terça-feira, novembro 29, 2016

Uma lágrima? De amor

“Ui, calma”, eu dizia a ele, “o quê?, você quer gozar na minha boca?”

Tudo começou com um ligeiro encontro, fazia tempo que eu não saía com homem nenhum. Mas aquele foi se chegando, conversando, sedutor que só. Eu esperava o metrô. E assim se sucedeu. No dia seguinte, logo à saída do trabalho, outro encontro. E a conversa comprida. Cada dia que se passava, maior a extensão.

“Vamos esperar o próximo?”

E esperávamos, já não íamos no primeiro trem.

Na semana seguinte, resolvemos passear pelo bairro. Perguntou se eu tomava cerveja?

“Não, não gosto, mas tem outra bebida que adoro.”

“Qual?”

“Vinho do porto.”

“Como você pode gostar de vinho do porto? É bebida de gente rica.”

“Como você sabe que não sou rica?”, perguntei incisiva.

Ele riu, quem sabe.

Sempre gostei do tal vinho desde que me ofereceram pela primeira vez, um namorado de paletó e gravata, que me levava pra jantar em Ipanema. Achei que o pedido, ao tal paquerador, iria afastá-lo de mim. Essa mulher gosta de coisas caras, diria. Mas não foi assim que aconteceu.

“Por que você não vem de vestido curto?”, perguntou.

“De trem, de vestido curto ou minissaia, nem pensar.”

“Por quê?”, fez-se de ingênuo.

“Os homens beliscam as pernas da gente quando o vagão está cheio, e não dá pra reclamar. Tenho uma amiga que perdeu a calcinha.”

“Como?”

“Imagine.”

Passamos a namorar antes de pegar o metrô. Na Central dávamos mais uma paradinha antes do trem. Mas ali não vendem vinho do porto.

No dia seguinte, enfim, ele me convidou pra ir a um hotel.

“Hoje não”, falei, “não estou me sentindo bem, amanhã ou depois.”

Sempre é bom criar um suspense. Ele poderia pensar, ela vai desaparecer e eu não comi esta mulher.

Mas, como prometi, ao entardecer de uma quarta-feira fomos ao hotel.

Nada posso reclamar, tudo foi tão bom. Mas senti que esfriei quando pedi:

“Não goza dentro não, por favor, tenho de fazer um exame amanhã.”

“Tudo bem”, ele contrapôs após trinta segundos, “mas deixa então eu gozar na tua boca.”

Por essa eu não esperava, não podia dizer a ele que jamais fizera aquilo. Quando estava pra gozar, ele sentou na cama e esperou que eu mergulhasse no seu peru. Mas hesitei. Cheguei a dizer, como que surpresa:

“Ui, calma, você quer gozar na minha boca? Vamos devagar.”

Mas ele não conseguiu se segurar, seu pênis esguichou três jatos de porra, uma delas atingiu meu rosto. Fiquei morrendo de vergonha.

Dias depois, nos encontramos de novo. Havia prometido a mim mesma retomar a transa fracassada. Mas não voltamos ao hotel. Ficamos conversando na estação de trens.

Demoramos duas semanas para trepar de novo. Até pensei que ele não mais me desejava. Enquanto chupava, tentei manter a linha, não queria demonstrar nenhuma tensão. Ficamos naquilo por uns dois ou três minutos. Foi então que resolvi segurar o pênis dele pelo talo, aquela parte de trás, quase junto ao saco, ainda puxei na direção contrária à minha boca. O pênis ficou ainda mais duro, e ele mais excitado. Até que explodiu. Eu, como por instinto, fiz um movimento de que iria me levantar, mas ele segurou minha cabeça e deu três esguicho muito forte, como na primeira vez. Quando me soltou, pensei em correr pro banheiro, mas apenas pensei. Ele tapou minha boca e me manteve na cama, apertou o meu nariz como se faz a uma criança quando vai mergulhar pela primeira vez. Estive a um triz pra engasgar. Sentiria vergonha. Uma lágrima escorreu dos meus olhos.

Minutos depois, quando nos preparávamos pra ir embora, ele perguntou:

“Você chorou?”

“De amor”, respondi.

Não queria dizer que era inexperiente naquela arte. Acho, porém, que convenci.

Depois de saltar do trem, tive de correr pra chegar logo em casa. Não sei se posso atribuir o mal estar a ele, mas estava morrendo de vontade para ir ao banheiro. Quando sentei no vazo, soltei tudo de uma só vez. Amanhã não apareço mais, cheguei a pensar.

No final de semana, contei a uma amiga, a tal que perdeu a calcinha no trem. Ela perguntou:

“Quer que eu vá no teu lugar?”

A partir de então me aperfeiçoei nessa arte. A arte de chupar. Marcamos e fomos para o mesmo hote. Ao entrar abracei-o e o beijei na boca, deitei-me na cama e pedi que tirasse minha roupa. Quando já estava nua, sugeri:

"Você rouba minha calcinha?"

Ele riu, pegou a calcinha, dobrou-a e guardou dentro da bolsa. Tirou a roupa e veio para junto de mim. Fiz que ficasse deitado e sentei sobre seu peru, que já estava duro que só. No início foi um pouquinho difícil, mas pouco a pouco fui ficando molhadinha. Após cinco minutos eu já o tinha dentro de mim. Era bom eu mesma poder controlar a transa, subia e descia, num exercício gostoso, o volume do seu sexo atingia-me as profundezas. Quando ele estava para gozar, tirei e mergulhei de cabeça. Chupei o pênis do homem o máximo que pude. Então, ele gozou. Três esguichos fortes, como sempre. Passei a língua em volta da cabeça para não deixar escapar uma gota de porra sequer; com a boca ainda quase fechada, sentia ainda o volume de toda aquela carne rija, depois levantei a cabeça e deixei que visse as contrações do meu pescoço. Estava engolindo tudo que ele ejaculara. Acho que hoje não existe ninguém melhor do que eu nesta arte. Mas havia a lágrima, dela eu não me conseguira livrar.

“Uma lágrima?", perguntou.

De amor!”, disfarcei.

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