sábado, janeiro 29, 2011

Passeio no bosque

Minha amiga de Glicério enviou mais uma história excitante, ela viajou nas férias para um hotel fazenda, e registrou tudinho em seu diário...

Que linda manhã!

Ontem até chegar aqui foi estressante. Engarrafamentos, acidentes na estrada e pedágios fizeram parte deste meu trajeto.

Estou com o meu diário em mãos, para não deixar escapar sequer uma vivência neste paraíso.

Minha filha, neta e genro ficaram dormindo.

Saio pelos arredores do hotel. Passo por inúmeros hóspedes. Todos com a aparência transbordando felicidade. Lógico, aqui se hospedam pessoas que não fazem parte da massa que sobrevive do mísero salário mínimo do governo.

Descubro que ao redor do hotel há um parque. Caminho sem destino, percorro trilhas entre árvores, troncos, pontes e bancos. Tento descrever a beleza do lugar.

Quando eu voltar das férias, terei o que contar aos meus colegas, direi o quanto pude relaxar.

As frutas geralmente nos causam sensualidade, e o aroma matinal me proporciona um intenso arrepio.

O imprevisível acontece. Avisto a peça inferior de um biquíni, pendurada num dos galhos de uma mangueira. Paro, olho para os lados. Todos que ali passeiam estão distantes e jamais irão perceber que observo aquela parte íntima tão peculiar às mulheres.

Não é comum estar ali. A pessoa que a desprezou está sem, em algum lugar, fazendo algo muito estimulante. Só de imaginar morro de tesão.

Não hesito. Pego a pequena peça e a coloco como marcador do meu diário.

Nem sei o porquê de agir assim. Possuo uma coleção de calcinhas de biquínis, mas aquela será especial, fruto do pecado de alguém que talvez poderá ser o meu. O forte do ser humano é experimentar sensações.

Chegando ao hotel darei um jeito de desinfetar esta preciosidade. Se alguém perceber me chamará de louca, porém estarei louca é por uma trepada.

No hotel encontro o pessoal já acordado. Me viram passar em frente ao salão de chá. Fui direto para o quarto que divido com minha neta. A aventura seria mais interessante se a menina não chegasse.

"Vó, vamos passear no bosque?"

Enfurnei o objeto e saímos.

Quando caminho de novo entre as árvores, é impossível retomar a aventura. Fica apenas o registro no meu diário.

domingo, janeiro 23, 2011

Aniversário

Hoje meu blog completa cinco anos de existência. Agradeço a todos vocês, leitoras e leitores. Que possamos estar sempre juntos, e que vocês continuem apreciando minhas histórias. Um grande beijo,
Margarida

sexta-feira, janeiro 21, 2011

Beliscadela

Estou pelada, daqui a pouco vai chegar alguém, portanto tenho pouco tempo para lhe contar. É sobre a foto que você quer saber, não? Tirei há duas semanas. Pedi a um amigo. Fiquei ótima, sei disso. Estou nua na foto, mas não ficou vulgar. Você disse que estou com cara de pimenta, de mulher que não tem vergonha de dizer sobre o próprio desejo. Você falou mais uma coisa, uso suas próprias palavras: uma mulher que não tem medo de gozar. Essa expressão já está ultrapassada. Acho que faz tempo que as mulheres querem gozar, e não é só no final, mas durante todo o tempo. Você comparou a foto com uma que você tem, tirada há oito anos. Diz você: nesta você está com cara de envergonhada. Não sei, não. Eu? Com cara de pejo? Acho difícil. Mas como você parece entender das coisas, vá lá. Naquela época eu saía menos que hoje. Achava ruim sair sozinha. Essas coisas que algumas mulheres pensam, sempre precisam chamar uma amiga, ou estar em grupo porque caso isso não aconteça ficam em casa vendo televisão. Veja, ver televisão... Se ainda fosse lendo um livro. Isso, porém, já é outra história. Voltando ao assunto. Comecei a sair só. Passei a conhecer uma porção de pessoas. Homens e mulheres. Me convidavam para ir a muitas festas, a peças de teatro, a outros espetáculos e a tudo mais. Comecei a encontrar muita gente. Mas evitava sair em grupo para não criar compromisso de estar sempre com aquelas pessoas. Num determinado dia conheci um cara. Não vou dizer que não transei com ele. Transei e foi muito bom. Não pela própria relação em si, mas pelo que me sugeriu. Sempre fui uma mulher altiva, desinibida, você sabe que já andei até nua pela cidade, de noite. Na cama, no entanto... Isso mesmo, no entanto... eu era um tantinho envergonhada, digamos assim. Esperava pelos homens, achava sempre que a iniciativa tinha de ser deles. Por isso, talvez, na foto antiga eu, nua, esteja sugerindo um certo ar de envergonhada. Até então. Porque o tal homem me ensinou umas coisas. Disse que as mulheres têm músculos que precisam ser dominados, que se eu conseguisse o domínio de um certo músculo, se o movimentasse adequadamente, iria enlouquecer todos os homens dali em diante. Não preciso dizer mais sobre isso, não é mesmo? Você já deve estar imaginando do que se trata. Ele sussurrou no meu ouvido, no momento do amor: "agora, tente, é como um pequeno beliscão, mas não é com os dedos, vai, mexa, pense primeiro, você vai conseguir, e nem é preciso muito esforço." Daquele momento em diante, aconteceu. Ouvi da parte dele: "isso, assim mesmo, viu?, aprendeu rápido", e me beijou terrivelmente. Não fiquei com ele por muito tempo. Continuei com as minhas saídas, e quando me sentia atraída por algum homem você já sabe o que acontecia. Dali em diante, coloquei em prática aquela beliscadela. Os homens enlouqueciam. Todos eles. Sem exceção. Por isso acho que agora saio com essa cara no retrato, cara de pimenta. Era isso que eu queria falar a você sobre a foto. Agora tenho que correr ao banheiro para me vestir porque alguém está chegando. Aqui na pousada há também uma porção de gente hospedada. Se eu não correr me pegam pelada. Um beijo, tchau, depois falo com você de novo.

sexta-feira, janeiro 14, 2011

Quer saber mesmo?

Você sabe, existe gente para tudo. Depois que ele me deu aquele beijo e, sobretudo, depois do que me falou – acho que um poema – senti uma terrível vontade de estar nua nas mãos dele. Lembrei, então, o que a Kelly me contou algum tempo atrás: não resistiu e pediu ao homem que recém conhecera que a deixasse inteiramente nua, que a fizesse se sentir muito assustada e, enfim, que a acariciasse intensamente.

Minha amiga me olhou um pouco desconfiada, mas nada falou. Continuei.

Nunca teve essa sensação, Alice? Acho que toda mulher ao menos uma vez na vida já passou por isso. Você vem caminhando num sábado, ainda é de manhã, bem cedo, vem o homem dos seus sonhos na sua direção, é lógico que até ali você ainda nada sabe sobre isso. Você continua pelo mesmo caminho, no canto esquerdo da calçada, apenas ele e você àquela hora da manhã, mas ele não desvia, vem pelo mesmo lado em que você está, como se fosse lhe dar um grande esbarrão. Ora, sou mulher, o homem é que deve desviar. Mas ele não dá o menor sinal de que vai sair da frente. Então, quando tudo leva a crer que vai haver um choque entre vocês dois, ele lhe dá um beijo. Tive de rir. Isso mesmo, acabei rindo. E também, confesso, arrepiada. O homem me deixou com desejo de sexo às sete e meia da manhã, Alice, e era primeiro de janeiro.

Ela sorveu mais um gole de café, senti que desejava saber a continuidade da história.

Parei e olhei para ele. Isso mesmo. Parei e olhei de modo desafiador. Sabe quando uma mulher enfrenta um homem, olha com tremenda raiva, como se ele tivesse cometido um grande mal? Tudo fingimento, é claro. Mas foi assim que o olhei. Pensei que iria virar de frente e continuar o seu caminho. Eu demonstrava intensa indignação. Mas ele não se foi. Chegou bem perto. Não temeu que eu o agredisse. Sussurrou quase juntinho do meu ouvido: eu te amo. Suas palavras me pegaram de surpresa, me desconcertaram. Já pensou o que é um desconhecido chegar perto de você e dizer que te ama, e isso do modo mais caloroso do mundo? Muda tudo. Sério. Suas palavras mudaram o curso das coisas. Como pode um homem se declarar assim, de primeira, a uma mulher? Sei que existem vários tipos de cantadas, e que certamente aquela seria uma delas. Mas suas palavras soaram como jamais a de nenhum outro homem. O que aconteceu pode ser explicado da seguinte maneira: me senti como se ele tivesse me deixado nua sem que eu esperasse. Ainda rindo, perguntei: o que você quer de mim? Ele me respondeu, mas não o que eu esperava, disse apenas: acho que nos encontramos, e já te espero há tanto tempo. Ri de novo. Me espera há tanto tempo? Como assim? Não sei explicar, falou, mas tínhamos de ser um do outro, tínhamos de nos conhecer hoje. Naquele momento entendi o que é o amor. Mesmo que tivesse virado as costas e caminhado para longe dali, minha vida já não seria a mesma. O que fazemos, então?, perguntei. Não sei, acho que não precisamos fazer mais nada, falou.
A curiosidade mata, Alice. Já ouviu o ditado? Mata, sim. Pura verdade. Quer saber mesmo? Fiquei nua. Isso mesmo, inteiramente nua. Na mesma hora. Qual poderia ter sido minha atitude, senão essa, e logo no ano novo?

Elevador das ilusões

Há um tempo tinha medo de andar de elevador, mesmo para ir ao vigésimo andar preferia subir as escadarias. Parecia estar pagando promessa.

Quando tinha acabado de perder o medo, aceitei o desafio de ir ao último andar do prédio em que meu namorado mora. Hoje ex, porém amigo e confidente.

Ir ao último andar me pareceu fácil, mas ir lá excitada e preocupada se vou ser vista nua por algum morador é loucura.

Na primeira vez tive a ilusão de que nenhum morador iria me ver. Apenas meu parceiro já tinha me visto.

No embalo do prazer, saí. Sandália alta, bolsa no ombro e mais nenhum acessório. Poderia ter colocado uma daquelas perucas e óculos fantasia, mas não me veio à mente. Estava ansiosa para cumprir o combinado e voltar para a culminância final, gozar loucamente.

"Meu amor, vai que eu te espero."

Ele fechou a porta do apartamento. Senti um calafrio de abandono. Apertei o botão chamando o elevador. Entrei e determinei onde queria chegar.

Quem mora no último andar é o síndico do prédio, homem sério, que talvez não se ligue nessas fantasias sexuais. Imaginem este homem circulando pelo prédio e vendo uma mulher que ele conhecia ou até mesmo julgava ser uma pessoa de respeito andando nua de madrugada, namorada de um mestre quase doutor em literatura brasileira? Ia ter um daqueles chiliques, chamar a polícia ou jogar água gelada para que ela acordasse do delírio.

Mas, desta vez, tudo deu certo. Pelo menos é o que parece. Será que o síndico até hoje não se delicia com a gravação da câmera de segurança do prédio e goza escondido da esposa?

O meu corpo é naturalmente escultural. Provoca prazer. O da esposa dele já não lhe causa mais tanto tesão. A cara do síndico e seu jeito demonstram que ele precisa tocar punheta em frente a uma revista Playboy, porque a mulher já deu o que tinha que dar.

quarta-feira, janeiro 05, 2011

Presentinho de ano novo

Estávamos no Iguatemi, domingo à tarde, eu, Graça e Maristela. Como era o primeiro domingo do ano e as festas havia dois dias tinham terminado, predominava o clima de passeio que completava os feriados de reveillon, famílias saíram de casa para almoçar no shopping.

Esperávamos os rapazes; um fora ao toalete; o outro estava um pouco atrasado. Enquanto as pessoas passavam por nós, podíamos observar as vitrines das lojas que ficavam do lado oposto de onde nos encontrávamos. Ao fundo se localizava a livraria Cultura, Graça olhava para lá. Maristela reparou que tanto os homens quanto as mulheres passeavam bem vestidos.

“É porque a temperatura caiu, apesar de verão. Em Brasília é assim, por natureza já não é uma cidade quente, e as chuvas de verão fazem a temperatura em torno de vinte ou dezenove graus, você que já há anos mora aqui sabe disso”, falei.

Graça despertou do hipnotismo que a proximidade da livraria a envolvia.

“As pessoas andam tão elegantes aqui nesta cidade, gosto muito disso; no Rio, acho que devido ao calor excessivo, não é assim, há uma atitude de relaxamento, ou mesmo desleixo.”

“Você, Graziela, anda muito bem vestida, não é porque estou ao seu lado que estou elogiando, não”, Maristela se dirigiu a mim.

“Ah, obrigada, gosto de andar bem arrumada.”

“Não é só isso, é que, como se pode notar, você sempre usa roupas de grife, e esse seu vestidinho está uma graça.”

Depois que Maristela falou, Graça sorriu, o trocadilho com o seu nome fez que se manifestasse:

“Epa, a Graça aqui sou eu.”

“Todas somos muito graciosas, mas a Graziela anda com roupas muito chiques”, acrescentou Maristela.

“É mesmo, conta pra gente quanto foi o vestido, Grazi, vi numa revista e acho que não saiu por menos do que setecentos”, Graça, com ar indagador.

“Oitocentos e cinquenta”, falei, “caro, não?”, sorri.

“Puxa, você é corajosa”, Graça suspirou, “mas aqui em Brasília as pessoas ganham bem.”

“Não é isso”, esclareci, “nem todos por aqui ganham bem nem se vai jogar dinheiro fora, é pela qualidade, vocês reparem que um vestido desse tipo dura bastante e é útil para muitas ocasiões, mas não se deve usá-lo todo dia, hoje é uma data especial, estamos acompanhadas, e o ano mal se inicia.”

“Há mais um segredinho”, peruou Maristela no ouvido da Graça, “o namorado dela”, apontou para mim, “exige que ande bem vestida, com roupas de primeira, ela mesma já me falou sobre isso.”

“Verdade?”, quis saber Graça, “ele é tão exigente assim?”

“Fale a ela Grazi, diga a verdade.”

“É isso mesmo, ele é muito exigente, e além de tudo me enche de presentes. O vestido foi ele quem me deu. Alíás, fui com ele, porque sou eu que escolho.”

“Aqui entre nós, enquanto ele não chega, ouça só, é também exigente em outras coisas”, Mari alimentava o assunto.

Graça deu uma tremenda gargalhada.

“Grazi é minha amiga há anos, não fica aborrecida com as coisas que falo”, continuou Stela, “ela mesma me contou e não pediu segredo. Grazi veste essas roupas caras, a maioria presentes dele, mas também o recompensa, não é mesmo, meu docinho?”

Tive de rir. “Essa minha amiga é terrível, será que sou apenas eu que conto atrações íntimas, ou você me falou sobre aquela madrugada, a pele branquinha, isto é, nada sobre a pele, um arrepio, o Honda do seu amado...”

“Não, Grazi, por favor, depois deixo que você conte, mas agora não, morro de vergonha, veja que vem o Júlio...”

Olhei na direção a que Stela apontou, mas não vi Júlio algum.

“Sobre a Maristela, como pediu, não vou falar nada, vou deixar que depois ela conte com suas próprias palavras, assim será mais emocionante, mas quanto a mim não tenho vergonha alguma de dizer, uma vez que sou agraciada com tantas roupas, acessórios lindíssimos e outros tipos de presentes, o que custa agradar meu namorado?”, enfatizei.

“Todas as mulheres agradam seus namorados e vice-versa, ou não?”, Graça.

“A Grazi é demais. O agrado dela é exagerado”, Mari.

“Sou exagerada? Só porque...” olhei para os lados e hesitei se falaria.

“Estou curiosa, gostaria de saber que agrado é esse...”, Graça.

Maristela correu e sussurrou algumas palavras no ouvido dela.

“Oh”, Graça suspirou.

“Já sei o que ela falou, não acredite”, interrompi o suspiro da minha amiga que viera do Rio, depois virei para Mari e, debochada, falei:

“Sempre achei o Rio tão avançado, todas aquelas mulheres nuas no carnaval, atrizes sem calcinha, e a Graça não pôde ouvir essa bobagem que você falou sem deixar de dar esse longo suspiro”, acrescentei.

“Olhe, Grazi, agora é o Júlio, entendi porque demorou, repare o que ele traz nas mãos, observe de que loja é? Acho que vou desmaiar, queria tanto ganhar um presente assim”, disse Mari, dengosa.

“Oi pessoal”, Júlio me beijou e beijou minhas duas amigas. Entregou-me o presente, “querida, presentinho de ano novo.”

Mari e Graça suspiraram no mesmo ritmo.

“Onde vocês pretendem ir? Lembrem, hoje é por minha conta”, acrescentou.

“Júlio, você não tem um irmão, ou mesmo um primo?” Mari, toda espevitada.

“Tenho, mas é em segundo grau.”

“Ah, que ótimo, não faz mal que seja em segundo grau. Não dá pra você chamá-lo, assim, assim?”, Mari completou a frase com gestos que tentavam continuar suas palavras. Graça acompanhou as mãos da amiga de olhos arregalados.

“Posso, mas ele tem apenas quatorze anos, e não sei se vai gostar de sair com a gente.”

“Oh, Graça, então temos que esperar mais alguns anos”, Maristela entristecida.

Todos mergulharam numa intensa risada...

“De que vocês estão rindo? Me contem que quero rir também”, era o amigo da Graça que chegava. Havia um ano viera trabalhar em Brasília, passara no concurso da Câmara, se juntava a nós para passar a tarde de domingo.

quarta-feira, dezembro 29, 2010

Morríamos de rir

Vinha por um dos corredores do shopping abraçada com minha mãe.

“Filha, eu te amo, não me solta não, quero ficar agarrada a você o passeio todo.”

Sou muito parecida com ela, apenas o que nos diferencia é que cresci mais alguns centímetros.

Olhamos quase todas as vitrines de roupas, e mais a de uma loja que vendia toalhas, cada uma mais felpuda do que a outra. Paramos e apreciamos a arrumação, as toalhas de várias cores.

“Temos que comprar toalhas novas, você não acha? Qualquer dia desses preciso vir aqui e levar pelo menos quatro conjuntos, as nossas já não estão boas.”

Assenti, luminosa. Cruzou à nossa frente um homem, devia ter entre quarenta e cinquenta anos, olhou-nos e sorriu, vai ver que pensou o que fazem essas duas mulheres agarradas? Mas ao acabar de passar deve ter voltado a cabeça para nossas costas e falado para si mesmo mãe e filha.

“Olhe, querida, veja que shortinho bonito. Deve ficar ótimo em você, não quer experimentar?”

Minha mãe adora que eu saia nua por aí.

“Não está muito curto, mãe?”

“Não. Todo mundo está usando esse tipo de short agora no verão. Vamos comprá-lo, você quase não tem roupa para a estação.”

Entramos. A vendedora veio nos atender. Pedi dois modelos diferentes, mais uma bermuda, e ainda uma blusa curta.

“Ficaram lindas, filha, todas essas roupas estão ótimas em você.”

“Mas, mãe, você não acha que já tenho roupa demais?”

“Não, para nós, mulheres, roupas nunca são demais, por mais que as compremos sempre vamos estar precisando.”

Saímos da loja com duas bolsas, e de braços dados.

“Vai sair à noite, filha?”

“Acho que vou.”

“Vá com um desses shorts, o Geraldo vai adorar.”

“Ah, isso a senhora acertou, o Geraldo adora me ver nua.”

“Ele tem bom gosto, filha.”

“E a senhora, vai ficar em casa hoje?”

“Não sei, é segredo, ainda vou resolver.”

“E o Antônio, não gosta de ver a senhora nua?” Perguntei enquanto descíamos pela escada rolante, apesar do dia 27 de dezembro ainda tocava uma música de Natal.

“Ele morre de vergonha quando saio de roupa curta, você sabe.”

“Mãe, a senhora é muito extravagante, imagine o que aprontava quando era da minha idade...”

“Já contei a você tudo o que fiz, não faltou nada”, falou enquanto me puxava para uma das mesas de um café.

“Vamos tomar um expresso, filha?”

“Vamos. Mas quero o meu com leite.”

Sentamos.

“Mãe, a senhora não me contou uma coisa.”

“O quê, filha?”

“Não é coisa de antigamente, mas algo que aconteceu com a senhora na quinta passada.”

“Na quinta? Nem me lembro onde fui na quinta.”

“A senhora saiu com o Antônio, chegou às três da manhã. Agora o segredo, baixinho para que ninguém das outras mesas nos ouça: a senhora entrou pelada em casa! Eu estava deitada no sofá da sala, fiz de conta que estava dormindo, vi tudinho.”

“Ah, isso mesmo, foi uma brincadeira, Quis deixar o Antônio, tímido do jeito que é, morrendo de vergonha. Quando fico pelada, até parece que é ele que está nu!”

A garçonete colocava nossos cafés sobre a mesa, enquanto morríamos de rir.

quinta-feira, dezembro 23, 2010

O desejo sempre explode na própria pele

Não há desejo interior. Ah, verdade, não há! O desejo sempre explode na própria pele, descreve uma curva que leva a uivos de delírio. Cada poro exala então sua lágrima, ora de êxtase, ora de dor. Todo gozo beira o fim. É bom desejar, mas é melhor satisfazer o desejo desejando; é bom transitar à beira do abismo, mas não abalar; é bom equilibrar-se ao máximo, deixar arder as entranhas, ferver em espirais de um ciclone, mas esperar, não ser levada por Zéfiro ou Boréas, deixar apenas as roupas soçobrarem, levantarem voo vazias, gaivotas que acompanham naus oceânicas. Mas se vem o gozo, ai, quero que elas voem de volta, que não me abandonem, se não morro de vergonha. Enquanto dura o desejo sou atrevida, sou a vida, sou o escorrer do rio, desde uma nascente subterrânea até um Nilo que lava há dez mil anos homens e mulheres, sou eterna nua desejante; quero que o leito desse rio se aprofunde, se alargue, que dê mil voltas, que descanse, que torne possível banhar-me nele duas ou quem sabe três vezes; rio que respinga nos beirais de um Cairo antigo, mas que postergue suas águas, jamais entregando minhas partes descobertas... Mediterrâneo é o mar que divide areias e montanhas, que cinde meu desejo, que o mantém aceso. À beira da explosão penso em outra coisa, talvez num armarinho onde possa comprar linhas, alfinetes e agulhas. Então esfrio, dou umas voltas vestida de branco; sou virgem a lamber sorvetes e a empinar balanços. Não demora torno a me aquecer, de novo mulher a namorar em êxtase de precipícios. Quando me ameaça o despenhadeiro, pedra lisa que me impede segurar nas frestas, volto ao armarinho, compro mais linhas e agulhas, talvez também uma fita, me transformo em menina que dá laços nos longos cabelos...


Feliz Natal, boas festas de fim de ano. Que em 2011 possamos ter muita saúde, realizar todos os desejos e viver muitas fantasias!

segunda-feira, dezembro 20, 2010

Chaveirinho

Minha amiga que mora em Glicério se entusiasmou e escreveu outra história. E essa é das boas...


Vim para esta cidade com a intenção de fazer a vida. Onde eu estava, não tinha mais chance de ganhar dinheiro. Também mesmo vindo de uma cidade grande, a profissão de prostituta por lá era muito concorrida. Os homens que apareciam eram de classe inferior, achavam que só porque estavam pagando podiam usar e abusar.


Assim que cheguei, logo perceberam o meu perfil. Gosto de roupas chiques. Sou de estatura pequena mas farta de coxa, bumbum, e os meus seios são duros e gostosos de apalpar.


Disputo o ponto com uma colega de profissão. Ela sabe que não tenho onde cair morta. Nas sextas feiras o bicho pega. Todas as prostitutas chegam cedo. Sabem que é dia de gringos petroleiros traírem suas mulheres, descarregarem as porras acumuladas durante a semana e liberarem a grana.


“Que é isso colega? Só porque sabe que o meu japonês hoje comparece você chega primeiro."


“Ih! Olha ela. Você é nova no pedaço, Chaveirinho."


“Nova sim, mas o japonês ficou mais satisfeito comigo. Ele goza na minha boca, rosto e espalha porra entre meus seios. Um dia coloquei uma azeitona abaixo do meu grelo e ele buscou com a língua. Tive um dos maiores gozos de minha vida. Sempre fingi na minha cidade natal. Os homens de lá só faziam sexo. Não beijavam a parceira, muito menos a elogiavam. O japonês não. Até faz juras de amor.”


“Com esse jeito romântico, você vai dar com os burros n`água. Aqui o que vale é a satisfação do freguês."


“Nossa, Alda, podemos fazer do nosso trabalho uma obrigação prazerosa."


Enquanto conversávamos o japonês passa e me mostra do seu carro em movimento a chave de uma suíte especial do Confort. Alda provavelmente pensa: Não é que a Chaveirinho está com cartaz?


Cinco horas depois apareço na rua da Praia com meus dólares. Alda me conta que fez um programinha atrás do mercado de peixe. Apareceu um senhor de uns setenta anos querendo ser chupado. Mas pagou pouco. Também a Alda já dá aquela buceta na rua da Praia há uns vinte anos. Nunca poderia competir comigo, carne nova chegada fresquinha.

Tenho esse apelido, Chaveirinho, por gostar de colecionar chaveiros esquecidos pelos clientes. Tem gente que pensa que o apelido surgiu devido à minha estatura baixa.


Nos feriadões, os petroleiros além de quererem tomar aquele chopinho no Ilhote Sul com os amigos, saem à procura de uma puta que satisfaça seus desejos. Santo de casa não faz milagre. Dão uma passadinha na orla ou até mesmo na rua da Praia para ver se acham um tira gosto mulher. Me veem lá com meu minishort branco transparente cobrindo a minúscula calcinha de oncinha. Lá vou eu, a Chaveirinho, a mais uma missão. Só que desta vez não é o japonês. Na ultima foda, ele comentou sua viagem mais recente ao Japão.


O moço me fez um sinal, quer me comer. Entro num jipe, e vamos para um motel. Ainda no carro:

“Você é tão apetitosa, já estou todo armado.”

"Você está armado e eu com vontade de ter o meu japonês."

"Sua puta, você sai comigo pensando no seu homem? Fora do meu carro!"

Fiquei na praia deserta até amanhecer. Nunca pensei que esses homens que saem com prostitutas tivessem ciúmes. Para mim valia tudo. Até falar a verdade, já que não finjo.

Um pescador que chegava de alto mar para descansar me viu e perguntou:

"Como esta sereia pôde chegar até aqui?"

"Agora estou precisando que alguém me leve de volta à cidade."

"Claro que levo."

Subi no barco para ancorar no mercado de peixe. Aquele senhor era honesto e não me deu mais nenhuma cantada. O dia passou tranquilo.

sábado, dezembro 18, 2010

Aconteceu o que acontece a todos eles

Gostei de sair com ele, é uma ótima pessoa, não fosse pelo que aconteceu na madrugada passada...

Conheci-o através de uma amiga, numa festa, aniversário dela. Conversávamos em grupo. Depois conversei com ele, apenas nós dois. Em dois dias me convidou para sair. Não nego que adorei o convite. Fomos a um espetáculo; depois, a um restaurante, na Barra da Tijuca. Como moro em Ipanema, havia muito não andava por aquelas bandas. Após o jantar, adivinhem. Todo homem tem desejo por uma mulher, e a maioria delas sente o mesmo por eles. Fomos a um lugar aconchegante, onde apenas nós dois, nossos braços, nossas pernas, nossos sexos...

Contar os pormenores nunca é fácil. Melhor a imaginação de cada leitor. Mas houve algo especial. É normal que o homem tire a roupa da mulher. Ou mesmo que termine de despi-la. Às vezes não sabem soltar o fecho de um vestido, descer com cuidado um zíper, acabam por amarrotar ou mesmo danificar alguma peça. Pode-se correr o risco de não se ter o que vestir pelo resto da noite. Prefiro começar a me despir; as pequenas peças, porém, deixo-as para eles.

Mas aquele homem começou a se comportar de modo diferente. Eu, de calcinha, esperando que seus dedos me livrassem dela para enfiar-me em seus braços, experimentar seu sexo. Mas ele relutava. Tive de dar o alarme:

“Não vais me deixar nua?”

Ele não foi sutil:

“Quero que você tire a calcinha com as próprias mãos.”

“Então vais ficar apenas com a esperança...”

“Não costumo tirar, nos momentos que antecedem o amor, a última peça de uma mulher.”

“Não?”

“Quase nunca”, reafirmou.

“Estranho, é normal os homens despirem as mulheres...”

“Achei você uma mulher de vanguarda.”

“Para essas coisas, sou conservadora. E muito.”

“Gosto também das conservadoras”, depois dessa afirmativa, abraçou-me e quando pensei que fosse roubar-me a peça, falou: “concentre-se, mexa o bumbum, pode ser que ela saia por si só.”

Dei uma gargalhada. Levantei-me, pus-me de costa para ele, mexi o bumbum.

“Sair por si só? Veja como é pequena e como está enfiada.”

“Não toco em você enquanto sua calcinha não descer suas pernas. Por si só ou com o auxílio das suas mãos.”

“Então não passamos disso. Estou nua, mas resta-me a calcinha. E dela não me livro.”

“Está bem, caso eu a tire, levo-a comigo, concorda?”

“Usas roupa de mulher?”

“Usar, não uso. Mas, entende, é um fetiche.”

“Bem, já que falas assim, posso pensar a respeito.”

“Mas uma coisa”, falou, “posso contar a respeito algo semelhante? Aconteceu quando saí com uma namorada.”

“Conta. Gosto de histórias.”

“Ah, ainda bem. Há mulheres que ficam furiosas. Quando estão nuas não pode existir nenhuma outra.”

“Conta, não me importo.” Sentei-me, cruzei as pernas, acendi um cigarro. Vi-me no espelho oposto. “Fala, tenha a bondade.”

“Era uma namorada que eu tinha de despi-la por inteiro. Não se tocava quando estava a sós num quarto com um homem. Certa vez, fiz a ela o mesmo pedido: a calcinha em troca do ato de a despir. De início, hesitou. Mas, depois, deixou-a nas minhas mãos: ‘faça com ela o que quiseres’, foram suas palavras.”

“E daí?”, soltei a fumaça, olhei para ele.

“E daí que certa vez, enquanto a despia, reparei que viera sem a pequena peça, nua por baixo da saia. ‘Cadê a calcinha?’ perguntei. Nada falou, fez-se de tímida. ‘Nada feito’, falei, ‘sem a calcinha não sinto desejo por você’.”

“Coitada, não devias ter feito isso.”

“Coitada? Nada disso. Ela disse: ‘todos os dias volto nua, hoje vim nua. O que há de mal nisso?’ ‘Sem a calcinha, nada feito’, repeti. E olha que a mulher era muito bonita. ‘Está bem’, falou. ‘Vou embora, mas antes quero ir ao toalete’. Foi ao toalete. De lá saiu e dobrou esse mesmo corredor, bateu a porta e se foi. Ao amanhecer, quando fui tomar banho, estava a calcinha dela pendurada na torneira do chuveiro.”

“Gostavas mais da calcinha do que dela, foi o que ela quis dizer”, completei.

“Pode ser.”

“E quanto a mim, vais querer apenas a minha calcinha?”

“Não. Acho que de você vou querer mais do que isso.”

“Olha que já deixei muito mais do que calcinha na casa de namorado.”

“Jura?”, excitou-se.

“Se queres assim, juro.”

Voou sobre mim, arrancou-me a calcinha, puxou-a de tal forma que ela se tornou inútil. Possuiu-me com voracidade.

Depois que acabamos... Bem, depois aconteceu o que sempre acontece com todos eles.

terça-feira, dezembro 14, 2010

Na palma da mão

Minha amiga de Glicério me enviou outra historinha. Ela conta algo que aconteceu a uma tal de Lúcia, mas acho que toda a situação foi vivida por ela mesma!

A praia estava deserta. O céu a oeste bastante avermelhado. O domingo fora de sol intenso.

Um casal chegou à praia paradisíaca. O biquíni da moça realçava sua pele morena bronzeada graças a muitas idas ao banho de mar. Aquele biquíni era sensual e convidativo à nudez, pois havia dois laços, caso fossem desamarrados ela ficaria sem.

Os dois se banhavam na água escura e conversavam assuntos de próprio interesse quando, de repente, Mário começou a seduzir Lúcia para que desatasse os lacinhos.

“Que tal você tirar o biquíni e deixá-lo nas minhas mãos?”

Ela olhou em volta e sorriu, sempre aceitava os desafios do namorado.

“Você deseja isso mesmo?”

“Claro, sempre quis você nua dentro d’água correndo o risco de ser descoberta.”

“Olha que eu tiro...”

“Então, quer que eu puxe os lacinhos?”

Lúcia não pensou duas vezes:

“Não, eu mesma desamarro.”

Já nua da cintura para baixo, o moço saiu da água e foi para a areia com o biquíni dela na palma de uma das mãos, estacou próximo de onde haviam deixado seus pertences. Depois de alguns minutos, deu um adeusinho, ameaçando deixá-la na praia. Lúcia, porém, não se apavorou, permaneceria horas esperando pela devolução da pequenina peça. Conhecia bem o namorado.

Mas o inesperado aconteceu. Apareceu uma adolescente que adentrou ao mar com a intenção de beijá-la e chegou juntinho dela.

"Oi, tia, quanto tempo, como vai?"

O nervosismo se estampou nas maçãs do rosto da mulher. A menina fora aluna de Lúcia e tinha a professora como espelho. As duas abraçaram-se. Mário filmava de longe a situação vivida pela namorada.

A noite e a água escura colaboraram para que tudo terminasse em pizza. O biquíni foi devolvido e, em casa, assistiram a um filme.

segunda-feira, dezembro 13, 2010

Entrando em cena

Meu marido e eu sempre fomos pessoas muito abertas, vivemos com paixão e alegria, além disso somos atores. Acho que quem escolhe esta profissão é porque gosta de se exibir. Portanto, somos exibicionistas. Encenamos várias peças, juntos ou separados. Às vezes viajamos sozinhos, cada um com sua trupe, mas quando voltamos à nossa cidade fazemos uma grande festa para comemorar o reencontro. Foi o que aconteceu na última segunda-feira. Convidamos os amigos, servimos bebidas e comidas, dançamos, cantamos, recitamos poemas. Após a saída do último convidado nos abraçamos e permanecemos grudados um ao outro num longo beijo. A seguir, ali mesmo na sala, começamos a nos agarrar de modo ardente, livramo-nos de nossas roupas e fizemos amor, um longo amor de quem há muito não se vê, faltas e mais faltas, saudades que não nos largam.

Estávamos na sala, um calor intenso, porém não nos incomodamos. A excitação fazia que esquecêssemos qualquer coisa que não fosse nós mesmos. A janela ficou aberta, a sala escura impedia a visão de outras pessoas que moram no prédio em frente. Tive a idéia de acender o abajur. A lâmpada delicada iluminou o contorno de nossos corpos, dando a cada um de nós uma aura ainda mais sôfrega. Quando gozamos, ele permaneceu sobre o meu corpo, depois foi a vez de eu escalar o seu peito.

“Parece que passaram cola em mim”, falei e ri. Ele também sorriu.

Olhamos pela ampla janela, observamos o céu e o contorno dos outros edifícios, a noite estava clara.

“Acho que há alguém nos olhando daquela janela”, apontei.

Jonathas olhou e disse:

“Deixa que nos olhem, não faz mal, se isso faz a pessoa feliz...”

“Que tal uma apresentação? Lembra? Já fizemos essa cena.”

“Nada mal”, completou.

“Vou aumentar a luz”, fui ao interruptor e girei o botão, a luz tornou-se mais intensa.

Virei-me nua para a janela onde estava a pessoa, percebi que se escondia. Aproximei-me e olhei para fora, meus seios ficaram acima do parapeito, caso houvesse alguém olhando seria fácil me apreciar.

Começamos a namorar de novo. Era um namoro de verdade, mas intensificávamos nossos movimentos, dávamos um tom mais teatral. Reparei que a pessoa voltou ao seu lugar e olhava através de um binóculo. Pedi a meu marido que me levantasse, que me mostrasse com toda a delicadeza. Beijou-me de cima abaixo, mordeu meus mamilos, passou as mãos pelo meu ventre e colocou o rosto junto aos meus poucos pelos pubianos. Depois, nós dois de pé, ficamos encostados na parede à direita, na própria sala. Dali a visibilidade de quem nos olhava de fora era privilegiada. Eu estava de costas, com o bumbum à mostra, meu marido apertava-o vez ou outra, movimentávamo-nos suavemente.

No final de todo aquele ardor, não era apenas uma pessoa que observava, ao seu lado havia uma mulher, me pareceu que também estava com os seios de fora.

Acendemos toda a luz da sala, fingimos que dançávamos, proporcionamos um pequeno show, depois desliguei a luz principal e voltamos a ser envoltos apenas pela luz frágil do abajur. Saímos de cena ainda nus, envoltos num longo abraço e beijo. Então, falei baixinho:

“Lembrei de uma coisa que aconteceu quando tinha dezesseis anos.”

“O que foi?”

“Fiquei nua na escada externa da minha casa para satisfazer o desejo de um namorado.”

“E eu lembrei também de uma coisa muito engraçada.”

“Conta, vai”, pedi.

“Lembra da Nete, aquela namorada que tive, do interior?”

“Ah, lembro.”

“Fiz ela dar uma passeio nua, de elevador, foi até o andar de cima e voltou, nunca vi uma mulher tão feliz.”

Ambos rimos e caímos um sobre o outro mais uma vez.

sábado, dezembro 04, 2010

Coisas da vida

Estava na Cafeína, no Leblon, conversando com uma amiga, a Célia.

“Marcela, quero contar uma coisa a você. Algo que me aconteceu no último fim de semana.”

“Pode contar, já estou curiosa.”

“Você sabe que meu namorado mora em São Paulo, um fim de semana eu vou, no outro ele vem. Semana passada foi minha vez de ir. Imagine a ideia que ele teve sábado à noite, antes de sairmos para passear?”

“Nem quero dar palpite, é melhor você contar.”

“Queria que eu saísse de casa nua, você acredita? Eu disse: ‘como vou sair nua, posso ir presa.’ Ele retrucou: ‘aqui tudo é possível, as pessoas se divertem do jeito que querem desde que não incomodem ninguém.’ ‘Nua, não vou, nem pensar, você enlouqueceu.’ Acabamos chegando a um acordo. Eu irira com um vestido desses que são abotoados na frente, de cima até embaixo. Mas nada de calcinha nem sutiã. Ah, tive de fazer a vontade dele. Esses namorados... Saímos de carro; depois de rodarmos alguns minutos pelo centro, ele estacionou e fomos a um bar. Bebemos e comemos. Na volta, antes de chegarmos ao estacionamento, sugeriu: ‘vamos andar um pouco.’ Resumindo: ele queria que eu fizesse o papel de uma prostituta. Ele se aproximaria, proporia um programa e eu teria de aceitar. ‘Tudo vai ser muito rápido’, falou, ‘você não precisa ficar com medo.’ Não sei como aceitei a brincadeira. Na hora, nem refleti. Me levou para uma rua escura, fiquei junto a uma banca de jornal que estava fechada. Ele desapareceria durante alguns minutos, mas logo voltaria. ‘Seja rápido, viu, se não, vou com outro’, brinquei, mas com o coração aos trancos. Ele se foi. Mas voltou como combinado. Antes que a paquera se consumisse, falou: ‘quero ver primeiro os teus seios.’ ‘Como, na rua?’, demonstrei surpresa. ‘As prostitutas estão acostumadas’, afirmou. Abri o vestido e coloquei os peitos pra fora. Você acredita?”

“Acredito.”

“Depois ainda não me deixou abotoar o vestido. Caminhei com os seios de fora até o carro, chegando lá, me tirou também o vestido.”

“Você voltou nua pra casa dele?”

“Voltei. Ainda bem que ninguém viu, pelo menos acho que não."

“Você gostou?”

“Pra dizer a verdade, sim. Na hora fiquei com muito medo, mas agora quando lembro me dá uma ponta de tesão. Você já viveu algo parecido?”

“Já.”

“Como foi?”

“Você quer saber mesmo?”

“Quero.”

“Então, escute. É uma história que aconteceu faz um tempinho, mas lembro perfeitamente. E, como você, acabei gostando.”

“Então conta, vai.”

Numa madrugada, aceitei o convite de um namorado. Ele era muito divertido, nós aprontávamos. Naquela mesma noite, ele já havia saído com alguns amigos e tinha bebido muito. Acho que chegou em casa lá pelas duas da madrugada. Então me telefonou. Disse: “vou aí pegar você para darmos umas voltas”.

Falei: “você não acha que já está muito tarde, que não demora amanhece e vamos ficar muito cansados?”

“Não faz mal, o importante é estarmos juntos.”

Acabei aceitando. Veio de carro até onde moro e me pegou. Estava um pouco frio, eu vestia um casaco por cima da calça e blusa.

Na época eu Morava em Macaé, lembra que falei que sou de lá? Então, Macaé não é uma cidade pequena, mas, ao mesmo tempo, não é uma cidade grande, muita gente me conhecia porque fazia anos que me tornara professora e já lecionara em várias escolas.

Entrei no carro e saímos rodando pela madrugada. Dirigiu até a orla marítima. Já estava quase tudo fechado, entramos por uma estrada que faz ligação com a rodovia usada para entrar e sair da cidade.

Falou: “vamos fazer aquela brincadeira?”

“Qual?”

“Aquela que propus a você. Você tira a roupa toda e sai do carro pelada, fica escondida. Daqui a alguns minutos volto para buscá-la.”

Confesso que fiquei um pouco excitada com a proposta, mas contra-argumentei:

“Está muito frio, não vou aguentar.”

Com facilidade, rebateu:

“Você fica com o casaco.”

“O casaco é curto, só vai até a cintura.”

“Não faz mal, você fica agachadinha, volto logo, é apenas uma brincadeira.”

Parou o automóvel num lugar muito deserto. Tirei toda a roupa, inclusive calcinha e sutiã, deixando tudo dentro do carro. Saí apenas de casaco.

“Vou seguir e volto piscando o alerta.”

Arrancou com o carro me deixando ali na beira da estrada. Logo que ele saiu veio um outro carro atrás, deitei no meio do mato para que não me vissem. Depois, mais outro. Fiz a mesma coisa. Passaram-se dez minutos, intermináveis, veio um carro com o pisca alerta ligado. Eu já estava do outro lado, esperando por ele. Fiz sinal, ele parou. Quando eu ia entrar, falou.

“Me dá o seu casaco, é só por um instante.”

Tirei o casaco e deixei dentro do carro. Ele deu uma arrancada me deixando totalmente nua na estrada. Parou mais à frente. Quando eu ia correr, vi que vinha um carro atrás. Me atirei dentro do mato. Depois que passou, me levantei e corri até o carro mais uma vez. Quando estava quase chegando, ele deu outra arrancada e parou vinte metros à frente. Corri de novo, já exausta.

“Por favor, não faz isso comigo!”, gritei.

Deixou-me entrar no automóvel e partiu comigo ainda nua.

“Não vou deixar você se vestir ainda”, tinha escondido minhas roupas.

Reparei que o céu já clareava e fiquei um pouco preocupada.

“Olhe, já está amanhecendo.”

Me levou para a sua casa, mas ao entrar na vila, pegou toda a minha roupa e saiu correndo me deixando nua dentro do carro. E já estava bem claro.

Agachei-me então na frente do banco do carona, sob o painel. Comecei a pensar o que fazer. Era capaz de ele dormir e eu ter de ficar nua ali a manhã inteira. Podia ser descoberta, ia passar a maior vergonha. Remoía esses pensamentos quando vi no banco traseiro um short e uma camiseta, ambos roupa de homem. Vesti-os rapidamente, saí do carro e corri até a casa dele. Bati suavemente, temia despertar os vizinhos. Ele abriu a porta. Entrei.

“Olha, você me deixou numa situação...”

“Vai dizer que você não gostou?”

“Sabe, na hora que você me deixou na estrada cheguei a ficar molhadinha...”

Tirou-me short e a camiseta. Namoramos com volúpia.

Não posso negar que toda aquela experiência me deixo a mil por hora.

No final, disse baixinho no meu ouvido:

“Não devia ter voltado para te apanhar, devia ter te deixado nua na estrada. Acho que seria ainda mais estimulante ouvir você contar como fez para sair daquela situação.”

“Ui”, gemi.

“O que foi?”

“Fiquei molhadinha. De novo!”


“Célia, você gostou muito da minha história, está morrendo de rir...”

“Marcela, você é ótima. E por que não continuou com ele?”

“Não sei, Célia, coisas da vida.”

quinta-feira, dezembro 02, 2010

Mulher à beira da estrada

Uma amiga que viveu aventura excitante com o namorado escreveu-me. A historieta vai abaixo. Só não posso dizer seu nome porque ela mora num lugarejo chamado Glicério, onde todos se conhecem.


Recebo um telefonema às três da madrugada. É um ex-namorado, sempre pronto a ações surpreendentes. Quer me encontrar agora. Concordo que venha até minha casa me pegar para um passeio.

No carro, ele me pede que eu fique sem o sutiã e que segure o seu pênis. Meu corpo começa a corresponder às insinuações do rapaz, minha vagina ejacula um orgasmo fantástico. Coisa inesperada, já que me encontro convalescendo de uma cirurgia – retirada do útero – e com o ventre em cicatrização.

Envolta naquele frisson, saio do carro completamente nua num trecho da rodovia. É inverno. O frio e o prazer se misturam durante longos minutos.

Ele dá a partida. Reparo que torce para que eu seja surpreendida por um motorista da linha de ônibus que costumo usar para ir ao trabalho. Se isso acontecer, meu ex-namorado me perderá de vez. O motorista, que já vive louco para me comer, terá o mais regalado banquete.

Depois de uns vinte minutos, o rapaz me resgata. Fico ainda devendo ao motorista do meu ônibus.

Voltamos para a cidade. Mas ao estacionar, a surpresa: diz que minhas roupas desapareceram. Ele salta, fico só, dentro do carro. Preocupada, tento encontrar alguma coisa para me cobrir. Olho para o banco traseiro e descubro uma camiseta masculina. É a minha salvação. Transforma-se num vestido curtinho.  

Corro atrás dele. Subo à sua casa e nos atiramos numa relação sexual bem festiva.

O dia amanhece. Nós dois, jogados cada um no seu canto, abrimos os olhos e damos duas sonoras gargalhadas.

domingo, novembro 28, 2010

Miniblusa amarela

Eu estava agachada, no gramado lateral da casa, que por sinal era linda; as linhas e as cores da construção combinavam perfeitamente com a paisagem local. Envoltos por um ar de sítio, tínhamos total privacidade. Pessoas estranhas por perto, nem pensar.
“Vai demorar muito?”, perguntou ele com a câmera na mão, focalizando-me e aguardando o momento exato para o clique.
“Calma, preciso me concentrar.”
Eu estava nua, ou melhor, trajava apenas uma miniblusa, semelhante a um top, e de cor amarela.
“Estou aguardando”, completou sorrindo.
Viajáramos na véspera, apenas os dois. Pela primeira vez eu estava na casa de campo do meu namorado. Aproveitamos a noite para beber, saborear pães e pastas comprados no pequeno supermercado local; depois, namoramos.
Na manhã que transcorria, continuamos o nosso jogo amoroso; corremos pela relva – a casa tinha um terreno enorme –, ele sempre atrás de mim; vez ou outra me agarrava e me beijava. A idéia de tirar a roupa ao ar livre foi minha, a da foto também; o que ele me pediu e até ali eu não conseguia, no entanto...
“Acho que não estou com vontade, é melhor deixarmos para depois.”
“Não saia da posição, por favor”, deu um clique, “não se mexa, vou dar um jeito.”
Correu à cozinha e voltou com uma pequena garrafa de cerveja.
“Beba, você vai conseguir.”
Tomei a garrafa de suas mãos, ensaiei os primeiros goles. Ele deu alguns passos e mais alguns cliques.
“Isso, beba mais, essa cerveja é uma delícia.”
Ah, esses homens têm lá suas taras, pensei comigo enquanto continuava bebendo. Todos eles desejam uma extravagância. Tanto que não me machuquem, tanto que sejam tarados lights, não há problema.
Ao acabar, devolvi a pequena garrafa; concentrei-me em vão, não foi ainda que consegui.
“Acho que não vai dar, nunca tirei uma foto fazendo xixi, acho que esse ato tem de ser espontâneo.”
“Espere”, falou. Correu de novo lá dentro e voltou com outra garrafinha. “Tome mais essa, você vai adorar, é belga.”
“Ai, amor, vou ficar bêbada às onze da manhã, e minhas pernas já estão doendo.”
“Faça isso por mim, tente mais uma vez, vai, beba, você consegue dessa vez.”
Reparei que sua voz embargou um pouco; minha posição o excitava.
Bebi vagarosa procurando saborear a cerveja, acho que tinha mais álcool do que a anterior. Quando acabei, fechei os olhos, senti ligeiro arrepio. Estava realmente uma delícia.
“Ai, acho que agora consigo, vai sair...”
Ele preparou a câmera. No início desceu um respingar frágil, mas pouco a pouco foi aumentando até se transformar num jorro forte. Fechei os olhos, inclinei a cabeça um pouco para um dos lados.
“Levante a cabeça, abra os olhos”, bradou.
Abri, sorri. O jato que me escapava atingia o ponto de maior fluxo.
Meu namorado clicou várias vezes.
Quando acabei, ainda continuei por um momento agachada; depois me levantei e estiquei as pernas. Com o tronco ainda curvado, apoiei a palma das mãos nas coxas. Fez mais uma ou duas fotos. Na penúltima, fiz cara de inocente; na última, de quem estava morrendo de vergonha!

domingo, novembro 21, 2010

Vamos então assistir

Estava agachada, atrás de um automóvel, com o coração aos saltos. Um homem inesperado notou algo. Ficou a observar, disfarçado. Acabou por perceber o estranho acontecimento. Acho que no início pensou que se tratava de um bicho. Ao começar a investigar viu que era uma pessoa, uma mulher... Mostrou-se surpreso e ao mesmo tempo temeroso em se aproximar. Olhou para um lado e para o outro. Talvez pensou que fosse uma armadilha. Chegou-se, pertinho.

"Algum problema, senhorita?"

"Não, não há problema nenhum", nessas horas é preciso mostrar firmeza, eles não esperam por isso.

"Mas a senhorita está nua, numa rua, já passam das duas da madrugada."

"Silêncio, espera um pouco que conto o que aconteceu. Agacha também, aqui, ao meu lado."

Obedeceu, já o tinha nas mãos.

"Fica quieto. Mais ninguém pode se aproximar."

"Por quê?"

"Achas que uma mulher gosta de estar pelada e à mostra para todo mundo?"

"Mas o que aconteceu, a senhorita foi asssaltada?"

"O que achas?", responder com novas perguntas é um método eficaz.

"Acho que é provável. Quer que eu tente lhe arranjar uma roupa?"

"Não é possível também que seja uma pegadinha?"

"Como? Dessas que aparecem na televisão?"

"Não gostarias de aparecer na TV ao lado de uma mulher bonita e nua?", eu precisava continuar com a iniciativa.

"Eu? Ao lado de uma mulher nua, na TV? Acho que minha mulher me mata. A senhorita não sabe como ela é brava."

"Sua esposa gosta do programa da Mary Fake, na Rede TVI?"

"O programa da dona Mary? Ela adora, não perde um."

"Que tal ela assistir ao quadro: 'Seu marido é fiel?'"

"Existe mesmo esse quadro, no programa?"

"Ainda não, mas este será o primeiro episódio para testar o primeiro marido fiel."

"Oh, não, minha mulher vai me matar!"

"Então, vá, corra! Tens alguma chance."

"Verdade?"

"Quem sabe?"

O homem levantou-se e correu para o outro lado da rua. Desapareceu dentro da noite. A porta do carro foi aberta. Entrei, ligeira.

"Assim me matas", falei ao meu namorado.

"Mas você está morrendo de rir..."

"Não sei como podes sentir prazer me fazendo passar por uma situação dessas", falei em meio à tentativa vã de conter o riso.

"E por que você ri?"

"Vais já saber."

"Se você está rindo é porque acabou gostando."

"Quero viver todas as loucuras que me propões", conseguira me controlar.

"Mas que foi bom, foi, não?"

"Será?", eu, irônica.

"Você conseguiu gravar a cena com o homem?"

"Isso não estava no script."

"Gravou ou não gravou?"

"Sempre falas que sou a mulher mais eficiente do mundo, o que achas?"

"Vamos então assistir, estou morrendo de tesão!"

quinta-feira, novembro 11, 2010

Qual é o teatro?

Chamava-se Joana e eu a tinha conhecido havia pouco. Viera de Belo Horizonte para ficar durante uns dias na minha casa. Chegou na quinta. Fizemos alguns programas no mesmo dia, como ir à praia e passear à noite e jantar em algum restaurante, em Copacabana. Na sexta fomos a Teresópolis. Sempre achei a cidade aconchegante, quis apresentar a ela. Passamos o dia lá. Mas o que desejo mesmo contar é o que aconteceu no sábado, véspera do dia em que ela voltaria para sua cidade.

Durante o dia chovia muito. Joana aproveitou para ler o jornal.

“Há uma peça que parece ser boa, vamos?”, perguntou.

“Podemos ir. Qual é o teatro?”, sempre me esforcei para tratá-la com delicadeza.

“Maison de France. Fica longe?”

“Não. Fica no Centro, dez minutos de carro.”

Durante a tarde saímos em meio à chuva para comprar os ingressos. Voltamos e ficamos em casa esperando a hora do espetáculo.

Às oito horas, vestimo-nos. Ela, como nunca viera ao Rio, arrumou-se com a melhor roupa que trouxera na bagagem. Lembro que vestiu uma saia de comprimento mediano, ia até os joelhos, e uma blusa branca, trabalhada sutilmente com algum brilho prateado. Ficou adorável.

Assistimos ao espetáculo. Tratava-se da vida de uma personagem importante na história da psicanálise. Joana adorou.

Depois fomos jantar. Foi minha a ideia de ir a um restaurante japonês. Ela gostou da ideia. Pedimos os pratos que costumeiramente se pede num sábado à noite, quando se frequenta esse tipo de restaurante. O principal torna-se a bebida que acompanha a refeição. Devido à característica do lugar, pedi saquê. Ela me acompanhou. Mas não com uma dose inteira. Bebemos duas doses caprichadas; ela tomou metade de uma. Saboreou com a bebida camarão empanado.

O principal aconteceu quando chegamos em minha casa. Já devia ser mais de uma da madrugada. Ela despiu-se e deitou. Deitei ao seu lado. O final de semana findava e não tardaria Joana teria de ir embora. Mal sabia quando a veria novamente, ou se mesmo chegaria a vê-la. A vida extenuante daqueles tempos nos obrigava a trabalhar muito. Sobrava pouco tempo para viagens e para esse tipo de amor.

Quando estávamos já quase adormecidos, tive uma ideia genial. Acho que o saquê me excitara. Depois de alguma bebida forte, sempre sou tomado por idéias geniais.

“Joana?”

“Hum...”

Posso pedir a você uma coisa?”

“Pode”, esticou os braços, procurava o meu pescoço.

“Você vai até lá fora pelada, bate na porta para eu abrir e faz de conta que está chegando nua aqui em casa?”

Surpreendeu-se com a proposta. Olhou para mim e perguntou:

“Nua, nua?”

“Isso, peladinha.”

Não sei se pelo fato de não conhecer ninguém na minha cidade, ou mesmo tomada por necessidade de aventuras, respondeu rápido:

“Vou.”

Tirou a calcinha, a única peça que vestia. Mas quando chegou perto da porta pediu:

“Posso ao menos cobrir os seios?”

“Os seios? Pode. Mas com uma blusa bem curta.”

Vestiu a blusa. Não era mais do que um top. Saiu. Fechei a porta atrás dela.

Nunca tinha feito tal brincadeira. Confesso que senti grande excitação ao deixar uma mulher nua batendo à porta da minha casa, à espera de que eu atendesse, correndo o risco de ser surpreendida por alguém ou mesmo de que eu não abrisse a porta.

Ela bateu suavemente. Corri para outro lado da casa, procurei outro cômodo, queria ganhar tempo. Fui de novo até à porta, mas voltei para o outro extremo da casa. Tudo com o objetivo de fazê-la esperar mais.

Ao voltar mais uma vez, meu coração disparara. Imaginei a coragem de uma mulher ao enfrentar uma situação dessas. As mulheres confiam muito nos homens, pensei. Aguardei mais um pouco, mas acabei abrindo para que entrasse. Ela me abraçou. Beijamo-nos.

“Agora tire a blusa e vai mais uma vez.”

“Sem a blusa?”, choramingou.

“Isso, sem a blusa.”

Acabou concordando. A situação anterior se repetiu. Acho que a deixei nua até mesmo por mais tempo. Quando abri de novo, perguntei.

“O que faz uma mulher nua batendo a essa hora da madrugada na minha porta?”

“Moço, me dá abrigo, por favor...”

“O que aconteceu?”

“Moço, me dá abrigo, aconteceu um problema, mas tenho vergonha de contar”, ela, com voz chorosa.

“Moço, eu perdi... perdi...”

“Perdeu o quê?”

“Ah, moço, tenho tanta vergonha... por favor...”

Agarrei Joana ali mesmo. Nem quis ouvir sua história. Ela não tinha como se defender. Sei que afastou um pouquinho as pernas. Meu sexo escorregou ligeiro para dentro dela...

quinta-feira, novembro 04, 2010

A primeira noite e já nua em Porto Seguro

A festa nas areias da praia de Taperapuan fora contagiante, e o que Júlia vivera mais ainda. Contaria no dia seguinte aquela história para Beatriz. Sabia que ela a chamaria de louca, como sempre. O que precisava naquele momento era se levantar, procurar seus poucos pertences e voltar ao hotel. As pessoas eram poucas, alguns casais ainda se abraçavam, namoravam, trocavam talvez as últimas carícias. Ninguém a observava, ou se a viam, faziam de conta que ela não estava ali. Permanecia sentada, abraçara a si mesma, agarrara-se às próprias pernas. Não estava com frio, apesar da hora: duas e trinta da manhã. Aliás, em Porto Seguro nunca faz frio. Sua posição, de quase total imobilidade, era um jeito de estar oculta, protegida, talvez desse até para disfarçar a nudez, mas sabia que não poderia ficar assim a madrugada inteira, teria de arranjar um jeito de sair dali.

Durante a festa, horas antes, entusiasmara-se com a banda de rock, J. Quest. Sim, aquilo é que era música, deixara todos extasiados. Júlia fora tomada por uma sensação de euforia jamais sentida. As pessoas se divertiam de maneira exagerada, muitos pulavam no ritmo da música com latas de cerveja nas mãos, com caipirinhas ou com outras bebidas. Havia também quem fumasse seu baseado e dançasse ensimesmado.
Pode ser que o seu erro fora vir de vestido curto, pensava. No meio da multidão entusiasmada era difícil evitar as mãos bobas dos rapazes. Eles aproveitavam o máximo, queriam tocar as mulheres, beijá-las, havia aqueles que beliscavam suas pernas, tentavam subir as mãos por baixo das saias e dos vestidos.
Beatriz sorriria da história, talvez dissesse: “Júlia, você já passou por tantas situações semelhantes, você adora essas coisas.”

Na Bahia é assim mesmo, todos querem se divertir, querem algo para contar ao voltar para as suas cidades.
Os homens quando viam mulheres sozinhas logo se aproximavam, tanto mais num lugar propício a novas conquistas, a amores fugazes. Júlia fora com Beatriz ao show; após chegar reparou que as duas sofreriam forte assédio. A amiga, porém, vestia bermuda, teoricamente estava mais protegida. Os rapazes se alternavam num intenso empurra-empurra. Mas a presença não era só deles. Havia também muitas mulheres, era normal que a multidão constantemente se deslocasse de um lado para outro e muitos se esbarrassem.

Num dos momentos do espetáculo, momentos de intensa euforia, segundos luminosos em que todos parecem imergir num êxtase coletivo, Júlia perdeu-se de Beatriz. Não faz mal, pensou, estamos no mesmo hotel, nos falaremos mais tarde, ou mesmo amanhã. Continuou a dançar. Sentiu então o corpo envolvido pelos fortes braços de um homem musculoso. Parecia um desses lutadores. Ele tomou-a para si, apossou-se dela. Como sairia dali? Como diria para que se afastasse porque ela não estava interessada? Não era possível mover aqueles braços pesados nem se fazer ouvir em meio ao som ensurdecedor da banda de rock. O homem a apertava, valorizava-lhe as pernas, encostava-se, subia-lhe com as mãos. Foi aí que aconteceu o primeiro dos dois incidentes que lhe marcaram a noite. Sabia que quando dissesse a Beatriz, esta falaria: “vai dizer que você não gostou?”

Logo a seguir uma enorme massa humana a empurrou para direita. Seu acompanhante, apesar dos músculos, teve de soltá-la. Júlia perdeu-se dele. Que alívio... Cuidou para que não mais o encontrasse.

Quando o movimento arrefeceu, deslocou-se para o outro extremo onde havia um alegre grupo de jovens. Isso mesmo, um grupo composto por rapazes e moças, parece até que tinham viajado em grupo. Júlia reparou então um jovem que não tinha companhia, embora ele não se acanhasse e dançasse com o grupo. Ao vê-la se aproximar, não tardou a ficar pertinho dela. Acabou tomando-a por um dos braços. Um rapaz adorável, pensou. E realmente foi super delicado com ela pelo resto da noite.

Dançaram muito. Mas Júlia temia que o homem musculoso aparecesse. Temor vão. O homem não apareceu naquele momento. Quando ao acaso deu com ele mais tarde, já estava com outra mulher nos braços.

Saltou de um lado para o outro com o grupo até a festa acabar. Aliás, era o tipo de festa que não deveria jamais acabar. Mas as moças e os rapazes ficaram agarrados uns aos outros depois que a banda parou de tocar, dando continuidade a outro tipo de festa. Trocaram latas de cerveja, fumaram e tomaram goles de outras bebidas. Júlia os acompanhou. Pensou em Beatriz. Seria o momento de procurá-la? Achou melhor deixar Beatriz em paz. Quem sabe teria se arranjado com alguém?

O rapaz puxou Júlia por um dos braços e a levou para um local mais discreto, onde as pessoas rareavam. Os outros também se espalharam, era hora de beijos, abraços, e tantas carícias mais. Chamava-se Paulo o seu recente namorado. Achou o nome muito bonito, combinava com o tipo físico dele, combinava com o nome dela. Dois nomes comuns, Paulo e Júlia. Ele tomou a iniciativa de beijá-la. Ela adorou. Sentiu seu hálito puro, as mãos um tanto frágeis, mas mãos de quem sabe acariciar. Reparou que a noite ficara mais escura. Sentaram-se na areia e conseguiram uma posição adequada, abraçavam-se confortavelmente. Ela lembrou do homem musculoso e do prejuízo que ele lhe impusera.

Paulo tocou-lhe a cintura, desceu as mãos por suas pernas, pousou-lhe a mão direita num dos joelhos, começou a percorrer suas coxas por sob o curto vestido. Deu-se então o esperado.

“Você está sem a calcinha”, falou instintivamente.

“Foi um homem, acredite, antes de você.”

“E você deixou?”

Júlia sorriu ante a ingenuidade do rapaz.

“Claro que não. Aquele aperto todo, ele se aproveitou. Sorte que me perdi dele. Mas deixa isso pra lá. Você se incomoda?”

Paulo acabou achando até melhor. Menos um trabalho.

Aí aconteceu o segundo problema da noite.

Ela se deitou, ele acariciava-lhe as pernas. Júlia então pediu que subisse sobre ela. O rapaz atendeu. Ninguém reparava seus movimentos, as pessoas eram cada vez menos numerosas, e quem ficara estava preocupado apenas com o próprio prazer.

Júlia não sabia dizer o que aconteceu a partir daí, narraria a Beatriz. Sentiu naquele momento o mesmo que sentira nos breves segundos de êxtase coletivo do show. A sensação voltara, era rara e muito agradável, um gozo indescritível. Então pediu a Paulo que lhe tirasse o vestido, começou a gritar como uma histérica, falou coisas jamais pensadas, ficou totalmente descontrolada. Queria o prazer supremo, era tudo.

O rapaz atendeu seus primeiros e ofegantes pedidos, mas depois se assustou. Talvez nunca tenha trepado com uma mulher assim. Talvez suas mulheres apenas murmurassem na hora do sexo. Não suportou o ardor de Júlia e correu dali desaparecendo dentro da madrugada.

Júlia ficou só. E nua. “Quando ele estava em cima de mim nem me preocupei com coisa alguma, queria sentir prazer”, diria à amiga.

Agora precisava juntar os cacos. Onde o vestido? Sobre as areias, restos de uma noite de festa: latas de cerveja, copos, maços de cigarro vazios, pequenos pedaços de plástico ou de pano, alguns adornos, pequenas peças perdidas durante toda a loucura.

Após entrar no hotel, pensou em Beatriz. Esta diria: “ainda bem que o que você não encontrou foi a sandália. Já pensou se tivesse acontecido o contrário, encontrado a sandália mas não o vestido? A primeira noite e já nua em Porto Seguro... Mas bem que você gostaria, não é mesmo? Eu te conheço.”

sábado, outubro 23, 2010

Doce predileto

Ainda no carro, os dois rapazes nos fizeram vestir biquínis minúsculos. Na verdade, não cobriam nada. A calcinha era uma tirinha frágil, entrava e deixava a bundinha toda de fora. Na parte da frente também não era possível esconder que eu engolia aquele pedacinho de pano. Luciana, como era maior do que eu, mostrava-se ainda mais desconfortável, tanto as peças dela como as minhas eram do mesmo número. Quando chegamos à praia, reparamos que a frequência era enorme. Era temporada de férias. Ficamos morrendo de vergonha. Ou permaneceríamos o tempo todo enroladas em nossas cangas, ou entraríamos logo na água. Optei pela segunda alternativa. Luciana me seguiu. Ao perceber que o mar já me cobria acima dos seios, falei aqui dá pra disfarçar, na areia todas as pessoas vão ficar nos olhando. Os rapazes nos acompanharam, depois sugeriram que fôssemos para trás da arrebentação. Cortamos algumas ondas até chegarmos ao local pretendido e, quando conseguimos, permanecemos durante algum tempo namorando, com naturalidade. Logo, porém, a temperatura subiu. O que ficou comigo avançou num intenso roçar de corpos e, sem perder tempo, abaixou meu biquíni até o calcanhar. Fez de propósito para que eu o perdesse. Você vai me deixar nua, ainda falei. Ele contrapôs você já está. Não demorou o biquíni acabou escapando e foi levado pelo mar. Mas o rapaz me penetrava, me excitava tanto, que, naquele momento, nem me preocupei. Reparei que Luciana, além da calcinha, perdera também o sutiã. Mostrava-se, como eu, excitadíssima. Gozei três vezes. Só então comecei a pensar como vou sair daqui desse jeito? Quando Luciana caiu em si, olhou para mim. Ela estava toda arrepiada. Não sei se de frio, de vergonha ou ainda se deleitando num frêmito derradeiro e involuntário, rastro do último gozo. Os rapazes saíram juntos. Disseram que iam buscar outros biquínis. Ficamos esperando. Será que voltariam?


Permanecemos dentro d’água durante cerca de trinta ou quarenta minutos. E poderíamos ter ficado ali durante bem mais tempo, talvez até o entardecer quando seria possível deixar o local despercebidas. A descoberta se deu em virtude de dois motivos: o primeiro, a intranquilidade de Luciana; o segundo: o fato de ela estar sem o top. Pedi muito que se acalmasse, que tudo dependia disso para nos mantermos incógnitas, mas ela não conseguiu. Como se mexia muito dentro d’água, alguém pensou que estivéssemos em apuros naquele pedaço do mar e acabou se aproximando. A primeira coisa que reparou foi que ela estava com os seios nus, daí para descobrir que nos faltavam os biquínis, não foi muito difícil. O homem nos olhou com discrição e até tentou nos ajudar, disse que iria à procura de algo que nos cobrisse. Mas não voltou. Consegui, porém, que minha amiga se acalmasse, era ao menos uma solução provisória. Vamos ficar quietinhas, Luciana, assim ninguém mais vai nos descobrir, não vamos morrer porque estamos nuas, já passamos por situações parecidas, mais cedo ou mais tarde alguém nos ajuda. Quem nos salvou foi um pequeno grupo de surfistas. Preocupados a princípio apenas com as ondas, descobriram-nos ao acaso. Mas depois desconfiei que poderiam ter sido avisados sobre nós pelo homem que nos achara antes. Vestiram-nos com suas roupas de borracha, mas antes nos beliscaram, nos apalparam e experimentaram o doce predileto.


Saímos da água depois de muito tempo, exaustas, mas sem provocar rebuliço. Na areia, eles nos cobriram com duas cangas e pediram que devolvêssemos as roupas emborrachadas. Nunca me senti tão vestida, mesmo sabendo-me nua sob o pano. Um deles ainda se ofereceu para nos levar de automóvel. Um rapaz educado. No final, perguntou como nos sentíamos. Luciana, recuperada, se antecipou: ardida e dolorida, mas não sem uma ponta de gozo!