quarta-feira, fevereiro 22, 2017

Beijo na orelha

Eu queria enviar uma mensagem para ele, ou mesmo um ícone daqueles que há no whats app. Fiquei um tempo enorme pensando, demorei a decidir. Um dia antes, era segunda-feira, ele me telefonou, perguntou se eu estaria no consultório à tarde. Respondi que sim. Vou tentar aparecer lá, ele falou. Mas não foi o que aconteceu. Atendi uma, duas, três pessoas, e nada de ele tocar a campainha, pelo menos para me dar um beijo, como às vezes faz. Quando eu consultava um dos pacientes, o celular tocou. Porém não pude responder. Não ia interromper a consulta por causa de uma ligação para o celular. Só no final do dia pude olhar o número da ligação perdida. Era o dele, que pena. Voltei para casa. Ele não aparecera para me visitar nem ligou de novo.

Por isso eu queria mandar a mensagem, ou o ícone do whats app. Acabei encontrando um coração pulsante. Isso mesmo, um coração rubro, que pulsa à medida que o destinatário abre a mensagem e o observa, uma gracinha. Antes de enviar, lembrei-me mais uma vez do gesto dele ao me visitar. Dá-me dá um abraço apertado, segura-me por alguns segundos, eu agarradinha nele. Não posso dizer que não gosto. Certa vez esperava-me para descermos ao café, então o telefone tocou. Atendi. Não sei se era um paciente ou uma ligação comercial. O que recordo é que, enquanto eu respondia a ligação, ele deu meia volta e beijou a minha orelha, a orelha contrária à de onde eu colocara o gancho do telefone. Senti um arrepio incrível, confesso que até fiquei envergonhada. Como se diz por aí, perdi o rebolado: esqueci o que devia dizer à pessoa que me aguardava do outro lado da linha. Naqueles poucos segundos, lembrei-me de um acontecimento que me ocorrera quando era bastante jovem.

Estava com um namoradinho, acho que era sábado à noite, ele agiu da mesma forma. Um beijo molhadinho na minha orelha. O rapaz, então, surpreendeu-me num ligeiro tremor. Envergonhada, abracei-o. Ele entendeu meu abraço como um sinal de aceite. Como faria para dizer que tudo não passava de um mal entendido? Ainda para incentivar, eu vestia um tomara que caia curtinho. Dá para acreditar? Não consegui escapar de suas investidas. No final, eu ainda me sentia molhadinha, e não era só na orelha. Quis dizer que não gostei, fiz cara de furiosa, mas quem acha que consegui?

Volto ao consultório. Após o beijo, permaneceu juntinho a mim, abriu a boca e deu também a tal lambidinha, bem dentro da minha orelha. Parece que minha lembrança atraiu sua ação. Fiquei toda arrepiada, quase não aguentei. Ou melhor, não aguentei mesmo. Mas tive de disfarçar e dizer para com isso, estou no telefone.

Na mensagem do whats app, não escrevi nada, apenas enviei o coração pulsante. Sei que ele vai entender. Meu coração pulsa por ele. Na próxima vez que me beijar, sei que me vou toda derreter.

quarta-feira, fevereiro 15, 2017

Vizinho

Eu olhava pelo olho mágico da porta principal, aquele buraquinho que dá pra ver quem está no corredor do prédio. No meu caso, no sexto andar. O tal novo morador vivia no 601, o meu era o 603. Toda manhã e toda tarde, eu sabia seus horários. Como chamar sua atenção? Pensei várias estratégias, mas não achei nenhuma delas convincente. Restou-me apreciá-lo por trás da porta, por aquele buraquinho mínimo e ridículo. Desconfiei que o homem fosse gay. Logo, porém, cheguei à conclusão que não era possível. De três em três dias vinha uma mulher ao seu apartamento. Numa sexta-feira, mais uma descoberta. Havia outra, que era bem morena, pernas grossas, sempre trajando calças legging. Conversei com Isabel, uma amiga, especialista em paqueras, em arranjar os mais diversos tipos de namorados.

“Mara, o principal é você ter paciência. Com paciência tudo se consegue. O homem, caso você queira, cai de graça nas tuas mãos. Nem precisa muito esforço.”

“Isabel, ele já tem duas ou três mulheres, será que vai se interessar por mim?”

“Você precisa definir, Mara, se você quer se relacionar com um homem desses. Se ele é cheio de mulheres, o que você vai querer com ele.”

“Quem sabe se enamora por mim, Isabel?”

“Difícil, amiga, muito difícil, não queira mudar as pessoas, elas permanecem quase as mesmas durante toda a vida.”

“Ah, então uma só saidinha, dar uma namoradinha com ele e pronto, ali mesmo no prédio, no apartamento dele ou no meu.”

“Caso o teu desejo seja esse, Mara, fale com ele. Bata na porta do homem e diga que quer conversar. Ele vai achar você uma pessoa interessante, mas não é bom esperar mais que disso. Como você mora ao lado, é capaz de ficar desconfiado, achar que você vai controlá-lo o tempo todo, e ele não mais poderá levar a vida como deseja. Mais uma coisa, Mara, ele é bonito?, ainda não me falou sobre isso.”

“É lindo, Isabel, lindíssimo, o problema é esse. Se fosse uma pessoa comum, mas é fora do normal.”

“Então, cara amiga, caso a tua percepção esteja correta, vai ser ainda mais difícil. Caso seja trepar só uma vez com ele, bata na porta do homem e converse sobre isso. Diga que o achou bonito, que sonhou com ele, que o deseja, que não leve você a mal. É praticamente certo que vai aceitar. Mas não espere nada além disso.”

Voltei pra casa e fiquei pensando naquela conversa. Será que Isabel queria mesmo que eu falasse tão diretamente com o homem? Talvez seu conselho fosse só pra impressionar.

Passaram-se vários dias. Numa quinta feira, prestei atenção à hora em que ele chegou. Abriu a porta vagaroso, com ar de quem chega ao paraíso, depois entrou e fechou também com suavidade. Esperei trinta minutos. Saí do apartamento e fui até a porta dele. Aguardei um ou dois minutos antes de bater. Pareceu-me um tempo enorme. Após apertar a campainha, esperei mais vinte ou trinta segundos. Ele veio abrir. Ao perceber uma mulher à sua porta, abriu mais largamente e mostrou-se de forma plena. Vestia bermuda e camiseta, não estava descalço, mas com umas pantufas que normalmente a gente usa dentro de casa. Sorri e senti vergonha. O que diria a ele?

"Oi, sou sua vizinha daqui ao lado, sei que aqui as pessoas não têm costume de bater às portas alheias para se apresentar, mas gosto de fazer amigos."

Ele sorriu. “Renato”, disse o nome, “a seu inteiro dispor.”

Continuei com a fisionomia congelada, talvez também um sorriso, branca como a neve, estática. O homem perguntou:

“Quer entrar?”

“Ah, sim, obrigada, meu nome é Mara, muito prazer.”

“Vou fazer um café, você me acompanha?”

“Oh, sim, um café, que bom.”

Ele foi. Esperei na pequena sala de estar. Simples, mas aconchegante. Um sofá de dois lugares, uma poltrona individual, abajur com o foco voltado para o colo de quem senta na poltrona individual, talvez para facilitar à leitura, a pequena mesa de centro portando alguns jornais, dois ou três livros, envelopes. Achei que não seria possível ir diretamente ao assunto, isto é, que o achei bonito e desejava trepar com ele. Seria melhor seguir pelas vias normais, ser amiga do homem, cumprimentá-lo no dia a dia, sorrir quando o encontrasse na rua, falar sobre um livro, um filme, e deixar que a vida tomasse seu curso.

“Você prefere açúcar ou adoçante?”, ele com uma pequena bandeja, as duas xícaras. Reparei que era delicado, as xícaras bem pequenas, brancas, pintadas com linhas que se alternavam. O açucareiro, adoçante, duas colheres, tudo ajeitado, homem que dá atenção aos detalhes.

“Prefiro açúcar.”

“Você mora no prédio há muito tempo?”, ele quis saber.

“Três anos”, eu disse, “três anos e alguns meses.”

“É bom, aqui?”

“Sim, é silencioso, bom pra ler, pra estudar.”

“Você estuda”, perguntou enquanto levava a xícara aos lábios.

“Mais ou menos, sou professora.”

“Professora?”, perguntou, mostrando alguma surpresa.

“Sim, ensino médio, língua portuguesa.”

“Então, tenho de tomar cuidado com as palavras”, suspirou.

“Nada disso, cada um fala como quer.”

“Trabalho com cinema”, acrescentou.

“Que lega!”, não deixei de exclamar.

“Muito legal”, mas há trabalho que não acaba mais.

Pedi que falasse mais sobre seu trabalho, pois adoro cinema.

Disse que fazia várias coisas, desde a iluminação, como auxiliar na direção e até dirigir. Já dirigira dois documentários e vários curtas, inclusive um premiado no exterior.

“Você, vez ou outra, vai notar que desapareço de repente, é o trabalho, às vezes fico meses fora.”

Dois dias depois encontrei Isabel na cafeteria da Rainha Elisabeth.

“Falei com ele”, fui logo dizendo.

“Falou o quê?”

“Me apresentei como a vizinha do lado, caso ele precisasse de alguma coisa...”

“Começou com uma tentativa de amizade, então?”

“Não era essa a intenção, mas foi o caminho que surgiu.”

“Não deixa de ser boa opção, quem sabe, um investimento futuro.”

“Pode ser”, afirmei, “foi a solução, agora posso falar com ele de vez ou outra, de repente acontece o que desejo.”

“Você é esperta, Mara.”

“Nem tanto, poderia já estar frequentando a cama dele.”

“Pra que tanta pressa? Você espera, enquanto isso há outros homens, muitos paqueram você.”

“Todos casados”, ressaltei.

“O que há de mal nisso? Você quer casar? Pelo que me consta, não.”

Tomei meu café. Na calçada passou um homem jovial, talvez trinta, quarenta anos, piscou o olho pra mim.

“Lembra da Berta?”, Isabel me trouxe de volta ao assunto, “ela teria feito de tudo para transar com o homem na primeira vez.”

“Algumas mulheres são assim, mas não é muito o meu jeito, só aconteceu uma ou duas vezes, e mesmo assim foi porque o homem abriu caminho. Mas o vizinho permaneceu parado, até mesmo surpreso, sem ação, eu não poderia agarrá-lo de primeira.”

“Também venhamos, Mara, há outras coisas boas para se fazer na vida, não se pode pensar em sexo o tempo todo.”

“Só a Berta pensa nisso o tempo todo, o vestido curtinho, as pernas cruzadas como estivessem protegendo a nudez, mas se ela pudesse andaria sem roupa alguma.”

“Outro dia veio-me dizer que está procurando alguém para se apaixonar, está voltando aos tempos antigos, agora que passou dos 40. Também me contou que, assim como você, está paquerando um homem interessante. Conheceu-o num trabalho temporário e, por coincidência, ele mora no mesmo bairro que ela. Berta foi à casa dele, o homem estava lavando o quintal com uma mangueira. Adivinha o que ela fez?”

“Pediu pra tomar banho de mangueira.”

“Como não tinha levado o biquíni, você já sabe como ela tomou banho. Não preciso contar o resto."

“Agora voltando ao meu vizinho, Isabel, qualquer dia desses bato à porta dele, nua, viu?”

“Acredito.”

“Estou me preparando.”

“Então, você vai ousar mais que a Berta.”

“Mais? Você acha que ela nunca bateu nua à porta de um homem?”

Isabel suspirou. Eu, o que iria fazer? Voltei a pensar no meu vizinho.

quinta-feira, fevereiro 09, 2017

Quinhentos reais

Enviei a ele uma dessas mensagens de whats app. Dizia o seguinte: deposite quinhentos reais na mina conta, dentro de 24 horas irá lhe acontecer algo maravilhoso, caso não aconteça deposite mais quinhentos.

O problema, ou a solução, não sei, foi que ele depositou. Recebi a resposta menos de uma hora depois, pude constatar o dinheiro na minha conta através do celular.

À tarde ele apareceu no meu consultório. Entrou, abraçou-me e disse: “já me aconteceu a tal coisa maravilhosa, estou aqui ao seu lado.”

Suspirei aliviada. Ficamos conversando durante alguns minutos, mas um paciente logo chegou e precisei atendê-lo.

“Volto depois da consulta”, sussurrou no meu ouvido enquanto eu fechava a porta.

Ele desceu, foi à rua, e me deixou com o paciente.

Voltou mesmo, uma hora depois. Vamos lá embaixo tomar um café, sugeriu.

Aceitei. Sentamos no bistrô que há na galeria do próprio prédio, em frente às duas livrarias. Começamos a conversar.

Ele tem uma conversa terrível, qualquer uma é capaz de cair seduzida por ele. Falou dos dias que se passavam, do verão, das coisas boas que há para se aproveitar. Como sua voz tornava tudo um mar azul de águas plácidas! No final, jogou um beijinho para mim. Não sei por que me arrepiei, e não consegui esconder. Caímos os dois na gargalhada.

Sempre fui uma mulher pudica, não dou bola para qualquer um, mas aquele meu amigo era uma tentação.

Instantes depois, tirou um presente da pasta e me ofereceu. Ainda não havíamos acabado o café.

“Uma pulseirinha”, exclamei, “tão delicada, tão mimosa, que beleza”, sorri e coloquei no braço, ficou uma gracinha.

Após acabarmos o café, aliás, comemos também um pedaço de bolo, perguntei se iria subir comigo. Vou arrumar o consultório para ir embora, não tenho mais paciente.

Concordou. Com muita elegância, prontificou-se a me esperar.

Ao descermos novamente, começamos a andar pela Av. Rio Branco. Depois caminhei até o ponto de um ônibus. Vamos juntos, falei a ele. Embarcamos. O tempo foi curto, vinte minutos e saltávamos à Rua das Laranjeiras.

Meu amigo desceu comigo. Surgeri que me acompanhasse. Pensava se o convidava a subir ou se me despedia dele ali mesmo na rua. Caso esgcolhesse a segunda alternativa, perderia muito. Como era fofo ficar com ele e, afinal, ele me presenteara duplamente. Com ele só tinha a ganhar.

“Vamos lá em cima comigo”, convidei.

Dentro do apartamento, liguei a TV, mas sintonizei na parte de música, para preencher o ambiente. O que eu faria a partir daquele momento?

“Aguarde um instantinho”, pedi.

Fui ao quarto. Claro que não apareceria nua na sala, de repente, como uma doce surpresa a lhe cair no colo. Seria demais. Optei por lhe pedir que reparasse um vestido que comprei havia pouco, precisava da opinião de um homem.

“São sempre boas as opiniões masculinas”, sentenciei.

Voltei dentro do vestido azul, que comprara fazia dois ou três dias.

Ele achou lindo. Sentei-me ao seu lado, ainda bem vestida, olhei-o nos olhos, depois fechei os meus, como que mergulhada em pensamentos.

Senti, então, seus lábios quase tocando os meus.

quarta-feira, fevereiro 01, 2017

Por que você está sem a calcinha?

Sempre mudo a foto do meu zap, adoro. Ora poso de short, ora de vestidinho, ora de blusa que mostram meus ombros nus, já até postei foto de biquíni de praia, mas por apenas quinze minutos. De um tempo para cá, resolvi me casar. Juro. Não esses casamentos de igreja com véu e grinalda, nada disso, a gente só casa assim uma vez na vida. Mas um casamento bem atual, desses que chamamos o namorado para vir morar junto. Ele gostou da ideia, instalou-se na minha casa. Casa pequena, bairro simples, distante do centro, mas muito agradável. Eu não sabia, porém, que o homem era tão ciumento. Viu a minha foto do zap e foi dizendo nossa, você não pode se mostrar assim. Era a tal foto em que eu estava de shortinho. Postei, então, foto mais recatada, de bermuda. Meus amigos passaram a me mandar mensagens: Márcia, você nunca mais mudou a foto, era tão interessante ver você cada semana com uma roupa diferente. Acho que eles queriam dizer cada vez com menos roupa. Meu marido passou a controlar o meu telefone. Que aborrecimento. Tive de apagar as mensagens, de parar de conversar com alguns amigos. Tudo ele queria saber. Comecei a me arrepender do casamento. Que bobagem esta relação, passei a murmurar a mim mesma. O que compensa é que ele é muito gostoso. Acho que nunca tive um homem tão gostoso e disposto a trepar comigo a qualquer hora do dia ou da noite. Mas um dia desses me telefonou um homem com quem eu saí duas ou três vezes, alguém com quem tenho interesse em manter certa ligação, porque me dá muitos presentes, me convida para lugares chiques, eu é que recuso. Meu marido viu a tal ligação, o nome do homem e sem que eu soubesse ligou de volta para ele.

"Com quem você quer falar?", perguntou.

Acho que o homem ficou surpreso ao ouvir voz masculina.

"Não sei, não telefonei."

"Apareceu este número aqui, estou devolvendo a ligação, disse meu marido."

Acho que o homem fez a pergunta natural, aquela pergunta que a gente faz quando alguém atende o celular que não é o seu.

"Este telefone é o da Márcia?"

"Sim, quer falar com ela?, ela está aqui."

Me passou o telefone. O que eu iria dizer? Meu marido ali ao lado, o homem com quem eu transara duas ou três vezes do outro lado da linha. Um constrangimento. Mas consegui conversar como se fosse apenas um amigo. Dois dias depois saí para trabalhar, tive vontade de ligar ao tal amigo. Com tanto controle, achei que o marido precisava ser traído. Mas me segurei. Achei melhor dar a ele mais uma chance. No dia seguinte, porém, meu marido estava no celular, e conversava com uma mulher. Isso não vai dar certo, pensei. Liguei ao meu amigo, marquei um encontro, pedi um presentinho. Ele não é de negar.

Meu amigo adora minhas pernas, olha pra elas com intenso desejo. Deixa que eu tiro tua calcinha, disse. Eu já estava no hotel com o homem, esquecida do casamento. Ele não é tão quente como meu marido, mas também não é de se jogar fora. Tudo bem, boa a trepada. Me deu o que pedi, o tal presentinho.

Vou entrando em casa. Quero esquecer o que fiz. Será que já estou arrependida? Meu marido me espera. Arrepio. Caramba, será que o homem adivinha pensamentos. Vem cá neguinha, estava morrendo de saudade, onde você andava, hein? Me beijou na boca, foi me puxando a bermuda. Caramba, será que vai notar alguma coisa? Espera, alertei, estou morrendo de vontade de fazer xixi. Não faz mal, ele abaixou minha bermuda, faz aqui na minha boca. Foi então que reparou surpreso: ué, por que você está sem a calcinha?

terça-feira, janeiro 24, 2017

Saudade

Estou com saudade de você. Lembra quando saíamos para ir à praia, passeávamos pelo litoral, íamos a bares e restaurantes? O mais engraçado foi aquele dia em que você me deixou sem o biquíni dentro d’água, numa praia em Rio das Ostras, e o local até estava bem frequentado. Lembra que frisson? Mas tudo acabou bem, e foi divertido, ufa! – eu falava com ele ao telefone, já fazia dois anos que não nos víamos.

Por falar em saudade, sabe que na Serra há um clima para se sentir mais saudades? Acho que é por causa da paisagem bucólica. A gente olha as montanhas, a vegetação, escuta o rolar dos córregos, essas coisas tocam lá no fundo, provoca aquele sentimento que brota direto do coração. Então desejamos estar ao lado das pessoas que amamos – ele continuava me ouvindo, calado, acho que desejava saber onde eu queria chegar com a minha história.

Por falar em córregos, aqui é bem legal, sabe. Outro dia fui a uma das cachoeiras. Fiquei tomando sol, lendo uma revista, observando as outras pessoas, até que presenciei uma cena engraçada. Lembrei-me das nossas ousadias. Passavam das quatro da tarde quando resolvi caminhar mais acima, ao lado das corredeiras. Após uns vinte minutos, parei para descansar junto a uma pedra. Havia ali uma sombra muito refrescante. De repente, encontrei uma peça de roupa sobre a pedra, na verdade um biquíni de mulher, e tão pequeno. Primeiro achei que alguém o havia perdido, ou mesmo numa brincadeira de namoro ficara esquecido sobre a impassibilidade daquela rocha. Mas não demorou, ouvi uma conversa. Tentei não fazer barulho, não queria ser descoberta. Tratava-se de um casal que namorava muito discretamente, num recôncavo, entre duas pedras tapadas pela ramagem de uma árvore maior. Queria saber quem eram as pessoas, já que conheço todo mundo neste lugar. Mas confesso que não consegui. Iria me expor, poderiam me surpreender, não ficaria bem. Continuei a acompanhar os sons, as vozes. A mulher às vezes parecia rir; outras, emitia um som de quem está satisfeita da vida. Num movimento rápido por entre a folhagem descobri que estava nua. O biquíni que eu encontrara na verdade pertencia a ela. Peguei-o nas mãos, enrolei-o bem pequenino e o coloquei na minha sacola. Caminhei, rápida, para longe dali. Mais adiante entrei na cachoeira e levei comigo o biquíni. Lavei-o da melhor maneira possível. A seguir, substitui o meu por aquele biquininho. Deu direitinho, só que deixava minha bunda toda de fora. Você é que ia gostar de me ver vestida assim, ou melhor, despida assim. Tomei banho com ele durante uns bons vinte minutos. Depois, vesti o meu novamente e voltei ao local onde o encontrara. Minha intenção era recolocá-lo sobre a pedra, no mesmo lugar de antes. Mas não havia viva alma. Enrolei-o novamente, bem pequenino, e o guardei na bolsa. Quem sabe descobriria a quem pertencia. Voltei para casa. Ontem fui de novo às cachoeiras, e não é que descobri uma mulher com duas peças diferentes? Era a Adalgisa, esposa do Nicanor, um motorista que vive mais em Macaé do que aqui na Serra.  O sutiã era semelhante ao biquíni que eu levara, aliás, que eu vestia naquele momento. Ainda bem que eu estava enrolada numa canga. É lógico que não pude mergulhar ali, apenas a cumprimentei e segui adiante. Mais à frente, fora do alcance de sua visão, tirei a canga e entrei na água que descia de uma das cachoeiras. Já pensou se ela descobrisse? Você gostou da historinha, não? Muito engraçada. Isso mesmo, engraçada e mais alguma coisa. Você sempre gosta. Vesti o biquíni da mulher porque era tão pequenino como jamais usei, nunca tive coragem de comprar um assim. E dá uma tesão... Se vou devolver a ela? Acho que não. O que eu poderia dizer? Acho arriscado, é melhor eu ficar com o biquíni para mim. Ah, não sei como ela voltou para casa sem o biquíni, talvez o homem arranjou um jeito. Namorado sempre tem jeito para tudo. O quê?, você também tem uma solução?, quer vir aqui para me roubar o biquíni? Ah, espera mais um pouco, quero aproveitar mais as cachoeiras com ele, me sinto quase nua, é tão bom. Qualquer dia desses eu telefono de novo, aí, quem sabe.

Depois de desligar o telefone, pensei bem. Melhor deixar assim, enquanto ficamos no nível das histórias tudo vai às mil maravilhas. E o biquininho, hein, tão bom, nada melhor do que namorar com ele!

quarta-feira, dezembro 21, 2016

Meu namorado adora me deixar nua

Meu namorado adora me deixar nua, seja em casa ou em qualquer outro lugar, principalmente ao ar livre. É um arrepio, como gostamos, como gozamos. Ao irmos à praia, quando há pouca gente, tira-me o biquíni na própria areia, primeiro o top, depois a calcinha. Caso haja outras pessoas, entramos n’água; a primeira coisa que faz é me roubar o biquíni, literalmente, fico apenas de top. Certa vez me quis totalmente nua. Sem o top, as pessoas vão notar, tenha calma, adverti. Ele aceitou. Fiquei sem a parte de baixo durante uma boa meia hora.

Antes me surpreendia com tais investidas suas, contei então a uma amiga. Você não é a única a ficar nua em lugares públicos, assegurou, há outras que são até mesmo mais ousadas. Mais ousadas?, refleti. Contou-me o que faziam. E acho que fazem até hoje. Cada coisa de dar frio no estômago. Uma dirigiu nua, parou, saltou do automóvel e ficou na estrada a esperar pelo namorado que partiu para dar uma volta com o carro dela mesma. Além dessa, havia histórias muito excitantes. Até mesmo a de uma mulher encontrada nua de madrugada por um motorista que já a paquerava havia muito. Meu coração bateu mais forte. Será verdade?, quer dizer que há tanta gente nua por aí dia e noite?, perguntei curiosa. Isso mesmo, confirmou, mas não conte a ninguém suas aventuras, deixe que cada uma pense que é exclusiva. Engraçado, tememos mas, ao mesmo tempo, queremos aventuras e exclusividade. Lembrando as palavras de minha amiga, pensei sobre uma aventura que vivi e não disse a ela. Já saí nua de casa, não dirigindo o automóvel, mas sentadinha no banco do carona, sem suar de temor. Quero dizer, no começo fuquei um tantinho grudenta no assento, mas pouco a pouco me fui soltando. Correu tudo bem, meu namorado parou o carro num recanto arborizado, estacionou e trepamos ali mesmo. Mesmo depois de terminada a transa, eu ainda estava excitadíssima. Depois ele guiou pela orla, onde se reúnem muitos jovens para beber sábado à noite, mas me mantive tranquila, Chegou a sugerir quer saltar? Quem sabe, sorri desejosa. Tudo terminou bem. Quando entramos em casa, levou-me no colo, colocou-me no sofá da sala, tirou a roupa e escalou meu corpo, acariciou minhas carnes, descobriu em mim mais um ponto de gozo.

Semanas depois à praia, aconteceu algo engraçado. Ainda bem que não foi por aqui, onde moramos, mas duas cidades ao sul, num sábado à tarde, quase ninguém a tomar banho de mar, dois ou três casais, uns garotos ao longe jogando futebol. Ele tirou minha calcinha, como sempre faz quando entramos n’água. Mas, naquele dia, resolveu ir adiante. Roubou-me o top. Não tem ninguém por aqui, hoje quero deixar você nua inteira, disse e saiu da água levando nas mãos minhas duas peças. Recostou lá onde estavam as nossas coisas e cochilou. Aí surgiu, como que do nada, um homem. Tomei um grande susto. Mas, como não gosto de dar mancada, tentei manter a pose. O problema é que uma mulher de seios de fora é descoberta num piscar de olhos. Sem ter o que fazer, nada falei, a solução foi rir. Ele também riu. Você é bonita, afirmou no meu ouvido, bem pertinho, uma voz melodiosa, e ficou juntinho a mim; a seguir me segurou pela cintura. Ainda bem que não perguntou por que estava nua, eu morreria de vergonha. O desconhecido tinha talento, soube me deixar muito à vontade. Você só vai ter de cuidar de uma coisa, disse sorrateira e olhei para a areia. Ele já sabia, não precisei continuar. E o namorado?, lembrei a pergunta caso um dia contasse a história a alguma amiga. Adora me deixar nua, seja em casa ou em qualquer outro lugar, principalmente ao ar livre.

sexta-feira, dezembro 16, 2016

O biquíni dentro da bolsa

Ele me sussurrava enquanto namorávamos no seu apartamento, “você é muito gostosa, jamais vi uma mulher assim”. Sei que os homens falam sempre essas coisas para todas as mulheres, mas eu fingia que acreditava, já estava acostumada a tais elogios. Apenas me surpreendi quando ele acrescentou, “vou levar você à Floresta da Tijuca, vou tirar toda sua roupa e transar com você sobre a grama, depois lhe vou levar para passear inteiramente nua”. Arrepiei-me com a proposta, mas tentei não demostrar. Duas semanas depois, de novo em sua casa, entre beijos e abraços, eu disse, “você não cumpriu sua promessa”. “Que promessa?”, pareceu assustar-se. “Você falou que iria me levar à Floresta e me deixar nua”. “Ah, é mesmo, mas ainda vamos, ok?”, sorriu e me beijou os lábios. “Claro, estou esperando você me levar”. “Também quero levar você à praia e, dentro d’água, tirar o seu biquíni”, continuou. Lembrei-me de que havia contado a ele um episódio de adolescência, certa vez mergulhara de uma pedra, na então Praia do Flamengo, e senti uma sensação muito estranha, na verdade um orgasmo, no momento em que atravessei o espelho d’água, a temperatura baixa da água do mar me fez gozar. Afirmei também que mesmo tentando várias vezes nunca mais tive a mesma sensação, acrescentei que, algumas vezes, cheguei a tirar o biquíni dentro d’água em busca daquele gozo perdido, mas nada. Ele disse que iria me levar ao orgasmo na Floresta e na praia, que seria um gozo inesquecível. “Será?”, eu duvidava, mas o arrepio retornou.

Duas semanas depois fomos à Floresta. Subimos a serra de carro, ele dirigindo, estava um dia ensolarado de primavera. Chegamos pelas dez da manhã. “Tem muita gente”, falei, “acho que não vamos conseguir”. “Sempre se encontra um lugar deserto, a floresta é grande”, rebateu. Subimos, após várias curvas demos com um larguinho onde ele estacionou. Saímos do automóvel, eu levava uma bolsa de palha e vestia uma canga com o biquíni por baixo. Subimos por uma trilha. Às vezes encontrávamos outras pessoas, principalmente jovens, que pareciam preparados para longas caminhadas ou escaladas. Num estágio do caminho, havia uma plataforma que rodeava um grupo de árvores largas. Ele me puxou para a esquerda e entramos em meio à vegetação. Os galhos altos e as folhas das árvores filtravam os raios de sol. “É melhor a gente voltar num dia de semana, hoje tem muita gente”, eu disse um tanto temerosa. “Veja, aqui não há ninguém, e a gente pode ainda ir mais adiante”. Havia um corredor de árvores, mas nenhuma trilha. Às vezes o mato crescido no impedia a passagem. Contornamos uma pedra larga com vegetação que repousava sobre ela. Apoiei as mãos sobre alguns galhos para caminhar com mais segurança. Quando acabamos de contornar a rocha, nos deparamos com um local ainda mais retirado, que não havia vestígio de outras pessoas. As árvores, mais densas, tornavam o sítio escuro, e havia umidade no ar. Comecei então a sentir o tal gozo. Paramos atrás de uma árvore maior e nos abraçamos. Apressei-me a soltar a canga, dobrei-a com cuidado e a coloquei dentro da bolsa. Estava doidinha para ficar nua, mas ainda esperei um pouco, voltei a me agarrar a ele e a o beijá-lo na boca. “Tira o meu sutiã”, pedi baixinho. Ele soltou os laços e meus seios apareceram. Apertei seu tórax querendo sentir sua pele. Ele estava quente. Ficamos mais algum tempo abraçados, eu escondia  minha nudez superior dentro de seus braços. Como ele demorava para me tirar o biquíni, acabei eu mesma tomando a iniciativa. Não sei se estava temeroso ou se duvidava de que eu me aventuraria nua em plena floresta. Enquanto guardei o biquíni também dentro da bolsa, junto com o sutiã e ao lado da canga, reparei que ele olhou ao redor para se certificar de que estávamos sozinhos. Depois, fiquei agachada. Nua e agachadinha, a esperar por ele, queria que viesse por baixo. Ele entendeu o meu desejo, mas não quis tirar a roupa, apenas colocou o pênis para fora. Abocanhei de início aquele sexo gostoso. Após alguns minutos, pedi que se sentasse e fui sobre ele. Ficamos naquela posição durante muito tempo, eu me deliciando num intenso sobe e desce, deslizando o peru de meu namorado para dentro de mim e o trazendo de volta até a ponta, equilibrando-me para que não escapasse. Sentimos um sopro de vento a varrer aquela parte da mata, partículas de terra e folhas que me tocavam o corpo traziam-me intenso gozo, um orgasmo quase em dobro. Deitei e pedi que viesse sobre mim. Transamos demoradamente. Mas pelo meio da transa, descobri entre duas árvores, que estavam a uns dez metros de nós, duas fisionomias juvenis. Garotos nos observavam. Nada falei ao um homem, ao me sentir observada meu prazer cresceu, a mesma sensação que tivera ao mergulhar da pedra tempos atrás. Quando acabamos, meu namorado disse: “vamos à praia, agora quero você nua dentro d’água”. Acho que não vai dar, falei e sorri. “Por quê?”, ele fez uma fisionomia triste. “Enquanto trepávamos, alguém veio escondido e roubou minha bolsa, agora não posso voltar nua até o carro, você vai ter que arranjar uma solução”, eu disse, mas sem revelar preocupação alguma na fisionomia. Ele olhou, preocupado, para todos os lados, e deu com minha bolsa ao pé de um tronco, logo adiante. Caminhou dois passos e voltou com a bolsa. “Brincadeirinha”, falei, vamos à praia, sim, mas antes quero passear nua pela floresta!

terça-feira, dezembro 13, 2016

Ele vai me amar

Ele me telefonou. E toda vez que telefona sinto um arrepio. Perguntou se eu já tinha me separado.

“Você falou que estava se separando”, afirmou.

“Sim, falei, lembro, já me separei, sim.”

“Então...”, ele pronunciou e se calou.

Ele estava querendo encontrar comigo já fazia tempo, certa vez falou que viria aqui roubar minha calcinha, como fez certa vez quando namoramos. Eu sorri na ocasião, sorria de novo por causa do tal pensamento, enquanto segurava o telefone.

“Então”, repeti, “você quer falar comigo de perto, não é mesmo?, sugeri.”

“Isso, sim.”

“Então”, foi minha vez.

Como nada falava, achei que perdera o interesse. Quando eu estava casada o homem me telefonava, me convidava para sair, lembrava o tempo que fôramos namorados. Agora, ali, eu segurava o telefone, numa ligação interurbana, nada de confirmar as palavras que dissera outras vezes. Achei melhor tomar a iniciativa.

“Quando a gente se encontrar, vou sem calcinha.”

“Roubo tua saia”, rebateu e riu.

Outro arrepio, agora bem fundo. Não pela ameaça, mas porque o roubo já acontecera, além do sumiço da calcinha. Namorávamos à noite em um lugar deserto (gostávamos de aventura), um desvio da estrada, escuro, muitas as árvores, e ele a correr atrás de mim. Tirei a saia e pendurei num galho, a esmo, quis surpreendê-lo. Ele acabou me descobrindo, me abraçando. Beijou-me, um beijo demorado. A saia? Falou que se havia perdido, que não encontraríamos o galho que servia de cabide. A transa foi tão boa, que eu queria mesmo era ficar nua. Voltei para casa apenas de blusa. Ainda bem que ninguém pelo caminho. Dois dias depois descobri que a saia não se havia perdido coisa nenhuma, ele a trouxera escondida consigo, quis me pregar uma peça. Sua ação acabou por me excitar ainda mais. Ao parar o automóvel diante de minha casa, pedi que me comesse mais uma vez, ali mesmo, depois entrei em casa, na maior naturalidade. Isso já era passado, mas um passado que ainda me provoca frisson enquanto digito no teclado do computador. Talvez seja este o prazer do texto sobre o qual tanto fala Roland Barthes.

Talvez seja melhor sugerir ir ao encontro dele, pensei. Seria demais a ação? Estava sendo ousada? Afinal, o telefonema fora dele.

“Vou mandar umas fotos”, falei, “agora não há mais problema.”

“Fotos, que bom”, pareceu muito feliz. Imaginei sua face radiante, o telefone numa das mãos. “Mas como serão as fotos?”

“Não sei, vou pensar”, fiz mistério, “você vai gostar, comprei um telefone novo, faz self, as fotos ficam lindas.”

Enquanto esperava a voz dele, comecei a pensar nas fotos. Sou tão criativa, mas na hora de fotografar morro de vergonha.

“Isso”, ele disse.

“Isso o quê?”, assustei-me, será que ouvira o meu pensamento?

“Isso, as fotos, e bem bonitas, vou verificar, vou escrever uma história, você como personagem, levo pra você ler, nada de mensagem.”

“Ok”, concordei, “quando?”

“Amanhã ligo pra dizer o dia, tenho que resolver um problema de trabalho, mas é coisa rápida.”

Despedimo-nos. Sentei à beira da cama, uma vontade louca de ficar nua. Ele vai gostar, algumas fotos diante do espelho. A primeira com um vestido comprido, o vestido e a blusa de alcinha. A segunda, um vestido mais curto, ou mesmo uma saia, saia e camiseta. A terceira, de shortinho e top. Outra, de biquíni de praia. Já pensaram, o homem vai morrer de tesão. Mais uma, vestida apenas com a parte de baixo do biquíni; meus seios são rijos e pequenos, ele sempre adorou. A última foto, eu nua, apenas os olhos cobertos pelo telefone. Se a foto cair em mãos alheias, não vão saber que sou eu. Que arrepio, eu nuazinha, só o telefone a cobrir meus olhos, ele vai me amar!

terça-feira, dezembro 06, 2016

O presente e o frisson

Meus seios sempre foram grandes, não que isso me cause algum tipo de problema, muito pelo contrário, os homens adoram, e me olham com um desejo e tanto. Mas, às vezes, sinto um pouco de vergonha, principalmente quando uso blusas soltas. Não posso sair sem sutiã, ou sem algum tipo de top. Outro dia, um namorado insistiu para eu sair com ele sem o top.

“Já fico nua pra você, por que quer que os outros vejam meus seios?”

Ele nada falou, na verdade queria me exibir às outras pessoas. Fiquei um pouco chateada com a insistência e pensei em terminar o namoro. Nada de ser objeto de exibição.

Um episódio, porém, me surpreendeu e mexeu comigo. Aconteceu no último sábado. Eu caminhava pela praia, vinha do Pecado quando na altura do Durval me deparei com uma senhora que também caminhava. Ela vinha de camiseta e sem top, seus seios eram grandes e, apesar da idade, eram rijos e bonitos. Fiquei pensando por que andava daquele jeito, sem vergonha alguma e desejosa de mostrar o que tinha de mais bonito. Será que seu objetivo era arranjar namorado ou, quem sabe, sentia prazer em mostrar os seios?

“Jacqueline, você tem os seios grandes!”, exclamam minhas amigas caso me surpreendam nua, “queria ter seios assim”, dizem com certa inveja.

“Não é fácil ter os seios grandes”, rebato, “os namorados ficam loucos, e me querem sempre com os peitos de fora.”

Elas riem, acham ótimo, adorariam ter namorados como os que me aparecem.

E apareceu de novo o namorado que me desejava sem o top. Acabei saindo com ele, um sábado à noite. Fomos a um restaurante. Dele o convite. Um lugar aconchegante, à luz de velas. Bebemos vinho, culinária francesa, tudo do bom e do melhor. Será que vai me querer nua depois do jantar?, pensei. Lembrei na hora a mulher que caminhava pela praia de camiseta, sem o top. Ela seria a primeira a tirar a blusa. No final do jantar, andamos um pouco pela praia, uma brisa fresca, um arrepio. Ele contou uma história, uma viagem, barcos e aviões. O mar inspirava. No final, deu a senha.

“E então?”

“Então o quê?”, fiz-me séria, como se não o entendesse.

“Você vai me deixar roubar o teu sutiã?”

“Rá, rá, sorri forçada, você não esquece isso.”

“Como eu poderia esquecer, você com esses seios grandes é um charme.”

“Você quer mesmo meu sutiã?”

“Claro.”

Lembrei algo que eu queria comprar mais não tinha dinheiro, e era tão bonito. Falei a ele.

“Será que a loja está aberta, agora?”

“Quem sabe?”, respondi.

Deixamos o shopping para o domingo à tarde, pois era sábado, quase meia-noite. Mas fui para casa dele. Trepamos. Um gozo e tanto.

“Vou roubar teu sutiã agora, e quero que você vá apenas de blusa até lá fora”, o homem morria de ansiedade.

“Nada disso”, contestei, “você terá de esperar até amanhã.”

Ele esperou. No dia seguinte, fomos à loja determinada e ele comprou o que pedi. Não falo qual o presente porque morro de vergonha, as pessoas podem pensar que sou prostituta.

No carro, no escurinho da noite, ele:

“E então?”

Enquanto o homem dirigia, tirei a blusa, depois o top, coloquei as duas peças no banco traseiro do automóvel.

Com o presente na bolsa, valia a pena passear de torso nu, tanto mais no escurinho da estrada. Comecei a entender a senhora que passeava de camiseta e seios soltos à beira da praia. Um arrepio. Aliás, dois, o presente e o frisson.

terça-feira, novembro 29, 2016

Uma lágrima? De amor

“Ui, calma”, eu dizia a ele, “o quê?, você quer gozar na minha boca?”

Tudo começou com um ligeiro encontro, fazia tempo que eu não saía com homem nenhum. Mas aquele foi se chegando, conversando, sedutor que só. Eu esperava o metrô. E assim se sucedeu. No dia seguinte, logo à saída do trabalho, outro encontro. E a conversa comprida. Cada dia que se passava, maior a extensão.

“Vamos esperar o próximo?”

E esperávamos, já não íamos no primeiro trem.

Na semana seguinte, resolvemos passear pelo bairro. Perguntou se eu tomava cerveja?

“Não, não gosto, mas tem outra bebida que adoro.”

“Qual?”

“Vinho do porto.”

“Como você pode gostar de vinho do porto? É bebida de gente rica.”

“Como você sabe que não sou rica?”, perguntei incisiva.

Ele riu, quem sabe.

Sempre gostei do tal vinho desde que me ofereceram pela primeira vez, um namorado de paletó e gravata, que me levava pra jantar em Ipanema. Achei que o pedido, ao tal paquerador, iria afastá-lo de mim. Essa mulher gosta de coisas caras, diria. Mas não foi assim que aconteceu.

“Por que você não vem de vestido curto?”, perguntou.

“De trem, de vestido curto ou minissaia, nem pensar.”

“Por quê?”, fez-se de ingênuo.

“Os homens beliscam as pernas da gente quando o vagão está cheio, e não dá pra reclamar. Tenho uma amiga que perdeu a calcinha.”

“Como?”

“Imagine.”

Passamos a namorar antes de pegar o metrô. Na Central dávamos mais uma paradinha antes do trem. Mas ali não vendem vinho do porto.

No dia seguinte, enfim, ele me convidou pra ir a um hotel.

“Hoje não”, falei, “não estou me sentindo bem, amanhã ou depois.”

Sempre é bom criar um suspense. Ele poderia pensar, ela vai desaparecer e eu não comi esta mulher.

Mas, como prometi, ao entardecer de uma quarta-feira fomos ao hotel.

Nada posso reclamar, tudo foi tão bom. Mas senti que esfriei quando pedi:

“Não goza dentro não, por favor, tenho de fazer um exame amanhã.”

“Tudo bem”, ele contrapôs após trinta segundos, “mas deixa então eu gozar na tua boca.”

Por essa eu não esperava, não podia dizer a ele que jamais fizera aquilo. Quando estava pra gozar, ele sentou na cama e esperou que eu mergulhasse no seu peru. Mas hesitei. Cheguei a dizer, como que surpresa:

“Ui, calma, você quer gozar na minha boca? Vamos devagar.”

Mas ele não conseguiu se segurar, seu pênis esguichou três jatos de porra, uma delas atingiu meu rosto. Fiquei morrendo de vergonha.

Dias depois, nos encontramos de novo. Havia prometido a mim mesma retomar a transa fracassada. Mas não voltamos ao hotel. Ficamos conversando na estação de trens.

Demoramos duas semanas para trepar de novo. Até pensei que ele não mais me desejava. Enquanto chupava, tentei manter a linha, não queria demonstrar nenhuma tensão. Ficamos naquilo por uns dois ou três minutos. Foi então que resolvi segurar o pênis dele pelo talo, aquela parte de trás, quase junto ao saco, ainda puxei na direção contrária à minha boca. O pênis ficou ainda mais duro, e ele mais excitado. Até que explodiu. Eu, como por instinto, fiz um movimento de que iria me levantar, mas ele segurou minha cabeça e deu três esguicho muito forte, como na primeira vez. Quando me soltou, pensei em correr pro banheiro, mas apenas pensei. Ele tapou minha boca e me manteve na cama, apertou o meu nariz como se faz a uma criança quando vai mergulhar pela primeira vez. Estive a um triz pra engasgar. Sentiria vergonha. Uma lágrima escorreu dos meus olhos.

Minutos depois, quando nos preparávamos pra ir embora, ele perguntou:

“Você chorou?”

“De amor”, respondi.

Não queria dizer que era inexperiente naquela arte. Acho, porém, que convenci.

Depois de saltar do trem, tive de correr pra chegar logo em casa. Não sei se posso atribuir o mal estar a ele, mas estava morrendo de vontade para ir ao banheiro. Quando sentei no vazo, soltei tudo de uma só vez. Amanhã não apareço mais, cheguei a pensar.

No final de semana, contei a uma amiga, a tal que perdeu a calcinha no trem. Ela perguntou:

“Quer que eu vá no teu lugar?”

A partir de então me aperfeiçoei nessa arte. A arte de chupar. Marcamos e fomos para o mesmo hote. Ao entrar abracei-o e o beijei na boca, deitei-me na cama e pedi que tirasse minha roupa. Quando já estava nua, sugeri:

"Você rouba minha calcinha?"

Ele riu, pegou a calcinha, dobrou-a e guardou dentro da bolsa. Tirou a roupa e veio para junto de mim. Fiz que ficasse deitado e sentei sobre seu peru, que já estava duro que só. No início foi um pouquinho difícil, mas pouco a pouco fui ficando molhadinha. Após cinco minutos eu já o tinha dentro de mim. Era bom eu mesma poder controlar a transa, subia e descia, num exercício gostoso, o volume do seu sexo atingia-me as profundezas. Quando ele estava para gozar, tirei e mergulhei de cabeça. Chupei o pênis do homem o máximo que pude. Então, ele gozou. Três esguichos fortes, como sempre. Passei a língua em volta da cabeça para não deixar escapar uma gota de porra sequer; com a boca ainda quase fechada, sentia ainda o volume de toda aquela carne rija, depois levantei a cabeça e deixei que visse as contrações do meu pescoço. Estava engolindo tudo que ele ejaculara. Acho que hoje não existe ninguém melhor do que eu nesta arte. Mas havia a lágrima, dela eu não me conseguira livrar.

“Uma lágrima?", perguntou.

De amor!”, disfarcei.

terça-feira, novembro 22, 2016

Tudo bem ali à minha frente

Estou numa loja de moda, em M. Manhã de sábado. Oi, Mariana, que bom ver você, escuto. Viro-me. É Júlia. O que você compra?, quer logo saber. Um biquíni, digo resolvida. Um biquíni?, que bom, ela repete, está mesmo calor, mas você tem biquínis tão bonitos, ela continua, vejo você vez ou outra na praia. Tenho, falo e sorrio, mas vai chegar o verão e quero um novo. Aqui é uma boa loja, ela acrescenta, você vai encontrar um ótimo, e os namorados, hem?, ela pergunta sempre no plural, namorados. Tenho de rir. Namorados, então, é esse o motivo, ela me escuta. Quero me apresentar novinha em folha, ainda argumento. Já sei, ela é curiosa, você esta semana conquistou mais um. Hum, hum, respondo. Não se deve falar demais às amigas, a inveja mata. Espero-a sair para escolher o biquíni. Um azul, de lacinho, convite à sensualidade. Vou à praia agora mesmo?, os impulsos sempre me perseguem. Não. Este não é pra hoje. Vamos esperar o momento certo, digo a mim mesma, pedagógica, como me desse uma aula. Ando pelo calçadão de M. Muitas as pessoas, vãos às compras. Apresso-me. Numa galeria, tomo um refresco. Quando levo o copo aos lábios, o rapaz da loja em frente ri pra mim. Ele me conhece? Não sei. Talvez sim, tantos me conhecem. Mas não me namorou, tenho certeza, nada com os homens fáceis da cidade. Namoro agora alguém de longe. Não perguntei de onde vem, perguntas não ficam bem num primeiro momento, mas seu sotaque é quase estrangeiro, isso sei perceber. Tomamos uma bebidinha ontem à noite e comemos uns canapés. Meus lábios vermelhos de batom, e eu a colocar vagarosamente o canapé na boca, sem que tocasse os lábios, sem que manchasse o batom. O homem reparou, e quase enlouqueceu. Quis sair comigo dali mesmo. Vamos a um lugar mais tranquilo, sugeriu. Não, espere, tudo está tão gostoso. No final, sugeri que deixasse pra outro dia, quem sabe pra hoje. Sei que não se conformou, mas manteve a elegância. Sou escorregadia. Os homens me querem, mas eu deslizo pra longe, como se estivesse toda ensaboada, eles não conseguem me segurar. E, agora, vou com o meu biquíni, por enquanto na bolsa. Entro um das transversais e, na esquina com a Teixeira, encontro um amigo. Aliás, alguém que já me acompanhou à praia num fim de semana. Olá, Mariana, sempre bela. Tive de rir, e lhe beijar ambas as faces. Cheirosa, completou. Que bom, repliquei, ainda bem que há quem repare. Ele quer saber de mim. Minha face revela bem estar, felicidade, muito bom humor. Mas não permaneço ali, despeço-me, deixo-lhe saudades. Sigo em direção ao meu bairro, menos de vinte minutos. Tantas pessoas conhecidas. Seria bom viver onde ninguém me conhecesse? Não sei, talvez sim, talvez não. Vejo Mariângela, está na varanda. Caminho rápida, apenas um movimento de cabeça como cumprimento. A ela nada posso falar, tem fama de roubar namorados e, além de tudo, é muito levada. Esta é a palavra que usam por aqui quando a mulher é atirada, sempre a buscar namorados, envolvida com muitos homens. Alguém veio me contar que Mariângela adora estrangeiros. Por isso, tenho de me guardar a seus ardis. Caso contrário, roubar-me-á o homem.  Outro dia ela apareceu com um dinamarquês, homem grande, louro, de fazer qualquer mulher morrer de inveja. E ela é magra, não tem nada pra mostrar, não sei como consegue. Quem sabe suas fantasias não deixem os homens escaparem? O dinamarquês ficou com ela o tempo em que esteve na cidade Há quem jure que viu Mariângela nua, no banco do carona do carro dirigido pelo homem da Escandinávia. Ela fica para trás, entro em casa. O telefone toca: alô?. É ele, o tal que saiu comigo ontem. Não demora e já quer me encontrar. Vamos esperar até à noite?, proponho. Ele aceita. A vulgaridade é uma acusação estúpida, superficial, uma exigência de princípios que se transformou no mais cômodo refúgio da mediocridade. Penso nisso ao ver o vizinho da casa ao lado, vestido apenas de calção de banho, mangueira na mão a molhar a grama do quintal. Ele me descobre e acena, sorri, como gostaria que eu caísse em seus braços. Quem sabe, reflito, não é um dos bobalhões da cidade e, por morar ao lado, não creio que venha a ser vulgar. O rapaz me acena. Não quer vir, está calor, fala e ao mesmo tempo se molha com o jorro da mangueira. Acho tudo muito interessante, quase uma brincadeira de criança. Venha, venha se molhar, insiste. Não seria bom, penso em frações de segundo. Com um vizinho, logo alguém vai descobrir que entrei na sua casa, fico com má fama. Digo que preciso descansar, deixa pra outro dia. Ele faz uma fisionomia de quem tristeza, não é bom estar só, tanto mais num dia de sol como este. Saio rápida da janela, pois a tentação é muito grande. Volto-me para dentro da cozinha, procuro alguma coisa para por no fogo. Enquanto descasco duas batatas, minha imaginação voa, não me dá descanso. Desço. Visto um short, o biquíni por baixo. Não o novo, é claro. o biquíni que costumo usar ultimamente, não me desaponta, nem aos homens. Oi, tudo bem?, digo. Ele se apresenta, faço o mesmo, beijo-o nas duas faces, está calor mesmo hoje, acrescento. Conversamos amenidades. Ele diz que já me vê faz tempo, queria se apresentar à vizinha mas não tinha achado oportunidade, agora então... Carlos, o nome dele. Tiro o short e tomo nas mãos a mangueira. Ele continua em pé, às vezes olhas para mim, às vezes desvia os olhos para o jardim. Você é da cidade ou veio de fora?, pergunto. De fora, ele, mas conheço algumas pessoas da cidade, estou a trabalho, como hoje é sábado... Procura mostrar-se o mais agradável. Enquanto fala, despejo a água sobre o meu corpo. O calor arrefece, sinto imenso prazer. O ideal seria uma piscina, diz ele. A mangueira está boa, asseguro, você não tem amigos ainda?, estou curiosa. Alguns, do trabalho, mas amiga mulher você é a primeira. Penso nas mulheres das redondezas, são tão atiradas, será que ainda não sabem da existência dele, caso estejam cientes devem estar a caminho, correndo para atirarem-se nos braços de Carlos. Aqui todos são muito simpáticos, falo com o desejo de tornar a estada do homem na cidade a melhor possível. Já reparei, são todos muito sorridentes, sobretudo as mulheres, continua. Então ele já sabe, elas sorriem para ele, não demora e uma bate aqui na porta, de biquíni ou, quem sabe, nua. Entrego-lhe a mangueira, junto as mãos, um pouquinho acima dos seios, uma atitude sensual, mas involuntária. Ele dirige a ponta da mangueira para o próprio corpo e se molha intensamente, chega a fechar os olhos. Sua altura é de mais ou menos um e oitenta, tem os cabelos curtos, dentes muito brancos. Olha para mim e ameaça me molhar, faço fisionomia de que estou com medo, de que vou sentir frio. Diz brincadeirinha. Você frequenta muito a praia?, pergunta. Às vezes, prefiro a parte da tarde. Retoma a palavra, já sei você acorda tarde e o sol já está muito quente. Isso mesmo, replico, não gosto do sol me tostando, e à tarde a praia já não tem tanta gente. Você vai hoje?, sua voz soa quase como um convite. Hoje, não, tenho um compromisso logo mais, se eu for a praia vou ficar morta. Ele sorri das minhas palavras, na certa entende compromisso como saída com algum namorado. Tenho de voltar, digo, deixei a panela no fogo! Visto o short e volto à realidade, o fogão, as batatas e a água fervendo, corro à janela para ver se ele ainda está no quintal. Desapareceu. Fechou a torneira e a mangueira jaz sobre o chão, como uma cobra comprida e inofensiva. Volto à cozinha, aliás, antes tiro o short e a blusa, que calor, deixo as duas peças sobre a cama e volto a cozinhar batatas. É boa a sensação de estar nua, ninguém a incomodar. Enquanto as batatas vão mergulhadas na água quente, volto à sala, sento no sofá de dois lugares, quase junto à janela, cruzo as pernas, seguro uma revista e tento me distrair com a leitura. Como os homens gostariam de me ver assim, sem roupa alguma, eu magra mas sensual, chego a sentir arrepio. Na revista, procuro fotos de homens, talvez como o que vi há pouco no quintal da casa ao lado. Dizem que as mulheres são menos fogosas do que os homens. Mas, no meu caso, não consigo acreditar, sinto muito tesão, tenho até um pênis, desses que se vendem em sexy shop. Por falar nisso, por anda? Que tal procurar por ele agora? Levanto-me e vou a um dos armários. Acho que está guardado na parte superior, bem no fundo. Isso mesmo. Encontro-o, tiro da caixa. Engraçado, funciona a bateria, a cabeça movimenta-se, uma maneira de aumentar a sensação. Abro a torneira e o lavo, cuidadosa. Acho que a bateria pifou, mas sem problemas. Basta enfiar, vagarosamente. Volto ao sofá, recosto, e aproximo a ponta do pênis à minha vagina. Encosto-o. Movo-o para um lado, para o outro, nada de enfiar rápido. Gosto de tudo com muita calma. Começo a me masturbar. Esqueço da vida, tenho todo tempo do mundo. Enfio o pênis mais fundo, já o coloco até a metade, como é grande, maior do que o dos homens normais. Estou toda molhada, tesão a mil. Alguém toca campainha. Quem será a essa hora, duas da tarde de sábado. Abro a porta, vagarosa, assustada, estou nua, ponho apenas a cabeça no pequeno vão. Surpresa. O vizinho do lado. O que foi?, pergunto abrupta. Acho que você esqueceu alguma comida no fogo, está saindo fumaça pela janela da sua cozinha. Corro e desligo o fogão. As batatas, a água secou e eu nem senti. Volto à porta. O vizinho ainda está lá. Obrigada, sabe, se não fosse você, acho que minha casa pegava fogo, por falar nisso, quer entrar um pouquinho?, entre sim, você salvou a minha casa. Ele aceita. Entra. É lógico que antes peço que espere um instantinho. Vou ao quarto e jogo uma camiseta sobre o corpo, dessas que me cobrem até as coxas. Não esqueço de esconder o pênis artificial. Já não preciso dele, tenho um natural, um corpo de cheio de músculos, tudo bem ali à minha frente.

terça-feira, novembro 15, 2016

Tirou o biquíni e o entregou na minha mão

Na verdade, tudo não passou de uma brincadeira de verão. Íamos à praia para ter a pele bronzeada mas, principalmente, para olhar os rapazes bonitos. Apostávamos se viriam conversar conosco. Quando se aproximavam, fazíamos de conta que éramos mulheres difíceis, sérias, não incentivávamos a conversa. Mas sempre estávamos doidinhas para namorá-los. Às vezes quando entrávamos na água, algum deles mergulhava. Eu achava que era para ver de perto as minhas pernas, reparar o meu biquíni bem pequenino. Aí veio a Fanny com a tal brincadeira:

“Quer valer como não descobre?”, perguntou.

“Não descobre o quê?”, eu não havia entendido.

“Não descobre que você está nua.”

“Nua? Como?”, custei a perceber o que ela insinuava.

“Vamos apostar”, falou. “Tiro o biquíni, deixo com você, quando um deles vier conversar aposto que não descobre.”

“E se descobrir?”

“Não descobre, não; nem vou pensar nisso.”

Ela não se fez de rogada. Tirou o biquíni e o entregou na minha mão. Ficou apenas de top. Veio um, veio dois, conversaram durante vários minutos, acho que uma meia hora. Nenhum deles deu falta do biquíni. Quando percebi que ela ganharia a aposta, sai da água e levei a peça comigo.

Depois de algum tempo, Cecília apareceu e me falou:

A Fanny está chamando você, e olha que está furiosa?”

"Onde ela está?"; fingida, eu.

"Lá, dentro d'água", apontou.

“Ok”, respondi.

Voltei.

“Você saiu da água, cadê o meu biquíni”, perguntou, parecia tão calma, uma artista a Fanny..

“Guardei lá na minha bolsa”, falei. “Espere que volto já.”

Então ela mergulhou rapidinho. Sem que eu esperasse, desfez os meus lacinhos. Só entendi o ardil, quando senti o biquíni escapar.

“Volto logo, deixa que eu mesma vou buscar”, falou e se afastou.

“Ei, volte aqui”, gritei agitadíssima. Ela vestiu o meu biquíni e se foi.

Ao me perceber só, fiquei quietinha, temia atrair alguém. Estava, porém, desesperada.

Depois de intermináveis vinte minutos, lá veio ela de volta.

“Que susto, Fanny, pensei que você não voltaria.”

“Fiz isso pra você ver como é estimulante correr risco”, fez cara de santa e me devolveu a calcinha. Estava escondida dentro do seu biquíni.

Suspirei, então:

“Fanny, você tem razão, é muito bom. Fiquei e estou toda trêmula, mas acho que gozei.”

Ela riu e completou: “gozou sem que algum dos rapazes viesse conversar com você? Espere que vou deixar você nua de novo!”

“Não, Fanny, por favor, assim eu morro.”

“Não morre, não.”

Realmente, não morri. E à noite ainda acabei pelada pelas mãos de um rapagão, o que mostrou os olhos mais abertos durante o dia. Era tudo o que eu queria.

terça-feira, novembro 08, 2016

Você ficou nua, como a mulher de quem acabou de falar?

Certa vez eu falara a ele que faria uma surpresa. Havia comprado uma sainha, improvisaria uma blusa curtinha, vestiria o conjunto e desfilaria à noite, só pra ele. Mas nunca cumpri minha promessa. Sempre que o encontrava, saíamos, víamos um filme e depois jantávamos num restaurante da orla marítima. Na volta, logo ao entrarmos a casa, nos agarrávamos e nos beijávamos. Ele, então, tirava minha roupa e mergulhávamos num sexo quente, pleno de ardor. A surpresa ficava sempre para a próxima semana.

Mas na semana passada resolvi fazer o contrário. Quando ele chegou pra me pegar, eu vestia a tal sainha e blusinha, levava nas mãos uma echarpe, para caso de um frio repentino. Percebi que ele se surpreendeu, porém nada falou. Entramos num táxi e fomos ao cinema. Dentro da sala, outro ato inesperado de minha parte. Tomei uma de suas mãos e a coloquei sobre minha coxa esquerda. A mão quente tomou grande parte da minha perna, a sainha subira confortavelmente. Ele chegou mais perto, moveu o tronco como se quisesse arranjar-se mais confortável na poltrona. Ainda no escuro do cinema, beijamo-nos, cheguei a sussurrar no seu ouvido gostou? Ele me beijou mais uma vez. Há muito que prometo, cheguei a soprar. Ele relaxou no recosto e assistimos ao filme.

Você, com essa sainha, o melhor seríamos ir a uma boate, vai fazer o maior sucesso, sugeriu. Uma boate apenas para nós dois?, insinuei. Não, uma boate de verdade, você dançando agarradinha a mim. Tudo bem, concordei.

A boate era bem pequena, havia o bar e a exígua pista de dança. A música, como sempre, era alta, ecoava terrivelmente em nossos ouvidos; as luzes, de enlouquecer. Como estava muito cheio, ele me abraçou e não me largou um momento sequer. Acho que temia que eu fosse levada por algum homem sozinho, ou alguém a me enfiar as mãos sob a minissaia. Bebemos as nossas caipirinhas e dançamos agarradinhos. Algumas mulheres também se agarravam aos homens. Havia alguns que ficavam ao redor da pista, aguardavam olhares maliciosos. A ideia da boate fora boa. Eu me soltava, acelerada pela bebida. Depois de algum tempo, percebi alguns estofados, rodeavam as paredes da boate, onde namoravam mulheres e homens; alguns, pelos gestos ousados, pareciam apaixonados. Dançávamos alucinadamente, ele resguardava-me com as mãos, não desejava perder nem mesmo um milímetro do meu corpo. Percebi entre as mulheres uma que dançava com um micro vestido. Não podia levantar os braços sob o risco de deixar seu bumbum de fora. Como era safadinha, vez ou outra se exibia, girava, e revelava. Os homens a olhavam, queriam-na nua. Um deles chegou-se a ela, abraçou-a e, disfarçadamente, tocou suas coxas. Ela jogou o corpo pra trás, inclinando-se num precário equilíbrio, o vestido subiu um tantinho, o suficiente para revelar que ela estava totalmente depilada. Não sei dizer por quê, mas senti inveja da mulher. Queria eu fazer o mesmo? Meu namorado continuava a me abraçar. Estou morrendo de tesão, disse no seu ouvido, em meio a todo o barulho da boate. Mas ele escutou. Saímos da pista e nos colocamos em uma das extremidades, onde não havia tanta gente. Queria que houvesse um buraco, falei. Um buraco?, repetiu como se não entendesse. Pra você me deixar nua e me comer, acrescentei. Olhamos em volta. A parede era forrada de veludo, muita gente se agarrava encostada nela; no fundo, os toaletes; ao lado uma porta sem letreiro. Pedimos licença e escapamos. Meu namorado mexeu na maçaneta, a porta abriu-se. Lá dentro, outros casais, mais estofados, pessoas que se agarravam. Numa ponta, descobrimos um lugar vago. Sentamos, eu sobre seu colo. Imaginem, eu de sainha, as pernas abertas, sobre as pernas de meu namorado. Ninguém olhou pra nós, não estavam interessados. Não fizemos o principal, mas senti o seu sexo no meio das minhas pernas. É melhor irmos, ele disse, vamos nos agarrar em um lugar em que fiquemos à vontade. Tudo bem, consenti. Queria sentir seu pênis dentro de mim, na posição em que estávamos não era possível. Olhei ao redor e reparei que ninguém trepava ali, apenas as saias, ou vestidos, iam acima da discrição exigida. Enquanto ele foi ao caixa pagar nossos cartões, corri ao toalete, um quadrado também muito estreito, onde cabiam duas pessoas diante da pia, ou do espelho; meio metro atrás estava uma porta de metal que dava entrada ao local onde ficava o vaso. Diante da pia, havia quatro mulheres, a princípio não entendi o que discutiam. O mais curioso: uma delas estava inteiramente nua. Perguntei se a cabine onde ficava o vaso estava disponível. Uma delas disse sim, as outras continuaram discutindo. Entrei, fechei a porta e prestei atenção à conversa. Você fala com ele, ele vai resolver, sempre resolve, falou a que estava nua. Outra interveio com duas perguntas repetidas, como se estivesse muito surpresa: mas como?, mas como? Depois explico, disse a nua, vá falar com ele, não é a primeira vez que acontece. Saí da cabine, perguntei se poderia lavar as mãos. A nua afastou-se e apontou a torneira, não demonstrava vexo algum. Ao abrir a porta do toalete ainda ouvi as mulheres: quando amanhecer, quero saber como você vai fazer pra sair pelada da boate, fale com ele, ele vai resolver, está muito barulho... As vozes se perderam, abafadas pela música alta e bem ritmada. Meu namorado abraçou-me, saímos e tomamos logo um táxi.

Enquanto o táxi rolava pela orla da lagoa, contei ao namorado sobre a mulher nua no banheiro. Sabe, achei aquilo muito engraçado, a mulher dava a entender que não tinha o que vestir, como pode ter acontecido?, certamente ela não saiu nua de casa. Ele riu, talvez tenha achado o assunto excitante. Já terminei nua a noite, mas faz tempo, aconteceu num daqueles bailes de carnaval de antigamente, rolava de tudo. Você ficou nua, como a mulher de quem acabou de falar? Sim, fiquei, todo mundo ficava, o que tem? Nada, nada, ele disse preocupado de que eu não ficasse aborrecida. Acho que sua pergunta revelava por que a mulher estava nua, devia ter acontecido o mesmo que acontecia a nós naqueles famosos bailes. Você gostou da minha sainha?, disse baixinho no seu ouvido e o beijei. Adorei, ele respondeu, mas prefiro você sem ela. Sem ela?, repeti. Isso mesmo, acrescentou, sem a saia. Então tira, pode tirar, me deixa nua, soprei-lhe. Mas aqui no táxi?, pareceu surpreender-se. Não faz mal, a nua serei eu. Então, ele atendeu o meu pedido, quero dizer, a minha quase súplica, porque eu já estava morrendo de vontade de trepar com ele. Ele resolve, fale com ele que ele sempre resolve. Enquanto eu gozava, a voz da nua ecoava na minha cabeça.

terça-feira, novembro 01, 2016

O sofá

O sofá jazia na rua, junto a um poste. Esperava pela compaixão de alguém. Ou pelo caminhão da limpeza pública. Era um sofá de pano. Via-se que estava gasto, um tanto desbotado, mas ainda servia. Quem quisesse sentaria nele e descansaria. Não era isso, porém, que me despertava o sofá. Lembrava um namorado. E fazia mais de dez anos. O namorado tivera um sofá semelhante. O pano estampado de listras cinzas e brancas. O namorado insistira em me levar ao seu apartamento. O namoro ainda ia cru, duas semanas de encontros, apenas. Eu não queria, não do jeito dele. O sofá jazia na rua. Ninguém viera buscá-lo até aquele momento. Nem havia alguém que o espreitasse. O sofá do namorado era convidativo. Ele perguntou se eu bebia alguma coisa. Havia vinho e cerveja na geladeira. Não, obrigada. Bebera momentos antes num bar, com ele. Insistira e eu acabei sentada sobre o sofá de sua sala. Uma sala limpa, aceitável, alguns livros numa estante. Cruzei as pernas, o vestido comprido, de flores verdes e fundo branco, escondia minhas pernas. Esperava a reação do namorado. Ele observava minha fisionomia ressentida. Vencera. Conseguira-me sentada no seu sofá. Descruzei as pernas, olhei-o desafiadora. Por que a mulher sempre é levada ao local mais fácil?, acho que pensei naquele momento. Merecia um hotel. Não o Palace, mas um hotel razoável, paredes claras, a luz quebrada ao meio. O sofá era convidativo. Ele sentou ao meu lado. Deu-me um longo abraço, um começo de beijo. Eu, rígida, como se não quisesse o beijo, como se recusasse o abraço. Não queria o apartamento, muito menos o sofá. Sentia-me vencida. Sim, eu era uma mulher vencida. Mas não sabia dizer o que seria uma mulher vencedora. Não naquele momento. Descobriria duas ou três horas depois. Mas a dor de se sentir vencida é um fato quase irrecuperável. O sofá, o da rua, eu diante dele fazia tempo. Quem via a mulher louca diante daquele refugo? Louca ou mendiga, dá no mesmo. Minhas roupas, no entanto, revelavam uma mulher limpa. Talvez queira levar o sofá para casa, alguém pensaria. Talvez esteja cansada e queira sentar. Nada disso. Era o namorado. Eu estava sentada ao seu lado. De repente levantei, dei alguns passos. Queria conhecer o resto do apartamento. Começava a conquista. Entrei no quarto, caminhei até a janela. O outro lado da rua, um prédio de apartamentos, uma mulher passou rapidamente de um cômodo a outro. Estava envolvida numa toalha. Sua rapidez revelava o desejo de não ser descoberta. Voltei à sala. Entrei na cozinha, na área de serviço, nas dependências de empregada. Havia um secador pequeno na área de serviço, pequeno e vazio. Ele não lavava as roupas? Voltei à sala. Sorria dentro de mim. Ele não lavava as roupas. Ele ainda sentando, à espera. Seu olhar indagativo. Eu aceitava? Não sei. Entrei no quarto mais uma vez e deitei na cama. Venha até aqui, gritei. Deitada, esperava que subisse sobre meu corpo. Seu vestido vai ficar todo amarrotado, preocupava-se ele com meu asseio. Não faz mal, não ligo aos vestidos. Deitou enfim sobre mim. Beijou-me. Um beijo longo. Assim que acabou, tirei o vestido e o arremessei sobre uma cadeira. Arre a todos os vestidos. Meus seios se aprumaram. Ele sabia que eu não usava sutiã. Deitei-me e ele veio de novo sobre mim. Tira minha calcinha, ordenei. Sou eu que rejo a orquestra, falei dentro de mim. Começamos um duelo vigoroso. Eu sabia que não haveria vencedores. E numa orquestra há muitos homens. Homens e mulheres. No sexo, ambos ganham. Ou perdem. Depende do ponto de vista. Mas o vestido sobre a cadeira mostrava minha determinação. Uma determinação de mulher que não tem medo de sair nua andando quadras e quadras. Eu era essa mulher. A princípio vencida pelo namorado, levada cordata à sua casa. Mas depois. Bem, depois há sempre aquele que diz que já não é possível a vitória. Mas eu vencera. Tanto vencera que fiz questão de reger uma orquestra. Eu, que jamais aprendera música nem sabia tocar instrumento algum. Uma mulher que não tinha a preocupação de ir embora amarrotada. Melhor, então, a vitória final. Não iria embora amarrotada. Não iria embora. Ou Iria embora nua. E de cabeça erguida. Os seios aprumados. Seria presa? Não me importava a prisão. Importava reger a orquestra. Antes de sair ainda sentei uma vez no sofá. Para calçar a sandália. O sofá. Que jazia na rua. 

terça-feira, outubro 25, 2016

Trepar pelo zap

Ele me enviou uma mensagem pedindo uma história. Lembrei então que, no meio de todo o fogo da nossa última transa, perguntei se gostava de ouvir sacanagem. A maioria dos homens gosta, principalmente na voz das mulheres. Talvez fosse isso, agora ele pedia por escrito. Sou boa na fala, mas no papel... Não respondi logo, também achei imprudente dizer que não entendera seu pedido. Dois dias depois enviei a história. Ele respondeu, mas em forma de convite, queria me encontrar de novo.

Você quer enfiar no meu cu?, quer? Eu trouxe uma pomada, você passa no meu rego e enfia, você vai gozar muito. Você quer que eu pegue?, mas deixe contar mais uma coisa. Calma, por favor, se segura, não vai gozar agora. A pomada é geladinha, e como eu gozo, acho que gozo primeiro com ela, depois com o teu pau. Mas escuta, eu trouxe também uma renda branca, transparente. Sabe que já saí uma vez enrolada nela. Verdade, era de madrugada. Não preciso dizer que deixei o homem louco. Quem? Ah, um homem que estava comigo. Desenrolei a renda do meu corpo e fiquei peladinha no banco do carona. Ele dirigiu pela Dutra, a renda pela janela do carro, eu segurando pela ponta dos dedos. Quase escapou. Já pensou?, eu ter de voltar pelada pra casa?, mas pelada ou a renda era a mesma coisa. Vou pegar, está na bolsa, a renda e a pomada, mas primeiro a renda, desfilo pra você, vou lá fora, fica bonitinha, viu, posso vestir como um vestido longo, ou como um minivestido, ou vestidinho, não sei como dizer, então tem de ficar dobrada, perde um pouco da transparência, mas minhas coxas nuas são um tesão, ameaçam mostrar tudo. Você quer?, mas espera, quero dizer mais uma coisa. Trouxe também um creme, um creme para o corpo inteiro. Você passa sobre a minha pele?, espalha bem? Não imagina como sinto prazer com isso. Eu, toda brilhosa, bastante cremosa. Mas uma coisa de cada vez. Primeiro a renda e o desfile, mesmo aqui no quarto do hotel, ou ali fora, quem sabe, desfilo e bato à porta pra você abrir; depois o creme sobre o corpo inteiro, você querendo me agarrar e eu toda escorregadia, um gozo só; no final, a pomada, mas é preciso ter cuidado, se a dose for grande vou engolir tudo muito rápido, você tem de passar a medida certa, caso contrário teu pau vai afundar dentro de mim, aí não vou sentir muito prazer. O gozo está em eu sentir a medida certa, ou em eu ter de me equilibrar sobre um estreito fio de arame. De cada lado está a possibilidade de eu perder o gozo, o ato de continuar avançando sobre o fio será o próprio gozo. Por falar nisso, você já viu uma mulher gozar? (Ai, pro zap essa história já está imensa), você já viu? Acho que não, as mulheres quase não gozam, ou gozam muito pouco. Mas eu gozo, gozo muito, você vai ver. A pomada na dose certa, quero sentir uma ardidinha, um pouco de arrepio, você enfiando em mim. Calma, não, agora não, se segura, nem peguei todas as coisas que trouxe. Você não aguenta?, por que os homens acabam com o prazer sempre tão cedo? Vamos fazer diferente. Goza aqui, na minha boca, está vendo? Vai. Cuidado pra não escapar. Vou engolir tudinho. Você nem vai precisar tapar meu nariz. Agora, goza tudo. Sei, sou tagarela, mas não falo mais, abro apenas a boca...

terça-feira, outubro 18, 2016

Melhor mesmo é fotografar

Não faz muito tempo, eu era maluquinha. Namorava todos os homens que apareciam no meu caminho. Ganhava tantos presentes, que não tinha onde guardá-los. Certa vez vivi uma experiência sedutora.

Conheci um fotógrafo. Devido à profissão, ele não perdia a oportunidade de fotografar tudo que achava interessante. Então, aproveitava também para fazer umas fotos minhas. Naquele tempo ainda não existiam as máquinas digitais. Fazíamos as fotos e tínhamos de esperar alguns dias para ver se ficaram boas. Toda semana, pedia para ele me fotografar. Ele atendia, e as fotos iam se avolumando. Tenho todas as cópias até hoje. Numa determinada fase do nosso namoro, quando já vivíamos mais intensamente a relação, pedi que me fotografasse nua. No início, recusou. Mas depois, após eu insistir, começou a fazer as fotos. Às vezes eu usava algum tecido para cobrir determinadas partes do corpo, só para provocar quem acaso viesse a apreciar as fotos. Mas, na maioria, eu saí nua por inteiro. Toda mulher tem um ponto vulnerável, e o meu passou a ser as fotos de mim mesma. Certa vez, tentei pregar-lhe uma peça. Levei uma das fotos a uma agência de publicidade. Queria que fizessem um outdoor. Perto de onde eu morava, havia um monte deles. Após insistir e pagar uma pequena fortuna, consegui o outdoor por três dias. Eu aparecia nua, mas de perfil; no alto, ia escrito: “venha, Antônio, estou lhe esperando”. Ninguém de onde moro me reconheceu. Pelo menos foi o que pude deduzir. Lembro que saí de casa todas as manhãs para passear bem defronte à minha própria imagem. Houve apenas duas diferenças entre a mulher da grande foto e eu. Passeei vestida e de óculos escuros. Nem meu namorado percebeu a minha imagem. Mas faço uma ressalva: ele era muito distraído. Depois de substituída a foto por uma propaganda qualquer, contei a ele. Mas não acreditou.

O tempo passou. Meu namorado foi embora do Brasil. Eu não quis acompanhá-lo. Fiquei por aqui. Daí surgiram outros. E como não descobrissem o meu ponto fraco, eu lhes soprava no ouvido, você não tem uma câmera? Após a primeira foto, eles também se tornavam dependentes dessa arte. E do meu corpo.

Chegaram, então, as digitais e os celulares que fazem fotos. Tudo ficou mais fácil na minha vida de namoradeira prestes a ser clicada nua. Cada admirador passou a colecionar um punhado de fotos minhas.

O engraçado é que sempre após o término dos namoros, as fotos ficavam com eles. Aliás, houve um que, tristonho, voltou com o intuito de devolvê-las. Nada disso, disse-lhe eu, fica de presente. Mas você está nua, ainda tentou me convencer. Não tem problema, retruquei, o que há de mal nisso?

Na semana passada, após longo inverno sem namorado, surgiu a ocasião de a maluquinha aqui entrar em ação de novo. No apartamento do homem, pedi, faça uma foto minha. Ele atendeu. Pedi mais uma vez, quero uma foto nua. Nua?, replicou, acho que fingindo surpresa. E fui tirando a roupa. E foi ele me clicando. Depois das fotos, ainda nua, contei-lhe a minha longa história de fotografias. Lógico que sem ressaltar os namorados. Você não tem medo que essas fotos vazem?, arregalou os olhos. Vazem?, repeti. Isso mesmo, que caiam na internet?, acrescentou. Nunca pensei nisso, respondi, e não vou me preocupar agora, mas peço uma coisa a você, ok? Ok, respondeu, já sei, que eu tome muito cuidado com essas fotos... Nada disso, concluí, quero que você venha até aqui bem pertinho, tire a roupa e enfie esse peru gostoso bem fundo dentro de mim. Ele veio. Sabe, sussurrei-lhe no ouvido, esta história de fotos é muito boa, melhor, porém, é trepar, e uma trepada bem gostosa...

terça-feira, outubro 11, 2016

Vou como a cadela

Não sei como o conheci. Rondo sua casa e espero que ele me veja. Talvez pense obra do acaso, não conta que planejo tudo de modo meticuloso. Como, no entanto, demora a aparecer, começo a ficar preocupada. Já faz três semanas. Todos os dias levo a cadela a passear. Contorno a quadra, dobro à primeira rua, mais alguns passos e desfilo diante da casa dele, uma construção de dois andares, janelas de madeira, uma árvore frondosa no terreno de frente. No bairro, de um tempo para cá começaram a subir os muros. Segurança, medo de roubos, não sei. O que posso dizer é que tiram a beleza original das casas, algumas de mais de meio século. A sua não é tão antiga, talvez vinte ou trinta anos. Espero que a porta se abra, que ele surja, de preferência só, saindo para as  compras ou para o trabalho. Não sei se trabalha, pelo aspecto parece uma pessoa de certa cultura, talvez escritor, ou quem sabe diretor de cinema. A cadela puxa a guia, cheira a terra junto a uma pequena árvore, procura indícios de outro cão; eu, atrás. O que é capaz de fazer uma mulher quando está apaixonada? A pergunta martela minha cabeça. A cadela não quer esperar, puxa, deseja outros sítios. Começo a pensar em espionar a casa, sozinha. Deixo que ela me conduza, segue dando a volta na quadra, depois para, me olha, espera minha decisão, já não tem capacidade de cuidar da própria vida.

Penso voltar à noitinha, à hora que ele provavelmente entra. Mas como ter certeza de que ele voltará ao entardecer? Caso alguém me veja rondando a casa por muito tempo, suspeitará, quase ninguém circula na rua, a exceção são os próprios moradores. Melhor será o amanhecer, quando as pessoas saem para o trabalho, poderei trazer de novo a cadela. Caso dê com ele, como chamar sua atenção? Não ficará bem correr até o homem e fazer uma declaração de amor. Essas coisas não estam na moda e, na verdade, são coisas de cinema. Na verdade, ele é que precisa olhar pra mim e sentir alguma atração. Por isso, visto uma short bem pequeno e uma camiseta. Minhas pernas, sempre admiradas pela maioria dos homens, funcionarão como instrumento de sedução também para ele.

Sigo o que programei durante cinco dias, mas nem vestígio do homem. Na semana seguinte, abandono as investidas. Saio com a cadela, mas ando nas proximidades de onde moro, o pequeno animal parece satisfeito, cansa-se menos.

No sábado, aceito o convite de uma amiga. Encontro-a num bistrô, ao entardecer. Quando estamos conversando, colocando as novidades em dia, eis que ele se aproxima. Entra no bistrô e senta a uma das mesas, bem ao centro. Acompanho seus movimentos. Também tento prestar atenção na história que me conta Sara. Mas confesso, sua voz se perde no vazio. Ao mesmo tempo, faço de tudo para que ela não note que estou transtornada. Minha amiga fala sobre um namorado, sua voz traz algum entusiasmo, mas, pouco a pouco, perde a entonação inicial. Fico a pensar qual a causa, quem sabe minha desatenção. Se esse o motivo, nada comenta. No final, diz que depois de sair duas ou três vezes com o homem, perdeu-o pra outra mulher. Mas por que ele não ficou com vocês duas, digo sem muito refletir. Faz cara de espanto, depois cai na gargalhada. Ele, da mesa onde bebe uma pequena garrafa de cerveja, olha para nós duas, mas depois volta às páginas do livro que tem sobre a mesa. Você fala como a Gisele, intervém, ela bateu à porta de um homem e disse que queria ir a um restaurante com ele, nem notou que ele morava com uma mulher; dias depois o encontrou de novo, então trepou com ele na garagem do prédio onde moram, dentro do automóvel. Por que ela não levou o homem ao apartamento dela?, quero saber. Não sei, não falou sobre isso, ela pensa como você, não se incomoda em dividir o homem com outra, minha amiga termina e espera minha reação. Quero dizer que não penso assim, que minha concepção de relacionamento é outra, mas acho inútil a explicação.

Ficamos mais um quarto de hora no bistrô, às 6h30min minha amiga diz que precisa partir, tem um compromisso. Após ir embora, penso em voltar e tentar seduzir o homem, mas ele está tão concentrado na leitura, que acho inútil qualquer iniciativa minha. Volto pra casa.

Entro. A cadela vem fazer festa. Depois se coloca junto à porta. Quer passear. Pego a guia e vamos para fora. Qual caminho seguir? O tal quarteirão, talvez, quem sabe. Não posso ir tão vestida, penso. Já sei, vou como a cadela!

terça-feira, outubro 04, 2016

Lívia queria, e podia, transformar o jogo em amor

No fundo mesmo, ela se julgava uma deusa. E as deusas apareciam nuas. Ao menos nas estátuas. Se haviam sido reais em épocas remotas, ninguém podia afirmar. Mas Lívia era real até demais, às duas tarde, numa praia do litoral norte. E ganhava quando comparada a uma deusa grega ou romana. Lógico que não tirava a roupa sob o sol. Ao entrar na água do mar chamava Clara, uma adolescente que a acompanhava no último verão. Não sei o que provoca em você tanto arrepio, observava a menina, deve ser porque a água está gelada, completava. E a deusa mostrava apenas a cabeça da estátua, até que um dia... Até que um dia surgiu um bonitão. A praia sempre tão vazia; algumas mulheres ao banho de sol; um ou outro garoto a jogar bola num pedaço de areia distante dali. A menina que ia com Lívia a pressionar um tablet. Mas onde estava naquele momento? Ah, um garoto estava ao lado dela e levava uma revista. Minha tia se acha uma deusa, e quer tomar banho de mar nua. Será que a menina contara? O bonitão a explorar a maresia, a descobrir a estátua de deusa que ao contrário do que se poderia imaginar flutuava. O jogador, ao perceber a bolinha prestes a se fixar numa das casas da roleta, durante uma fração de segundo vai ao paroxismo porque sente que está prestes a tudo perder. Lívia sentiu o mesmo quando viu o bonitão aproximar-se. Ele vinha como quem não quer nada. O jogador apostara na cor, assim maior a chance. Lívia apostou no negro, só que colocou tudo que tinha. Respirou fundo, arrepiou-se, o friozinho no estômago e a nuvem que, de repente, turvou o sol. A roleta ia ao seu favor, ao menos temporariamente, uma nuvem efêmera e única fez sombra. Lívia tinha a capa, uma máscara que lhe alimentava o mistério.

Está fria a água, disse o bonitão.

Ela sentiu-a mais gelada. Não frisou o rosto nem sorriu.

Pena que tão pouca as pessoas; o bonitão economizava nos verbos.

Onde a menina? Por que não olhava na direção dela? Por que não vinha em socorro?, pensou Lívia, que precisava tanto de mais fichas. Ah, ela enamorara-se do garoto e da revista dele. Via-se, apesar da distância.

A nuvem corria no céu, a roleta girava, a incerteza dos instantes seguintes tornava a máscara impossível. A face é efêmera, assim como a rosa, assim como a nuvem que logo se desfaz sob o sol revelador. O bonitão também sabia jogar. E apostava no vermelho. Nos lábios de Lívia. Mergulhou ele, não demorou a voltar à tona, trazia os louros da vitória. A revelação. As fichas amontavam-se ao favor dele. Lívia entregava-se, entregava o jogo. Nem sempre é possível vencer. Sua sorte, agora, mostrava-se no sorriso do bonitão, um sorriso calado, assim como a expressão neutra do rosto de Lívia. Ela teria de saber perder, ou pelo menos fingir que sabia. Mas, pensou melhor, não saía a perder. Talvez até estivesse a ganhar. A menina, lá longe, enamorara-se do garoto, da revista dele, e ele do tablet dela. Lívia girava a roleta no sentido inverso, queria, e podia, transformar o jogo em amor.

terça-feira, setembro 27, 2016

Assim não tenho complicações

Eu estava em pé. Vestia uma minissaia e uma camiseta curta. Ele olhava pra mim. Num determinado momento veio na minha direção. Estávamos dentro de casa e o botão da minha saia aberto; ela presa apenas pelo fecho. Ele me abraçou, me beijou, uma de suas mãos desceu meu fecho e a minissaia foi ao chão. Na verdade, era o que eu desejava. De calcinha e camiseta, agarrada a ele. Não costumo levar pra casa os homens que conheço há pouco. Falo que moro com alguém, ou que tenho uma filha. Assim eles me convidam pra um hotel, ou mesmo pra casa deles. Aquele eu conhecera no Shopping.

Ele estava na praça de alimentação, comia seu lanche, e eu pedi pra sentar ao seu lado. Pouco a pouco surgiu a conversa, alimentada pelo pedaço de bolo que eu comia. Acabamos em sorrisos plenos. Ele perguntou se eu tomava um café. Agradeci, mas lembro que falei que o aguardaria. Ele foi à cafeteria em frente e logo retornou. Eu poderia ter ido embora nesse tempinho. Quando estivesse de volta, ele daria com a cadeira vazia, a mulher lhe pregara uma peça. Fiquei, esperei por ele. Tomou o café devagar, a conversa cresceu de novo, acho que conversamos sobre as lojas do shopping. Como sempre gosto de comprar roupas, estava ali pra levar algumas, depois iria até o segundo piso. Ele disse que as lojas também o agradavam, e que faz compras na C&A. Não disse a ele que as roupas da C&A não me servem, ou que não gosto da loja. Eu, na verdade, com quase quarenta anos, compro roupas nas lojas de roupas de jovens, roupas esportivas, camisetas, calças colantes, minissaias etc. No segundo piso, pedi que me esperasse, entrei numa loja bonita. A vendedora veio logo falar comigo, perguntou meu nome, aquele sorriso azul, ou cor de rosa, não sei. Comprei várias peças. No final, era mais do que eu podia pagar. No entanto, como gosto de superar os meus limites, levaria as compras. Qual não foi a minha surpresa quando vi o homem tirar o cartão da carteira e ir ao caixa pagar tudo o que comprei. Um presente, falou, um presente, amanhã compro mais. Ai, me senti pelada nas mãos dele, e dentro do Shopping. Dali fomos pra minha casa, um pulinho. Não foi logo depois que ele tirou minha roupa, nem me deixou de calcinha e camiseta. Na primeira transa, sempre fico um pouco vexada, cheguei a dizer. Não se preocupe, retrucou, a gente tem tempo. E tivemos mesmo.

Ele me telefonou todos os dias, foi à minha casa três dias depois, voltou no sábado e só na terça seguinte é que começamos a nos agarrar, eu a fazer de conta que não queria a saia fora do corpo. Numa das visitas, antes de transarmos, aconteceu uma coisa engraçada. Eu disse a ele que o biquíni de praia ficou uma gracinha no meu corpo. Deve ter ficado mesmo, pagaria pra ver, completou. Quer que eu vista? Sim, respondeu de pronto. Fui ao quarto, três minutos depois voltei à sala, de biquíni. Um biquíni à toa mesmo. Desfilei. Cheguei perto dele, parei. Ele aplaudiu. E os lacinhos tão frágeis, pedindo pra serem desatados. Mas o homem manteve a elegância. Disse apenas pra eu sentar um pouquinho, fazer de conta que estava na praia. Aceitei a sugestão. Ele pagou, pagou mesmo, dinheiro, antes de ir embora. Mas nada de escândalo, deixou duas notas de cem na pequena estante que tenho na sala. Eu ainda de biquíni.

Na terça, como já falei, fui eu que não aguentei, desabotoei a saia, a camiseta aparecendo meus mamilos, cineminha. Só faltava ele me deixar nua. E aconteceu. Mas não foi assim tão de repente. Primeiro muitos beijos e abraços, abraços apertados, meus seios comprimidos pela corpulência do namorado. Beijo com sabor de amora. Sério. Gostinho de bala. Ainda fiquei só de calcinha um tempo, os seios nus, e ele me apalpando, beijando meus mamilos. No final, tirou minha calcinha, não a largou pelo chão, nem sobre o sofá da sala, guardou no bolso da própria bermuda. Achei, a princípio, o gesto estranho. Até lembrei uma amiga, contou que o namorado adora levá-la pra passear. Ela de minissaia e a calcinha no bolso dele. Quem sabe é o mesmo homem, cheguei a temer. Mas no final entendi, ele pagaria, pagaria a calcinha, me pagaria sem calcinha. Olha que por dinheiro faço tudo, saio até nua. Mas não vou dar a ideia. Se ele me paga pra sair vestida... Assim, não tenho complicações. E a trepada foi dez. Nada de camisinha. Só disse, aliás, gemi no ouvido dele vou perder a cabeça, está muito gostoso, mas não perde a tua não, ok? Não perde, não, não goza dentro porque vou ter problemas. Já sei, ele disse, sei que você vai adorar, vou te dar um presentão. Tudo bem, suspirei, mas goza então na minha boca. Gozei muito. Como ele não podia ficar pra trás (não é mesmo?, não quero perder um homem de tantas qualidades), abaixei, ele gozou na minha boca. Eu me equilibrando na ponta do pinto dele. Engoli. Fiz o melhor que pude. Melhor do que isso? Ah, o dinheiro. Ele sempre a me pagar. A loja, o cabelereiro, o passeio, tudo que preciso. Que todas tenham a sorte de um dia terem um homem como esse meu. E a calcinha no bolso da bermuda dele...