quarta-feira, fevereiro 23, 2022

Não há dúvida

Eu tinha me separado e me mudado para a serra. É assim que a gente fala aqui na região. Há uma diferença entre morar na cidade, que é a sede do município, e a serra, na verdade um distrito, lugar rústico, de clima ameno, cortado por um rio de águas cristalinas permeado por várias quedas d’águas.

Logo nos primeiros meses, fiz amizades, em geral com pessoas bem mais jovens do que eu. Contaram-me sobre as possibilidades de passeios, como caminhadas e escaladas, recantos de onde se pode apreciar uma paisagem muito bonita. O mais interessante, porém, é o período de verão. Muita gente vem tomar banho na cachoeira ou no rio. Há jovens que preferem o banho à noite, quando, da mesma forma que acontece durante o dia, desejam aliviar o calor trazido pelas correntes de ar quentes que envolvem a região.

Com o passar do tempo, no entanto, não custei a descobrir que a frequência ao banho noturno não é desejada apenas para aliviar o calor, mas porque os rapazes aproveitam para tirar a roupa das moças, que mergulham como Evas e nadam nas águas frescas locais. Formam-se casais sem se fazer alarde, o prazer então é maior.

Como sou dez ou quinze anos mais velha do que a maior parte dos jovens, a princípio fiquei com um pé atrás, mas em poucos dias me apareceu um admirador que foi comigo para o tal banho. Arranjamos um local à margem, arborizado, onde eu pudesse me despir à vontade. Depois entramos n’água e aproveitamos. Caso encontrássemos outro casal, tudo permaneceria na maior discrição, como se fôssemos os únicos no local. Meu namoradinho, que é só para essas coisas (nada de ficar no meu pé, já avisei de antemão), no escuro da noite, entre carícias da água morna e de suas mãos, me contou casos muito engraçados da região, dentre eles o de uma frequentadora gostosona que tem um marido muito ciumento.

Ela, durante o dia, estende uma toalha sobre a pedra, abre uma revista e fica tomando sol vestindo o menor biquíni da região. À noite, quando o marido está de plantão, ela reaparece, e não é apenas para o banho. Há quem diga que ela tem cinco amantes. Como o lugar é pequeno, poucas coisas para fazer, é preciso dar um desconto. Ela deve namorar no escurinho da noite com apenas dois, ou mesmo um. Foi o que pude constatar numa das vezes em que me misturava às sombras das árvores, à cata de minhas roupas. Ela sorriu para mim, um sorrisinho cúmplice e levou um dos rapazes pelo braço. Não notou que eu tinha um acompanhante, fez um sinal que eu esperasse, queria me mostrar algo. Fiquei pensando o que uma mulher poderia mostrar a outra num lugar escuro, depois das dez da noite. O que fiz foi namorar, o máximo que pude. Depois disse ao namoradinho vamos lá pra casa, podemos aproveitar. Após ele ter ido embora, fiquei a refletir o que aquela mulher desejava conversar comigo.

No dia seguinte, descobri. Ela foi bater à minha porta para pedir um favor: aqui todos são discretos, conto com você, viu; se meu marido souber, acho que me mata, não fale nada pra ninguém. Contou em seguida sobre as alegrias que vivia na região. No final, ainda confessou: aqui é como o paraíso, namoramos todos, e eles namoram todas, nunca houve um lugar tão feliz: às vezes a bagunça é tão grande, continuou ela, bagunça no bom sentido, você entende, que volta e meia uma de nós volta nua pra casa, só no dia seguinte é que consegue encontrar as peças de roupa, é o maior arrepio!

Não consigo sentir arrepio em ter de voltar pelada pra casa, mas que os garotos são gostosos, não há dúvida.

quarta-feira, fevereiro 09, 2022

Garota das exclamações

! Sou a garota das exclamações! Tanto mais hoje, porque estou em Búzios. Uma garota de 18 anos, livre, e numa cidade onde todos dizem ser o paraíso, pode não querer nada mais na vida. Mas eu quero! E não é mentira. Ao chegar, logo após o meio-dia, as pessoas hospedadas na pousada me olham com o rabo de olho. Admiram meu corpinho de modelo! Entre elas, há um rapaz. Dizem que ele veio com uns amigos, já me informei.

Cinco da tarde, praia da Ferradurinha, perto do centro, uma fila de homens de todas as idades vira a cabeça quando passei de biquíni. Laura, você não deveria vir com um biquíni como esse, diria minha amiga Dina. Por quê? Porque vão achar que você é bem piranha. Mas em Búzios! Eu exclamaria. Em Búzios e em todos os lugares, eles sempre pensam que somos piranhas, concluiria. É isso que eu desejo, deixe-os pensar que sou uma mulher que dá pra todo mundo! Mas, engraçado, na Ferradurinha, ninguém se aproximou. Em M, logo aparece alguém, quer fogo para acender o cigarro, uma informação, histórias de que estão há pouco tempo na cidade, dicas de restaurantes e bares badalados. Não sou guia turística, afirmo sorridente. Uma vez dei informações a um dinamarquês; quando ele foi ao bar, quem estava lá? Euzinha, aqui! Búzios é uma cidade onde as pessoas são discretas. Quem é interiorano, não vem para cá. Os rapazes nos olham de longe, ficam sonhando com uma boa trepada. Muitos ficam apenas no sonho! Eu não quero sonhar. Há um jovem lindo, de bermuda florida. Levanto, caminho até a beira d’água, perto dele. Está fria!, exclamo. Ele ri. Gosto do Nordeste, porque lá a água do mar é sempre quente, falo, quase em segredo. Ele me olha, sorri, quer dizer alguma coisa, apenas repete: sempre? Isso. Outra coisa, para arranjar namorada é bom, porque há muitas mulheres!, falo. Sério?, arregala os olhos. Sério, afirmo, mas há um lugar melhor do que lá para isso, continuo. Onde?, ele parece interessado. Em Búzios. Em Búzios?, repete em forma de pergunta, dando bastante entonação. Em Búzios, repito. Aqui, então, ele confirma. É lógico que é aqui, idiota, penso mas não chego a dizer. Perco a vontade de abraçá-lo. Afasto-me. Tenho certeza de que pensou que sou eu quem deseja arranjar namorada. Quando estou dentro d’água, outro rapaz se aproxima dele. Os dois trocam algumas palavras sobre mim, tenho certeza.

À noite, em Búzios. Não fale, a noite em Búzios é uma loucura. Não vá com ninguém antes das duas da madrugada, me aconselhou Dina. Por quê?, quis eu saber. Porque você vai perder o melhor da noite. Não posso perder e ganhar?, eu sempre querendo compensar. Como assim?, ela é esperta, mas prefere me escutar. Conheço um às onze, outro à meia-noite, outro a uma da madrugada, fico com um, com outro etc.; depois, às 2h30, o principal. E se o primeiro não te largar?, ela quis saber. Sou eu que vou largá-lo... Às vezes não é assim que as coisas acontecem!, exclamou.

As moças andam de shorts, ou mesmo de biquínis, não há muita diferença. Como sempre, o número de mulheres é maior, muitos homens juntos também. Oi, você está na minha pousada, escuto de um rapaz. Ele é bonito. Mas ainda são 22h00. Tenho vontade de dizer me procure depois das duas, mas mantenho a linha. Estou, sim, na sua pousada. Ele me toca as mãos. Vamos beber uma cerveja, diz. Prefiro Absolut! Ele arregala os olhos. Absolut? Movo a cabeça, faço um movimento de face que diz é óbvio. Ela bebe e a levo para cama, adivinho seu pensamento. Mas é ele quem bebe uma Heineken, fica altinho e vai com os amigos.

Moça, você é muito bonita, precisamos de mulheres jovens e bonitas, para uma festa numa mansão; você vem com a gente? Três garotas no banheiro me convidam. Uma festa particular, com piscina, open bar... Isso mesmo, diz a mais espevitada. Mas como vou saber que vocês não vão me dar um golpe, que não se trata de armadilha? Tais pensamentos me afastam da magia do local. A do meio diz: ela não conhece a gente, é um pouco difícil decidir, eu ficaria também na dúvida. O que pode acontecer?, pergunto-me. As moças são tão bonitas. Logo, a seguir, respondo: vou! Não há perigo em Búzios, é o paraíso, reflito. Quero fazer duas perguntinhas, tudo bem?, peço. Pergunte, diz a mais alta. Vocês conhecem os donos da festa? Conhecemos, é um velho amigo. E bota velho nisso, diz a menor, sempre sorrindo. Agora, a segunda pergunta: O máximo que pode acontecer é a gente ter de ficar nua, não é mesmo! No lugar da pergunta, exclamo. As três riem, a mais alta diz: você parece ser uma mulher experiente!

quinta-feira, janeiro 27, 2022

Minha conhecida e seu namorado

Outro dia encontrei um ex-namorado e senti uma ponta de inveja. Ele, agora, namora uma conhecida minha. Foi ela quem veio me dizer. Já estão junto faz um tempo. Vou contar a história do início.

Quando vim trabalhar aqui em M, ele foi uma das primeiras pessoas que conheci. Tinha uns quarenta anos, mas a aparência era de alguém mais jovem. Comecei a ficar ao lado dele, a ir almoçar sempre com ele, até que me convidou para sair à noite. Naquela época, eu tinha acabado de me separar, por isso tudo se encaixou. Ele também estava sozinho, contava uma mesma história de separação.

Quando vi minha conhecida na semana passada, tive vontade de perguntar se ele faz com ela as coisas que fazia comigo. Mas não me veio a coragem. Pode ser que a mulher pensasse que sou louca.

À época, trabalhávamos aqui em M, mas ele tinha um apartamento no Rio. Nos finais de semana, viajávamos para lá, frequentávamos cinemas e teatros, além de bares e restaurantes. Uma vida e tanto. Mas havia um problema, ou melhor, um problema no início, depois deixou de sê-lo, porque passei a gostar da situação. Depois de dormirmos juntos algumas vezes como pessoas normais, ele pediu se podia me amarrar. Quando ouvi a palavra, me assustei. Seria o homem um tarado e eu não havia percebido? No entanto, acabou conseguindo seu intento. Num dia em que eu estava mais excitada, permiti seus nós e laços, deixando-me atada à cama. Então subiu sobre mim e trepamos. Eu, imobilizada; ele dizia relaxa, relaxa e goza. Numa outra vez, além de amarrada, acabei amordaçada, e a trepada foi ainda mais intensa. Não posso perder esse homem, eu pensava. As ousadias dele foram se multiplicando. Uma outra noite, além de amarrada e amordaçada, senti a ponta de uma tesoura a percorrer-me a pele; depois, cortou um pouco dos meus pentelhos; a seguir, pegou o aparelho de barbear e me depilou por inteira. Que situação! No momento de vir sobre mim, ele disse espere um pouquinho. Afastou-se, notei que levava minhas roupas e a maleta onde estava o restante dos meus pertences. Quis perguntar o que fazia, mas o esparadrapo grudado à minha boca impediu-me. Voltou após alguns segundos, subiu sobre mim e começamos a transar. Eu não sabia se me entregava ou se tentava perguntar o que estava acontecendo, dava uns grunhidos, o significado era que ele me deixasse falar. Mas tudo que consegui foi escutar sua voz: relaxa e goza, não se preocupe, levei suas roupas e sua bagagem para o corredor do prédio, vamos ver se alguém acha; caso isso aconteça, você vai ficar pelada, sem ter o que vestir, mas as mulheres bonitas sempre dão um jeito. Passei a saltar sobre a cama, levantando as costas e as nádegas, do modo que podia, queria me soltar das cordas e dos laços que me atavam e ir lá fora recuperar minhas coisas. Ao me ver tão desesperada, disse não se preocupe, você é uma professora de literatura, entende de linguagem figurada, vamos aproveitar a noite. Lembrei-me então de que muitas vezes ele falava algo que significava o contrário. Comecei a achar que se tratava de mais uma de suas brincadeiras. Fui me acalmando, transamos muito gostoso e gozei em meio a todas aquelas metáforas.  Dei pela situação real quando ele me soltou. Corri, abri a porta. Onde minhas roupas e bagagem? Hoje, muitos anos depois, com tudo resolvido, dá até para rir.

Minha conhecida que o namora atualmente vive também isso tudo ou será que ele já amainou o fogo? Desconfio que não, ela tem cara de sapeca. E, nessa cidade, já ouvi falar de mulheres que saem à noite nuas, ao lado do namorado.

Quando cheguei a casa, olhei o meu marido vendo TV. Conheci-o quando ainda estava com o tal das cordas e laços. Senti uma ponta de desgosto. Homem sem imaginação, este marido.

Ah, minha conhecida e seu namorado, onde estão agora, o que fazem? Que inveja.

terça-feira, dezembro 21, 2021

Paredes

Eu estava subindo pelas paredes. Como tenho um amigo para essas horas, telefonei para ele. Antes eu entrava num site, e procurava alguém. Mas, um dia, houve um incidente, por isso, por segurança, passei a preferir o amigo.

Você quer aproveitar?, perguntei pelo telefone, aproveite, assim como eu, mas não vá se apaixonar, viu.

Nada disso, meu amigo é profissional. Veio no mesmo dia. Recebi-o vestidinha, disfarçando o fogo. Às vezes, eu dava um suspiro.

Lembrei-me, então , de uma amiga. Ela diz ter umas lingeries lindas, tudo presente do namorado. Visto para ele tirar. Adorável, um namorado que dá calcinhas de presente. Quando ela quis saber se o meu não era semelhante ao seu, ao menos em relação aos presentes, eu disse num tremelique de lábios: ah, o meu leva minhas calcinhas de lembrança, volto pelada pra casa.

Meu amigo conversou um pouco, contou umas histórias, rimos, bebemos cada um uma taça de vinho. Depois, pediu-me que encostasse a uma das paredes.

Quero ver você subir.

Não!, alertei, pedi que você viesse aqui para evitar que eu as escalasse.

Tirou minha roupa. Senti o frio da alvenaria sobre os seios, eu de costas para ele. A seguir, me suspendeu, e me penetrou a boceta, como os cães fazem com as cadelas. Permaneci alguns segundos suspensa, colada à parede, como uma aranha, equilibrada na ponta do seu pênis.

A posição me excitava. Gritei forte. E nunca gozei tanto. Ele teve de abafar o som.

O síndico vai chamar a polícia, vai pensar que alguém está te matando, sussurrou no meu ouvido.

Me mata, me mata de tesão, quero morrer assim, gritava eu cada vez mais alto.

Depois me levou para cama, onde o enlevo foi mais suave. Mesmo assim, meus orgasmos se multiplicaram. No final, fechei os olhos e dormi.

Quando acordei, ele já tinha partido. Ainda bem, eu ainda nua. Nessa hora é bom estar sozinha. Morro de vergonha depois do gozo.

terça-feira, dezembro 14, 2021

Enroladinha

Outro dia li uma história onde havia uma personagem feminina que, ao ver um homem forte, másculo, bonito, molhava a calcinha. Verdade, ficava a mil e não conseguia evitar o gozo. Aliás, gostava mesmo da sensação, sexo a flor da pele. Lembrei algumas vezes em que senti a mesma coisa. Quando vou à praia vestindo um biquíni mínimo, daqueles que deixam meu bumbum todo de fora, não chego a molhá-lo devido a um eventual orgasmo, mas atinjo as bordas. Quando ando, sinto o tecido apertado, todo entrado atrás, a pressão por baixo da minha vagina, os músculos da minha bunda mexendo-se e atraindo olhares. Da primeira vez que usei um biquíni desses, senti-me nua, mas pouco a pouco me fui acostumando, imagino mesmo comprar um menor. Há mulheres que andam de biquíni no calçadão da orla marítima, fazem o maior sucesso. Nós, que vivemos aqui, não chegamos a tanto, caso precisamos ir ao calçadão vestimos a saidinha de praia. Estive conversando com uma amiga que não via fazia tempo. Ela costuma ir  à orla apenas de biquíni, pede para quem está próxima para tomar conta de suas coisas. Perguntei se não achava esquisito ir passear praticamente nua na calçada. Que nada, é gostoso, respondeu, os homens ficam olhando, sinto que me comem com os olhos, além disso, a gente arranja namorado com facilidade. Perguntei se ficava excitada. É um gozo, chegou a dizer. Outra que molhava o biquíni. 

Certa vez gozei na praia, tenho de confessar. Mas não foi sozinha. Tive um namoradinho que entrava na água comigo. Então, acontecia. Deixei uma ou duas vezes que tirasse o meu biquíni. A gente nadava até um ponto onde havia poucas pessoas e... acontecia! Uma transa e tanto. 

Sempre achei que, para gozar, seria preciso alguém a me tocar, a me acariciar, um grande pênis a me penetrar. Mas, através de histórias, e depois de conversa com amigas, descobri que não é bem assim. Uma me contou que já gozou ao mergulhar numa praia. A água estava tão fria, que a fez chegar ao orgasmo. Há outra que me narrou uma aventura arriscada, mas adorável. 

Saía à noite com o namorado e realizava algumas fantasias. Na verdade, gozava com as fantasias. Uma das vezes veio à praia depois da meia-noite. Entrou na água e tomou banho de mar nua. Um gozo. Outra vez pediu para ele levá-la a passear nua. Mais um orgasmo. Mas o principal aconteceu numa madrugada de outono. Ele parou o carro numa estrada escura, os dois desceram e ficaram namorando do lado de fora. Ela despiu-se. Ficou vestida apenas com o casaco que lhe descia até a cintura e uma bota de cano curto. Namoraram encostados na lataria do carro, a seguir sobre o mato, próximo à estrada. Antes de irem embora, pediu que ele desse uma volta de carro e voltasse depois para buscá-la, que demorasse uns quinze minutos. Mas você está nua!, ele. Por isso mesmo, ela. O namorado aceitou. Quando ele partiu, ela ficou molhadinha. Gozo jamais sentido. Não perguntei se ele voltou! 

Desde então tenho pensado nisso, gozar com minhas fantasias. Uma delas é ir a uma cidade próxima, que dista trinta quilômetros daqui, onde não conheço pessoa; ir vestida como se fosse outra mulher, criar na verdade uma personagem. Conhecer alguém, trepar, não dizer meu nome nem saber o dele. Antes de voltar, deixar-lhe um presente. A calcinha. Enroladinha.

terça-feira, dezembro 07, 2021

Você acha isso normal?

Já que você fica me pedindo pra contar minhas aventuras, escute, então. Veja como os meus mamilos estão durinhos, como estou arrepiada, acho que é a batida de maracujá. A história envolve algo que me aconteceu e que me agradou, o problema é que acho absurdo ter gostado do tal fato. Tive um namorado que me queria nua ao seu lado, sentada no banco do carona, a passear com ele de automóvel. Posso ser presa, eu disse. Não, aqui nesta cidade já não tem polícia de dia, imagine à  noite. Acabei fazendo-lhe a vontade. Além de sair pelada, como estou agora nesta poltrona, também saltei do carro num trecho da rodovia estadual. Pedi pra ele dar uma voltinha e depois retornar pra me buscar. Ele deu a partida, e fiquei ali, nua, nua. De repente, me senti molhadinha entre as pernas! Às vezes vinha um carro ao longe, eu me agachava dentro do mato, ao lado do acostamento. Depois de um quarto de hora ele voltou, entrei no carro e fomos pra sua casa. Trepamos durante o que restava da noite. Você sabe, toda vez que passo pelo local, sinto saudade do ex-namorado, daquela madrugada, sinto falta de tudo que aconteceu. Você acha isso normal?

Vocês, homens, acham tudo muito normal. Outra história, aconteceu alguns anos antes da que acabei de contar. Conheci um homem no cinema. Ele era bonito, fui eu que o abordei. Sabe aquela velha história, conheço você de algum lugar? Ele caiu direitinho. Ficamos conversando, vimos o mesmo filme, lado a lado, e deixei pegar a minha mão. Na saída, me ofereceu carona. Moro no Meyer, vou de ônibus. Ele insistiu, acabei aceitando. Pra encurtar, marcamos de nos encontrar na semana seguinte, acho que um sábado no final da tarde. O encontro foi em frente ao cinema Odeon. Ficamos conversando, fomos a um café, depois me convidou pra ir à casa dele. Morava no centro. Enquanto caminhávamos, pensei se esse homem for louco? Mas o desejo de estar com ele era maior. O apartamento era pequeno, havia uma saleta e um quarto com uma cama de casal. Que bom, tão difícil arrumar namorado nos dias atuais. Passaram alguns minutos e a gente começou a se agarrar. Naquele tempo eu era mais tímida do que hoje, pedi que tivesse paciência comigo. Fiquei então de calcinha e sutiã. Beijei-o com muito ardor. Após uma hora daquele agarramento, insistiu pra me tirar o sutiã. Acabei permitindo. Ele me abraçava, a gente rolava na cama, e eu de calcinha. Não fomos além, tenho certeza, só trepamos uma ou duas semanas depois. É uma história diferente, não? Eu, super tímida, de calcinha, cobrindo os seios com as mãos!

Me dá um cigarro, vai, acende pra mim, te conto mais uma. Ah, que gostoso. Só fumo nessas ocasiões. Certa vez fui a Búzios. Eu e uma amiga. Quando a gente viaja a um lugar onde ninguém nos conhece, é ótimo, não temos preocupação alguma. Ficamos em uma pousada. Um fim de semana prolongado. Fomos a várias praias, bebemos demais, ríamos à toa. Minha amiga se chamava Iracema, veja que engraçado, quase ninguém se chama Iracema hoje, deve estar agora beirando os cinquenta anos. A gente pintou e bordou. Conhecemos de cara dois sujeitos. Eu disse não fala onde estamos hospedadas. Entramos de biquíni no carro deles. Adivinhe o que aconteceu. Isso mesmo o que você está pensando, logo de primeira, não tinha nem duas horas que estávamos na cidade. Pedimos, depois, que nos deixassem numa determinada praia. Eles nos atenderam, mas ainda ficaram com a gente um tempo enorme. Queriam marcar encontro à noite, a cidade tem uma ótima vida noturna, disse um deles. Mas desconversamos, não queríamos ficar presas a eles. Eu disse de repente a gente se encontra ao acaso. Eles concordaram e foram embora. À noite, colocamos vestidos leves e soltos, fomos à tal rua das Pedras. Não passou muito tempo, paramos num bar bem movimentado, dois ingleses vieram conversar. Nem conto o resto, você pode imaginar. Não foi logo de primeira, como à tarde, mas depois das duas da madrugada, onde eles estavam hospedados. Havia outras pessoas, um hostel, fiquei achando que chegaria alguém e me surpreenderia nua. Mas acabou tudo bem. Trepei com dois homens num espaço de doze horas. E Iracema (que alegria!), também nua, em dia com seus orgasmos, dizia: me ajuda a encontrar o vestidinho.

Agora, estou com você, que gosta de ouvir minhas aventuras. Isto é normal? Traz mais uma batida pra mim, por favor.

quinta-feira, dezembro 02, 2021

Aproveitando

Na minha cidade, somos muitas e todas queremos arranjar namorados. Não precisa ser nada sério, mas mesmo assim não é fácil. Já faz tempo que perdi as esperanças. O último que frequentou meus lençóis, ouviu de minha voz um segredinho: não demora você vai me trocar por garotas mais jovens, elas são muitas aqui na cidade. Passaram-se algumas semanas, ele se foi. Poxa, por que não ficou comigo e com a moça de 18 anos, que desfila de biquininho na principal praia da cidade? M não é uma vila, mas, mesmo assim, todas nos conhecemos. De um tempo para cá, começaram a aparecer moças muito jovens, não sei se por causa da universidade, ou se vieram acompanhando pai ou mãe que passaram a trabalhar nas empresas de petróleo. O que é certo: uma delas roubou-me o namorado. Mas é a vida, e ele tem o livre arbítrio.

Passei, então, nos dias de folga, a viajar para outra cidade, passear, aproveitar a vida. Num feriadão, fui a Cabo Frio. Para quem mora na região, o local não é dos melhores. Mas serve para variar, para conhecer novas pessoas. Fiquei num pequeno hotel, a praia quase em frente. Naqueles dias, hospedava-se no mesmo hotel um grupo de rapazes. Acabei amiga de alguns deles.

Você está sozinha?, o mais atirado perguntou. Não se fica sozinha na maturidade, cheguei a dizer, sempre há alguém no nosso pé. Ele riu. Fosse mais perspicaz, perguntaria onde estava meu pé.

Não quis, logo de primeira, dar mole para um deles, não ficaria bem, tenho o dobro da idade. Mas eles me acharam bonita, chegaram a me chamar de gostosona. Tive de rir. Aquele grupinho devia ir pelos vinte e poucos anos.

Em M, tenho uma amiga que adora trepar com garotos jovens. Diz que o peru deles é bem duro, e fica assim por muito tempo. Há apenas um problema: eles precisam entender o que ela deseja. Durante o tal feriadão, a imagem de minha amiga de quase cinquenta anos trepando com um rapaz de vinte três não me saía da cabeça. Apesar de não jovem, ela tem seus artifícios. Certo dia, quando foi despi-la, o moço descobriu que ela estava sem a calcinha. Você nunca reparou?, perguntou com cara de sapeca, já saí tantas vezes com você só com o vestido sobre a pele. Ela consegue, com suas artimanhas, manter o namoradinho. As garotas jovens não sabem nada disso, me diz em segredo.

Numa das noites, fui a um restaurante com música ao vivo. Era a única sozinha em uma das mesas. Os homens estavam acompanhados. Havia também muitas mulheres sós. Bebiam, riam e tentavam se entender entre a algazarra da noite. Pedi uma caipivodca. Lá pelas tantas, avistei meus amigos, os jovens que estavam no mesmo hotel. Dois deles vieram sentar à minha mesa. Os demais tinham outras expectativas. Bebiam cerveja, estavam muito alegres. Vestiam bermudas e camisas coloridas. Quando levantei e fui dançar com um deles, repararam que eu trajava minissaia. Meu par gostou de dançar coladinho. Como havia muitas mulheres, eles todos se arranjaram. O que ficou comigo também se arranjou. Adivinhem com quem? Caso você queira acompanhar seus amigos, não faça cerimônia, cheguei a sussurrar no seu ouvido. Mas ele não foi, permaneceu ao meu lado, acabou me abraçando, me beijando e voltamos juntos para o hotel. Seus amigos perderam-se pela cidade nos braços de moças fresquinhas, recém-saídas da adolescência.

Meu namoradinho me acompanhou depois que deixamos o tal restaurante com música ao vivo. Caminhamos até a beira da praia. Além de nós dois, ninguém no local. Abracei-o. Continuou agarrado a mim. Você não gosta de mergulhar, que tal entrarmos n’água? Riu e disse: você é muito doida.

No hotel, passou a última noite no meu quarto.

Não conte pros teus amigos, viu, vão ficar com inveja, duvido que aproveitaram tanto.

terça-feira, novembro 23, 2021

Ao modo deles

Vocês sabem, a Margarida deixa a gente escrever aqui, é super legal, por isso vou contar uma história divertida e diferente das que vocês costumam ler.

Para uma mulher, as coisas já não são fáceis, imaginem em relação a mim, que pareço mulher mas não sou. Quem me observa a princípio engana-se, mas pouco a pouco acaba descobrindo a verdade. Para quem gosta de travestis, sou um prato cheio. Minha voz é de mulher, e sou  discreta, o que tranquiliza muito os homens.

Aliás, quase tudo em mim é de mulher, menos o pênis. Amigos e amigas perguntam por que não me submeto à cirurgia. Não quero. Gosto de ser do jeito que vim ao mundo. Não por uma questão de natureza, mas porque sinto prazer assim.

Quando arranjo namorado, ele pensa que sou como todas as outras, que gosto de trepar por trás. Mas não é o meu desejo. Me visto de mulher, tenho todo o jeito de mulher, gosto de namorar homens muito masculinos, mas no momento do sexo sou diferente. Mesmo trepando com homens, beijando-os, acariciando-os, peço para segurarem meu pênis. Sinto prazer imenso quando atendem. Há um modo de tocá-lo e de acariciá-lo que me dá muito prazer, preciso mesmo me segurar para não gozar no primeiro momento. Geralmente, os namorados dizem: "os travecos gostam de trepar com o cu, você quer ser diferente, por que não namora mulher?" Tenho então de explicar mais uma vez. Gosto de homens, não de mulheres, o local por onde gozo é outra história. Por isso, na maioria das vezes, estou sozinha.

Arranjar um homem que respeite meu jeito de ser é complicado. Caso queira, posso fazer sexo anal com ele, mas sou eu que vou enfiar o pinto no seu cu. A maior parte não quer assim. Há um nome para pessoas de preferência sexual como eu, mas não gosto das classificações, elas são elaboradas pela medicina.

"Existem muitas maneiras de namorar, e proporcionam imenso prazer", tento explicar para o recente namorado.

Vamos ver se este vai querer ficar comigo depois da tal conversa.

“Mas você nunca trepou por trás?”, quer ele saber, pensa que sou virgem, talvez, quem sabe, será o primeiro a experimentar, que prazer...

“Já, claro, já trepei por trás e ainda trepo, mas não tenho gosto, o que me dá prazer mesmo é quando o namorado acaricia o meu pinto, tanto melhor por baixo.”

Um candidato ao namoro disse-me que os travestis não gostam que encostem no peru deles, porque a ereção, quando acontece, produz hormônios masculinos e isso lhes causa problemas. Quanto a mim, tal ação não me afeta. Quando estou nos braços dos homens, tenho ereção, o que não acontece quando me vejo entre as mulheres, mesmo que estejam nuas à minha frente.

Às vezes, para arranjar namorado que aceitem meu jeito de ser, crio algumas fantasias. Os homens adoram fantasias. Sabem a história do travesti de minissaia ou vestido curto mas sem calcinha? Viajo na maionese contando casos no ouvido deles.  Com a voz um tantinho trêmula, descrevo minhas aventuras pela cidade. Querem saber como faço para meu pinto não escapar pela barra da minissaia. “Ah, é segredo, um produto ajuda a segurar, mas às vezes vai soltinho...” Ficam loucos, loucos de tesão.

Tive um namorado que me pediu para sair apena de camisa, dessas que descem até as coxas. Claro que aceitei. Vesti a tal roupa e coloquei um cinto estreito; a bolsa vermelha a tiracolo e o sapato combinando, um show. “Viu, não é só do jeito que você quer trepar que conta”, falei baixinho.

Quando fui com ele à praia, perguntou:

"Como você faz para usar um biquíni tão pequeno?"

"Ah, não posso contar, segredinho."

Dentro d'água, tentou desfazer os meus lacinhos!

Assim, vou levando os relacionamentos. Mas é preciso cuidado. Não é bom sair com qualquer um, tanto mais de primeira, precisa-se conversar bastante. Muitos homens ainda vivem à moda antiga, querem tudo ao modo deles!

segunda-feira, novembro 15, 2021

Não dá pra ser tudo como a gente quer

Tenho um namorado que adora me levar à praia e me deixar nua. Sério. No começo, achei aquilo estranho. Quem sabe, estou me relacionando com um tarado. Com o passar do tempo, no entanto, passei a gostar da brincadeira. E, a partir de então, não há vez em que não peço a ele pra tirar a parte inferior do meu biquíni. A gente entra n’água e procura um local pouco frequentado. Ele me tira a pequena peça e guarda dentro da bermuda. Não vai perder, alerto. Às vezes, sai d’água e guarda meu biquíni lá onde estão nossas coisas. Nesses momentos, o frisson é intenso. Esses fatos me fazem lembrar também de outra relação, que terminei não faz muito tempo, acho que há um ano e pouco. Era outro tipo de homem, jamais me sugeriu tais brincadeiras quando íamos à praia. Acho que nunca pensou nisso. Era diferente o homem. O bom era quando chegávamos a casa. Esperava que eu tomasse banho. Quando eu saía, pedia que o esperasse na cama, sem me vestir. Tomava também uma ducha e vinha deitar ao meu lado. Adorava minha pele ainda quente e bronzeada. Me fazia mil carinhos. Quando sentia que eu ia a mil por hora, metia seu enorme pênis dentro de mim. Não era como normalmente são os homens, preocupados com o próprio prazer, sempre prestes a derramar aquela quantidade imensa de porra dentro da gente. Esperava, vinha vagaroso. No sexo, há algo de selvagem, grande parte das pessoas deixa transparecer seu lado animal. Aquele homem, não, dominava todos os seus gestos, gostava de prolongar o gozo. Até então, sempre que eu deitava com alguém, pedia que ficasse o máximo de tempo dentro de mim. Certa vez cheguei a falar fica a noite inteira, por favor. Mas àquele namorado, não era preciso palavra alguma, nenhum alerta, ele me compreendia, acho que conhecia a natureza das mulheres. Talvez por isso não namoramos durante muito tempo. Era assediado por todo o tipo de mulher, eu mesma descobri. Ficava comigo a maior parte do tempo, mas elas não o largavam. Ele, como homem, não negava. Caso eu o quisesse num relacionamento sério e estável, teria de compartilhá-lo com outras mulheres, ao contrário ficaria chupando o dedo. E foi o que aconteceu. Quando tenho alguém, quero só pra mim.

O namorado que gosta de me deixar nua dentro d’água, na praia, não é como ele. Quando me penetra, a transa não vai muito longe, goza logo, não espera, nem tem tal preocupação. Demora a me devolver o biquíni, isso sim, diz que tenho de sair nua de dentro d’água. Um dia desses chegou a subir até o quiosque para comprar uma cerveja, me deixou de molho, só de top. Mas, no final, tudo acabou bem. O único problema é que, como falei, goza muito rápido. Conversamos sobre isso, tento lhe mostrar que é possível prolongar seu prazer. Mas acho que seu prazer mesmo é me deixar nua na praia! Na vida, não dá pra ser tudo como a gente quer.

terça-feira, novembro 09, 2021

Pingar mel em uma fatia de pão

Entrei no apartamento dele, segui o curto corredor, logo estávamos na sala. Um sofá de dois lugares, a mesa, três cadeiras, um pequeno aparelho de som e, na parede, um quadro a grafite, um homem numa cidade, talvez Amsterdã, o casario, um canal e pessoas passando ao fundo. Que tipo de música você gosta?, perguntou. Alguma de ritmo lendo, instrumentos perfazendo notas longas, ou coisa parecida, falei. Sentei-me no pequeno estofado, a música não demorou a inundar o ambiente. Ele desapareceu para voltar após menos de um minuto com a garrafa de vinho. Duas taças, o tira-rolhas, dois pequenos pratos. Arrumou tudo sobre a mesa. Havia um livro sobre ela, numa das pontas. Afastou-o para um suporte lateral, desdobrou a toalha que – só então reparei – ficara enrolada num dos cantos, como um logo canudo. Não quer conhecer o restante do apartamento?, perguntou enquanto abria a garrafa. Temos tempo, pronunciei em voz baixa as duas palavras. Experimente, ele pediu. Provei o vinho, aprovei com breve sorriso. Completou um pouquinho mais a taça, brindamos e bebemos os primeiros goles.

    O apartamento do namorado trouxe-me à memória um homem com quem me relacionei fazia alguns anos. Tudo era muito parecido. Será que não era o mesmo, que voltava e eu, desligada que sou, não reparava? Nada disso, a cidade era outra, o bairro à beira-mar. E naquele tempo aconteceu algo engraçado. Sim, uma coisa divertida. Eu, que não sou de muitos sorrisos, principalmente no começo de um namoro, perguntara ao homem se poderia tirar a blusa. Na época, mesmo com o mar próximo, fazia um terrível calor, anoitecia, a hora em que parecem refluir todos os raios do sol irradiados durante o dia. Claro, dissera. Tirei a blusa e o top, sentei-me na poltrona, apenas de bermuda. Agora, não fazia calor, e eu, de um tempo para cá, passei a ter crises de vexo. Sério, depois dos trinta e cinco, uma mulher que sente vergonha é coisa rara. Mas o que há de se fazer?

    

    A música expandia-se com novos instrumentos, não se ouvia voz, apenas o som de cordas e metais, talvez um jazz um tanto mais animado. Ele sentou-se ao meu lado. Você sabe recitar poemas, sugeriu, bem perto dos meus ouvidos. Têm livros de poesia?, perguntei olhando em volta, encontrei uma pequena pilha deles sobre a mesinha lateral, onde também havia uma luminária. Tomou nas mãos alguns deles, Rimbaud, Carlos Drummond, Bandeira, Florbela Espanca, Alberto Caeiro, Álvaro de Campos. Ulisses, de Joyce. Nossa, acho que vou ler este, peguei o grosso volume, é prosa mas cheio de poesia. Riu. Você tem um charme e tanto ao falar assim, acrescentou. Não, não é charme, ou o charme não é meu, mas da literatura. Folheei o começo do Joyce. O homem foi acho que à cozinha, voltou com dois tipos de queijo, uma garrafa de água mineral, abaixou o volume da música. Você sabe que eu morria de vergonha de ler em voz alta, na época da escola?, encarei-o depois da minha confidência. As meninas eram as mais atiradas no meu tempo de escola, disse ele. Ah, sim, atiradas, mas em outro sentido, intervi. Riu mais uma vez, gostou da insinuação, mas não tinha maldade no pensamento. Morria de vergonha, verdade, continuei, depois me tornei atirada, como você diz; mas, agora, depois dos trinta, sinto vergonha de novo, não para ler umas páginas do Ulisses, é claro.

    “Majestoso, o gorducho Buck Mulligan apareceu no topo da escada, trazendo na mão uma tigela com espuma sobre a qual repousavam, cruzados, um espelho e uma navalha de barba [arregalei os olhos instintivamente e olhei para o namorado]. Um penhoar amarelo, desamarrado, flutuando suavemente atrás dele no ar fresco da manhã. Ele ergueu a tigela e entoou:

– Introibo ad altare Dei.

Parado, ele perscrutou a escada sombria de caracol e gritou asperamente:

– Suba, Kinch! Suba, seu temível jesuíta!”

    Pronunciei a última frase com entonação teatral. O namorado arregalou os olhos, como se dissesse continue, continue. Mergulhei nas páginas seguintes. Durante vários minutos, enveredei pela trilha do autor dublinense.

    “Toda Irlanda é lavada pela corrente do golfo – disse Stephen enquanto deixava pingar mel em uma fatia de pão.”

    Após essas últimas palavras da leitura, olhei a mesa, como se procurasse o pão com algum mel para derramar sobre. Genial, genial mesmo, revelou-se entusiasmado, me vi no teatro, a maior viagem, acrescentou, seu vocabulário não correspondia notadamente ao de Joyce. Está ótimo, continuou, adorei, e olha que as atrizes não se sentem envergonhadas. Levantou-se e foi cortar umas fatias de pão. Você quer mesmo o mel?, quis saber. Quem sabe, irônica, deixei o livro de lado.

    Depois de duas rodelas da baguete, do queijo com mel, e de eu ter bebido uma taça de vinho quase inteira, ele veio sentar-se ao meu lado. Você disse que se tornou envergonhada, não é mesmo? Talvez, respondi, sucinta. As mulheres são assim mesmo, sentenciou. Eu não teria tanta certeza, conheço uma que chega à casa do namorado e, a primeira coisa que faz, é ficar pelada. Ela não lê versos de poemas?, ele, sarcástico. Talvez leia, ou melhor, pode ser que peça para o homem ler, mas a literatura do corpo dela. Literatura do corpo, repetiu, não deve ser tão bela como a de Joyce. Não sei, eu não teria tanta certeza, finalizei. Naquele momento, senti sua mão apertar-me os seios nus, seus lábios procurarem os meus.

segunda-feira, novembro 01, 2021

Aqui já é outra a história

As roupas que eu usava eram mais sensatas que as da maior parte das mulheres. Elas trajavam saias curtas ou vestidos justas, não traziam meias sobre a pele. Eu vestia calça comprida e, caso viesse de saia ou vestido, o comprimento ia até os joelhos. As mulheres, principalmente as mais jovens, não tinham dificuldades para arranjar namorados. Nós, entretanto, que já passávamos dos trinta anos, devíamos ter atrativos a mais; caso isso não acontecesse, eles preferiam as mais jovens. Eu não me preocupava com essas coisas, vivia ao meu modo. Quando aparecia um homem que me olhava, eu não sorria, fazia apenas uma expressão lívida; evitava a frieza, mas a lividez leva os homens a certa curiosidade, mantém-nos interessados.

Ao completar uma semana naquele hotel de montanha, reparei dois homens a me observarem no do café da manhã. O salão amplo espalhava as pessoas pelos mais diversos lugares. Eu procurava sentar sempre à mesma mesa. Caso estivesse ocupada, ficava numa próxima. Os pretendentes cumprimentavam-me, sorriam e quando voltavam do buffet olhavam-me de novo. É preciso dizer que não estavam juntos, não se conheciam nem sabiam que desejavam a mesma mulher.

Às vezes eu ficava na varanda lendo uma revista. Isso mesmo, o hotel tinha uma lindíssima varanda, que dava para uma espécie de bosque. Eu virava as páginas e olhava as árvores, a mata, o verde deslumbrante. Procurava inflar os pulmões e sentir o aroma do entardecer. Um dos admiradores já conhecia este meu hábito de ler na varanda. Aparecia e me desejava boa tarde, chegava a parar, mas nada falava. Isso durou três dias. Quando pensei que viria falar comigo, deparei com um homem mais jovem, acho que cinco ou mesmo dez anos mais novo do que eu.

Você não quer ir comigo a uma festa hoje à noite?, convidou-me.

Vou, respondi sem titubear.

Olhou a paisagem tal qual um filósofo. Pareceu-me que encontrava naquilo tudo uma grande verdade. Não falou nada a mais. Depois descobri que não era filósofo, mas um artista, e estava de férias.

Fui com ele à festa. Dançamos. Não permitiu que ninguém se aproximasse de mim. Não me queria longe de seus braços. Depois de várias músicas, saímos um pouco ao ar fresco. Entramos num jardim, que estava às escuras. Reparamos, aqui ou ali, outros casais. Andamos poucos metros e paramos sob uma grande árvore. Ele me abraçou.

Perdoe-me, falou, você é tão encantadora.

Gostei do modo como me tratava. Sorri. Sinal de que estava tudo bem, podia ir em frente. Os abraços continuaram.

Há algo que torna você mais encantadora do que as outras mulheres, nesta estação de férias, ele disse.

Sim?, meus poucos fonemas aguardavam uma explicação a mais.

Você sempre está muito bem vestida, observou.

Continuamos abraçados. Eu, realmente, muito bem vestida.

As outras andam nuas, falei.

E nem por isso atraem, concluiu ele.

Voltamos ao salão. Dançamos mais algumas músicas e bebemos refrigerantes e refrescos. Às onze, voltamos ao hotel.

Você está acompanhada?, ele quis saber.

Não, só se for por você.

Sorriu.

Você também está acompanhado, mas é por mim, não?

É claro, mas não vi outra mulher sozinha em todo o hotel, há quem esteja acompanhada ao menos por uma amiga. Agora quanto aos homens, é normal...

Tentou acrescentar  algo, mas sentiu-se embaraçado e não terminou o pensamento.

Isso não importa, livrei-o da situação desconfortável. Ainda segurava um dos seus braços. E até agora não ficou provado que sou uma mulher, completei.

Ambos caímos numa intensa gargalhada. Depois fomos aos nossos apartamentos. De madrugada, então...

Bom, aqui já é outra a história.

terça-feira, outubro 26, 2021

Ainda bem que tinha o shopping

Toda mulher tem a fantasia de viajar para um lugar onde ninguém a conhece e fazer, ali, tudo o que tem vontade. Não sou diferente, fico toda arrepiada quando penso nisso. Um dia desses, uma amiga me pediu para acompanhá-la a Cabo Frio. Por quê?, quis eu saber. Ah, você vai ver quando chegar lá.

Saímos de M às sete da manhã, pegamos um ônibus que parou em todos os pontos, um entra e sai exaustivo. Durante a viagem, ora olhei a paisagem ora cochilei um pouco. Quando acordava, tentava reparar os outros passageiros. Chegamos ao nosso destino duas horas depois.

Não tenho muita habilidade para andar pelo centro daquela cidade, mas, guiada por minha amiga, olhamos o comércio e acabamos entrando num pequeno shopping. Não demorou a aparecer um homem, um amigo, segundo ela, no entanto achei que tinham em comum algo mais do que a amizade. Depois, contou-me, quase em segredo, gostava de sair de M porque podia aproveitar melhor a vida, longe das fofocas locais.

O que fizemos no dia, não foi tão importante. Almoçamos num restaurante da Praia do Forte, passeamos pela orla,  bebemos uma ou duas caipirinhas. E eu que não gosto de bebidas alcóolicas em dias de semana. Quando deu quatro da tarde, ela me levou para um canto e me perguntou você pode me esperar um pouco, é só por uma hora ou uma hora e meia. Respondi sim, mas fiz um gesto que revelava minha insegurança. Onde esperá-la durante aquele tempo todo?

– Fique no shopping – sugeriu ante a minha inquietação – , lá tem movimento, visite as lojas, ou permaneça num bistrô, depois vou encontrar com você.

Aceitei. Fui para o tal shopping.

O engraçado aconteceu quando sentei na praça de alimentação. Não comprei nada, porque, depois de um almoço cheio de regalo, nada passava. A princípio, não havia lugar para sentar. Reparei um homem de uns quarenta anos, sozinho, comendo um prato de comida, desses bem cheio. Fui até onde estava e perguntei se podia sentar na mesma mesa. Ele aquiesceu. Acabamos conversando. Quis logo saber de onde eu era. Não falei a verdade, enrolei um pouco, disse que viera à cidade pela primeira vez e aguardava uma amiga. Era sedutor o tal, disse seu nome e tinha uma conversa envolvente. No final, deixou-me o número do telefone, caso voltasse à cidade, procurasse por ele, tinha muito tempo disponível. Sua amiga já está para chegar?, perguntou. Sim, já deveria ter chegado. Imaginei-a nos braços do namorado, esquecida da nossa volta a M. Caso aquele homem a minha frente permanecesse ali indefinidamente e minha amiga não aparecesse, o que eu faria? A conversa enveredou pelos passeios de fim de semana, pelas possiblidades que a cidade oferecia. Eu de vestido esvoaçante, flutuando ao lado dele. Olhei o relógio algumas vezes, tentei não demonstrar impaciência, o desconfortável da situação. Ele me revelou que trabalhava para o prefeito local e que tinha muitas regalias. Talvez as regalias fossem levar-me a um hotel para passarmos a noite, caso minha amiga não voltasse.

Mas ela voltou, com meia hora de atraso, e veio sozinha.

– Estou te procurando há um tempão, pensei que tivesse voltado para M sozinha – ela disse.

Apresentei-lhe meu recente amigo. Ela deu um sorrisinho malicioso, fazendo-me sua cúmplice e revelando a ele, com o gesto, coisas que deviam ficar entre nós duas. O homem deixou o número do telefone. Mas não lhe telefonei e, por sua vez, não lhe dei o meu.

Pegamos a condução de volta às sete da noite. Depois deste dia, comecei a pensar que poderia fazer o mesmo que minha amiga, mas agiria de modo diverso, não chamaria ninguém para vir comigo.

– Você poderia ter vindo sozinha, ficaria mais à vontade – arrisquei.

– Nada disso, não tenho nada a esconder. Chamei você porque achei que ia gostar, seria uma oportunidade de passeio.

– Ah, isso é verdade, um belo passeio. Arranjei até um namorado.

– Jura? Quem?

– Não te apresentei?

– Me conta, então, como vocês fizeram.

– Hum, como vou contar? Ouça, ainda bem que tinha o shopping, sabe...

– Por quê?

– Depois de tanto furor, tive de comprar uma calcinha nova!

terça-feira, outubro 19, 2021

Uma caixa de chocolates e a história das três empadas

Um dia desses fui tomar café da manhã com um amigo, em Copacabana. Digo amigo, mas na verdade já tive um caso com ele. Quando nos encontramos, ele me beijou e disse você está tão bonita. Passeamos pelo calçadão, a praia toda, fomos até o Leme, onde seguimos por um caminho junto à pedra. Ficamos admirando o mar. Depois voltamos. Caminhamos pela areia da praia durante um bom tempo. Lá pelo posto 5, ele disse é uma boa hora para um café da manhã. Entramos uma transversal e paramos num Bistrô.

Peça o que quiser, aqui há um café com muitos acompanhamentos, incentivou. Decidi por um em que vieram queijo, frios, manteiga, requeijão, mel, croissant, suco de laranja e café expresso grande. Meu amigo reparou o prazer que sinto quando saboreio todas essas coisas. Você tem os lábios lindos, falou enquanto eu, delicadamente, mordia um pedaço de queijo. Fez uma foto, eu com a xícara numa das mãos. Tive a intuição de que ele queria a minha boca e os meus lábios para outra coisa, verdade.

Certa vez, estivemos num hotel, onde passamos a tarde. Eu pelada no colo dele. Deve ter imaginado a cena ao me ver comendo. Você chupa meu peru? A pergunta, no hotel, não na cafeteria, no tempo em que tivemos o tal caso.

Depois de beber e comer, ainda no bistrô, pedi mais um croissant. Estou um pouquinho acima do peso, mas ele me admira do jeito que sou.

Quero você nua, com esses lábios sensuais comendo chocolate na cama, ele disse enquanto eu tomava o último gole do café. Chocolate?, repeti. Isso, a caixa inteira, confirmou. Será que compreendi?, ele me ouvia, você me quer nua comendo uma caixa inteira de chocolates, recostada na cama? Isso mesmo. Mas você não acha que já estou gorda o suficiente, ainda uma caixa inteira de chocolates? Não faz mal, ele assegurou, gosto de você gordinha, e depois posso ajudar a pagar a academia. Mal sabe ele que para emagrecer é necessário apenas fechar a boca, e não uma ginástica cara. Acabei de tomar o último gole, juntei os talheres e esperei por ele. Tinha certeza de que não iríamos a outro lugar. Eu tinha um problema para resolver e com ele acho que acontecia o mesmo.

Na rua, ainda caminhamos um pouco, até a Av. Atlântica. Ele falou umas coisas engraçadas. Eu ri. Depois nos despedimos e cada um partiu para o seu lado. No caminho, lembrei de um homem com quem saíra algumas vezes. Ele tinha essa mania, de gostar de me ver comendo. Certa vez trouxe cinco empadas grandes e quis que eu as comesse todas. Todas?, vou passar mal, respondi. Come devagar, temos toda a tarde. Comecei a comer e a beber uma  água mineral que tinha na geladeira. Depois de uma hora de conversa, eu tinha comido apenas uma das empadas. Você não comeu nada, falou. Não aguento, vou guardar para mais tarde. E foi feito. O homem não me pediu mais. Comi as três empadas restantes depois, uma à noite, e as outras no dia seguinte. Ele, sim, me comeu ali mesmo, na sala, depois de eu guardá-las na cozinha. No final, quis que eu desfilasse nua pra ele, era o que tinha de pagar pelas empadas em estoque! Vá entender os homens.

segunda-feira, outubro 11, 2021

O selim da bicicleta

Senti saudades do meu amigo, enviei uma mensagem. Ele logo respondeu. Pedi desculpas, porque na última vez em que nos falamos eu o ofendi. Não estava bem naquele dia, por isso a tal ofensa. Mas ele pareceu não ter ficado aborrecido. Os homens gostam das mulheres, acabam perdoando tudo de errado que fazemos. Até mesmo uma escapadinha, caso descubram. Ele não é diferente. Me remexo na cama, estou nua sob o lençol, as coxas grossas roçando uma à outra. Penso nos dias de namoro que tivemos. É preciso dizer que já não somos namorados, depois de terminarmos continuamos amigos. Coisa difícil entre os casais. Contei a ele sobre meu novo homem. Escutou com paciência e curiosidade. Como você o conheceu?, quis saber. Ah, uma história rocambolesca, arrisquei; sabe esses sites de relacionamentos amorosos?, então, descobri um ainda mais saliente (aliás, adoro a palavra), um local onde se pergunta se a gente quer trepar com alguém das proximidades. Ele escutava, passivo, mas deixou escapar um ligeiro som de riso. Fui resumindo. Marquei com um homem que apareceu de primeira. Quem sabe é alguém daqui de perto, vou passar a maior vergonha. Porém, o homem não era conhecido. Disse que morava no Miramar. Como é um bairro familiar, fui à casa dele. Me esperava contente, com uma jarra de refresco e uns biscoitinhos. Acho que me apaixonei por ele por causa do lanchinho. Como estava constrangida (como dizer que não tinha experiência no tal tipo de encontro, ele iria acreditar?), tentou facilitar as coisas. O encontro foi à tarde, achei melhor, seria mais seguro. Não sei por que a luz do dia me passa a impressão de que não me acontecerá nada de mal, mesmo nos braços e na casa de um desconhecido. Ah, estou morrendo de vergonha, cheguei a dizer. Não faz mal, respondeu o homem. Ficamos conversando, apenas, nada de sexo no primeiro dia. Na semana seguinte, ele apareceu lá em casa, uma quinta feira, depois das nove da noite. Então, foi uma festa. Acabamos namorados. Você não vai me trair neste site, vai?, ele não cansa de me perguntar. Não, foi minha primeira e última vez, sempre insisto. Será que acreditou mesmo? Há homens que nos acham traiçoeiras, como as personagens ardilosas dos romances de literatura. Meu amigo gostou da história, no final perguntou: ele não tem compromisso com outra mulher? Não perguntei, eu disse; mas do modo que aparece aqui em casa, sem preocupação alguma, dormimos juntos dias de semana ou de sábado pra domingo, acho que não tem outra, não. Meu amigo é malicioso, quando me namorou ficava tentando descobrir se eu dava alguma escapada. Certa vez fui a Cabro Frio com uma amiga, ela tinha um encontro lá e não queria ir sozinha. Ele soube e ficou desconfiado, principalmente depois que dei uma sumida de dois dias. Mas agora ele escutava, e parecia se divertir. Você é muito foguenta, não fica sem namorado, disse, é muito diferente de tua irmã. Ele tem razão, estou sempre com alguém. Não cometeu a indelicadeza de dizer que adoro andar nua, e que já tentei de tudo nas areias de Cavaleiros, tantos os paqueras. Depois de um tempo, resolvi ir à praia em outra cidade, aqui fico mal falada. Senti uma coceira outro dia, ao olhar de novo o site de relacionamentos, pensei que tal uma escapadela, mesmo que seja apenas pra conversar? Não, disse a mim mesma, intranquila, se caio nas mãos de meu namorado, ele andando também por lá para se divertir! Talvez eu ache o maior barato, mas ele vai dizer que sou uma boa duma piranha... Esse último pensamento não contei a meu amigo. Mas do jeito que sabe sobre mim, é capaz de imaginar a cena. Na época do namoro, conversávamos tarde da noite pelo telefone. Como eu vivia de bicicleta pela cidade, ele me pedia monte e venha pra cá agora; se não estiver vestida, aproveite a oportunidade e venha nua. Uma quentura entre as pernas, o selim da bicicleta.

terça-feira, outubro 05, 2021

Muito especial

Meu amigo me deixou numa situação! Veio me visitar, com a minha permissão, é claro, e acabou me deixando a mil por hora. Como posso falar de outro modo? Ele é bonito, vive me galanteando, me convida para tomar café à tarde, sabe que adoro cafeterias e bistrôs. Acabou vindo aqui em casa, eu sozinha. Como eu poderia ter reagido? Levantado, tê-lo abraçado e lhe ter dito a verdade? Olhe, estou morrendo de tesão, venha trepar comigo. Nada disso, fiquei quietinha, apesar de toda toda molhada. Pensei mesmo ir ao banheiro trocar a calcinha. Ele continuou com a conversa: arte, literatura, lugares bonitos para passear. Como diz minha prima Ana, eu devia ser mais atirada.

Quando era bem jovem, tive uma amiga cheia de fogo. Ela me contava que era normal sentir vontade de experimentar o sexo dos rapazes. Quando havia a tal oportunidade, não perdia tempo, saía com eles e deixava-os entrarem em ação. Não se incomodava se depois dissessem que ela era piranha. Quando aparecer alguém que goste de mim, não vai se importar com quantas pessoas trepei, afirmava. Ela fazia a festa, levantava a saia e gozava que só. Não sei se eram verdadeiras todas as suas histórias. Disse que, certa vez, trepou no banheiro do Mc Donald.

Eu e meu amigo ali na sala, a conversa fluindo, eu me remoendo. Sônia, tenha compostura, disse a mim mesma, o cara não está te convidando para a cama. Mas ele é tão bonito, e me dá uma atenção que eu já não tenho faz tempo. Vou preparar um café, falei. Vou com você, ajudo. E fomos para a cozinha. Uma cozinha pequena, a gente quase a se roçar. Daqui vamos para o quarto, cheguei a pensar, ou mesmo ele me encosta na parede da cozinha e... Mas o que fez mesmo foi elogiar o café, como está gostoso, nunca tomei um igual. Voltamos para a sala, conversa para lá, conversa para cá, fui sentar ao lado dele, no sofá, quase tocando o seu joelho. Ele também estava com vontade de me possuir, percebi, mas não quis arriscar. Sua filha está em casa?, perguntou. Não, foi passear com uma amiga, só volta ao anoitecer. Sorri. Como se faz para dar a entender a um homem que a gente está a fim? Não posso pedir licença, ir ao banheiro ou ao quarto, tirar a roupa e voltar nua. Sei de mulheres que agem assim. Mas, quanto a mim...

Meu amigo falou bastante, eu também. No final, sugeriu, vamos sair uma noite dessas, ir a um restaurante, variar um pouco, depois do restaurante a gente faz outra coisa. Fiquei doidinha para perguntar que outra coisa seria aquela. Mas, como de costume, permaneci apenas na vontade.

Antes de ir embora – já eram mais de seis da tarde – me beijou e disse: você é uma pessoa muito especial.

terça-feira, setembro 28, 2021

Muitas outras prometem

Nilda, arranjei um namorado, ontem, às seis da manhã, na praia, acredita?

Não é novidade, Jussara, você namora todo mundo.

Não, Nilda, você não está entendendo. Arranjei um namorado dentro d’água, não é engraçado?, dentro d’água!

Deve ser alguém que já estava admirando você há algum tempo, deve ter te seguido, a cidade não é grande, alguém recém-chegado para trabalhar nas plataformas.

Você acha? Não tinha ninguém na praia, era cedo, de repente, quando reparo, o homem estava ao meu lado.

Vai dizer que você não gostou?

Não é que não tenha gostado, o problema foi que tomei um grande susto.

Isso não é problema, aparecer um homem ao nosso lado, tanto mais se for bonito, másculo, com um bom sorriso.

Quando vou à praia, cedo, antes do trabalho, não penso em arranjar namorado, e me apareceu um.

Se apareceu, foi porque você aceitou, podia ter dado as costas e ido embora.

Dado as costas e ido embora? Impossível.

Impossível? Como assim, o homem era algum príncipe?

Não, sou eu a princesa.

Você?

Não sou bonita como uma princesa, mas atabalhoada como uma em dificuldades.

Como assim, Jussara?

Você já foi à praia, bem cedo, ainda madrugada?

Hum, acho que sim, uma vez, quando viajei a Arraial, acho que nem tinha dormido e resolvi emendar com a praia.

Então, você já deve imaginar, saiu de uma boate, ou de um bar e foi à praia.

Isso, Jussara. Outro coisa, tomei banho nua, não estava de biquíni, como iria imaginar que depois de uma boate, ou de uma noitada, iria acabar tomando banho de mar?

Então, Nilda, não conte a ninguém, comigo foi a mesma coisa, só que eu não vinha de noitada nenhuma, mas de casa, e resolvi entrar n'água sem a parte inferior do biquíni!

Verdade, Jussara?

Sim, sinto enorme prazer em entrar n'água nua, acho que já te contei. Como ia dar as costas e ir embora?

Como fizeste?

Ah, imagina, como sou atabalhoada. O homem não desgrudava, eu imaginando o que faria pra ele me deixar em paz, pra eu poder sair d'água sem que percebesse a situação.

E depois, o que aconteceu?

Consegui pedir a ele que deixasse seu número dentro da minha bolsa, que estava lá na areia, apontei a ele. Prometi que telefonaria. Também disse o meu número, pedi que memorizasse. Ele saiu d'água e foi lá onde estava a bolsa. Ainda pegou meu telefone e ligou do seu para o número ficar registrado. Já pensou se fosse um ladrão? Se roubasse minhas coisas e eu pelada dentro d'água? O homem ainda voltou. Eu disse vá embora, já fiz o que você me pediu, logo mais a gente se encontra, agora não posso ser vista com ninguém. Obedeceu. Enviou mensagens o dia inteiro.

E aonde vocês foram, logo mais?

Adivinha.

Ah, Jussara, acho que você quis ir jantar primeiro.

Isso mesmo. Se me levasse primeiro pra um hotel, eu desistiria. Mas teve delicadeza.

Você teve sorte, que bom, Deus que a guarde, porque por aqui só tem esses bugres da serra, arranjar namorado de fora é ótimo.

Foi ótima a noite, e muitas outras prometem, Nilda. Mas te peço, não fale nada do que te contei pra ninguém, sabe como são as pessoas aqui.

Pode deixar, Jussara, você sabe que também te conto das minhas.

terça-feira, setembro 21, 2021

Tá bom, vou acreditando

Quando entrei para a empresa, não sabia que seria tão bom. Quero dizer, bom mas um pouquinho angustiante. Sério, quando conto as pessoas não acreditam. O meu patrão começou com sorrisinhos, depois com histórias inverossímeis, no final vieram os presentes, muitos presentes. Pedia que eu não contasse a ninguém. Achei aquilo muito estranho. Ele trazia pulseiras, roupas, utilidades para o lar e mesmo dinheiro, que vinha arrumadinho dentro de um envelope, as notas maiores na frente. Um dia quis falar com ele, basta o meu salário, sou uma mulher competente, cumpro as tarefas, nada deixo a desejar. Mas não consegui, toda vez que pensava ir a sua sala, acontecia um problema, e eu ia deixando o tempo passar.

Contei o caso a uma amiga. Ela achou o máximo. Como você pode achar uma coisa dessas o máximo?, perguntei angustiada. Caso eu estivesse no teu lugar, adoraria, completou. Mas gosto tanto do meu marido, aceitando todos esses presente sinto como se o estivesse traindo. Traindo nada, afirmou, os homens é que traem, não conheço um homem que não tenha traído a mulher. Voltei para casa pensando na tal conversa.

A culpa disso é a subserviência. Caso fôssemos bem remuneradas, cultas, de alto nível de emprego, uma diretora de empresa ou uma executiva como exemplo, ou mesmo uma médica, isso não aconteceria. A diretora de uma empresa ganha tantos presentes de quem está imediatamente  acima dela? Acho que não, ela não precisa. Quando um homem gosta de uma mulher dessas, as coisas acontecem de outra maneira. Um dia desses dia li numa revista que uma mulher importante recebe o namorado numa cobertura que fica num prédio dos Jardins, em São Paulo. Até aqui, nada de mais, mas leiam o que vem a seguir: ela morre de tesão quando o homem faz que ela deite nua no parapeito da janela, correndo o risco de despencar lá de cima; certa vez ele subiu sobre ela e treparam ali mesmo, o coração de cada um a mil por hora. Não é mentira, ela mesma contou.

Comigo acontecem os tais presente porque ganho pouco, aliás, todas do meu nível de emprego recebem pouco, então os homens se aproveitam, gostam de mostrar uma falsa generosidade. Passa um tempo e tenho que trepar com o meu patrão.

Não, diz minha amiga, é bom ganhar presentes, mas você só trepa se quiser; se ele te dá dinheiro, é problema dele. Tá bom, vou acreditando.

terça-feira, setembro 14, 2021

Nosso segredo

Tenho um ex-namorado que, com o passar do tempo, se tornou meu amigo. Sempre me telefona, pergunta como estou. A gente conversa muito, assuntos superinteressantes. Outro dia ele lembrou que sou namoradeira: você gosta muito de namorar, por isso está sempre de bom astral. Eu disse é mesmo, tenho amigas que dizem não ter homens há vários anos, minha irmã mesma não sabe o que é transar faz 20 anos. Você é feliz, acrescentou, hoje muitas mulheres sofrem de depressão, deve ser for falta de namoro.

Ele tem razão. Houve uma época que fiquei sozinha. Foi muito ruim. A gente adoece, até mesmo sente dores no corpo, além das dores no espírito. Eu ficava doidinha. Ia pra lá e pra cá querendo arranjar namorado. Me inscrevi numa porção de sites de relacionamento, contatei uma porção de homens, enviei fotos e mesmo pequenos vídeos onde eu aparecia. Às vezes, surgia alguém, mas apenas pra uma trepada. Eu aproveitava, mas o que desejava mesmo era ter alguém certo, com quem pudesse contar, que pelo menos viesse aqui pra casa uma vez na semana. Lembro que nessa época tinha um velho que me paquerava. Eu passava pela casa dele de propósito. Um  dia, me chamou e me deu uma bolsa de presente. No dia seguinte, quando eu atravessava a rua, me convidou para entrar, queria me oferece um café. Lá dentro, pediu para eu tirar a roupa, garantiu que me dava mais um presente!

Enfim, arranjei um namorado, e não foi em sites, não, foi alguém que me viu no mercado. Sério. Você já foi paquerada no mercado? Ninguém vai fazer compras com intenção de arranjar namorado, eu sei, mas acontece. Ele ficou olhando pra mim, olhava e mais olhava, então veio falar comigo, aquela velha história que ainda cola. Você não mora não sei onde, não frequenta não sei o quê? Quase respondi que sim, não queria dizer que a pessoa não era eu. Mas não sou de mentir. Deve ser alguém parecida comigo, mas como a pessoa não teve sorte de ser encontrada por você, vai eu mesmo, falei. O homem riu muito. E foi assim que tudo começou. Depois vieram com a história de que ele tem mulher, que ela depende dele, que é cheia de problemas. Não me conte essas coisas, eu disse. Ele passou a frequentar minha casa uma vez por semana, depois duas. Está ótimo, pensei, não preciso saber o que ele faz nos outros dias, já o conheci desse jeito.

Contei ao meu amigo, meu ex-namorado. Que achou ótimo. Você é uma mulher atirada, falou. Eu, atirada? Sim, você se atirou, e a piscina estava cheia d’água, você aproveitou. Entendi. E gostei da metáfora. Lembro uma vez, quando a gente namorava, ele adorava meu jeito de ser, eu não tinha medo de nada, uma vez fiquei nua na praia, dentro d’água, o biquíni nas mãos dele.

Sabem de uma coisa, só não gosto quando falam que eu namoro dois homens ao mesmo tempo. Gosto de ser fiel ao meu namorado, de fazer as coisas pra ele, de esperar por ele no dia marcado, de pensar tirando minha roupa pra ele. Quando alguém insinua que namoro dois homens, fico brava e não falo mais com a pessoa. Certa veza namorei dois, sim, mas foi só por uma noite, e aquilo nem pode ser considerado namoro. Na véspera, um homem tinha me telefonado, eu ainda não o conhecia pessoalmente. Ele ficou falando uma porção de saliências no telefone. Acabei aceitando, aproveitando, tirando a roupa e gozando. No dia seguinte, veio à minha casa um conhecido de outros tempos, alguém que eu gostava muito e não posso dizer quem é. Trepei com ele. Depois que foi embora, pensei, traí o homem de ontem, aliás, traí antes de conhecê-lo em carne e osso. Por isso, não se trata de verdadeira traição, tentei me conformar e, assim, não fiquei angustiada. Mas só foi aquela vez.

O meu namorado diz que sou muito gostosa, que tenho um jeito de namorar que ele nunca viu em outras mulheres. E mais uma coisa. ele mete, dou uma mordidinha. Os homens adoram. Dou uma mordidinha e vou logo gozando, porque você sabe como são os homens. É importante a gente gozar. O gozo vence a angústia. Mas não fale isso pra ninguém, viu. é o nosso segredo.

segunda-feira, setembro 06, 2021

A sorte de Lourdinha

Tenho uma prima que tirou a sorte grande, como dizem as pessoas mais velhas. Mas não sabe dar valor. Venho à praia todo dia, visto meu menor biquíni, passo protetor e fico debaixo do sol, às vezes não aguento e vou pra sombra, sob a barraca. Gosto de deitar de bunda pra cima, e você há de convir que não é apenas pra me bronzear nas costas. Os homens adoram me ver assim. Mesmo com todo o trabalho, o zelo, o cuidado, ou seja lá qual for a palavra, não tenho a sorte de Lourdinha. Mas mesmo sortuda do jeito que é, morre de vergonha. Tem vergonha de tudo. Lourdinha, por favor, compre um biquíni menor. Lourdinha, você não se manca, vem à praia de maiô, as mulheres estão todas nuas, olhe. Mas não adianta, ela continua do mesmo jeito. Outro dia veio me contar que arranjou um namorado. A tal sorte grande. O homem gostou dela, chamou pra tomar um café. Veja se isso é possível em M, a gente conhecer um homem e ele convidar pra tomar um café numa cafeteria bonita, cheia de bolos, de pedaços de tortas, de doces. Os caras daqui querem levar a gente direto pra cama, sem conversa nenhuma. Não que não seja boa a cama, muito pelo contrário; às vezes, o tal é tão gostoso que é bom que nada fale, assim não estraga. Mas a Lourdinha conseguiu o homem certo, embora não seja o que ela pense. Conversaram das quatro às seis da tarde, tomando cappuccino e comendo pedaços de torta. Lourdinha comeu dois. Ela é magra. Não sei como é possível. O namorado, digamos assim, porque nada havia acontecido entre eles, telefonou várias vezes, conversava e mais conversava. Você está imaginando que não ficou apenas nisso. Claro que não. Ele a convidou ao melhor restaurante da orla. Aquele que se chama... como é mesmo? Ah, lembrei, Ilhote. Pode pedir o que quiser, ele disse. Imagine se arranjo um namorado que me convide e que me diz que posso pedir o que quiser. Já sabe o que vou querer. Lourdinha, morta de vergonha, não sabia, disse que comeria o mesmo que ele. Lourdinha, falei, lá tem camarões grandes, caldeirada, salmão, também carnes de todos os tipos, e você disse que não sabia o que comer, o que deu em você? Jantaram lá o que ele pediu, depois de olhar cuidadosamente o cardápio. Era um peixe muito gostoso, segundo ela, mas não lembra o nome do prato. Depois do jantar, o que aconteceu? Nada. Ele a deixou em casa. Ainda bem, ela disse; caso me convidasse a outro lugar diria que não poderia, que tomo conta de uma pessoa doente, coisa e tal; não posso sair sem o conhecer melhor. Veja, você, se aqui nesta cidade, neste lugarejo, a gente vai conversar mais pra conhecer alguém melhor antes de ir pra cama! Logo o homem desaparece e a gene fica chupando dedo. Mas as coisas não acabam aqui. Ele ligou várias vezes; numa das ligações, perguntou se ela tinha conta em banco. Com a resposta afirmativa, pediu o número. Pra que você quer o número da minha conta?, Lourdinha perguntou. Quero te dar um presente, respondeu o namorado. Lourdinha ainda ficou desconfiada se o homem queria o número para lhe dar um presente ou um golpe. Que golpe ele vai te dar, mulher?, você nunca tem saldo na conta. Ela ainda demorou uma semana pra dar o número. Então, no dia seguinte, ela recebeu um depósito de trezentos reais. Veja você se alguém vai depositar assim trezentos reais na minha conta, mesmo eu de biquíni mínimo e de bunda pra cima nas areias da praia de Cavaleiros. Lourdinha ganhou, sem precisar fazer nada, apenas sair com ele pra tomar café e jantar. Ontem ela me telefonou, disse que precisava da minha ajuda, está apaixonada pelo homem. Que ajuda eu posso te oferecer?, perguntei; você está apaixonada, ele te faz convites, vocês saem duas vezes na semana, o homem faz depósitos na tua conta, tudo está resolvido. Não, Lúcia, ela me disse, o problema não é esse. Qual é o problema então, Lourdinha? Você vai rir de mim, mas o problema é que estou doidinha pra trepar com ele mas estou morrendo de vergonha; ele me convidou pra passarmos o final de semana num hotel, em Búzios, mas não sei, o que vou sentir quando estiver pelada na frente dele? Olhe, Lourdinha, vá logo, ao contrário roubo este teu namorado, vou aparecer nua batendo lá na porta dele, e sei mesmo onde ele mora!

terça-feira, agosto 31, 2021

Galinha

A gente faz muitas loucuras durante a vida. Faz uns dez anos, tive um namorado que dizia me adorar. Saíamos para todos os lados e acabávamos na casa dele, onde namorávamos de modo muito gostoso. Mas ele tinha umas manias estranhas, gostava de me amarrar, os pés e as mãos. Eu permitia, e o pior, ou o melhor, não sei, passei a gostar da situação. Ele pegava meias grossas e atava meus braços à cabeceira da cama; as pernas, bem abertas, ficavam presas no lado contrário, laçadas por cordonete resistente. Nenhuma das vezes consegui me soltar. Houve um dia em que, num momento de euforia, aproveitou para me amordaçar. Tirou de não sei onde uma fita adesiva e colou na minha boca. Não passou muito tempo, veio nu sobre mim. Metia-me seu peru enorme e tapava minhas narinas. Dizia goza, vai, sei que você goza com o perigo. Eu tinha de respirar em intervalos, quando ele afrouxava os dedos. Ai, esse homem ainda me mata, eu pensava. Em outros momentos, pegava uma faca enorme e passava a ponta sobre o meu ventre. Eu queria me encolher, ficava apertadinha. Às vezes, uma marca vermelha brilhava sobre minha pele. Eu queria expressar o meu temor, mas, abafada pela mordaça, emitia baixos grunhidos. Uma vez, numa fração de tempo, tocou-me o clitóris. Deixei escapar uma lágrima. Molha, molha a faca com o teu gozo, vai, mas com o gozo da xereca, disse decidido. Tive que fazer malabarismo. Ele acabou por falar que eu consegui. Houve uma vez em que foi à cozinha e voltou com dois ovos. As mulheres gostam de chocar, pronunciou com nitidez. Não vai dizer que você... Não consegui acabar a frase, ele me segurou e já ia colocando o ovo dentro da minha boceta. Espere, por favor, tenho uma ideia melhor. Pareceu aceitar minha intervenção. Levantei-me, e, ainda nua, fui à cozinha. Acendi o fogo, coloquei uma pouco de água numa caçarola e pus os ovos para cozinhar. Enquanto isso, voltei à sala e me agarrei a ele. Gostava de aventura esse namorado, mas não media as consequências. Você gosta de me torturar, isso não é bom, viu?, vai que um dia eu arranje um homem carinhoso. Me beija, amor, bem demorado, por favor. Sentei no sofá, cruzei as pernas, vamos esperar um pouquinho, falei. Pelo menos esse não me pede para ir peladas lá fora. Tive um namorado que adorava isso. Cheguei mesmo a sair nua, de carro, ao lado dele. O homem morria de tesão. Mas o que estava ao meu lado, bebendo um gole de refresco, gostava mesmo era da minha pele. Você ficou com fome, quer comer ovos cozidos?, perguntei maldosa. Isso mesmo, e é tão gostoso. Quando a água ferveu, fui ao fogão e tirei os ovos, coloquei-os sobre um prato e os levei à sala, com o saleiro e a garrafinha de azeite. Quando depositei o prato sobre a pequena mesa de centro, ele pegou um deles e começou a descascar com bastante calma, colocando a casca ao lado; a seguir, descascou o segundo. Eu olhava a cena, com interesse. Depois, colocou um pouquinho de azeite sobre ambos. Então aproximou-se e pediu fique de cócoras. De cócoras?, ainda repeti. Isso mesmo, confirmou. O que você deseja? Eu já incentivava. Como adoro experiências novas, estava excitadíssima. Fiz o que pediu, de cócoras, ao lado da mesinha de centro. Feche os olhos, pediu. Obedeci. Passaram-se alguns segundos, senti algo morno a roçar minha boceta. Hum, hum, que gostoso, sussurrei, pensei que você tivesse fome. Que fome!, exclamou. O azeite ajudou o primeiro ovo a escorregar para dentro de mim. Tomou numa das mãos o segundo, e seguiu o mesmo ritual. Continuei agachadinha, as pernas abertas, ambos os ovos perdidos dentro de mim. Agora, amor, por favor, choca dois ovinhos pra mim. Deixa primeiro eu passear um pouquinho, grávida desses ovos. Levantei-me e fui à janela, lá fora ainda a noite era recente. Caminhei pensando no que acontecia andar nua pela casa com dois ovos dentro da xereca. Voltei e me agachei no mesmo lugar. Começamos a tentar pôr os ovos. Ele estava doidinho para ver o que iria acontecer. Hum, hum, estou vendo se consigo, falei baixinho. Posso dizer, que foi uma luta. Imaginei o sacrifício das galinhas. Eu mexia para um lado, para outro, fazia força, e nada. Começava de novo. Amor, acho que vou precisar da tua intervenção; ao contrário, vou parar no hospital, já pensou que vergonha! Ele agachou ao meu lado. Nada disso, as galinhas sabem chocar, bata os braços, faça de conta que você tem, como as galinhas, curtas asas. Ai, ai, fiz o que pediu. Agora, mexa-se, ele disse, já estou vendo a pontinha de um deles. Num movimento rápido, sem que ele notasse, toquei num dos meus grandes lábios. Um ovo escorregou. Isso, agora falta o segundo, ele a me incentivar.  Rodeou-me e segurou meus braços por trás. Eu podia mexer apenas as pernas. Abra bem, orientou, abra que vai escorregar. E o ovo caiu sobre o chão. E agora, amor?, eu, cheia de tesão, nem pude suspirar aliviada. Agora, você vai engolir os ovos. Abra a boca, ele introduziu o primeiro. Mastiguei-o com muito cuidado; depois, sem me deixar descansar, avançou entre os meus lábios o segundo. Mastiguei, vagarosa como fizera com o primeiro e o engoli. Fique de costas, a voz dele, sempre a me conduzir. Meteu, então, por trás, seu enorme peru, mas procurando minha xereca. Aceitei-o, fácil, ainda melada do azeite.