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quarta-feira, outubro 21, 2026

Namorados, hotéis e a imaginação

Ele morava num hotel enquanto trabalhava na cidade e, numa noite ou noutra, eu ia ao seu encontro. A cidade abrigava muitos trabalhadores durante a semana; era um polo de produção de petróleo, com gente de várias especialidades vinda das mais diversas localidades. O bairro à beira-mar, com bares e restaurantes muito frequentados à noite, era o ponto para muitos. O hotel dele não ficava ali, mas no centro, um tipo de casa de três andares adaptada para a hospedagem. Na recepção, dava plantão à noite uma mulher; eu a conhecia, morava no norte da cidade; alguém que, na maioria das vezes, não ficava na recepção, mas adormecia num sofá recuado, sem que alguém que transitasse ali ou chegasse à entrada a descobrisse.

Como conheci o homem com quem tinha tal relação? No trabalho. A gente, nascida na cidade, também foi beneficiada com o súbito progresso local; os mais graduados vinham de São Paulo, Rio, Brasília, e até do exterior; a cidade, porém, oferecia vaga de trabalho tanto para os de cultura superior como para as pessoas de cultura mediana e mesmo para quem não tinha estudo e trabalhava no apoio. Eu era uma mulher que terminara o ensino médio e cursara durante dois anos um tipo de especialização em monitoramento de circuitos.

Em geral, às terças ou quartas-feiras, dependia do expediente dele, saía eu de casa às oito horas e caminhava até o hotel, que ficava a sete quadras. Não era uma linha reta. Eu deixava a minha rua, pegava uma via principal que vinha do ponto sul, caminhava trezentos metros, atravessava a linha férrea, entrava por uma viela que levava à rodoviária.

Essa estava sempre movimentada, com gente aguardando os ônibus ou desembarcando. Era alegre o local; certa vez achei que, caso alguém sofresse de solidão ou algum tipo de tristeza, seria bom ir até a rodoviária, era um tipo de distração. Gente com pequenas malas, mochilas, ou aqueles que ficavam nos bancos e aguardavam sua hora de partir davam ao local um tipo de vigor que não existia nas vizinhanças. Dois ou três bares e um pequeno restaurante funcionavam quase direto, vendendo sanduíches, salgados, cervejas e refrigerantes.

Às vezes, naquele caminho que se assemelhava a um jogo em que era preciso entrar aqui e ali para encontrar o namorado, eu tinha vontade de parar no retângulo e ficar olhando os ônibus que entravam e saíam das plataformas, com o vibrar elegante dos motores, típicos de veículos que vão para longe. Certa vez, vi de madrugada o ônibus que fazia uma linha vinda da Bahia; ele me fez sonhar.

Passada a rodoviária, eu seguia uma das ruas laterais que me levava à praça principal; na lateral direita, outra rua, ainda menor, me conduzia ao hotel, onde o homem me esperava.

A funcionária, como em geral não estava no seu posto, me obrigava a esperar. Quando ela mesma surgia ou qualquer outra pessoa ali hospedada desejava também entrar ou sair, a porta se abria.

Não eram comuns encontros como o meu, mas o namorado era conhecido na casa, e as coisas lhe eram facilitadas. Ao entrar, cumprimentava a mulher, uma morena que deixava o sofá e me disfarçava um sorriso. No começo, achei o gesto maldoso, mas, com o tempo, me acostumei e passei a achar que ela tinha um rosto afetuoso, tolerante com as pessoas enamoradas. Ela me dizia o número do quarto em que ele estava e eu seguia pelos corredores sempre silenciosos, um labirinto de várias portas fechadas guardando vidas e segredos. Ele não ficava sempre no mesmo quarto, porque não passava o final de semana na cidade; quando voltava na segunda-feira, às vezes lhe davam outro aposento. Havia vezes em que lhe abrigavam no segundo andar.

Tinha eu um jeito peculiar de tocar à porta: três batidas leves seguidas de outras três. Logo ele abria. Eu entrava no ambiente escuro; às vezes, a televisão, com o reflexo azulado, refletia sua luz nas paredes do quarto. O homem, corpulento, beijava-me os lábios, de modo rápido; eu entrava e me sentava ou à beira da cama ou sobre uma cadeira disponível, que em geral tinha lugar próxima à janela. O quarto era simples, com um armário de duas portas preso na parede, a cama que não chegava a ser de casal, embora fosse larga, um quadro com uma paisagem marítima e a TV dependurada no lado correspondente ao local que ficavam os pés de quem estivesse deitado na cama compunham o ambiente acolhedor. No teto, havia um ventilador para os dias de verão.

Às vezes, quando fazia calor, eu pedia licença para ir ao banheiro. Tirava a roupa e tomava uma ducha. Saía enrolada na toalha e voltava para a beira da cama, esperando que ele me abraçasse. Embora ele não tivesse lugar fixo na empresa – era um tipo de funcionário que circulava entre as várias unidades, todas situadas em bairros diferentes da cidade, onde fazia algum tipo de fiscalização ou manutenção –, eu já o tinha encontrado durante o expediente. Na verdade, eu não tinha ideia se alguém na empresa sabia do nosso relacionamento, mas isso para mim não era importante.

Ele falava pouco e se preocupava em me acariciar ou deitar comigo logo que eu estava em sua cama. Era um namorado másculo e carinhoso, diferente dos homens com quem eu já me relacionara na cidade, de modos provincianos ou de atitudes que me desagradavam profundamente, como trejeitos de dominadores. Um desses namorados locais certa vez não me queria na praia com o biquíni que eu costumava usar. O namoro não durou muito. Aquele homem ali, a me escalar na cama do quarto de hotel, ou a me fazer quase flutuar sobre ele, não pensava em outras coisas a não ser no ato de sentir o calor de meu corpo e me penetrar de maneira vigorosa.

Eu permanecia com ele até as onze da noite. Às vezes, ele me pedia para dormir; vez ou outra eu concordava, mas precisava acordar mais cedo para ir até em casa trocar de roupa para ir depois trabalhar. Na maioria das noites, ficava em seus braços durante duas ou três horas, depois partia, fazendo o caminho de volta pelas mesmas ruas do começo da noite. À pergunta dele se não era arriscado uma mulher caminhar sozinha àquela hora, eu devolvia com a seguinte expressão: “conheço todo mundo na cidade.”

 

Na semana anterior, dormi um pouco mais após o amor; ao acordar, passava de meia-noite. Ele dormia. Um sono, até certo ponto, pesado. Levantei-me, joguei o vestido sobre o corpo e parti em silêncio, sem acordá-lo. Na saída, a recepcionista roncava no sofá de sempre. Apertei o botão que libera a porta. Temi que ela acordasse, mas seu sono era pesado, mais do que o do homem que eu deixava dormindo no quarto. Saí em silêncio e fechei a porta, evitando o ranger de metais.

Enquanto voltava, em alguns pontos da praça avistei mulheres sozinhas ou em duplas; vestiam roupas curtas, tentavam atrair os homens que, a pé ou de automóvel, frequentavam o perímetro. Como não estava acostumada a andar pelo caminho durante a madrugada, a presença das prostitutas me surpreendeu, pois as conhecia apenas de ouvir falar.

Mais adiante, não eram mulheres que formavam um grupo, mas travestis; pude descobrir devido à voz de uma delas, falava alto e de modo afetado; além dessa, havia outra que chamava a atenção, pois estava inteiramente nua. Descobri nela o corpo perfeito de uma mulher alta, bem delineada, mas com o pênis (era mediano, não estava ereto e exibia-o todo depilado, o que lhe conferia feminilidade); às vezes, ela o cobria; em outras, soltava-o, provocando o riso das amigas. Ela, no entanto, era a que mais se divertia. Como poderia voltar para casa daquele jeito, sem indícios de qualquer tipo roupas à sua volta? E de onde vinham, tanto as prostitutas quanto as travestis? Eu não fazia ideia. Não mudei meu trajeto; passei por ambos os grupos. Ladeando as travestis, a nua abriu-se num sorriso e gesto amorosos, não sei se para mim ou para as amigas.

Quando cruzei a rodoviária, tive vontade de me apressar e não olhar para a plataforma, mas não sei o que me fez virar o rosto naquela direção. Acabei descobrindo, em um dos bancos, uma vizinha da rua onde moro. Trajava um vestido rosa, tinha as pernas cruzadas daquele modo que, de perspectiva, quem olha deseja ver o fundo da calcinha da mulher; havia exagero em seus gestos e ela conversava com um homem que talvez esperasse a hora da partida. A vizinha não tinha boa fama. Algumas pessoas afirmavam que era amante de um homem na principal empresa petroleira e que, vez ou outra, era vista na praia durante a noite após o fechamento do Ilhote, principal restaurante da orla marítima, agarrada a um homem. Circulavam outras fofocas sobre ela, mas as atribuo à mente fantasista das pessoas.

Segui até a linha férrea, atravessei, dobrei à esquerda e caminhei pela via principal; após trezentos metros, dobrei à direita e entrei na minha rua. Quando faltavam duas casas para a minha, reparei o homem idoso a olhar pela janela. Esperava pela passagem da mulher por quem diz ser apaixonado para depois se deitar e dormir tranquilo.

Tirei a chave do bolso e abri o portão da casa, uma construção de dois andares dividida em três apartamentos. O meu é o do térreo, onde, além da casa, tenho o quintal.

Entrei no corpo da casa, tirei o vestido, deixando-o sobre a cadeira, fui ao banheiro, lavei as mãos e me atirei na cama. Estavam vivas em minha mente as pessoas vistas pelo caminho; ao começar a dormir, achei que a travesti nua me acenava.

 

Voltando ao quarto de hotel e ao meu homem, adorei que ele ainda tivesse energia para uma segunda trepada. Envolveu-me, deitou-me e apreciou-me por trás. Fez, como sempre, elogios ao meu corpo. Depois, pediu que eu relaxasse, que realmente relaxasse. Falou um segredo no meu ouvido. Então, molhei-me. Daqui em diante, é melhor deixar voar a imaginação.

segunda-feira, janeiro 26, 2026

Les magiciennes

Je m'appelle Katy, mon amie s'appelle Rita, et notre nouvelle amie est Eva. Nous avons décidé de répéter un spectacle pour une boîte de nuit de notre ville. Nous avons de belles silhouettes, nous sommes jeunes et nous savons danser.

Trois semaines plus tard, notre spectacle validé, nous sommes allées le présenter.

Nous avons commencé par une chorégraphie de cancan : jupes courtes et strings en dessous. La musique disco est intense, des projecteurs nous inondent de lumière argentée, rouge et bleue. Le deuxième numéro est un slow, nous jouons des couples passionnés qui se relaient, puisque nous sommes trois. Nos minirobes laissent nos fesses à découvert ! Le troisième numéro est un strip-tease. Deux d'entre nous déshabillent progressivement Eva. Le public est en délire quand nous sommes prêtes à lui voler sa culotte. Et maintenant, la surprise, que je ne vous ai pas encore dite : nous avons des corps parfaits, très féminins, mais… nous ne sommes pas des femmes ! Quand, d'un côté, Rita et moi avons défait les rubans du string d'Eva, son pénis est apparu pendant deux secondes, complètement libre, illuminé par une lumière argentée ! Les projecteurs s'éteignirent, et le public hurla et applaudit. Cinq secondes plus tard, une musique rythmée commença, et des lumières colorées, dans un mouvement simultané, traversèrent la scène. Nous sommes revenues sur scène, vêtues de courts sarongs, la peau nue. Nous avons dansé, répétant des gestes harmonieux, jambes et bras synchronisés. Puis, un faisceau lumineux a illuminé trois tabourets bas devant nous, chacun portant une coupe de champagne. Eva fut la première à s'approcher ; par des gestes sensuels, elle continua à danser au rythme de la musique. Le public était en délire, imaginant déjà la suite. Elle se rapprocha de plus en plus, soulevant le bas de son sarong sans dévoiler son pénis. Un faisceau de lumière argentée restait sur ses cuisses. Puis, en une fraction de seconde, un jet de sperme a frappé l'intérieur du verre. La lumière persiste trois secondes, une petite tache floue apparaît sur le bord du sarong, mais cela fait partie du spectacle. D'un geste répété, elle saisit le verre et le porte à sa bouche. La lumière s'éteint trois secondes, le public crie et applaudit ; puis, le projecteur illumine les jambes de Rita, qui retient son souffle dans une danse de gestes érotiques. C'est son tour. Le spectacle se répète. Rita, après avoir éjaculé, a étalé une tache sur le sol, au-delà du centre du verre. Elle s'abaisse, fait un mouvement de langue, va-t-elle lécher le sperme ? Mais elle se relève et, toujours avec le verre, touche ses lèvres. Les lumières s'éteignent, applaudissements et huées, cris. Trois secondes de plus dans le noir. Le projecteur projette une lumière argentée sur mes cuisses. Je vais tenter l'exploit. Mais il y a un petit problème. Est-ce réel ? Je répète la danse, les gestes, je m'approche du tabouret, enveloppé par une musique forte et des lumières vives ; quand je soulève le bas de ma robe, pas d'éjaculation. Que faire ? La musique s'arrête brusquement, une lumière pâle m'enveloppe. « Les gars », dis-je, ma voix résonnant dans un micro invisible, le public retient son souffle pendant deux secondes. « Les gars, désolé, il a dû y avoir un problème, vous comprenez ? Je vais réessayer », dis-je tout en tenant innocemment le bas de ma robe. La musique reprend, les lumières aussi, je me place au bord de la salle, j'offre mes lèvres et je commence à remuer les hanches. « Quelqu'un veut m'embrasser ? » Un homme imposant s'approche et effleure le bout de mes lèvres des siennes, un baiser rapide. Je retourne derrière le tabouret, la musique m'encourage. Je m'approche du verre de champagne, le projecteur argenté éclaire mes cuisses. Je soulève le bas de ma robe jusqu'à mon nombril. La lumière argentée illumine mon pénis. Je jouis, mollement, dans le verre. La lumière s'élargit et illumine mon visage. Je caresse mes lèvres du bout de la langue, d'un mouvement circulaire. Les lumières s'éteignent trois secondes plus tard, et nous réapparaissons, tous les trois, enveloppés dans des serviettes blanches. Le public crie et applaudit ; nous nous inclinons pour le remercier. Quelques minutes de plus de cris et d'applaudissements. Les lumières s'éteignent. Nous courons vers les loges.

En sortant, nous devons toujours échapper au harcèlement. L'autre jour, un homme a voulu savoir : « Quel est le secret pour avoir un orgasme à la fin du spectacle, sans même se toucher ? » « Chéri, ai-je répondu poliment, avez-vous déjà vu un magicien révéler où il cache les lapins qu'il sort de son chapeau ? »

quinta-feira, outubro 30, 2025

« Alors, qu'en as-tu pensé ? »

Je suis venue la voir parce qu'elle est réputée pour pratiquer une relaxation très intéressante qui, en plus de nous rendre tranquilles, peut nous faire atteindre le plaisir sexuel sans que nous ayons besoin de nous toucher ; moi et beaucoup d'autres avons ce beau corps de femme, mais nous ne sommes pas des femmes, alors pour nous c'est un peu compliqué parce que les hommes nous veulent comme des objets sexuels ; un autre jour, je suis allée à une fête où il n'y avait pratiquement que des personnes comme moi ; les hommes ont retiré nos culottes et nous ont fait jouir, certaines sous la jupe, d'autres dans notre pantalon ; c'était très désagréable ; C'est bien qu'ils nous aient payées, mais je n'ai pas besoin d'argent. J'avais encore un petit ami que j'aimais beaucoup. Il était affectueux, on s'amusait bien, on sortait souvent, on se promenait et on fréquentait des endroits agréables. Mais, de temps en temps, il me traitait comme un jouet. Une fois, il m'a convaincue de sortir pratiquement nue. Au début, c'était très excitant, je me suis beaucoup amusée, mais à la fin de la soirée, je me suis retrouvée dans une situation délicate ; j'ai alors vécu une expérience que je ne sais pas comment raconter. C'est a cause de ça, je suis venue chez elle.

Dès qu'elle a répondu (elle travaille chez elle), elle m'a invitée à entrer. Une pièce spacieuse, des murs clairs, des fenêtres donnant sur la côte, un canapé blanc et quelques fauteuils, c'est là qu'elle m'a offert un thé et m'a invitée à m'asseoir pour me reposer. Pendant que je buvais, elle m'a demandé ce qui m'amenait chez elle. J'ai été sincère, je ne lui ai rien caché.

Une fois le thé terminé, elle a pris la télécommande et a allumé un très grand écran de télévision, que je n'avais pas remarqué jusqu'alors. Un petit film d'environ sept à dix minutes a commencé à être diffusé, présentant des techniques de relaxation.

Dans un premier temps, dans une grande pièce bien éclairée par la lumière naturelle, on voit une femme allongée. La caméra s'approche lentement de son corps et une voix, également féminine, commence à expliquer la relaxation. Peu à peu, en commençant par les pieds, on apprend à se détendre complètement. Une fois le corps entièrement détendu, exercice qui ne se fait pas aussi rapidement qu'on pourrait le croire, la voix féminine entame la deuxième phase : la circulation des énergies. Selon l'instructrice, il s'agit d'une phase très importante, car elle permet non seulement une amélioration physique, mais aussi une liberté d'esprit jusqu'alors inconnue.

La troisième partie est celle de la jouissance. On voit la femme allongée, comme dans les phases précédentes. La différence est que, maintenant, il s'agit de la femme qui m'a reçu et qui est à mes côtés. Elle apparaît nue dans la vidéo. Je souligne qu'il ne s'agit pas d'une personne correspondant aux standards de beauté auxquels nous sommes habitués. Elle n'est pas grande, elle a le dos large, elle est un peu en surpoids et doit avoir près de cinquante ans. La caméra la montre allongée, détendue, les yeux fermés. Peu à peu, elle se rapproche de son corps, montrant d'abord sa tête, puis descendant lentement jusqu'à s'arrêter sur son vagin. Pendant environ trente secondes, tout semble immobile, mais peu à peu, l'une des parois de son sexe bouge, puis commence à s'humidifier. On remarque alors l'apparition du bout de son clitoris. Ensuite, on perçoit un léger bouillonnement, jusqu'à ce qu'un liquide visqueux remonte à la surface et jaillisse pendant trois ou quatre secondes. La femme, cependant, reste sereine et parfaitement immobile. Une fois le flux terminé, elle reste allongée pendant quelques secondes supplémentaires. Puis, lentement, elle bouge chacun de ses bras, puis ses jambes, jusqu'à ce qu'elle se déplace et s'assoie en position du lotus, le visage serein face à la caméra.

Une fois la présentation terminée, elle éteint la télévision, pose la télécommande sur une petite table d'appoint, se tourne vers moi et me demande : 

« Alors, qu'en as-tu pensé ? »

"Je suis très satisfaite. Je pense que vous pourrez m'aider beaucoup."

"Mais attention, le processus n'a pas pour but d'exclure les relations humaines."
Elle m'a immédiatement expliqué les trois phases de la thérapie sa durée et son coût. Elle a continuée a parler :

"Comme je l'avais déjà montré dans la petite vidéo, il faut souligner : les première et deuxième phases avaient une durée déterminée, tandis que la troisième dépendait de chaque personne et de l'objectif qu'elle recherchait. Certaines personnes se contentaient des première et deuxième phases. D'autres souhaitaient vivement passer à la troisième, mais avaient du mal à atteindre l'objectif qu'elle s'était fixé. Il fallait donc expliquer ce qui suit :

L'acte sexuel implique plusieurs processus physiologiques et psychologiques, et deux des aspects les plus importants sont la jouissance (ou l'orgasme) et l'éjaculation.

La jouissance, ou l'orgasme, est le point culminant du plaisir sexuel, caractérisé par une sensation intense de plaisir et de satisfaction. C'est un processus psychologique qui implique la libération de tensions et de plaisir accumulés pendant l'acte sexuel.

L'éjaculation, quant à elle, est un processus physiologique qui consiste en la libération de sperme (chez l'homme) ou de fluide vaginal (chez la femme) pendant l'orgasme. L'éjaculation est un processus réflexe qui est déclenché par la stimulation sexuelle et la contraction des muscles pelviens.

La jouissance peut se produire sans éjaculation (par exemple, chez les femmes qui n'éjaculent pas, ou chez les hommes qui ont une éjaculation retardée).

- L'éjaculation peut se produire sans jouissance (par exemple, en cas de troubles de l'érection ou de problèmes de santé).

Il est important de noter que la jouissance et l'éjaculation sont deux processus distincts, mais souvent liés, et que la compréhension de ces différences peut aider à améliorer la communication et la satisfaction sexuelle dans les relations.

Ici, on apprend à profiter de la relation avec soi-même, une sorte d'apprentissage pour s'aimer et se courtiser soi-même, ce qui peut procurer un grand plaisir. Avez vous compris ?

"Bien sûr !" 

J'étais très enthousiaste à l'idée d'en commencer.

quarta-feira, junho 22, 2022

Entrevendo

Eu vinha do toalete, o namorado me aguardava na porta; o restaurante, mimoso e acolhedor. Um homem saía da porta ao lado – o toalete masculino –, olhou-me, surpreso. O motivo: além do corpo mignon, eu estava nua, ou melhor, trajava uma saída de praia rendada, dessas que descem até abaixo dos joelhos, deixava entrever o que se veste por baixo, vinha abotoada até o umbigo, daí em diante escorregava aberta. Um segredinho: pareço mulher, mas não sou. Por isso, a surpresa maior do tal homem. Ele entreviu, por causa do movimento fugidio do tecido, algo inesperado: meu pênis soltinho. Há quem diga que sou pervertida, que adoro me exibir, que há hora para essas coisas; num lugar público, minha atitude seria indecente. A nudez é a nossa natureza, argumento. Além disso, caso se pense de modo diferente, digo: os tempos estão mudados, existem mulheres que andam nuas e ninguém reclama, as pessoas as apreciam, querem observá-las de perto, por que eu, uma pessoa trans, não posso também andar nua? Preconceito? Outro ponto, caso cada pessoa esteja preocupada com a sua vida, não vai dar por mim nem pelo que visto ou não por baixo da renda. Os proprietários do restaurante já me conhecem, conhecem o namorado, cumprimentam-nos, agradecem nossa presença. Caminhamos até uma das mesas laterais, sentamo-nos. Cruzei as pernas, cobria assim meu sexo, sentia-me protegida caso descobrisse algum outro olhar maldoso. O namorado pediu duas caipirinhas.

A praia, em frente, não permite o nudismo total, uma pena. Quando a frequento, visto um biquininho lindo. Ao ir ao restaurante, corro sempre ao toalete e dispo-me, assim me sinto mais confortável, de bem com a vida; uma ponta de excitação me completa. O namorado adora, já me conheceu com esse costume. No começo, pensou que teríamos problemas, mas depois chegou à conclusão de que o problema é das pessoas que querem nos reparar.

Descobri Célia numa mesa próxima. Você não vai me contar uma história, por escrito?, quero publicar, viu?, ela me segredou, quando seu acompanhante deu uma saidinha para fumar; você tem coisas interessantes para contar, e nos últimos tempos estamos com uma audiência enorme. Quando seu homem voltou, ela correu para a mesa onde estavam. Vestia uma saída de praia curtinha, certa vez me disse que não era tão ousada quanto eu.

Naquele dia ficamos até o final da tarde, bebemos duas caipirinhas cada um, comemos frutos do mar.

Quero namorar, segredei-lhe no ouvido. Aqui?, ele. O que você acha?, devolvi. Ele me beijou na boca, um beijo comprido. Troquei as pernas de posição, a esquerda sobre a direita. Meu pênis não é pequeno, e não ficou rijo, ainda bem. Nesse ponto sou quase uma mulher. Só não posso gozar. Porque, depois, morro de vergonha.

quarta-feira, abril 06, 2022

Mulher em dobro

Você tem um pênis enorme, ele me disse.

Como posso ter um pênis?, sou uma mulher.

Também não sei, acho que surgiu de ontem pra hoje, repare, apalpe você mesma.

Verdade, mas como?


Estávamos os dois deitados, ele nu, eu de camiseta, apenas.

Veja, até que é interessante, uma mulher com um pênis, vou me divertir em dobro, disse ele.

Você fala sério?

Claro, será mais estimulante.


Ele me virou, na cama, tirou minha camiseta, segurou onde dizia estar meu peru.


Repare como ele cresce, e você ainda tem a vagina, bonita como sempre. Só existe um problema, não para ser resolvido agora: como você vai usar aquele minúsculo biquíni que veste para ir à praia?, e a minissaia?, acho que um peru deste tamanho vai escapar, um escândalo.

Dou um jeito, falei animada, há jeito pra tudo nessa vida, tanto mais quando se tem um pênis exagerado, mas confesso, apesar do pênis gosto mesmo dos homens.

Não importa, o que vale é estarmos juntos, o pênis é um dado a mais, você vai gozar em dobro, aliás, vou fazer você gozar em dobro.

Então, comece, estou adorando, vou ser uma mulher em dobro, uma mulher com pênis, que goza de duas maneiras diferentes, isso mesmo, estou sentindo, comece assim.

Você vai adorar, disse, mudando de posição, a bunda voltada pro meu rosto.

Continue, amor, estique um pouquinho, segure-o por baixo, estou descobrindo que sou mais sensível aí, isso, devagar, não quero gozar logo.

Que bom, não?, você também pode enfiar, vai ter tal experiência, quero dizer, já está tendo, está gostando, ele dizia enquanto trepávamos.


Entrava uma faixa de sol pela janela.


O que me dá mais tesão é imaginar você vestida de mulher, com esse pênis enorme, duro, embaixo da saia.

Ah, quando sairmos, ele vai ficar pequenino, escondidinho, ninguém vai notar, falei espirituosa.

Mas, se eu roubar tua calcinha?

Não tinha pensado nisso, vixe, de saia e sem calcinha; tenho uma amiga que adora sair sem calcinha, mas não tem pênis; se tem, jamais me falou.

Não deve ter, mas enfia, enfia com gosto, isso, uma mulher com pênis, dá pra gente namorar em dobro, uma mulher que enfia, namoro completo, ele delirava.

Ai, acho que vou gozar, nunca gozei com um pênis, é novidade, como devo fazer?, perguntei sentindo que alguma coisa me escapava.

Não precisa fazer nada, fique quietinha, é natural, funciona como uma planta selvagem, cresce sozinha.

Ai, parece que tenho uma torneira entre as pernas, nunca senti nada igual.

Teu jato é quente, continue, continue, isso, não pare.

Ai, ter pênis é trabalhoso, gozei, não sei mais o que faço, só sei que estou morrendo de vergonha, é assim mesmo, depois do gozo a vergonha?

Não, no teu caso, nada de vergonha, agora abra as pernas, abra bem, vou fazer você gozar pela boceta!


Vânia, prestou atenção na história que acabei de te contar ou está pensando em outra coisa?

Prestei, sim.

O que achou?

Quero ver teu pênis.

Jura?

Juro, vai, mostre.

Primeiro é necessário sentir.

Sem ver?

Isso mesmo, insisti, você precisa sentir.

Minha amiga abaixou a calça.

Isso, fique de costas, primeiro sinta, depois deixo que veja.

Ana, nunca transei com mulher.

Não sou mulher, agora, mas um homem, isso, assim, quietinha.

Ah, estou sentindo, um peru enorme.

Abre bem as pernas, apoie no encosto do sofá, isso, apesar de você de costas estou tentando meter na frente.

Isso, Ana, continue, não pare, não sabia que isso era possível, como você é gostosa, ou gostoso, não sei, não pare, estou toda molhada, não demora gozo, ai, mais fundo, isso, ai ai ai, que gozo, que gozo, não para, mas não goza, não, Ana, deixa eu gozar sozinha, você não, por favor, você não.

Você é muito gostosa, Vânia, isso, assim, mexe também, estou tentando me segurar, estou tentando, ui ui ui, a gente às vezes consegue, outras nem tanto... ui, Vânia, gostosa...


Acabamos as duas lambuzadas, uma caída pra cada lado, Vânia ainda no sofá, eu aos seus pés.


Ana, agora quero ver teu pênis, mostre, ele é muito gostoso.

O bom é sentir, ver não vai fazer efeito, desculpe se não cumpro minha palavra.

Tapei-me com as duas mãos e corri ao banheiro.


Vânia, você viu minha calcinha?, perguntei, ao voltar.

Rá, rá, rá, se não me mostrar, vai com ele dependurado, debaixo da saia!


Cortei um dobrado. Que mulher tarada!

quarta-feira, março 02, 2022

Nem algodão nem cola

O carnaval é uma festa de prazer, inventamos tantas coisas boas, depois sentimos falta. No último, antes do Covid, vivi uma situação muito engraçada. Ao recordá-la, hoje, morro de rir.

Vestida apenas de biquíni (quem me conhece, já sabe o tamanho; os outros, imaginem) e com dois pequenos pompons de algodão colado nos bicos dos seios, fui desfilar num bloco que saía domingo, na General Osório. O desfile começava em torno das cinco da tarde e durava mais ou menos duas horas. O bloco costumava contornar a praça, seguir por uma rua lateral e entrar na Vieira Souto; dali, avançava até a Joana Angélica, quando então dobrava à direita e voltava pela Visconde de Pirajá. Porém (sempre há um porém na minha vida, ainda bem), aconteceu-me um problema. Logo no início do desfile, antes de entrarmos na orla, alguém veio me avisar que o pompom que cobria o meu seio esquerdo tinha se soltado e eu estava nua. O que há de mau nisso?, perguntei, o algodão já não cobria mesmo quase nada. Continuei dançando. Mas o pessoal da organização veio conversar. Um homem me pediu, com toda a educação, que vestisse a camiseta do bloco, porque ali havia crianças desfilando, não ficava bem para a agremiação apresentar cenas de nudismo às cinco da tarde. Não discuti, vesti a camiseta e continuei a dançar. Muitas pessoas, que assistiam ao desfile, ficaram aborrecidas, queriam continuar a ver-me nua, ao menos pela metade. Azar o delas, eu tentava me desculpar, nem tudo na vida sai como a gente deseja. Desfilei e me diverti muito.

No final, quis devolver a camiseta, mas o homem disse que eu poderia guardá-la, todos os integrantes tinham direito ao tal brinde. Quem me quer como brinde? Gracejei.

Continuei com meu biquininho, entre os amigos, bebia cerveja com eles. Depois de alguns minutos, lembrei-me de que poderia restaurar a minha fantasia original. Colei novos maços de algodão nos seios e pude ficar, novamente, nua. Os homens passavam só para me admirar. Eu fingia que a fantasia era a coisa mais normal do mundo.

Então, aconteceu o inesperado. Um grupo de travestis veio a mim. Todos estavam muito bem fantasiados, ao contrário do que eu apresentava. Você vem com a gente, por favor, precisamos de uma mulher, e bem nua!, exclamou um deles sorrindo. Bem nua?, repeti rindo. Isso mesmo, assegurou. Tomou-me pelo braço e cochichou-me um segredo. Aceitei o convite, mas fiquei temerosa de ter problemas. Garantimos, há toda a segurança do mundo. Você vai fazer o maior sucesso, disseram; não é de graça não, viu, ainda vai ganhar um cachê.

Fui com eles, um baile no Joá, como nos velhos tempos. Você sabe, mulher tem mais liberdade do que nós, segredou-me outro trans. Olhe o que vocês vão me aprontar, disse e caí na gargalhada.

Na festa, eles faziam parte de uma alegoria. Trocaram de fantasia, vestiram roupas super extravagantes, mínimas, tornaram-se mais nus do que eu. Como não eram mulheres, não lhes era permitida a nudez total. Aqui, é que entro em cena. Na primeira apresentação, apareço dançando no meio deles, com uma camiseta, apenas; na segunda, o biquininho, os chumaços de algodão e uma fita a me rodear o pescoço, uma espécie de colar comprido, cor de rosa, com enfeites aqui e acolá. Depois da meia noite, houve o show principal. As trans entravam dançando quase nuas; a seguir, era a minha vez. Uma delas, depois de duas músicas, vinha até a mim e descolava os algodões; depois, vinha outra e me roubava o biquininho; uma outra despia-me da fita cor de rosa e arremessava ao público delirante. Muitos homens me apontaram a lanterna do celular, tentavam, inutilmente, descobrir onde eu escondia o meu pênis! E não precisei de algodão nem cola.

terça-feira, novembro 23, 2021

Ao modo deles

Vocês sabem, a Margarida deixa a gente escrever aqui, é super legal, por isso vou contar uma história divertida e diferente das que vocês costumam ler.

Para uma mulher, as coisas já não são fáceis, imaginem em relação a mim, que pareço mulher mas não sou. Quem me observa a princípio engana-se, mas pouco a pouco acaba descobrindo a verdade. Para quem gosta de travestis, sou um prato cheio. Minha voz é de mulher, e sou  discreta, o que tranquiliza muito os homens.

Aliás, quase tudo em mim é de mulher, menos o pênis. Amigos e amigas perguntam por que não me submeto à cirurgia. Não quero. Gosto de ser do jeito que vim ao mundo. Não por uma questão de natureza, mas porque sinto prazer assim.

Quando arranjo namorado, ele pensa que sou como todas as outras, que gosto de trepar por trás. Mas não é o meu desejo. Me visto de mulher, tenho todo o jeito de mulher, gosto de namorar homens muito masculinos, mas no momento do sexo sou diferente. Mesmo trepando com homens, beijando-os, acariciando-os, peço para segurarem meu pênis. Sinto prazer imenso quando atendem. Há um modo de tocá-lo e de acariciá-lo que me dá muito prazer, preciso mesmo me segurar para não gozar no primeiro momento. Geralmente, os namorados dizem: "os travecos gostam de trepar com o cu, você quer ser diferente, por que não namora mulher?" Tenho então de explicar mais uma vez. Gosto de homens, não de mulheres, o local por onde gozo é outra história. Por isso, na maioria das vezes, estou sozinha.

Arranjar um homem que respeite meu jeito de ser é complicado. Caso queira, posso fazer sexo anal com ele, mas sou eu que vou enfiar o pinto no seu cu. A maior parte não quer assim. Há um nome para pessoas de preferência sexual como eu, mas não gosto das classificações, elas são elaboradas pela medicina.

"Existem muitas maneiras de namorar, e proporcionam imenso prazer", tento explicar para o recente namorado.

Vamos ver se este vai querer ficar comigo depois da tal conversa.

“Mas você nunca trepou por trás?”, quer ele saber, pensa que sou virgem, talvez, quem sabe, será o primeiro a experimentar, que prazer...

“Já, claro, já trepei por trás e ainda trepo, mas não tenho gosto, o que me dá prazer mesmo é quando o namorado acaricia o meu pinto, tanto melhor por baixo.”

Um candidato ao namoro disse-me que os travestis não gostam que encostem no peru deles, porque a ereção, quando acontece, produz hormônios masculinos e isso lhes causa problemas. Quanto a mim, tal ação não me afeta. Quando estou nos braços dos homens, tenho ereção, o que não acontece quando me vejo entre as mulheres, mesmo que estejam nuas à minha frente.

Às vezes, para arranjar namorado que aceitem meu jeito de ser, crio algumas fantasias. Os homens adoram fantasias. Sabem a história do travesti de minissaia ou vestido curto mas sem calcinha? Viajo na maionese contando casos no ouvido deles.  Com a voz um tantinho trêmula, descrevo minhas aventuras pela cidade. Querem saber como faço para meu pinto não escapar pela barra da minissaia. “Ah, é segredo, um produto ajuda a segurar, mas às vezes vai soltinho...” Ficam loucos, loucos de tesão.

Tive um namorado que me pediu para sair apena de camisa, dessas que descem até as coxas. Claro que aceitei. Vesti a tal roupa e coloquei um cinto estreito; a bolsa vermelha a tiracolo e o sapato combinando, um show. “Viu, não é só do jeito que você quer trepar que conta”, falei baixinho.

Quando fui com ele à praia, perguntou:

"Como você faz para usar um biquíni tão pequeno?"

"Ah, não posso contar, segredinho."

Dentro d'água, tentou desfazer os meus lacinhos!

Assim, vou levando os relacionamentos. Mas é preciso cuidado. Não é bom sair com qualquer um, tanto mais de primeira, precisa-se conversar bastante. Muitos homens ainda vivem à moda antiga, querem tudo ao modo deles!

segunda-feira, setembro 28, 2020

Agora vem, deita aqui ao meu lado

Você sabe, estas histórias de gênero são complicadas. Ainda bem que existe a Margarida e ela me deixa escrever aqui, já que você quer em tempo real. Escute, cada homem tem a sua fantasia. A tua é me ver nua escrevendo ao vivo.

Mas sobre gênero, o ponto principal e saber separar. Uma coisa é sexo; outra, gênero. A pessoa ter nascido homem e depois se tornar mulher não significa que tenha se submetido a uma cirurgia. Você compreende, não? Grande parte dos transgêneros transforma o corpo, mas não significa que o masculino tenha que se tornar totalmente feminino, nem o feminino se tornar masculino. Hoje, é possível para quem nasceu homem tornar-se mulher no nome civil, mesmo que mantenha o pênis. Para quem nasceu mulher e deseja se torna homem, também tem o mesmo direito, é lógico, pode mudar de identidade sem precisar de exame médico para mostrar que passou a ter um pênis! Muitas vezes, porém, quando a gente arranja namorado, não é assim que ele entende. A compreensão geral ainda é muito antiquada, as pessoas nada sabem sobre isso e são cheias de preconceitos.

Quanto ao jeito de namorar, outro problema. Há trans, como eu, que se tornou mulher mas não retirou a principal marca masculina, o pênis. Tenho nome de mulher, está na identidade. Para que os homens entendam, em geral, preciso dar aula. Sério, já pensou, você nua, na cama de um hotel, a dar aulas do que é transgênero. Existem muitos livros, basta comprar e ler, muita literatura interessante. Mas ele quer escutar da minha própria voz. Depois quer ver, examinar. Não vim aqui pra isso, assim perco a tesão. Há travestis (vamos usar a palavra que os homens adoram, embora não signifique exatamente transgênero), bom, há travecos que levam faca, punhal, navalha, tudo na bolsa, dizem que é para se defender. Não trago tais objetos, não me acostumo com armas. Mas a violência acontece porque muitos homens querem fazer maldade ao trans. A primeira ação que muitos adoram é nos roubar a calcinha. Querem ver como vamos fazer para o peru não escapar por baixo da minissaia, ou do vestidinho. Sério, não são poucos os que têm esta fantasia. Outra coisa, alguns querem nos colocar objetos dentro do cu. Houve um que me enfiou um bombom. Sério, com celofane e tudo. O chocolate desapareceu. Deixa que eu procuro, ele disse. Tive de ficar agachada um tempo enorme, tremendo de medo de que não conseguisse e aquilo me fizesse mal. Quando encontrou, tirou o papel, ainda esfregou o chocolate no meu anus e o comeu. Que loucura, você deve estar pensando. Mas existem ainda coisas piores, não quero contar aqui. Outra ação é quererem tirar fotos da gente. Cruze as pernas, agache, levante, sente, mostre os seios, agora cubra-os, esconda o peru, mostra. Um transtorno. Para que você quer tantas fotos?, estou aqui com você. Trata-se de uma fantasia, e quando o assunto é fantasia é difícil tirá-la da cabeça dos homens. Só pra terminar, ainda faltou contar outro ponto. Na maioria das vezes, peço por favor, não toque no meu pênis. Mas os homens não se satisfazem, querem porque querem me ver de pau duro. Quase não tomo hormônios, sou feminina de natureza, mas quando insistem em me deixar de peru duro, meu organismo produz hormônios também masculinos e isso me desestabiliza. Gosto de fazer amor, mas que não toquem no meu pinto. Quando gozo, lógico que ejaculo, mas o pinto vai estar mole, sem problema algum. Não é dele que preciso pra gozar,

Então, gostou da minha história, você também tem fantasias, mas ela é soft. Agora, vem, deita aqui ao meu lado, teu peru parece ser muito gostoso.

terça-feira, agosto 18, 2020

Pabllo

Tenho um amigo que é terrível, toda semana está com uma namorada diferente. Outro dia disse estar apaixonado, encontrou a mulher da sua vida. Mas como?, você que paquera todo mundo. Verdade, ele afirmou, agora é sério, vou apresentar a você.

Passaram alguns dias e ele veio com a pessoa amada. Oi, que prazer, uma mulher linda, vestido curtíssimo, não sei como consegue sentar com a tal roupinha. Depois, já a sós com ele, sussurrei-lhe desconfiada, a tua namorada... Deixe disso, eu a amo, e isso basta para mim. Você não acha um escândalo sair com alguém assim, essa extravagância toda, você vai ficar em evidência o tempo inteiro, completei. Nada disso, nem ligo, o importante é nossa relação, você não imagina com é estar na cama com ela.

Passou mais uma semana e ele apareceu com ela na minha casa. Oi, tudo bem, vamos ao cinema, viemos convidar você, ele disse. Mas como, eu do lado da mulher, um vestido soltinho, mais curto do que o do outro dia. Quando ela foi ao toalete, disse-lhe, em voz baixa, você quer me colocar também em destaque?, se encontro alguém do trabalho, já pensou, o que vou falar? Ela saiu logo do toalete, veio sentar ao meu lado, toda sorridente. Você é bonita, e sua casa demais, disse e me beijou. Meu amigo tem razão, ela é realmente carinhosa. Conversamos sobre vários assuntos, eu queria porque queria dissuadir a ida ao cinema, não poderia me expor daquele modo, o jeito foi puxar conversa. Servi uma taça de vinho, biscoitinhos salgados, pedacinhos de queijo. Quando a conversa girava em torno de algo excitante, ela dava gritinhos ui, ui, ui, e ria, delicada. Não tive escolha, acabei por acompanhá-los ao cinema. Fomos a um que passava filmes de arte, ainda bem que não encontrei ninguém conhecido. O público era de gente mais velha, e muitos franziam a testa quando nos descobriam.

Na saída, meu amigo convidou a um bar. Sentamos e conversamos sobre o filme. Ele não desgrudava da namorada. Não sei por que a conversa enveredou pelo tema do orgasmo. Ela recomeçou a dar seus gritinhos, ui, ui, depois de cada opinião. Nada falava. Quando pedi para dizer o que achava, disse pergunte a ele, por favor, não me faça falar disso. Meu amigo riu, ri também e não lembro mais a continuação do assunto.

A última vez que a vi, foi na praia, em Ipanema, defronte ao Country. Quis disfarçar, fazer de conta que não a reconheci, mas foi ela quem me chamou. Me beijou. Oi, como vai, cadê o namorado?, fiz-me curiosa. Ele já vem, disse pousando ao seu lado a revista, fique aqui perto de mim, um pouquinho. Você está nua!, exclamei. Não exagera, nua, nua, não. Meu biquíni, perto do teu, é um maiô que vem até o pescoço, eu disse e ri. Nada disso, você usa também um biquíni curtinho, sensual, chegou me tocar as coxas. Não sei como você consegue, continuei, não escapa nada, aí, não? Ah, às vezes escapa, mas o que se vai fazer?, é um orgasmo!, encontrou a palavra certa. Já que você fez a pergunta, continuou delicada, seu amigo adora me fazer gozar, pronunciou a palavra baixinho e com certo vexo, adora mesmo, viu, às vezes nem estamos em casa. Jura?, me fiz surpresa. Juro, imagine, ele já me quis em orgasmo (ela e sua forma especial de tratar as palavras), aqui mesmo, na praia!, que caos... Sorriu, virou ao lado e segurou de novo a revista. A capa trazia uma foto de Pabllo Vittar, de biquininho.

domingo, setembro 22, 2019

Que susto!

Tenho amigas que são loucas, quero dizer, loucas por dinheiro. Uma delas chama-se Jussara, mora em Carapebus, uma cidade do litoral norte. Arranjou um admirador que chegou à cidade faz pouco tempo. O homem adora convidá-la a restaurantes, tanto na cidade como nos arredores. Pouco tempo depois, disse que tinha um desejo estranho, não sabia se ela se aborreceria ou se compreenderia o que lhe iria pedir. Não sairia de graça, acrescentou antes de pedir. Que ela saísse nua de casa e passeasse a seu lado, tanto dentro do automóvel como nas praias do local, não fazia mal que tarde da noite. Jussara examinou a quantia oferecida pelo homem. Já ficara nua de graça para outros namorados. Não pensou duas vezes. Pegou o dinheiro antes, guardou e saiu, sandália de meio salto e bolsa a tiracolo, apenas. O homem delirou. Pena que atualmente ele trabalha em outra cidade, os encontros tornaram-se raros, mas quando aparece, a conta bancária da minha amiga espicha.

Comigo aconteceu, um dia desses, algo parecido. Minha amiga tem o corpo perfeito. Não sei como consegue ter o corpo nas medidas certas numa cidade do interior. Dizem que nesses lugares come-se muito. Ela, porém, mantém a elegância. Quanto a mim, tenho também o corpo perfeito, as mesmas medidas; mas quanto a ser mulher como minha amiga, não posso assegurar. Os homens adoram do jeito que sou. Caso fique nua ao lado dela, tenho certeza de que vão me escolher. Adivinhem o motivo! Mas vamos ao que aconteceu. Conheci também um homem genial, educado, bem vestido, pleno de classe, sabe usar bem as palavras. No entanto, como o tal admirador de minha amiga, tem uns desejos obscuros. Não se pode exigir a perfeição, aprendi desde cedo, acabamos nos contentando com o possível. Ele fez o mesmo pedido que recebeu minha amiga. Onde moro não é uma cidadezinha. Acho que duzentos e tantos mil habitantes. Como posso sair nua?, vou encontrar alguém, veja, tenho algo a mais, caso alguém me veja nua vai ser um escândalo. Calma, disse ele. O que me convenceu mesmo, porém, foi o valor oferecido. Você tem coragem de desperdiçar um dinheiro desses?, cheguei a perguntar. Não é desperdício, é prazer, afirmou. Bem, vamos ver então como podemos fazer, tentei tranquilizá-lo. Não há o que não se ajeite quando o valor é alto, e eu não podia largar a tal proposta.

Na noite marcada, ele veio com o recibo de depósito. O dinheiro grande na minha conta. Entrei no carro, dirigiu através das ruas escuras da cidade, mostrava-me os lugares de sua predileção, como um guia turístico. Noite agradável, céu pleno de estrelas, algumas luzes no centro, a ponte que cruza o rio, a margem dos namorados, as vielas do centro velho. Houve o momento em que ele pediu. Já?, fiz-me assustada. Está na hora, ele. Ao lembrar o valor do depósito, não pude titubear. Abri o vestidinho, desci-o até a cintura, meus seios apareceram nus; afastei o bumbum do banco e acabei de tirar a roupa. Olhou na direção da minha calcinha. Mais do que rápida, tirei-a e entreguei nas mãos dele. Ele a segurou demonstrando prazer. Destravou as portas. Inspirei fundo e saltei. Do lado de fora, sobre o passeio, a realidade é outra. Mesmo passada uma hora da manhã. Ele acelerou e partiu. Meu coração acelerou com ele. Não estou acostumada a tais aventuras, mas o dinheiro falou mais alto. Pus-me a caminho, conforme o combinado. Deveria andar duzentos metros até um carro estacionado na Maria Amélia. Duzentos metros é um longo percurso para quem está nua. Eu vestia apenas a sandália, pedira para não sair descalça, temia ferir os pés. Uma mulher andando nua tem o seu charme, no meu caso é um pouco diferente, mas muita gente acha o mesmo. Demorei alguns minutos para chegar ao ponto combinado, acho que mais do que pensei. Ao ver o veículo, suspirei aliviada. Apertei a maçaneta, estava dura. Apertei de novo. Não abriu. Engoli em seco. Olhei para um lado, para outro. Será que estou no local errado? Mil pensamentos me vieram à cabeça. Tentei de novo. A porta não abriu de jeito algum. Foi então que escutei um barulho de motor e uma freada. Pneus a cantar. O carro parou à frente do que eu tentava abrir a porta. Corri para ele, apertei a maçaneta e entrei. Uma mulher ao volante. Imaginem o resto.

segunda-feira, abril 22, 2019

A garota da farmácia

Eu e Isabela éramos amigas fazia tempo. Saíamos juntas, frequentávamos cafés, bares, restaurantes e festas. Vez ou outra ela dormia no meu apartamento. Uma vez eu estava nua, acabara de tomar banho, enxugava-me. Ela, então, começou a apertar meus seios com ambas as mãos, como se a ação fosse a coisa mais natural do mundo. No começo pensei em protestar, afastar suas mãos, mas os toques eram tão delicados que senti uma ponta de tesão, cheguei mesmo a afastar um pouquinho as coxas, como se esperasse o pênis de um homem. Ela continuou a me pressionar, deslocando os dedos alguns centímetros, ora para cima, ora para baixo, ora à esquerda, ora à direita. Olhei a sala antes de fechar os olhos, vi a revista que Isabela lia minutos antes sobre a poltrona, em cima da mesinha de centro, que era um largo quadrado de madeira onde havia alguns livros. Ela diminuiu a pressão, achei que iria encerrar a sessão, emiti um gemido, ela entendeu e continuou. Depois de alguns segundos soltou uma das mãos, enquanto a outra se mantinha sobre meu seio direito. A mão solta desceu escorregando sobre meu ventre e só parou quando atingiu a altura da vagina. Nunca sentira tanta maciez. Continuou a me acariciar, de repente procurou meu grelo. Encontrou-o saliente. Acabei deixando na ponta de seus dedos a umidade de todo o gozo que sentia naquele momento. Quando foi a vez de Isabela tirar a roupa e ficar nua a minha frente, não consegui ter o seu mesmo desempenho. Não faz mal, ela disse, há pessoas que são feitas para dar; outras, para receber.

No dia seguinte fui à farmácia comprar lubrificante. Isabela adora cremes e óleos, tanto mais quando os espalho sobre todo o seu corpo com mãos cada vez mais ágeis. Descobrimos que, assim, ela goza, e como. Aprendi a dar, apesar de, segundo ela, ter sido dotada para receber. A funcionária da farmácia, ao reparar que eu estava perdida em meio a tantos produtos, perguntou se me podia ser útil. Claro, procuro lubrificante. Não chegou a rir, pois manteve o profissionalismo, mas percebi que minhas palavras produziram algum efeito sobre sua pele. Entregou-me o produto, indicou-me a caixa e, acho, engoliu em seco.

O corpo de Isabela deslizava sob minhas mãos, ela deitada sobre o tapete da sala. Aproveitávamos uma toalha antiga, para não deixar que o óleo manchasse o próprio tapete, o estofado, o chão, enfim, tínhamos cuidado de não deixar rastros daquele nosso recente amor em toda a sala. Nossa relação sexual úmida e escorregadia atingia as raias da alegria. Ela pressionava-me os seios, eu abria as pernas, meu grelo úmido, meu gozo; depois, a vez dela, o corpo untado, minhas mãos a usurpá-la, seu gozo.

Até que surgiu um homem. Acho que teria sido melhor se eu contasse por que comprava lubrificante à funcionária da farmácia. Quem sabe ela viria encontrar comigo e com Isabela, assim, seríamos felizes.

Mas um homem é um homem e a gente não consegue dividir números primos, a não ser por um ou por ele mesmo. A funcionária da farmácia junto a mim e a minha amiga não constituiria também um número primo? Não sei, mulher é desdobrável, multiplicável. Quanto a mim e à Isabela, éramos heterossexuais, descobrimos quase ao acaso nossa homossexualidade, ou melhor, o amor que sentíamos uma pela outra. Pouco a pouco comecei a esquecer os homens, às vezes me lembrava de sentir o pênis de um namorado ocasional a me penetrar, mas eram lembranças que tinham a tendência de se perder no tempo. Isabela penetrava-me da mesma forma que um homem, eu gozava como junto a um homem. Mas minha namorada trouxe um homem, e um homem é um homem. Disse que era um velho amigo, que frequentava a casa dela, saíam juntos, trocavam confidências. Contou a ele nossa relação, relatou como tudo começou, descreveu nossas preferências. Confesso que achei aquilo um tanto doentio. Aconteceu, então, de um dia, ela começar a me acariciar na frente dele. No começo, fez de conta que nada de surpreendente acontecia, mas quis que ele nos visse trepar. Não, por favor, não é justo, protestei. O amor é justo, e podemos namorar assim que sentimos vontade, como agora, retorquiu. Vamos para o quarto, pedimos licença ao nosso amigo, sugeri. Dentro do quarto, porém, não foi a mesma coisa, estávamos acostumadas a namorar a sós, sobre o tapete da sala, a toalha ajudando-nos a não derramar o óleo, os móveis a nos espreitar silenciosos. Léo ficará em silêncio, será como a poltrona, o estofado, ou a mesa de centro.

Ela voltou à sala. Seu amigo lia uma revista. Disse qualquer coisa a ele. Chamou-me, pediu que, assim como ela, viesse nua. Eu gostava muito dela, por isso acatei o pedido. Apareci na sala, em pele e sem saber onde posar as mãos. Léo fez de conta que não me viu. Sentei-me no estofado e esperei por Isabela.

Depois do gestual de sempre, ela esperava que eu ficasse excitada, mas isso não aconteceu. Tanto mais tentava, tanto mais eu esfriava. Estava travada, eis a palavra certa. Com um gesto de cabeça, fez que o amigo se aproximasse. Isabela desceu a calça dele e tirou seu pênis. Olhei aquilo ainda assustada, sem ter o que dizer. Por que alguém que dizia gostar tanto de mim segurava com tanto ardor o pênis de um homem? Trouxe o homem para junto de si, segurando seu sexo enfiou-o na própria vagina, em pé, com uma das pernas flexionada sobre a mesinha. Transaram ali mesmo. Ela fechava os olhos, quase transtornada, e dizia daqui a pouco será a tua vez, a tua vez, espere um pouquinho, e se mexia alucinadamente. Após dois ou três minutos, interromperam abruptamente os movimentos, minha amiga afastou-se. Pude reparar que Léo gozara, a boceta de Isabela babava toda a porra que ele despejara dentro dela. Não suportei ver aquilo. Não por causa do ato sexual em si, mas por constatar que uma mulher que eu amava tanto não me correspondia em seus sentimentos. Corri dali e me tranquei no quarto. Como estava em meu apartamento, não tinha satisfações a dar.

Isabela foi embora junto com seu amigo. Tentou falar comigo algumas vezes, deixou recados. Não respondi a nenhum nem a procurei mais. Para me sentir mais segura, troquei a fechadura da porta do apartamento. Voltei à vida de antes de conhecê-la. Desde então não tive mais relacionamentos.

Aliás, outro dia fui à farmácia, comprei lubrificante e sorri para a funcionária que já me conhecia.

domingo, abril 14, 2019

Fogo

É quase um consenso a afirmação de que os homens têm mais desejo sexual do que as mulheres. Uma amiga dá a justificativa: isso acontece porque o sexo dos homens é para fora e o das mulheres para dentro. Não entro na polêmica, no entanto, caso as mulheres queiram desejar mais, ou melhor, ampliar o ardor sexual, tenho uma solução simples e fácil. O fogo. Isso mesmo, a chama de um isqueiro ou de um palito de fósforo. Aquela que quiser praticar, basta tirar a roupa, abrir um pouco as pernas, acender e aproximar a chama. Chama no sentido lato, denotativo, nada de metáforas nessa hora. Mas é preciso ter cuidado, não vá se queimar, não é preciso aproximá-la demais. O fogo aquece e não demora a despertar o fogo interior. Pronto, você parte para o sexo, a mil por hora, esquecida da tal tese de que o sexo feminino é para dentro. Você vai gozar mais e mais. Tente uma vez, duas, três, logo sentirá a diferença. Achegue-se ao namorado e deixe o resto com ele.


A amiga ainda contou-me a respeito das travestis.

“Elas são muito ardorosas porque são homens por fora e mulheres por dentro, por isso o desejo máximo, o sexo para fora, o gozo quase constante.”

“Credo!”, respondi atônita.

“Verdade.”

E narrou a história de uma conhecida, amada pelos homens, desejada por todos por causa da beleza e dor ardor. Usa a saia ou o vestido curtinhos, tudo quase de fora. Houve um namorado que a queria sem a calcinha.

“Cruzes, para uma travesti, sem a calcinha, é o caos”, cheguei a falar.

"Nada disso", ela continuou, "a tal tinha um jeitinho, só que precisava ir ao toalete de tempos em tempos, ao contrário..."

Minha amiga adotou a técnica do aquecimento, isto é, a técnica do fogo, que eu lhe ensinei.

“Muito obrigada”, veio-me agradecer, “até pareço a minha amiga travesti, nunca fui tão quente, estou deixando os homens loucos.”

Sua história vai além. Teve certo namorado que a queria nua. Aliás, eles sempre nos querem nuas. Mas o tal a desejava sem as roupas em público! Ele chegou, mesmo sem saber, a falar como o namorado da travesti:

“Sempre se tem um jeitinho.”

E ela foi nua. Primeiro uma saia muito curta; no dia seguinte, o vestidinho. Mas ela nunca falou para ele sobre a técnica do fogo. Cada vez que ele lhe comprava a roupa mais curta da boutique, menos ela precisava de aquecimento. Até que um dia, saiu totalmente nua.

“Fiquei gelada dentro do carro do homem, sem noção, achei que morreria, que aconteceria algo pavoroso comigo. Então, pedi a ele você me dá licença um instantinho? Você está nua, aonde vai fora do carro?, ele, preocupado. Não vou longe, respondi. Saí e me abaixei na lateral da porta traseira, abri a bolsa e procurei o isqueiro. Acendi, aproximei a chama, chegou a chamuscar meus poucos pelos. Ah, que alívio, voltei com todo o desejo do mundo, agarrei o homem, nada de frio no estômago, fiz o sexo mais gostoso da minha vida!"

segunda-feira, outubro 22, 2018

Em dobro

A história que vai a seguir é um pouco delicada, talvez mesmo difícil de se contar.

Fui a uma festa onde conheci várias pessoas, dentre elas uma mulher linda. Dançamos juntas, eu, ela e mais quatro ou cinco mulheres. Como a música era de ritmo rápido, convidava-nos ao meio da pista. Havia poucos homens, sempre mais preocupados em beber do que dançar. A mulher linda ficou junto a mim, depois veio conversar, já um pouquinho distante da música alta.

Quero que você entenda, falou, pareço mulher, mas há um pequeno detalhe.

Arregalei os olhos.

É sério, continuou, tenho corpo de mulher, ajo como uma, todos me admiram como mulher, mas não sou mulher, entendeu?

Ah, sim, respondi meio sem jeito.

Como há tantos transexuais por aí, fiz de conta que sua história era muito natural. Depois de determinado momento, cheguei a perguntar:

Como você faz pra usar uma roupa assim tão curta?

Ela não demorou a responder.

Sempre me perguntam a mesma coisa, sorriu.

Então?, insisti.

Tem um jeitinho, sabe, respondeu delicada, dá pra gente se arranjar.

Por que você não opera?, perguntei afoita.

Deus me livre, disse assustada, prefiro como sou, uma mulher com pênis.

Depois de sua resposta, pensei que seria interessante, pelo menos por algumas horas ou por alguns dias, ser uma mulher com pênis.

“E tem mais, acrescentou, se corto (ui, nem gosto de falar assim), perco meu eleitorado.

Depois desta última frase, acentuou-me o gosto de ter um pênis durante pelo menos um curto espaço de tempo. Eu seria um cometa a jorrar minha calda através do espaço, todos a me admirar. Lógico, avisaria a eles no momento do encontro, sou uma mulher com pênis. Você é travesti?, eles mostrar-se-iam surpresos. Não, não sou travesti, sou uma mulher com pênis. Sério?, insistiriam. Por que preciso mentir? Acho que haveria uma fila imensa de homens atrás de mim, afinal, tudo que é exótico atrai. Preste atenção, eu diria ao recente admirador, sou uma mulher que fez uma cirurgia, implantou um pênis, mas quero continuar como mulher, não fiz o implante para usar o membro como homem. Ele arregalaria os olhos. Isso mesmo, eu asseguraria, acredite se quiser. Mas eu teria de recorrer à minha nova amiga para saber os truques.

Ensine-me, por favor, como faço para usar um vestido tão curto, com calcinha tão pequena?

Ela me daria uma aula, aconselhar-me-ia.

E à praia, como se faz?, eu gostaria de saber.

Não há mistério algum, arranja-se da mesma forma de quando se usa o vestidinho. Tem mais uma coisa adorável, ela a me ensinar, com o pênis temos mais ardor sexual, o gozo é intenso. Você não sabe o que é uma ejaculação? Sempre recebeu a ejaculação dentro de você, mas agora é você quem vai ejacular!

Eu, doidinha para arranjar alguém, querendo que me faça ejacular. Será que depois do gozo eu correria, morta de vergonha? Há homens que quando gozam perdem todo o prazer, ficam de cara fechada, demoram dias para se recuperar. Não, não quero mais o pênis, prefiro viver no meu constante estado de gozo sendo mesmo uma mulher.

Calma, disse a amiga travesti, tudo depende de treino, quando se tem o sexo para fora, o fogo é maior; e basta um pouco de controle, você vai viver a mil, muito mais do que uma mulher. Travesti é homem e mulher ao mesmo tempo, logo tem o desejo sexual em dobro.

Adorei. Mas tenho outro problema, pensei sem dizer a ela, adoro andar nua, com o pênis não vou poder, um travesti nu por inteiro é impossível.

Ela pareceu adivinhar meu pensamento:

Calma, você é muito precipitada, tudo a seu tempo, dá pra ficar nua por inteiro sim, e é uma gracinha!

segunda-feira, abril 09, 2018

Historieta

Você pode me fazer um favor?

Ela me chamou e contou, com muita discrição, uma historieta curiosa. Depois fez o tal pedido.

Você está tão bonita com essa roupa, e a saia curta cai super bem, eu disse.

Obrigada pelo elogio, mas roupa curta pra mim pode se tornar um problema. Você é mulher, eu, bem, pareço mulher, mas..., interrompeu e fez um gesto vago com os braços.

Entendo, e os homens ficam loucos por você, e querem que faça o impossível.

Isso, o impossível. Às vezes até consigo, mas tudo tem limite.

Entendo, pisquei um dos olhos.

Mas esse último veio com a tal história da excitação. Falei que não precisava, que já tenho tesão até demais. Mas o homem não escutou, quis passar o creme, insistiu, acrescentou que tinha efeito de adesivo, me ajudaria. Acabei concordando, mas não sabia que o resultado seria tão trágico. Agora não há o que fazer, a não ser que você...

Ela não continuou, olhou como se enxergasse por baixo do meu vestido.

Mas nunca andei sem, entende?, cheguei a dizer, não sei se consigo.

Sempre há a primeira vez, e para uma mulher não é difícil, agora pense quanto a mim.

Por que você não veio vestida com uma, ou trouxe outra de reserva na bolsa?

E eles deixam? São loucos para saber que estou sem. E sobre trazer uma de reserva, confesso que às vezes trago, mas veja o tamanho da minha bolsa hoje, tão pequena...

Entendo, suspirei. Não há nenhum conhecido seu neste coquetel?

Não. E estou por um triz. Olha que consigo sair sem, consigo andar sem, mas o creme acabou me deixando sem chances.  Conto apenas com você.

Gostei do apenas. Mas escute, você consegue sair sem?

Consigo, há um jeitinho de segurar, mas o creme...

Ele passou o creme aqui, no coquetel?, interrompi.

Não, namoramos no estacionamento antes de entrarmos, uns quinze minutos. Sempre nos agarramos dentro do automóvel.

E onde está o namorado agora?

Conversando com o proprietário do empreendimento, negócios.

Ele sabe sobre você?

Não, nada falo, morro de vergonha.

Tudo bem, compreendo. Quero, porém, contar antes uma história, permite?

Claro, mas seja breve, por favor.

Certa vez, na praia, apareceu uma amiga enrolada numa toalha. Aproximou-se e me pediu o biquíni. O biquíni?, surpreendi-me. Estava sem nada por baixo e queria entrar no mar. Por quê, sem o biquíni?, perguntei. Brincadeira do namorado. E onde ele agora? Por aí, respondeu. Mas não posso ficar nua, acrescentei. Não, fico eu nua, tiro a toalha e te dou, você tira o biquíni e me empresta, é rapidinho, eu pago a você. Paga?, cheguei a repetir. Pago. Não precisa, não quero dinheiro, mas quero saber como você vai ficar nua enquanto me dá a toalha. Isso não é problema, falou, você vai me emprestar? Achei a situação engraçada, queria ver se ela tinha  coragem de ficar nua. Sim, respondi decidida. A seguir, ela ficou mesmo nua, uma porção de gente na praia, me deu a toalha e sentou na minha cadeira de praia. Enrolei-me no tecido e ainda fiz uma cena, demorei, não sabia como tirar o biquíni. Agache aqui, ela pediu. Agachei e ela tirou meu biquíni em um segundo. Vestiu-o e foi ao mergulho. Achei que não voltaria. Mas voltou e fizemos a troca. Tirou o biquíni primeiro e eu o vesti por baixo da toalha. Acho que ninguém a viu nua, em nenhuma das duas vezes. Se viu, não teve tempo de processar. Agora, acho que é quase a mesma situação.

É pior, vou mostrar, olhe, não tenho mais como segurar. O creme não sai de jeito nenhum. No começo até serviu de aderente, mas depois virou água, ou melhor, margarina, e não adianta passar papel, minhas coxas estão escorregadias.

Entramos no banheiro, levantei o vestido, tirei a calcinha e entreguei-lhe. Ela vestiu. Beijou-me, então, agradecida.

quinta-feira, maio 04, 2017

Eu, enfim, cedia

Mas se eu enfim cedia... Talvez fosse porque ninguém me conhecia naquela cidade. Quando as pessoas não sabem quem somos, ou quando estamos num lugar onde jamais estivemos e somos desconhecidas, tornamo-nos mais corajosas. Foi o que aconteceu naquela madrugada.

A cidade era Flores, um lugarejo à beira mar, e a proposta dele era tentadora, ou melhor, sugeria algo que testava minha coragem. Acho que tudo começou porque ele me viu andando pelo pequeno centro da cidade apenas de biquíni. Sempre entendi como normal uma mulher passear de biquíni quando está próxima à praia. Naquele local ainda não era propriamente a praia, faltava uma ou duas ruas, porém o cheiro do mar era tentador. Saí da casa onde estava hospedada, de biquíni e uma pequena bolsa a tiracolo. Num primeiro momento não dei conta se alguém me reparava. Havia algumas meninas brincando, também vestiam trajes de banho, e como sorriam. Sorri de volta. As meninas tinham os cabelos loiros e pareciam francesas. Segui na direção do mar. Parei numa das esquinas onde havia um quiosque, pedi dois maços de cigarros. Comecei achar que fizera a escolha certa ao permanecer alguns dias naquela cidade. Ao chegar à praia vi outras pessoas sentadas na areia, umas sobre espreguiçadeiras, outras sobre um pano estendido em cima da própria areia. E havia outras crianças. Escolhi um lugar em meio às pessoas. Um rapaz veio me oferecer uma espreguiçadeira e um guarda sol, de aluguel. Não recusei. Após sentar e apoiar minhas bolsas sobre o tecido que eu tirara da bolsa, comecei a ler uma revista. Mas a presença do mar era mais forte. Ele me tirou da página que eu tentava ler. Fiquei observando como estavam serenas as águas da praia, ao longe alguns barcos pareciam ancorados. Após olhar toda a extensão de areia, de reparar o barulho de domingo, ou de um dia de férias, voltei à leitura. O homem que apareceu para conversar chegou duas horas depois. Eu já havia entrado na água e tomara cuidado para não molhar os cabelos. Ele sorriu, ficou próximo e não demorou a vir perguntar-me se eu era turista ou se mudara para cidade. Sorri, tentando ser simpática. Disse que estava de férias, mas que não demoraria na cidade. Ele retrucou dizendo que era uma pena, o lugar era tão bom, que ficar menos de duas semanas seria uma perda. Achei engraçada a palavra perda, não tenho o costume de definir perda da mesma forma que ele. Mas sorri ainda, compassiva com o que ele dizia. Na verdade, eu não queria companhia, mas o homem ficou ao meu lado, em pé, a elogiar o local. Pensei que pudesse ser um comerciante que logo ofereceria o seu produto. No entanto, tratava-se de alguém que não está acostumado a encontrar mulheres sozinhas, um tipo de machismo muito comum nas muitas cidade do nosso país. Depois de algum tempo, peguei a revista e deixei de dar atenção a ele, voltei à leitura. Minha ação foi eficiente. Despediu-se e se retirou, antes disse que se precisasse de alguma coisa era só procurá-lo, pois todos o conheciam na cidade, chamava-se Éden. Continuei no mesmo lugar, lia a revista e sentia no corpo o sol e o cheiro do mar, a cidade possuía um frisson que excitava, difícil de traduzir em palavras. Fui à agua várias vezes, mas sempre com cuidado para não molhar os cabelos. Em uma dessas idas, reparei um rapaz, que também me olhou e sorriu, chegou a piscar um dos olhos. Tive vontade de conversar com ele, porém, não se aproximou. Às cinco horas, voltei para a pousada.

Fiquei no quarto até nove da noite. O banho de mar me deixara mole e sonolenta. Mas não podia ficar sem comer até o dia seguinte. Saí às dez e logo descobri, no pequeno centro, uma rua estreita onde se enfileiravam muitos bares, todos cheios, com pessoas jovens em sua maioria, bebiam e conversavam animadamente. O que me chamou a atenção foi que estavam todos muito bem vestidos. Encontrei uma mesa lateral em um dos bares e pedi ao garçom o cardápio. Havia vários pratos quentes e frios. Optei por uma salada e uma taça de vinho branco. O bar requintado da cidade interiorana era bem abastecido, tinha até mesmo muitas bebidas importadas. Antes da salada, serviram-me uma espécie de entrada, um prato quase ornamental, uma grande folha de alface espetada, e duas fatias de presunto, que vinham enroladas em si mesmas. Ao fim de trinta minutos, veio o prato pedido. Nesse meio tempo eu já observara às pessoas ao redor e reparara uma jovem que não cessava de olhar para mim. Achei estranho seu olhar. Num momento de distração, enquanto repousava o garfo e tomava um gole da taça de vinho branco, reparei que se encontrava ao meu lado, sempre sorridente, com ar indagativo. Perguntou se eu não me aborrecia estar sozinha. Respondi que não, estava acostumada a viajar e já me habituara. Perguntou ainda se podia ficar um pouco à minha mesa. Sim, respondi movimentando os ombros, como se aquilo não me aborrecesse.

É a primeira vez que você vem a Flores?, ela quis saber.

Sim, falei enquanto levava a taça aos lábios.

De repente ela perguntou:

Você reparou como os homens dessa cidade são engraçados?, disse isso enquanto sinalizava ao garçom para se aproximar. Sorrindo, pediu a ele um coquetel, não entendi o nome.

Os homens daqui são terríveis, viu? Terríveis e engraçados.

Engraçados, como?, demonstrei surpresa.

Ah, engraçados; chegam a estar pertinhos da gente, perguntam alguma coisa e depois desaparecem.

Desaparecem?, repeti.

Isso mesmo, repetiu, se a gente fica com vontade de sair com algum deles, fica apenas na vontade, porque não se sabe mais onde estão.

Agora me lembro, recuperei o que me acontecera na praia, um homem se aproximou e veio conversar, disse que todos o conhecem na cidade, que se precisasse de alguma coisa era só procurar por ele, seu nome é Éden, depois surgiu um rapaz que piscou o olho e não se aproximou.

São assim, sei quem é o que foi até você e se ofereceu para qualquer necessidade, fala assim com todas as mulheres.

E vocês, eu queria saber, não namoram ninguém, não casam nesta cidade?, fiz cara de curiosa.

Ela deu uma gargalhada. O garçom se aproximava com uma bebida de cor vermelha, colocou a taça, muito bonita, diante dela.

Ah, ela mostrou-se surpresa, não me apresentei, meu nome é Gorete.

E o meu é Sandra, retruquei. Onde estão suas amigas?, olhei para mesa onde ela estava momentos antes e reparei que se encontrava vazia.

Ah, foi sobre isso que falei a você, querem testar os homens da cidade, falei que não valia a pena, mas mesmo assim elas não me deram muita bola.

Elas não residem aqui?

Não, em Estância, fica a trinta quilômetros do litoral. Sempre vêm à cidade nos dias de folga, adoram este centro e dizem que aqui é mais fácil de paquerar.

Paquerar?, repeti e sorri.

Gorete começou a contar sobre uma de suas amigas, que namorara um rapaz na cidade. Saía com ele todas as noites, mas dizia estar cansada de fazer as mesmas coisas. O rapaz, para não perder a namorada, começou a criar fantasias, assim ela se distrairia e não ficaria reclamando. Passaram a representar papais diferentes, como não se conhecessem e se encontrassem de repente ao acaso, viviam várias situações, até mesmo algumas em que a mulher simulava estar em apuros.

Como, em apuros?, quis que ela me explicasse melhor.

Acho que faziam de conta que ela precisava de ajuda, como se estivesse afogando na praia, ou perdida na estrada. Numa dessas brincadeiras ela me falou que ficou esperando por ele totalmente nua, sorriu ao pronunciar a última palavra, e levou aos lábios o coquetel.

Ao vê-la tomar um gole, lembrei-me de dizer que a atmosfera da cidade me causava certo frisson.

Frisson?

Gorete achou a palavra interessante.

Então, falta frisson aos homens dessa cidade, acrescentou.

Mas sua amiga arranjou um homem que provoca arrepios, não?, acrescentei.

Ele é uma exceção. Já até tentei sair com ele, mas o homem não quis.

Jura?

Juro, meneou a cabeça positivamente. A cidade é muito pequena, ele falou, logo alguém vai nos ver juntos. E o que tem isso de mais?, perguntei a ele. Gosto muito da Anita, encerrou ele a conversa.

Não tenho atualmente necessidade de homens, não hesitei em falar. Eles, na maioria das vezes, aborrecem muito.

Você tem razão, mas a gente nunca segue o pensamento lógico, é a tal da paixão a nos complicar, ou o corpo a respirar, franziu a testa e sorriu. Sua expressão revelou mais charme do que eu antes pudera perceber.

Uma mulher chamou por Gorete, estava à beira da rua, fez sinal para que ela viesse até a borda do bar. Gorete atendeu ao chamado. A mulher cochichou algo no seu ouvido. Gorete sorriu, devolveu algumas palavras, deu um breve adeus e voltou à mesa.

Uma maluquete amiga minha, e deu uma sonora gargalhada.

Suas amigas são interessantes, atalhei.

Nem sempre, às vezes são engraçadas.

O que há de cômico nessa?

Acho que você não vai gostar de saber.

Por quê?

Porque você parece uma pessoa recatada, ela falou.

Como você sabe?

Veja, você ficou na praia a tarde inteira e não namorou ninguém, usa um biquíni até certo ponto conservador, não veio para este bar com a intenção de azarar, gostar de sentir a atmosfera de frisson que emana da cidade...

E o que há isso com o fato de sua amiga ser cômica.

É outra que vive a mil com o namorado, veio dizer que vai com ele a uma boate.

Que legal, não sabia de boates por aqui.

O problema não é esse, acrescentou, você reparou, ela já está quase nua e disse que só volta de manhã. Outro dia veio com a história de que o namorado gosta de lhe roubar a calcinha, toda vez que sai com ele volta sem. Hoje veio me dizer que ele não vai poder roubá-la, adivinhe por quê?

Ela veio sem.

Isso mesmo, você é inteligente. Ao terminar de falar, Gorete sorriu e me convidou para uma surpresa.

Se é uma festa não quero, afirmei, não gosto de multidão.

Nada de festa, vai ser uma experiência nova para você, garanto, e é um segredo nessa região. Vamos comigo, trata-se de algo ligado à natureza.

Você me espera beber mais uma taça de vinho?, impus como condição.

Ok, ela atendeu.

Enquanto esperei pela nova taça, acrescentei:

Na minha cidade já tive um namorado como este de sua amiga. Ele gostava de me levar nua dentro do carro, acredita?

Sério? Na cidade grande também acontece isso?

Os homens são os mesmos em qualquer lugar. Ele vestia terno, todo bem arrumado, ia me pegar quando eu saída de uma academia de ginástica. Eu vinha com aquela malha grudada ao corpo. Ele pedia que eu a tirasse dentro do carro, guardava toda a minha roupa dentro de uma valise e me levava nua ao seu lado. Era uma coisa de arrepiar.

E você acabou gostando?

Não é que acabei gostando, era o susto, sei lá, às vezes até era bom, mas o namoro não deu certo, não era isso que eu queria.

O garçom chegou coma a nova taça de vinho, e a amiga de Gorete surgiu novamente na borda do bar e a chamou. Gorete pediu licença. Enquanto tomava o vinho, ela deixou a amiga durante alguns instantes e foi ao toalete. Depois voltou, aproximou-se dela e lhe disse alguma coisa, os braços de ambas se cruzaram. Tomei mais um gole do vinho e Gorete voltou à mesa. Sua amiga desaparecera.

Deixamos o bar e a rua plena de gente. Caminhamos duas quadras e entramos no carro de Gorete. Ela guiou durante uns trinta minutos, afastando-se sempre da zona urbana. Antes da rodovia estadual, entrou num atalho, dirigiu durante mais dois quilômetros e parou o carro. Descemos. Havia várias árvores e estava escuro.

Não tenha medo, ela disse, venha comigo.

Ela andava como se já frequentasse o local havia tempo, caminhava rápida entre as árvores, vencia obstáculos e segurava minhas mãos quando me reparava temerosa. Chegamos, enfim, a um lago.

A água é quente, você vai gostar.

Caminhou até a beira, tirou a sandália e molhou os pés.

Venha ver, é muito gostosa, em cada lugar a temperatura é outra.

Não queria me molhar, falei.

Não se incomode, você nunca sentiu um prazer tão grande, falou e, radiante, deu-me as costas e tirou o vestido. Gorete estava sem calcinha.

Venha, não tema.

Não queria desagradá-la, mas confesso que comecei a ficar preocupada, pois a conhecera fazia pouco tempo, não sabia de quem se tratava e a mulher me convidava para ficar nua à meia-noite.

Não tema, venha.

Comecei a me despir, mas fiquei preocupada onde deixaria minhas roupas.

Não se preocupe, acrescentou adivinhando meus pensamentos, ninguém vem aqui.

Entramos então na água. Ela segurou uma das minhas mãos.

Gorete tinha razão. Em cada lugar que parávamos havia um tipo de temperatura.

Este lago mexe com a gente, ela fechou os olhos e demonstrou que sentia um tipo diferente de prazer. A gente até goza, nem precisa de concentração.

Apesar dos meus temores, tentei imitá-la na busca pelo prazer. E qual foi minha surpresa ao me ver arrepiada, começava a sentir um gozo como jamais sentira. Fui ficando cada vez mais excitada, meu coração chegou a se agitar.

Ainda bem que não sofro do coração, deixei escapar.

Ela sorriu. Ninguém morre de prazer, sentenciou. Ficamos as duas numa espécie de gozo que se prolongava, que se repetia, que nos arrebatava. Ele chegou a dizer:

Sinta apenas, não precisa olhar, chega-se a sentir um pênis a nos penetrar.

Não mais queríamos deixar o lago.

Parece um feitiço, cheguei a dizer, mas um feitiço positivo.

Um feitiço, uma magia, a magia do prazer, e ela gritou como se gozasse intensamente, um orgasmo profundo, quase definitivo. Não me contive, imitei-a no grito, um ardor prolongado.

Exaustas e ainda nuas deixamo-nos cair um pouco acima de uma das vertentes, ficamos de mãos dadas, tocando-nos com a lateral do nossos corpos.

Aqui ficam todas as angústias, falou depois de um longo tempo.

E não precisamos dos homens, acrescentei, o que é muito importante.

Quando começamos a voltar ao carro foi que nos preocupamos em descobrir onde tínhamos deixado nossas roupas.

Cheguei à casa onde estava hospeda ao amanhecer. Naquele dia dormi até às duas da tarde.

Depois do almoço, fui à praia. Deitada sob o sol e olhando uma paisagem surpreendente, comecei a pensar sobre o prazer que sentira na noite anterior. Não passou muito tempo para que se aproximasse e se agachasse junto a mim o homem do dia anterior. Perguntou se eu precisava de alguma coisa. Respondi que o mais interessante naquele lugar era a tranquilidade. Minha resposta tinha a intenção de afastá-lo. Mas não foi assim que ele entendeu;.

Este local é realmente um paraíso. Tenho um amigo que pertence a uma igreja que quer construir o paraíso na terra, disse a ele para vir aqui, o paraíso já existe, terminou sua sentença com um enorme sorriso. Depois me perguntou se eu mergulharia, pois, continuou, não era bom arriscar-se a uma insolação.

Ri de sua última palavra, e ele entendeu o meu gesto como sinal de simpatia. Caso eu entrasse no mar, estava pronto a me acompanhar, embora afirmasse que a praia, apesar de mar aberto, tinha as águas calmas. Permaneceu ainda ao meu lado por um tempo que me pareceu enorme. Não tinha mais o que falar. Eu também me mantive silenciosa.

Quando o sol atingiu aquele ponto limite sobre meu corpo, o estágio que aponta tênue divisa entre moderação e excesso, levantei-me, sorri ainda uma vez ao homem e caminhei para a beira d’água. O contraste entre a temperatura do meu corpo e a da água do mar provocou-me certo prazer. Mergulhei. Depois de dois ou três segundos voltei à tona. A água escorria pelos meus cabelos e borrifei através dos lábios um pouco da água salgada que sempre ouso experimentar enquanto mergulho. O sal sempre estimulou todos os meu sentidos. Dei as costas para a praia, pretendia admirar o horizonte. Mas o que descobri em primeiro plano foi o homem que me espionava na areia. Viera atrás de mim, também mergulhara e nadara, submerso, mais longe. Sorria, pouco a pouco aproximou-se. Notou que não me agradava, mergulhou de novo, deixando-me sozinha. Naquela tarde não mais o vi. Então, pude praticar algo que sempre me deu prazer, desde menina, sei que é uma bobagem, mas para mim tem significado. Tirei a parte de baixo do biquíni e o prendi no tornozelo, como se faz com uma pulseira em volta de um dos braços. Nadei apenas de top, de um lado a outro, sentindo o prazer da água fria entre minhas pernas. Pensei no homem que me espionara. Será que estaria por perto. Acho que gostaria de me encontrar nua, de poder tocar a minha pele, de me namoricar um instantinho que fosse. Achei até que poderia estar escondido, quem sabe submerso, e conseguisse descobrir minha nudez. Mas isto não aconteceu. Às cinco da tarde, voltei à pousada.

À noite, depois das nove e meia, encontrei Gorete de novo. Ficamos durante algum tempo no mesmo bar da noite anterior. Ela pediu sua bebida rubra, enquanto eu optei pelo mesmo vinho. Aqui, os donos de bar tem bom gosto, as bebidas são esmeradas, elogiei.

Gorete sorriu. Sua amiga, a mesma que a chamou da borda do bar na noite anterior, aproximou-se. Beijou-lhe ambas as faces. Gorete apontou para mim, a moça sorriu e acenou. Ao voltar, segurou seu copo, tomou um gole e falou:

Ela achou seu vestido lindo, disse que adora vestidos que vão até os pés.

Achei que ela preferisse sempre os de pouco comprimento.

Nada disso, o negócio dela é mais embaixo.

Ambas rimos.

Passava de uma hora quando saímos juntas do bar. Vamos andar de carro, sugeriu minha amiga. Ela se pôs ao volante, ligou o carro e deu a partida. Costeamos a praia, e entramos por uma pequena estrada que subia um morro. Na parte mais alta era possível ver o outro lado da enseada.

Bonito daqui, falei.

É muito bonito.

Será que o prazer vai ser o mesmo de ontem?, eu comecei a sentir o frisson que a noite emanava.

Acho que maior, ela sorriu depois da resposta.

Gorete dirigiu descendo a vertente oposta da montanha. Não havia ninguém, apenas nós deslizávamos estrada a baixo. Ao chegarmos à praia, ela desligou o motor, abriu a porta e saímos direto para a areia da praia.

A água aqui é quente, como a do lago, embora o mar seja aberto.

Tirei as sandálias, segurei-as com uma das mãos e caminhei até a beira. Verdade, a água estava quente.

Gorete aproximou-se e segurou-me pela cintura, levantou o meu vestido.

Não precisa fazer isso, eu mesma tiro.

Fiquei nua. Gorete abraçou-me. Ao apertar-me num abraço estreito, senti algo rijo onde deveria ser o sexo de uma mulher. Ela também tirou a roupa. Gorete tinha um pênis. Como eu não notara da vez em que estivéramos no lago? Ah, o prazer foi tanto..., pensei

Não se assuste, só se você quiser, falou, sem conseguir escondê-lo, sem conseguir evitar que crescesse ainda mais.

Olhei um tanto estupefata, mas me recuperei a tempo. Pensei muito, num curto espaço de tempo.

Já sei, dei uma sonora gargalhada, é você que rouba as calcinhas das moças da cidade.

Só as calcinhas? Já levei comigo tantos vestidos, elas adoram andar nuas, e adoram trepar comigo.

Sou como elas, eu enfim cedia, por aqui ninguém me conhece, faça a seu bel prazer, aja como se eu fosse uma delas. Corri e mergulhei no mar noturno. Gorete seguiu-me.