segunda-feira, abril 23, 2018

Kant à beira-mar

Nós sempre trabalhamos muito, por isso, num feriado prolongado, alugamos uma casa em Muriqui. Eu, Leila, e Wanda. Convidamos os rapazes. Apenas dois estavam disponíveis. Não se tratava de nossos namorados, mas gente que gosta de se divertir. Na sexta feira à noite começamos os preparativos. Já na madrugada, partimos para o nosso destino. Como moramos na baixada, pegamos um ônibus até a rodoviária de Nova Iguaçu. No mesmo local, bem cedinho, havia o tal ônibus que nos deixaria na cidade praiana.

Dez da manhã já entrávamos na casa. Apenas nós três. Os homens viriam mais tarde e trariam bebidas e comidas. Vistoriamos o local. Um amor de casa, apenas a uma quadra da praia. Deixamos nossos pertences num dos quartos onde havia uma cama de casal, uma de solteiro e um armário de quatro portas. O local cheirava bem, aquele cheirinho de limpeza. Vestimos nossos biquínis, escrevemos um bilhete, que colamos na porta de entrada. Corremos à praia.

A praia de Muriqui é refúgio de muita gente que vem de lugares de periferia. Não há vergonha alguma nisso. Mas as mulheres desses lugares são um tanto escandalosas. Falam alto, às vezes lhes falta educação. Vestem-se de modo escandaloso e ficam agarradas ao namorado o tempo todo. Logo que fincamos nosso guarda-sol, reparamos uma morena que usava um biquíni minúsculo, a bunda toda de fora, parecia até um biquíni feito de fita isolante. Quem sabe era mesmo. Magra, alta, bonita, a mulher movia-se com delicadeza, mas vez ou outra representava gestos de quem está próxima ao orgasmo.

Eram dez e trinta da manhã e já havia muita gente namorando numa das pontas da areia, onde há um muro baixo, que serve de proteção à maré alta. Mesmo em pé as mulheres permaneciam de olhos fechados, guardadas pelos grandes braços de seus homens. Não se moviam, pareciam concentradas num prazer quase espiritual.

Leila tirou a canga e sentou-se na cadeira de armar.

“Ah, até que enfim”, disse e sorriu, “vou aproveitar o dia, como estou precisando!”

Wanda era a única que fumava. Abriu a bolsa, tirou um cigarro e o acendeu, depois também sentou. Permaneci de pé, olhando ao redor, queria me certificar de que não havia conhecido algum.

Como ainda era relativamente cedo, muitas famílias aproveitavam o sol ameno para levar suas crianças ao banho de mar. Pais conduziam os filhos até a beira d’água, outros faziam bonecos de areia, com os brinquedos das crianças. Estas sorriam e queriam sempre algo mais.

“Está praia é uma azaração à tarde”, suspirou Leila.

“É mesmo?”, eu desejava que ela falasse mais.

“A gente espera companhia, não é mesmo? Caso não fossem os rapazes, daria pra escolher ficante, ou mesmo namorado”, completou.

“Você já esteve aqui outras vezes?”, Wanda perguntou a Leila.

“Sim, duas vezes. Numa delas vim também com duas amigas. Vocês querem sabe mesmo como foi?”

“Eu quero”, falei e sorri. Reparei uma mulher que corria para a água seguida de um homem que parecia desejar segurá-la. Deviam também ser namorados.

“No primeiro dia, fiquei com dois rapazes, e quase ao mesmo tempo.”

“Não houve confusão, ou ciúmes, por parte de algum?”, olhei Leila nos olhos e esperei a resposta.

“Nada, eles queriam mesmo aproveitar o momento, depois procuravam outra. Acho que naqueles dias estava na moda namorar o maior número de pessoas num espaço curto de tempo.”

“E o que vocês fizeram?”, Wanda mostrava-se curiosa.

“Fizemos de tudo, só pedi pra não gozarem dentro.”

“E eles respeitaram?”, perguntei.

“Acho que sim, já se passaram dois ou três anos, e estou aqui, em forma.”

“Vocês treparam onde?”, continuei.

“Lugar aqui é que não falta, imagine um local. Então, trepei lá.”

“Acho que não”, sorri como numa piada, “você não trepou em cima de um coqueiro.”

“Mas trepei em baixo, dentro d’água, encostada num muro, na casa de um deles. Ainda usei um vestidinho desses de malha, bem curtinho, acho que pensavam que eu estava de biquíni por baixo, mas eu sentava e cruzava as pernas, nadinha além do vestido.”

“Nossa, Leila, você exagerou, não tenho coragem de agir assim”, disse Wanda.

“Não se preocupem, agora estou mais comportada, não vou dar má fama a vocês. Sei que quando estão namorando, não avançam a outro homem. Não é mesmo, Márcia?”

Tive de dar um sorrisinho. Certa vez quando eu estava casada, ela me viu com um amigo num restaurante, cismou que o homem era meu amante. Tive um caso com ele, sim, mas são tantas as mulheres que jantam com amigos.

“Se a conversa for esta”, interveio Wanda, “existe gente pra tudo. Tenho uma amiga que frequentava Rio das Ostras. Ela diz que ficava nua dentro d’água, tirava o biquíni e pedia para namorado guardar dentro da sunga. Diz que se sentia livre e solta.”

Rimos muito as três.

“Existem muitas histórias, às vezes aquela que tem cara de santinha é a mais levada”, falei, “mas o bom mesmo é uma boa trepada, com um homem que sabe tocar numa mulher, alguém que demore dentro da gente.”

“Agora sim”, disse Leila. “Mas não é apenas pra isso que estamos aqui, não é mesmo?, olhem o sol, o mar, a natureza. E daqui a pouco vamos tomar uma cerveja!”

“A Márcia com esse biquininho, oh, depois de duas cervejas, vai se sentir peladinha.”

“Ai, nem fala”, fiz cara de que ficaria morta de tesão.

Falei na mulher com cara de santinha, mas tenho certeza que minhas amigas acham que a tal sou eu. Nada falam por educação, mas me imaginam como uma fêmea plena de ardis e peripécias. A Márcia fica caladinha, mas pensem ela na cama, diria uma; não precisa ser na cama, em qualquer lugar, sugeriria a outra. Ainda bem que não sabem nada de mim. Certa vez estive nesta mesma praia, viera sozinha, um fim de semana. Como adoro andar de biquíni,  vestia um tão pequeno quanto este, mas de lacinhos. Um homem de quase dois metros ficou me azarando boa parte do tempo. No princípio, eu não queria nada com ninguém, apenas ler minha revista e tomar sol. Mas o sujeito foi chegando, oferecendo-se, perguntando se eu queria uma cerveja. Respondi que esperava um amigo. O homem não desistiu. Do alto de seus quase dois metros ficou observando. Ora olhava para um lado, ora para outro. Duas horas depois, aproximou-se e disse seu namorado deu bolo. Pois é, respondi. Minha resposta soou como um sim. Ele não desgrudou mais. Imaginem, eu, um metro e sessenta e cinco e o homem dois. Lá pelas três da tarde já havíamos bebido três cervejas. Entramos os dois n’água. Ele fez a festa. Apenas não transamos ali. Lá pelas cinco da tarde pediu para acompanhá-lo, conhecia um lugar onde havia uma ducha maravilhosa. Ardida, segui-o. A tal ducha ficava no quintal de uma casa. E era mesmo uma delícia. Não há ninguém, não se preocupe, pode tomar banho à vontade, ele disse. Entrei debaixo da ducha de biquíni. Não passou muito tempo, senti uma vontade incrível de tomar banho nua. Despi-me e estendi o biquíni numa cordinha ao lado. Tomei meu banho tranquila. O homem fingiu não observar minha nudez. Quando acabei, estendeu uma toalha imensa. Enxuguei-me e fiquei enrolada nela. Ele tomou banho também, mas foi rápido. Assim que terminou, secou o corpo em uma toalha menor e veio me abraçar. Levou-me para dentro da casa. Será que preciso contar o que aconteceu? Imaginem. Um homem daquela altura trepando com uma baixinha como eu. No começo fiquei temerosa, mas tudo correu bem.

Minha amiga Leila fez-me voltar ao local. “Que tal mergulharmos. Já há uma azaração terrível ao redor de nós!”

Verdade, eu começava a me sentir ardida, como da vez que transei com o gigante.

Por volta de meio-dia chegaram os rapazes. Os dois amigos que prometeram trazer bebida e comida. O engraçado foi que não vieram sozinhos. Havia um terceiro. Jair e Jaime já tinham estado na casa, onde deixaram a bagagem. Não foi difícil nos encontrar na praia.

“Este é Michel”, Jair apontou ao jovem de mais ou menos trinta anos, que os acompanhava. “Estava meio perdido, perguntando que ônibus vinha pra cá, então eu disse pode vir com a gente.”

“Oi, pessoal, bom dia, muito prazer, não quero incomodar, aceitei a carona, agora o resto é comigo.”

“Não, nada disso, pode ficar com a gente, moramos quase ao lado, conhecemos você de vista, vai se divertir muito”, completou Jair.

Leila olhou o homem e virou-se para nós duas sorrindo. “Que bom”, chegou a dizer, “não se joga fora homem nenhum”, falou baixinho.

Michel trazia uma mochila de onde tirou revistas e livros assim que se ajeitou próximo a nós. Sua intenção era passar o feriado junto à praia e se distrair com algumas leituras.

Leila e Wanda acompanharam seus amigos, que trouxeram para a praia um isopor cheio de latas de cervejas. Começaram a beber. Mas logo um deles disse que ia mergulhar, sentia muito calor. Minhas amigas seguravam suas bebidas, enquanto Jaime dizia:

“Que maravilha, hoje é sábado, vamos ficar aqui até segunda, vai ser dez!”

Michel tirou da bolsa uma revista que, creio eu, viera lendo durante a viagem. Achei interessante sua reação. Numa praia, em meio a tantos divertimentos, ele preferia a leitura. Leila olhou para o rapaz e fez uma fisionomia de desgosto, talvez achasse que faria sucesso com o novo conhecido. Wanda olhava na direção do mar, preferia o amigo já de longa data, com quem, vez ou outra, mantinha algum relacionamento.

A revista era de filosofia. Tinha também na bolsa mais três livros, cujos títulos a princípio não pude descobrir. Como as coisas mais difíceis nos atraem, comecei a pensar como faria para aproximar-me daquele homem.

Eu sempre levei revista para praia, mas nada sério, revistas de moda, de relacionamento, ou mesmo sobre a vida de gente de teatro, cinema e TV. Vez ou outra, eu pegava emprestado um livro na biblioteca pública, nada demais, um livro comum, como um romance popular.

Logo que minhas amigas se afastaram, consegui iniciar certo diálogo com Michel.

“Você gosta mesmo de ler”, arrisquei, interrompendo sua leitura.

Sorriu e mostrou-me os livros, tirando-os da bolsa. Um deles era sobre Emmanuel Kant, outro um pequeno dicionário, havia também um romance, que não consegui distinguir o nome, nem pude perceber se era em português. Michel me ofereceu os livros.

“Não, obrigado, gosto de ler, mas esses assuntos são muito sérios para mim.”

“Não há nada de sério aqui, são coisas normais, como a praia, como todas as pessoas que estão aqui em volta.”

“Jura?”, cheguei a suspirar.

“Verdade, as coisas boas são simples.”

“Kant não é simples, lembro um professor que falou sobre ele, Kant foi um filósofo, parecia gente muito séria.”

“Gente séria?. Você acha que há alguém sério na filosofia? Quase todos especulam, resposta que é bom nenhum deles tem”, sorriu, olhou para mim. “Dê uma olhada, não se trata de um livro escrito diretamente por Kant, é pedagógico, sobre suas três críticas.”

Naquela praia, deitada ao lado do jovem, usando um biquíni que me mostrava mais do que vestia, comecei a folhear alguns páginas sobre Kant. Minhas duas amigas e os rapazes haviam desaparecido. Talvez estivessem dentro d’água, ou quem sabe comendo um churrasquinho e bebericando uma cerveja.

“Kant não é difícil”, voltou a falar Michel, “sua obra é uma tentativa de descobrir como o homem chega ao conhecimento. Este é o modo mais simples de falar sobre o filósofo. É lógico que há outras coisas, como discussões sobre o ser, sobre como o ser humano vê o mundo, como o estuda. Há também aspectos morais, a beleza, quer dizer, como julgar o que é a beleza. Mas o fundamental é que ele deseja saber o que o ser humano é capaz de saber. Isto Kant chama de razão. ‘O que posso saber?’, é a pergunta principal da primeira crítica de Kant, chamada de Crítica da razão pura.”

Dei mais um suspiro. “Puxa, você deve saber muita coisa”, cheguei a dizer.

“Nem tanto, o saber não nos leva a muitas certezas, mas à vontade de saber cada vez mais.”

“Você diz que ele escreveu também sobre a beleza.”

“Escreveu, sim.”

“O que ele diz sobre isso”, mostrei-me curiosa.

“Kant diz que a beleza não é um conceito, ela é subjetiva. Hoje as pessoas já entendem assim, mas no tempo dele, houve quem tentasse estabelecer um conceito universal para a beleza.”

“Universal?”, fiz de conta que não entendi.

“Os filósofos procuravam uma norma geral para o mundo, mas Kant não entendeu assim. Pode-se mesmo achar uma coisa bela porque os outros acham, mas é preciso se afastar daquilo que se quer apreciar. A beleza pode não ser agradável; ou pode agradar a uns e não a outros.”

Respirei fundo mais uma vez, achava a conversa interessante, não era só arranjar namorado que satisfazia, conversar com aquele homem era bom, era alguém que tinha prazer por coisas abstratas.

“Você gosta de coisas abstratas”, afirmei.

Ele deu uma gargalhada.

“Todas as coisas são abstratas.”

“Não acredito”, assustei-me, levantei-me, dei uma volta e mostrei a ele meu corpo. “Você acha que sou abstrata?”

“De certa forma sim, porque o desejo de um homem pelo seu corpo é um desejo cultural. Entenda, os animais trepam sem precisar dar esta voltinha, não precisam exibir o bumbum, além disso, trepam apenas em períodos de cio. O ser humano tem um desejo construído.”

“Caramba, que complicação!”

“Não é complicado, não, deita aqui ao meu lado que explico melhor.”

Será que já teria chegado o momento, bem ali na praia, diante de todas as pessoas?

Michel leu um parágrafo do livro sobre a tal teoria.”

“Você está interessada na beleza, não é mesmo? Para Kant, a estética, isto é, a apreciação da beleza, nada tem a ver com a ética. Traduzindo: a arte não precisa seguir uma moral. Já que é subjetiva tanto na produção como na recepção, hão pode formar conceitos universais. Para o filósofo, o que é verdade precisa ser universal, é o que chama de imperativo categórico. Como a arte não chega a nenhum tipo de conceito universal, não deve emitir conceitos morais. Quer um exemplo?

Fiz que sim com a cabeça, espreguicei-me sobre a canga.

“Não existe a beleza, mas representações dela, e as pessoas não devem buscar nas representações artísticas conceitos para aquilo em que acreditam. O exemplo: você também pode fazer do seu corpo uma obra de arte, mas não vai conseguir estabelecer um conceito de beleza através dele. Uma coisa é o que pode ser observado pelos sentidos, outra é a razão.”

“Verdade?, então estou no caminho errado”, dei uma sonora gargalhada.

Ficamos em silêncio. Abri uma cerveja e ofereci a ele. Bebeu com gosto.

“Vamos passear”, sugeri.

“Vamos.”

Andamos pela beira da água, depois mergulhamos. Abracei-o sem lhe dizer nada, como se fosse a coisa mais natural do mundo. Ele retribuiu o abraço e gostou quando eu comecei a fazer carinho nas suas costas.

Ficamos na praia até cinco horas, quando fomos até a casa. Ele, sempre ao meu lado, trouxe a mochila e seus pertences. Ao chegar, tomamos uma ducha. Pendurei o biquíni num pequeno varal que havia no quintal e corri nua para um dos quartos. Aproveitamos a casa vazia para namorar

Nua sobre a cama, pensei se ele esqueceria suas teorias para se dedicar ao prazer, ao meu corpo. Mas lembrei algo engraçado. Certa vez, uma amiga me falara que homens intelectuais gostavam mais de histórias, adoram exercitar a imaginação. Para eles, a realidade é algo menor.

Logo que ele entrou no quarto, levantei uma das pernas, assim minha nudez não era total, uma das coxas cobria o principal. Olhou-me nos olhos, então, perguntei.

“Você gosta de histórias, não é mesmo, sei que homens como você são de imaginar, de gozar com aquilo que pensam.”

Michel sorriu de novo, aproximou-se, pôde reparar que eu estava toda depilada. Como já vinha excitada, a pontinha do meu grelo escapava. Uma mulher nua, e com o grelo de fora é demais. Afastei um pouquinho as pernas e o convidei.

“Qual história você tem pra me contar?”, ele, curioso.

“Tenho muitas. Vamos ver o teu gosto. Como desejas? Uma história de sexo pesado, ou um conto leve? Fetiche ou nudez aberta? Quer saber o dia em que nadei nua? Foi um barato. Pelo teu jeito, acho que quer botar no meu cu.”

Deu uma gargalhada. Deitou e subiu sobre mim. Mas ainda estava de bermuda.

“Vou contar uma história leve, acho você um homem delicado. Preste atenção.”

Ele escorregou à minha direita, deixou uma das mãos sobre o meu umbigo. Comecei a narrar.

“Tenho uma camisa de malha que faço de conta ser um vestidinho, curtinho e bonitinho. Jogo sobre o corpo, nada por debaixo. Saio com ele à noite, uma sandália rasteirinha, nada nas mãos. Faço de conta que vou ao encontro de alguém. Agora me conta, o que você faria se me encontrasse? Vamos dizer, você me encontra no calçadão, desce comigo pra areia, a gente caminha quase até onde as marolas podem molhar nossos pés. Nos abraçamos, nos beijamos. Você descobre que eu só visto aquela blusinha fina. Já sei, você fica agarradinho a mim e vai explorando minha pele. Quando tem a ereção, levanta a ponta dianteira do meu vestidinho. Não me resta outra coisa a fazer a não ser afastar as pernas e receber você, um homem ereto, prestes a explodir em gozo. Devagar, peço, não goza não, quando um homem goza dentro de uma mulher, ela precisa ficar agachada um tempão pra poder devolver seu esperma, como demora. Se estiver sem calcinha, nem pensar. Você me experimenta, desliza ágil pra dentro dos meus lábios. Depois de alguns minutos, digo deixa pra gozar dentro da minha boca. Você aceita, mas cisma em me tirar a camisa, em me deixar nua. Há outras pessoas, vão ver que estou nua, sussurro. E quem vai reparar?, todos têm seus afazeres, que também são muito interessantes, você conclui. Permito. Agacho e tiro a blusa. Entrego-a nas tuas mãos. Você a enrola, pequenina, uma bolinha de pano. Guarda-a no bolso da bermuda. Na mesma posição começo o boquete. Você vai as nuvens, uma delícia.  Sou boa nisso, abocanho teu pênis sem pressa, ora na ponta, ora por inteiro. Às vezes o fricciono com uma das mãos. Mas você não goza logo. Adoro. Ficamos os dois no embalo do namoro. Não vejo outras pessoas, não vejo ninguém. A praia é toda nossa. Onde se foram os outros namorados? Quando menos espero, você goza. Três jatos fortes. Quase perco a pose. Que vergonha!, engasgar com a porra do namorado! Mas isso não acontece. Equilibro-me, mesmo que precária, dou uma volta completa com a língua, com os lábios, não deixo pingar fora uma gota. Engulo meu presente. Olho pra você e sorrio. Você passa pra minhas costas. Ambos olhamos o mar noturno. Você satisfeito. Eu, mesmo que ainda não tenha gozado, morta de tesão, o corpo nu ao vento, outro tipo de gozo. Silêncio. Quando procuro você, estou sozinha. Onde se escondeu?”

“Sua história é muito boa. Agora me deixa te penetrar”, pede humilde, já nu, na cama, quase sobre o meu corpo.

“Quero te perguntar uma coisa antes”, intervenho. “É verdade que intelectuais se masturbam mais do que trepam?”

“Quem sabe”, ele ri.

“Ah, tenho mais uma surpresa, ou precaução, não sei”, atrevo-me antes que ele me enfie o peru enorme. Vá lá na geladeira, tem manteiga, ou margarina, não sei ao certo.”

“Não é preciso, gosto ao natural, mulheres e suas sedas, mulheres e suas seivas.”

“Ui!”

“Você tem medo?”, chega a perguntar.

“Uma coisa são as palavras; a outra é o ato.” Pisco os olhos, sinto-me vexada, parece que volto à primeira transa, lá atrás, não sei quantos anos.

“Tenho mais uma coisa a dizer. É ainda sobre filosofia”, insiste no olhar.

Aproveito, ainda deitada, para cruzar uma perna sobre a outra, como querendo esconder algo precioso.

“Há a questão do sublime”, continua. “Você sabe a diferença entre o belo e o sublime?” Mesmo sem que eu lhe responda, vai adiante. “O belo é o que satisfaz aos nossos sentidos, o sublime vai além, não somos capazes de compreendê-lo.”

Estende uma das mãos, toca-me o corpo, junta-se a mim, devagar, bem devagar.

segunda-feira, abril 09, 2018

Historieta

Você pode me fazer um favor?

Ela me chamou e contou, com muita discrição, uma historieta curiosa. Depois fez o tal pedido.

Você está tão bonita com essa roupa, e a saia curta cai super bem, eu disse.

Obrigada pelo elogio, mas roupa curta pra mim pode se tornar um problema. Você é mulher, eu, bem, pareço mulher, mas..., interrompeu e fez um gesto vago com os braços.

Entendo, e os homens ficam loucos por você, e querem que faça o impossível.

Isso, o impossível. Às vezes até consigo, mas tudo tem limite.

Entendo, pisquei um dos olhos.

Mas esse último veio com a tal história da excitação. Falei que não precisava, que já tenho tesão até demais. Mas o homem não escutou, quis passar o creme, insistiu, acrescentou que tinha efeito de adesivo, me ajudaria. Acabei concordando, mas não sabia que o resultado seria tão trágico. Agora não há o que fazer, a não ser que você...

Ela não continuou, olhou como se enxergasse por baixo do meu vestido.

Mas nunca andei sem, entende?, cheguei a dizer, não sei se consigo.

Sempre há a primeira vez, e para uma mulher não é difícil, agora pense quanto a mim.

Por que você não veio vestida com uma, ou trouxe outra de reserva na bolsa?

E eles deixam? São loucos para saber que estou sem. E sobre trazer uma de reserva, confesso que às vezes trago, mas veja o tamanho da minha bolsa hoje, tão pequena...

Entendo, suspirei. Não há nenhum conhecido seu neste coquetel?

Não. E estou por um triz. Olha que consigo sair sem, consigo andar sem, mas o creme acabou me deixando sem chances.  Conto apenas com você.

Gostei do apenas. Mas escute, você consegue sair sem?

Consigo, há um jeitinho de segurar, mas o creme...

Ele passou o creme aqui, no coquetel?, interrompi.

Não, namoramos no estacionamento antes de entrarmos, uns quinze minutos. Sempre nos agarramos dentro do automóvel.

E onde está o namorado agora?

Conversando com o proprietário do empreendimento, negócios.

Ele sabe sobre você?

Não, nada falo, morro de vergonha.

Tudo bem, compreendo. Quero, porém, contar antes uma história, permite?

Claro, mas seja breve, por favor.

Certa vez, na praia, apareceu uma amiga enrolada numa toalha. Aproximou-se e me pediu o biquíni. O biquíni?, surpreendi-me. Estava sem nada por baixo e queria entrar no mar. Por quê, sem o biquíni?, perguntei. Brincadeira do namorado. E onde ele agora? Por aí, respondeu. Mas não posso ficar nua, acrescentei. Não, fico eu nua, tiro a toalha e te dou, você tira o biquíni e me empresta, é rapidinho, eu pago a você. Paga?, cheguei a repetir. Pago. Não precisa, não quero dinheiro, mas quero saber como você vai ficar nua enquanto me dá a toalha. Isso não é problema, falou, você vai me emprestar? Achei a situação engraçada, queria ver se ela tinha  coragem de ficar nua. Sim, respondi decidida. A seguir, ela ficou mesmo nua, uma porção de gente na praia, me deu a toalha e sentou na minha cadeira de praia. Enrolei-me no tecido e ainda fiz uma cena, demorei, não sabia como tirar o biquíni. Agache aqui, ela pediu. Agachei e ela tirou meu biquíni em um segundo. Vestiu-o e foi ao mergulho. Achei que não voltaria. Mas voltou e fizemos a troca. Tirou o biquíni primeiro e eu o vesti por baixo da toalha. Acho que ninguém a viu nua, em nenhuma das duas vezes. Se viu, não teve tempo de processar. Agora, acho que é quase a mesma situação.

É pior, vou mostrar, olhe, não tenho mais como segurar. O creme não sai de jeito nenhum. No começo até serviu de aderente, mas depois virou água, ou melhor, margarina, e não adianta passar papel, minhas coxas estão escorregadias.

Entramos no banheiro, levantei o vestido, tirei a calcinha e entreguei-lhe. Ela vestiu. Beijou-me, então, agradecida.

segunda-feira, março 26, 2018

Goiaba nua

Eu segurava os seios com uma parte do braço e uma das mãos, enquanto o outro braço descia até abaixo do umbigo e a mão direita tentava cobrir minha boceta. Ah, essa história de mandar fotos para o namorado, aliás, fotos da mulher aqui nua! Que perigo, alguém há de dizer. Não há perigo algum, respondo, não sou de mostrar a face, mas as outras partes. Que sacrifício, onde a câmera? Será que estou no enquadramento? Viro à esquerda, à direita, frontal, a máquina a disparar.

Tal brincadeira (se é que se pode chamá-la assim) começou há dois meses. Quando está longe de mim, para matar as saudades, o namorado pede que eu lhe envie fotos. De início, nada sobre a nudez, mas pouco a pouco teve coragem de pedir. Achou que eu iria negar. Nada disso, fiz as fotos e mandei. Oh, que bumbum lindo, ressaltou; a foto de nu frontal está uma gracinha, elogiou; falta uma com os seios nus. Seios nus? Oh, sim, seios é palavra masculina, e se usa quase sempre no plural. Logo você que tem os seios tão rijos, não mandou a foto, observou. Fiz a foto, do pescoço para baixo e do umbigo para cima. Ele a babar, enquanto dele estou distante.

Certa vez tive um namorado que produziu uma montagem. Pegou uma foto onde estou vestida e, como num crime sanguinário, separou-me a cabeça do corpo! Então, colocou partes do corpo de outras mulheres! Esta não sou eu, afirmei, os seios são grandes e bonitos, queria tê-los assim, repliquei. Então mandei as fotos, queria evitar tantos esquartejamentos.

Como é difícil se autofotografar. Mais fácil escrever uma autobiografia, mais fácil sair nua à noite para namorar. Fazer fotos de si própria, quase impossível. Depois que as enviei, no entanto, senti certo alívio. Engraçado, eu ainda nua, com o telefone nas mãos a mandar fotos pelo Zap. Já pensou se clico o destinatário errado? Deus me livre. Estava certo o destinatário, lá o nome dele. Pousei o telefone sobre a mesa e sentei na cadeira ao lado. Cruzei as pernas e dei um suspiro. Caso houvesse alguém em casa, o namorado, ou mesmo um estranho, adoraria ver a mulher pelada sentada num dos lugares da mesa de jantar. No que vai dar este namoro?, pensei, com tanta foto indo pelo Zap... Ah, grande ideia, vou pedir uma foto dele, e tem de estar inteiramente nu. Logo veio a resposta: homem nu é horrível, bonito é mulher nua! Nada disso, retruquei, horrível para você, para mim é lindo, caso não mande a foto do teu peru dentro de cinco minutos, as fotos que fiz de mim nua vão voar para pelo menos cinco amigos. Mas, mas..., ele a gaguejar. Nada de mas, mas..., repliquei mais uma vez, faça a foto.

Veio a foto. Ele disse que o peru era dele. Mas resta-me a dúvida. Acho que pegou em algum site. Como não posso provar, finjo que acredito. Quando vier aqui, comparo.

Levantei-me e fui até o quintal. Quanta goiaba na goiabeira. Estico o braço e tiro uma de um galho menor. Dou uma mordidinha. Ih, onde escondo a goiaba nua?, tem alguém batendo lá no portão!

segunda-feira, março 12, 2018

Tocolândia

Estava num dos restaurantes da Tocolândia. Era uma terça-feira de Março.

“Achei ótimo você ter me convidado de surpresa pra almoçar, estou adorando”, disse a ele.

“Também estou gostando, ainda melhor você ter vindo de biquíni, enrolada na canga que te dei de presente.”

Fiz cara de espanto, enquanto comia um tantinho de pirão.


O namorado batera à minha porta às dez da manhã. Eu ainda acordava. Ao vê-lo, arregalei os olhos. Será que vem me espionar, tentar descobrir se o estou traindo? Mas vinha ele sorridente, com uma sacola que continha um presente.

“Só dou se você vestir o biquíni”, ele disse.

“Não tinha planejado ir à praia hoje.”

“Não faz mal, o presente exige que se vista o biquíni.”

Voltei ao quarto, fiz certo charme e demorei um pouquinho pra voltar. Vesti o biquíni que mais gosto.

“Que bom, muitos homens devem me invejar aqui em Rio das Ostras”, exclamou.

“Você acha?”, minha falsa modéstia.

“Quando não estou aqui, deve haver uma tropa inteira atrás de você.”

“Quem sabe?” Lógico que eu sabia, era difícil me desvencilhar de todos os admiradores.

Abri o presente: uma canga, quase dourada.

“Adorei”, abri o tecido e envolvi-me nele.

“Vamos passear”, sugeriu.

“Esse biquíni é um fiapinho no teu corpo”, sorriu.

“Você quer que eu troque por um mais decente?”, fiz um gesto de senhora e o acompanhei no sorriso.

“Claro que não, adoro você nua.”

Após tomar um ligeiro café, fomos caminhar na orla de Costa Azul.

“O dia está lindo”, falou. Uma frase que, em literatura, se pode chamar de lugar comum. Mas ele realmente falou assim.

“Maravilhoso”, completei.

Nosso passeio durou duas horas. Conversamos sobre livros. Meu namorado adora ler romances, vez ou outra traz um para mim.

“Nesta cidade não há livraria, falei, mas uma biblioteca.”

“Que bom, nada melhor do que uma boa biblioteca. E aqui há todo um clima que incentiva a leitura.”

“Você acha?”, devo ter feito cara de surpresa. “Não vejo quase ninguém carregando um livro.”

Ele ficou um pouco em silêncio, depois convidou:

“Você gostaria de almoçar?”

“Ah, claro, nem sabia que comida prepararia hoje, ótima proposta”, beijei-o.

Entramos na Tocolândia.


“O pirão está ótimo, pirão com peixe é uma delicia”, suspirei.

“Sei que você adora.”

“É um prazer sensual saborear este prato”, acrescentei.

Comi tanto, depois cheguei a me arrepender. Não posso engordar, tenho que manter o corpo, pensei dentro da canga.

“O que vamos fazer agora?”, perguntou.

“Adivinha!”

“Namorar.”

“Isso mesmo, mas primeiro vamos descansar um pouquinho.”

Saímos da Tocalandia. Havia ainda poucas pessoas, talvez pelo dia da semana, talvez pela hora. Bordeamos a orla, agora em direção à minha casa. Quando faltavam uns duzentos metros para a entrada da minha csa, coloquei-me na ponta dos pés diante dele. Beijei-lhe na boca.

“Tenho uma surpresa pra você. Retribuição à sua surpresa, ao prsente”, arrisquei.

“Qual?”, ele curioso.

“Passe a mão aqui embaixo da canga, desde da cintura até minhas coxas”, tomei suas mãos as trouxe para o meu corpo. Ele pode sentir minha pele.

“Você está nua!, cadê o biquíni?”, espantou-se.

“Um truque, gostou? Adivinhe.”

Pôs-se a pensar.

“Já sei, deixou em casa sem que eu percebesse.”

“Errou.”

“Tirou no toalete do restaurante.”

“Nananinanão,”

“Comeu-o junto com o pirão!”

“Cruzes! Nada disso. Olhe dentro do bolso esquerdo da sua bermuda.”

Enfiou a mão no bolso. Com uma cara de tacho, tirou o meu biquíni!

Caímos os dois numa estrepitosa gargalhada.

segunda-feira, fevereiro 26, 2018

Banho de piscina

Eu e Leila subíamos o Goiabal, em Paty.

“Você está com namorado?", quis ela saber.

“Não, estou sozinha. Sozinha e soltinha”, reiterei.

“É ruim ficar só.”

Um carro nos ultrapassou, o motorista olhou, talvez cobiçando nossas pernas. Leila usava short e uma blusa curta; eu, um vestido florido curtinho.

“Viu, olhou pra gente, não dá pra ficar sozinha”, insistiu.

“É, olhando por este ângulo, sempre há alguém a cobiçar nossas pernas.”

“Ah, lembrei, quero contar uma história. Veja que engraçado. A Luiza esta com o Agenor.”

“Que Agenor?”, franzi o cenho.

“O Agenor que estava com a Lourdes.”

“Nossa”, suspirei.

“Isso mesmo, é um tal troca troca. O Waldir se separou da Ana, está com a Anita. Engraçado, os nomes começam pela letra A. O Nelson saiu da Cidinha e voltou pra Norma. A Norma era do Leocádio, mas antes do mesmo Nelson...”

“Eta, pessoal que não arreta”, exclamei.

“E o pior”, continuou Leila, levantou a barra da blusa para ver se o sol a queimava, “o pior é que neste lugar não há onde namorar.”

“Você tem razão”, interrompi, "pra quem não é casado, não há onde namorar. Cansei de sair com algum homem daqui para trepar dentro do carro. Já não tenho disposição.”

“Dentro do carro até que é bom, tanto mais se for um carro que tenha conforto, basta o homem parar num desses atalhos da estrada, avançar um pouco, onde não passa ninguém.”

“Não, não gosto, caso alguém queira sair comigo, tem de me leve a um hotel.”

Paramos na esquina da venda de seu Oscar. Leila tinha que entrar à esquerda, eu continuaria por mais quinhentos metros.

“Deixa eu te contar um fato interessante”, retomei. “Namorei certa vez um homem lá da Várzea. Era caseiro de uma propriedade próxima à Cascata. Ele me chamava quando a proprietária estava fora. Eu ia, mas queria mesmo era tomar banho de piscina. Era ótimo. Tomava banho nua. O homem babava. Caso ele viesse me agarrar dentro d’água, eu dizia ‘calma, só aceito trepar se for na cama da patroa’. Ele acabava aceitando minha proposta. Eu saía nua, me enxugava numa toalha e íamos pro tal quarto. Ficava com ele até de manhã. Quando o sol já ia alto, eu levantava e corria de novo à piscina, depois de mais ou menos trinta minutos saía e tomava uma chuveirada, só então procurava pelas minhas roupas. Me vestia e ia embora. Uma beleza, prazer e conforto andavam juntos.”

“E por que não continuaram?”, Leila curiosa.

“Sei lá, todas as coisas um dia acabam, mesmo os relacionamentos. Acho que arranjei outro com uma piscina maior!”

Leila deu um riso alto e solto. Passou um Chevrolet. O motorista buzinou, minha amiga o acompanhou com os olhos, sem mover a cabeça. O sol refletiu na lataria do automóvel, era mais forte que o homem.

“Pena que não parou. Os homens não são os mesmos”, riu de novo, me beijou e se foi. Dez passos depois se virou e gritou: “vamos ver como vai ser hoje à noite.”

Segui meu caminho, com a bolsa de compras na mão direita. Vamos ver como vai ser hoje à noite, sua voz e sua expectativa ressoaram na minha cabeça.

terça-feira, fevereiro 13, 2018

Bicuda

Eu morava na Bicuda, região serrana ao norte de Macaé, estado do Rio de Janeiro. Todos os dias de sol, ia à cachoeira, que ficava a algumas centenas de metros da minha casa. Aproveitava o sol, o ar fresco, a água gelada.

Sempre vesti biquínis bastante curtos, e não agiria diferente naquela região. Como a Bicuda é uma vila, pelo menos durante os dias de semana, em geral, não há outra pessoa no local.

Levava uma revista, ou um livro, estendia uma toalha sobre uma das rochas e deitava ao sol, ora de frente, ora de bruços. Caso aparecesse alguém, cumprimentava; a outra pessoa devolvia o cumprimento.

Certa vez um homem e uma mulher vieram caminhando. Após alguns instantes, pararam à margem do recanto e ficaram admirando a queda d’água. Eu a conhecia de vista, mas a ele, não. Ele olhou para mim de modo disfarçado. Notei que se surpreendera com a minha presença. Virou-se para a mulher que o acompanhava e perguntou algo que não consegui escutar. Você conhece essa mulher?, imaginei-o perguntando. Quando pensei que fossem afastar-se, ele aproximou-se.

“Há algum bar por aqui?”, seus óculos refletiram um raio de sol.

Sorri: “sim, mas até o momento o rapaz encarregado não chegou, fica bem ali”, apontei.

Permaneceu olhando-me ainda durante alguns segundos, depois agradeceu, voltou-se à mulher e ambos continuaram seguindo a trilha que levava ao alto da cascata. Aproveitei aquele imprevisto para levantar-me, mudar de posição e olhar durante algum tempo o céu, que estava muito azul.

Os habitantes locais raramente vinham conversar comigo. O motivo era o meu marido, homem ciumento e predisposto a brigar com quem ousasse a se aproximar de mim. No fundo eu gostava disso, porque podia ficar tranquila, ninguém incomodava. Apesar de suas bravuras, meu marido não interferia na minha vida nem no modo como eu me vestia.

Toda mulher gosta de ser paquerada, eu não sou exceção, era bom ver alguém rondando a cachoeira para me admirar, mesmo que de longe.

Mas, por mais que eu deitasse ao sol, por mais que me banhasse nas águas transparentes do rio, não havia quem tivesse a coragem de se aproximar.

Passaram-se alguns meses, meu marido anunciou que nos mudaríamos para Rio das Ostras. No início me senti incomodada, seria uma mudança brusca, das montanhas para a beira do mar, da cachoeira para a praia. Fomos ver a casa num sábado à tarde, pude então dar-lhe razão. Era uma construção sólida, de dois andares, um vasto terreno na parte de trás, várias árvores frutíferas, poderíamos mesmo instalar uma piscina, sauna, duchas etc. Além da casa, meu marido comprou mais um carro, desses bem pequeno, para eu poder rodar pela cidade.

Nos primeiros dias, quando ele viajava a trabalho, senti-me só, pois não conhecia pessoa alguma na vizinhança e o local era novo para mim. Após alguns dias, achei boa a solidão. Ao mesmo tempo, descobri o caminho da praia. Ela era extensa, as areias muito brancas, o mar bravio, e o vento sempre a soprar. Levava uma bolsa com as coisas que precisava: garrafa d’água, uma fruta, às vezes um suco. Senti-me muito à vontade naquelas areias quentes e aconchegantes, uma fagulha vibrava dentro de mim junto com a natureza.

Vez ou outra aparecia alguém. A pessoa olhava-me de longe, permanecia durantes alguns minutos e depois ia embora. Não sei se a fama do meu marido já chegara ao local ou se os homens, ali, eram tímidos.

Certa vez apareceu uma mulher. Somos mais simpáticas quando a relação é entre nós, mulheres, embora às vezes isso aconteça de modo fingido. Ela não demorou a vir falar comigo. Aproximou-se, desculpou-se e perguntou se podia ficar junto a mim. Apresentou-se, chamava-se Elaine. Não quis ser mal educada, disse que sim, mas perguntei se estava com algum problema.

“Não, nenhum problema, aliás, só se for um problema de amor...”

“De amor?”, sorri, olhei para ela e esperei que continuasse.

“Um homem anda atrás de mim.”

“E o que tem isso de mais?”, arregalei os olhos, “é bom, não?”

“Você acha?”, pareceu se surpreender.

“Na maioria das vezes, sim.”

“Mas essa praia comprida, eu sozinha, tenho medo.”

“Medo, o que lhe pode acontecer? O homem é desagradável?”

“Não”, afirmou com eloquência, “é mesmo bonito, mas não estou acostumada.”

Pouco a pouco me foi contando sua história. Vivia sozinha fazia tempo, desacostumara-se dos homens, achava que não tinha mais gosto nem por eles nem pelo sexo.

“Mas o sexo é tão bom”, cheguei a dizer.

Sorriu. “É, eu sei, é que não saio com ninguém faz tempo, esse o outro motivo.”

“Então, não perca a oportunidade.”

“Você acha?”, sua fisionomia expressou certa dúvida.

“Sim, você não tem nada a perder.”

Deitou-se sobre a canga, fechou os olhos e ficou ao sol, parecia refletir. Depois de algum tempo, sem mudar a posição, pôs-se a falar.

“Sabe, faz algum tempo eu tive uma amiga aqui, ela agora esta em Macaé, mudou-se. Era muito avançada, me aconselhava a cada coisa incrível. Eu ficava assustada. No início, achei que ela zombava de mim, mas depois descobri que não era brincadeira, não, ela queria mesmo me ajudar. Era tão louca que entrava n’água nua, juro, tirava o biquíni, guardava na bolsa e ficava tomando banho de mar como veio ao mundo. Eu dizia vai aparecer alguém, você vai se ver em apuros. Dava de ombros, acho que desejava mesmo que alguém aparecesse.”

Sorriu, continuou.

“A mulher sabia viver, era mais velha do que eu, não sofria de nada, dizia que devíamos estar acompanhadas sempre de gente jovem, assim não teríamos muitos problemas de saúde.”

“Acho que estava certa. De certa forma, penso também de forma parecida.”

Elaine deitou-se ao sol e pareceu dormir. Achei estranho que se tivesse calado de repente. Entrei na água e permaneci me refrescando durante uma boa meia-hora. Não sentiu a minha falta. Quando voltei, disse que tinha de ir, precisava fazer um trabalho importante. Mas não revelou o que era.

Fui à praia dias seguidos e não mais a vi. Uma semana depois, enquanto eu estava de olhos fechados sob o sol, deitada na cadeira de praia, senti alguém se aproximando. Era Elaine. Parecia contente.

“Bom dia”, disse altiva, “tenho uma coisa e tanto pra contar.”

“Oi, você desapareceu, não deu notícias, pensei que tivesse fugido com o carinha.”

“Quase, quase mesmo,”

Ela tirou a canga, estendeu-a sobre a areia e sentou-se. Como éramos fúteis naquele fim de mundo!, pensei. Tanta coisa para se fazer e a gente falando sobre amores passageiros, tantos assuntos para serem estudados, pensados, e muita coisa boa ainda para ser escrita. Mas continuávamos na praia, Elaine naquele dia tivera coragem de vir quase nua, biquíni menor que o meu, sentada ao sol, contanto seu caso.

“Ele apareceu lá em casa.”

“É mesmo?”, intervi, “como descobriu o endereço?”

“Não sei, acabei não perguntando. Estava descansando, depois do almoço, quando alguém bateu à porta.”

“Era ele...”

“Como adivinhou?”, assustou-se.

“Intuição.”

“Ele demonstrou certa pudor ao me ver. Achei isso muito engraçado. Um homem que me paquera quando venho à praia, e à porta da minha casa demonstrando certa cerimônia ao me ver. Falou que vendia um produto, e que eu ia gostar. Eis suas palavras: ‘toda mulher gosta de ser elegante, portanto o produto que trago é para emagrecer. Não quero dizer que a senhorita esteja fora de forma, claro, seu corpo é perfeito, apenas precaução.’ A seguir, tirou da bolsa um pequeno vidro que tinha no rótulo o nome de uma solução para emagrecimento. Estava escrito mesmo o nome do médico responsável. Perguntei se não faria mal, quem sabe ele quisesse me envenenar. É lógico que não disse isso a ele. Confesso que o produto me atraiu, mas acho mesmo que foi um artifício para ele ficar sozinho comigo. Convidei o homem a entrar. Ainda cerimonioso, ele ficou em pé. Disse que sentasse. Foi uma longa conversa. Falou sobre sua cidade de origem, na Bahia, o tempo que vive por aqui, e os trabalhos que exerceu. ‘Caso você esteja desconfiada, bebo antes um gole do medicamento’, afirmou. Falei que não precisava. Comprei o medicamento, queria que fosse embora logo. Não vou dar para um homem assim, ele me oferecendo um medicamento, pensei. Antes de se despedir, ressaltou que havia algo mais sobre o medicamento, era afrodisíaco, que eu tomasse cuidado. Ri de tudo aquilo, paguei o que pediu e ele se foi. Li, depois, a fórmula do tal remédio. Dizia que era feito de fécula de batata, uma coisa assim, e que os micro-organismos comiam a gordura do corpo caso se tomasse uma dose a cada noite. Eufórica para testar, tomei naquela mesma hora. Você não adivinha o que aconteceu.”

“Você saiu correndo atrás do homem, porque ficou morrendo de tesão e ele era o único macho que andava por perto àquela hora.”

“Quase. Mas não fiz isso não. Vesti o biquíni e corri aqui pra praia. Fiquei morrendo de tesão mesmo. E acho que não foi sugestão, não. Entrei n’água, a única maneira de esfriar o que passei a sentir depois que tomei o medicamento. Confesso que tirei o biquíni e enrolei no braço, como uma pulseira, de tanto tesão que eu sentia. Demorei a voltar ao normal. Olhei em volta pra me certificar se ele não estava na praia, se trouxera o produto para me ver louca por sexo. Mas não encontrei ninguém.”

“Você me deixa tomar um golinho desse medicamento?”, pedi debochada.

“Quer mesmo? Claro, vamos depois lá em casa”, sugeriu. Passaram-se alguns segundos e ela retificou. “Não, acho melhor eu ir lá buscar agora.”

Elaine levantou-se, sacudiu a canga, envolveu-a no corpo e se foi.

Abri a bolsa e acendi um cigarro. Olhei ao redor para admirar a paisagem. Num momento, descobri um homem ao longe. Vinha caminhando pela areia, de modo que às águas da praia lhe molhassem os pés. Pouco a pouco se foi aproximando. Reparei que o conhecia de vista, era o homem que estivera com a mulher junto à cachoeira enquanto eu tomava sol sobre a pedra, me perguntara sobre o bar que existia nas proximidades. Passou por mim, mas creio que não me reconheceu. Não tardou, Elaine voltou, trazia outra bolsa, além do tal medicamento, disse que portava algumas cervejas.

“Nada de cerveja agora”, fui logo dizendo, quero tomar o medicamento.”

“Você já é tão magra, mais do que eu”, ela sorriu após as últimas palavras.

“Não é pela magreza que desejo, você entende.”

Me ofereceu o pequeno vidro. Agarrei e tomei um grande gole.

De repente, fiquei zonza.

"Meu Deus, o que é isso?", exclamei.

"Mas a poção já fez efeito? Você deve ser predisposta ao sexo."

"Elaine, por favor, não sei o que vai ser de mim, estou sentindo uma terrível e gostosa excitação. O que faço, Elaine?"

"É melhor você correr pra dentro d'água. O mar vai te acalmar."

Aceitei o conselho. corri e mergulhei. Tirei o biquíni e fiquei nua dentro d'água.

"Elaine, faz um favor pra mim, venha até aqui."

Ela obedeceu.

"Pegue, guarda na minha bolsa", entreguei o biquíni e o top nas mãos dela.

Não tardou, vi o homem voltando, o mesmo que passara fazia trinta minutos, o mesmo lá da cachoeira. Parou e perguntou algo a Elaine. Ela disse uma ou duas palavras e apontou pra mim.

Ele caminhou até a beira d'água e perguntou:

"Você sabe onde fica a Pousada do Rei?"

Enquanto ele falava, pude reparar que Elaine ria lá em cima.

"Não escutei", disse, "você pode vir até aqui?"

Ele aproximou-se, apesar de estar de camisa e vestir uma bermuda.

"Ah, sim. Pousada do Rei, sim, sim, vou explicar."

Expliquei. Ele entendeu. Entendeu e reparou meus seios nus. Apenas riu e se foi.

"Olha que tentei ajudar você", sorriu Elaine depois que o homem partiu.

"Muito obrigado, agradeço mesmo. Bem que tentei, mas ele não entendeu."

Você não vai tomar uma dose da tal poção do amor?, perguntei.

"Vou", respondeu. "Mas com uma condição. Você precisa ir atrás do tal homem pra mim."

Ela bebeu. Caímos ambas numa gostosa gargalhada.

Dois minutinhos depois, éramos duas nuas nas águas daquela praia.

"Vem alguém lá", disse minha amiga.

"É ele, não deve ter encontrado a tal Pousada."

"Já sei, você não deu a informação correta."

"Vou dar agora, mas não a informação."

Elaine olhou pra mim.

"Vamos dar, as duas!"

quarta-feira, janeiro 31, 2018

São tantos os namorados

São tantos os namorados, afinal, a fila anda. Entrei num desses sites de relacionamento, não passou muito tempo já havia uma chuva de pretendentes. Escolhi os que mais me agradavam e passei os contatos para o Zap. Tenho de confessar que, apesar dos quarenta anos, caso eu permita os homens aparecerão aqui no dia seguinte, ou quem sabe ainda na mesma noite. Isso acontece por causa das fotos que envio. Fotos verdadeiras! Mas é bom um pouco de precaução. Depois de várias trocas de mensagens, analiso o que disseram, o que me enviaram e marco com um deles. O último morava em Friburgo.

Preferi ir a ele, num domingo. Enquanto subia a serra, pensei no dia bonito que estava pela frente. O ar fresco alegrava o rosto das pessoas. Percebi, dentro do ônibus, um rapaz que, vez ou outra, virava e me observava. Era bonito o rapaz. O veículo trafegava em meio à vegetação densa, a árvores grandes. Num dos trechos do percurso, reparei ao longe uma casa, bem depois de uma fileira de arbustos. Como seria bom estar nos braços de uma pessoa agradável naquele lugar. Gostaria que o homem, talvez aquele a quem eu estava indo, morasse num lugar como aquele. Não sei por que razão lembrei-me de uma amiga, Nara, muito preocupada quando vai encontrar alguém pela primeira vez. Mas faz a fila andar mais rápido do todas outras mulheres que conheço. Disse que já passou por duas situações perigosas. Não concordei com ela sobre o tal perigo. Situação perigosa para mim é quando a gente corre risco de morrer, ou de se ferir gravemente. Com ela não foi isso que aconteceu. O que a fez tremer tanto e a princípio dizer que não mais sairia com nenhum desconhecido foi o homem tê-la despido na praia. Ela usava um biquíni tão pequeno, que já estava nua antes de ele recolher a peça na palma da mão. A outra vez foi na Serra mesmo. Decidiu andar de carona numa dessas motos que saltam obstáculos, era noite e ela trajava um vestidinho. Desde que você aceitou ir nua, querida, eu disse a ela, não podia reclamar. Ficou furiosa porque o rapaz pediu que ela saltasse um pouco, ele iria buscar umas cervejas. Nara disse que não entendeu direito o que ele lhe dissera. Quando reparou, o rapaz deu a partida deixando-a à beira da estrada. Ela ficou uma fera. Ainda bem que não saiu do lugar. Depois de quinze minutos, ele voltou. Os dois beberam juntos. Acho que o perigo fez que ela gozasse melhor. Agora, onde o vestidinho?

Quando já estava próxima a estação de ônibus, em Friburgo, o rapaz que me olhou a viagem inteira veio me entregar um papel pequenino, havia o seu nome e o número do telefone.

Saltei na Rodoviária. Meu pretendente estava à espera. Como já me conhecia de fotografia, veio me beijar. Olhou o meu vestido florido e pareceu pleno de admiração. Após o beijo, beliscou-me a cintura. Arrepiei-me. Já queria ficar nua ali mesmo. Calma, Graça, disse a mim mesma, você tem mais tesão do que muitos homens, mas recolha o fogo ao menos até o destino aonde ele vai te levar.

Caminhamos duas ruas e dobramos uma pequena estrada de terra. A seguir, à esquerda, ele abriu uma porteira, como essas de fazenda, e me convidou a entrar. Na verdade, morava num sítio, acho que tomava conta para alguém. No centro da propriedade havia um lago. Pode tomar banho se quiser, disse, a água é limpa e não há ninguém por aqui. Olhei para água convidativa e olhei para ele. Não é nada mal, sorri, beijei-lhe antes de tirar a sandália e caminhar até à beira.

Não entrei logo no lago. O namorado sentou ao meu lado e se pôs a fazer algumas confidências.

Você sabe, já conversamos muito pelo Zap, mandei várias fotos, você curtiu. Também falei de minhas preferências. Às vezes acontece de vir alguma garota pra cá, gente jovem, mas logo desanimo. A maior parte não sabe namorar, não sabe trepar, abrem as pernas e querem que eu faça tudo. Logo me enjoo. Houve uma que ficou nua o tempo todo, andava pra lá e pra cá, mergulhava no lago, saía e pedia pra trazer uma bebida pra ela. Acho que pensou que estava numa colônia de férias.

Depois de suas palavras, comecei a ficar preocupada. Quem sabe, também sou como a jovem, quero que o homem venha, suba sobre o meu corpo e me satisfaça. Sorri interiormente. Lógico que também sei uma porção de coisas, dessas que deixam os homens loucos. Como uma boa chupada, os lábios macios a deslizarem por seu pênis, a língua ligeira e quente a acariciá-lo. Queria logo tirar o vestido e mergulhar, mas achei imprudente. Talvez ele me achasse parecida com suas visitantes juvenis. Após falar sobre o ar do lugar, as belezas de Friburgo, tudo que eu poderia usufruir ao seu lado, acabou sugerindo que eu tirasse a roupa e entrasse na água. Fiz um pouco de charminho antes de tirar o vestido. Apenas de calcinha, entrei. Não tem problema ficar nua aqui?, ainda perguntei. Não, estamos apenas os dois. Dei as costas a ele e tirei a calcinha, deixei junto do vestido numa das bordas. Falei aquilo que sempre desperta grande excitação nos homens: olha que não posso voltar nua pra casa! Ele adorou. Mergulhei até o pescoço, escondi minha nudez na sombra das águas daquele lago. Senti um friozinho... O suficiente para ficar arrepiada. Você não vem?, perguntei. Vou, respondeu. Antes, tomou nas mãos minhas roupas e pendurou num varal ao lado da casa. Senti outro arrepio ao vê-lo se afastar levando as duas peças. Ao voltar, pude então reparar seu enorme pênis.

Sei que algumas amigas podem me achar louca. Era a primeira vez que via o homem, a primeira vez que fora à sua casa. Não o conhecia. Ninguém sabia que eu estava ali, caso fosse um louco... Mas não era, muito pelo contrário. Abraçou-me ainda dentro d’água, ficamos num roçar gostoso, o peru no meio das minhas pernas. Afastei e fiz que me penetrasse. Soltei alguma goma, senti-me lubrificada, seu pênis deslizou dentro de mim. Num determinado momento, ele sentou à beira do lago e foi me trazendo sobre o seu colo. Estávamos encaixados, minha vagina mordiscava-o, o que o levava à loucura. Beijei-lhe a boca, tinha gosto de morango, passei a língua no seu tórax, ajeitei-me com mais agilidade sobre seu corpo. O homem não resistiu, explodiu em gozo. Eu apertava, não queria que nada me escapasse.

Trouxe uma toalha. Deitei-me na beira do lago, ainda nua, o tecido felpudo por baixo do corpo. Pensei em segredo no meu namoradinho do ônibus. Será que ele gostaria de estar no lugar deste homem. Na certa não sabia fazer tanta arte, mas eu poderia ensiná-lo. Tudo a seu tempo.

Fiquei nua pelo resto da tarde, acho que como suas namoradas jovens. Bebemos dois Martinis, com azeitona e tudo, ele sabia preparar direitinho. Mais tarde o foguinho começou a aquecer de novo e caímos um nos braços do outro, agora dentro da casa. Em algum momento, ele pediu que eu, ainda nua, sentasse numa das poltronas. Fiz uma pose para um lado, para o outro, pernas cruzadas, semiabertas etc. Lembrei-me de um ex-namorado que gostava de me fotografar nua naquelas posições. Trepamos de todas as maneiras possíveis. Vez ou outra eu engolia seu pênis com o ardor dos meus lábios. Foi assim até o entardecer. Então, eu pedi pega minha roupa, tenho de voltar pra minha cidade.

À noite ele me levou à rodoviária. Prometi que lhe telefonaria. Mas Friburgo é uma cidade distante da minha. Não disse a ele que não sabia se voltaria. Convidei-o a ir à minha casa. Quase não saio daqui, falou, você viu como a gente se divertiu, volte você, só não posso te convidar para morar comigo porque a casa não é minha.

Na descida da serra, no ônibus, arranjei outro namoradinho. Veio a viagem toda sentando bem ao meu lado, devia ter vinte anos. Puxou conversa, o rapaz tinha imaginação! Reparou que eu estava fresquinha, o vestido fino, sem agasalho. Quando desci na minha cidade, perguntou se podia me acompanhar um pouquinho. Aonde?, quis eu saber. Há tantos lugares interessantes por aqui, retrucou, vamos tomar uma Coca-Cola. Dei uma chance ao rapaz. Acabamos numa pousadinha, à beira de um imenso parque florestal.

Tenho de dizer uma coisa, confidenciei, é melhor avisar antes porque há homens que não gostam quando descobrem.

O que é?, pareceu preocupado.

Estou sem calcinha.

Ele riu. Riu e adorou.

segunda-feira, janeiro 15, 2018

Depois eu te digo onde enfiar a cabeça

Estou me sentindo nua com este vestido, Karen.

No começo é assim, depois você acostuma, e olhe que a festa vai ser ótima.

Mas, Karen, eu mal consigo me mover, se eu sentar vai aparecer tudo...

Eu era como você, usava uns vestidões, daqueles bem compridos, quando vesti um mini morri de vergonha. Mas logo me acostumei, as outras meninas andam quase nuas. Perto delas, nós vamos estar até muito vestidas.

Tive um namorado, Karen, que adorava que eu andasse ao lado dele nua, me levava de carro à noite, ou na madrugada, certa vez me deu de presente um vestido impossível.

Vestido impossível, Lu?

Isso mesmo, impossível, só saí com ele uma vez e fiquei traumatizada, acho que por isso voltei aos vestidões.

Traumatizada, como assim?

Ele trouxe o vestido de presente, disse que adorou e fez que eu o vestisse.

E depois?

Depois, saímos. Ele ainda afirmou: é um vestido para a noite, a gente volta enquanto estiver escuro. E lá fui eu, morrendo de medo que a noite terminasse logo e todo mundo me encontrasse nua.

Lu, que vestido foi esse?

Mais ou menos igual ao que você mandou eu vestir agora, acho que também se trata de uma roupa para usarmos apenas enquanto estiver bem escuro. Já pensou a gente aparecer na rua durante o dia com um vestido curto assim. Só se for para ir à praia, com o biquíni embaixo.

Nada disso, Lu, acabe logo de se arrumar que já estamos em cima da hora.

Mais um pouquinho só, Karen, vamos já.

A festa vai ser ótima, maior azaração, os homens muito bonitos, musculosos, você não gosta de homens musculosos?

Não fala, amiga, não fala que nem posso contar isso.

Contar o quê?

Sobre homens musculosos, Karen, um deles me deixou nua.

Cruzes, só desgraça, Lu.

Desgraça nada, até que foi bom, mas não conta pra ninguém.

Contar? Como? Nem sei o que aconteceu.

O caso da praia, vai dizer que não contei?

Não contou não, você deve ter comentado com a Ana ou com a Cláudia, comigo não.

Jurava que foi a você a quem falei. Mas ouça, espere, deixa eu acabar de pintar os olhos.

É melhor você contar pelo caminho, Lu.

Pelo caminho, mas não vem alguém pra levar a gente?

Vem, sim.

Então, Karen, como vou contar, foi um escândalo.

Então conte rápido.

Fui à praia de madrugada, você acredita, cismei que queria tomar banho de mar debaixo da luz da lua.

E daí?

Daí que entrei no mar nua.

Acho que todas nós já fizemos isso ao menos uma vez na vdia, Lu.

Jura? Mas ouça, entrei nua e saí nua, no final voltei no carro do Marcos, o musculoso, ainda nua.

O que aconteceu com sua roupa.

Não sei, nem me lembro, acho que bebi demais.

Lu, vamos embora, você está de conversa fiada, vive andando nua por aí e diz estar com vergonha dese vestiddinho. Não acredito.

Pois acredite, estou morrendo de vergonha e olha que vim até de sutiã.

O que tem isso? Todas atualmente usamos sutiã.

É mesmo, tinha esquecido. Mas o biquíni...

Isso, Lu, vamos embora, o biquíni também é necessário, ouviu, eles só gostam se estamos de biquíni, alguns falam que depois devolvem. Outro dia, a Marcia, a mãe do Heitor, veio falar comigo. Disse que nós éramos garotas vulgares, que o filho dela não tinha de guardar a minha calcinha na gaveta dele. Foi ele que quis, respondi toda inocente.

Karen, a mãe do Heitor falou isso? Que vergonha, eu não teria onde enfiar a cabeça.

Vamos, Lu, já estamos atrasadas, e alguém buzinou lá embaixo. Depois eu te digo onde enfiar a cabeça.

quinta-feira, janeiro 04, 2018

Brincar com o fogo

Eu queria brincar com o fogo, mas não me queimar. Explico. Não desejava mais namorados na minha cidade, lugar onde quase todos se conhecem e falam demais. Mas como sou atrevida, cruzei várias vezes com o novo vizinho e dava um sorrisinho malicioso. Ele ficou a mil, embora não tenha demonstrado. Fiz de conta que saía para algo importante. Como ando bem arrumada, finjo ir a uma reunião de trabalho. Todo dia a mesma ação, o mesmo sorriso, intenção desmedida. Num sábado dei com ele de novo, encontro inesperado: como eu ia à praia, vestia apenas camiseta e biquíni! Senti uma ponta de vexo. Passou mais uma semana e o homem veio falar comigo. Bateu à minha porta convidando-me para uma festa. Você gosta de praia, já percebi, falou, vai ser ótimo, a festa vai ser lá no fim do Pecado, no próximo sábado ao entardecer, mas vamos antes pra tomarmos um banho de mar.

O que tem de mais ir a uma festa, tanto mais do tipo como ele me descrevia e, o principal, acompanhada por alguém novinho na cidade? O problema é que eu havia prometido não mais sair com homens do local. Ah, mas ele não é do local! Na tarde do dia em que falou comigo pela primeira vez, senti uma felicidade inexplicável. Aceitei o convite. Lembrei-me da Aninha, ela aceita sair com todos os homens que a convidam, e a relação não acaba apenas num passeio. Outro dia descobri que está saindo com um homem casado, e logo neste lugarejo de tantos fofoqueiros. Deixa a porta sem trancar, ele entra sem bater,  parece que tudo corre às mil maravilhas. O negócio é a mulher do homem não descobrir. Já tive vários namorados no entorno, cada um mais louco que o outro. Houve um que me queria levar passear nua! Namorar homens casados por aqui, negativo, suas mulheres são muito bravas.

Chegou, enfim, o dia da festa. Ele veio me buscar, 15h00 de um sábado. Parou o carro, abriu a porta e, com um largo sorriso, disse entre meu amor. Como não desejava me mostrar atrevida, vestia um vestido comprido de malha, o biquíni por baixo. Afinal, era uma festa à beira mar mas poderia terminar tarde, não ficaria bem permanecer nua após anoitecer. Entrei, fechei a porta, dei-lhe um beijo e ele deu a partida. Após vinte minutos, estacionava. Devíamos caminhar uns oitocentos metros sobre a areia da praia até onde havia um trecho reservado para a festa.

O local estava rodeado por mesas, cadeiras e alguns guarda-sóis. Havia som, com DJ, como nas competições de surf. Alguns rapazes e muitas mulheres conversavam em pequenos grupos. Aproximamo-nos, ele me apresentou a seus amigos, que logo vieram em nossa direção. Jovens, homens e mulheres, trabalhavam como garçonetes; ao fundo, havia uma grande barraca de onde vinham salgados e bebidas. Reparei que todos estavam em trajes de banho, fazia calor, apressei-me em tirar a roupa. Não se passaram cinco minutos quando dei com a única pessoa da cidade que eu conhecia naquela festa. Ela não se aproximou de mim, mas fez um sinal e sorriu. Era Laísa, mulher metida a pudica, que frequentava a praia de maiô, no entanto, ali, vestia um minúsculo biquíni, talvez por isso tinha tantos rapazes à sua volta. Aceitei uma bebida que vinha com bastante gelo, depois descobri que se tratava de uma mistura de frutas com tequila. Meu amigo não me deixou só, pegou-me pelo braço diversas vezes e agiu como se fosse meu namorado. Muitas moças estavam perto do DJ, pediam músicas diversas, dançavam com muito entusiasmo, quase num transe. É uma festa patrocinada pela empresa, disse-me o namorado, como muitos dos empregados são de outras regiões, às vezes se faz uma festa dessas para que todos permaneçam alegres, mesmo longe de casa; sobre as moças, algumas também trabalham na empresa, enquanto outras são convidadas, como você.

Conforme a bebida foi sendo consumida, quase todos começaram a experimentar um grande entusiasmo. Ninguém se cansava. Alguns entravam n’ água e chamaram os amigos para acompanhar. Quando anoiteceu, viam-se inúmeros casais abraçados, as mulheres quase nuas e um pouco de pilequinho, contribuíam para criar uma atmosfera erótica. Mas, apesar de alguns exageros, a festa transcorreu sem incidentes. Tive a impressão de que duas ou três mulheres mergulharam nuas, mas ninguém deu muito atenção a elas. A maior parte das pessoas, porém, mantinha-se satisfeitas em abraçar, beijar, beber, comer os salgados e os pratinhos que as garçonetes traziam. Num dos raros momentos em que estive só, Laísa  veio falar comigo. Com um sorrisinho dissimulado, pediu não conta pra ninguém, viu, não gosto de fofoca, essa cidade é muito provinciana. Já era noite, ela cruzou os braços por trás das costas salientando seu corpo de biquíni. Você imagina o sacrifício que se faz para manter um corpo como o meu, ela disse orgulhosa. É bonita, não se pode negar, pena estar se perdendo neste lugarejo, pensei. Você veio com o homem mais desejado pelas mulheres que estão na festa, sabia?, sussurrou quase no meu ouvido, felizarda, acrescentou. Estou doidinha por aquele ali, apontou, está do lado esquerdo da mulher que fala ao DJ, já fiz de tudo, mas ele não me repara, acho que tenho de ficar nua!, sorriu e moveu os braços como se não encontrasse outra solução. Ao ver que me acompanhante voltava, ela despediu-se, lançou-me um beijo e correu para junto das moças que dançavam. Toda vez que a reparei, Leísa tinha um copo às mãos, quase não comia, acho que era para manter o corpo. A música ficou mais alta, mais envolvente e quase todos fomos dançar, ora uma espécie de forró, outra, samba, adiante lambada. Mas o bom mesmo foi quando se tocou uma música bem lenta, romântica.

Às dez da noite, meu recente namorado abraçou-me bem apertado, beijou-me longamente na boca e perguntou o que eu mais desejava. Acho que estou satisfeita, resumi. Ele despediu-se dos amigos, abraçou-os e beijou as moças que restavam. Caminhamos, então, de volta para o automóvel. Ao nos afastarmos do local da festa, reparei o brilho exagerado das estrelas. Por causa da escuridão local, podia-se apreciar melhor o céu. Ele abraçou-me, ficamos os dois a apreciarmos a noite não sei por quanto tempo.

Percebi, pelo seu carinho e por suas palavras, que ele não queria me deixar em casa, talvez, quem sabe, levar-me a um hotel. Mas seguiu o caminho de volta, até a porta da minha casa. Antes de saltar, levantei o vestido até acima dos joelhos, vestira-o para voltar para casa. Ele apreciou minhas coxas e pousou uma das mãos sobre elas. Incomodo se entrar um pouco?, perguntou.

segunda-feira, dezembro 18, 2017

Conhecendo um friburguense

Táti estava a fim de arranjar um namorado. Instalou um aplicativo de relacionamento no seu celular e se deparou com um rapaz lindo. Era claro, de olhos azuis, chamava-se Vicente. Conversaram intensamente pelo telefone. Todos os dias pela manhã, tarde e noite Vicente lhe mandava flores, beijos e  vídeos pelo  Zap. Os vídeos eram enviados à noite, durante o bate papo entre os dois. Os comentários sobre os vídeos demonstravam para Táti que Vicente era fogoso. Táti não era diferente. Vicente quis se certificar de que a mulher falava a verdade quando o assunto era seu próprio corpo. Começou, então, a pedir fotos. Ela até se lembrou de um namorado antigo que fazia os mesmos pedidos. " Meu bumbum é  lindo!, minhas pernas grossas, minha boceta rechonchuda, meus seios prontos para vir dar uma boa mamada."  Quando Vicente viu as fotos, ficou doidinho, pensou: “como pode uma mulher de mais de 50 anos ser ainda tão conservada?” Durante as conversas Vicente se filmava gozando. Todos os dias repetia a cena. Táti morava sozinha e isso para ela era uma grande diversão. Um dia Vicente sugeriu que ela fosse aonde ele morava. Táti, entediada com seus filhos adultos, resolveu subir para Friburgo na sexta, mentiu para filha, disse que iria à casa de uma amiga, professora do Raul Veiga. Colocou algumas peças de roupa numa mochila, inclusive umas calcinhas e camisolas salientes. Vicente prometeu que iria esperá-la na rodoviária. Quando ela chegou, realmente lá estava ele. Táti e Vicente se cumprimentaram com um beijo selo e foram de ônibus para o aconchego dele. O homem parou com Táti para comer um salgadinho numa barraquinha fuleira, que havia perto de sua casa. A mulher estava preocupada, não havia casa na redondeza e, de repente, Vicente abre um portão imenso da firma onde ele trabalhava. Táti comentou: “isso aqui está parecendo um porto, mas não é porto porque Friburgo é serra.” Vicente abriu outro portão que os levou até o terceiro andar. Uma escadaria que parecia a escadaria da Penha. Vicente morava com a gata Pituca. Deu outro beijo selo na Táti e a Pituca retribuiu com um arranhão bem profundo nos lábios dele. Mesmo assim Táti estava radiante com o Vicente lindo perto dela. Tomaram banho. Vicente ligou o som com músicas românticas baixinho e a festa começou numa cama de solteiro com a gata Pituca em baixo da  mesma cama. Táti, muito talentosa, começou a se deliciar chupando o pau do Vicente. Ele acariciava todo o corpo e o grelo da Táti. O recente namorado era de estatura média, porém farto de pênis. Táti gozou logo que o pênis de Vicente penetrou em sua boceta. Ele aproveitou o lance e gozou junto. Dormiram logo em seguida.  Amanheceu sábado e Vicente foi mostrar a Táti a empresa. No mesmo andar do quarto dele havia mais dois quartos, caso a firma contratasse algum funcionário de outra cidade. Havia também uma cozinha grande, para os funcionários aquecerem a comida e uma geladeira para guardarem seus petiscos. A limpeza da cozinha estava a cargo da secretária da empresa. Fazer a burocracia da empresa e ainda manter a cozinha limpa era tarefa árdua. Vicente comprou quentinhas. Os dois almoçaram e caíram no sono a tarde inteira. À noite foram dar uma volta na cidade. Quando voltaram para casa, repetiram a dose de sexta. Vicente estava encantado com o jeito da Táti e dizia: "Já trouxe garotas jovens aqui, mas elas pareciam umas bonecas. Abriam as pernas e eu que tinha que fazer tudo. Uma delas quis conhecer a firma, só que inteiramente nua. Enquanto eu abria portas e entrava em escritórios, ela dizia ‘será que tem alguém?’, e cobria os seios.” Houve uma outra mulher, mas esta ele não quis que viesse. Era linda de rosto, mas quando pediu a foto dela de calcinha, ela se fotografou vestindo uma calçola imensa, além disso era muito gorda. Veio-lhe à mente a ideia de que a mulher poderia lhe quebrar a cama. Táti riu muito daquelas histórias. Domingo, pela manhã, tornaram a fazer aquele sexo gostoso. Táti voltou a sua casa muito satisfeita. Vez ou outra Vicente lhe sugere alugar um pequeno imóvel em Friburgo, para os dois ficarem juntos. Mas ele não poderia dividir as despesas com ela. Táti, apesar de levada, sempre doidinha para trepar, aprendeu a lição num relacionamento anterior. Mesmo Vicente sendo gostoso, Táti jamais cairia nessa. Há outros homens gostosos por aí. Mas, quem sabe, voltar algumas vezes e esquecer a calcinha no varal de Vicente até que seria interessante.

segunda-feira, dezembro 04, 2017

Acreditou que era ele!

Ele me pediu para contar histórias. Mas não histórias quaisquer. Aquelas que se diz ao pé do ouvido no momento do amor.

– Você tem jeito de ser muito levada, não é mesmo? –, sorriu após a última palavra. – Então me conte uma história, das bem ardidas, povoada de fatos que você saboreou e lembra com saudade até hoje. Peço, porém, uma ressalva. O seu par nessas histórias tem de ser eu, nada de mencionar outros namorados.

Esperou minha reação. Contar histórias de sacanagem, daquelas que me arrepiaram intensamente...

– Não é difícil – sorri, – mas acho que vou ficar vermelha, tenho vergonha.

– É uma questão de exercício –, ressaltou, – basta começar que vão sair macias da sua boca, como o teu corpo pleno de óleo, deslizando nas minhas mãos, tua boca escorregadia, sem encontrar resistência.

– Não fale assim –, intervi, – não gosto, fica parecendo que abro as pernas pra todos os homens escorregarem pra dentro de mim. Lembre-se, nenhuma mulher gosta de se sentir fácil.

Fechei o rosto, virei para o lado. Como estava nua, de pernas cruzadas, sentada na poltrona, puxei a perna que estava por cima na direção do meu ventre, cobri assim alguns de meus pelos que me escapavam e acirravam o apetite do homem.

– Não me leve a mal, lhe dou um presente como pedido de desculpas.

Foi até a pasta que trouxera à mão e tirou um envelope, o papel branco, imaculado. Voltou pra junto de mim, beijou-me os lábios e me entregou. Sorri, já sabia do que se tratava. Agradeci discreta e pedi que não mais falasse daquele modo. Desci um pouquinho a perna que estava por cima, fiz um movimento vagaroso e fiquei com as duas coxas juntas, paralelas, acentuando minha nudez. Pousei o envelope na extremidade superior das coxas. Depois abri as pernas e o prendi numa posição vertical, como se estivesse prestes a ser lançado dentro de uma caixa de correio. A seguir, voltei-me ao namorado e sorri.

– Você falava sobre histórias, tenho muitas, sim, você vai adorar, aliás, ninguém escapa ao feitiço de boas histórias. Para narrá-las, no entanto, faço uma exigência.

– Estou pronto a te atender – disse.

– Jura? – eu não acreditava.

– Juro!

Sua voz foi resoluta.

– Então – avisei – você precisa ficar sentadinho, sem me tocar, ok?

– Mas que maldade – chegou a se lamentar.

– Você jurou, repeti. E vai ficar vestidinho, a nua aqui sou eu.

Comecei a contar minha história.

Eu estava no centro de M. e não vinha o ônibus. Quero dizer, será que não vinha mesmo ou esperava que você passasse e parasse pra me oferecer carona. Chovia, eu tinha uma sombrinha pequena, que não me protegia do clima de inverno. Você veio devagar e piscou os faróis. Quem será?, pensei, não era possível avistar o motorista. Você encostou, sob os olhares de algumas pessoas que também esperavam o ônibus. Desceu a janela da porta do carona. Foi então que vi que era você. Sorriu oferecendo o banco vazio, vamos, levo você. Naquela época nos conhecíamos apenas de vista. Como chovia, entrei no carro, agradeci. Você deu a partida. Não vou me alongar nos detalhes. Você seguiu em direção à saída da cidade, a caminho da serra. Ficamos em silêncio durantes muitos minutos. Enquanto isso, eu pensava: não tenho namorado, e ele é tão bonito, será afetuoso? Você guiava sem adivinhar o que eu tinha em mente. Como uma mulher pode desejar e conseguir um homem como este, sem se fazer de oferecida?, continuava eu mergulhada em reflexões amorosas. Você então me mostrou a lua, entre duas nuvens fugidias. Uma lua bonita, quase cheia, tornava a noite mais cálida, apesar da chuva que ainda persistia. No meio do caminho, não sei se por causa da chuva, ou se porque eu me ardia, fiquei com vontade de fazer xixi. Tentei aguentar o máximo que pude, mas a vontade foi aumentando à medida que você subia a serra, que fazia as curvas. Por favor, pedi, preciso de fazer xixi. Está tudo tão molhado, você ainda contrapôs. Não vou aguentar, pare, por favor, supliquei. Você obedeceu. Saltei segurando a sombrinha. Como vou fazer xixi segurando uma sombrinha? Como estava de vestido, foi mais fácil. Agachei-me à lateral do automóvel e baixei a calcinha. Mas o xixi resolveu não sair. Quer alguma ajuda?, ouvi sua voz. Segure a sombrinha pra mim, por favor?, pedi. Você veio, eu agachada, a calcinha nos joelhos, que vergonha! Mas estava muito apertada. Foi então que o xixi começou a jorrar, um jato fraquinho que pouco a pouco foi aumentando de fluxo, até atingir uma espessura tal que me fez corar, ainda havia o ruído, e depois o escorrer de um pequeno córrego. Aconteceu, porém, algo inesperado. Um movimento em falso de minha parte fez que eu molhasse a calcinha. Ai, não, isso não podia acontecer, deixei escapar. O que foi?, você olhou curioso. Eu não queria dizer, deixa, não foi nada. Levantei os pés, um de cada vez, tirei a calcinha e a guardei dentro da bolsa. Você acabou descobrindo do que se tratava. Dirigiu até onde eu pedi que me deixasse, com uma mulher sem calcinha ao seu lado. Desastrada, eu pensava comigo, esse cara jamais vai me desejar. Saltei do carro e, naquela noite, corri pra casa sem olhar pra trás. Foi no final de semana seguinte, porém, que a história ficou mais quente.

Resolvi descer a serra para ir à praia. A gente mora na serra e gosta de praia, tudo sempre ao contrário. Quando chego ao ponto, quem passa antes do ônibus? Você! Estava descendo sozinho, não sabia ao certo o que faria naquele domingo. Ofereceu-me carona. Eu, ainda constrangida por causa da carona desastrada, sorri meio sem graça e entrei no automóvel. Tocava uma música lenta, em inglês, dessas músicas famosas, não sei o nome. Respirei fundo sem que você notasse. O ar da manhã sempre me provoca arrepios, ou uma alegria difícil de explicar. Naquela manhã, senti algo mais vibrante, lá no fundo de mim, meu biquíni pequenino, por baixo da canga comprida, não foi suficiente para segurar o meu prazer. Acho que tudo se misturou, o prazer do dia de sol, o ar fresco, o ato de estar ao seu lado e certa curiosidade sobre o que aconteceria dali em diante. Lembrei-me, enquanto você dirigia, de uma amiga muito assanhada. Ela diz que ao ir à praia ao lado de um homem sente vontade de descer o biquíni. Veja que atitude, só a canga sobre a pele, o corpo nu. Mas eu aguentei caladinha, mesmo que me rondasse um pouco de excitação. Você me perguntou em que lugar da praia eu queria ficar. Demorei a responder. Não queria que você partisse e me deixasse só. Quando parou, você disse: caso fique aqui mesmo, procuro você, não demoro; isto é, caso não tenha compromisso e a minha presença não seja inoportuna. Claro que não, respondi de imediato. Depois, achei que deveria ter demorado um pouco na réplica. Uma mulher não pode ser tão dada. Logo ajeitei minhas coisas sobre a areia, abri o guarda-sol e fiquei me bronzeando. Quando a pele esquentou, aliás, eu já estava quente desde que encontrei você, mergulhei e fiquei um pouco de molho. Acho que se passou uma hora, você então chegou. Ficou ao meu lado o dia inteiro. Passamos o dia juntos. Bebemos, comemos uns petiscos e acabamos por nos abraçar, nos beijar e, à tarde, fiquei peladinha nos seus braços, louquinha, meladinha! Eu, que não sou de trepar com qualquer um, naquele dia estava cheia de fogo, lembra? Engoli você inteirinho. Voltei pra casa enrolada na canga, sem o biquíni. Você adorou. Fiz como na vez do xixi, antes de entrar no carro, tirei e guardei a pequena peça na bolsa!

Volto ao momento em que escrevo esta história. Vocês lembram que ele havia me pedido pra falar sacanagem no seu ouvido, um conto picante que eu tivesse vivido, mas que não falasse de outros homens, ele tinha de ser o protagonista? Mas, como tudo era fingimento, ele me interpelou:

– Quem foi esse que viveu esta aventura de domingo com você?

 – Foi você, meu amor – respondi solícita.

– Não, por favor, fale a verdade, quem foi?, eu o conheço?

– Foi você, meu amor.

Fiquei vermelhinha. E agora, como saio dessa? Lembrei outra amiga que dizia você não mude de opinião diante de um homem, mesmo que seja a maior mentira do mundo mantenha a sua afirmação.

Ele acabou acreditando que era ele. No domingo seguinte, levou-me à praia. Adivinhem o que aconteceu? Vivemos quase o mesmo da minha história. A única diferença foi que, no final, ele quis o meu biquíni pequenino dentro da sunga dele!