domingo, março 06, 2011
Vestido de flores azuis
quinta-feira, março 03, 2011
E viva o Carnaval!
Observo tudo e penso: como aproveitar e deixar fluir o meu espírito carnavalesco, já que, para todos aqui, sou recatada? Só há um jeito, brincarei neste carnaval, na rua e nos salões, de máscara. Cada dia, uma máscara diferente.
quinta-feira, fevereiro 24, 2011
Trouxe uma lata de coca-cola e um saco de batatas fritas
sábado, fevereiro 19, 2011
Chame ali a garota do biquíni
sexta-feira, fevereiro 18, 2011
Disfarce
Entro no ônibus como se fosse visitar meus parentes em Macaé. Todos os apetrechos provocantes vão dentro de uma sacola.
Desço próximo ao haras. Tudo é muito deserto e a tarde se finda. Coloco a peruca e os óculos. Subo a ladeira que chega ao curral. Avisto Elias. Ele está levando uma égua até a baia. Ainda não me viu.
Aproveito e dispo o forro do vestido, deixando transparecer o meu corpo através de um tecido rendado. Minha calcinha é cheia de detalhes, fácil para o desnude total. Meus seios serão vistos assim que eu chegar, provocando sensações.
"Quer falar com alguém?"
"Com você mesmo."
"Nossa! Nunca pensei que o meu dia chegaria.”
Largou o que estava fazendo, abaixou, pegou uma mangueira, lavou o rosto e as mãos. Me chamou para o depósito de rações. Elias arrumou uma cama com os sacos, me segurou com seus braços fortes e me beijou intensamente. Tirou toda a minha roupa e abocanhou meus mamilos. Vesti seu pênis, que já estava armado como uma rocha, com uma camisinha. Ele então me acarinhou e fez que o prazer tomasse conta de todo o meu corpo.
"Você é muito gostosa, e com esse disfarce ficou ainda mais apetitosa.”
Gozei feito uma égua. Ele urrou de tanto prazer.
Me vesti do jeito que havia saído de casa e abandonei o local. Eram quase oito da noite.
quinta-feira, fevereiro 17, 2011
Não se pode é perder o rebolado
sexta-feira, fevereiro 11, 2011
Caldas Novas
Estava hospedada havia dois dias no Roma, em Caldas Novas, quando reparei aquele homem mais novo do que eu. Não sou jovem, mas ainda mantenho a elegância e um porte físico sensual, sobretudo devido à minha altura e ao biquíni mínimo que sempre teimo em usar. No parque aquático, porém, moças jovens chamavam mais a atenção. Por que ele queria justamente a mim? Outro problema: estava acompanhada, viajara com meu marido, minha filha, o genro e uma neta. Um verdadeiro cortejo. E aquele homem, que eu não sabia se estava sozinho, a me procurar, ao menos com a presença, a sorrir, a fazer alguns movimentos significativos com o rosto. Pensei em dizer que parasse com aquilo, até achei que poderia ser alguém doente a me perseguir. Mas depois me acalmei, tive ideias melhores, reparei que pelo que ele comia e bebia, pelas músicas que apreciava durante o dia ou mesmo no início da noite, pelas pessoas com quem se relacionava, que se tratava de uma pessoa normal.
Meu marido sempre foi uma pessoa agradável, mas nosso casamento tornou-se burocrático. Toda mulher tenta manter a relação, tenta remediar os problemas, procura encontrar motivos para alegria, apesar de todos os desgastes consequentes de um casamento longo. Os homens, de modo geral, sempre acham suas ações as coisas mais normais do mundo, acham que a mulher sempre está pronta para compreendê-los, a amá-los. Assim é João, meu marido. Diz que me ama, me chama para passeios e viagens. Nesse aspecto é ótimo, um marido excelente, dirá a maioria das mulheres. Mas é um fingido de primeira. Pensa que me engana.
A estada em Caldas duraria uma semana. Sete dias de banhos naquelas águas quentes, passeios pelo rio Quente, algumas idas à noite ao centro, restaurantes, cerveja, vinho e caipirinha. Mas logo no segundo dia aquele novo personagem apareceu e não demorou a me acenar. Acabei por encontrar um bilhete seu entre meus pertences: "mulher bonita e elegante", apenas essas palavras. Na piscina, quando eu aparecia, já se espreguiçava no lado oposto. Como eu o descobria? Não sei, acho que começou a existir uma espécie de magnetismo.
Quando eu estava com minha neta, levava-a para a parte rasa. Ela ria e batia palmas em meio a seus brinquedos aquáticos. Inocências da infância. Naquele momento fixava-me apenas nela. Mas ele resolvia passar por perto, e me atraía com uma risadinha. Meu marido? Jogando tênis com o genro. Sempre jogando tênis, o tempo todo.
"As crianças são as pessoas mais fofas do mundo, daria tudo por uma", escutei a voz, vinda de trás, então ele passou, apontando à pequena.
À tarde, minha filha pegou a menina e a levou à recreação. Fiquei só na piscina maior e de águas mais quentes. Ele aventurou-se em meio ao vapor e veio conversar comigo. Apressei em dizer que estava acompanhada. Respondeu-me que já havia jogado uma partida de tênis com o meu marido e que até fizera amizade com ele.
"Bom jogador, o seu marido, não sei como não se profissionalizou, muito bom jogador."
Tive de rir daquela conversa.
"E, você, joga também?"
"Jogar, jogar, não sei, me esforço, mas não consegui vencê-lo, nem o enfrentarei de novo, não sou adversário para ele. Ninguém no hotel ainda conseguiu vencê-lo."
"Acho que nem vão conseguir, joga tênis o tempo todo, chega a ser um aborrecimento."
Pronto. Não sei se entendeu aquilo como uma senha, ou como um desabafo. Lembrei de um amigo que me falava que quando uma mulher reclama do marido é porque está facilitando as coisas.
"Não se aflija, por outro lado é bom que ele seja um jogador talentoso, e que sempre pratique bastante."
"Ele é talentoso", repeti, "ele é muito talentoso", mergulhei deixando-o para trás e apareci do outro lado da piscina. Não mais o vi naquele fim de tarde.
No dia seguinte apareceu de novo. Meu marido continuava no seu périplo, como disputasse algum torneio internacional.
"Bom dia!", falou alto, parecia entusiasmado. Foi logo perguntando: "vão ficar no hotel até quando?"
"Bom dia", respondi educada, "acho que mais dois ou três dias."
"Parto amanhã", falou eliminando o sorriso, "não posso continuar, o trabalho me espera."
"Que pena", falei. Depois achei que cometi uma gafe, ou, sei lá, um ato falho. Minhas palavras foram suficientes para que ele voltasse a ter a face iluminada pelo sorriso de sempre.
"O que se pode aproveitar em tão pouco tempo? Vou dar mais alguns mergulhos e à noite passear pela cidade. Vou tomar umas caipirinhas."
"Caipirinhas?"
"Isso, você também gosta, já vi você bebendo duas", sorriu mais uma vez, apontando o bar que ficava à beira d'água.
"Ah, sou fraca em relação ao álcool, só bebo nas férias."
"É mesmo?" Pediu licença porque teria de se ausentar por alguns minutos. Mas falou para que eu não fosse embora, voltaria em instantes.
Apareceu em menos de dez minutos. Trazia duas caipirinhas. Uma era de lima da pérsia, meu sabor predileto.
"Obrigada, vou aceitar para não fazer desfeita", falei.
"Estamos de férias, não se preocupe, e creio que seu marido não vai se aborrecer caso você tenha arranjado um amigo."
"Lógico que não", respondi, "tenho muitos amigos", disfarcei enquanto sorvia o primeiro gole.
Naquela última manhã de sua hospedagem ficamos conversando durante muito tempo. Bebi aquela e mais outra, acabou vencendo minha rigidez e conversamos com franqueza. Ele disse que já tinha se separado duas vezes e que vivia sozinho nos últimos tempos.
"Sou operador na bolsa de São Paulo", falou.
Sempre achei que quem exercia essa profissão eram as pessoas mais chatas do mundo. Mas ele desmentiu meu preconceito. Era um homem culto, entendia de muita coisa, e até de poesia.
"Como é possível um operador de bolsa de valores entender de poesia?", cheguei a levantar a questão.
Ele sorriu e falou:
"Na vida se aprende de tudo, até poesia", e caiu na gargalhada. Continuou: "e é uma das melhores coisas da vida, acredite."
Não fomos além daquele dia, nem daquela conversa. Pediu meu e-mail.
"E-mail?, nem entendo de computador. Sou dona de casa, não cuido de computadores. Mas vou lhe dar meu endereço."
Agora voltamos à nossa vida de sempre. As férias acabaram, tudo voltou ao normal. Ao normal? Não sei o que vai acontecer daqui em diante. Com meu endereço nas mãos, não perdeu tempo. Logo entrou em contato. Na carta resposta, dei o número do telefone daqui de casa. Ele ligou, disse que viria para uma visita, pediu que avisasse ao meu marido. Marcamos a visita. Ele vem amanhã, vem para o jantar. Meu marido? Sabe que ele vem, mas descobriu que logo amanhã joga uma partida de tênis inadiável, no clube do qual somos sócios.
domingo, fevereiro 06, 2011
E não é que o homem é tão gostosinho...
Este meu amigo tem imaginação, até mesmo mais do que eu, veja só o que ele quer, eu pelada e meu biquíni nas mãos de um estranho! Será que faço sua vontade?
quinta-feira, fevereiro 03, 2011
Livre para voar
Vejo um homem de aparência tranquila sentado sozinho no canto do restaurante. Olha para mim com olhos de cachorro sem dono, me faz um sinal, talvez por ter notado a ausência de uma companhia masculina ao meu lado, ou de uma aliança num dos dedos de minha mão esquerda.
"Nossa, a sua história se parece muito com a minha. Acho que se você topar, vou gozar antes de lhe penetrar."
sábado, janeiro 29, 2011
Passeio no bosque
Que linda manhã!
Ontem até chegar aqui foi estressante. Engarrafamentos, acidentes na estrada e pedágios fizeram parte deste meu trajeto.
Estou com o meu diário em mãos, para não deixar escapar sequer uma vivência neste paraíso.
Minha filha, neta e genro ficaram dormindo.
Saio pelos arredores do hotel. Passo por inúmeros hóspedes. Todos com a aparência transbordando felicidade. Lógico, aqui se hospedam pessoas que não fazem parte da massa que sobrevive do mísero salário mínimo do governo.
Descubro que ao redor do hotel há um parque. Caminho sem destino, percorro trilhas entre árvores, troncos, pontes e bancos. Tento descrever a beleza do lugar.
Quando eu voltar das férias, terei o que contar aos meus colegas, direi o quanto pude relaxar.
As frutas geralmente nos causam sensualidade, e o aroma matinal me proporciona um intenso arrepio.
O imprevisível acontece. Avisto a peça inferior de um biquíni, pendurada num dos galhos de uma mangueira. Paro, olho para os lados. Todos que ali passeiam estão distantes e jamais irão perceber que observo aquela parte íntima tão peculiar às mulheres.
Não é comum estar ali. A pessoa que a desprezou está sem, em algum lugar, fazendo algo muito estimulante. Só de imaginar morro de tesão.
Não hesito. Pego a pequena peça e a coloco como marcador do meu diário.
Nem sei o porquê de agir assim. Possuo uma coleção de calcinhas de biquínis, mas aquela será especial, fruto do pecado de alguém que talvez poderá ser o meu. O forte do ser humano é experimentar sensações.
Chegando ao hotel darei um jeito de desinfetar esta preciosidade. Se alguém perceber me chamará de louca, porém estarei louca é por uma trepada.
No hotel encontro o pessoal já acordado. Me viram passar em frente ao salão de chá. Fui direto para o quarto que divido com minha neta. A aventura seria mais interessante se a menina não chegasse.
"Vó, vamos passear no bosque?"
Enfurnei o objeto e saímos.
Quando caminho de novo entre as árvores, é impossível retomar a aventura. Fica apenas o registro no meu diário.
