Seguro os seios com as duas mãos, dou um passinho atrás e
sento na poltrona. Ai, o couro geladinho, será que deixo marca, ainda estou
sequinha, e morrendo de vontade de comer a barra de chocolate. Deixo escapar um
dos seios e acaricio meu ventre. Nada de barriga, sou magra que só. Todos me
admiram, mesmo com as pernas finas. Os rapazes querem me comer assim como eu
desejo os chocolates. Cruzo as pernas, os dois seios soltos, desfaço a
embalagem e dou uma mordidinha. O chocolate amargo, uma delícia. Lembro um
ex-namorado. Tanto tempo. Pedia-me coisas impossíveis. No final, tudo se
transformava num gozo só. Quando for gozar, ele me pedia, morda o chocolate,
está aqui na minha mão, mas apenas quando for gozar, quero ver você gozando e
mastigando o chocolate, engolindo tudinho. Ai, acabei gostando daquilo, um
vício, gozar e engolir. Agora, sozinha em casa, nua, sentada na poltrona, como
um pedacinho do chocolate. Uh, que tesão, tesão pela boca, tesão no meio das
pernas. Puxo as coxas um pouquinho acima. Engulo, engulo e cubro meu buraquinho
de tesão. Quero ir até à porta, olhar o olho mágico. Será que há alguém lá
fora. Seria ótimo. Mas tem de ser um desconhecido. Não há ninguém, apenas o
corredor comprido, vazio, quatro apartamentos. Já saí nua algumas vezes,
nuazinha mesmo, ninguém me encontrou. Mas hoje, não largo a poltrona. Pena que
já comi o meu pedaço, não posso exagerar no chocolate. Deixo o restante para
amanhã, ou para depois de amanhã. Afinal, a barra é imensa, acho que dá para
uma semana inteira. Mas o tesão não passa. Quando fico nua, tenho tesão; quando como
chocolate nua, aumenta o tesão. Ai, cruzo as pernas de modo inverso, passo a
língua pelos lábios: primeiro o superior; depois o inferior, ainda o gosto de
cacau. Onde o meu celular, sinto tesão também com o celular. Não sei o motivo,
mas se estou nua, falando no celular com um homem, morro de tesão. Não tanto
quanto comendo o chocolate, mas pelo menos não engordo. Não quero me mover, vem
uma quenturinha lá de dentro, acho que já estou molhadinha, imagine se tenho o
celular. Ah, mais uma coisa, quando estou sozinha e sinto tesão sento sobre o
celular. Sério, é gostoso. Se fica cheiroso? Claro, há o perfuminho. Não quero sair da posição para pegar o
aparelho, está tão bom, sei que não vou gozar, mas a sensação não deixa de ser
um gozo, e um gozo que perdura. Lembro outro namorado. Adorava me fotografar
nua, isso mesmo, nua e de pernas cruzadas, assim como estou na poltrona, dizia
ser elegante a minha posição. Amor, pega o meu telefone, eu pedia. Pra quê?,
vai ligar pra alguém? Não, amor, eu repetia, pega o meu telefone, por favor.
Ele procurava o aparelho, me entregava. Sem me mover, empurrava-o sob as minhas
coxas, a pontinha no clitóris. Amor! O quê, querida, ele respondia. Liga pra
mim. Mas estou do seu lado, querida. Não faz mal, amor, liga pra mim, vai, não
faz pergunta. Ele ligava, a pontinha vibrava, me fazia gozar, a vibração na
pontinha do clitóris, eu me esfregando na poltrona. Onde o celular agora? Não,
estou sozinha, não quero me mexer. Ah, já sei, a embalagem do chocolate, ela e
o anãozinho sobre a mesa, dá pra esticar o braço. O anãozinho escorregando sob minhas coxas. Ai, que gozo, é de matar, por essa eu
não esperava. O gozo, mas onde o anãozinho? Ui, engoli, inteirinho!
quinta-feira, agosto 31, 2017
quarta-feira, agosto 23, 2017
Pelo Zap!
Ele quer me namorar pelo Zap! Criativo, não? Um namoro em
poucas palavras e muitas sensações, segundo ele.
“Acaricio seu ventre, você deitada no canapé, vou
levantando sua blusa. Sempre gostei dos seus seios pequenos, nem precisa de sutiã.
Você dá uma tremidinha, um leve suspiro, e espera que eu morda seus lábios, com
suavidade, como já fiz ao vivo.”
Nada respondo, quem sabe ele desiste. Mas suspiro, engulo em
seco. Gosto de homens junto a mim, a tocar meu corpo. Namorar pelo Zap? Sentir
tesão com palavras? Palavras não são mãos nem peru de um homem.
“Levanto sua blusa, toco os pequenos seios, os bicos estão
durinhos. Você, adorável. Amo quando fecha os olhos, imagino o que sente, o
que pensa. Você deseja perdurar o gozo. Tiro sua blusa. Você só de calça leg grudadinha no corpo e a sandália de meio salto. Estiro os braços e deixo você sem a
sandália.”
Ele gosta de capítulos, tudo em conta-gotas. Continuo nada
respondendo. Mas dou outro suspiro. Engulo, mas não em seco, a saliva inunda-me
a boca.
“Você sem a blusa, alongada no canapé, a cabeça num dos
recostos de braço. Começo a descer sua calça leg. As pernas começam a aparecer, douradas, grossas, quero dar uma mordida, muitos beijos, molhá-las com
minha língua.”
Por que ele não manda tudo de uma vez? Leio e acabou, nada
de resposta. Vai ficar nessa lenga lenga. Após duas horas, a continuação. Ai, o
que ele estava fazendo durante todo esse tempo?, me interesso.
“A calça leg já vai abaixo do joelho. Você de calcinha
vermelha. Ah, você sempre gostou de lingerie vermelha. Eu deixo a calça
descansar, e percorro suas coxas com a ponta dos dedos, aqui ou ali faço uma
massagem. Você está de olhos fechados, não resiste, aceita minhas investidas,
dá vários suspiros, geme. Puxo a calcinha, que escapa junto com a calça leg.”
Eu, nua, deitada no canapé, conforme a mensagem dele. Dou
mais outro suspiro. Salivo de novo. Engulo duas vezes. Acho que quero um copo d’água.
Demora uma hora a outra mensagem. Por que tanto tempo?, no Zap as coisas
precisam ser rápidas.
“Você nua no canapé. Que bela, até a ligeira barriguinha é
um convite ao tesão, e tem a tatuagem!, abaixo do ventre está raspadinha!, vejo
a ponta do clitóris. Acho que dou uma mordidinha. Mas tudo com muito carinho.”
Ui. Não posso ouvir falar em clitóris, mexo as pernas, acho
que ele cresce um pouquinho. Já reparam?, o clitóris aumenta quando a gente
está... com vontade de trepar. Bem, deixa pra lá. Não dou resposta, não quero
dar bola pra ele. Acho melhor bloquear o contato. Mas prefiro primeiro pegar o
copo d’água.
“Tão bom o clitóris, gostinho de uva, sério, uva fresca. Depois de morder a uva, vem o vinho. Você,
molhadinha. O clitóris na minha boca, você dando uma tremidinha.”
Não posso admitir. Vou bloquear o contato. Nada de brincadeiras
desse tipo. Fico nervosa. Estou tremendo. Vou bloquear agora. Mas, ui, outra
mensagem.
“Você diz em voz baixa, vem, por favor, sobe sobre o meu corpo, já
não aguento, quero te sentir dentro de mim. Nós dois nus sobre o canapé.
Resistente este canapé. Movimentos brutos, você se mexe mais do que eu, suspira, geme,
chega a gritar, e...”
Gozo!
Caramba, eu tinha escrito de brincadeira. A mensagem partiu sem querer! Não posso trazê-la de volta. Quem inventou isso devia também ter inventado um modo de a gente regatar a mensagem a tempo. A tempo do arrependimento. E agora? Bem, acho que vou esperar até amanhã pra bloquear este contato!
Caramba, eu tinha escrito de brincadeira. A mensagem partiu sem querer! Não posso trazê-la de volta. Quem inventou isso devia também ter inventado um modo de a gente regatar a mensagem a tempo. A tempo do arrependimento. E agora? Bem, acho que vou esperar até amanhã pra bloquear este contato!
sexta-feira, agosto 11, 2017
Nós mulheres queremos sempre mais
Todo sábado vejo a vizinha sair, uma adolescente ainda, acho
que dezessete anos, a roupa curta, tudo de fora. Minissaias,
vestidinhos, shortinhos, as pernas na medida certa, bronzeadas, convidam à carícia ou mesmo ao
beliscão. Olho da janela, escondida, e lembro meus namorados de outros tempos.
Isso mesmo, agora ando meio devagar, recolhida, mas já tive ótimos namorados. Também saía
quase nua, e já com trinta anos, adolescência tardia. A vizinha entra no carro, numa posição que para sentar no banco do carona não se tem como deixar tudo intacto. Que horas ela volta?, me pergunto. Quero ver se chega nua! Tornei-me a Candinha do lugar, a tal mulher que toma conta da vida
alheia. Mas eu não vou contar a ninguém, quero apenas o prazer de olhar, e
talvez sentir o frisson que a menina sente. Eu, que também já andei nua por aí
(nua mesmo, sem saia e sem calcinha), sinto um arrepio só em pensar o que ela
faz nos braços do namorado.
Escondo-me na sacada, a noite de sábado é quente, céu de
estrelas. Às dez ela parte, vestidinho branco, curto,
coladinho, sandália plataforma. Acho que já a vi com essa roupa. Abre a porta
do automóvel e entra. Hoje não durmo, vou esperar.
Vejo um filme na TV, ouço os sons da rua. Quando me canso,
volto à sacada e olho se há automóveis trafegando. Não quero ser vista. Ouço música,
escrevo uma história, tomo uma taça de champanha. Lembro-me de Adélia, quarentona desinibida, sempre falada nas rodas de homens e de mulheres. Morou numa casa ao lado da minha. Numa madrugada de verão, vou à janela e a vejo sair nua de um carro. Esfrego os olhos para me certificar se estou acordada. Ela caminha para o portão de casa como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo.
Às três e trinta ouço o motor. A jovem enamorada volta, Ela salta. Mas não entra logo em casa. O rapaz também salta, espera que ela venha, juntam os corpos num abraço interminável, um dentro do outro. Não foram a um hotel?, tenho vontade de perguntar. Reparo que o vestidinho da moça sobe. Ela não se preocupa, ninguém a olhar, quer o beijo, quer a mão do homem sobre suas pernas. Depois de dez, quinze minutos, despedem-se e ela entra.
Às três e trinta ouço o motor. A jovem enamorada volta, Ela salta. Mas não entra logo em casa. O rapaz também salta, espera que ela venha, juntam os corpos num abraço interminável, um dentro do outro. Não foram a um hotel?, tenho vontade de perguntar. Reparo que o vestidinho da moça sobe. Ela não se preocupa, ninguém a olhar, quer o beijo, quer a mão do homem sobre suas pernas. Depois de dez, quinze minutos, despedem-se e ela entra.
O namoro alheio despertou desejo dentro de mim. A noite vai fresca. Preciso
fazer alguma coisa. Não tenho namorado, mas tenho vestidinhos. Não os uso para bater
pernas pela cidade, seria um escândalo. Mas visto um deles, o mais curto,
uma sandália meio salto, a bolsinha a tiracolo, nos lábios um batom. A noite me
convida a ir até lá embaixo. Desço os dois lances da escada. O vizinho do
primeiro andar é um senhor, faz tempo que deve estar dormindo. Onde vou?
Passeio, ando uns vinte metros para a esquerda,
depois retorno. Caminho trinta metros à direita. Quem sabe escapo até a
esquina? Uma surpresa. Um carro de motor quase silencioso dobra minha rua. O
motorista para. Está surpreso Como vai?, quanto tempo, está saindo?, levo você.
Nada falo. Ou melhor, deveria dizer que estou chegando, que moro três casas adiante,
mas tenho um ataque de mudismo. Desejo experimentar o arrepio? Quem sabe. Ele dá a partida.
Quanto tempo, hein?, dois, três anos? E a cidade é
pequena, nunca mais vi você, retoma a palavra, vamos a um bar.
Um bar às quatro da manhã, chego a pensar. Ele dirige na direção da orla marítima. Você era fogo, lembra?, continua, por que terminamos
mesmo?, acrescenta. Eu, ainda muda, tento descer a barra do vestido, mas este,
teimoso, resiste.
Os bares da orla todos fechados. Que pena, mas não faz mal,
diz. Saímos do carro. Tenho de voltar, consigo falar. Por quê?, está bom aqui,
está fresco, vamos aproveitar o final de madrugada. Tenho de voltar, insisto.
Mas você era tão fogosa, ele lembra.
Segura-me pelo braço e me conduz até a areia da praia. Já
vamos, sim, prometo, levo você. Aceito descer com ele. Mas só um instantinho,
ressalvo. Lá embaixo a água do mar está morna, que delícia, sinto as espumas
nos pés. O cheiro de maresia e o respingar das ondas crescem dentro de mim. Ai,
suspiro, já não posso. Um favor, peço, guarda no carro meu vestidinho? Ele
sorri. Agora eu reconheço a Delinha, ele suspira. Leva meu vestidinho. Você entra comigo?, convido quando volta.
Entramos no mar. Brincamos, nadamos, meus cabelos escorrendo
espumas brancas. Antes de amanhecer, eu ainda nua, mas nos braços dele. Antes que amanheça, deitamos sobre uma toalha estendida na areia, um ardil que ele trouxe da mala do carro. Ai, minha vizinha, que tesão me fez sentir, ainda
sou adolescente. Gozo. Será? Ele enfia o pênis dentro de mim. Ui, que tesão.
Por favor, demore bastante, faz tempo que não tenho namorado. Gozo mais. As mulheres
não param de gozar. Depois, outro banho de mar; outra vez a toalha sobre as areias brancas. Mais um banho. Enfim, luzes a oriente. Ainda nua, olho meu recente namorado. Nós mulheres queremos sempre mais.
quinta-feira, agosto 03, 2017
Três dias depois
Estava escuro, eram quatro da madrugada, o céu transbordando estrelas, nenhuma brisa, eu nua atrás de uma árvore, à beira de uma estrada secundária. Como você chegou a essa situação?, alguma amiga curiosa poderia perguntar caso eu desse com a língua nos dentes. Conto já: foi tudo muito engraçado, sabe a linha de ônibus que cruza o centro, a única que existe no lugarejo?, há um motorista que me paquera faz tempo, olha-me com olhos de quem deseja um sonho de padaria, daqueles bem cremosos, eu queria mostrar-me a ele, estava toda arrepiada, arrepiada e molhadinha, não chovia nem serenava!, o bico dos seios durinhos, do jeito que ficam quando um homem toca-os com a ponta dos dedos, vi o ônibus ao longe, àquela hora apenas o motorista a dirigi-lo, hora em que leva o veículo do campo, onde fica estacionado durante a noite, ao centro da cidade, então começa a primeira viagem, o que eu faria?, sairia correndo do meu esconderijo e levantaria um dos braços, sinal de parada, ou me deslocaria para o meio da estrada, os faróis revelariam meu corpo inteiramente destinado a ele; o ônibus veio aproximando-se sonolento, sacolejava, levantava a terra rubra da estrada, às vezes tendia um pouquinho à esquerda, outras à direita, desviava-se dos buracos, quando faltavam mais ou menos cinquenta metros para passar perto de onde eu estava levantei-me, coloquei-me à beira da pista, o motorista manteve a velocidade durante alguns segundos, depois reparei que diminuiu, pouco a pouco foi parando, mas não o fez junto a mim, adiantou o veículo e o encostou próximo a uma cerca, reparei um vulto cuidadoso aparecer à porta, não desceu de todo, na meia luz da madrugada reparei uma cabeleira loura, tomei então um grande susto, não era o meu homem, o meu tinha cabelos negros, o que fazer naquela situação?, meu coração aos saltos, a mais de cem por hora, o desconhecido, vagaroso, deu dois ou três passos, parecia temer alguma armadilha, não se aproxime, por favor, cheguei a gritar, aconteceu alguma coisa com a senhora?, sua voz tinha certa gravidade, não, não aconteceu nada, apenas um engano, pode partir e me deixar em paz, por favor?, tem certeza de que não precisa de nada?, ainda tentou ser prestimoso, tenho uma toalha atrás do assento, completou, nada, respondi altiva, não é necessário, mostrei-me eloquente, após alguns segundos o ônibus desaparecia dentro da noite, eu suava, e não fazia calor, o que houve com o meu motorista?, mais tarde descobri que era o seu dia de folga!; saltei três dias e esperei à beira da mesma estrada, à mesma hora da madrugada, o veículo aproximou-se lento, na meia neblina parecia farejar os mistérios da noite, seus faróis eram dois olhos sonolentos, corri ao meio da pista temerosa de não ser vista, senti um frio no estômago ao pensar que poderia enganar-me mais uma vez, o motorista pisou no freio ao dar comigo nua, você?, escutei sua voz, não errara, desta vez era meu admirador, tapei-lhe a boca, leve-me ao último banco, quero namorar bem ao fundo, ele ainda não se havia refeito da surpresa, aqui?, chegou a
perguntar, não, lá no fundo, e não se preocupe, a nua sou eu, ainda é cedo, não vai perder o seu horário, carregue-me, ele tomou-me no colo e levou-me ao último banco, sente-se, por favor, pedi, obedeceu, abri sua calça, como estava nervoso seu pênis
ainda não reagira, relaxe, sussurrei-lhe, abocanhei-o à espera do melhor
momento, pouco a pouco foi excitando-se e seu pênis enrijeceu, quando se mostrou
bastante ereto levantei-me e o encaixei entre as minhas pernas, você deve estar achando ótimo ter-me encontrado nua, não?, minhas palavras fez que esquecesse o
ambiente à volta e se concentrasse no meu corpo, foi uma trepada e tanto,
totalmente louca, eu, cada vez mais ensandecida, gritava, gemia, urrava, ele
demorou a gozar, adorei, depois de terminarmos, ainda fiz que permanece
dentro de mim durante alguns minutos, agora dê a partida, pedi, leve-me ao seu lado, não posso dirigir com uma mulher nua dentro do carro, vou ter problemas,
afirmou, guie apenas duas ou três centena de metros, nunca passeei de ônibus nua, deu a partida, eu
sentada no primeiro banco após a entrada, depois de dirigir durante menos de cinco minutos, (ele sempre me olhando furtivo, eu de pernas cruzadas, mãos sobre as coxas), pedi que parasse, atendeu, beijei-lhe os lábios e me
despedi, você vai sair nua por aí?, mostrou-se preocupado, por acaso você vai manobrar e me levar em casa?, soltei as palavras, uma blague, quem sabe, ainda tenho tempo, ele disse, não, nada disso, estou
acostumada a me virar sozinha, quando nos vemos de novo?, ele quis saber, você gostou, hein, apesar de ter ficado tão nervoso, insinuei, claro,
que homem não gostaria?, apareço, de surpresa, falei enquanto descia o três degraus, lá fora empinei o seios e ainda lhe lancei mais um beijinho.
quarta-feira, julho 26, 2017
Você me faz um favor?
Você me faz um favor?, como?, ah, sim, sou bonita, sei, qualquer
homem vai querer me fazer um favor, tomara que você continue pensando assim, mesmo
depois de saber que tipo de favor vou pedir, a praia está ótima, é óbvio, e com
um sol desses, tanto mais aqui dentro d'água, não, não, por favor, não toque em mim, você diz que aceita me fazer um favor e já quer me agarrar, escute, você não está acostumado a ouvir as mulheres, ou está?, parece
que não, mas vou te dar uma chance, toda mulher bonita tem um namorado,
concorda?, também tenho um, adora me pregar uma peça, já esteve por aqui, sabe, me abraçou, me beijou, exagerou, agora está perdido por aí, sei que você vai dizer
que ele é bobo, que deveria estar agarrado comigo, mas sabe como são os
homens, gostam de tomar cerveja, gostam de futebol, de conversar com os amigos
e coisa e tal, acabam dando um chá de espera nas namoradas, acho que se excitam com isso, não, nada disso, não vou pedir pra você procurar por ele, ouça, o que lhe peço é que vá até
aquela faixa de areia, está vendo, e chame uma amiga minha, a Tereza, a de biquíni azul, reparou?, preciso que ela venha aqui, já acenei, mas ela não percebeu, por que não saio d' água e vou eu mesma chamá-la?, hum, você é um rapaz inteligente, se você for até lá, dou um
prêmio, preste atenção, essa minha amiga é muito namoradeira, logo ao se aproximar ela vai te olhar de lado, com uma face sedutora que só ela tem, todos os homens sentem desejo de beijá-la imediatamente, de abraçá-la, querem transar com ela, verdade, repare
só, minha amiga usa um biquíni mínimo, é redundante dizer biquíni mínimo?, acho que o menor de toda a praia, repare
como está sentada, ela adora se mostrar, faz de tudo pra aguçar a curiosidade
dos homens, quando entra n’água há quem mergulhe
pra ver de perto, não tenho coragem de usar uma peça tão pequena como a
dela, você vai lá?, chama minha amiga pra mim, olha que ela gosta de homens
altos como você, jovens com físicos de quem pratica esporte, não, não é pra
pedir nada a ela, nem pra você se deixar seduzir por ela e ficar por lá, que ela entre n’água e venha aqui falar comigo, você está
achando estranha a minha história?, quer saber qual o meu objetivo?, por que tudo tem de ter
um objetivo?, na vida a gente faz coisas por prazer, às vezes dá certo, outras
vezes não, eu gosto de conversar com ela aqui dentro d’água, e ela nada bem, às
vezes a gente nada junto até depois da arrebentação, o quê?, você tem
mais de vinte anos de praia?, já conhece a minha história?, ah, você quer saber
quanto tempo venho aqui?, não muito, sou de Minas, sabe, moro na cidade faz dois
anos, você me acha ingênua?, rá, rá, rá, nem tanto, você já descobriu do que se
trata?, o que vou pedir a ela?, não, por favor, você não pode fazer isso, não,
agora não, já que você descobriu, tudo bem, mas não vá fazer escândalo, viu, você quer algo em troca pra ir até ela?, já falei que dou um prêmio, que prêmio?, adivinha, isso, mas não aqui na praia, olha em volta, tem muita gente, prometo, depois que ela vier você
volta, vou contigo, sou uma pessoa de palavra, você tem outra solução?, acha que não precisa chamar
minha amiga?, o quê?, boa ideia, eu não tinha pensado nisso, nada melhor do que alguém com a cabeça fria, está bom assim, mas você quer o prêmio antes?, pelo menos uma parte dele?, hum, deixa eu pensar, você é impaciente, viu, mais impaciente do que eu, está bem, eu deixo, um pedacinho do doce, mas de
leve, viu, pense bem, se você for muito guloso vai perder o principal, me abrace então, isso, calma, devagar, assim, assim, gostou?, pronto, agora vai, você quer saber antes por que estou sem o biquíni?, já falei o motivo, você não escutou ou não prestou atenção, além disso, você não está cumprindo o prometido, vai lá primeiro, por favor, já
tem muita gente por aqui, se descobrirem vai ser um escândalo, mais um abraço?, tudo
bem, só mais uma vez, viu, quer saber se também estou gostando?, o que você acha?, vou gostar mais daqui a pouquinho, depois de você voltar, calma, devagar, assim, com delicadeza, vamos deixar o restante pra depois, não, por
favor, se segura, eu posso dar muito mais prazer a você, espera, o quê?, você gozou? (ai, os homens depois que gozam...).
quarta-feira, julho 19, 2017
Hóspede
Célia pede que suas amigas escrevam histórias interessantes.
Não sou muito de escrita, mas vou contar algo engraçado que aconteceu comigo. Peço
a ela a devida correção para que este texto venha ter a elegância e o estilo
que costuma dar aos seus.
À época eu trabalhava numa pequena pousada, em M. Ficava na recepção,
mas também fazia outros serviços, como arrumar os quartos enquanto os hóspedes
saíam. Os frequentadores eram
costumeiros, trabalhavam durante alguns dias na cidade, no final
voltavam aos seus locais de origem, na semana seguinte retornavam, acabavam assim criando uma rotina de hospedagem e de amizade comigo e com a proprietária da casa. Sempre fui travessa, adoro namorar, mas naquele tipo de trabalho tentava me manter sob controle. Um dia, porém, houve um hóspede por quem me afeiçoei, alguém muito especial.
Conversava comigo como se fosse sua amiga de longa data, mostrava-me livros e
jornais sobre assuntos interessantes, como se eu fosse pessoa igual a ele. Com
o passar do tempo, começou a fazer algumas brincadeiras, dizia que eu era
bonita, chegou a perguntar se tinha namorado e se gostava de sair à noite
para uma bebida. Portei-me com naturalidade, respondendo o possível. Chegamos a
beber uma ou duas cervejas tarde da noite, na própria pousada, após o término do meu serviço. Certa vez acabamos abraçados junto às mesas, já arrumadas para o café da
manhã. Mas o principal veio a acontecer há duas semanas. Ele chegou à pousada por volta do meio-dia. Havia
apenas eu no local. Atendi-o e entreguei-lhe a chave do apartamento. Perguntou
se eu podia passar lá em cima um pouquinho depois, deu um sorrisinho malicioso
e subiu. Fiquei a pensar o que significava aquele sorriso, afinal, os homens
são muito parecidos uns com os outros, o que acontece na maioria das vezes é alguma diferença de educação. Era
o caso dele. Esperei quinze minutos e subi. Bati. Logo veio atender. Entre,
por favor, convidou. Entrei e me encostei à parede, ao lado da porta. Esperei para ver o que me aguardava. Mas ele parecia sem graça, permaneceu calado, como não soubesse o que
dizer. Vou ajudá-lo, pensei. Você está satisfeito com o quarto?, é de frente, pode
apreciar a rua, apontei. Você trabalha aqui faz tempo, não?, mostrou-se
interessando pelo meu trabalho. Respondi que sim, disse que já havia me
demitido duas vezes e depois voltado, a cidade oferece poucos empregos para uma
pessoa como eu. Você é bonita, não deve ser difícil arranjar emprego numa
empresa maior, sugeriu. Não é assim que as coisas funcionam aqui, não contratam
pela beleza, mas pela qualificação. Olhou-me de cima a baixo, mas com
suavidade. Depois se levantou e se aproximou. Coloquei as mãos na cintura e
esperei mais uma vez a iniciativa dele. Mas ele ainda permaneceu parado. Após alguns
segundos perguntou você pode ficar aqui um pouco, vai chegar alguém para se
hospedar? Acho que não, respondi, à hora do almoço o movimento é fraco. Segurou-me, então, pela cintura. Aceitei suas mãos e o abraço. Como era demorado
nos movimentos, desabotoei o botão da minha bermuda. Chegou mais perto e puxou o
fecho. A bermuda abriu-se e foi ao chão. Segurou no elástico da minha calcinha
e a desceu totalmente. Levantei os pés, um após o outro. Com aquela pequena
peça nas mãos ele a dobrou e guardou num de seus bolsos. Achei o gesto engraçado,
dei uma gargalhada. Não fiquei apenas sem a calcinha, deixou-me também sem a blusa e sem o sutiã! Inteiramente nua, encostada à parede, senti-me bem assim. Abraçou-me
e me apertou forte, contra a parede. O tecido de suas roupas sobre a
minha pele causou-me algum prazer. Jamais eu estivera numa posição daquela, nua
e agarrada a um homem vestido. Continuou abraçado ainda durante alguns
segundos. Em seguida, levou-me para cama, tirou toda a roupa e pediu que eu
sentasse sobre ele. No começo fiquei preocupada, vai me machucar, pensei ao
reparar o tamanho do seu peru. Mas fui ficando úmida, e a penetração acabou acontecendo. No início uma certa dorzinha, depois o prazer. Tanto maior quanto mais fundo me penetrava. Comecei a gemer e a dar alguns gritos. Eu estava mais à vontade que ele, por
isso senti mais prazer e cheguei a gozar primeiro. Pedi, então, que viesse
por cima. Mudamos de posição e ele me penetrou de novo. Não demorou a gozar.
Assim que acabamos, ouvimos a campainha. Vá à janela e olhe quem é, mas de modo disfarçado, sussurrou. Era a proprietária chegando com uma bolsa de
compras. E sua única funcionária pelada no quarto de um hóspede! Vesti correndo
a bermuda, a camiseta e desci aos saltos a escada. Abri a porta. Oi, Dona
Marinete, como vai, por que não pediu que eu fosse ao mercado pra senhora?
quarta-feira, julho 12, 2017
Vou contar o que senti!
Recebi carta de um ex-namorado. Isso mesmo, uma carta,
quem diria. Veio manuscrita, letra bem desenhada, autêntica obra de arte. Diz
sentir saudades de mim. Que privilégio, saudade, algo difícil de explicar, de
traduzir, inclusive palavra existente apenas em português. Deve ser verdade. Os
portugueses foram longe, deixaram muita gente atrás de si, mulheres, filhos,
amantes, muitos jamais retornaram. Não desejo avançar, atravessar todas as
fronteiras, dar a volta ao globo terrestre, como fizeram os portugueses, quero
apenas a carta, sua letra cursiva, a história de amor que comporta, amor e
fantasia. O homem me faz alguns pedidos. Está sempre a me imaginar bela, apesar
dos anos. Arrepio-me ante suas palavras. Caso não tivéssemos vivido várias aventuras, surpreender-me-ia. O que deseja? Transcrevo suas palavras.
Você costuma estar só,
costuma viver o prazer de uma tarde de outono, escuta a música silenciosa
presente no ar, percorre os cômodos, senta à uma poltrona na sala com um livro
à mão, lê uma boa história, sonha com os personagens. Portanto, peço a você que
faça uma representação. Torne-se uma personagem durante alguns instantes, pelo
menos para mim. Dispa-se, isso mesmo, tire toda a roupa, todinha, nada sobre o
corpo. Ponha-se a caminhar pela casa, como alguém que procura algo. Você
lembra-se de uma bolsa a tiracolo, preta e de verniz, pequena a bolsa, uma
gracinha. Vai ao encontro dela, deve estar num dos armários. Você possui tantas
coisas, guarda os objetos queridos, mesmo os não mais em uso. Encontra a bolsa,
lembra-se de uma saída noturna, você carregava a pequena bolsa, quase um
bibelô. Você a põe pendurada ao ombro. Não esqueçamos, você está nua. A seguir,
observa os pés. Não é possível portar uma bolsa tão mimosa e vestir pantufas. Vai
até o outro armário e olha os sapatos, as sandálias, os de saltos mais altos.
São tantos. Escolhe um deles, que reflete a mesma cor e brilho da bolsa, quem
sabe foram comprados juntos. Deixa as pantufas ao lado da cama e calça o sapato
de meio salto, quase clássico. Olha-se no espelho, vê-se refletida, corpo
inteiro, a bolsa e o sapato. Caminha pela casa, dirige-se de novo à sala. Está
pronta para sair. Um passeio, uma festa especial, não sei, convite de um
admirador. Mas ainda não é a hora, é possível sentar-se e aguardar, ler uma
página de revista antes. Chega-se ao sofá, senta, deixa a bolsa ao lado, toma
nas mãos a revista, há várias na mesa de centro. Abre, percorre as primeiras
páginas, cruza as pernas. Sente certo frisson, prazer talvez sentido poucas
vezes, experiência nova, você nua, dentro de casa, arrepio a lhe correr o
ventre. Cruza a perna na direção oposta, agora a direita sobre a esquerda. O
sapato destaca-se. Após um quarto de hora, deixa a revista, levanta-se, ajeita
a bolsa a tiracolo, dá alguns passos até à porta, é a hora, barulho de motor lá
fora. Vai você, aventura. Mas pode andar mais um pouquinho pela casa. Faça de
conta que ainda não terminou de se aprontar. As mulheres são mais demoradas,
esmeram-se. Senta-se novamente, sente pequena ardência que pouco a pouco vai crescendo,
até tornar-se um sol que a excita, como o sol de uma manhã de verão, uma
espécie de prazer, um prazer quase indescritível (na praia, o calor deste sol
se ameniza com um mergulho). Mas na sala, totalmente nua, bolsa a
tiracolo, sobre um sapato de meio salto, você tenta se conter, quer deixar o
momento de prazer para mais tarde, junto
ao namorado que a espera dentro do carro, diante do portão. Como se chama mesmo
o prazer que é caro às mulheres? Ah, sim, você sabe tão bem, as mulheres querem
sempre mais...
quarta-feira, julho 05, 2017
Ninguém no meu pé
Faz alguns meses me separei, deixei a região serrana e voltei
para a cidade. Como as notícias correm rápidas, um homem começou a rondar minha
nova residência. Às vezes, essas pessoas provocam medo na gente. Mulher é um
ser frágil, há quem se sinta no direito de nos perseguir para obter vantagens.
Por mais que se aproximasse e puxasse assunto, não dei conversa. Cansou e deu
um chá de sumiço.
Num sábado de sol, resolvi ir à praia. Como meu biquíni era
antigo, corri ao centro e comprei um novo. Estava tão eufórica que aceitei um
biquíni menor do que costumo usar, acho que era o sol a me provocar. Do centro
mesmo fui a Cavaleiros, bem naquele pedaço em que a praia termina e começa o
Pecado. Aliás, avancei mais um pouco, e fiquei num local de pouca gente, acho
que uma mãe com duas crianças, alguns jovens a trinta metros, uma mulher alta
mais adiante etc. Estendi minha toalha, finquei o guarda-sol, e me deitei. Estava
tão agradável o ar que dormi durante uns vinte ou trinta minutos. Cheguei a
sonhar. Um sonho com uma amiga dizendo praia me dá tesão. Logo que começa a
tomar sol e sente o corpo esquentar, é assaltada por uma vontade louca de trepar.
Não sai por aí agarrando o primeiro que aparece, disse que se contém e gosta da
sensação. Certa vez um homem insistiu para tirar uma foto dela, você tem o
corpo perfeito, afirmou. Não gosto de fotos, por favor. Não fez a foto, mas
ficaram os dois conversando. Não vai mergulhar?, ele quis saber, está muito
quente. Sabia que o mergulho na água fria lhe aumentaria o
desejo por sexo, temia não resistir e entregar-se ao homem. Acabou dizendo não entro n’água. Ele foi sozinho.
A história provocou-me arrepios. Ainda bem que ninguém por
perto, nem um paquera, estava esquecida em meio à areia, o mar, e aquela pouca
quantidade de gente. Fui dar um mergulho. Após entrar n’água, nadar, voltei-me
para a areia, surpreendi-me, um jovem muito bonito, de corpo de esportista,
estava próximo ao meu guarda-sol. Será que espera por mim?, refleti. Voltei para
junto dos meus pertences. Ele distanciou-se, esperava um amigo. Quando este
chegou, foram juntos para o mergulho. Não olhou nem um instante para mim. Mesmo
que estivesse nua, ele não repararia. Lembrei-me do meu paquera do quarteirão, você
aceita uma cerveja?, perguntaria. Não sou de cerveja, obrigada, eu tinha pronta
a resposta. Ele manteria a pose, tiraria do bolso o maço de cigarros, acenderia
um, sorriria, olharia o mar e soltaria a fumaça de modo que não me incomodasse.
Posso ficar um pouco na sombra?, perguntaria olhando o guarda-sol vazio. Nesta
cidade os homens são invasivos, insistentes, as mulheres querem independência,
não desejam ninguém na cola. Se houvesse homem que trepasse com a gente e
depois fosse embora, nada comentasse, só aparecesse caso fosse chamado, seria ótimo.
Mas este não é assim, vai acabar achando que é meu patrão. O jovem que esperava
o amigo era de outra qualidade, adoraria ser paquerada por ele, quem sabe
rolasse algum namoro. Mas o jovem não voltou, agradou-lhe mais o amigo. Fiquei na
praia até as três ou quatro horas. Ora sob o sol, ora num mergulho refrescante.
Tive vontade de trepar sim, como minha amiga do sonho, mas fiquei só na
vontade, e a vontade é boa quando a gente sabe mantê-la, há todo um gozo nisso.
Numa noite dessas houve festa na serra. Quando há esse
tipo de evento, vem gente de fora, até mesmo de outro estado. Arranjei um
namorado só para aquela noite, muito parecido com o jovem da praia, achei até
que podia ser ele, mas nada perguntei. O importante é que homens de fora não
voltam para ficar no pé das mulheres daqui. Então, entreguei-me. Fiz de conta
que era a maior piranha do lugar. Trepamos dentro do carro dele. Onde
estacionara, não havia ninguém, todos estavam longe, na festa. Tirei toda a
roupa e fui por cima. O peru do homem estava tão duro, mas tão duro, que parecia
prestes a explodir. Abri as pernas e sentei sobre o rapaz. Chegamos o banco do motorista
para trás, assim eu tinha onde esticar uma das pernas; para a outra, foi
preciso abrir a porta. Então, eu controlava a trepada, descia e subia. No
início demorei para acertar, mas pouco a pouco fui ficando molhadinha, a partir daí foi fácil, escorregava no pau do homem como num pau de sebo. Quando eu sentava
totalmente sobre aquele sexo enorme, sentia o volume bem fundo dentro de mim. A loucura foi tanta que perdi a cabeça, mesmo sem conhecer o tal jovem acabei deixando que gozasse dentro de
mim. Mas foi só naquele dia. Depois que terminamos, me vesti e
voltei para festa. Ninguém no meu pé!
quarta-feira, junho 28, 2017
Amigo
Naquele tempo a praia do Flamengo tinha uma parte reservada. Havia pedras formando uma barreira, acho que separava a praia
de um matagal, local onde depois viriam construir a Marina, a seguir se estendia
a própria praia, que todo mundo
frequentava. Mas a gente gostava mesmo era da parte escondida, onde se podia
ficar à vontade. Nos reuníamos desde às onze ou doze horas da manhã, as
meninas, como éramos conhecidas, e aproveitávamos para tomar banho sem o top.
Podia aparecer alguém ou, quem sabe, a polícia? Na teoria, sim, mas não na
prática. Quero dizer, tínhamos protetores com boas relações. A polícia não
aparecia ali. Caso acontecesse, era para nos admirar e nos proteger. Entrávamos
n’água e nos cobríamos até o pescoço, ninguém sabia que estávamos seminuas. Às
vezes surgia na pequena extensão de areia alguns curiosos, já sabiam que nos
banhávamos naquele trecho, disfarçavam e esperavam que saíssemos d’água, alguns se escondiam ou faziam de conta que
não nos observavam, mas queriam mesmo era nos surpreender com os seios de fora. Que bobagem tudo aquilo!, o que tem de mais um ser humano qualquer com os
peitos de fora? Mas toda aquela gente sentia muita graça nisso, muita
excitação. Certo dia apareceu um homem jovem que entrou n’água
e veio até nós, arranjou uma conversa fiada e esperou que ríssemos de suas
piadas. Amelinha foi na onda, aceitou a brincadeira e resolveu ficar frente a ele,
conversando e se divertindo. Ele não sabia do principal, ela me contou depois. Como?, indaguei. Não sabia mesmo, quando disse, continuou Amelinha,
ficou surpreso, como vocês fazem para que ninguém note?, perguntou, a voz dele,
segundo ela, trazia alguma excitação; as pessoas notam, sim, elas sabem, e
convivem com isso, disse minha amiga; eu não notei, ele falou; agora que você
já sabe..., ela sorriu, sem concluir. Ele, porém, entendeu de outra
maneira, abraçou-a, achou que fosse um convite. E você deixou, Amelinha?, perguntei. Ele era
musculoso e fofinho, observou. O homem agarrou-se a ela e não quis soltá-la
de modo algum. Ficaram no abraço apertado. Por que você não toma banho de
mar nua por inteiro, ele quis saber; à princípio senti um arrepio, depois me refiz e respondi seria
um escândalo, não?, apenas os seios de fora já está até bom demais, você não
acha melhor a gente marcar pra depois, num outro lugar?, disse Amelinha, fazendo
de conta que estava incomodada com o abraço, que durava. Qualquer homem aceitaria, mas ele... Que tal aqui, agora e depois?, ele, malandramente. Ela não teve outra saída senão rir. Se não o quisesse, deveria ter recusado desde o começo. Então, aconteceu. Ficaram os dois durante mais de uma hora. Vem cá, Rosana,
preciso de você, ela me chamou depois que o rapaz partiu. Que bom eu ia por perto, a gente
sempre ajuda os amigos. Ela estava tranquila, e ria muito. Esses rapazes são
muitos traquinas, adivinha o que ele quis? Um beijo na boca, respondi afoita. Nada disso, deslize as mãos aqui. Segurou minhas mãos fazendo que descessem desde a cintura até a coxas. Deixei escapar um ah! Ele disse que devolve no nosso encontro de logo mais, vou tentar acreditar, sorriu. Amelinha tem bom humor. Esses engraçadinhos são tão sedutores, cheguei
a dizer. Minha amiga concordou, concordou e suspirou.
quarta-feira, junho 21, 2017
Mecânica
Você compreende?, a maioria dos homens não, eles acham
estranho mulher comandar oficina mecânica. Antes era eu e me meu ex-marido.
Ele era responsável pelo setor de reparos e manutenção, eu pela administração e contabilidade. Depois do divórcio, me tornei a responsável por tudo. Algumas pessoas pensaram que não
daria certo uma mulher no comando de um tipo de trabalho segundo elas muito masculino. Mas consegui, a oficina vai bem, obrigada, às vezes com mais automóveis do que antes.
Outra coisa também, muito interessante na imaginação de muitas pessoas, é que
uma mulher no meio de tantos homens serve apenas para despertar fantasias sexuais.
Já tive um namorado que me perguntou se eu já havia transado com alguns dos
meus mecânicos. Acho que me imaginava nua entre eles, o corpo
escorregadio luzindo a lubrificante. Os homens sentem tesão ao pensar nisso. O
tal namorado podia me ter conquistado, podia ter permanecido comigo, quem sabe
se tornado meu companheiro, mas sua mentalidade não era de um verdadeiro homem. Aliás, até agora não encontrei verdadeiros homens, pode ser que eles não
existam, ou existam apenas na cabeça das mulheres. O importante é que tenho meu meio de
sobreviver, a oficina, espero que continue assim. Há pessoas que me acham uma
pessoa sem cultura, tudo porque este tipo de trabalho não é intelectual, mesmo
que eu tenha de fazer contas, saber preços, e entender de alguns sistemas. Acham
que o importante são as profissões universitárias, o chique é frequentar
bibliotecas ou auditórios de faculdades. Ledo engano. O fato de alguém viver em
meio a cheiro de óleo, de graxa não significa que seja
pessoa sem cultura. Os homens que se aproximam de mim é que precisam, pouco a
pouco, descobrir minhas qualidades. Leio livros sim, e muitos. Você reparou
minas roupas?, não uso roupas curtas ou extravagantes, no máximo calças de liga,
como a que estou vestindo hoje. Mas não acho este tipo de roupa indecente,
porque modela as coxas e deixa o bumbum saliente. Mulheres vestidas assim não
estão à procura de homens, como algumas pessoas imaginam. E ter homem, hoje em
dia, na maioria das vezes não é bom para as mulheres. Eles perturbam e, quase
todos, primam pela infidelidade. Há mulheres que traem seus maridos, mas é
muito maior a quantidade de homens que traem as suas mulheres, além disso, após nos conquistarem partem imediatamente para outra. Ah, acho que já falei demais,
agora fale um pouco, quero saber se você é diferente dos outros. E tem ainda uma
coisa, a maioria do público masculino deseja logo levar a mulher para cama. Eu
posso deitar com alguém, mesmo à primeira vista, mas se noto que tenta me
enganar não apareço mais, deixo na saudade. Houve um que vinha aqui para a manutenção do seu carro, ao perceber que vivo sozinha passou a frequentar a oficina,
mas com outros fins, como me ver, e me convidar para um cafezinho aqui ao lado. Era muito charmoso, mas descobri que era
casado. Não deixaria de sair com ele por razões morais, mas porque mentiu. Então lhe disse que poderia ser sua amiga, no máximo, nada de ficar me cantando o
tempo todo. Conclusão, não apareceu mais.
quarta-feira, junho 14, 2017
Tatuagem
De repente recebi a mensagem, e fiquei desconcertada. Após
tanto tempo sem falar comigo, como ele poderia me fazer um pedido daquele? Uma
foto, era o que queria, e da minha tatuagem. Pelo menos poderia ter perguntado
se eu ainda a conservava. Tatuagens não saem sozinhas, mas eu poderia ter
desistido, poderia tê-la apagado, ou mesmo feito outra na mesma pele. Mas ele
foi taxativo, queria a foto, ainda salientava pode fotografar apenas o local,
nada de maiores detalhes. Sabia aquele ex-namorado que dois centímetros abaixo apareceria
na fotografia algo que eu, antes, gostava muito de mostrar. Você está sozinha,
separada, argumentava ele, não há problema algum me enviar uma foto de tua
tatuagem, ninguém vai saber de quem se trata, ou quem porta o desenho.
O que respondo?, ou deixo sem resposta? As pessoas dizem por aí que se a gente
responde é porque já há alguma atração, algum interesse. O silêncio é a resposta
de quem nada sente, se não sente não há o que dizer. Mas não sou mineral, não sou
pedra. Estava colocada a questão. Já que sou de carne e de osso ficaria a me perguntar, a desenhar possibilidades? Lembrei-me das histórias de Clarice Lispector. A narradora não conta histórias, nada num mar cheio de escolhos, sempre o naufrágio iminente, mas não desiste, luta com palavras, formulações que lhe servem de coletes salva-vidas. E mesmo assim há o risco do choque, há pedras a esmo, minas prestes a explodirem. A paixão segundo G.H., O livro dos prazeres, A hora da estrela. Nomes sugestivos para histórias terríveis. Uma pergunta aparentemente sem importância, muitas palavras, e a responta cada vez mais distante. No final, percebe-se a mulher não mais à procura de sua inteireza, mas consciente de que é fragmento, mesmo assim desejos e orgulho presentes, não se abandona o que temos de mais precioso. "- Veja aquela moça ali, por exemplo, de maiô vermelho. Veja como anda com um orgulho natural de quem tem um corpo. Você, além de esconder o que se chama alma, tem vergonha de ter um corpo." Gostaria de ser como Clarice, escrever livros e mais livros por uma causa que poucas pessoas enxergam, ou às vezes acham-na banal: uma mulher que descobre a sujeira deixada pela faxineira, e acaba por se ver sozinha diante do irremediável. Meu corpo, o irremediável. Volto ao ex-namorado, ao seu pedido, à minha tatuagem. Tenho amigas que se olhariam no espelho, pousariam as
mãos sobre as coxas, sorririam a si mesma, e não perderiam mais tempo,
enviariam a tal foto e esperariam pelo homem. Conheço uma que o esperaria nua, a
tatuagem à mostra, mesmo que não a tivesse inventaria. Mas, quanto a mim, as
coisas marcham devagar, por isso há quem diga que estou ficando velha, que já não
tenho interesse por sexo. Não é verdade, claro que me interesso, sobretudo
por sexo, vamos, porém, sem precipitações. Minha resposta levou alguns dias para sair, mas saiu, curta, e partiu: foto da tatuagem? Ele não enviou contra-resposta, era o
jeito dele. Minha indagação ficou no ar. Pronto, acho que não mais incomoda,
talvez eu tenha encontrado a solução, uma pergunta em relação ao pedido, uma
pergunta que repete o próprio pedido, como se eu não tivesse entendido.
Morreria o assunto, ele que procurasse tatuagens no corpo de outras
mulheres, ou onde quer que fosse. Caso eu entrasse no jogo dele, sei que rolaria
cama, mas era isso o que eu queria? Então, melhor esperar. Três dias depois, enviou a contra-responta.
Cadê a foto? Naquele momento comecei a arder, e quando uma mulher arde não há água que
lhe apague o fogo. Foi então que percebi um homem que rondava a minha casa fazia três dias. Seria um ladrão, um tarado? Comecei a ficar preocupada. No quarto dia, porém, veio conversar comigo, perguntou se eu ainda frequentava a praia, em frente ao Country. Respondi que sim, mas apenas quando fazia calor, o tempo ultimamente não estava para praias. Falou que atendia no quiosque em frene, e que eu parava pra tomar vez ou outra um refrigerante. Lembrei-me do homem, era eu mesma, disse a ele. Sorriu. Estou com um pequeno restaurante no final da praia perto do Pecado, aparece lá, é um convite. Lembro também da tua tatuagem!, finalizou e se despediu. Voltei pra casa matutando os dois acontecimentos, o ex-namorado com o pedido de uma foto e esse agora, que me servia no quiosque. Não respondi mais ao primeiro, estava muito longe, o que passou passou. No domingo seguinte choveu, não saí de casa. Mais uma semana e um sol de arder. Preparei-me, nada de facilitações, fui à praia. Cheguei às dez, apenas uma e trinta fui ao restaurante. Meu admirador logo me avistou, veio à porta receber-me e arranjou uma mesa especial pra mim. Deixei-o louco, eu vestia uma sainha curta e miniblusa, o biquíni por baixo, a tatuagem aparecendo e escondendo-se. Depois de almoçar, conversar, beber uma caipirinha, agradeci e fugi do homem. Se ficasse, não daria bom resultado, não é bom deixar que nos desatem o biquíni num primeiro encontro. Aliás, nem seria o primeiro, mas pra ficar nua sob a sainha seria, sim. Deixei passar uma semana, quem sabe duas, então voltei. Então... Melhor vocês imaginarem. Quero ainda dizer, por mais que imaginem ainda vai faltar alguma coisa!
quarta-feira, junho 07, 2017
Marquinha do biquíni
Esta história aconteceu há mais ou menos dez anos. Na época,
ainda não havia por aqui smartphones, escrevi e arquivei num notebook antigo,
que logo pifou. Agora, que consegui recuperar a memória daquele computador, descobri
acontecimentos que vivi e anotei, algumas histórias estão prontas. A que vai a
seguir é uma delas.
Estávamos numa praia retirada. Este é mesmo o melhor vocábulo:
retirada. À época, ainda não havia estrada para chegarmos a ela. Foi preciso
escalar um morro, acho que uma hora ou uma hora e meia de subida e descida. Ao
pisarmos nas areias, eu, Augusta e Frida sentimos um friozinho no estômago. Que
maravilha!, ninguém a nos incomodar, uma praia inteira para nós, quem sabe
pudéssemos mesmo acampar, passar ali vários dias.
“Não trouxemos tenda para acampamento”, alertou Augusta.
É mesmo, estávamos mesmo desprevenidas, apenas a roupa do
corpo, o biquíni por baixo e cada uma com sua bolsa e o conteúdo que toda
mulher acha necessário para as circunstâncias.
Estendemos nossas tolhas sobre a areia, abrimos um guarda
sol, nem precisamos nos preocupar com nossos pertences. O mar estava
maravilhoso, as ondas explodiam longe, havia uma extensa faixa de areia, a água
transparente chegava mansa, respeitosa, quase surpresa com nossa presença.
“Sempre quis bronzear os seios”, disse Augusta excitada pelo
momento, “nada de marca do top, dessa vez meu namorado vai ficar surpreso, como
você pode ter marquinha do biquíni e não do top?, ele vai perguntar.”
“O que você vai dizer?”, Frida falou de olhos bem abertos.
“Vou sugerir que adivinhe”, completou demonstrando muita
alegria.
Acompanhamos seu entusiasmo.
“Você tem razão”, disse eu, “aqui não há ninguém, podemos
até mesmo ficar nuas.”
“Nua, nua, acho melhor não, vou ficar apenas sem o top”,
afirmou Augusta, e foi tirando a parte de cima do biquíni, admirou os próprios seios,
olhou para nós duas e riu, depois se deitou esquecida da vida. Não passou muito
tempo para Frida seguir seu exemplo, primeiro deitou-se de costa, depois soltou
os laços, puxou o sutiã com os seios encostados na toalha e permaneceu na posição,
seus seios grandes pressionando a toalha. Pediu que eu passasse o protetor
solar. Fechou os olhos e fez de conta que aquilo era a ação mais normal do
mundo.
Eu, que sou um tanto atirada, até ali permanecia vestida, as
duas peças nos devidos lugares. Caminhei à beira d’água e molhei os pés, estava
gelada, mas dava para experimentar certo frisson. Olhei o mar, o horizonte,
depois virei-me para as extremidades da praia, acompanhei a extensão de areia,
a cadeia de montanhas que se erguia do lado oposto e o caminho de onde viemos.
Voltei ao guarda-sol e só então me desfiz do top. Espalhei um pouco de protetor
sobre o ventre, sobre os seios, e permaneci deitada, de peitos voltados para o
sol.
Após trinta minutos, achei que as amigas tinham dormido.
Nenhuma delas falara alguma coisa durante aquele espaço de tempo nem abrira os
olhos. Pensei, então, que poderia aparecer alguém. Talvez seguisse o mesmo
caminho que fizemos. Olhei na direção, mas não vi ninguém. Seria engraçado caso
chegasse um homem e desse com nós três de peito de fora.
Veio-me à mente uma lembrança, acho que em Búzios, fazia
alguns anos. Eu decidira tomar sol de seios de fora e aparecera alguém. A princípio
não liguei, mas depois comecei a ficar preocupada. Nesses lugares às vezes os
homens são machistas, acham que podem agarrar, trepar com uma mulher que
encontrem nua, não acham que ela tem seus desejos, suas preferências e que o desconhecido
pode não estar em seus planos, e que mesmo não ficamos nua com o objetivo de
trepar com o primeiro que aparece. Mas não aconteceu nada de mais, apenas
ficamos conversando. Depois de algum tempo, peguei um enorme chapéu que trouxera
para me proteger do sol e com ele cobri os seios. O homem sorriu e nada
comentou, fumou um cigarro comigo e partiu.
“Meninas, vocês vão dormir a manhã inteira?, viemos à praia
para curtir”, falei.
Ambas abriram os olhos e mudaram a posição, Augusta de ventre
para cima, Frida de costas. Reparam que eu também estava sem o top e enrolara
um tanto a calcinha para que a marquinha ficasse mais baixa.
“Será que aparece alguém?”, perguntei.
“Seria, bom, está tão monótono”, disse Frida, mas em tom de
pilhéria.
“Jura?”, eu disse, “você não se sentiria vexada?”
“Eu, não, ninguém me conhece aqui, seria mesmo muito bom.
Reparei que ela não brincava.
Augusta riu, pareceu concordar com Frida. “Se alguém nos vir
nuas vai achar que damos pra qualquer um, vamos ter problemas para nos
safarmos.”
“E quem disse que quero me safar”, continuou Frida, com toda
graça do mundo.
Mergulhamos, caminhamos pela areia, divertimo-nos, fizemos
nossos lanches e bebemos o refresco que trouxemos. Sempre de seios nus.
Às quatro da tarde vestimos nossas roupas e pegamos o
caminho de volta. O sol e a praia nos deixaram cansadas, mas pouco a pouco
subimos e descemos o morro. Do outro lado, descobrimos um quiosque. Antes de
partirmos, decidimos entrar e sentar um pouco. Frida pediu uma cerveja.
quarta-feira, maio 31, 2017
Espião ou um pedacinho de pano
Não sei se tudo era uma brincadeira ou eu devia levar seu
convite a sério. Fazia tempo que não falava com aquele homem nem tinha
notícias suas, mas eis que me vem uma mensagem, depois um telefonema, a voz
grave, eu imaginava o mesmo rosto segurando o telefone, apesar dos dez anos que
haviam se passado. Qual o convite mesmo?, ainda perguntei, depois de ouvi-lo,
de perder-me nos assuntos que trazia. O passeio?, mas a praia é deserta, você
sabe, retruquei. Isso mesmo, uma praia deserta, como o próprio deserto, a
diferença é que além das areias há o mar, ele disse. E como chegamos até lá?,
perguntei. Viria me buscar. Desconfiei. Seu objetivo, tempos atrás, era me ter
nos braços depois de me ver de biquíni na praia. Talvez fosse uma ideia
ingênua, quase de criança, gostar de ver uma mulher de biquíni à beira-mar,
depois deitar com ela. Ele sempre soube da minha vontade de andar nua, ou quase, pois existem lugares onde não se pode andar nua.
O dia marcado não tardou a chegar. O tempo passa rápido, ou
melhor, tudo passa, e com os dias inteiros não acontece diferente. Sabia que o
encontro também não tardaria, logo ficaria na lembrança como um ponto distante,
algo quase irreconhecível, então era preciso fazer algumas marcas naquela data,
agarrar-se às horas, quem sabe aos minutos. O modo de fazer isso talvez seja tentar
algo diferente, algo que nos faça reter a respiração, ação que nos desperta o
pensamento de que uma vida pode passar em um minuto, ou de que podemos transformar este mesmo minuto em vinte quatro horas, em uma semana, um mês, uma vida inteira.
E fomos ao mar, quero dizer, à praia. Não tardou com seu
carro prateado. Engraçado, achei que o carro estrangeiro, não combinava com duas pessoas que vão ao litoral em trajes mínimos, no meu caso o biquíni e uma renda
transparente a me ressaltar o corpo.
Talvez um conversível fosse mais adequado. Mas onde há conversíveis no estado
onde moramos nos dias de hoje? Não importa, o automóvel era confortável, tinha
ar-condicionado, como todo veículo que se preza. Mas achei a
refrigeração um tanto destoante. Não que não refrigerasse. O problema era esse, fazia frio demais, e eu de biquíni mínimo.
À praia tudo se recompôs. O guarda-sol, o próprio sol,
quente, confortável e terrível. Uma praia só pode ser aproveitada se tiver um
sol confortável e ao mesmo tempo terrível. Logo quis ficar nua. O biquíni, na
verdade, revelava minha nudez, no entanto nada impedia que eu fosse além.
Melhor ficar comportada, pelo menos no início. Todo início é tão bom, não se é
capaz de adivinhar o que está por vir, o ar é revelador, como num sonho
colorido, azul mesclado de alguns tons de rosa. Era assim o domingo.
Mas eu queria alguém para me espiar, isso mesmo, talvez a
palavra certa seja espionar. Tão bom ter um amante e um espião. Alguém que
ficou apenas com vontade e que não pode chegar onde o amante está naquele
momento. Trocar os papéis? Perderia a graça. Bom o amante, ótimo o espião. Mas
o bom espião não se deixa revelar. Ele vai utilizar o que colheu, para algo
futuro, um espião sempre tem bons planos. Assim era o meu domingo, um domingo
entre dois homens, um real, outro nem tanto.
E chegou a hora principal. Depois de mergulhos, de banhos de
mar e de sol, de alguma bebida com gelo trazida por ele numa caixa de isopor, o
tempo a escorrer como num conta-gotas acelerado, chegou a hora em que os
corações batem na mesma cadência. A praia deserta e o homem a me roubar o
biquíni, a me deixar nua. Lembrei-me do espião. Estava ele em algum canto, na
certa não me perderia de vista, talvez tivesse o prazer de apenas me observar,
chegar pertinho, mas invisível, respirar o meu perfume, tocar com a ponta dos dedos
os tecido leves e transparentes que eu trouxera. O prazer do amante era maior,
queria o meu corpo a todo custo, desejava o pleno prazer. Não é preciso
explicar como um homem e uma mulher se amam numa praia deserta, onde não há a
chance de alma viva além dos dois, basta a imaginação, uma imaginação que vai
ao gosto de quem me acompanha na leitura, e com o direito de imaginar tudo de
bom no universo do amor e do sexo. Havia, porém, o espião. Este eu não podia
negar, não pode também o leitor, o espião era a erva daninha que ameaçava
invadir, ameaçava apodrecer as sementes do amor (ou do sexo, não sei), sementes
plantadas havia muito, mas que germinava sob o sol daquele dia quente de
outono.
quarta-feira, maio 24, 2017
Maiô
A praia tinha poucas pessoas, mas eu gostaria que tivesse
apenas eu. Ele me oferecera o passeio, o final de semana no meu lugar favorito.
Minhas amigas sempre frequentaram praias chiques, hotéis ou pousadas de luxo
sobre os quais depois falavam durante o ano inteiro. Minha vida até ali fora modesta, trabalho, nada de viagens, até que surgiu o namorado. Ele me
surpreendia. Confesso que também não sou de namorados, mas decidi me dar este
presente.
Você vai pagar pra mim?, perguntei.
Lógico, estou convidando.
Contei os dias doidinha que chegasse o final de semana da
viagem. Não falei pra ninguém. Por aí há muita inveja, as coisas podem dar pra
trás. Na véspera ainda pensei, será que ele vai dar uma desculpa, dizer que
houve um problema, preciso ir trabalhar, houve um chamado urgente. Tudo se
desmancharia, como num conto de fadas. Mas não foi o que aconteceu. Ele chegou
eufórico, mais do que eu, ria e me beijava. Uma bolsa com um presente em uma
das mãos.
É para você vestir na nossa viagem.
Descolei a fita adesiva e abri a bolsa. Um biquíni. Tudo o
que eu não imaginava e não queria. Será que digo a ele que não quero mais ir,
que me aconteceu um problema sério, a doença de uma parenta distante, preciso
ir visitá-la, se morrer morro também culpada. Mas ele estava tão feliz, eu não
teria coragem. O que tem de mais um biquíni?, perguntei a mim mesma. Ah, tenho
trauma de biquínis, uso maiô, e faz tempo que não vou a uma praia. Conto um dia
desses por quê, ou quem sabe, no final vocês descobrem o motivo.
Você vai ficar moreninha com este biquíni, a maior parte da
pele descoberta, ele disse radiante como um sol imenso. Não sei mais que
adjetivo acrescentar.
Pedi licença e corri ao banheiro. Confesso que a perspectiva
do biquíni me provocou cólicas. Fiquei sentada no vaso sanitário uns quinze
minutos.
Tudo bem com você?, ele quis saber.
Eu não diria a ele que não usava biquínis, que usava apenas
maiô. Levaria o biquíni e o maiô, lá decidiria, lógico que decidiria pelo maiô.
E ele nada poderia dizer. Uma boa solução. Beth, você é ótima, sempre vota em
seu favor! Caso eu conte pra alguém minha aversão aos biquínis as pessoas
rirão, antiquada serei, que motivo bobo, você vai acabar perdendo um homem
desses, e homem está tão difícil...
Estava lá a praia, o dia combinado, a manhã fresca, já
ensolarada, provocando arrepios. Será que alguém vai me ver de biquíni? Deus me
livre, vamos mais adiante, por favor. Lógico que não disse a ele que o motivo
era o biquíni. O maiô? Não tive coragem de desapontá-lo.
O melhor trecho da praia, ui, será que vou gozar assim, sem
que ele me toque?, os arrepios aumentando, sensação de prazer cada vez maior.
Aqui não há ninguém, digo.
Então, descubro um jeito de me livrar do biquíni e depois
poder usar o maiô. O restante do fim de semana de maiô, um maiô lindo, tão
colorido, tanto pano.
Posso contar um segredo?, sussurro a ele e lhe dou um beijo
úmido.
Claro, olha nos meus olhos.
Quero tomar banho de mar nua! Não gosto de biquínis, quero
dizer, biquínis me dão vontade de ficar nua, e como não há ninguém, aponto o
mar imenso diante de nossos corpos.
Nua? É tudo que quero, ele diz, exultante. Deixa que eu tiro
o teu biquíni.
Maior delicadeza, ele a me despir. Depois? Ah, deixa pra lá,
vocês são bons em imaginação...
quarta-feira, maio 17, 2017
Misturei-me aos mais jovens
Outro dia saí a passeio pela Zona Sul. Como adoro escrever,
criar personagens e colocá-los em ação, experimentei eu mesma representar.
Misturei-me aos mais jovens, meu objetivo era descobrir se os atraio, se os
faço me desejarem. Fui ao um café. Escolhi uma mesa de onde podia observar quem passava na calçada, quem entrava e saía e aqueles que, como eu,
tomavam café a uma das mesas. Qual não foi minha surpresa ao descobrir que
vários jovens me observavam. Sorri em agradecimento, e não passou muito tempo
para que um rapaz de seus vinte e poucos anos viesse falar comigo. Disse que
tinha uma festa para aquela mesma noite e perguntou se eu não queria acompanhá-lo.
Perguntei a que tipo de festa me convidava. Um aniversário, uma
amiga faz vinte e oito anos. Você não tem uma namorada?, mostrei-me
curiosa. Ele apenas sorriu e quis saber se eu aceitava o convite, complementou
dizendo que se tratava de uma festa até certo ponto modesta e que o local era o
salão de um condomínio, no Leblon. Aceitei o convite. Mas nem mesmo
sei o seu nome, conclamei-o a se apresentar. Henrique, respondeu econômico.
Célia, muito prazer, retribuí. Como fazemos, então?, perguntei. Ele me apanharia nas proximidades ou, caso eu desejasse, poderia esperar por
ele em minha casa. Marcamos.
Ele veio às nove da noite. Pegamos um táxi, ele disse o
local ao motorista. Você vai adorar, afirmou, na festa vai haver muitos jovens
e pelo que estou notando você gosta de jovens, não é assim?, olhou pra mim, um sorriso alegre.
Percorremos as ruas Prudente de Moraes, General São Martins
e chegamos à Visconde de Albuquerque, no final do Leblon. O motorista nos
deixou à porta de um prédio de seis andares, de cor clara e com varandas. O
salão de festas ficava acima do sétimo andar, uma espécie de cobertura com
vista panorâmica privilegiada.
Já havia algumas pessoas, que logo vieram falar com ele, pediram que ele me apresentasse a elas. Representamos um casal que já se conhecia
fazia tempo, mas não dissemos qual o nosso tipo de relacionamento. Aliás, nada
combinamos, as coisas foram acontecendo naturalmente. Pouco a pouco foram
chegando os demais convidados e o salão tornou-se mais barulhento e também mais
alegre. O número de pessoas foi suficiente para que pudéssemos gozar a
festa com conforto. Dois ou três garçons serviam canapés e bebidas. Pude
observar pessoas de vários tipos. Havia mulheres muito magras, eram modelos
profissionais que estavam ali porque a aniversariante trabalhava com moda; vi pessoas
fora do universo da moda como jornalistas, relações públicas e algumas
empresárias, apesar da pouca idade. Todas muito educadas e se comportando com
extremo requinte. Muitas jovens puxaram conversa comigo e queriam saber em que
eu trabalhava. Não quis dizer que sou escritora e que vendo artigos para
revistas estrangeiras, disse que precisava viajar com frequência a São Paulo,
porque administrava negócios de família. Arregalaram os olhos, acho que
pensaram que sou rica. Quem sabe. As meninas vestiam-se muito bem, nada de
pouca roupa. Mesmo as que usavam vestidos curtos cobriam-se com algum
complemento, como um leve casaquinho ou mesmo uma echarpe. Reparei que havia
mulheres acompanhadas, mas a grande maioria estava só, nada de marido ou
namorado. Meu companheiro portou-se como seu eu fosse também sua amiga, não
ousou em nenhum momento aproximar-se de modo mais íntimo. As bebidas,
gradativamente, tornaram as pessoas mais alegres e mais falantes, pois os
coquetéis eram suaves mas continham vodca ou outra bebida semelhante, tudo com
muita fruta e muito bom gosto. Uma das moças começou a falar sobre uma viagem à
Europa, principalmente à França, viagem que começaria dali a alguns dias. Quem
a ouvia começou a se interessar e dizer como seria interessante a viagem. Outras
moças enriqueceram a conversa com alguma passagem de viagens que fizeram
recentemente a alguns países. Percebi, então, que quase todos os convidados tinham
algumas posses, e que as conversas não deixavam de lado os prazeres que esses
bens podem proporcionar. Também pudera, uma festa no alto Leblon... Mas ninguém
falou de literatura, ninguém comentou que lia um bom livro ou que conhecia
algum poeta interessante. Não seria eu que faria tais observações. Em algum
momento, uma das modelos – ela fumava e portava um copo de vodca com gelo –
começou a contar uma experiência em Paris. Morara na cidade durante seis meses
e tivera um namorado francês. Aprendera o idioma com ele. Alguém pediu para que
ela falasse francês, e ela continuou a contar a história no idioma do namorado. Uns entendiam, enquanto outros demonstraram se desinteressar pelo
assunto e foram saindo discretamente em direção a outras rodas. Ficando eu e
mais duas de suas amigas ela continuou a narrativa, tocada pelo álcool de duas
ou três doses de vodca. Disse que em Paris é que era bom, talvez o Rio
seja um pouco Paris (introduzo suas palavras), só que o Rio é um pouco mais
violento, é claro, mas em Paris ninguém se mete na vida alheia, eu gostava de
namorar no táxi, enquanto rodávamos a capital, pedíamos ao motorista que nos
levasse a determinado ponto da cidade, sempre bastante longe de onde estávamos,
durante o percurso como era bom namorar e ter a cidade passando pela janela do
automóvel, acho que jamais vou viver experiência igual, quero dizer, quando lá voltar creio que sim, e namorávamos e namorávamos, e nosso ardor não se
resumia a beijos, certa vez após saltarmos no 18º arrondissement só então percebi que minha saia havia ficado no
táxi! Todas caímos numa longa gargalhada. Ela também riu muito e acabou por
aceitar outra taça da bebida. Ficamos na festa até as duas da madrugada, quando
as pessoas começaram a ir embora. Todas me beijaram e pediram que eu sempre
estivesse naquele tipo de festa, que o Henrique ia a todas e que eu, de
antemão, já estava convidada.
Pegamos um táxi de volta, e quando paramos à porta de casa
convidei Henrique para subir. Ele aceitou de bom grado. Você é uma pessoa muito
legal, que bom ter conhecido você naquele café às três da tarde, que bom você
também gostar de gente jovem, sabe, continuou, acho que conheço você de algum
lugar, parece também que te conheço de muito tempo. Quem sabe, repliquei, você
gosta de mulher nua? Ele não entendeu a brincadeira. Certa vez uma amiga minha
disse a alguém, acrescentei, você já viu a Célia na praia, o biquíni dela
parece de uma menina de 16 anos. Rimos muito, mais uma vez.
quarta-feira, maio 10, 2017
Onde fica a Colômbia?
Já faz tempo que sou guia turística, levo pessoas aos mais
diversos lugares, dentro do país ou fora dele. Sempre conduzo nossos clientes
de forma amorosa e exemplar. Muitos continuam viajando com nossa
empresa por causa do tratamento especial que dou a todos. Na última excursão,
fomos a Santiago do Chile. No grupo havia trinta e quatro pessoas. Chegamos a Santiago num domingo à noite para uma estada de cinco dias. No
aeroporto, um ônibus aguardava para nos levar ao hotel, que
ficava em Las Condes. Apesar de ser tarde da noite, todos pareciam muito felizes. Adoraram também o hotel, requintado e confortável. Na primeira
noite, após a viagem de quatro horas mais a demora nos trâmites do aeroporto,
só nos restava o descanso.
Não pretendo mencionar aqui todos os lugares por onde
andamos. Apenas digo que a cidade de Santiago, com sua mescla de prédios
antigos e modernos, com a amplidão de suas ruas e avenidas, é adorável. Quem
gosta de vida boêmia também não pode reclamar. Há bairros com bares e feiras
populares, que funcionam até a madrugada, principalmente no verão. A cidade, ao
mesmo tempo, oferece um clima de cultura intensa, pois é possível visitar
livrarias, museus e assistir a alguma peça de teatro. As cidades de Valparaíso
e Viña del Mar, as vistas que proporcionam e a presença do mar, contribuem para
completar o espírito de férias e descanso que uma viagem a este país
proporciona.
Depois de três dias na cidade, de alguns passeios e de descanso
no hotel, jantamos num restaurante do bairro de Las Condes. Todos apreciaram muito a culinária local e experimentaram
vinhos e cervejas. Eu, como guia, bebo pouco. Naquele dia, porém, incentivada por várias pessoas do grupo, exagerei com uns goles a mais. Falamos
um tanto mais alto devido à animação, e contamos muitas piadas. Um dos jovens
leu alguns parágrafos de um livro, uma comédia muito interessante. O que
aconteceu de especial vem a seguir.
No grupo, havia um homem de meia idade que viajava sozinho.
Disse-me que nunca gostou de excursões e que aquela era a sua primeira. Ingressara
no grupo devido à indicação de uma amiga sobre o meu profissionalismo em
conduzir turistas ao exterior. Conversamos durante vários intervalos no
decorrer da viagem e dos passeios. Nesse terceiro dia, ou noite, porque se
tratava de um jantar, ele ficou a me observar com mais entusiasmo do que de costume.
Após toda aquela alegria, voltamos ao hotel. Algumas
pessoas, sobretudo os mais jovens, pediram que aproveitássemos o bar do hotel,
que ainda estava aberto àquela hora, e que bebêssemos ainda um vinho ou mesmo
cerveja, assim poderíamos continuar as conversas interrompidas com o final do
jantar. Então, eu soube dos namoros que aconteciam entre aqueles que compunham
o grupo. Havia jovens, homens e mulheres, que trocaram de apartamentos para que
se formassem casais e que pudessem namorar livremente durante a noite.
Falaram de algumas peripécias, sempre sobre outros, nunca sobre si. Mas mesmo assim foi muito engraçado. Disseram que a jovem
Elisa, de cabelos compridos e cara de freira, entregou-se aos abraços de um
homem mais velho. Ela se despiu com as próprias mãos, agarrou-o durante boa
parte da noite e depois saiu envolvida num roupão, porque em meios à
confusão que os dois estabeleceram no apartamento não lhe foi possível
encontrar o vestido. Houve outras histórias tão hilariantes quanto.
Depois de sairmos do restaurante e subirmos aos
apartamentos, ouvi três batidas suaves à minha porta. Era o homem que nunca
viajara em grupo. Ele desejava me oferecer uma sobremesa, que trouxera do restaurante.
Guardara-a com cuidado, para mim. Convidei que entrasse e aceitei o doce. Este
homem tinha um talento especial, sabia fazer imitações com perfeição e começou
a falar e fazer gestos como quase todos os integrantes do grupo falavam e agiam.
Não aguentei de tanto rir. Ri tanto que tive de correr para o banheiro. Lá
dentro, ainda continuei às gargalhadas. Quando saí, ele se pôs a me arremedar. Representou
como se fosse eu a conduzir o grupo, imitou minhas falas nos passeios e, o mais
engraçado, depois de eu ter bebido duas ou três taças de vinho. Ri tanto que
acabei com sede. Bebi um copo de água mineral. Reparei, então, que sobre a pequena mesa, no interior do apartamento,
havia duas garrafas de vinho. Abri uma e ofereci a ele. Continuamos a conversa,
naquele momento de forma mais amena, já livre de tanto riso. Não sei quantos
minutos se passaram, comecei a sentir um calor intenso. Lembrei que quando bebo
demais passo a ter um instinto incontrolável para o sexo, e como aquele homem
estava ali...
Mas não pensem que transei com ele. O homem bem que notou
todo o meu fogo. Mas me dominei a tempo e disse que estava cansada, prometi que
quando voltássemos ao Brasil poderíamos nos encontrar e conversar com maior
liberdade. Ele quis contra-argumentar, mas aleguei que já estava tarde, no dia
seguinte faríamos o último passeio, "precisamos acordar cedo", despedi-o. Ele se foi,
muito polidamente, apesar de eu perceber em seu rosto um traço de
contrariedade. Assim que saiu fiquei eu com o meu fogo, e sem saber como
abrandá-lo. Tirei toda a roupa e vesti um roupão
oferecido pelo hotel, apenas aquele tecido atoalhado sobre o corpo. A partir
daí, fiz minha investida, que posso chamar de temerária.
Saí do quarto e caminhei pelo corredor até os elevadores.
Quando o sinal de um deles soou, apareceu um homem jovial, que me perguntou:
"De onde onde és?”
“Brasil”, respondi. “Usted?”, abri-me num sorriso largo.
“Colômbia”, parou e esperou que eu tomasse a inciativa.
Foi aí que falei:
“Puedes esclarecer a mi donde fica Colômbia?”
Lépido, apontou a porta do seu apartamento.
quinta-feira, maio 04, 2017
Eu, enfim, cedia
Mas se eu enfim cedia... Talvez fosse porque ninguém me
conhecia naquela cidade. Quando as pessoas não sabem quem somos, ou quando
estamos num lugar onde jamais estivemos e somos desconhecidas, tornamo-nos mais
corajosas. Foi o que aconteceu naquela madrugada.
A cidade era Flores, um lugarejo à beira mar, e a proposta
dele era tentadora, ou melhor, sugeria algo que testava minha coragem. Acho que
tudo começou porque ele me viu andando pelo pequeno centro da cidade apenas de
biquíni. Sempre entendi como normal uma mulher passear de biquíni quando está
próxima à praia. Naquele local ainda não era propriamente a praia, faltava uma
ou duas ruas, porém o cheiro do mar era tentador. Saí da casa onde estava
hospedada, de biquíni e uma pequena bolsa a tiracolo. Num primeiro momento não
dei conta se alguém me reparava. Havia algumas meninas brincando, também vestiam
trajes de banho, e como sorriam. Sorri de volta. As meninas tinham os
cabelos loiros e pareciam francesas. Segui na direção do mar. Parei numa das
esquinas onde havia um quiosque, pedi dois maços de cigarros. Comecei achar que
fizera a escolha certa ao permanecer alguns dias naquela cidade. Ao chegar à
praia vi outras pessoas sentadas na areia, umas sobre espreguiçadeiras, outras
sobre um pano estendido em cima da própria areia. E havia outras crianças.
Escolhi um lugar em meio às pessoas. Um rapaz veio me oferecer uma
espreguiçadeira e um guarda sol, de aluguel. Não recusei. Após sentar e apoiar
minhas bolsas sobre o tecido que eu tirara da bolsa, comecei a ler uma revista.
Mas a presença do mar era mais forte. Ele me tirou da página que eu tentava ler.
Fiquei observando como estavam serenas as águas da praia, ao longe alguns barcos
pareciam ancorados. Após olhar toda a extensão de areia, de reparar o barulho de
domingo, ou de um dia de férias, voltei à leitura. O homem que apareceu para
conversar chegou duas horas depois. Eu já havia entrado na água e tomara
cuidado para não molhar os cabelos. Ele sorriu, ficou próximo e não demorou a
vir perguntar-me se eu era turista ou se mudara para cidade. Sorri, tentando
ser simpática. Disse que estava de férias, mas que não demoraria na cidade. Ele
retrucou dizendo que era uma pena, o lugar era tão bom, que ficar menos de duas
semanas seria uma perda. Achei engraçada a palavra perda, não tenho o costume
de definir perda da mesma forma que ele. Mas sorri ainda, compassiva com o que
ele dizia. Na verdade, eu não queria companhia, mas o homem ficou ao meu lado,
em pé, a elogiar o local. Pensei que pudesse ser um comerciante que logo ofereceria
o seu produto. No entanto, tratava-se de alguém que não está acostumado a
encontrar mulheres sozinhas, um tipo de machismo muito comum nas muitas cidade
do nosso país. Depois de algum tempo, peguei a revista e deixei de dar atenção
a ele, voltei à leitura. Minha ação foi eficiente. Despediu-se e se retirou,
antes disse que se precisasse de alguma coisa era só procurá-lo, pois todos o
conheciam na cidade, chamava-se Éden. Continuei no mesmo lugar, lia a revista e
sentia no corpo o sol e o cheiro do mar, a cidade possuía um frisson que
excitava, difícil de traduzir em palavras. Fui à agua várias vezes, mas sempre
com cuidado para não molhar os cabelos. Em uma dessas idas, reparei um rapaz,
que também me olhou e sorriu, chegou a piscar um dos olhos. Tive vontade de
conversar com ele, porém, não se aproximou. Às cinco horas, voltei para a
pousada.
Fiquei no quarto até nove da noite. O banho de mar me
deixara mole e sonolenta. Mas não podia ficar sem comer até o dia seguinte. Saí
às dez e logo descobri, no pequeno centro, uma rua estreita onde se
enfileiravam muitos bares, todos cheios, com pessoas jovens em sua maioria,
bebiam e conversavam animadamente. O que me chamou a atenção foi que estavam
todos muito bem vestidos. Encontrei uma mesa lateral em um dos bares e pedi ao
garçom o cardápio. Havia vários pratos quentes e frios. Optei por uma salada e
uma taça de vinho branco. O bar requintado da cidade interiorana era bem
abastecido, tinha até mesmo muitas bebidas importadas. Antes da salada, serviram-me
uma espécie de entrada, um prato quase ornamental, uma grande folha de alface
espetada, e duas fatias de presunto, que vinham enroladas em si mesmas. Ao fim
de trinta minutos, veio o prato pedido. Nesse meio tempo eu já observara às
pessoas ao redor e reparara uma jovem que não cessava de olhar para mim. Achei
estranho seu olhar. Num momento de distração, enquanto repousava o garfo e
tomava um gole da taça de vinho branco, reparei que se encontrava ao meu lado,
sempre sorridente, com ar indagativo. Perguntou se eu não me aborrecia estar
sozinha. Respondi que não, estava acostumada a viajar e já me habituara. Perguntou
ainda se podia ficar um pouco à minha mesa. Sim, respondi movimentando os
ombros, como se aquilo não me aborrecesse.
É a primeira vez que você vem a Flores?, ela quis saber.
Sim, falei enquanto levava a taça aos lábios.
De repente ela perguntou:
Você reparou como os homens dessa cidade são engraçados?,
disse isso enquanto sinalizava ao garçom para se aproximar. Sorrindo, pediu a
ele um coquetel, não entendi o nome.
Os homens daqui são terríveis, viu? Terríveis e engraçados.
Engraçados, como?, demonstrei surpresa.
Ah, engraçados; chegam a estar pertinhos da gente, perguntam
alguma coisa e depois desaparecem.
Desaparecem?, repeti.
Isso mesmo, repetiu, se a gente fica com vontade de sair com
algum deles, fica apenas na vontade, porque não se sabe mais onde estão.
Agora me lembro, recuperei o que me acontecera na praia, um
homem se aproximou e veio conversar, disse que todos o conhecem na cidade, que
se precisasse de alguma coisa era só procurar por ele, seu nome é Éden, depois
surgiu um rapaz que piscou o olho e não se aproximou.
São assim, sei quem é o que foi até você e se ofereceu para
qualquer necessidade, fala assim com todas as mulheres.
E vocês, eu queria saber, não namoram ninguém, não casam
nesta cidade?, fiz cara de curiosa.
Ela deu uma gargalhada. O garçom se aproximava com uma
bebida de cor vermelha, colocou a taça, muito bonita, diante dela.
Ah, ela mostrou-se surpresa, não me apresentei, meu nome é
Gorete.
E o meu é Sandra, retruquei. Onde estão suas amigas?, olhei
para mesa onde ela estava momentos antes e reparei que se encontrava vazia.
Ah, foi sobre isso que falei a você, querem testar os homens
da cidade, falei que não valia a pena, mas mesmo assim elas não me deram muita
bola.
Elas não residem aqui?
Não, em Estância, fica a trinta quilômetros do litoral. Sempre
vêm à cidade nos dias de folga, adoram este centro e dizem que aqui é mais
fácil de paquerar.
Paquerar?, repeti e sorri.
Gorete começou a contar sobre uma de suas amigas, que
namorara um rapaz na cidade. Saía com ele todas as noites, mas dizia estar
cansada de fazer as mesmas coisas. O rapaz, para não perder a namorada, começou
a criar fantasias, assim ela se distrairia e não ficaria reclamando. Passaram a
representar papais diferentes, como não se conhecessem e se encontrassem de
repente ao acaso, viviam várias situações, até mesmo algumas em que a mulher
simulava estar em apuros.
Como, em apuros?, quis que ela me explicasse melhor.
Acho que faziam de conta que ela precisava de ajuda, como se
estivesse afogando na praia, ou perdida na estrada. Numa dessas brincadeiras
ela me falou que ficou esperando por ele totalmente nua, sorriu ao pronunciar a
última palavra, e levou aos lábios o coquetel.
Ao vê-la tomar um gole, lembrei-me de dizer que a atmosfera
da cidade me causava certo frisson.
Frisson?
Gorete achou a palavra interessante.
Então, falta frisson aos homens dessa cidade, acrescentou.
Mas sua amiga arranjou um homem que provoca arrepios, não?, acrescentei.
Ele é uma exceção. Já até tentei sair com ele, mas o
homem não quis.
Jura?
Juro, meneou a cabeça positivamente. A cidade é muito
pequena, ele falou, logo alguém vai nos ver juntos. E o que tem isso de mais?,
perguntei a ele. Gosto muito da Anita, encerrou ele a conversa.
Não tenho atualmente necessidade de homens, não hesitei em
falar. Eles, na maioria das vezes, aborrecem muito.
Você tem razão, mas a gente nunca segue o pensamento lógico,
é a tal da paixão a nos complicar, ou o corpo a respirar, franziu a testa e
sorriu. Sua expressão revelou mais charme do que eu antes pudera perceber.
Uma mulher chamou por Gorete, estava à beira da rua, fez
sinal para que ela viesse até a borda do bar. Gorete atendeu ao chamado. A
mulher cochichou algo no seu ouvido. Gorete sorriu, devolveu algumas palavras,
deu um breve adeus e voltou à mesa.
Uma maluquete amiga minha, e deu uma sonora gargalhada.
Suas amigas são interessantes, atalhei.
Nem sempre, às vezes são engraçadas.
O que há de cômico nessa?
Acho que você não vai gostar de saber.
Por quê?
Porque você parece uma pessoa recatada, ela falou.
Como você sabe?
Veja, você ficou na praia a tarde inteira e não namorou
ninguém, usa um biquíni até certo ponto conservador, não veio para este bar com
a intenção de azarar, gostar de sentir a atmosfera de frisson que emana da
cidade...
E o que há isso com o fato de sua amiga ser cômica.
É outra que vive a mil com o namorado, veio dizer que vai
com ele a uma boate.
Que legal, não sabia de boates por aqui.
O problema não é esse, acrescentou, você reparou, ela já
está quase nua e disse que só volta de manhã. Outro dia veio com a história de
que o namorado gosta de lhe roubar a calcinha, toda vez que sai com ele volta
sem. Hoje veio me dizer que ele não vai poder roubá-la, adivinhe por quê?
Ela veio sem.
Isso mesmo, você é inteligente. Ao terminar de falar, Gorete
sorriu e me convidou para uma surpresa.
Se é uma festa não quero, afirmei, não gosto de multidão.
Nada de festa, vai ser uma experiência nova para você,
garanto, e é um segredo nessa região. Vamos comigo, trata-se de algo ligado à
natureza.
Você me espera beber mais uma taça de vinho?, impus como
condição.
Ok, ela atendeu.
Enquanto esperei pela nova taça, acrescentei:
Na minha cidade já tive um namorado como este de sua amiga.
Ele gostava de me levar nua dentro do carro, acredita?
Sério? Na cidade grande também acontece isso?
Os homens são os mesmos em qualquer lugar. Ele vestia terno,
todo bem arrumado, ia me pegar quando eu saída de uma academia de ginástica. Eu
vinha com aquela malha grudada ao corpo. Ele pedia que eu a tirasse dentro do carro,
guardava toda a minha roupa dentro de uma valise e me levava nua ao seu lado.
Era uma coisa de arrepiar.
E você acabou gostando?
Não é que acabei gostando, era o susto, sei lá, às vezes até
era bom, mas o namoro não deu certo, não era isso que eu queria.
O garçom chegou coma a nova taça de vinho, e a amiga de
Gorete surgiu novamente na borda do bar e a chamou. Gorete pediu licença.
Enquanto tomava o vinho, ela deixou a amiga durante alguns instantes e foi ao
toalete. Depois voltou, aproximou-se dela e lhe disse alguma coisa, os braços
de ambas se cruzaram. Tomei mais um gole do vinho e Gorete voltou à mesa. Sua
amiga desaparecera.
Deixamos o bar e a rua plena de gente. Caminhamos duas
quadras e entramos no carro de Gorete. Ela guiou durante uns trinta minutos,
afastando-se sempre da zona urbana. Antes da rodovia estadual, entrou num
atalho, dirigiu durante mais dois quilômetros e parou o carro. Descemos. Havia
várias árvores e estava escuro.
Não tenha medo, ela disse, venha comigo.
Ela andava como se já frequentasse o local havia tempo,
caminhava rápida entre as árvores, vencia obstáculos e segurava minhas mãos
quando me reparava temerosa. Chegamos, enfim, a um lago.
A água é quente, você vai gostar.
Caminhou até a beira, tirou a sandália e molhou os pés.
Venha ver, é muito gostosa, em cada lugar a temperatura é
outra.
Não queria me molhar, falei.
Não se incomode, você nunca sentiu um prazer tão grande,
falou e, radiante, deu-me as costas e tirou o vestido. Gorete estava sem calcinha.
Venha, não tema.
Não queria desagradá-la, mas confesso que comecei a ficar
preocupada, pois a conhecera fazia pouco tempo, não sabia de quem se tratava e
a mulher me convidava para ficar nua à meia-noite.
Não tema, venha.
Comecei a me despir, mas fiquei preocupada onde deixaria
minhas roupas.
Não se preocupe, acrescentou adivinhando meus pensamentos,
ninguém vem aqui.
Entramos então na água. Ela segurou uma das minhas mãos.
Gorete tinha razão. Em cada lugar que parávamos havia um
tipo de temperatura.
Este lago mexe com a gente, ela fechou os olhos e demonstrou
que sentia um tipo diferente de prazer. A gente até goza, nem precisa de
concentração.
Apesar dos meus temores, tentei imitá-la na busca pelo
prazer. E qual foi minha surpresa ao me ver arrepiada, começava a sentir um
gozo como jamais sentira. Fui ficando cada vez mais excitada, meu coração
chegou a se agitar.
Ainda bem que não sofro do coração, deixei escapar.
Ela sorriu. Ninguém morre de prazer, sentenciou. Ficamos as
duas numa espécie de gozo que se prolongava, que se repetia, que nos
arrebatava. Ele chegou a dizer:
Sinta apenas, não precisa olhar, chega-se a sentir um pênis a nos penetrar.
Não mais queríamos deixar o lago.
Sinta apenas, não precisa olhar, chega-se a sentir um pênis a nos penetrar.
Não mais queríamos deixar o lago.
Parece um feitiço, cheguei a dizer, mas um feitiço positivo.
Um feitiço, uma magia, a magia do prazer, e ela gritou como
se gozasse intensamente, um orgasmo profundo, quase definitivo. Não me contive,
imitei-a no grito, um ardor prolongado.
Exaustas e ainda nuas deixamo-nos cair um pouco acima de uma
das vertentes, ficamos de mãos dadas, tocando-nos com a lateral do nossos
corpos.
Aqui ficam todas as angústias, falou depois de um longo
tempo.
E não precisamos dos homens, acrescentei, o que é muito
importante.
Quando começamos a voltar ao carro foi que nos preocupamos
em descobrir onde tínhamos deixado nossas roupas.
Cheguei à casa onde estava hospeda ao amanhecer. Naquele dia
dormi até às duas da tarde.
Depois do almoço, fui à praia. Deitada sob o sol e olhando
uma paisagem surpreendente, comecei a pensar sobre o prazer que sentira na
noite anterior. Não passou muito tempo para que se aproximasse e se agachasse
junto a mim o homem do dia anterior. Perguntou se eu precisava de alguma coisa.
Respondi que o mais interessante naquele lugar era a tranquilidade. Minha
resposta tinha a intenção de afastá-lo. Mas não foi assim que ele entendeu;.
Este local é realmente um paraíso. Tenho um amigo que
pertence a uma igreja que quer construir o paraíso na terra, disse a ele para
vir aqui, o paraíso já existe, terminou sua sentença com um enorme sorriso.
Depois me perguntou se eu mergulharia, pois, continuou, não era bom arriscar-se
a uma insolação.
Ri de sua última palavra, e ele entendeu o meu gesto como
sinal de simpatia. Caso eu entrasse no mar, estava pronto a me acompanhar,
embora afirmasse que a praia, apesar de mar aberto, tinha as águas calmas. Permaneceu ainda ao meu lado por um tempo que me pareceu enorme. Não tinha mais
o que falar. Eu também me mantive silenciosa.
Quando o sol atingiu aquele ponto limite sobre meu corpo, o
estágio que aponta tênue divisa entre moderação e excesso, levantei-me, sorri
ainda uma vez ao homem e caminhei para a beira d’água. O contraste entre a
temperatura do meu corpo e a da água do mar provocou-me certo prazer.
Mergulhei. Depois de dois ou três segundos voltei à tona. A água escorria pelos
meus cabelos e borrifei através dos lábios um pouco da água salgada que sempre
ouso experimentar enquanto mergulho. O sal sempre estimulou todos os meu
sentidos. Dei as costas para a praia, pretendia admirar o horizonte. Mas o que
descobri em primeiro plano foi o homem que me espionava na areia. Viera atrás
de mim, também mergulhara e nadara, submerso, mais longe. Sorria, pouco a pouco
aproximou-se. Notou que não me agradava, mergulhou de novo, deixando-me
sozinha. Naquela tarde não mais o vi. Então, pude praticar algo que sempre me
deu prazer, desde menina, sei que é uma bobagem, mas para mim tem significado.
Tirei a parte de baixo do biquíni e o prendi no tornozelo, como se faz com uma
pulseira em volta de um dos braços. Nadei apenas de top, de um lado a outro,
sentindo o prazer da água fria entre minhas pernas. Pensei no homem que me
espionara. Será que estaria por perto. Acho que gostaria de me encontrar nua,
de poder tocar a minha pele, de me namoricar um instantinho que fosse. Achei
até que poderia estar escondido, quem sabe submerso, e conseguisse descobrir
minha nudez. Mas isto não aconteceu. Às cinco da tarde, voltei à pousada.
À noite, depois das nove e meia, encontrei Gorete de novo.
Ficamos durante algum tempo no mesmo bar da noite anterior. Ela pediu sua
bebida rubra, enquanto eu optei pelo mesmo vinho. Aqui, os donos de bar tem bom
gosto, as bebidas são esmeradas, elogiei.
Gorete sorriu. Sua amiga, a mesma que a chamou da borda do
bar na noite anterior, aproximou-se. Beijou-lhe ambas as faces. Gorete apontou
para mim, a moça sorriu e acenou. Ao voltar, segurou seu copo, tomou um gole e
falou:
Ela achou seu vestido lindo, disse que adora vestidos que
vão até os pés.
Achei que ela preferisse sempre os de pouco comprimento.
Nada disso, o negócio dela é mais embaixo.
Ambas rimos.
Passava de uma hora quando saímos juntas do bar. Vamos andar
de carro, sugeriu minha amiga. Ela se pôs ao volante, ligou o carro e deu a
partida. Costeamos a praia, e entramos por uma pequena estrada que subia um
morro. Na parte mais alta era possível ver o outro lado da enseada.
Bonito daqui, falei.
É muito bonito.
Será que o prazer vai ser o mesmo de ontem?, eu comecei a
sentir o frisson que a noite emanava.
Acho que maior, ela sorriu depois da resposta.
Gorete dirigiu descendo a vertente oposta da montanha. Não
havia ninguém, apenas nós deslizávamos estrada a baixo. Ao chegarmos à praia,
ela desligou o motor, abriu a porta e saímos direto para a areia da praia.
A água aqui é quente, como a do lago, embora o mar seja aberto.
Tirei as sandálias, segurei-as com uma das mãos e caminhei
até a beira. Verdade, a água estava quente.
Gorete aproximou-se e segurou-me pela cintura, levantou o
meu vestido.
Não precisa fazer isso, eu mesma tiro.
Fiquei nua. Gorete abraçou-me. Ao apertar-me num abraço
estreito, senti algo rijo onde deveria ser o sexo de uma mulher. Ela também
tirou a roupa. Gorete tinha um pênis. Como eu não notara da vez em que
estivéramos no lago? Ah, o prazer foi tanto..., pensei
Não se assuste, só se você quiser, falou, sem conseguir
escondê-lo, sem conseguir evitar que crescesse ainda mais.
Olhei um tanto estupefata, mas me recuperei a tempo. Pensei
muito, num curto espaço de tempo.
Já sei, dei uma sonora gargalhada, é você que rouba as
calcinhas das moças da cidade.
Só as calcinhas? Já levei comigo tantos vestidos, elas
adoram andar nuas, e adoram trepar comigo.
Sou como elas, eu enfim cedia, por aqui ninguém me conhece, faça a
seu bel prazer, aja como se eu fosse uma delas. Corri e mergulhei no mar
noturno. Gorete seguiu-me.
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