No momento do amor, ele sussurrou no meu ouvido:
“Conta pra mim o que te excita, vai, diz o que te deixa com
tesão, principalmente quando você está sozinha e deseja alguém.”
Continuei agarrada a ele, passava as unhas sobre suas
costas.
“Quer saber mesmo?, olha que conto, você vai adorar.”
“Então, conta, adoro ouvir você contar sacanagem.”
“Mas você precisa dizer alguma coisa antes”, afirmei, “algo
que eu possa continuar; falar assim direto é difícil pra mim.”
“Tudo bem, começo e você continua, ouça: você adora se
disfarçar, vestir uma saia bem curta, ou um vestidinho colado ao corpo, sair à
noite, ir a uma boate, fingir que é outra pessoa...”
“Outra pessoa, isso mesmo, fingir que sou outra pessoa, mas
preciso de uma máscara, dessas de maquiagem, como a dos atores, coloco a
máscara e vou; sabe que tenho uma carteira de identidade com outro nome, achei
certa vez a carteira, uma mulher bonita, tão bonita, procurei por ela mas não
encontrei, queria devolver o documento, achei uma pena entregar nos correios,
coloquei um anúncio e não apareceu ninguém, fiquei com a carteira; às vezes
tento ser esta mulher, já fingi três ou quatro vezes, saio à noite, sou Silvia,
o nome dela, ando pela cidade, vou a festas, a algum baile, até criei um
história, um passado pra Sílvia, quando nasceu, onde morou boa parte da vida,
o que estudou e o que faz atualmente, ela é uma mulher adorável, tenho tudo
escrito; ela usa a saia curtinha, é atirada, sabe, sai com um homem de primeira, não
pensa nos perigos, aliás para ela perigos não existem; adorável Sílvia.”
O namorado estava muito excitado, um toque a mais gozava.
“Assim você não vai saber a história de Sílvia”, falei em
seu ouvido “relaxe.”
Ele soltou meu tronco, afastou o rosto e sorriu.
“A boate era na verdade uma caixa, de tão pequena; havia uma
sofá que corria pela lateral e acompanhava toda o perímetro da pequena sala; as
pessoas, sentadas, namorados agarrados às namoradas, as saias curtas, malhas
que subiam, encolhiam, as mulheres não conseguiam manter as coxas cobertas; no
centro, as pessoas dançavam; parei num canto, esperei, não sei por que mas se
podia fumar no local, acendi o cigarro; um casal levantou e foi dançar,
juntou-se aos outros; sentei no local recém desocupado, traguei o cigarro e
soltei a fumaça com a cabeça um pouco inclinada para cima; não demorou um homem
apareceu ao meu lado, ofereceu tudo que se vendia ali; recusei, mas ele trouxe
uma garrafinha de vodca, acabei aceitando; ficou juntinho a mim, num curto
espaço de tempo já estava com um dos braços envolvendo meu pescoço, me puxou
para junto dele e me beijou na boca; do homem emanava um perfume adorável, foi
o que me vez gostar de ficar coladinha a ele, naqueles momentos não tentou nada
além do beijo e de alguns apertos; preferimos ficar curtindo as músicas e
namorando, vez ou outra bebericando, nada de muitas palavras; lá pelas tantas
levantamos e fomos para o centro da sala, três ou quatro casais dançavam, as
luzes misturavam nossas silhuetas, a fumaça nos envolvia, a bebida subia e o
pilequinho adiantava o tesão; quando tudo acabou fui com ele, saímos da boate quatro
ou quase cinco da manhã; me levou para um hotel; já imaginou, eu nada sabia do
homem, ninguém entre meus amigos sabia onde eu estava, eu era Sílvia, mulher
que nenhum de meus amigos conhecem, o que fazer caso o homem tentasse algo de
mal contra mim?; não pensei mais nisso, pedi apenas para ir ao banheiro, tomei
um banho e voltei para o quarto enrolada na toalha.”
“O que aconteceu depois?”, o namorado me agarrou de novo, me
beijou, subiu sobre mim.
“Aconteceu o que vai acontecer agora; aliás, agora, você
precisa tirar minha calcinha!”