segunda-feira, janeiro 14, 2013

Abri a porta e saltei de novo escada abaixo

Desci do sótão onde moro ao térreo, três andares. Eram onze da noite. Deixei a escada e caminhei dois passos até a parede que limita a construção ao terreno que dá acesso portão de entrada. Estava aberto. Só então reparei uma mulher encostada no portal direito. Ela olhava para a rua. Sua atitude era de quem esperava alguém. Como eu estava nua, temi que ela me descobrisse. Voltei e me escondi atrás da parede que antecede a escada.

Por que minha nudez?  Uma historinha. Certa vez o namorado sugeriu que eu saísse nua de casa, aguardasse um pouquinho e depois batesse à porta fazendo de conta que chegava sem roupa alguma para namorá-lo; dali em diante, tanto na sua casa, como na minha, ou mesmo em algum hotel suburbano, palco ocasional de nossa paixão desvaira, passamos a praticar o jogo, um verdadeiro frisson. Moram outras pessoas nos dois andares restantes do pequeno prédio, por isso, resolvo abusar. Num deles, meus filhos; no outro, o apartamento está alugado a um casal. A perspectiva de ser surpreendida me causa arrepios ainda mais intensos. Além de tudo, sou a proprietária do prédio.

Aquela mulher estranha no portão me intrigou. Tentei descobrir quem era. Pela postura, até lembrava minha filha. Achei que usava uma roupa que conheço; mas tive dúvidas, me pareceu um pouco mais alta. Subi de volta os dois lances da escada, bati e esperei meu namorado abrir. Ele demorou a atender. Assim que entrei, disse a ele:

“Vi uma mulher lá embaixo, parece Lídia.”

“Ela viu você?”, perguntou aflito.

“Não, mas foi por pouco. Já pensou se ela estivesse subindo bem no momento em que eu descia? Não teria como me esconder.”

“Qual desculpa você daria?”

“Nem sei, mas seria engraçado ela encontrar a mãe nua fora de casa.”

Meu namorado me abraçou, me puxou para o canto da parede onde sempre gosta de me apertar. Não sei se gosta mais de mim ou do tal canto. Começou a me bolinar. Não demorou a colocar o pênis entre as minhas coxas.

“Você é muito gostosa, sabia? E quando faz essas coisas, gosto mais de você;”

“Que coisas?”, me esfregava nele e sentia seu sexo no meu, já estava toda molhadinha.

“A sua ousadia de sair nua de casa.”

“Olha que qualquer dia desses isso vai acabar não dando certo.”

“Você acha mesmo?”

“Se acho? Lembra do hotel? Faltou pouco para o homem me flagrar nua. Ainda bem que naquela noite eu tive um pressentimento e não fui lá fora.”

Ele me beijou, encaixou o pênis na minha vagina.

“Se fosse”, prosseguiu depois de interromper um beijo, “se fosse, o homem tinha encontrado você nua. Será que nos expulsariam do hotel?”

“Ser expulsa de hotel não seria nada, mesmo pelada. Pior se ele me tivesse levado pro quarto e me comido. Eu não poderia dizer nada. Nem você.”

“Te comido?” meu namorado já estava arfando, suas palavras vinham em espasmos, “te comido? Eu não deixaria...”

“Não deixaria? Lembra o tamanho do homem? Era um negão imenso. E devia ter um peru enorme.”

“Da próxima vez... da próxima vez que... que fomos àquele hotel, você vai nua... vai nua de novo. Se alguém te surpreender, vou te salvar.”

“Não goza agora não, espera mais um pouquinho”, falei tentando escapar.

“Por que você tirou? Está tão bom...”

“Tenho de ir lá embaixo descobrir quem é aquela mulher.”

Abri a porta e saltei de novo escada abaixo.

segunda-feira, janeiro 07, 2013

Adolescentes

Stella, está vendo essa senhora aqui ao nosso lado? Lado direito, pertinho de você. Não parece, mas é uma senhora. Se você olhar apenas para o corpo, vai pensar que se trata de uma jovem de vinte e poucos anos; caso, porém, olhe para o rosto, perceberá que ela já é entrada nos anos. Uns dizem que tem cinquenta e tantos, outros afirmam que já passa dos sessenta. O importante para nós, que estamos aqui na praia falando da vida dos outros, é o corpo que ela tem. Repare o biquininho dela. Muitas garotas não teriam coragem de vesti-lo. Há várias histórias sobre essa mulher. Ouça, por favor, sei que a gente tem que dar um desconto porque o povo inventa muito, é como aquele ditado: quem narra um conto aumenta um ponto. Mas há uma coisa que eu mesma presenciei: ela adora garoto. Acho que é porque tem o corpo quase de adolescente, por isso prefere namorar com eles. Ela sempre vem à praia e fica nesse pedaço de areia. Outro dia um rapaz pediu a ela para acender o cigarro. Ela atendeu, conversou um pouco com ele; depois o jovem não mais desgrudou dela. Ainda há outra história. Você conhece o cinema Roxy, aqui pertinho? Então, ela estava na última sessão com um rapaz muito novo. Ele deveria estar ali pelos dezoito ou dezenove anos de idade. Quando o filme acabou, ambos saíram do cinema agarradinhos. Dê uma olhada de viés, Stella, repare bem, ela está lendo uma revista dessas que falam de atores e atrizes de TV, acho que tem até a ver com o BBB. Ela parece séria, não é mesmo? Tenho de falar bem baixinho. Olhe agora, Stella, mas disfarce, não olhe direto, estão vindo dois jovens na direção dela. Isso mesmo, acho que acabaram de deixar a adolescência, se tiverem 18 anos é muito. Observe, um deles se abaixou, o outro está olhando para o mar. Reparou? Ela já até se levantou.

“Vocês podem dar uma olhadinha aqui nas minhas coisas?”

“Oh, sim, claro, claro.”

Stela, que susto, pensei que a mulher tivesse nos descoberto, ainda bem que fez apenas um pedido. Repare, estão entrando no mar, a praia ainda está vazia, não? Veja que surpresa, um deles foi pegar a prancha de surf. Estão nadando para longe, já atravessaram duas arrebentações, e o mar hoje está agitado. Ela nada bem, sabe, parece que já foi campeã de natação.

Stella, repare, repare, um dos garotos vem lá. Já faz uns vinte minutos que entraram na água. Agora ele volta sozinho, e vem na nossa direção. Viu como nos olhou? Ele abriu a bolsa da mulher e guardou alguma coisa lá dentro. Stella, juro que não entendi o que ele colocou ali dentro. Tem gente que aposta que já a viu tomando banho nua aqui na praia. Eu sempre achei que fosse invenção, mas agora estou na dúvida. Que tal a gente olhar a bolsa da mulher? Será que eles vão perceber? Stella, é lógico que estou excitada. Numa situação dessas, qualquer mulher fica excitada. Vai dizer que você não está? Tive uma amiga que fazia de pulseira o biquíni. Lá longe, dentro d’água, ela o tirava e o colocava no pulso, dizia que era o maior barato, um orgasmo. Você acha melhor a gente dar uma olhadinha só para tirar a prova dos nove? Está bem, vamos abrir a bolsa e olhar. Mas quem vai à ação? Stella, calma, devagar. O que é, Stella? Ah, não, coloque no mesmo lugar, Stella, por favor, não, não faça isso, não podemos agir assim, é deslealdade. E essa mulher me conhece de vista. Se você fizer isso, eu vou ter problemas. Stella, por favor, volte aqui, volte, Stela...

quinta-feira, janeiro 03, 2013

Três historinhas de réveillon

Tenho três adoráveis historinhas de réveillon, e sei que vocês vão adorá-las. Não foram vividas por mim, é claro, mas mesmo assim dou a voz de narração às amigas que me contaram. Não preciso citar seus nomes...


No réveillon fui à praia ver os fogos, vesti um vestidinho todo dourado, quase um tubinho,  tomara-que-caia. Preciso dizer que era curtinho curtinho? Todos os rapazes me olharam. Ao aproximar os minutos derradeiros, encontrei Gerson, um amigo/namorado. Ele me abraçou, me beijou, me apertou e acabamos ficando juntos o tempo todo. À meia-noite comemoramos a chegada do ano novo. Os fogos coloriam o céu fazendo vários desenhos, e eram tantos os foguetes... As pessoas espocavam champanhe e brindavam. Meu amigo trazia uma garrafa, explodiu a rolha e começamos também a brindar e a beber. Então foi o momento de ele me abraçar com mais força, abraços tão apertados que pôde sentir meu corpo nos mínimos detalhes. De repente, em meio à festa e à alegria, ele me pergunta: Selma, você está nua? Não, Gerson, você não está vendo que estou de vestidinho?, respondo. Ele ainda suspirou: Não acredito. Completei: Você me conhece, não, Gerson? Dali ele queria me levar para algum lugar suspeito, ou melhor, para algum lugar de muito respeito. Mas eu contradisse: Espere dar quatro da manhã, Gerson, quero agora é festejar!


Wilma, você é louca, todos dizem, e perguntam: por que não vem passar o ano novo com a gente? Prefiro ficar só, à espera do meu príncipe encantado. E não é que todo ano ele vem? Mas tenho um segredo. Quando faltam dez minutos, preciso estar nuazinha, isso mesmo, nada a me cobrir. Então saio do apartamento e vou a um lugar determinado. Um lugar ao ar livre, é claro. Há ali vegetação e o mar nas proximidades. Meu príncipe aparece quando faltam três minutos para o ano terminar. Me beija e me envolve com o seu imenso corpo. Ninguém pode me ver, nem reparar que estou nua! Ficamos a nos beijar enquanto o ano velho passa o bastão ao ano novo. E que bastão! Mas há um segredo nesse feitiço. Tenho de correr para casa antes que se completem quinze minutos do novo ano. Quando falta um minutinho, ou mesmo trinta segundinhos, dou-lhe ainda um último beijo e corro, rapidinha. Lembrem, não tenho nem sapatinho para perder!


Eliete, a única exigência que faço a você é que venha nua, entendeu? Você tem de vir nua. Esse meu namorado gosta de me pedir coisas difíceis. Mas não posso decepcioná-lo. Ele me faz todas as vontades, logo no dia seguinte tenho o que quero em minhas mãos. Ok, Manuel, vou ver o que posso fazer. Sempre falo a mesma coisa, mas acabo dando um jeito. Dessa vez, o que relato aconteceu hoje mesmo, ou melhor, ainda está acontecendo. Marcamos o encontro num hotel, algumas horas depois dos festejos do primeiro dia do ano. Após comemorar o réveillon com alguns amigos (Manuel não pôde estar entre eles, pois tinha compromisso de trabalho), fui ao seu encontro. Antes de chegar, parei o carro e subi ao apartamento, não ao nosso, mas a um próximo. Reparei que a porta estava aberta. Entrei, tirei toda a roupa e a coloquei numa sacola, depois escondi a sacola num vão que há ao lado da varanda. Em todos os apartamentos há o mesmo vão. Na saída, pego de volta, pensei, no dia de hoje esse local não é muito frequentado. Depois, nuazinha, corri ao nosso apartamento. Manuel já me esperava. Sua alegria foi triunfal ao me ver realizar o seu pedido. Como você conseguiu?, perguntou. Segredinho, nada contei. Fizemos amor loucamente. Ele me beijou, abraçou, me levantou. Dançamos, brincamos, brindamos. Então começou a me penetrar. Está tão apertado, você é virgem, é?, perguntou. Claro, o que você acha, virgem pelada, especial para você. Fiquei molhadinha e ele escorregou para dentro de mim. Foram tantos os meus gritinhos. Adoro gritar quando sou penetrada, e mais ainda quando gozo. Meu gozo parecia não acabar nunca. Foram manhã e tarde maravilhosas. Quando chegou a hora de irmos embora, perguntei: quem sai primeiro? Ele: saímos juntos. Juntinhos, afirmei. Agora estou aqui no carro aguardando, ainda nua, enquanto ele está lá no shopping. Adivinhem fazendo o quê?


Margarida, que bom encontrar você, quero mostrar umas fotos...

Quero ver, Raquel, adoro fotografia, você me conhece.

Estão aqui, olhe, estou tão bonita, não estou?

Você está nua!

Nua, não, não está reparando o meu vestidinho?

Que vestidinho, Raquel? Para mim, nestas fotos, vestido só se for a pele.

Há o vestidinho sim, depende da maneira como se olhe.

Ah, acho que entendi, Raquel. Deixe-me ver. São três fotos, não?

Isso, três, Margarida.

Vamos à primeira. Você está de pé, um pouquinho curvada para a esquerda, as coxas grossas, os seios rijos, barriguinha nem pensar, como você é bonita nua, nunca imaginei; a segunda, você está sentada na beira da cama, as pernas cruzadas, as mãos juntas sobre um dos joelhos de modo que apenas um seio está descoberto, que pose adorável, é capaz de despertar nos homens as mais loucas fantasias; terceira foto, você ainda está sentadinha, e também peladinha, um dos pés toca o chão enquanto o outro ficou sobre a cama, suas pernas estão um pouquinho abertas, coisa de centímetros, e pode-se ver que você está depiladíssima,  para completar, seus seios estão soltos, ficam ótimos assim. Raquel, gostei, gostei muito do seu vestidinho.

Sabia que você ia gostar, Margarida! Deixa eu te dar um beijo. Feliz ano novo!

quarta-feira, dezembro 26, 2012

Faz parte do show

Estou sentada, de pernas cruzadas, esperando a minha vez, porém nua. Isso mesmo, sem roupa alguma. Cheguei ao apartamento faz vinte minutos. O homem atendeu e perguntou: “candidata?”. “Sim”, sorri, tenho de ser simpática. “Entre, por favor.” Segui aquele que parecia ser uma espécie de assistente. Trouxe-me até esta sala, vazia por sinal. “Tire toda a roupa, pendure-a no cabideiro e sente-se ali”, apontou a cadeira, único objeto existente no cômodo além do cabideiro. “É para tirar a roupa toda, entendeu?”, completou. “Sim”; monossilábica, respondi.

Enquanto espero, lembro-me de um namoradinho, já faz uns sete anos, nunca mais o vi. Na época, levou-me para uma casa de praia e insistiu para me fotografar nua. Sentei numa cadeira muito parecida com esta, só que de ferro, dessas que se alugam com mesas para festas; cruzei as pernas para um lado, para o outro, depois fiquei de pé, de frente, de lado, de costas com o pescoço virado e o rosto olhando para a câmera. Numa das fotos ele me pegou de surpresa, quis me fotografar antes de eu estar preparada. Rápida, tentei dar as costas e tapar os seios com a precariedade das minhas pequenas mãos, um gesto instintivo e inútil. Ele clicou. Até que a foto ficou engraçada. A mais bonita, porém, é aquela em que estou sentadinha como agora, as pernas cruzadas, os seios cobertos parcialmente por um dos braços.

Aqui neste estúdio, penso: para onde me irão levar? Tenho tanto receio de ficar longe de minhas roupas. Mas tenho de representar. Qualquer ponta de temor seria considerada uma fraqueza. Será que me vão mandar nua para casa? Acho que não chegam a esse ponto. Talvez eu até possa processá-los caso isso aconteça. Mas já não conseguiria ser candidata em lugar nenhum. Para quem se aventura nesse ramo, não é possível a mínima hesitação. Luzia disse que a levaram nua para passear de automóvel. Eles nos conduzem de um lado a outro, falam com diversas pessoas da produção, pedem que esperemos, até esquecem que estamos sem roupa na frente de tanta gente. Essas pessoas também parecem não nos reparar, tratam tudo como a coisa mais normal no mundo.

Tenho uma amiga chamada Isa. Na verdade ela já é uma senhora, quase trinta anos mais velha do que eu, e gorda que só. Às vezes vou com ela à praia. Usa um biquíni mínimo, apesar do peso. Quando estamos dentro d’água, cobertas até o pescoço, ela pede: “Sandra, leva o meu biquíni aonde estão as nossas coisas e guarda ele bem escondidinho?” Ela, então, me passa o top e a calcinha. “Isa, se te descobrem nua, você vai passar a maior vergonha”, não deixo de mostrar a minha preocupação. “Não descobrem, não, ninguém olha pra uma mulher gorda.” E fica um tempo enorme tomando banho de mar. Certa vez permaneceu dentro d’água a tarde inteira. Ninguém notou sua nudez. “Sinto um prazer enorme nisso”, segreda-me. “Qualquer hora vou fazer como você”, afirmo. “Aí vai dar problema”, ela diz, “você é muito bonita, todos os homens estão te olhando, é bom ficar nua ao teu lado porque os homens só têm olhos pra você, eu fico invisível.” Rimos as duas.

“Psiu, psiu, Sandra”, chamam-me lá de fora. Levanto e vou até a janela. Vejo num apartamento do bloco em frente um grupo de mulheres: “Vem aqui, vem aqui”, gritam. Fico sem entender. “É com você mesma”, continuam, “venha até aqui.” “Não posso, estou esperando o assistente”, retruco. “Vem, vem”, continuam, “faz parte do show.”

Ouço sons dentro do cômodo onde estou. É o assistente que volta. Olha para mim e diz: “faz parte do show”, vira as costas e sai. As moças continuam a me chamar. “Vem, vem.” “Como faço pra ir até aí?” “Saia do apartamento, vá ao corredor, tome o elevador e desça ao térreo, atravesse o jardim e entre no outro bloco, sexto andar, 601”, grita a mais espevitada. “Estou nua!”, mas elas sabem, a mesma voz fala de lá: “faz parte do show.”

Respiro fundo, deixo o apartamento e aperto o botão para chamar o elevador. De repente o mesmo assistente aparece ao meu lado. “Me dê o iphone, você já postou muita coisa hoje." “Um segundinho”, dou as costas, imagino ele olhando a minha bunda. Lá vou eu, nua porta afora, depois conto o final... Feliz 2013 p/todos vocês!

quinta-feira, dezembro 20, 2012

Nua por uma noite

Uma mulher para andar nua por aí precisa ser muito bonita; na verdade, deve ter o corpo perfeito. Sempre acreditei que tenho essa qualidade, por isso insisto em sair algumas vezes sem roupa alguma; em outras, seminua. Também gosto que me fotografem. Já tive dois ou três namorados que me clicaram como vim ao mundo. As fotos ficaram lindas. Um problema, porém: nunca recolhi as tais fotos, sempre as deixei com eles. Mas não tive problemas por causa disso. Eles foram suficientemente honestos. Ficaram com as fotos para lembrar de mim quando não mais me tinham por perto. Tenho lido ou escutado muitas histórias de fotos tiradas por namorados, que foram parar na internet. Há homens que fazem chantagem com as mulheres. Ou elas cumprem o que eles exigem, ou eles as colocam nuas na rede. Comigo isso nunca aconteceu. Meus namorados jamais me procuraram para me chantagear. E nunca encontrei em sítio algum uma foto em que estivesse nua. Confesso que às vezes sinto um arrepio. Pode ser que alguém tenha postado uma delas. De repente a pergunta: “essa, por acaso, não é você?” O que direi caso isso aconteça? Tentarei disfarçar ou afirmarei que não se trata de foto minha, mas de alguém muito semelhante? Posso dizer que é uma montagem. Com a tecnologia atual é possível despir as mulheres sem que elas concordem. Quando penso nas poses que fiz para os namorados, sinto ligeiro frisson. Na verdade vou contar um segredinho: às vezes sinto vontade de que eles tornem pública a minha nudez. Quero que as pessoas me admirem. Como disse no começo, para posar nua é preciso ser perfeita. Já que estou incluída nesse item... Lembro a brincadeira que vez ou outra faço para excitar alguns desses homens com quem namoro. Saio de casa em pelo e peço que o namorado tranque a porta. Espero um ou dois minutos do lado de fora, depois bato para que ele venha abrir. O tempo que permaneço nua correndo o risco de ser descoberta, ou mesmo correndo o risco de um deles não abrir, me deixa a mil por hora. Aparecer, portanto, nua num sítio, na internet, seria até excitante. Quem sabe, passar não todo o tempo mas uma noite nua na rede não será mais excitante do que estar a bater nua por apenas um minutinho na porta do namorado?

sábado, dezembro 15, 2012

Arrepiada

No Arpoador, como a calçada é alta, o passeio forma um paredão em relação ao nível da areia da praia. Assim, à noite, aquele pedaço de areia torna-se um espaço quase privilegiado para casais que desejam namorar sem serem observados. Hoje, quase ninguém mais namora às escondidas, mas sempre há pessoas que gostam do risco, homens e mulheres que sentem imenso prazer em descer à praia de madrugada e ficar ali se agarrando. Revelei esse desejo ao meu namorado. Ele, no começo, achou perigoso. Porém, após eu insistir, acabou cedendo. E ficou morrendo de tesão quando eu, nua, o abracei, nas areias da praia.

“Você não tem medo de que apareça alguém?”, parecia nervoso.

“Não penso nisso, só quero o prazer.”

“Mas podemos ser presos. Já pensou, você nua na delegacia? Vai ser o maior escândalo.”

“Esquece isso, por favor. Agora, trepa comigo”, pedi.

Começamos a namorar. Ele pouco a pouco foi esquecendo o perigo, encostou-me no paredão, levantou-me e encaixou seu pênis entre as minhas coxas. O friozinho da noite contrabalançava ao ardor que eu emanava pelos poros. Fechei os olhos e também esqueci onde estava. Pedi em seguida que ele se deitasse e fui sobre ele, seu pênis sempre ereto.

Ouvíamos a explosão da arrebentação e o rugir do mar, que ia e vinha em espumas que deslizavam sobre a areia. Também era possível escutar o ruído dos automóveis que desciam a avenida.

Permanecemos enroscados um ao outro por quase uma hora. Depois que gozei, deitei-me sobre ele. Meu namorado forrara a areia com a própria camisa.

Embalamo-nos num sono leve e confortável. Quando demos pela hora, o céu parecia anunciar a manhã. Meu namorado antecipou-se:

“Vamos embora, já vai ficar claro.”

“Espera ainda um pouquinho”, pedi.

Abracei com força seu tórax e rolamos pela areia, quis que ele ficasse sobre mim.

“Já está tarde”, falou.

“Não te preocupa, só mais um pouquinho”, pedi.

Transamos mais uma vez. Quando acabamos, já era dia.

Então, anunciei:

“Vais ter de me levar pelada para casa.”

“Por quê?”

“Não reparaste que cheguei nua?”

“Lembro que, no carro, você estava vestida; mas quando chegamos aqui embaixo, não sei como você fez para aparecer nua.”

“Combinei com uma amiga, bobo. Pedi que ela levasse minhas roupas. Falei a ela: tenho um namoradinho novo, ele tem cara de que é capaz de resolver qualquer problema.”

Beijei sua boca. Ele me abraçou.

“Por que você não deixou suas roupas por perto?”, ele.

“Porque gozo em dobro correndo riscos.”

“Você é terrível, Mara. Vou ver o que posso fazer.”

Ainda sussurrei:

“Olha como estou arrepiadinha!”

quarta-feira, dezembro 12, 2012

O canto da sala de estar

Ele levanta-me num dos cantos da sala; eu, encostada à parede, meu corpo sustentado apenas pelo seu baixo ventre e por suas coxas ligeiramente inclinadas. Flutuo como uma borboleta. O que me torna humana é o seu pênis dentro de mim. Demora o homem. Quer-me em contínuo estado de êxtase, apraz-lhe constatar minha vivência de total prazer. Meu momento de explosão não custa a anunciar-se. Ele espera pelo seu com segurança quase cirúrgica, sabe que tem tempo.

Hoje ao olhar o mesmo canto da sala, tenho saudades do namorado. Já vieram outros, mas não me apanham com o mesmo jeito. Deitam-me na cama e sobem sobre o meu corpo, a trepada convencional; às vezes gozam primeiro, deixam-me a desejar o namoradinho que aparava cuidadoso o meu voo arrojado.

Já pensei sugerir a mesma posição, mas estaria comportando-me com extrema vulgaridade. Posso apenas fazer semblantes. Quando pensam que estou a gozar devido a seus másculos manejos enganam-se, mais viva é a imaginação que trago do amante equilibrista.

Às vezes acho que fui louca quando terminei o relacionamento. Sabia que jamais encontraria homem semelhante. Ele mostrou-se triste ao partir. Mas nada falou. Nem era preciso. Sabia que, a mim, seria impossível esquecê-lo.

As extravagâncias que pratico hoje são frutos daquele tempo. Uma vez que já não me é possível alguém com tamanha habilidade, restam-me atitudes que me aceleram a pulsação, que me multipliquem os arrepios. Logo, atravessar a cidade à noite ao volante, apenas os vidros do carro e carroceria a esconderem minha nudez, é uma dessas invenções. O risco de ser surpreendida é o meu cantinho de parede.

Há outros tipos de invenções. Um dia desses ouvi de uma amiga que certa vez agarrara um homem pelas costas. Estavam na praia, dentro d’água. Ele a princípio assustou-se. Mas ela, hábil, tapou-lhe os lábios com um longo beijo. Como tudo acaba, o beijo também acabou. A amiga, no entanto, permaneceu grudada a ele e, num gesto ligeiro, pediu-lhe que nada falasse, queria apenas sentir seu corpo. A seguir, ela mesma tirou-lhe o pênis fora da sunga e o encaixou dentro do biquíni. Foi muito feliz naquela tarde. Poderia ter optado pela nudez total, sugeriu, o biquíni escondido dentro do calção de banho do homem. O risco os faria gozar dobrado. Mas deixou tal aventura para um dia vindouro.

Um cantinho de parede, porém, acende-me todas as luzes, transforma meus braços em asas, livra-me da gravidade, sensibiliza-me aos mais sutis sabores; abocanho então dardo veloz, rijo músculo de algum deus olímpico.

quinta-feira, dezembro 06, 2012

Amor à vista

Chego mais cedo na sexta-feira. Ligo a televisão. Vejo uma pessoa interessante dando entrevista para o jornal nacional ou NF TV.

É o meu príncipe encantado! Homem magro, jovial, usa óculos e cabelos longos. Sempre esperei que um dia fosse conhecê-lo. Sua imagem bastou para que eu começasse a sonhar com noites quentes, bebidas alucinógenas e atitudes desafiadoras.

Mas como encontrar essa pessoa na cidade grande? É como procurar agulha no palheiro.

Todas as noites antes de dormir voo em pensamento e me encontro com aquele homem assim que pego no sono. Ele chega de mansinho, estreita-se entre mim e a parede do meu quarto, fala baixinho no meu ouvido:

“Vim dormir com você.”

Embalada nesse aconchego sussurro: “Que bom que você veio!”

Ao som de um Jazz, começamos a namorar. São beijos deliciosos, promessas de amor e um sacode sexual que nenhuma mulher negaria realizar.

Já esgotados de prazer, cada um vira para um lado e dorme.

Quase todas as noites, o mesmo ritual. Acordo com a alma satisfeita.

Será apenas fantasia, imaginação minha, ou ele é um anjo que aparece e que me faz tão bem a ponto de me sentir realizada?

quinta-feira, novembro 29, 2012

Crônica

Preciso escrever a minha crônica diária e enviá-la ao jornal, mas me aconteceu algo inesperado. Estou nua, sentada numa cadeira de ferro e trancada numa sala comercial. Para manter a elegância e não demonstrar vergonha ou temor, cruzo as pernas, a direita sobre a esquerda, os seios cobertos pela metade por um dos meus braços como uma correia em meia diagonal. Vejo-me em tal situação por causa do namorado. Ele me quer sempre nua; além disso, me pede que eu represente. Tenho de fazer de conta que sou a pessoa mais vestida do mundo, dessa vez no escritório de um amigo seu às cinco e meia da tarde, no centro do Rio, um prédio de vinte e tantos andares em que há muitas outras salas onde trabalham advogados, médicos, dentistas, contadores etc. Tirei a roupa e dei nas mãos de meu namorado. Pediu licença e foi guardá-la numa outra sala, ou num outro escritório, não sei bem. Abriu a porta e saiu. Ouvi sua voz quando falou com alguém que transitava no corredor. Talvez tenha ido à rua comprar um maço de cigarros. Aqui, no lado de dentro, apenas as paredes, também nuas, e a cadeira que me serve de assento. Aguardo, aliás, espero. Espero que ele volte. Lá fora o sol se põe, as cores da tarde se dissolvem num azul que pouco a pouco avança e se torna cada vez mais negro. Tenho até às oito para enviar a crônica ao jornal. Hoje quero escrever sobre a viagem de Sandrinha ao mar Báltico. Onde, porém, o meu namorado? Encontrei-o  ao acaso faz trinta minutos, no café da esquina da Rodrigo Silva. Gisele, vamos ao escritório de um amigo, sugeriu. Aceitei. Quando entramos, a sala vazia, nada do amigo. Não demorei a perceber o que meu namorado queria. Mas, Valdo, a essa hora?, estou trabalhando, eu disse. É pra já, não vai demorar nada, insistiu ele. Ok, concordei e fui tirando a roupa. Ei, volte aqui, não me vai fazer perder o compromisso, alertei. E lá foi ele porta afora. Se não volta? Se lhe acontece alguma coisa? Uma síncope, ou mesmo um assalto. A cidade está tão violenta, plena de perigos. Vai que ele tenha sido sequestrado... E eu tenho de escrever e mandar a minha crônica. Oh, ato falho, pois não estou pensando nele nem nos perigos que corre, mas em mim, no meu emprego, na minha crônica. Amanhã vocês saberão o desfecho dessa história, depois de amanhã a viagem de Sandrinha. Ainda bem que existem os smartphones, ainda bem que, com um deles, sempre se dá um jeito.

quarta-feira, novembro 21, 2012

Sempre se tem algum segredo

Estou num pequeno hotel, no centro de Macaé. Vim à cidade com a intenção de resolver um problema na sede local da Petrobras. Sempre quando retorno ao hotel, no fim da tarde, reparo a mulher que sai de uma escola próxima. Ela, muito atraente, corresponde ao meu olhar. No terceiro dia, espero por ela. Como não calcula com a minha atitude, passa ao meu lado quase de cabeça baixa.

“Por favor, não se assuste”, falo, “pensei que eu estivesse agradando.”

Ela sorri; passamos então a caminhar lado a lado.

“Como você se chama?”, é minha a primeira pergunta.

“Sueli.” Desde o começo se mostra econômica nas palavras.

“Você é da cidade?”, tento manter o diálogo.

“Sim”, sorri mais uma vez e interrompe a caminhada.

“Então, aqui parece ser um bom lugar.”

Ela meneia a cabeça, seus cabelos são lisos e seu rosto tem traços de raça índia.

“Cheguei faz dois dias, trabalho na Petrobrás.”

“Aqui?”, surpreende-me a pergunta.

“Não, no Rio, vim para um trabalho especial.”

Não sei se é apenas impressão, mas acho que sua fisionomia apresenta alguma tristeza.

“Que tal irmos a algum lugar?”, sugiro.

“Hoje?”

“Isso, hoje. Que tal?”

“Hoje, não; quem sabe amanhã?”

Volto ao hotel e fico no apartamento vendo televisão. Mais tarde tento telefonar para ela, mas a ligação cai várias vezes na caixa postal.

Ao passar pelo mesmo local em que a vi no dia anterior, olho para a escola. Mas não vejo Sueli. Penso em entrar e perguntar por ela, mas mal sei em que trabalha. Será ela professora? A escola parece atender às primeiras séries. Permaneço no local durante uns bons vinte minutos, mas nada de ela aparecer. Tiro o celular do bolso. Quando estou tentando seu número, vejo que lá adiante vem ela. Seus passos são rápidos, caminha na minha direção. Ao me alcançar para, me cumprimenta e espera que eu tome a iniciativa. Veste um vestido florido, mais curto do que o da véspera, traz sob um dos braços uma bolsa cheia de papéis.

“Vamos?”, pergunto.

Faço sinal ao táxi que está parado junto a um restaurante.

“Aonde vamos?”, pergunta.

“À orla marítima. Que tal comermos e bebermos alguma coisa?”

Nada responde. Interpreto seu silêncio como sinal de aprovação. Entramos no táxi e o motorista dá a partida.

No bar escolhido por ela, podemos apreciar o mar. Está azul e calmo. Como ainda brilha o sol, algumas pessoas andam pela areia, um ou outro se aventura ao banho de mar.

“Você costuma frequentar a praia?”, aponto com face de contentamento.

“Só no verão.”

“Mas está tão quente, até parece verão.”

“Gosto de vir à praia quando estou de férias.”

“Quando você está sem preocupação, com a cabeça leve, não?”

“Isso mesmo.”

“Você vive sozinha?”, o garçom chega com nossas bebidas.

“Tenho filhos, mas moro sozinha. Eles já são adultos.”

Brindamos. Tomo um longo gole do meu chope. Ela antes admira o seu copo cheio; depois, com suavidade, toma um gole.

“Você é professora daquela escola?”

“Sim.”

“É bom ser professora?”

“É melhor namorar”, pela primeira vez abre um largo sorriso. Reparo em seu rosto um certo ar provinciano, que lhe acentua a beleza.

“Você gosta de namorar, então?”

“E quem não gosta?”

O bar tem alguma frequência àquela hora, ela tenta descobrir alguém conhecido.

“Você vem sempre aqui?”, continuo meu interrogatório.

“Vinha quando tive um namorado.”

“E ele se foi.”

“Mais ou menos.”

“Agora, você procura outro”, afirmo em tom de pergunta.

“Mais ou menos.”

“Como se pode ter um namorado mais ou menos?”, termino a frase em tom de deboche.

“Podemos, sim.”

“Já sei, alguém que é e não é namorado ao mesmo tempo”, defino a questão.

“Você é inteligente”, ri, “por isso trabalha na Petrobras.”

“Vou dizer a você algo importante: trabalhar na Petrobras não é tão difícil. O mais difícil hoje é arranjar uma namorada.”

Seu rosto se ilumina mais uma vez.

“Para os homens é mais fácil do que para as mulheres”, diz.

“Você é mulher e parece ter sorte.”

“Tenho sim, sempre aparece alguém.”

O garçom chega com um petisco. Coloca o prato diante de nós e deseja bom apetite. Ela me olha, não quer ser a primeira a beliscar.

“Você tem jeito de que é misteriosa. Acho que tem muitos segredos.”

“Sempre se tem algum segredo. Você também deve ter um”, afirma.

“Eu, um segredo?”

“Tem, sim. Mas fique tranquilo, não precisa me contar.”

“Mas eu gosto de saber segredos. Você me conta o seu?”, pergunto meio indolente.

“É segredo, não posso contar.”

“Se você conta só pra um e este não leva adiante, continua segredo.”

“Verdade. Você promete guardar?”

“Prometo.”

“Promete guardar e não tirar proveito?”

“Guardo, sim; mas não tirar proveito não faz parte do segredo”, falo e depois caímos os dois numa gostosa gargalhada. O garçom traz outro chope para mim, ela diz que tudo está muito gostoso.

“Ok, vou contar o meu segredo. Mas antes observe como está lindo o anoitecer, não é mesmo?”

“Sim, está. Mas o segredo....”

“Escute, então. Esta cidade não é grande nem pequena, você concorda?”, espera a minha resposta para continuar.

“Concordo.”

“Quem vive aqui, conhece muita gente. Todo lugar aonde se vai se encontra um colega, ou mesmo um amigo.”

“Sim”, me mantenho interessado.

“Num lugar assim, já tive dois namorados, ao mesmo tempo, é claro.”

“Este é o seu segredo?”

Ela bebe um gole do chope, pousa o copo sobre a mesa e olha em volta.

“Aqui mesmo, já vi três pessoas conhecidas.”

“Já que você é tão namoradeira, não quer ter o terceiro namorado?”

Ela sorri. “Terceiro, não; agora só tenho paqueras; caso arranje algum, vou ter apenas um.”

Ficamos no jogo de palavras. Eu galanteando a morena, e ela cheia de dengo.

“O que você ensina pras suas crianças?”

“Muitas coisas.”

“Eles parecem muito pequenos.”

“São, sim. É uma turma de alfabetização.”

“E os pais, não reclamam de seus filhos terem uma professora namoradeira?”

“Ah, não. Acho que nem sabem. Além disso, pais e mães também namoram muito, e nem sempre um com o outro. Nessa cidade todos namoram, mesmo os casados e as casadas. Sei cada história de arrepiar. As mulheres que têm cara de santinhas são as piores”, seu sorriso cora mais uma vez a sua face.

Já é noite quando deixamos o restaurante. Faço de tudo para levá-la ao meu hotel, ou mesmo a outro qualquer, mas ela não aceita.

“Não posso ir para hotel algum aqui, quase todos me conhecem, tenho ex-alunos trabalhando em vários lugares, onde menos espero aparece um. Se vou pra um hotel com você, amanhã estou na boca do mundo.”

“Como vocês fazem pra namorar por aqui?”

“Precisa ser em hotel de alguma cidade próxima, e mesmo assim você deve me dizer antes a que hotel vai me levar.”

“Você quer dizer que não podemos dar uma namoradinha...”

“Não é isso, até podemos namorar, passar algumas horas juntos, mas não em hotel.”

“Onde, então?”

Estamos dentro do carro, ainda na orla marítima.

“Tenho mais um segredo pra contar a você”, ela fala.

“Mais um?”

“Quer saber?”

“Conte, por favor.”

“Tive um namorado que adorava que eu fosse nua à praia, de noite.”

“Totalmente nua?

“Eu usava uma saída de praia, dessas bem justinhas e curtas, apenas isso.”

“E como vocês faziam?”

“Íamos pra um recanto de praia que ele descobriu, perto da lagoa, é bem escuro, ninguém podia nos ver.”

“Você não acha isso mais perigoso do que ir a um hotel?”

“Não. Escute mais. Eu deixava o vestidinho no carro e corria com ele pela areia. Lógico que somente eu ficava nua. Tomava até banho de mar noturno. Você não imagina como é gostoso.”

“Ok, vamos fazer assim, então.”

“Você precisa arranjar um carro.”

“Arranjo.”

“Amanhã, então, a gente se encontra de novo.”

“Onde?”, pergunto. Meu coração se acelera por causa do relato.

“Você me pega em casa?”

“Pego.”

“Então vou escrever o endereço. Ok, não perca. Você não imagina como as mulheres gostam de andar nuas.”

“Imagino, sim. Pego você às sete, tá?”
  

Sueli entra no carro com o vestidinho justo sobre o qual falou no restaurante. Como as pessoas são imprevisíveis, penso, uma mulher com jeito de equilibrada, uma professora da prefeitura com alunos e ex-alunos por toda parte, mas que sente prazer em andar nua pela cidade.

“Nua pela cidade, não, apenas na praia”, diz como se tivesse ouvido meus pensamentos.

“Você vai entrar na água?”, pergunto quando já caminhamos na areia.

“Depende, se a água do mar não estiver muito fria...

“Você não tem medo de encontrar alguém, você com essa roupa curta...”

“Você não está gostando?”

“Estou adorando, mas você disse que conhece muita gente.”

“Não vai aparecer ninguém, não; venha, me abrace", a seguir se despe e pede que eu guarde sua saidinha de praia no carro.

Será que preciso contar o desfecho dessa história?

Sueli se mostra uma mulher quentíssima, transborda prazer, geme bastante e dá a impressão de que goza várias vezes. Trepamos pela primeira vez logo que chegamos. Quando acabamos, ela vai até a beira d’água, espera que as espumas toquem seus pés, olha para mim e ri. Depois corre e mergulha de cabeça. Após alguns minutos, sai da água e vem ao meu encontro. Me abraça e me beija. Trepamos mais uma vez. A água do mar a torna mais delirante. No final, sempre nua, caminha para o mar. Dessa vez, anda lentamente e espera que a água lhe invada o corpo, depois se abaixa e fica apenas com a cabeça de fora.

Não digo a ela que também tenho o meu segredo. Na verdade, toda mulher gosta de homens um pouquinho tarados. Muitas, por causa disso, vão além do arrepio. Também gosto de mulheres nuas ao meu lado em lugares abertos, assim como o seu ex-namoradinho gostava, mas dou um passo à frente (ou um passo para igualá-lo, vá la saber). Depois de transar com Sueli duas vezes, sinto vontade de me esconder enquanto ela se banha, fazer de conta que fui embora. Quero observar a sua reação.

Mas eis ela a correr de novo, a se chegar junto a mim, a colocar os braços em volta do meu pescoço, a me beijar...

"Tenho outro segredo pra te revelar", diz.

"Já sei. Seu namoradinho fugiu e deixou você peladinha aqui na praia", arrisco.

"Isso mesmo. Mas tem mais uma coisa.

"O quê?"

"O que aconteceu depois; você não quer saber?"

"Claro, estou ansioso. Conte, por favor."

"Conto amanhã", sorri, "ou depois de amanhã", puxa-me pelo pescoço, "ou quem sabe qualquer dia desses", mais um beijo, e sempre o sorriso luminoso, astro prateado a completar o risco incerto da lua sobre a maré alta.

quinta-feira, novembro 15, 2012

O que eu queria mesmo?

Súbita ereção! E num momento impróprio. Para um homem, algo muito natural. Mas para uma travesti, nada mais terrível. Por que não me submeto à cirurgia? Não posso privar os homens daquilo que eles mais gostam. Além disso, há outra coisa. Por ser travesti, faço mais sucesso do que a maioria das mulheres. Vamos, porém, à inesperada ereção.

Sempre fui muito controlada. Posso usar roupa curtíssima, o vestido mais ousado. Ou mesmo sair quase nua, apenas a sainha. Nada por baixo. Mantenho-me cool. Eles se aproximam, tocam-me, querem mexer no meu pinto. Ficam doidinhos. Algo, então, me percorre o corpo por dentro, um tipo diferente de calor. Porém, sou toda comando. Tudo acontece como se eu tivesse a pele sob toalha molhada em água fria. Mas ontem...

Foi numa boate. Aqui em Barcelona as coisas fervem. Eu dançava num canto, sozinha, um show de bolso, particular. Então... Então surgiu ele.

Melhor dizer, nunca o tinha visto. Cabelos pretos, curtos, olhos maliciosos, gravata rubra. Subiu-me a quentura, senti um espasmo. Depois... Depois a incontrolável ereção! E a saia tão curtinha. Dei as costas. Veio ele. Senti suas mãos subindo minhas coxas, levantando-me a roupa...

“Não, por favor”, deixei escapar.

“Você está quente”, sua voz de barítono.

“Se fosse só isso”, suspirei envergonhada.

“O que mais?”

“Quer saber mesmo?”

“Já percebi.”

“Gostas?”, murmurei.

“Por que não?”

“Nunca aconteceu.”

“Verdade?”

“Durinho assim, não.”

“Sempre há a primeira vez.”

“O que faço, agora?”

“Permita-me ajudá-la.”

“Mas segurando nele? Assim é que não volta ao tamanho original.”

“Vamos experimentar, tudo depende da qualidade da mão.”

Começamos um jogo. No início eu ia inibida, mas pouco a pouco me fui soltando. Meu pênis, cada vez maior, cada vez mais rijo. O homem abaixou-se, colocou o rosto pertinho. Continuou, porém, todas as manobras. Naquele momento, senti-me inteiramente nua, toda arrepiada. Quando pensei que estava em lugar público, cheguei a ter outro espasmo, agora de terror. Uma mulher nua, vá lá; mas uma do meu tipo, onde guardar tamanha preciosidade?

“Não se preocupe, tudo vai ficar bem, e você ainda mais sarada”, acho que lia meus pensamentos.

“Sarada? Como assim?”, eu não perguntava, gemia.

“Não vai querer outra vida”, ele quase a beijar o meu pinto.

Em meio à música alta, cheguei a gritar:

“Nunca gozei pela frente.”

Então, mergulhou o meu dote na sua boca macia e quente. Em frações de segundo eu pisava o fio da navalha, e pisava descalça.

“Você é uma pena, deixe o vento levá-la às alturas”, ele me adivinhava.

Seu sussurro me fez ganhar altitude, me ascendeu a céu jamais alcançado por qualquer aventureiro. Planei incólume durante vários minutos, os cabelos soltos, a pele sensível à variada temperatura, do sopro matinal que produz arrepios ao suor provocado pelo sol a pino. De repente, meus setenta e dois quilos, meu metro e setenta e oito, enfim, todo o meu corpo iniciou uma curva vertiginosa. Era a lei da gravidade, o anúncio da queda, o tombo... Não, aquilo não era o tombo, era a febre, uma febre seguida de explosão que me transformou em milhões de partículas prateadas. Faltou pouco para eu lhe derramar goela abaixo toda a minha alma. Não posso contar mais. O gozo não é feito de palavras. Eu estava tortinha, transpirava.

Depois do prazer inesperado, o que eu queria mesmo? Ah, sim, que voltasse ao tamanho original!

quinta-feira, novembro 08, 2012

Você veio de maiô?

Eu queria mesmo era aproveitar a noite. E, como estava calor, sugeri a meu namorado: “que tal um banho de mar?” Ele apenas falou: “vinda de você, a proposta não me surpreende".

Sempre gostei de tomar banho de mar. À noite, então, nem se fala, me faz ficar toda arrepiada. Posso entrar nua no mar.

Descemos à areia no Remanso. Ele deixou o carro perto de um quiosque, havia algumas pessoas tomando cerveja e conversando. Peguei meu namorado pelo braço e fizemos o caminho inverso. Não queria ninguém nos vendo entrar pelo escurinho da praia.

Quando chegamos à beira, ele perguntou: “você veio de maiô?”

Sorri para ele, dei-lhe um beijo sobre uma das bochechas, levantei o vestido e o tirei pela cabeça. Pedi que o segurasse, corri, mas antes de entrar na água voltei e lhe entreguei também a calcinha. Achei melhor ir nua, minha fantasia predileta. E tão poucas vezes realizada.

Mergulhei. As pessoas de modo geral temem o mar à noite, acho que por causa da escuridão, ou mesmo porque pensam que podem ser atacadas por algum peixe maior. Mas não tenho esse temor. Os peixes se afastam quando sentem as pessoas próximas. Cortei várias ondas, o mar estava bravio. Cheguei a nadar até após a primeira arrebentação. Fiquei a flutuar naquele pedaço de mar. Sempre que alguma onda se levantava, eu me abaixava ou a cortava. Havia correnteza em direção ao oceano, sabia que para voltar precisaria esperar um pouco e contornar pelo lado esquerdo de onde eu estava. Embora a situação não fosse fácil  a água gelava-me todo o corpo , a sensação era muito prazerosa. Meu corpo inteiramente nu furando as ondas era quase um gozo. O que me preocupou a partir de certo momento não foi o fato de o mar estar batendo ou de eu estar tomando banho de mar nua, mas o pressentimento de meu namorado, por não me poder ver, pensar que eu estivesse em dificuldades. Isso poderia levá-lo a dar o alarme. Então, algumas pessoas viriam me procurar. Comecei achar melhor voltar à praia. Como não conseguia nadar em linha reta devido à corrente, fiz um contorno que me custou uns quinze minutos. Ao ver que poderia chegar à areia, dei mais algumas braçadas e peguei uma onda, surf de peito. As pessoas não sabem como é gostoso praticar esse tipo de esporte, tanto mais pelada. Outro gozo. Quando senti meus pés tocarem o fundo, caminhei e saí d’água. Mas... Cadê meu namorado?

O local estava escuro, era possível perceber o pessoal no quiosque, lá longe, mas sobre as areias não havia ninguém. Agachei à espera. O vento frio me fustigava a pele. Como dentro d’água a sensação era de uma temperatura mais amena, tive vontade de voltar ao mar. Porém avistei alguém correndo em minha direção. No começo, temi. Quem sabe um desconhecido? As batidas de meu coração se aceleraram. O homem abraçou-me não se importando com o meu corpo molhado, beijou minha boca e depois falou: "sua fantasia é tomar banho de mar nua, a minha é transar com você nas areias da praia".

Deitou-me e subiu sobre o meu corpo. Depois de gozar duas vezes dentro d’água, quem iria negar que não era o momento? E, agora, com alguém dentro de mim.

"Tenho também minhas fantasias", sussurrou, "e uma delas sempre foi encontrar uma mulher nua na praia. Vou levar você pra minha casa", beijou-me e concluiu: "peladinha." 

sábado, novembro 03, 2012

E acho que até não vai ser mal

Comecei a percorrer os lugares de que Mariana me falara.

“O importante não são apenas as praias, as montanhas, a estrada deserta, mas o que ele me pedia”, contou-me.

Quando tocou no assunto pela primeira vez, fiquei impressionada. Mas, depois, comecei a sentir curiosidade sobre tudo que me dizia.

“Você não teme que lhe possa acontecer algo de ruim?”, perguntei.

“O risco é que faz as coisas ter graça”, falou, e sua face se iluminou num sorriso brando.

Dirigi primeiro até a Praia da Joana. Faltava pouco para o sol se pôr. O mar estava liso, apenas vez ou outra alguma espuma deslizava, um véu de noiva que se alongava frágil. Não havia pessoa alguma no local. Era possível sentir a umidade e o sal presentes no ar. Descobri um quiosque distante; a janela, aberta, porém não vi ninguém. Imaginei como seria andar nua sobre aquela areia fina e depois esconder-me dentro d’água, exatamente como lhe pedira o namorado. Imaginei-me a correr nua, sem destino. Mas primeiro eu tinha de arranjar alguém que me pedisse tal ato. Onde eu guardaria o biquíni? Seria melhor deixá-lo nas mãos do homem. Será que iria embora e me abandonaria nua na praia? Arrepiei-me. Acho que por causa do vento, acho que por causa do desejo. Os homens de verdade não fazem essas coisas, preferem trepar com as mulheres e despejar nelas todo o ardor.

Certa vez perguntei à Mariana: “por que me conta essas coisas tão íntimas?”

“Você tem razão, não devia contar a ninguém.”

Dias depois subi a estrada da Bicuda Grande. Parei no local exato sobre o qual ela me falara. Ultrapassadas algumas curvas, a partir do pequeno povoado, há uma enorme e solitária árvore. Após a ela, contam-se dois pequenos morros. Parei o carro e descobri o riacho que passa pelo local. Suas águas são cristalinas. Saí e molhei os pés. Tive vontade também de ficar nua. Mas não tinha ninguém para me pedir a nudez. Sozinha, achei que não teria graça. Caminhei um pouco mais. Encontrei então o biquíni de Mariana. Bandida, além de ficar nua deixou o biquíni como prova de que não mentia. Estava enroscado num pequeno galho. Era minúsculo, não se podia negar que não fosse seu. No dia em que o deixara ali, os dois treparam quase todo o tempo na margem mais alta; depois ele pediu que ela abandonasse o biquíni. “Eduardo, não posso ir à praia amanhã, pois não tenho outro.” “Não faz mal, amor, vamos primeiro ao shopping, pode escolher o biquíni mais caro.”

“Faltou contar da estrada”, disse-me ontem.

“Estrada?”, fingi surpresa.

“Foi emocionante. Nuazinha à beira da estrada. E esperando por ele.”

“Já imaginei o que aconteceu.”

“Uma encenação. O homem vem só no carro e encontra uma mulher nua, que lhe pede ajuda. Ela entra. Só Deus sabe onde ele vai deixá-la. Caso tenha bom caráter, arranja-lhe uma roupa e leva-a a casa. Mas a maioria vai querer comê-la primeiro. Outra surpresa: a mulher é que deseja comê-lo; depois pede que a mande sair do automóvel, ainda nua. ‘Como você vai fazer?’, ele pergunta. ‘Isso é assunto meu’, ela, altiva.”

Mariana terminou o relato dizendo que nunca viveu situação tão excitante.

“Seu namorado é demais”, falei, “quem dera arranjar um parecido.”

“Tente você agora. Terminamos o namoro ontem.”

“Não acredito.”

“Verdade.”

Acho que é mentira. Mas como sempre foi minha amiga, fiz que acreditei.

Agora falta encontrar com ele. Tenho, no entanto, de me comportar. Não posso deixar que perceba que sei dessas histórias. Caso eu fracasse na representação, acho que vai querer que eu vá nua a seu encontro, a única coisa que minha amiga não fez.

Às vezes me arrependo de ter ouvido os relatos de Mariana. Às vezes me arrependo de ter sido sua amiga. Não sei onde isso pode acabar.

Mas, num rompante, acabo por falar a mim mesma: deixa de ser boba, Dora, o máximo que pode acontecer é você terminar nua num canto desses. E acho que até não vai ser mal!

sexta-feira, outubro 26, 2012

Basta que me permitas a representação

Meu namorado sempre me sussurra ao pé do ouvido quando está prestes a gozar: “vou amarrar você nua sobre a cama e trepar assim durante muito, muito tempo.” Mas toda vez que acabamos, ele não mais toca no assunto. Outro dia, porém, logo que ameaçou afastar-se de mim, falei:

“Quando me vais amarrar?”

Apenas riu.

“Falo sério”, continuei, “falas o tempo todo nisso e não concretizas.”

“Você quer mesmo?”

“Claro, pois não diria à toa.”

Ainda nua, levantei e procurei um cordonete. Voltei ao quarto e o entreguei a ele.

“Você quer agora?”

“Agorinha. Neste mesmo instante.”

Deitei-me e lhe ofereci os punhos. Amarrou-me. Os braços atados forte à cabeceira; as pernas, abertas, presas pelo cordão, que ele enroscou na parte inferior do estrado.

“Ainda falta algo”, sugeri.

“O quê?”, olhou-me curioso.

“Quero que me amordaces.”

Foi ao banheiro e voltou com uma fita larga de esparadrapo. Grudou-a sobre minha boca.

“E agora, o que faço?”, perguntou.

Por meio de “hum, hum", expressei-me. Mas meu olhar, mais convincente, apontou-lhe o pênis.

Começou a brincar sobre o meu corpo. De repente, deu a sugestão.

“Espere, pensei uma coisa mais excitante. Vou sair um pouco e deixar você amarradinha aí.”

Levantou-se e começou a vestir-se. Ao me olhar, quando acabou de calçar o tênis, reparou minha testa franzida.

“Não fique preocupada, volto logo.”

Bateu a porta e saiu.

Fiquei a meditar sobre o que estava tramando. No início até achei boa a ideia, mas com o escorrer dos minutos comecei a ficar preocupada. Como ele poderia ter feito isso comigo? Eu, sem me poder soltar, sem a capacidade de emitir sons, e sozinha em casa.

Meu coração ia adiantado quando ouvi a porta abrir.

“Entre, por favor, espere aqui na sala”, ouvi a voz dele. Nossa! Quer dizer que ele trazia alguém.

“Será que não estou incomodando?”, a outra voz, e de mulher.

“Não, fique um pouco, ela já chega, disse que não ia demorar.”

“Prefiro voltar mais tarde.” Só então reparei que era a vizinha. “Ela me prometeu a receita, mas não é tão urgente.”

“Vou procurar. As coisas dela ficam numa gaveta no quarto, um momentinho”, levantou-se e veio para junto de mim. Sorriu e falou em surdina: “acha melhor chamá-la para vir até aqui?”

Movi a cabeça querendo dizer que não, que a despachasse.

Ele voltou à sala de mãos vazias.

“É melhor eu ir, estou com a comida no fogo. Depois falo com sua mulher.”

“Ok, dou o recado”, ele falou.

“Ouvi a porta bater.”

Voltou então ao quarto. Havia tirado toda a roupa.

“Viu? Deixei você por um triz”, subiu sobre meu corpo. Trepamos.

Eu estava molhadinha, de nervoso e de desejo. Devido à situação, gozei duas vezes. Depois, destapou-me a boca e pediu que eu o chupasse, ainda amarrada. Foi então que gozou,

Só no dia seguinte tocou de novo no assunto:

“Quer que eu amarre você hoje?”

“Claro. E estou a imaginar quem irás trazer dessa vez.”

“Que explicação daremos à visitante?”, ele quis saber.

“Nenhuma. Mas quero que a dispa e a amarre também. Só que na sala.”

"E o que faço caso eu traga um homem?”

“Nada, basta que o mande vir ao quarto no teu lugar.”

domingo, outubro 21, 2012

Como devo fazer para dar a ideia?

Uma amiga me veio falar sobre um namorado.  Contou que ele a obriga a ações extravagantes.

“Obriga?”, pergunto.

“Maneira de dizer. Na verdade ele pede, e eu consinto.”

“Consente? Dê um exemplo.”

“Se você quiser, dou vários, mas escute este.”

Contou que o homem adora sexo ao ar livre.

“Na praia?”

“A praia é um dos lugares favoritos dele. Mas há outros, como no meio ao mato, numa subida de serra, tudo durante a noite. Também adora me deixar nua num trecho escuro da rodovia estadual, partir com o automóvel e voltar um quarto de hora depois para me resgatar.”

“Resgatar?”

“Isso. Me pegar de volta.”

“Mas você não teme que algo possa dar errado?”

“Errado, como assim? Confio tanto nele.”

“Pode acontecer alguma coisa, como um enguiço no carro, ou mesmo um acidente. Como então você faz para voltar?”

“Sabe, Glória, nunca pensei nisso. Acho que quando se está amando, a gente não pensa nessas coisas.”

Terminamos nossa conversa com a chegada de outra pessoa. Logo depois me despeço e vou embora.

No caminho de casa continuo pensando sobre o que ela me contou. Nua na estrada, nua na praia, tudo no escurinho da noite, ou mesmo da madrugada. O importante é estar nas mãos do namorado, segundo ela, o maior frisson.

Os dias se passam, e eu sem namorado. Ao pensar novamente na minha amiga nua, sinto um arrepio. Quem sabe eu consiga um homem assim.

Sem querer, avisto seu namorado quando estou no Shopping. Ele me reconhece e me vem cumprimentar. Ah, se fosse eu a nua!, exclamo em silêncio. Primeiro aperta a minha mão, depois me beija e arregala os olhos, imensos, acho que chega a me desejar.

“Como vai a Isabel?”, pergunto.

“Vai bem. Ela falou que encontrou você um dia desses.”

“É, encontramos sim, lá no calçadão.”

O homem me come com os olhos, e não é impressão. Será que ela lhe falou sobra a conversa que tivemos? Chego a suspeitar.

“Vamos marcar um encontro um dia desses. Eu, Isabel e você. Leve mais alguém, vamos a um bar, na orla, ok?”, sugere.

Imagino nós três bebendo, depois ele levando a Isabel e eu para a rodovia, pedindo para tirarmos a roupa. Saímos então do carro nuas. Oh, minha mente maldosa!

“Não deixe de aparecer, leve o namorado, a gente conversa um pouco, é bom conhecer novas pessoas”, continua.

Despedimo-nos, eu parto. Vou pensando se ele já não está entediado de deixar a namorada nua por aí, pois para sair com ela precisa de outras companhias.

Depois desses dois encontros estou a procurar um namorado. E arrepiadíssima. Nua na estrada, quem dera! E se arranjo alguém, como faço para dar a ideia?

segunda-feira, outubro 15, 2012

Um caso a pensar

“Valdo, por favor, pare com essa brincadeira”.

“Que brincadeira, Valéria?”

“Não posso voltar nua pra Barra Mansa”.

É ótimo dormir com ele. Toda sexta. Ele tem lá suas taras, mas isso é normal nos homens. Valdo me quer nua o tempo todo. Sempre transamos duas ou três vezes na mesma noite. Pela manhã, corro de volta pra minha cidade.

Eu andava na Nossa Senhora de Copacabana. Era uma dessas sextas calorentas que antecipam o verão. Ia de calça justa e blusa curta, a roupa acentuando as minhas curvas. Pernas grossas, seios volumosos. De repente...

“Ei moça, vamos conversar”.

“Verdade?”, mostrei-lhe o rosto.

“Verdade verdadeira”, falou, “mas vamos antes beber alguma coisa”.

“Não sou de beber. Mas quero lhe dizer uma coisa, estou pra um programa, nem cobro tanto”.

“Não calculei que você fosse prostituta”.

“Prostituta?”

“Isso. Como posso chamar você?”

“Valéria”.

“Valéria, não gosto de prostitutas”.

“Quando você me tiver na cama, não falará assim”.

“As prostitutas trepam mecanicamente. Só pensam em acabar logo pra levar o dinheiro do cliente”.

“Se você pensa assim a meu respeito, tchau”.

Dois quarteirões à frente veio ele de novo. Só então reparei que ainda me seguia.

“Qual o preço?”

“Você não vai achar caro”.

“Quanto?”

“Duzentos”.

“Pode ser pela noite toda?”

“Pra quem diz que não gosta de prostitutas...”

“Sim ou não?”

“Não. Preciso voltar pra minha cidade”.

“E se eu dobrar a oferta?”

“É um caso a pensar”.

Acabei aceitando. Fomos ao apartamento dele.

Não costumo ir a apartamentos, frequento apenas os hotéis onde os funcionários me conhecem. Medida de segurança. Mas ele pareceu ser boa pessoa.

“Você é muito bonita. E muito gostosa”, disse assim que acabamos de transar pela primeira vez.

“Ainda me quer pelo resto da noite?”, pensei nos homens que me abandonam assim que gozam.

“Claro, ainda não acabamos”.

“Não?”, fingi surpresa.

Reparei que escondera minhas roupas. Mas nada falei. Transamos novamente. Depois caímos num sono gostoso.

De manhã, acordei ainda nua. Ele dormia ao meu lado. Andei um pouco pelo pequeno apartamento. Quando sentei novamente na cama, Valdo me agarrou pelas costas sem que eu esperasse. Trepamos de novo.

Eram nove da manhã quando falei: “gostei muito de você, mas não posso voltar pelada pra casa”.

Passamos a nos encontrar toda sexta, no mesmo lugar, à mesma hora. Bebemos, comemos e depois subimos ao apartamento.

“Acho que não vou mais cobrar, já somos namorados”, falei ontem.

"Nada disso, nada de namoro, você é minha contratada para toda sexta".

Vesti uma saia curtinha, só pra ele. Ele me trazia um presentinho: calcinha e sutiã.

"Quer que eu vista agora?", sorri mostrando as duas peças.

"Quem sabe", respondeu.

Depois da terceira transa, pediu: "veste o meu presentinho, veste; você vai ficar linda dentro dele”.

“Vou tomar um banho primeiro. Mas não posso voltar pra casa de calcinha e sutiã, Valdo!”

“Quem sabe”, fez cara de safadinho.

quinta-feira, outubro 11, 2012

Amuada

Você jura que não vai me roubar?

Claro; não sou ladrão.

Estou preocupada, ouça, nos conhecemos agora, são dez pras duas da madrugada, estamos numa rua deserta, não sei onde estou com a cabeça.

Sobre o pescoço, não?

Não brinque, estou com medo, acho que vou embora.

Mas foi você mesma que me abordou...

Sei, mas estou arrependida, era só uma brincadeira.

Então vá; quer que eu a acompanhe até sua casa?

Não, ainda não, acho que fico mais um pouco.

Como quiser.

Mas jure que não vai me roubar.

Juro, não sou ladrão.

Então vamos no meu carro.

Ok.

Gostou?

Gostei.

Silencioso, não?

Muito.

Vou parar um instantinho, quero faze xixi.

Ei, pra fazer xix não é preciso tirar a roupa toda!

Não consigo fazer xixi vestida.

Já voltou? Você ainda nem se agachou...

Quero pedir uma coisa primeiro.

Peça.

Não vai me roubar, vai?

Ah, já disse que não.

Preste atenção. Estou saindo nua do carro, vou me agachar atrás daquela árvore, o carro é meu e tudo que possuo está aqui dentro, até a roupa do corpo, não vai me roubar, viu?

Que demora, pensei que você não fosse mais voltar...

Foi de propósito, e até estou amuada.

O que foi, alguma coisa deu errado?

Não. Quer dizer, sim.

Fiz algo que feriu você?

Fez.

O quê?

Você não entendeu a brincadeira...

Brincadeira? Que brincadeira?

Não me roubou!

quinta-feira, outubro 04, 2012

No vão da bomba d'água

Estou nua, fora da área da casa, no espaço intermediário entre o muro e a construção. Ouço o ruído de pessoas que se aproximam. Corro para a lateral, agacho e me escondo no estreito vão da bomba d’água. Para não ficar tão aflita, ajo do mesmo modo de quando me vejo em apuros. Começo a pensar em outras coisas. Principalmente coisas excitantes.

Lembro-me de um namorado antigo. Como era carinhoso o homem. Queria namorar durante a maior parte do dia e também me queria nua pela casa. Me fazia vestir apenas sapatos. Eu podia escolher os mais bonitos. Depois desejava me ver com uma bolsa no ombro, ou mesmo numa das mãos caso fosse pequena. Eu fazia de conta que chegava daquele jeito à casa dele. Muitas vezes fui ao lado de fora para bater e ele abrir a porta. Me recebia como se eu fosse a pessoa mais vestida do mundo. Sem demonstrar pejo algum, eu entrava. Ele pedia, então, que eu sentasse. O que eu fazia com elegância; cruzava as pernas e esperava que ele iniciasse a conversa. Perguntava o que eu desejava comer e beber. Após alguns minutos, voltava com uma bandeja de prata, tudo no maior requinte. Tempos bons aqueles.

Outra lembrança que me afogueia é a de um namorado que me levava de carro para passear. Como me admirava muito de roupa curta, pedia que eu saísse de casa quase pelada. Às vezes eu nem tinha coragem de sair do carro. Certa vez acabei indo de biquíni. “Não vou poder sair do carro desse jeito”, falei. Mas, lá pelas três da manhã, comemos num quiosque na orla marítima; ele me emprestou a camisa para eu vestir sobre as duas mínimas peças. Numa outra ocasião, me levou para uma estrada escura. Quis que eu saísse do carro e deixasse as roupas com ele. Senti um friozinho na barriga. “E se aparecer alguém, já imaginou? Você vai me perder pra outra pessoa; eu nem terei como nada negar. O que posso dizer caso alguém me encontre nua numa estada?” E lá fui assim mesmo para lhe satisfazer a vontade.

Então aconteceu... Houve o policial. O que você faz quando um policial lhe surpreende nua? Nada, não é mesmo? Não há nada a fazer nessa situação, a não ser esperar. Eu esperei que ele me levasse presa. Mas não foi esse o final. Ele me levou para sua casa e quis me namorar. Além de namorarmos de todas as maneiras possíveis e impossíveis, tinha mania de investigador. Me soltava nua dentro de um pequena floresta, digamos assim sobre o lugar, e pedia que eu me escondesse. Não é que sempre me encontrava, e bem antes do amanhecer.

Meses depois estava eu vestidíssima, no teatro, assistia à melhor peça da temporada. E ia acompanhada de um ator, que tinha me conquistado num restaurante. O policial? Ficara para trás. Eu e o ator, depois da primeira saída, representamos os mais diversos papéis. Eu ia ora vestida, ora nua. Mas o que valia era minha atuação. Foi tão bom.

Vocês hão de perguntar, por que não permaneci com algum desses namorados se todos sempre são tão adoráveis, carinhosos e me queriam bem. Na verdade eu vivia uma ciranda, saía da mão de um para cair na de outro. Não havia nada melhor.

E agora estou aqui, nua, do lado de fora de casa. Por que esses homens sentem tanto prazer com essas pequenas perversões? E não é que passei também a gostar? Cada um que me faz uma proposta desse tipo, me injeta mais combustível; voo então a mil. Ainda há pouco queria tanto sair por minha conta, nua, às dez da noite, mas foi ele quem me pediu. Aquele que estava na plateia e acabou por me arrebatar. Mas as pessoas que chegaram não estavam no roteiro. E sei que este meu namorado vai oferecer cerveja, vai conversar, e vou mofar aqui, neste vão da bomba d’água... Não fosse meus seios grandes, voltava correndo lá pra dentro, peladinha!

Não posso deixar que se esgote meu estoque de lembranças.

Houve também uma praia, deixei meu biquíni nas mãos de um admirador que conhecera naquela mesma tarde, e eu dentro d’água, meu destino em suas mãos... Ai, não sei por que a sensação do creme hidrante sobre a pele, eu toda molhadinha; quem gostava de me deixar lambuzada assim era aquele lá do começo, que me colocava nua sobre saltos e carregando uma pequena bolsa; eu prestes a tragá-lo; ou, caso quisesse escapar, impossível, tão escorregadia...