terça-feira, junho 04, 2019

Você é muito gostosa, Lucinda

Contei ao namorado que escrevo contos eróticos. Mostrei-lhe o conto chamado Lucinda. Não disse que a história aconteceu comigo, mas com uma amiga. Ele, após ler com calma, perguntou se Luquesi passou creme apenas na vagina ou se também lambuzou o bumbum de Lucinda. Ah, aí é que está a questão principal, falei afoita. Mas logo retomei o ritmo pausado, não queria demonstrar nenhum entusiasmo. Passou creme na mulher por inteiro, acabei por lhe revelar, isto significa que também lhe lambuzou o bumbum. Daí ela tem razão em dizer que ficou muito ardida, completou não sem um ligeiro sorriso. Lembrei-me de minha amiga Márcia e do que me contou certa vez. Tão engraçado.

Márcia era metida a namorar todos os homens. Certa vez encontrou um para quem trabalhara. Costumava chegar pertinho, tocava no seu braço, alisava, fazia uma cara de desejo e depois corria dele, como se não fosse nada disso. Um dia acabou aceitando o convite. Encontraram-se no centro da cidade. Ao telefone, quando marcaram, ela disse, comprei um macaquinho lindo, caiu tão bem. A roupa era mesmo linda, ressaltava o corpo sensual de Márcia. O colega imaginou-a com as pernas grossas de fora. Mas no quarto de hotel é que a coisa pegou fogo. Ela foi ao banheiro, tomou um banho, vestiu a calcinha e o top e enrolou-se na toalha. Voltou ao quarto e deitou-se. O homem a abraçou. Agiu por partes. Primeiro soltou-lhe a toalha, depois o top e, enfim, a calcinha. Márcia nua na cama, nas mãos do homem. Quando se agarravam, ela falou, você gosta de ouvir histórias de sacanagem? Lógico que sim. Ela, então, começou a falar uma porção de bobagens no ouvido do homem. Num momento disse, você bota no meu cu?, adoro dar o cu. O homem não titubeou. Como estava difícil para entrar, ela pediu, coloca na frente primeiro, já estou molhadinha, depois vai ser mais fácil enfiar atrás. Fizeram como ela sugeriu. Ao virar de costas, ela reparou o tamanho do pênis do homem. Chegou a tremer. Mas não demonstrou. Ele enfiou até o fim. Ela passou a dizer, ui, que gostoso, nunca senti um peru tão grande. Quando gozou, berrou tanto de prazer que até assustou o homem. Não para, por favor, não para, estou adorando, deixa dentro a tarde inteira.

Eu disse ao namorado que com Lucinda aconteceu algo semelhante. Só que o homem lhe encerou as nádegas de tal forma que tudo deslizava incrivelmente, até encaixou o pênis de um jeito que não soltava de modo algum, quando ele fazia o movimento para fora parecia que lhe iria arrancar as pregas. Acho que a pasta secou quando o peru do homem ia bem fundo, falei. Não é possível, rebateu o namorado. Como não?, você já viveu a experiência?, acrescentei. Ele sorriu, bem, com um homem acontecem muitas coisas. Tem mais uma coisa, adiantei-me, Lucinda era virgem no bumbum. Jura? Jurar não juro, mas foi o que me contou, por isso ficou tão ardida.

Abracei o homem e abri-lhe a camisa. Não passou muito tempo fiquei nua, inteirinha. Fica de costas um pouco, pediu. Tudo bem, eu disse. Lembrei de novo Márcia, na primeira vez foi horrível, jurei que não deixaria mais ninguém enfiar atrás, mas depois de dois ou três namorados tudo ficou apenas nas palavras. Você é muito gostosa, Lucinda. A voz do namorado no meu ouvido.

terça-feira, maio 21, 2019

História de cabides

Olá, Rosa, como vai, tudo bem? Que bom falar com você. Vou bem. Estou escrevendo, sim. Sei, as pessoas estão acostumadas com muito texto, toda semana uma história, mas a vida de uma escritora é assim mesmo, nem sempre vai no mesmo ritmo. Às vezes dizem por que você não escreve um romance, desses bem extensos, quatrocentas páginas? Olhe, que engraçado, dizem até a quantidade de páginas!, como se fossem o editor e suas exigências de mercado. Aliás, os editores do nosso país não gostam de livros longos, a tal realidade cultural do país. Mas as pessoas desejam que a gente faça o que elas gostariam, tem muita gente que adora minhas histórias, então perguntam por que não escrevo o longo romance, com todos os ingredientes de que gostam, uma torta de morango, e que faça muito sucesso. É muito engraçado, certa vez, no lançamento de um de meus livros, muitos leitores queriam me contar uma pequena história, alguns faziam um rápido resumo e diziam, antes de me beijarem, olhe, não deixe de falar disso, vai ser um grande sucesso. Ah, sim, mas já passei dessa fase. Você sabe que escrevo por prazer. Não me cobro, não, está bom assim, as pessoas gostam do que escrevo, é uma espécie de escrita pequena, subversiva. Já pensou se me torno muito famosa? Aonde irei, aquele monte de jornalistas atrás, tanto mais se tratando dos assuntos meus. Está bom assim, não digo que já não quis escrever uma literatura maior, participar de círculos de debates nas universidades. Mas isso tudo é um grande aborrecimento. Professores universitários fazem pesquisas acadêmicas, não me dou muito bem com isso, sou espontânea e gosto de me divertir. Sim, acho que na vida privada eles leem minhas histórias. Não faz mal que este tipo de literatura não se torne arte maior, como os críticos literários afirmam, mas não ligo pra isso, não. Olhe, tenho uma história ótima, pra você que é minha amiga, vou mandar por e-mail, ok?, mas não mostra pra ninguém, espere sair primeiro. Sou louca?, sei, é porque distribuo histórias antes de serem publicadas. É só pra você, viu, que é minha amiga, minha leitora favorita. Está tudo bem, não? Vou, sim, está marcado, vamos ao teatro e depois àquele restaurante, sei, conversamos melhor. É mesmo?, a Sônia?, ela é fogo viu, não deixa passar ninguém, quem sabe até escrevo uma história sobre suas façanhas. Tudo bem, você me conta. Beijos, amiga, muitos beijos.

Oi, Rosa, conforme prometi, eis a história. Guarde, por favor, bem guardadinha, e aproveite, você vai gostar.

Histórias de cabides. Vejam se cabides podem servir de motivo para um conto. Mas foi muito engraçado. O namorado abriu a porta do apartamento e me deixou passar na frente. Não repare, por favor, sabe como é, homem que mora sozinho. Entrei, sorrindo como sempre, e perdoando-lhe alguma possível desordem. O que mais gostei foram alguns livros de poesia que encontrei sobre uma espécie de mesa de centro, eram poemas de Eucanaã Ferraz. Que ótimo, adoro os poemas dele. O namorado sorriu. Ele não sabia, até então, dos meus dotes para a poesia. Fique à vontade, disse e foi até à cozinha. Tenho umas comidinhas muito gostosas, você vai adorar. O namorado sempre solícito. Voltou com uns salgadinhos de forno, uma garrafa de suco, outra de água, tenho também cerveja e vinho, disse. Ótimo, falei. Saboreamos os salgados, os biscoitinhos, uma pasta com rodelinhas de pão francês, depois o vinho. Conversamos amenidades. Jamais se devem puxar assuntos sérios ou difíceis com um namorado, tudo deve seguir com leveza, o corpo de uma modelo, como se a vida fosse uma grande esteira de prazeres. O céu, olhe, como estão lindas, quantas as estrelas, ar fresco, falei. Um abraço romântico, nossos hálitos, corpos quentes, beijos e mais beijos. O vinho descendo na garrafa, alguns salgados desaparecendo, penetrando nossas bocas, o prazer do paladar. Como a vida é boa, simples, e acabamos querendo tantas coisas complicadas. James Joyce e Saul Bellow escreveram livros muito difíceis, plenos de angústia, acho que o passar do tempo, a solidão, o desejo reprimido, a premência da morte. A mão do namorado encostou às minhas coxas nuas, a saia curta convidava. O vinho tinha escrito a introdução. A vida fluía natural, era um rio, que não encontrava obstáculos. Aliás, outro dia li não sei onde, é possível se banhar duas vezes no mesmo rio sim; basta que ele seja lento e que tenhamos uma bicicleta veloz. Não sei por que lembrei a história do cabide. Minha amiga Tânia arranjou um namorado, de primeira ela aceitou o convite para ir à casa dele. Louca, a Tânia. Louca e feliz. Trajava um vestidinho branco, tinha renda e forro, bem passado, estava armadinho, não consigo imaginá-la que não vestida de bailarina. Sentou no sofazinho da saleta do namorado, era um apartamento pequeno, jeitosinho, um estúdio na verdade. O homem veio sorrateiro, sentou ao lado. Lembrou então que tinha na geladeira uma garrafa de champanhe. Ah, a champanhe!, afirmou minha amiga. Depois que ele abriu tudo correu bem, como o creme nas mãos de uma boa massoterapeuta. Minha amiga se soltou, imaginem. Uma delícia esse champanha. Por conta própria, avançou através da porta da pequena saleta. Oh, o quarto, que bom, a cama imensa. Deitou-se, inocente, chamou o homem pelo nome. Ele não demonstrou surpresa, apenas perguntou a roupa?, você vai ficar toda amarrotada. Você tem um cabide?, Tânia nua, nos braços do homem, o tal creme, mas já não o da massoterapeuta.

Meu namorado ficou a me admirar. Em que eu estava pensando? Quando éramos adolescentes perguntávamos ao namorado, caso o silêncio fosse longo, em que você está pensando? Outra coisa que acontecia naquela época era a dificuldade de se desligar o telefone quando nos despedíamos. Desligue você primeiro. Não, desligue você. Não, da outra vez fui eu quem desliguei, é a sua vez. O tempo passava acompanhando, curioso, nossa falta de assunto.

Depois de mais um beijo, bem quente, devastador, procurei minha taça de vinho sobre a mesa e tomei mais um gole. Posei-a a seguir sobre a mesa e sorri. Arrumei meus cabelos. Você gosta de sacanagem, não?, ri depois da minha pergunta. O namorado também sorriu. Pega então um cabide pra mim, vai.

terça-feira, maio 07, 2019

Ele fez o leme

Eu passava pela porta do prédio dele e via seus olhos a me acompanharem. Quem manda usar saia curta, tudo de fora?, eu me perguntava. Ele acha que estou querendo trepar, só pode ser. Aliás, todos os homens pensam que a gente está morrendo de tesão, que quer trepar, não há outro modo de refletir. Houve um que me pediu pra tirar uma foto, ele o fotógrafo, e eu a fotografada. Nua! Não, por favor, nada de fotos; mas acabei deixando o homem enquadrar meu grelo. Apenas o grelo, viu, ninguém precisa saber que é o meu. Quando vi na tela do computador, que coisa horrível! não sei como você pode admirar isso. Levou meu grelo no telefone, todo satisfeito. Será que contou ao admirador que me olha quando passo em frente ao tal prédio? É muito ruim ser falada, cair na boca dos homens como se fosse uma vagabunda. Disse ao meu fotógrafo não conta pra ninguém, você vai ter tudo que quiser. O homem vibrou. Tudo? Sim, tudo. Ele é calado, e ficou maravilhado com a foto, mais com a foto do que comigo.

Fui à praia no dia seguinte, uma camiseta sobre o biquíni, a bolsa a tiracolo e uma sandália de borracha. Dizem que o acaso não existe, mas encontrei na praia um homem que não via fazia tempos. E o lugar em que o conheci nada tinha a ver com o mar e as areias. Foi uma carona que aceitei há algum tempo. O cara me levou pra casa, melhor dizendo, pra perto de casa. Na pracinha do Alto, estacionou e pediu que eu ficasse um pouco, vamos conversar. Todos os homens têm muitas histórias, mesmo que não sejam bons leitores, mesmo que jamais tenham lido sequer um livro. Contou de suas idas e vindas por aquele caminho, se eu conhecia o fulano, a fulana, o beltrano, a beltrana. A cada nome de mulher eu sentia um arrepio. Mais uma que ele comeu! Quem sabe eu viraria assunto, história para enriquecer sua antologia. Essa bermudinha tua é bonita, ele disse. Olhei pra minha bermuda, uma bermuda preta, bem colante, sem atrativo algum, conclusão, no lugar da bermuda, minhas pernas, era o que ele admirava. É, falei, são boas sim. Ele sorriu. Passei minhas mãos sobre a bermuda, desci ambas até os joelhos. Bem, tenho de ir, sabe, não posso me atrasar, qualquer dia desses a gente se encontra. Lembrei-me então da Adalgisa. Virgem, que nome, mas minha amiga é bonita e tanto, diz que se chama Alda. Certa vez cavalgou sobre o homem, até aí nada de mais. Mas dentro de um automóvel, numa rua escura, ela de sainha sem calcinha. A própria me contou. Disse que sentiu um medo terrível, mas o desejo era maior. Tem de ser de camisinha, viu? O porta-luvas do automóvel estava cheio, pode escolher ele disse. Pode escolher, ele me disse. Pra que fui abrir o porta-luvas? Mania minha de apertar botões. O troço saltou na minha direção. O que eu ia fazer com tanta camisinha, e eu só de bermudinha...

A praia estava boa, calor, aquela quentura que dá no ventre, sei lá, sente-se um arrepio magnífico. O homem que me dera a carona a me olhar. Caramba, faz dois ou três anos, quem sabe quatro. Difícil esquecer essas coisas. Dentro d’água o bronzeador não sai não, é do bom, assegurou. Não tinha o porta-luvas; mas as camisinhas, sim. Como você pode ter camisinha no bolso de uma bermuda, dentro d’água, na Prainha. Bem, dá-se um jeito, nada de cavalgar, acho que nado cachorrinho. Ele fez o leme.

segunda-feira, abril 22, 2019

A garota da farmácia

Eu e Isabela éramos amigas fazia tempo. Saíamos juntas, frequentávamos cafés, bares, restaurantes e festas. Vez ou outra ela dormia no meu apartamento. Uma vez eu estava nua, acabara de tomar banho, enxugava-me. Ela, então, começou a apertar meus seios com ambas as mãos, como se a ação fosse a coisa mais natural do mundo. No começo pensei em protestar, afastar suas mãos, mas os toques eram tão delicados que senti uma ponta de tesão, cheguei mesmo a afastar um pouquinho as coxas, como se esperasse o pênis de um homem. Ela continuou a me pressionar, deslocando os dedos alguns centímetros, ora para cima, ora para baixo, ora à esquerda, ora à direita. Olhei a sala antes de fechar os olhos, vi a revista que Isabela lia minutos antes sobre a poltrona, em cima da mesinha de centro, que era um largo quadrado de madeira onde havia alguns livros. Ela diminuiu a pressão, achei que iria encerrar a sessão, emiti um gemido, ela entendeu e continuou. Depois de alguns segundos soltou uma das mãos, enquanto a outra se mantinha sobre meu seio direito. A mão solta desceu escorregando sobre meu ventre e só parou quando atingiu a altura da vagina. Nunca sentira tanta maciez. Continuou a me acariciar, de repente procurou meu grelo. Encontrou-o saliente. Acabei deixando na ponta de seus dedos a umidade de todo o gozo que sentia naquele momento. Quando foi a vez de Isabela tirar a roupa e ficar nua a minha frente, não consegui ter o seu mesmo desempenho. Não faz mal, ela disse, há pessoas que são feitas para dar; outras, para receber.

No dia seguinte fui à farmácia comprar lubrificante. Isabela adora cremes e óleos, tanto mais quando os espalho sobre todo o seu corpo com mãos cada vez mais ágeis. Descobrimos que, assim, ela goza, e como. Aprendi a dar, apesar de, segundo ela, ter sido dotada para receber. A funcionária da farmácia, ao reparar que eu estava perdida em meio a tantos produtos, perguntou se me podia ser útil. Claro, procuro lubrificante. Não chegou a rir, pois manteve o profissionalismo, mas percebi que minhas palavras produziram algum efeito sobre sua pele. Entregou-me o produto, indicou-me a caixa e, acho, engoliu em seco.

O corpo de Isabela deslizava sob minhas mãos, ela deitada sobre o tapete da sala. Aproveitávamos uma toalha antiga, para não deixar que o óleo manchasse o próprio tapete, o estofado, o chão, enfim, tínhamos cuidado de não deixar rastros daquele nosso recente amor em toda a sala. Nossa relação sexual úmida e escorregadia atingia as raias da alegria. Ela pressionava-me os seios, eu abria as pernas, meu grelo úmido, meu gozo; depois, a vez dela, o corpo untado, minhas mãos a usurpá-la, seu gozo.

Até que surgiu um homem. Acho que teria sido melhor se eu contasse por que comprava lubrificante à funcionária da farmácia. Quem sabe ela viria encontrar comigo e com Isabela, assim, seríamos felizes.

Mas um homem é um homem e a gente não consegue dividir números primos, a não ser por um ou por ele mesmo. A funcionária da farmácia junto a mim e a minha amiga não constituiria também um número primo? Não sei, mulher é desdobrável, multiplicável. Quanto a mim e à Isabela, éramos heterossexuais, descobrimos quase ao acaso nossa homossexualidade, ou melhor, o amor que sentíamos uma pela outra. Pouco a pouco comecei a esquecer os homens, às vezes me lembrava de sentir o pênis de um namorado ocasional a me penetrar, mas eram lembranças que tinham a tendência de se perder no tempo. Isabela penetrava-me da mesma forma que um homem, eu gozava como junto a um homem. Mas minha namorada trouxe um homem, e um homem é um homem. Disse que era um velho amigo, que frequentava a casa dela, saíam juntos, trocavam confidências. Contou a ele nossa relação, relatou como tudo começou, descreveu nossas preferências. Confesso que achei aquilo um tanto doentio. Aconteceu, então, de um dia, ela começar a me acariciar na frente dele. No começo, fez de conta que nada de surpreendente acontecia, mas quis que ele nos visse trepar. Não, por favor, não é justo, protestei. O amor é justo, e podemos namorar assim que sentimos vontade, como agora, retorquiu. Vamos para o quarto, pedimos licença ao nosso amigo, sugeri. Dentro do quarto, porém, não foi a mesma coisa, estávamos acostumadas a namorar a sós, sobre o tapete da sala, a toalha ajudando-nos a não derramar o óleo, os móveis a nos espreitar silenciosos. Léo ficará em silêncio, será como a poltrona, o estofado, ou a mesa de centro.

Ela voltou à sala. Seu amigo lia uma revista. Disse qualquer coisa a ele. Chamou-me, pediu que, assim como ela, viesse nua. Eu gostava muito dela, por isso acatei o pedido. Apareci na sala, em pele e sem saber onde posar as mãos. Léo fez de conta que não me viu. Sentei-me no estofado e esperei por Isabela.

Depois do gestual de sempre, ela esperava que eu ficasse excitada, mas isso não aconteceu. Tanto mais tentava, tanto mais eu esfriava. Estava travada, eis a palavra certa. Com um gesto de cabeça, fez que o amigo se aproximasse. Isabela desceu a calça dele e tirou seu pênis. Olhei aquilo ainda assustada, sem ter o que dizer. Por que alguém que dizia gostar tanto de mim segurava com tanto ardor o pênis de um homem? Trouxe o homem para junto de si, segurando seu sexo enfiou-o na própria vagina, em pé, com uma das pernas flexionada sobre a mesinha. Transaram ali mesmo. Ela fechava os olhos, quase transtornada, e dizia daqui a pouco será a tua vez, a tua vez, espere um pouquinho, e se mexia alucinadamente. Após dois ou três minutos, interromperam abruptamente os movimentos, minha amiga afastou-se. Pude reparar que Léo gozara, a boceta de Isabela babava toda a porra que ele despejara dentro dela. Não suportei ver aquilo. Não por causa do ato sexual em si, mas por constatar que uma mulher que eu amava tanto não me correspondia em seus sentimentos. Corri dali e me tranquei no quarto. Como estava em meu apartamento, não tinha satisfações a dar.

Isabela foi embora junto com seu amigo. Tentou falar comigo algumas vezes, deixou recados. Não respondi a nenhum nem a procurei mais. Para me sentir mais segura, troquei a fechadura da porta do apartamento. Voltei à vida de antes de conhecê-la. Desde então não tive mais relacionamentos.

Aliás, outro dia fui à farmácia, comprei lubrificante e sorri para a funcionária que já me conhecia.

domingo, abril 14, 2019

Fogo

É quase um consenso a afirmação de que os homens têm mais desejo sexual do que as mulheres. Uma amiga dá a justificativa: isso acontece porque o sexo dos homens é para fora e o das mulheres para dentro. Não entro na polêmica, no entanto, caso as mulheres queiram desejar mais, ou melhor, ampliar o ardor sexual, tenho uma solução simples e fácil. O fogo. Isso mesmo, a chama de um isqueiro ou de um palito de fósforo. Aquela que quiser praticar, basta tirar a roupa, abrir um pouco as pernas, acender e aproximar a chama. Chama no sentido lato, denotativo, nada de metáforas nessa hora. Mas é preciso ter cuidado, não vá se queimar, não é preciso aproximá-la demais. O fogo aquece e não demora a despertar o fogo interior. Pronto, você parte para o sexo, a mil por hora, esquecida da tal tese de que o sexo feminino é para dentro. Você vai gozar mais e mais. Tente uma vez, duas, três, logo sentirá a diferença. Achegue-se ao namorado e deixe o resto com ele.


A amiga ainda contou-me a respeito das travestis.

“Elas são muito ardorosas porque são homens por fora e mulheres por dentro, por isso o desejo máximo, o sexo para fora, o gozo quase constante.”

“Credo!”, respondi atônita.

“Verdade.”

E narrou a história de uma conhecida, amada pelos homens, desejada por todos por causa da beleza e dor ardor. Usa a saia ou o vestido curtinhos, tudo quase de fora. Houve um namorado que a queria sem a calcinha.

“Cruzes, para uma travesti, sem a calcinha, é o caos”, cheguei a falar.

"Nada disso", ela continuou, "a tal tinha um jeitinho, só que precisava ir ao toalete de tempos em tempos, ao contrário..."

Minha amiga adotou a técnica do aquecimento, isto é, a técnica do fogo, que eu lhe ensinei.

“Muito obrigada”, veio-me agradecer, “até pareço a minha amiga travesti, nunca fui tão quente, estou deixando os homens loucos.”

Sua história vai além. Teve certo namorado que a queria nua. Aliás, eles sempre nos querem nuas. Mas o tal a desejava sem as roupas em público! Ele chegou, mesmo sem saber, a falar como o namorado da travesti:

“Sempre se tem um jeitinho.”

E ela foi nua. Primeiro uma saia muito curta; no dia seguinte, o vestidinho. Mas ela nunca falou para ele sobre a técnica do fogo. Cada vez que ele lhe comprava a roupa mais curta da boutique, menos ela precisava de aquecimento. Até que um dia, saiu totalmente nua.

“Fiquei gelada dentro do carro do homem, sem noção, achei que morreria, que aconteceria algo pavoroso comigo. Então, pedi a ele você me dá licença um instantinho? Você está nua, aonde vai fora do carro?, ele, preocupado. Não vou longe, respondi. Saí e me abaixei na lateral da porta traseira, abri a bolsa e procurei o isqueiro. Acendi, aproximei a chama, chegou a chamuscar meus poucos pelos. Ah, que alívio, voltei com todo o desejo do mundo, agarrei o homem, nada de frio no estômago, fiz o sexo mais gostoso da minha vida!"

domingo, abril 07, 2019

Não sabia que era tão bom

Adoro ir à praia, e vou quase nua, um biquíni fio dental preto, daqueles que deixa tudo de fora. Os homens querem me comer de primeira, basta olharem a minha bunda já se imaginam me penetrando, o pênis duro, grosso, avançando, amoldando-se aos músculos de minhas entranhas. Falo sério. É lógico que gosto de namorar, de trepar, de fazer um amor bem gostoso, mas amo ser admirada, imaginada nua na mente de todos os homens. Hoje estou debaixo deste guarda-sol, finjo que não vejo homem algum, meus olhos fechados deixam dúvida se cochilo ou se me deixo levar por ligeiro enlevo. Na praia não é bom arranjar namorado, no máximo um paquera, porque namorado atrapalha, amanhã tenho de ir a outra praia, caso volte ele fica na minha cola. É bom que eles me vejam como uma mulher livre, alvo dos homens mais lindos, mas que continua livre, cujo objetivo é o mar e o sol, já bastante para se apreciar. O sol provoca frisson, é só deixar esquentar a pele que a gente sente uns tremores, o prólogo de um orgasmo. Mas observo os homens, sim, mesmo sem olhá-los direto. Conto um segredo. Saí outro dia com um deles. Não os daqui da praia, mas alguém que conheci em outras circunstâncias. O homem me levou para um hotel, no centro, um prédio de dez andares, pediu o apartamento mais alto. Não sabia do meu jeito de amar. Deixei o tal a mil por hora. Além de conhecer muitas posições, sou escorregadia, encostam o peru e já vai entrando, também sopro histórias de sacanagem no ouvido deles. O homem não aguentou, falei algo que fez a porra dele ir ao teto. Já tínhamos virado para um lado, para outro, cruzados, papai mamãe, carrossel, eu lubrificada que só. Disse você quer botar no meu cu? Imaginem, eu com essa bunda imensa, que se destaca no fio dental, perguntando se quer botar no meu cu. Isso mesmo, as palavras certas, botar no cu. Agachei-me, como se evacua nessas banheiras turcas, que há nos navios da marinha de guerra. Se eu conheço algum navio do tipo? Bem, aí já é outra história. Agachei-me e pedi que deitasse, seu peru bem rígido a acercar-me. Vem, mete, você vai adorar, eu disse, você nunca me viu de fio dental na praia, sabe que a praia toda me quer nua, os homens todos sonham com o meu cu, você é o privilegiado! Aqui, aproveito para fazer um parêntese; esse modo de excitar namorado partiu de minha amiga Márcia, ela é magra que só e vive cercada de homens; estávamos na casa dela, conversávamos sobre banalidades enquanto ela cuidava das próprias unhas; surgiu o assunto sobre namorados, ela contou que saiu com um homem muito alto, quase dois metros, depois de conversarem acabaram na cama da casa dela; veja que loucura, trouxe o homem pra cá, tudo o que não se deve fazer; namoramos um pouco e quando ele veio pra cima de mim falei você gosta de fantasia?, então escute, no meio do relato acabei sugerindo quer botar no meu cu, quer?, você imagina, o homem de quase dois metros, o peru comprido, eu de costas pra ele com meu corpinho de modelo, um metro e sessenta e cinco. Fecho aqui o parêntese de minha amiga Márcia e sua saia justa. Fiquei na ponta dos pés, sobre a cama. Quando começou a vir, deu uma esguichada louca, o sêmen, como falei, lá no teto. Ah, isso não fica assim, não, continuei, você vai ter de vir, ainda não gozei, não vou sair daqui de mãos abanando, pense que vou embora nua da praia, você guarda meu fio dental dentro da tua sunga. O peru do homem levantou e, a partir daquele momento, não me perdoou, coloque na frente mais uma vez, pedi, quero uma trepada bem funda. Ele conseguiu? Sim, mas quis depois (não escapei, esses homens não entendem nada de literatura) comer meu cu. Para ver se ele brochava e desistia, ainda falei, rindo, vou cagar no teu peru. O homem animou-se mais.

Voltando à praia, o fio dental bem lá dentro, todos esses homens a me olhar. Estou latejando. Onde? Adivinhem! Não sabia que era tão bom.

sexta-feira, março 22, 2019

Salve o vestidinho!

Não sabia que na minha idade sentiria tanto tesão. Mas a história do rapaz (vamos chamá-lo assim), de trazer um vestido curtinho de presente para mim acabou... Bem, saberão a seu tempo, e aqui ele nem é longo.

“Não tenho mais idade pra sair assim”, assustei-me ao ver a roupa.

“Tem corpo, e quando se tem corpo a idade não importa.”

Experimentei o presentinho.

“Você quer me levar pra passear com essa roupa?, vai ser um escândalo, tanto mais nesse lugar aqui”, ressaltei.

“Vamos de madrugada, ninguém vai ver você”, assegurou.

Lembrei-me de um ex-namorado, fazia uns vinte anos. Sério. Vinte anos é muito tempo. Mas o que há de se fazer? O tempo passa pra todo mundo. Era aniversário dele e eu quis fazer uma surpresa. Fui esperá-lo com um vestidinho daquele tipo, curtíssimo, e o melhor, sem nada por baixo. Ele veio me apanhar. Entrei no carro e saímos. Fiz uma mis en scène danada, me remexia no banco, esticava vez ou outra o tecido, como se não quisesse mostrar as coxas. No final da noite, depois da bebida e do restaurante, agarramo-nos dentro do carro. Descobriu então que eu só trazia o vestidinho sobre o corpo. Era demorado pra descobrir as coisas aquele namorado. Acabou por dizer poxa, logo hoje que eu queria roubar tua calcinha. Não faz mal, respondi de pronto, roube o meu vestido. Ele ficou excitadíssimo com a proposta. No final, não titubeei, deixei o vestidinho nas mãos dele e saí nua do carro, apenas a bolsa e a sandália. Procurei a chave, abri a porta e entrei. E eu nem morava sozinha.

Voltando a história do presente. Vesti-o, experimentei.

“Cai como uma luva?”, eta rapaz que adora lugares comuns.

Esperamos a hora passar, vimos um filme na TV. Perto da madrugada, saímos, como ele havia sugerido.

Um céu cheio de estrelas, que cintilavam como eu jamais vira, ou jamais reparara, não havia lua, mas tudo muito bonito. Com a roupa curta, rejuvenesci. Será que salto do carro?, pensei. Ele dirigiu pra orla. Descemos a serra e, no banco do carona, meu vestidinho subia.

“Não quero namorar dentro do carro, não tenho mais idade pra isso”, alertei.

“Não se preocupe”, tranquilizou-me.

Jantamos num hotel. Uma suíte com jantar. Depois de comermos e bebermos, desfilei pra ele com o vestidinho. Mas ele quis que eu também desfilasse sem a roupa. Não me fiz de rogada. Com alguns disfarces, desfilei. No final, tive de desfilar mesmo nua! Ele adorou. E eu também. Pensei que já não tivesse tanto tesão, tanto desejo. Num determinado momento, pediu que eu sentasse nua, na poltrona, de pernas cruzadas. Ficou durante muito tempo a me apreciar. “Você é muito bonita, muito gostosa.”

Descruzei as pernas e o convidei mais uma vez para vir trepar comigo. Fizemos a festa até o amanhecer. Depois dormimos. Um sono justo. Lá pelas onze da manhã foi que lembrei que não tinha outra roupa além do vestidinho pra voltar pra casa. Vai dar o que falar.

Entramos no carro e subimos a serra. Fomos encontrando as pessoas pelo caminho, cumprimentando um, acenando pra outro. Houve um homem que pediu carona.

“Não pare, por favor, finja que não viu.”

Mas ele não quis ser deselegante. O homem entrou pela porta de trás, cumprimentou e, no final, agradeceu.

“Bom dia, dona Nete, disse quando desceu.”

Eu não tinha onde enfiar a cabeça.

“Não se preocupe”, falou o namorado, ele não notou.

Quando cheguei à minha casa, havia algumas pessoas nas proximidades.

“Vamos esperar um pouco”, pedi.

Ele ainda ficou a passar as mãos sobre as minhas pernas, por baixo do vestido.

“Ai, vou querer trepar de novo”, cheguei a dizer e sorrir.

Pedi a ele que saltasse, abrisse a porta da minha casa. Ele obedeceu. Quando vi que ninguém estava a me vigiar, corri e entrei, puxei-o atrás de mim.

Namoramos mais uma vez, dentro da minha casa.

“Falem os outros o que quiserem, mais vale o meu prazer”, eu nua nos seus braços.

“Salve o vestidinho!”, não pude negar.

segunda-feira, março 11, 2019

Numa praia em Portugal

Tenho um desses chapéus de sol, grande, bonito, o maior charme quando vou com ele à praia. Outro dia o namorado, ou melhor, o homem com quem estou saindo, me propôs uma fantasia. Pediu que eu vestisse o biquíni e o chapéu, dentro de casa. Aceitei a brincadeira. Fui ao meu quarto e o vesti, depois voltei, escorregadia, à sala de estar. Comecei a fazer, então, algumas poses. Dei uma requebrada com a cintura, segurei o chapéu na altura dos seios, como se eles estivessem nus e eu os escondesse. Depois, desci um pouquinho, ultrapassei o umbigo e cobri a parte onde estava o biquíni. O homem adorou. Após alguns minutos, virei de costas, desfiz o laço do sutiã e, quando dei a meia volta, apareci com o chapéu agora cobrindo os seios verdadeiramente nus. Mais uma vez me coloquei de costas, mexi as cadeiras como se acompanhasse uma música africana,  a seguir, fingindo fazer de conta, desfiz os lacinhos do biquíni, eu de bunda de fora para o namorado. Atrás dele, a janela, lá longe um prédio alto e o céu. Viro de frente? Sim. Cubro os seios o a boceta? Demorei muito para decidir, senti tremendo frisson, ele beijava o meu bumbum! Nada disso, ainda estamos na fase da fantasia, protestei, volte à poltrona. Obedeceu. Nua, de costas, o chapéu à frente, virei e cobri os seios. Não sei por que temos vexo dos seios nus, não da xereca, sabe-se lá o motivo. Mais algumas poses e acabei arremessando o chapéu na direção dele. Acaricie, estava juntinho a mim, ao meu corpo, sussurrei com volúpia. Ele tomou-o nas mãos com delicadeza, fez carinho, deu mesmo alguns beijos. Agora espere que vou contar uma história. Continuava em pé, mais uma requebrada de cintura, as mãos vagando no espaço, o auditório cheio. Eu nua!

Certa vez foi muito engraçado. Adoro praia, vocês sabem. Houve uma época em que as mulheres faziam topless, isto é, tiravam a parte de cima do biquíni, é lógico que queriam mostrar os seios. Era um sucesso. Num sábado de sol, eu estava em Copacabana, ali perto do final da praia, quase posto seis. Tirei o bustiê e me cobri como chapéu. Um tremendo charme, eu recostada na cadeira de armar com as abas do chapéu cobrindo meus dois seios. Isso atraía olhares, tanto de homens como de mulheres. Lógico que os machos sentiam desejo por mim, queriam me comer inteirinha; as mulheres, bem, sobre as mulheres eu percebia que algumas sentiam inveja, queriam também mostrar os peitos mas não tinham coragem, enquanto outras, acho, tinham uma crise de boa moral, ou certa indignação porque me achavam uma fulaninha sem vergonha. Na verdade, eu não tinha vergonha alguma, elas tinham razão!, podiam me chamar de sem-vergonha! Mas naquele dia, um homem musculoso aproximou-se. Assustei-me num primeiro momento, tentei, porém, disfarçar. A senhorita, por favor, podia vestir o sutiã, quase uma ordem. Quis perguntar por quê, mas preferi não discutir. Não adiantaria expor minhas razões, talvez tivesse crianças na barraca ao lado, seria um moralista ou, quem sabe, policial. Depois, no entanto, descobri o motivo. Visto, sim, concordei, mas não aqui, você segue em frente, vou atrás. Peguei a bolsa com a mão esquerda e o acompanhei, sempre o chapéu a me cobrir os seios. Dali a uns trinta metros, virou-se para mim. Ofereci-lhe, então, o chapéu. Compreendeu meu desejo. Segurou-o junto aos meus seios enquanto eu vestia o top. Continuei sorridente como nunca e jamais perguntaria o motivo de sua abordagem. Mais tarde, confessou-me a manobra: queria ver os meus seios nus e o chapéu estava atrapalhando. Conseguiu olhando por sobre uma das abas, no momento em que eu me vestia. Acabei rindo da situação. Não posso dizer o que houve depois, mas vocês podem imaginar, ninguém é inocentes.

A plateia aplaude. Não sei se a mulher nua que não sabe onde colocar as mãos ou a sua história.

O homem continuava sobre a poltrona, olhando-me. Depois que acabei a historieta, quis vir na minha direção. Não, nada disso, espere, tenho outra, por sinal muito engraçada, aconteceu com uma amiga. Sabe, as histórias meio acidentadas não acontecem com a gente, mas sempre com alguma amiga. Ela saiu com uns garotos. Tinha trinta e cinco anos, os garotos dezesseis ou dezessete. Eram três ou quatro. Quem manda sair com criança, digo, mas ela não me escuta. Foram todos à praia, e sabiam que era desinibida, atirada. Ficaram agarrados a ela um bom tempo, às vezes dois a dois, outras um de cada vez. Ela achou aquilo tudo muito interessante. Até que um pediu que ela tirasse o top. Como a praia não tinham muita frequência àquela época do ano, concordou (acho mesmo que fosse verão a pino, tiraria, conheço-a muito bem). Eles se alegraram ainda mais. Continuaram o jogo. Pediram que fechasse os olhos e contasse até vinte. Brincadeira de criança, ela. Sim, brincadeira de criança, acertou. Quando levantou as pálpebras, onde os garotos? Minha amiga nua na praia, nenhum deles à sua volta. Moço, por favor, me ajude, pediu a alguém. Adivinha o que aconteceu depois, ela e o moço que a ajudou?

Agora, sem plateia, a história só pra você, com o corpo.

Abrace-me. Nua e sem chapéu! Hoje, les histoires sont terminées. Por que gosto de dizer, às vezes, o pronome depois do verbo? Sabe, isto se chama ênclise. Porque já fiquei nua também numa praia em Portugal!

domingo, fevereiro 24, 2019

A fila precisa andar

Sabem esses vestidinhos justos até a cintura, que depois alargam tornando a parte debaixo como uma saia rodada, curtinha? Eu vestia um assim. Sei que alguém vai dizer você é levada! Mas não é a única questão. O rapaz com quem eu marcara tinha certa fama na nossa cidade. Muitas moças gostavam de sair com ele, mas não deixavam de lado os comentários. Ficava um tititi danado. O que será?, eu exercitava minha mente. Até que descobri. Ele namorava as moças, acariciava as pernas de cada uma delas, depois, bem, depois adivinhem! Trepava com elas, é lógico. Era o que todas desejavam. No final, acontecia a surpresa. Ele lhes roubava as calcinhas. Lúcia, a de cabelo vermelho, me contou a boa nova, aliás, nem tão nova assim. Quando ele me convidou pra sair, vesti a tal roupa. E nada de calcinha. O homem me pegou à porta de casa, olhou minhas pernas e sonhou com elas, é certo que iria se deliciar. Como também gosto da brincadeira, pensei na fama de seu pênis. Passeamos e passeamos. Nada de namorar no carro, viu?, gosto de um bom hotel. Como não deixei que avançasse sobre minhas pernas, que deslizasse as mãos por baixo do vestido, acabamos no hotel, como eu queria. Foi então que fiz a maior encenação. Quem tira minha roupa sou eu. Enfiei-me no banheiro, fiquei sentada um bons quinze minutos sobre o vaso. Depois saí, enrolada na toalha, um tecido fofo que me cobria até os pés, um tomara que caia comprido. Quando me deitei, não demorei a ficar meladinha. Eu ardia! Nossos corpos entrelaçados durante duas horas. O cara era criativo nas posições. Em certo momento fez que eu girasse, ele deitado, um eixo firme; eu, o carrossel. Quando acabamos, pensei ele vai ficar furioso, não tem calcinha pra roubar. Por isso deixei que fosse ao banheiro antes de mim. Ao sair, estava radiante, o sorriso aberto, maior do que qualquer coisa do mundo. Então, minha vez de me aprontar. Surpresa, onde minha roupinha? Amor, alertei, você vai dirigir com uma mulher peladinha ao teu lado! Ah, como sou levada...


Dentro do carro ele olhava minhas pernas. Eu sorria, cruzara os braços, queria saber como acabaria aquela história. Custa cento e cinquenta, disse a ele. O quê? O vestidinho, completei solícita, comprei no shopping. Ele assentiu com a cabeça. Você terá uma surpresa, falou. Dirigiu ainda durante uns vinte minutos. Na Riviera subiu um ladeira, dobrou a direita e parou em frente a uma casa de dois andares. Pode saltar, apontou o portão, toque lá, alguém virá atender, não tenha medo, tudo será excitante. Desci, sem demonstrar a mínima vergonha. Caminhei ao portão e toquei a campainha. Enquanto isso, ele deu a partida e desapareceu após alguns segundos. Eu conhecia de vista o homem que veio abrir a porta. Olhou-me com alegria, beijou-me e pediu que entrasse. Não se mostrou surpreso por causa da minha nudez. Agi como estivesse vestida por inteiro. Entramos numa sala grande, com móveis, sofás e uma poltrona ao fundo. Ele apontou que eu sentasse. Desapareceu durante alguns instantes e voltou trazendo um envelope. Entregou-mo. Olhei o conteúdo e reparei várias notas de cinquenta. Coloquei-o ao lado e sorri para o homem. Ele aproximou-se e segurou um dos meus braços. Começamos então novo exercício sexual, cada vez mais intenso e envolvente. Tudo que fizera, na cama, com o primeiro namorado, repetiu-se sobre aqueles sofás e poltronas. Nunca gemi tanto, pelo menos é o que acho agora, no momento em que escrevo. No final, deixou-me sozinha e desapareceu dentro de um corredor que levava a outros cômodos. Como demorasse, sentei-me na poltrona principal, cruzei as pernas e tomei nas mãos um livro que repousava sobre a mesinha lateral. Era um romance. Li os primeiros parágrafos. Tratava-se de uma mulher nua, como eu, sentada numa grande sala. Interessei-me pelo começo da história. A mulher viu uma camisa masculina de magas compridas, tipo um agasalho, que estava sobre uma das cadeiras, caminhou até o local e vestiu-a. Depois disso dirigiu-se à porta, abriu-a e escapou. Olhei toda a sala e encontrei, assim como a personagem do romance, o mesmo agasalho. Fui a ele, vesti-o, também corri à porta de saída e logo andava a passos largos sobre a calçada. Não esqueci meu envelope, ia seguro pela minha mão direita.

Desci a Riviera, atravessei a via principal e logo cheguei à orla. A blusa não dava na pinta, parecia mesmo um vestidinho curto, de mangas compridas. Somente observado bem próximo é que se descobriria a verdade sobre a roupa que me cobria o corpo. Após caminhar dez minutos (o jeito seria ir a pé), um automóvel passou a acompanhar meus passos. Reparei um senhor, deveria ter em torno de sessenta anos, usava óculos. Você não aceita uma carona?, chegou a propor. De início, achei que já estava bom por aquele dia, o final de tarde apressava-se. Mas, como ele insistia, achei que poderia beneficiar-me da situação, não precisaria andar tanto. Parou o automóvel, abriu a porta para eu entrar. Agradeci ao sentar-me no banco do carona. Durante o percurso, foi econômico nas palavras, achei ótimo, mas reparei que apreciava minhas pernas, a blusa subira quando eu sentara e não adiantava ficar esticando a parte inferior. Ao parar diante da minha casa, olhou-me e percebi em seus olhos  uma ponta de desejo. O que eu diria a ele, apenas obrigada? Corri e fui a abrir a porta. Permaneceu olhando-me, esperando que eu entrasse. Abri e dei mais um adeusinho. Acenou e pediu que eu aguardasse. Fique com meu número, esticou-me o braço pela janela do carro. Voltei até ele e peguei seu cartão. Também vou deixar o meu, disse a ele. Depois que se foi, tranquei a porta, tirei a blusa e a larguei sobre o canapé, sentei-me na poltrona e fechei os olhos. A lembrança do envelope com as notas de cinquenta trouxe-me de novo à realidade. Após contar e guardar o dinheiro dentro do armário, voltei à sala e, ainda nua, deitei-me no pequeno sofá. Peguei, então, o agasalho e o joguei sobre meu corpo. Que gozo, pensei, ainda há o do automóvel! Será o próximo. Afinal, a fila precisa andar.

domingo, fevereiro 17, 2019

Vamos beber mais champanhe

Estava na praia, deitada de bruços, sobre a canga. Posição estratégica, porque não há homem que não dê uma olhadinha. Alguém poderia perguntar como uma mulher bonita como você, que sempre tem namorados capa de revistas, deseja se mostrar de maneira tão intensa? Exatamente por isso tenho namorados de cinema, respondo tranquila. Meu biquíni é fio, entra todo, reparo que muitos dos meus admiradores olham com mais ardor para se certificarem de que não estou nua! Sério. Dou cada susto neles. Eles voltam a cabeça procurando a tirinha que me revela seminua. É sempre bom ser admirada, faz bem para o ego, acho que acontece o mesmo com todas as mulheres. Às vezes ando de biquíni no calçadão, quando há bastante gente, o sol quente, os quiosques plenos de rapazes lindos a bebericar, a tentar matar a sede. Quando me veem, esquecem a bebida, o que estavam conversando, esquecem mesmo as mulheres que os acompanham. Conto agora o que se seguiu, uma história deliciosa, dessas a que estou sujeita no dia a dia da praia.

Fazia tempo que permanecia deitada, o bumbum ardendo. Virei-me, sentei-me na cadeira. Não passou dez minutos, decidi subir ao quiosque, tomar um suco. Poderia tomá-lo no local, alguém o traria até meu guarda-sol, mas preferi dar uns passinhos, exercitar o corpo, reparar os rapazes. Pedi a alguém próximo você pode dar uma olhadinha nas minhas coisas? Sim, claro, fique a vontade disse a mulher. Apenas de biquíni segui, aventurei-me cem metros no calçadão. Mas que prazer, quanto tempo disse um homem e tanto, acho que artista de TV. Conversa antiga. Claro que ele me paquerava. Acabei por aceitar sua aproximação. Ao parar e trocar algumas palavras, percebi que vários passantes olhavam minha bunda. Faz um tempo um jornalista escreveu que as cariocas não andam de biquíni no calçadão, que isso é coisa de gente de fora. Nem quero pensar na tal crônica, sempre gostei de andar nua no calçadão. O homem me dragava, patati, patatá, patati, patatá. Eu gostando. Conversa vazia, mas plena de frisson. Onde podemos nos encostar para me dar um beijo?, meu o pensamento. A conversa mole continuava, corpo ginástica esporte sucos sol mar álcool. É preciso ter sorte nesse tipo de paquera, não se sabe de quem se trata numa praia comprida como essa. Tive uma amiga que acabou o dia nuinha. Lógico, era isso que desejava. Conseguiu trepar com um homem lindo, segundo ela, musculoso, como um campeão de atletismo. Tudo aconteceu por trás da arrebentação. Mas há homens que gostam de guardar para si alguns biquínis! Nunca tive uma sorte dessas, ou melhor, um  homem halterofilista a me deixar nua. Mas este, um marmelo doce como só, me lambia o corpo inteiro. Vamos dar uma volta, convidou. Minhas coisas estão lá embaixo, pedi a uma desconhecida para tomar conta, retruquei. Não faz mal, é rápido. Ele apontou algo incerto, adiante. Não sei por que desejamos e aceitamos companhias. O incerto e o perigo nos atraem. Será a solidão? Por mais bonita que sejamos, os homens nos querem para se deitarem conosco, ou para que os chupemos bem forte. A gente é de estirpe semelhante. Que tal apenas uma conversa sobre arte, uma garrafa de água mineral, um café... Não conseguimos. Será? Acaba predominando a linguagem do corpo, seu desejo, aliás, o desejo nosso por inteiro. Segui o homem, quero dizer, caminhei ao seu lado. Confesso que me arrepiei quando seu braço forte e longo envolveu-me, tocava-me a cintura. Um casal de namorados adolescente. Paramos adiante, em frente a um jipe enorme. Abriu a porta e me convidou a entrar. Não posso sair, minhas coisas estão na praia. Ele já sabia. Não iria sair, não saiu. No jipe havia um pequeno freezer. Abriu e tirou uma pequena garrafa de espumante. Em alguns segundos, a rolha espocou. Encheu duas taças de plástico, brindamos e bebemos. Muito boa. Ficou a me olhar, fez seu banco reclinar. Entendi seu desejo. Abaixei a cabeça, puxei sua bermuda. Seu pênis, bastante duro, penetrou minha boca, meus lábios molhados de champanhe. Ele segurava meus cabelos, não me deixou levantar a cabeça. Fiquei naquele exercício por uns cinco ou dez minutos, até que o homem explodiu dentro de mim. Segurou firme, até estar ciente de que eu engolira todo seu sêmen. No final, me soltou e sorriu, permaneceu no banco ainda deitado. Vamos beber mais champanhe, convidou. Quando acabamos, não esperava que ele tivesse tanta energia. Soltou os laços do meu biquíni e pediu que subisse sobre ele. Não quero dizer o prazer que senti. Eu ardia. Tive apenas tempo de dizer não goza dentro não, não tenho mais como engolir tanta porra.

Ah, os meus pertences. A mulher ainda estava lá, tomou conta direitinho.

domingo, fevereiro 10, 2019

Duas noites e um dia

Ana estava sozinha havia dois anos, surgiu então enorme vontade de conhecer uma pessoa, de preferência da sua idade, e de características que só ela, no seu interior, desejava. Gostava de romantismo, já que na vida jamais o tivera experimentado com algum companheiro. Frequentava um desses sites de relacionamentos, mas não encontrara nenhum tipo que lhe enchesse os olhos. Numa dessas entradas e saídas, quando já estava desistindo, começou a teclar com Joaquim. Conversa vai, conversa vem, o homem pediu o número do telefone dela. Todas as manhãs e todas as noites, ele passou a lhe mandar vídeos musicais com a letra romântica exposta na tela. Joaquim gostava de conquistar mulheres com essa atitude e calhou de Ana gostar disso. O coração dela se foi enchendo de esperanças. Joaquim, cada vez mais, conquistando-o.

Ana havia sofrido um trauma há exatamente dois anos, por isso tinha desde então um pé atrás em relação aos relacionamentos com desconhecidos. A história foi a seguinte. Conhecera um homem também de outra cidade, chamado Luquesi. Após alguma conversa, decidiu encontrá-lo, mas ao chegar à casa do admirador deparou-se com alguém a princípio muito delicado, mas muito violento na hora de fazer amor. Ele tomava pílulas que deixavam seu peru duro durante toda a noite. A mulher carinhosa desejava o pênis do homem, porém em condições normais. O homem não gozava de jeito algum. Ela não conseguia fazer que ele parasse. Em determinado momento, passou um creme na vagina de Ana, dizendo que o produto lhe daria mais tesão e suavizaria a fricção. Ela acreditou. Mas o que aconteceu foi que o tal tornou-se mais afoito. Como toda mulher, ela tinha umidade própria, era comum ficar molhadinha quando trepava, mas ele insistia nas pomadas. Ao mesmo tempo, queria penetrar todas as entranhas da recente namorada. O resultado daquilo tudo foi que Ana além de não conseguir chegar ao orgasmo, voltou para casa ardida e decepcionada. Será que o novo admirador agiria da mesma forma? Para transar com ela era necessário, principalmente, muito amor, muitas carícias.

Depois de longos bate-papos com Joaquim, a coisa foi se tornando mais séria, os dois começaram a conversar sobre suas vidas íntimas. Ela dizia como gostaria de ser tocada por um homem, "amo que meu parceiro beije e acaricie meus seios, beije e passe a língua no meu grelo, assim como também irei chupar o seu pau". Joaquim concluiu que poderia fazê-la muito feliz sexualmente, falava o que ia praticar na cama, deixando a mulher excitadíssima. Os dois se olhavam através de câmeras. Tudo caminhava como queriam. Como estavam longe um do outro, tiveram vontade de se encontrar. Joaquim fazia de tudo numa casa quando se tratava de reformas. Um conhecido rico propôs a ele que reformasse uma de suas mansões, no bairro Santa Rosa, em Niterói. Joaquim tinha um casebre em São Pedro da Aldeia, mas estava em Santa Rosa a trabalho. E continuava todas as manhãs e noites teclando com Ana, trocando amores e seduções. Numa quarta-feira, chegou ao topo final da vontade de tocá-la e ser tocado por ela. Convidou-a a visitá-lo na quarta mesmo. Ela, entretanto, não poderia ir, tinha consulta marcada para quinta pela manhã. Prometeu que iria depois de ser consultada.

Na hora marcada, reuniu seus pertences numa pequena bolsa, inclusive peças íntimas de renda vermelha. Tomou a condução, no caminho conversaram através de áudios.

Quando chegou à rodoviária, ele enviou uma mensagem dizendo que estava tomando café no barzinho do lado direito. Os dois haviam trocado fotos de como estavam vestidos e isso facilitaria o encontro. Porém ao saltar do ônibus e dirigir-se ao barzinho combinado, quem Ana avista a cinquenta metros do local? Luquesi. Era ele, sim, não tinha dúvidas. Será que ele tramara todo aquele enredo?, talvez não houvesse nenhum novo admirador, ela caíra na armadilha. Ana correu na outra direção. Foi então que sentiu alguém tocar-lhe o braço. Voltou-se, assustada, pensando no pior. Mas o homem que estava às suas costas era Joaquim. Que alívio.

“Vamos sair daqui o mais rápido possível”. Ana tomou-o pelo braço e correram dali.

“O que houve?”,  ficara assustado, “você é casada e está fugindo do marido?”


“Nada disso”, Ana sorriu, pois já não tinha marido havia anos, “depois te conto.”


Atravessaram a rua em direção a um ponto de ônibus, a condução que os levariam até a mansão.


Joaquim, todo garboso, fez um jantar para Ana. Conversaram bastante, e os dois começaram a namorar. Primeiro na cozinha; depois, no banheiro, aonde foram tomar banho juntos. A mulher estava muito feliz, porque aquela noite estava prometendo. Os dois ocuparam a cama de casal do quarto principal da mansão. Foi tudo como tinha de ser. Ana e Joaquim arrasaram. A transa durou duas horas, com todo o carinho que ela desejava. Enfim, dormiram satisfeitos um com o outro. Duas noites e um dia Ana passou, naquele maravilhoso lugar, com Joaquim. Ainda bem que ele esqueceu de perguntar por que ela, ao chegar à rodoviária, correra tanto.

segunda-feira, fevereiro 04, 2019

Várias maneiras

Existem várias maneiras de namorar. Adoro quando deito de bruços e espero meu amor. Ele chega sorrateiro, preguiçoso, me acaricia devagar. Seus dedos suaves percorrem meu dorso. O namorado sussurra palavras de amor no meu ouvido. Outro dia, trouxe uma cápsula cheia de creme, estava gelado o invólucro. Sei que você gosta de um frisson, o frio lembra seu mergulho nas águas de julho, mar de inverno, você me contou faz tempo, teve um orgasmo no mar gelado; agora o creme está a quatro graus célsius. Tirou a tampa e, pouco a pouco, transferiu o conteúdo para o meu rego. Sei que a palavra não é agradável, mas não encontro outra. Conseguiu conjugar a arte de espalhar o creme transparente à delicadeza de movimentos que seus dedos exerciam. Quando tocou na parte mais sensível, bem no anus, fiquei toda molhada. Mas não o chamei de imediato para o amor. A arte de espalhar a substância mágica é também um ato de amor, outro tipo de ato sexual. Sem querer desprezá-lo, naquele momento veio-me à mente a imagem de um homem de anos atrás.

Saíramos de uma festa. Destas em que a gente fica horas e horas bebendo, beliscando, preparando-se para um arrepio maior na madrugada que se avizinha. Voltamos para casa; eu, apesar de ter bebido bastante, dirigia. O namorado me tocava as coxas, me beijava o pescoço. Não sei como estacionei na frente de seu prédio. Subimos nos agarrando dentro do elevador. Se ele tivesse tirado minha roupa antes de abrir a porta, eu não teria me oposto. No apartamento, atiramo-nos na cama. Apesar do cansaço, não desistimos do amor. Ele me despiu, continuou a me beijar, a roçar seu corpo contra o meu. De repente, sugeriu tenho uma pomada na gaveta, deixa passar no seu bumbum. Nem respondi, virei-me e esperei. Ele me lambuzou bastante. Relaxei. Senti seu pênis, rígido e enorme a me penetrar. Fazia tempo que eu não namorava daquela maneira. Com ele, então, antes, nem em pensamento. Seu peru não encontrou resistência, deslizou até a raiz para dentro de mim. Pedi que assim permanecesse, que não cessasse, que durasse a noite inteira. Estava totalmente louca. Quando ele gozou, senti quase uma explosão, o jato quente dentro de mim. Aliás, tenho muita sensibilidade para essas coisas.

Meu namorado de agora segue os mesmos passos. O pênis rígido, o carinho, o mergulho dentro de mim. Gozo, a princípio, duas vezes. Com a lembrança, e ao vivo, querendo que dure bastante. Não esmoreça, por favor, demore, se possível a noite inteira, peço. Ele vai e vem, não vou gozar, diz, pode deixar, tenho um método especial. Ficamos naquele amor completo. Ele chega a parar a fricção e fazer seu pênis latejar dentro de mim. Penso numa amiga, não sei por quê, mas acho que tais pensamentos me vêm à mente para mais me excitar; quando trepa pela primeira vez com um novo namorado pergunta se gosta de histórias de sacanagem; lógico que ele diz sim; a primeira frase da narrativa é você quer botar no meu cu?; depois vai a historieta, tendo sempre o homem que vem sobre ela como protagonista; você não sente dor?, ela pergunta ao se sentir penetrada, como se fosse ele a falar; tenho um creme especial, ela mesma responde; caso queira saber onde está a pomada, minha amiga responde já vim preparada!

Volto ao meu homem, continua a latejar dentro de mim. Será que consigo dar umas beliscadelas com o anus? Claro, todos ficam apaixonados ao sentir meu músculo. Acabo tirando-o do controle. Os homens experientes, neste momento, tentam pensar nos mais diversos temas, bem longe dali, um modo de manter o domínio sobre si. Mas minhas beliscadelas são intensas. O namorado perde as rédeas. Sou égua desgarrada a saltar e lançar as patas traseiras com toda a violência. Ele goza, esporra-me toda!

segunda-feira, dezembro 17, 2018

Toda manhã

Toda manhã, antes de chegar ao trabalho, faço uma paradinha num quiosque que vende pão com manteiga e café com leite. É muito gostoso tomar o café de manhã cedo, em meio a outras pessoas que também tentam sentir o sabor do início do dia antes de começarem suas tarefas. Como nossa vida é cheia e surpresas, numa dessas manhãs reparei um homem. Ele, não posso negar, também olhou para mim, chegou mesmo a piscar e sorrir. Retribuí com meu sorriso enigmático. Os dias se passaram sem que eu o visse de novo. Na última quinta-feira, no entanto, encontrei seu rosto entre as pessoas, todas afoitas e plenas de prazer devido ao cheiro forte de café. Eu usava botas compridas, dessas que sobrem até um dedinho abaixo dos joelhos e um vestido que descia ao encontro das mesmas botas. Os homens adoram. Estava frio e a fazenda do tal vestido era pesada. Em tempo de inverno, a gente anda com muita roupa, em consequência não se fica elegante, pelo menos é a minha opinião. Tenho uma amiga que adora o inverno, diz que é época de se vestir bem, com requinte. Não tenho a mesma opinião, muita roupa não combina comigo. Mas o admirador veio conversar, disse que eu estava bonita, perguntou onde eu trabalhava. Perguntas comuns de duas pessoas que começam a estabelecer alguma ligação. Não menti. Contei o que podia. Ele, sempre simpático, disse conhecer bem a região, sempre trabalhou no bairro. Percebi que desejava me convidar para sair, mas não encontrou clima. Deixei meu número.

“Você sai cedo, do trabalho?”, perguntou.

“Às vezes, sim, mas geralmente saio lá pelas seis.”

Não sei por que lembrei um paquera que apareceu faz uns dois anos, passou a me esperar na saída do trabalho. Quis me desvencilhar dele, não gosto de gente no meu pé. Foi um sacrifício. Ainda bem, este não disse que me aguardaria. Podia mesmo perguntar se eu gostaria de ir a um bar, ou mesmo ao Mc Donald, depois do expediente, mas nada falou.

Dei um adeusinho e corri ao trabalho. Enquanto subia o prédio, pensei num namorado que tive fazia um tempinho. Ele dizia que eu, sobre botas, fico muito alta. Eu ria. Ele acrescentava, deixe tirar você de cima dessas pernas de pau. Ele me tirava mesmo, quero dizer, despia-me das botas e depois do resto. Nas revistas masculinas, há mulheres nuas vestindo apenas botas. Quem sabe o admirador do quiosque de café não me desejava nua, desfilando de botas só para ele.

Naquele dia, não sei o motivo, trabalhei um tanto eufórica. Tenho uma amiga que, ao sentir tal sensação, vai ao banheiro, olha-se no espelho, senta-se sobre o vaso para descansar, respira fundo. Não sei em que ela concentra-se. Mas, depois, volta muito calma à sua mesa. Não sei, mas acho que se vou ao banheiro para me acalmar, vou acabar tirando a roupa. Talvez assim eu me acalme.

Durante o dia, o tal homem começou a me enviar mensagens. Oi, querida, adorei você. Oi, amor, que tal um beijo, teus dedos são de fada, toque o meu rosto, ele insistia. Amanhã a gente se encontra, escrevi.

O quiosque ainda estava pouco frequentado, ele não havia aparecido. Será que iria embora só? Mas ele veio, sim, devagar. Chegou bem pertinho, pensei que iria me beijar, mas não o fez. Talvez temesse uma recusa. Não é bom ir logo de primeira. Pediu café, apenas. Perguntou se eu estava disposta para o dia que começava. Suspirei. É preciso trabalhar, falei. Ele sorriu, aliás, manteve o sorriso. Em certo momento disse você aparece também à noite, como a lua, que na maioria das vezes é noturna. Entendi, um convite para sair. A gente se fala durante o dia, estou atrasada. Parti para o escritório.

Naquele dia, enquanto trabalhava, pensei se ele descobriria meu segredo. Mas ainda não mandara mensagem alguma. O homem sabia criar expectativa. Eu não queria viver de expectativas, meu problema de sempre, desejava liberdade, de amar e de fazer o que bem entendesse. Não é bom ficar presa a um homem. Antes que ele ligasse, resolvi me antecipar. Liguei. Mas não para ele. Tenho uma pessoa que sai às vezes comigo. Não é meu namorado nem coisa parecida, mas a gente passeia, conversa e também trepa. Isso mesmo. E sou eu quem marco. Nada de expectativa. Evandro, vamos sair hoje? Imaginei seus olhos, por trás da distância que nos separava. Ele disse sim, ficaria muito feliz com a minha presença. Então, naquele dia, mesmo que meu paquera do café mandasse uma mensagem, nada feito, já tenho compromisso. Evandro sabe boa parte do que me excita, e pede para eu lhe fazer pose. Já até sabia como seriam as da noite próxima: de botas e bustiê. Gostosa a sensação.

O homem do café telefonou. Uma proposta deliciosa. Quem sabe, amanhã!, criei eu a expectativa.

Com Evandro foi um gozo e tanto. Gosto dele porque sabe dar prazer às mulheres. Há homens que pensam apenas em si, sobem sobre nós e despejam seu gozo grosso. Evandro, não. O carinho é intenso, sabe tudo sobre meu corpo, meus pontos de prazer. Deixa-me molhada a maior parte de tempo.

No dia seguinte, após a transa maravilhoso com Evandro, saí com o novo paquera. Caso ele fosse apressadinho, eu já teria gozado na véspera.

Qual foi a minha surpresa. Levou-me a um hotel que tinha vista para o Aterro do Flamengo, dava mesmo para apreciar o aeroporto, com seus aviões descendo e decolando. Mas nada de barulho. De som, apenas sua voz a sussurrar no meu ouvido, falava cada coisa de me deixar a mil. Ele, a princípio, me abraçou, me beijou; enfim, mil e uma carícias. Havia uma mesinha e duas cadeiras na antessala, onde começamos o namoro. Sentei-me e ele ficou ao meu lado. Depois de alguns minutos, entramos no quarto, sentamos na cama e continuamos a nos acariciar. Para evitar ter de tirar a roupa na frente do homem, decidi ir ao banheiro. Dei-lhe um beijinho, corri e fechei a porta. Despi-me e tomei um banho rápido. A água quente, gostosa. Depois, envolvi-me na toalha, abri a porta e saí, fresquinha, pronta a me atirar nos braços dele.

Mudo de parágrafo. O que aconteceu depois merece descrição à parte. O homem, com mãos e dedos macios, acariciou-me o corpo inteiro. Descobriu que amo histórias de sacanagem.  Nunca pensei que gozaria dois dias seguidos. Para nós, mulheres, o gozo é difícil. Não demorei, porém, a transbordar meus eflúvios. Ao mesmo tempo que o desejava sobre mim, seu pênis bem duro a me penetrar, queria suas mãos contínuas a me acariciar, sua voz máscula a insistir-me protagonista de aventuras sexuais. Após alguns minutos, por minha própria conta, virei de costas e levantei o bumbum, permaneci deitada mas com os joelhos mantendo elevadas minhas coxas e o quadril. Ele entendeu o que eu desejava. Colocou-se sobre mim, seu pênis a procurar minha vagina. Ui, que arrepio. Logo que me penetrou, senti um orgasmo. Ah, estou gozando, falei, não para, por favor, quero gozar mais, mais e mais, minha voz perdia-se na minha loucura. Veio-me à mente a lembrança de um namoradinho de outros tempos, ele adorava me levar à praia e, dentro d’água, tirar o meu biquíni; assim que me sentia nua, gozava. Naquele  instante, sobre a cama, eu sentia o mesmo, o gozo especial que a gente alcança nas primeiras vezes e dificilmente se repete. Conforme ele metia, eu dizia me rasga, vai, me rasga toda. Não passou muito tempo para eu sentir seu gozo quente dentro de mim, várias explosões, vulcão que não parava sua erupção.

Como vou viver sem um homem como esse? Não posso perdê-lo. Tenho Evandro, que conhece todo o meu corpo. Agora, este outro, a quem, tenho vontade de presentear com minha calcinha! Mas não foi necessário, meus gritos de gozo revelaram que me deixasse sempre nua.

segunda-feira, dezembro 03, 2018

Boas histórias ou duas maçãs bem vermelhas

Nely acordou envolvida num lençol. Como sentia prazer nisso, nua, o tecido suave, única coberta a lhe acariciar o corpo, mão carinhosa a deslizar creme de calêndula sobre a pele. Moveu-se à direita, à esquerda, sorriu, serrou-se dentro dos panos e imaginou como seria o dia que brotava. Havia sentido enorme prazer à noite, antes de dormir, mas, no momento, pensava numa visita que receberia, um ex-namorado viria a sua casa, vinha de longe, morava em outra cidade, por isso pedira pouso, precisava de um documento na prefeitura da cidade onde ela morava. Gostava naquele ex o fato de ele pensar em lhe dar prazer muito lhe agradava. Você está contente?, ele perguntava, sente prazer? Quando transava com ele, o homem queria mesmo era fazê-la gozar. Gozou?, perguntava no final. É difícil fazer uma mulher gozar, para algumas trata-se de um trabalho hercúleo. Nely sabia que ele se preocuparia em agradar-lhe o máximo, em deixá-la feliz. Na certa, traria um presente. Moveu-se sob o lençol, sentiu mais uma vez o namoro com o tecido, quase um arrepio. Não sentia vontade de sair da cama.

Ela sabia que, naquele dia, lá pelas onze da manhã, depois da chegada do tal homem, ficaria nua na sala de casa. Sério, não resistiria. Não precisava se preocupar, ele surpreenderia. Nely estaria trajando um vestido florido, macio, que descia até os joelhos, roupa confortável para se ficar em casa ou mesmo circular pela vizinhança.

Ao chegar, ele abraçou-a e beijou-a. Os dois sentaram-se juntinhos no sofá de fronte à mesa, na sala de estar. A conversa circulou em torno dos últimos acontecimentos, da vida de Nely, da praia próxima, dos passeios que ela às vezes fazia. Ele permanecia silencioso, sua face demonstrava contentamento. Pousou uma das mãos sobre um dos joelhos da mulher. Ela fez como se nada tivesse acontecido. Continuou a falar, olhou a ele, virou-se novamente para frente e contou como fora o último final de semana. Falava como se houvesse uma terceira pessoa diante dela. Quando virou a cabeça para o homem, beijou-o e ele já deslizava a mão sobre suas coxas, por baixo do vestido. Após o beijo, Nely ficou paradinha, como meditasse ou como esperasse até onde ele seria capaz de avançar. Subiu a mão, sempre tateando as coxas da ex-namorada, avançou até acima da virilha e parou junto ao elástico superior da calcinha. Introduziu a outra mão também por debaixo da saia. Desencosta um pouquinho, pediu ele. Ela fez o movimento, como o gesto mais natural do mundo. A calcinha desceu nas mãos dele, ultrapassou os joelhos e, enfim, o calcanhar. Ele a comprimiu dentro de uma das mãos e depois a arremessou sobre a mesa. Ela caiu dentro da fruteira, junto a duas maçãs bem vermelhas. Nely nua, apenas o fino pano sobre a pele. Como gostava da sensação. Lembrou-se que um dia saíra tal qual estava agora, a pedido de um namorado, apenas o vestido fino a lhe disfarçar a nudez, e uma excitação que a fazia comprimir as coxas.

Ficaram de pé. Ele a abraçá-la. Que bom assim, não precisava ter compromisso. Os homens apareciam, acariciavam-na, trepavam com ela e ela gozava. E a vida continuava. Ele levantou o vestido de Nely, que saiu pela cabeça, deixou-a nua. Isso, como ela gostava, nua, agarrada ao homem ainda vestido. Permaneceram naquele elevo por demorados minutos. Beijaram-se. Ele lhe disse algumas palavras no ouvido, palavras que ela gostava de ouvir. Deram alguns passos e deitaram na cama, que ficava no quarto. Namoraram de modo suave. Só então ele tirou toda a roupa e trepou com Nely. Transar com você é bom porque não me exige posições difíceis, ela. É mesmo?, pareceu surpreso. Tem homem que exige que eu seja malabarista; quando acaba, estou toda doída. No final, ele perguntou: você gozou? Já gozei ontem, assegurou ela um tanto sem jeito. Ontem? Um namorado ficou falando bobagem pelo telefone, acabei gozando, e foi tão bom. Após as últimas palavras, ela trocou o vexo pelo riso leve.

Durante alguns minutos, Nely não estava mais na manhã ensolarada de maio, mas na véspera, noite fechada, nua no canapé, o telefone no ouvido, uma trepada a distância, em que, a princípio, ela não acreditava. Ficou tão molhada. O homem era bom em historias.

Quer dizer que você tem gozado bastante.

Bastante, não, vez ou outra.

Nely olhou o ex-namorado, ainda agarradinha a ele. É bom assim. E quando você puder, ligue para mim, quem sabe também vai conseguir me fazer gozar. Afinal, você sabe contar boas histórias.

segunda-feira, novembro 19, 2018

Tudo muito engraçado

Tive um homem, para quem trabalhei, que era encantador. Levava-me a um hotel lindo. Adorava quando me tirava a calcinha. Suas mãos a segurarem o elástico lateral, o ato de puxá-la coxas abaixo, o momento em que se soltava do meio das minhas pernas, tudo chegava a me proporcionar um pequeno orgasmo. Além disso, era brincalhão, dizia vou levar tua calcinha de lembrança. Eu sorria, feliz por estar em seus braços.

Outro dia estava esperando um telefonema de um admirador com quem troquei uns carinhos faz algum tempo. Fazia um tempo enorme que não o via. Mas ele não ligou. Como havia perdido seu número, não consegui entrar em contato. O jeito seria esperar, quem sabe ligaria outra hora. Foi então que recebi uma ligação, mas de outro homem de quem nem mais lembrava. No início, pensei tratar-se de uma armadilha, mas ele veio ao meu encontro, recordei-me de quem se tratava. Convidou-me a uma casa de chá. Achei elegantíssimo. Gosto de homens que me convidam a lugares sofisticados. O garçom nos trouxe xícaras de porcelana, os sachês de chá para a nossa escolha. Olhei meu homem e sorri, reparei em volta a decoração: quadros, paredes de madeira, mesas de mármore branquíssimo, tudo muito bonito. Escolhi o chá. O garçom versou a água quente e esperei alguns minutos até que o líquido tomasse consistência. Logo nos primeiros goles, senti uma ponta de excitação. Dizem que chá acalma, ao contrário, senti uma alegria interior imensa, e depois, pouco a pouco, foi-me crescendo a vontade de namorar. Conversamos sobre assuntos banais, mas eu tocava suas mãos; quando podia, seus braços; cheguei a percorrer, com a ponta dos dedos, seu tórax. Aquele excesso de gesto iria me valer a estada num hotel dali a pouco, onde ficaríamos por umas três horas. Eu nua, pernas abertas; ele, um peru enorme, como eu não via fazia tempo. Sua calcinha é um requinte só, dá vontade de levar de lembrança, ele disse. E eu nos braços do homem. Os homens falam algumas bobagens no momento em que estão prestes a gozar, mas depois esquecem. A ejaculação leva consigo todas as fantasias. Aliás, houve outro homem... Daqui a pouco conto, mas este aqui me penetrou severo, rígido. Tomara que não me peça para chupá-lo, não tenho garganta para engolir um pau tão longo. pensei. Mas gostei da trepada funda, bem dada. Voltei para casa realizada. A casa de chá. A trepada funda.

Aliás, houve outro homem... A tal continuação. A história nada tem a ver com o requinte do salão de chá! Vesti-me com um vestidinho daqueles curtos, colados ao corpo e fui a um forró. Isso mesmo, adoro forró. Vários homens dançaram comigo. Tudo muito quente, muito suor. Adorei. Mas houve um, lá pelas tantas da madrugada, que me agarrou firme e queria trepar. Dizia no meu ouvido você é muito gostosa, não posso te deixar escapar. Pera aí, eu pedia, calma, me dê o teu número, prometo que telefono. Mas o homem foi insistente, queria naquela hora, e ali por perto. Nada disso. Cozinhei-o em banho-maria, dei-lhe uns beijinhos, deixei que me abraçasse num canto retirado. Havia outros casais namorando nas proximidades. Ele apertou-me, beliscou, quis deslizar as mãos pelas minhas pernas, subir minhas coxas. Imaginem, eu com aquele vestidinho fino, curto, o homem avançando. Mostrou uma camisinha. Ele, de camisinha. Eu, sem calcinha! Lembrancinha.

Na hora, a gente fica nervosa. Depois que passa, acha tudo muito engraçado.

segunda-feira, novembro 05, 2018

Saia justa

A folha em branco não me assusta. Minha preocupação principal é não deixá-la molhar. Sério. Você não entendeu? Então, preste atenção.

Outro dia estava com meu namoradinho. Saímos, passeamos, comemos e saboreamos uma bebidinha. Depois, o carinho gostoso. No final, porém, aconteceu algo que me deixou numa saia justíssima.

Para ser mais clara, mudo de parágrafo. Ele me despiu pouco a pouco. Adora começar por baixo. Eu vestia uma bermudinha. Continuou, tirou-me a calcinha. Adoro ficar de pernas nuas, apenas a blusa. Neste dia, fazia um fresquinho, além da blusa o casaquinho. Eu nos braços dele, metade nua, metade vestida. Beijos, mãos, carícias, ponta dos dedos por baixo da blusa, meus mamilos, minha língua dentro de sua boca. Passou um pouquinho, sua mão no meu clitóris. Adoro. A palavra e a ação. Comecei a abrir as pernas. Tirou-me o agasalho, então a blusa. Eu nua, ele vestidinho. Gosto de roçar meu corpo no algodão, ele completo, a me abraçar forte.

Outro parágrafo. Mudança de foco, ação importante. Isso. Contei uma história, bem junto ao seu ouvido. Sou arteira, vocês sabem; gosto de excitar as pessoas com a minha voz, minhas narrativas, tendo-me protagonista. Ele, como a maioria dos homens, adora histórias sussurradas, plenas de sexo. Um domingo, já faz muito tempo, apressei-me a lhe dizer, namorei três homens. Na praia. Não sei por que não fiquei com o primeiro, o mais bonito. Ofereceu-me carinho e um sorvete! Eu quis falar com uma amiga que estava nas proximidades, quando acabei de beijá-la surgiu o segundo. Ela piscou o olho direito. Entendi a mensagem. Após uma hora, ele, ao meu lado, acariciando minhas costas. Você quer saber se fui pra cama com algum deles? Bem, digamos que não, estávamos na praia. Há mulheres que trepam lá mesmo. Mas é tão desconfortável. Tudo ficou em algum carinho e beijinhos na boca. Ninguém queria ir embora, a praia é o paraíso. Ao entardecer, seria talvez o momento certo para o sexo. Surgiu o terceiro; recitou-me um poema, depois suas mãos, lisas e úmidas, deslizando sobre minhas pernas plenas de creme. Os três me adoraram, porém ficaram em suspenso, pelo menos naquele dia de sol intenso. Eu e minha amiga, nuas dentro d’água, excitadíssimas, mestras ao criar expectativas. De brincadeira trocamos a parte de baixo do biquíni. O dela ficou um pouquinho menor no meu corpo. Um arrepio. Você quer sabe se nos agarramos? Não. Gostamos mesmo de homens.

Meu namorado me tomou nos braços e colocou-me sobre o pequeno sofá. Seu pênis, tão duro, chegou a envergar. Dei um beijinho bem na ponta, depois avancei a cabeça, deixando a metade ao trabalho de meus lábios e língua. Não sei por que – isto não contei a ele – lembrei-me de um cara que paquerei na mesma praia, chupei o pau do homem debaixo d’água; tentava manter o fôlego o máximo que podia; quando voltei à tona, abraçou-me com força; Carmen estava a uns dez metros de mim, também agarrada ao namorado, olhos fechados; eu tinha certeza que ela estava sem o biquíni, costumava pedir ao homem para guardá-lo dentro da sunga, assim não o perdia; e se perdesse o homem? Mas, naquela sala, eu já tinha seu peru inteiro dentro da minha boca, a extremidade quase na garganta; estava quente. Por momentos, desejei que gozasse. Como faria para engolir tanta porra? Confesso que desejei muito. Ele se conteve. Ao vir sobre mim, seu grande membro, por instinto, procurou minha abertura principal. Deixe sentir você, ele pediu, depois coloco o preservativo. Vagarosamente, a penetração aconteceu. Com carinho; eu, molhadinha. À medida que seu pênis avançava, eu dizia que gostoso, que gostoso, não tira!, por favor, não tira! Sentia tanto prazer que não queria sequer perder um segundo. Logo, comecei a sussurrar Ah vou perder a cabeça, vou perder a cabeça, está muito gostoso!, que delícia. E não é que perdi mesmo. Ele friccionava cada vez mais dentro de mim. A saia justa, justíssima. Vou gozar!, gritei, vou gozar!, não tira, por favor, não tira, não perde a cabeça não, choraminguei, se segura. Não gozo, não, ele disse, aguento o máximo possível. Gozei uma, duas vezes, acho que três. Depois pensei, ah, esse homem vai esporrar dentro de mim, vai me deixar toda encharcada, embaraçada. Mas ele cumpriu o combinado. Após alguns minutos, colocou a camisinha e voltou para gozar. Você é ótimo, falei, qualquer hora dessas deixo você gozar dentro, ok? Também gosto, adoro sentir teu jato quente. Ui, ao falar, ainda consegui mais um orgasmo. Não sei por que lembrei Carmen, peladinha dentro d’água, na praia, a espera do namorado. Onde o maiô?, perguntei. Adivinha, respondeu. Você confia muito nos homens.

segunda-feira, outubro 22, 2018

Em dobro

A história que vai a seguir é um pouco delicada, talvez mesmo difícil de se contar.

Fui a uma festa onde conheci várias pessoas, dentre elas uma mulher linda. Dançamos juntas, eu, ela e mais quatro ou cinco mulheres. Como a música era de ritmo rápido, convidava-nos ao meio da pista. Havia poucos homens, sempre mais preocupados em beber do que dançar. A mulher linda ficou junto a mim, depois veio conversar, já um pouquinho distante da música alta.

Quero que você entenda, falou, pareço mulher, mas há um pequeno detalhe.

Arregalei os olhos.

É sério, continuou, tenho corpo de mulher, ajo como uma, todos me admiram como mulher, mas não sou mulher, entendeu?

Ah, sim, respondi meio sem jeito.

Como há tantos transexuais por aí, fiz de conta que sua história era muito natural. Depois de determinado momento, cheguei a perguntar:

Como você faz pra usar uma roupa assim tão curta?

Ela não demorou a responder.

Sempre me perguntam a mesma coisa, sorriu.

Então?, insisti.

Tem um jeitinho, sabe, respondeu delicada, dá pra gente se arranjar.

Por que você não opera?, perguntei afoita.

Deus me livre, disse assustada, prefiro como sou, uma mulher com pênis.

Depois de sua resposta, pensei que seria interessante, pelo menos por algumas horas ou por alguns dias, ser uma mulher com pênis.

“E tem mais, acrescentou, se corto (ui, nem gosto de falar assim), perco meu eleitorado.

Depois desta última frase, acentuou-me o gosto de ter um pênis durante pelo menos um curto espaço de tempo. Eu seria um cometa a jorrar minha calda através do espaço, todos a me admirar. Lógico, avisaria a eles no momento do encontro, sou uma mulher com pênis. Você é travesti?, eles mostrar-se-iam surpresos. Não, não sou travesti, sou uma mulher com pênis. Sério?, insistiriam. Por que preciso mentir? Acho que haveria uma fila imensa de homens atrás de mim, afinal, tudo que é exótico atrai. Preste atenção, eu diria ao recente admirador, sou uma mulher que fez uma cirurgia, implantou um pênis, mas quero continuar como mulher, não fiz o implante para usar o membro como homem. Ele arregalaria os olhos. Isso mesmo, eu asseguraria, acredite se quiser. Mas eu teria de recorrer à minha nova amiga para saber os truques.

Ensine-me, por favor, como faço para usar um vestido tão curto, com calcinha tão pequena?

Ela me daria uma aula, aconselhar-me-ia.

E à praia, como se faz?, eu gostaria de saber.

Não há mistério algum, arranja-se da mesma forma de quando se usa o vestidinho. Tem mais uma coisa adorável, ela a me ensinar, com o pênis temos mais ardor sexual, o gozo é intenso. Você não sabe o que é uma ejaculação? Sempre recebeu a ejaculação dentro de você, mas agora é você quem vai ejacular!

Eu, doidinha para arranjar alguém, querendo que me faça ejacular. Será que depois do gozo eu correria, morta de vergonha? Há homens que quando gozam perdem todo o prazer, ficam de cara fechada, demoram dias para se recuperar. Não, não quero mais o pênis, prefiro viver no meu constante estado de gozo sendo mesmo uma mulher.

Calma, disse a amiga travesti, tudo depende de treino, quando se tem o sexo para fora, o fogo é maior; e basta um pouco de controle, você vai viver a mil, muito mais do que uma mulher. Travesti é homem e mulher ao mesmo tempo, logo tem o desejo sexual em dobro.

Adorei. Mas tenho outro problema, pensei sem dizer a ela, adoro andar nua, com o pênis não vou poder, um travesti nu por inteiro é impossível.

Ela pareceu adivinhar meu pensamento:

Calma, você é muito precipitada, tudo a seu tempo, dá pra ficar nua por inteiro sim, e é uma gracinha!

segunda-feira, outubro 08, 2018

Leu num livro

Vamos, acelere, bom que a estrada é tranquila e escura, apenas os faróis do teu carro, vou contando pelo caminho toda essa situação. Já faz tempo que você me observa, não é mesmo? Também descobri você, não pense que não o espiono. A historia é a seguinte:

homem é mais velho do que eu vinte anos, também pudera, você não acha? É muita coisa. A gente namora e namora, no começo só beijinho e abraço, às vezes alguma coisa mais saliente. Imagina, não? Eu nua nos braços dele, na cama com ele, fazendo de tudo para ele ficar com o peru duro. Esforço infrutífero, como se diz de modo polido. Eu o conheci num desses bares da orla, veio falar comigo, eu estava com uma amiga, pediu para que o acompanhássemos na sua mesa. Educadamente aceitamos. No final da noite, deixei meu número. Não demorou a telefonar. Ele é pessoa interessante, trata-se de um homem erudito, educado, sabe se expressar maravilhosamente; qualquer um que se puser a escutá-lo gostará dele, principalmente as mulheres. Logo me interessou, senti mesmo uma ponta de paixão. Começou a me convidar a vários passeios, cada lugar mais bonito do que os outros, e não foi apenas aqui na cidade e no entorno. Mas na cama ele é um problema. Para ter uma ereção leva horas, e mesmo assim seu pênis não fica duro por mais do que trinta segundos. Sério, não acredita?, já calculei. Mesmo vendo filmes pornôs, revistas masculinas e coisa e tal, não adianta. Ele tem muito fogo, me abraça, me beija demorado, me chupa toda, gosta de me ensaboar e passar as mãos por todo o meu corpo. Mas seu pênis dificilmente fica ereto. Então, descobriu algo que o excita muito; conseguiu, enfim, a bendita ereção. Sério, não se trata de medicamento. Aliás, quanto ao Viagra, ele se recusa a tomar, diz que ataca o coração e encurta a vida; há também o viagra natural, receitado por um amigo, tentamos uma ou duas vezes, deu certo, mas é enjoativo, tanto para ele quanto para mim, passamos a usá-lo vez ou outra. Mas o que fez você me espionar e me conhecer, até chegarmos ao ponto em que estamos agora, aliás ao ponto não, ao trajeto da estrada, foi uma descoberta dele. Leu num livro sobre uma mulher que chegava nua à casa do namorado. Ficou louco com a história. Emprestou-me o livro. Confesso que também gostei. Como sou fogosa, meu coração logo bateu mais forte. Começamos a praticar o que lemos juntos. Na primeira vez, morri de medo. Eu, nua do lado de fora da casa, batendo para que ele abrisse a porta. Demorou um tempo imenso, pensei que jamais abriria a bendita porta, e eu não tinha o que vestir, pois saíra nua momentos antes da mesma casa e fazia de conta que vinha de outo lugar. Quanto mais demora a abrir, seu pinto fica mais duro. Quando entro, é uma festa. Atira-se sobre mim e enfia o peru duro como jamais visto. Ficamos na brincadeira uma vez na semana. Ele chegou a pedir que eu saísse nua, ao lado dele, no automóvel. Você quer saber se aceitei? O que você acha? Vivemos assim durante dois meses. Ele teve todas as ereções. Depois disso, apareceu você, lembra?. Reparei que havia alguém a me espionar enquanto eu batia à porta. No começo, fiquei morrendo de medo, mas depois passei a gostar. Mostrava o meu lindo corpo para dois homens. Acho que você pensou que eu nada percebia, verdade? Memorizei a placa e a marca do teu carro e passei a investigar sobre você. Descobri tudo: onde mora, se tem ou não mulher, idade, profissão etc. Então, achei que seria interessante ter uma aventura com outra pessoa que não fosse o meu atual namorado. Isso mesmo, uma aventura apenas, por isso estou aqui. Em vez de bater à porta de casa, bati à porta do teu carro, entrei nua. Agora, depende de você, estou nas tuas mãos. Mas no final da noite, você deve me deixar, escondidinha, no mesmo luar onde me pegou. Se ele não tiver morrido de tesão com o peru duro aguardando a minha chegada, vai ser mais uma trepada e tanto!

segunda-feira, setembro 24, 2018

Lâmina de porra

O homem tinha suas artimanhas. Pouco a pouco, começou a me deixar louca. Imaginem, com o indicador e o médio percorreu meu ventre, desceu-os até minha púbis e me tocou o clitóris, que escapou das bordas e ficou durinho. Jamais senti algo semelhante com outros namorados, normalmente afoitos e prontos ao gozo rápido. Involuntária, movimentei-me sobre a cama não conseguindo esconder o ligeiro frisson. Um pequeno orgasmo, inesperado, como certa vez na praia quando um namorado desfez os laços do meu biquíni. Queria investir nos meus melhores dotes de atriz, maneiras de fazer o homem se apaixonar, mas tudo o que consegui foi dobrar várias vezes os olhos, dominada pelo prazer excessivo. Cheguei a pensar se poderia ejacular. Mulher ejacula?, a maioria goza pra dentro. Mas, quem sabe, eu, uma exceção. Vou fazer você saltar de tesão, ele disse. Mal sabia que eu flutuava em nuvem úmida, preste a se desfazer em gotículas mornas de verão tardio. Tive sede. Venha à minha boca, quero engolir tua porra inteirinha.

O homem surgira de repente, um dia, na loja onde trabalho. As outras vendedoras não podiam saber do caso, ele comprava roupas comigo, sorria e dava o cartão. Sou eu que devo lhe dar o cartão, afinal, quem vende aqui?, falei em vão.

O vestido curto de malha, colado ao corpo, quase camiseta, desses que a gente fica esticando a barra o tempo todo, deixa os homens loucos. É perigoso vestir assim rua a fora e trepar com um desconhecido. Alguns pedem que a gente trepe de vestido, sem a calcinha; outros, bem, outros querem o vestido! Ah, uma advertência, não é recomendável ir a um encontro sem a calcinha, sobretudo se não conhecemos o homem. Certa vez houve um que me levou a uma loja de lingerie; impaciente, queria-me vestida!

Na hora do sexo não se pensa. Trepa-se em carne viva. Mas, depois, ao voltar a si, quem está toda esporrada? Mesmo assim gosto, e muito. Nua a caminho de casa.

Este agora, dois dedos e meu grelo pra fora, durinho. Sou mulher, cheguei a dizer, o que você procura aí? Te dar prazer, ele operava. Que lambança, assoviei, vou gozar, vou gozar. Não aguentei. Mas não perdi a pose. Gozo muitas vezes.

Sabe que já fui equilibrista?, sério. Namorados me queriam nua sobre a corda, uma delícia. Você tem a corda?, ele quis saber. Quem sabe, respondi. Empresta. Já sei, a corda tem muitas utilidades.

A corda serve para tirar a vida. A corda serve como abismo. Mas serve também pra provocar o gozo. Ele me amarrou. Todinha. Braços, pernas, mordaça. Ui, quanto mais apertava, mais eu tremia. Imobilizada. Confesso que não é a posição mais confortável. Veio sobre mim, não foi difícil escorregar o enorme pau dentro da minha boceta. Naquela hora, eu engolia qualquer coisa, por maior que fosse. Tapou meu nariz. Sério. Pensei que fosse me matar. Tantos tarados por aí. Contudo, percebi o jogo. Deixou que eu inspirasse o ar um pouquinho, para isso afrouxou a mão. Depois, tapou-me os orifícios, prendeu-me o ar nos pulmões. Aprendi a nadar naquela correnteza. Inspirava o tanto que podia e guardava. Então, aumentou o tempo, mais segundos e eu sem ar. Vou ter de contar a história depois de morta, cheguei a pensar. Hum, hum, hum, meu coração aos saltos. Comprimida. Tanto e tanto. Ainda há a história da faca. Acho que teve vontade de prolongar o gozo. Foi aí que substituiu o peru por uma faca de manteiga. Com cuidado, introduziu-ma. Não está afiada, chegou a dizer. Eu, amarada, amordaçada, dedos me prendendo o nariz, a faca... Não consegui me conter. Esporrei. A tal ejaculação feminina. Esporrei e respirei pela boceta. Verdade. Meu grelo ainda durinho. Um número de circo erótico. O tal do equilibrismo. Antes que ele me tapasse de novo todos os buracos, reparei a lâmina de porra.

segunda-feira, setembro 10, 2018

Lembra quando você me encontrou nua?

Sei que me espera todas as terças-feiras, mas não telefono, às vezes mesmo estou nos braços de outro. É um conforto imenso saber-se, senão amada, ao menos desejada por vários homens. Ao sair do trabalho às duas da tarde, posso escolher entre voltar a casa, passear pelas ruas do centro, ou encontrar-me com algum enamorado, pronto a carícias exageradas. Eles me adoram de saia curtinha, ou um macaquinho que me deixa nuas as pernas. Houve, certa vez, um deles que disse você volta apenas de macaquinho. Suspirei, a fazenda fina sobre a pele, o vento brando a me acariciar, fiquei a pensar o que ele faria com minha calcinha e meu sutiã. Mas são agruras de mulher cortejada. O homem das terças-feiras, no entanto, age de modo elegante, embora eu o deixe esperando durante vários meses. Sóbrio, não insiste. É claro que deve sentir prazer nos braços de outras, mas às vezes telefona, pergunta como estou, parece sorrir do outro lado da linha. Sopro algumas palavras carinhosas, mantenho suas esperanças. Não retruca, sábio de que cairei, madura, nos seus braços, basta ter paciência. Sabe que, caso espere um pouco mais, terá várias surpresas; a primeira, encontrar meu corpo quente, no ponto certo, os músculos retesados, como o arco pronto ao arremesso; a segunda, encontrar-me-á nua por inteiro a lhe perguntar, minha voz paredes aveludadas, se quer ouvir história de sexo, de supremo desejo e gozo. Na última vez, perguntei-lhe se desejava história picante. Picante, como assim?, curioso. Sugeri, então, se queria botar no meu cu. Desculpem, mas não tive outras palavras. Apesar de tantas as metáforas, figuras de linguagens cheirosas, úmidas e reluzentes, a tesão era mais forte, não queria eu deixar escapar o roçar violento, a pele contra pele, imaginei-me envolvida em teias perigosas, como a equilibrista nua, que goza com o perigo, corda estreita, sempre a possibilidade de se romper. Coma-me, a floresta é excitante. Qual floresta?, replica, estamos num quarto de hotel, no centro do Rio. Não, gemo em seus braços, numa floresta, encostada num tronco de árvore, você enfiando bem fundo, eu irmanada à natureza inteira, sou parte dela. Ah, lembra quando você me encontrou nua? Ele não consegue segurar, três jatos quentes dentro da minha vagina. Não me solte, por favor, um orgasmo a mais, por favor, sempre, sempre um orgasmo a mais; eu, a perder a cabeça.