quinta-feira, novembro 11, 2010
Qual é o teatro?
Durante o dia chovia muito. Joana aproveitou para ler o jornal.
“Há uma peça que parece ser boa, vamos?”, perguntou.
“Podemos ir. Qual é o teatro?”, sempre me esforcei para tratá-la com delicadeza.
“Maison de France. Fica longe?”
“Não. Fica no Centro, dez minutos de carro.”
Durante a tarde saímos em meio à chuva para comprar os ingressos. Voltamos e ficamos em casa esperando a hora do espetáculo.
Às oito horas, vestimo-nos. Ela, como nunca viera ao Rio, arrumou-se com a melhor roupa que trouxera na bagagem. Lembro que vestiu uma saia de comprimento mediano, ia até os joelhos, e uma blusa branca, trabalhada sutilmente com algum brilho prateado. Ficou adorável.
Assistimos ao espetáculo. Tratava-se da vida de uma personagem importante na história da psicanálise. Joana adorou.
Depois fomos jantar. Foi minha a ideia de ir a um restaurante japonês. Ela gostou da ideia. Pedimos os pratos que costumeiramente se pede num sábado à noite, quando se frequenta esse tipo de restaurante. O principal torna-se a bebida que acompanha a refeição. Devido à característica do lugar, pedi saquê. Ela me acompanhou. Mas não com uma dose inteira. Bebemos duas doses caprichadas; ela tomou metade de uma. Saboreou com a bebida camarão empanado.
O principal aconteceu quando chegamos em minha casa. Já devia ser mais de uma da madrugada. Ela despiu-se e deitou. Deitei ao seu lado. O final de semana findava e não tardaria Joana teria de ir embora. Mal sabia quando a veria novamente, ou se mesmo chegaria a vê-la. A vida extenuante daqueles tempos nos obrigava a trabalhar muito. Sobrava pouco tempo para viagens e para esse tipo de amor.
Quando estávamos já quase adormecidos, tive uma ideia genial. Acho que o saquê me excitara. Depois de alguma bebida forte, sempre sou tomado por idéias geniais.
“Joana?”
“Hum...”
Posso pedir a você uma coisa?”
“Pode”, esticou os braços, procurava o meu pescoço.
“Você vai até lá fora pelada, bate na porta para eu abrir e faz de conta que está chegando nua aqui em casa?”
Surpreendeu-se com a proposta. Olhou para mim e perguntou:
“Nua, nua?”
“Isso, peladinha.”
Não sei se pelo fato de não conhecer ninguém na minha cidade, ou mesmo tomada por necessidade de aventuras, respondeu rápido:
“Vou.”
Tirou a calcinha, a única peça que vestia. Mas quando chegou perto da porta pediu:
“Posso ao menos cobrir os seios?”
“Os seios? Pode. Mas com uma blusa bem curta.”
Vestiu a blusa. Não era mais do que um top. Saiu. Fechei a porta atrás dela.
Nunca tinha feito tal brincadeira. Confesso que senti grande excitação ao deixar uma mulher nua batendo à porta da minha casa, à espera de que eu atendesse, correndo o risco de ser surpreendida por alguém ou mesmo de que eu não abrisse a porta.
Ela bateu suavemente. Corri para outro lado da casa, procurei outro cômodo, queria ganhar tempo. Fui de novo até à porta, mas voltei para o outro extremo da casa. Tudo com o objetivo de fazê-la esperar mais.
Ao voltar mais uma vez, meu coração disparara. Imaginei a coragem de uma mulher ao enfrentar uma situação dessas. As mulheres confiam muito nos homens, pensei. Aguardei mais um pouco, mas acabei abrindo para que entrasse. Ela me abraçou. Beijamo-nos.
“Agora tire a blusa e vai mais uma vez.”
“Sem a blusa?”, choramingou.
“Isso, sem a blusa.”
Acabou concordando. A situação anterior se repetiu. Acho que a deixei nua até mesmo por mais tempo. Quando abri de novo, perguntei.
“O que faz uma mulher nua batendo a essa hora da madrugada na minha porta?”
“Moço, me dá abrigo, por favor...”
“O que aconteceu?”
“Moço, me dá abrigo, aconteceu um problema, mas tenho vergonha de contar”, ela, com voz chorosa.
“Moço, eu perdi... perdi...”
“Perdeu o quê?”
“Ah, moço, tenho tanta vergonha... por favor...”
Agarrei Joana ali mesmo. Nem quis ouvir sua história. Ela não tinha como se defender. Sei que afastou um pouquinho as pernas. Meu sexo escorregou ligeiro para dentro dela...
quinta-feira, novembro 04, 2010
A primeira noite e já nua em Porto Seguro
Quando o movimento arrefeceu, deslocou-se para o outro extremo onde havia um alegre grupo de jovens. Isso mesmo, um grupo composto por rapazes e moças, parece até que tinham viajado em grupo. Júlia reparou então um jovem que não tinha companhia, embora ele não se acanhasse e dançasse com o grupo. Ao vê-la se aproximar, não tardou a ficar pertinho dela. Acabou tomando-a por um dos braços. Um rapaz adorável, pensou. E realmente foi super delicado com ela pelo resto da noite.
Saltou de um lado para o outro com o grupo até a festa acabar. Aliás, era o tipo de festa que não deveria jamais acabar. Mas as moças e os rapazes ficaram agarrados uns aos outros depois que a banda parou de tocar, dando continuidade a outro tipo de festa. Trocaram latas de cerveja, fumaram e tomaram goles de outras bebidas. Júlia os acompanhou. Pensou em Beatriz. Seria o momento de procurá-la? Achou melhor deixar Beatriz em paz. Quem sabe teria se arranjado com alguém?
sábado, outubro 23, 2010
Doce predileto
Permanecemos dentro d’água durante cerca de trinta ou quarenta minutos. E poderíamos ter ficado ali durante bem mais tempo, talvez até o entardecer quando seria possível deixar o local despercebidas. A descoberta se deu em virtude de dois motivos: o primeiro, a intranquilidade de Luciana; o segundo: o fato de ela estar sem o top. Pedi muito que se acalmasse, que tudo dependia disso para nos mantermos incógnitas, mas ela não conseguiu. Como se mexia muito dentro d’água, alguém pensou que estivéssemos em apuros naquele pedaço do mar e acabou se aproximando. A primeira coisa que reparou foi que ela estava com os seios nus, daí para descobrir que nos faltavam os biquínis, não foi muito difícil. O homem nos olhou com discrição e até tentou nos ajudar, disse que iria à procura de algo que nos cobrisse. Mas não voltou. Consegui, porém, que minha amiga se acalmasse, era ao menos uma solução provisória. Vamos ficar quietinhas, Luciana, assim ninguém mais vai nos descobrir, não vamos morrer porque estamos nuas, já passamos por situações parecidas, mais cedo ou mais tarde alguém nos ajuda. Quem nos salvou foi um pequeno grupo de surfistas. Preocupados a princípio apenas com as ondas, descobriram-nos ao acaso. Mas depois desconfiei que poderiam ter sido avisados sobre nós pelo homem que nos achara antes. Vestiram-nos com suas roupas de borracha, mas antes nos beliscaram, nos apalparam e experimentaram o doce predileto.
Saímos da água depois de muito tempo, exaustas, mas sem provocar rebuliço. Na areia, eles nos cobriram com duas cangas e pediram que devolvêssemos as roupas emborrachadas. Nunca me senti tão vestida, mesmo sabendo-me nua sob o pano. Um deles ainda se ofereceu para nos levar de automóvel. Um rapaz educado. No final, perguntou como nos sentíamos. Luciana, recuperada, se antecipou: ardida e dolorida, mas não sem uma ponta de gozo!
quinta-feira, outubro 21, 2010
Ando mais recatada
Gosto de me arrumar bem. Tenho roupas muito bonitas. Quando saio para alguma festa, faço o máximo para ir bem vestida. Todos me admiram.
Outro dia fui a uma dessas festas elegantes. Um professor de uma universidade federal, gente importante, fez aniversário. Escolheu comemorar num casarão, na Ladeira do Russel, quase ao lado do antigo Hotel Glória. O lugar tem uma vista linda, é possível admirar o aterro do Flamengo, o Pão de Açúcar e a enseada, acho que também dá pra ver a pista do aeroporto. As pessoas começaram a chegar a partir das dez da noite. A festa durou a madrugada toda. Dancei, bebi duas caipirinhas e alguns goles de cerveja. Arranjei alguns admiradores. Mas fui embora com um amigo. Propostas para sair não faltaram. Preferi, porém, ir para casa descansar. Deixei a emoção para o dia seguinte.
Houve uma vez em que aceitei um convite de um homem que me paquerava continuamente. Acabei namorando-o durante alguns meses. Logo entrou no meu ritmo. Adorou ter uma mulher como eu. Nem me lembro porque nosso namoro não continuou. Acho que ele trabalhava fora e precisou sair do país durante um tempo. Era muito cavalheiro. No começo do relacionamento falei que já tinha andado nua dentro de um automóvel acompanhando um outro namorado. Ficou preocupado. Disse que eu me arriscara. Um dia, no entanto, bebeu demais e veio me encontrar. Pediu para que eu fizesse o que contara semanas antes. Acho que pensou que fosse tudo mentira. Fiz tudo da mesma maneira. É lógico que antes saímos e bebemos alguns drinques. Depois me levou até uma estrada escura e pediu para que eu saísse do automóvel. Atendi. Ele disse:
“Ei, assim não vale.”
Entendi o que ele queria. Tirei o vestido e deixei nas mãos dele.
“Pode ir”, falei.
“Você não tem medo de que eu não volte?”
“Não, pelo menos nunca aconteceu.”
“Cuidado, sempre há uma primeira vez”, partiu acelerando o automóvel.
Demorou. Pensei que realmente fosse a primeira vez em que me veria embaraçada.
Voltou, mas não me deixou vestir. Ainda passeamos durante um bom tempo. Me levou para uma casa de campo. Parou o carro numa rua abaixo. Quando ia me vestir, pegou toda a minha roupa e saiu do carro. Me deixou pelada lá dentro. Eu nem sabia onde ele morava.
“Espere. Como vou procurar sua casa?”
Não me respondeu. Mas não me importei. Fiquei dentro do carro. Naquele tempo os carros tinham os vidros transparentes, quase não existiam esses vidros escuros de hoje em dia.
Dormi um pouco. Ele não voltou. Ao acordar percebi que amanhecia. Abaixei e fiquei sentada no chão do automóvel, encolhida debaixo do painel. Assim ninguém poderia me ver.
Passaram-se mais ou menos duas horas. Acho que já eram oito da manhã. Eu estava com as nádegas doendo e uma vontade terrível de tomar café. Vai ver ele dormiu e me esqueceu aqui, pensei. Só então notei que no banco de trás havia algumas roupas. Descobri um paletó e uma meia de mulher. Vesti aquelas roupas. O paletó ficou bem no meu corpo, e até tinha um pouco de comprimento.
Saí do carro. Para completar, calcei minha sandália de meio salto. Comecei a procurar onde ele poderia morar. Pra minha sorte, não encontrei pessoa alguma. Segui mais ou menos a trajetória que ele fez quando me deixou. Depois de uma cerca, avistei uma casa. Atravessei a cerca e bati na porta. Ele mesmo veio atender. Ficou surpreso ao me ver vestida daquele jeito.
“Você esqueceu de mim”, falei chorosa.
Pediu mil desculpas. Namoramos logo adiante, depois que ele fechou a porta.
Quando se tem calma sempre há uma solução, tanto mais se o namorado é alguém especial. E eu nem podia reclamar. Quem inventara aquela brincadeira?
Hoje, quase não tenho saído nua por aí. Um dia desses aconteceu, sim, daí o quase, mas foi coisa rápida, e com um homem que eu já não encontrava havia tempos. Mas me deixe contar essa história num outro dia...
sábado, outubro 16, 2010
Não diga nada
Que coisas?
Ivana, não se faça de desentendida; você mal conhece o cara, não tome a iniciativa, deixe que ele descubra você aos poucos.
E se ele me perguntar sobre o que mais me excita, por exemplo?
Ele não vai perguntar.
Mas se perguntar?
Não diga nada.
Mas se ele quiser uma resposta?
Diga-lhe para usar a imaginação; mostre que não vale a pena falar sobre isso.
Aquelas coisas que você me contou e eu sugeri ao Adão me deixavam a mil; acho que nunca vou ter outro homem daquele tipo.
Vai ter, Ivana, vai ter; alô!, você está me ouvindo, Ivana?
Estou.
Então, calma; depois tudo acontece com naturalidade.
Acho que não, Márcia; não acredito.
Ivana, você conheceu esse homem há poucos dias; deixe o tempo passar para que vocês se descubram; se ele não agir como o Adão, não faz mal; ele vai fazer coisas novas, acredite!
Coisas novas?, dê um exemplo.
Ivana, não é preciso; imagine alguma coisa que você nunca tenha feito numa relação a dois.
Ah, mas eu já fiz tantas coisas interessantes...
Mas imagine, sempre há algo novo.
Já sei, estou imaginando...
Viu?, não vai demorar você vai fazer isso com ele.
Márcia, mas se ele for daquele tipo feijão com arroz?
Feijão com arroz, Ivana, também é gostoso.
Eu não acho.
Ivana, por favor, não vai estragar tudo no primeiro dia.
Márcia, escute só, será que posso falar para ele o que imaginei agora?
Não, Ivana!
Então pra que você me mandou imaginar?
Pra você projetar algum desejo; assim as chances de realização são maiores.
Será que devo ir ao encontro daquele jeito que gosto, apenas com o vestido sobre a pele?
Ivana, por favor, espere ao menos algumas semanas.
E o que tem se eu falar pra ele o que mais me excita?
Ivana, os homens sabem o que excita as mulheres; se você falar, principalmente sobre a experiência que sugeri a você da outra vez, ele vai pensar nisso o tempo todo e vai passar a ver você somente pelo ângulo sexual; aquilo não é para ser praticado num início de namoro; se você não me escutar, vai acabar desvalorizada.
Há homens que nunca descobrem coisa alguma; só pensam em futebol e em beber com os amigos.
Descobrem sim, Ivana, você mesma pode conduzir a isso; e acho que esse seu novo namorado não é dado a futebol nem a beber com os amigos; ele gosta de poesia...
Então, Márcia, para cativá-lo, coloco em ação meus artifícios!
Ivana, por favor, no início não, espere um pouquinho, talvez um mês...
Ah, não sei, é tão bom chegar nua na casa do namorado, é uma surpresa e tanto...
Ivana, você não tem jeito.
sábado, outubro 09, 2010
Eles vão adorar nos encontrar felizes
quinta-feira, outubro 07, 2010
Não precisam de mais nada.
sexta-feira, outubro 01, 2010
Nos conhecemos há poucas semanas
quinta-feira, setembro 23, 2010
Não é que acabei postando?
sábado, setembro 11, 2010
Celebridade
quinta-feira, setembro 02, 2010
Não vai se vestir?
Você quer saber? Eu conto. Os homens são terríveis, adoram perguntar essas coisas. Muitos fazem como você, perguntam como foi a primeira vez. Ora, a primeira vez de uma mulher nunca é uma coisa boa. A gente demora a gostar de sexo. Mas vou contar a você algo que me aconteceu antes da primeira vez.
Eu era bem jovem, acho que tinha quatorze anos. Veja só, apenas tinha deixado de ser criança e já me metia em situações que poderiam me comprometer. Mas sempre fui ousada. Naquele tempo, minha irmã mais velha estava a fim de um rapaz de vinte e um anos. Isso mesmo, vinte e um. Logo arregalei os olhos. Nossa casa era grande, tinha piscina, gramado, churrasqueira e tudo mais. Ela convidou-o para um banho num dia de domingo. Desde cedo me coloquei a postos, não larguei os dois. Em certo momento, percebi que ele admirava-me e não à minha irmã. Mergulhei diversas vezes e fiquei juntinho dele. Minha irmã, como sempre, reparou e ficou morrendo de raiva. Dias depois, encontrei-o à noite no clube que costumávamos frequentar. Ele estava no bar. Aproximei-me, pedi um refrigerante e ficamos conversando. Meia hora depois disse que estava de carro e que me convidava para dar uma volta. As meninas de então não tinham o costume de passear sozinhas de automóvel com os rapazes. Mas aceitei.
Saímos e demos umas voltas pelo bairro. Sabia qual a intenção dele. Parou numa rua mais escura, deserta àquela hora da noite, perguntou se podíamos continuar nosso papo ali. Nada respondi. Esperei que me beijasse. Não fiquei imediatamente nua, como estou agora na sua casa, vinte e tantos anos depois, sentada no sofá de dois lugares, de pernas cruzadas e fumando esse cigarro. Naquele tempo eu já fumava. Perguntei se me cedia um cigarro. Ele o acendeu, deu um trago e o colocou nos meus lábios. Depois começou a me acariciar. Quis que eu tirasse a blusa. Não tinha vergonha de ficar nua, mas achava que riria dos meus seios, que não eram grandes. Disse a ele:
“Tire a minha saia; a blusa, não”.
Surpreendeu-se com a minha atitude.
Eu usava saia comprida, meio hippie, um tipo de bata indiana. Não custou à saia ir parar no banco de trás. Cruzei as pernas e continuei fumando, apenas de calcinha. Depois que arremessei a bagana pela janela, virei-me a ele e descansei nos seus braços. Aí aconteceu o problema que é a razão de estar contando isso hoje. Ele resolveu tirar o pênis para fora da calça. Fiquei assustadíssima. Nunca tinha visto um pênis duro. O dele era grande e grosso. Não quis dar mancada. Fingi que nada acontecera. Mas ao tentar aproximá-lo das minhas pernas, o rapaz notou que eu mostrava desconforto.
“Você é virgem?”, perguntou.
Atrevida, respondi:
“Isso não é pergunta que se faça a uma mulher”.
“Mas você parece tão assustada...”
“É melhor você me deixar no clube, vamos sair outro dia”.
Virei-me ao banco de trás, recuperei a saia e pedi que desse a partida.
“Espere só mais um pouquinho”, falou carinhoso.
Agarrou-me e deu-me alguns beijos na boca. Mas já com o pênis dentro da calça.
“Faz um favor pra mim”, ainda disse, “não vou lhe fazer mal algum, só quero ver você nuinha”.
“Você promete que depois me leva embora?”
“Prometo”.
Pedi mais um cigarro. Dessa vez fui eu que o acendi. Dei um longo trago, deixei-o entre seus dedos e tirei toda a roupa. Já não tive vergonha dos pequenos seios. Peguei o cigarro novamente e, de pernas cruzadas como agora, fumei-o até o fim. Queria que o rapaz levasse uma imagem positiva de mim; caso contrário, ao ouvir falar meu nome, lembraria do susto que senti ao ver seu sexo. Depois que acabei de fumar, pedi que me levasse dali. Ele me atendeu. Mas antes fez mais uma pergunta:
“Não vai se vestir?”
quinta-feira, agosto 26, 2010
Antes e depois
sexta-feira, agosto 13, 2010
Já que você faz questão...
quinta-feira, agosto 05, 2010
Cris e o amor - 3
“O que, Cris?”
“Uma cena do meu namoro com o Antônio foi parar num site.”
“Mas o que tem isso demais?”
“Muito, muito mesmo.”
“Como vão saber que é você?”
“Ah, vão, na certa vão, vai ser fácil. Escuta, não me interrompas, deixa-me te contar.”
“Tá bom, desembucha, então.”
“Foi o seguinte, ele narrou tudo o que aconteceu, direitinho. Não falta uma vírgula. Foi aquele caso sobre o qual te falei apenas superficialmente.”
“Que caso, Cris? Você já me contou tanta coisa...”
“Aquele caso que aconteceu quando fui ao apartamento dele; a história de que fiquei trancada nua do lado de fora, no corredor.”
“Mas isso já faz tanto tempo, Cris.”
“Tenho certeza de que vão saber que a pessoa retratada sou eu.”
“Tem o teu retrato, Cris? Caso não apareça foto não haverá problema?”
“Calma, Carla, deixa eu acabar de te contar. Foi uma brincadeira, daquelas que caímos na conversa do namorado e acabamos aceitando, tanto mais quando ele me falou que uma outra mulher já fizera o mesmo e ele adorou. Como gosto dele, resolvi também ir nua até o lado de fora. Aí ele trancou a porta. Não imaginas o que seja ficar cinco minutos nua no corredor de um prédio, com todas as outras portas em silêncio, o lugar escuro, mas tudo ameaçando a ruir numa fração de segundo se te descobrem nua. Fiquei gelada, mas resisti. Sorte minha que não apareceu ninguém. Quando ele abriu, já te falei, não?, entrei e me atirei nos braços dele. Foi uma transa maravilhosa. Mas ele colocar a história num site, já é demais. Passo a me sentir nua na frente de todos durante todo o tempo, as pessoas a me olharem sem eu ter o que vestir.”
“Calma, Cris, já te falei, esses sites não são tão lidos assim, as pessoas vão atrás de fotos, não atrás de histórias.”
“Fiz mais duas vezes, uma com ele e outra... Ah, a outra prefiro não contar, vais me achar completamente louca.”
“Conta, Cris, é bom você falar, assim vai se sentir melhor.”
“Não, acho que tu deverias ler, assim compreenderias tudo.”
“Está bem, me diga o site; leio e depois comento com você.”
“Toma, está escrito aqui. Vais achar que estou em maus lençóis, Carla, tenho certeza.”
“Nada disso, uma historinha dessas até estimula. É como já falei: caso não haja fotos, não há problema.”
“Carla, quero te falar mais um segredinho. Olha, além da história, há lá uma foto sim. E sou eu, perfeita. Não tenho nem como contra-argumentar. Já imaginou na escola, caso alguém descubra? Vou ter de pedir demissão.”
“Há foto mesmo, Cris? Como você se deixou fotografar?”
“Ah, Carla, na hora adorei, nem pensei nisso, mas agora, acho que nada tenho a fazer.”
“Caso alguém veja, negue!”
“Como vou negar? Já te falei, sou eu completinha, não dá para negar.”
“Então vamos à casa dele; vamos pedir para que retire a foto e a história desse bendito site!”
“Não, Carla, fui apaixonada por ele, sabes, e acho que ainda sou. Ele é tão bonito! Caso eu apareça lá acho que sou capaz de perder a cabeça e ficar nua de novo. Então vou ter outro problema.”
“Vou pra você, Cris; me diga como entrar em contato com ele.”
“Não, Carla, tenho certeza de que tu não serás capaz. Caso o encontre, amanhecerás desesperada o tanto como estou agora. Vais me contar a mesma história. Portanto, vamos ter dois problemas...”
segunda-feira, julho 26, 2010
Ah, Imagina!
quinta-feira, julho 15, 2010
Adorei a surpresa, e eles também!
A ideia foi dele, meu namorado. Estávamos na minha casa. Fica em Macacos, um lugarejo montanhoso próximo a BH, num condomínio fechado. As casas são distantes uma das outras, e durante a semana não há quase ninguém.
Saímos da casa, contornamos pelo lado esquerdo. Nos fundos, há uma rede para se deitar, num espaço entre o corpo da casa e o muro que limita o terreno. Como o dia estava meio ensolarado, cismou que eu tinha de ir de biquíni.
Relutei:
“Aqui não tem piscina, ninguém fica de biquíni.”
“Não faz mal, está sol, você pode até ficar um pouco moreninha, já que é tão branquinha.”
Acabou me convencendo. Experimentei um dos meus biquínis. Achou um pouco grande. Vesti o segundo. Também não gostou. Quando vesti o terceiro, apaixonou-se. Um biquíni minúsculo, raso. Para usá-lo era preciso estar inteiramente depilada, e eu estava.
“Deixe-me procurar algum pano para enrolar o corpo, a casa ainda não tem o muro da frente.”
“Não será necessário”, falou.
“Não será necessário, por quê?”
“Você vai assim mesmo, qualquer problema basta ficar dentro da rede.”
“Tenho muitos amigos e conhecidos, não posso sair assim, sempre aparece alguém.”
“Caso apareça, escondo você.”
“Esconde? Onde? Dentro da rede? Tenho um metro e sessenta e cinco e sessenta e dois quilos. Não é possível que você consiga me ocultar em algum lugar sem que alguém note.”
“Vamos. Não vai chegar ninguém. Ninguém faz visitas às duas da tarde.”
“Não? Você vai ver”, acabei concordando.
Na verdade, senti uma ponta de excitação pelo desejo do namorado. Ele sempre inventava artifícios que me despertavam ardor. Acabei também achando que não chegaria ninguém.
Rodeamos a casa e mergulhamos na rede. Demoramos um pouco até encontrar uma posição confortável. Depois ele me abraçou com mais força, me beijou. Por fim, tirou o meu biquíni.
Quando já íamos lá pelas tantas num namoro frenético e embolado, escutamos a buzina de um automóvel.
“Não falei? E agora, como vamos fazer?”, tentei sair da rede e encontrar o biquíni. Mas depois vi que seria pior. Resolvi permanecer imóvel, deixando a ele, o inventor daquilo tudo, a tarefa de encontrar uma solução.
Saiu da rede sozinho, vestiu rapidamente a bermuda e foi até a frente da casa.
Voltou em menos de vinte segundos.
“São dois homens, disseram que alguém mandou entregar um presente a você, mas é preciso que você mesma o receba.”
“Presente? Não faço aniversário nem há data importante para comemorar.”
“Alguém está te presenteando com um carro”, falou cabisbaixo.
“Um carro? Quem haveria de me dar um carro? Não conheço ninguém que me daria um presente desses.”
“Mas é verdade, e é de um tal de Itamar.”
“Itamar? Não diga? Ele está aí? É você que vai ficar escondido dentro da rede, viu? Vou despachá-lo, fico com o presente e o mando embora. Depois corro pra você de novo.”
“Ei, espere, volte aqui, ele não esta aí, são só os entregadores. Volte aqui, você está nua!”
Corri pra frente da casa. Meu galanteador não estava lá. Mas eu e os entregadores adoramos a surpresa!
quinta-feira, julho 08, 2010
Você está vendo esta pracinha?
Você está vendo esta pracinha e a escadaria ao fundo? A escadaria dá na rua de cima, que se chama Cardeal. Tanto a pracinha como a rua me lembram um acontecimento muito divertido. Tive um namorado que morou aqui, no último prédio da rua que fica à direita da escadaria. Ele morava sozinho e eu vinha aqui namorar com ele. Adorava me ver nua, aliás, como todos os homens. Só que ele tinha suas extravagâncias. Depois de bebermos sempre uma garrafa de vinho, gostava de andar comigo de madrugada por esse lugar. Um dia quis me levar nua para passear. Eu disse: “nua?, mas se aparecer alguém?” Ele insistiu: “não aparece, não, é tarde, já estão todos dormindo.” Eu replicava: “esse lugar é muito movimentado, vai que aparece alguém...” Depois de muitas idas e vindas, chegamos a um acordo. Eu iria vestida apenas com uma camisa social dele transformada numa espécie de minivestido. Com o cinto que eu vestia ao chegar até que fiquei arrumadinha. A camisa, o cinto e a sandália, nada mais. Saímos depois de meia noite. Subimos a escadaria e seguimos pela Cardeal; contornamos uma outra rua e nos metemos por outra ainda mais íngreme. Sabe como é Santa Teresa, um bairro cheio de ladeiras. Encontramos, no caminho, um bar. Estava mais para um botequim; havia homens bebendo cerveja e duas ou três mulheres. Eu e meu namorado entramos, pedimos também uma cerveja. Começamos a beber; ele perguntou com olhar lânguido, como se quisesse descobrir minha nudez por debaixo da camisa: “como você está se sentindo nua?” “Não estou nua”, respondi. “Está sim”, reafirmou. As pessoas conversavam em voz alta. Tentamos ouvir o que falavam. Às vezes riam da inflexão de voz que algum deles emitia. Lembro que um comentou sobre uma peça de teatro. Acho que a haviam assistido naquela mesma noite. Ao acabar de beber, pagamos e saímos. Meu namorado estava louco para me agarrar em algum canto escuro. Dei a mão a ele e nos metemos pelo mesmo caminho, só que de volta. Quando descíamos a escadaria, ele me encostou num dos corrimões e me deu um longo beijo. Depois ficou agarrado comigo sem deixar que eu me mexesse. Então soltou meu cinto e desabotoou minha camisa. Acabou por me deixar nua. Fizemos amor ali mesmo. Imagine, eu nua, no meio daquela escadaria, às duas da madrugada. Posso afirmar que foi ótimo. Depois acabou acontecendo o que ele queria no início. Lembra que falei do desejo dele de que eu saísse nua naquela noite? Pois é, não saí nua, mas voltei. Ele não me deixou vestir. Mas no final deu tudo certo. Quando já estávamos dentro do seu apartamento rimos muito.
quinta-feira, junho 24, 2010
Soltinha
quinta-feira, junho 17, 2010
Dissimulada
“Silvia, tire a calça comprida. Fique apenas de blusa e de sandália.”
Eu calçava uma sandália muito requintada, de meio salto. Fui ao banheiro, fiz o que me pediu.
Voltei à sala nuinha do umbigo até os pés. Ele já me esperava com a câmera.
“Fique de pé, virada um pouquinho para a esquerda.”
Atendi. Coloquei-me ereta, mas num meio ângulo em relação à câmera, com as pernas retas, numa ameaça de dobrar um dos joelhos. Sorri para ele. E os braços? Eles são sempre um problema para quem não está acostumada a posar. Podem parecer que estão flutuando, sem que a modelo saiba o que fazer com eles. Não foi, porém, o meu caso. Encostei levemente as mãos nas coxas. A foto ficou uma gracinha. Apesar de eu me mostrar um tantinho voltada à esquerda, é possível ver que estou nua.
Em seguida, me pediu a mesma pose, mas na posição oposta, isto é, agora virada um pouquinho para a direita. A foto saiu tão boa quanto a primeira, só que apoiei as mãos na cintura, um charme a mais.
Pediu que eu ficasse de frente. É bom repetir: sempre nuinha desde o umbigo, apenas a sandália branca a combinar com a blusa curta. Fiz a pose, dobrei levemente o joelho direito, não queria parecer tensa, estática.
Depois me quis agachada. Correspondi. Na primeira, uma pose lateral, aparecendo a parte externa da coxa direita, mostrando que estava nua, mas sem apresentar o principal. Daí, veio a pose apoteótica. O nu frontal, ainda agachada e com as pernas levemente abertas. Um verdadeiro show. Tive o cuidado de manter a coluna bem reta; mostro altivez, elegância e conforto.
Outra série. Dessa vez sentada no sofá, ainda nua. Pernas cruzadas, a direita sobre a esquerda, olhando à câmera, ligeiro sorriso, como se estivesse à espera de alguém. Em seguida, quase a mesma posição, só que agora com a perna esquerda sobre a direita, mas o olhar voltado para um ponto fora do visor da câmera, a face séria, mas não inteiramente preocupada.
Outra pose: as pernas ainda cruzadas, lendo uma revista, esquecida de que estou nua, “talvez ainda tenha que esperar um pouco, mas não se impaciente, leia um pouco”, disse ele. Ah, meu namorado e suas fantasias...
Mais uma foto. Ainda sentada sobre o sofá, as pernas não mais cruzadas, mas ligeiramente abertas, como se num momento durante à espera eu esquecesse que deveria disfarçar a nudez e perdesse momentaneamente o controle sobre meu corpo; o olhar vago, já um tanto indagador, o que me acontecerá, terei de esperar nua por muito tempo?
Mais duas fotos para completar a fantasia. A penúltima, depois da seguinte história, contada por ele com voz entrecortada:
“Lembra aquele conto que nós dois lemos? A mulher anda com o marido pela rua, senta num banco à beira mar. A madrugada vai alta, ele lhe tira a saia, e ela, nua, se deixa ficar. Por momentos, deseja estar sem ele por perto, pede que se vá, pois quer experimentar uma aventura. Ele atende. Volta vinte minutos depois. Ela, porém, já não está no mesmo lugar. Aparece em casa de manhã, ainda seminua. Jamais lhe contou o que aconteceu. Fizemos a mesma coisa, lembra? Não foi apenas meu o desejo. Você também achou ótima a ideia.”
Fez então a foto: eu nua, à beira-mar, sentada num banco, sozinha.
“Agora a última. É o desfecho, mas da nossa história”, continuou. Mostrava-se excitado. “Você sentadinha, lívida, naquela sala sóbria. Acabei por ter de ir buscá-la. Estava na mesma posição, como no banco à beira-mar, ainda nua, a face séria, as pernas cruzadas, balançava um dos pezinhos fingindo enfado. Desculpei-me e agradeci a seus benfeitores. Paguei a quantia que pediram e trouxe você, ainda branquinha, nuinha. Você não pronunciou som algum, nenhuma palavra. O bom foi quando chegamos em casa, lembra? Depois de tudo resolvido, como você gritou. Excitadíssima! E ainda havia a foto, feita por eles. Mas você diria que aquela não era você, mas uma mulher muito bonita e parecida. Vamos, faça agora a mesma pose! Mostre a sua verdadeira face: dissimulada!”
quinta-feira, junho 03, 2010
No início fiquei apavorada, mas depois...
Vamos do começo. Fui trabalhar numa escola. Um contrato temporário. Sou professora de matemática há bastante tempo, mas nunca trabalhei para o município de M. Alegrou-me a perspectiva da nova experiência. Logo no primeiro dia, me deparei com ele. Disfarcei, mas meus olhos me arrastaram para o local onde ele estava sentado. Não sei se o percebi um tanto entediado, ou triste. O jeito dele, porém, tocou meu coração.
Num belo dia, já quase na hora de ele ir embora, pediu o meu e-mail! Fiquei felicíssima. Falou-me acanhado, como se temesse uma recusa, ou mesmo ouvidos alheios. Senti que não desejava se arriscar, pôr tudo a perder num primeiro momento. Deu certo, encontrávamos a sós na sala dos professores. Ele anotou cuidadoso, conferiu, parecia temer qualquer letra diversa que poderia enviar sua futura mensagem a algum continente perdido.
Na mesma noite, escreveu-me. Não respondi no momento em que li. Precisava pensar. Procurei ganhar tempo, fazer-me de desatenta, “não gosto muito de computador”, ou “não olho minha caixa de correio todos os dias”, seriam minhas palavras quando o encontrasse. O que eu queria, no entanto, era me fazer de difícil. Representar. As mulheres são assim, não podem logo se entregar. Tal atitude pode estragar tudo. Mas vinte quatro horas depois, meu coração já ia descompassado. Eu tinha de responder. Escrevi seca: “ok, obrigada pela atenção”.
Quando nos vimos no dia seguinte, fui eu que me mostrei atabalhoada. Disse logo que o avistei: “recebi sua mensagem, já respondi”, sentei no outro lado da mesa enquanto ele me mostrava um ligeiro sorriso. Outro professor que estava no local – abria um armário – ainda chegou a olhar para ele, depois para mim, mas nada disse.
Um ou dois dias depois recebi outra mensagem.
“Lis, vou ficar na cidade a semana inteira, tenho uma ou duas noites livres. Aceitas tomar um chope comigo, ou mesmo comer uma pizza?”
Meu coração encheu-se de alegria. Era bom saber de alguém que se interessava por mim e me dedicava o pensamento!
Quis fazer-me recatada. Não podia aceitar logo de cara. Demorei quase três dias para responder. Acho que para um e-mail todo esse tempo é uma eternidade. Estava mais ansiosa que ele, no entanto.
Marcamos para o sábado seguinte. Levou-me a um restaurante, na orla. Confesso que, apesar de morar na cidade há muitos anos, nunca tinha ido a tal restaurante. O ambiente estava agradável, as pessoas bonitas, os garçons nos servindo com elegância e, o principal: comidas e bebidas maravilhosas.
Conversamos apenas amenidades. Ele falou sobre um livro que lera recentemente; eu, sobre um filme que desejava ver; comentamos sobre alguns assuntos que aconteceram durante a semana; enfim, nos esforçamos para não falar da gente. Permanecemos ocultos sobre a frágil capa das palavras.
Terminamos lá pelas onze e trinta. Ele deu uma volta de carro por toda a orla, dirigia vagaroso, parecia não querer que chegasse o momento de me deixar à porta de casa.
Ao sair do carro, sorri e beijei-lhe uma das faces. Ainda não foi ali que aconteceria o principal.
Como ele é de cidade grande, achei que desanimaria.
Na segunda vez, não esperei por ele. Disse o tanto que gostara do passeio, da conversa e do jantar. Convidou-me, então, de novo. Mas arriscou. Queria-me durante um dia inteiro de domingo. Iríamos a outra cidade: uma praia e duas cabanas que na verdade eram dois restaurantes rústicos.
Preparei-me. Biquíni novo, short, blusa curta, óculos escuros. Apanhou-me à porta de casa por volta das dez da manhã. Viajamos cerca de trinta quilômetros. Guiava devagar, olhava a paisagem, vez ou outra virava o rosto para mim e sorria. Também usava óculos escuros; no mais, camiseta, bermuda cinza e sandálias.
Ao chegar, escolhemos um pouso sobre a areia num local distante de onde já se encontravam algumas pessoas. A meia estação afastava os turistas. Olhando a longa extensão de areia à direita, podia-se reparar que não havia ninguém por lá, apenas o mar explodindo, a areia branca e, acima, alguma vegetação próxima à pequena estrada de terra.
Ele demorou a tocar o meu corpo. A princípio, pensei que ficaríamos apenas admirando a natureza, tomando banho de sol, de mar e conversando. Ele agia devagar, era cauteloso.
Fui eu que descontraí o ambiente:
“Adoro caipirinha. Naquela noite não pedi porque achei que você fosse fazer mau juízo de mim.”
“Mau juízo, o que é mau juízo?”, seus olhos tinham um ar de ironia.
“Amor, não me leve a mal”, falei a palavra chave sem perceber.
Levantou-se, caminhou até a pequena cabana e voltou com dois copos compridos, plenos, a bebida meio esverdeada e espumante nas bordas.
Sorvi o meu canudo delicada. O líquido chegou-me à boca; a temperatura baixa da bebida misturada ao teor de álcool, o calor de meu corpo e os sussurros do amor excitaram-me. Quando pousei o copo sobre uma pequena banqueta, ele abraçou-me. Era o primeiro beijo. Após quinze ou vinte minutos, nossas bebidas já tinham descido até a metade. Estávamos preparados um para o outro. Abraçamo-nos de novo; seguiu-se um longo beijo. Na posição em que estávamos, meio sentados, meio deitados, nossos corpos se aconchegaram. Completávamo-nos.
O dia foi maravilhoso e excitante. Na praia, não foram muitos os frequentadores. Apenas uma ou duas famílias. Os bares também tiveram pouca frequência, e os empregados nos atenderam com satisfação.
Houve um momento em que entramos n’água e permanecemos abraçados. Ele deslizava a mão pela minha cintura, pelo meu ventre, chegou a tocar o meu bumbum e acariciar as minhas pernas. Quis tanto que ele me deixasse nua! Mas nada falei. Meu coração palpitou mais forte, marcava a timidez que quase sempre me acompanha. Beijamo-mos dentro d’água, agarramo-nos bem apertado.
Lá pelas cinco, o céu já se avermelhava, e éramos apenas dois amantes no fim de tarde. Bebêramos com algum exagero, almoçáramos, e resolvemos caminhar um pouquinho na faixa de areia. Foi então que tudo se tornou mais fácil. Para mim e para ele. No meio da caminhada, encontramos mar adentro uma pedra solitária. Cabia apenas uma pessoa sobre ela.
“Você tira uma foto minha?” apressei-me a correr, entrei n’água e subi na pedra.
Ele fez a foto.
Fiz outra pose, encolhida, como estivesse nua e envergonhada. Clicou de novo.
“Você tem o corpo bonito. Não quer que eu tire uma foto de você nua?”
Sei que o coração dele bateu mais forte ao dizer a última palavra. O meu não deixou de acompanhá-lo.
“Nua, nua?”, repeti titubeante.
“Nua”, confirmou meio sonso, do jeito que eu gosto.
O gostinho das caipirinhas invadiu-me de novo o paladar, minha pele se arrepiou e o desejo expandiu-se dentro do meu corpo.
Nada mais falei. Soltei o top arremessando-o a ele; depois, o biquíni. Fiz a primeira pose sobre a pedra, a mesma que fizera vestida; a seguir, a outra, virada um pouquinho para frente, as coxas flexionadas na direção do tórax, mas deixando escapar o bico de um dos seios.
Depois que desci da pedra, entrei no mar. Pedi, então, que viesse ao meu encontro. Era o exato momento de me entregar. Não me arrependo. Não tive muitos namorados e, até ali, ele me fez sentir algo que jamais experimentara.
A câmera era minha. Levei-a com as fotos. No dia seguinte, mais uma ousadia: enviei-as para o seu e-mail.
Não tardamos a nos encontrar de novo. Eu, mais solta; ele, mais apaixonado!
