terça-feira, julho 19, 2016

Cortei um dobrado para convencê-lo que eu precisava vestir pelo menos um camisão

Outro dia encontrei um ex-namorado, fazia dez anos que não o via. Muito tempo, não? Nem sei como o reconheci. Aliás, no caso, sei sim. Não pude deixar de dizer, após algum tempo de conversa:

Você era fogo, viu.

Ele me encarou sorridente e retrucou:

Ainda sou.

Eu vestia um camisão, por baixo o top e calça legging. Ele olhou minha roupa com certa inveja.

Sabe, outro dia deixei uma namorada só de blusa, ele disse.

Imagino. E como ela fez?, perguntei fingindo falso interesse.

Ah, as mulheres sempre dão um jeito, dissimulou.


Ele era fogo mesmo. Como poderia esquecer? Viajei à cidade dele, o homem fez uma festa. Como gostou de me ter nos seus braços. E me queria nua o tempo todo.

Trouxe um livro, você permita que eu o leia um pouquinho?, perguntei.

Permito, mais sente nua ali no sofá, cruze as pernas e leia o livro.

Vou fazer um café para nós, falei à tardinha.

Ótimo, mas vai à cozinha assim como você está, nuinha.

Passei o dia e a noite sem vestir roupa alguma. Ainda bem que na cidade dele fazia calor.

À noite, convidou-me para passear. Quando abri a mala para escolher um vestido levinho, ou uma saia curta, ele contrapôs:

Nada disso, você vai nua.

Jura?, ainda perguntei.

Vai sim, aqui não tem problema.

Amor, não vai ficar bem eu sair nua por aí.

Cortei um dobrado para convencê-lo que eu precisava vestir pelo menos um camisão.

Apenas, ele definiu com esta pequena palavra.


Entramos no café e continuamos a lembrar o passado.

Que bom que nos reencontramos, afirmou, o que você veio fazer na minha cidade?

Ah, estou de férias, e faz tanto tempo que não venho.

Desde quando estivemos juntos?

Não, vim duas vezes. Agora aqui mudou muito, está melhor, inauguraram dois ou três museus, vim visitar.

Quer dizer que você gosta de museus, ele suspirou.

Adoro, estudei produção cultural, não sei se cheguei a falar, museus são a minha especialidade.

Acabamos de tomar o café, cruzei uma das pernas, o camisão revelou uma parte de minhas coxas. Embora coberta pela calça, exibia o volume das minhas coxas. Um desconhecido, à mesa ao lado, sorriu farsesco.

Você não quer passear? Vamos aproveitar. Tem algum compromisso?, ele olhou pra mim com certa ânsia.

Pra falar a verdade, tenho, marquei com uma amiga.

Chama a amiga para passear conosco.

Jura?

Juro.

Chamo. Mas você vai querer apenas uma ou duas mulheres nuas no seu carro?

Ele riu. Lembrou minha viagem de outrora ao Rio. Num momento do passeio roubou meu camisão. Tive de voltar nua pra casa dele.

Saímos do café e fomos ao estacionamento.

Você me leva ao hotel primeiro?, pedi.

Levo, e espero por você.

Se quiser pode subir, dei a moeda a ele. Meu olhar devia estar brilhante, podia refletir todo um céu. Ele é tão bonito, foi minha vez de suspirar.

Na suíte, nua nos braços do homem, ele perguntou:

E sua amiga?

Ah, ela espera.

quarta-feira, julho 13, 2016

Tive de escondê-lo

Um pinto faiscou um segundo em meus olhos, e me transformou toda em arrepio. Foi na praia, mês que antecedia o verão, o tempo ainda fresco e as águas do mar geladas de dar dó. O pinto, naquele momento, era supremo. É tudo o que posso afirmar. E veio a preencher a solidão que eu sentia em meio a guarda-sóis afastados, caminhantes longínquos e mulheres que tomavam sol. Como vou falar do pinto sem ser chula? Vejamos, uma história primeiro. Certa vez tive um namorado dez anos mais jovem que eu, mas era homem maduro. Nem sei porque terminamos, coisa do destino, talvez. Levava-me a passear, trazia-me à praia. Vivíamos o embate de dois polos antagônicos: a noite profunda e o dia com toda a sua luz. Foi numa noite profunda. Íamos de automóvel, ele a dirigir, e eu relaxada no banco do carona. Então, a surpresa invadiu-me os olhos, uma mulher de calcinha, na rua, gritei e me virei a ele. Mulher?, repetiu, nada disso, parece mulher mas não é, sentenciou. Foi numa parte suspeita do centro da cidade. E continuamos mergulhados na noite, queríamos ainda a madrugada. Os homens não sofrem de celulite, afirmei, caso se tornem mulheres, ou fingem sê-las, não sei bem, suas pernas são lisas de dar inveja. Sério?, pareceu duvidar. Sério, falei com convicção. Como você sabe, já viu um exemplo desses de perto?, suas palavras e seu olhar incisivo enquanto segurava o volante pareceram desafiar-me. Sim, afirmei, como se não quisesse revelar um grande segredo. Onde aconteceu?, quis ele saber, esperou, a respiração um tanto opressa, como se minha resposta fosse transformar tudo que nos viria pela frente. Num desfile de modas, acrescentei  Ah, bom, ele replicou aliviado. Mas a historinha não foi bem assim. Certa vez viajamos, quatro mulheres. Que bagunça, não é mesmo? Fomos a um hotel, desses que dão para a praia, no Nordeste. Lá, aproximou-se de nós alguém que pensamos a princípio ser uma mulher. Fazia bem o papel, demoramos a descobrir o que realmente era. Quando de fato aconteceu, não fizemos alarde, agimos com a maior discrição. Na noite anterior ao dia em que regressaríamos, saímos as quatro e mais a fingida mulher. Bebemos mais do que podíamos. No hotel, um fio de tesão começou a correr em cada uma de nós, em consequência inventamos uma brincadeira; saíamos nuas do quarto para bater no quarto das outras, já que ficamos hospedadas em duplas. Após muitas risadas, decidimos ir ao quarto de nossa amiga / amigo. Ela assustou-se com o mulheril. Dissemos faça como nós, vamos desfilar. Ela, ou ele, não sei como dizer, enrubesceu. Mas uma das mulheres conseguiu despi-la. Pudemos ver, então, um pênis mediano. Algumas começaram a agarrá-lo e ele começou a crescer. Ela disse não sinto tesão por mulher, mas quem sabe vocês possam me dar prazer e, ao mesmo tempo, obter a diversão que desejam. Cada uma de nós a exercitou um pouco, mas o pênis não enrijecia como desejávamos. Há um jeito de eu sentir tesão, ela falou, mas vocês precisam me dar de presente suas calcinhas. Calcinhas?, mas viemos nuas. Não faz mal, rebateu, busquem-nas, era culta a mulher. Lorena voltou aos nossos quartos e pegou tantas calcinhas quantas conseguiu carregar. Trepamos então com a travesti durante boa parte da noite, seu pênis endureceu tanto como o de um verdadeiro macho. Jamais consegui entender a relação entre nossas calcinhas e ereção. Como esse tipo de gênero não ejacula com facilidade, pudemos aproveitar bastante. Só que, no final, ela não devolveu nossas pequeninas peças, considerou-as como pagamento. Levamos, porém, tudo na esportiva, e rimos muito no avião de volta.

Um pinto faiscou em meus olhos e me transformou toda em arrepio. Alguém sorriu pra mim. Não estava nu, ou nua, não sei bem explicar. Na verdade, era eu a nua, e não queria deixar a coisa entre sorrisos. Gostei do arrepio, que já não me abandonava. Daqui em diante, vai depender do pinto, disse a mim mesma. Como o da amiga / amigo lá das férias no hotel. Com alguma lábia e com o tempero do gozo, mantém-me a mil e, quem sabe, leva-me também a calcinha!, completei. Se sabemos conduzir, as coisas acontecem como a gente deseja. Entramos na água. Quem sabe a fantasia não era um meio de conquistar as mulheres. Como já conhecia o truque, vesti-o com o meu biquíni. Lindo o biquíni, afirmou solene. Seu pinto logo virou frangote e pulou porta afora. Tive, então, de escondê-lo. Que se tornasse enorme galo, mas que cantasse dentro de mim.

terça-feira, julho 05, 2016

Simpatia

“Como é que é?”, perguntou Lana, muito surpresa, enquanto Janete lhe trazia uma xícara de chá.

“Você não entendeu?, é uma maneira de surpreender os homens, eles ficam curiosíssimos, e acabam querendo nos namorar.

Lana segurou a xícara, suas mãos chegaram a tremer. Ambas estavam sentadas à mesa, frente a frente, costumavam visitar-se mutuamente para tomar chá, e nesta quinta, a vez de receber era de Janete.

“Janete, você não tem medo de que pode acontecer o pior?”

“Pior?, não se trata de uma coisa que envolva vida ou morte, é apenas uma brincadeira.”

Após tomar um gole do chá e repousar a xícara sobe o pires, Lana continuou:

“Brincadeira?, mas pode sair caro, e tanto mais nesta cidade onde quase todos se conhecem e falam demais. Seria melhor você arranjar namorado pelas vias normais.”

“Vias normais?”, pestanejou Janete.

“Já que você costuma ir à praia, por que você não deixa que eles se aproximem, que paquerem você como todos os homens costumam fazer?”

“Mas assim não posso escolher?”

“Ah, você quer o filé mignon.”

“Adivinhou, Lana, nada desses bugres que ficam à espreita. Entro n’água, escolho o mais bonito e ponho meu plano em ação.”

“Esse negócio de deixar o biquíni nas mãos de um desconhecido me deixa trêmula, e estou apenas imaginando. Você sabe que quando eu morei na serra, tive um caso com um jovem de lá. A gente namorava no escuro da estrada, dentro e fora do carro, na madrugada. Estava tudo bem até que o sujeitinho resolveu roubar minha calcinha. Fiquei furiosa, nem falei mais com ele. Agora, você com essa ideia, o biquíni nas mãos de um desconhecido. Fala sério, Janete, isso não pode ser verdade.”

“Claro que é, por que eu iria mentir pra você?”

“Me conta como você faz, vai. Ainda não entendi essa história direito.”

“Falei sim, você é que não prestou atenção. Mas, tudo bem, conto de novo. É assim: você chega à praia, com aquele charme todo, vestindo um biquíni mínimo. Dá uma olhada em volta, mas tudo muito bem dissimulado. Arma o guarda-sol, abre a cadeira e senta um pouco. É bom estar de óculos escuros. Então você continua olhando, reparando os homens, os rapazes, vendo se há alguém que vale a pena. Caso isso aconteça, você fica atenta se ele paquera você. Se ele não tiver reparado, espere um pouco, até ver o homem mergulhando. Quando isso acontecer, você vai atrás. Mas não precisa grudar nele. Espere um pouco até a hora de atacar.”

“Atacar, como assim?”

“Aí, entra a história do biquíni. Você tira, transforma em uma bolinha de pano, aproxima-se do cara e pergunta: ‘você pode me fazer um favorzinho?’ Lógico que ele vai dizer que sim. ‘Segura isso pra mim um instante?’ Você entrega o biquíni a ele e mergulha, volta alguns segundos depois e pede de volta, veste e sorri para o homem. É lógico que quando você der a ele a bolinha e pano, ele não vai imaginar que é o seu biquíni. Esse é o enigma. E se você não demorar a voltar, ele não vai descobrir, porque não terá tempo pra pensar. Só depois que você estiver fazendo o movimento pra vestir a calcinha é que, talvez, ele repare."

“E depois, o que isso vai resultar?”

“Lana, dá um resultado ótimo. O homem vai sorrir, e você vai dizer: é uma simpatia, sabe, ajuda a desencalhar’. Ele vai se interessar, e está no papo. Consegue-se namorar, pelo menos para o dia, o homem mais bonito da praia. Mas é lógico que tudo tem de ser feito com a maior discrição.”

“Janete, você é louca. E amanhã, quando você for à praia de novo? Os homens não vão estar todos sabendo dessa história?”

“Nada disso, é só não vulgarizar, e não escolher os caras daqui, você os conhece, não? Como aquele que roubou tua calcinha.”

“Janete, sabe do que eu gosto mesmo? Gosto de uma trepada bem dada, bem funda, que arranca suspiros e faz a gente gozar pra valer.”

“Eu também gosto. Mas você precisa sentir a sensação que desperta na gente quando o biquíni está nas mãos do desconhecido e a gente não sabe o que vai acontecer. Vale muito, só não vale essa trepada funda. Mas quem sabe mais tarde, a agente tem o cara para a tal trepada. A Lúcia transava na praia mesmo.”

“A Lúcia?, do Osório?”

“Ela.”

“Janete, já sei, virou moda, todas as mulheres que você conhece estão praticando o que você contou. Apenas eu estou sendo ingênua.”

“Não, todas não, apenas eu e a Lúcia, agora você, contar pra mais gente vai dar problema.”

A dona da casa sorriu e bebeu o último gole de chá.

terça-feira, junho 28, 2016

Caixa de surpresas

Oi, Mara, tudo bem? Ah, está surpresa com meu telefonema. É porque sei que você gosta de dormir tarde. Você fica lendo, vendo filmes, escrevendo. Pelo menos é o que sempre me fala. Sabe o que é, quero contar uma história boa e engraçada. Na verdade, é sobre a caixa de surpresas. Lembra, foi você quem deu a ideia, depois aperfeiçoamos juntas. Não é que deu o melhor dos resultados? Bem que você falou. Sabe, Mara, o homem adorou. Na verdade, enlouqueceu. Disse que nunca viu uma mulher com tanta criatividade. Enquanto as outras ficam no feijão com arroz, no papai mamãe, você me arremessa a outro planeta, um planeta totalmente desconhecido. Juro, são as palavras que ele pronunciou. E tudo com a maior elegância. Logo que cheguei eu disse por favor, você tem de ser um bom espectador. A princípio, ele não entendeu. Não passou muito tempo, porém, pra entrar no jogo. Poxa, conheci você há uma semana e você me faz essa surpresa toda, confessou. Fica sentadinho aí, vou fazer as apresentações, avisei antes de abrir a caixa, mas precisa ser no escurinho, viu. Ele acendeu o abajur lateral. O palco era o meio da sala, dois metros por um e meio. Mas pra mim estava ótimo. Saí de cena rapidinho e voltei como o primeiro número, o vestidinho preto, coladinho e curtinho, nenhuma marca de rouba de baixo, apenas o tecido. Liguei o celular, uma musiquinha, e comecei a dançar pra ele. O vestidinho subia, subia. E o homem quase subindo pelas paredes. Saí de cena. Coloquei uma música de praia, de verão, e apareci com o biquininho. O biquininho de bolinhas, tão estreito, os peitos só cobertos os mamilos, a calcinha, bem, a calcinha você conhece. Novamente escapei às mãos do homem. Espere, por favor, pedi, você não pode me agarrar agora, não tem graça. O terceiro traje foi o de fadinha, rendinha e varinha, nada de calcinha, mas vesti a faixa branca como top. O homem tirou a roupa, passou a assistir nu ao espetáculo. Ai, não estou aguentando, ele disse. Calma, vamos devagar, tenho outros números, no final você me agarra, disse eu e sorri. Fiz uma mágica com a varinha, uma espécie de encanto, e apareci sem a faixa branca. No quarto número apareço apenas de camiseta regata. Lembra, Mara, foi você quem escolheu. Estico a camiseta na frente, atrás quando dou as costas, tudo seguido da musiquinha do meu telefone. Mas a cena que fez o homem explodir foi a do chocolate, coreografia criada por nós duas, Mara. Fiz uma espécie de maiô com a renda preta, como você ensinou. Dividi o tecido ao meio e passei cada metade por trás do pescoço, desci cobrindo os seios e continuei até passar por baixo da minha periquita, subi em tira única o bumbum cruzei  as duas pontas da renda, cada uma prum lado, trouxe para frente cobrindo a tira vertical e dei um laço no lado esquerdo da cintura. Foi então que peguei a barra de chocolate, a maior de todas, dançava e retirava o papel, depois puxei devagarinho o laminado, enfim mordi o primeiro pedaço. Fui comendo e umedecendo os lábios com a língua, engolindo pedaço a pedaço. O homem queria sair da poltrona, o pênis ereto, correu na minha direção. Por favor, ainda não, espere mais um pouquinho, não estrague o teatrinho, alertei. Jura que já acaba?, perguntou. Juro, só falta essa. Ele puxou uma cadeira e ficou a um metro e meio do palquinho. Quando engoli o último pedaço, Mara, o homem explodiu. Não sabe o que é um homem explodir, amiga? Explico. O homem gozou. E foram dois ou três jorros. Todos saltaram a distância de um metro e meio, atingiram minhas coxas. Mas fingi que nada acontecia, continuei o número, no final desfiz o laço. Ele correu pra mim e me agarrou. O pênis continuou durinho e o homem gozou mais uma vez. Uma loucura. E quase não consigo colocar a camisinha, foi por um triz. Quando acabamos, ele ainda estava a mil, o coração descompassado. Descansa um pouco, aconselhei, você está muito excitado. Ele deitou e fechou os olhos, muito feliz. Continuei com a música e pude ainda reparar o arfar dos seus pulmões. Coloquei todas as surpresas na caixa, guardei com muito cuidado. Peguei a caixa, o sapato e saí em silêncio. Ele parecia dormir. Bati a porta. Agora, apenas uma coisinha. Sabe o vestidinho com o qual cheguei? Aquele de apliques prateados. Pensei tê-lo colocado na caixa, queria me vestir no corredor. Você sabe, caso ele acordasse ia querer mais um espetáculo, e eu já estou cansada, já tenho minha recompensa. Mas, do lado de fora, reparei que esqueci o vestidinho lá dentro. E agora, o que faço?, perguntei a mim mesma, neste tardar da noite. Ah, a solução, pensei, telefono pra Mara... O quê?, você está sem o carro. Voltar com um dos modelos da caixa de surpresa? Mara, é tudo tão curtinho, vão me agarrar lá fora, e vai sair de graça. Arranja um jeitinho, vai, Mara, meu amorzinho. Confesso que esta situação está me deixando arrepiada, mas não posso voltar nua pra casa, daqui a pouco vai amanhecer. Tá bom, Mara, vou bater, ele vai abrir e me encontrar peladinha, acho que vai perder de vez a cabeça. Vai querer mais teatrinho. Bem, isso é, melhor mais um teatrinho do que nua no bairro do Visconde!

terça-feira, junho 21, 2016

Nós, mulheres, sempre queremos mais um pouquinho

Usar esses vestidinhos colados ao corpo, curtinhos, é um problema ou, quem sabe, a solução, depende do que cada uma de nós deseja. Sou alta, 1,80, magra, a perna um tantinho grossa. Quando uso um deles é uma atração à parte. É melhor à noite, entra-se no automóvel e salta-se no local da festa, ou na porta do restaurante combinado. Tenho um namorado que me adora de pernas de fora, e o vestidinho ajuda.

Outro dia fomos a uma festa no Jóquei Club. Não preciso dizer que minha presença causou quase um escândalo. Escândalo no sentido positivo. Não houve homem que não olhasse pra mim. Mesmo aqueles que estavam acompanhados das mulheres mais lindas. Quando fui ao toalete, muitas me olharam com inveja. Sempre há uma engraçadinha, não é mesmo? E ela pediu se podia vestir meu vestido por alguns instantes, queria ver se ficava bom nela. Não posso voltar nua, eu disse assustada. É só um pouquinho, e juro que não saio do banheiro, deixo saia e blusa com você. Tudo bem, falei, como somos todas conhecidas... Tirei o vestidinho e permiti que ela o experimentasse. Foi presente do namorado, sabe, falei, na verdade eu devia perguntar a ele se posso deixar outra mulher vesti-lo. Ah, ele ia adorar, duas mulheres nuas pra ele, e com o mesmo vestidinho, disse a engraçadinha desfilando e dando várias voltinhas. Saí do toalete e me misturei aos outros convidados, encontrei o namorado. Ainda bem que não mais a vi, nem voltei ao toalete.

O que serve de fetiche aos homens quando estou com esse tipo de roupa é que eles desejam saber se uso calcinha. Sabe que já até saí sem calcinha, mas é melhor vir completa, de calcinha e top. Mas eles sonham que o vestido vai subir e eles vão ver minha xereca. Não gosto do nome, não é nada literário, mas não encontro outro. Continuando no fetiche, há também aqueles que desejam subir as mãos por baixo do tecido e tocar minhas coxas até atingir o meio das pernas. Tenho amigas que querem ficar logo peladas, são ousadas, dizem que estão molhadinhas de tesão. Mas acho que é da boca pra fora. A mulher pra ficar excitada precisa de algum estímulo, não basta estar nua. Há ainda aquelas que ficam anos sem namorado, sem transar, a velha história de que o sexo da mulher é para dentro, por isso conseguem se segurar.

Há algumas coisas que me excitam, não sei explicar por quê. Uma delas é namorar dentro do carro. Não em qualquer lugar, mas em lugares especiais, onde existem árvores, silêncio e um céu cheio de estrelas. Há um lugar assim na Cosa Verde, onde predomina a mata de um lado e o mar de outro, é bom parar o carro numa das estradinhas laterais, deixá-lo estacionado em meio às árvores e namorar. É possível fazer sexo dentro do carro; se a temperatura estiver alta, pode-se mesmo fazer fora. Foi dentro de um carro que tirei o vestidinho pela primeira vez num lugar público. Estendi-o no banco de trás e deixei o namorado vir com todo ardor. Num outro dia, fizemos uma brincadeira. Saí correndo do automóvel, nua, e ele tinha de me pegar. Como estava escuro, me escondi. Foi um ótimo meio de nos excitarmos. Quando me encontrou, não aguentamos, trepamos encostados num tronco de árvore. O local estava como gosto, silencioso, o cheiro de mato, o céu cheio de estrelas, e lá longe, na pista, viam-se os faróis dos veículos.

Gosto de ter muitos namorados, não todos ao mesmo tempo, mas é bom experimentar os mais diversos tipos de homem. É importante também fazer papel de mulher séria, nada de piranhice.  Os homens ficam caidinhos pelo meu encanto, pelo meu jeito angelical, pelas minhas pernas longas e nuas. Houve um que me pediu que eu fosse no banco do carona sem o vestidinho, ainda que por alguns minutos. Como ele era muito atraente, simpático e de uma família rica, concordei. Acabei que não vesti mais a roupa. Ele parou à porta de minha casa e disse está escuro, você está só em casa, devolvo teu vestidinho amanhã, assim durmo com o teu cheirinho. Jura que devolve?, perguntei, gosto tanto dessa roupa, afirmei. Juro, respondeu solene. Ele esperou eu abrir a porta e entrar. Eu, apenas de sandália e com a bolsa a tiracolo dei um adeusinho. Ele voltou no dia seguinte. Trepamos que foi uma beleza. E o vestidinho voltou passado e muito cheiroso. A nós, mulheres, no momento do sexo sempre parece que falta alguma coisa, queremos mais um pouquinho. Os homens não são capazes de nos satisfazer. Mas esse namorado me completou. Ou, não sei, foi o que chegou quase lá!

quarta-feira, junho 15, 2016

Foi o paraíso

O ex-namoradinho, muito engraçado, gostava de histórias picantes. Telefonou pra perguntar como estou passando. No final, antes de se despedir, disse que qualquer dia desses vem aqui à minha cidade me roubar a calcinha. Até que namorar com ele foi bom, mas não sei por que terminamos; o motivo, acho eu, foi o excesso de trabalho. Isso mesmo, quando se trabalha demais não se tem tempo pra mais nada, a não ser descansar, dormir, acordar tarde nos dias de folga. A habilidade do homem em me roubar calcinhas era verdadeira, me surrupiou até mesmo um biquíni, e eu estava na praia da Joana. No entanto, não demorava a me encher de presentes, tantas coisas, pequenos quadros, enfeites para mesa de centro, azulejos pintados, pratos comemorativos (vejam que gosto!), cordões, pulseiras e, é lógico, calcinhas. Eu, safada que só, adorava o homem. Que ele venha um dia desses, tudo bem, a aventura será estimulante.

Duas ruas além de onde moro, há um senhor que vive sozinho. Faz pouco tempo, porém, descobri que ele é casado, a esposa não mora aqui na cidade, mas com a filha em Rio das Ostras. Toda vez que passo diante da casa dele, sinto seus olhos espichados a me acompanhar os passos. Outro dia o tal senhor me chamou. Como nossa cidade não é das maiores, é um lugar onde as pessoas costumam se cumprimentar, parei e esperei que ele desse o recado. Veio com uma história exótica, mas não demorei a perceber que era uma cantada, e muito original. Quando dei por mim, estava enredada nas suas palavras. Com uma fisionomia séria, ele contou sobre sua vida sexual. Eu deveria ficar surpresa, pois o homem apenas me cumprimentava e, de repente, me para na rua para falar de suas trepadas. Teve alguma sutileza, mas foi completamente compreensível que ele me convidava.
“Tenho namorado”, afirmei falsamente.

“Não faz mal”, contrapôs, “quem tem um pode ter dois, e vai lucrar mais.”

Aqui entra a parte dele.

“Você vai ganhar muitos presentes, caso aceite a minha companhia. Esta não será todos os dias, prometo, uma ou duas vezes na semana. E lhe asseguro que ninguém saberá.”

Pelas palavras, o homem parecia um erudito. Fez um recurso sobre a razão naturalista, pode-se dizer assim. Seu discurso não levava em consideração razões morais.

Com educação, escutei suas palavras. O homem prometia dinheiro, vantagens, presentes. Caso eu assim o desejasse, poderia aproveitar.

“Namoro por sentimento”, disse eu secamente.

“O sentimento está na beleza, na riqueza, na oportunidade de aproveitar a vida, pense nisso, não precisa me responder hoje”, agradeceu minha atenção.

“A senhorita é muito afável”, disse antes de eu ir embora.

Naquela semana evitei a rua onde morava todas as vezes que tive de sair e meu caminho era aquela direção. Preferia seguir por uma transversal e dobrar a terceira, uma rua depois da dele. Contei o assunto pra um amigo com quem eu saía vez ou outra. Eu e esse amigo transávamos, mas não éramos namorados nem tínhamos pretensões futuras, apenas aproveitávamos o momento. Ele achou a história engraçada.

“Na certa é um homem carente, que procura comprar uma mulher com dinheiro, caso você dê margem de manobra ele não vai desistir”, chegou a me falar. Ri e rolamos na cama, no último momento eu ia por cima.

O senhor mandou um presente. Não queria aceitá-lo, mas achei que não deveria recusar, não gosto de ser indelicada. Abri e me assustei. Uma pulseira dourada. Corri a uma loja de joias pra me certificar. O joalheiro me assegurou: é ouro, e dos bons. Aceitar o presente seria concordar com o convite e com as propostas do homem. Fui à sua casa, bati à porta que antecedia o jardim. Ele veio atender. Agradeceu minha visita e insistiu que eu entrasse.

“Tenho pouco tempo”, aleguei, “uma consulta médica.”

Mesmo assim aceitei. Entrei. Ele me trouxe um café.

“O senhor já sabe o motivo da minha visita, não é mesmo?”

“Oh, imagino”, ele sorriu. “Tenho mais uma coisa pra você.”

Levantou-se e correu a um cômodo além da sala. Voltou em alguns segundos trazendo numa das mãos uma caixinha de camurça.

“Veja, é o complemento da pulseira, estava esperando você para completar o presente.”

Ele deixou que o cordão se desenrolasse e trouxe até junto de mim.

“Mas...”, tentei dizer.

“É ouro verdadeiro, não é daqui do nosso país.”

Era um cordão comprido, a corrente, grossa, devia valer uma fortuna, ainda havia uma medalha que não consegui distinguir o motivo, de tão nervosa que estava.

“Não posso aceitar”, falei um tanto desolada.

“Não diga isso”, sorri, um sorriso triste e compreensivo, “no começo as pessoas se surpreendem, é assim mesmo.”

“O senhor já presenteou outras pessoas?”, curiosa, olhei com ar de desafio.

“Sim, é comum eu oferecer presentes, e, assim como você não são todas que aceitam”, acrescentou.

Deixei a pulseira com ele e não aceitei o cordão. O homem não insistiu, pareceu compreender minha vontade.

Parti com um pouco de remorso. Meu coração bateu um pouquinho mas forte. Quem sabe eu já estava criando um sentimento por ele. Além disso, eu estava precisando de dinheiro e aqueles presentes resolveriam todos os meus problemas. Mas existe uma coisa chamada liberdade, e ela eu não queria perdê-la. Se eu pudesse receber os presentes e continuar livre... Mas pra frente, talvez, a gente poderia conversar.


Eu vestia tênis, calça legging, um camisão que descia até as coxas, por baixo uma faixa de lycra que me segurava os seios (na verdade um top), meu cabelo pintado todo de preto balançava ao sabor do vento. Era noite e eu estava na ponta da praia. Olhei o relógio e me perguntei se ele viria. Passavam, vagaroso, os veículos. Os bares e restaurantes estavam cheios.

Um automóvel trafegava lento. De repente, parou ao meu lado. O vidro desceu e alguém me chamou lá de dentro. Era quem eu esperava. Abriu a porta e me convidou a entrar. Assim que entrei e fechei a porta, o barulho externo tornou-se distante, uma fantasmagoria. Ele aproximou o corpo e me beijou.

“Não falei que viria?”, sorriu e me beijou mais uma vez, "vim roubar sua calcinha", brincou, quem sabe.

Abracei com força seu corpo.

“Vamos, pode fazer de mim o que quiser”, estava eu eufórica. “Trouxe um biquíni que é uma coisinha à toa”, acrescentei em tom divertido.

Ele deu a partida. Dali em diante, foi o paraíso.

sexta-feira, junho 10, 2016

Escrever histórias

Escrever histórias é um vício. Lógico que é um vício gostoso, não cansa nem faz mal à saúde. E há tanta coisa engraçada pra escrever. Engraçada e picante. Se é literatura? Não sei. Dei o nome ao blog faz tempo, e tem no título a tal literatura, mas acho que os estudiosos olham atravessado ao que escrevo. Não tem problema, o importante é ser divertido. Tenho três histórias ótimas. Mas vamos devagar, hoje apenas uma, e durante as semanas que se seguem publico as outras. Há leitoras reclamando que não converso diretamente faz tempo. No entanto, se observarem, estou sempre a conversar. Tudo que escrevo têm a minha voz, e já faz mais de dez anos que converso com vocês. Surgiu tanta coisa nova, não?, as redes sociais emplacaram, o blog, porém, continua. E não tenho intenção de largá-lo. Há amigos ou amigas que me pedem: “publique um livro, vai ficar mais bonito, escolha as melhores histórias, todos vão gostar, vão elogiar.” Quem sabe, prometo pensar nisso, apenas prometo, quanto a publicar... Uma leitora argumenta que vou perder minhas histórias caso as deixe apenas no blog. “A internet é transitória”, afirma, “o livro fica, sempre haverá alguém com um exemplar em alguma estante, numa biblioteca, ou no catálogo da Biblioteca Nacional, as páginas da web não duram, quando a gente resolve procurá-las não estão mais lá, desapareceram sem deixar vestígios.” Prometo mais uma vez que vou pensar no assunto.

Vamos agora à história de hoje. Ah, mais uma coisa. Uma leitora aflita me pediu que contasse a história em que tive de escrever um conto pra ter minhas roupas de volta! Já escrevi sobre isso, querida, basta você clicar lá atrás, chama-se “Seus amigos teimaram que eu tinha de escrever um conto especial para eles, e eram três horas da madrugada”. Título comprido, talvez o maior que já escrevi. Vale a pena, é uma bela história, e aconteceu mesmo.


Estava eu em casa quando recebo um caixa de bombons. Da Kopenhagen. O homem mandou a caixa com um cartão. Não demorei a experimentar um, dois, três. Passaram-se três semanas e veio outra caixa. Meu Deus, não posso engordar, e esses chocolates são uma delícia. De novo experimentei um, dois, três. Na semana seguinte, recebi a mensagem:

“Margarida, adoro você, faço uma proposta indecente. É má a palavra, mas não tenho outra. Dou o presente que me pedir, mas (sou direto, nado mal nas águas da literatura) quero ver você nua comendo os chocolates.”

Não respondi ao homem, de imediato. É sempre bom deixar passarem os dias, deixá-los ansiosos. Apaixonam-se e cedem mais. Se daria um presente, dão dois; se dois, quatro. E lá se foi mais uma semana. Minha resposta:

“Chocolates de que origem?”

Quando veio a resposta, ele parecia estar a mil, coitado.

“Da Kopenhagen.”

Combinamos o presente após mais dois dias de negociações. Não posso dizer o que pedi além dos chocolates, o mundo anda muito perigoso. Mas aos mais próximos, prometo soprar ao pé do ouvido.

Veio um automóvel me buscar. E lá fui eu ao encontro dos bombons e do presente.

Gente, vocês não imaginam a suíte real em que me vi. Faz tempo não vou a lugar assim, os homens andam muito pobres. Ele tirou a caixa, e me mostrou o presente.

“Então?”, pronunciou com sofreguidão.

“Calma”, falei, “deixe explicar aos meus leitores como você é”, completei.

Alto, bem vestido, de terno e gravata, cabelo castanho penteado para trás, cheiroso, acho que Kenzo. Adorei. Mas sou furtiva.

“Primeiro, deixe-me ver o presente.”

Ele passou-o às minhas mãos. Depois vieram os chocolates.

“Por favor, onde o toalete?”, perguntei.

Voltei de lá apenas de salto alto. Ah, esses homens são um tanto homossexuais, adoram um salto, mas deixa pra lá. Sentei, cruzei as pernas, abri a delicada embalagem, tinha uma fita vermelha. Comi o primeiro, depois o segundo, e mais um terceiro. Ao parar, ele disse:

“Coma mais, por favor.”

Eu não queria estragar a festa. Comi.

“Mais um, por favor.”

Continuei não querendo estragar a festa. Porém, quando ele me pediu que comesse oitavo bombom, contra-argumentei.

“Não seria melhor esperarmos um pouquinho?”, e sorri a ele, dentro da boca ainda o último pedaço.

“Estou lhe oferecendo um presente tão caro, você tem de comer a caixa toda.”

Assustei-me. Nunca me deparei com tal tara. Um homem a ver uma mulher nua a comer a caixa inteira de chocolates. Fingi, no entanto, que era a coisa mais natural do mundo. Comi mais um. Então, chamei-o pra sentar junto a mim.

“Não está no contrato”, contrapus, “mas vou lhe proporcionar mais prazer.”

Coloquei mais um bombom na boca, seria o último, jurei a mim mesma. Abri a calça do homem, tirei seu peru e mergulhei num boquete gostoso. O chocolate quente formava uma massa que envolvia seu pênis, tornando a chupada excitante. Ficamos num namoro gostoso, o homem sempre dentro da minha boca. É isso, Margarida, ou o gozo do homem ou a caixa inteira.

Enfim, posso dizer que o homem me deu um trabalho terrível. Mas gozou. E quando os homens gozam, ao contrário das mulheres, arrefecem o desejo. Engoli a porra junto com os restos do precioso bombom. Fiz fisionomia de que estava adorando. Ele ainda gritou que gozava mais por causa da minha ousadia. Abaixei rápida e recebi mais um jorro na boca. A partir daí, esqueceu a caixa de bombons. Ainda ficamos juntos por duas horas, bebemos licor e tomamos café. Eu sempre nua.

Tenho de ir, pensei, logo volta o desejo e ele vai me fazer comer o restante da caixa.

“Agora você tem de mostrar o conto”, ele pediu.

“Conto?”, fingi surpresa.

“Você não é escritora?, quero que escreva algo especialmente pra mim, não esqueci, viu, ainda há dezesseis bombons.”

Sorri, como se nada tivesse acontecendo.

“Lápis?”, perguntei.

Ele trouxe o notebook. Dei-lhe então este conto.

Ele leu.

“Adorável.”

“Com licença, o toalete”, levantei-me, e fui me vestir.

Ah, esses homens... Além de me ver nua comendo chocolates, receber um belo dum boquete e ter um conto meu escrito ao vivo, roubou minha calcinha!

terça-feira, junho 07, 2016

A pinça e o gelo

O que você está fazendo nua aqui?

Pergunto o mesmo a você.

Me colocaram aqui enquanto não começa o desfile.

Você vai desfilar?

Vou?

Engraçado a pinça e o gelo, e mais engraçado onde você está esfregando.

Ah, sim, apenas precaução.

Você desfila, tem corpo de mulher e não é mulher.

O que há de mal nisso?

Pensando bem, nada. É estranho a pinça e o gelo sobre o pênis!

Não ria, é apenas precaução, tem de caber na calcinha. Nunca viu travestis desfilarem?, são o maior sucesso, talvez você já tenha ouvido falar de mim, sou Miriam Love.

Oh, Miriam Love, muito prazer, sou Lina Hate.

Ok, que nome engraçado. Mas me conta, o que você faz nua aqui.

Houve um pequeno problema.

Problema? Mulher nua não é problema, problema é travesti nua.

Talvez. Mas houve um pequeno problema.

Você vai desfilar?

Não, não sou modelo.

E o que faz nua, então?

É um teste, ok? Um pequeno teste.

Pretende desfilar, então?

Não, nada de desfile. Mas vejo que você está em apuros, seu pênis não diminui, assim você perde o emprego.

Nada disso, vira essa boca pra lá.

Deixa que eu resolvo, vira de costas. Vamos, rápido. Isso, assim.

Você está segurando meus testículos.

Nada disso, é para o pênis diminuir.

Diminuir? Está crescendo, para, por favor.

Calma, primeiro cresce, depois diminui. Aguente firme.

Você está me masturbando, por favor.

Calma, você vai ver, ninguém, jamais, masturbou você assim.

Ai, está gostoso.

Não falei?

Imagine se alguém abre a porta, meu piru está enorme.

Ninguém vai abrir a porta, estão preocupados com o desfile.

Ai vou gozar, por favor, não me deixa gozar, vou sujar tudo.

Vira de frente, rápido.

Você é boa nisso, abriu a boca e não deixou cair um pingo. E agora, onde você vai cuspir?

Hum, hum.

Ah, você engole, que beleza.

Veja se agora não está diminuindo.

Ah, está.

Viu, não precisa mais do gelo. E me dê aqui , vai, estou morrendo de sede.

Você ainda não falou por que apareceu nua aqui.

Foi pra fazer seu pênis ficar pequeno!

Ah, nem precisa contar outra, essa é boa.

terça-feira, maio 31, 2016

Eu,Tu e Ele

Eu, Tu e Ele moravam na mesma rua, numa pequena cidade. Cada uma delas vivía numa linda casa, muito confortável e com vista para o mar. Eunice sempre convidava Tuane e Eleonora pra contar suas travessuras. A Eu, muito extrovertida e safadinha, em pleno chá das cinco começou a delirar com o que tinha vivido à noite anterior.

"Sabe, meninas, está meio sem graça a minha transa com Samuel. Ontem saí à caça de carne nova. Encontrei o Marcelo, 25 anos e cheio de amor pra dar. Convidou-me pro motel. Lógico que aceitei. Vocês precisavam ver a ganância do homem pela minha buceta. Começou a me beijar o pescoço. Nos seios, eu vibrei. Sabe, né, se tocar meus seios com a língua e fazê-los de chupeta eu logo me entrego, fico esperando que o meu parceiro chegue logo me beijando entre as pernas. Na minha buceta, já super molhada, ele deu uma linguada profunda e chupou meu clitóris. Foi delicioso demais. Depois me colocou numa posição que conseguia me enfiar o pau e ainda acarinhar todo o meu corpo."

Tuane, pra não ficar pra trás, começou também a contar suas experiências fora de casa

"Sabe, Eunice e Eleonora, arroz com feijão todo dia enjoa. Ontem cerquei o Murilo, que já me come com os olhos todos os dias que vou à sua padaria. Falei: 'Olha, comigo é pegar ou largar, não gosto dessas seduções, não. Eu aqui pingando de prazer e você aí encostado nesse forno. Você precisa é conhecer a quentura da minha xota inchada esperando que um pau roliço venha penetrar nela com vontade. Você tem mais é que me sacudir agarrando com as duas mãos minhas nádegas, rodando e enfiando, tirando, enfiando e rodando'. O padeiro ficou vermelho e aceso com aquela conversa. Não perdeu tempo, aproveitou a hora do almoço, hora que ninguém procura pão, me puxou pro canto do forno que não estava ligado. Tirou toda minha roupa, fez tudo que eu havia pedido e mais. Aquilo que é macho, não aquele projeto de homem que tenho em casa. Hoje estou levíssima, satisfeita. Uhuuuuu!"

Eleonora ficou também ansiosa pra contar o que lhe aconteceu. Disse que pegou o Julio da quitanda porque toda vez que vai lá ela fica alisando a maior cenoura da banca. Sabia, pelo volume, que Júlio era bem dotado de vara. Justamente o que ela queria.

"Meninas, fizemos as palhas de banana de cama ao anoitecer, e tudo que havia sonhado aconteceu. Por falar em palha, dizem que é difícil achar agulha no palheiro. Imaginem se consegui encontrar minha calcinha! Muito gostoso o rola tola com ele!"

As três deram as mãos e falaram:

"Somos filhas de Deus, esses maridos cornos que nós temos que se virem."

quarta-feira, maio 25, 2016

Não pude deixar de rir

Franzi a testa. Não pude deixar de rir.

“Você é louco”, falei.

“Por quê?”, ele fez de conta que não entendia.

“Você vai me deixar assim, aqui?”

“Assim?, não estou entendendo”, ele queria que eu definisse o que era estar assim.

“De calcinha e sutiã.”

“Ah”, fez uma expressão de satisfação, “de calcinha e sutiã”, repetiu, “não foi você quem sugeriu?”

“Sugeri, mas para namorar com você, não sabia que te excita tanto deixar uma mulher pelada numa praia, de madrugada.”

“Não é só excitação”, ele disse e me abraçou, “achei que você queria experimentar.”

“Experimentar? O que posso experimentar a mais do que estar nua pra você num lugar público?”

“Já vi mulheres que desejaram experimentar uma sensação maior, trata-se de um tipo de desafio.”

“Pode explicar melhor?”

“Claro”, ele me puxou pra junto dele, beijou minha testa, depois continuou, “uma delas me pediu para sair nua do apartamento. Que eu fechasse a porta. Dias depois, escreveu a experiência.”

“Ela ficou nua do lado de fora?”

“Isso mesmo, nua e trancada do lado de fora. Após dois minutos, bateu pra eu abrir. Ela disse, então, que sentiu um calafrio de abandono.”

“Ela escreveu a experiência?”, fiquei curiosa.

“Isso mesmo. Se quiser, trago pra você ler. Mas ela romanceou, as coisas não saíram tão bem como esperava.”

“O que ela esperava?”

“Que eu abrisse logo a porta. Mas não foi o que eu fiz. Deixei a mulher de molho por um bom tempo. Por isso, naquela noite, ela ficou furiosa. Uma ou duas semanas depois, porém, quis ir nua de novo lá fora.”

“Não quero ficar nua durante nem mais um minuto, vamos embora, quero o meu vestido, por favor”, comecei a ficar nervosa. Puxei seu braço com a intenção de voltarmos ao carro.

“Vamos ficar mais um pouco", mostrou-se irredutível. "Você sabe que posso ir embora e deixar você nua.”

“Você não faria isso. Qual o motivo?”

“O motivo?”, repetiu, “não sei, talvez certo prazer.”

“Você sente prazer em me abandonar nua? Isso significa que você gosta de maltratar as mulheres, ou mesmo que não gosta do sexo feminino.”

“Quem sabe”, ele disse em voz baixa.

“Com quem fui me meter”, deixei escapar, “você é louco mesmo. Já saí com muitos homens, nenhum deles me fez passar por uma situação tão constrangedora.”

"Você está constrangida?, foi você que suspirou 'vou descer de calcinha e sutiã, é uma antiga fantasia, ficar nua na praia, de madrugada'.”

“Concordo que falei, mas não sabia que as coisas tomariam outra direção."

"As mulheres sempre querem manipular os homens. Quando a situação fica fora de controle, se tornam desesperadas."

"Você sabe que vou ter problemas caso você me abandone nua aqui. Logo vai chegar alguém. Pega minha roupa, vai, do contrário não quero saber mais de você.”

“Jura? As mulheres adoram correr perigo, e acabam sempre voltando.”

Que loucura! Refleti rápido e conclui que, para sair de modo favorável da tal situação, precisava representar. Sorri falsamente e disse:

"Ok, vamos combinar algo diferente", minha fisionomia passou a ser de deboche, mas por dentro estava morrendo de raiva, "não precisa ir buscar minha roupa." Soltei as alças e abaixei o sutiã,  meus seios se mostraram, virei o fecho pra frente e abri a presilha, "pega, vai, guarda também isso lá", entreguei a peça a ele. Como não esperava por isso, ficou com o sutiã nas mãos, meio envergonhado. "Vou dizer mais uma coisa, continuei, "digamos que não aconteceu comigo, mas com uma amiga. O namorado fez essa mesma brincadeira, deixou a mulher nua e se foi. Sabe o que aconteceu?" Ele continuou olhando, curioso, colocou as mãos pra trás, ainda segurando o sutiã. "Ela conheceu outro homem e foi com ele."

"Verdade?", arregalou os olhos.

"Verdade, e este era muito melhor!", dei minha última carta e aguardei sua reação.

"Espera um instantinho", ele disse, "vou até o carro guardar isto", mostrou meu sutiã e deu as costas.

Enquanto subia a faixa de areia, acompanhei-o sem que ele percebesse. Temia que ele fosse embora. Ao destravar o carro, abri a porta de trás ao mesmo tempo que ele abriu a da frente. Como estava escuro, não notou. Por instinto de sobrevivência, peguei meu vestido enquanto ele lançou a pequena peça sobre o banco do carona. Em seguida, fechou a porta. Tudo aconteceu muito rápido. Depois desceu à praia pra encontrar comigo. Quando chegou ao local onde estivéramos, olhou prum lado e pro outro. Me procurava.

"Ei, estou aqui", falei.

"Ah, pensei que alguém já tinha levado você", me abraçou e me beijou na boca. "Vamos passear um pouco", sugeriu, "Você acha que eu ia mesmo abandonar você nua aqui?"

Eu havia largado o vestido num ponto da areia um pouco acima, antes de ele me avistar. Não queria dar o braço a torcer. Ai, agora é que volto nua pra casa, cheguei a pensar; não faz mal, me animei a seguir, não vai ser a primeira vez. Como eu representava, não era Miriam que desfilava nua, de braço com o namorado, sobre as areias da praia. Mas, digamos, Sílvia. Que bom os muitos cursos de teatro! Franzi a testa. Não pude deixar de rir.

Para lidar com um maluco como esse namorado, só uma mulher como a Sílvia; Além de louca, era muito safada. Mais adiante tirou a calcinha e pediu que ele a guardasse no bolso. E, antes de nascer o sol, gozou duas vezes. Uma trepada de dar gosto.

terça-feira, maio 17, 2016

Nem vou espichar o vestidinho

Estou numa festa, sentadinha na sala, pernas cruzadas, vestido curtinho. Todo cuidado é pouco. Há pessoas conversando, umas riem, outras falam alto, vários assuntos alçam ao espaço, enredam-se. Ao meu lado uma mulher quase grita o sexo é ótimo, outra diz que os homens têm mais fogo do que as mulheres. Não chegam a um acordo. Os desejos são os mesmos, a da ponta alerta olha o preconceito. Nada falo, apenas sorrio discreta. Um garçom com as bebidas, de que o coquetel? Cereja. Delicioso. As mulheres não sabem sobre o meu desejo de sexo. Não adianta afirmarem que somos menos fogosas do que os homens porque o sexo deles é pra fora e o nosso pra dentro. Que absurdo! Os homens, tão poucos na festa, conto nos dedos, olham pra mim. Também, pudera, tão curto o vestidinho. As travestis, uma intervém, têm o maior dos fogos, o fogo dos homens e o das mulheres ao mesmo tempo. Uma gargalhada confortável, o arrepio. Um rapaz aproxima-se, junta-se a nós. Nossa conversa é indecente, acrescenta a terceira do sofá. A música convida, diz a dona da festa. Muita gente quer ver debaixo da minha roupa coladinha ao corpo, o tecido encolhendo, subindo, incluo na conta algumas das mulheres. Dançamos soltas, passos fingidos, movimentos medidos. O namorado quer a menina nua, não aqui nem agora, uma lembrança enquanto sinto as coxas bem arejadas, ele quer levá-la a passear sem peça alguma, ela vai sentada no banco do carona. A dona da festa vem dançar comigo, me toma pela cintura, desce um pouquinho uma das mãos. Já sei, quer saber se estou sem calcinha. Acho que se decepciona. Sabe a Karen, diz ao meu ouvido, olha pra ela, a saia fofa, também muito curta, é um tal de ir ao toalete, completa enquanto dá um passo atrás e faz que vai ao outro canto da sala. Lembra a Dina?, uma das moças vem junto a mim. Dina?, pergunto. Vai dizer que não lembra?, a travesti, afirma peremptória. Ah, finjo surpresa, o que houve? Vem à festa, diz. Que bom, afirmo fria. Dá ultima vez trouxe o namorado, um homão, sorriu, como se concentrasse nele todas as esperanças, ele adora a Dina de vestidinho como o teu, sabia?, ela insiste. Vai ver que compra na mesma loja, chego a dizer. É ousada, pra uma travesti, não sei como consegue, é outra que toda hora vai ao toalete, dá uma risadinha após a última palavra. Gira, continua a dançar, quase me toca com os seios. Reparo os bicos rijos. O garçom traz outro coquetel. Aceito. Sento no sofá, olho as amigas dançando. Duas também aceitam a bebida, vem pra junto de mim. Fogo?, ouço a voz de uma. Fogo, sim, mas nada de metáforas, fogo do isqueiro, ou de um palito de fósforo. Jura?, a primeira faz de conta que não acredita. Ouviu o que ela está dizendo? Não, quero dizer, ouvi fogo, será um incêndio?, brinco. Um incêndio monstruoso, repete a primeira, na verdade um novo método para o amor, ou velho método, não sei, dizem que as mulheres são frias, daí uma chama verdadeira pra aquecer. Ri. Finjo que entendo. Olha quem está chegando, uma aponta, a louca da Ângela. Por que louca?, quero saber. Ela mesma gosta de contar, diz a que está à minha direita, adora trepar em público. Levo o coquetel à boca e penso na Dina. Ela é que está certa, é travesti e tem o homem mais bonito, mais desejado de todas as mulheres, corresponde a todos os desejos dele. Uma fofoca, diz Ângela depois dos cumprimentos, na semana passada fui a uma festa na Teresa, adivinha quem estava lá?, a Dina, ela e o namorado, o vestido tão curtinho que quase pedi pra entrar no toalete com ela, qual o teu segredo?, eu quis perguntar. Todas as quatro mulheres, no cantinho da sala, ficam curiosas e arrepiadas! Uma diz será que a Dina topa a brincadeira? Qual brincadeira, responde a mais atirada. Vamos lhe pedir emprestada a calcinha! Peça também à Ângela, você vai se surpreender, de novo a mais atirada. Riso geral. Essas mulheres não tem outro assunto?, pergunto-me, será que ninguém lê um livro nesta roda?, ou frequenta alguma galeria de arte? Quem sabe... Rio. Posso eu criticá-las? Não vou ao toalete nem vou espichar o vestidinho.

quarta-feira, maio 11, 2016

Há jeito para todas as coisas

Minhas brincadeiras são bobinhas, inofensivas, causam, talvez, um pouco de nervosismo. Quando contei a ele, apenas riu. Um riso que revelava minha infantilidade. Sei que ele poderia ter dito como você pode gostar dessas coisas, ou talvez dissesse não são tão inofensivas, você coloca em risco a sua integridade. A voz dele soaria em tom sentencioso, demonstrando as certezas peculiares aos homens. O que eu poderia fazer, a partir daí, seria me afastar, e não mais me preocupar com o que ele pensava. A vida é perigosa para os mais cautelosos, eu ainda poderia rebater. Mas preferi continuar com minhas brincadeiras bobinhas, que me dão muito prazer.

A casa era grande e tinha um cão. Mas ele ficou logo meu amigo. Não sei o que fez me olhar como uma pessoa benevolente. Os cães acham certas pessoas benevolentes, alguém que pode lhe acariciar a cabeça, passar uma das mãos pelo seu pescoço e lhe oferecer algo novo. Foi o que aconteceu. No primeiro dia, veio me cheirar. Ficou nisso. Agradei a ele. Seu focinho úmido percorreu minhas pernas, abanou o rabo, o cão paralisado ante as minhas mãos. Passei a visitar a casa todos os dias, às vezes também à noite. O cão sempre atrás de mim, como se eu fosse sua redentora.

Adélia também gosta de algumas brincadeiras. Aliás, foi ela quem me despertou para o prazer que as brincadeiras podem proporcionar. Adélia gosta de ir à praia cedo. Chega com o nascer do sol. Corre pela beira, o mar a lhe molhar os pés. Sua bastante, depois mergulha na água fria. Diz que a sensação é maravilhosa, corre-lhe um arrepio, uma espécie de gozo. Certa vez correu nua e depois mergulhou. Em dobro, o prazer. Repetiu o exercício, repetiu o gozo. Certa vez um homem apareceu à praia, e Adélia nua dentro do mar. O que fazer? Esperar. Mas o homem teve mais paciência do que Adélia. Ela acabou indo com ele. Hoje está bom assim, ela falou, ficamos no olhar, e você até já me beliscou, vamos marcar um encontro para logo mais, tentava ela escapar. O homem concordou. Adélia então fugiu. Não veio mais nadar pela manhã. O que perdeu? O prazer. Há tantas outras praias, disse-lhe eu. Ela começou de novo, na ponta da praia.

A minha aventura, porém, não era na praia. Queria o homem bonito que morava à casa onde eu sempre rodeava. O cão atrás de mim. Eu podia entrar durante a madrugada, como ladra escorregadia. Mas nada queria roubar, ou melhor, talvez um coração, o coração de um homem jovial. Mas eu tinha medo de falar com ele. Teria sido melhor encontrá-lo e expor minhas intenções. Tudo tão simples. Mas a aventura me dava furor. Invadi a casa. Rodeei-a com o cão. Um cão imenso. Deitava com ele na grama do quintal. Meu homem dormia. Que tal subir, ir até ele? O homem poderia não gostar, eu temia. Para alguns tipos as mulheres são perigosas. Lembrei de novo minha amiga nua na praia querendo convencer o homem que ela tinha o direito de nadar nua, ele não poderia tê-la contra a vontade dela. Existe lei, sabia?, Adélia chegou a murmurar. Mas os homens querem saber lá de lei. Ou fazem as leis conforme sua vontade. Ela nada contou, mas é lógico que teve de dar pra ele. E eu que desejava dar, mas meu homem não vinha. Fiquei com o cão enquanto o aguardava. Venha logo, observe-me, cheguei a mandar uma mensagem por sob a porta de entrada, acho que não aguento por tanto tempo. Ele veio. Mas devagar. E trouxe o cão. Fingi que não o conhecia. O cão. Vamos à praia?, sugeriu. Por que não aqui?, tão aconchegante, suspirei. Gosto que minhas namoradas nadem nuas...

Você nada bem, por isso tem esse corpinho, alguns músculos apenas, mas um corpo muito bonito. E ele a me ver nadar. Eu tão longe. Desaparecia o namorado, sumia junto com o cão. Eu boba por ele, pedia pra guardar minhas roupas. Pudera. Fizemos o jogo durante uma semana.

Depois de tanto tempo, fui nadar sozinha. Na ponta da praia. Eu e o mar. Imito minha amiga Adélia?Madrugada ainda, o vermelho de um sol antes de subir o horizonte. Nada de homem, nadar apenas. A pele. Uma semana depois tento convencer o desconhecido a me deixar só, digo a ele que não tem o direito de deitar comigo. Sou virgem, asseguro, como último argumento. Ele não me olha surpreso. Dá-se um jeito, diz. Não espera minha réplica. Há jeito para todas as coisas, completa. Eu, pelada. O homem me puxando pelo braço.

terça-feira, maio 03, 2016

Recatada

Sempre fui uma mulher recatada, visto roupas que destacam o meu corpo, mas nada de saias ou vestidos muito curtos. Pernas de fora, apenas na praia, é o que sempre achei. Mas o meu namorado acabou me convencendo a usar roupas extravagantes.

Se encontro alguém?, pergunto preocupada.

Você faz de conta que é outra pessoa.

Outra pessoa?, assusto-me.


Passei a sair com penteados diferentes, ele me deu dois ou três pares de óculos, dois de lentes escuras. Alguns dias cheguei a cobrir a cabeça com lenços, ou mesmo com uma espécie de véu. Comecei a gostar da brincadeira.

Frequentamos os restaurantes de uma cidade vizinha. Tudo ia às mil maravilhas até que, de repente, avistei uma pessoa conhecida. Ela não me viu, ainda bem. Fiquei tão preocupada que não reparei com quem ela estava. Quem sabe alguém já me avistou e nada falou? Meu namoradinho, porém, se mostrava cada vez mais entusiasmado. A cada entusiasmo dele, minhas saias ou vestidos ficavam mais curtos.

Houve uma época em que pensei um modo de atrair os homens, não imaginava que a roupa produziria tanto frisson. Que ótimo, agora já sei, caso este namorado desapareça, já tenho um método, vou atrair o homem que eu desejar.

Certo domingo ao entardecer ele veio me buscar para mais um passeio.

Tenho uma surpresa, disse.

Tirou de uma sacola um presente. Abri o pacote.

Que camiseta linda!, adorei.

Não é camiseta, sussurrou.

Não? O que é, então?

Um vestidinho.


Gelei. Ele me quereria domingo a passeio com o vestidinho.

Vesti-o apenas para agradá-lo. Vim à sala e disse:

Caso saio assim, só de camiseta, todos os homens vão correr atrás de mim.


Não adiantou minhas ponderações. O namoradinho insistiu tanto, que saí de camiseta.

As pessoas vão pensar que você está de short por baixo, falou.

Veja se há alguém na rua, pedi.

Não tem ninguém na rua, pode vir.


Corri para o carro e entrei. Ele guiou para Rio das Ostras. Durante a viagem ligou o som e escutamos músicas que nos estimulavam. Ele passava a marcha e escorregava a mão direita sobre minhas coxas.

Paramos na Costa Azul. Ventava. Saímos do carro. Ele comprou duas garrafas de cerveja e me deu uma. Descemos à praia.

Ele me abraçou, me beijou e deslizou a mão por baixo da camiseta.

O que foi?, perguntei ao perceber que ele se estava surpreso.

A calcinha?

Ah, eu disse, falta a calcinha.

Por que não me pediu? Eu compraria pra você.

Não estou sem por falta de calcinhas em casa, imagina o motivo.

Ah, sim, que tolo, já imaginei.


Escurecia. Só nós dois na praia. Ele levantou minha camiseta até me deixar de peitos de fora, depois puxou e conseguiu tirá-la de mim. A seguir, arremessou-a no ar e deixou que o vento a levasse.

Não faz mal, afirmou, se desaparecer vou comprar mais três.

Mais três?, repeti. Ah, não esqueça das calcinhas!

terça-feira, abril 26, 2016

O que aconteceu depois?

No momento do amor, ele sussurrou no meu ouvido:

“Conta pra mim o que te excita, vai, diz o que te deixa com tesão, principalmente quando você está sozinha e deseja alguém.”

Continuei agarrada a ele, passava as unhas sobre suas costas.

“Quer saber mesmo?, olha que conto, você vai adorar.”

“Então, conta, adoro ouvir você contar sacanagem.”

“Mas você precisa dizer alguma coisa antes”, afirmei, “algo que eu possa continuar; falar assim direto é difícil pra mim.”

“Tudo bem, começo e você continua, ouça: você adora se disfarçar, vestir uma saia bem curta, ou um vestidinho colado ao corpo, sair à noite, ir a uma boate, fingir que é outra pessoa...”

“Outra pessoa, isso mesmo, fingir que sou outra pessoa, mas preciso de uma máscara, dessas de maquiagem, como a dos atores, coloco a máscara e vou; sabe que tenho uma carteira de identidade com outro nome, achei certa vez a carteira, uma mulher bonita, tão bonita, procurei por ela mas não encontrei, queria devolver o documento, achei uma pena entregar nos correios, coloquei um anúncio e não apareceu ninguém, fiquei com a carteira; às vezes tento ser esta mulher, já fingi três ou quatro vezes, saio à noite, sou Silvia, o nome dela, ando pela cidade, vou a festas, a algum baile, até criei um história, um passado pra Sílvia, quando nasceu, onde morou boa parte da vida, o que estudou e o que faz atualmente, ela é uma mulher adorável, tenho tudo escrito; ela usa a saia curtinha, é atirada, sabe, sai com um homem de primeira, não pensa nos perigos, aliás para ela perigos não existem; adorável Sílvia.”

O namorado estava muito excitado, um toque a mais gozava.

“Assim você não vai saber a história de Sílvia”, falei em seu ouvido “relaxe.”

Ele soltou meu tronco, afastou o rosto e sorriu.

“A boate era na verdade uma caixa, de tão pequena; havia uma sofá que corria pela lateral e acompanhava toda o perímetro da pequena sala; as pessoas, sentadas, namorados agarrados às namoradas, as saias curtas, malhas que subiam, encolhiam, as mulheres não conseguiam manter as coxas cobertas; no centro, as pessoas dançavam; parei num canto, esperei, não sei por que mas se podia fumar no local, acendi o cigarro; um casal levantou e foi dançar, juntou-se aos outros; sentei no local recém desocupado, traguei o cigarro e soltei a fumaça com a cabeça um pouco inclinada para cima; não demorou um homem apareceu ao meu lado, ofereceu tudo que se vendia ali; recusei, mas ele trouxe uma garrafinha de vodca, acabei aceitando; ficou juntinho a mim, num curto espaço de tempo já estava com um dos braços envolvendo meu pescoço, me puxou para junto dele e me beijou na boca; do homem emanava um perfume adorável, foi o que me vez gostar de ficar coladinha a ele, naqueles momentos não tentou nada além do beijo e de alguns apertos; preferimos ficar curtindo as músicas e namorando, vez ou outra bebericando, nada de muitas palavras; lá pelas tantas levantamos e fomos para o centro da sala, três ou quatro casais dançavam, as luzes misturavam nossas silhuetas, a fumaça nos envolvia, a bebida subia e o pilequinho adiantava o tesão; quando tudo acabou fui com ele, saímos da boate quatro ou quase cinco da manhã; me levou para um hotel; já imaginou, eu nada sabia do homem, ninguém entre meus amigos sabia onde eu estava, eu era Sílvia, mulher que nenhum de meus amigos conhecem, o que fazer caso o homem tentasse algo de mal contra mim?; não pensei mais nisso, pedi apenas para ir ao banheiro, tomei um banho e voltei para o quarto enrolada na toalha.”

“O que aconteceu depois?”, o namorado me agarrou de novo, me beijou, subiu sobre mim.

“Aconteceu o que vai acontecer agora; aliás, agora, você precisa tirar minha calcinha!”

quarta-feira, abril 20, 2016

Virgínia

Vi quando Virgínia atravessou a Galeria do Comércio. Tentei alcançá-la, cheguei a correr, quase tropecei, mas ela entrou pela Gonçalves Dias e desapareceu. Tenho certeza de que também me avistou, mas fingiu não me ver. O que nunca entendi foi o seu desaparecimento.

Estivéramos juntas no último verão e foi ela quem me fez o convite.

“Um ricaço está com um barco ancorado na Marina, quer duas mulheres com ele, você está interessada?”

“Você o conhece?”

“Não, mas a indicação é segura, não há perigo algum.”

“E o que precisamos fazer?”, perguntei antes de levar à boca a xícara de café. Estávamos no salão de chá do CCBB.

“Basta que confirmemos através do telefone; o convite é para estarmos lá por volta das dez da noite.”

“O que você acha, devemos ir?”

“Passar a noite num barco parece ser estimulante, não? E, além disso, o ambiente é suntuoso, teremos uma noite de beleza e prazer.”

O garçom se aproximou e deixou, diante de Virgínia, um bonito pedaço de torta de morango. Eu comia, de garfo e faca, um pão ciabata com mussarela de búfala e tomates secos.

“É para hoje o convite?”, perguntei.

“Amanhã.”

“O que devo vestir?”

“O que quiser; ao chegarmos lá, passaremos antes por uma espécie de vestiário; devemos usar as roupas que ele tiver escolhido.”

“Roupas de que tipo?”

“Não sei, mas devem ser roupas chiques. É um tipo de fantasia que ele tem: gosta de vestir as mulheres."

“E quem as despe?”, sorri eu mesma com a pergunta.

“Ele, também.”

“Ok, combinado.”

No dia seguinte fomos juntas. Peguei um táxi e apanhei Virgínia em Copacabana. Na entrada da Marina, identificamo-nos. De imediato, abriu-se o portão e o táxi nos levou até o local indicado pelo funcionário; este vestia uma espécie de farda azul com botões dourados, muito semelhantes daquelas que vestem os empregados dos hotéis internacionais. Ao sairmos do automóvel, uma recepcionista muito simpática recebeu-nos. Acompanhou-nos até um vestiário. Lá nos entregou roupas boas, muito bem cortadas e costuradas, na verdade roupas de desfile; e, como é comum a esse tipo de roupa, extravagantes, muito curtas e transparentes. Como estou habituada, não me senti desconfortável. Mas Virgínia não reagiu da mesma forma; falou: “Estou nua.”

“Nua, nada, quantas mulheres não gostariam de estar em nosso lugar?”

A recepcionista, que nos acompanhava em tudo, sorriu. Após dizer que estávamos lindas, levou-nos até a embarcação.

Entramos. O leve marulhar proporcionava graça especial. O barco acompanhava os ligeiros movimentos da preamar. Descrevê-lo, por mais preciosas as palavras, seria tentativa vã. Imaginem o que há de melhor arranjado e de mais alto requinte. A mulher deixou-nos. Fomos recebidas por um homem de farta cabeleira grisalha, avantajada para sua idade. Ele era forte, mas um pouco acima do peso; deveria estar por volta dos sessenta anos. Dirigiu-se a nós, apresentou-se educadíssimo.

Virgínia piscou-me os olhos. Entramos na cabine espaçosa. Uma música em inglês soava baixa, voz de mulher, parecia blues nova-iorquino.

“Como estão passando as maravilhosas senhoritas?”, foram as palavras dele.

Apenas sorrimos. Ah, o nome dele era Taylor.

Ofereceu-nos bebida apontando para um bar em que os copos de cristal ficavam encaixados em suportes. Garrafas de todas as bebidas se enfileiravam de modo harmonioso.

“Que tal champanhe para comemorar o gracioso momento?”

“Não é mal”, eu disse.

Abriu uma garrafa especial, segundo ele. Serviu-nos. Tilintamos as taças e bebericamos. Estava uma delícia.

Deslizou uma pequena plataforma que se transformou em mesa. Apareceram vários tipos de salgados. Também havia pastas e pequenos sanduíches. Fez um gesto para que experimentássemos.

Entabulamos conversa sobre os sete mares. Aliás, apenas ele entendia de mares. O máximo que eu e Virgínia podíamos fazer era esticar nossas aventuras litorâneas, enumerar as praias que frequentávamos e aquelas onde, muitas vezes, apenas a água do mar escondera nossa nudez.

Em certo momento, após descansar o copo com uísque sobre o encaixe da mesa – sim, agora ele bebia uísque, eu e minha amiga mantivemo-nos fiéis ao champanhe –, tomou Virgínia pelas mãos, levantou-a e fez que ela desfilasse num ligeiro rodopio, ainda segura por um ou dois dedos dele. Sem demora, soltou-lhe o vestido, que foi ao chão; ela ficou só de calcinha – bem pequena por sinal – mas manteve-se altiva e risonha, fazendo de conta que esperava por aquele gesto. Não houve demora para que chegasse a minha vez. Tomou-me pelas mãos e, em vez de girar-me, conduziu-me até a pequena escada que levava ao passadiço; fez que eu a subisse. Do lado de fora, tirou minha roupa. Deixou que o vento a levasse.

Namorou ambas, quase ao mesmo tempo. Jamais vi homem com tamanho vigor. A noite e a madrugada transcorreram maravilhosas.

Mas lá pela tantas houve um incidente. Virgínia atirou-se ao mar. Ele mergulhou ao perceber que ela não voltava. Veio à tona duas ou três vezes antes de encontrá-la. Quando a trouxe nos braços, gritou para mim:

“Me ajude a tirá-la de dentro d’água.”

Acho que o episódio excitou-o ainda mais. Amou, uma vez mais, cada uma de nós.

Partimos apenas ao amanhecer.

Ele em momento algum mencionou o incidente, e Virgínia também não tocou no assunto.

sexta-feira, abril 15, 2016

Esquentação

Outro dia eu contava a Miriam sobre a francesa com quem aprendi uma boa maneira de esquentar o relacionamento amoroso. O segredo, segundo ela, é a gente arranjar outro homem além do namorado, mas apenas pra conversar, ficar juntinho, passear, pedir uma carona, despertar o seu desejo, mas jamais praticar o principal, o sexo. Este deve ser deixado pra depois, pra hora do encontro principal, com o namorado. Miriam sorriu, acabou dizendo essas francesas são terríveis.

Continuei a falar sobre meus relacionamentos. Sempre quando marco com Jonas, tenho um amigo que me dá carona. Saímos do trabalho juntos e vamos ao estacionamento. Dentro do carro, antes de ele dar a partida, faço carinho num dos braços dele, me aproximo, faço de conta que vou deitar a cabeça no seu ombro, deixo que ele encoste as mãos em mim, mas quando a coisa começa a esquentar me afasto. É muito engraçado. Ele dá a partida e dirige pelas ruas da zona sul. Às vezes coloco uma das mãos sobre sua coxa direita, outras vezes deixo que ele passe a mão, de leve, sobre as minhas pernas. Ao saltar, beijou-o com algum calor. Dali corro para os braços do Jonas, quentinha, ardendo pelo sexo dele.

A francesa tinha um namorado com quem vivia agarrada. Mas antes, era mais atirada do que eu, levava o amigo pra casa, queria que ele a esquentasse antes do namorado chegar, lógico que nada comentava sobre isso, fazia-se de inocente. Houve um dia em que entraram no apartamento e ela pediu licença para ir trocar de roupa. Voltou com uma camisola transparente, falou a ele assim: “você é quase meu irmão, não faz mal me ver nua, não é mesmo?” E sentou do lado dele. Ficaram uma hora e meia tocando um no outro, como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo. Ela conversava, um assunto emendava noutro e as mãos tocavam braços, pernas, coxas, até que... Nada disso, o marido abriu a porta e entrou, beijou a mulher, cumprimentou o amigo e sentou-se numa das poltronas. Ela levantou-se e se acomodou ao seu lado. O amigo, muito sem graça, disse que tinha um compromisso e se foi. A francesa dizia que gozava muito depois de tanto aquecimento.

Miriam parecia arrepiada, cada vez mais surpresa. Será que isso dá certo mesmo?, chegou a perguntar. Conversamos mais um pouco. Lá pelas seis da tarde ela se despediu e foi embora.

Suzana, você tem razão, você e tua amiga francesa, Miriam me falou tempos depois. Ela me beijou e sorriu. Disse que minha conversa ajudou muito. O namoro em que havia se metido estava fervendo. O namorado percebeu que ela andava muito com outro homem, pra todo lado o homem a acompanhava. Então, ela falou da francesa. Primeiro, ele ficou desconfiado, mas depois, ao perceber o ardor da mulher, não quis outra vida. Mas quem não entendeu foi o amigo. Não houve quem lhe tirasse o pensamento de que Miriam não queria nada além daquelas cenas de esquentação. Ela nada falou a ele sobre isso, queria que ele percebesse. Mas o homem não tinha a menor sensibilidade. Não é melhor você ter uma mulher nua ao teu lado do que não ter ninguém?, ela, num momento de irritação, lhe perguntou; amanhã eu posso não estar aqui, é melhor assim, completou. E ficou agarrada a ele, deixando o principal para o verdadeiro namorado. Eu quis saber se Miriam ficara nua ao lado do segundo. Não, fiquei com uma sainha que é uma coisa à toa; o homem passou a mão pelas minhas coxas, conseguiu ir mais longe do que nos dias anteriores; olha, assim não volto amanhã, disse eu, então ele sossegou. Você nunca soube de ninguém que acabou dando pro segundo?, ela me perguntou, de seu rosto emanava um ar de curiosidade.

Uma vez aconteceu, com uma amiga, confessei a ela, mas não foi bom, ela acabou a relação com o segundo, e ficou sem ninguém pra esquentar.

Que pena!, Miriam lamentou; tenho, então, que ser muito inteligente; sabe, Suzana, outro dia quase aconteceu, mas me recompus a tempo, foi por um triz, quase escorreguei, quero dizer, quase ele escorregou, já ia caindo lá dentro.

Ambas demos uma sonora gargalhada. Tudo depende de nós, querida, falei, basta pensar: o que vem depois será muito melhor.

terça-feira, abril 12, 2016

Vestido curtíssimo

Luiana tinha cabelos compridos porém maltratados, rosto suave mas sem nenhum atrativo. À primeira impressão, todos os moços achavam-na feia. Lu, como a família costumava chamá-la, vestia-se com retalhos de tecidos que o amante lhe trazia. A traída era costureira. Lu emendava aqueles pedaços de tecido com muito gosto. Era o que podia esperar daquela situação. Fazia saias e blusas para cobrir seu esculpido corpo. Corpo que Manoel, da cidade vizinha, aproveitava. Ninguém da família sabia deste romance. Com muitos irmãos homens, Luiana tomava o maior cuidado, pois não queria perder o que mais lhe fazia bem: o sexo. Seus irmãos pensavam ter uma irmã ingênua, pura e virgem, sempre falavam: "o cabra que fizer algum mal a mana terá que se ver com os nossos facões afiados". E Lu guardava seus encontros em segredo. Tinha um lugar secreto para se encontrar com o amante. Uma gruta na localidade vizinha. Ela falava para os pais, já velhos, que precisava visitar um abrigo muito longe dali. Adorava crianças, fazia de conta. Na verdade, Lu adorava era ensaiar pra fazer bebê, mas tomava as providências necessárias

Manoel era bom no assunto. Sabia que debaixo daquelas saias tinha uma vagina quente, espumando, à espera de prazeres. Eles se encontravam duas vezes por mês. Luiana, para despistar pais e irmãos, dizia que a coordenadora do abrigo lhe dava os retalhos para costurar também roupas de criança.

Luiana vivia costurando, mas não saía nenhuma roupa infantil. Ela costurava, além de sua roupa, colcha para forrar a relva ou uma pedra, em formato de coração, sobre a qual se deitava com Manoel.

Um dia Luiana estava tão estimulada, que deixou Manoel esfolado. Em casa, ele nem procurava a esposa, vinha esgotado do trabalho, dissimulava ele como desculpa.

A esposa costurava muito, e Manoel dizia vender os retalhos na capital. Ele conseguia dinheiro, mas o usava apostando nas casas de jogo das cidades próximas. Tinha sorte no jogo e, muito mais, no sexo.

Numa determinada tarde, Luiana surpreendeu Manoel, foi ao encontro dele com um vestido curtíssimo, que ela mesma costurou. Vestiu-o antes de entrar na gruta. Fizeram o sexo mais explosivo de todos aqueles encontros. No final, Manoel era o homem mais feliz do mundo. Mas seu coração não aguentou. Luiana saiu correndo deixando lá o corpo do amante. Estava tão assustada que se esqueceu de trocar o vestidinho pelo que costumava usar ao sair de casa.

A viúva jamais encontrou Manoel e pensa que ele está enterrado num mangue bem longe dali. Que foi morto por cobrar aos compradores de retalhos.

Luiana envelheceu com aquela história de amor no coração. Ficou solteira, porém não mais virgem. No seu interior, sentia-se feliz por ter conhecido Manoel e aproveitado o melhor da vida.

terça-feira, abril 05, 2016

Você gosta de ouvir sacanagem?

Eu estava no banheiro de um hotel. No quarto me esperava quem eu mais gosto. E era a primeira vez com ele.

Chegáramos havia uma hora. Durante um bom tempo apenas conversamos. A seguir, olhei o cardápio e pedi um pequeno lanche, que foi entregue após quinze minutos. Comi vagarosa. Ele não quis, almoçara, apenas bebeu um gole do meu suco. Quando acabei e me sentei na cama, senti suas mãos sobre meus ombros. Nada falei naquele momento, deixei que percorressem minhas costas, que me massageassem. Passaram-se alguns minutos. Pedi licença para ir ao banheiro.

Entrei, tranquei a porta, escovei os dentes; depois tirei a roupa e tomei um banho. A água morna me tranquilizou. Saí da ducha e enxuguei todo o corpo. Vesti a calcinha e o top, enrolei-me na toalha, abri a porta e voltei ao quarto.

Deitei na cama ao lado dele. Ele sorriu, me beijou timidamente e começou a me fazer carinho. Aproximou as mãos dos meus peitos e os percorreu com os dedos; apertou-os, cuidadoso, com as palmas das mãos. Pode tirar, falei. Dei as costas, ele soltou as presilhas liberando o sutiã. Meus seios saltaram. Ele os beijou. Soltou a toalha, presa à minha cintura. Fiquei apenas de calcinha. Desceu as mãos pela lateral dos meus seios, do meu abdômen e beliscou as alcinhas da pequena peça. Desceu a calcinha e ficou com ela nas mãos durante alguns segundos. Estava louca que ele deitasse sobre mim, não via a hora de tê-lo sobre meu corpo, de experimentá-lo. Ele largou a calcinha em algum ponto da cama e se achegou a mim. Pouco a pouco foi tirando a roupa. Ele ainda estava vestido! Há mulheres que morrem de vergonha quando estão nuas ao lado e um homem vestido. Mas não é o meu caso. Esperei que tirasse toda a roupa e que deitasse, primeiro ao meu lado, depois sobre mim. Mas não foi uma relação rápida, como marido e mulher. Fizemos várias posições, chupei o seu pênis, virei de costas, deixei que percorresse meu corpo com a língua. Depois sentei sobre ele, quis que me penetrasse. Mais alguns minutos, deitei. Ele veio sobre mim. Foi então que comecei a falar baixinho, no seu ouvido, você gosta de ouvir sacanagem?, vou contar uma porção de coisas. Ele disse sim, conte, adoro ouvir uma mulher dizer sacanagem. Soltei essa: estou ardendo, quer botar no meu cu, quer?, sei que você vai adorar botar no meu cu. Até aquele momento eram só palavras, eu achava que assim o excitava mais e mais. O homem, porém, veio, quero meter nele sim. Espera, eu disse, ainda quero contar mais. Comecei a falar tudo que sempre me vem à cabeça, tudo que todo homem gosta. Até disse que adoro gozar e engolir um pedaço de chocolate ao mesmo tempo, que trouxesse uma caixa de bombons na próxima vez, disse que ficava nua pra ele o tanto que quisesse, que me podia por de castigo, as mãos amarradas atrás da cadeira. Contei a ele que saí de casa nua num dia em que faltou energia, atravessei um campo enorme enquanto estava escuro, mas em determinado momento a luz acendeu, me vi em maus lençóis, quero dizer, sem lençol algum. Ele sorriu, ouviu tudo, tranquilo, me incentivou a contar ainda mais sacanagem. Eu, com minha lábia, desfiava histórias e mais histórias, tudo que gosto, tudo que sempre desejo que os homens façam comigo.

Quando esgotei o repertório, ele falou está ótimo, agora vire que vou enfiar no teu cu! Não dava mais pra eu dizer que tinha falado de brincadeira...