terça-feira, junho 18, 2019

No banco do carona

Adoro andar com os seios à mostra, principalmente quando estou sozinha em casa. Outro dia me lembrei de um acontecimento engraçado. Certa vez apareci na janela e um homem estava no portão, eu era a nua, mas foi ele quem ficou envergonhado. Coloquei uma camiseta e fui ver o que era. Uma encomenda. Agradeci, assinei o recibo e me despedi. Voltei para dentro de casa e retirei a camiseta. Cidade de interior é fogo, não há muito o que fazer, daí a gente procura prazer nas pequenas coisas, como andar nua dentro de casa! Por falar em interior, não se pode dizer que não há bons restaurantes. Inauguraram um outro dia, o dono é estrangeiro e veio para cá com umas ideias extravagantes. Espalhou enormes quadros, todos da França, inclusive um da Torre Eiffel. Fui jantar uma noite dessas, com Marília, que adorou o local, pretende ser frequentadora assídua, sobretudo após ter conhecido le patron, como dizem na França. Ele veio até a nosso mesa, cumprimentou-nos dizendo que se sentia honrado com a presença de mulheres tão elegantes. Marília cruzou as pernas, a direita sobre a esquerda, e o vestido subiu um pouquinho deixando-lhe um pedaço de coxas de fora. Não adianta, disse eu após ele se ter afastado, donos de restaurantes não são muito de mulheres. Nada disso, rebateu, os franceses são machos, mesmo com seus restaurantes cheios de mimo. Bebemos e comemos, os pratos não são plenos como os brasileiros, mas verdadeiras obras de arte. Será que não sentem fome na França?, arriscou minha amiga. Quem sabe, há diversas formas de fome, talvez de sexo, sorri. Minha amiga começou a saborear o prato e disse quero comer le patron!, parecia mesmo plena de tesão, a cor do seus lábios, sua maneira de morder os alimentos e sua virada de olhos revelavam. Calma, Marília, precipitei-me, hoje é nossa primeira vez, há tempo para tudo. Ponderou sobre a Tânia, quando descobrir este lugar vai ser um inferno, não vai sair daqui enquanto não tiver o homem no seu quarto. É verdade, tive de concordar, mas será que um homem tão requintado vai com a Tânia? Não sei, acho que sim, os homens não são muito diferentes, e ela é muito artificiosa. Artificiosa, repeti, engraçada a palavra, não pensei nisso. Você sabe que ela é artificiosa, sim, tem mil trejeitos para conquistar qualquer um.  Suspirei, ele, em pessoa, o proprietário, veio completar nossas taças de vinho. Marília mudou as pernas de posição, ele sorriu, não pelo deslocamento das pernas de minha amiga, mas ao reparar a bebida rubra a invadir nossos lábios, nossa boca, a descer por nosso interior e, acho, por nos deixar mais excitadas. Marília quase deu um grito, estava em êxtase. Lembra do norueguês? Norueguês?, repeti. Sim, o norueguês que esteve aqui no último verão, pegou a gente com um carro alugado e nos levou pra Búzios, a praia mais deserta do lugar. Ah, claro, lembro, não tínhamos levado nossos biquínis, continuei, era noite, ele nos queria tomando banho de mar!, um banho sob os raios da lua dos trópicos, como dizia, nos duas nuas, em meio às espumas da praia, e estava fria a água. Isso mesmo, fechou os olhos Marília enquanto engolia mais um pedacinho de camarão, a água fria me deu um tesão incrível, aliás, não sei por que água fria me dá tanto tesão, quem sabe le patron leve a gente passear, assim como o norueguês, um sonho. Calma, Marília, tudo tem seu tempo, pelo que observo não será difícil, vamos bolar um plano. Vamos, mas nada de as artes dentro do automóvel, lembra? Claro, você acha que eu ia me esquecer, o norueguês gozou três vezes, duas trepando conosco, a terceira ao sentarmos peladinhas ao seu lado no banco do carona!

O jantar, a conversa com Marília, a possibilidade de sairmos com o francês (ele nos deixou seu cartão), ai, tudo me deu intenso arrepio. Logo que entrei em casa, me despi, me lavei e fui deitar. Os seios sempre de fora.

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