Outro dia saí com umas amigas, fomos a um restaurante na orla de M. Algumas são casadas, outras têm seus namorados. Durante boa parte do jantar, ficaram a falar dos relacionamentos. Houve uma que disse estar arrependida, que se sentia melhor quando estava sozinha. Outra afirmou que, caso o namorado fosse bom de cama, era tudo muito bom, mas que não precisavam morar juntos. Uma das casadas falou que um homem ou uma mulher não são os mesmos durante a vida inteira, as pessoas estão sempre mudando e isso torna o relacionamento melhor. Quando se dirigiram a mim, respondi que estava feliz do jeito como vivo e que, naquele momento, não sentia necessidade de ter namorado ou algum tipo de relacionamento
Ao chegar em casa, tirei a roupa e me deitei no canapé que tenho numa das salas. Refleti sobre o encontro, sobre o que as amigas conversaram e, como bebera duas ou três taças de espumante, estava um pouco serelepe, isto é, excitada. Então, comecei a praticar o exercício ensinado certa vez por um amigo, uma espécie de prática que ele apelida de ioga do amor. Esta permite que a pessoa fique satisfeita coma própria companhia, que namore a si própria e se torne muito feliz com tal ação. Não se trata de masturbação, porque o que se pratica é soltar todos os músculos, até a gente se sentir totalmente relaxada; depois, pode-se mover, caso este seja o desejo, as energias pelas regiões que podemos chamar de sexuais. Com algum exercício, chega-se ao orgasmo. Dormi, então, satisfeita, agradecida por me bastar a mim mesma, sem necessidade de ter um homem ao meu lado. Jamais contei isso a nenhuma amiga, porque tenho certeza de que vão rir e tudo vai se transformar em fofoca.
Num dia desses, apareceu um antigo admirador. Convidou-me para sair. O que se tem para fazer em M além de se ir a um restaurante na orla marítima? Nada. Aliás, tem sim, dormir com o namorado na casa dele, na minha ou num hotel. Acabamos bebendo demais e ele me levou para um hotel. De início, achei muito bom, porque me tirava da rotina. Prometeu que ficaríamos até o amanhecer e que tomaríamos café da manhã no mesmo hotel, porque ele não trabalhava no dia seguinte.
Assim foi feito. Fui com ele. Tomamos banho juntos. Lembrei que, certa vez, ele me falara, numa brincadeira, queria me ensaboar por inteira. Naquela noite, acabei permitindo, mas não quis que me penetrasse debaixo do chuveiro, porque a transa acabaria logo. Após terminarmos o banho, fomos para cama, namoramos então com toda a intensidade. Para mim, que estou acostumada com gozos sutis, originários de práticas de relaxamento e imaginação, o contato pele a pele foi muito forte, proporcionando-me um prazer que eu não sentia há tempos. Além disso, ele ejaculou lá dentro, três jatos fortes e quentes. Que loucura.
Depois de tudo acabado, ele foi embora. Uns dias depois voltei a sair com as amigas. Elas continuaram com o mesmo assunto: namorados, homens bonitos, produtos caros, presentes ganhos por muitas delas. A casada disse que o marido lhe comprou um objeto lindo para a cozinha. Fiquei a imaginar como um objeto doméstico poderia lhe proporcionar tanto prazer. Acho que as outras pensaram o mesmo, mas se calaram.
Quando cheguei em casa naquela noite, como havia bebido as três taças de espumante, deitei-me nua novamente no canapé e comecei a fazer os exercícios, queria transar comigo mesma, praticar a ioga do amor. Fiz tudo certo, como sempre, mas apenas beirei o orgasmo. Acho que isso acontecia porque na hora principal me vinha à mente o amante de há poucos dias, o banho que ele me deu, o sabão que passou sobre meu corpo e depois a fricção do seu pênis dentro da minha vagina. Não era possível, caso eu tivesse ficado apenas nos meus exercícios já teria gozado e estaria muito satisfeita. O contato carnal com o homem me fizera perder a sensibilidade. E agora, como faria dali pra frente para namorar comigo mesma?
Depois de repousar durante alguns minutos, voltei ao movimento das energias. Consegui, então, mover meu clitóris, uma, duas, três vezes; de novo, uma, duas, três vezes. O momento do prazer máximo se aproximava. Movi então as duas coxas de leve. Depois, relaxei o corpo novamente e voltei às energias. Veio-me ao pensamento a ousadia de um antigo namorado. O que ele fizera para me provocar tamanho gozo? Tenho vergonha de dizer agora. Mas, ao pensar naquele momento, o prazer foi crescendo, crescendo, até que... beirei de novo ao gozo, mas não consegui chegar à explosão a que estou acostumada. Será que, daqui em diante para chegar ao orgasmo terei de agir como minhas amigas, arranjar namorado, um relacionamento ocasional ou mesmo me casar? A ameaça me soou como se eu fosse uma fada despida dos seus poderes.
Demorei três semanas praticando os exercícios, fazendo direitinho tudo que aprendi na ioga do amor. Enfim, na última vez... Vamos ao que aconteceu: comecei a sentir meu clitóris se mover sem que eu me esforçasse; a seguir, passei a sentir uma quentura intensa na região do baixo ventre. Pensei no tal namorado com sua ousadia que não consegui contar até aqui. Então, explodi!
Graças, que bom! Eu que pensava, tão temerosa, não mais conseguir namorar comigo mesma, não mais sentir o prazer sozinha. De agora em diante, vou me preservar, tenho de manter a sensibilidade, nada melhor do que esse gozo.
Será? E os três jatos fortes e quentes? Não sei, acho que, com minha varinha, vou contar estrelas...

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