Eu andava pela areia; no final da praia, subindo em direção à vegetação existente na junção das duas bordas de mar, havia um refúgio. Não sei se era conhecido de alguém naquele tempo. Era preciso descer uns degraus. Talvez o local fora utilizado como depósito de algum quiosque. Com a derrubada deles e a tentativa de reforma da orla, o pequeno espaço quase subterrâneo tenha sido deixado de lado. Era difícil percebê-lo. Acabei descobrindo-o porque sou curiosa e vivo buscando novas experiências.
sexta-feira, abril 11, 2025
Esconderijo
domingo, dezembro 29, 2024
Tudo vai dar certo
Isaura, veja que maravilha esse mar, a praia. Ainda não amanheceu direito, mas já se pode perceber o contorno vermelhado do amanhecer no mar.
Clara, às vezes penso que estou delirando. Como isso foi possível, tão de repente? Estamos aqui no Rio, em Copacabana, aproveitando a beleza do lugar.
Isaura, feche os olhos e sinta na pele a brisa vinda do mar. É um arrepio, mas feche os olhos. A gente sente a sensação de maneira mais forte.
Clara, sim, é um tesão a sensação de que você fala. Deve acontecer porque estamos nuas, esqueceu?
Isaura, claro que não. E veja como a cidade é tão maravilhosa. Tudo deu certo, ninguém reparou até agora. Acho que nem vai reparar.
Clara, tudo começou com o teu namorado lá em Cotia. Ele ia todos os dias no mercadinho, comprava alguma coisa e falava contigo. Passou a fazer questão de ir à tua caixa. Depois vieram os presentes.
Isaura, não espalhe. Pode dar azar. Um homem assim não encontroem lugar nenhum.
Clara, não estou espalhando. Falo apenas para você. Ele é dez!
Sim, Isaura, o homem é dez. Quando soube que teríamos dias de folga, sugeriu e pagou nossa viagem. Vocês não querem passar uns dias no Rio? Vocês conhecem o Rio? Trouxe as instruções, as passagens, aonde iríamos nos hospedar e tudo mais.
Clara, estou sentindo a sensação de que você falou. A brisa sobre a minha pele, parece que o mar, com suas pequenas ondas, quer falar alguma coisa conosco. É tudo maravilhoso.
Isaura, você fala como um poeta. Por falar em poesia, gostou da festa? Ele ainda nos presenteou com uma boate num apartamento, uma festa particular. Melhor, impossível. Festa com DJ. Além disso, ninguém a nos incomodar, dançamos soltas e leves.
Clara, era o que eu queria falar, a festa. Nunca fui a uma festa assim. Umas bebidinhas super bem-preparadas, umas comidinhas especiais, aqueles estofados para a gente se sentar, descansar, a vista para o mar.
Isaura, o mais engraçado foi que ninguém nos viu descer, não é mesmo? A gente saiu do apartamento e do edifício despercebidas, atravessamos a avenida e estamos aqui. Ninguém notou.
Clara, você não ficou preocupada de aparecer alguém? De um homem nos surpreender enquanto descíamos as escadas? Talvez haja câmeras espalhadas pelo edifício, na rua. Se alguém está nos monitorando?
Isaura, se há alguém nos monitorando, é o namorado que pagou a viagem. Se pagou, tem direito, não é mesmo? Mas eu acho que ninguém notou nem está nos espionando aqui na beira d’água. Já pensou quando voltarmos, caso a gente conte a alguém? Ninguém vai acreditar.
Clara, você é muito atirada. Você ainda disse: não podemos esquecer a pequena bolsa e nossos celulares, o restante a gente consegue. Até me lembrei de um namorado que tive em São Paulo, morava o homem nos arredores de Cotia. Certa vez fomos ao parque municipal, lembra? Eu contei a você. Tirei toda a roupa, coloquei numa pequena mochila, levei a mochila às costas e passeei com ele pelo parque. Às vezes eu parava, ele me abraçava. Num momento percebi o namorado tremendo. Perguntei o que era. Ele estava mais envergonhado do que eu, e estava vestido. A nua era eu! Não sei por que lembrei do homem agora.
Isaura, deve ser porque inventamos a aventura de descer nuas para a praia.
Clara, será que não vamos ter problemas? Já está claro, é dia. Veja o sol, que beleza.
Isaura, esqueça os problemas. Já que você observa a beleza do sol, não pense nisso. Tudo vai dar certo.
Clara, vi uma mulher passar. Acho que olhou para gente com uma cara de surpresa.
Isaura, não repare nas pessoas. Finja que somos as mulheres mais vestidas do mundo, com vestidos de grifes célebres. Agindo assim, as pessoas ficam longe. Tudo vai dar certo.
Sim, Clara, estou tentando. Estou tentando. E como você confia tanto no namorado, o homem que sempre vai pela manhã no mercadinho à tua caixa, te dá presentes, foi ele que programou tudo. Então, sim, você tem razão. Vamos esperar. Daqui a pouco ele aparece e tudo vai dar certo!
Isso, Isaura. Agora, sim, estou ouvindo a amiga do coração. Hum, sinta, meu amor, sinta a brisa na pele. Ela está um pouquinho mais intensa, está a nos acariciar com mais ardor. Aproveite e ouça também o marulhar. É o paraíso.
terça-feira, maio 14, 2024
Que susto!
Outro dia saí com umas amigas, fomos a um restaurante na orla de M. Algumas são casadas, outras têm seus namorados. Durante boa parte do jantar, ficaram a falar dos relacionamentos. Houve uma que disse estar arrependida, que se sentia melhor quando estava sozinha. Outra afirmou que, caso o namorado fosse bom de cama, era tudo muito bom, mas que não precisavam morar juntos. Uma das casadas falou que um homem ou uma mulher não são os mesmos durante a vida inteira, as pessoas estão sempre mudando e isso torna o relacionamento melhor. Quando se dirigiram a mim, respondi que estava feliz do jeito como vivo e que, naquele momento, não sentia necessidade de ter namorado ou algum tipo de relacionamento
Ao chegar em casa, tirei a roupa e me deitei no canapé que tenho numa das salas. Refleti sobre o encontro, sobre o que as amigas conversaram e, como bebera duas ou três taças de espumante, estava um pouco serelepe, isto é, excitada. Então, comecei a praticar o exercício ensinado certa vez por um amigo, uma espécie de prática que ele apelida de ioga do amor. Esta permite que a pessoa fique satisfeita coma própria companhia, que namore a si própria e se torne muito feliz com tal ação. Não se trata de masturbação, porque o que se pratica é soltar todos os músculos, até a gente se sentir totalmente relaxada; depois, pode-se mover, caso este seja o desejo, as energias pelas regiões que podemos chamar de sexuais. Com algum exercício, chega-se ao orgasmo. Dormi, então, satisfeita, agradecida por me bastar a mim mesma, sem necessidade de ter um homem ao meu lado. Jamais contei isso a nenhuma amiga, porque tenho certeza de que vão rir e tudo vai se transformar em fofoca.
Num dia desses, apareceu um antigo admirador. Convidou-me para sair. O que se tem para fazer em M além de se ir a um restaurante na orla marítima? Nada. Aliás, tem sim, dormir com o namorado na casa dele, na minha ou num hotel. Acabamos bebendo demais e ele me levou para um hotel. De início, achei muito bom, porque me tirava da rotina. Prometeu que ficaríamos até o amanhecer e que tomaríamos café da manhã no mesmo hotel, porque ele não trabalhava no dia seguinte.
Assim foi feito. Fui com ele. Tomamos banho juntos. Lembrei que, certa vez, ele me falara, numa brincadeira, queria me ensaboar por inteira. Naquela noite, acabei permitindo, mas não quis que me penetrasse debaixo do chuveiro, porque a transa acabaria logo. Após terminarmos o banho, fomos para cama, namoramos então com toda a intensidade. Para mim, que estou acostumada com gozos sutis, originários de práticas de relaxamento e imaginação, o contato pele a pele foi muito forte, proporcionando-me um prazer que eu não sentia há tempos. Além disso, ele ejaculou lá dentro, três jatos fortes e quentes. Que loucura.
Depois de tudo acabado, ele foi embora. Uns dias depois voltei a sair com as amigas. Elas continuaram com o mesmo assunto: namorados, homens bonitos, produtos caros, presentes ganhos por muitas delas. A casada disse que o marido lhe comprou um objeto lindo para a cozinha. Fiquei a imaginar como um objeto doméstico poderia lhe proporcionar tanto prazer. Acho que as outras pensaram o mesmo, mas se calaram.
Quando cheguei em casa naquela noite, como havia bebido as três taças de espumante, deitei-me nua novamente no canapé e comecei a fazer os exercícios, queria transar comigo mesma, praticar a ioga do amor. Fiz tudo certo, como sempre, mas apenas beirei o orgasmo. Acho que isso acontecia porque na hora principal me vinha à mente o amante de há poucos dias, o banho que ele me deu, o sabão que passou sobre meu corpo e depois a fricção do seu pênis dentro da minha vagina. Não era possível, caso eu tivesse ficado apenas nos meus exercícios já teria gozado e estaria muito satisfeita. O contato carnal com o homem me fizera perder a sensibilidade. E agora, como faria dali pra frente para namorar comigo mesma?
Depois de repousar durante alguns minutos, voltei ao movimento das energias. Consegui, então, mover meu clitóris, uma, duas, três vezes; de novo, uma, duas, três vezes. O momento do prazer máximo se aproximava. Movi então as duas coxas de leve. Depois, relaxei o corpo novamente e voltei às energias. Veio-me ao pensamento a ousadia de um antigo namorado. O que ele fizera para me provocar tamanho gozo? Tenho vergonha de dizer agora. Mas, ao pensar naquele momento, o prazer foi crescendo, crescendo, até que... beirei de novo ao gozo, mas não consegui chegar à explosão a que estou acostumada. Será que, daqui em diante para chegar ao orgasmo terei de agir como minhas amigas, arranjar namorado, um relacionamento ocasional ou mesmo me casar? A ameaça me soou como se eu fosse uma fada despida dos seus poderes.
Demorei três semanas praticando os exercícios, fazendo direitinho tudo que aprendi na ioga do amor. Enfim, na última vez... Vamos ao que aconteceu: comecei a sentir meu clitóris se mover sem que eu me esforçasse; a seguir, passei a sentir uma quentura intensa na região do baixo ventre. Pensei no tal namorado com sua ousadia que não consegui contar até aqui. Então, explodi!
Graças, que bom! Eu que pensava, tão temerosa, não mais conseguir namorar comigo mesma, não mais sentir o prazer sozinha. De agora em diante, vou me preservar, tenho de manter a sensibilidade, nada melhor do que esse gozo.
Será? E os três jatos fortes e quentes? Não sei, acho que, com minha varinha, vou contar estrelas...
sexta-feira, março 22, 2024
Franjas negras
No calor do baile de carnaval – sou atriz, a equipe de filmagem preferiu um baile verdadeiro no lugar de montar uma festa cênica –, entre os corpos suados e os ritmos enlouquecidos, me vejo envolta numa dança sedutora, onde a linha entre fantasia e realidade é muito tênue. No momento, ensaiamos. Vestida com meu biquíni mínimo, coberta apenas por franjas negras que se movem ao ritmo da música, apesar da seminudez não me sinto vulnerável, mas corajosa. "Por favor, não vai me deixar nua, não posso voltar pra casa sem..." digo em meio ao som da banda ao meu namorado, enquanto os olhares devoradores me cercam.
Chega o momento da filmagem, e diante das câmeras, repito aquela mesma frase para o homem à minha frente. Danço com uma intensidade magnética, hipnotizando-o. A energia do lugar parece se intensificar, e a filmagem flui sem falhas, capturando toda a sensualidade do momento. "Por favor, não vai me deixar nua, não posso voltar pra casa sem..." repito, enquanto o pessoal da equipe capta minha voz através de um microfone pequenino; eu; entregue ao frenesi da dança.
A equipe de filmagem se despede, e parte. Não quero acompanhá-la, o baile me contagiou. O diretor me alerta, deixando-me imersa na atmosfera eletrizante da noite de carnaval. Um homem (o verdadeiro namorado?), cujos olhares me seguiram desde o início, se aproxima. Sua presença é como uma chama que me consome, e eu me entrego sem hesitar à dança envolvente que ele propõe. "Por favor, não vai me deixar nua, não posso voltar pra casa sem..." repito mais uma vez, quase inconsciente, busco uma sensação de segurança que parece se dissolver diante da sua proximidade. E então, suas palavras chegam-me misturadas à música alegre, solta; sua voz metida a boba, um sussurro provocante: "Você já está nua faz tempo, não notou?" A mão do recente namorado traça um caminho pelo meu corpo, destacando a ausência de qualquer vestimenta, nem as franjas que mal me cobriam! Sinto-me flutuando, entregue àquele jogo de sedução que ultrapassa os limites do que é visível, pelo menos enquanto durar a festa, enquanto o sonho persistir.
No do final do baile, em meio ao silêncio da banda e misturada ao som das despedidas, minha voz
repete o mantra, agora com variação: “por favor, não posso voltar pra casa sem, procure a responsável
pelo figurino!”
terça-feira, fevereiro 13, 2024
O vestido e a paquera
Na cidade animada durante o Carnaval, um clube
noturno vibrava com a energia contagiante da festa. O som pulsante da música
ecoava nas paredes enquanto as pessoas dançavam e celebravam vestidas em
fantasias extravagantes. No entanto, a história intrigante girava em torno de
um casal, Pedro e Júlia.
Naquela
noite, as garotas da turma costumavam namorar num bosque tranquilo, atrás do
gramado de um campo próximo ao clube. O ambiente natural oferecia um contraste
à agitação da festa, proporcionando um refúgio romântico.
Pedro
ficou surpreso quando Júlia sugeriu uma escapada para o bosque. Eles caminharam
juntos, compartilhando risos e segredos sob as estrelas. Em um momento de
espontaneidade, Júlia, empolgada pelo clima festivo, decidiu ficar apenas de
biquíni. Pedro, admirando a ousadia da namorada, não conteve seu sorriso.
–
Pode ser arriscado – chegou a dizer.
–
Que arriscado nada, gosto de namorar também com o perigo – sorriu ela, arteira.
Agarraram-se
com avidez e fizeram tudo que tinham vontade. Beijos, abraços, carícias;
rolaram na grama, aconchegaram-se.
Quando
decidiram retornar ao clube, Pedro percebeu que o vestido de Júlia havia
desaparecido.
–
Nossa, e agora? – ela pareceu assustar-se. Sem querer chamar atenção, sugeriu
que ele fosse procurar uma camiseta enquanto ela esperava no esconderijo.
– Vista a minha – sugeriu, fez um movimento de que iria tirá-la para entregar à namorada.
– Não pode ser a tua, não, as pessoas vão reparar você sem a camisa e eu vestida com ela, sabe como são as fofocas nessa cidade; vai, rápido.
Pedro demorou um pouco, mas conseguiu voltar trazendo a camiseta. Para sua surpresa, porém, Júlia não estava lá. Ele a procurou ao redor, suspeitou que alguém tivesse aparecido e ela afastara-se para um local mais arborizado, evitando ser flagrada vestindo apenas a parte inferior do biquíni. Depois de olhar todo o local, deu-se por vencido. Quem sabe ela teria conseguido safar-se de outro modo, com a ajuda de uma amiga.
A
verdade, no entanto, era outra. Havia tempo que Antônio, um homem alto e bonito
que Júlia apreciava, andava à espreita. Quando notou a mulher nua e sozinha
aproveitou para aparecer. Acabaram fazendo uma festa. Como ele tinha um apartamento
na região, levou Júlia, onde ficaram até o meio-dia.
Júlia,
então, ligou para Clara, uma amiga, a quem fez o pequeno relato de suas aventuras
e pediu que a acolhesse dali a uma hora; que abrisse a porta da casa assim que
ouvisse a buzina do carro do homem que a levava, porque vestia apenas a
camiseta emprestada por ele, resultado de tantos exageros cometidos por ela naquela
ótima festa.
Ao
entrar em contato com Pedro durante a tarde, Júlia lhe explicou que, enquanto
ele buscava a camiseta, ela encontrou uma amiga que a ajudou a se esconder. Como
ele demorava, a amiga sugeriu outra solução, emprestou o curto chale, parte
da fantasia que vestia, que serviu de vestidinho a ela, Júlia.
Pedro,
inicialmente confuso e surpreso, acabou rindo da situação e acreditou que Júlia,
ajudada por Clara, dormira na casa da amiga.
–
Por que você não telefonou? – quis ele saber.
–
Se você fosse uma mulher pelada às cinco da madrugada, também não lhe passaria
pela cabeça ligar para alguém, mesmo que este fosse o namorado, o noivo ou
mesmo o marido.
Pedro
aceitou o argumento. Ambos riram e a história se tornou uma anedota entre eles.
O Carnaval ficou marcado não apenas pelas festas extravagantes, mas também por
essa aventura inesperada e divertida no bosque.
E Antônio? Um conquistador nato. Júlia foi uma de suas conquistas. Ela saiu com ele ainda uma vez, mas logo descobriu que melhor mesmo era ficar com o namorado. A história do bosque e o segundo encontro acabaram como lembranças de arrepiar. Um dia, ela poderia contar tais aventuras às amigas mais íntimas, prova de ousadia e de que gostava de experimentar.
quarta-feira, janeiro 31, 2024
Será ele o inventor da pulseirinha
Vir ao Rio de Janeiro é sempre uma boa escolha. Além de a cidade oferecer muitas opções de compras, com diversos shoppings e lojas de marca, há também a beleza natural, destacando-se as praias, tanto na própria cidade quanto em outros municípios do estado. Desta vez, escolhi ficar hospedada em um hotel no Leme, na zona sul. Como de costume, trouxe um biquíni novo para estrear aqui. Ele é minúsculo, com as tiras laterais feitas de uma espécie de fio de nylon com elástico. Antes, eu nem sabia que algo assim existia. Ao passear pela praia, as pessoas pensam que estou nua, pois as tiras são praticamente imperceptíveis. Somente ao olharem com mais atenção, notam o pequeno triângulo que me cobre na frente e um fiozinho de pano na parte de trás, que quase desaparece.
Ontem, conheci um homem muito atraente, por volta dos trinta anos. Confessou que não foi o biquíni que lhe chamou atenção, mas sim a minha beleza. Vamos acreditar nisso. Ficamos conversando e depois entramos para um mergulho. No entanto, ele não tentou nada mais. Se estivéssemos na minha cidade, tenho certeza de que os rapazes teriam tentado me conquistar. Felizmente, estou longe de lá e não pretendo voltar tão cedo.
Existe algo interessante que sinto ao usar esse biquíni. Ele aperta um pouco, uma sensação excitante me vai tomando aos poucos, chegando quase a um ápice. Acho que, se eu me deitar na cadeira de praia e deixar o sol me aquecer, talvez a sensação se intensifique! No entanto, é melhor aguardar pelo homem que conheci. Preciso ter cuidado, pois tenho amigas que compartilharam histórias que, para algumas, são excitantes, enquanto para outras são um tanto perturbadoras.
Uma dessas amigas se chama Maria Lúcia, veio da mesma cidade onde moro e ficou em Copacabana por três semanas. Maria Lúcia adorou o sol, o mar e o namorado que encontrou. Contou-me que eles mergulharam juntos e o homem a abraçou, ficaram agarradinhos dentro d'água. Em algum momento, ele colocou o pênis dentro do biquíni dela, resultando em uma experiência intensamente prazerosa. Maria Lúcia compartilhou essa história rindo, mencionando que jamais tinha vivido uma sensação tão gostosa.
Já outra amiga, chamada Glória (nome fictício), pediu sigilo porque o recente namorado lhe tirou a parte inferior do biquíni e fez uma pulseirinha. Quem usou a pulseirinha? Ele! Glória conta que, para intensificar a sensação de prazer, ele foi até a areia para conferir algo, deixando-a esperando pela devolução da pulseirinha. Felizmente, ninguém notou a nudez de minha amiga. Perguntei se havia bebido algo antes disso acontecer. "Ah, adivinha", respondeu. "Já sei", completei, "você fica animada com uma caipirinha!" "Mas morro de vergonha depois, quando fico sóbria!", segredou baixinho, quase junto ao meu ouvido. Ainda bem que o pilequinho lhe durou bastante naquele dia.
Estou indo agora para a praia, vou encontrar meu namorado. Será que ele é o inventor da pulseirinha? Que arrepio.
quarta-feira, dezembro 13, 2023
Refuge
J'étais à Búzios, absorbant la tranquillité de la plage, profitant de chaque moment sans être dérangée. La liberté de porter le plus petit bikini, de m'exposer au soleil et de me baigner à ma guise était une expérience libératrice. Ici, personne ne me jugeait.
Mes pensées dérivèrent vers ma ville natale,
M, située à soixante kilomètres au nord. Une communauté conservatrice et pleine
de commérages, où chacun connaissait l'autre, menaçait de me priver de ma
liberté. Le simple fait de penser à revenir à M dans cet état d'esprit
provoquerait des remous et alimenterait les ragots.
Le retour à la plage m'apaisa. Je me
délectais du plaisir simple d'être ici. La décision était prise : je ne
retournerais pas à M ce jour-là. La nuit me réservait une aventure dans la Rue
des Pierres. Peut-être y rencontrerais-je quelqu'un, peut-être sortirais-je
avec un homme séduisant, une personne dont je n'aurais pas besoin de connaître
tous les détails, juste la chaleur de son corps.
Alors que je contemplais l'horizon, deux
jeunes femmes attirèrent mon attention. Elles semblaient profiter pleinement de
la vie, entourées de jeunes hommes qui les embrassaient tendrement. L'une
d'elles dansait avec une sensualité débordante, exprimant son désir de manière
évidente.
Au fil des heures, je n'étais plus seule. Un
jeune homme au teint hâlé par le soleil se tenait à mes côtés, caressant
doucement mon dos tout en chuchotant à mon oreille une histoire passionnante.
La nuit à Búzios promettait des moments excitants, et je me laissais emporter
par cette nouvelle aventure, loin des contraintes de ma ville natale.
À mesure que la nuit avançait dans la Rue des
Pierres, le mystérieux inconnu et moi nous plongions dans une conversation
captivante. Il partageait des histoires qui éveillaient ma curiosité, créant
une connexion entre nous. Une attraction magnétique se développait, une
sensation de liberté qui transcendait les limites imposées par ma ville natale.
Nous avons décidé d'explorer ensemble les
charmes nocturnes de Búzios. Parcourant les rues éclairées par des lumières
vibrantes, nous nous sommes immergés dans l'énergie palpitante de la vie
nocturne. Passant devant des bars animés et des restaurants accueillants, nous
nous sommes laissés emporter par un monde de possibilités, où la liberté et la
spontanéité régnaient en maître.
Nous dansions sous les étoiles au bord de la
mer, nous perdant dans la musique qui résonnait le long des plages de Búzios.
La chimie entre nous était palpable, une évasion nécessaire de la vie contrôlée
et des restrictions auxquelles j'étais habituée à M. À ce moment-là, je me
permettais de vivre pleinement, sans crainte du jugement extérieur.
La nuit se déroulait avec une atmosphère de
romance et de mystère. Mon compagnon et moi avons décidé d'explorer les plages
désertes sous la lumière de la lune, où le bruit doux des vagues complétait la
syntonie entre nous. Une connexion intense grandissait, défiant les normes et
les restrictions qui avaient l'habitude de me limiter la vie.
Alors que l'aube approchait, j'ai réalisé que
cette nuit à Búzios représentait bien plus qu'une simple évasion. C'était une
expérience libératrice, un chapitre mémorable qui défié les liens d'une vie
marquée par les commérages et les conventions sociales. La promesse d'aventures
à venir flottait dans l'air, et j'étais déterminée à embrasser chaque moment,
savourant la liberté que j'avais trouvée dans ce refuge en bord de mer.
En parlant de refuge, nous avons trouvé une
cabane de pêcheurs, vide à ce moment-là. Mon homme m'a déshabillée lentement,
savourant chaque parcelle de mon corps chaud. Après des étreintes intenses,
l'essentiel s'est produit, l'union de nos corps, un déversement bienheureux,
loin de tous les préjugés.Il me libérait de toutes les entraves.
domingo, dezembro 10, 2023
Parceira
A busca por um parceiro tem sido desafiadora. Muitas amigas me dizem: “Eliane, você acabou de entrar nos cinquenta anos, mas mantém uma beleza e juventude que poucas mulheres possuem. Esta cidade onde moramos, digamos que se chame M, com seus trezentos mil habitantes, tem muitos lugares para nos divertirmos, muita possibilidade de paquera, e você, com o seu pequeno apartamento acolhedor, é privilegiada, um local perfeito para o amor.”
Mal sabem elas que, apesar da beleza que insistem em elogiar, sinto um vazio nas noites solitárias. Gosto de fazer amor, mas a conexão certa parece escapar entre os dedos. Foi então que apareceu um amigo de longa data, alguém que prometia ensinar-me algo especial. Ele me conduziu a uma prática única de relaxamento e movimento de energias interiores, algo que despertou minha curiosidade e, quem sabe, um novo prazer. Primeiro, pediu-me que deitasse e largasse todo o peso do corpo sobre o solo. Depois, pouco a pouco, me fez desligar parte por parte, começando pelos pés, a seguir as pernas, os joelhos, coxas etc., até completar todo o corpo. Senti-me flutuando. A partir daí, fez com que eu juntasse energias e as movimentasse desde a cabeça até os pés. Em alguns momentos me senti livre, no ar; em outros, experimentei uma quentura por onde passavam as energias. Foi a vez então de concentrar seus movimentos nos órgãos que nos estimulam o sexo. Não passou muito tempo, senti um gozo enorme.
Decidi
praticar as técnicas por conta própria. Saía com amigas, ouvia histórias
românticas, mas mantinha segredo sobre minha própria jornada. Ao chegar em
casa, entregava-me à "yoga do amor", movimentando energias que
traziam um prazer tão intenso que parecia uma dança solitária e mágica.
Numa
noite comum, conheci um homem especial. Convidei-o para meu pequeno
apartamento, onde conversamos, compartilhamos um bom vinho e, eventualmente,
começamos a namorar. Corajosa, pedi-lhe que se deitasse imóvel, enquanto eu
explorava as energias interiores. A dança que se seguiu foi intensa,
levando-nos a um prazer profundo e prolongado, uma transa que se estendeu por
quase duas horas. Seu sexo rijo me penetrava, mas pedia-lhe que não se mexesse,
as energias que eu movimentava interiormente refletiam nos meus grandes lábios,
que mordiam seu pênis num intervalo de tempo pontual e contínuo.
Os dias transcorreram e ele prometeu um
próximo encontro. Em uma noite de sexta-feira, juntei-me às minhas amigas,
mantendo uma fachada de normalidade. Optamos por um restaurante à beira-mar,
onde desfrutamos de vários coquetéis e saboreamos pratos leves. Conversamos
sobre assuntos ligeiros, desde trivialidades até casos divertidos ou
surpreendentes relacionados a namorados e paqueras.
Ao
nos despedirmos, peguei um táxi de volta para casa, ansiosa pelo encontro com
meu namorado. No entanto, ele não apareceu. A desilusão momentânea foi logo
substituída por um sentimento de autossuficiência. "Sem problemas",
pensei. Sou feliz sozinha, em companhia de mim mesma, como sugerem as
terapeutas da mente. Aquela noite solitária não seria um obstáculo, mas uma
oportunidade para explorar ainda mais a minha jornada pessoal, um caminho que
me proporcionava satisfação independente de qualquer presença externa.
Deitei-me,
relaxei e, mais uma vez movimentei as energias interiores. O prazer que
experimentei foi profundo, uma celebração da minha própria jornada, uma yoga do
amor que me pertencia, independentemente de qualquer outra presença. Num
momento de êxtase intenso, tremi involuntariamente, meus grandes lábios
latejaram, ávidos, eu não precisava me concentrar, não precisava de nenhum
pênis, tudo era muito natural. Meu corpo era o meu próprio prazer. Gozei com
ele, gozei por ele, e não foi só uma vez. Planava una e úmida. Alta a noite,
senti-me plena, recompensada, como jamais.
quarta-feira, novembro 22, 2023
Fonte
Eu achava bom não ter namorado, ficar sozinha, ter prazer
comigo mesma. Mas apareceu mais um homem na minha vida. Foi no aniversário de
uma amiga. Ele estava conversando com ela e mais algumas pessoas, quando a
aniversariante me chamou para ficar entre eles.
Não passou muito tempo o tal estava me olhando e querendo conversar
comigo. Lá pelo meio da festa, andei de um lado a outro, conversei aleatoriamente
com outras pessoas, mas sempre acabava dando com ele. Pelas tantas da madrugada, trocamos
nossos números para enviarmos mensagens um ao outro. No final da festa, meu
recente-admirador se ofereceu para me levar em casa. Recusei e recusei. No
entanto, minha amiga aniversariante acabou dizendo vai com ele, Leila, já é
tarde, pegar um Uber agora, acho que não é bom. Aceitei a carona, mas me
mantive muito séria.
Passaram-se algumas horas, recebi mensagem dele. Gosta de se
fazer de engraçado. Trata-se de alguém com bom humor e umas tiradas
intelectuais. No subúrbio, um tipo assim faz sucesso. Pouco a pouco fui correspondendo
às suas investidas, marcamos encontro e saímos. Fomos ao cinema, no shopping, e
depois a um restaurante. Ele se mostrou divertido, perguntou pelo que eu mais
me interessava. Que coisa difícil de se conversar, logo eu que não sou intelectual,
que não penso muito nessas coisas. Não me apavorei. Ele conhece alguma coisa,
mas não é tanto assim, seu comportamento tem mais pose do que verdade.
O que me fez namorá-lo, porém, não foi isso. Adivinhem! Não
queria falar assim, abertamente, mas não tenho outro modo. O que me prende a
ele é o sexo. Isso mesmo. De todos os homens com quem tive relações, ele é o
mais intenso. Essa é a palavra, vou repetir: intenso. A gente trepa durante um
tempo enorme, ele faz algumas encenações, gosta de me penetrar e demora a
gozar. Me ensinou mesmo algumas coisas sobre as quais eu jamais pensara. Nenhum
homem demora tanto assim no ato sexual, como ele faz comigo. Por isso, minha
intenção de ficar sozinha, de gostar de mim mesma e aproveitar a vida sem ter
de me preocupar com homem algum, foi por água abaixo.
Por falar em água abaixo, é engraçado. O namorado me excita
tanto, que eu me transformo em água. Verdade. Nunca senti nada igual. Consultei
mesmo uma médica pensando que eu estava com algum problema. Ela me perguntou
quanto tempo você não tem relação sexual com um homem? Respondi. É por isso,
você ficou muito tempo sozinha, procurando prazer com a imaginação, o que não é
tão eficaz, respondeu.
Continuo com ele, o namoro vai bem, a gente faz mil coisas juntos. Não conto pra ninguém, pode dar azar. E a qualquer momento, quando resolvemos transar, me transformo numa fonte. Isso mesmo, fonte, a palavra certa.
quarta-feira, maio 24, 2023
Encontrei?
Era uma noite quente de verão, e a praia estava deserta. A
lua cheia iluminava as areias brancas, enquanto as ondas quebravam
suavemente na costa. Eu caminhava pela praia, descalça, deixando as marcas de meus
pés na areia. De repente, vi algo brilhando no chão. Aproximei-me e percebi que
era um vestido. Peguei-o e reparei que era um vestido de seda verde, com um
decote profundo e a parte inferior comprida.
Olhei ao redor, não havia ninguém. Decidi experimentá-lo.
Fiquei surpresa ao constatar que se ajustava perfeitamente ao meu corpo, era como se fosse feito especialmente para mim.
Dei mais alguns passos sobre a areia, virei-me par o mar.
Será que a dona da tal seda nadava nua em meio as ondas? Não vi ninguém. Voltei-me
para a parte alta, onde nasce uma espécie de mato que cobre o chão até junto à
estrada. Também não vi ninguém. O silêncio da madrugada só era quebrado pelo
marulhar à meia distância da costa.
Deixei minha calça jeans e a blusa que eu vestia sobre um pequeno
monte saliente nas areias. Caminhei até a beira d’água e senti a água do
mar, fria fria, molhando-me os pés e os tornozelos.
Continuei a caminhar pela praia sentindo-me incrivelmente
elegante com o meu novo vestido. Dancei à beira do mar, ouvi música imaginária e
ri das minhas próprias bobagens enquanto a brisa soprava suavemente através dos
meus cabelos.
O vestido sobre a pele ainda me trouxe a lembrança de um
namorado de mais ou menos dez anos passados. Eu morava em outra cidade, também
litorânea e menor do que a de agora. Ele teimava que me queria nua, íamos com
frequência à beira da praia para namorar. Um dia, não sei o motivo, depois
de um intenso corpo a corpo com o rapaz, ao voltarmos ao ponto de chegada, não
encontrei o meu leve vestidinho! Que problema... Mas tudo se resolveu a tempo.
Ninguém do lugarejo me viu entrando nua em casa. No final, caímos numa
gargalhada gostosa. Dias depois, ele me trouxe um vestido novo, de presente, adquirido
num shopping da cidade vizinha.
No momento, porém, o vestido verde me intrigava. Quem seria
a sua dona? Será que andava nua por aí com o namorado e depois viria procurar
pela roupa? Será que eu, ao levar o vestido, a deixava em apuros? Percorri ainda
uma distância de mais ou menos quinhentos metros.
Quando tive a intenção de voltar, senti imenso desejo de dar
um mergulho. Você já mergulhou à noite, a praia deserta, apenas você e a natureza?
Tirei o vestido, dobrei-o com cuidado e corri nua para dentro d´água. Permaneci
nadando e mergulhando por um quarto de hora.
Quando voltei à areia, o vestido verde estava no mesmo
lugar. Esperei um pouco até secar o corpo e o vesti de novo.
Ao me aproximar do local inicial de minha caminhada, senti
alguém me tocar as costas. Que susto! Não ouvira ninguém até então. Uma mulher
nua, muito parecida comigo – a única diferença era a cor morena da pele e os
cabelos negros – me pediu o vestido de volta.
– Você gostou, não? Posso emprestar – ela disse enquanto eu o tirava e o devolvia.
– Corajosa, você, andando nua por aí, pode aparecer alguém.
– Não aparece, estou acostumada.
– E escapou de ter de voltar nua pra casa – acrescentei.
– E quem sabe se já não voltei – soltou com ar debochado, enquanto terminava de vesti-lo.
Deu-me as costas, disse até logo e se
foi.
Só então me dei conta de que, naquele momento, a nua era eu. Corri à procura do monte saliente nas areias onde tinha deixado a calça jeans e a blusinha de renda.
quarta-feira, maio 03, 2023
Nunca fiquei tão solta
Vou te contar, escuta, foi muito excitante, nunca fiquei tão solta. Saí com ele, aquele cara que conheci semana
passada, já te falei sobre o homem. Fomos a um bar, entramos, sentamos e
começamos a conversar. Papo vai, papo vem, cada um contava um caso, assunto puxa assunto e coisa e tal. Ele olhava pra mim, os olhos
brilhantes; eu, pra ele, revelando já certa volúpia, e olha que fui vestidinha,
super bem-comportada. A seguir, ele perguntou: você quer beber o quê? Acho que
um coquetel. Olhamos o cardápio, cada coquetel que era uma maravilha. Escolhi
um composto com gin, de cor azul, lindo. Chamamos o garçom, pedimos. Não passou
muito tempo, as duas taças diante de nós. À medida que consumíamos, a conversa
ficava mais animada. Ele pediu alguns salgados, muito gostosos por sinal, umas
pastas, torradas etc. O garçom voltou, colocou tudo sobre a mesa. Comíamos com
delicadeza, a conversa versou sobre teatro, cinema, atores e atrizes. Juro, não
sabia que ia ficar tão animada, não conseguia me conter, comecei a rir, às
vezes o escutava com tanta atenção, que parecia estar prestes a me fazer uma
descoberta.
Lá pelas tantas, sugeriu: vamos beber mais, ok? Como eu já estava rindo à toa, nem respondi. Quando veio o outro coquetel, só ficávamos quietos ao colocar a boca na beirada do copo para tomar mais um gole. Comecei a contar casos que eram segredos, como o que aconteceu com a Luciene, lembra? Conheces a história: era mais de meia-noite quando ela me telefonou, tive de sair às pressas para buscá-la no centro da cidade, levei uma canga para que não voltasse nua pra casa. Ele achou a história muito engraçada. Como uma mulher vai parar num quarto de hotel com o namorado e na hora de ir embora não encontra as próprias roupas? Falei de outras amigas minhas, suas dissimulações. Ele ouvia. Também revelei que estou sozinha há muito tempo. Permanecemos no bar até as seis da tarde.
Ao nos darmos por satisfeitos, ele
pediu a conta e saímos abraçados um ao outro. Andamos um pouco pela rua, pensei
de repente: aonde é que nós vamos agora? Ele não me falava nada sobre isso,
estávamos ali pelas imediações do Largo. Então, convidei: vamos até lá em casa
tomar um café? Ele aceitou.
Entramos na rua das Laranjeiras e
seguimos em frente. Depois do viaduto, ainda andamos duas quadras e dobramos à
direita, na minha rua. Chegamos ao prédio. Subimos.
Logo que entramos, fui a cozinha e
coloquei a cafeteira pra fazer o café.
Voltei à sala e me sentei ao lado dele. Em certo momento, não aguentei,
era tanto fogo que eu sentia. Nossos rostos estavam próximos, dei-lhe um beijo
na boca. Não duvide, fui eu que tomei a iniciativa. Ficamos agarrados, ele me
abraçando, até que falei espera um instantinho. Corri ao banheiro, tirei toda a
roupa, todinha mesmo, envolvi o corpo numa toalha e voltei pra sala. Pedi pra
que ele se levantasse e viesse me dar um abraço. Ele obedeceu. Levantou-se e
veio até o centro da sala. Dei-lhe outro beijo na boca, com bastante ímpeto.
Abracei-o com força. Ele puxou a toalha, que foi ao chão. fiquei agarradinha a
ele, nua por inteiro. Acabou me carregando no colo e me levou pro quarto.
Aí aconteceu, foi uma transa
inesquecível. Que loucura. Lembro perfeitamente. Nem colocamos camisinha,
nenhuma proteção. Perdi mesmo a cabeça. Ele me acariciou de todas as maneiras.
Depois, fez o principal. Que delícia! Ainda ficamos deitados durante umas duas
horas.
Quando levantamos, voltei à cozinha
e trouxe o café, que ainda não havíamos bebido. Sentamos novamente lado a lado
no canapé e bebemos, eu ainda nua. Continuamos a conversar, mas com poucas
palavras. Vez ou outra ele me tocava a pele, me beijava o rosto ou os lábios.
Em um momento, tocou-me um dos seios. Comecei a sentir de novo uma enorme
quentura.
Ele partiu às onze e trinta, tinha
de acordar cedo pra trabalhar. Eu, então, comecei a pensar na nova situação, tudo
tão de repente. O que vou fazer daqui pra frente? Sei, Glória, pra você as
coisas são mais fáceis. Quanto a mim, sou ainda um pouco dura, sem jogo de
cintura, como dizem por aí. Além disso, veja a minha idade, já não sou uma
garota, não sei se uma nova relação amorosa vai me fazer bem. O amor nos deixa
aos sobressaltos. Você acha mesmo? Que bom, vou pensar, tudo bem. Ok, um beijo,
amanhã a gente se fala.
segunda-feira, dezembro 19, 2022
Lábios molhadinhos
Tenho um admirador com quem saio vez ou outra. Ele adora me beijar os lábios, diz que eles são molhadinhos, o maior frisson. Mas tenho um segredo, vou contar, não espalhem. Sou casada. Meu bairro é Copacabana, meu marido fica em casa, e eu domingo pela manhã dando beijos na boca de meu admirador. Ele é esperto, sempre convida para o café da manhã. Caminho até a orla ou até o local combinado, encontro com ele e vamos para uma das cafeterias do bairro. Caso meu marido me telefone, estou com a Milena, uma amiga parecidíssima comigo que muita gente pensa que é minha irmã gêmea -, ela adora tomar café. Meu amigo me diz escolhe o que você quiser. Outro dia me disse vamos tomar café da manhã no restaurante do Hotel Tal e Tal. Entrei e saí do hotel com o rabinho entre as pernas, morta de medo de que algum conhecido me reconhecesse, e ao lado de um homem que não é o meu marido! Na despedida, me segurou a cabeça com as duas mãos e beijou meus lábios, úmidos e deliciosos, como sempre diz.
Quando era solteira, tive um namorado que adorava a mesma coisa. Era um sarro. Eu não queria outra vida. Penso por que não ficamos juntos. Não sei. À época, eu saía com tanta gente, muitas festas, muitos homens. A fila anda, eu dizia. Até que parou. Parou no casamento. Será? Você, querido leitor, há de achar que não parou, que continua, e como.
Ah, minhas divagações. Agora, caminho pela Santa Clara, meu amigo ou admirador-amigo-namorado
me aguarda. Enquanto desço a Rua, penso na Clara. Ela adora passear sem o
marido. Clara, por que você casou, se sai com tanta gente? Márcia, fala sério,
você acredita em monogamia? Mono o quê?, tenho vontade de perguntar, só de
brincadeira. Não sei, Clara, monogamia é um problema... Então, o que tem a
gente passear com amigos, admiradores, colegas etc. e tal? Diz adorar o marido,
mas adora mais a vida que leva, portanto as duas ações lhe caem bem. Você apenas,
passeia, não é, Clara? O que você acha, Márcia? Sorriu, extasiada. Não sei o que
significou o sorriso. Eu não quis insistir no assunto. Certa vez a encontrei vestindo
uma saída de praia de rendinha, o biquíni mínimo. Vou encontrar um amigo,
disse, ele fica ali no 4, um amigão mesmo, me deu as costas e partiu, de
bundinha de fora. Acho que me lembro de Clara, porque faço a mesma coisa que ela!
Ah, é aqui, o local combinado com meu admirador, uma nova cafeteria. Onde, ele? Acho que está atrasado? Envio mensagem. Outro dia foi a Alessandra, disse que ficou uma hora esperando pelo homem. Eu, esperar?, nem pensar, sumo no ato. Alessandra esperou, desculpou-o pelo atraso e depois disse que teve uma tarde maravilhosa. Meu admirador-amigo-namorado já chegou, olhe ele lá, numa mesa, bem no final da varanda. Será verdade o que vejo, está acompanhado? Quem é a mulher? Não é possível, não acredito, é a Milena! E tem os lábios todo molhadinho...
domingo, dezembro 11, 2022
Convite para terça-feira
O mesmo aconteceu àquela tarde. Como uma mulher nua dentro da piscina de um quarto de motel ia escapar do ex-namorado? Tanto mais depois que ele passou um creme sobre o meu corpo.
