quarta-feira, abril 04, 2012

Temporários

Quando abri aquele e-mail, exclamei a mim: não é possível! Um arquivo mostrava eu mesma inteiramente nua. Não precisei fazer esforço mental para me lembrar daquelas fotos. Um namorado de ocasião me fotografou quando estive no Rio, e isso já fazia algum tempo. Lá estava eu: de pé; sentada; de costas; com os braços ora sobre o ventre, ora sobre os seios. Em uma delas, eu estava em desalinho. Ele ameaçara me fotografar antes que eu fizesse a pose. Então, atabalhoada, tentei esconder minha nudez, rodopiei sem encontrar abrigo; as mãos soltas, num último esforço, convergem em vão na direção dos seios, fiquei um tanto cômica na foto. Mas, afinal, ao me mostrar ainda quando éramos namorados, acabei achando-a engraçada.

O problema todo surgiu porque abri o arquivo no computador de trabalho e, como se sabe, esse tipo de arquivo permanece gravado temporariamente em algum lugar do disco. Tentei descobrir o caminho que me levaria ao local onde tais arquivos ficam depositados, mas o acesso me foi negado. Restava recorrer ao pessoal da informática. Eu teria, porém, coragem para isso? O que deveria fazer?, pensei comigo. Optei pelo silêncio, ficaria quieta no meu canto. Quem sabe ninguém se desse ao trabalho de olhar arquivos temporários? Mas não se passaram nem três dias e um funcionário da informática veio falar comigo.

“Rita, quero mostrar uma coisa a você”, convidou-me para ir até sua sala. “Olhe o que encontramos?”

Depois de me ver mais uma vez nua, perguntei: “encontramos?”, minha surpresa era o plural.

“É, encontramos. Você sabe que se fosse apenas eu, resolveria, mas há outra pessoa nisso.”

Na verdade eu não confiava nele. A conversa visava me impressionar e permitir que ele, cujo nome era Josias, e o chefe alcançassem seus objetivos.

“Você sabe que isso dá demissão”, silenciou depois da última palavra.

“Basta que você, ou melhor, vocês, não passem adiante.”

“Essas coisas não são tão simples assim. A outra pessoa que está a par das fotos é o chefe da seção”, falou em tom sério, como se ele próprio nada tivesse com isso.

“Falo com ele”, afirmei convicta. “Ele vai compreender e acabará por deletar essas fotos.”

“Não acho que isso será fácil”, afirmou e desviou os olhos a um ponto indefinido, longe da tela do monitor.

“Onde está o Ivo?” Era o chefe da informática, um homem gordo, sempre descomposto, contínuo no ar de deboche.

“Não se encontra no momento.”

“Não? E quando volta?”

“Assim que voltar chamo você,” acabou de falar, virou as costas e se foi

Passaram-se mais ou menos duas horas, recebi uma mensagem do chefe da informática. Devia comparecer à sua sala.

Em resumo: apagaria o arquivo, mas não me sairia barato. Teria de trepar com ele e com Josias, o seu funcionário. O pior de tudo foi seu ar de escárnio e sua grosseria. Eu teria, ainda segundo ele, dois dias para lhe dar a resposta.

Saí furiosa da sala, não mais falei com ninguém naquela tarde e deixei o serviço antes da hora.

O primeiro dia transcorreu sem que eu desse resposta alguma. No segundo, exatamente às quinze para as cinco, faltando poucos minutos para o encerramento do expediente, fui à sala de Ivo.

“Como fazemos?”, tentei ser eu a debochada.

“Ah, a mocinha. Pensou direitinho?”, perguntou sorridente, mas não era sorriso de gente de bem.

“O que você acha?”, falei com o rosto inclinado, como se o achasse um lixo.“Primeiro quero apagar o arquivo, sei como funciona”, afirmei convicta.

“Apagar o arquivo?”, repetiu minhas palavras tentando imitar-me a pronúncia e caiu na gargalhada.

“Mesmo assim não sei se posso confiar em vocês dois, já o devem ter salvado em outro lugar.”

“Oh, a mocinha não confia em nós? Tenho esse aspecto gorducho, escrachado, mas tenho caráter. Meu funcionário também. Aqui na informática, sabemos de coisas que você nem imagina”, falou e me olhou nos olhos. “Caso não confie em nós dois”, nesse momento apontou para Josias, “é melhor pedir demissão”.

“Como vamos fazer?”, perguntei querendo resolver logo a questão.

“A senhorita não vai querer cumprir o trato aqui, não é mesmo?”

“Não sei. Só digo que não tenho muito tempo.”

“Aguarde alguns minutos após o expediente, vamos chamá-la assim que for possível, ok?”, agora, pode nos deixar sozinhos”, fez sinal para que eu saísse, permanecendo na sala ele e o seu funcionário.

Assim que todos saíram após as cinco horas, meu telefone tocou. Era Ivo de novo.

Ao voltar, os dois me esperavam. A primeira palavra que o chefe disse foi: “se quiser que o arquivo seja apagado, vá tirando a roupa. Pelo que entendi, você deixou em nossas mãos a decisão sobre o local.”

“Mas assim...”, deixei escapar.

“Quer que cantemos uma musiquinha para você se despir?”

Virei de costa. Tirei primeiro a blusa; depois, a calça comprida.

“Continue.”

Inteiramente nua, ainda permaneci de costas para eles. Percebi que um deles aproximou-se e recolheu toda a minha roupa. Eu a havia deixado numa poltrona ao lado.

“Vire de frente”, ordenou.

Virei, sempre o olhando de modo enviesado.

Primeiro tive de me agachar e abocanhar o pênis de Ivo. Quando abriu a calça, já estava praticamente enrijecido. O gorducho sentia tesão por mim. Pouco a pouco introduzi todo o seu sexo na minha boca. Passei a friccioná-lo com os lábios, apressadamente, fazendo-o diversas vezes desaparecer. Quando isso acontecia, eu olhava desdenhosa para seu rosto. Ao perceber que ele dava ares de que iria gozar, deslizei meus lábios quase permitindo que aquela ponta de músculo se soltasse da minha boca. Mas, num último instante, mantive-me atada; com a ponta dos lábios prendia-lhe a ponta do pênis.

“A mocinha entende da coisa”, falou através de um suspiro.

Depois agi do mesmo modo com Josias. Mas este tinha o sexo menor e mais estreito, o que me proporcionou mais conforto. Enquanto isso, Ivo nos olhava.

A seguir, foi minha vez de deitar para que novo ritual se realizasse. Novamente, o primeiro a se apresentar foi o chefe. Subiu sobre meu corpo tentando não me esmagar com seu peso de brutamontes; depois veio Josias, bem mais delicado.

No final de tudo aquilo, Ivo, sempre insaciável, ruminou:

“Acho que vamos deixar você em casa, mas peladinha.”

“Vocês querem namorar comigo, não é mesmo?”, acabei sugerindo e sorrindo.

“Acho que ela gostou da gente”, o chefe falou e olhou para o funcionário. “Sabe”, continuou, “não é má a ideia de namorar você”, concluiu.

“Vocês são tão ágeis”, ironizei sobre a trepada que deram, “será que são capazes de uma segunda vez?”

“Ouviu isso, Josias? Ela está querendo mais.”

“Estou mesmo, já que vocês me excitaram...”

Fiz que o chefe continuasse despido. Sentei-o numa das cadeiras, abri as pernas e montei sobre seu pênis. Rapidamente fiz que escorregasse para dentro de mim. Comecei então a me mexer, meus olhos sempre revirados e desdenhosos.

Depois que acabamos essa segunda rodada, Ivo me chamou ao computador.

“Venha cá, vou mostrar como isso funciona. Está vendo suas fotos aqui na tela? Veja onde estão arquivadas. Há dois arquivos, o temporário e mais outro, onde as guardamos. Delete você mesma.”

“O que garante que vocês não as copiaram e as guardaram em um disco externo?”

“Você não falou que queremos namorar você? Não vamos fazer uma coisa dessas com nossa namorada.”

Deletei os arquivos. Depois sentei numa das cadeiras, cruzei as pernas e olhei para eles.

Ivo acendeu um cigarro e me ofereceu: “depois do expediente não é proibido, fume.”

“Então, vamos?”, falou quando acabamos.”O expediente está encerrado”, decretou.

Levantei e os segui, ainda nua, fazendo-me de esquecida. Quando íamos quase saindo do escritório, ele, o chefe, sentenciou: “se não fosse pegar para nós três, até que seria bom ter você nua passeando com a gente, ia fazer o maior sucesso.”

“Se vocês me querem nua, quem sabe no carro?”, insinuei e sorri mais uma vez dissimudada.

Naquele momento ele não debochou, percebeu que me poderia ter por mais vezes.

“Você gostou da gente, não?”

“Gostei”, afirmei com convicção. “Nunca pensei em ter dois namorados, sair com os dois, trepar com os dois, e ter sempre os dois aos meus pés.”

Eles riram.

A partir daquele dia, tornei-me namorada de ambos. Passaram-se alguns meses prestei concurso público e pedi demissão da empresa. Ainda assim saímos mais algumas vezes. Depois, no entanto, fui transferida de cidade. Foi aí que desapareci, sem dizer nada a eles.

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