segunda-feira, março 26, 2018

Goiaba nua

Eu segurava os seios com uma parte do braço e uma das mãos, enquanto o outro braço descia até abaixo do umbigo e a mão direita tentava cobrir minha boceta. Ah, essa história de mandar fotos para o namorado, aliás, fotos da mulher aqui nua! Que perigo, alguém há de dizer. Não há perigo algum, respondo, não sou de mostrar a face, mas as outras partes. Que sacrifício, onde a câmera? Será que estou no enquadramento? Viro à esquerda, à direita, frontal, a máquina a disparar.

Tal brincadeira (se é que se pode chamá-la assim) começou há dois meses. Quando está longe de mim, para matar as saudades, o namorado pede que eu lhe envie fotos. De início, nada sobre a nudez, mas pouco a pouco teve coragem de pedir. Achou que eu iria negar. Nada disso, fiz as fotos e mandei. Oh, que bumbum lindo, ressaltou; a foto de nu frontal está uma gracinha, elogiou; falta uma com os seios nus. Seios nus? Oh, sim, seios é palavra masculina, e se usa quase sempre no plural. Logo você que tem os seios tão rijos, não mandou a foto, observou. Fiz a foto, do pescoço para baixo e do umbigo para cima. Ele a babar, enquanto dele estou distante.

Certa vez tive um namorado que produziu uma montagem. Pegou uma foto onde estou vestida e, como num crime sanguinário, separou-me a cabeça do corpo! Então, colocou partes do corpo de outras mulheres! Esta não sou eu, afirmei, os seios são grandes e bonitos, queria tê-los assim, repliquei. Então mandei as fotos, queria evitar tantos esquartejamentos.

Como é difícil se autofotografar. Mais fácil escrever uma autobiografia, mais fácil sair nua à noite para namorar. Fazer fotos de si própria, quase impossível. Depois que as enviei, no entanto, senti certo alívio. Engraçado, eu ainda nua, com o telefone nas mãos a mandar fotos pelo Zap. Já pensou se clico o destinatário errado? Deus me livre. Estava certo o destinatário, lá o nome dele. Pousei o telefone sobre a mesa e sentei na cadeira ao lado. Cruzei as pernas e dei um suspiro. Caso houvesse alguém em casa, o namorado, ou mesmo um estranho, adoraria ver a mulher pelada sentada num dos lugares da mesa de jantar. No que vai dar este namoro?, pensei, com tanta foto indo pelo Zap... Ah, grande ideia, vou pedir uma foto dele, e tem de estar inteiramente nu. Logo veio a resposta: homem nu é horrível, bonito é mulher nua! Nada disso, retruquei, horrível para você, para mim é lindo, caso não mande a foto do teu peru dentro de cinco minutos, as fotos que fiz de mim nua vão voar para pelo menos cinco amigos. Mas, mas..., ele a gaguejar. Nada de mas, mas..., repliquei mais uma vez, faça a foto.

Veio a foto. Ele disse que o peru era dele. Mas resta-me a dúvida. Acho que pegou em algum site. Como não posso provar, finjo que acredito. Quando vier aqui, comparo.

Levantei-me e fui até o quintal. Quanta goiaba na goiabeira. Estico o braço e tiro uma de um galho menor. Dou uma mordidinha. Ih, onde escondo a goiaba nua?, tem alguém batendo lá no portão!

segunda-feira, março 12, 2018

Tocolândia

Estava num dos restaurantes da Tocolândia. Era uma terça-feira de Março.

“Achei ótimo você ter me convidado de surpresa pra almoçar, estou adorando”, disse a ele.

“Também estou gostando, ainda melhor você ter vindo de biquíni, enrolada na canga que te dei de presente.”

Fiz cara de espanto, enquanto comia um tantinho de pirão.


O namorado batera à minha porta às dez da manhã. Eu ainda acordava. Ao vê-lo, arregalei os olhos. Será que vem me espionar, tentar descobrir se o estou traindo? Mas vinha ele sorridente, com uma sacola que continha um presente.

“Só dou se você vestir o biquíni”, ele disse.

“Não tinha planejado ir à praia hoje.”

“Não faz mal, o presente exige que se vista o biquíni.”

Voltei ao quarto, fiz certo charme e demorei um pouquinho pra voltar. Vesti o biquíni que mais gosto.

“Que bom, muitos homens devem me invejar aqui em Rio das Ostras”, exclamou.

“Você acha?”, minha falsa modéstia.

“Quando não estou aqui, deve haver uma tropa inteira atrás de você.”

“Quem sabe?” Lógico que eu sabia, era difícil me desvencilhar de todos os admiradores.

Abri o presente: uma canga, quase dourada.

“Adorei”, abri o tecido e envolvi-me nele.

“Vamos passear”, sugeriu.

“Esse biquíni é um fiapinho no teu corpo”, sorriu.

“Você quer que eu troque por um mais decente?”, fiz um gesto de senhora e o acompanhei no sorriso.

“Claro que não, adoro você nua.”

Após tomar um ligeiro café, fomos caminhar na orla de Costa Azul.

“O dia está lindo”, falou. Uma frase que, em literatura, se pode chamar de lugar comum. Mas ele realmente falou assim.

“Maravilhoso”, completei.

Nosso passeio durou duas horas. Conversamos sobre livros. Meu namorado adora ler romances, vez ou outra traz um para mim.

“Nesta cidade não há livraria, falei, mas uma biblioteca.”

“Que bom, nada melhor do que uma boa biblioteca. E aqui há todo um clima que incentiva a leitura.”

“Você acha?”, devo ter feito cara de surpresa. “Não vejo quase ninguém carregando um livro.”

Ele ficou um pouco em silêncio, depois convidou:

“Você gostaria de almoçar?”

“Ah, claro, nem sabia que comida prepararia hoje, ótima proposta”, beijei-o.

Entramos na Tocolândia.


“O pirão está ótimo, pirão com peixe é uma delicia”, suspirei.

“Sei que você adora.”

“É um prazer sensual saborear este prato”, acrescentei.

Comi tanto, depois cheguei a me arrepender. Não posso engordar, tenho que manter o corpo, pensei dentro da canga.

“O que vamos fazer agora?”, perguntou.

“Adivinha!”

“Namorar.”

“Isso mesmo, mas primeiro vamos descansar um pouquinho.”

Saímos da Tocalandia. Havia ainda poucas pessoas, talvez pelo dia da semana, talvez pela hora. Bordeamos a orla, agora em direção à minha casa. Quando faltavam uns duzentos metros para a entrada da minha csa, coloquei-me na ponta dos pés diante dele. Beijei-lhe na boca.

“Tenho uma surpresa pra você. Retribuição à sua surpresa, ao prsente”, arrisquei.

“Qual?”, ele curioso.

“Passe a mão aqui embaixo da canga, desde da cintura até minhas coxas”, tomei suas mãos as trouxe para o meu corpo. Ele pode sentir minha pele.

“Você está nua!, cadê o biquíni?”, espantou-se.

“Um truque, gostou? Adivinhe.”

Pôs-se a pensar.

“Já sei, deixou em casa sem que eu percebesse.”

“Errou.”

“Tirou no toalete do restaurante.”

“Nananinanão,”

“Comeu-o junto com o pirão!”

“Cruzes! Nada disso. Olhe dentro do bolso esquerdo da sua bermuda.”

Enfiou a mão no bolso. Com uma cara de tacho, tirou o meu biquíni!

Caímos os dois numa estrepitosa gargalhada.

segunda-feira, fevereiro 26, 2018

Banho de piscina

Eu e Leila subíamos o Goiabal, em Paty.

“Você está com namorado?", quis ela saber.

“Não, estou sozinha. Sozinha e soltinha”, reiterei.

“É ruim ficar só.”

Um carro nos ultrapassou, o motorista olhou, talvez cobiçando nossas pernas. Leila usava short e uma blusa curta; eu, um vestido florido curtinho.

“Viu, olhou pra gente, não dá pra ficar sozinha”, insistiu.

“É, olhando por este ângulo, sempre há alguém a cobiçar nossas pernas.”

“Ah, lembrei, quero contar uma história. Veja que engraçado. A Luiza esta com o Agenor.”

“Que Agenor?”, franzi o cenho.

“O Agenor que estava com a Lourdes.”

“Nossa”, suspirei.

“Isso mesmo, é um tal troca troca. O Waldir se separou da Ana, está com a Anita. Engraçado, os nomes começam pela letra A. O Nelson saiu da Cidinha e voltou pra Norma. A Norma era do Leocádio, mas antes do mesmo Nelson...”

“Eta, pessoal que não arreta”, exclamei.

“E o pior”, continuou Leila, levantou a barra da blusa para ver se o sol a queimava, “o pior é que neste lugar não há onde namorar.”

“Você tem razão”, interrompi, "pra quem não é casado, não há onde namorar. Cansei de sair com algum homem daqui para trepar dentro do carro. Já não tenho disposição.”

“Dentro do carro até que é bom, tanto mais se for um carro que tenha conforto, basta o homem parar num desses atalhos da estrada, avançar um pouco, onde não passa ninguém.”

“Não, não gosto, caso alguém queira sair comigo, tem de me leve a um hotel.”

Paramos na esquina da venda de seu Oscar. Leila tinha que entrar à esquerda, eu continuaria por mais quinhentos metros.

“Deixa eu te contar um fato interessante”, retomei. “Namorei certa vez um homem lá da Várzea. Era caseiro de uma propriedade próxima à Cascata. Ele me chamava quando a proprietária estava fora. Eu ia, mas queria mesmo era tomar banho de piscina. Era ótimo. Tomava banho nua. O homem babava. Caso ele viesse me agarrar dentro d’água, eu dizia ‘calma, só aceito trepar se for na cama da patroa’. Ele acabava aceitando minha proposta. Eu saía nua, me enxugava numa toalha e íamos pro tal quarto. Ficava com ele até de manhã. Quando o sol já ia alto, eu levantava e corria de novo à piscina, depois de mais ou menos trinta minutos saía e tomava uma chuveirada, só então procurava pelas minhas roupas. Me vestia e ia embora. Uma beleza, prazer e conforto andavam juntos.”

“E por que não continuaram?”, Leila curiosa.

“Sei lá, todas as coisas um dia acabam, mesmo os relacionamentos. Acho que arranjei outro com uma piscina maior!”

Leila deu um riso alto e solto. Passou um Chevrolet. O motorista buzinou, minha amiga o acompanhou com os olhos, sem mover a cabeça. O sol refletiu na lataria do automóvel, era mais forte que o homem.

“Pena que não parou. Os homens não são os mesmos”, riu de novo, me beijou e se foi. Dez passos depois se virou e gritou: “vamos ver como vai ser hoje à noite.”

Segui meu caminho, com a bolsa de compras na mão direita. Vamos ver como vai ser hoje à noite, sua voz e sua expectativa ressoaram na minha cabeça.

terça-feira, fevereiro 13, 2018

Bicuda

Eu morava na Bicuda, região serrana ao norte de Macaé, estado do Rio de Janeiro. Todos os dias de sol, ia à cachoeira, que ficava a algumas centenas de metros da minha casa. Aproveitava o sol, o ar fresco, a água gelada.

Sempre vesti biquínis bastante curtos, e não agiria diferente naquela região. Como a Bicuda é uma vila, pelo menos durante os dias de semana, em geral, não há outra pessoa no local.

Levava uma revista, ou um livro, estendia uma toalha sobre uma das rochas e deitava ao sol, ora de frente, ora de bruços. Caso aparecesse alguém, cumprimentava; a outra pessoa devolvia o cumprimento.

Certa vez um homem e uma mulher vieram caminhando. Após alguns instantes, pararam à margem do recanto e ficaram admirando a queda d’água. Eu a conhecia de vista, mas a ele, não. Ele olhou para mim de modo disfarçado. Notei que se surpreendera com a minha presença. Virou-se para a mulher que o acompanhava e perguntou algo que não consegui escutar. Você conhece essa mulher?, imaginei-o perguntando. Quando pensei que fossem afastar-se, ele aproximou-se.

“Há algum bar por aqui?”, seus óculos refletiram um raio de sol.

Sorri: “sim, mas até o momento o rapaz encarregado não chegou, fica bem ali”, apontei.

Permaneceu olhando-me ainda durante alguns segundos, depois agradeceu, voltou-se à mulher e ambos continuaram seguindo a trilha que levava ao alto da cascata. Aproveitei aquele imprevisto para levantar-me, mudar de posição e olhar durante algum tempo o céu, que estava muito azul.

Os habitantes locais raramente vinham conversar comigo. O motivo era o meu marido, homem ciumento e predisposto a brigar com quem ousasse a se aproximar de mim. No fundo eu gostava disso, porque podia ficar tranquila, ninguém incomodava. Apesar de suas bravuras, meu marido não interferia na minha vida nem no modo como eu me vestia.

Toda mulher gosta de ser paquerada, eu não sou exceção, era bom ver alguém rondando a cachoeira para me admirar, mesmo que de longe.

Mas, por mais que eu deitasse ao sol, por mais que me banhasse nas águas transparentes do rio, não havia quem tivesse a coragem de se aproximar.

Passaram-se alguns meses, meu marido anunciou que nos mudaríamos para Rio das Ostras. No início me senti incomodada, seria uma mudança brusca, das montanhas para a beira do mar, da cachoeira para a praia. Fomos ver a casa num sábado à tarde, pude então dar-lhe razão. Era uma construção sólida, de dois andares, um vasto terreno na parte de trás, várias árvores frutíferas, poderíamos mesmo instalar uma piscina, sauna, duchas etc. Além da casa, meu marido comprou mais um carro, desses bem pequeno, para eu poder rodar pela cidade.

Nos primeiros dias, quando ele viajava a trabalho, senti-me só, pois não conhecia pessoa alguma na vizinhança e o local era novo para mim. Após alguns dias, achei boa a solidão. Ao mesmo tempo, descobri o caminho da praia. Ela era extensa, as areias muito brancas, o mar bravio, e o vento sempre a soprar. Levava uma bolsa com as coisas que precisava: garrafa d’água, uma fruta, às vezes um suco. Senti-me muito à vontade naquelas areias quentes e aconchegantes, uma fagulha vibrava dentro de mim junto com a natureza.

Vez ou outra aparecia alguém. A pessoa olhava-me de longe, permanecia durantes alguns minutos e depois ia embora. Não sei se a fama do meu marido já chegara ao local ou se os homens, ali, eram tímidos.

Certa vez apareceu uma mulher. Somos mais simpáticas quando a relação é entre nós, mulheres, embora às vezes isso aconteça de modo fingido. Ela não demorou a vir falar comigo. Aproximou-se, desculpou-se e perguntou se podia ficar junto a mim. Apresentou-se, chamava-se Elaine. Não quis ser mal educada, disse que sim, mas perguntei se estava com algum problema.

“Não, nenhum problema, aliás, só se for um problema de amor...”

“De amor?”, sorri, olhei para ela e esperei que continuasse.

“Um homem anda atrás de mim.”

“E o que tem isso de mais?”, arregalei os olhos, “é bom, não?”

“Você acha?”, pareceu se surpreender.

“Na maioria das vezes, sim.”

“Mas essa praia comprida, eu sozinha, tenho medo.”

“Medo, o que lhe pode acontecer? O homem é desagradável?”

“Não”, afirmou com eloquência, “é mesmo bonito, mas não estou acostumada.”

Pouco a pouco me foi contando sua história. Vivia sozinha fazia tempo, desacostumara-se dos homens, achava que não tinha mais gosto nem por eles nem pelo sexo.

“Mas o sexo é tão bom”, cheguei a dizer.

Sorriu. “É, eu sei, é que não saio com ninguém faz tempo, esse o outro motivo.”

“Então, não perca a oportunidade.”

“Você acha?”, sua fisionomia expressou certa dúvida.

“Sim, você não tem nada a perder.”

Deitou-se sobre a canga, fechou os olhos e ficou ao sol, parecia refletir. Depois de algum tempo, sem mudar a posição, pôs-se a falar.

“Sabe, faz algum tempo eu tive uma amiga aqui, ela agora esta em Macaé, mudou-se. Era muito avançada, me aconselhava a cada coisa incrível. Eu ficava assustada. No início, achei que ela zombava de mim, mas depois descobri que não era brincadeira, não, ela queria mesmo me ajudar. Era tão louca que entrava n’água nua, juro, tirava o biquíni, guardava na bolsa e ficava tomando banho de mar como veio ao mundo. Eu dizia vai aparecer alguém, você vai se ver em apuros. Dava de ombros, acho que desejava mesmo que alguém aparecesse.”

Sorriu, continuou.

“A mulher sabia viver, era mais velha do que eu, não sofria de nada, dizia que devíamos estar acompanhadas sempre de gente jovem, assim não teríamos muitos problemas de saúde.”

“Acho que estava certa. De certa forma, penso também de forma parecida.”

Elaine deitou-se ao sol e pareceu dormir. Achei estranho que se tivesse calado de repente. Entrei na água e permaneci me refrescando durante uma boa meia-hora. Não sentiu a minha falta. Quando voltei, disse que tinha de ir, precisava fazer um trabalho importante. Mas não revelou o que era.

Fui à praia dias seguidos e não mais a vi. Uma semana depois, enquanto eu estava de olhos fechados sob o sol, deitada na cadeira de praia, senti alguém se aproximando. Era Elaine. Parecia contente.

“Bom dia”, disse altiva, “tenho uma coisa e tanto pra contar.”

“Oi, você desapareceu, não deu notícias, pensei que tivesse fugido com o carinha.”

“Quase, quase mesmo,”

Ela tirou a canga, estendeu-a sobre a areia e sentou-se. Como éramos fúteis naquele fim de mundo!, pensei. Tanta coisa para se fazer e a gente falando sobre amores passageiros, tantos assuntos para serem estudados, pensados, e muita coisa boa ainda para ser escrita. Mas continuávamos na praia, Elaine naquele dia tivera coragem de vir quase nua, biquíni menor que o meu, sentada ao sol, contanto seu caso.

“Ele apareceu lá em casa.”

“É mesmo?”, intervi, “como descobriu o endereço?”

“Não sei, acabei não perguntando. Estava descansando, depois do almoço, quando alguém bateu à porta.”

“Era ele...”

“Como adivinhou?”, assustou-se.

“Intuição.”

“Ele demonstrou certa pudor ao me ver. Achei isso muito engraçado. Um homem que me paquera quando venho à praia, e à porta da minha casa demonstrando certa cerimônia ao me ver. Falou que vendia um produto, e que eu ia gostar. Eis suas palavras: ‘toda mulher gosta de ser elegante, portanto o produto que trago é para emagrecer. Não quero dizer que a senhorita esteja fora de forma, claro, seu corpo é perfeito, apenas precaução.’ A seguir, tirou da bolsa um pequeno vidro que tinha no rótulo o nome de uma solução para emagrecimento. Estava escrito mesmo o nome do médico responsável. Perguntei se não faria mal, quem sabe ele quisesse me envenenar. É lógico que não disse isso a ele. Confesso que o produto me atraiu, mas acho mesmo que foi um artifício para ele ficar sozinho comigo. Convidei o homem a entrar. Ainda cerimonioso, ele ficou em pé. Disse que sentasse. Foi uma longa conversa. Falou sobre sua cidade de origem, na Bahia, o tempo que vive por aqui, e os trabalhos que exerceu. ‘Caso você esteja desconfiada, bebo antes um gole do medicamento’, afirmou. Falei que não precisava. Comprei o medicamento, queria que fosse embora logo. Não vou dar para um homem assim, ele me oferecendo um medicamento, pensei. Antes de se despedir, ressaltou que havia algo mais sobre o medicamento, era afrodisíaco, que eu tomasse cuidado. Ri de tudo aquilo, paguei o que pediu e ele se foi. Li, depois, a fórmula do tal remédio. Dizia que era feito de fécula de batata, uma coisa assim, e que os micro-organismos comiam a gordura do corpo caso se tomasse uma dose a cada noite. Eufórica para testar, tomei naquela mesma hora. Você não adivinha o que aconteceu.”

“Você saiu correndo atrás do homem, porque ficou morrendo de tesão e ele era o único macho que andava por perto àquela hora.”

“Quase. Mas não fiz isso não. Vesti o biquíni e corri aqui pra praia. Fiquei morrendo de tesão mesmo. E acho que não foi sugestão, não. Entrei n’água, a única maneira de esfriar o que passei a sentir depois que tomei o medicamento. Confesso que tirei o biquíni e enrolei no braço, como uma pulseira, de tanto tesão que eu sentia. Demorei a voltar ao normal. Olhei em volta pra me certificar se ele não estava na praia, se trouxera o produto para me ver louca por sexo. Mas não encontrei ninguém.”

“Você me deixa tomar um golinho desse medicamento?”, pedi debochada.

“Quer mesmo? Claro, vamos depois lá em casa”, sugeriu. Passaram-se alguns segundos e ela retificou. “Não, acho melhor eu ir lá buscar agora.”

Elaine levantou-se, sacudiu a canga, envolveu-a no corpo e se foi.

Abri a bolsa e acendi um cigarro. Olhei ao redor para admirar a paisagem. Num momento, descobri um homem ao longe. Vinha caminhando pela areia, de modo que às águas da praia lhe molhassem os pés. Pouco a pouco se foi aproximando. Reparei que o conhecia de vista, era o homem que estivera com a mulher junto à cachoeira enquanto eu tomava sol sobre a pedra, me perguntara sobre o bar que existia nas proximidades. Passou por mim, mas creio que não me reconheceu. Não tardou, Elaine voltou, trazia outra bolsa, além do tal medicamento, disse que portava algumas cervejas.

“Nada de cerveja agora”, fui logo dizendo, quero tomar o medicamento.”

“Você já é tão magra, mais do que eu”, ela sorriu após as últimas palavras.

“Não é pela magreza que desejo, você entende.”

Me ofereceu o pequeno vidro. Agarrei e tomei um grande gole.

De repente, fiquei zonza.

"Meu Deus, o que é isso?", exclamei.

"Mas a poção já fez efeito? Você deve ser predisposta ao sexo."

"Elaine, por favor, não sei o que vai ser de mim, estou sentindo uma terrível e gostosa excitação. O que faço, Elaine?"

"É melhor você correr pra dentro d'água. O mar vai te acalmar."

Aceitei o conselho. corri e mergulhei. Tirei o biquíni e fiquei nua dentro d'água.

"Elaine, faz um favor pra mim, venha até aqui."

Ela obedeceu.

"Pegue, guarda na minha bolsa", entreguei o biquíni e o top nas mãos dela.

Não tardou, vi o homem voltando, o mesmo que passara fazia trinta minutos, o mesmo lá da cachoeira. Parou e perguntou algo a Elaine. Ela disse uma ou duas palavras e apontou pra mim.

Ele caminhou até a beira d'água e perguntou:

"Você sabe onde fica a Pousada do Rei?"

Enquanto ele falava, pude reparar que Elaine ria lá em cima.

"Não escutei", disse, "você pode vir até aqui?"

Ele aproximou-se, apesar de estar de camisa e vestir uma bermuda.

"Ah, sim. Pousada do Rei, sim, sim, vou explicar."

Expliquei. Ele entendeu. Entendeu e reparou meus seios nus. Apenas riu e se foi.

"Olha que tentei ajudar você", sorriu Elaine depois que o homem partiu.

"Muito obrigado, agradeço mesmo. Bem que tentei, mas ele não entendeu."

Você não vai tomar uma dose da tal poção do amor?, perguntei.

"Vou", respondeu. "Mas com uma condição. Você precisa ir atrás do tal homem pra mim."

Ela bebeu. Caímos ambas numa gostosa gargalhada.

Dois minutinhos depois, éramos duas nuas nas águas daquela praia.

"Vem alguém lá", disse minha amiga.

"É ele, não deve ter encontrado a tal Pousada."

"Já sei, você não deu a informação correta."

"Vou dar agora, mas não a informação."

Elaine olhou pra mim.

"Vamos dar, as duas!"

quarta-feira, janeiro 31, 2018

São tantos os namorados

São tantos os namorados, afinal, a fila anda. Entrei num desses sites de relacionamento, não passou muito tempo já havia uma chuva de pretendentes. Escolhi os que mais me agradavam e passei os contatos para o Zap. Tenho de confessar que, apesar dos quarenta anos, caso eu permita os homens aparecerão aqui no dia seguinte, ou quem sabe ainda na mesma noite. Isso acontece por causa das fotos que envio. Fotos verdadeiras! Mas é bom um pouco de precaução. Depois de várias trocas de mensagens, analiso o que disseram, o que me enviaram e marco com um deles. O último morava em Friburgo.

Preferi ir a ele, num domingo. Enquanto subia a serra, pensei no dia bonito que estava pela frente. O ar fresco alegrava o rosto das pessoas. Percebi, dentro do ônibus, um rapaz que, vez ou outra, virava e me observava. Era bonito o rapaz. O veículo trafegava em meio à vegetação densa, a árvores grandes. Num dos trechos do percurso, reparei ao longe uma casa, bem depois de uma fileira de arbustos. Como seria bom estar nos braços de uma pessoa agradável naquele lugar. Gostaria que o homem, talvez aquele a quem eu estava indo, morasse num lugar como aquele. Não sei por que razão lembrei-me de uma amiga, Nara, muito preocupada quando vai encontrar alguém pela primeira vez. Mas faz a fila andar mais rápido do todas outras mulheres que conheço. Disse que já passou por duas situações perigosas. Não concordei com ela sobre o tal perigo. Situação perigosa para mim é quando a gente corre risco de morrer, ou de se ferir gravemente. Com ela não foi isso que aconteceu. O que a fez tremer tanto e a princípio dizer que não mais sairia com nenhum desconhecido foi o homem tê-la despido na praia. Ela usava um biquíni tão pequeno, que já estava nua antes de ele recolher a peça na palma da mão. A outra vez foi na Serra mesmo. Decidiu andar de carona numa dessas motos que saltam obstáculos, era noite e ela trajava um vestidinho. Desde que você aceitou ir nua, querida, eu disse a ela, não podia reclamar. Ficou furiosa porque o rapaz pediu que ela saltasse um pouco, ele iria buscar umas cervejas. Nara disse que não entendeu direito o que ele lhe dissera. Quando reparou, o rapaz deu a partida deixando-a à beira da estrada. Ela ficou uma fera. Ainda bem que não saiu do lugar. Depois de quinze minutos, ele voltou. Os dois beberam juntos. Acho que o perigo fez que ela gozasse melhor. Agora, onde o vestidinho?

Quando já estava próxima a estação de ônibus, em Friburgo, o rapaz que me olhou a viagem inteira veio me entregar um papel pequenino, havia o seu nome e o número do telefone.

Saltei na Rodoviária. Meu pretendente estava à espera. Como já me conhecia de fotografia, veio me beijar. Olhou o meu vestido florido e pareceu pleno de admiração. Após o beijo, beliscou-me a cintura. Arrepiei-me. Já queria ficar nua ali mesmo. Calma, Graça, disse a mim mesma, você tem mais tesão do que muitos homens, mas recolha o fogo ao menos até o destino aonde ele vai te levar.

Caminhamos duas ruas e dobramos uma pequena estrada de terra. A seguir, à esquerda, ele abriu uma porteira, como essas de fazenda, e me convidou a entrar. Na verdade, morava num sítio, acho que tomava conta para alguém. No centro da propriedade havia um lago. Pode tomar banho se quiser, disse, a água é limpa e não há ninguém por aqui. Olhei para água convidativa e olhei para ele. Não é nada mal, sorri, beijei-lhe antes de tirar a sandália e caminhar até à beira.

Não entrei logo no lago. O namorado sentou ao meu lado e se pôs a fazer algumas confidências.

Você sabe, já conversamos muito pelo Zap, mandei várias fotos, você curtiu. Também falei de minhas preferências. Às vezes acontece de vir alguma garota pra cá, gente jovem, mas logo desanimo. A maior parte não sabe namorar, não sabe trepar, abrem as pernas e querem que eu faça tudo. Logo me enjoo. Houve uma que ficou nua o tempo todo, andava pra lá e pra cá, mergulhava no lago, saía e pedia pra trazer uma bebida pra ela. Acho que pensou que estava numa colônia de férias.

Depois de suas palavras, comecei a ficar preocupada. Quem sabe, também sou como a jovem, quero que o homem venha, suba sobre o meu corpo e me satisfaça. Sorri interiormente. Lógico que também sei uma porção de coisas, dessas que deixam os homens loucos. Como uma boa chupada, os lábios macios a deslizarem por seu pênis, a língua ligeira e quente a acariciá-lo. Queria logo tirar o vestido e mergulhar, mas achei imprudente. Talvez ele me achasse parecida com suas visitantes juvenis. Após falar sobre o ar do lugar, as belezas de Friburgo, tudo que eu poderia usufruir ao seu lado, acabou sugerindo que eu tirasse a roupa e entrasse na água. Fiz um pouco de charminho antes de tirar o vestido. Apenas de calcinha, entrei. Não tem problema ficar nua aqui?, ainda perguntei. Não, estamos apenas os dois. Dei as costas a ele e tirei a calcinha, deixei junto do vestido numa das bordas. Falei aquilo que sempre desperta grande excitação nos homens: olha que não posso voltar nua pra casa! Ele adorou. Mergulhei até o pescoço, escondi minha nudez na sombra das águas daquele lago. Senti um friozinho... O suficiente para ficar arrepiada. Você não vem?, perguntei. Vou, respondeu. Antes, tomou nas mãos minhas roupas e pendurou num varal ao lado da casa. Senti outro arrepio ao vê-lo se afastar levando as duas peças. Ao voltar, pude então reparar seu enorme pênis.

Sei que algumas amigas podem me achar louca. Era a primeira vez que via o homem, a primeira vez que fora à sua casa. Não o conhecia. Ninguém sabia que eu estava ali, caso fosse um louco... Mas não era, muito pelo contrário. Abraçou-me ainda dentro d’água, ficamos num roçar gostoso, o peru no meio das minhas pernas. Afastei e fiz que me penetrasse. Soltei alguma goma, senti-me lubrificada, seu pênis deslizou dentro de mim. Num determinado momento, ele sentou à beira do lago e foi me trazendo sobre o seu colo. Estávamos encaixados, minha vagina mordiscava-o, o que o levava à loucura. Beijei-lhe a boca, tinha gosto de morango, passei a língua no seu tórax, ajeitei-me com mais agilidade sobre seu corpo. O homem não resistiu, explodiu em gozo. Eu apertava, não queria que nada me escapasse.

Trouxe uma toalha. Deitei-me na beira do lago, ainda nua, o tecido felpudo por baixo do corpo. Pensei em segredo no meu namoradinho do ônibus. Será que ele gostaria de estar no lugar deste homem. Na certa não sabia fazer tanta arte, mas eu poderia ensiná-lo. Tudo a seu tempo.

Fiquei nua pelo resto da tarde, acho que como suas namoradas jovens. Bebemos dois Martinis, com azeitona e tudo, ele sabia preparar direitinho. Mais tarde o foguinho começou a aquecer de novo e caímos um nos braços do outro, agora dentro da casa. Em algum momento, ele pediu que eu, ainda nua, sentasse numa das poltronas. Fiz uma pose para um lado, para o outro, pernas cruzadas, semiabertas etc. Lembrei-me de um ex-namorado que gostava de me fotografar nua naquelas posições. Trepamos de todas as maneiras possíveis. Vez ou outra eu engolia seu pênis com o ardor dos meus lábios. Foi assim até o entardecer. Então, eu pedi pega minha roupa, tenho de voltar pra minha cidade.

À noite ele me levou à rodoviária. Prometi que lhe telefonaria. Mas Friburgo é uma cidade distante da minha. Não disse a ele que não sabia se voltaria. Convidei-o a ir à minha casa. Quase não saio daqui, falou, você viu como a gente se divertiu, volte você, só não posso te convidar para morar comigo porque a casa não é minha.

Na descida da serra, no ônibus, arranjei outro namoradinho. Veio a viagem toda sentando bem ao meu lado, devia ter vinte anos. Puxou conversa, o rapaz tinha imaginação! Reparou que eu estava fresquinha, o vestido fino, sem agasalho. Quando desci na minha cidade, perguntou se podia me acompanhar um pouquinho. Aonde?, quis eu saber. Há tantos lugares interessantes por aqui, retrucou, vamos tomar uma Coca-Cola. Dei uma chance ao rapaz. Acabamos numa pousadinha, à beira de um imenso parque florestal.

Tenho de dizer uma coisa, confidenciei, é melhor avisar antes porque há homens que não gostam quando descobrem.

O que é?, pareceu preocupado.

Estou sem calcinha.

Ele riu. Riu e adorou.

segunda-feira, janeiro 15, 2018

Depois eu te digo onde enfiar a cabeça

Estou me sentindo nua com este vestido, Karen.

No começo é assim, depois você acostuma, e olhe que a festa vai ser ótima.

Mas, Karen, eu mal consigo me mover, se eu sentar vai aparecer tudo...

Eu era como você, usava uns vestidões, daqueles bem compridos, quando vesti um mini morri de vergonha. Mas logo me acostumei, as outras meninas andam quase nuas. Perto delas, nós vamos estar até muito vestidas.

Tive um namorado, Karen, que adorava que eu andasse ao lado dele nua, me levava de carro à noite, ou na madrugada, certa vez me deu de presente um vestido impossível.

Vestido impossível, Lu?

Isso mesmo, impossível, só saí com ele uma vez e fiquei traumatizada, acho que por isso voltei aos vestidões.

Traumatizada, como assim?

Ele trouxe o vestido de presente, disse que adorou e fez que eu o vestisse.

E depois?

Depois, saímos. Ele ainda afirmou: é um vestido para a noite, a gente volta enquanto estiver escuro. E lá fui eu, morrendo de medo que a noite terminasse logo e todo mundo me encontrasse nua.

Lu, que vestido foi esse?

Mais ou menos igual ao que você mandou eu vestir agora, acho que também se trata de uma roupa para usarmos apenas enquanto estiver bem escuro. Já pensou a gente aparecer na rua durante o dia com um vestido curto assim. Só se for para ir à praia, com o biquíni embaixo.

Nada disso, Lu, acabe logo de se arrumar que já estamos em cima da hora.

Mais um pouquinho só, Karen, vamos já.

A festa vai ser ótima, maior azaração, os homens muito bonitos, musculosos, você não gosta de homens musculosos?

Não fala, amiga, não fala que nem posso contar isso.

Contar o quê?

Sobre homens musculosos, Karen, um deles me deixou nua.

Cruzes, só desgraça, Lu.

Desgraça nada, até que foi bom, mas não conta pra ninguém.

Contar? Como? Nem sei o que aconteceu.

O caso da praia, vai dizer que não contei?

Não contou não, você deve ter comentado com a Ana ou com a Cláudia, comigo não.

Jurava que foi a você a quem falei. Mas ouça, espere, deixa eu acabar de pintar os olhos.

É melhor você contar pelo caminho, Lu.

Pelo caminho, mas não vem alguém pra levar a gente?

Vem, sim.

Então, Karen, como vou contar, foi um escândalo.

Então conte rápido.

Fui à praia de madrugada, você acredita, cismei que queria tomar banho de mar debaixo da luz da lua.

E daí?

Daí que entrei no mar nua.

Acho que todas nós já fizemos isso ao menos uma vez na vdia, Lu.

Jura? Mas ouça, entrei nua e saí nua, no final voltei no carro do Marcos, o musculoso, ainda nua.

O que aconteceu com sua roupa.

Não sei, nem me lembro, acho que bebi demais.

Lu, vamos embora, você está de conversa fiada, vive andando nua por aí e diz estar com vergonha dese vestiddinho. Não acredito.

Pois acredite, estou morrendo de vergonha e olha que vim até de sutiã.

O que tem isso? Todas atualmente usamos sutiã.

É mesmo, tinha esquecido. Mas o biquíni...

Isso, Lu, vamos embora, o biquíni também é necessário, ouviu, eles só gostam se estamos de biquíni, alguns falam que depois devolvem. Outro dia, a Marcia, a mãe do Heitor, veio falar comigo. Disse que nós éramos garotas vulgares, que o filho dela não tinha de guardar a minha calcinha na gaveta dele. Foi ele que quis, respondi toda inocente.

Karen, a mãe do Heitor falou isso? Que vergonha, eu não teria onde enfiar a cabeça.

Vamos, Lu, já estamos atrasadas, e alguém buzinou lá embaixo. Depois eu te digo onde enfiar a cabeça.

quinta-feira, janeiro 04, 2018

Brincar com o fogo

Eu queria brincar com o fogo, mas não me queimar. Explico. Não desejava mais namorados na minha cidade, lugar onde quase todos se conhecem e falam demais. Mas como sou atrevida, cruzei várias vezes com o novo vizinho e dava um sorrisinho malicioso. Ele ficou a mil, embora não tenha demonstrado. Fiz de conta que saía para algo importante. Como ando bem arrumada, finjo ir a uma reunião de trabalho. Todo dia a mesma ação, o mesmo sorriso, intenção desmedida. Num sábado dei com ele de novo, encontro inesperado: como eu ia à praia, vestia apenas camiseta e biquíni! Senti uma ponta de vexo. Passou mais uma semana e o homem veio falar comigo. Bateu à minha porta convidando-me para uma festa. Você gosta de praia, já percebi, falou, vai ser ótimo, a festa vai ser lá no fim do Pecado, no próximo sábado ao entardecer, mas vamos antes pra tomarmos um banho de mar.

O que tem de mais ir a uma festa, tanto mais do tipo como ele me descrevia e, o principal, acompanhada por alguém novinho na cidade? O problema é que eu havia prometido não mais sair com homens do local. Ah, mas ele não é do local! Na tarde do dia em que falou comigo pela primeira vez, senti uma felicidade inexplicável. Aceitei o convite. Lembrei-me da Aninha, ela aceita sair com todos os homens que a convidam, e a relação não acaba apenas num passeio. Outro dia descobri que está saindo com um homem casado, e logo neste lugarejo de tantos fofoqueiros. Deixa a porta sem trancar, ele entra sem bater,  parece que tudo corre às mil maravilhas. O negócio é a mulher do homem não descobrir. Já tive vários namorados no entorno, cada um mais louco que o outro. Houve um que me queria levar passear nua! Namorar homens casados por aqui, negativo, suas mulheres são muito bravas.

Chegou, enfim, o dia da festa. Ele veio me buscar, 15h00 de um sábado. Parou o carro, abriu a porta e, com um largo sorriso, disse entre meu amor. Como não desejava me mostrar atrevida, vestia um vestido comprido de malha, o biquíni por baixo. Afinal, era uma festa à beira mar mas poderia terminar tarde, não ficaria bem permanecer nua após anoitecer. Entrei, fechei a porta, dei-lhe um beijo e ele deu a partida. Após vinte minutos, estacionava. Devíamos caminhar uns oitocentos metros sobre a areia da praia até onde havia um trecho reservado para a festa.

O local estava rodeado por mesas, cadeiras e alguns guarda-sóis. Havia som, com DJ, como nas competições de surf. Alguns rapazes e muitas mulheres conversavam em pequenos grupos. Aproximamo-nos, ele me apresentou a seus amigos, que logo vieram em nossa direção. Jovens, homens e mulheres, trabalhavam como garçonetes; ao fundo, havia uma grande barraca de onde vinham salgados e bebidas. Reparei que todos estavam em trajes de banho, fazia calor, apressei-me em tirar a roupa. Não se passaram cinco minutos quando dei com a única pessoa da cidade que eu conhecia naquela festa. Ela não se aproximou de mim, mas fez um sinal e sorriu. Era Laísa, mulher metida a pudica, que frequentava a praia de maiô, no entanto, ali, vestia um minúsculo biquíni, talvez por isso tinha tantos rapazes à sua volta. Aceitei uma bebida que vinha com bastante gelo, depois descobri que se tratava de uma mistura de frutas com tequila. Meu amigo não me deixou só, pegou-me pelo braço diversas vezes e agiu como se fosse meu namorado. Muitas moças estavam perto do DJ, pediam músicas diversas, dançavam com muito entusiasmo, quase num transe. É uma festa patrocinada pela empresa, disse-me o namorado, como muitos dos empregados são de outras regiões, às vezes se faz uma festa dessas para que todos permaneçam alegres, mesmo longe de casa; sobre as moças, algumas também trabalham na empresa, enquanto outras são convidadas, como você.

Conforme a bebida foi sendo consumida, quase todos começaram a experimentar um grande entusiasmo. Ninguém se cansava. Alguns entravam n’ água e chamaram os amigos para acompanhar. Quando anoiteceu, viam-se inúmeros casais abraçados, as mulheres quase nuas e um pouco de pilequinho, contribuíam para criar uma atmosfera erótica. Mas, apesar de alguns exageros, a festa transcorreu sem incidentes. Tive a impressão de que duas ou três mulheres mergulharam nuas, mas ninguém deu muito atenção a elas. A maior parte das pessoas, porém, mantinha-se satisfeitas em abraçar, beijar, beber, comer os salgados e os pratinhos que as garçonetes traziam. Num dos raros momentos em que estive só, Laísa  veio falar comigo. Com um sorrisinho dissimulado, pediu não conta pra ninguém, viu, não gosto de fofoca, essa cidade é muito provinciana. Já era noite, ela cruzou os braços por trás das costas salientando seu corpo de biquíni. Você imagina o sacrifício que se faz para manter um corpo como o meu, ela disse orgulhosa. É bonita, não se pode negar, pena estar se perdendo neste lugarejo, pensei. Você veio com o homem mais desejado pelas mulheres que estão na festa, sabia?, sussurrou quase no meu ouvido, felizarda, acrescentou. Estou doidinha por aquele ali, apontou, está do lado esquerdo da mulher que fala ao DJ, já fiz de tudo, mas ele não me repara, acho que tenho de ficar nua!, sorriu e moveu os braços como se não encontrasse outra solução. Ao ver que me acompanhante voltava, ela despediu-se, lançou-me um beijo e correu para junto das moças que dançavam. Toda vez que a reparei, Leísa tinha um copo às mãos, quase não comia, acho que era para manter o corpo. A música ficou mais alta, mais envolvente e quase todos fomos dançar, ora uma espécie de forró, outra, samba, adiante lambada. Mas o bom mesmo foi quando se tocou uma música bem lenta, romântica.

Às dez da noite, meu recente namorado abraçou-me bem apertado, beijou-me longamente na boca e perguntou o que eu mais desejava. Acho que estou satisfeita, resumi. Ele despediu-se dos amigos, abraçou-os e beijou as moças que restavam. Caminhamos, então, de volta para o automóvel. Ao nos afastarmos do local da festa, reparei o brilho exagerado das estrelas. Por causa da escuridão local, podia-se apreciar melhor o céu. Ele abraçou-me, ficamos os dois a apreciarmos a noite não sei por quanto tempo.

Percebi, pelo seu carinho e por suas palavras, que ele não queria me deixar em casa, talvez, quem sabe, levar-me a um hotel. Mas seguiu o caminho de volta, até a porta da minha casa. Antes de saltar, levantei o vestido até acima dos joelhos, vestira-o para voltar para casa. Ele apreciou minhas coxas e pousou uma das mãos sobre elas. Incomodo se entrar um pouco?, perguntou.

segunda-feira, dezembro 18, 2017

Conhecendo um friburguense

Táti estava a fim de arranjar um namorado. Instalou um aplicativo de relacionamento no seu celular e se deparou com um rapaz lindo. Era claro, de olhos azuis, chamava-se Vicente. Conversaram intensamente pelo telefone. Todos os dias pela manhã, tarde e noite Vicente lhe mandava flores, beijos e  vídeos pelo  Zap. Os vídeos eram enviados à noite, durante o bate papo entre os dois. Os comentários sobre os vídeos demonstravam para Táti que Vicente era fogoso. Táti não era diferente. Vicente quis se certificar de que a mulher falava a verdade quando o assunto era seu próprio corpo. Começou, então, a pedir fotos. Ela até se lembrou de um namorado antigo que fazia os mesmos pedidos. " Meu bumbum é  lindo!, minhas pernas grossas, minha boceta rechonchuda, meus seios prontos para vir dar uma boa mamada."  Quando Vicente viu as fotos, ficou doidinho, pensou: “como pode uma mulher de mais de 50 anos ser ainda tão conservada?” Durante as conversas Vicente se filmava gozando. Todos os dias repetia a cena. Táti morava sozinha e isso para ela era uma grande diversão. Um dia Vicente sugeriu que ela fosse aonde ele morava. Táti, entediada com seus filhos adultos, resolveu subir para Friburgo na sexta, mentiu para filha, disse que iria à casa de uma amiga, professora do Raul Veiga. Colocou algumas peças de roupa numa mochila, inclusive umas calcinhas e camisolas salientes. Vicente prometeu que iria esperá-la na rodoviária. Quando ela chegou, realmente lá estava ele. Táti e Vicente se cumprimentaram com um beijo selo e foram de ônibus para o aconchego dele. O homem parou com Táti para comer um salgadinho numa barraquinha fuleira, que havia perto de sua casa. A mulher estava preocupada, não havia casa na redondeza e, de repente, Vicente abre um portão imenso da firma onde ele trabalhava. Táti comentou: “isso aqui está parecendo um porto, mas não é porto porque Friburgo é serra.” Vicente abriu outro portão que os levou até o terceiro andar. Uma escadaria que parecia a escadaria da Penha. Vicente morava com a gata Pituca. Deu outro beijo selo na Táti e a Pituca retribuiu com um arranhão bem profundo nos lábios dele. Mesmo assim Táti estava radiante com o Vicente lindo perto dela. Tomaram banho. Vicente ligou o som com músicas românticas baixinho e a festa começou numa cama de solteiro com a gata Pituca em baixo da  mesma cama. Táti, muito talentosa, começou a se deliciar chupando o pau do Vicente. Ele acariciava todo o corpo e o grelo da Táti. O recente namorado era de estatura média, porém farto de pênis. Táti gozou logo que o pênis de Vicente penetrou em sua boceta. Ele aproveitou o lance e gozou junto. Dormiram logo em seguida.  Amanheceu sábado e Vicente foi mostrar a Táti a empresa. No mesmo andar do quarto dele havia mais dois quartos, caso a firma contratasse algum funcionário de outra cidade. Havia também uma cozinha grande, para os funcionários aquecerem a comida e uma geladeira para guardarem seus petiscos. A limpeza da cozinha estava a cargo da secretária da empresa. Fazer a burocracia da empresa e ainda manter a cozinha limpa era tarefa árdua. Vicente comprou quentinhas. Os dois almoçaram e caíram no sono a tarde inteira. À noite foram dar uma volta na cidade. Quando voltaram para casa, repetiram a dose de sexta. Vicente estava encantado com o jeito da Táti e dizia: "Já trouxe garotas jovens aqui, mas elas pareciam umas bonecas. Abriam as pernas e eu que tinha que fazer tudo. Uma delas quis conhecer a firma, só que inteiramente nua. Enquanto eu abria portas e entrava em escritórios, ela dizia ‘será que tem alguém?’, e cobria os seios.” Houve uma outra mulher, mas esta ele não quis que viesse. Era linda de rosto, mas quando pediu a foto dela de calcinha, ela se fotografou vestindo uma calçola imensa, além disso era muito gorda. Veio-lhe à mente a ideia de que a mulher poderia lhe quebrar a cama. Táti riu muito daquelas histórias. Domingo, pela manhã, tornaram a fazer aquele sexo gostoso. Táti voltou a sua casa muito satisfeita. Vez ou outra Vicente lhe sugere alugar um pequeno imóvel em Friburgo, para os dois ficarem juntos. Mas ele não poderia dividir as despesas com ela. Táti, apesar de levada, sempre doidinha para trepar, aprendeu a lição num relacionamento anterior. Mesmo Vicente sendo gostoso, Táti jamais cairia nessa. Há outros homens gostosos por aí. Mas, quem sabe, voltar algumas vezes e esquecer a calcinha no varal de Vicente até que seria interessante.

segunda-feira, dezembro 04, 2017

Acreditou que era ele!

Ele me pediu para contar histórias. Mas não histórias quaisquer. Aquelas que se diz ao pé do ouvido no momento do amor.

– Você tem jeito de ser muito levada, não é mesmo? –, sorriu após a última palavra. – Então me conte uma história, das bem ardidas, povoada de fatos que você saboreou e lembra com saudade até hoje. Peço, porém, uma ressalva. O seu par nessas histórias tem de ser eu, nada de mencionar outros namorados.

Esperou minha reação. Contar histórias de sacanagem, daquelas que me arrepiaram intensamente...

– Não é difícil – sorri, – mas acho que vou ficar vermelha, tenho vergonha.

– É uma questão de exercício –, ressaltou, – basta começar que vão sair macias da sua boca, como o teu corpo pleno de óleo, deslizando nas minhas mãos, tua boca escorregadia, sem encontrar resistência.

– Não fale assim –, intervi, – não gosto, fica parecendo que abro as pernas pra todos os homens escorregarem pra dentro de mim. Lembre-se, nenhuma mulher gosta de se sentir fácil.

Fechei o rosto, virei para o lado. Como estava nua, de pernas cruzadas, sentada na poltrona, puxei a perna que estava por cima na direção do meu ventre, cobri assim alguns de meus pelos que me escapavam e acirravam o apetite do homem.

– Não me leve a mal, lhe dou um presente como pedido de desculpas.

Foi até a pasta que trouxera à mão e tirou um envelope, o papel branco, imaculado. Voltou pra junto de mim, beijou-me os lábios e me entregou. Sorri, já sabia do que se tratava. Agradeci discreta e pedi que não mais falasse daquele modo. Desci um pouquinho a perna que estava por cima, fiz um movimento vagaroso e fiquei com as duas coxas juntas, paralelas, acentuando minha nudez. Pousei o envelope na extremidade superior das coxas. Depois abri as pernas e o prendi numa posição vertical, como se estivesse prestes a ser lançado dentro de uma caixa de correio. A seguir, voltei-me ao namorado e sorri.

– Você falava sobre histórias, tenho muitas, sim, você vai adorar, aliás, ninguém escapa ao feitiço de boas histórias. Para narrá-las, no entanto, faço uma exigência.

– Estou pronto a te atender – disse.

– Jura? – eu não acreditava.

– Juro!

Sua voz foi resoluta.

– Então – avisei – você precisa ficar sentadinho, sem me tocar, ok?

– Mas que maldade – chegou a se lamentar.

– Você jurou, repeti. E vai ficar vestidinho, a nua aqui sou eu.

Comecei a contar minha história.

Eu estava no centro de M. e não vinha o ônibus. Quero dizer, será que não vinha mesmo ou esperava que você passasse e parasse pra me oferecer carona. Chovia, eu tinha uma sombrinha pequena, que não me protegia do clima de inverno. Você veio devagar e piscou os faróis. Quem será?, pensei, não era possível avistar o motorista. Você encostou, sob os olhares de algumas pessoas que também esperavam o ônibus. Desceu a janela da porta do carona. Foi então que vi que era você. Sorriu oferecendo o banco vazio, vamos, levo você. Naquela época nos conhecíamos apenas de vista. Como chovia, entrei no carro, agradeci. Você deu a partida. Não vou me alongar nos detalhes. Você seguiu em direção à saída da cidade, a caminho da serra. Ficamos em silêncio durantes muitos minutos. Enquanto isso, eu pensava: não tenho namorado, e ele é tão bonito, será afetuoso? Você guiava sem adivinhar o que eu tinha em mente. Como uma mulher pode desejar e conseguir um homem como este, sem se fazer de oferecida?, continuava eu mergulhada em reflexões amorosas. Você então me mostrou a lua, entre duas nuvens fugidias. Uma lua bonita, quase cheia, tornava a noite mais cálida, apesar da chuva que ainda persistia. No meio do caminho, não sei se por causa da chuva, ou se porque eu me ardia, fiquei com vontade de fazer xixi. Tentei aguentar o máximo que pude, mas a vontade foi aumentando à medida que você subia a serra, que fazia as curvas. Por favor, pedi, preciso de fazer xixi. Está tudo tão molhado, você ainda contrapôs. Não vou aguentar, pare, por favor, supliquei. Você obedeceu. Saltei segurando a sombrinha. Como vou fazer xixi segurando uma sombrinha? Como estava de vestido, foi mais fácil. Agachei-me à lateral do automóvel e baixei a calcinha. Mas o xixi resolveu não sair. Quer alguma ajuda?, ouvi sua voz. Segure a sombrinha pra mim, por favor?, pedi. Você veio, eu agachada, a calcinha nos joelhos, que vergonha! Mas estava muito apertada. Foi então que o xixi começou a jorrar, um jato fraquinho que pouco a pouco foi aumentando de fluxo, até atingir uma espessura tal que me fez corar, ainda havia o ruído, e depois o escorrer de um pequeno córrego. Aconteceu, porém, algo inesperado. Um movimento em falso de minha parte fez que eu molhasse a calcinha. Ai, não, isso não podia acontecer, deixei escapar. O que foi?, você olhou curioso. Eu não queria dizer, deixa, não foi nada. Levantei os pés, um de cada vez, tirei a calcinha e a guardei dentro da bolsa. Você acabou descobrindo do que se tratava. Dirigiu até onde eu pedi que me deixasse, com uma mulher sem calcinha ao seu lado. Desastrada, eu pensava comigo, esse cara jamais vai me desejar. Saltei do carro e, naquela noite, corri pra casa sem olhar pra trás. Foi no final de semana seguinte, porém, que a história ficou mais quente.

Resolvi descer a serra para ir à praia. A gente mora na serra e gosta de praia, tudo sempre ao contrário. Quando chego ao ponto, quem passa antes do ônibus? Você! Estava descendo sozinho, não sabia ao certo o que faria naquele domingo. Ofereceu-me carona. Eu, ainda constrangida por causa da carona desastrada, sorri meio sem graça e entrei no automóvel. Tocava uma música lenta, em inglês, dessas músicas famosas, não sei o nome. Respirei fundo sem que você notasse. O ar da manhã sempre me provoca arrepios, ou uma alegria difícil de explicar. Naquela manhã, senti algo mais vibrante, lá no fundo de mim, meu biquíni pequenino, por baixo da canga comprida, não foi suficiente para segurar o meu prazer. Acho que tudo se misturou, o prazer do dia de sol, o ar fresco, o ato de estar ao seu lado e certa curiosidade sobre o que aconteceria dali em diante. Lembrei-me, enquanto você dirigia, de uma amiga muito assanhada. Ela diz que ao ir à praia ao lado de um homem sente vontade de descer o biquíni. Veja que atitude, só a canga sobre a pele, o corpo nu. Mas eu aguentei caladinha, mesmo que me rondasse um pouco de excitação. Você me perguntou em que lugar da praia eu queria ficar. Demorei a responder. Não queria que você partisse e me deixasse só. Quando parou, você disse: caso fique aqui mesmo, procuro você, não demoro; isto é, caso não tenha compromisso e a minha presença não seja inoportuna. Claro que não, respondi de imediato. Depois, achei que deveria ter demorado um pouco na réplica. Uma mulher não pode ser tão dada. Logo ajeitei minhas coisas sobre a areia, abri o guarda-sol e fiquei me bronzeando. Quando a pele esquentou, aliás, eu já estava quente desde que encontrei você, mergulhei e fiquei um pouco de molho. Acho que se passou uma hora, você então chegou. Ficou ao meu lado o dia inteiro. Passamos o dia juntos. Bebemos, comemos uns petiscos e acabamos por nos abraçar, nos beijar e, à tarde, fiquei peladinha nos seus braços, louquinha, meladinha! Eu, que não sou de trepar com qualquer um, naquele dia estava cheia de fogo, lembra? Engoli você inteirinho. Voltei pra casa enrolada na canga, sem o biquíni. Você adorou. Fiz como na vez do xixi, antes de entrar no carro, tirei e guardei a pequena peça na bolsa!

Volto ao momento em que escrevo esta história. Vocês lembram que ele havia me pedido pra falar sacanagem no seu ouvido, um conto picante que eu tivesse vivido, mas que não falasse de outros homens, ele tinha de ser o protagonista? Mas, como tudo era fingimento, ele me interpelou:

– Quem foi esse que viveu esta aventura de domingo com você?

 – Foi você, meu amor – respondi solícita.

– Não, por favor, fale a verdade, quem foi?, eu o conheço?

– Foi você, meu amor.

Fiquei vermelhinha. E agora, como saio dessa? Lembrei outra amiga que dizia você não mude de opinião diante de um homem, mesmo que seja a maior mentira do mundo mantenha a sua afirmação.

Ele acabou acreditando que era ele. No domingo seguinte, levou-me à praia. Adivinhem o que aconteceu? Vivemos quase o mesmo da minha história. A única diferença foi que, no final, ele quis o meu biquíni pequenino dentro da sunga dele!

segunda-feira, novembro 20, 2017

Rosto vermelhinho

Aquele namorado me vivia enviando mensagens fora do comum: abraços, beijos e outras insinuações muito extravagantes. Nenhuma imagem. Escrevia e descrevia. Exemplos: beijinhos suaves na ponta dos lábios; mordidinhas no lábio superior, o mesmo lábio inteirinho dentro da minha boca; agora o inferior, caramelo de amor; mordidinhas na pontinha da orelha; traçados de arrepios com a ponta da língua pelo teu pescoço. O clímax: mergulho na tua boca minha língua ávida de amor.

Não é que o homem me deixou nua! E que trepada. Quem aguentaria se conter?

Ele era criativo. Dourados os reflexos do teu rosto nos talheres de prata; umbigo pleno de óleo derramado numa maré incandescente; transbordamentos sobre a pele lisa; pigmentos e suaves pelos que escondem abismos, convites a aventuras. Ui, outro o arrepio. Onde minha calcinha?

Andava eu nua pela casa, as mensagens na palma da mão. Já não posso, não me basta o telefone.

Três dias depois eu já era uma fera que nada acalmava. Fui à noite, sozinha, dar uma volta de carro. Um vestidinho e as mensagens que não cessavam. Quem sabe o ar da orla me acalme. Não mais posso me fazer de mulher difícil. As mais jovens são oferecidas, trepam por muito menos, e nem sentem tanto tesão. Eu tinha dado para ele apenas uma vez, estava dificultando o segundo encontro. O homem chegara a perguntar desagradei você? Não, não é isso, eu me coçava. Não queria mesmo era me precipitar. Ele é que tinha de saltar o abismo, convencer-me, encontrar meu corpo, um perigo iminente, respostas vagas para suas tentativas de certezas.

Ao entrar em casa após o passeio noturno e relaxante, tirei a roupa e reli o conto da Marília. Não contava que a história bobinha me acabaria excitando. A mulher diz que aceitou o convite para ir à casa do namorado. Até aqui, nada de mais. Seria a primeira vez na casa dele. Ao entrar e sentar numa poltrona, pensou que aquela relação poderia acontecer de modo diferente. Seria melhor aguardar mais alguns dias, quem sabe duas semanas, achava ruim ir para cama com um homem logo de primeira. Procurava alguém para conviver, não para o puro prazer. Mas, ao aceitar ir à casa dele, facilitava. Poderia ter ficado sentada na poltrona a noite inteira. No entanto, ela mesma o provocou. Não soube dizer por que, mas sentiu vontade. Acabou saltando do estofado para cama. Deitou, chamou o homem. Ele ainda disse você vai ficar toda amarrotada. Antes fosse, que mal haveria voltar amarrotada para casa? Tirou, então, o vestidinho e deu nas mãos deles. Ele o colocou num cabide e guardou dentro do armário, junto com suas roupas masculinas. Ela diz que ficou toda arrepiada. Um vestido levinho em meio a calças compridas, camisas sociais, paletós, cintos e gravatas. Marília conta que ficou molhada antes da hora! O homem deslizou fácil. Que vergonha!, ela tentando refletir. Mas o pior, ou o melhor (depende do ponto de vista), ainda estava por vir. Quando ia prestes a gozar, o namorado perguntou você já voltou pra casa sem calcinha? Ela nada respondeu, virou os olhos. Gozo? Tesão? Lembrou de outro namorado. Fazia tanto tempo, ela tinha dezoito anos. Não é que o garoto, após trepar com ela, roubara-lhe a calcinha? Aconteceria agora o mesmo, tantos anos depois, ela tinha certeza. Mas o que lhe provocava mesmo a maior excitação, era o vestido cercado por roupas masculinas!

Uma nova mensagem do namorado. “Vá à porta, por favor”. Corri, olhei pela fresta pequenina. Ele!, não o convidei. Abri, outra fresta, posei a cabeça. O namorado apontou o seu celular. Nova mensagem. Olhei o meu, nas minhas mãos, deixei a porta solta: “Você, o rosto vermelhinho!”

Não quis dizer a ele que eu estava ardida, consequência do conto da Marília.

Quando estamos do lado de fora do apartamento, a porta bate deixando-nos sem recursos, o corredor sombrio e silencioso; do lado de dentro, ela abre, convidativa, auxiliada por um vento saliente!

segunda-feira, novembro 06, 2017

Que gozo!

Fazia alguns dias que ele me pedira para posar apenas de brincos. Isso mesmo, os brincos dados de presente por ele, e mais nada. Eu vinha relutando, mas o motivo era outro. Para disfarçar perguntei nem um sapatinho?, não gosto de ficar descalça, pedi carinhosa. Ele concordou. Eu podia escolher o calçado. Alguns minutos depois a esta lembrança, estou eu nua diante do espelho. Oh, assusto-me, tenho de encolher a barriguinha. Não estou gorda, mas há um começo de barriga, e ela me preocupa, preciso disfarçá-la. Faço esforço, melhoro a postura e a barriguinha quase desaparece. Não vou, porém, conseguir manter a postura por muito tempo. Preciso comer menos chocolate, menos doces etc. Quem sabe peço pra posar à meia-luz? Caminho até a poltrona e sento, cruzo as pernas, relaxo. A barriguinha reaparece. O que fazer?, não dá pra enganar. Se ficar sem comer três dias, pode ser que diminua. Mas vou aguentar? Descruzo as pernas, após alguns segundos cruzo-as no sentido inverso, puxo bastante a perna que está por cima. Acho que, assim, dá pra disfarçar, mantenho a elegância. A barriguinha de novo. Não posso perder o namorado, melhor perder a barriga, concluo. Trata-se de um homem e tanto, além dos presentes que traz, inventa coisas de me fazer morrer de tesão. Certa vez trouxe uma bolinha, pouquinho maior do que essas com que as crianças brincam. Disse que a colocasse dentro da vagina. Dentro da vagina?, assustei-me, como assim? Não vai me causar problema? Ele explicou-me, com a maior paciência do mundo. Ele mesmo colocou-a. Eu não conhecia o truque. A gente enfia a bolinha, deixa-a lá por um tempo, depois começa a namorar. Ela esquenta, provoca um tesão incrível, no final explode. Adorei. Explodiu bem no momento que ele explodia dentro de mim. Doutra vez, trouxe um creme, passou-o todo sobre o meu corpo. Eu, escorregadia, prestes a deslizar em suas mãos, sobre sua pele. Gosto de me fazer de gostosa, de criar alguma resistência no momento da trepada. Mas com tanto creme sobre e dentro do corpo, o que fazer? Engoli o peru do namorado de primeira, sem cerimônia alguma. Que vergonha. Mas, no final, acabei morrendo de rir. Tenho de emagrecer, penso, ele chega daqui a três dias. Resolvo não sair de casa. Fico nua durante todo o tempo, assim me lembro da barriguinha e de que preciso perdê-la. No primeiro dia, consigo beber apenas água, nada de comida, jejum completo. Um sacrifício. Mas passaram-se as primeiras vinte e quatro horas. Às vezes, sinto fraqueza, alguma palpitação. Então, descubro algumas laranjas. Faço suco. Quem sabe com a vitamina C... Bebo. Fico a ver televisão. Há um momento em que desejo fazer exercícios físicos. Mas, ai, que tonteira. Quando não se come, melhor ficar quieta, poucos os movimentos. Volto a andar pela casa, bebo mais água, de novo à televisão. No final do segundo dia, olho-me no espelho. Experimento uma calça que andava apertada. Que bom, entrou, fofinha. Viva! Tiro-a de novo e continuo nua. Acho que já estou bem, a barriguinha prestes a desaparecer. Quem sabe mais um dia e tudo resolvido. O tal dia se passa, eu a beber água e, às vezes, o suco. Sento, começo a escrever esta história. No final tomo um café, mas nada de açúcar. Sento à mesinha da cozinha, o banco geladinho, minhas coxas nuas em cima do banco, sinto tesão, fico úmida. Verifico. Engraçado!, úmida a tomar café, sentada de pernas cruzadas sobre banquinho da cozinha. Tocaram a campainha. Quem será?, não é o dia de vir o namorado. Vou à porta, não posso deixar que me vejam nua. Assusto-me. Olho pelo olho mágico. O zelador do prédio com uma caixa às mãos. Ah, obrigada, seu João, digo, apenas a cabeça na fresta da porta. Ele se vai, os olhos grandes, prestes a me comerem. Abro o presente. É do namorado, ele chega amanhã. Mas não!, ele nada sabe da minha barriguinha: um caixa de bombons da Kopenhagen... Meu Deus, não aguento, o que vou fazer? Escondo a caixa, penso. Mas onde a força de vontade? Lembro-me do banquinho da cozinha. Corro e sento. Há uma coisa que me atrai mais do que a boca: o sexo. Cruzo as pernas, o banquinho gelado, o café quente. Descubro os bombons. Tomo um deles nas mãos. Tenho uma ideia genial. Experimento-o. Mas não pela boca... Descruzo as pernas, o bombom redondinho, engulo-o com toda a vontade do mundo. Úmida, completamente úmida. Que gozo! Não vou engordar.

segunda-feira, outubro 23, 2017

O ar da costa nos deixa um tanto embriagadas

A história do biquininho é muito engraçada. Meu paquera veio com a ideia, que tal um biquíni bem pequenino? Essa mesma a palavra dele, pequenino. Eu achava que não ficava bem, pois já passei dos quarenta. Ele veio com o presente. Comprar biquíni é coisa problemática, às vezes a gente experimenta um, experimenta outro e nada. Qual o seu manequim? Bastou falar e uma semana depois voltou com o biquíni. É de marca muito famosa, exportam para os melhores países, afirmou. Fui vestir. Não é que caiu como uma luva! Mas fiz charminho, tenho vergonha, falei, já pensou encontro alguém?, todos aqui me conhecem, o que vão pensar? Não sabia que você ligava pra essas coisas, respondeu, tão altiva, desinibida, mas se pensa mesmo assim, você pode usá-lo num dia de praia vazia, durante a semana, ou mesmo quem sabe, fazer como as surfistas, elas usam maiô mas vestem o biquíni por baixo; quando não estão sobre a prancha, estão de biquíni. Vou pensar, respondi. Guardei o biquíni.

Guardei também a provocação. Vou à praia num dia de praia vazia, pensei, deixe estar. Passaram dois dias, o sol tímido a princípio e eu vestida do biquininho. Gostei da sugestão. Vou fazer como as surfistas. Vestia o maiô por cima. Ao chegar à praia, estendi a canga, repousei a bolsa, um vento brando, odor de excitação no ar, duas pessoas aqui, três ali, gente que caminha, que passeia. Como sou preguiçosa, sentei; depois deitei, fiquei de maiô. Com o correr dos minutos, o sol foi subindo, minha pele aquecendo, meu sangue circulando com mais alegria. Tirei o maiô. Deitei de biquininho. Quanto tempo que não uso um biquíni assim. Fechei os olhos. Caso apareça alguém, melhor, vai ser uma festa. Quando me senti incomodada pelo calor, corri para a água. Mergulhei e nadei bastante. Quando reparei, havia duas pessoas próximas de onde eu deixara minhas coisas. Um homem e uma mulher. Eu conhecia o homem, trabalhava numa loja do centro desta cidade, Rio das Ostras, me olhava com desejo quando eu passava por ele, seus olhos seguiam meu bumbum. Mas estava acompanhado; logo, eu poderia ficar tranquila. Sua acompanhante vestia também biquíni, mas nada de mais, um biquíni comportado. Ao ver que os dois se abraçavam, senti saudades do homem que me trouxera o presente, que bom se pudesse estar com ele ali, naquele momento, mas trabalhava em M., somente no fim de semana é que viria. O homem e a mulher continuavam abraçados. Após alguns minutos, ela o soltou e foi até onde eu deixara minhas coisas, olhou para o forro sobre a areia e pareceu surpreender-se. Descobri do que se tratava. Eu deixara o maiô sobre o forro, provavelmente ela estava pensando que a pessoa dentro d'água havia tirado o maiô e mergulhado nua! Olhou para o mar, como que procurando a dona da veste de banho. Ao dar comigo, pareceu sorrir, disfarçou, segurou na mão do namorado e caminharam os dois duas ou três dezenas de metros para a direita. Ficaram à espreita, não iam perder a mulher nua saindo d’água. Eu sabia que deixava a mulher curiosíssima e não podia decepcioná-la. Já pensaram?, eu saindo d’água de biquíni?, não teria a menor graça. Dei conta de que era a estrela daquela manhã. Nadei então mais um pouco, para um lado e para o outro, fiquei de costa para eles, depois de frente. Fingiam não me ver, mas sabia que me espreitavam. Quem sabe não mergulhariam, e viriam na minha direção para se certificarem da minha nudez? Eu precisava agir, e aquele movimento me deixou ainda mais excitada. Sabia que alguém ia espalhar: uma mulher nua toma banho de mar na Costa Azul. No dia seguinte, eu não teria mais sossego.

Desatei o top e depois a calcinha. Descobri que os dois, bem enroladinhos cabiam na palma das minhas mãos. Saí d’água altiva e sorridente, caminhei até meu forro, guardei o biquininho dentro da bolsa, sem que eles pudessem descobrir que era isso que eu fazia. Só depois é que vesti o maiô, com muita calma, torcendo para eles me filmarem com bastante apuro. No final, reparei que foi a mulher quem mais gostou do meu pequeno show. Antes de ir embora, veio me cumprimentar.

Quando me vi sozinha de novo na praia, estava surpresa. Como evoluí! De um maiô inteiro para o duvidoso biquíni; deste, para a nudez. Acho que há vezes em que o ar da costa nos deixa um tanto embriagadas... 

segunda-feira, outubro 09, 2017

Lucinda

Lucinda tinha acabado de se separar de Marcos. O motivo era que ele quase não lhe dava atenção. Na cama, então, nem pensar. Marcos queria mesmo era ser locutor na rádio comunitária local e, quando estava de folga, beber umas cervejas no bar da Vilma. Lucinda, como não conseguia parar quieta, descia para a cidade quase todos os dias. Numa dessas viagens, conheceu  Lukésy. Ele entrou no ônibus logo após o veículo atravessar o trevo da rodovia federal. Embora houvesse muitos lugares vagos, o homem resolveu sentar bem ao lado dela. Lucinda olhou disfarçadamente e suspirou. Caso arranjasse um paquera, não ia querer sexo. Aliás, pelo menos não no começo. Melhor um companheiro para passear, matar o tempo e dividir os gastos diários.

O homem, de jeito sério, foi quem falou primeiro. “Que paisagem bonita, que ar agradável.” Após as poucas palavras, olhou para Lucinda e sorriu. A morena, que sempre usava um vestido inteiriço que lhe descia até os joelhos, retribuiu o sorriso. Foi o sinal verde para Lukésy continuar sua declamação poética. Ele, por sinal, era um bom contador de histórias. Lu ficou entusiasmada. Enquanto ele falava, ela imaginava a idade do novo enamorado. Sessenta, quem sabe setenta? Pensando bem, ela preferia alguém mais jovem, um homem depois dos sessenta não tem o mesmo ardor de um jovem, na maioria das vezes não mais consegue ereção. Lucinda olhou para um lado e para outro, vexada pelos pensamentos arrojados. Mas, cada um, ou cada uma, com a sua sorte. Quem sabe este que está ao meu lado pode ser pelo menos um companheiro de vida? Mal sabia ela que Lukésy era muito assanhado, apesar dos setenta e um anos. Viu a exuberante Lucinda e achou que ela era um prato certo. O homem tinha métodos para manter o vigor sexual. Nada de medicamentos. Conhecia meios naturais que davam o mesmo resultado. Não se sabe se era verdade, mas foi o que contou à mulher uns dias depois de se conhecerem. Naquele primeiro dia, o do encontro no ônibus, Lucinda saltou um ponto antes da rodoviária, pois precisava ir ao banco. Mas não se esqueceu de deixar o número do celular. Ele, muito cortês, também deixou o seu.

Dois dias depois, Lukésy telefonou. Que tal se encontrarem na Costa Azul, perto de onde Lucinda morava. Sempre feliz por causa do novo namorado, ela aceitou. Lukésy trouxera-lhe uma caixa de chocolates. Enquanto contava sua história, a mulher já comia um dos bombons.

Ele já tivera três AVCs. Lu arregalou os olhos ao escutar. Mas não havia problema, ressaltava, agora estava bem, sentia-se como um jovem, aprendera a se cuidar, sobretudo por meio do consumo de sucos e vitaminas tiradas sempre de frutas. Havia um segredo nisso tudo, ele continuava a narração, uma melancia, com sua parte vermelha e branca mais os caroços, tinha um poder incrível, era mesmo uma espécie de Viagra natural. Batia tudo no liquidificador e depois cozinhava. Tomava uma grande porção e aguardava o efeito, que não demorava a se manifestar. Lukésy, na verdade, queria voltar no tempo. Achou que os setenta e um anos poderiam ser invertidos a dezessete. Comia aquele cozido de melancia várias vezes por dia.

Quando Lucinda esteve na casa do recente namorado, ele usava uma calça de moleton. Não era possível ver volume algum do seu pênis. Animado com a aparência de Lucinda, resolveu beber uma tigela da tal poção mágica de melancia cozida. Passaram vinte minutos e sua calça já demonstrava o efeito do Viagra natural. Lucinda gostou e não gostou. O motivo era que achava que um pênis deveria ser excitado com os carinhos dela, através de suas mãos macias e veludosas. Achava ter poderes até mesmo para aqueles casos. Lukésy não dava beijos nem nada sussurrava no ouvido da mulher. Ela sempre adorou ouvir palavras tenras, histórias em que era uma espécie de princesa do amor. Embora ele lhe admirasse os seios rijos, as pernas sem celulites e o bumbum saliente quando ela se despiu, o homem não avançou nas observações. Lucinda ainda deu alguns passos sobre o piso do quarto, para que ele a olhasse com mais ardor; afinal, seu corpo era mais estimulante do que qualquer vitamina natural ou artificial. Mas Lukésy queria apenas trepar, enfiar o pênis na vagina de Lucinda. No começo, sentou-se num dos cantos da cama e pediu a ela para vir por cima. Lu sentiu-se um tanto envergonhada com a súbita proposta, sem nenhum carinho ou um beijo. Mas acabou aceitando. Ficaram na posição durante um bom tempo. E o pior de tudo era que o homem não gozava. Chegaram a ficar várias horas trepando, agora ele sobre Lu, que já demonstrava desconforto. Ele não morava sozinho, e não se importava com quem mais estivesse na casa. Achava que poderia lubrificar a linda boceta de Lucinda com vários tipos de cremes e permanecer sobre a mulher horas a fio. Quando ela protestou, dizendo que já estava esfolada, que já não mais podia de tanta trepação (o Viagra permitia a Lukésy trepar durante a noite inteira), ele chegou a forçá-la, não permitindo que se mexesse. Lucinda, então, chorou, imóvel, com o homem sobre si. Na verdade, estava traumatizada, nunca experimentara um sexo tão doloroso. Não queria um namorado daquele tipo.

Ao amanhecer, muito cansada por não ter dormido, ainda ardida, Lu reparou que, pela primeira vez, o homem cochilava. Ela levantou-se tentando não fazer ruído algum, juntou os seus pertences e pulou a janela. Vestiu-se apenas a duzentos metro da casa, já na pequena rua lateral. Para escapar mais rápido do lugarejo, quando esperava o ônibus num abrigo da rodovia federal pediu carona a um caminhão que trafegava vagaroso. O motorista surpreendeu-se com uma mulher atraente, sozinha ao amanhecer, naquele abrigo deserto, pensou que fosse uma prostituta. Para desfazer a impressão, Lucinda disse que precisava ir a Rio das Ostras para cuidar de uma parenta doente. Ele tentou acreditar na história, sabia que naquele local não passava ônibus para onde a morena pretendia ir. Durante o trajeto, ele nada tentou, apenas contou uma história e deixou Lucinda em casa, deixou também o número do telefone. Quem sabe poderiam se encontrar qualquer dia desses, conversar um pouco, aproveitar a vida. Ela não disse nem sim nem não, apenas agradeceu. A seguir entrou em casa e trancou-se. Dali em diante não mais atenderia os telefonemas de Lukésy. Ainda bem que não dera o endereço. No dia seguinte iria ao centro e mudaria os números dos telefones. Mulher não é objeto, pensava com razão, mulher precisa de carinho. Lembrou-se, então, das mãos largas do motorista do caminhão.

quarta-feira, setembro 27, 2017

O que você acha?

Outro dia o namorado me perguntou se já saí nua de casa.

Que pergunta!, respondi, já sei, você sente tesão ao saber que uma mulher saiu nua de casa.

Quem sabe.

Quer saber mesmo?, sair nua não saí, mas numas férias quando era mais jovem, posso dizer que fiquei nua na praia. Aliás, aconteceram tantas coisas engraçadas naquele verão.

Conta, por favor. Estava curiosíssimo.

Tudo bem, começo por mim. Andava de biquíni quase o tempo todo, e os rapazes me queriam nua. Lógico que me fazia de difícil. Um dia, porém, fui passear com um deles. Acabei tirando o biquíni e deixando no carro. Desci nua à praia. Caso aparecesse alguém, não tinha nem um paninho pra me cobrir. O rapaz usava apenas sunga, nem uma camiseta. E lá fui em pelada, correndo, as mãos soltas demonstravam minha falta de jeito. Outra história é sobre uma menina que andava muito com a gente. Arranjou também um namorado. Ele tirava o biquíni dela dentro d’água, dizia que era pra não correr pra junto dos outros garotos. Nua, tinha de ficar ao lado dele. Ainda houve outra, que resolveu ser cantora. E não é que conseguiu? Cantava bem. Mas o que a tornou famosa naquele verão foi a saia curtíssima que usava no palco. Os garotos enlouqueciam. Depois não podia passar perto deles, passavam-lhe a mão. São essas as histórias, já que você sente tesão com elas. Nunca saí pelada de casa, não. Quem sabe um dia?

Jura?, mostrou-se surpresa.

Não preciso jurar, quando decido algo, cumpro, mas ainda não prometi, disse apenas quem sabe.

E os garotos?

O que tem os garotos?

Eles não desejavam transar com você?

Desejavam, claro.

E então?

Ah, você quer saber se trepei com algum?

Isso mesmo.

O que você acha? Você não gosta de trepar? Mulher é a mesma coisa.

Então conta, vai.

Contar?

Isso, mesmo, a vez que você gostou mais.

Foram tantas.

Escolhe uma.

Foi uma vez quando saí duma festa. Um vestidinho curtinho, coladinho ao corpo, e de botas, imagina.

Você ficou nua dentro do carro, nas mãos do namorado.

Dentro, não; fora, só de botas. Não há homens que resistam a uma mulher nua, só de botas que sobem até os joelhos! Foi uma amarração. A agente agarrado, eu encostada na lataria do carro. Abri as pernas e ele não perdeu tempo.  Escorregou pra dentro de mim. Depois de algum tempo, pedi que deitássemos, achei que seria melhor. Havia um gramado nas proximidades, corremos até lá, eu ainda nua. Ele forrou a grama com a camisa e subiu sobre o meu corpo. Fiquei louquinha. Longe do carro, nua, só de botas. Gozei em dobro. Quando voltei ao carro, pedi pra passear mais um pouco e continuei nua ao lado dele!

quarta-feira, setembro 13, 2017

Lívia, tuas histórias são muito engraçadas

Tenho uma amiga que diz Lívia, tuas histórias são muito engraçadas. Por quê?, pergunto surpresa. Porque você sente uma coisa e diz outra. Como assim?, peço a ela que seja mais explícita. Você gosta e diz que não gosta. Será?, faço beicinho.

Mas o namorado acaba por me deixar louca, cheguei a refletir. Ele, porém, que é o louco. Como pode pedir a uma mulher que fique nua dentro do carro e depois salte numa estrada à noite? No começo não acreditei na proposta, achei que estava querendo me insuflar pavor. Pouco a pouco, no entanto, achei que seu pedido produziria um frisson mais intenso no nosso namoro. Então, aceitei. Trêmula e arrepiada, com o coração aos saltos, fiquei nua dentro do carro, depois saltei e o deixei partir. Lógico que prometeu voltar. Quem sabe se voltaria mesmo. Quando acelerou e se foi, confesso que fiquei toda molhada, e bem na xereca. Ele voltou, levou-me à sua casa, trepamos intensamente às cinco da manhã.

A segunda vez foi na praia. O quê?, você quer tirar o meu biquíni dento d’água? E se aparecer alguém, conheço muita gente aqui, a cidade é pequena. Entramos na água, antes de eu ficar nua dou de cara com uma ex-aluna, já adolescente. Oi, professora, como vai a senhora? Depois que ela se foi eu disse viu se estivesse nua?, que vergonha, o que ela iria pensar de mim? Ela não iria reparar, a água está escura, bastava você não dar na pinta, ele retrucou. Depois de dez minutos, acabei convencida, deixei que me tirasse o biquíni, e o pior, permiti que o guardasse lá onde estavam as minhas coisas, na areia. Ele foi, eu fiquei nua dentro d’água. Tudo acabou bem, no entanto. Ele voltou e me devolveu o biquíni. Não posso dizer que senti gozo, mas fiquei orgulhosa de ter aceitado o desafio. À noite uma pizza na orla e uma boa trepada antes de dormir.

A terceira vez foi no pequeno prédio onde moro, uma construção de três andares: um apartamento no térreo, dois no segundo andar e um no terceiro. Este último é onde habito. O namorado pediu que eu saísse nua, esperasse durante alguns minutos do lado de fora e depois batesse à porta para ele abrir. Eu fingiria estar chegando à casa de um desconhecido, batendo ao acaso, pedindo ajuda, contaria uma história, caso convencesse ele me abrigaria. Senti um arrepio diante da proposta. Mais um desafio. Não sou de me deixar vencer pelo temor. Sai nua de casa, e não me contentei em ficar junto à porta como havia combinado. Desci ao térreo, isso mesmo, que loucura, inteiramente nua, lá embaixo encontrei uma das moradoras, ela vestia calça comprida branca e estava junto ao portão, provavelmente esperando alguém. Ainda bem que apenas eu a vi. Dei as costas, subi as escadas e voltei para casa. Os outros apartamentos são meus, sou a senhoria, imagine se me surpreendem nua, iam me julgar louca, iam pedir minha internação. Mas tudo deu certo, representei a tal história e ele me abrigou. A transa foi ótima.

Lívia, tuas histórias são muito engraçadas, as invenções do teu namorado te colocavam em perigo, concordo, no teu lugar eu não toparia, mas essa expressão que você diz, "caiu a ficha", que ele queria mesmo era te aterrorizar, não acredito, na verdade você gostou, adorou, seria melhor dizer "engoli a ficha", e quem sabe está doidinha pra engolir outra!