quarta-feira, julho 27, 2022

Marcinha, meu amor

Outro dia ele veio com uma daquelas brincadeiras, foi logo dizendo: “você dá pra todo mundo”.  “Dou sim”, respondi “quando gosto do homem, vou com ele e ninguém tem nada com isso. Vivo cheia de tesão, me sinto bem assim. Não sei por que você fala desse jeito comigo, já sabe como sou. Se quer minha companhia, tem de ser assim. Caso contrário, é melhor procurar outra mulher. Você diz que fiz quarenta anos e continuo gostosa como sempre, então aproveite, mas não me queira exclusiva, não posso viver assim.”

Ele partiu, mas não demorou a telefonar de volta. Aceitei a conversa, falamos de amenidades. Não lhe conto minhas aventuras, mas ele acaba descobrindo, gosta de me investigar. Não ligo, não posso ter domínio sobre isso.

Num domingo de outono, saí com ele para o café da manhã. O desjejum numa cafeteria ótima, em Copacabana. Depois, andamos pela praia. Eu havia ido de bermuda de lycra, com o biquíni por baixo. Caminhamos e caminhamos. Ao chegarmos ao Leme, tive vontade de molhar os pés na água do mar. Fui então até a beira, ele ficou me esperando. Tenho certeza de que desejava me ver de biquíni, mas não me despi. O homem já me viu nua mais de uma vez, já trepou comigo, mas adora me ver de biquininho, tem vontade de desfazer os meus lacinhos. Não foi naquele dia que eu lhe proporcionei tal prazer. Houve uma vez, eu estava com um namorado de ocasião, então meu telefone tocou. Fui atender, era esse que gosta de me convidar para o café da manhã. Não disse que estava com outro, não lhe queria tirar a ilusão. Apenas acrescentei que estava ocupada, uns problemas de família, telefonaria depois. Telefonei? Esqueci. 

Mas no domingo do desjejum e da molhada de pé à beira d’água, ainda andamos mais um pouco. Ele quis me fazer uma foto. Não lhe tirei o prazer, apareci com um sorrisinho de deboche e com o bumbum de lateral. Você esquece a calcinha depois que acaba de trepar?, sei que ele me gostaria de perguntar. Já esqueci o vestido, responderia. Como você fez? Não vou contar, ele vai morrer de curiosidade. Foi um caso muito particular, digo apenas. Deixo o homem apenas na vontade.

Andamos mais um pouquinho, a praia tão praia, o sol morninho. Deu onze da manhã. Daqui a pouco alguém te telefona convidando a uma feijoada. Se for mais tarde, aceito. Depois de vinte minutos, nos despedimos, ele foi embora. Eu disse que tinha de voltar para casa, mas não era verdade. Tirei a tal bermuda de lycra e a camiseta, fui de biquininho para dentro d’água. Você toma conta pra mim?, pedi a alguém. Sempre o risco de acabar pelada!

À tarde, não é que aconteceu? A feijoada. Apareceu um homem bonito, um negão. Posso dizer assim, porque também sou negra. “Minha joia, vamos a um almoço”, convidou. Eram duas da tarde, um conhecido de vista, de perto da casa de minha mãe.

Aceitei. Que delícia. Tanta caipirinha, tanto feijão. Me lembro que depois de comer bastante, bastante mesmo, de tanto beber, de ver tanta gente, o negão ainda me levou pra casa. Entrou e ficou um pouquinho.

No dia seguinte, segunda-feira, acordei atrasada. Ainda bem que a patroa é compreensiva. Mas onde meu biquininho de ontem? O tal negão, a sobremesa. Márcia, a sobremesa. Não o biquíni, é claro. “Marcinha, meu amor”.

quarta-feira, julho 20, 2022

Concurso

Meu amigo tem umas fantasias muito engraçadas. Ou seriam extravagantes? Me contou que gosta de três mulheres muito bonitas, que sempre estão a lhe sorrir. Sai com cada uma delas, mas ainda não chegou ao principal. Quando convida uma, vai a uma cafeteria, comem bolos ou pedaços de torta. Diz ele que as mulheres adoram tortas, quanto mais cremosas, tanto mais mergulham de cabeça. Não é mesmo, me perguntou, esperou que eu respondesse. Não dei o braço, o assunto não era meu. Uma de suas namoradas é negra, come tudo que vê. Cuidado para não te comer, cheguei a dizer. Até que não seria mal, respondeu a meio sorriso, tanto que não me tire um pedaço. Ah, as fantasias, já ia me esquecendo. Ele deseja convidá-las à sua casa, as três juntas, e quer que fiquem nuas, uma ao lado da outra, de mãos dadas. Quero lhes apreciar a beleza, chegou a dizer. Gostei do dito: lhes apreciar a beleza. Você acha que elas vão se prestar a isso, as três? Elas nem sabem uma da outra, vão aceitar as concorrentes e ainda vão posar nuas? Olhe que posam, respondeu. Contou uma história comprida, de uma namorada, numa tal cidade do norte do estado. A mulher aceitava sair nua por aí, à noite, ao lado dele. Certa vez aceitou mesmo descer pelada do carro numa rodovia, enquanto ele partia para dar uma voltinha, tanto que voltasse quinze minutos depois para buscá-la. A história me arrepiou. Que perigo a mulher correu!, afirmei. Ela encarava como um desafio. E por isso você acha que as três namoradas vão aceitar tirar a roupa na tua frente e entrelaçarem as mãos, amigavelmente. Depende de como eu encaminhe a situação. Meu amigo foi embora, fiquei um tempo grande sem encontrá-lo. Quando aconteceu, ele contou o final da história. Conseguiu até mesmo fazer uma foto das três, mas não nuas, vestidas com a melhor roupa que cada uma tinha. Me contou que, ao ver que elas não aceitariam, inventou que haveria um concurso, dinheiro alto, chegou mesmo a fazer o arquivo digital com um logotipo e com o valor do prêmio. Contou a elas, tinham que ser três, juntas, de mãos dadas. E fez a foto. Trouxe para me mostrar. Assim é fácil, acho que até eu, que te conheço, caía nessa história. Sério mesmo?, quis saber, claro que sim, um prêmio, duas mulheres bonitas, você poderia ter dado uma festa, convidado muita gente e feito uma foto com elas. Só não contei o concurso da Vogue, porque achei que nenhuma delas tem o corpo para isso, afirmou com ar de resignação. Concurso da Vogue?, eu quis saber. Sim, de uma revista francesa, eles fazem todo ano, em cada país, mas tem de ser de biquíni, duas poses, não achei as tais mulheres com talento para a Vogue. Quando eles pagam? perguntei. Não sei bem, é um valor alto, depois envio por e-mail para você. Neste dia, estávamos numa cafeteria recém-inaugurada, no Leblon. Ele tirou da bolsa um livro, disse que era um presente, achara a história muito interessante, eu iria gostar. Levei o livro depois de nos despedirmos, li-o em dois ou três dias. A história era realmente interessante. Na semana seguinte, ele me enviou o arquivo com a publicidade do concurso. O prêmio era uma viagem à França. O concurso era muito sedutor, fiquei com uma vontade enorme de participar. Hum, mas seria verdade o tal concurso?, vai ver invenção dele. Procurei na internet a tal Vogue, com a publicidade. Encontrei. Verdade. Dias depois, liguei a ele, disse que soubera do concurso por outras vias, era interessante. Mas não é para uma mulher sofisticada como você, ele disse. Sofisticada?, como assim? Você é uma escritora, cheia de ideias, intelectual, não vai posar de biquíni por aí. Não é por aí, é para a Vogue, e o prêmio é uma viagem à França. Ele acabou vindo aqui em casa, trouxe a câmera, vesti três biquínis diferentes, fiz as poses. E agora? Até hoje não sei o resultado. Escrevi para a Vogue. Me responderam, com toda a educação. Concurso?, que concurso?

quarta-feira, julho 13, 2022

Calcinha debaixo da mesa

Posso tirar a blusa?, perguntei depois de me sentar num estofado de dois lugares, no apartamento do novo namorado. Chegáramos havia pouco. Apesar da noite recente, fazia muito calor, acho que era dezembro.

Fique à vontade, ele respondeu.

Não tirei apenas a blusa, mas também o top. Os peitos de fora, nada de acanhamento, o que se espelhava na minha face era muita naturalidade. Veio-me à mente uma amiga que dizia ficar nua, mas tinha que ter pelo menos um top: ao contrário, sentia-se constrangida. Como você pode estar nua se está de top?, perguntei certa vez. Ah, é o modo de dizer, ela retrucou. Eu não agia por malícia, sentia mesmo muito calor, calor de verão. Estávamos ali porque passeáramos durante toda a tarde, quando andamos em busca de árvores e flores. A caminhada fora longa, nosso objetivo alcançado. Podia dormir nua por inteiro, mas caso ele quisesse namorar, teria de esperar pela minha revitalização. Repouso e água gelada faziam parte do meu cardápio.

Eu ainda não trepara com ele, nem me vira nua.

Como você pode ser tão dada?, alguém perguntaria. Não sou dada, aliás, não gosto da expressão. Ser alguém dada, pode ter significado duvidoso, quem sabe uma mulher que dá para todos os homens que conhece. Sou espontânea.

Meu amigo me trouxe um copo com suco de abacaxi. Que delícia, duas pedrinhas de gelo dentro, eu tomando a pequenos goles. Acho que foi o suco que me excitou, jamais ouvi dizer que abacaxi deixa as mulheres mordidas. Enquanto eu bebia, ele me olhava sem mirar meus seios.

Gosto de andar nua, é verdade, o motivo não é apenas o calor, adoro ver um homem admirar meu corpo, principalmente meus seios, fartos e rijos. Mas ele fazia de conta que eu era a mulher mais vestida do mundo. Agora estou na dúvida, não sei se foi a minha atitude ou o suco de abacaxi. Algo começou a me picar.

Sente aqui, pertinho de mim, pedi e levei aos lábios o suco, mais uma vez. Depois, pousei-o sobre a mesa, voltei-me ao namorado e colei meus lábios aos seus. Um longo beijo. Tomei uma das suas mãos e trouxe-a para sobre um dos meus seios. Ele o apertou. Suspirei, abri os olhos sorrateira e o vi de olhos fechados, perdido no longo beijo.

Me dê licença, pedi quando voltamos à posição inicial. Levantei-me, desabotoei a bermuda e a deixei escorregar. Pronto, de calcinha, peitos à mostra. O restante, naquele momento, era com ele.

Lembrei Gisele, que andava de biquíni pela rua principal de uma das cidades litorâneas, a parte de baixo era uma tirinha a toa bem enfiada no cu. Queria conquistar o gerente de uma loja de presentes para o lar.

Voltando ao namorado. Naquele início de noite, não tive tempo de pensar o que o homem achava de mim, o namoro de uma semana, uma jovem em seus braços, mulher fácil, peladinha, despreocupada da calcinha largada debaixo da mesa.

Ah, o cansaço? Nem sei. Acho que o deixei pro outro dia.

terça-feira, julho 05, 2022

Papel laminado

As idas à casa do namorado são plenas de fantasias. Hoje, é difícil mantê-los, tantas são as pretendentes, por isso, tenho de me empenhar, preciso ser criativa. Há amigas que dizem Sônia, você é louca, deixe esse homem de lado, nada melhor do que uma mulher sozinha. Retruco, rápida, como?, o homem me faz gozar como jamais, não posso abandoná-lo.

Vou à casa dele, com minha bolsa e meus truques.

Numa das noites anteriores, no momento em que estava nua em seus braços, pedi que me falasse algo excitante.

"Algo excitante?, como assim?"

"Uma história apimentada."

Estávamos trepando, eu sobre ele, num movimento de sobe e desce, seu pênis deslizando sem obstáculos; eu, doidinha pra gozar. Olhou-me com os olhos semicerrados e disse:

"Você veio pelada encontrar comigo, onde deixou as roupas?"

"Ah, sim, vim pelada" repeti, os olhos fechados, comprimindo-me, sentindo seu enorme sexo dentro de mim. "Não sei, vim de táxi, acho que já saí nua de casa, vim apenas de sandália e de bolsa, trouxe o celular caso houvesse algum problema."

"E o motorista, ele aceitou te trazer nua?"

"Sim, como aceitou! Na verdade, já me conhece, tem um tesão intenso por mim, mas eu disse você pode me olhar, mas não me tocar, um dia desses te recompenso."

Continuava saltando sobre o namorado, cada vez em movimentos mais rápidos.

"O motorista vai querer te comer", disse o namorado.

"O que é isso?, muito vulgar, me comer?"

"Vamos dizer de outro modo, ele vai querer trepar com você", assegurou o namorado.

"O que há de mal nisso, eu deixar o motorista trepar comigo pelo menos uma vez?, eu estava de olhos fechados.

Passaram-se alguns segundos.

"Você pode deixar o tal te ver nua, te esquentar, mas a trepada precisa ser comigo, compreendeu?

Achei engraçada a opinião do namorado. Já tinha escutado sobre isso, casais que tem amigos e amigas para esquentar antes de se encontrarem. E ele falava como um macho.

"Mas se o homem me agarrar?", perguntei e gemi, quase num começo de gozo.

"Ele não pode te agarrar, se isso acontecer você dê parte dele."

"Como vou dar parte?, estava nua, num táxi, os policiais não vão considerar minhas palavras, não é permitido a uma mulher tomar um táxi nua."

Comecei a revirar os olhos.

"Ai, vou gozar, mais rápido, por favor, mais rápido."

A história do táxi, eu nua, o motorista prestes a me agarrar, querendo me comer, eu a me defender, pode me olhar, mas não trepar; os policiais, eu nua, não era apenas o motorista, eram todos querendo me comer.

"Ai, ai, vou gozar, essa história está muito forte, fale mais, fale mais sobre isso", gritei, "ai, ai, quero gritar."

"Cruze as pernas, coloque a bolsa sobre o colo, assim você vai ficar protegida dos olhares", disse o namorado,

"Protegida? Gozei, gozei, que bom, gozei antes de você."

Daquele dia em diante, concluí que tinha de contar histórias.

"Fale  você agora", ele pediu.

"Sabe o que houve, ainda no táxi?", incentivei.

"O quê?"

"Deixei o banco molhadinho, não aguentei, nunca fiquei tão úmida, acho que era a sensação de estar nua pela primeira vez num táxi, vindo a teu encontro."

"Você molhou o banco? Ele não brigou com você?"

"Não viu, o homem não soube."

"Se fosse eu o motorista, iria verificar; se estivesse molhado, ia pedir pra você enxugar. Você não precisaria abrir as pernas para mim, mas enxugar o banco seria muito importante. E não seria com a minha flanela, teria de fazer aparecer uma. Caso você não conseguisse...  Ah, vou gozar, só de imaginar você nua, agachada, procurando um meio de limpar o banco do táxi... Morro de tesão. Estou gozando, pele com pele, vai ficar toda meladinha..."