Vim para esta cidade com a intenção de fazer a vida. Onde eu estava, não tinha mais chance de ganhar dinheiro. Também mesmo vindo de uma cidade grande, a profissão de prostituta por lá era muito concorrida. Os homens que apareciam eram de classe inferior, achavam que só porque estavam pagando podiam usar e abusar.
segunda-feira, dezembro 20, 2010
Chaveirinho
Vim para esta cidade com a intenção de fazer a vida. Onde eu estava, não tinha mais chance de ganhar dinheiro. Também mesmo vindo de uma cidade grande, a profissão de prostituta por lá era muito concorrida. Os homens que apareciam eram de classe inferior, achavam que só porque estavam pagando podiam usar e abusar.
sábado, dezembro 18, 2010
Aconteceu o que acontece a todos eles
Conheci-o através de uma amiga, numa festa, aniversário dela. Conversávamos em grupo. Depois conversei com ele, apenas nós dois. Em dois dias me convidou para sair. Não nego que adorei o convite. Fomos a um espetáculo; depois, a um restaurante, na Barra da Tijuca. Como moro em Ipanema, havia muito não andava por aquelas bandas. Após o jantar, adivinhem. Todo homem tem desejo por uma mulher, e a maioria delas sente o mesmo por eles. Fomos a um lugar aconchegante, onde apenas nós dois, nossos braços, nossas pernas, nossos sexos...
Contar os pormenores nunca é fácil. Melhor a imaginação de cada leitor. Mas houve algo especial. É normal que o homem tire a roupa da mulher. Ou mesmo que termine de despi-la. Às vezes não sabem soltar o fecho de um vestido, descer com cuidado um zíper, acabam por amarrotar ou mesmo danificar alguma peça. Pode-se correr o risco de não se ter o que vestir pelo resto da noite. Prefiro começar a me despir; as pequenas peças, porém, deixo-as para eles.
Mas aquele homem começou a se comportar de modo diferente. Eu, de calcinha, esperando que seus dedos me livrassem dela para enfiar-me em seus braços, experimentar seu sexo. Mas ele relutava. Tive de dar o alarme:
“Não vais me deixar nua?”
Ele não foi sutil:
“Quero que você tire a calcinha com as próprias mãos.”
“Então vais ficar apenas com a esperança...”
“Não costumo tirar, nos momentos que antecedem o amor, a última peça de uma mulher.”
“Não?”
“Quase nunca”, reafirmou.
“Estranho, é normal os homens despirem as mulheres...”
“Achei você uma mulher de vanguarda.”
“Para essas coisas, sou conservadora. E muito.”
“Gosto também das conservadoras”, depois dessa afirmativa, abraçou-me e quando pensei que fosse roubar-me a peça, falou: “concentre-se, mexa o bumbum, pode ser que ela saia por si só.”
Dei uma gargalhada. Levantei-me, pus-me de costa para ele, mexi o bumbum.
“Sair por si só? Veja como é pequena e como está enfiada.”
“Não toco em você enquanto sua calcinha não descer suas pernas. Por si só ou com o auxílio das suas mãos.”
“Então não passamos disso. Estou nua, mas resta-me a calcinha. E dela não me livro.”
“Está bem, caso eu a tire, levo-a comigo, concorda?”
“Usas roupa de mulher?”
“Usar, não uso. Mas, entende, é um fetiche.”
“Bem, já que falas assim, posso pensar a respeito.”
“Mas uma coisa”, falou, “posso contar a respeito algo semelhante? Aconteceu quando saí com uma namorada.”
“Conta. Gosto de histórias.”
“Ah, ainda bem. Há mulheres que ficam furiosas. Quando estão nuas não pode existir nenhuma outra.”
“Conta, não me importo.” Sentei-me, cruzei as pernas, acendi um cigarro. Vi-me no espelho oposto. “Fala, tenha a bondade.”
“Era uma namorada que eu tinha de despi-la por inteiro. Não se tocava quando estava a sós num quarto com um homem. Certa vez, fiz a ela o mesmo pedido: a calcinha em troca do ato de a despir. De início, hesitou. Mas, depois, deixou-a nas minhas mãos: ‘faça com ela o que quiseres’, foram suas palavras.”
“E daí?”, soltei a fumaça, olhei para ele.
“E daí que certa vez, enquanto a despia, reparei que viera sem a pequena peça, nua por baixo da saia. ‘Cadê a calcinha?’ perguntei. Nada falou, fez-se de tímida. ‘Nada feito’, falei, ‘sem a calcinha não sinto desejo por você’.”
“Coitada, não devias ter feito isso.”
“Coitada? Nada disso. Ela disse: ‘todos os dias volto nua, hoje vim nua. O que há de mal nisso?’ ‘Sem a calcinha, nada feito’, repeti. E olha que a mulher era muito bonita. ‘Está bem’, falou. ‘Vou embora, mas antes quero ir ao toalete’. Foi ao toalete. De lá saiu e dobrou esse mesmo corredor, bateu a porta e se foi. Ao amanhecer, quando fui tomar banho, estava a calcinha dela pendurada na torneira do chuveiro.”
“Gostavas mais da calcinha do que dela, foi o que ela quis dizer”, completei.
“Pode ser.”
“E quanto a mim, vais querer apenas a minha calcinha?”
“Não. Acho que de você vou querer mais do que isso.”
“Olha que já deixei muito mais do que calcinha na casa de namorado.”
“Jura?”, excitou-se.
“Se queres assim, juro.”
Voou sobre mim, arrancou-me a calcinha, puxou-a de tal forma que ela se tornou inútil. Possuiu-me com voracidade.
Depois que acabamos... Bem, depois aconteceu o que sempre acontece com todos eles.
terça-feira, dezembro 14, 2010
Na palma da mão
segunda-feira, dezembro 13, 2010
Entrando em cena
Meu marido e eu sempre fomos pessoas muito abertas, vivemos com paixão e alegria, além disso somos atores. Acho que quem escolhe esta profissão é porque gosta de se exibir. Portanto, somos exibicionistas. Encenamos várias peças, juntos ou separados. Às vezes viajamos sozinhos, cada um com sua trupe, mas quando voltamos à nossa cidade fazemos uma grande festa para comemorar o reencontro. Foi o que aconteceu na última segunda-feira. Convidamos os amigos, servimos bebidas e comidas, dançamos, cantamos, recitamos poemas. Após a saída do último convidado nos abraçamos e permanecemos grudados um ao outro num longo beijo. A seguir, ali mesmo na sala, começamos a nos agarrar de modo ardente, livramo-nos de nossas roupas e fizemos amor, um longo amor de quem há muito não se vê, faltas e mais faltas, saudades que não nos largam.
Estávamos na sala, um calor intenso, porém não nos incomodamos. A excitação fazia que esquecêssemos qualquer coisa que não fosse nós mesmos. A janela ficou aberta, a sala escura impedia a visão de outras pessoas que moram no prédio em frente. Tive a idéia de acender o abajur. A lâmpada delicada iluminou o contorno de nossos corpos, dando a cada um de nós uma aura ainda mais sôfrega. Quando gozamos, ele permaneceu sobre o meu corpo, depois foi a vez de eu escalar o seu peito.
“Parece que passaram cola em mim”, falei e ri. Ele também sorriu.
Olhamos pela ampla janela, observamos o céu e o contorno dos outros edifícios, a noite estava clara.
“Acho que há alguém nos olhando daquela janela”, apontei.
Jonathas olhou e disse:
“Deixa que nos olhem, não faz mal, se isso faz a pessoa feliz...”
“Que tal uma apresentação? Lembra? Já fizemos essa cena.”
“Nada mal”, completou.
“Vou aumentar a luz”, fui ao interruptor e girei o botão, a luz tornou-se mais intensa.
Virei-me nua para a janela onde estava a pessoa, percebi que se escondia. Aproximei-me e olhei para fora, meus seios ficaram acima do parapeito, caso houvesse alguém olhando seria fácil me apreciar.
Começamos a namorar de novo. Era um namoro de verdade, mas intensificávamos nossos movimentos, dávamos um tom mais teatral. Reparei que a pessoa voltou ao seu lugar e olhava através de um binóculo. Pedi a meu marido que me levantasse, que me mostrasse com toda a delicadeza. Beijou-me de cima abaixo, mordeu meus mamilos, passou as mãos pelo meu ventre e colocou o rosto junto aos meus poucos pelos pubianos. Depois, nós dois de pé, ficamos encostados na parede à direita, na própria sala. Dali a visibilidade de quem nos olhava de fora era privilegiada. Eu estava de costas, com o bumbum à mostra, meu marido apertava-o vez ou outra, movimentávamo-nos suavemente.
No final de todo aquele ardor, não era apenas uma pessoa que observava, ao seu lado havia uma mulher, me pareceu que também estava com os seios de fora.
Acendemos toda a luz da sala, fingimos que dançávamos, proporcionamos um pequeno show, depois desliguei a luz principal e voltamos a ser envoltos apenas pela luz frágil do abajur. Saímos de cena ainda nus, envoltos num longo abraço e beijo. Então, falei baixinho:
“Lembrei de uma coisa que aconteceu quando tinha dezesseis anos.”
“O que foi?”
“Fiquei nua na escada externa da minha casa para satisfazer o desejo de um namorado.”
“E eu lembrei também de uma coisa muito engraçada.”
“Conta, vai”, pedi.
“Lembra da Nete, aquela namorada que tive, do interior?”
“Ah, lembro.”
“Fiz ela dar uma passeio nua, de elevador, foi até o andar de cima e voltou, nunca vi uma mulher tão feliz.”
Ambos rimos e caímos um sobre o outro mais uma vez.
sábado, dezembro 04, 2010
Coisas da vida
“Marcela, quero contar uma coisa a você. Algo que me aconteceu no último fim de semana.”
“Pode contar, já estou curiosa.”
“Você sabe que meu namorado mora em São Paulo, um fim de semana eu vou, no outro ele vem. Semana passada foi minha vez de ir. Imagine a ideia que ele teve sábado à noite, antes de sairmos para passear?”
“Nem quero dar palpite, é melhor você contar.”
“Queria que eu saísse de casa nua, você acredita? Eu disse: ‘como vou sair nua, posso ir presa.’ Ele retrucou: ‘aqui tudo é possível, as pessoas se divertem do jeito que querem desde que não incomodem ninguém.’ ‘Nua, não vou, nem pensar, você enlouqueceu.’ Acabamos chegando a um acordo. Eu irira com um vestido desses que são abotoados na frente, de cima até embaixo. Mas nada de calcinha nem sutiã. Ah, tive de fazer a vontade dele. Esses namorados... Saímos de carro; depois de rodarmos alguns minutos pelo centro, ele estacionou e fomos a um bar. Bebemos e comemos. Na volta, antes de chegarmos ao estacionamento, sugeriu: ‘vamos andar um pouco.’ Resumindo: ele queria que eu fizesse o papel de uma prostituta. Ele se aproximaria, proporia um programa e eu teria de aceitar. ‘Tudo vai ser muito rápido’, falou, ‘você não precisa ficar com medo.’ Não sei como aceitei a brincadeira. Na hora, nem refleti. Me levou para uma rua escura, fiquei junto a uma banca de jornal que estava fechada. Ele desapareceria durante alguns minutos, mas logo voltaria. ‘Seja rápido, viu, se não, vou com outro’, brinquei, mas com o coração aos trancos. Ele se foi. Mas voltou como combinado. Antes que a paquera se consumisse, falou: ‘quero ver primeiro os teus seios.’ ‘Como, na rua?’, demonstrei surpresa. ‘As prostitutas estão acostumadas’, afirmou. Abri o vestido e coloquei os peitos pra fora. Você acredita?”
“Acredito.”
“Depois ainda não me deixou abotoar o vestido. Caminhei com os seios de fora até o carro, chegando lá, me tirou também o vestido.”
“Você voltou nua pra casa dele?”
“Voltei. Ainda bem que ninguém viu, pelo menos acho que não."
“Você gostou?”
“Pra dizer a verdade, sim. Na hora fiquei com muito medo, mas agora quando lembro me dá uma ponta de tesão. Você já viveu algo parecido?”
“Já.”
“Como foi?”
“Você quer saber mesmo?”
“Quero.”
“Então, escute. É uma história que aconteceu faz um tempinho, mas lembro perfeitamente. E, como você, acabei gostando.”
“Então conta, vai.”
Numa madrugada, aceitei o convite de um namorado. Ele era muito divertido, nós aprontávamos. Naquela mesma noite, ele já havia saído com alguns amigos e tinha bebido muito. Acho que chegou em casa lá pelas duas da madrugada. Então me telefonou. Disse: “vou aí pegar você para darmos umas voltas”.
Falei: “você não acha que já está muito tarde, que não demora amanhece e vamos ficar muito cansados?”
“Não faz mal, o importante é estarmos juntos.”
Acabei aceitando. Veio de carro até onde moro e me pegou. Estava um pouco frio, eu vestia um casaco por cima da calça e blusa.
Na época eu Morava em Macaé, lembra que falei que sou de lá? Então, Macaé não é uma cidade pequena, mas, ao mesmo tempo, não é uma cidade grande, muita gente me conhecia porque fazia anos que me tornara professora e já lecionara em várias escolas.
Entrei no carro e saímos rodando pela madrugada. Dirigiu até a orla marítima. Já estava quase tudo fechado, entramos por uma estrada que faz ligação com a rodovia usada para entrar e sair da cidade.
Falou: “vamos fazer aquela brincadeira?”
“Qual?”
“Aquela que propus a você. Você tira a roupa toda e sai do carro pelada, fica escondida. Daqui a alguns minutos volto para buscá-la.”
Confesso que fiquei um pouco excitada com a proposta, mas contra-argumentei:
“Está muito frio, não vou aguentar.”
Com facilidade, rebateu:
“Você fica com o casaco.”
“O casaco é curto, só vai até a cintura.”
“Não faz mal, você fica agachadinha, volto logo, é apenas uma brincadeira.”
Parou o automóvel num lugar muito deserto. Tirei toda a roupa, inclusive calcinha e sutiã, deixando tudo dentro do carro. Saí apenas de casaco.
“Vou seguir e volto piscando o alerta.”
Arrancou com o carro me deixando ali na beira da estrada. Logo que ele saiu veio um outro carro atrás, deitei no meio do mato para que não me vissem. Depois, mais outro. Fiz a mesma coisa. Passaram-se dez minutos, intermináveis, veio um carro com o pisca alerta ligado. Eu já estava do outro lado, esperando por ele. Fiz sinal, ele parou. Quando eu ia entrar, falou.
“Me dá o seu casaco, é só por um instante.”
Tirei o casaco e deixei dentro do carro. Ele deu uma arrancada me deixando totalmente nua na estrada. Parou mais à frente. Quando eu ia correr, vi que vinha um carro atrás. Me atirei dentro do mato. Depois que passou, me levantei e corri até o carro mais uma vez. Quando estava quase chegando, ele deu outra arrancada e parou vinte metros à frente. Corri de novo, já exausta.
“Por favor, não faz isso comigo!”, gritei.
Deixou-me entrar no automóvel e partiu comigo ainda nua.
“Não vou deixar você se vestir ainda”, tinha escondido minhas roupas.
Reparei que o céu já clareava e fiquei um pouco preocupada.
“Olhe, já está amanhecendo.”
Me levou para a sua casa, mas ao entrar na vila, pegou toda a minha roupa e saiu correndo me deixando nua dentro do carro. E já estava bem claro.
Agachei-me então na frente do banco do carona, sob o painel. Comecei a pensar o que fazer. Era capaz de ele dormir e eu ter de ficar nua ali a manhã inteira. Podia ser descoberta, ia passar a maior vergonha. Remoía esses pensamentos quando vi no banco traseiro um short e uma camiseta, ambos roupa de homem. Vesti-os rapidamente, saí do carro e corri até a casa dele. Bati suavemente, temia despertar os vizinhos. Ele abriu a porta. Entrei.
“Olha, você me deixou numa situação...”
“Vai dizer que você não gostou?”
“Sabe, na hora que você me deixou na estrada cheguei a ficar molhadinha...”
Tirou-me short e a camiseta. Namoramos com volúpia.
Não posso negar que toda aquela experiência me deixo a mil por hora.
No final, disse baixinho no meu ouvido:
“Não devia ter voltado para te apanhar, devia ter te deixado nua na estrada. Acho que seria ainda mais estimulante ouvir você contar como fez para sair daquela situação.”
“Ui”, gemi.
“O que foi?”
“Fiquei molhadinha. De novo!”
“Célia, você gostou muito da minha história, está morrendo de rir...”
“Marcela, você é ótima. E por que não continuou com ele?”
“Não sei, Célia, coisas da vida.”
quinta-feira, dezembro 02, 2010
Mulher à beira da estrada
domingo, novembro 28, 2010
Miniblusa amarela
domingo, novembro 21, 2010
Vamos então assistir
quinta-feira, novembro 11, 2010
Qual é o teatro?
Durante o dia chovia muito. Joana aproveitou para ler o jornal.
“Há uma peça que parece ser boa, vamos?”, perguntou.
“Podemos ir. Qual é o teatro?”, sempre me esforcei para tratá-la com delicadeza.
“Maison de France. Fica longe?”
“Não. Fica no Centro, dez minutos de carro.”
Durante a tarde saímos em meio à chuva para comprar os ingressos. Voltamos e ficamos em casa esperando a hora do espetáculo.
Às oito horas, vestimo-nos. Ela, como nunca viera ao Rio, arrumou-se com a melhor roupa que trouxera na bagagem. Lembro que vestiu uma saia de comprimento mediano, ia até os joelhos, e uma blusa branca, trabalhada sutilmente com algum brilho prateado. Ficou adorável.
Assistimos ao espetáculo. Tratava-se da vida de uma personagem importante na história da psicanálise. Joana adorou.
Depois fomos jantar. Foi minha a ideia de ir a um restaurante japonês. Ela gostou da ideia. Pedimos os pratos que costumeiramente se pede num sábado à noite, quando se frequenta esse tipo de restaurante. O principal torna-se a bebida que acompanha a refeição. Devido à característica do lugar, pedi saquê. Ela me acompanhou. Mas não com uma dose inteira. Bebemos duas doses caprichadas; ela tomou metade de uma. Saboreou com a bebida camarão empanado.
O principal aconteceu quando chegamos em minha casa. Já devia ser mais de uma da madrugada. Ela despiu-se e deitou. Deitei ao seu lado. O final de semana findava e não tardaria Joana teria de ir embora. Mal sabia quando a veria novamente, ou se mesmo chegaria a vê-la. A vida extenuante daqueles tempos nos obrigava a trabalhar muito. Sobrava pouco tempo para viagens e para esse tipo de amor.
Quando estávamos já quase adormecidos, tive uma ideia genial. Acho que o saquê me excitara. Depois de alguma bebida forte, sempre sou tomado por idéias geniais.
“Joana?”
“Hum...”
Posso pedir a você uma coisa?”
“Pode”, esticou os braços, procurava o meu pescoço.
“Você vai até lá fora pelada, bate na porta para eu abrir e faz de conta que está chegando nua aqui em casa?”
Surpreendeu-se com a proposta. Olhou para mim e perguntou:
“Nua, nua?”
“Isso, peladinha.”
Não sei se pelo fato de não conhecer ninguém na minha cidade, ou mesmo tomada por necessidade de aventuras, respondeu rápido:
“Vou.”
Tirou a calcinha, a única peça que vestia. Mas quando chegou perto da porta pediu:
“Posso ao menos cobrir os seios?”
“Os seios? Pode. Mas com uma blusa bem curta.”
Vestiu a blusa. Não era mais do que um top. Saiu. Fechei a porta atrás dela.
Nunca tinha feito tal brincadeira. Confesso que senti grande excitação ao deixar uma mulher nua batendo à porta da minha casa, à espera de que eu atendesse, correndo o risco de ser surpreendida por alguém ou mesmo de que eu não abrisse a porta.
Ela bateu suavemente. Corri para outro lado da casa, procurei outro cômodo, queria ganhar tempo. Fui de novo até à porta, mas voltei para o outro extremo da casa. Tudo com o objetivo de fazê-la esperar mais.
Ao voltar mais uma vez, meu coração disparara. Imaginei a coragem de uma mulher ao enfrentar uma situação dessas. As mulheres confiam muito nos homens, pensei. Aguardei mais um pouco, mas acabei abrindo para que entrasse. Ela me abraçou. Beijamo-nos.
“Agora tire a blusa e vai mais uma vez.”
“Sem a blusa?”, choramingou.
“Isso, sem a blusa.”
Acabou concordando. A situação anterior se repetiu. Acho que a deixei nua até mesmo por mais tempo. Quando abri de novo, perguntei.
“O que faz uma mulher nua batendo a essa hora da madrugada na minha porta?”
“Moço, me dá abrigo, por favor...”
“O que aconteceu?”
“Moço, me dá abrigo, aconteceu um problema, mas tenho vergonha de contar”, ela, com voz chorosa.
“Moço, eu perdi... perdi...”
“Perdeu o quê?”
“Ah, moço, tenho tanta vergonha... por favor...”
Agarrei Joana ali mesmo. Nem quis ouvir sua história. Ela não tinha como se defender. Sei que afastou um pouquinho as pernas. Meu sexo escorregou ligeiro para dentro dela...
quinta-feira, novembro 04, 2010
A primeira noite e já nua em Porto Seguro
Quando o movimento arrefeceu, deslocou-se para o outro extremo onde havia um alegre grupo de jovens. Isso mesmo, um grupo composto por rapazes e moças, parece até que tinham viajado em grupo. Júlia reparou então um jovem que não tinha companhia, embora ele não se acanhasse e dançasse com o grupo. Ao vê-la se aproximar, não tardou a ficar pertinho dela. Acabou tomando-a por um dos braços. Um rapaz adorável, pensou. E realmente foi super delicado com ela pelo resto da noite.
Saltou de um lado para o outro com o grupo até a festa acabar. Aliás, era o tipo de festa que não deveria jamais acabar. Mas as moças e os rapazes ficaram agarrados uns aos outros depois que a banda parou de tocar, dando continuidade a outro tipo de festa. Trocaram latas de cerveja, fumaram e tomaram goles de outras bebidas. Júlia os acompanhou. Pensou em Beatriz. Seria o momento de procurá-la? Achou melhor deixar Beatriz em paz. Quem sabe teria se arranjado com alguém?
sábado, outubro 23, 2010
Doce predileto
Permanecemos dentro d’água durante cerca de trinta ou quarenta minutos. E poderíamos ter ficado ali durante bem mais tempo, talvez até o entardecer quando seria possível deixar o local despercebidas. A descoberta se deu em virtude de dois motivos: o primeiro, a intranquilidade de Luciana; o segundo: o fato de ela estar sem o top. Pedi muito que se acalmasse, que tudo dependia disso para nos mantermos incógnitas, mas ela não conseguiu. Como se mexia muito dentro d’água, alguém pensou que estivéssemos em apuros naquele pedaço do mar e acabou se aproximando. A primeira coisa que reparou foi que ela estava com os seios nus, daí para descobrir que nos faltavam os biquínis, não foi muito difícil. O homem nos olhou com discrição e até tentou nos ajudar, disse que iria à procura de algo que nos cobrisse. Mas não voltou. Consegui, porém, que minha amiga se acalmasse, era ao menos uma solução provisória. Vamos ficar quietinhas, Luciana, assim ninguém mais vai nos descobrir, não vamos morrer porque estamos nuas, já passamos por situações parecidas, mais cedo ou mais tarde alguém nos ajuda. Quem nos salvou foi um pequeno grupo de surfistas. Preocupados a princípio apenas com as ondas, descobriram-nos ao acaso. Mas depois desconfiei que poderiam ter sido avisados sobre nós pelo homem que nos achara antes. Vestiram-nos com suas roupas de borracha, mas antes nos beliscaram, nos apalparam e experimentaram o doce predileto.
Saímos da água depois de muito tempo, exaustas, mas sem provocar rebuliço. Na areia, eles nos cobriram com duas cangas e pediram que devolvêssemos as roupas emborrachadas. Nunca me senti tão vestida, mesmo sabendo-me nua sob o pano. Um deles ainda se ofereceu para nos levar de automóvel. Um rapaz educado. No final, perguntou como nos sentíamos. Luciana, recuperada, se antecipou: ardida e dolorida, mas não sem uma ponta de gozo!
quinta-feira, outubro 21, 2010
Ando mais recatada
Gosto de me arrumar bem. Tenho roupas muito bonitas. Quando saio para alguma festa, faço o máximo para ir bem vestida. Todos me admiram.
Outro dia fui a uma dessas festas elegantes. Um professor de uma universidade federal, gente importante, fez aniversário. Escolheu comemorar num casarão, na Ladeira do Russel, quase ao lado do antigo Hotel Glória. O lugar tem uma vista linda, é possível admirar o aterro do Flamengo, o Pão de Açúcar e a enseada, acho que também dá pra ver a pista do aeroporto. As pessoas começaram a chegar a partir das dez da noite. A festa durou a madrugada toda. Dancei, bebi duas caipirinhas e alguns goles de cerveja. Arranjei alguns admiradores. Mas fui embora com um amigo. Propostas para sair não faltaram. Preferi, porém, ir para casa descansar. Deixei a emoção para o dia seguinte.
Houve uma vez em que aceitei um convite de um homem que me paquerava continuamente. Acabei namorando-o durante alguns meses. Logo entrou no meu ritmo. Adorou ter uma mulher como eu. Nem me lembro porque nosso namoro não continuou. Acho que ele trabalhava fora e precisou sair do país durante um tempo. Era muito cavalheiro. No começo do relacionamento falei que já tinha andado nua dentro de um automóvel acompanhando um outro namorado. Ficou preocupado. Disse que eu me arriscara. Um dia, no entanto, bebeu demais e veio me encontrar. Pediu para que eu fizesse o que contara semanas antes. Acho que pensou que fosse tudo mentira. Fiz tudo da mesma maneira. É lógico que antes saímos e bebemos alguns drinques. Depois me levou até uma estrada escura e pediu para que eu saísse do automóvel. Atendi. Ele disse:
“Ei, assim não vale.”
Entendi o que ele queria. Tirei o vestido e deixei nas mãos dele.
“Pode ir”, falei.
“Você não tem medo de que eu não volte?”
“Não, pelo menos nunca aconteceu.”
“Cuidado, sempre há uma primeira vez”, partiu acelerando o automóvel.
Demorou. Pensei que realmente fosse a primeira vez em que me veria embaraçada.
Voltou, mas não me deixou vestir. Ainda passeamos durante um bom tempo. Me levou para uma casa de campo. Parou o carro numa rua abaixo. Quando ia me vestir, pegou toda a minha roupa e saiu do carro. Me deixou pelada lá dentro. Eu nem sabia onde ele morava.
“Espere. Como vou procurar sua casa?”
Não me respondeu. Mas não me importei. Fiquei dentro do carro. Naquele tempo os carros tinham os vidros transparentes, quase não existiam esses vidros escuros de hoje em dia.
Dormi um pouco. Ele não voltou. Ao acordar percebi que amanhecia. Abaixei e fiquei sentada no chão do automóvel, encolhida debaixo do painel. Assim ninguém poderia me ver.
Passaram-se mais ou menos duas horas. Acho que já eram oito da manhã. Eu estava com as nádegas doendo e uma vontade terrível de tomar café. Vai ver ele dormiu e me esqueceu aqui, pensei. Só então notei que no banco de trás havia algumas roupas. Descobri um paletó e uma meia de mulher. Vesti aquelas roupas. O paletó ficou bem no meu corpo, e até tinha um pouco de comprimento.
Saí do carro. Para completar, calcei minha sandália de meio salto. Comecei a procurar onde ele poderia morar. Pra minha sorte, não encontrei pessoa alguma. Segui mais ou menos a trajetória que ele fez quando me deixou. Depois de uma cerca, avistei uma casa. Atravessei a cerca e bati na porta. Ele mesmo veio atender. Ficou surpreso ao me ver vestida daquele jeito.
“Você esqueceu de mim”, falei chorosa.
Pediu mil desculpas. Namoramos logo adiante, depois que ele fechou a porta.
Quando se tem calma sempre há uma solução, tanto mais se o namorado é alguém especial. E eu nem podia reclamar. Quem inventara aquela brincadeira?
Hoje, quase não tenho saído nua por aí. Um dia desses aconteceu, sim, daí o quase, mas foi coisa rápida, e com um homem que eu já não encontrava havia tempos. Mas me deixe contar essa história num outro dia...
sábado, outubro 16, 2010
Não diga nada
Que coisas?
Ivana, não se faça de desentendida; você mal conhece o cara, não tome a iniciativa, deixe que ele descubra você aos poucos.
E se ele me perguntar sobre o que mais me excita, por exemplo?
Ele não vai perguntar.
Mas se perguntar?
Não diga nada.
Mas se ele quiser uma resposta?
Diga-lhe para usar a imaginação; mostre que não vale a pena falar sobre isso.
Aquelas coisas que você me contou e eu sugeri ao Adão me deixavam a mil; acho que nunca vou ter outro homem daquele tipo.
Vai ter, Ivana, vai ter; alô!, você está me ouvindo, Ivana?
Estou.
Então, calma; depois tudo acontece com naturalidade.
Acho que não, Márcia; não acredito.
Ivana, você conheceu esse homem há poucos dias; deixe o tempo passar para que vocês se descubram; se ele não agir como o Adão, não faz mal; ele vai fazer coisas novas, acredite!
Coisas novas?, dê um exemplo.
Ivana, não é preciso; imagine alguma coisa que você nunca tenha feito numa relação a dois.
Ah, mas eu já fiz tantas coisas interessantes...
Mas imagine, sempre há algo novo.
Já sei, estou imaginando...
Viu?, não vai demorar você vai fazer isso com ele.
Márcia, mas se ele for daquele tipo feijão com arroz?
Feijão com arroz, Ivana, também é gostoso.
Eu não acho.
Ivana, por favor, não vai estragar tudo no primeiro dia.
Márcia, escute só, será que posso falar para ele o que imaginei agora?
Não, Ivana!
Então pra que você me mandou imaginar?
Pra você projetar algum desejo; assim as chances de realização são maiores.
Será que devo ir ao encontro daquele jeito que gosto, apenas com o vestido sobre a pele?
Ivana, por favor, espere ao menos algumas semanas.
E o que tem se eu falar pra ele o que mais me excita?
Ivana, os homens sabem o que excita as mulheres; se você falar, principalmente sobre a experiência que sugeri a você da outra vez, ele vai pensar nisso o tempo todo e vai passar a ver você somente pelo ângulo sexual; aquilo não é para ser praticado num início de namoro; se você não me escutar, vai acabar desvalorizada.
Há homens que nunca descobrem coisa alguma; só pensam em futebol e em beber com os amigos.
Descobrem sim, Ivana, você mesma pode conduzir a isso; e acho que esse seu novo namorado não é dado a futebol nem a beber com os amigos; ele gosta de poesia...
Então, Márcia, para cativá-lo, coloco em ação meus artifícios!
Ivana, por favor, no início não, espere um pouquinho, talvez um mês...
Ah, não sei, é tão bom chegar nua na casa do namorado, é uma surpresa e tanto...
Ivana, você não tem jeito.
sábado, outubro 09, 2010
Eles vão adorar nos encontrar felizes
quinta-feira, outubro 07, 2010
Não precisam de mais nada.
sexta-feira, outubro 01, 2010
Nos conhecemos há poucas semanas
quinta-feira, setembro 23, 2010
Não é que acabei postando?
sábado, setembro 11, 2010
Celebridade
quinta-feira, setembro 02, 2010
Não vai se vestir?
Você quer saber? Eu conto. Os homens são terríveis, adoram perguntar essas coisas. Muitos fazem como você, perguntam como foi a primeira vez. Ora, a primeira vez de uma mulher nunca é uma coisa boa. A gente demora a gostar de sexo. Mas vou contar a você algo que me aconteceu antes da primeira vez.
Eu era bem jovem, acho que tinha quatorze anos. Veja só, apenas tinha deixado de ser criança e já me metia em situações que poderiam me comprometer. Mas sempre fui ousada. Naquele tempo, minha irmã mais velha estava a fim de um rapaz de vinte e um anos. Isso mesmo, vinte e um. Logo arregalei os olhos. Nossa casa era grande, tinha piscina, gramado, churrasqueira e tudo mais. Ela convidou-o para um banho num dia de domingo. Desde cedo me coloquei a postos, não larguei os dois. Em certo momento, percebi que ele admirava-me e não à minha irmã. Mergulhei diversas vezes e fiquei juntinho dele. Minha irmã, como sempre, reparou e ficou morrendo de raiva. Dias depois, encontrei-o à noite no clube que costumávamos frequentar. Ele estava no bar. Aproximei-me, pedi um refrigerante e ficamos conversando. Meia hora depois disse que estava de carro e que me convidava para dar uma volta. As meninas de então não tinham o costume de passear sozinhas de automóvel com os rapazes. Mas aceitei.
Saímos e demos umas voltas pelo bairro. Sabia qual a intenção dele. Parou numa rua mais escura, deserta àquela hora da noite, perguntou se podíamos continuar nosso papo ali. Nada respondi. Esperei que me beijasse. Não fiquei imediatamente nua, como estou agora na sua casa, vinte e tantos anos depois, sentada no sofá de dois lugares, de pernas cruzadas e fumando esse cigarro. Naquele tempo eu já fumava. Perguntei se me cedia um cigarro. Ele o acendeu, deu um trago e o colocou nos meus lábios. Depois começou a me acariciar. Quis que eu tirasse a blusa. Não tinha vergonha de ficar nua, mas achava que riria dos meus seios, que não eram grandes. Disse a ele:
“Tire a minha saia; a blusa, não”.
Surpreendeu-se com a minha atitude.
Eu usava saia comprida, meio hippie, um tipo de bata indiana. Não custou à saia ir parar no banco de trás. Cruzei as pernas e continuei fumando, apenas de calcinha. Depois que arremessei a bagana pela janela, virei-me a ele e descansei nos seus braços. Aí aconteceu o problema que é a razão de estar contando isso hoje. Ele resolveu tirar o pênis para fora da calça. Fiquei assustadíssima. Nunca tinha visto um pênis duro. O dele era grande e grosso. Não quis dar mancada. Fingi que nada acontecera. Mas ao tentar aproximá-lo das minhas pernas, o rapaz notou que eu mostrava desconforto.
“Você é virgem?”, perguntou.
Atrevida, respondi:
“Isso não é pergunta que se faça a uma mulher”.
“Mas você parece tão assustada...”
“É melhor você me deixar no clube, vamos sair outro dia”.
Virei-me ao banco de trás, recuperei a saia e pedi que desse a partida.
“Espere só mais um pouquinho”, falou carinhoso.
Agarrou-me e deu-me alguns beijos na boca. Mas já com o pênis dentro da calça.
“Faz um favor pra mim”, ainda disse, “não vou lhe fazer mal algum, só quero ver você nuinha”.
“Você promete que depois me leva embora?”
“Prometo”.
Pedi mais um cigarro. Dessa vez fui eu que o acendi. Dei um longo trago, deixei-o entre seus dedos e tirei toda a roupa. Já não tive vergonha dos pequenos seios. Peguei o cigarro novamente e, de pernas cruzadas como agora, fumei-o até o fim. Queria que o rapaz levasse uma imagem positiva de mim; caso contrário, ao ouvir falar meu nome, lembraria do susto que senti ao ver seu sexo. Depois que acabei de fumar, pedi que me levasse dali. Ele me atendeu. Mas antes fez mais uma pergunta:
“Não vai se vestir?”
