quinta-feira, novembro 11, 2010

Qual é o teatro?

Chamava-se Joana e eu a tinha conhecido havia pouco. Viera de Belo Horizonte para ficar durante uns dias na minha casa. Chegou na quinta. Fizemos alguns programas no mesmo dia, como ir à praia e passear à noite e jantar em algum restaurante, em Copacabana. Na sexta fomos a Teresópolis. Sempre achei a cidade aconchegante, quis apresentar a ela. Passamos o dia lá. Mas o que desejo mesmo contar é o que aconteceu no sábado, véspera do dia em que ela voltaria para sua cidade.

Durante o dia chovia muito. Joana aproveitou para ler o jornal.

“Há uma peça que parece ser boa, vamos?”, perguntou.

“Podemos ir. Qual é o teatro?”, sempre me esforcei para tratá-la com delicadeza.

“Maison de France. Fica longe?”

“Não. Fica no Centro, dez minutos de carro.”

Durante a tarde saímos em meio à chuva para comprar os ingressos. Voltamos e ficamos em casa esperando a hora do espetáculo.

Às oito horas, vestimo-nos. Ela, como nunca viera ao Rio, arrumou-se com a melhor roupa que trouxera na bagagem. Lembro que vestiu uma saia de comprimento mediano, ia até os joelhos, e uma blusa branca, trabalhada sutilmente com algum brilho prateado. Ficou adorável.

Assistimos ao espetáculo. Tratava-se da vida de uma personagem importante na história da psicanálise. Joana adorou.

Depois fomos jantar. Foi minha a ideia de ir a um restaurante japonês. Ela gostou da ideia. Pedimos os pratos que costumeiramente se pede num sábado à noite, quando se frequenta esse tipo de restaurante. O principal torna-se a bebida que acompanha a refeição. Devido à característica do lugar, pedi saquê. Ela me acompanhou. Mas não com uma dose inteira. Bebemos duas doses caprichadas; ela tomou metade de uma. Saboreou com a bebida camarão empanado.

O principal aconteceu quando chegamos em minha casa. Já devia ser mais de uma da madrugada. Ela despiu-se e deitou. Deitei ao seu lado. O final de semana findava e não tardaria Joana teria de ir embora. Mal sabia quando a veria novamente, ou se mesmo chegaria a vê-la. A vida extenuante daqueles tempos nos obrigava a trabalhar muito. Sobrava pouco tempo para viagens e para esse tipo de amor.

Quando estávamos já quase adormecidos, tive uma ideia genial. Acho que o saquê me excitara. Depois de alguma bebida forte, sempre sou tomado por idéias geniais.

“Joana?”

“Hum...”

Posso pedir a você uma coisa?”

“Pode”, esticou os braços, procurava o meu pescoço.

“Você vai até lá fora pelada, bate na porta para eu abrir e faz de conta que está chegando nua aqui em casa?”

Surpreendeu-se com a proposta. Olhou para mim e perguntou:

“Nua, nua?”

“Isso, peladinha.”

Não sei se pelo fato de não conhecer ninguém na minha cidade, ou mesmo tomada por necessidade de aventuras, respondeu rápido:

“Vou.”

Tirou a calcinha, a única peça que vestia. Mas quando chegou perto da porta pediu:

“Posso ao menos cobrir os seios?”

“Os seios? Pode. Mas com uma blusa bem curta.”

Vestiu a blusa. Não era mais do que um top. Saiu. Fechei a porta atrás dela.

Nunca tinha feito tal brincadeira. Confesso que senti grande excitação ao deixar uma mulher nua batendo à porta da minha casa, à espera de que eu atendesse, correndo o risco de ser surpreendida por alguém ou mesmo de que eu não abrisse a porta.

Ela bateu suavemente. Corri para outro lado da casa, procurei outro cômodo, queria ganhar tempo. Fui de novo até à porta, mas voltei para o outro extremo da casa. Tudo com o objetivo de fazê-la esperar mais.

Ao voltar mais uma vez, meu coração disparara. Imaginei a coragem de uma mulher ao enfrentar uma situação dessas. As mulheres confiam muito nos homens, pensei. Aguardei mais um pouco, mas acabei abrindo para que entrasse. Ela me abraçou. Beijamo-nos.

“Agora tire a blusa e vai mais uma vez.”

“Sem a blusa?”, choramingou.

“Isso, sem a blusa.”

Acabou concordando. A situação anterior se repetiu. Acho que a deixei nua até mesmo por mais tempo. Quando abri de novo, perguntei.

“O que faz uma mulher nua batendo a essa hora da madrugada na minha porta?”

“Moço, me dá abrigo, por favor...”

“O que aconteceu?”

“Moço, me dá abrigo, aconteceu um problema, mas tenho vergonha de contar”, ela, com voz chorosa.

“Moço, eu perdi... perdi...”

“Perdeu o quê?”

“Ah, moço, tenho tanta vergonha... por favor...”

Agarrei Joana ali mesmo. Nem quis ouvir sua história. Ela não tinha como se defender. Sei que afastou um pouquinho as pernas. Meu sexo escorregou ligeiro para dentro dela...

quinta-feira, novembro 04, 2010

A primeira noite e já nua em Porto Seguro

A festa nas areias da praia de Taperapuan fora contagiante, e o que Júlia vivera mais ainda. Contaria no dia seguinte aquela história para Beatriz. Sabia que ela a chamaria de louca, como sempre. O que precisava naquele momento era se levantar, procurar seus poucos pertences e voltar ao hotel. As pessoas eram poucas, alguns casais ainda se abraçavam, namoravam, trocavam talvez as últimas carícias. Ninguém a observava, ou se a viam, faziam de conta que ela não estava ali. Permanecia sentada, abraçara a si mesma, agarrara-se às próprias pernas. Não estava com frio, apesar da hora: duas e trinta da manhã. Aliás, em Porto Seguro nunca faz frio. Sua posição, de quase total imobilidade, era um jeito de estar oculta, protegida, talvez desse até para disfarçar a nudez, mas sabia que não poderia ficar assim a madrugada inteira, teria de arranjar um jeito de sair dali.

Durante a festa, horas antes, entusiasmara-se com a banda de rock, J. Quest. Sim, aquilo é que era música, deixara todos extasiados. Júlia fora tomada por uma sensação de euforia jamais sentida. As pessoas se divertiam de maneira exagerada, muitos pulavam no ritmo da música com latas de cerveja nas mãos, com caipirinhas ou com outras bebidas. Havia também quem fumasse seu baseado e dançasse ensimesmado.
Pode ser que o seu erro fora vir de vestido curto, pensava. No meio da multidão entusiasmada era difícil evitar as mãos bobas dos rapazes. Eles aproveitavam o máximo, queriam tocar as mulheres, beijá-las, havia aqueles que beliscavam suas pernas, tentavam subir as mãos por baixo das saias e dos vestidos.
Beatriz sorriria da história, talvez dissesse: “Júlia, você já passou por tantas situações semelhantes, você adora essas coisas.”

Na Bahia é assim mesmo, todos querem se divertir, querem algo para contar ao voltar para as suas cidades.
Os homens quando viam mulheres sozinhas logo se aproximavam, tanto mais num lugar propício a novas conquistas, a amores fugazes. Júlia fora com Beatriz ao show; após chegar reparou que as duas sofreriam forte assédio. A amiga, porém, vestia bermuda, teoricamente estava mais protegida. Os rapazes se alternavam num intenso empurra-empurra. Mas a presença não era só deles. Havia também muitas mulheres, era normal que a multidão constantemente se deslocasse de um lado para outro e muitos se esbarrassem.

Num dos momentos do espetáculo, momentos de intensa euforia, segundos luminosos em que todos parecem imergir num êxtase coletivo, Júlia perdeu-se de Beatriz. Não faz mal, pensou, estamos no mesmo hotel, nos falaremos mais tarde, ou mesmo amanhã. Continuou a dançar. Sentiu então o corpo envolvido pelos fortes braços de um homem musculoso. Parecia um desses lutadores. Ele tomou-a para si, apossou-se dela. Como sairia dali? Como diria para que se afastasse porque ela não estava interessada? Não era possível mover aqueles braços pesados nem se fazer ouvir em meio ao som ensurdecedor da banda de rock. O homem a apertava, valorizava-lhe as pernas, encostava-se, subia-lhe com as mãos. Foi aí que aconteceu o primeiro dos dois incidentes que lhe marcaram a noite. Sabia que quando dissesse a Beatriz, esta falaria: “vai dizer que você não gostou?”

Logo a seguir uma enorme massa humana a empurrou para direita. Seu acompanhante, apesar dos músculos, teve de soltá-la. Júlia perdeu-se dele. Que alívio... Cuidou para que não mais o encontrasse.

Quando o movimento arrefeceu, deslocou-se para o outro extremo onde havia um alegre grupo de jovens. Isso mesmo, um grupo composto por rapazes e moças, parece até que tinham viajado em grupo. Júlia reparou então um jovem que não tinha companhia, embora ele não se acanhasse e dançasse com o grupo. Ao vê-la se aproximar, não tardou a ficar pertinho dela. Acabou tomando-a por um dos braços. Um rapaz adorável, pensou. E realmente foi super delicado com ela pelo resto da noite.

Dançaram muito. Mas Júlia temia que o homem musculoso aparecesse. Temor vão. O homem não apareceu naquele momento. Quando ao acaso deu com ele mais tarde, já estava com outra mulher nos braços.

Saltou de um lado para o outro com o grupo até a festa acabar. Aliás, era o tipo de festa que não deveria jamais acabar. Mas as moças e os rapazes ficaram agarrados uns aos outros depois que a banda parou de tocar, dando continuidade a outro tipo de festa. Trocaram latas de cerveja, fumaram e tomaram goles de outras bebidas. Júlia os acompanhou. Pensou em Beatriz. Seria o momento de procurá-la? Achou melhor deixar Beatriz em paz. Quem sabe teria se arranjado com alguém?

O rapaz puxou Júlia por um dos braços e a levou para um local mais discreto, onde as pessoas rareavam. Os outros também se espalharam, era hora de beijos, abraços, e tantas carícias mais. Chamava-se Paulo o seu recente namorado. Achou o nome muito bonito, combinava com o tipo físico dele, combinava com o nome dela. Dois nomes comuns, Paulo e Júlia. Ele tomou a iniciativa de beijá-la. Ela adorou. Sentiu seu hálito puro, as mãos um tanto frágeis, mas mãos de quem sabe acariciar. Reparou que a noite ficara mais escura. Sentaram-se na areia e conseguiram uma posição adequada, abraçavam-se confortavelmente. Ela lembrou do homem musculoso e do prejuízo que ele lhe impusera.

Paulo tocou-lhe a cintura, desceu as mãos por suas pernas, pousou-lhe a mão direita num dos joelhos, começou a percorrer suas coxas por sob o curto vestido. Deu-se então o esperado.

“Você está sem a calcinha”, falou instintivamente.

“Foi um homem, acredite, antes de você.”

“E você deixou?”

Júlia sorriu ante a ingenuidade do rapaz.

“Claro que não. Aquele aperto todo, ele se aproveitou. Sorte que me perdi dele. Mas deixa isso pra lá. Você se incomoda?”

Paulo acabou achando até melhor. Menos um trabalho.

Aí aconteceu o segundo problema da noite.

Ela se deitou, ele acariciava-lhe as pernas. Júlia então pediu que subisse sobre ela. O rapaz atendeu. Ninguém reparava seus movimentos, as pessoas eram cada vez menos numerosas, e quem ficara estava preocupado apenas com o próprio prazer.

Júlia não sabia dizer o que aconteceu a partir daí, narraria a Beatriz. Sentiu naquele momento o mesmo que sentira nos breves segundos de êxtase coletivo do show. A sensação voltara, era rara e muito agradável, um gozo indescritível. Então pediu a Paulo que lhe tirasse o vestido, começou a gritar como uma histérica, falou coisas jamais pensadas, ficou totalmente descontrolada. Queria o prazer supremo, era tudo.

O rapaz atendeu seus primeiros e ofegantes pedidos, mas depois se assustou. Talvez nunca tenha trepado com uma mulher assim. Talvez suas mulheres apenas murmurassem na hora do sexo. Não suportou o ardor de Júlia e correu dali desaparecendo dentro da madrugada.

Júlia ficou só. E nua. “Quando ele estava em cima de mim nem me preocupei com coisa alguma, queria sentir prazer”, diria à amiga.

Agora precisava juntar os cacos. Onde o vestido? Sobre as areias, restos de uma noite de festa: latas de cerveja, copos, maços de cigarro vazios, pequenos pedaços de plástico ou de pano, alguns adornos, pequenas peças perdidas durante toda a loucura.

Após entrar no hotel, pensou em Beatriz. Esta diria: “ainda bem que o que você não encontrou foi a sandália. Já pensou se tivesse acontecido o contrário, encontrado a sandália mas não o vestido? A primeira noite e já nua em Porto Seguro... Mas bem que você gostaria, não é mesmo? Eu te conheço.”

sábado, outubro 23, 2010

Doce predileto

Ainda no carro, os dois rapazes nos fizeram vestir biquínis minúsculos. Na verdade, não cobriam nada. A calcinha era uma tirinha frágil, entrava e deixava a bundinha toda de fora. Na parte da frente também não era possível esconder que eu engolia aquele pedacinho de pano. Luciana, como era maior do que eu, mostrava-se ainda mais desconfortável, tanto as peças dela como as minhas eram do mesmo número. Quando chegamos à praia, reparamos que a frequência era enorme. Era temporada de férias. Ficamos morrendo de vergonha. Ou permaneceríamos o tempo todo enroladas em nossas cangas, ou entraríamos logo na água. Optei pela segunda alternativa. Luciana me seguiu. Ao perceber que o mar já me cobria acima dos seios, falei aqui dá pra disfarçar, na areia todas as pessoas vão ficar nos olhando. Os rapazes nos acompanharam, depois sugeriram que fôssemos para trás da arrebentação. Cortamos algumas ondas até chegarmos ao local pretendido e, quando conseguimos, permanecemos durante algum tempo namorando, com naturalidade. Logo, porém, a temperatura subiu. O que ficou comigo avançou num intenso roçar de corpos e, sem perder tempo, abaixou meu biquíni até o calcanhar. Fez de propósito para que eu o perdesse. Você vai me deixar nua, ainda falei. Ele contrapôs você já está. Não demorou o biquíni acabou escapando e foi levado pelo mar. Mas o rapaz me penetrava, me excitava tanto, que, naquele momento, nem me preocupei. Reparei que Luciana, além da calcinha, perdera também o sutiã. Mostrava-se, como eu, excitadíssima. Gozei três vezes. Só então comecei a pensar como vou sair daqui desse jeito? Quando Luciana caiu em si, olhou para mim. Ela estava toda arrepiada. Não sei se de frio, de vergonha ou ainda se deleitando num frêmito derradeiro e involuntário, rastro do último gozo. Os rapazes saíram juntos. Disseram que iam buscar outros biquínis. Ficamos esperando. Será que voltariam?


Permanecemos dentro d’água durante cerca de trinta ou quarenta minutos. E poderíamos ter ficado ali durante bem mais tempo, talvez até o entardecer quando seria possível deixar o local despercebidas. A descoberta se deu em virtude de dois motivos: o primeiro, a intranquilidade de Luciana; o segundo: o fato de ela estar sem o top. Pedi muito que se acalmasse, que tudo dependia disso para nos mantermos incógnitas, mas ela não conseguiu. Como se mexia muito dentro d’água, alguém pensou que estivéssemos em apuros naquele pedaço do mar e acabou se aproximando. A primeira coisa que reparou foi que ela estava com os seios nus, daí para descobrir que nos faltavam os biquínis, não foi muito difícil. O homem nos olhou com discrição e até tentou nos ajudar, disse que iria à procura de algo que nos cobrisse. Mas não voltou. Consegui, porém, que minha amiga se acalmasse, era ao menos uma solução provisória. Vamos ficar quietinhas, Luciana, assim ninguém mais vai nos descobrir, não vamos morrer porque estamos nuas, já passamos por situações parecidas, mais cedo ou mais tarde alguém nos ajuda. Quem nos salvou foi um pequeno grupo de surfistas. Preocupados a princípio apenas com as ondas, descobriram-nos ao acaso. Mas depois desconfiei que poderiam ter sido avisados sobre nós pelo homem que nos achara antes. Vestiram-nos com suas roupas de borracha, mas antes nos beliscaram, nos apalparam e experimentaram o doce predileto.


Saímos da água depois de muito tempo, exaustas, mas sem provocar rebuliço. Na areia, eles nos cobriram com duas cangas e pediram que devolvêssemos as roupas emborrachadas. Nunca me senti tão vestida, mesmo sabendo-me nua sob o pano. Um deles ainda se ofereceu para nos levar de automóvel. Um rapaz educado. No final, perguntou como nos sentíamos. Luciana, recuperada, se antecipou: ardida e dolorida, mas não sem uma ponta de gozo!

quinta-feira, outubro 21, 2010

Ando mais recatada

Essas brincadeiras, já fiz, agora ando mais recatada. Mas é muito excitante. Sei que há mulheres que não gostam, que adoram um quarto fechado. Dizem que sexo é bom entre quatro paredes. Eu, porém, sempre gostei de aventuras. Não vou dizer que não seja perigoso, que alguma coisa pode não dar certo. Há essa possibilidade. Mas quando tudo acaba bem, dá uma satisfação e um prazer muito grande.

Gosto de me arrumar bem. Tenho roupas muito bonitas. Quando saio para alguma festa, faço o máximo para ir bem vestida. Todos me admiram.

Outro dia fui a uma dessas festas elegantes. Um professor de uma universidade federal, gente importante, fez aniversário. Escolheu comemorar num casarão, na Ladeira do Russel, quase ao lado do antigo Hotel Glória. O lugar tem uma vista linda, é possível admirar o aterro do Flamengo, o Pão de Açúcar e a enseada, acho que também dá pra ver a pista do aeroporto. As pessoas começaram a chegar a partir das dez da noite. A festa durou a madrugada toda. Dancei, bebi duas caipirinhas e alguns goles de cerveja. Arranjei alguns admiradores. Mas fui embora com um amigo. Propostas para sair não faltaram. Preferi, porém, ir para casa descansar. Deixei a emoção para o dia seguinte.

Houve uma vez em que aceitei um convite de um homem que me paquerava continuamente. Acabei namorando-o durante alguns meses. Logo entrou no meu ritmo. Adorou ter uma mulher como eu. Nem me lembro porque nosso namoro não continuou. Acho que ele trabalhava fora e precisou sair do país durante um tempo. Era muito cavalheiro. No começo do relacionamento falei que já tinha andado nua dentro de um automóvel acompanhando um outro namorado. Ficou preocupado. Disse que eu me arriscara. Um dia, no entanto, bebeu demais e veio me encontrar. Pediu para que eu fizesse o que contara semanas antes. Acho que pensou que fosse tudo mentira. Fiz tudo da mesma maneira. É lógico que antes saímos e bebemos alguns drinques. Depois me levou até uma estrada escura e pediu para que eu saísse do automóvel. Atendi. Ele disse:

“Ei, assim não vale.”

Entendi o que ele queria. Tirei o vestido e deixei nas mãos dele.

“Pode ir”, falei.

“Você não tem medo de que eu não volte?”

“Não, pelo menos nunca aconteceu.”

“Cuidado, sempre há uma primeira vez”, partiu acelerando o automóvel.

Demorou. Pensei que realmente fosse a primeira vez em que me veria embaraçada.

Voltou, mas não me deixou vestir. Ainda passeamos durante um bom tempo. Me levou para uma casa de campo. Parou o carro numa rua abaixo. Quando ia me vestir, pegou toda a minha roupa e saiu do carro. Me deixou pelada lá dentro. Eu nem sabia onde ele morava.

“Espere. Como vou procurar sua casa?”

Não me respondeu. Mas não me importei. Fiquei dentro do carro. Naquele tempo os carros tinham os vidros transparentes, quase não existiam esses vidros escuros de hoje em dia.

Dormi um pouco. Ele não voltou. Ao acordar percebi que amanhecia. Abaixei e fiquei sentada no chão do automóvel, encolhida debaixo do painel. Assim ninguém poderia me ver.

Passaram-se mais ou menos duas horas. Acho que já eram oito da manhã. Eu estava com as nádegas doendo e uma vontade terrível de tomar café. Vai ver ele dormiu e me esqueceu aqui, pensei. Só então notei que no banco de trás havia algumas roupas. Descobri um paletó e uma meia de mulher. Vesti aquelas roupas. O paletó ficou bem no meu corpo, e até tinha um pouco de comprimento.

Saí do carro. Para completar, calcei minha sandália de meio salto. Comecei a procurar onde ele poderia morar. Pra minha sorte, não encontrei pessoa alguma. Segui mais ou menos a trajetória que ele fez quando me deixou. Depois de uma cerca, avistei uma casa. Atravessei a cerca e bati na porta. Ele mesmo veio atender. Ficou surpreso ao me ver vestida daquele jeito.

“Você esqueceu de mim”, falei chorosa.

Pediu mil desculpas. Namoramos logo adiante, depois que ele fechou a porta.

Quando se tem calma sempre há uma solução, tanto mais se o namorado é alguém especial. E eu nem podia reclamar. Quem inventara aquela brincadeira?

Hoje, quase não tenho saído nua por aí. Um dia desses aconteceu, sim, daí o quase, mas foi coisa rápida, e com um homem que eu já não encontrava havia tempos. Mas me deixe contar essa história num outro dia...

sábado, outubro 16, 2010

Não diga nada

Eles nos deixaram peladinhas peladinhas. Também as coisas não poderiam acontecer de outro modo. Vestíamos biquínis minúsculos, as carnes todas de fora. Mas o que incendiou mesmo os rapazes foi quando a Adriana começou a mostrar os seios. Tanto eles como nós já estávamos bebendo desde cedo. Eles, cheios de fogo; nós, idem. Uniu-se o útil ao agradável. E era o que nós queríamos. Se você estivesse lá, também iria gostar. Imagine o que aconteceu depois, nós nuas dentro d’água, e nas mãos deles. Fizeram uma festa. Na foto que coloquei no Facebook, estou de biquíni, mas foi tirada logo que chegamos. Agora voltando ao seu assunto. Não ponha em prática no início do namoro aquelas coisas que lhe contei, entendeu?

Que coisas?

Ivana, não se faça de desentendida; você mal conhece o cara, não tome a iniciativa, deixe que ele descubra você aos poucos.

E se ele me perguntar sobre o que mais me excita, por exemplo?

Ele não vai perguntar.

Mas se perguntar?

Não diga nada.

Mas se ele quiser uma resposta?

Diga-lhe para usar a imaginação; mostre que não vale a pena falar sobre isso.

Aquelas coisas que você me contou e eu sugeri ao Adão me deixavam a mil; acho que nunca vou ter outro homem daquele tipo.

Vai ter, Ivana, vai ter; alô!, você está me ouvindo, Ivana?

Estou.

Então, calma; depois tudo acontece com naturalidade.

Acho que não, Márcia; não acredito.

Ivana, você conheceu esse homem há poucos dias; deixe o tempo passar para que vocês se descubram; se ele não agir como o Adão, não faz mal; ele vai fazer coisas novas, acredite!

Coisas novas?, dê um exemplo.

Ivana, não é preciso; imagine alguma coisa que você nunca tenha feito numa relação a dois.

Ah, mas eu já fiz tantas coisas interessantes...

Mas imagine, sempre há algo novo.

Já sei, estou imaginando...

Viu?, não vai demorar você vai fazer isso com ele.

Márcia, mas se ele for daquele tipo feijão com arroz?

Feijão com arroz, Ivana, também é gostoso.

Eu não acho.

Ivana, por favor, não vai estragar tudo no primeiro dia.

Márcia, escute só, será que posso falar para ele o que imaginei agora?

Não, Ivana!

Então pra que você me mandou imaginar?

Pra você projetar algum desejo; assim as chances de realização são maiores.

Será que devo ir ao encontro daquele jeito que gosto, apenas com o vestido sobre a pele?

Ivana, por favor, espere ao menos algumas semanas.

E o que tem se eu falar pra ele o que mais me excita?

Ivana, os homens sabem o que excita as mulheres; se você falar, principalmente sobre a experiência que sugeri a você da outra vez, ele vai pensar nisso o tempo todo e vai passar a ver você somente pelo ângulo sexual; aquilo não é para ser praticado num início de namoro; se você não me escutar, vai acabar desvalorizada.

Há homens que nunca descobrem coisa alguma; só pensam em futebol e em beber com os amigos.

Descobrem sim, Ivana, você mesma pode conduzir a isso; e acho que esse seu novo namorado não é dado a futebol nem a beber com os amigos; ele gosta de poesia...

Então, Márcia, para cativá-lo, coloco em ação meus artifícios!

Ivana, por favor, no início não, espere um pouquinho, talvez um mês...

Ah, não sei, é tão bom chegar nua na casa do namorado, é uma surpresa e tanto...

Ivana, você não tem jeito.

sábado, outubro 09, 2010

Eles vão adorar nos encontrar felizes

Não se preocupe, eles são boas pessoas. Gostamos duma aventura, não é mesmo? Eles também. Não fique tão nervosa. Lembra aquela vez quando fiquei namorando quase até o amanhecer nas areias do Leme? Foi com um deles, e, olhe, nunca aproveitei tanto. Você precisa se soltar. Relaxe. Eles estão se preparando para nos surpreender. E desse jeito, como eles desejam, é melhor. Não há perigo quanto aos nossos pertences. Estão bem protegidos. Agora, sente-se, cruze as pernas e sorria. Eles vão adorar nos encontrar felizes, naturais. É isso que querem: naturalidade. Nós também os queremos totalmente entregues aos nossos braços, como se não houvesse amanhã. Caso ainda estivéssemos como chegamos, cobertas até o pescoço, haveria perigo de mancharmos nossas roupas. Elas são caras. A Marisa tinha o costume de gostar de muito pano, acabou que um dia agarrou-se a um dos rapazes, escolheu logo o que não tinha muita experiência, ela se viu em maus lençóis, aliás, aquele tecido nem era pra lençol. Sei que ela corria de lá pra cá e de cá pra lá sem saber o que fazer, levantando um pouquinho a barra do vestido, tentando preservá-lo. Portanto, assim como estamos é melhor. Sei que você se preocupa com a hora. O tempo passa rápido e podemos nem dar pelo amanhecer. Mas eles não vão querer escândalo. Caso saiamos daqui assim, eles vão ficar mal perante a vizinhança. Quanto foi mesmo o seu vestido? Quinhentos? Foi caro, viu? O meu foi trezentos e estou me mordendo toda por isso. Queria tanto que tivesse sido presente. Mas quem me daria uma roupa cara assim? Lembra do biquíni? Um biquíni de duzentos e oitenta tem de ser de uma super grife. Aqueles outros rapazes gostavam de nos dar presentes. Eram meio tarados, concordo. Vestíamos o biquíni para eles tirarem. E dentro d'água! Quase morremos de medo. Mas tudo acabou bem. Ninguém percebeu. E, pensando bem, aquilo é que era vida. Escute, está chegando alguém. São eles. Sente-se, se quiser acenda um cigarro. Mas não trema. Cruze as pernas. Somos as mulheres mais bem vestidas do mundo. Deixemos tudo agora ao encargo deles. Representemos. Pode ser que resolvam nos presentear, nos encher de cordialidade. Cordialidades acima de quinhentos reais. Cabe a uma mulher acreditar, tanto mais quando se sente especial.

quinta-feira, outubro 07, 2010

Não precisam de mais nada.

Vocês querem me pregar uma peça, não? Me fizeram vir até aqui, provar os vestidos, agora não querem devolver o meu. Uma brincadeira... Adoro brincadeiras. Sei que vocês querem saber se o que escrevo é verdade, não é mesmo? Não acreditam nas minhas histórias. Acham que é tudo mentira e que a literatura tem de corresponder à verdade. Pode ser. A maioria não entende o que é literatura. Como vocês são meus admiradores, aceito a brincadeira. Querem que eu saia do apartamento nua e que depois conte o que aconteceu. Desejam que uma provocação gere um conto. Será que vou me sair bem? O final vai-me ser favorável? A questão não é essa. A questão é a seguinte: será que vou contar? Posso me reservar ao direito de não dizer nada. Uma escritora, um escritor, o artista de modo geral têm o direito à privacidade. Nem sempre nos contos falo sobre a minha vida. Existe autor e narrador. São dois seres bastante distintos. Sei que me acham exibida. Toda pessoa importante gosta de se exibir, e até mesmo as que não são importantes. Seria melhor vocês fazerem uma viagem, iniciarem-se em aventuras, depois poderiam escrever sobre isso. Assim é que se começa. O bom escritor é aquele que tira histórias das pequenas coisas. Não são necessários grandes acontecimentos nem enredos fetichistas. Às vezes se sai de casa e se narra uma ida até o armazém da esquina ou até a banca de jornal, lembra-se de alguma coisa, vê-se algum vizinho, volta-se para casa e a história está terminada. O grande motivo pode ser a maneira como a pessoa casualmente encontrada cumprimentou você, ou mesmo o ato de se evitar pisar sobre um inseto durante a caminhada. Vocês querem me deixar nua para ver o que acontece? Ok, aceito. Mas não prometo falar sobre isso. Mesmo que me saia bem. Ou mesmo mal. O programa de computador que vocês criaram faz minha voz se transformar em escrita e aparecer no blog quando estou logada? Interessante. Então, não precisam de mais nada. Eis o conto.

sexta-feira, outubro 01, 2010

Nos conhecemos há poucas semanas

“Preciso de alguém que me ajude”, falei pra ele.
Com aquele jeito dissimulado, olhou pra mim, aproximou-se e me beijou.
Continuei com se fosse a mulher mais cínica do mundo.
“A vida pra mim não tem sido fácil, preciso de um homem que me ajude”.
“Ajudar, como?”, fingiu se interessar.
“Meu dinheiro não dá pra passar o mês, antes eu tinha um namorado, morou comigo durante um tempo, pagou algumas contas, contratou a TV a cabo, mas houve um problema e nos separamos”.
Levantou-se, caminhou até a janela, olhou pra fora, parecia admirar a paisagem vista do segundo andar.
“Não sei se posso ajudar, também vivo em dificuldades”, falou voltando-me a face.
“É muito difícil ficar com alguém e não receber ajuda”.
“Você quer um homem pra pagar suas contas, na verdade”.
“Isso, mas nem todas, algumas consigo pagar sozinha; minha vida é muito cara”.
Caminhei até o quarto, ele atrás. Parei antes de alcançar a cama. Demonstrou a intenção de me abraçar. Sentei na beira da cama e olhei para o chão.
“Deixa eu te beijar”, falou.
Ofereci uma das faces. Beijou-me. Olhou a cama de casal. Segui o seu olhar.
“Venha cá, deixe-me abraçar você”, falou de novo.
Levantei-me.
“Sua saia não está um pouco apertada?”
Desabotoei a saia jeans; ficou presa apenas pelo fecho. O botão fora da casa demonstrava meu desejo de ficar nua.
Agarrou-me com força e procurou meus lábios.
Cedi.
Uma de suas mãos escorregou por entre as minhas pernas. Tentava tirar minha roupa. A saia escapou-me, foi ao chão. Eu vestia uma miniblusa e a calcinha. Branca, bem pequena.
Fui eu quem o agarrei com mais força. Temi que me soltasse e se afastasse para admirar meu corpo nu.
Permaneceu com os lábios junto aos meus. Demorou-se no beijo. Quando eu mal suspeitava, começou a tentar tirar-me a calcinha. De início, resisti. Pensei se permitiria ou não. Ele, porém, foi mais rápido. Minha resistência fingida ajudou-o a descê-la até os tornozelos.
Ameaçou colocar o pênis pra fora da calça. Tentei escapar. Não o desejava sem garantias. Deu-me mais um longo beijo. Ao dar por mim, perdera de vez a calcinha e estava encostada à parede. Ao me soltar, virei-me de costa, encostei o ventre à parede e mantive os braços baixos. Repentino vexo assaltou-me.
Apalpou meu bumbum. Seu toque sutil desalojou-me. Não resisti, virei de novo, de frente.
“Já falei, isso não vai adiantar, preciso de alguém que me ajude”, sussurrei por entre os dentes.
Aproximou-se, forçou-me as pernas com o pênis já bastante enrijecido.
“Depois a gente conversa sobre isso. Caso você esteja muito necessitada, deixo algum dinheiro”.
Afastei as pernas. Senti que eu era pequena para ele. Mas, naquele momento, além da excitação, não queria perder uma ou duas notas de cinquenta.
Emiti alguns sons, gemi durante segundos. Após senti-lo dentro de mim, não desejei que se afastasse.
“Nos conhecemos há poucas semanas, nada sei sobre você, não sou mercenária, mas tenho necessidades, prometo que se amar você, vai poder sempre me deixar nua, me namorar.”
“Sei”, falou ofegante.
Denunciei-me; tornei-me escorregadia. Puxei-o pelos cabelos, beijei-o na boca.
Seu gozo explodiu dentro de mim. Naquele momento, ia esquecida das poucas notas de dinheiro.

quinta-feira, setembro 23, 2010

Não é que acabei postando?

Fique calma, tudo vai dar certo. Não se preocupe, ninguém vai nos descobrir aqui. Esse vidro escuro nos protege. Estamos vendo todos lá fora, mas eles não são capazes de nos enxergar. Não precisa ficar tão vexada. Você quer que eu use esse post para pedir a alguém para vir até aqui e ajudar a gente? Olha que é melhor esperar. Nessa situação, a calma é tudo. Por que estou escrevendo se não é para pedir ajuda? Gosto de escrever quando me dá vontade. E agora estou ardendo. Mas publicar é outra coisa. Quando acabar vou clicar em salvar, depois penso o que vou fazer com o texto. Às vezes, até jogo fora. Mas me dá uma pena... Gosto tanto do que escrevo. Você não sabe como consigo? Como tenho essa calma toda nessa situação? Sei que já é dia, que viramos a noite, que os rapazes foram legais até certo ponto. Depois, ah, o que aconteceu depois e ainda se estende até agora deve ser parte da brincadeira deles. Quando nos disseram para esperar um pouquinho, acho que era verdade. Mas devem ter dormido. Ao acordarem, eles voltam, na certa. Não vão abandonar o carro nem nós. Você acha que aqueles dois que vêm ali são eles? Não são, não. Parecem, apenas. Você quer sair e pedir ajuda? Imagine só, vai ser pior, vai juntar gente. Nesta situação, o melhor é esperar. Pedir ajuda a uma mulher? Não gosto da ideia, há muitas mulheres invejosas, conservadoras. Tenha calma, tudo vai acabar bem. Por que permitimos que nos deixassem assim, assim tão à vontade? Olha que na hora você gostou. Nem pensou nas consequências, não foi? Sei que já são dez da manhã e está ficando quente. Aguenta um pouquinho. A praia é aqui em frente. Quando resolvermos tudo, damos um mergulho. Veja, há um saco de balas, coma uma ou duas para você se acalmar. Lembra aquela vez quando escrevi o conto "Aparição"? Aquela história aconteceu mesmo. Mas no fim acabou bem. Tenho essa mania de namorar na rua ou na praia, mas me preocupo sim em sair com rapazes legais. Foram gentis com a gente, proporcionaram prazer. O que fizeram a seguir faz parte, viu? Caso você queria viver essas aventuras, precisa se acostumar com alguns probleminhas que vez ou outra surgem. Também pode ser que agiram assim porque sentem prazer em deixar duas mulheres aguardando por eles. Não, não abra a porta do carro nem saia correndo, vai ser pior. Olha. Que bom! Vêm eles lá. Não falei que voltavam? São eles, sim. Deixa chegarem mais perto que você vai ter certeza. Não iam desprezar duas gatas bonitas como nós, não é mesmo? E tanto mais nuas!

sábado, setembro 11, 2010

Celebridade

Não sei como dizer, Clara, mas não sirvo para esse tipo de coisa. Fiquei apavorada. Você diz que consegue se controlar, que cochicha no ouvido deles essas coisas todas, diz que chegou pelada e vai embora pelada, faz o homem ficar louco por você. Mas eu não consigo. O pior foi ele ter começado. Você disse que todo homem é um pouco tarado, não foi isso? Até aí tudo bem, mas comecei a achar que as palavras dele seriam verdadeiras. Fugi, Clara, saí correndo. Juro que não apareço lá nunca mais. O que ele me falou? Preciso contar? Acredito que foi você que inventou aquelas coisas todas, ele deve ter aprendido com você, não há outra saída. Vou contar o que ele me falou. Ouça, Clara, pra você pode ser uma coisa comum, para mim, porém, foi terrível. Eu estava nua na cama dele. Viu, como você já imaginava, fui parar no apartamento dele, e olha que não costumo frequentar casas de namorados. Ele sussurrou no meu ouvido que eu sou muito gostosa, essas coisas que todo homem diz para uma mulher. Disse que qualquer um gostaria de me apalpar, "você arranja o namorado que quiser, seja ele uma pessoa comum ou uma celebridade", isso, Clara, celebridade, foi o que ele falou. Agora veja se estou com essa bola toda. Já passei dos..., bem, não preciso falar, você sabe. Escute. Continuou me acariciando. Até aí eu estava gostando muito. O que me apavorou foi quando entraram as palavras. Palavrões? Não, Clara, acho que ele nem é de falar palavrões. As palavras dele me colocavam numa situação muito complicada. Quando eu já ia lá pelas tantas, envolvida num quase êxtase, ele veio com aquela história do vestido. "Sabe o seu vestido? Não vou devolvê-lo, você vai embora nua." Gelei, Clara. Já pensou? Ir embora nua. Nunca me aconteceu isso. Ele ainda continuou, com uma pergunta: "Você já chegou nua em casa alguma vez?" Como? Chegar nua em casa? Claro que não. Deus me livre. Não precisei responder, porque ficava cada vez mais gelada. Mas ele entendeu o meu pensamento. "Então vai chegar hoje." Quase me desvencilhei dele. Mas o danado parecia conhecer tudo de mim. Me tocava nos pontos que me excitavam mais, me beijava, enfiava as mãos entre as minhas pernas, procurava o meu grelo. Ai, que palavra horrível, grelo. Mas ele procurava. De repente subiu sobre meu corpo e fez seu sexo me penetrar. Junto com todas aquelas carícias, confesso que me esqueci do que ele dissera. Procurei me concentrar, achar que suas palavras anteriores eram um meio de se excitar. Quando ele estava próximo do prazer máximo, resolveu começar a falar de novo: "hoje você não escapa, viu, lembra aquela hora que abri a porta do apartamento? Lembra que pedi licença logo depois que você se despiu e fui até lá fora um instantinho?" Ele falava e continuava se movimentando, com o pênis dentro de mim. "Você não notou, mas peguei o seu vestido escondido de você e o coloquei lá fora, na caixa de incêndio do andar. Nem sei se ainda está lá, pode ser que tenha desaparecido, assim você vai ter que voltar nua mesmo." Foi a gota d'água, Clara. Empurrei ele pro lado, corri, abri a porta do apartamento e fui até lá fora. Juro, nuinha no corredor do quarto andar daquele prédio. Verifiquei a caixa de incêndio e não encontrei nada lá. Alguém roubou o meu vestido, pensei. Vai ver ele combinou com alguém do prédio. Abri a porta desesperada e voltei pra dentro do apartamento. Foi quando vi a camisa polo que ele vestira sobre a cadeira. Enfiei a blusa, rápido, ficou tão curta, Clara, um vestido mais curto do que aquilo é inimaginável. Peguei minha bolsa, a sandália, e corri dali. Juro. Eram duas da madrugada. Ainda bem que não tinha ninguém na portaria do prédio dele nem na do meu. Fugi pra casa. Você precisava ver a cara do motorista de táxi ao me descobrir vestida daquele jeito. Para concluir. Hoje o engraçadinho me ligou e disse: "você esqueceu o seu vestido aqui, não quer vir buscá-lo?" O que, Clara, ir lá de novo? Você acha mesmo isso bom? Tremi tanto. Não sei, Clara, não tinha pensado sobre isso. Assim você me deixa confusa. Vou pensar, então. Prometo, a princípio vou apenas pensar. Mas de antemão, acho que depois disso tudo, até que sua ideia não é má...

quinta-feira, setembro 02, 2010

Não vai se vestir?

Você quer saber? Eu conto. Os homens são terríveis, adoram perguntar essas coisas. Muitos fazem como você, perguntam como foi a primeira vez. Ora, a primeira vez de uma mulher nunca é uma coisa boa. A gente demora a gostar de sexo. Mas vou contar a você algo que me aconteceu antes da primeira vez.

Eu era bem jovem, acho que tinha quatorze anos. Veja só, apenas tinha deixado de ser criança e já me metia em situações que poderiam me comprometer. Mas sempre fui ousada. Naquele tempo, minha irmã mais velha estava a fim de um rapaz de vinte e um anos. Isso mesmo, vinte e um. Logo arregalei os olhos. Nossa casa era grande, tinha piscina, gramado, churrasqueira e tudo mais. Ela convidou-o para um banho num dia de domingo. Desde cedo me coloquei a postos, não larguei os dois. Em certo momento, percebi que ele admirava-me e não à minha irmã. Mergulhei diversas vezes e fiquei juntinho dele. Minha irmã, como sempre, reparou e ficou morrendo de raiva. Dias depois, encontrei-o à noite no clube que costumávamos frequentar. Ele estava no bar. Aproximei-me, pedi um refrigerante e ficamos conversando. Meia hora depois disse que estava de carro e que me convidava para dar uma volta. As meninas de então não tinham o costume de passear sozinhas de automóvel com os rapazes. Mas aceitei.

Saímos e demos umas voltas pelo bairro. Sabia qual a intenção dele. Parou numa rua mais escura, deserta àquela hora da noite, perguntou se podíamos continuar nosso papo ali. Nada respondi. Esperei que me beijasse. Não fiquei imediatamente nua, como estou agora na sua casa, vinte e tantos anos depois, sentada no sofá de dois lugares, de pernas cruzadas e fumando esse cigarro. Naquele tempo eu já fumava. Perguntei se me cedia um cigarro. Ele o acendeu, deu um trago e o colocou nos meus lábios. Depois começou a me acariciar. Quis que eu tirasse a blusa. Não tinha vergonha de ficar nua, mas achava que riria dos meus seios, que não eram grandes. Disse a ele:

“Tire a minha saia; a blusa, não”.

Surpreendeu-se com a minha atitude.

Eu usava saia comprida, meio hippie, um tipo de bata indiana. Não custou à saia ir parar no banco de trás. Cruzei as pernas e continuei fumando, apenas de calcinha. Depois que arremessei a bagana pela janela, virei-me a ele e descansei nos seus braços. Aí aconteceu o problema que é a razão de estar contando isso hoje. Ele resolveu tirar o pênis para fora da calça. Fiquei assustadíssima. Nunca tinha visto um pênis duro. O dele era grande e grosso. Não quis dar mancada. Fingi que nada acontecera. Mas ao tentar aproximá-lo das minhas pernas, o rapaz notou que eu mostrava desconforto.

“Você é virgem?”, perguntou.

Atrevida, respondi:

“Isso não é pergunta que se faça a uma mulher”.

“Mas você parece tão assustada...”

“É melhor você me deixar no clube, vamos sair outro dia”.

Virei-me ao banco de trás, recuperei a saia e pedi que desse a partida.

“Espere só mais um pouquinho”, falou carinhoso.

Agarrou-me e deu-me alguns beijos na boca. Mas já com o pênis dentro da calça.

“Faz um favor pra mim”, ainda disse, “não vou lhe fazer mal algum, só quero ver você nuinha”.

“Você promete que depois me leva embora?”

“Prometo”.

Pedi mais um cigarro. Dessa vez fui eu que o acendi. Dei um longo trago, deixei-o entre seus dedos e tirei toda a roupa. Já não tive vergonha dos pequenos seios. Peguei o cigarro novamente e, de pernas cruzadas como agora, fumei-o até o fim. Queria que o rapaz levasse uma imagem positiva de mim; caso contrário, ao ouvir falar meu nome, lembraria do susto que senti ao ver seu sexo. Depois que acabei de fumar, pedi que me levasse dali. Ele me atendeu. Mas antes fez mais uma pergunta:

“Não vai se vestir?”

quinta-feira, agosto 26, 2010

Antes e depois

Naquela noite ele me acariciava de cima a baixo, beijava todo o meu corpo, aquecia-me com seu tórax, mordia-me, mas o que me deixou de cabelo em pé foi quando falou: você já voltou peladinha pra casa? Nem respondi, deixei que continuasse a me acarinhar. Pedi que me apertasse os seios. Continuou: hoje, vou colocar você nua num táxi. Fechei os olhos, beijei-o, cheia de volúpia. Pedi, venha, suba sobre mim, já não aguento. Calma, falou, temos tempo. Abracei-o, apertei seu corpo com toda força. Você é muito gostoso. E você, nua, é mais deliciosa. Procurei seu pênis, segurei-o com uma das mãos. Você vai ficar ainda mais linda caminhando de madrugada pelo passeio, nua, à espera de um automóvel. Você é tarado? Às vezes, respondeu-me procurando minha língua; quando a soltou, continuou: as mulheres adoram um homem com alguma tara. Beijei seu pescoço, deslizei as mãos por entre seu cabelo. Você não está acreditando, não é mesmo?, mas vou deixar você peladinha, é verdade, algumas mulheres pensam que os homens dizem essas coisas apenas como fantasia, na hora em que estão morrendo de tesão, mas eu, mesmo depois que gozo, continuo o mesmo, dou minha palavra. Fui novamente em busca de sua boca. Suas palavras deixaram-me sobressaltada, embora procurasse disfarçar. Seria aquele homem excepcional? Não me largaria após o gozo, como se eu não mais fosse necessária? Ao mesmo tempo em que um ligeiro tremor percorreu meu corpo, meu coração disparou. Mas não mais de preocupação; ansiava por saber como tudo terminaria. Não apresse as coisas, não tema, não há gozo melhor que esse, falou como se tivesse adivinhado meus pensamentos. Sentiu que meu corpo esfriou um pouco, não porque perdera a vontade de estar sob as carícias de seus braços e mãos fortes, mas porque aquele friozinho que dá na barriga na hora da incerteza expandiu-se além do que eu desejava. Venha, falou, deixe que eu a satisfaça. Não, retruquei, vamos demorar mais, assim morro de excitação, prefiro. Está bem, foram suas palavras. Pegou-me novamente, procurou meu clitóris com a boca, fez-me vibrar mais uma vez. Você já fez isso com outras? Sempre faço, falou ao subir novamente e deitar a cabeça sobre meus seios, ou você acha que é a primeira vez? Não nesse sentido, falei, mas sobre o que você disse que vai fazer comigo... Ah, entendi, já duas ou três saíram nuas, uma outra aceitou o táxi, algumas fizeram uma troca. Troca? Que troca?, minha curiosidade ainda me mata. Na verdade, todas elas aceitaram o jogo; no fundo gostam de um homem que as deixem em perigo, parece que se excitam com isso. Mas, fale da troca, ou do jogo, insisti. Ah, sim; duas ou três quiseram fazer de conta que chegavam nuas na casa do namorado. Chegavam nuas, como assim?, imaginei o que fosse, mas não consegui me conter. Sabe a letra da música? Aquela, de uma cantora que diz: vou bater na sua porta completamente nua, acho que é mais ou menos isso. Ah, sei, suspirei, e elas bateram? Ora se bateram, bateram e gozaram, o tanto mais que eu demorei para abrir. É mesmo? que loucura! Na verdade, não há nenhuma loucura nisso, continuou, há prazer. Mas como se deu o jogo?, estava picada pela fantasia. O jogo era: caso chegassem nuas, recebiam de volta o que vestiam, era uma troca, uma espécie de jogo substituto para não terem de tomar um táxi sem nada sobre o corpo. Entendi, suspirei ainda uma vez. Não fique preocupada, falou, vou dar a você todas as chances. Jura? Juro. E seu eu não quiser participar?, dei-lhe um beijo nos lábios após a última palavra. Querer? Não sei se dou a você esse direito; e, além disso, acho que depois não vai desejar outra vida, concluiu. Tem certeza? Oh, se tenho, confirmou. Então venha, sussurrei, quero gozar, quero experimentar a outra vida. Você quer jogar antes ou depois?, deu-me a chance da escolha. Hum, deixe-me ver; antes e depois!

sexta-feira, agosto 13, 2010

Já que você faz questão...

Já que você faz questão, conto, embora ache um tanto doentio esse meio de se excitar. Quando sinto atração por alguém, não me importa que me leve para cama logo no dia que o conheço. Mesmo que o tenha conhecido numa festa, boate, ou mesmo no cinema. Não posso dizer que não sinto medo. Às vezes, o temor provoca arrepio. Talvez seja semelhante à maneira de você se excitar. Nunca passei por perigo algum. De todos os homens com quem saí logo de primeira, nenhum deles me causou dano. Muito pelo contrário, a maioria me proporcionou enorme prazer. Acho que já até tive a intenção de escolher alguém que pela aparência pudesse me colocar em perigo. Na hora do amor, porém, eram os mais carinhosos. Costumo ver filmes na televisão. Quando a história é sobre alguma mulher que foi assassinada por um maníaco, me contorço com medo de que o mesmo possa acontecer comigo. Mas depois, penso: ah, é cinema, não vai acontecer nada disso. Saio. Vou a algum lugar e paquero alguém. Caso na mesma noite me veja na cama com ele, sinto grande confiança. Nem me vem à cabeça o que ele poderia me fazer de mal. Certa vez eu atravessava as pistas ali em Botafogo. Não quis ir pela passagem subterrânea, preferi me arriscar entre os carros. Um perigo, não? Mas atravessei. Estava com uma saia muito curta, era um traje noturno, desses que a gente veste mas tem de chegar em casa antes que amanheça, caso contrário se passa vergonha. Um homem parou o carro. Era um negro de óculos escuros. Imagine. Um homem de dois metros, negro e de óculos escuros à uma hora da madrugada. Fez sinal para mim. Eu não queria dar bola para ele. Mas quando tirou os óculos achei o homem tão bonito, que sorri. Ele encostou o carro. Ficamos conversando. Depois, entrei e fui com ele. Confesso que senti um friozinho na barriga. Mas foi só naquele momento. Passamos uma noite maravilhosa. E ele me levou para um hotel tão lindo. Uma história engraçada aconteceu quando uns garotos me convidaram para ir a uma festa. Aliás, não eram tão garotos, tinham dezenove ou vinte anos. Na verdade, queriam transar comigo. Fingi que não entendi e fui com eles. Havia a festa mesmo. Bebemos muito. Depois, um deles me levou para um dos quartos, tirou a minha roupa e começamos a namorar. Ao acabar, pediu que esperasse um pouco. Tentei me vestir. Mas não encontrei o vestido. Achei que o escondera para tornar a brincadeira mais excitante. Vieram os outros dois amigos dele, um depois do outro. Pra contentar a todos, aceitei fazer amor com cada um. Ao sair o último, esqueci de perguntar pelo meu vestido. Passou muito tempo e nada de eles voltarem. Não queria sair nua pela casa, achei que seria desagradável. Reparei então que a janela era baixa e o meu carro estava estacionado logo depois, a uns três metros de distância de onde eu estava. Aguardei ainda durante algum tempo. Mas como continuava sozinha e já eram três e pouco da manhã, pulei a janela e corri até o carro. Ao volante, antes de dar a partida, olhei para ver se não encontrava algum deles. A casa estava escura e não tinha mais movimento. Provavelmente não havia mais ninguém. Naquele final de noite, voltei pra casa dirigindo nua. No caminho, não tive problema algum, mas perguntava a mim mesma: como vou fazer para entrar nua no prédio? Tomara que não haja ninguém. Ao chegar, pressionei o controle remoto e consegui passar despercebida pela garagem. Estava tudo deserto e silencioso. Pensei em subir pelas escadas. Mas como moro no oitavo andar, tomei o elevador. Carregava apenas a bolsa e estava calçada com uma sandália de meio salto. Quando o elevador parou no meu andar, pensei: ah, acho que consegui. Ao abrir a porta, no entanto, me deparei com a filha da síndica, uma adolescente. A moça deu um grito: “ah! O que aconteceu com a senhora?” Coloquei um dos dedos na boca em sinal de silêncio e disse: “depois te conto”. A seguir abri a minha porta e entrei. Foi a única vez em que me vi numa situação mais complicada. Mas nos meus flertes com diversos tipos de homens, nunca aconteceu nada de errado. Sempre dei e recebi muito amor. Gostou? E agora, vamos?

quinta-feira, agosto 05, 2010

Cris e o amor - 3

“Ah, Carla, não sabes o que aconteceu.”

“O que, Cris?”

“Uma cena do meu namoro com o Antônio foi parar num site.”

“Mas o que tem isso demais?”

“Muito, muito mesmo.”

“Como vão saber que é você?”

“Ah, vão, na certa vão, vai ser fácil. Escuta, não me interrompas, deixa-me te contar.”

“Tá bom, desembucha, então.”

“Foi o seguinte, ele narrou tudo o que aconteceu, direitinho. Não falta uma vírgula. Foi aquele caso sobre o qual te falei apenas superficialmente.”

“Que caso, Cris? Você já me contou tanta coisa...”

“Aquele caso que aconteceu quando fui ao apartamento dele; a história de que fiquei trancada nua do lado de fora, no corredor.”

“Mas isso já faz tanto tempo, Cris.”

“Tenho certeza de que vão saber que a pessoa retratada sou eu.”

“Tem o teu retrato, Cris? Caso não apareça foto não haverá problema?”

“Calma, Carla, deixa eu acabar de te contar. Foi uma brincadeira, daquelas que caímos na conversa do namorado e acabamos aceitando, tanto mais quando ele me falou que uma outra mulher já fizera o mesmo e ele adorou. Como gosto dele, resolvi também ir nua até o lado de fora. Aí ele trancou a porta. Não imaginas o que seja ficar cinco minutos nua no corredor de um prédio, com todas as outras portas em silêncio, o lugar escuro, mas tudo ameaçando a ruir numa fração de segundo se te descobrem nua. Fiquei gelada, mas resisti. Sorte minha que não apareceu ninguém. Quando ele abriu, já te falei, não?, entrei e me atirei nos braços dele. Foi uma transa maravilhosa. Mas ele colocar a história num site, já é demais. Passo a me sentir nua na frente de todos durante todo o tempo, as pessoas a me olharem sem eu ter o que vestir.”

“Calma, Cris, já te falei, esses sites não são tão lidos assim, as pessoas vão atrás de fotos, não atrás de histórias.”

“Fiz mais duas vezes, uma com ele e outra... Ah, a outra prefiro não contar, vais me achar completamente louca.”

“Conta, Cris, é bom você falar, assim vai se sentir melhor.”

“Não, acho que tu deverias ler, assim compreenderias tudo.”

“Está bem, me diga o site; leio e depois comento com você.”

“Toma, está escrito aqui. Vais achar que estou em maus lençóis, Carla, tenho certeza.”

“Nada disso, uma historinha dessas até estimula. É como já falei: caso não haja fotos, não há problema.”

“Carla, quero te falar mais um segredinho. Olha, além da história, há lá uma foto sim. E sou eu, perfeita. Não tenho nem como contra-argumentar. Já imaginou na escola, caso alguém descubra? Vou ter de pedir demissão.”

“Há foto mesmo, Cris? Como você se deixou fotografar?”

“Ah, Carla, na hora adorei, nem pensei nisso, mas agora, acho que nada tenho a fazer.”

“Caso alguém veja, negue!”

“Como vou negar? Já te falei, sou eu completinha, não dá para negar.”

“Então vamos à casa dele; vamos pedir para que retire a foto e a história desse bendito site!”

“Não, Carla, fui apaixonada por ele, sabes, e acho que ainda sou. Ele é tão bonito! Caso eu apareça lá acho que sou capaz de perder a cabeça e ficar nua de novo. Então vou ter outro problema.”

“Vou pra você, Cris; me diga como entrar em contato com ele.”

“Não, Carla, tenho certeza de que tu não serás capaz. Caso o encontre, amanhecerás desesperada o tanto como estou agora. Vais me contar a mesma história. Portanto, vamos ter dois problemas...”

segunda-feira, julho 26, 2010

Ah, Imagina!

Senhorita, por favor, precisa deixa esse local, a casa já vai fechar.

Um minutinho só, por favor.

Já esperamos muito, não há mais ninguém na casa, apenas a senhorita, por favor.

Me dê só mais trinta segundinhos, prometo.

Senhorita, só trinta segundos.

“Jô, por favor, estou na Dreans, houve um problema, o quê?, não é a Jô, desculpe.”

“Alô, Jô? Ah, Jô, que bom... O que houve? Estou nua. Isso, nua, pelada, preciso de ajuda, o maître está batendo na porta do banheiro e quer que eu saia. O quê? Não pode fazer nada, está ocupada? Tentar a Samara? Tá bom, Jô, tchau...”

“Alô, Samara? Oi, é a Dani, socorro, Samara!, foi a Jô que me mandou ligar. Por quê? Apuros. Estou nua; vê se me ajuda. Como aconteceu? Imagina, Samara, imagina; você sabe... O quê? Tentar a Cleide, Tchau, Samara...”

“Cleide? Dani. O que houve pra eu ligar essa hora? Imagina! Estou em apuros, preciso de um vestido. Na Dreans. Como aconteceu? Cleide, imagina; pode me ajudar?, por favor, o homem tá batendo na porta. Não posso sair nua do banheiro. O quê?, está acompanhada? Deixa pra lá, me viro, tchau.”

“Jussara? É a Dani. Estava dormido? Preciso de você, são cinco da manhã, estou em apuros. Isso, nua. Na Dreans. É? Vai mandar? Só daqui a meia hora? Mas o homem está derrubando a porta. Mas manda assim mesmo, tchau.”

“Tati, desculpe acordá-la tão tarde, ou tão cedo, não sei. Ah, não estava dormindo? Bom, é que estou em apuros. Na Dreans. O que aconteceu? Estou nua. Isso, pelada; houve um problema; ah, imagina! O pior é que o maître está derrubando a porta do banheiro. A Jussara ficou de me mandar um vestido, mas daqui a meia-hora. Será que você não está mais perto? No Leblon? Ah, não vai dar; tchau.”

Senhorita, não podemos esperar mais, vamos chamar a segurança para tirá-la daí.

Espere, já arranjei uma saída; só demora quinze minutos.

Não posso esperar, já vai amanhecer.

Vou abrir, mas antes que eu saia, dê uma olhadinha aqui pra dentro, por favor.

Oh, a senhorita está nua!

O que você acha?

Não tem o que vestir?

Não!

Por que não falou antes?

Tem alguma solução?

Sempre temos. Você não é a primeira nem será a última mulher nua no banheiro de uma boate, no fim de uma festa...

Então, e a solução?

A senhorita pode contar o que houve?

Mas você não estava com tanta pressa?

Ainda estou, mas para ajudá-la, preciso saber...

Ah, imagina!

Sim, creio que posso imaginar.

E a ajuda?

Calma, senhorita, tudo há de acabar bem, como acabou para as outras.

“Jussara, já estou em casa; não precisa mais mandar o vestido. O quê? Não ia mandar mesmo? Só falou aquilo para me acalmar? Estava ocupada? Não faz mal, sua atitude até que ajudou. Como é que eu fiz? Ah, imagina!”

quinta-feira, julho 15, 2010

Adorei a surpresa, e eles também!

A ideia foi dele, meu namorado. Estávamos na minha casa. Fica em Macacos, um lugarejo montanhoso próximo a BH, num condomínio fechado. As casas são distantes uma das outras, e durante a semana não há quase ninguém.

Saímos da casa, contornamos pelo lado esquerdo. Nos fundos, há uma rede para se deitar, num espaço entre o corpo da casa e o muro que limita o terreno. Como o dia estava meio ensolarado, cismou que eu tinha de ir de biquíni.

Relutei:

“Aqui não tem piscina, ninguém fica de biquíni.”

“Não faz mal, está sol, você pode até ficar um pouco moreninha, já que é tão branquinha.”

Acabou me convencendo. Experimentei um dos meus biquínis. Achou um pouco grande. Vesti o segundo. Também não gostou. Quando vesti o terceiro, apaixonou-se. Um biquíni minúsculo, raso. Para usá-lo era preciso estar inteiramente depilada, e eu estava.

“Deixe-me procurar algum pano para enrolar o corpo, a casa ainda não tem o muro da frente.”

“Não será necessário”, falou.

“Não será necessário, por quê?”

“Você vai assim mesmo, qualquer problema basta ficar dentro da rede.”

“Tenho muitos amigos e conhecidos, não posso sair assim, sempre aparece alguém.”

“Caso apareça, escondo você.”

“Esconde? Onde? Dentro da rede? Tenho um metro e sessenta e cinco e sessenta e dois quilos. Não é possível que você consiga me ocultar em algum lugar sem que alguém note.”

“Vamos. Não vai chegar ninguém. Ninguém faz visitas às duas da tarde.”

“Não? Você vai ver”, acabei concordando.

Na verdade, senti uma ponta de excitação pelo desejo do namorado. Ele sempre inventava artifícios que me despertavam ardor. Acabei também achando que não chegaria ninguém.

Rodeamos a casa e mergulhamos na rede. Demoramos um pouco até encontrar uma posição confortável. Depois ele me abraçou com mais força, me beijou. Por fim, tirou o meu biquíni.

Quando já íamos lá pelas tantas num namoro frenético e embolado, escutamos a buzina de um automóvel.

“Não falei? E agora, como vamos fazer?”, tentei sair da rede e encontrar o biquíni. Mas depois vi que seria pior. Resolvi permanecer imóvel, deixando a ele, o inventor daquilo tudo, a tarefa de encontrar uma solução.

Saiu da rede sozinho, vestiu rapidamente a bermuda e foi até a frente da casa.

Voltou em menos de vinte segundos.

“São dois homens, disseram que alguém mandou entregar um presente a você, mas é preciso que você mesma o receba.”

“Presente? Não faço aniversário nem há data importante para comemorar.”

“Alguém está te presenteando com um carro”, falou cabisbaixo.

“Um carro? Quem haveria de me dar um carro? Não conheço ninguém que me daria um presente desses.”

“Mas é verdade, e é de um tal de Itamar.”

“Itamar? Não diga? Ele está aí? É você que vai ficar escondido dentro da rede, viu? Vou despachá-lo, fico com o presente e o mando embora. Depois corro pra você de novo.”

“Ei, espere, volte aqui, ele não esta aí, são só os entregadores. Volte aqui, você está nua!”

Corri pra frente da casa. Meu galanteador não estava lá. Mas eu e os entregadores adoramos a surpresa!

quinta-feira, julho 08, 2010

Você está vendo esta pracinha?

Você está vendo esta pracinha e a escadaria ao fundo? A escadaria dá na rua de cima, que se chama Cardeal. Tanto a pracinha como a rua me lembram um acontecimento muito divertido. Tive um namorado que morou aqui, no último prédio da rua que fica à direita da escadaria. Ele morava sozinho e eu vinha aqui namorar com ele. Adorava me ver nua, aliás, como todos os homens. Só que ele tinha suas extravagâncias. Depois de bebermos sempre uma garrafa de vinho, gostava de andar comigo de madrugada por esse lugar. Um dia quis me levar nua para passear. Eu disse: “nua?, mas se aparecer alguém?” Ele insistiu: “não aparece, não, é tarde, já estão todos dormindo.” Eu replicava: “esse lugar é muito movimentado, vai que aparece alguém...” Depois de muitas idas e vindas, chegamos a um acordo. Eu iria vestida apenas com uma camisa social dele transformada numa espécie de minivestido. Com o cinto que eu vestia ao chegar até que fiquei arrumadinha. A camisa, o cinto e a sandália, nada mais. Saímos depois de meia noite. Subimos a escadaria e seguimos pela Cardeal; contornamos uma outra rua e nos metemos por outra ainda mais íngreme. Sabe como é Santa Teresa, um bairro cheio de ladeiras. Encontramos, no caminho, um bar. Estava mais para um botequim; havia homens bebendo cerveja e duas ou três mulheres. Eu e meu namorado entramos, pedimos também uma cerveja. Começamos a beber; ele perguntou com olhar lânguido, como se quisesse descobrir minha nudez por debaixo da camisa: “como você está se sentindo nua?” “Não estou nua”, respondi. “Está sim”, reafirmou. As pessoas conversavam em voz alta. Tentamos ouvir o que falavam. Às vezes riam da inflexão de voz que algum deles emitia. Lembro que um comentou sobre uma peça de teatro. Acho que a haviam assistido naquela mesma noite. Ao acabar de beber, pagamos e saímos. Meu namorado estava louco para me agarrar em algum canto escuro. Dei a mão a ele e nos metemos pelo mesmo caminho, só que de volta. Quando descíamos a escadaria, ele me encostou num dos corrimões e me deu um longo beijo. Depois ficou agarrado comigo sem deixar que eu me mexesse. Então soltou meu cinto e desabotoou minha camisa. Acabou por me deixar nua. Fizemos amor ali mesmo. Imagine, eu nua, no meio daquela escadaria, às duas da madrugada. Posso afirmar que foi ótimo. Depois acabou acontecendo o que ele queria no início. Lembra que falei do desejo dele de que eu saísse nua naquela noite? Pois é, não saí nua, mas voltei. Ele não me deixou vestir. Mas no final deu tudo certo. Quando já estávamos dentro do seu apartamento rimos muito.

quinta-feira, junho 24, 2010

Soltinha

O inverno faz lembrar namoros antigos, aconchegos, toques e roçar de corpos, passeios após o cinema já a madrugada a vingar, rostos colados, fumaça escapando junto a palavras, carícias, casacos macios, abraços e suspiros.

Certa vez, tive um namorado fantasista. Possuía uma imaginação... Fugíamos pela cidade escura, bairros boêmios, carros fechados, orla marítima; corríamos um após o outro até conseguir o abraço incansável, o beijo úmido, nossos hálitos mornos, noturnos. Numa noite de frio intenso, um frio de cortar a pele, de avermelhar os rostos, punhal a contrapelo capaz de suspender o arfar de peitos enamorados, pediu-me ele: “vista o casaco de peles, aquele que desce até abaixo dos joelhos.” “Sim”, comecei com a breve sílaba, respirei: “há muito não o tiro do armário.” “Há mais uma coisa”, continuou. “Qual?”, olhei para ele curiosa. “Vista só o casaco, nada mais, o casaco a roçar a pele lisa.” “Apenas o casaco?”, franzi-me assustada. “Isso, só o casaco, não basta? Com todo esse frio, o casaco e o calor do meu corpo”, sentenciou.

Saímos depois da meia-noite. Foi uma noite longa. Após bater a porta, confesso que tremi. Não de frio, mas devido a uma ponta de arrepio, ansiava pelo que estava por vir. Ia elegante, o corte do tecido acompanhava minha cintura, o casaco não deixava meu corpo indefinido, como normalmente acontece quando vestimos roupa de tecido grosso. Entramos num automóvel, um táxi com destino a um dos bares da Lagoa. “Sentes frio?”, quis saber. “Sou gelo sem as meias.” Enfiou então uma das mãos por entre os botões inferiores.

No bar, bebemos vodca, como os russos fazem no inverno deles. À volta homens e mulheres agasalhados com lã, xales e cachecóis. Olhei para o meu namorado e descobri que ele estava imaginando-me nua, sentada no mesmo lugar, de pernas cruzadas e levando o copo aos lábios para mais um gole de vodca. Ficamos no bar até às três da madrugada. Algumas pessoas entraram, outras saíram. O garçom, depois das duas, nos ofereceu uma mesa melhor, num local interno, onde havia uma mulher tocando piano. “Que tal?”, disse meu namorado. “À esquerda, após a entrada, há um lugar para a senhorita pendurar o casaco.” “Obrigada”, falei sem temor. Não deixei de sorrir. Depois de duas doses de vodca, estava soltinha, deslizando por sob o casaco de peles. Meu namorado não acreditou quando eu mesma sugeri: “Vamos, amor.” Entramos no salão aquecido.

Na volta, ainda no táxi, rimos muito. Tentávamos imitar os olhos arregalados do maître: “ senhorita, por favor, pense na sua saúde, lá fora está muito frio.” Eu a responder, como se fosse a mulher mais vestida do mundo: “mais uma vodca, por favor.”

quinta-feira, junho 17, 2010

Dissimulada

Meu namorado adora me fotografar. Desta vez me pediu algumas poses inéditas. É lógico que já me fotografou nua por inteiro. Mas, na última sessão, ele foi mais criativo. Primeiro bebemos uma garrafa de vinho tinto, de origem francesa. Uma delícia. Beliscamos pequenos cubos de queijo, tudo no mais alto requinte. Depois, começamos. Não esperava que fosse querer fotos naquela noite. Falou, porém:

“Silvia, tire a calça comprida. Fique apenas de blusa e de sandália.”

Eu calçava uma sandália muito requintada, de meio salto. Fui ao banheiro, fiz o que me pediu.

Voltei à sala nuinha do umbigo até os pés. Ele já me esperava com a câmera.

“Fique de pé, virada um pouquinho para a esquerda.”

Atendi. Coloquei-me ereta, mas num meio ângulo em relação à câmera, com as pernas retas, numa ameaça de dobrar um dos joelhos. Sorri para ele. E os braços? Eles são sempre um problema para quem não está acostumada a posar. Podem parecer que estão flutuando, sem que a modelo saiba o que fazer com eles. Não foi, porém, o meu caso. Encostei levemente as mãos nas coxas. A foto ficou uma gracinha. Apesar de eu me mostrar um tantinho voltada à esquerda, é possível ver que estou nua.

Em seguida, me pediu a mesma pose, mas na posição oposta, isto é, agora virada um pouquinho para a direita. A foto saiu tão boa quanto a primeira, só que apoiei as mãos na cintura, um charme a mais.

Pediu que eu ficasse de frente. É bom repetir: sempre nuinha desde o umbigo, apenas a sandália branca a combinar com a blusa curta. Fiz a pose, dobrei levemente o joelho direito, não queria parecer tensa, estática.

Depois me quis agachada. Correspondi. Na primeira, uma pose lateral, aparecendo a parte externa da coxa direita, mostrando que estava nua, mas sem apresentar o principal. Daí, veio a pose apoteótica. O nu frontal, ainda agachada e com as pernas levemente abertas. Um verdadeiro show. Tive o cuidado de manter a coluna bem reta; mostro altivez, elegância e conforto.

Outra série. Dessa vez sentada no sofá, ainda nua. Pernas cruzadas, a direita sobre a esquerda, olhando à câmera, ligeiro sorriso, como se estivesse à espera de alguém. Em seguida, quase a mesma posição, só que agora com a perna esquerda sobre a direita, mas o olhar voltado para um ponto fora do visor da câmera, a face séria, mas não inteiramente preocupada.

Outra pose: as pernas ainda cruzadas, lendo uma revista, esquecida de que estou nua, “talvez ainda tenha que esperar um pouco, mas não se impaciente, leia um pouco”, disse ele. Ah, meu namorado e suas fantasias...

Mais uma foto. Ainda sentada sobre o sofá, as pernas não mais cruzadas, mas ligeiramente abertas, como se num momento durante à espera eu esquecesse que deveria disfarçar a nudez e perdesse momentaneamente o controle sobre meu corpo; o olhar vago, já um tanto indagador, o que me acontecerá, terei de esperar nua por muito tempo?

Mais duas fotos para completar a fantasia. A penúltima, depois da seguinte história, contada por ele com voz entrecortada:

“Lembra aquele conto que nós dois lemos? A mulher anda com o marido pela rua, senta num banco à beira mar. A madrugada vai alta, ele lhe tira a saia, e ela, nua, se deixa ficar. Por momentos, deseja estar sem ele por perto, pede que se vá, pois quer experimentar uma aventura. Ele atende. Volta vinte minutos depois. Ela, porém, já não está no mesmo lugar. Aparece em casa de manhã, ainda seminua. Jamais lhe contou o que aconteceu. Fizemos a mesma coisa, lembra? Não foi apenas meu o desejo. Você também achou ótima a ideia.”

Fez então a foto: eu nua, à beira-mar, sentada num banco, sozinha.

“Agora a última. É o desfecho, mas da nossa história”, continuou. Mostrava-se excitado. “Você sentadinha, lívida, naquela sala sóbria. Acabei por ter de ir buscá-la. Estava na mesma posição, como no banco à beira-mar, ainda nua, a face séria, as pernas cruzadas, balançava um dos pezinhos fingindo enfado. Desculpei-me e agradeci a seus benfeitores. Paguei a quantia que pediram e trouxe você, ainda branquinha, nuinha. Você não pronunciou som algum, nenhuma palavra. O bom foi quando chegamos em casa, lembra? Depois de tudo resolvido, como você gritou. Excitadíssima! E ainda havia a foto, feita por eles. Mas você diria que aquela não era você, mas uma mulher muito bonita e parecida. Vamos, faça agora a mesma pose! Mostre a sua verdadeira face: dissimulada!”

quinta-feira, junho 03, 2010

No início fiquei apavorada, mas depois...

Sou de uma pequena cidade do interior do Rio, por isso sempre fui uma mulher recatada. Mas aquela invenção mexeu comigo. De início, fiquei apavorada, mas depois acabei aceitando. Como dizem por aí: foi amor à primeira vista. Portanto, tudo que ele me pedisse eu faria. E fiz.

Vamos do começo. Fui trabalhar numa escola. Um contrato temporário. Sou professora de matemática há bastante tempo, mas nunca trabalhei para o município de M. Alegrou-me a perspectiva da nova experiência. Logo no primeiro dia, me deparei com ele. Disfarcei, mas meus olhos me arrastaram para o local onde ele estava sentado. Não sei se o percebi um tanto entediado, ou triste. O jeito dele, porém, tocou meu coração.
Passaram-se duas semanas. Nos encontrávamos três dias na semana, comentávamos sobre as atividades escolares e as atitudes dos alunos, embora não ensinássemos a mesma matéria. Melhor assim, cada um na sua; falaríamos apenas, caso nos aproximássemos fora dali, sobre o que martelava em nossos corações.

Num belo dia, já quase na hora de ele ir embora, pediu o meu e-mail! Fiquei felicíssima. Falou-me acanhado, como se temesse uma recusa, ou mesmo ouvidos alheios. Senti que não desejava se arriscar, pôr tudo a perder num primeiro momento. Deu certo, encontrávamos a sós na sala dos professores. Ele anotou cuidadoso, conferiu, parecia temer qualquer letra diversa que poderia enviar sua futura mensagem a algum continente perdido.

Na mesma noite, escreveu-me. Não respondi no momento em que li. Precisava pensar. Procurei ganhar tempo, fazer-me de desatenta, “não gosto muito de computador”, ou “não olho minha caixa de correio todos os dias”, seriam minhas palavras quando o encontrasse. O que eu queria, no entanto, era me fazer de difícil. Representar. As mulheres são assim, não podem logo se entregar. Tal atitude pode estragar tudo. Mas vinte quatro horas depois, meu coração já ia descompassado. Eu tinha de responder. Escrevi seca: “ok, obrigada pela atenção”.

Quando nos vimos no dia seguinte, fui eu que me mostrei atabalhoada. Disse logo que o avistei: “recebi sua mensagem, já respondi”, sentei no outro lado da mesa enquanto ele me mostrava um ligeiro sorriso. Outro professor que estava no local – abria um armário – ainda chegou a olhar para ele, depois para mim, mas nada disse.

Um ou dois dias depois recebi outra mensagem.

“Lis, vou ficar na cidade a semana inteira, tenho uma ou duas noites livres. Aceitas tomar um chope comigo, ou mesmo comer uma pizza?”

Meu coração encheu-se de alegria. Era bom saber de alguém que se interessava por mim e me dedicava o pensamento!

Quis fazer-me recatada. Não podia aceitar logo de cara. Demorei quase três dias para responder. Acho que para um e-mail todo esse tempo é uma eternidade. Estava mais ansiosa que ele, no entanto.

Marcamos para o sábado seguinte. Levou-me a um restaurante, na orla. Confesso que, apesar de morar na cidade há muitos anos, nunca tinha ido a tal restaurante. O ambiente estava agradável, as pessoas bonitas, os garçons nos servindo com elegância e, o principal: comidas e bebidas maravilhosas.

Conversamos apenas amenidades. Ele falou sobre um livro que lera recentemente; eu, sobre um filme que desejava ver; comentamos sobre alguns assuntos que aconteceram durante a semana; enfim, nos esforçamos para não falar da gente. Permanecemos ocultos sobre a frágil capa das palavras.

Terminamos lá pelas onze e trinta. Ele deu uma volta de carro por toda a orla, dirigia vagaroso, parecia não querer que chegasse o momento de me deixar à porta de casa.

Ao sair do carro, sorri e beijei-lhe uma das faces. Ainda não foi ali que aconteceria o principal.

Como ele é de cidade grande, achei que desanimaria.

Na segunda vez, não esperei por ele. Disse o tanto que gostara do passeio, da conversa e do jantar. Convidou-me, então, de novo. Mas arriscou. Queria-me durante um dia inteiro de domingo. Iríamos a outra cidade: uma praia e duas cabanas que na verdade eram dois restaurantes rústicos.

Preparei-me. Biquíni novo, short, blusa curta, óculos escuros. Apanhou-me à porta de casa por volta das dez da manhã. Viajamos cerca de trinta quilômetros. Guiava devagar, olhava a paisagem, vez ou outra virava o rosto para mim e sorria. Também usava óculos escuros; no mais, camiseta, bermuda cinza e sandálias.

Ao chegar, escolhemos um pouso sobre a areia num local distante de onde já se encontravam algumas pessoas. A meia estação afastava os turistas. Olhando a longa extensão de areia à direita, podia-se reparar que não havia ninguém por lá, apenas o mar explodindo, a areia branca e, acima, alguma vegetação próxima à pequena estrada de terra.

Ele demorou a tocar o meu corpo. A princípio, pensei que ficaríamos apenas admirando a natureza, tomando banho de sol, de mar e conversando. Ele agia devagar, era cauteloso.

Fui eu que descontraí o ambiente:

“Adoro caipirinha. Naquela noite não pedi porque achei que você fosse fazer mau juízo de mim.”

“Mau juízo, o que é mau juízo?”, seus olhos tinham um ar de ironia.

“Amor, não me leve a mal”, falei a palavra chave sem perceber.

Levantou-se, caminhou até a pequena cabana e voltou com dois copos compridos, plenos, a bebida meio esverdeada e espumante nas bordas.

Sorvi o meu canudo delicada. O líquido chegou-me à boca; a temperatura baixa da bebida misturada ao teor de álcool, o calor de meu corpo e os sussurros do amor excitaram-me. Quando pousei o copo sobre uma pequena banqueta, ele abraçou-me. Era o primeiro beijo. Após quinze ou vinte minutos, nossas bebidas já tinham descido até a metade. Estávamos preparados um para o outro. Abraçamo-nos de novo; seguiu-se um longo beijo. Na posição em que estávamos, meio sentados, meio deitados, nossos corpos se aconchegaram. Completávamo-nos.

O dia foi maravilhoso e excitante. Na praia, não foram muitos os frequentadores. Apenas uma ou duas famílias. Os bares também tiveram pouca frequência, e os empregados nos atenderam com satisfação.

Houve um momento em que entramos n’água e permanecemos abraçados. Ele deslizava a mão pela minha cintura, pelo meu ventre, chegou a tocar o meu bumbum e acariciar as minhas pernas. Quis tanto que ele me deixasse nua! Mas nada falei. Meu coração palpitou mais forte, marcava a timidez que quase sempre me acompanha. Beijamo-mos dentro d’água, agarramo-nos bem apertado.

Lá pelas cinco, o céu já se avermelhava, e éramos apenas dois amantes no fim de tarde. Bebêramos com algum exagero, almoçáramos, e resolvemos caminhar um pouquinho na faixa de areia. Foi então que tudo se tornou mais fácil. Para mim e para ele. No meio da caminhada, encontramos mar adentro uma pedra solitária. Cabia apenas uma pessoa sobre ela.

“Você tira uma foto minha?” apressei-me a correr, entrei n’água e subi na pedra.

Ele fez a foto.

Fiz outra pose, encolhida, como estivesse nua e envergonhada. Clicou de novo.

“Você tem o corpo bonito. Não quer que eu tire uma foto de você nua?”

Sei que o coração dele bateu mais forte ao dizer a última palavra. O meu não deixou de acompanhá-lo.

“Nua, nua?”, repeti titubeante.

“Nua”, confirmou meio sonso, do jeito que eu gosto.

O gostinho das caipirinhas invadiu-me de novo o paladar, minha pele se arrepiou e o desejo expandiu-se dentro do meu corpo.

Nada mais falei. Soltei o top arremessando-o a ele; depois, o biquíni. Fiz a primeira pose sobre a pedra, a mesma que fizera vestida; a seguir, a outra, virada um pouquinho para frente, as coxas flexionadas na direção do tórax, mas deixando escapar o bico de um dos seios.

Depois que desci da pedra, entrei no mar. Pedi, então, que viesse ao meu encontro. Era o exato momento de me entregar. Não me arrependo. Não tive muitos namorados e, até ali, ele me fez sentir algo que jamais experimentara.

A câmera era minha. Levei-a com as fotos. No dia seguinte, mais uma ousadia: enviei-as para o seu e-mail.

Não tardamos a nos encontrar de novo. Eu, mais solta; ele, mais apaixonado!