quinta-feira, setembro 23, 2010
Não é que acabei postando?
sábado, setembro 11, 2010
Celebridade
quinta-feira, setembro 02, 2010
Não vai se vestir?
Você quer saber? Eu conto. Os homens são terríveis, adoram perguntar essas coisas. Muitos fazem como você, perguntam como foi a primeira vez. Ora, a primeira vez de uma mulher nunca é uma coisa boa. A gente demora a gostar de sexo. Mas vou contar a você algo que me aconteceu antes da primeira vez.
Eu era bem jovem, acho que tinha quatorze anos. Veja só, apenas tinha deixado de ser criança e já me metia em situações que poderiam me comprometer. Mas sempre fui ousada. Naquele tempo, minha irmã mais velha estava a fim de um rapaz de vinte e um anos. Isso mesmo, vinte e um. Logo arregalei os olhos. Nossa casa era grande, tinha piscina, gramado, churrasqueira e tudo mais. Ela convidou-o para um banho num dia de domingo. Desde cedo me coloquei a postos, não larguei os dois. Em certo momento, percebi que ele admirava-me e não à minha irmã. Mergulhei diversas vezes e fiquei juntinho dele. Minha irmã, como sempre, reparou e ficou morrendo de raiva. Dias depois, encontrei-o à noite no clube que costumávamos frequentar. Ele estava no bar. Aproximei-me, pedi um refrigerante e ficamos conversando. Meia hora depois disse que estava de carro e que me convidava para dar uma volta. As meninas de então não tinham o costume de passear sozinhas de automóvel com os rapazes. Mas aceitei.
Saímos e demos umas voltas pelo bairro. Sabia qual a intenção dele. Parou numa rua mais escura, deserta àquela hora da noite, perguntou se podíamos continuar nosso papo ali. Nada respondi. Esperei que me beijasse. Não fiquei imediatamente nua, como estou agora na sua casa, vinte e tantos anos depois, sentada no sofá de dois lugares, de pernas cruzadas e fumando esse cigarro. Naquele tempo eu já fumava. Perguntei se me cedia um cigarro. Ele o acendeu, deu um trago e o colocou nos meus lábios. Depois começou a me acariciar. Quis que eu tirasse a blusa. Não tinha vergonha de ficar nua, mas achava que riria dos meus seios, que não eram grandes. Disse a ele:
“Tire a minha saia; a blusa, não”.
Surpreendeu-se com a minha atitude.
Eu usava saia comprida, meio hippie, um tipo de bata indiana. Não custou à saia ir parar no banco de trás. Cruzei as pernas e continuei fumando, apenas de calcinha. Depois que arremessei a bagana pela janela, virei-me a ele e descansei nos seus braços. Aí aconteceu o problema que é a razão de estar contando isso hoje. Ele resolveu tirar o pênis para fora da calça. Fiquei assustadíssima. Nunca tinha visto um pênis duro. O dele era grande e grosso. Não quis dar mancada. Fingi que nada acontecera. Mas ao tentar aproximá-lo das minhas pernas, o rapaz notou que eu mostrava desconforto.
“Você é virgem?”, perguntou.
Atrevida, respondi:
“Isso não é pergunta que se faça a uma mulher”.
“Mas você parece tão assustada...”
“É melhor você me deixar no clube, vamos sair outro dia”.
Virei-me ao banco de trás, recuperei a saia e pedi que desse a partida.
“Espere só mais um pouquinho”, falou carinhoso.
Agarrou-me e deu-me alguns beijos na boca. Mas já com o pênis dentro da calça.
“Faz um favor pra mim”, ainda disse, “não vou lhe fazer mal algum, só quero ver você nuinha”.
“Você promete que depois me leva embora?”
“Prometo”.
Pedi mais um cigarro. Dessa vez fui eu que o acendi. Dei um longo trago, deixei-o entre seus dedos e tirei toda a roupa. Já não tive vergonha dos pequenos seios. Peguei o cigarro novamente e, de pernas cruzadas como agora, fumei-o até o fim. Queria que o rapaz levasse uma imagem positiva de mim; caso contrário, ao ouvir falar meu nome, lembraria do susto que senti ao ver seu sexo. Depois que acabei de fumar, pedi que me levasse dali. Ele me atendeu. Mas antes fez mais uma pergunta:
“Não vai se vestir?”
quinta-feira, agosto 26, 2010
Antes e depois
sexta-feira, agosto 13, 2010
Já que você faz questão...
quinta-feira, agosto 05, 2010
Cris e o amor - 3
“O que, Cris?”
“Uma cena do meu namoro com o Antônio foi parar num site.”
“Mas o que tem isso demais?”
“Muito, muito mesmo.”
“Como vão saber que é você?”
“Ah, vão, na certa vão, vai ser fácil. Escuta, não me interrompas, deixa-me te contar.”
“Tá bom, desembucha, então.”
“Foi o seguinte, ele narrou tudo o que aconteceu, direitinho. Não falta uma vírgula. Foi aquele caso sobre o qual te falei apenas superficialmente.”
“Que caso, Cris? Você já me contou tanta coisa...”
“Aquele caso que aconteceu quando fui ao apartamento dele; a história de que fiquei trancada nua do lado de fora, no corredor.”
“Mas isso já faz tanto tempo, Cris.”
“Tenho certeza de que vão saber que a pessoa retratada sou eu.”
“Tem o teu retrato, Cris? Caso não apareça foto não haverá problema?”
“Calma, Carla, deixa eu acabar de te contar. Foi uma brincadeira, daquelas que caímos na conversa do namorado e acabamos aceitando, tanto mais quando ele me falou que uma outra mulher já fizera o mesmo e ele adorou. Como gosto dele, resolvi também ir nua até o lado de fora. Aí ele trancou a porta. Não imaginas o que seja ficar cinco minutos nua no corredor de um prédio, com todas as outras portas em silêncio, o lugar escuro, mas tudo ameaçando a ruir numa fração de segundo se te descobrem nua. Fiquei gelada, mas resisti. Sorte minha que não apareceu ninguém. Quando ele abriu, já te falei, não?, entrei e me atirei nos braços dele. Foi uma transa maravilhosa. Mas ele colocar a história num site, já é demais. Passo a me sentir nua na frente de todos durante todo o tempo, as pessoas a me olharem sem eu ter o que vestir.”
“Calma, Cris, já te falei, esses sites não são tão lidos assim, as pessoas vão atrás de fotos, não atrás de histórias.”
“Fiz mais duas vezes, uma com ele e outra... Ah, a outra prefiro não contar, vais me achar completamente louca.”
“Conta, Cris, é bom você falar, assim vai se sentir melhor.”
“Não, acho que tu deverias ler, assim compreenderias tudo.”
“Está bem, me diga o site; leio e depois comento com você.”
“Toma, está escrito aqui. Vais achar que estou em maus lençóis, Carla, tenho certeza.”
“Nada disso, uma historinha dessas até estimula. É como já falei: caso não haja fotos, não há problema.”
“Carla, quero te falar mais um segredinho. Olha, além da história, há lá uma foto sim. E sou eu, perfeita. Não tenho nem como contra-argumentar. Já imaginou na escola, caso alguém descubra? Vou ter de pedir demissão.”
“Há foto mesmo, Cris? Como você se deixou fotografar?”
“Ah, Carla, na hora adorei, nem pensei nisso, mas agora, acho que nada tenho a fazer.”
“Caso alguém veja, negue!”
“Como vou negar? Já te falei, sou eu completinha, não dá para negar.”
“Então vamos à casa dele; vamos pedir para que retire a foto e a história desse bendito site!”
“Não, Carla, fui apaixonada por ele, sabes, e acho que ainda sou. Ele é tão bonito! Caso eu apareça lá acho que sou capaz de perder a cabeça e ficar nua de novo. Então vou ter outro problema.”
“Vou pra você, Cris; me diga como entrar em contato com ele.”
“Não, Carla, tenho certeza de que tu não serás capaz. Caso o encontre, amanhecerás desesperada o tanto como estou agora. Vais me contar a mesma história. Portanto, vamos ter dois problemas...”
segunda-feira, julho 26, 2010
Ah, Imagina!
quinta-feira, julho 15, 2010
Adorei a surpresa, e eles também!
A ideia foi dele, meu namorado. Estávamos na minha casa. Fica em Macacos, um lugarejo montanhoso próximo a BH, num condomínio fechado. As casas são distantes uma das outras, e durante a semana não há quase ninguém.
Saímos da casa, contornamos pelo lado esquerdo. Nos fundos, há uma rede para se deitar, num espaço entre o corpo da casa e o muro que limita o terreno. Como o dia estava meio ensolarado, cismou que eu tinha de ir de biquíni.
Relutei:
“Aqui não tem piscina, ninguém fica de biquíni.”
“Não faz mal, está sol, você pode até ficar um pouco moreninha, já que é tão branquinha.”
Acabou me convencendo. Experimentei um dos meus biquínis. Achou um pouco grande. Vesti o segundo. Também não gostou. Quando vesti o terceiro, apaixonou-se. Um biquíni minúsculo, raso. Para usá-lo era preciso estar inteiramente depilada, e eu estava.
“Deixe-me procurar algum pano para enrolar o corpo, a casa ainda não tem o muro da frente.”
“Não será necessário”, falou.
“Não será necessário, por quê?”
“Você vai assim mesmo, qualquer problema basta ficar dentro da rede.”
“Tenho muitos amigos e conhecidos, não posso sair assim, sempre aparece alguém.”
“Caso apareça, escondo você.”
“Esconde? Onde? Dentro da rede? Tenho um metro e sessenta e cinco e sessenta e dois quilos. Não é possível que você consiga me ocultar em algum lugar sem que alguém note.”
“Vamos. Não vai chegar ninguém. Ninguém faz visitas às duas da tarde.”
“Não? Você vai ver”, acabei concordando.
Na verdade, senti uma ponta de excitação pelo desejo do namorado. Ele sempre inventava artifícios que me despertavam ardor. Acabei também achando que não chegaria ninguém.
Rodeamos a casa e mergulhamos na rede. Demoramos um pouco até encontrar uma posição confortável. Depois ele me abraçou com mais força, me beijou. Por fim, tirou o meu biquíni.
Quando já íamos lá pelas tantas num namoro frenético e embolado, escutamos a buzina de um automóvel.
“Não falei? E agora, como vamos fazer?”, tentei sair da rede e encontrar o biquíni. Mas depois vi que seria pior. Resolvi permanecer imóvel, deixando a ele, o inventor daquilo tudo, a tarefa de encontrar uma solução.
Saiu da rede sozinho, vestiu rapidamente a bermuda e foi até a frente da casa.
Voltou em menos de vinte segundos.
“São dois homens, disseram que alguém mandou entregar um presente a você, mas é preciso que você mesma o receba.”
“Presente? Não faço aniversário nem há data importante para comemorar.”
“Alguém está te presenteando com um carro”, falou cabisbaixo.
“Um carro? Quem haveria de me dar um carro? Não conheço ninguém que me daria um presente desses.”
“Mas é verdade, e é de um tal de Itamar.”
“Itamar? Não diga? Ele está aí? É você que vai ficar escondido dentro da rede, viu? Vou despachá-lo, fico com o presente e o mando embora. Depois corro pra você de novo.”
“Ei, espere, volte aqui, ele não esta aí, são só os entregadores. Volte aqui, você está nua!”
Corri pra frente da casa. Meu galanteador não estava lá. Mas eu e os entregadores adoramos a surpresa!
quinta-feira, julho 08, 2010
Você está vendo esta pracinha?
Você está vendo esta pracinha e a escadaria ao fundo? A escadaria dá na rua de cima, que se chama Cardeal. Tanto a pracinha como a rua me lembram um acontecimento muito divertido. Tive um namorado que morou aqui, no último prédio da rua que fica à direita da escadaria. Ele morava sozinho e eu vinha aqui namorar com ele. Adorava me ver nua, aliás, como todos os homens. Só que ele tinha suas extravagâncias. Depois de bebermos sempre uma garrafa de vinho, gostava de andar comigo de madrugada por esse lugar. Um dia quis me levar nua para passear. Eu disse: “nua?, mas se aparecer alguém?” Ele insistiu: “não aparece, não, é tarde, já estão todos dormindo.” Eu replicava: “esse lugar é muito movimentado, vai que aparece alguém...” Depois de muitas idas e vindas, chegamos a um acordo. Eu iria vestida apenas com uma camisa social dele transformada numa espécie de minivestido. Com o cinto que eu vestia ao chegar até que fiquei arrumadinha. A camisa, o cinto e a sandália, nada mais. Saímos depois de meia noite. Subimos a escadaria e seguimos pela Cardeal; contornamos uma outra rua e nos metemos por outra ainda mais íngreme. Sabe como é Santa Teresa, um bairro cheio de ladeiras. Encontramos, no caminho, um bar. Estava mais para um botequim; havia homens bebendo cerveja e duas ou três mulheres. Eu e meu namorado entramos, pedimos também uma cerveja. Começamos a beber; ele perguntou com olhar lânguido, como se quisesse descobrir minha nudez por debaixo da camisa: “como você está se sentindo nua?” “Não estou nua”, respondi. “Está sim”, reafirmou. As pessoas conversavam em voz alta. Tentamos ouvir o que falavam. Às vezes riam da inflexão de voz que algum deles emitia. Lembro que um comentou sobre uma peça de teatro. Acho que a haviam assistido naquela mesma noite. Ao acabar de beber, pagamos e saímos. Meu namorado estava louco para me agarrar em algum canto escuro. Dei a mão a ele e nos metemos pelo mesmo caminho, só que de volta. Quando descíamos a escadaria, ele me encostou num dos corrimões e me deu um longo beijo. Depois ficou agarrado comigo sem deixar que eu me mexesse. Então soltou meu cinto e desabotoou minha camisa. Acabou por me deixar nua. Fizemos amor ali mesmo. Imagine, eu nua, no meio daquela escadaria, às duas da madrugada. Posso afirmar que foi ótimo. Depois acabou acontecendo o que ele queria no início. Lembra que falei do desejo dele de que eu saísse nua naquela noite? Pois é, não saí nua, mas voltei. Ele não me deixou vestir. Mas no final deu tudo certo. Quando já estávamos dentro do seu apartamento rimos muito.
quinta-feira, junho 24, 2010
Soltinha
quinta-feira, junho 17, 2010
Dissimulada
“Silvia, tire a calça comprida. Fique apenas de blusa e de sandália.”
Eu calçava uma sandália muito requintada, de meio salto. Fui ao banheiro, fiz o que me pediu.
Voltei à sala nuinha do umbigo até os pés. Ele já me esperava com a câmera.
“Fique de pé, virada um pouquinho para a esquerda.”
Atendi. Coloquei-me ereta, mas num meio ângulo em relação à câmera, com as pernas retas, numa ameaça de dobrar um dos joelhos. Sorri para ele. E os braços? Eles são sempre um problema para quem não está acostumada a posar. Podem parecer que estão flutuando, sem que a modelo saiba o que fazer com eles. Não foi, porém, o meu caso. Encostei levemente as mãos nas coxas. A foto ficou uma gracinha. Apesar de eu me mostrar um tantinho voltada à esquerda, é possível ver que estou nua.
Em seguida, me pediu a mesma pose, mas na posição oposta, isto é, agora virada um pouquinho para a direita. A foto saiu tão boa quanto a primeira, só que apoiei as mãos na cintura, um charme a mais.
Pediu que eu ficasse de frente. É bom repetir: sempre nuinha desde o umbigo, apenas a sandália branca a combinar com a blusa curta. Fiz a pose, dobrei levemente o joelho direito, não queria parecer tensa, estática.
Depois me quis agachada. Correspondi. Na primeira, uma pose lateral, aparecendo a parte externa da coxa direita, mostrando que estava nua, mas sem apresentar o principal. Daí, veio a pose apoteótica. O nu frontal, ainda agachada e com as pernas levemente abertas. Um verdadeiro show. Tive o cuidado de manter a coluna bem reta; mostro altivez, elegância e conforto.
Outra série. Dessa vez sentada no sofá, ainda nua. Pernas cruzadas, a direita sobre a esquerda, olhando à câmera, ligeiro sorriso, como se estivesse à espera de alguém. Em seguida, quase a mesma posição, só que agora com a perna esquerda sobre a direita, mas o olhar voltado para um ponto fora do visor da câmera, a face séria, mas não inteiramente preocupada.
Outra pose: as pernas ainda cruzadas, lendo uma revista, esquecida de que estou nua, “talvez ainda tenha que esperar um pouco, mas não se impaciente, leia um pouco”, disse ele. Ah, meu namorado e suas fantasias...
Mais uma foto. Ainda sentada sobre o sofá, as pernas não mais cruzadas, mas ligeiramente abertas, como se num momento durante à espera eu esquecesse que deveria disfarçar a nudez e perdesse momentaneamente o controle sobre meu corpo; o olhar vago, já um tanto indagador, o que me acontecerá, terei de esperar nua por muito tempo?
Mais duas fotos para completar a fantasia. A penúltima, depois da seguinte história, contada por ele com voz entrecortada:
“Lembra aquele conto que nós dois lemos? A mulher anda com o marido pela rua, senta num banco à beira mar. A madrugada vai alta, ele lhe tira a saia, e ela, nua, se deixa ficar. Por momentos, deseja estar sem ele por perto, pede que se vá, pois quer experimentar uma aventura. Ele atende. Volta vinte minutos depois. Ela, porém, já não está no mesmo lugar. Aparece em casa de manhã, ainda seminua. Jamais lhe contou o que aconteceu. Fizemos a mesma coisa, lembra? Não foi apenas meu o desejo. Você também achou ótima a ideia.”
Fez então a foto: eu nua, à beira-mar, sentada num banco, sozinha.
“Agora a última. É o desfecho, mas da nossa história”, continuou. Mostrava-se excitado. “Você sentadinha, lívida, naquela sala sóbria. Acabei por ter de ir buscá-la. Estava na mesma posição, como no banco à beira-mar, ainda nua, a face séria, as pernas cruzadas, balançava um dos pezinhos fingindo enfado. Desculpei-me e agradeci a seus benfeitores. Paguei a quantia que pediram e trouxe você, ainda branquinha, nuinha. Você não pronunciou som algum, nenhuma palavra. O bom foi quando chegamos em casa, lembra? Depois de tudo resolvido, como você gritou. Excitadíssima! E ainda havia a foto, feita por eles. Mas você diria que aquela não era você, mas uma mulher muito bonita e parecida. Vamos, faça agora a mesma pose! Mostre a sua verdadeira face: dissimulada!”
quinta-feira, junho 03, 2010
No início fiquei apavorada, mas depois...
Vamos do começo. Fui trabalhar numa escola. Um contrato temporário. Sou professora de matemática há bastante tempo, mas nunca trabalhei para o município de M. Alegrou-me a perspectiva da nova experiência. Logo no primeiro dia, me deparei com ele. Disfarcei, mas meus olhos me arrastaram para o local onde ele estava sentado. Não sei se o percebi um tanto entediado, ou triste. O jeito dele, porém, tocou meu coração.
Num belo dia, já quase na hora de ele ir embora, pediu o meu e-mail! Fiquei felicíssima. Falou-me acanhado, como se temesse uma recusa, ou mesmo ouvidos alheios. Senti que não desejava se arriscar, pôr tudo a perder num primeiro momento. Deu certo, encontrávamos a sós na sala dos professores. Ele anotou cuidadoso, conferiu, parecia temer qualquer letra diversa que poderia enviar sua futura mensagem a algum continente perdido.
Na mesma noite, escreveu-me. Não respondi no momento em que li. Precisava pensar. Procurei ganhar tempo, fazer-me de desatenta, “não gosto muito de computador”, ou “não olho minha caixa de correio todos os dias”, seriam minhas palavras quando o encontrasse. O que eu queria, no entanto, era me fazer de difícil. Representar. As mulheres são assim, não podem logo se entregar. Tal atitude pode estragar tudo. Mas vinte quatro horas depois, meu coração já ia descompassado. Eu tinha de responder. Escrevi seca: “ok, obrigada pela atenção”.
Quando nos vimos no dia seguinte, fui eu que me mostrei atabalhoada. Disse logo que o avistei: “recebi sua mensagem, já respondi”, sentei no outro lado da mesa enquanto ele me mostrava um ligeiro sorriso. Outro professor que estava no local – abria um armário – ainda chegou a olhar para ele, depois para mim, mas nada disse.
Um ou dois dias depois recebi outra mensagem.
“Lis, vou ficar na cidade a semana inteira, tenho uma ou duas noites livres. Aceitas tomar um chope comigo, ou mesmo comer uma pizza?”
Meu coração encheu-se de alegria. Era bom saber de alguém que se interessava por mim e me dedicava o pensamento!
Quis fazer-me recatada. Não podia aceitar logo de cara. Demorei quase três dias para responder. Acho que para um e-mail todo esse tempo é uma eternidade. Estava mais ansiosa que ele, no entanto.
Marcamos para o sábado seguinte. Levou-me a um restaurante, na orla. Confesso que, apesar de morar na cidade há muitos anos, nunca tinha ido a tal restaurante. O ambiente estava agradável, as pessoas bonitas, os garçons nos servindo com elegância e, o principal: comidas e bebidas maravilhosas.
Conversamos apenas amenidades. Ele falou sobre um livro que lera recentemente; eu, sobre um filme que desejava ver; comentamos sobre alguns assuntos que aconteceram durante a semana; enfim, nos esforçamos para não falar da gente. Permanecemos ocultos sobre a frágil capa das palavras.
Terminamos lá pelas onze e trinta. Ele deu uma volta de carro por toda a orla, dirigia vagaroso, parecia não querer que chegasse o momento de me deixar à porta de casa.
Ao sair do carro, sorri e beijei-lhe uma das faces. Ainda não foi ali que aconteceria o principal.
Como ele é de cidade grande, achei que desanimaria.
Na segunda vez, não esperei por ele. Disse o tanto que gostara do passeio, da conversa e do jantar. Convidou-me, então, de novo. Mas arriscou. Queria-me durante um dia inteiro de domingo. Iríamos a outra cidade: uma praia e duas cabanas que na verdade eram dois restaurantes rústicos.
Preparei-me. Biquíni novo, short, blusa curta, óculos escuros. Apanhou-me à porta de casa por volta das dez da manhã. Viajamos cerca de trinta quilômetros. Guiava devagar, olhava a paisagem, vez ou outra virava o rosto para mim e sorria. Também usava óculos escuros; no mais, camiseta, bermuda cinza e sandálias.
Ao chegar, escolhemos um pouso sobre a areia num local distante de onde já se encontravam algumas pessoas. A meia estação afastava os turistas. Olhando a longa extensão de areia à direita, podia-se reparar que não havia ninguém por lá, apenas o mar explodindo, a areia branca e, acima, alguma vegetação próxima à pequena estrada de terra.
Ele demorou a tocar o meu corpo. A princípio, pensei que ficaríamos apenas admirando a natureza, tomando banho de sol, de mar e conversando. Ele agia devagar, era cauteloso.
Fui eu que descontraí o ambiente:
“Adoro caipirinha. Naquela noite não pedi porque achei que você fosse fazer mau juízo de mim.”
“Mau juízo, o que é mau juízo?”, seus olhos tinham um ar de ironia.
“Amor, não me leve a mal”, falei a palavra chave sem perceber.
Levantou-se, caminhou até a pequena cabana e voltou com dois copos compridos, plenos, a bebida meio esverdeada e espumante nas bordas.
Sorvi o meu canudo delicada. O líquido chegou-me à boca; a temperatura baixa da bebida misturada ao teor de álcool, o calor de meu corpo e os sussurros do amor excitaram-me. Quando pousei o copo sobre uma pequena banqueta, ele abraçou-me. Era o primeiro beijo. Após quinze ou vinte minutos, nossas bebidas já tinham descido até a metade. Estávamos preparados um para o outro. Abraçamo-nos de novo; seguiu-se um longo beijo. Na posição em que estávamos, meio sentados, meio deitados, nossos corpos se aconchegaram. Completávamo-nos.
O dia foi maravilhoso e excitante. Na praia, não foram muitos os frequentadores. Apenas uma ou duas famílias. Os bares também tiveram pouca frequência, e os empregados nos atenderam com satisfação.
Houve um momento em que entramos n’água e permanecemos abraçados. Ele deslizava a mão pela minha cintura, pelo meu ventre, chegou a tocar o meu bumbum e acariciar as minhas pernas. Quis tanto que ele me deixasse nua! Mas nada falei. Meu coração palpitou mais forte, marcava a timidez que quase sempre me acompanha. Beijamo-mos dentro d’água, agarramo-nos bem apertado.
Lá pelas cinco, o céu já se avermelhava, e éramos apenas dois amantes no fim de tarde. Bebêramos com algum exagero, almoçáramos, e resolvemos caminhar um pouquinho na faixa de areia. Foi então que tudo se tornou mais fácil. Para mim e para ele. No meio da caminhada, encontramos mar adentro uma pedra solitária. Cabia apenas uma pessoa sobre ela.
“Você tira uma foto minha?” apressei-me a correr, entrei n’água e subi na pedra.
Ele fez a foto.
Fiz outra pose, encolhida, como estivesse nua e envergonhada. Clicou de novo.
“Você tem o corpo bonito. Não quer que eu tire uma foto de você nua?”
Sei que o coração dele bateu mais forte ao dizer a última palavra. O meu não deixou de acompanhá-lo.
“Nua, nua?”, repeti titubeante.
“Nua”, confirmou meio sonso, do jeito que eu gosto.
O gostinho das caipirinhas invadiu-me de novo o paladar, minha pele se arrepiou e o desejo expandiu-se dentro do meu corpo.
Nada mais falei. Soltei o top arremessando-o a ele; depois, o biquíni. Fiz a primeira pose sobre a pedra, a mesma que fizera vestida; a seguir, a outra, virada um pouquinho para frente, as coxas flexionadas na direção do tórax, mas deixando escapar o bico de um dos seios.
Depois que desci da pedra, entrei no mar. Pedi, então, que viesse ao meu encontro. Era o exato momento de me entregar. Não me arrependo. Não tive muitos namorados e, até ali, ele me fez sentir algo que jamais experimentara.
A câmera era minha. Levei-a com as fotos. No dia seguinte, mais uma ousadia: enviei-as para o seu e-mail.
Não tardamos a nos encontrar de novo. Eu, mais solta; ele, mais apaixonado!
quinta-feira, maio 27, 2010
Vitrine
Outro dia fui à praia, reparei discretamente os homens, eles me olhavam como se olhassem para uma vitrine, apenas isso, não houve quem se aproximasse. Numa festa, faz uns quinze dias, notei que uma amiga não gostou do que falei a ela. Disse que os homens, mesmo os que estavam acompanhados, olhavam para os meus seios. Sei que depois ela vai comentar com outras pessoas. Mas não ligo, estavam olhando mesmo. Não sei o que acontece comigo, acompanhados ou sozinhos são poucos os que se aproximam, e quando isso acontece é para falar umas bobagens. Está difícil conseguir um namorado. Não, isso não, não crio dificuldades nem sou muito exigente. É lógico que prefiro alguém que more aqui pela zona sul, que tenha um nível de vida semelhante ao meu. Sou bonita, você sabe, sou jovem, mas não tenho tido sorte ultimamente. Sobre aquilo que você me contou. Aquilo, não lembra? Que você teve um namorado que adorava aventuras noturnas, deixava você nua e coisa e tal. Tentei pensar nisso, mas fico toda arrepiada. Tremo que só vendo. Não tenho coragem. Caso me apareça um homem assim, vou correr dele. Nua? Claro que não. Se já vestida eu morro de medo... Mas fala sério, Nete, você fazia aquelas coisas mesmo? Como você permitiu a um homem tirar toda a sua roupa e deixar você nua numa estrada deserta por mais de meia hora? Sei que você falou que tinha um casaco. Mas ele não descia além dos quadris. Você, nua, apenas com o casaco. Não acredito. Foi verdade mesmo? Só você, Nete. E você ainda me diz que não tem dificuldade de arranjar namorados, que sempre tem alguém procurando por você, não é mesmo? Deve ser por isso. Não? Então é por quê? Será que é por causa da história da praia? Qual história? Não foi você mesma que me contou? Aquele namorado que a deixou nua dentro d’água... Ah, foi o mesmo homem do caso da estrada? Mas mesmo assim, não sei como você atrai tantos homens. Lembra que você me contou que sofria de depressão e que saía pela cidade de madrugada e acabava indo até a rodoviária porque lá era um lugar movimentado? Não esqueci também essa. E você arranjou ainda um namorado, e o rapaz era um mergulhador. Mergulho em plataformas de petróleo. Quando desembarcava – não é essa a expressão? – o cara ligava pra você. E lá ia a Nete atrás do homem... Mas eu acabo sendo sempre apenas uma vitrine. Os homens me olham e não se aproximam. Se eu fosse velha, feia, mas não. Tenho uma amiga sessentona que arranjou um cara quatorze anos mais novo. E ele é um gatinho. Outro dia foi com ela a uma festa em que eu estava. Mas ele nem me olhou. Todos os homens que estavam lá me olharam, mesmo os casados, e apreciaram os meus seios. Mas o namorado de minha amiga sessentona nem olhou pra mim. Pensei até que ele fosse gay, mas diz ela que ele trepa que é uma beleza. No final da festa ainda dei um beijinho nele, de despedida. Ele agradeceu, me beijou também. Mas tudo na maior seriedade. Não sei o que faço. Acho que você tiraria a roupa e sairia pelada por aí, não? Não mesmo? Você não precisa porque sempre aparece alguém? Então me diz a fórmula, Nete. E diz logo porque tenho de desligar. Você acha que sou muito preocupada com isso e que a preocupação atrapalha? É mesmo? O quê? Esquecer esse assunto por uns tempos, tentar não pensar nisso e procurar me distrair com outra coisa? Acho então que vou tentar fazer isso. E olha que já tentei de tudo. Até psicanálise... Um beijo, tchau. Pode deixar que não vou esquecer o conselho.
quinta-feira, maio 13, 2010
Máscaras
– O fato, Joana, é que a maioria das mulheres quer casar. Se não fosse isso, não haveria problema.
– Não entendi, Margarida.
– É simples, dou exemplo: se você tem um namorado, sai com ele uma vez na semana e se sente satisfeita, por que há de perguntar o que ele faz nos outros dias?
– Tenho ciúmes.
– Pois o ciúme é fruto dessa tentativa de casamento. Ouça, você marca para sair com ele todo sábado, ou toda quinta. Ele vem, você sai. Ele a leva aos melhores lugares, a espetáculos, restaurantes, hotéis etc., você está plenamente satisfeita. Se você pergunta o que ele faz durante o resto da semana, ou se o quer por todos os dias, aí já vai acontecer algum problema.
– Joana, o raciocínio da Margarida está certo. Qualquer uma de nós que tenha um namorado e o sinta prazeroso não deve fazer perguntas. Não é isso, Margarida?
– Exatamente, Raquel. Certa vez eu tive um namorado que era maravilhoso. Nós nos encontrávamos uma vez, no máximo, duas na semana. Tudo era perfeito. Mas naquele tempo eu não pensava como hoje. Então comecei a investigar a vida dele. Descobri algumas traições, fiquei com ciúmes. Falei com ele sobre o que descobri. Conclusão: perdi o namorado, perdi alguém super-bacana. Não tinha mais ninguém pra sair, pra passear, pra trepar. Fiquei um bom tempo sozinha.
– Margarida, teria sido melhor aproveitar e nada perguntar. E você, Joana, concorda?
– Não sei. Desse jeito a gente vai acabar namorando alguém casado, não é, Marg?
– E o que tem isso? Se você não quer casar com ele e ele lhe causa imenso prazer nas vezes em que vocês estão juntos, nem é necessária essa preocupação. Ouça um exemplo. Nós estamos aqui neste bar, conversando apenas, não estamos interessadas em casamento, ou estamos? Sabemos que o casamento é algo problemático. Depois que o tempo passa, o relacionamento esfria. Então, se o bom é namorar e o homem é maravilhoso, não há de se fazer perguntas. Quando estou com ele, sou a pessoa principal na vida dele e ele é a principal na minha. Nesse caso, tudo está resolvido. Mas se você quer casar, a situação muda. Por isso falei e repito: o problema é que quase todas as mulheres querem casar. Pensando assim, há razão para se ter ciúmes. Mas se o caso for só o namoro, passeios, ou satisfação sexual, tudo está resolvido.
– A Raquel parece concordar com você, Margarida, mas eu não sei...
– Escute uma história interessante, Joana. Acho que nunca contei isso pra você ou pra Raquel. Certa vez tive duas amigas. Conversávamos sobre esse mesmo assunto. Uma delas deu uma idéia muito original. Nós três tínhamos que sair juntas com três homens. Deveríamos aproveitar o máximo e não nos apaixonar por nenhum deles. Traçou um plano muito engenhoso e tudo acabou sendo muito engraçado. Ela disse que conhecia muita gente e se encarregou de convidar os três homens. Primeiro iríamos a um teatro, depois a um restaurante. Tudo ocorreria como se fôssemos amigos. Mas apenas nos relacionaríamos com eles se as três se interessassem. E é claro, se eles também sentissem o mesmo. Ela (a que deu a idéia) produziu um artifício. Ouçam. Enquanto saíamos publicamente, não havia problema. Poderíamos nos portar como casais de namorados. Mas se decidíssemos ter relacionamento mais íntimo com qualquer um deles, deveríamos ir juntas. Já que éramos muito parecidas fisicamente, vestiríamos roupas semelhantes e aparecíamos no local combinado usando máscaras. Os homens também deveriam fazer o mesmo. Então escolheríamos um ao outro de modo aleatório e ninguém saberia sobre ou sob quem estaria. Lógico que não ficaríamos no mesmo quarto. O principal era que todos assumissem o compromisso de em nenhum momento tirar as máscaras. A luz ficava apagada, mas as mascaras não podiam ser tocadas. Ficávamos nuas, mas de máscara. Desse modo, eles sempre tinham dúvidas com quem estavam fazendo amor. E nós, as mulheres, também. Os relacionamentos foram ótimos. Ficamos todos juntos por quase dois anos. Saíamos os seis, transávamos os seis, nem eles nem nós sabíamos com quem estávamos na cama. Às vezes até desconfiávamos, mas não tínhamos certeza. Na vez seguinte, ao nos encontrar em lugares públicos, não fazíamos idéia alguma de quem fora nosso par na vez anterior nem de quem seria naquela noite. A cumplicidade dos seis fazia que não nos apaixonássemos por ninguém. Em conseqüência, não havia ciúmes nem sofrimento. Nunca houve um período tão bom em minha vida.
– Genial, Margarida, nunca ouvi semelhante experiência, é verdade mesmo?
– Claro, Raquel, por que razão eu iria mentir?
– E por que acabou?
– Certo dia um deles não resistiu e deixou uma de nós inteiramente nua, ou melhor, arrancou a máscara da mulher que estava cravada nele e a revelou rubra de vergonha. As máscaras nos incentivavam a narrativas e ações que não ousaríamos de cara limpa. O pacto então foi rompido. Ainda insistimos nos encontros durante algum tempo, mas já não era a mesma coisa.
– Querida amiga Margarida, querida Raquel, confesso que essa história de máscaras despertou em mim um arrepio jamais sentido, algo difícil de dizer. Enquanto alguém não me deixa pelada, isto é, de rosto e olhos nus, acho que tenho fôlego. Conheço alguns rapazes, tenho certeza de que eles vão adorar a idéia. Estou disposta a procurar por eles, que tal?
– Joana! Até que enfim, desabrochou, hein?
quinta-feira, maio 06, 2010
Doidinha pra saber o que vai acontecer
Nunca havia praticado tal brincadeira, se é que se pode chamar isso de brincadeira. Mas meu namorado sempre se mostrou um pouco tarado. Pouco a pouco passei não só aceitar como achar ótimas as atitudes dele. Antes tivera um marido que não se excitava um pingo por mim. Depois da separação, a chegada daquele namorado foi providencial; portanto, suas taradices me atraíam.
A primeira delas foi na praia. Ele me convenceu a tirar o biquíni quando estávamos dentro d’água e entregá-lo em suas mãos. Ora, a cidade é pequena, muitos me conhecem, sabia que não demoraria a aparecer alguém para conversar comigo. Aconteceu. Apareceu uma ex-aluna. Fiquei morrendo de medo que ela descobrisse a situação. Nós ali conversando, e eu nua, coberta apenas pela precariedade de um mar de final de tarde. Meu namorado ficou por perto, já tinha guardado o meu biquíni nos nossos pertences, lá na faixa de areia. Estava nua e sem saída caso alguém percebesse. Mas a moça nada notou, conversamos um pouco e ela foi embora. Ele voltou, mas de mãos vazias.
“Você está gostando, não?”
“Estou”, respondi, “mas meu coração vai aos saltos.”
“Se ele está batendo, é sinal de vida.”
Na outra vez, convenceu-me a sair com ele às três da manhã e ficar nuinha na estrada, junto ao mato. Mas cadê ele que não vinha? Por aquele caminho não demoraria a passar o meu motorista admirador. Fiquei molhadinha. Ah, isso não vai dar certo, pensei.
Mas voltou o meu namorado. Voltou de carro, sem as minhas roupas dentro. Me levou nua pra casa dele. Para fazermos amor. Confesso que gostei muito. Gostei de ter ficado naquela situação e gostei da transa depois de tremer mais que vara de bambu. Confesso que jamais senti tamanha excitação. Não sei qual a palavra exata para exprimir o meu interior naquele final de madrugada.
Mas me ficou na cabeça o motorista que poderia ter-me encontrado nua. Pensei com insistência no que aconteceria caso meu namorado não voltasse. Refleti sobre todas as possibilidades. Depois lhe falei sobre o meu admirador.
“Quer dizer que você tem um admirador?”
“Um só não, vários, e caso me encontrem nua, você já sabe o que vai acontecer.”
“O quê, precisamente?”
“Preciso dizer?”
Não sei se meu namorado ficou excitado com tal possibilidade. Notei, porém, um fio de tremor em seus gestos.
“Você acha o que sobre mim? Estou quarentona mas ainda desperto desejos em muita gente?”
Um dia desses, depois de brigarmos, decidi que tomaria uma atitude. O namoro no começo estava ótimo. Mas com o passar do tempo começaram a acontecer umas confusões, uns problemas de origem nada fácil de descobrir. Aí, ele me deixava por uns dias.
Então, como estava com o desejo à flor da pele, saí sozinha, de bicicleta. No mesmo lugar em que me deixou nua na outra vez, parei. Escura a noite. Tirei toda a roupa, enfiei-a numa bolsa e a arremessei à outra margem do rio. Com as roupas por perto, a sensação não seria a mesma.
Agora só me resta esperar pelo motorista do ônibus. Doidinha para saber o que vai acontecer!
quinta-feira, abril 29, 2010
De sobreaviso
Eu não aceito, não, mas tenho amigas que dizem sim. Acho perigoso sair com um homem na primeira vez, tanto mais quando o conheço numa boate. Já sei para onde quer me levar e o que pretende. Mas tenho amigas que aceitam. Se você quiser, eu apresento uma ou duas a você. Caso achem você bonito, agradável, nem pensam duas vezes. É normal que, primeiro, queiram aproveitar a boate até a hora em que a festa acaba. Mas depois concordam em sair. Os homens de modo geral oferecem cerveja, colocam-se prontos para satisfazer o desejo de cada uma de nós, vão ao bar e voltam com uma porção de coisas. Tenho amigas que aproveitam. Vêm à boate, não pagam para entrar nem compram nada. Eles é que pagam. Mantenho certa reserva, porque você sabe como é; quando aceitamos, pode saber que vão querer algo em troca. No final, acham que já é certo nos levarem para cama. Às vezes, uma amiga que aceita sair com um desses tipos num primeiro encontro, diz: “Júlia, você fica de sobreaviso?” É lógico que fico. Para elas é uma questão de segurança. O que é ficar de sobreaviso? É ajudar, caso aconteça alguma coisa. Você tem razão, em situações que envolvam risco de vida, ou mesmo em caso de espancamento, não será possível nem a mim nem a pessoa alguma ajudar. Essas coisas, porém, dificilmente acontecem. E as mulheres, quando saem com alguém, não contam com isso. Acham que o homem que está diante dela quer apenas namorar. Então não pensam nessas coisas. Mas elas pedem esse favor porque às vezes pode acontecer que se vejam em apuros. Aí, a que ficou de sobreaviso é chamada. Já ajudei duas amigas em momentos diferentes. Faz algum tempo. Os rapazes agora estão mais comportados, mais solícitos. Uma vez uma me telefonou para ir apanhá-la num lugar distante. O homem com quem saíra a abandonou num trecho perigoso da cidade. Ela não conseguia pegar condução para casa. Uma outra me pediu para levar roupas num hotel. Seu recente amante, num momento de maior excitação, rasgou-lhe o vestido. Lá fui eu, então. Não posso deixar uma amiga voltar nua pra casa, não é mesmo? Mas, de modo geral, os tempos estão calmos; há muito que nada de mal acontece. Você está me convidando para sair? Ficou excitado com o que contei, não? Já falei, não costumo sair na primeira vez. Quem sabe, amanhã ou depois. Quer que o apresente a uma amiga? Não? Só serve eu? Nem sou tão bonita... Você quer ir a um lugar para bebermos? Mas já estamos bebendo aqui, no bar da boate. É melhor você não insistir. Vamos dançar e esquecer isso. Depois, perto do final, caso você ainda esteja comigo, prometo que faço uma surpresa. Qual? Não vou dizer agora. Se digo, deixa de ser surpresa. Aposto que você vai adorar. Se eu vou deixar alguém de sobreaviso? Esqueça isso. Vamos dançar!
quinta-feira, abril 15, 2010
Chocolate
sexta-feira, abril 02, 2010
Meu poeta me deixou nua!
É Fábio o seu nome, diz ter assistido a todos os nossos desfiles, e que ficou apaixonadíssimo (foi essa a palavra usada por ele) ao me ver entrar e sair, cada vez com uma roupa diferente. É sua a canção: “a partir daquele momento já não consegui tirar-lhe os olhos, toda vez que deixava a passarela meu coração palpitava desejando vê-la mais uma vez, altiva e galharda”. Galharda? Há quanto tempo não ouvia essa palavra. Talvez num poema de Gregório de Matos, ainda nos bancos escolares.
Após o dia de desfile, enquanto aguardava o momento de voltar ao hotel, tal homem, digamos jovial, me abordou. Trazia em uma das mãos um ramalhete de flores amarelas. Desculpava-se por tê-lo comprado às pressas de um vendedor que cercava casais apaixonados. Aceitei o mimo. O extravagante poeta pôs-se a declamar veemente uns versos feitos em minha homenagem. Sou uma mulher desinibida, mas não nego que suas palavras cheias de ênfase me fizeram corar. A chegada do veículo interrompeu o idílio. Tivemos de entrar logo e partir, pois havia um enorme congestionamento nas cercanias.
Na porta do hotel, após saltar do automóvel, vi-me cercada de novo por ele. Apareceu não sei de onde. Disse em voz melódica: “Para tão longo amor tão curta a vida”. Apressou-se em completar: “é Camões, mas gostaria que fosse meu.” Enquanto a equipe e as outras modelos entravam no hotel, permaneci no passeio, sob um céu coberto de estrelas e uma lua em minguante. “Não vá se atrasar, Lena, amanhã partimos às 8;30h”, soltou melíflua uma das responsáveis pelo pessoal da grife. Seus olhos tinham uma ponta de escárnio. Oh, como se o assédio masculino aos nossos calcanhares e pernas já não nos fosse peculiar. Meu poeta, porém, era diferente. Seus olhos expressavam uma melancolia jamais vista; seu amor brotava de corações renascentistas apaixonados, homens que não tinham alternativa senão amar em silêncio suas senhoras, embora nem mesmo elas se soubessem muitas vezes objetos de ardores insuperáveis.
Em qualquer outro lugar, deixaria o apaixonado a ver navios, mas no Rio, apesar de cidade à beira mar, preferi navegar com ele em um mar liso, em que as estrelas nos apontavam o norte, ou o sul. Já não sei.
“O que propões? Não te demores, já que me custa o tempo, ainda que falemos ao modo do teu poeta maior, cantor de idílios e de viagens impossíveis.”
“Campos cheios de prazer, vós que estais reverdecendo, já me alegrei em vos ver; agora tenho a temer que entristeçais em me vendo.”
“Saiamos já daqui, leva-me, mas cuida, que sou louça fragílima.”
Entramos pela rua da Carioca. Meu poeta tomou de um táxi, embarque inesperado, visava estratégias inenarráveis.
Deslizamos, a princípio sem destino. O motorista, tal qual a guiar coche com moço disfarçado a ponto de tornar mulher moça última e breve, não ousou dizer palavra. Trafegava como navegante cordato e solitário.
“Se desejos fui já ter, serviram de atormentar-te?”, soou a voz apaixonada de meu raptor.
“Não me atormentas, embrutece-me o espírito a fome, e mancha-me a alma alguma vulgaridade.”
O veículo escorregava ligeiro por vias que nos levavam a céu aberto e com o mar à borda. Numa das transversais, meu poeta sinalizou, o homem entrou à direita, depois subiu uma rampa e nos deixou na antessala do que seria um restaurante. Feriram-me os olhos lustres altos e pingentes de cristal.
“A vida, si; que uma áspera mudança não me deixa viver tanto um coração”, atirou-me.
Devolvi-lhe:
“Se hei de viver, enfim forçadamente, para que quero a glória fugitiva duma esperança vã que me atormente?”
“Em mim podeis, Senhora, ir começando, que claro se conhece bem se entende amar-vos quanto devo e quanto posso”, ainda não foi aí que me tomou nos braços, mas o primeiro beijo fui eu a precipitar-lhe.
O jantar transcorreu ao tilintar vagaroso dos talheres. Coube a mim escolher apenas antepasto. Adoro salame, saboreei-o junto a poucos legumes em conserva. Molhou-me os lábios uma taça de champanha. Meu acompanhante, ainda ao gosto clássico, também comeu pouco e o que mais fez foi deleitar o olhar em direção à justa mulher.
Na saída, o mesmo automóvel veio a nos levar. Passeamos pela orla marítima. Relembramos raptos e piratas. Mas meu recente enamorado não me tocou. Em contrapartida, quis presenteá-lo com mais beijos. O vinho nos havia contaminado, mas disfarçávamos o desejo.
“Aflige-me, senhora, vossos olhos, esquecê-los não já me será amor.”
“Queres tocar-me?”, ainda arrisquei quase numa penumbra de silêncio.
“Desejaria-vos, por inteiro, entre meus braços e desejos.”
Sussurrei:
“Beija-me, pois não teremos muito tempo.”
“Levar-lhe-ei como clandestina.”
“Parto cedo, não ouso acompanhar-te, tens tempo ainda em movimento.”
Não devo relatar o que vivemos na noite curta. Mas foi intenso o ardor. Convenceu-me a pequeno apartamento. Após subirmos alguns degraus, deixei escapar a roupa, os braços, as pernas. Ele, pleno, contentou-me o desejo. Meu corpo era leite quente entre mãos trementes.
Às três e trinta entrei em meu hotel por porta de serviço, arquitetura de miragens. Não houve homem na vigia, dormia talvez, nem soou algum tipo de alarme. Antes, porém, na despedida, meu amante pediu-me mais um mimo.
“Já te ofertei todas as posses, pirata arredio, de que mais queres despojar-me?”
“A lembrança, senhora; sereis estátua de Afrodite em terra imerecida. Piedade! Antes, o mestre grego e seu ideário me contentavam; agora, já nada sei de meu triste fado.”
“Oferto-te minha pele rósea, fibra de puro algodão; experimenta-a; deposito-a sob tua guarda.”
“Não posso deixá-la desprotegida, minha senhora, nem pretendo-a em apuros.”
“Há quem pense que a uma mulher basta-lhe o corpo; mas é preciso que lhe sobre a alma.”
A seguir, soou sua voz de bardo:
“No mar, tanta tormenta e tanto dano,
Tantas vezes a morte apercebida.
Na terra tanta guerra e tanto engano,
Tanta necessidade aborrecida.
Onde pode ocultar-se o fraco humano?
Onde terá segura a curta vida,
Que não se arme e se indigne o céu sereno
Contra um bicho da terra tão pequeno?”
“Lena, só falta você, a bagagem já está embarcada”, ouvi a voz da nossa responsável enquanto ainda sorvia a xícara de café. Levantei-me, deixei sobre a mesa o gole derradeiro.
sexta-feira, março 19, 2010
Então tá!
“Até parece que você não gosta de ficar pelada...”
“Adoro, mas não de modo inesperado.”
“Lembra o início do nosso namoro?”
“Claro que lembro, amor”, respondi dengosa.
“Me conta então como foi.”
“Namorávamos muito à vontade, e algumas vezes cheguei à sua casa inteiramente nua.”
“E você nunca me contou como fazia para as pessoas não perceberem”, sua voz soou plena de desejo e curiosidade.
“É segredo”, sussurrei.
“Você me contou sobre um outro homem, disse que ele nunca viu você vestida, é verdade mesmo?”
“Já vem você de novo introduzindo outro homem entre nós dois.”
“É apenas curiosidade, nada mais; gostaria tanto que você me contasse.”
“Já contei”, sorri com certa malícia.
“Não contou o principal; nada falou sobre o dia em que você perdeu a hora. Queria tanto saber o final verdadeiro...”
“Conto, mas há um pequeno problema.”
“Qual?”, perguntou ainda mais curioso.
“Se de tanto falar nesse homem eu sentir falta dele, você sabe que vou procurá-lo, aí você não vai poder reclamar.”
“Sei que você me ama, isso não vai acontecer”, sentenciou como um magistrado.
“Vou contar mais uma vez, mas vamos do começo.”
“Mais uma vez e com o verdadeiro final.”
“Sobre o final, mais adiante decido. A história foi a seguinte. Escute, já que você sente tanto tesão nisso. Eu sempre passeava por aquela rua quando descobri aquele homem jovial e muito bonito. Pensei num artifício para tentar conquistá-lo. Em primeiro lugar observei-o chegar em casa durante uns dias; certifiquei-me sobre seu apartamento, investiguei se ele morava com alguém. Ao concluir que tudo ia a meu favor, comecei a investir. Certo dia, em torno da uma hora da manhã, vinte minutos após ele ter entrado em casa, subi pela escada e bati à sua porta. Quando abriu, pude notar que soube disfarçar a estupefação que ameaçou explodir em seu rosto. Houve uma ponta de vexo em seus olhos, enquanto era eu quem chegava nua. Vestia apenas botas pretas até os joelhos, um colar que imitava perolas e uma pequena bolsa de verniz. Mais nada. ‘Posso entrar?’, perguntei sorrindo. ‘Não se surpreenda, não vou lhe fazer mal’, completei. Permitiu que eu entrasse. Pegou uma bebida, acho que uísque, ofereceu-me. Já não lembro o que conversamos, mas o assunto foi animado. Em apenas um quarto de hora já estávamos excitadíssimos, apenas devido à conversa, porém. Não perguntou como nem por que eu chegara nua em seu apartamento. Naquele dia não fizemos nada. Nem nos tocamos. Aliás, beijei-o antes de ir embora, exatamente às quatro da manhã. Não se surpreendeu ao me ver sair da mesma forma que entrei. Nem me ofereceu roupa alguma. Não combinamos outro encontro. Dois dias depois, voltei. Tudo se deu de modo semelhante. Ele ficou muito feliz com o meu retorno. Voltei da mesma forma: nua. Você mesmo já disse, jamais apareci vestida na frente daquele homem. Na segunda visita, namoramos e fizemos amor. Parti às cinco, antes que o sol nascesse. E sempre nua. Os encontros se repetiram durante dois meses, mais ou menos duas vezes na semana. Nosso namoro entrou por um viés muito romântico. Bebíamos vinho, comíamos no mais alto requinte. Demonstrávamos estar apaixonadíssimos. Acho que adorou a minha invenção. O fato de chegar e partir nua, sempre no começo e no final da madrugada, fez que nosso namoro se mantivesse na sua casa. Jamais me convidou para ir a lugar fora dali, nem insinuei outro programa. Numa madrugada de sexta, lembro-me bem, adormeci em seus braços. Quando acordamos eram sete horas da manhã. Perdêramos a hora. ‘Como você vai fazer?’, perguntou apontando o meu corpo. Foi a única vez que fez esse gesto. ‘Não se preocupe’, respondi, ‘resolvo; e vou como vim’. Três dias depois ficou surpreso ao me ver chegar nua de novo. Namoramos muito naquela noite. Mas foi a última. Parti no horário costumeiro, ainda sob um restinho de sombras. Nem me perguntou como fizera para deixar sua casa com o sol já alto dias antes. Então conheci você, lembra? Apareci também nua, mas depois me vesti. E estou aqui, feliz e ao seu lado.”
Beijei-lhe uma das faces. Chegávamos à avenida Viera Souto. Atravessamos e sentamos num quiosque. Pedi à garçonete água de coco.
“Mas você não contou o principal”, lembrou insatisfeito.
“O principal?”, fiz-me desentendida.
“Como você fez para ir embora nua da casa dele às sete a manhã...”
“E como fiz nas outras vezes tanto para chegar como para sair?”
“Era de noite e, além disso, você também nunca quis contar.”
“Já não queres saber?”
“Quero, sobretudo o fato que se deu sob a luz do sol.”
“Agora nada posso dizer, é meu segredo, é assim que enfeitiço os homens.”
“Você iria lá de novo?”
“Sentes tesão nisso?”
“Sinto”
“E se eu não voltar?”
“Não tem problema. Acompanho você até as proximidades, tira a roupa e a deixa comigo.”
“Queres me deixar nua?”
“Quero você apenas com o pequeno cordão de ouro que vou colocar em volta do seu pescoço. O cordão, as botas negras e a carteira transparente.”
“Nua e com um cordão de ouro?" Pergunto mais uma vez: "e se eu não voltar?”
“Não faz mal, pode deixar que não vou atrás de você.”
“Jura?”
“Juro.”
“Então ta!”
