um homem nos surpreender enquanto descíamos as escadas? Talvez haja câmeras espalhadas pelo edifício, na rua. Se alguém está nos monitorando?

Isaura, se há alguém nos monitorando, é o namorado que pagou a viagem. Se pagou, tem direito, não é mesmo? Mas eu acho que ninguém notou nem está nos espionando aqui na beira d’água. Já pensou quando voltarmos, caso a gente conte a alguém? Ninguém vai acreditar.

Clara, você é muito atirada. Você ainda disse: não podemos esquecer a pequena bolsa e nossos celulares, o restante a gente consegue. Até me lembrei de um namorado que tive em São Paulo, morava o homem nos arredores de Cotia. Certa vez fomos ao parque municipal, lembra? Eu contei a você. Tirei toda a roupa, coloquei numa pequena mochila, levei a mochila às costas e passeei com ele pelo parque. Às vezes eu parava, ele me abraçava. Num momento percebi o namorado tremendo. Perguntei o que era. Ele estava mais envergonhado do que eu, e estava vestido. A nua era eu! Não sei por que lembrei do homem agora.

Isaura, deve ser porque inventamos a aventura de descer nuas para a praia.

Clara, será que não vamos ter problemas? Já está claro, é dia. Veja o sol, que beleza.

Isaura, esqueça os problemas. Já que você observa a beleza do sol, não pense nisso. Tudo vai dar certo.

Clara, vi uma mulher passar. Acho que olhou para gente com uma cara de surpresa.

Isaura, não repare nas pessoas. Finja que somos as mulheres mais vestidas do mundo, com vestidos de grifes célebres. Agindo assim, as pessoas ficam longe. Tudo vai dar certo.

Sim, Clara, estou tentando. Estou tentando. E como você confia tanto no namorado, o homem que sempre vai pela manhã no mercadinho à tua caixa, te dá presentes, foi ele que programou tudo. Então, sim, você tem razão. Vamos esperar. Daqui a pouco ele aparece e tudo vai dar certo!

Isso, Isaura. Agora, sim, estou ouvindo a amiga do coração. Hum, sinta, meu amor, sinta a brisa na pele. Ela está um pouquinho mais intensa, está a nos acariciar com mais ardor. Aproveite e ouça também o marulhar. É o paraíso.

quarta-feira, janeiro 31, 2024

Será ele o inventor da pulseirinha

Vir ao Rio de Janeiro é sempre uma boa escolha. Além de a cidade oferecer muitas opções de compras, com diversos shoppings e lojas de marca, há também a beleza natural, destacando-se as praias, tanto na própria cidade quanto em outros municípios do estado. Desta vez, escolhi ficar hospedada em um hotel no Leme, na zona sul. Como de costume, trouxe um biquíni novo para estrear aqui. Ele é minúsculo, com as tiras laterais feitas de uma espécie de fio de nylon com elástico. Antes, eu nem sabia que algo assim existia. Ao passear pela praia, as pessoas pensam que estou nua, pois as tiras são praticamente imperceptíveis. Somente ao olharem com mais atenção, notam o pequeno triângulo que me cobre na frente e um fiozinho de pano na parte de trás, que quase desaparece.

Ontem, conheci um homem muito atraente, por volta dos trinta anos. Confessou que não foi o biquíni que lhe chamou atenção, mas sim a minha beleza. Vamos acreditar nisso. Ficamos conversando e depois entramos para um mergulho. No entanto, ele não tentou nada mais. Se estivéssemos na minha cidade, tenho certeza de que os rapazes teriam tentado me conquistar. Felizmente, estou longe de lá e não pretendo voltar tão cedo.

Existe algo interessante que sinto ao usar esse biquíni. Ele aperta um pouco, uma sensação excitante me vai tomando aos poucos, chegando quase a um ápice. Acho que, se eu me deitar na cadeira de praia e deixar o sol me aquecer, talvez a sensação se intensifique! No entanto, é melhor aguardar pelo homem que conheci. Preciso ter cuidado, pois tenho amigas que compartilharam histórias que, para algumas, são excitantes, enquanto para outras são um tanto perturbadoras.

Uma dessas amigas se chama Maria Lúcia, veio da mesma cidade onde moro e ficou em Copacabana por três semanas. Maria Lúcia adorou o sol, o mar e o namorado que encontrou. Contou-me que eles mergulharam juntos e o homem a abraçou, ficaram agarradinhos dentro d'água. Em algum momento, ele colocou o pênis dentro do biquíni dela, resultando em uma experiência intensamente prazerosa. Maria Lúcia compartilhou essa história rindo, mencionando que jamais tinha vivido uma sensação tão gostosa.

Já outra amiga, chamada Glória (nome fictício), pediu sigilo porque o recente namorado lhe tirou a parte inferior do biquíni e fez uma pulseirinha. Quem usou a pulseirinha? Ele! Glória conta que, para intensificar a sensação de prazer, ele foi até a areia para conferir algo, deixando-a esperando pela devolução da pulseirinha. Felizmente, ninguém notou a nudez de minha amiga. Perguntei se havia bebido algo antes disso acontecer. "Ah, adivinha", respondeu. "Já sei", completei, "você fica animada com uma caipirinha!" "Mas morro de vergonha depois, quando fico sóbria!", segredou baixinho, quase junto ao meu ouvido. Ainda bem que o pilequinho lhe durou bastante naquele dia.

Estou indo agora para a praia, vou encontrar meu namorado. Será que ele é o inventor da pulseirinha? Que arrepio.

quarta-feira, maio 24, 2023

Encontrei?

Era uma noite quente de verão, e a praia estava deserta. A lua cheia iluminava as areias brancas, enquanto as ondas quebravam suavemente na costa. Eu caminhava pela praia, descalça, deixando as marcas de meus pés na areia. De repente, vi algo brilhando no chão. Aproximei-me e percebi que era um vestido. Peguei-o e reparei que era um vestido de seda verde, com um decote profundo e a parte inferior comprida.

Olhei ao redor, não havia ninguém. Decidi experimentá-lo. Fiquei surpresa ao constatar que se ajustava perfeitamente ao meu corpo, era como se fosse feito especialmente para mim.

Dei mais alguns passos sobre a areia, virei-me par o mar. Será que a dona da tal seda nadava nua em meio as ondas? Não vi ninguém. Voltei-me para a parte alta, onde nasce uma espécie de mato que cobre o chão até junto à estrada. Também não vi ninguém. O silêncio da madrugada só era quebrado pelo marulhar à meia distância da costa.

Deixei minha calça jeans e a blusa que eu vestia sobre um pequeno monte saliente nas areias. Caminhei até a beira d’água e senti a água do mar, fria fria, molhando-me os pés e os tornozelos.

Continuei a caminhar pela praia sentindo-me incrivelmente elegante com o meu novo vestido. Dancei à beira do mar, ouvi música imaginária e ri das minhas próprias bobagens enquanto a brisa soprava suavemente através dos meus cabelos.

O vestido sobre a pele ainda me trouxe a lembrança de um namorado de mais ou menos dez anos passados. Eu morava em outra cidade, também litorânea e menor do que a de agora. Ele teimava que me queria nua, íamos com frequência à beira da praia para namorar. Um dia, não sei o motivo, depois de um intenso corpo a corpo com o rapaz, ao voltarmos ao ponto de chegada, não encontrei o meu leve vestidinho! Que problema... Mas tudo se resolveu a tempo. Ninguém do lugarejo me viu entrando nua em casa. No final, caímos numa gargalhada gostosa. Dias depois, ele me trouxe um vestido novo, de presente, adquirido num shopping da cidade vizinha.

No momento, porém, o vestido verde me intrigava. Quem seria a sua dona? Será que andava nua por aí com o namorado e depois viria procurar pela roupa? Será que eu, ao levar o vestido, a deixava em apuros? Percorri ainda uma distância de mais ou menos quinhentos metros.

Quando tive a intenção de voltar, senti imenso desejo de dar um mergulho. Você já mergulhou à noite, a praia deserta, apenas você e a natureza? Tirei o vestido, dobrei-o com cuidado e corri nua para dentro d´água. Permaneci nadando e mergulhando por um quarto de hora.

Quando voltei à areia, o vestido verde estava no mesmo lugar. Esperei um pouco até secar o corpo e o vesti de novo.

Ao me aproximar do local inicial de minha caminhada, senti alguém me tocar as costas. Que susto! Não ouvira ninguém até então. Uma mulher nua, muito parecida comigo – a única diferença era a cor morena da pele e os cabelos negros – me pediu o vestido de volta.

– Você gostou, não? Posso emprestar – ela disse enquanto eu o tirava e o devolvia.

– Corajosa, você, andando nua por aí, pode aparecer alguém.

– Não aparece, estou acostumada.

– E escapou de ter de voltar nua pra casa – acrescentei.

– E quem sabe se já não voltei – soltou com ar debochado, enquanto terminava de vesti-lo.

Deu-me as costas, disse até logo e se foi.

Só então me dei conta de que, naquele momento, a nua era eu. Corri à procura do monte saliente nas areias onde tinha deixado a calça jeans e a blusinha de renda.

segunda-feira, dezembro 19, 2022

Lábios molhadinhos

Tenho um admirador com quem saio vez ou outra. Ele adora me beijar os lábios, diz que eles são molhadinhos, o maior frisson. Mas tenho um segredo, vou contar, não espalhem. Sou casada. Meu bairro é Copacabana, meu marido fica em casa, e eu domingo pela manhã dando beijos na boca de meu admirador. Ele é esperto, sempre convida para o café da manhã. Caminho até a orla ou até o local combinado, encontro com ele e vamos para uma das cafeterias do bairro. Caso meu marido me telefone, estou com a Milena, uma amiga parecidíssima comigo que muita gente pensa que é minha irmã gêmea -, ela adora tomar café. Meu amigo me diz escolhe o que você quiser. Outro dia me disse vamos tomar café da manhã no restaurante do Hotel Tal e Tal. Entrei e saí do hotel com o rabinho entre as pernas, morta de medo de que algum conhecido me reconhecesse, e ao lado de um homem que não é o meu marido! Na despedida, me segurou a cabeça com as duas mãos e beijou meus lábios, úmidos e deliciosos, como sempre diz.

Quando era solteira, tive um namorado que adorava a mesma coisa. Era um sarro. Eu não queria outra vida. Penso por que não ficamos juntos. Não sei. À época, eu saía com tanta gente, muitas festas, muitos homens. A fila anda, eu dizia. Até que parou. Parou no casamento. Será? Você, querido leitor, há de achar que não parou, que continua, e como.

Ah, minhas divagações. Agora, caminho pela Santa Clara, meu amigo ou admirador-amigo-namorado me aguarda. Enquanto desço a Rua, penso na Clara. Ela adora passear sem o marido. Clara, por que você casou, se sai com tanta gente? Márcia, fala sério, você acredita em monogamia? Mono o quê?, tenho vontade de perguntar, só de brincadeira. Não sei, Clara, monogamia é um problema... Então, o que tem a gente passear com amigos, admiradores, colegas etc. e tal? Diz adorar o marido, mas adora mais a vida que leva, portanto as duas ações lhe caem bem. Você apenas, passeia, não é, Clara? O que você acha, Márcia? Sorriu, extasiada. Não sei o que significou o sorriso. Eu não quis insistir no assunto. Certa vez a encontrei vestindo uma saída de praia de rendinha, o biquíni mínimo. Vou encontrar um amigo, disse, ele fica ali no 4, um amigão mesmo, me deu as costas e partiu, de bundinha de fora. Acho que me lembro de Clara, porque faço a mesma coisa que ela!

Ah, é aqui, o local combinado com meu admirador, uma nova cafeteria. Onde, ele? Acho que está atrasado? Envio mensagem. Outro dia foi a Alessandra, disse que ficou uma hora esperando pelo homem. Eu, esperar?, nem pensar, sumo no ato. Alessandra esperou, desculpou-o pelo atraso e depois disse que teve uma tarde maravilhosa. Meu admirador-amigo-namorado já chegou, olhe ele lá, numa mesa, bem no final da varanda. Será verdade o que vejo, está acompanhado? Quem é a mulher? Não é possível, não acredito, é a Milena! E tem os lábios todo molhadinho...

quinta-feira, novembro 03, 2022

Pedi uma Coca-Cola

Uma amiga  faz alguns dias  contou-me uma história vivida por ela há dez anos.

“Como eu sempre gostei de praia, não hesitava em pensar duas vezes nos dias de sol”, começou ela a historieta, “certa vez um homem me convidou para acompanhá-lo, iria a um ponto distante na longa orla, onde poderíamos desfrutar de tranquilidade e privacidade. Achei engraçadas as duas palavras: tranquilidade e privacidade. Como sempre gosto de novidades, aceitei. Esperei por ele à porta de casa. Ao chegarmos à tal praia, observei que ele tinha razão, não havia sequer uma pessoa no local, o mar e a natureza estavam ali apenas para nós. O explodir das ondas ecoava, às vezes intimidava, devido à sua força selvagem; próximo à areia, formara-se uma banheira, consequência das ondas noturnas que explodiram continuamente sobre o local. Após me aquecer sob o sol, entrei naquele trecho de mar, uma espécie de pequena lagoa que podia fazer o papel de divertimento para crianças. Meu enamorado perguntou se eu tinha coragem de tomar banho de mar nua. Por que não?, respondi. Desfiz-me das duas peças e entrei. Adorei.”

Na véspera o namorado visitou-me, tivemos uma ótima noite de amor. Como é muito carinhoso, desmanchei-me nos seus braços. Mas pela manhã, ele partiu, precisava trabalhar. Eu, apesar de todas aquelas horas passadas ao seu lado, ainda sentia uma ponta de excitação.

Saí de casa às 7h30 e desci à praia. Foi então que lembrei a voz da amiga e da história acima. Só que na minha cidade, o mar bate contínuo, violento, selvagem. Quem deseja enfrentá-lo precisa aprender a disciplina das artes marciais, sobretudo as orientais. Andei pela linha d’água, vez ou outra respingos das ondas bravias molhavam-me o rosto e a canga violeta que eu enrolara no corpo. Após caminhar cerca de quinhentos metros na direção norte, descobri um pedaço de praia onde as ondas não estavam tão intensas. Despi-me do tecido e mergulhei. A temperatura da água estava ótima, talvez um pouco fria, mas eu gostava assim. Pensei de novo na amiga, a tomar banho de mar nua numa praia distante. Tive a mesma vontade, mas permaneci vestida pelas minhas duas peças. Depois de uns quinze ou vinte minutos, saí da água. O vento envolveu-me másculo, quase a me convidar, como jovem amante. Naquele momento descobri algo que me agradaria. Nada de andar nua à beira-mar. Enrolei a canga no meu corpo, um modo de me aquecer e de escapar do chicotinho de areia levantado de surpresa pelo mesmo vento. Mas resolvi tirar a calcinha do biquíni. Isso mesmo, permaneci de top e com o pano a me cobrir. Continuei a caminhar só, sobre as areias da praia ancestral. As mulheres são insaciáveis, vocês hão de dizer. Apesar do namorado e da noite anterior, eu procurava aventura. Algum leitor deve estar imaginando que surgiu um homem fenomenal, indescritível na beleza, atleta invencível. Nada disso. Surgiu sim, mas um pescador local, que por sinal eu conhecia. O homem cumprimentou-me respeitoso e continuou em frente. Satisfazer uma mulher é sempre muito difícil, pensei ao me ver sozinha de novo. Voltei, vagarosa, olhava toda aquela paisagem sempre envolvente. Ainda na praia, quando me aproximava do ponto próximo ao acesso à rua onde moro, comecei a sentir certa quentura entre as pernas. Já passara por aquela sensação, na maioria das vezes acontecia de modo involuntário. Caso eu tentasse provocar a tal sensação, não conseguia. Ela foi crescendo, crescendo, meu coração agitando-se, até que fui tomada de uma alegria indescritível. Parei de caminhar, pousei os braços sobre as coxas e esperei o que viria a seguir. Um orgasmo e tanto. Que me deixou trêmula. Respirei fundo para me refazer, voltei-me ao mar e apreciei o horizonte. Não segui para casa naquele momento. Permaneci na faixa de areia e caminhei na direção sul. Sentia-me molhadinha entre as pernas. E não era por causa das águas do mar. Ao chegar ao Remanso, dei-me com algumas pessoas. Pelas suas fisionomias, adivinhava-se que desejavam aproveitar o sol e o mar. Senti sede. Subi ao calçadão e encontrei um dos quiosques aberto. Pedi, então, uma Coca-Cola.

domingo, outubro 09, 2022

Restrooms

Sempre quando vou a um hotel, olho se há câmeras no saguão. Você quer saber por quê? Conto já.

Fui com um namorado, ou um quase namorado. Andávamos lá pelas tantas, agarrando-nos um ao outro, beijando-nos na rua e, principalmente, na praia. Um dia, ainda cedo, por volta das nove da manhã, resolvemos tomar café da manhã num hotel.

Caminhamos pela orla de Copacabana, olhamos hotel por hotel, até que escolhemos um. Para a nossa situação, era aceitável. Entramos, e fomos ao restaurante. O funcionário nos disse que era preciso pagar adiantado. O hotel tinha serviço de buffet, podia-se comer à vontade. Meu quase namorado pegou a carteira e pagou o café da manhã para duas pessoas. O mesmo funcionário nos introduziu num salão luxuoso, onde várias pessoas já faziam o desjejum. Escolhemos a mesa. Fui eu a primeira a desfilar por entre o buffet.

Parecia mais comida de almoço. Havia linguiça, ovos mexidos, uma espécie de petit-pois, omelete, batata cozida. Depois vinham os diversos tipos de pães, queijos, manteigas, bolos, doces, frutas etc. Não posso esquecer o café com leite, o café puro, o café expresso, sucos e refrescos. Nossa, não posso engordar, quanto tempo não como tanto. Aos poucos, fui colocando num pratinho o que desejava. Meu namorado (depois de tanta comida, ele já era meu namorado) foi buscar o que desejava. Pouco a pouco, alternávamos no buffet, voltávamos à mesa com os pratinhos cheios. Que beleza, cheguei a dizer, pena não aguentarmos comer tanto. Observamos os turistas, os casais, as famílias. Em um momento, vi uma moça de roupa que se usa para ir e voltar da praia. Ela já estava preparada para ir. Uma rendinha transparente cobria-lhe o biquíni; seu namorado ou marido, um bonitão, jeito de gente rica.

Depois de uma hora, tomamos cada um mais um café. Sentíamos pena de ir embora. Que tal ficarmos no hotel?, cheguei a pensar, mas nada falei. Quando saíamos, eu disse vamos sentar um pouco nos estofados da recepção. Meu namorado concordou. Sentamos, eu encostada nele, as pessoas passando de um lado a outro, aquela alegria que só existe em viagens. Que bom que estão felizes. Vamos viajar assim também nas férias!, exclamei. Meu namorado sorriu, você gosta das coisas boas da vida.

Antes de sairmos, sentimos vontade de ir ao banheiro. Vimos a sinalização e seguimos, dobramos à direita, encontramos os toaletes. Fui eu que tive a ideia. Nada disse. Antes de entrarmos, ele no de homens e eu no de senhoras, pedi que me esperasse ali, que não fosse para a porta do hotel. Demoramos cada um mais ou menos cinco minutos. Quando saí, reparei que havia um terceiro toalete, não sinalizado, depois do de senhora. Calculei que fosse para uso interno do hotel. Quando o namorado saiu, eu disse venha cá. Puxei-o pelo braço e entramos juntos no local.

Você é louca, ele falou. Abraçou-me e me deu um longo beijo na boca. Ficamos entrelaçados, ele percorreu minhas costas com a ponta dos dedos, uma espécie de carinho, uma espécie de cosquinha. Sente ali, pedi a ele, pois havia uma cadeira depois do espelho. Reparei se havíamos trancado a porta. O que pode nos acontecer?, ele perguntou; se nos descobrem, seremos expulsos do hotel, nada mais, não somos hóspedes, isso facilita as coisas. Ele sentou, eu agachei, puxei o fecho de sua bermuda e peguei o peru dele. O que aconteceu depois? Imaginem. A gente de barriga cheíssima, quase sem poder se mexer e eu num boquete delicioso!

Por isso, quando entro num hotel, procuro descobrir onde as câmeras estão focalizando e, como dizem os americanos, onde ficam os Restrooms.

quarta-feira, setembro 07, 2022

Fantasias avançadas

Namorados inquietos há por toda parte, sobretudo aqueles que nos provocam com fantasias avançadas. O namoradinho que me assediava queria-me, porém, só de vestidinho. Tantas vezes passeei coberta apenas por tecido fino no verão, tecido mais consistente no inverno. Calcinha e sutiã, poupados, guardadinhos no meu armário. Depois de algumas saídas, percebi, não me era apenas o vestido que ele desejava, mas trepar comigo onde lhe desse vontade. Dentro de um automóvel, nas areias da praia, à margem da lagoa, numa rua escura ao lado de um quiosque onde, durante o dia, se vendem jornais, salão de festas de um prédio sem vigia. Ações também que não tinham tanta criatividade, devido às muitas experiências de quem adora aventuras. Descobri, a seguir, que ele queria um passo além, queria avançar no seu desejo. Hoje, trepa-se muito, por toda parte, mas se usa camisinha. Uma amiga repete e repete: trepar de camisinha não suja, é ótimo, a gente pode, depois, continuar o dia de modo normal, como se nada tivesse acontecido. Verdade, há homens que depois da transa, concluímos que nada aconteceu, e não foi por causa da camisinha! Meu namoradinho, no entanto, não queria o preservativo. Ou melhor, pedia que começássemos sem ele e que o colocássemos depois de algum tempo. Quero sentir melhor você, dizia. Eu também gosto de sentir o namoradinho, quero dizer, seu pênis a me penetrar. Nada melhor do que isso. O problema é que quando se sente, não se quer mais deixar de sentir. Nós, mulheres, acabamos num intenso ardor, quando menos esperamos sentimos o jato quente de porra a nos invadir. Depois, as consequências. O risco principal são as doenças transmissíveis pela relação sexual, um pleonasmo. Ele, satisfeito, trouxe seu exame recente. Nenhum vírus, nenhuma possibilidade de me contaminar. Gravidez, o segundo problema? Não, não corro o risco. Mas como vou trepar com você limpinho da silva, despejando esse sêmen todo, eu só de vestidinho? Vou ter de ficar agachada em algum canto depois do seu gozo, mesmo assim não terei certeza se há um restinho que vai gostar das minhas coxas, percorrê-las sorrateiro e sem dó. Após insistir, de apresentar suas razões, acabei aceitando tal prova. A verdade é que eu estava doidinha para trepar. Saímos no seu carro, fomos a um quiosque na Barra da Tijuca. Vejam se ainda há essa moda, quiosques, as pessoas não se arriscam tanto. Eu, de pé, encostada numa trave de vôlei de praia, a barra do vestidinho levantada e o namoradinho cumprindo seu papel. Você vai sentir, pele a pele, ele dizia, vai gozar com o risco, noventa por cento de sentir minha explosão de porra dentro de você. Percebi quando se avizinhou ao gozo, vesti-lhe a camisinha. Esteja à vontade, eu replicava.

Preciso de um parágrafo. Faz dez anos tive um namorado lindo. Era o máximo na trepada. Quando chegava à minha casa, abraçava-me, encostava-me numa das paredes. Eu não demorava a perder bermuda e calcinha. Ele me colocava de tal modo que eu ficava equilibrada apenas pelo seu pênis, meus pés longe do chão. Como eu gozava! Era sincero o homem, dizia que só conseguia ejacular deitado sobre mim, posição papai mamãe; naquele momento, a camisinha. Certa vez, próximo da tal parede, a me equilibrar, ele me fez girar, uma hélice em eixo oleoso. Quem gozou em quem?

Voltemos. O namoradinho me levou para Rio das Ostras. De início, não gostei do lugar, achei que faltava requinte. Houve, porém, um dia, numa praia comprida chamada de Costa Azul. Ele me deixou totalmente nua. Nosso corpo a corpo sem camisinha, um exercício e tanto, que beleza. Ah, vou gozar, amor, ele dizia, vou despejar tudo dentro de você, vai ficar cheinha, transbordando. Eu fingia acreditar. Caso eu goze, continuou, arranjo um paninho para limpar sua bocetinha. E continuava. Ele, no final, respeitou. Não gozou dentro, não. Ventava e ventava na noite sem lua, ele lutava com a camisinha. Quando gozou, eu já ia pelo terceiro orgasmo. Na tal madrugada, porém, quem gozou mesmo não foi o namoradinho, mas o vento, sapeca que só, levou meu vestidinho!

quarta-feira, agosto 17, 2022

Dois probleminhas

Bati à porta dele. A princípio, parecia não haver ninguém no apartamento. Eu entrara às escondidas, a portaria estava destravada e não havia funcionário do prédio na guarita de segurança. O elevador estava no andar térreo, o que me facilitou as coisas. Que desconcerto, se me descobrem, vão achar que sou louca.

Alguém pareceu chegar à porta, quem está aí? O que eu iria responder? Marilene, lembra de mim? O homem do outro lado silenciou, devia estar organizando as ideias. Havia-se passado dois meses. Marilene?, que Marilene? A do Pecado, você deve lembrar, do Ilhote Sul e da vinda para cá às quatro da manhã, e tem mais uma coisa, não consegui terminar. Como conseguiu entrar, insistiu? Pela portaria, fui lógica. Ele deve ter movido o rosto, num pequeno sorriso, mas eu não pude ver. O prédio tinha câmeras, dois empregados de serviço, e eu me apresentava ali sem ter deixado rastros, sem  ter chamado a atenção, era natural a desconfiança. Recue dois passos, pediu. Recuei. Após alguns segundos, ouvi a chave girando. Ele apareceu na fresta da porta. Antes que falasse alguma coisa, pedi você deixa eu ir ao banheiro, é urgente. Afastou a porta, corri sala adentro descobrindo por mim mesma o caminho do toalete.

Depois de alguns minutos, ao voltar à sala e me sentar suave e já tranquila no estofado junto à janela, reparei seus olhos pregados no meu corpo. Foi a minha vez de sorrir. Está surpreso? Levou alguns segundos para retomar o diálogo, ele gostava de dominar a conversa, tentava disfarçar a surpresa por causa da minha sorte e esperteza. Podia ter sido presa, exclamou com discrição. Presa?, repeti, por quê?, tentava ser natural, lembra do dia em que saímos do restaurante?, você foi bem mais ousado. Ele sorriu pela primeira vez, tínhamos bebido demais, foi normal a minha atitude, rebateu. Dei de ombros, o importante era o momento presente, esperei por ele, queria que continuasse. Até onde ele iria, o que desejaria?, já que não me esperava no momento nem naquela situação. Você estava com problemas intestinais e veio me procurar, voltou ao assunto inicial. Não apenas intestinais, cheguei a dizer. Acho que os intestinais você já resolveu, agora quanto ao outro... Eram sete da manhã, dia claro, talvez ele tivesse algum compromisso, talvez um trabalho. Quando decidi pelo seu prédio, achei que poderia ainda estar dormindo. Pensando em tudo isso, continuava a olhá-lo como se esperasse uma decisão. Você deu sorte, completou, estou de boa maré, abri a porta pra você, deixei que se aliviasse, mas não quero você a me procurar, aquela noite já foi suficiente, não sou homem de compromisso nem de apenas uma mulher, meu erro foi revelar a você o meu endereço; agora, vou até o quarto, você sabe o que tem a fazer. Desapareceu no corredor que levava a um dos quartos. Olhei o encosto de uma cadeira e vi uma camisa de homem, de mangas compridas.

No térreo, depois que cumprimentei o funcionário da portaria, continuei a dobrar as mangas da camisa masculina, que caía larga no meu corpo. O porteiro deve ter pensado que eu, certamente, ia à praia.

quarta-feira, julho 27, 2022

Marcinha, meu amor

Outro dia ele veio com uma daquelas brincadeiras, foi logo dizendo: “você dá pra todo mundo”.  “Dou sim”, respondi “quando gosto do homem, vou com ele e ninguém tem nada com isso. Vivo cheia de tesão, me sinto bem assim. Não sei por que você fala desse jeito comigo, já sabe como sou. Se quer minha companhia, tem de ser assim. Caso contrário, é melhor procurar outra mulher. Você diz que fiz quarenta anos e continuo gostosa como sempre, então aproveite, mas não me queira exclusiva, não posso viver assim.”

Ele partiu, mas não demorou a telefonar de volta. Aceitei a conversa, falamos de amenidades. Não lhe conto minhas aventuras, mas ele acaba descobrindo, gosta de me investigar. Não ligo, não posso ter domínio sobre isso.

Num domingo de outono, saí com ele para o café da manhã. O desjejum numa cafeteria ótima, em Copacabana. Depois, andamos pela praia. Eu havia ido de bermuda de lycra, com o biquíni por baixo. Caminhamos e caminhamos. Ao chegarmos ao Leme, tive vontade de molhar os pés na água do mar. Fui então até a beira, ele ficou me esperando. Tenho certeza de que desejava me ver de biquíni, mas não me despi. O homem já me viu nua mais de uma vez, já trepou comigo, mas adora me ver de biquininho, tem vontade de desfazer os meus lacinhos. Não foi naquele dia que eu lhe proporcionei tal prazer. Houve uma vez, eu estava com um namorado de ocasião, então meu telefone tocou. Fui atender, era esse que gosta de me convidar para o café da manhã. Não disse que estava com outro, não lhe queria tirar a ilusão. Apenas acrescentei que estava ocupada, uns problemas de família, telefonaria depois. Telefonei? Esqueci. 

Mas no domingo do desjejum e da molhada de pé à beira d’água, ainda andamos mais um pouco. Ele quis me fazer uma foto. Não lhe tirei o prazer, apareci com um sorrisinho de deboche e com o bumbum de lateral. Você esquece a calcinha depois que acaba de trepar?, sei que ele me gostaria de perguntar. Já esqueci o vestido, responderia. Como você fez? Não vou contar, ele vai morrer de curiosidade. Foi um caso muito particular, digo apenas. Deixo o homem apenas na vontade.

Andamos mais um pouquinho, a praia tão praia, o sol morninho. Deu onze da manhã. Daqui a pouco alguém te telefona convidando a uma feijoada. Se for mais tarde, aceito. Depois de vinte minutos, nos despedimos, ele foi embora. Eu disse que tinha de voltar para casa, mas não era verdade. Tirei a tal bermuda de lycra e a camiseta, fui de biquininho para dentro d’água. Você toma conta pra mim?, pedi a alguém. Sempre o risco de acabar pelada!

À tarde, não é que aconteceu? A feijoada. Apareceu um homem bonito, um negão. Posso dizer assim, porque também sou negra. “Minha joia, vamos a um almoço”, convidou. Eram duas da tarde, um conhecido de vista, de perto da casa de minha mãe.

Aceitei. Que delícia. Tanta caipirinha, tanto feijão. Me lembro que depois de comer bastante, bastante mesmo, de tanto beber, de ver tanta gente, o negão ainda me levou pra casa. Entrou e ficou um pouquinho.

No dia seguinte, segunda-feira, acordei atrasada. Ainda bem que a patroa é compreensiva. Mas onde meu biquininho de ontem? O tal negão, a sobremesa. Márcia, a sobremesa. Não o biquíni, é claro. “Marcinha, meu amor”.

quarta-feira, junho 22, 2022

Entrevendo

Eu vinha do toalete, o namorado me aguardava na porta; o restaurante, mimoso e acolhedor. Um homem saía da porta ao lado – o toalete masculino –, olhou-me, surpreso. O motivo: além do corpo mignon, eu estava nua, ou melhor, trajava uma saída de praia rendada, dessas que descem até abaixo dos joelhos, deixava entrever o que se veste por baixo, vinha abotoada até o umbigo, daí em diante escorregava aberta. Um segredinho: pareço mulher, mas não sou. Por isso, a surpresa maior do tal homem. Ele entreviu, por causa do movimento fugidio do tecido, algo inesperado: meu pênis soltinho. Há quem diga que sou pervertida, que adoro me exibir, que há hora para essas coisas; num lugar público, minha atitude seria indecente. A nudez é a nossa natureza, argumento. Além disso, caso se pense de modo diferente, digo: os tempos estão mudados, existem mulheres que andam nuas e ninguém reclama, as pessoas as apreciam, querem observá-las de perto, por que eu, uma pessoa trans, não posso também andar nua? Preconceito? Outro ponto, caso cada pessoa esteja preocupada com a sua vida, não vai dar por mim nem pelo que visto ou não por baixo da renda. Os proprietários do restaurante já me conhecem, conhecem o namorado, cumprimentam-nos, agradecem nossa presença. Caminhamos até uma das mesas laterais, sentamo-nos. Cruzei as pernas, cobria assim meu sexo, sentia-me protegida caso descobrisse algum outro olhar maldoso. O namorado pediu duas caipirinhas.

A praia, em frente, não permite o nudismo total, uma pena. Quando a frequento, visto um biquininho lindo. Ao ir ao restaurante, corro sempre ao toalete e dispo-me, assim me sinto mais confortável, de bem com a vida; uma ponta de excitação me completa. O namorado adora, já me conheceu com esse costume. No começo, pensou que teríamos problemas, mas depois chegou à conclusão de que o problema é das pessoas que querem nos reparar.

Descobri Célia numa mesa próxima. Você não vai me contar uma história, por escrito?, quero publicar, viu?, ela me segredou, quando seu acompanhante deu uma saidinha para fumar; você tem coisas interessantes para contar, e nos últimos tempos estamos com uma audiência enorme. Quando seu homem voltou, ela correu para a mesa onde estavam. Vestia uma saída de praia curtinha, certa vez me disse que não era tão ousada quanto eu.

Naquele dia ficamos até o final da tarde, bebemos duas caipirinhas cada um, comemos frutos do mar.

Quero namorar, segredei-lhe no ouvido. Aqui?, ele. O que você acha?, devolvi. Ele me beijou na boca, um beijo comprido. Troquei as pernas de posição, a esquerda sobre a direita. Meu pênis não é pequeno, e não ficou rijo, ainda bem. Nesse ponto sou quase uma mulher. Só não posso gozar. Porque, depois, morro de vergonha.

quarta-feira, maio 04, 2022

Esporte

Vinha correndo, em treinamento, pela Vieira Souto, em Ipanema. Era manhãzinha de sábado, algumas pessoas chegavam à praia. O sol ameno me ajudava no treino. Ao cruzar o Posto Nove, lembrei-me de um homem com quem certa vez marquei um encontro naquele lugar. Mas não apareci, e ele era tão bonito. Não lembro onde o conheci, mas o encontro que falhei não me saiu da cabeça. Alguma das amigas da época deve ter me apresentado o homem. Costumávamos sair à noite, frequentar bares e boates, não faltavam namorados. Fazia mais de dez anos, como o tempo passa rápido. Eu, correndo, será que participo pelo menos da meia maratona? Apenas imaginação, não treino para competições. Mas ao passar pelo Posto Nove, um rapaz sorriu para mim, olhou-me dos pés à cabeça, tenho certeza de que me imaginou nua, totalmente livre da roupa de jogging. Eu correndo, suando, querendo me superar, correr melhor do que nos dias anteriores, do que na semana passada. Quando se pratica algum esporte e se percebe melhor desempenho, o prazer substitui o cansaço, o esforço, a gente não tem vontade de parar. O rapaz ficou para trás. Quem sabe corre também e vem a me seguir. Cheguei a dar uma olhada, depois de duzentos ou trezentos metros. Ninguém. Amélia, uma amiga, adora namorar, acaba não vindo para a corrida por causa dos homens, das noites em branco, pendurada no pescoço deles. Diz que o prazer está em ambas as práticas, a corrida e o amor. Amélia, não é possível passar a noite namorando, mesmo que eles sejam muito gostosos, acordar cedo e vir correr, não há quem aguente. Ah, às vezes dá, sim, ela diz. Eu não consigo, tenho de confessar. Faz tempo que adoro fazer ginástica, correr na praia, ter o corpo em forma, acabo deixando os namorados em segundo plano. Por isso, às vezes, desaparecem, vão nos braços de outra. E eu fico na fixação do meu próprio corpo, namorando a mim mesma, suada, exaurida, mas ainda num último esforço para me superar. Já deixei um namorado dormindo e saí escondida para correr. Não voltei ao apartamento dele naquela manhã, preferi seguir depois para casa. Esqueci alguns pertences, mas ele guardou para mim. Por que não me chamou?, eu iria com você. O namorado saberia meu segredo, o prazer que a corrida me proporciona. Não quis que descobrisse. Vamos namorar à tarde, disse eu certa vez a outro. Ele pensou que eu era casada, era a única hora possível. Depois descobriu, eu era casada, sim, mas com o esporte. Quis me ver correndo, suando, a pele brilhosa, me abraçar quando a água escapava pelos meus poros. Só quando eu parar, amor, caso eu te abrace agora, perco o ritmo. Corri tanto que ele ficou para trás. Não foi possível o abraço. Você corre nua, querida?, perguntou certa vez. Engraçadinho, respondi. Corre nua na esteira, por favor, pediu, choroso. Esses homens e suas taras. Você deixa que, pelo menos, eu prenda os seios com um top? Houve um dia em que ele escondeu minha roupa de corredora, a lycra de jogging. Mas eu tinha uma saia curtinha, branca, o biquininho. Não perdi a manhã.

quarta-feira, abril 27, 2022

Entusiasmados

Quando eu era mais jovem, ia com o namorado à noite para a floresta. A gente, de dentro do carro, tentava descobrir se havia alguém por perto; em caso negativo, saltávamos; eu, nua; ele, também nu, namorávamos em meio às árvores e toda aquela natureza.

Certa vez percorremos uma distância enorme. Quando demos pela localização, estávamos muito longe do nosso carro. Em certo momento, paramos para descansar, deitamos sobre um gramado e fizemos amor. Depois, penamos um pouco para encontrar a trilha de volta. Cheguei a pensar que não conseguiríamos. Que susto.

Numa outra noite – eu sempre nua –, avistamos um pequeno veículo, bem para dentro, num atalho secundário. Corremos até ele e tentamos olhar se havia alguém do lado de dentro. Um casal se agarrava. Ainda bem que eles não deram por nós. Depois daquilo, senti mais tesão e trepamos também logo ali, quase ao lado do veículo alheio. Tais ações eram perigosas, mas nós nos divertíamos.

Mais tarde, já morando em M, arranjei um namorado lindo, por quem eu me apaixonei de verdade. Passeávamos muito, tanto na orla da cidade, como em lugarejos menores. Nas férias, viajávamos. Vivi um romance que parecia mais um sonho. Nunca contei a ele sobre outros namorados, muito menos sobre o que fazíamos. Certa vez, indo a um recanto na serra, lembrei do namoradinho e das ações que nos excitavam. Quando voltávamos, pedi que parasse na lagoa. Estava um final de tarde maravilhoso, com o sol avermelhando-se a poente e uma brisa úmida refrescando-nos a pele.

Andamos toda a orla da lagoa, paramos em diversos pontos e fizemos várias fotos. Quando estávamos caminhando de volta para o nosso carro, reparei que a uns cinquenta metros havia outro veículo que não estava lá quando chegamos. E ele estava balançando. Que estranho, um automóvel estacionado mas se movendo. Quis saber o que estava acontecendo. Corri até o local, mas, por precaução, fui pela traseira. Quando faltavam poucos metros, reparei que um homem e uma mulher namoravam sobre o banco do carona. Achei tudo aquilo muito divertido. Meu namorado, que vinha atrás, também se surpreendeu.

Quando íamos voltar, no momento de eu entrar no carro, o namorado pediu você entra nua na lagoa? Agora?, assustei-me. Sim, agora. Mas como volto molhada pra casa? A gente dá um jeito, ele falou. Tirei o vestido e mais o que me restava sobre o corpo, deixei tudo sobre o banco onde eu sentara, corri a uma das margens e entrei nas águas mornas da lagoa. Foi então que reparei. A mulher do outro carro, vinha abraçada ao namorado, ambos caminhavam também para um banho de final de tarde. Só que ela vinha de biquíni. Meu namorado, ao repará-los quase próximos a mim, pensou vir ao meu socorro. Mas ficou apenas no pensamento. O casal não me reparou. Ambos estavam muito entusiasmados para se preocuparem com qualquer outra pessoa.

quarta-feira, março 30, 2022

Fugidinha

Domingo de sol com o namorado. Bebemos refrescos com pedras de gelo. Ao longe, a praia. Olho o celular, uma mensagem. De um admirador. Não posso ler à vontade. O namorado aproxima-se, beija-me, acaricia-me, não tem a intenção de olhar o que me vem pelas antenas. Guardo o telefone. É o Alberto, tenho certeza, gosta de me enviar elogios nos dias de domingo.

Certa vez nos encontramos ao acaso e passeamos pela orla marítima a manhã inteira, eu não tinha compromisso naquele dia. Alberto me olhava, com seu jeito sedutor. Eu, calada. Como toda mulher, gosto de ser apreciada pelos homens. Ele sabia que nosso passeio era apenas pelo passeio mesmo, não poderíamos ir além. Em determinado momento, paramos e ele comprou sorvetes. Não sou muito de sorvetes mas, para agradá-lo, aceitei. Minha boca ficou muito vermelha. Morango é a tentação. Teve vontade de me beijar, em meio ao morango, à temperatura fria do sorvete e ao sol que nos enlouquecia o desejo. Passeamos e passeamos. Delicado, despediu-se no final do dia. Já tive namorados desse tipo, me comiam com os olhos e queriam me levar ao seu apartamento, ou mesmo a um hotel. Alberto, porém, nada falou. A gente se encontra por aí, qualquer dia desses, eu disse. Não mais o vi.

Agora, eu com o namorado e a mensagem de Alberto no celular. O namorado disfarça, tenta respeitar minha independência, mas sinto que o ciúme não lhe abandona. Nenhum homem quer sua mulher recebendo mensagens de outros homens, sejam eles apenas amigos ou mesmo parentes, querem a mulher apenas para si. Como conviver com isso? Vai à cozinha. "Vou pegar uma cerveja", diz. Consulto o celular? Não, não consulto. Ele volta rápido e vai me surpreender. O problema de ter compromisso com um homem implica inconvenientes. Como posso saber o que Alberto tem a me dizer? Deve estar na orla e lembrou-se de mim.

Vem-me à cabeça um domingo de outros tempos, um namoro não me lembro com quem. Estava eu na praia, final do dia, acabei na casa do homem. Acho que o lugar era Mangaratiba. Ou será que cheguei a trepar com Alberto naquele domingo? Não, não era Alberto. A trepada foi boa. O homem me tirou o biquíni e se pôs a me acariciar longamente. Tão longamente que cheguei a cochilar. Estava tão bom. Ao passar a língua sobre os meus lábios, despertei. Eu, nua às cinco e meia da tarde, numa casa de praia, com um homem que conhecera horas antes. Será que há outras pessoas na casa?, cheguei a me preocupar. Quando pensei nisso, senti o seu pênis a me penetrar. Suave, muito suave, escorregadio, abria todas as cancelas. Pingos de leite. Por que a lembrança agora, o que a mensagem de Alberto tem de ver com isso?

O namorado volta com a cerveja. “Você está bebendo refresco, mas tenho certeza de que vai me acompanhar na cerveja”. “Acompanho, claro”. Ainda bem, o pensamento, uma fugidinha. Eu, nos braços de outro, a pele lisa, morango com chantili não combina com cerveja. Engulo o morango.

quarta-feira, fevereiro 09, 2022

Garota das exclamações

! Sou a garota das exclamações! Tanto mais hoje, porque estou em Búzios. Uma garota de 18 anos, livre, e numa cidade onde todos dizem ser o paraíso, pode não querer nada mais na vida. Mas eu quero! E não é mentira. Ao chegar, logo após o meio-dia, as pessoas hospedadas na pousada me olham com o rabo de olho. Admiram meu corpinho de modelo! Entre elas, há um rapaz. Dizem que ele veio com uns amigos, já me informei.

Cinco da tarde, praia da Ferradurinha, perto do centro, uma fila de homens de todas as idades vira a cabeça quando passei de biquíni. Laura, você não deveria vir com um biquíni como esse, diria minha amiga Dina. Por quê? Porque vão achar que você é bem piranha. Mas em Búzios! Eu exclamaria. Em Búzios e em todos os lugares, eles sempre pensam que somos piranhas, concluiria. É isso que eu desejo, deixe-os pensar que sou uma mulher que dá pra todo mundo! Mas, engraçado, na Ferradurinha, ninguém se aproximou. Em M, logo aparece alguém, quer fogo para acender o cigarro, uma informação, histórias de que estão há pouco tempo na cidade, dicas de restaurantes e bares badalados. Não sou guia turística, afirmo sorridente. Uma vez dei informações a um dinamarquês; quando ele foi ao bar, quem estava lá? Euzinha, aqui! Búzios é uma cidade onde as pessoas são discretas. Quem é interiorano, não vem para cá. Os rapazes nos olham de longe, ficam sonhando com uma boa trepada. Muitos ficam apenas no sonho! Eu não quero sonhar. Há um jovem lindo, de bermuda florida. Levanto, caminho até a beira d’água, perto dele. Está fria!, exclamo. Ele ri. Gosto do Nordeste, porque lá a água do mar é sempre quente, falo, quase em segredo. Ele me olha, sorri, quer dizer alguma coisa, apenas repete: sempre? Isso. Outra coisa, para arranjar namorada é bom, porque há muitas mulheres!, falo. Sério?, arregala os olhos. Sério, afirmo, mas há um lugar melhor do que lá para isso, continuo. Onde?, ele parece interessado. Em Búzios. Em Búzios?, repete em forma de pergunta, dando bastante entonação. Em Búzios, repito. Aqui, então, ele confirma. É lógico que é aqui, idiota, penso mas não chego a dizer. Perco a vontade de abraçá-lo. Afasto-me. Tenho certeza de que pensou que sou eu quem deseja arranjar namorada. Quando estou dentro d’água, outro rapaz se aproxima dele. Os dois trocam algumas palavras sobre mim, tenho certeza.

À noite, em Búzios. Não fale, a noite em Búzios é uma loucura. Não vá com ninguém antes das duas da madrugada, me aconselhou Dina. Por quê?, quis eu saber. Porque você vai perder o melhor da noite. Não posso perder e ganhar?, eu sempre querendo compensar. Como assim?, ela é esperta, mas prefere me escutar. Conheço um às onze, outro à meia-noite, outro a uma da madrugada, fico com um, com outro etc.; depois, às 2h30, o principal. E se o primeiro não te largar?, ela quis saber. Sou eu que vou largá-lo... Às vezes não é assim que as coisas acontecem!, exclamou.

As moças andam de shorts, ou mesmo de biquínis, não há muita diferença. Como sempre, o número de mulheres é maior, muitos homens juntos também. Oi, você está na minha pousada, escuto de um rapaz. Ele é bonito. Mas ainda são 22h00. Tenho vontade de dizer me procure depois das duas, mas mantenho a linha. Estou, sim, na sua pousada. Ele me toca as mãos. Vamos beber uma cerveja, diz. Prefiro Absolut! Ele arregala os olhos. Absolut? Movo a cabeça, faço um movimento de face que diz é óbvio. Ela bebe e a levo para cama, adivinho seu pensamento. Mas é ele quem bebe uma Heineken, fica altinho e vai com os amigos.

Moça, você é muito bonita, precisamos de mulheres jovens e bonitas, para uma festa numa mansão; você vem com a gente? Três garotas no banheiro me convidam. Uma festa particular, com piscina, open bar... Isso mesmo, diz a mais espevitada. Mas como vou saber que vocês não vão me dar um golpe, que não se trata de armadilha? Tais pensamentos me afastam da magia do local. A do meio diz: ela não conhece a gente, é um pouco difícil decidir, eu ficaria também na dúvida. O que pode acontecer?, pergunto-me. As moças são tão bonitas. Logo, a seguir, respondo: vou! Não há perigo em Búzios, é o paraíso, reflito. Quero fazer duas perguntinhas, tudo bem?, peço. Pergunte, diz a mais alta. Vocês conhecem os donos da festa? Conhecemos, é um velho amigo. E bota velho nisso, diz a menor, sempre sorrindo. Agora, a segunda pergunta: O máximo que pode acontecer é a gente ter de ficar nua, não é mesmo! No lugar da pergunta, exclamo. As três riem, a mais alta diz: você parece ser uma mulher experiente!

terça-feira, dezembro 14, 2021

Enroladinha

Outro dia li uma história onde havia uma personagem feminina que, ao ver um homem forte, másculo, bonito, molhava a calcinha. Verdade, ficava a mil e não conseguia evitar o gozo. Aliás, gostava mesmo da sensação, sexo a flor da pele. Lembrei algumas vezes em que senti a mesma coisa. Quando vou à praia vestindo um biquíni mínimo, daqueles que deixam meu bumbum todo de fora, não chego a molhá-lo devido a um eventual orgasmo, mas atinjo as bordas. Quando ando, sinto o tecido apertado, todo entrado atrás, a pressão por baixo da minha vagina, os músculos da minha bunda mexendo-se e atraindo olhares. Da primeira vez que usei um biquíni desses, senti-me nua, mas pouco a pouco me fui acostumando, imagino mesmo comprar um menor. Há mulheres que andam de biquíni no calçadão da orla marítima, fazem o maior sucesso. Nós, que vivemos aqui, não chegamos a tanto, caso precisamos ir ao calçadão vestimos a saidinha de praia. Estive conversando com uma amiga que não via fazia tempo. Ela costuma ir  à orla apenas de biquíni, pede para quem está próxima para tomar conta de suas coisas. Perguntei se não achava esquisito ir passear praticamente nua na calçada. Que nada, é gostoso, respondeu, os homens ficam olhando, sinto que me comem com os olhos, além disso, a gente arranja namorado com facilidade. Perguntei se ficava excitada. É um gozo, chegou a dizer. Outra que molhava o biquíni. 

Certa vez gozei na praia, tenho de confessar. Mas não foi sozinha. Tive um namoradinho que entrava na água comigo. Então, acontecia. Deixei uma ou duas vezes que tirasse o meu biquíni. A gente nadava até um ponto onde havia poucas pessoas e... acontecia! Uma transa e tanto. 

Sempre achei que, para gozar, seria preciso alguém a me tocar, a me acariciar, um grande pênis a me penetrar. Mas, através de histórias, e depois de conversa com amigas, descobri que não é bem assim. Uma me contou que já gozou ao mergulhar numa praia. A água estava tão fria, que a fez chegar ao orgasmo. Há outra que me narrou uma aventura arriscada, mas adorável. 

Saía à noite com o namorado e realizava algumas fantasias. Na verdade, gozava com as fantasias. Uma das vezes veio à praia depois da meia-noite. Entrou na água e tomou banho de mar nua. Um gozo. Outra vez pediu para ele levá-la a passear nua. Mais um orgasmo. Mas o principal aconteceu numa madrugada de outono. Ele parou o carro numa estrada escura, os dois desceram e ficaram namorando do lado de fora. Ela despiu-se. Ficou vestida apenas com o casaco que lhe descia até a cintura e uma bota de cano curto. Namoraram encostados na lataria do carro, a seguir sobre o mato, próximo à estrada. Antes de irem embora, pediu que ele desse uma volta de carro e voltasse depois para buscá-la, que demorasse uns quinze minutos. Mas você está nua!, ele. Por isso mesmo, ela. O namorado aceitou. Quando ele partiu, ela ficou molhadinha. Gozo jamais sentido. Não perguntei se ele voltou! 

Desde então tenho pensado nisso, gozar com minhas fantasias. Uma delas é ir a uma cidade próxima, que dista trinta quilômetros daqui, onde não conheço pessoa; ir vestida como se fosse outra mulher, criar na verdade uma personagem. Conhecer alguém, trepar, não dizer meu nome nem saber o dele. Antes de voltar, deixar-lhe um presente. A calcinha. Enroladinha.

terça-feira, dezembro 07, 2021

Você acha isso normal?

Já que você fica me pedindo pra contar minhas aventuras, escute, então. Veja como os meus mamilos estão durinhos, como estou arrepiada, acho que é a batida de maracujá. A história envolve algo que me aconteceu e que me agradou, o problema é que acho absurdo ter gostado do tal fato. Tive um namorado que me queria nua ao seu lado, sentada no banco do carona, a passear com ele de automóvel. Posso ser presa, eu disse. Não, aqui nesta cidade já não tem polícia de dia, imagine à  noite. Acabei fazendo-lhe a vontade. Além de sair pelada, como estou agora nesta poltrona, também saltei do carro num trecho da rodovia estadual. Pedi pra ele dar uma voltinha e depois retornar pra me buscar. Ele deu a partida, e fiquei ali, nua, nua. De repente, me senti molhadinha entre as pernas! Às vezes vinha um carro ao longe, eu me agachava dentro do mato, ao lado do acostamento. Depois de um quarto de hora ele voltou, entrei no carro e fomos pra sua casa. Trepamos durante o que restava da noite. Você sabe, toda vez que passo pelo local, sinto saudade do ex-namorado, daquela madrugada, sinto falta de tudo que aconteceu. Você acha isso normal?

Vocês, homens, acham tudo muito normal. Outra história, aconteceu alguns anos antes da que acabei de contar. Conheci um homem no cinema. Ele era bonito, fui eu que o abordei. Sabe aquela velha história, conheço você de algum lugar? Ele caiu direitinho. Ficamos conversando, vimos o mesmo filme, lado a lado, e deixei pegar a minha mão. Na saída, me ofereceu carona. Moro no Meyer, vou de ônibus. Ele insistiu, acabei aceitando. Pra encurtar, marcamos de nos encontrar na semana seguinte, acho que um sábado no final da tarde. O encontro foi em frente ao cinema Odeon. Ficamos conversando, fomos a um café, depois me convidou pra ir à casa dele. Morava no centro. Enquanto caminhávamos, pensei se esse homem for louco? Mas o desejo de estar com ele era maior. O apartamento era pequeno, havia uma saleta e um quarto com uma cama de casal. Que bom, tão difícil arrumar namorado nos dias atuais. Passaram alguns minutos e a gente começou a se agarrar. Naquele tempo eu era mais tímida do que hoje, pedi que tivesse paciência comigo. Fiquei então de calcinha e sutiã. Beijei-o com muito ardor. Após uma hora daquele agarramento, insistiu pra me tirar o sutiã. Acabei permitindo. Ele me abraçava, a gente rolava na cama, e eu de calcinha. Não fomos além, tenho certeza, só trepamos uma ou duas semanas depois. É uma história diferente, não? Eu, super tímida, de calcinha, cobrindo os seios com as mãos!

Me dá um cigarro, vai, acende pra mim, te conto mais uma. Ah, que gostoso. Só fumo nessas ocasiões. Certa vez fui a Búzios. Eu e uma amiga. Quando a gente viaja a um lugar onde ninguém nos conhece, é ótimo, não temos preocupação alguma. Ficamos em uma pousada. Um fim de semana prolongado. Fomos a várias praias, bebemos demais, ríamos à toa. Minha amiga se chamava Iracema, veja que engraçado, quase ninguém se chama Iracema hoje, deve estar agora beirando os cinquenta anos. A gente pintou e bordou. Conhecemos de cara dois sujeitos. Eu disse não fala onde estamos hospedadas. Entramos de biquíni no carro deles. Adivinhe o que aconteceu. Isso mesmo o que você está pensando, logo de primeira, não tinha nem duas horas que estávamos na cidade. Pedimos, depois, que nos deixassem numa determinada praia. Eles nos atenderam, mas ainda ficaram com a gente um tempo enorme. Queriam marcar encontro à noite, a cidade tem uma ótima vida noturna, disse um deles. Mas desconversamos, não queríamos ficar presas a eles. Eu disse de repente a gente se encontra ao acaso. Eles concordaram e foram embora. À noite, colocamos vestidos leves e soltos, fomos à tal rua das Pedras. Não passou muito tempo, paramos num bar bem movimentado, dois ingleses vieram conversar. Nem conto o resto, você pode imaginar. Não foi logo de primeira, como à tarde, mas depois das duas da madrugada, onde eles estavam hospedados. Havia outras pessoas, um hostel, fiquei achando que chegaria alguém e me surpreenderia nua. Mas acabou tudo bem. Trepei com dois homens num espaço de doze horas. E Iracema (que alegria!), também nua, em dia com seus orgasmos, dizia: me ajuda a encontrar o vestidinho.

Agora, estou com você, que gosta de ouvir minhas aventuras. Isto é normal? Traz mais uma batida pra mim, por favor.

quinta-feira, dezembro 02, 2021

Aproveitando

Na minha cidade, somos muitas e todas queremos arranjar namorados. Não precisa ser nada sério, mas mesmo assim não é fácil. Já faz tempo que perdi as esperanças. O último que frequentou meus lençóis, ouviu de minha voz um segredinho: não demora você vai me trocar por garotas mais jovens, elas são muitas aqui na cidade. Passaram-se algumas semanas, ele se foi. Poxa, por que não ficou comigo e com a moça de 18 anos, que desfila de biquininho na principal praia da cidade? M não é uma vila, mas, mesmo assim, todas nos conhecemos. De um tempo para cá, começaram a aparecer moças muito jovens, não sei se por causa da universidade, ou se vieram acompanhando pai ou mãe que passaram a trabalhar nas empresas de petróleo. O que é certo: uma delas roubou-me o namorado. Mas é a vida, e ele tem o livre arbítrio.

Passei, então, nos dias de folga, a viajar para outra cidade, passear, aproveitar a vida. Num feriadão, fui a Cabo Frio. Para quem mora na região, o local não é dos melhores. Mas serve para variar, para conhecer novas pessoas. Fiquei num pequeno hotel, a praia quase em frente. Naqueles dias, hospedava-se no mesmo hotel um grupo de rapazes. Acabei amiga de alguns deles.

Você está sozinha?, o mais atirado perguntou. Não se fica sozinha na maturidade, cheguei a dizer, sempre há alguém no nosso pé. Ele riu. Fosse mais perspicaz, perguntaria onde estava meu pé.

Não quis, logo de primeira, dar mole para um deles, não ficaria bem, tenho o dobro da idade. Mas eles me acharam bonita, chegaram a me chamar de gostosona. Tive de rir. Aquele grupinho devia ir pelos vinte e poucos anos.

Em M, tenho uma amiga que adora trepar com garotos jovens. Diz que o peru deles é bem duro, e fica assim por muito tempo. Há apenas um problema: eles precisam entender o que ela deseja. Durante o tal feriadão, a imagem de minha amiga de quase cinquenta anos trepando com um rapaz de vinte três não me saía da cabeça. Apesar de não jovem, ela tem seus artifícios. Certo dia, quando foi despi-la, o moço descobriu que ela estava sem a calcinha. Você nunca reparou?, perguntou com cara de sapeca, já saí tantas vezes com você só com o vestido sobre a pele. Ela consegue, com suas artimanhas, manter o namoradinho. As garotas jovens não sabem nada disso, me diz em segredo.

Numa das noites, fui a um restaurante com música ao vivo. Era a única sozinha em uma das mesas. Os homens estavam acompanhados. Havia também muitas mulheres sós. Bebiam, riam e tentavam se entender entre a algazarra da noite. Pedi uma caipivodca. Lá pelas tantas, avistei meus amigos, os jovens que estavam no mesmo hotel. Dois deles vieram sentar à minha mesa. Os demais tinham outras expectativas. Bebiam cerveja, estavam muito alegres. Vestiam bermudas e camisas coloridas. Quando levantei e fui dançar com um deles, repararam que eu trajava minissaia. Meu par gostou de dançar coladinho. Como havia muitas mulheres, eles todos se arranjaram. O que ficou comigo também se arranjou. Adivinhem com quem? Caso você queira acompanhar seus amigos, não faça cerimônia, cheguei a sussurrar no seu ouvido. Mas ele não foi, permaneceu ao meu lado, acabou me abraçando, me beijando e voltamos juntos para o hotel. Seus amigos perderam-se pela cidade nos braços de moças fresquinhas, recém-saídas da adolescência.

Meu namoradinho me acompanhou depois que deixamos o tal restaurante com música ao vivo. Caminhamos até a beira da praia. Além de nós dois, ninguém no local. Abracei-o. Continuou agarrado a mim. Você não gosta de mergulhar, que tal entrarmos n’água? Riu e disse: você é muito doida.

No hotel, passou a última noite no meu quarto.

Não conte pros teus amigos, viu, vão ficar com inveja, duvido que aproveitaram tanto.

segunda-feira, novembro 15, 2021

Não dá pra ser tudo como a gente quer

Tenho um namorado que adora me levar à praia e me deixar nua. Sério. No começo, achei aquilo estranho. Quem sabe, estou me relacionando com um tarado. Com o passar do tempo, no entanto, passei a gostar da brincadeira. E, a partir de então, não há vez em que não peço a ele pra tirar a parte inferior do meu biquíni. A gente entra n’água e procura um local pouco frequentado. Ele me tira a pequena peça e guarda dentro da bermuda. Não vai perder, alerto. Às vezes, sai d’água e guarda meu biquíni lá onde estão nossas coisas. Nesses momentos, o frisson é intenso. Esses fatos me fazem lembrar também de outra relação, que terminei não faz muito tempo, acho que há um ano e pouco. Era outro tipo de homem, jamais me sugeriu tais brincadeiras quando íamos à praia. Acho que nunca pensou nisso. Era diferente o homem. O bom era quando chegávamos a casa. Esperava que eu tomasse banho. Quando eu saía, pedia que o esperasse na cama, sem me vestir. Tomava também uma ducha e vinha deitar ao meu lado. Adorava minha pele ainda quente e bronzeada. Me fazia mil carinhos. Quando sentia que eu ia a mil por hora, metia seu enorme pênis dentro de mim. Não era como normalmente são os homens, preocupados com o próprio prazer, sempre prestes a derramar aquela quantidade imensa de porra dentro da gente. Esperava, vinha vagaroso. No sexo, há algo de selvagem, grande parte das pessoas deixa transparecer seu lado animal. Aquele homem, não, dominava todos os seus gestos, gostava de prolongar o gozo. Até então, sempre que eu deitava com alguém, pedia que ficasse o máximo de tempo dentro de mim. Certa vez cheguei a falar fica a noite inteira, por favor. Mas àquele namorado, não era preciso palavra alguma, nenhum alerta, ele me compreendia, acho que conhecia a natureza das mulheres. Talvez por isso não namoramos durante muito tempo. Era assediado por todo o tipo de mulher, eu mesma descobri. Ficava comigo a maior parte do tempo, mas elas não o largavam. Ele, como homem, não negava. Caso eu o quisesse num relacionamento sério e estável, teria de compartilhá-lo com outras mulheres, ao contrário ficaria chupando o dedo. E foi o que aconteceu. Quando tenho alguém, quero só pra mim.

O namorado que gosta de me deixar nua dentro d’água, na praia, não é como ele. Quando me penetra, a transa não vai muito longe, goza logo, não espera, nem tem tal preocupação. Demora a me devolver o biquíni, isso sim, diz que tenho de sair nua de dentro d’água. Um dia desses chegou a subir até o quiosque para comprar uma cerveja, me deixou de molho, só de top. Mas, no final, tudo acabou bem. O único problema é que, como falei, goza muito rápido. Conversamos sobre isso, tento lhe mostrar que é possível prolongar seu prazer. Mas acho que seu prazer mesmo é me deixar nua na praia! Na vida, não dá pra ser tudo como a gente quer.