sexta-feira, fevereiro 10, 2006

Divertimento

Verão, sol, praia, biquininho.

Deito-me sobre a canga, me bronzeio.

Um rapaz passa, pára, me observa. Disfarço, procuro uma revista. Ele estaca, sorri. Mal disfarço, correspondo. Ele vem, se aconchega. Muda admiração, mudo contentamento.

Um cigarro?

Não fumo.

Uma cerveja?

Não bebo.

Um sorvete?

Obrigada.

Longo silêncio. Ao fundo, barulho de domingo, ajuntamento.

Desfiamos uma conversa. Ele, duas palavras; eu, uma. Eu, uma indagação; ele, uma exclamação.

Um mergulho?

Vamos.

Corpos molhados, água escorrendo, mútuo deslumbramento. O mar nos revela. Deslizamos por nossas mãos. Ele ri, eu me divirto. Atracar em portos, marear de corpos. Tocar de mãos, apalpar de tesão.

Faço menção de escapar. Ele tenta me segurar. Doce resvalar. Simulamos um apartar. Dou impulso, escorrego, escapo. Sinto um desatar.

Em suas mãos, meu rastro: o biquininho.

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Taça de champanha

Certa vez conheci um homem especialíssimo. Cada encontro com ele era criar asas e voar junto às águias em seus vôos migratórios. Eis instantes dessa travessia.

No momento em que estava em seus braços, dissolvia-me, era substância calcinada por líquido de temperatura mais elevada. Minhas entranhas se queimavam, eu era percorrida por arrepio que me fazia ansiar a nudez total. Quando alguém me explorava suave o corpo, sempre deixava que o invasor, numa cumplicidade tácita, me libertasse da última peça. Mas em momentos de pulsar explosivo, em que era arrebatada, presa fácil de êxtase cintilante, ápice de percurso que queria para sempre, despia-me por minhas próprias mãos. Depois deixava que meu sedutor me conduzisse num vôo de curva íngreme e arriscada, no qual alçaríamos altitudes impensadas, como dois Ícaros de asas temerosas, até mergulho talvez fatal, cuja curva só seria possível às aves de grande porte, que voam distâncias imensas e são capazes de manobras arriscadas, capazes de flertar com a própria morte e daí tirar uma espécie de gozo. Seus dedos alados me tocavam então o corpo, me arremessavam na direção de nuvens plenas de eflúvios eólicos, de gazes solares ora tépidos ora úmidos, que me salpicavam a pele de gotículas portadoras de mel olímpico. Queria continuar trafegando nos limites do prazer, beirar a cidadela do orgasmo, sem que este me tomasse de assalto. Queria prolongá-lo como nosso vôo. Não haveria aterragem, não seria possível. No momento, porém, em que não mais podia suportar tamanha excitação, em que não tinha mais capacidade de evitar erupção violenta e alucinada, me transformava em lava incontida. Ele pedia-me então que agachasse. Obedecia. Agachava-me, encolhia-me. Ele empurrava taça de champanha por sob minhas pernas. "Mulheres não ejaculam", eu tentava balbuciar envolvida em extremo gozo. "Ejaculam", rebatia certeiro, "basta que se soltem". Soltava-me então. Era salto no escuro, quase fatal, guiada por luz única prateada, perdida, luz que orbitava nos confins da criação. Era chegado o momento, ali eu não mais sentia o corpo, era quase nuvem que se evolava; era mergulho que me impedia ver se havia mar a amparar-me, rocha a despedaçar-me ou se me precipitava no vazio eterno; quando ia nos meandros de tamanho transbordamento e me deparava com a impossibilidade de regresso, liqüefazia-me, expelia substância viva ora translúcida ora leitosa; sentia pulsar de volta o coração, estava de novo no planeta após longa jornada, alguns séculos em frações de segundos... Era o momento de lhe entregar a taça. Ele, vitorioso, a tomava nas mãos, saudava e, enfim, bebia-me.

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Fiquei sem

Kelly, você não sabe o que aconteceu comigo ontem aqui na praia!

O que foi, Mona?

Algo surpreendente...

É?

Você nem vai acreditar.

Então conta, vai, desembucha.

Eu nunca gozei tanto na vida!

Gozou aqui na praia? Você tá brincando...

Gozei, vou te contar.

Então conta, de repente eu gozo também.

Foi o seguinte: tinha um cara me paquerando...

Mona, isso não é novidade.

Mas dessa vez foi diferente, escute só; ele ficou me olhando, se aproximou e começou a conversar comigo.

Então você gozou?

Não, Kelly, calma, escuta; depois de papo pra cá, papo pra lá, resolvemos dar um mergulho.

E aí?

Aí, é que lá dentro d’água, onde não tinha quase ninguém, nós ficamos coladinhos um ao outro.

E isso foi suficiente para tamanho gozo?

Não, calma, ainda não acabei; continuamos coladinhos, ele começou a deslizar a ponta dos dedos pelas minhas costas, pela minha cintura, até que tateou os lacinhos do meu biquíni, desse aqui mesmo.

Não imagino que foi isso que fez você gozar...

Foi quase isso, um pouquinho mais; ele continuou com os dedos ali por um tempo até que num gesto rápido os desfez e me deixou nua, a calcinha foi parar nas mãos dele.

E você deixou?

Quando notei, ela já havia escapado, então aconteceu.

O quê?

O gozo; senti a água gelada no lugar que antes era o da calcinha, aquele pedacinho de pano nas mãos de um desconhecido... Pensei que ele poderia desaparecer me deixando ali daquele jeito, nuinha. Então senti mais uma vez um gozo como nunca tive, você acredita? Foram duas vezes.

Acredito.

E olha que hoje eu já tentei de novo, mas não consegui.

Tentou de novo? Como assim?

Tentei de novo, só que sozinha; entrei na água, tirei a calcinha, mas não gozei, acho que o que me fez gozar foi o gesto inesperado dele, e o risco que eu passei de não ter a calcinha de volta; ai, só de pensar eu me arrepio toda, como foi bom!

Mona, vou te contar uma coisa que nunca falei pra ninguém, você promete guardar segredo?

Prometo.

Promete mesmo?

Prometo, vai, conta logo.

Isso também já aconteceu comigo, só que não foi aqui na praia.

Foi aonde?

Foi num baile de carnaval.

Num baile de carnaval?

É, daqueles de antigamente, no Monte Líbano.

Como foi?

Um rapaz ficou me assediando, até que se aproximou demais e eu não consegui escapar; a gente dançava em um camarote, e eu só vestia a parte de baixo, assim de lacinhos, como o seu; ele agiu da mesma forma, acabei aceitando a brincadeira; só que o final foi diferente.

Como foi?

Em primeiro lugar: gozei três vezes, uma a mais que você; e não foi só porque meu biquíni estava nas mãos de um desconhecido; e em segundo: fiquei sem, acabei a noite peladinha.

Ai!

O que foi, Mona? Tá sentindo alguma coisa?

Não, não, mas conta de novo.

Contar de novo? Por quê? Você não entendeu?

Entendi; entendi e gozei...

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

Margarida nua

Data: Sab. 17 Set 2005 03:05:34 Assunto: estou nua De: marg_57a@yahoo.com.br> Para: celiasma@...com.br>
estou na festa da tob's, ocorreu um problema, peço que venha rápido e me traga roupas, pegue-as com a cristina, consegui falar com ela pelo celular, depois te conto o que aconteceu, as cinco horas a boate fecha, temo não ter o que vestir, não posso voltar pelada pra casa, teu celular está desligado, deixei mensagem de voz e enviei torpedo, não demore,
marg

Data: Dom. 18 Set 2005 15:43:30 Assunto: re estou nua De: celiasm@...com.br> Para: marg_57a@yahoo.com.br>
Creio que houve algum engano. Recebi sua mensagem, mas não conheço você, ou conheço? Espero que tenha resolvido o problema!
Um beijo,
Célia

Data: Seg. 19 Set 2005 l9:51:03 Assunto: rere estou nua De: marg_57a@yahoo.com.br> Para: celiasm@...com.br>
Claro! Ou melhor, começando pelo final: resolvi em parte. Não nos conhecemos, é verdade. Naquela hora da madrugada eu estava tão nervosa, que troquei uma letra do endereço. Agradeço sua atenção.
Beijos,
Marg

Data: Ter 20 Set 2005 20:14:03 Assunto: rerere estou nua De: celiasm@...com.br> Para: marg_57a@yahoo.com.br>
Sei que a curiosidade mata, mas será que dá pra você me contar o que aconteceu? Sabe, é difícil a gente receber uma mensagem dessas e não ficar morrendo de vontade de saber o desfecho.
Um beijo,
Célia

Data: Ter 20 Set 2005 22:14:37 Assunto: rererere estou nua De: marg_57a@yahoo.com.br> Para: celiasm@...com.br>
Ai, que transtorno! Não você, é claro, mas o acontecido. Ainda estou um pouco traumatizada. Será que você pode aguardar uns dias? Aí, eu conto tudinho. Não conheço você direito, mas acho que você vai ficar excitada! Por enquanto, porém, ainda morro de vergonha!
Beijinhos,
Marg

Data: Qua 21 Set 2005 21:15:35 Assunto: rerererere estou nua De: celiasm@...com.br> Para: marg_57a@yahoo.com.br>
Ai, assim você me mata! Mas aguardo. Espero que você esteja bem. Pode deixar que eu entro em contato.
Um beijo,
Célia

Data: 26 Set 2005 22:12:43 Assunto: rererererere estou nua De: celiasm@...com.br> Para: mailto:marg57a@yahoo.com.br>
Hei, tudo bem? Será que agora você me conta?
Um beijo,
Célia

Data: 27 Set 2005 23:15:23 Assunto: estou nua De: marg_57a@yahoo.com.br> Para: celiasm@...com.br>
Agora já posso contar. O fato até está na rede! Leia lá, você vai ficar excitadíssima! http://margarida57.blogspot.com/, o título é Festa especial.
Beijos,
Marg

Data: 28 Set 2005 22:14:15 Assunto: re estou nua De: celiasm@...com.br Para: marg_57a@yahoo.com.br>
Querida Marg, que história deliciosa! Me convida para essa festa, será que posso ir? Só de pensar fico toda arrepiada. Será que vou ter coragem de fazer aquelas coisas? Não estou acostumada... Mas falta uma coisa. Minha curiosidade ainda arde. Como você fez depois que perdeu o vestido? Me conte, por favor.
Um beijo,
Célia

Data: 29 Set 2005 23:35:42 Assunto: rere estou nua De: marg_57a@yahoo.com.br> Para: mailto:celizsm@...com.br>
Se você quiser participar dessa festa, mando um convite. É uma festa particular. Só entram convidados especiais. Sobre o vestido, ou a falta dele, faço sua curiosidade arder mais um tantinho: o que você faria se estivesse no meu lugar?
Beijos,
Marg

Data: 30 Set 2005 21:14:34 Assunto: rerere estou nua De: celiasm@...com.br> Para: marg_57a@yahoo.com.br>
Ai! Você assim está me maltratando. Imagino muitas situações, queimo toda por dentro. Ah! Antes peço que me envie o convite. Vou! Tomei coragem. Sempre há a primeira vez para participar de algo desse gênero. Mas voltando. Se eu estivesse no seu lugar, pediria ajuda a alguém!
Um beijo,
Célia

Data: 01 Out 2005 23:14:56 Assunto: rererere estou nua De: marg_57a@yahoo.com.br> Para: mailto:celizsm@...com.br>
Oi, querida! Que bom que você quer participar da festa. O convite vai anexo. Basta que você o imprima. E, sobre aquele assunto, foi o que fiz. Pedi ajuda!
Beijos,
Marg

Data: 02 Out 2005 20:44:51 Assunto: rerererere estou nua De: celiasm@...com.br> Para: marg_57a@yahoo.com.br>
E ajudaram você? Como? Não falhe dessa vez! Ou morro.
Um beijo,
Célia

Data: 03 Out 2005 20:56:42 Assunto: rererererere estou nua De: marg_57a@yahoo.com.br> Para: celiasm@...com.br>
Ajudaram, amor. O fato foi o seguinte: ... . Será que lhe provoquei arrepios após lhe contar esse desfecho? (A vocês que me lêem: sinto-me envergonhada em tornar pública essa passagem, mas àqueles que não se contentam com a imaginação estou disposta a relatar por e-mail o que aconteceu)
Beijos,
Marg

Data 04 Out 2005 21:14:15 Assunto: rerererererere estou nua De: celiasm@...com.br> Para: marg_57a@yahoo.com.br>
Obrigado, espero conhecer você na festa! Um segredinho: após o ponto de interrogação da sua última mensagem, você me provocou mais do que arrepios; fui sacudida por ligeiro tremor, me senti como se mergulhasse nua numa piscina de creme ao encontro de homem robusto e também nu! Que orgasmo maravilhoso!
Um beijo,
Célia

Festa especial

Recebi de um homem quase desconhecido o relato que vai a seguir. Segundo o texto, sou a deusa morena com quem seu autor... Bem, é melhor vocês mesmos lerem; beijos para todos os meus fãs.

Eu tinha terminado um relacionamento havia pouco, estava sozinho, sentia que precisava me divertir. Ia ao Centro com freqüência, reparava os bares e restaurantes sempre cheios após o dia de trabalho. Queria ir a alguma boate das imediações, mas temia que fossem casas de prostituição. As prostitutas, por mais que saibam representar, nunca me agradaram. É difícil a satisfação quando o sexo é pago. Soube, através de um conhecido, de uma boate que funcionava nas cercanias. Ele me disse que havia muitas mulheres bonitas lá, principalmente às quartas, que era o melhor dia. Não eram pessoas para namorar, nem para convidar e levar para casa, mas para distração. Elas não são prostitutas, ele assegurava, freqüentam o local por divertimento.

Na quarta-feira seguinte, após me informar sobre o horário de funcionamento da casa noturna, cheguei ao local em torno das 22 h. Fui recebido com muita educação. Entrei e reparei que o número de pessoas ainda era pequeno. Havia muitas mesas, que ocupavam um grande salão. A luz era baixa, o ambiente requintado e aconchegante. No fundo, vi a pista de dança. Era exígua. Algumas luzes piscavam num rodopio alegre e uma música ritmada procurava animar os recém-chegados. Pedi uma cerveja e permaneci sentado a uma mesa, bem junto à pista. Aguardava melhor momento.

Em uma das mesas do lado oposto, observei algumas mulheres. Eram louras. Vestiam de preferência vestidos claros, reparei que eram bem curtos. Chegaram a me olhar algumas vezes. Depois de alguns minutos foram para pista. Pude então distinguir com mais precisão a pequenez e transparência de suas roupas. De uma delas até desconfiei de que não trazia calcinha por baixo daquela fazenda delicada. Sutiã nem pensar, não era objeto de uso daquelas beldades.

O tempo foi passando, as pessoas chegavam em maior número e com mais animação. O público feminino era bem maior. Não esperava ver tantas mulheres vestindo tão pouca roupa. Desfilavam minúsculos shorts, vestidos transparentes, mini-saias que mais se assemelhavam a estreitos cintos, bumbuns à mostra. Algumas vestiam roupas de lingerie preto, deixavam à vista a pequena calcinha e o também minúsculo top. Quando alguma delas trazia um vestido mais longo, logo se via que era aberto ao meio de maneira exagerada. A música se tornou mais agitada, quase ninguém conseguia ficar parado. Os garçons avançavam e recuavam trazendo bandejas com diversos tipos de bebida.

Após a uma hora da madrugada, a bebida subiu e a temperatura também. Era possível apreciar muitas mulheres namorando de modo muito extravagante com pessoas que acabavam de conhecer. Não tinham pudor algum. Diversas moças, apesar do intenso ar-condicionado, tinham se livrado de blusas ou tops e mostravam os seios, com muita naturalidade. Na pequena pista, quando alguma luz esporádica refletia num raio mais extenso, viam-se mulheres apenas de calcinha. Eu já estava por demais excitado e me aproximei para dançar. Logo uma delas se chegou a mim. Sorria, roçava meu corpo, quase nua. Reparei que junto às mesas e cadeiras, muita gente dançava, se espremia, tocava corpos, com sensualidade. E as mulheres iam, pouco a pouco, se desfazendo das poucas peças de roupa, até que descobri algumas totalmente nuas. Elas eram explosões de partículas estelares cristalizadas em pedras preciosas que refletiam o brilho de um sol perdido nos confins do universo. A que ficou comigo me beijou na boca, enfiou a mão por dentro de minha calça e agarrou meu pênis. Depois disse arranca minha calcinha, arranca. Estava meio desconcertado, porém puxei as frágeis tiras com violência e a pequena peça se desmanchou em minhas mãos. Ela me levou para um local mais afastado, procurou um vazio entre pessoas que se agarravam e transavam, encostou na parede e pediu que eu a penetrasse. Foi ótimo. Fiz de tudo para segurar a tesão. Ela dizia não goza agora, deixa pra gozar na minha boca. Depois virou de costas e pediu para que eu a penetrasse por trás. A transa assim também foi maravilhosa. Eu quase delirava. A música era rápida, as luzes piscavam revelando e ocultando aquela quantidade grande de pessoas nuas, ela se agitava, gemia, me acariciava. Quando pareceu gozar mais uma vez, pegou meu pênis e enfiou na boca. Fazia de conta que saboreava um manjar delicado, enquanto se mantinha, gulosa, embaraçada a ele. Acabei gozando após alguns minutos. Ela se mostrava extasiada. Depois que terminamos, me levou para dançar mais uma vez. Uma outra mulher se aproximou, falou alguma coisa no ouvido dela. Ela me apresentou a amiga e pediu licença. Deixou-nos juntos na pista. Esta era morena, ainda estava vestida. Sussurrou então num de meus ouvidos puxe as pontas do lacinho que está segurando meu vestido, aqui atrás, no meu pescoço. Fiz o que ela pediu. O vestido se soltou e escorreu até o chão - permaneceu tal qual água vertida, poça ao pé de Vênus recém lavada por chuva de cristais -, revelando no piscar de luzes prateadas alternadas com luzes de outras cores seu corpo inteiramente nu, sem pêlo algum. Durante algum tempo, ficou agarrada a mim, depois curvou-se, tomou nas mãos o tecido frágil e estendeu-o sobre o encosto de uma cadeira vazia. Dançamos juntos. Tudo que aconteceu antes, com a primeira, se deu novamente e ainda de forma mais intensa.

No final da noite, embora minha atuação já não fosse a mesma, ainda tive fôlego para me deleitar com uma terceira. Era loura de cabelos curtos, pequena, tipo mignon. Uma gracinha. E o que tinha de mais interessante eram os seios. Já apareceu nua na minha frente. Assim que gozou, desvencilhou-se rápida. Disse que ia atrás do pequeno short e de blusa que vestia no início da noite. Eu não tinha mais pernas para ficar de pé, tudo tem limite, pensei. Quando percebi que a festa se aproximava do fim e as mulheres desapareciam, umas vestindo-se ligeiras, outras ainda procurando por suas roupas, pude reparar o vestido da deusa morena, esquecido sobre a mesma cadeira. Tomei-o nas mãos, apreciei-o durante breves segundos, escondi-o, a seguir, dentro da camisa e me dirigi ao caixa. Entreguei meu cartão, paguei a conta e parti. Já que elas não eram mulheres para namorar nem para levar para casa, ao menos teria em minha cama, naquela madrugada, o perfume de uma delas.

Nua, de salto e bolsa a tiracolo

Numa dessas noites quentes, estava eu debaixo de meu namorado, em sua casa, numa cama imensa e confortável. Ele percorria-me o corpo nu, tocava nos pontos mais sensíveis. De repente, sussurrou no meu ouvido vai lá fora, na rua, pelada. Pelada? retorqui. Sim, pelada, nua, sem roupa alguma. Nuazinha? ainda repeti. Sim, nua reafirmou ele. Mas se alguém aparecer? Não vai aparecer ninguém a essa hora assegurou. Confesso que a sugestão me atingiu em cheio. Senti um susto de prazer. Era uma nova dimensão, alvo além de meu próprio corpo, que eu descobria e que passou a me enfeitiçar. Deslizei de debaixo dele para a beira da cama, sentei, juntei os joelhos aos seios e me pus a pensar na nova situação. Meu coração ia aos saltos. Imaginei-me nua do lado de fora, eu ansiosa batendo à porta, que ele logo abrisse para eu me atirar em seus braços, ainda trêmula mas molhada de gozo. Não, é perigoso falei em voz baixa. Tem medo?, logo você que se diz corajosa, que enfrenta qualquer dificuldade... revidou. Realmente, eu me dizia mulher destemida. Mas nua, do lado de fora da casa, era demais. Apesar do calor que me tentava, havia dentro de mim uma pontinha de temor que ameaçava transbordar sobre a constante coragem. Vou afirmei sem querer perder a pose. Pus-me de pé. Senti ligeira contração numa das pernas, mas não demonstrei. Caminhei em direção à porta da rua. Espere aí ele falou, calma, vamos fazer a coisa com esmero. Voltei a ele, meu corpo nu reluziu à luz de um abajur que ficara aceso na sala, a luz prateada produziu contorno quase translúcido à pele branca de meu corpo; num jogo de sombras me vi lançada de uma parede a outra. Num pequeno espelho, que servia de adorno, meus cachos escorreram. Espere, vamos fazer uma coisa melhor falou. Fez-me subir sobre sapatos de salto alto. Depois, ajeitou-me ao ombro a correia de uma bolsa a tiracolo. Em seguida, penteou minha pequena púbis. Só, então, levou-me até a porta. Beijou-me. Com voz baixa e sensual, pronunciou em um de meus ouvidos você vai bater, eu vou abrir, você entra me pedindo ajuda, me conta uma história, vamos representar. Atravessei a porta um tanto trôpega, mal disfarçava. Mas ia de cabeça erguida. A porta se fechou atrás de mim. A luz da rua era fraca, senti um vento frio acariciar-me a pele. Por instinto, cobri os seios com as duas mãos. Meu corpo nu era fonte de água cristalina que refletia o piscar das estrelas sobre flores ainda virgens. Pensei no que ia dizer... Eu era uma desconhecida que batia à porta de um homem também desconhecido, completamente nua, de salto e bolsa a tiracolo. Imaginei a história que ia contar. Confesso que era uma boa história, mas... Após aguardar três intermináveis minutos, bati uma vez, ninguém veio atender. Depois bati duas, três vezes. Esperei. O tempo transcorreu vagaroso. Cinco, dez minutos. Uma eternidade. Qualquer ruído que não viesse de dentro da casa me assustava. Então, aconteceu o que eu tanto temia: um carro parou na frente do prédio e dele saiu um homem. Sem conseguir me dominar, com minhas carnes num saltar involuntário, ainda tive tempo de me abaixar junto à mureta da escada. O homem entrou apressadamente, passou a meu lado, mas não me viu. Levantei e retomei à pose anterior. Achei que meu namorado demorava para tornar a brincadeira mais excitante. Ele não me deixaria ali, pelada, pelo resto da noite. Respirei fundo, recompus-me, lembrei de novo a história que ia representar. Mais confiante, bati novamente à porta. Mas..., ele não abriu.

Eu era rosa, ainda úmida, envolta nas últimas sombras da noite, rosa de pétalas frágeis, temerosa ante a ameaçadora incandescência do dia, cujas primeiras luzes já batiam à porta da casa vizinha...

O que aconteceu depois, se eu tiver coragem um dia conto. Uma coisa posso assegurar: meu namorado é o mesmo, até hoje!

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Saudações

Felicidades para todos aqueles que admiram o que escrevo. Em breve, estarão aqui meus contos e muito mais.
Beijos,
Marg