Tenho uma prima que tirou a sorte grande, como dizem as pessoas mais velhas. Mas não sabe dar valor. Venho à praia todo dia, visto meu menor biquíni, passo protetor e fico debaixo do sol, às vezes não aguento e vou pra sombra, sob a barraca. Gosto de deitar de bunda pra cima, e você há de convir que não é apenas pra me bronzear nas costas. Os homens adoram me ver assim. Mesmo com todo o trabalho, o zelo, o cuidado, ou seja lá qual for a palavra, não tenho a sorte de Lourdinha. Mas mesmo sortuda do jeito que é, morre de vergonha. Tem vergonha de tudo. Lourdinha, por favor, compre um biquíni menor. Lourdinha, você não se manca, vem à praia de maiô, as mulheres estão todas nuas, olhe. Mas não adianta, ela continua do mesmo jeito. Outro dia veio me contar que arranjou um namorado. A tal sorte grande. O homem gostou dela, chamou pra tomar um café. Veja se isso é possível em M, a gente conhecer um homem e ele convidar pra tomar um café numa cafeteria bonita, cheia de bolos, de pedaços de tortas, de doces. Os caras daqui querem levar a gente direto pra cama, sem conversa nenhuma. Não que não seja boa a cama, muito pelo contrário; às vezes, o tal é tão gostoso que é bom que nada fale, assim não estraga. Mas a Lourdinha conseguiu o homem certo, embora não seja o que ela pense. Conversaram das quatro às seis da tarde, tomando cappuccino e comendo pedaços de torta. Lourdinha comeu dois. Ela é magra. Não sei como é possível. O namorado, digamos assim, porque nada havia acontecido entre eles, telefonou várias vezes, conversava e mais conversava. Você está imaginando que não ficou apenas nisso. Claro que não. Ele a convidou ao melhor restaurante da orla. Aquele que se chama... como é mesmo? Ah, lembrei, Ilhote. Pode pedir o que quiser, ele disse. Imagine se arranjo um namorado que me convide e que me diz que posso pedir o que quiser. Já sabe o que vou querer. Lourdinha, morta de vergonha, não sabia, disse que comeria o mesmo que ele. Lourdinha, falei, lá tem camarões grandes, caldeirada, salmão, também carnes de todos os tipos, e você disse que não sabia o que comer, o que deu em você? Jantaram lá o que ele pediu, depois de olhar cuidadosamente o cardápio. Era um peixe muito gostoso, segundo ela, mas não lembra o nome do prato. Depois do jantar, o que aconteceu? Nada. Ele a deixou em casa. Ainda bem, ela disse; caso me convidasse a outro lugar diria que não poderia, que tomo conta de uma pessoa doente, coisa e tal; não posso sair sem o conhecer melhor. Veja, você, se aqui nesta cidade, neste lugarejo, a gente vai conversar mais pra conhecer alguém melhor antes de ir pra cama! Logo o homem desaparece e a gene fica chupando dedo. Mas as coisas não acabam aqui. Ele ligou várias vezes; numa das ligações, perguntou se ela tinha conta em banco. Com a resposta afirmativa, pediu o número. Pra que você quer o número da minha conta?, Lourdinha perguntou. Quero te dar um presente, respondeu o namorado. Lourdinha ainda ficou desconfiada se o homem queria o número para lhe dar um presente ou um golpe. Que golpe ele vai te dar, mulher?, você nunca tem saldo na conta. Ela ainda demorou uma semana pra dar o número. Então, no dia seguinte, ela recebeu um depósito de trezentos reais. Veja você se alguém vai depositar assim trezentos reais na minha conta, mesmo eu de biquíni mínimo e de bunda pra cima nas areias da praia de Cavaleiros. Lourdinha ganhou, sem precisar fazer nada, apenas sair com ele pra tomar café e jantar. Ontem ela me telefonou, disse que precisava da minha ajuda, está apaixonada pelo homem. Que ajuda eu posso te oferecer?, perguntei; você está apaixonada, ele te faz convites, vocês saem duas vezes na semana, o homem faz depósitos na tua conta, tudo está resolvido. Não, Lúcia, ela me disse, o problema não é esse. Qual é o problema então, Lourdinha? Você vai rir de mim, mas o problema é que estou doidinha pra trepar com ele mas estou morrendo de vergonha; ele me convidou pra passarmos o final de semana num hotel, em Búzios, mas não sei, o que vou sentir quando estiver pelada na frente dele? Olhe, Lourdinha, vá logo, ao contrário roubo este teu namorado, vou aparecer nua batendo lá na porta dele, e sei mesmo onde ele mora!
segunda-feira, setembro 06, 2021
terça-feira, agosto 31, 2021
Galinha
A gente faz muitas loucuras durante a vida. Faz uns dez
anos, tive um namorado que dizia me adorar. Saíamos para todos os lados e
acabávamos na casa dele, onde namorávamos de modo muito gostoso. Mas ele tinha umas
manias estranhas, gostava de me amarrar, os pés e as mãos. Eu permitia, e o
pior, ou o melhor, não sei, passei a gostar da situação. Ele pegava
meias grossas e atava meus braços à cabeceira da cama; as pernas, bem abertas,
ficavam presas no lado contrário, laçadas por cordonete resistente. Nenhuma
das vezes consegui me soltar. Houve um dia em que, num momento de euforia, aproveitou
para me amordaçar. Tirou de não sei onde uma fita adesiva e colou na minha
boca. Não passou muito tempo, veio nu sobre mim. Metia-me seu peru enorme e
tapava minhas narinas. Dizia goza, vai, sei que você goza com o perigo. Eu
tinha de respirar em intervalos, quando ele afrouxava os dedos. Ai, esse homem ainda me mata, eu pensava. Em outros momentos, pegava
uma faca enorme e passava a ponta sobre o meu ventre. Eu queria me encolher,
ficava apertadinha. Às vezes, uma marca vermelha brilhava sobre minha pele. Eu
queria expressar o meu temor, mas, abafada pela mordaça, emitia baixos grunhidos. Uma
vez, numa fração de tempo, tocou-me o clitóris. Deixei escapar uma lágrima.
Molha, molha a faca com o teu gozo, vai, mas com o gozo da xereca, disse
decidido. Tive que fazer malabarismo. Ele acabou por falar que eu consegui. Houve
uma vez em que foi à cozinha e voltou com dois ovos. As mulheres gostam de
chocar, pronunciou com nitidez. Não vai dizer que você... Não consegui acabar a
frase, ele me segurou e já ia colocando o ovo dentro da minha boceta. Espere, por
favor, tenho uma ideia melhor. Pareceu aceitar minha intervenção. Levantei-me,
e, ainda nua, fui à cozinha. Acendi o fogo, coloquei uma pouco de água numa caçarola
e pus os ovos para cozinhar. Enquanto isso, voltei à sala e me agarrei a
ele. Gostava de aventura esse namorado, mas não media as consequências. Você
gosta de me torturar, isso não é bom, viu?, vai que um dia eu arranje um homem
carinhoso. Me beija, amor, bem demorado, por favor. Sentei no sofá, cruzei as
pernas, vamos esperar um pouquinho, falei. Pelo menos esse não me pede para ir
peladas lá fora. Tive um namorado que adorava isso. Cheguei mesmo a sair nua,
de carro, ao lado dele. O homem morria de tesão. Mas o que estava ao meu lado, bebendo um gole de refresco,
gostava mesmo era da minha pele. Você ficou com fome, quer comer ovos cozidos?,
perguntei maldosa. Isso mesmo, e é tão gostoso. Quando a água ferveu, fui ao
fogão e tirei os ovos, coloquei-os sobre um prato e os levei à sala, com o
saleiro e a garrafinha de azeite. Quando depositei o prato sobre a pequena mesa
de centro, ele pegou um deles e começou a descascar com bastante calma,
colocando a casca ao lado; a seguir, descascou o segundo. Eu olhava a cena, com
interesse. Depois, colocou um pouquinho de azeite sobre ambos. Então
aproximou-se e pediu fique de cócoras. De cócoras?, ainda repeti. Isso mesmo,
confirmou. O que você deseja? Eu já incentivava. Como adoro experiências novas, estava excitadíssima. Fiz o que pediu, de cócoras, ao lado da mesinha de centro.
Feche os olhos, pediu. Obedeci. Passaram-se alguns segundos, senti algo morno a
roçar minha boceta. Hum, hum, que gostoso, sussurrei, pensei que você tivesse
fome. Que fome!, exclamou. O azeite ajudou o primeiro ovo a escorregar para
dentro de mim. Tomou numa das mãos o segundo, e seguiu o mesmo
ritual. Continuei agachadinha, as pernas abertas, ambos os ovos perdidos
dentro de mim. Agora, amor, por favor, choca dois ovinhos pra mim. Deixa
primeiro eu passear um pouquinho, grávida desses ovos. Levantei-me e fui à
janela, lá fora ainda a noite era recente. Caminhei pensando no que acontecia
andar nua pela casa com dois ovos dentro da xereca. Voltei e me agachei no
mesmo lugar. Começamos a tentar pôr os ovos. Ele estava doidinho para ver o que iria acontecer. Hum, hum, estou vendo se consigo, falei baixinho. Posso dizer, que
foi uma luta. Imaginei o sacrifício das galinhas. Eu mexia para um lado, para
outro, fazia força, e nada. Começava de novo. Amor, acho que vou precisar da tua intervenção; ao contrário, vou parar no hospital, já pensou que vergonha!
Ele agachou ao meu lado. Nada disso, as galinhas sabem chocar, bata os braços,
faça de conta que você tem, como as galinhas, curtas asas. Ai, ai, fiz o que
pediu. Agora, mexa-se, ele disse, já estou vendo a pontinha de um deles. Num
movimento rápido, sem que ele notasse, toquei num dos meus grandes lábios. Um
ovo escorregou. Isso, agora falta o segundo, ele a me incentivar. Rodeou-me e segurou meus braços por trás. Eu podia
mexer apenas as pernas. Abra bem, orientou, abra que vai escorregar. E o ovo
caiu sobre o chão. E agora, amor?, eu, cheia de tesão, nem pude suspirar aliviada.
Agora, você vai engolir os ovos. Abra a boca, ele introduziu o primeiro. Mastiguei-o
com muito cuidado; depois, sem me deixar descansar, avançou entre os meus lábios
o segundo. Mastiguei, vagarosa como fizera com o primeiro e o engoli. Fique de
costas, a voz dele, sempre a me conduzir. Meteu, então, por trás, seu enorme
peru, mas procurando minha xereca. Aceitei-o, fácil, ainda melada do azeite.
terça-feira, agosto 24, 2021
Só não molhei porque estou sem
Você quer que eu conte mesmo? Não gosto muito de falar das minhas dificuldades para os homens, principalmente se estou saindo com um deles, ou se estou nua na casa dele, como é o caso. Já que insiste, e acho que isso vai lhe fazer bem, conto, sim. É sobre algo que me deixava preocupada, aliás, às vezes ainda me deixa, embora eu já me sinta mais resolvida atualmente. Outro dia contei a uma amiga sobre isso, ela logo perguntou: por que você não faz terapia? Virou moda, tudo se resolve na terapia, sabe? Claro que não fui à terapia alguma, eu mesmo refleti e cheguei à seguinte conclusão. Se acontece comigo, não sou exceção, acontece também com minhas amigas, com muitas mulheres. Sabe do que se trata? Você já deve ter percebido, as outras mulheres sentem a mesma excitação que eu. Na hora do sexo ou mesmo fora de hora. Você me conhece faz tempo, até gosta de trepar comigo por isso, não é verdade? Observando bem, acabei chegando à conclusão de que quase todas sentem tal tesão. A gente pensa o contrário porque elas não falam pra ninguém, e às vezes engolem o gozo na hora da trepada. Não querem que os homens pensem que são piranhas. Eu, como não ligo, acabo revelando. Você está vendo, eu não tenho o mínimo problema em andar nua pela casa, sentar aqui no sofá, ou ir à cozinha fazer um café e depois vir para o sofá com a xícara e o pires na mão como vim ao mundo. A maior parte das mulheres pegaria uma camiseta, pelo menos. Outra coisa, eu grito na hora do gozo, não é mesmo? Você não liga, diz que gosta assim, esta casa aqui é isolada, ninguém a ouvir. Mas caso eu vá trepar com alguém num apartamento, o homem tapa minha boca na hora que tenho o orgasmo, diz que os vizinhos vão escutar, que vai haver reclamação e ele vai ter problemas com a administração do prédio. Houve um que foi buscar minhas roupas, juntou-as todas, me entregou e disse vá embora, não venha mais aqui, você é louca! Tive de me aprontar no corredor daquele quinto andar. Uma conhecida me contou um caso, e eu nem tenho tanta intimidade com ela. Disse que gosta de comer chocolate na hora do sexo. Você já ouviu falar nisso? Ela mastiga um bombom quando está perto de gozar. Mas e o homem?, eu quis saber. O que tem o homem?, ela me devolveu a pergunta. Não sei, mas homem vai querer te beijar e tua boca cheia de chocolate... Aí que está o gozo, ela concluiu, eu beijo o homem e engulo o chocolate, além de já estar com aquele lugar molhadinho há muito tempo. E chegou a dar um largo sorriso. Imaginei minha boca cheia de chocolate, mesmo os de maior quantidade de cacau, os mais caros, não vai descer. Sexo é uma coisa, comer na hora do sexo, mesmo o chocolate mais gostoso do mundo, é outra. A história, porém, serviu pra mostrar que cada uma tem uma característica diferente, e ninguém é louca por causa disso. Houve uma época em que eu namorava naquela floresta, que tem logo após a entrada da cidade, acho que agora é uma reserva. Não é permitido entrar lá à noite, mas como conheço bem a região, eu é que levava os namorados. Sabia, e ainda sei, todas as entradas. Havia um lugar com uma relva ótima, quase um colchão, adorava ficar pelada olhando aqueles galhos grandes das árvores. Muitas vezes foram os namorados que ficaram preocupados quando eu andava nua entre a vegetação, apenas a luz da lua e das estrelas, despreocupada que só, um tesão. Mas agora vem, senta aqui ao meu lado, sei que você tem também o teu lado um tanto louco, e um deles é gostar de escutar essas coisas que acabei de contar. Encosta aqui, sente como estou quente, doidinha pra trepar, só não molhei a calcinha porque sem!
terça-feira, agosto 17, 2021
No maior silêncio
Sou arteira que só. Esse negócio de dizer que mulheres não se excitam como acontece aos homens é conversa fiada. Tenho uma amiga que veio com essa história. Digo a ela que por muito pouco molho a calcinha. Outro dia, escutei: homem tem sexo para fora e mulher sexo para dentro, então por isso as mulheres são mais devagar. Que bobagem. O meu é para dentro mas é tão quente quanto o deles. Conheci um bonitão, todos o chamam de Roger. Estava saindo com ele, mas não era pra namorar, apenas pra trepar, porque tem fama de gostoso. E é verdade, experimentei e fiquei doidinha. Mas para namorar, estar sempre junto, passear, prefiro meu homem. Mas não é que ele descobriu minha escapada. Foi fuxicar meu celular, encontrou o que não devia. Brigou comigo e me mandou ficar com o outro. Mas o outro não é para morar, só para trepar. Vá ele entender isso. O que se há de fazer. Fui fazer pouso em outro lugar.
Já tive outras relações parecidas, um namorado, e vez ou
outra uma escapulida com o gostosão do momento. Os homens fazem isso sempre,
caso encontrem uma mulher que lhes de bola. Por que tenho de ser diferente? Quando
é possível dividir as saidinhas com o namoro, tudo vai às mil maravilhas.
Certa vez tive um namoradinho tão apaixonado. Eu dizia a ele
você pode vir a minha casa tarde da noite, não precisa se prender por causa de
mim e chegar aqui cedo. Mas ele, toda noite, às oito, estava tocando a
campainha. Queria que viesse tarde, que aproveitasse a vida, mas ele não entendia
assim. O homem me queria, apenas. Não podia lhe dizer o tanto que estava
perdendo. Eu, durante o dia, caso algum homem me paquerasse, caso eu sentisse
aquele arrepio, dava uma olhadela significativa para ele. O tal já entendia, em
frações de segundo. Nada de perguntas de um sobre a vidas do outro, era só a
trepação. Um começo de noite, sabia que meu namorado já devia estar a caminho,
e eu no hotel com o tal de ocasião. Você, espere um momento, cheguei a pedir, e
enviei um texto para a Carina, minha filha. Segura o Manuel aí, diga que estou
no mercado e já chego. Teria eu de passar no mercado depois do hotel! E bem que
estava precisando de algumas coisas.
Mas o namorado que foi mexer no meu celular lá encontrou:
você é muito gostosa, me fez ir às nuvens. Como eu poderia dizer que era uma
brincadeira ou que o homem era aviador e estava atravessando nuvens? O fuxicador
de celulares não é de muito estudo, mas compreende o duplo sentido das
palavras.
E agora, vou ficar sem? Nada disso, para uma mulher bonita
as coisas sempre são favoráveis. Os paqueras de óculos escuros e olhos
revirados por trás das lentes têm apenas o pênis para oferecerem. Que bom, lembrei
agora de um homem que me adora, me empresta dinheiro sem eu pedir e sem cobrar
qualquer coisa. Vou a ele, onde o contato? Ah, aqui, achei. Já faz tempo quer
me levar pra cama. Quem sabe com ele
posso combinar namoro e escapadelas. Tudo no maior silêncio.
segunda-feira, agosto 09, 2021
Não falaria assim
Joana, nada de me apresentar esses teus amigos, o último com quem saí através de tua mediação foi um problema. Você não vai acreditar o que aconteceu. Ninguém normal faria o que ele fez. O cara roubou minha calcinha, acredita? O que faz um homem roubar a calcinha de uma mulher? Não é melhor convidar uma mulher pra ficar com ele o tempo todo nua? E na sua casa, alguém a lhe fazer carinho? Mas o cara roubou minha calcinha, e nem me convidou pra dormir na casa dele. Tive de chamar um táxi às duas da manhã e... sem calcinha. Por favor, não me apresente mais a ninguém. Você não sabia? Como pode me recomendar um cara pra me namorar se não o conhece? Ah, sei, foi através de uma amiga. Ele era amigo de uma amiga, que já tinha namorado uma outra. Acho que os elos estão longe demais. O homem poderia me ter causado problemas maiores. Ah, você nunca voltou pra casa sem calcinha, depois de um esfrega-esfrega bem quente? Eu, já, não foi a primeira vez, mas não gostei da brincadeira. Não recomende o homem pra outras amigas. O problema é delas se te perguntam se você conhece alguém que as convide para sair? Ainda houve a história da bolsa de butique. Nunca ouviu falar, ele não te contou? Aliás, acho que você nada sabe sobre o homem. A gente saiu, foi jantar em Santa Teresa, depois acabei aceitando ir até a casa dele, acho que foi esse o problema. A solução? Deixe de brincadeira, Joana, nada de solução, só porque te pedi um namorado você fala em solução? Acho melhor ficar sozinha a partir de agora. A história da bolsa aconteceu na casa dele. A gente estava fazendo um carinho gostoso; eu nele; ele em mim. De repente me vi nua, nos braços do homem. O cara começou a contar uma história, que ia colocar minhas roupas numa bolsa de butique, ia me levar pra passear nua. No começo, achei que era uma história pra gente se excitar, e dei corda, perguntei como era o carro, aonde íamos, onde eu sentaria, se me compraria um vestido novo. Mas depois a coisa começou a assumir um aspecto sério. O cara perguntou se eu tinha chegado nua em casa, alguma vez. Não acredita? Pura verdade. Fiquei no começo arrepiada, depois nem sei o que mais senti, meu vestido não mais estava sobre a poltrona onde eu o havia deixado. E o cara dizendo vou levar você pra passear nua, sentada no banco do carona, vamos deixar a bolsa com tuas roupas na porta de uma dessas casas de luxo que há no bairro Y. A gente dá umas voltas, eu paro na orla, a gente namora, namora, se agarra, se você tiver coragem salta do carro e desce até à beira d’água, depois a gente volta, e vai pegar de volta a bolsa. Será que ainda estará lá? Caso tenha desaparecido, dou um jeito os homens sempre dão um jeito. Enquanto contava a história, a gente estava na cama, eu ao lado dele, ele sobre mim, a gente namorando, só namorando mesmo. A história me aterrorizou, pedi por favor, quero ir embora, vou me vestir, estava com medo do homem. Ele tentou ser delicado, não precisa temer, são apenas histórias pra gente se divertir. Acabamos namorando mais, trepando. Mas, no final, onde minha calcinha? Ele não a encontrou, chegou a perguntar se eu a havia guardado. Só faltou perguntar se eu viera de calcinha. Mas teve a delicadeza de se calar sobre isso. Na hora do amor, gostei, gostei e gozei, mas depois... Você diz que foi bom, que o importante foi que o homem me acariciou e me levou às nuvens? Sim, me levou mesmo. Mas não gosto de voltar pra casa, nua. Porque pra mim voltar pra casa sem calcinha é voltar nua. E a calcinha me custou cento e vinte reais, era a melhor que eu tinha. Por isso, vou dar um basta, nada de sair com caras desse tipo. Você acha que valeu a pena, não?, que sou eu que não sei valorizar. Você já voltou pra casa sem calcinha, Joana? E sem uma calcinha de cento e vinte reais? Acho que não. Caso tivesse acontecido, não falaria assim.
terça-feira, julho 27, 2021
Jogo de palavras
Você já deve ter pensado nisso, as mulheres são iguais aos homens. Eles dizem que querem trepar com a gente. Eu digo que quero comer todos eles. É sério. São as mulheres que comem os homens. Estou sempre atenta a isso, mas é preciso refletir. Existem vários tipos de homem, não se pode sair por aí com o primeiro que aparece. Analiso assim, veja se você concorda comigo, já que estamos conversando sobre, sem nenhum outro interesse. Em primeiro lugar, quando se tem a minha idade, quase todos os homens são casados. Quando aparece um, me quer como amante. Caso aceite, não devo me submeter a ele. Trepo e não lhe devo satisfações. Outro tipo é aquele que aparece não se sabe de onde, trepa e passa a achar que sou propriedade sua. Desse tipo, é preciso se afastar. Às vezes, por um milagre da natureza, aparece um que não é comprometido. Transo e ele já acha que sou sua namorada, não me larga um minuto, quer estar todo o tempo ao meu lado, quase um casamento. Casamentos não duram muito. Seria bom conversar, você não tem compromisso com outra mulher, podemos ficar juntos, sim, mas não como marido e mulher, você vai fazer suas coisas e eu as minhas, depois a gente se encontra, não precisa ser todos os dias. O ideal é aquele homem que, quando trepa com a gente, não cria compromisso, acha que foi bom e que, quando acontecer de novo, vai ser ainda melhor, e vai à sua vida sem fazer perguntas. É por esse tipo que me apaixono, fico sonhando com ele, dormindo nua e pensando que está ao meu lado. Quando saio, ou vou à praia, às vezes aparece uma porção de caras a me cobiçar. Mas faço de conta que não os vejo, apesar de, muitas vezes, estar louca de vontade de trepar. Fico arrepiada. Se saio com todos que aparecem, seria preciso saber representar, como uma atriz profissional. Não é o meu caso. Seguro um pouco a barra, não sou a primeira a me atirar n’água. Quando era mais jovem, não pensava assim, era muito precipitada. Mas, agora, depois de tantos relacionamentos, tantas transas, e de achar que sou eu que como os homens, preciso maneirar um pouco. É bom quando surge alguém de poucas palavras, como um estrangeiro que não sabe a nossa língua mas a gente adivinha as intenções. Nossas mãos, nossos tatos, nosso calor fala por nós. Depois de me deixar nua, e de me satisfazer, ele parte, ainda em silêncio. Seu corpo foi o meu interlocutor, eu correspondi à sua conversa tátil. Não sei dizer mais do que isso. Moro sozinha, e não posso facilitar, porque a linguagem corrente é a de que a mulher precisa se submeter aos homens. Eu jamais fui assim. Outro problema que pode acontecer é aparece um doido. Certa vez arranjei um namorado que adorava me amarrar. Pernas e braços atados à cama. No começo, quis experimentar a sensação de namorar com alguém assim. Mas, com o passar do tempo, fiquei preocupada. Um dia ele, além de me amarrar, me amordaçou. Me deixou imobilizada durante duas ou três horas, que suplício. Consegui me livrar dele. Quando suspeito que o homem gosta dessas coisas, me afasto. E olha que, no começo, até cheguei a sentir prazer.
Certa vez falei a um namorado de ocasião, você me namora, eu te como, depois a gente vê como é que fica. Ele não entendeu. O que você quer dizer com isso? Perguntou. Exatamente o que falei, depois a gente vê como fica, depois que a gente gozar. Se isso, na verdade, acontecer. Ele, porém, continuou não entendendo. Tive um amigo que me contou sobre uma mulher. Trepou com ela apenas uma vez. E ela o marcou. Por quê?, eu quis saber. Porque ela desapareceu depois e eu não mais consegui encontrá-la. Foi melhor assim, afirmei. Ela ficou por cima. Sim, ficou, ele disse, e nenhuma outra foi como ela. Como ela, eu repeti, salientando o jogo de palavras.
terça-feira, julho 20, 2021
Na vontade
Já que você gosta de me deixar de sobreaviso, quero te contar o final da história, fica paga a hora, já é madrugada, daqui a pouco amanhece. Fique nua mais um pouco, sei que você gosta. É sobre o que aconteceu comigo na quinta-feira passada, não acabei de te contar. Não, não falei com ele de imediato. Eu estava dentro d’água, e você sabe que a praia de manhãzinha é vazia. A água estava fria, eu teimando em entrar e me agachar. Sempre quando entro num mar frio assim, lembro-me daquela vez, eu já te contei, faz séculos, mas lembro, eu pulei da pedra, mergulhei, uma água fria que doía, e aconteceu a tal sensação gostosa, na época nem sabia como se chamava. Depois, mesmo tentando outras vezes, não mais consegui. Quando vou a uma praia, lembro, acabo rindo comigo mesma. Outro dia, pensei e se eu tentasse de novo, já não há a pedra, a praia é outra, mas eu sou a mesma, a temperatura da água está baixa, entro e fico lá um pouco. Então, tentei, mas não deu, acho que pra conseguir agora é preciso algum treino. Resolvi depois de um tempinho, fazer o velho truque, transformei o biquíni numa pulseira, fiquei só te top dentro d’água, dá maior arrepio, uma amiga me ensinou. Agora, gozar mesmo, nada feito. Apesar de vestir um biquíni mínimo, achei que estava muito vestida, então o jogo, a pulseira de pano no braço direito. De repente, um homem pertinho de mim, e eu nem o tinha visto se aproximar. Que susto. Experimente você, está sozinha, ninguém na praia e, quando menos se espera, um homem imenso ao teu lado. Depois do susto, tive de rir. Ele notou meu sorriso e disse bom dia, desculpe se eu te assustei, não era a intenção, e foi nadando pra mais longe, cada vez mais. E eu no mesmo lugar. Envolvida pelo susto, até esqueci que estava nua. Ele não notou!, refleti. Como minha amiga me tinha contado, eles não notam não, são afoitos, estão sempre preocupados com eles mesmos. Quando dei conta da situação disse a mim mesma é preciso manter o sangue frio, Soraya. E se ele voltar não vai me encontrar vestida, acrescentei corajosa. Não vou morrer por causa disso. Tenho amigas que adorariam ser surpreendidas nuas, mas eu... Quem sabe, até role alguma coisa boa?, me perguntei. Não, é melhor marcar para outra hora, o homem vai pensar que sou piranha, e pra trepar é preciso clima. Mas é só não querer o tal duas vezes, me disse certa vez Ana. Como, nesta cidade? E se ele ficar me assediando? Mas foi nadando, nadando. Não mais vi o homem. À noite, no Ilhote, eram onze da noite, me lembrei dele. E se aparece agora, pensei, se me convida pra sair? Senti um arrepio, tive vontade de ir ao toalete, tirar a calcinha, guardá-la enroladinha num papel, dentro da bolsa. Eu estava com uma amiga, não comentei nada. E, como é muito comum acontecer comigo, fiquei apenas na vontade. A amiga ficou toda assanhada, cheia de sorrisinhos, quando um desconhecido veio falar com a gente, perguntou se queríamos alguma coisa, porque só estávamos bebendo. Ela, interesseira, soltou um quem sabe... Mas achei que o tal demonstrou interesse mesmo por mim. Fomos para a mesa dele. Em algum momento, a amiga sussurrou depois do bar vamos com ele, não vejo mal nenhum nisso. Mas o homem, no final, nos deixou em casa, pegou nossos números de telefone e ficou de ligar. Investimento, não?, dirá você. Como é bom investir, não é mesmo? Minha amiga sorria, depois de duas taças de vinho. E você, telefonando pra pedir um vestidinho, e tão tarde, ou melhor, quase manhã, pelo menos não ficou na vontade, não é mesmo? Onde você está? Ih, esse lugar fica longe, acho que vou ter de te deixar pelada.
terça-feira, julho 13, 2021
Meu biquíni nas mãos dele!
quinta-feira, julho 08, 2021
Ainda escurinho
terça-feira, junho 29, 2021
Imobilizada
Ele cisma de me dar dinheiro. Verdade. Toda vez que o encontro, estende a mão com um envelope. É um presentinho, pra ajudar em alguma coisa. Fico tão sem graça, acabo aceitando. Por enquanto, estamos apenas conversando. Ele me convida, saímos para lanchar ou jantar. Depois me pergunta se quero que me deixe em casa. Digo que sim. Ele é devagar nas coisas do amor, gosta de conversar, uma conversa comprida, centopeia, e gosta de me ouvir falar também, pede que eu conte alguma coisa. É lógico que não falo quase nada de mim.
Outro dia, em casa, sozinha, ao mesmo tempo que pensava
nele, lembrei a viagem a Cabo Frio, onde fiquei durantes uns quinze dias. Conheci
então um homem muito parecido com ele. Me convidava para todo o lado e gostava
de me dar presentes. Só que não me dava dinheiro. Íamos ao shopping e ele dizia
para eu escolher o que quisesse. Você fala sério?, perguntei na primeira vez. Claro,
foi sua resposta. No início, tive cuidado para não assustar o homem,
escolhi umas roupas que eu estava precisando, mas nada muito caro. Na segunda,
foi diferente, além de roupas, o homem disse que eu podia escolher uma joia!
Mas joia é perigoso de se usar nos dias de hoje. Que nada, a gente sai de
carro, vamos a um restaurante chique. Escolhi um cordãozinho discreto, lindo
demais. Mas ele agiu diferente desse que namoro agora. Logo me chamou para um
hotel, ou para a casa dele. Afirmou que num hotel seria mais interessante.
Demorei um pouco a aceitar, mas diante de tantos presentes não podia
decepcionar o homem. Acabamos passando um final de semana em Búzios, nos
hospedamos numa pousada super incrementada. Todas as noites, então, rolou um
amor gostoso entre nós. Num dos dias, quando chegamos da praia, era umas quatro
da tarde, fui tomar banho de chuveiro. Ele quis vir junto comigo. Assim que
fiquei nua, começou a lançar o jato de água do chuveirinho sobre o meu
corpo. A água estava muito fria, do jeito que eu gosto. Não lhe disse nada, mas água fria me dá tesão. Ele ficou mirando a mangueirinha bem naquele
lugar, me deixou desarmada. Foi um ótimo passeio, foi um namoro e tanto.
Mas agora, este último, não sei por que o homem gosta tanto de me presentear com notas de cem e, por enquanto, nada me pede em troca, apenas que eu o acompanhe a bares e restaurantes. Daqui a pouco, acho que serei eu a convidá-lo à minha casa. Mas não sou uma mulher de tomar inciativas. Por falar no ex que me levou a Búzios, que me enchia de presentes do shopping, por que o namoro acabou mesmo? Eu estava de férias, em viagem, mas não significa que o fim das férias seja fim de relacionamento. Depois, ainda tivemos contato, ele veio uma ou duas vezes à minha cidade, mas, de repente, sumiu. Talvez tenha se transferido de trabalho ou, quem sabe, até mesmo conhecido outra, se casado, sei lá. A vida é assim.
O importante, agora, é o atual namorado descobrir o meu segredo. A tal água fria. Fico imobilizada. Em estado de orgasmo absoluto. Será que falo qualquer coisa a respeito?
terça-feira, junho 22, 2021
Banho-maria
terça-feira, junho 15, 2021
Não estica a corda
Tenho um namorado que é fogo, acaba conseguindo de mim tudo que deseja. Como gosto muito dele, é difícil recusar suas propostas. Desde que o conheci, diz que sou muito bonita, que jamais namorou uma mulher parecida comigo. Elogia meu corpo, fica admirado como consigo praticar uma alimentação tão equilibrada e sentir tanto prazer pela vida. Um dia desses, veio com a história de que meu biquíni é muito grande, eu devia usar um mais ousado, mais curtinho, que mostrasse as belezas que vivo escondendo. Não sei se vou me sentir bem com um biquíni mais curto, repliquei.
Contei a ele uma peripécia minha numa praia de Búzios. Como moro
em M, que fica a quarenta minutos da tal praia, não me preocupei à época e usei um biquíni
mínimo, deixava tudo de fora. Não acredito, ele falou, você tão cheia de pudor,
com tudo de fora... Sério, tudo de fora, afirmei, me senti nua por inteiro com o
tal biquíni, e não foi coisa de namorado, mas de uma amiga, ela criou a
situação; além disso, apareceram dois homens; foi aí que a coisa pegou. O que
aconteceu?, perguntou, muito curioso. Ah, não é coisa pra contar pra
namorado, você também já fez das suas.
Insistiu pra eu trocar de biquíni, disse que ia comigo a
uma loja onde vende cada um ótimo, pagaria tudo. Não se passaram duas semanas,
estava eu na praia com o biquíni mais curto que já vesti, todo entrado atrás.
Ai se encontro alguém, vou morrer, disse assustada. Você não está nua, mas numa
praia onde as mulheres não têm vergonha alguma, e é normal se vestir assim no litoral,
ele rebateu. Você está errado, nós morremos de vergonha, não deixamos
transparecer porque sabemos representar, caso alguém pudesse fotografar o que
sentimos num momento de nudez, ficaria surpreso, sussurrei no ouvido dele.
Depois dessa do biquíni, ele veio com outra história, aliás,
com duas histórias, só que uma depois da outra. Meu namorado é mestre nisso, sabe fazer
as coisas por partes, dosar o seu desejo, avançar na hora certa, e me deixar sem
saída. Sempre namoramos muito à vontade, tanto na minha casa, como na dele,
quando lá não tem ninguém. Às vezes, vamos a um hotel aqui na cidade, ou a uma
pousada na cidade vizinha. Outro dia, eu estava nua nos braços dele, num tremendo roça roça (eu já não mais podia). Coloca a camisinha, pedi. Ele
ficou embromando, e me apertava, e me beijava, e fez que eu abrisse as pernas,
e roçou ainda mais, e eu cada vez mais doidinha... Bota a camisinha, supliquei.
Espere mais um pouquinho, pediu, vamos pele com pele, só um minutinho. Eu, tão
equilibrada, deixei o tal pele com pele. Estava toda molhada, ele escorregou
pra dentro de mim. Ai, por favor, está tão bom, mas não vai perder a cabeça,
viu, pedi, a equilibrada, que já ia mal no barbante. Num determinado
momento, cheguei a soprar não tira, por favor, está muito gostoso, mas
não perde a cabeça, viu, por favor. Naquele momento, lembrei a amiga de Búzios, do
biquíni, eu e tudo de fora, a mesma coisa a acontecer, logo comigo. Ui, não goza, não, viu, eu falava pro homem, a gente
naquela praia, uma barraquinha que eles tinham, eu e a amiga, as duas peladinhas,
não goza, não, viu. E eles perdendo a cabeça, nós duas já vencidas fazia horas.
Voltei pra M desesperada, minha amiga nem ligou.
O namorado já estava suando frio, suspirando, você está por um triz, pronunciou, acho que hoje não escapa; então, eu,
equilibradíssima que só, disse vem aqui, despeja na minha boca. Tudo aconteceu numa fração de segundos. E
foi a festa!
Agora, a segunda história. Você tem um bumbum lindo, acaricia,
elogia, quer uma coisa que nunca fiz. A camisinha chega a brilhar vestida no
peru dele, e ele me encosta, me roça por todos os lados. Por trás, não, por
favor, não insiste. Eu não querendo dizer nunca fiz uma coisa dessas, acho que
não vou gostar. Ui, devagar, me beije primeiro, suba o meu corpo, veja, é todo teu. Mas o namorado é tão convincente. Acuada, me pergunto se vou gostar, ou se vou gozar. Primeiro me
deixa subir na corda, me ajuda, isso, agora a vara, por favor, assim mesmo,
está muito bom, ótimo, sou equilibrada, muito equilibrada mesmo. Equilibradíssima. Com a vara, um tanto melhor.
segunda-feira, junho 07, 2021
Só em sonho
O ônibus vinha com poucas pessoas, passava das dez da noite. Parou no ponto e eu subi. Tomara que não me olhem de frente. Não é normal, numa situação dessas, alguém olhar de frente. Além disso, tudo depende de mim, caso eu faça de conta que sou a pessoa mais vestida do mundo, ninguém vai reparar que estou nua. Já vivi a mesma situação outras vezes, e me saí salva, porque sã sempre fui. Uma pessoa que adora namorar é sempre sã. Minha amiga Aldinha é sujeita a escândalos. Você é boba, digo a ela, discrição, as pessoas gostam de discrição, os homens sobretudo, você pode namorar todos eles, basta que não conte segredos seus, segredos de mulheres pertencem a nós, boca fechada, aberta apenas para beijar e para algo mais, e mais uma coisa, mesmo que você saia nua, se não se precipitar ninguém nota, e dá enorme prazer! Entrei no ônibus, como imaginava, as pessoas me olharam, mas nada notaram, continuaram nos seus pensamentos, no meio sono de noite alta, enquanto o coletivo já ia pela rodovia estadual e se preparava para pegar a serra. Uma viagem à meia luz, era o que vivíamos. Num determinado ponto, o motorista deixa apenas poucas lâmpadas, já tarde da noite, melhor sempre o descanso. Cruzo as pernas, procuro na bolsa a chave de casa. Mas ainda estamos tão longe, por que penso numa chave? Talvez, a segurança, é preciso ter uma casa, um lugar onde se abrigar, entrar e sair sem ser percebida, deixar minhas coisas seguras. Às vezes, em meio ao caminho, sinto alguma inquietação. Alguém me perceberá?, alguém desvendará meu segredo. Até agora, não. Tudo corre bem. Houve certa vez o motorista. Seu sorrisinho debochado foi revelador; apenas nós dois no ônibus, parou num local que apelidaram recanto da onça. desceu na frente, sabia quem era a fera. Ainda bem, não contou a ninguém, e não aconteceu de novo. Ficou feliz com uma única vez. Este agora, já o conheço. Nesses distritos das alturas todos se conhecem, e ele não gostaria de se ver envolto em problemas, pois tem mulher, filhos e vizinhos vigilantes. Todo homem sonha conhecer uma mulher discreta e silenciosa, que lhe dê prazer, que nada comente, sempre pronta ao amor, ou ao sexo, caso ele nunca tenha experimentado algo maior. Desço um ponto antes do final da linha, uma escuridão, a prefeitura não colocou iluminação nos postes de entrada. Melhor para mim, envolta em sombras, mais fácil o disfarce, desço rápida, a porta traseira ajuda, se ninguém notou minhas verdades na entrada, não notará na saída. Junto as pernas, a bolsa a tiracolo, a sandália de fivela. Dou o sinal, ele vai parar, não sei, dou mais uma vez, antes da entrada?, ele grita? Isso, sorrio de longe. Ele para. Eu corro e desço. Ainda bem, ninguém, como das outras vezes. Corro para casa e penso como foi possível a tal experiência, de embarcar nua em M, subir a serra dentro de um coletivo com meia dúzia de pessoas e ninguém nada notar, nem um sussurro, mesmo o chofer... Talvez, seja possível apenas num sonho. Verdade. Muitas vezes sonhamos que andamos nuas pela cidade e ninguém nos repara, andamos e andamos, sentimos vergonha, mas ninguém olhando. Outras tantas vezes, pensamos que é sonho e está lá a pura realidade, nuinha. Como fui viver esta situação, onde deixei minhas roupas? Não sei.
terça-feira, maio 25, 2021
Durinhos
Quando vi o homem, o bico dos meus seios ficaram duros. Verdade. Fazia tempo que não acontecia. Ele tinha acabado de me olhar de um modo invasivo, e eu que nem sou tão bonita assim, nem estava vestida para ser admirada ou paquerada, ainda era de manhã. Não sei o que despertou nele sentir tanta atração. Seu olhar me deixou nua, fiquei morta de vergonha, mas representei. Em geral, nós, quando sentimos ainda que uma ponta de vexo, sabemos dissimular. Tenho certeza que ele nada notou, consegui manter certa frieza. Como vou fazer agora, será que vai tomar a inciativa? Fiquei interessada, não queria perder o momento. Na nossa vida, em muitas ocasiões, deixamos passar as oportunidades. Ficamos sem ação, como que paralisadas por algo difícil de nomear. Mas, naqueles poucos segundos, sabia que não devia agir assim. Soltei o ar vagarosamente, olhei-o com um sorrisinho. O homem compreendeu. Ele precisava falar, contar uma história, perguntar, pedir uma informação. E logo atrás ficava um café, seria fácil, diria que era de fora, que procurava alguma coisa. Como nada falava, e eu já ia quente dentro da roupa, perguntei você quer alguma informação, não? Ele sorriu pela primeira vez, mas ainda permaneceu em silêncio durante alguns segundos. Esta cidade é quente ou fria? Achei graça. Você faz tanto mistério para propor uma questão de geografia. Pensei em voz alta. O homem pareceu surpreso. Depende da época do ano, agora é quente, veja, as pessoas vestem bermudas, shorts, ou mesmo trajes de banho, a praia fica do outro lado e vem muita gente de fora. Obrigado. Você quer sugestão para se hospedar?, tive a ousadia de perguntar. Sim, estava pesando nisso. Então, falei sobre a pousada. Não gastaria muito dinheiro e seria confortável, um lugar realmente bom.
Certa vez tive um namorado que ficou hospedado na tal pousada, por isso passei a conhecer a proprietária. No começo, eu ia esperá-lo enquanto se vestia para sairmos. Depois de alguns dias, em vez de ficar na sala de entrada da pousada, a proprietária me indicava a escada e dizia que subisse. Passamos então a fazer amor no local, antes ou depois de nossos passeios. Certa vez, cheguei a dizer no ouvido dele se essa mulher me pega nua aqui não vai me deixar mais por os pés na pousada, trata-se de uma hospedagem familiar, ela afirma. Ele ria, enquanto me acariciava e procurava me fazer feliz com uma boa trepada. Ela vai ficar contente, arranjei um hóspede para ela. Depois do namorado, passou-se muito tempo, quando a gente se encontra na rua ela para pra conversar, sempre pergunta pelo ex-namorado, se ainda o vejo. Às vezes falo com ele, mas sabe como são os homens que vêm trabalhar aqui, não demora transferem-se para outras cidades, essa indústria do petróleo...
Eu não ia dizer à mulher que arranjei outro namorado, mas que alguém estava perdido, procurando uma pousada, lembrei então a dela. E era verdade, o homem estava deambulando pelo centro, perto do supermercado, até que me dirigiu o olhar invasivo. Nesta cidade, há muitos homens, mas eles são casados, vêm para trabalhar, quando conversam com a gente contam histórias inacreditáveis, que estão livres, que querem ficar por aqui, se casar... No final, acabam partindo. Nós não podemos acreditar no que dizem. Caso tenhamos alguma relação com algum deles, é preciso ter consciência de que a coisa é passageira. O ideal é aproveitar o momento, nada de amor nem de paixão.
Um fato
engraçado aconteceu com Léa, uma amiga da Riviera. Ela contou que estava na
praia, era à tarde, estava ventando, já pensava em juntar as coisas para ir
embora quando viu um homem lindo, jeito de artista de cinema, pensou que
estavam fazendo algum filme na cidade. Você já molhou o biquíni ao ver um homem
bonito?, ela me perguntou. Não, nunca. Eu também, antes, jamais. Estava já mesmo
ficando frio, eu arrepiada, o homem me olhou e molhei o biquíni. Foi tão bom,
ah, se isso me acontece sempre, vai ser ótimo, falou. O tal parou pra
conversar. Ela acabou rindo tanto, ele perguntando qual era o motivo de tanta
alegria. Não posso contar, vai ser ridículo. Ela voltou pra casa no final
daquela tarde quase nas nuvens, pois se deixara nas mãos do homem por umas boas
duas horas. Vocês treparam na praia, Léa, e logo de primeira, ele, um
desconhecido. Demos um jeitinho, ela riu, e ele não era tão desconhecido assim, artistas sempre são populares;
não fala pra ninguém, viu, o mais gostoso mesmo foi molhar a calcinha só em
reparar o olhar dele! Depois, também foi bom, mas a primeira experiência eu
ainda não conhecia.
E agora esse, eu caminhando ao seu lado, levando-o à
pousada. O bico dos meus seios durinhos.
terça-feira, maio 18, 2021
Não queria ficar nua
Não queria ficar nua, mas estava morrendo de vontade de trepar com ele. Se pelo menos me abraçasse, e me apertasse junto ao seu corpo, eu teria coragem de tirar a roupa. Mas é dever do homem despir uma mulher. Tive um namorado que me abraçou num canto da sala e me soltou a saia. No momento, senti-me plena de excitação, mas depois, já nua, fui tomada por uma ponta de vergonha. Mas agora, na estação de férias, nós dois dentro do quarto, sem contar o que já se passou na praia, acho que o vexo ficará para trás. Tomamos sol juntos, mergulhamos, eu vestindo meu menor biquíni, ele fazendo de conta que não reparava, ou que aquele mínimo traje de banho era a coisa mais normal do mundo. Depois do dia de calor, da bebida e do almoço, depois do descanso, estamos lado a lado, beijamo-nos; eu, de shortinho. Nada de precipitação, os homens são afoitos; as mulheres, delicadas. Gosto de deixar a iniciativa para eles. Levanta e acende um cigarro, pergunta se aceito. Não, agora não, quero namorar, digo com uma ponta de atrevimento. Ele me abraça, o cigarro numa das mãos, seu corpo me provoca frisson. Por que não faço como Suzy, minha irmã; quando sai com um homem e fica a sós com ele num quarto de hotel, é a primeira a se despir, deixa apenas a calcinha para ele tirar. Certa vez, numa praia do nordeste, ela e o namorado alugaram um barco e acabaram perdendo-se no mar. Encontraram uma ilha e aportaram. O homem estava preocupado, como faria para voltar?, o mar cada vez mais agitado. Ao olhar a mulher, viu-a nua; mas você não se preocupa, logo fica noite; nada de preocupação, ela rebateu, virão nos buscar, enquanto isso façamos amor, agarrou o namorado. Mas Suzy é Suzy, sempre a contar vantagens. É certo que enfrentou alguns tropeços, mas deles jamais lembra, apenas enumera as vantagens, os homens lindos, artistas de cinema, ela nua atrás de uma pedra, brincando de esconde-esconde com o namorado, ou procurando o biquíni comprado em Paris. Meu namorado solta a fumaça do cigarro, solta-me do abraço, mas segura-me pelo short. Não leva tempo para abaixá-lo, leva junto a calcinha! Eu, apenas de camiseta, que não passa muito do umbigo. Venha, me penetre, me faça sonhar, é lógico que não falo, são meus desejos. Vem-me a lembrança da água gelada do mar, de algumas horas atrás. Por que nesta região a água é tão gelada? Não disse a ele, mas a água me excita. Tive um namorado que trepava comigo dentro d’água; sabendo da minha excitação pelo mar frio, procurava as praias mais geladas. Mas onde o tal namorado? Não mais o vi, não sei por que desapareceu. As pessoas são assim, vez ou outra desaparecem. O quarto é pequeno para o amor quando ampliado pela riqueza das sensações, procuro o sexo do meu homem. Não aguento, mete, por favor, estou muito excitada, quero revelar. As palavras, sempre as palavras, são difíceis. Qual o verdadeiro idioma do amor? Deixa o cigarro e leva-me para a cama. Tateia-me e acho que chega a conclusão de que é melhor me colocar por cima. Trocamos sensações, linguagem dos corpos. Caso me sussurre uma história no ouvido, vou preferir a do dia quando me deixou nua por doze horas! E não foi dentro de um quarto. Foi numa praia de nudismo?, quis saber uma amiga atrevida. Nada. Eu que era a nua e sou tão envergonhada, não sei o que me deu no tal dia. Foi uma curtição. Isso mesmo, a todos os lugares onde íamos, eu nua, ora dentro do carro, ora nas areias da praia, ora ao banho de mar! Você está com o corpo quente, meu amor, bem quente, é disso que mais gosto, ele diz. O que eu poderia desejar mais? A ida à boate à noite? Os passeios pela orla das praias depois do escuro da noite? O sexo do homem que me acompanha? Sei que a vida não é apenas sexo, mas quando este nos satisfaz, mais da metade dos nossos problemas estão resolvidos. Será que tenho algum problema? Quem sabe.
sexta-feira, maio 14, 2021
Madurinha
Meu amigo pediu para encontrar com ele num domingo de manhã.
Queria tomar café comigo. Quando acordei, de madrugada, aproveitei para gravar
uma mensagem dizendo que não iria, marcaríamos uma próxima vez. Horas
depois, ele me escreveu, adorou minha voz sexy, de alguém que acorda
no meio da noite e fala por sussurros. Durante o dia fiquei pensando no que ele
falou. Ele não ficou aborrecido, sabe que qualquer dia desses apareço e a gente
sai para passear. Meu amigo gosta de encontrar comigo, sempre temos uma porção
de coisas para conversar.
Certa vez, quando viajei à Mangaratiba, vejam que coincidência, conheci um homem num
domingo de manhã, e ele me convidou para tomar café.
Fomos a um Café local, muito incrementado, ele pediu um verdadeiro breakfast. Nunca
tinha experimentado um tão legal. Só que depois... Bem, depois, aconteceu algo
inesperado. Quero dizer, inesperado para um domingo pela manhã. Porque quando o
homem veio falar comigo, eu estava indo para a praia e eram nove horas. Depois
do café, eu o acompanhei até a sua casa - pelo menos era o que eu imaginava. Me
falou que precisava se preparar para a praia e que eu o esperasse um pouco. A
casa era uma tremenda mansão, com tudo do bom e do melhor, inclusive piscina,
sauna e um jardim lindo, todo florido.
“Essa casa é tua?”, eu, curiosa.
“Não, mas é como se fosse”, era de um amigo, ele
complementou, mas deixava com ele, podia ficar o tempo que quisesse, alguém
muito próximo.
Dentro de uma casa com tanto requinte, eu acabei sem... Vocês
compreendem, não? Me entusiasmei. Pelo homem e pelo lugar. Tempos depois,
descobri que corri um grande perigo. A casa era de uma das pessoas mais
importantes da cidade, mas ficava sempre vazia. O tal enamorado de então ocupava-a
ilegalmente. E eu nua, indo de um cômodo a outro, namorando com o homem. Ainda bem que não
apareceu ninguém por lá naquele dia.
Meu amigo, que me convida para passear e tomar café aos
domingos pela manhã, também já me namorou. Mas foi uma relação de ocasião. Me convidou e me levou a um hotel, no centro da cidade, onde passamos uma
tarde. Depois disso, não sei o motivo, não mais nos encontramos. Tempos depois,
quando isso aconteceu, acabamos nos tornando amigos. Não digo que não sairia com ele de novo. Acho que falta é oportunidade. Quem sabe num desses domingos vindouros o
convido para passar lá em casa depois do café da manhã? Então, ele poderá me
abraçar, me beijar, tirar toda a minha roupa e fazer como da outra vez no hotel no centro da cidade.
O homem de Mangaratiba soube me paquerar e me namorar, tinha
um pênis enorme, e eu, uma saída de praia curtinha, biquíni mínimo, tudo de fora. Não poderia ser outro o resultado.
Meu amigo de Copacabana gosta de me convidar para um café da
manhã, não fala em segundas intenções. Mas sempre há o dia em que a gente,
madurinha, cai nas mãos de quem a gente mais gosta!
quinta-feira, maio 06, 2021
Cuidado com as abelhas
Fico quietinha no meu canto . Ele me telefona, ou me envia uma mensagem e diz que me deu um presente. Olho o saldo da minha conta bancária, lá está o depósito que ele fez. O segredo é o silêncio, não posso falar pra ninguém. Nesta cidade, há muita gente invejosa. Caso alguém saiba da história, vai colocar areia. Lembro a Salete, era doidinha, vivia pra lá e pra cá atrás de namorado. Quando arranjou um, ele pagava tudo, lhe comprava roupas e presentes dos mais caros. Mas bastou aparecer à noite na orla com uma roupa nova, que ficou todo mundo de olho. Sabe como é, Gil, você me conhece, é minha amiga, eu não devia ter aparecido vestida com aquelas roupas de marca, melhor ter deixado pra quando eu viajasse, assim ninguém ia ficar colocando olho grande, ele me contou. Não demorou, deram tanto em cima do namorado dela, que o homem passou a ter duas ou três namorados, depois se mudou, dizem que foi transferido. Gil, não conta pra ninguém, mas ele continua me dando uns presentinhos, nada é pra sempre, eu sei, mas aproveito. Acho que era uma desculpa inventada por ela para disfarçar que fora traída. Nada de dar com a língua nos dentes, como dizia minha avó, com silêncio você vai longe. O que meu namorado quer em troca? Ah, assim já é querer saber demais. Posso dizer, acho que não tem problema, como escrevo, a possibilidade de fofoca é menor. E uma história sempre pode ser considerada ficção. Ele pede que eu o namore, que eu seja sempre criativa. Daí, preciso pensar o que vou dizer, como vou tocá-lo. Fico mesmo imaginando um modo de prendê-lo, diferente de todas as outras mulheres. Assunto sério, quando converso com alguma amiga sobre namoro, é sempre a mesma coisa, quase um feijão com arroz. Então eu penso que as coisas funcionam como numa receita de comida. Caso a gente consiga descobrir uma maneira de acrescentar algo que combine, que ressalte o sabor, que dê certa beleza ao prato, ele vai se apaixonar cada vez mais. Vera, outra amiga, acha que o homem precisa se preocupar com a mulher, é ele a peça chave na conquista, segundo suas palavras. Por causa de concepções assim, muitas de nós não temos namorados, maridos, nem mesmo amigos. É preciso que se pense como se tornar surpreendente. É como na literatura. Quando lemos algum romance que aborda um assunto sobre o qual jamais pensamos, dizemos é isso, que legal.
Não são todos os homens que gostam de mulheres nuas ao seu lado. Por aqui, há muitas que gostam de sair peladas quando arranjam namorado. Muitas vezes, é um erro. Muitos gostam de mulheres bem vestidas. E, quando as têm como namoradas, compram roupas e mais roupas para elas. Uma maluquete daqui da cidade, ao ouvir de uma conhecida que caso quisesse ficar nua poderia subir a serra e tomar banho na cachoeira, porque lá é tranquilo, não aparece ninguém, rebateu: gosto de ficar nua para que os homens me vejam, não vou tirar a roupa onde não aparece ninguém! Sobre relacionamentos amorosos, é frequente acontecer o contrário do que a gente pensa. Se você vai nua, alguém te quer vestida; caso vá vestida, o homem te quer nua. Acredita que já houve um que me quis num vestido de mel? Sério. Existe mesmo uma história sobre isso. Ele trouxe uma garrafa cheia, pediu que eu tirasse a roupa e me lambuzou toda; depois colou umas tiras de papel laminado. Ainda gritei cuidado com as abelhas! Mas o bom mesmo é o meu atual. Ele me enche de dinheiro, diz que prefere assim, ninguém melhor do que eu para escolher os presente que desejo. Vou continuar quietinha.
quarta-feira, abril 28, 2021
Ganhei mas não fui buscar o prêmio
Uma coisa, Tatiana, é ficar de biquíni na areia; outra, no calçadão;
ainda outra, nas ruas internas de Copacabana. Você é louca, eu não tenho
coragem. As pessoas dizem que as mulheres que andam de biquíni fora da praia
não são daqui da cidade, são de fora, pensam que aqui é sempre férias, que tudo
é praia. E você, com esse biquíni mínimo, de lacinhos, todo entrado atrás, a
andar pelas ruas movimentadas, pessoas indo ao trabalho, ônibus circulando,
vendedores, lojistas, etc. Uma loucura. Tenho uma amiga que é igual a você. Se
quiser, te apresento. Ela anda quase nua. Mora sozinha, não tem parente nenhum, a única
amiga sou eu. Ela conheceu um cara na praia, assim como você costuma fazer.
Ficou com ele, namorou, passou a confiar nele. Um dia o cara deixou ela
peladinha, sem ter o que vestir, em plena luz do dia. Diz ela que namoravam aqui na praia e ficavam juntos o dia inteiro, depois costumavam ir
a um apartamento que ele dizia ser dele, ela sempre de biquíni. Como era
gostoso o homem, segundo ela. Um dia a história foi parecida com a que você
acabou de me contar. Ficou namorando o cara dentro d’água, ele tirou o biquíni
dela, treparam. Aliás, não sei como se pode trepar dentro d’água, é um estorvo.
Você diz que gosta, ela adora; e com o tal namorado, melhor. A água fria a
envolver as partes, como você também diz. Ela não sabe o que aconteceu naquele
dia. O cara sumiu, e deixou ela nua dentro d´água. Se ele morreu? Não, ela
disse que viu o cara uns dias depois. Não estou inventando pra criar terror em
você, não, ela mesma me contou. Como foi? Você é curiosa. Imagina, Tatiana,
imagina. Não, ela não saiu correndo de dentro d’água, esperou pra ver se ele
voltava. Eu já estava com ele há um mês,
tudo tão bom, não sei como um homem como ele pôde fazer isso comigo, ela disse.
Vá lá saber. Quando viu o cara algum tempo depois, ele nem se aproximou. Como ela
se virou? Disse que teve sorte, encontrou um senhor e ele resolveu a situação. O mesmo que ganhar na loteria. Já pensou? Também não sei se é verdade, pode ser invenção, você sabe
como são as pessoas, ninguém gosta de contar seus fracassos. Uma mulher sozinha,
sem poder recorrer a ninguém... Ainda bem que apareceu o tal senhor, repetiu. E ele deu um jeito. Acha que ninguém notou ela nua o tempo que ficou a ver navios (e a expressão cai tão bem!) dentro d’água. Depois, foi com o seu salvador, ainda ficou com ele naquele dia.
Veja que piranha, em vez de agradecer e ir embora, pedir o telefone para um
possível futuro contato, trepou com ele ainda naquele dia, e no apartamento
dela. Júlia, ela narrava, eu não podia ir embora, o cara me salvou, tinha de
transar com ele, mas eu não quis namorá-lo depois, não seria boa uma relação com um homem que conheci naquelas circunstâncias; já pensou quando a gente brigasse,
ele podia me dizer “te conheci nua, se não fosse eu você estava perdida,
piranha”. Conclusão, ele é bonito,
tem dinheiro, mas ela não ficou com o homem, apesar de ele ter procurado por
ela várias vezes. Ganhaste na loteria, não?, insinuei. Ganhei, mas não fui buscar o prêmio, afirmou categórica. Você, Tatiana, tome cuidado, não é sempre que aparece alguém
pra ajudar. Andas a cada dia ou a cada dois dias com um homem diferente,
vai que um deles seja louco; você sentiu um friozinho na barriga, Tatiana?, então
tá, goza, goza bastante, goza com o friozinho na barriga.
segunda-feira, abril 19, 2021
Gênero de amor
Acho o maior barato o passeio que meu amigo faz todas as manhãs de sábado. Como ele mora na zona sul, anda por toda a orla de Ipanema e do Leblon. Durante a caminhada, me envia mensagens sobre o dia, sobre como está a praia, conta alguma coisa engraçada e me deseja bom fim de semana. Muitas vezes, tais mensagens vêm acompanhadas de uma foto. Elas alegram o meu dia e me dão energia, torno-me então uma mulher cheia de otimismo e bom humor.
Numa dessas semanas precedentes, marquei come ele um encontro para um café, no centro da cidade, numa confeitaria bonita. Conversamos durante mais de uma hora e meia. Contei-lhe alguns episódios da minha vida. Quando tinha vinte e poucos anos, viajei à Bahia, fiquei hospedada numa pousada, onde conheci um canadense. Apesar de eu ter ido com duas amigas, acabei ficando o tempo todo com o homem. Namoramos. Foi ótimo. Nas minhas férias seguintes, resolvi ir ao Canadá, ao encontro dele. Mas, quando cheguei lá, as coisas não deram muito certo, não saíram como eu esperava. Ele, tão afetuoso aqui, tão desprendido; no seu país, não agiu da mesma forma. Não teve o mesmo afeto, até mesmo me fez pagar tudo o que consumi. Será que, ao estarmos no nosso país, somos mais severos com as pessoas? Não sei, mas foi o que aconteceu. E, olha, caso ele tivesse desejado, eu teria me casado com ele, teria largado tudo e partido ao Canadá, mais precisamente a Montreal. Lembro-me de que, no aeroporto, no momento de eu voltar, ele me cobrou três dólares, que havia me emprestado horas antes para eu tomar um café. Meu amigo ouviu a história e disse foi uma pena, poderia ter dado certo. Não sei por que há homens que são assim, agem de um jeito quando são turistas e de outro quando não, tornam-se autoritários, afirmei. Quando acabamos o café e as torradas, pagamos a conta e saímos, era a rua do Ouvidor. Caminhamos na direção da Uruguaiana, meu amigo me acompanhou durante o trajeto e conversamos mais um pouco. Depois que se foi, fui a uma loja de roupas, onde, mais cedo, algo me interessou. Quando voltei para casa, pensei muito na tarde agradável que tivera. Ele até quis pagar a conta, mas não aceitei. Eu inventei esta história de virmos tomar um café, logo tenho de pagar, ele disse. Aceitei o convite, portanto também preciso contribuir, respondi. Ele riu.
É bom ter amigos; quanto a esse então, nem se fala. Quando
ele envia suas mensagens, coloco o fone de ouvido e vou para o meu quarto
escutar, sozinha, longe da minha filha adolescente. A seguir, respondo, na
maioria das vezes, gravo também a mensagem, e assim vamos vivendo. Sou apaixonada pelas pessoas e por muitas coisas, dei a entender. Ele parece
gostar de mulheres assim, como eu.
Quando conheci o tal canadense, eu vivia outra realidade. Minha ousadia foi tanta, que entreguei-me totalmente a ele. Uma das extravagâncias daquelas férias foi ficar nua na praia. O litoral onde a gente estava, naquele tempo, não era tão frequentado, e eu quis agradar o recente namorado aceitando tudo o que pedia. Quando senti a água morna do mar envolver todo o meu corpo, confesso que a experiência me elevou à milésima potência. Depois, ele veio me abraçar, e ficamos os dois dentro d’água, agarrados um ao outro, eu esquecida de que ia nua tanto era o gozo. Ao visitar seu país, minha intenção era a mesma. Quem sabe, ele me tenha achado uma mulher vulgar. Quanto a dinheiro, jamais fui interesseira. Sempre tive o meu trabalho para poder comprar o que desejasse.
Hoje, vivo sozinha. Fico feliz quando tenho amigos, e este que me manda mensagens é de uma alegria e tanto. Os seres humanos são complicados. Melhor assim, o encontro num café, o prazer de uma boa conversa, a troca de ideias. Uma aproximação saudável. À noite, deitada, ouvindo música, penso nele durante muito tempo. Sinto intenso prazer. Há quem diga que se trata de prazer sexual. Se for, tanto melhor. E vamos vivendo tal gênero de amor.
terça-feira, abril 13, 2021
Trepadeira
Deixe guardar no meu bolso, ele disse, notando meu desconforto. Não gosto dessas coisas, falei sem alternativa, foi você que teve a ideia. Estávamos no seu carro, um veículo largo, bonito, ele ao volante, tinha parado junto ao último poste da orla, de onde se podia descer à beira do mar ou caminhar à direita, para um local da praia que se mostrava quase selvagem. Nós temos minha casa, a tua, não entendo por que você quer aqui, no meio do nada, um desconforto. É a oportunidade, você não acha um tanto excitante?, ele. Nada disso, sou conservadora, você me conhece. Então, voltou ele à iniciativa, por que você tirou a calcinha? Ah, fiz uma fisionomia de vítima, foi você quem pediu, você sempre a me desafiar, a dizer que eu gosto de situações extravagantes, mas não é verdade.
Arrastou-me para perto de si, o vestido subiu mais um pouco deixando minhas coxas de fora. Espera, espera, por favor, assim vai estragar minha roupa, custou caro. Pronto, está satisfeito?, eu disse depois de tirar o vestido e colocá-lo no banco traseiro. Deslizou as mãos sobre o meu ventre, tentou beijar o bico dos meus seios, um após o outro. Assim, está bom, falou. Já pensou se surge alguém?, expressei meu temor olhando para um lado e para o outro. Está escuro, já é tarde, pareceu entender minha preocupação. O homem era forte, levantou-me, como se eu fosse uma pena, e posou-me atravessada, sobre seu colo, ele ainda vestido. Você não tem coragem de ficar pelado, ri depois da última palavra. Homem nu é muito feio, rebateu. Não acho, adoro homens nus. Ah, sabia, você gosta de todos os homens nus, não apenas eu. Claro, gosto de me divertir, você é mais um deles. Riu, beijou-me. Vá entender as mulheres, acabou sussurrando no meu ouvido enquanto deslizava uma das mãos descendo as minhas costas. Põe o peru para fora, vai, você está me deixando a mil. Meu peru desapareceu, ele disse, e apertou minhas nádegas, fez que meus seios roçassem sua blusa. Oh, desapareceu, como isso é possível, fiz ar de surpreendida, então vou sair correndo pela praia, quero um homem que tenha um peru, e um peru bem grande. Desci a mão direita para o fecho da sua calça e o abri, afastei-me de seu colo e mergulhei a boca sobre seu seu pênis, que cresceu mais ao sentir minha língua. Lembrei Olga, uma amiga que já não morava na cidade. Certa vez, para criar surpresa, enquanto chupava o sexo do namorado, numa situação muito parecida com a que eu estava, abriu de repente a porta do automóvel e pulou fora. O homem quase morreu do coração. Venha me pegar, ela gritou. E desceu à areia da praia. Ele demorou a pegá-la. É o que dá namorar mulher quinze anos mais nova. Eu ali, no entanto, não agiria destemperada. O que desejava mesmo era aquele peru imenso dentro de mim. Amor, vamos para casa, você tem razão, vamos trepar numa cama, alertou. Nada disso, agora quero aqui, você inventou isso, tem de assumir. Abri as pernas, um tanto desajeitada sobre ele, o volante a roçar minha bunda. Deve ser bom dirigir com o traseiro, deixei escapar, enquanto tentava fazê-lo penetrar minha xereca. Às vezes tenho vontade de algumas ações perigosas, como fez Olga ao correr nua. Você já saiu nua da garagem com um namoradinho de ocasião, ele disse, enquanto eu saltava sobe seu peru. Garagem?, fiz que não entendia. Manobra direitinho, vai, manobra e estaciona o teu Mercedes dentro da minha buceta; já viu garagem mais confortável? Não demorou, o homem gozou. Que mela mela! Saltei pela porta do passageiro e fiquei agachada, ao lado do carro, esperando a porra do namorado escorrer para o chão terroso da parte alta da praia. Depois de alguns segundos, falei: me dá, amor, está no teu bolso, vai ajudar resolver a situação. O que está no meu bolso? Não lembra? Minha calcinha.
