quarta-feira, junho 22, 2011

Uma foto minha

Meu amigo me mostrou a foto. Fiquei surpresa. Nunca fui fotografada nua correndo na rua. Ou melhor, não apareço na foto nua por inteiro, mas apenas de miniblusa, bolsa a tiracolo e sandália meio salto. Nada mais. E estou com cara de apavorada, como se estivesse fugindo de alguém, ou temendo ser surpreendida. Ele ainda pôs o seguinte título: Rachel correndo nua. Não sei como conseguiu me fotografar. Como gosto de andar nua, não vou dizer que a foto seja falsa. Mas não me lembro de corrida tão atabalhoada nem do esperto fotógrafo. Olhando com mais atenção pode-se reparar minha perfeita maquiagem e o contorno nítido do meu rosto. A própria fotografia se apresenta bem acabada. Ao fundo, está escuro, é noite, há a luz dos postes, percebem-se alguns carros estacionados. Não há viva alma além de mim.

Já namorei este meu amigo. Ele é muito bonito e gostoso. Diz que, quando me insinuei a ele naquela noite, pediu em contrapartida apenas a possibilidade de fazer meu retrato numa cena externa.

Digamos que seja tudo verdade. Não há problema uma foto minha, eu pelada na rua. O mais prazeroso, porém, é namorar com ele. Não há nada mais gostoso. De suas carícias naquela noite, não me esqueci. Fui à casa dele, bebemos vinho, ficamos excitadíssimos. Depois me levou para o quarto. Fizemos amor de todas as maneiras. Uma mulher não gosta de descrever os pormenores do seu ato de amor, geralmente o deixa implícito, melhor que todos o imaginem, pensem no que há de mais estimulante numa relação a dois. Gosto de ressaltar o momento em que fico nua, altiva e desinibida. Acrescento aqui curto episódio: o namorado a procurar todo o meu corpo com mãos de mil carícias, a me beijar a boca; o ato de eu deitar sobre ele, ou ele sobre mim, não importa.

Mas a foto, não lembro...

Ou será que esqueci de propósito? Diz ele: “pedi para você ir lá fora, sua reação foi afirmativa e imediata.” Ainda, segundo ele, saí nua de casa. Sua sugestão era que eu fosse até a calçada, vestida.

Acho que recordo apenas o ar frio. Era noite de outono. Também lembro que quase pedi para vestir um casaquinho. Fora isso, mais nada.

Agora ele me mandou essa foto, anexa a uma mensagem. Apesar de aparecer um tantinho vexada, não posso recusá-la. Fiquei tão bonitinha. Mas fiz uma ressalva: “olhe, não vá postá-la por aí, viu?” Não demorou a me responder: “você é tão exibida, aposto que está doidinha para ser admirada por seus fãs.

Então, após refletir um pouquinho, mudei de opinião. Antes que acontecesse, eu mesma a postei. Espero que todos me apreciem. E gostem!

quinta-feira, junho 16, 2011

Viver todo esse prazer...

Quero que saibas que não sou prostituta, o que faço é por gosto. Podes pensar que para mim seria mais fácil reclamar algum dinheiro, quantia que me pagasse o risco. Mas não é isso que me satisfaz, somente o toque sutil de tuas mãos, o beijo, ou uma série deles, o namoro ainda que por uma noite. Muitos perguntam se não temo. Claro que tenho medo, quanto a isso não resta dúvida. Alguns, nessa estrada noturna, depois do gozo me deixam nua. Sei que desejas saber como faço para voltar sem roupa à Vila. Tenho minhas precauções. Sei onde me vestir. E não é com folhas de árvore. Há esconderijos, duas ou três estações, onde posso parar, descansar, pensar no que fazer. São lugares onde viva alma não me conhece nem suspeita de minha aparição, onde deixo um vestido inteiro, panos, ou mesmo moldes de papel do meu manequim, próprios para fantasias passageiras ou para correr a casa, e não é de primeira que se desfazem, a não ser que os molhe a chuva. Já fui costureira, sabias?

As meninas invejam-me. São tantos os meus namorados. Querem ao menos um para si. Mas eles vêm apenas a mim. Elas são como galinhas que apenas cacarejam, mas não tomam coragem de rondar fora da Vila, morrem de vergonha, temem os desconhecidos, ou mesmo incidente que lhes revele a identidade.

Toma-me em teus braços. Isso, assim. Tens suavidade. Sente minha pele quente. Depois vamos a mais conversa. Descobriste agora? Venho completa, todas as peças. Há homens rudes, desejam despir a mulher, peça a peça, não admitem que lhe falte uma delas. Podem até nem devolver, mas gostam de tirá-las, às vezes com cuidado, outras tantas com violência, de modo a danificá-las, a esgarçá-las, assim como nos arranham a pele.

Tira, vai, pode me deixar nua, tenho meus sortilégios. Mais tarde conto sobre eles, agora quero apenas teu sexo. A cabine de teu caminhão é tão espaçosa... Dás prazer em dobro. Isso, segura aí, aperta, aperta que me vem o gozo. Queres trazer por trás a outra mão? Já devias ter explorado melhor esse caminho...

Os homens gostam de gozar assim. Permito. Admiram-me a habilidade, não deixo escapar uma gota. Não precisas me tapar o nariz nem contar até dez. Engulo tudo muito rápido, tão depressa que não hás de acreditar. Mas queres que eu vá além, que engula líquido de teu frasco? E se for veneno? Há quem deseja nos matar, sabias? Mas me garantes que é alguma coisa sã, que além disso me dará um barato? Ou será que me há de sair caro? Vou beber, confio em ti. Mas não me vás fazer como um que vinha de Vitória e me empurrou goela abaixo remédio que fez soltar meus intestinos. Quis-me agachada, sem defesa, mal cheirosa e sob seu olhar...

Sei que há ainda os piores. Não foi por aqui, mas na cidade. Uma amiga teve de comer de um pote, pensou ser chocolate o presente do namorado. Quando descobriu o verdadeiro conteúdo não pôde recusar, o homem tinha uma arma. Imagina o que comeu. Depois teve de correr a um hospital. Sorte não ter morrido.

Viver é muito perigoso, como li num livro. E viver todo esse prazer é muito mais perigoso.

Mas vem, sei que te conheci há menos de uma hora, também sei que não é desses deixados para trás na conversa. Deita-te sobre mim, goza, não faz mal, transborda-me do teu prazer!

quinta-feira, junho 09, 2011

"Nada mais excitante do que seus pés"

Ele trouxe a câmera. Olhei reticente, acabei perguntando:

“O que você vai fazer com isso?”

“É uma câmera, para que serve?”

“Sei para que serve, mas você vai fotografar quem?”

“Adivinha?”, sorriu depois da interrogação.

“Não tenho a mínima ideia”, dissimulei.

“Jura?”

“Bem, jurar já é misturar as coisa.”

“Então, já que você entendeu, vista-se como quiser, vou fotografá-la.”

“Você me pediu?”

“Senhorita, queira me perdoar, acaso gostaria que eu fotografasse vossa beleza?”

“Verdade?”, sorri, “ou cantada?”

Fez uma mesura, posicionou a câmera, permaneci na mesma postura, clicou.

“A senhorita é bela mesmo sem fazer pose, venha ver.”

“Aceitável”, afirmei.

“Então?”

Depois de cinquenta minutos já tinha vestido e despido todas as minhas roupas. Aliás, faltavam os biquínis.

“Que tal?”, apareci, muito mais corpo do que pano.

No final, disse a ele:

“Espere, agora uma surpresa.”

Saí de trás do biombo envolvida apenas numa canga abóbora, tão bonita. Fez três cliques, eu enrolada nela. A seguir, a surpresa: deixei escorregar o tecido semitransparente.

“As mulheres adoram ficar nuas”, falou enquanto me fotografava de todas as maneiras.

Quando acabou, suspirei:

“Olhe onde você vai colocar essas fotos...”

“Você nunca fotografou nua?”

“Já, e nem sei onde andam as tais fotos. Acho que com um ex-namorado.”

“Confie em mim, envio todas a você.

Perguntou se as queria por e-mail.

“Talvez, mas imprima algumas. Depois das câmeras digitais ninguém mais tem fotos de papel.”

Vieram as fotos. Por e-mail e papel.

“Ah, eu mato esse homem, olhe o que ele fez...”

Depois de examinar todas as fotos, não encontrei os nus, mas algumas em que figuravam apenas os meus pés. Pés ora calçados, ora despidos. No final, um bilhete:

“Nada mais excitantes do que seus pés.”

Oh, veja, eu lá quero saber de fotos de meus pés? Além do mais, não tenho como provar que são os meus!

domingo, junho 05, 2011

Acho que estou esquecendo alguma coisa

Aceitei o convite para ir à casa de um ex-namorado. É sempre arriscado visitar alguém cujos braços já frequentamos. Mas fui. Arrumei-me de modo a destacar meu corpo. Uma blusa justa, que deixava um tantinho da barriga de fora, uma pequena jaqueta a proteger-me do sereno e de arrepios e a calça strech, de modo a ressaltar meu bumbum.

Ao chegar, reparei que ele tinha pensado em tudo. Uma mesa plena de iguarias e um bom vinho aguardavam-me. Fundo musical de piano expandia-se suave, envolvendo a sala num misto de beatitude e desejo. Será que ele desejava me conquistar de novo? Fora ele que me dera o fora...

Abriu a garrafa de vinho. Pediu para que eu o experimentasse. Gostei. Movi a cabeça saliente; sorri insinuante.

Permaneci sentada num pequeno divã, enquanto ele ficou frente a mim, numa cadeira bonita, dessas de madeira antiga. Conversamos. Lembramos velhos tempos, velhos amigos. Comemos e bebemos. O vinho acentuava nosso entusiasmo.

Em algum momento, tirei da bolsa a câmera. Que bom que todos temos hoje uma máquina de retratos!

“Quer fazer uma foto minha?”, perguntou.

“Sim; posso?”

“Tenha a bondade.”

Fiz a foto. Ele segurava a taça de vinho e sorria. Levantei-me e procurei outro ângulo. Fotografei-o mais uma vez. Observei as fotos na tela; ficaram lindas. Mostrei a ele. Guardei a câmera e conversamos mais um pouco.

Depois de algum tempo, falou:

“Vou mostrar uma coisa a você.”

Ligou o computador. Logo chegou a uma tela em que havia uma foto minha. E eu estava nua! Então lembrei que eu me deixara fotografar por ele. Havia outras fotos minhas. Mostrou-me todas.

“Você enrubesceu”, falou-me em voz baixa, quase um galanteio.

“Enrubesci?, não acredito.”

Meneou a cabeça, depois saiu da página em que eu me apresentava de corpo ereto, desinibida e de frente.

“Volte lá, quero ver uma das fotos.”

Voltou ao local. Apontei a ele:

“Olha, essa é a mais bonita.”

“É a que ficou melhor”, frisou.

“Isso mesmo. Sabe, faz tanto tempo que ninguém me fotografa...”

“Se você quiser, estou pronto.”

“Ainda não; vou pensar. Pode ser que eu saia de face vermelha em todas as fotos...”

Sorriu. Terminamos a garrafa de vinho. Comi ainda duas torradinhas com pasta de caviar. Olhei as horas.

“Já pensa em partir?”

“Vou ficar mais uns minutinhos.”

“Então vamos escutar uma cantora que descobri faz um mês ou dois. Ela é americana, mas também canta em francês."

Colocou o CD. Prestei atenção em silêncio à primeira música.

“Excelente”, eu disse.

Ouvimos mais um pouco.

“Você deseja mais alguma coisa?”

“Queria beber mais vinho.”

“Vinho, não tenho. Quer ir até lá embaixo para comprarmos?”

“Vamos; pode ser que eu crie coragem depois.”

“Coragem? Para quê?”, quis saber.

“Depois te conto.”

Descemos, procuramos um bar nas proximidades. Como já passava da meia-noite, muita gente estava junto ao balcão; conversavam e tomavam cerveja.

Conseguiu uma caneca de vinho para mim.

“Esse não é da mesma qualidade do que você bebeu lá em casa, mas...”

Tomei assim mesmo. Não era mau o vinho.

Voltamos ao apartamento.

Pedi licença e fui ao banheiro. Demorei um pouquinho.

Saí devagar. Ele, naquele momento, estava sentado no mesmo local onde eu estivera. Quando me viu, fingiu não se surpreender. Eu estava nuazinha. Portei-me como se fosse a mulher mais vestida do mundo. Sentei na cadeira que antes fora dele.

Pedi a bolsa, tirei a máquina e a entreguei nas mãos dele.

Fez várias fotos. Eu escolhia a pose e ele clicava. Depois me perguntou se podia descarregar no computador. Permiti. Continuei nua ao lado dele enquanto via minhas fotos se espalharem pela tela luminosa.

“O vinho fez bem a você”, falou.

“E como, estava uma delícia.”

Levantou-se e saiu da sala por algum tempo. Quando retornou, ouvimos mais um CD: um quarteto para cordas.

Após vinte minutos, fui ao banheiro; queria me vestir. Mas, surpresa: minhas roupas não estavam lá.

Saí, nada falei; ele já fizera semelhante brincadeira outrora.

“Preciso ir”, tomei a bolsa, coloquei-a a tiracolo.

“Já?”

“Tenho um compromisso.”

“Então vamos, vou chamar um táxi pra você.”

Descemos pelo elevador social.

“Acho que estou esquecendo alguma coisa”, disse a ele.

“Será a máquina de fotos?”

“Não, a máquina está aqui na bolsa.”

Quando íamos deixar o prédio, vinha uma pessoa. Então ele me abraçou junto a uma das pilastras e cobriu meu corpo com o seu, que era bem maior. Beijou-me a boca.

“Já descobri o que você esqueceu”, falou excitado.

“O quê?”, perguntei fingida.

“Não notou que você está pelada?”

“Eu, pelada?”, abaixei a cabeça e tapei os seios com um dos braços, “e você nem pra me avisar!”, fui perfeita na representação.

Subimos de novo ao apartamento.

“Acho que só vou devolver amanhã”, colocou-me na cama.

“Não posso, juro, tenho um compromisso.”

“Então você é capaz de ir ao seu compromisso nua?”

“Prefiro voltar aqui outro dia e prometo que volto nua.”

“Promete mesmo?”

“Claro; você me conhece.”

Vesti-me. Despedimo-nos.

E fui ao meu compromisso.

Lá fiquei nua de novo. Até de manhãzinha.

terça-feira, maio 31, 2011

A gente se encontra qualquer dia desses

Para uma mulher, se a relação sexual é de camisinha é muito melhor. Não suja nem há perigo de problema algum, como gravidez ou doença. Tenho amigas que hesitam em namorar de camisinha. Querem que o namorado exiba exames de sangue de três em três meses. Prefiro a camisinha. Posso sair com quem quiser e nem me preocupo. Já houve vezes em que eu mesma levava a camisinha na bolsa. Quando percebia alguém interessado em mim e via que a relação iria além de uma simples conversa, perguntava: “trouxeste a camisinha?” Caso ele não a tivesse, apresentava-a eu.

Sabe-se que hoje em dia o sexo vem em primeiro lugar; depois, o amor. Quando é boa a trepada, é mais fácil a gente se apaixonar. Há amigas que me contam que conheceram um homem em uma festa e ficaram doidinhas para transar com ele na mesma noite, mas não o fizeram porque não encontraram o lugar apropriado. Meu problema não é o lugar. Para trepar sempre se dá um jeito. Já fiz amor em cada lugar que vocês nem imaginam. Mas é preciso que ele tire seu sexo de dentro da calça e vista a camisinha. Caso contrário, nada feito. Quero uma trepada limpa.

Outro dia estava na Lapa. Apareceu-me um homem lindo, jovial, bem vestido, alegre, do jeito que gosto. Estava sozinho numa mesa de bar. Eu tomava uma caipirinha com uma amiga. Ele olhou para nós duas e sorriu. Nada falei à minha amiga. Sorri em retribuição. Em algum momento, fui ao toalete. Ao voltar, entregou-me um bilhete quando passei perto dele. Era o número do telefone. Pensei: está investindo, pena que não seja para hoje. Aparentemente teria de me conformar. Não queria abandonar minha amiga no meio da noite. Pensei como faria para que ele se juntasse a nós. Minha amiga não gosta de que desconhecidos se aproximem dela sem que alguém os recomende. Sei que vocês vão achá-la uma mulher conservadora. E ela realmente é. Pedi licença para dar um telefonema. Liguei para ele, duas mesas depois de nós. Falei baixinho:

“Ei, estás me ouvindo. Venha até aqui. Mas faça de conta que me conhece há tempos. Meu nome é Júlia, viu? Fique aqui com a gente. Assim minha amiga não vai ficar aborrecida.”

Ele veio. Fez um teatro imenso ao fingir que me reconhecia. Minha amiga ainda sussurrou:

 “Mas esse cara não estava sentado a duas mesas daqui?”

“Não reparei”, respondi com toda a inocência.

Ficamos os três juntos. Conversamos sobre vários assuntos. Ele trabalhava com produção cultural. Veja só que legal. Falava dessas coisas em plena Lapa, e já passavam das duas da madrugada.

Em determinado momento, minha amiga fez menção de ir embora. Não pedi que ficasse mais um pouco. Tinha de acompanhá-la até em casa. Mas disse a ela o seguinte:

“Espera um instantinho? Vou mostrar a ele o sobrado aqui ao lado onde há um atelier. Cinco minutinhos, tá?”

Puxei o homem pelo braço. Entramos no sobrado. Estava aberto, mas vazio. Logo depois da porta de entrada há um vão à direita. Puxei o homem para lá.

“Queria acompanhar vocês, ficar mais tempo com você, principalmente.”

“A gente fica”, falei a ele, “mas minha amiga está com problemas, saí com ela para que se distraísse. Amanhã prometo que te ligo."

Agarrei o homem, beijei-lhe a boca. Ele me apertou, puxou meu corpo para bem junto do seu, encostou seu sexo em mim. Eu vestia um vestido reto e curto.

“Você tem camisinha?”, perguntei.

“Mas, aqui?”, falou baixinho.

“Se você quer deixar para outro dia...”

“Está bem, tenho.”

Tirou da carteira a camisinha, virou de costa. Quando voltou, já estava com o pênis dentro dela. Pênis grande aquele. Daí em diante, vocês já sabem o que aconteceu.

“Você passou dos cinco minutos”, disse minha amiga ao me ver voltar sozinha.

“Foi porque ele precisou de uma embalagem.”

“Embalagem?”, perguntou curiosa.

“Decidiu fazer um investimento.”

“Ah, sim, ele é produtor cultural.”

Pegamos um táxi. Deixei-a em casa.

Ainda bem que aproveitei aquela madrugada, porque perdi o número do telefone dele. Mas, quem sabe, a gente se encontra qualquer dia desses.

quinta-feira, maio 26, 2011

E foi na mesma noite

Lena telefonou e me contou uma história engraçadíssima. Ela tomou um ônibus ontem na Tijuca, sentou ao lado de um homem de meia idade. Segundo ela, um senhor de aparência muito respeitável. Ela sorriu, pediu licença e quando ocupou o lugar junto à janela seu telefone tocou. Atendeu. Era a Maria Clara, lembra dela? Aquela que trabalha no BC e adora sair depois do expediente para tomar chope e conversar. Lena começou a contar à amiga um fato que lhe aconteceu na noite anterior. Vou tentar reproduzir suas palavras:

“Clara, ontem a Vânia me apresentou um homem, muito agradável por sinal. Mas não é que no final ele veio com aquela conversa de querer me levar para um lugar mais sossegado onde pudéssemos ficar a sós e conversar melhor... Disse que compraria pelo caminho uma garrafa de vinho. Falou que eu era uma graça, mulher perfeita para ele. Veja só, como eu ia sair com um homem que conheci naquela mesma noite? Não tenho nada contra ele, confesso que até gostei, estava bem vestido, sua conversa era interessante. Eu disse: hoje não dá, amanhã tenho que acordar cedo, vamos marcar para outro dia. Ele ficou insistindo, insistindo... Mas tive de dizer, determinada: nesta noite não posso, tenho um compromisso amanhã de manhã.”

Interrompo aqui as palavras de Lena para te dizer o seguinte. O cara que estava ao lado dela no ônibus começou a ficar interessado na conversa, acho que sintonizou melhor o ouvido e ficou escutando o que ela contava à amiga; depois, deu um ligeiro sorriso. Lena só pra provocar continuou falando do dito homem, das qualidades dele, e repetia que lhe negara a saída na mesma noite.

Continuava Lena:

“Ele já me telefonou duas vezes hoje, precisa ver como fala comigo. Acabei marcando para sairmos amanhã. Vamos ver onde isso vai dar.”

Enfim, desligou e reparou que o passageiro ao lado continuava a sorrir e aparentou que diria alguma coisa. Mas acho que ficou sem jeito. Ela pensou “se ele me abordar, dependendo da conversa correspondo, e se me chamar para descer do ônibus, aceito, tanto que seja para ir a algum bar perto de casa. Mas apenas para bater papo, porque se acontecer como o da noite anterior, tenho uma desculpa: você está me fazendo esse convite porque ouviu meu telefonema, não foi?” Lógico que ele ia responder que não, nada a ver com o telefonema, o importante era ela, uma bela mulher etc.

Mas, na verdade, o que aconteceu é que o homem saltou muito antes, na rua Riachuelo – o ônibus ia da Tijuca para o Jardim Botânico – e nossa amiga continuou até as Laranjeiras. Ele não lhe dirigiu palavra alguma durante o percurso em que estiveram juntos. Lena disse que naquele momento ficou um pouco decepcionada. Depois pensou, puxa, será que não gostou de mim, dei até um sorrisinho.

Ao saltar em Laranjeiras, porém, o homem a esperava no ponto:

“Como é possível, você desceu na Riachuelo!” falou alto sem pensar.

“Quis fazer uma surpresa”, e trazendo à frente uma das mãos ofereceu-lhe uma orquídea.

O que aconteceu depois? Ah, imagina! E foi na mesma noite.

segunda-feira, maio 23, 2011

As pessoas me apreciam

“Amor, fecha essa janela, já está claro, as pessoas do outro prédio vão me ver aqui pelada.”

“Não há ninguém lá, ainda é cedo, todos devem estar dormindo.”

“Fecha, amor, alguém pode estar olhando por trás da cortina.”

Tudo começou na madrugada. Depois de duas horas num bar, tendo bebido dois martinis com maçã e meu namorado alguns chopes, viemos para a sua casa.

Começamos então nossas brincadeiras. Ele tirou toda a minha roupa, e cada vez que eu tentava me tapar com alguma coberta ele a roubava de mim. Por fim, tirou até mesmo o lençol que forrava a cama, não tive mais onde me esconder. Namoramos então exageradamente.

“Amor, por favor, fecha pelo menos a cortina e me deixa dormir mais um pouco.”

“Diga que você gosta de ficar nua, você adora correr o risco de ser surpreendida peladinha...”

“Gosto, mas não quando estou morrendo de sono, você sabe que durmo até mais tarde.”

“Lembra quando quis sair nua no meu carro?”

“Lembro, amor, mais eram duas da madrugada, estava tudo escuro, agora não, me deixa dormir.”

“Lembra quando entrou na lagoa, nua, só a luz do quiosque ao longe?”

“Amor, eram três da manhã, não tinha uma viva alma por perto.”

“E quando você fez toda aquela encenação, bateu na minha porta completamente nua?”

“Mas era também de madrugada, e você me deixou dormir até as dez ou onze, por favor...”

Fechei os olhos, fiquei com o bumbum para cima, virei a cabeça para o canto da parede. Dormi.

Algum tempo depois, ele me sacode.

“O que foi dessa vez? Juro que vou embora, vou dormir em casa, e não volto mais.”

“Só se você for embora pelada.”

“Amor, deita aqui comigo, esqueça essas histórias, à noite juro que represento as fantasias que você quiser.”

“Jura, mesmo?”

“Juro, amor, mas fecha a cortina.”

Acordei três horas depois. Havia um recado escrito a lápis de que ele tinha ido comprar comida. Escrevera mais um aviso:

“Não se vista, por favor, me espere nua.”

Como ia me vestir? Esse meu namorado taradinho sempre esconde minhas roupas. O máximo que consigo é encontrar uma camiseta dele, vesti-la e sentar no computador para me distrair enquanto ele não chega.

Escrevo um pequeno poema no mural de um amigo surfista, no Facebook:

As ondas me levam ou eu as dirijo? Fico em pé e sei que lá da areia algumas pessoas me apreciam...

quinta-feira, maio 19, 2011

Você é muito profissional

Estava no píer, em C. Frio, era uma manhã de domingo, ainda cedo. O vento, suave, soprava em direção ao continente. Sobre meu corpo, apenas um vestido leve, soltinho, nem dormira na noite anterior, fora a uma festa, despedira-me dos amigos e decidira ver o amanhecer. O sol matinal, principalmente o seu aparecimento gradativo no horizonte, sempre me deu muita energia. Seus raios, os riscos vermelhos e alaranjados no céu, que pouco a pouco vão empurrando a escuridão para oeste, recuperam-me de qualquer noite em claro ou mal dormida. Daí, que, naquela manhã, não fui para casa. Como a brisa da madrugada ainda perdurava, mantinha-me abraçada ao meu próprio tronco, com as mãos cruzadas sobre os seios. Até então não percebera presença de pessoa alguma. Mas ouvi um ligeiro ruído; depois, alguns passos. Vi um homem. Não sei o que pensou, mas meu vestido curto, leve, eu sozinha, ainda o restinho da madrugada, tudo isso acho que contribuiu para que, pouco a pouco, ele se aproximasse. Nada falou, mas senti que ansiava por trocar algumas palavras. Os seres humanos são assim, não vivem sem uma troca, sobretudo se lhes é vantajosa. Embora mulher e sempre na posição de desvantagem, fui a primeira a dizer oi, ou bom dia, não lembro ao certo. Na verdade, uma atmosfera de alegria me contagiava, todo aquele espetáculo que se anunciava era promissor, não conseguiria permanecer calada ao lado de outra pessoa diante de um domingo que pouco a pouco se azulava.

“Bom dia”, correspondeu e sorriu.

“Bonito, não?”

“Muito bonito.”

“Você está hospedada na casa da Vera, não?”

“Não, não sou eu, deve ser outra pessoa, não estou hospedada com ninguém, vim de uma festa, tenho uma pequena casa em Arraial.”

“Desculpe, confundi você.”

“Não tem problema, estou acostumada com essas confusões, e olha que às vezes são maneiras de continuar a conversa”, ri em seguida, fazendo que ele se descontraísse.

“Não, não, minha intenção não foi essa.”

“E se fosse, que mal teria? As pessoas gostam de se aproximar uma das outras e as mulheres gostam de ser admiradas.”

“Assim você me rouba todas as armas.”

“E quem disse que não sei sobre as armas dos homens?”

Riu de novo.

“Você é bonita, e ainda sozinha a essa hora é um convite e tanto.”

“Você quer me convidar para quê? Tenho a alternativa de recusar, não é mesmo?”

“Claro. Mas já que você falou em convite, sou fotógrafo, adoraria fotografar você.”

“Só aceito se for profissionalmente, sou modelo.”

“Ótimo, então podemos fazer um acordo.”

O sol já aparecia, o dia de domingo se consolidava, respirei fundo, olhei para o mar e deixei que o homem falasse.

“Você tem um meio de contato?”

“Tenho, pena que não trouxe um cartão. Mas você anota meu celular, também meu e-mail.”

Ele anotou meu nome e tudo que era preciso.

“Flávia, telefono para você, não vai demorar.”

“Estou acostumada a trabalhar para revistas de moda, tudo muito profissional, você me entende, não? Nunca tive problema algum. Geralmente me pegam no aeroporto, me levam para o estúdio, fazem as fotos, me pagam, e me levam de volta. Temos apenas que fazer um pequeno contrato.”

“Ok, combinado.”

“Uma perguntinha só”, insisti, “de quantas pessoas é a sua equipe?”

“No máximo três pessoas, e há também uma mulher. Não se preocupe.”

“Não há mal algum. Mesmo que todos sejam homens, poso do mesmo jeito.”

Despediu-se. Disse que tinha um compromisso duas horas depois e que precisava descansar. Antes de ir, pediu desculpas:

“Me chamo Arnaldo, não me apresentei antes”, estendeu-me a mão. Mas acabei aproximando meu rosto para beijá-lo. Ele não se surpreendeu.

Três ou quatro dias depois, telefonou. Eu já estava no Rio. A ligação era de São Paulo, falou sobre local, dia e hora, a seguir me enviou por e-mail todos os detalhes, o pequeno contrato, a quantidade de fotos, para que fim eram etc.

Na sexta da mesma semana, embarquei no Santos Dumont.

Uma moça, segurando um cartaz com o meu nome e sobrenome, esperava-me à porta do desembarque, no aeroporto de Congonhas. Ajudou-me a carregar a bagagem, na verdade uma sacola de mão e a bolsa. Entramos no táxi que já nos aguardava, atravessamos toda a cidade. Encontrei Arnaldo apenas no estúdio, no décimo oitavo andar de um prédio comercial, acho que próximo ao centro, não sei precisar ao certo.

“Que prazer em ter você conosco.” Beijou-me

“O prazer também é meu”, falei tentando me tornar íntima do ambiente que nos circundava.

Serviu-me café e uns biscoitos, perguntou se a viagem fora boa. Perguntas de praxe. Depois me mostrou o estúdio e falou sobre o tipo de fotos que desejava.

Trabalhava para uma grife. Mostrou-me as roupas que eu teria de vestir, apresentou-me ao maquiador.

Depois de tudo preparado, começamos a fotografar. Sempre tive muita experiência. Fiz centenas de fotos com as mais diversas roupas: vestidos, saias, blusas e, no final, biquínis. Em algumas eu não devia aparecer totalmente vestida. Às vezes apenas de blusa, outras tantas só de saia e assim sucessivamente.

Paramos às 13h00 para o almoço. Retornamos às 14h30min e continuamos a fotografar.

Quando terminamos, deviam ser mais ou menos 17h. Estava exausta.

“Você quer permanecer aqui em São Paulo, ou volta hoje mesmo para o Rio?”

“Prefiro voltar”, respondi feliz pela possibilidade.

“Para nós seria um prazer levá-la para jantar, apresentá-la à noite paulistana.”

“Fica para outra vez, estou muito cansada, e amanhã tenho mais um compromisso.”

Despedimo-nos. A equipe era composta por quatro pessoas, uma a mais do que me falara no começo, mas acho que isso aconteceu porque se esqueceu de incluir o maquiador, ou a moça que me foi apanhar no aeroporto.

Foi ela ainda que me levou de volta. Peguei o vôo das 19h45min.

Na verdade, aquela primeira conversa no píer, em Cabo Frio, me rendeu um bom dinheiro. Já pensou se eu fosse uma mulher austera, que não conversasse com homem algum? Estaria agora no prejuízo.

Dias depois, enquanto aguardava Rita – uma amiga – vestir-se para sairmos, contei-lhe o episódio.

“E você, não aproveitou?”, sua curiosidade um dia ainda haverá de matá-la.

“Acha que não aproveitei? Já não falei quanto me pagaram?”

“Mas você não quis passear com eles, não namorou ninguém. Um homem tão fino, tão bonito, tão...

“Profissional”, completei.

“O que há de mal nisso? Ouço falar de modelos e mesmo de atrizes que namoram fotógrafos, diretores, outros atores e até mesmo gente da própria equipe.”

“Mas você não acha que isso prejudica?”

“Não, basta saber separar as coisas.”

“Separar como, Rita? Se transo com alguém, fica tudo misturado. E, além disso, há homens em muitos outros lugares.”

“Não sei disso, Flávia. Não tenho ninguém faz tempo. Acho que se me surge uma oportunidade como essa, não deixo passar.”

“Você fala assim porque nunca trabalhou como modelo. Quando se é desse ramo, não é assim que as coisas funcionam.”

“Tive um namorado que me fotografou nua, podia ter-me tornado modelo. As fotos ficaram lindas.”

“Onde estão essas fotos agora?”

“Ficaram com ele.”

“E não preocupa você o que ele possa fazer com elas?”

“Não acho que ele vá fazer mau uso delas.”

“Quero ver a sua reação caso ele coloque as fotos num desses sites pornô...”

“Ah, sabe, às vezes dou uma olhadinha na Internet pra ver se me encontro.”

“Você gosta de correr perigo, não? Sente prazer nisso... Saiba uma coisa, quem é modelo profissional não posa de graça nem gosta de correr riscos.”

“Ah, sei que sou doidinha, não faz mal posar nua e de graça se o homem é bonito.”

“Então se você tivesse conhecido o fotógrafo, em Cabo Frio, imagino o resultado.”

“Acho que agarrava o homem ali mesmo no píer. E se o vestido fosse como o seu, certamente seria levado pelo vento...”

“Rita, sei que existe gente pra tudo, mas você é muito louca, não sei como posso ser sua amiga.”

“Poxa, Flávia, você é muito profissional. Vai dizer que nunca deu uma fugidinha com um cara desses. Conta, vai, já deu sim, acho que até já me contou...”

Acabamos as duas rindo, enquanto saíamos para um restaurante no Leblon.

quarta-feira, maio 11, 2011

O que vai ser de mim daqui pra frente?

Minha vida ia muito boa, até que apareceu uma mensagem no meu correio eletrônico: “seria uma miragem ou foi você que passou hoje por volta das doze horas em frente ao restaurante R.? Eu estava lá e não pude deixar de admirá-la.” Um amigo meu, também professor, assinava. Já faz algum tempo ele vem me enviando mensagens. Comenta alguma coisa sobre a nossa profissão, alguma atitude do sindicato, ou mesmo me manda textos e links de matérias que publica em alguns sites. Desde a última mensagem, porém, comecei a perder a tranquilidade.

Miragem? Normalmente miragens aparecem quando alguém está sedento, atravessando um deserto e a imagem de um oásis lhe vem à mente. Trata-se de um tipo de delírio em meio à situação muito adversa. Ah, eu e minha mania de analisar tudo o que os outros dizem. Eu seria a salvação para ele, que vive em meio a dificuldades, como a atravessar um deserto?

Fiz trinta e dois anos, não tenho namorado nem quero ter. Já os tive em pouca quantidade, mas no momento não os desejo. Há outras maneiras de namorar, isto é, de aproveitar a vida.

Às vezes, sozinha no meu quarto, entro numa dessas redes sociais e converso com os meus amigos. Muitos me conhecem apenas do mundo virtual, sabem da minha fisionomia e do meu corpo pelas fotos que posto. O que me proporciona maior prazer, entretanto, é conversar com eles inteiramente nua e eles nada saberem sobre isso. É interessante, nem imaginam que estão a falar com alguém que está na cama, em pele, com o computador sobre as pernas. Não sei dizer o motivo – nem procuro saber – de eu sentir tanto prazer nessa situação. Depois que desligo o notebook, mergulho sob o edredom e durmo tranquila o resto da madrugada. Ao acordar, a primeira coisa que faço é ligar o aparelho, que deixo sempre ao lado da cama, ver meus e-mails e falar com alguém que esteja online.

Outro dia ainda senti prazer maior. Escrevi uma história erótica: eu saía nua no meu carro, de madrugada, passeava por diversos lugares da cidade sem parar o veículo e, depois, ainda escuro, voltava para casa. Imaginem o prazer que esse texto me proporcionou: em primeiro lugar o tema; depois, escolher as palavras, ordenar as frases, elaborar imagens, apurar o estilo... Será que preciso mesmo de namorado?

Agora vem esse meu amigo dizendo que viu uma miragem. Não sei por que, mas me deu uma vontade louca de dizer a ele que a miragem era eu mesma, e que se ele me chama de miragem posso considerar sua afirmação um tanto ofensiva, porque sou uma mulher, algo bem mais concreto do que uma miragem. Se ele quiser tirar a prova, pode vir aqui em casa para constatar a minha realidade, pode fazer um exame mais apurado sobre o meu corpo. Sem problemas...

Ah, antes eu era tão feliz, bastava-me a nudez e o computador. Agora, não sei o que aconteceu. Toda hora o desejo de tê-lo ao meu lado. O que vai ser de mim daqui pra frente?

quarta-feira, maio 04, 2011

O suspiro

Olho-me no espelho... Um suspiro. Não sei por que, mas acho que suspirei pelos quilos a mais, pela forma que deixo a desejar, preguiça de ir à academia, ou mesmo de correr de manhã na orla marítima.

Lembro-me de um antigo namorado que tive em Lisboa. Queria fotografar o meu suspiro. E mais, eu nua.

Não foi difícil tirar a roupa. Mas registrar em máquina de retratos – como se dizia naqueles tempos – o suspiro, isto sim, custou-nos uma tarde inteira. Clicava. Mas não se dava por satisfeito.

“Faltou-te o suspiro”, ralhava-me.

“Mas como um suspiro poderá aparecer numa fotografia?”, eu insistia na pergunta.

“Lógico que aparece, se bem suspirado”, afirmava convicto.

E cliques e mais cliques. Nada do suspiro.

Enfim, tive eu a ideia. Sempre eu a dar sugestões. Mas não foi que adiantou?

“Que tal me colocares sob ameaça? Ou mesmo contar-me uma história interessante, pode ser esta até aterrorizante. Talvez suspire no clímax, ou assuste-me de tal monta que irás conseguir teu intento.”

“Sugeres-me que, além de permaneceres nua, eu te assuste?”

“Isso. Mas um grande susto, ou grande a ameaça...”

“Ameaça? Deixe-me pensar”, suspirou ele.

“Uma faca, estarás a me espetar”, oficializei.

“Uma faca não hás de temer.”

“Não? Como temo! Penso logo a pele retalhada, ou mesmo uma cicatriz. Jamais vistes uma tez tão clara como a minha, não concordas?”

“Uma faca, não”, respondeu sem ouvir-me as últimas palavras. “A tesoura, pega-ma”, ordenou.

Custou-me um quarto de hora. Eu, em seu estúdio, à procura da tesoura.

Pediu que fechasse os olhos. Obedeci. Só os abrisse ante sua ordem plena.

“Sim”, sucinta. “E o suspiro?”

“Espera”, não titubeou.

Dois minutos depois, gritou:

“Não mexas o corpo. Abre, agora, os olhos!”

A câmera no tripé, nas mãos a tesoura a cortar-me o vestido comprado em Londres, não sei a quantas libras...

“Ah!”, dei o grito. Inútil mexer-me, o vestido tosquiado.

Enfim, o suspiro registrado...

quinta-feira, abril 28, 2011

Vai ser bárbaro

Tenho uma amiga que adora viajar para a cidade do namorado: “é bom porque lá ninguém me conhece, não reparam minhas extravagâncias.”

“Que tipo de extravagâncias?”, eu quis saber.

“Ah, várias, posso usar a roupa que quiser, ou mesmo sair nua?”

“Nua?”, surpreendi-me.

“Ou quase, é a maneira de dizer, você entende. Aqui, nesta cidade pequena, aonde quer que se vá encontra-se um conhecido. Se a roupa é curta, falam, se é comprida também. Uma vez perdi a paciência, disse: vou sair nua só pra essa gente parar de falar, assim é capaz de me deixarem em paz.”

“Você teve coragem?”

“Tive, mas às duas da madrugada. E só dei uma voltinha. Minha roupa ficou dentro do carro.”

“Nunca pensei em fazer tal coisa, mas suas idéias são legais.”

“Ouça mais uma coisa. Na cidade do meu namorado, usei uma saia curtíssima, de uma grife famosa. Se quisesse saía nua, mas seria deselegante. Fui passear à noite com a tal saia, ninguém falou nada. E se falassem, não conheço lá pessoa alguma. Mas aqui... Ainda disse a meu namorado: você quer que eu faça aquela cena que vimos num filme, a cena da mulher que chega carregando uma mala, mas que não traz roupa alguma sobre o corpo? Se você quiser, não tem problema, aqui ninguém me conhece. Caso me vejam nua, não faz mal.”

“Você fez a cena?”

“Fiz. Ele adorou. E ninguém viu. Depois tivemos uma noite quentíssima.”

“Mas e aqui, como você faz?”

“Aqui não faço. Esse monte de gente a espionar a vida alheia, principalmente as mulheres. E em relação aos homens, caso a gente esteja sozinha, logo aparece algum engraçadinho achando que estamos subindo pelas paredes, pensam que vão resolver o nosso problema. São umas bestas.”

Minha amiga foi embora e fiquei a pensar sobre nossa conversa.

Fui à praia no dia seguinte. Como vivo quase sempre sozinha, falei a mim mesma: quer saber de uma coisa, não vou ligar para o que os outros falam. Vesti o meu menor biquíni, arranjei um lugar mais destacado, poucas pessoas em volta, abri o guarda-sol, sentei na cadeira de praia e comecei a ler uma revista. Como foi bom! Apesar de não ser tão jovem, apesar de já não ter o corpinho da maioria dessas meninas adolescentes, senti-me bem com meu biquíni comprado numa loja do Rio Sul, no Rio, um dos menores que vi na vitrine.

Até agora, se falaram mal de mim não sei, já se passaram uns dez dias desde a primeira vez que o usei. Já fui à praia mais duas vezes.

Também gosto de caminhar depois da praia, ao entardecer. Ontem fiz outra investida corajosa. Para não molhar a camiseta regata depois do banho de mar, tirei a parte de cima do biquíni e fui caminhar pela orla. Como as alças da camiseta são compridas, meus seios ficaram aparecendo nas laterais. Percebi que alguns homens me olharam e sorriram. Um deles, que vinha passeando com a namorada, chegou a arregalar os olhos. O problema, porém, não são eles. São as mulheres. Elas são invejosas. Como ardem de desejos mas não têm coragem de realizá-los, sempre falam mal das mais ousadas. Mas não há problema, podem falar o que quiserem.

A partir de agora, caso eu queria andar nua, ando, ninguém tem nada a ver com isso. Sei que existe a lei, que o nudismo total é proibido. Mas não vou sair completamente nua por aí, é lógico. Posso dar umas voltinhas mais à vontade. Caso conheça um homem bonito que goste de extravagâncias, melhor. Vai ser bárbaro. Que se calem as invejosas!

quinta-feira, abril 21, 2011

Nua subindo a escada

És fogo, percebes? Sei que sou bonita e sensual, mas já passei dos quarenta, essas coisas não são mais para mim, já as pratiquei quando era adolescente. Sei que morres de tesão só em me imaginar nua subindo a escada de tua casa, mas me responde, e se alguém me vir? Na rua sempre passa algum vizinho, sei que ninguém me conhece por aqui, porém não vai ficar bem se me surpreendem, vamos ficar mal falados, sobretudo tu, que és morador antigo deste lugar. Gostarias de ter má fama no lugar onde moras? Olha, te conto o que aconteceu quanto eu tinha quinze anos. Acho que vais ficar satisfeito, os homens adoram ouvir esse tipo de história, tanto mais quando contada pelas próprias mulheres.

Tive um namoradinho que me fez o mesmo pedido. Só que aconteceu na minha própria casa. Na época, eu e minha mãe morávamos na Vila da Penha. Naquele tempo eu e ele namorávamos sentados na escada. Ele gostava que eu usasse vestido, ou saia curta. Com o correr do tempo as intimidades cresceram, como é comum em todos os namoros. Eu era virgem, mas deixava que tocasse os meus seios por debaixo da blusa. Depois de algumas semanas, permiti que subisse as mãos pelas minhas pernas. Num outro dia suas mãos me venceram a guarda e tocaram minha calcinha. Mais adiante ele mexeu naquele ponto onde toda mulher sente prazer. Aliás, foi com ele que comecei a perceber uma sensação ainda não experimentada. Quando tocava no meu clitóris, quase todas as outras sensações que eu tivera até então perdiam a graça, aquela era a maior de todas. Numa noite, falou: “você desce sem calcinha?” Repliquei: “sem calcinha? Acho que morro de vergonha.” Ele completou: “morre não.” Era muito engraçado aquele meu namorado. Fui lá em cima e voltei como me pediu. Sentei e afastei um pouquinho as pernas. Foi uma festa. De repente ouvi a voz de minha mãe: “Rosa!” Tomei um tremendo susto. Será que ela havia notado alguma coisa? “Rosa, venha até aqui”, me chamou. Subi morrendo de medo de que ela descobrisse que eu nada vestia sob a roupa. Mas não era isso. Pediu que eu fosse até a esquina, num botequim, comprar um maço de cigarros. Fui ao bar com meu namorado. Morri de medo de encontrar alguém. Ele ainda falou: “deixa de ser boba, garota, a rua está escura e, além disso, você não está nua.” Depois daquele dia, passei a descer algumas vezes sem calcinha. Houve mais uma coisa engraçada. Também vais gostar de ouvir isso. Eu tinha um vestido fino, laranja, frente única. Quando o usava, não podia vestir o sutiã. Numa noite, saí com a tal roupa e sem calcinha. Ficamos namorando, como sempre, na escada. Num momento mais quente daquele agarra-agarra, ele me levantou o vestido até o pescoço deixando meus seios e todo o restante do meu corpo de fora. Num outro momento em que acabava de me beijar, num movimento rápido puxou o vestido por cima da minha cabeça e me deixou nua. Já pensou? Eu nuazinha, sentada na escada. Ele correu até o portão da rua com o vestido nas mãos e disse: só devolvo se você vier aqui buscá-lo. Nem me mexi, fiquei encolhidinha no degrau onde estava. Disse então para mim, “vamos fazer um trato, devolvo o vestido, mas você sobe nua a escada...” Olhei para cima, medi a distância. “Sua mãe não está em casa”, completou. Me levantei e corri escada acima. Depois que entrei, deixei o rapaz do lado de fora segurando o meu vestido. Gritei a ele: “vê o que é melhor, namorar apenas o meu vestido ou a mim?” “Lógico que é namorar você”, respondeu. Abri a porta ainda nua e lhe dei um beijo na boca; depois, me devolveu o vestido. Dali da porta o arremessei na direção do sofá e continuei nua agarrada a ele. Ainda perguntou: não vai se vestir? Respondi: não. E se sua mãe chegar? Azar o dela, falei.

Gostaste da minha historinha? Agora, pensa, tenho quarenta e cinco anos, tirar o vestido e subir pelada a escada não vai ficar bem...

quinta-feira, abril 14, 2011

A lata

Margarida, deixa eu te contar, aconteceu uma coisa engraçadíssima comigo ontem, você vai morrer de rir, não falei ainda pra ninguém, e acho que nem vou falar, vou contar só pra você, escuta. Estava na praia, aqui mesmo em Arraial, não tinha muita gente, o sol e o mar uma gostosura. Logo apareceu um homem pra ficar me olhando. Eu, como você sabe, com aquele biquíni mínimo. Ele se aproximou, sorriu e puxou conversa, uma besteira ou outra. Acabei batendo papo com ele. Até que o homem era agradável. Bebemos uma ou duas cervejas, e a conversa foi esquentando. Se chama Abel. Foi se encostando e eu vendo que não demorava ele ia querer me comer ali mesmo. Entrei na água, mas o cara veio junto, ficou me puxando pelos braços, segurando minhas mãos. Encostei sem querer nele e reparei que já estava daquele jeito, excitadíssimo. Voltamos pra debaixo do guarda-sol, ou para o lado, onde ele sentou. Perguntou se eu não queria que ele esfregasse o protetor nas minhas costas. Aceitei. Só então reparei que tinha umas mãozinhas ótimas. Acabei dizendo que feliz era a namorada dele, com aquelas mãos a fazer carícias ela devia adorar. Pronto, foi o suficiente. Dali em diante a coisa ferveu. Não resisti, Margarida, acabei cedendo. Olhei em volta, havia algumas pessoas, não podíamos trepar na praia. Ele notou a minha preocupação e disse: "você pode deixar o guarda-sol aí mesmo, não há problema algum, vem comigo." Segui o tal do Abel. Ele me levou para um quarto, atrás de um restaurante que fica do outro lado da rua. Até que o lugar estava limpo. Ele começou a me acariciar e não demorou a tirar o meu biquíni. Olha, Margarida, foi uma trepada ótima, perfeita, nem sei contar. Quando acabamos, só então reparei que o lugar não tinha banheiro nem papel. Mas o engraçado é o que vem agora. Ele falou que o banheiro era o do restaurante. Lógico que depois de trepar eu não ia sair correndo pra dentro do restaurante à procura do toalete. E eu estava apenas de biquíni, se caminhasse daquele jeito até a beira do mar para me lavar dentro d’água podia não dar muito certo. Já pensou se vazasse, e a vergonha? A solução: o homem foi lá fora e voltou com uma lata, dessas que comportam alguma coisa que se usa nos restaurantes. Então fiquei agachadinha, de pernas abertas, esperando descer tudo. Naquele momento me deu uma vontade louca de fazer xixi. Virei pra ele e falei: "não olha não, viu", e me soltei. Ao sair dali, reparei a situação grotesca: eu de biquíni voltando pra junto do meu guarda-sol e o homem ainda atrás de mim carregando a lata onde deixei o muco do nosso sexo e o meu xixi. Quando sentei na cadeira de praia, ele sentou ao meu lado, pousou a lata por perto e continuou conversando comigo como se nada tivesse acontecido. Quase pedi pra ele jogar tudo aquilo fora, mas achei melhor fingir que não tinha nada a ver comigo. Ah, Margarida, será que depois que fui embora ele levou a lata com o meu xixi pra casa? Há gente pra tudo nesse mundo, e é cada um que me aparece...

quinta-feira, abril 07, 2011

Você está uma gracinha

As festas na casa da Andreia sempre são ótimas. Todos se divertem a valer. Muita dança, comidinhas, coquetéis, e cada rapaz lindo... Acho que o forte dessas festas sempre foi a numerosa presença deles. Por aqui, na cidade, há o costume de se dizer que sobram mulheres, acho que mais ou menos três para cada homem. Nas festas organizadas pela minha amiga, porém, as mulheres sempre podem escolher. São tantos os rapazes bonitos.

Ontem, Andreia organizou mais uma de suas festas. Acho que viu o filme “A rede social”, a tal fita sobre o facebook. Ainda não assisti, mas dizem que é ótima. Algumas amigas estão comentando que as comemorações encenadas no filme foram inspiradas nas da Andreia. Isso mesmo, festas com garotas de biquíni é com a minha amiga. Ela programa tudo direitinho. Em determinada hora, entramos em cena. Antes dançamos vestidas, maravilhosas, mas há o momento em que deixamos de lado saias e vestidos para aparecermos apenas de biquíni. As mulheres adoram ficar nuas; os homens, de apreciá-las. No momento em que dançamos de biquíni, eles podem chegar bem perto, soprar versos em nossos ouvidos, nos paquerar e, enfim, tocar nossos belos corpos. No final, corremos deles e aparecemos de novo vestidas.

Mas na festa de ontem, fomos um pouco além. A dona da casa sempre pede que não fiquemos nuas por inteiro. E sempre respeitamos. Caso um dos rapazes nos agrade, depois de tudo acabar vamos embora com ele. Daí em diante é por nossa conta. Esforçamo-nos para continuar respeitando essa regra básica. Mas não foi fácil, ou melhor, ontem foi impossível. Apesar de tudo, a festa continuou com beleza e brilho. Fingimos que não aconteceu nada demais.

Quando chegou a vez de eu e Marina dançarmos depois que se apagaram as luzes pela terceira vez, os rapazes estavam eufóricos. Pena que não existe adjetivo para designar um biquíni tão pequeno como o meu. As luzes recomeçaram a piscar, a girar, a música a nos envolver, enfim, demos tudo de nós. Um deles – dançava bem o rapaz – aproximou-se, chegou juntinho a mim e, num gesto mágico, desfez os meus lacinhos. A calcinha desapareceu nas suas mãos. Nem me incomodei, já estive nua em outras festas. Adorei. Temi pela Andreia, porque, para ela, nu total jamais. Diz que temos de ter limites, pelo menos na sua casa. Ainda preciso falar sobre a Marina, que entrou comigo na pista. Ela ficou sem o sutiã, obra de um jovem de cabelos louros, que veio pela primeira vez. Não deixamos de dançar, as duas; ela, com os seios nus; eu, sem a calcinha. Delírio total. O meu rapaz soprou, num rodopio da dança: te levo nua no meu carro. Nua, nua?, incentivei. Isso, bem nua!, repetiu. Fiquei toda arrepiada. Continuamos a dançar, e eu a suspirar. Quando a música estava prestes a acabar e veio o sinal para darmos a vez às próximas duas mulheres, corri. Mas ele me segurou e, num vão mais escuro, me beijou.

Quando Andreia me viu, eu ainda nua, lamentei: liga não. Ela riu e completou: você está uma gracinha!

Logo depois, o rapaz de novo. E o seu carro... delírio total!

sexta-feira, abril 01, 2011

Primeiro de abril?

Hoje, primeiro de abril, recebi esta mensagem. Será verdadeiro o que vai nela?

Vieste aqui, bebeste uma garrafa de vinho francês. Tiraste toda a roupa! Desfilaste de salto alto. Peladinha. Tuas pernas, como se agissem por conta própria, afastaram-se uma da outra, convidaram-te a mergulhar num céu de diamantes. Mas depois tua face enrubesceu, e pareces que vens envergonhada até hoje, com raiva de ti mesma. Acho que te arrependeste porque te deixaste levar pelo grito do próprio corpo. Mas foi tão bom! Volta, não demora. O papel de mulher envergonhada não cabe a ti. Enumeremos alguns argumentos a teu favor.

Houve uma outra vez em que fomos à praia e, pelo que me pareceu, não sentiste vergonha alguma. Lembras? Deixei-te nua dentro d’água. Lógico que estavas preparada; já tinhas sido instigada por uma mensagem minha à qual respondeste que não haveria problema algum tirares toda a roupa, colocavas-te como a mulher mais corajosa do mundo.

Ficamos num pedaço de areia semideserto, entramos n'água – que não estava fria – e me permitiste furtar o teu biquíni. Nua por inteiro, coberta apenas pela água azul-clara do mar, sorriste-me ingênua como jamais. Passou um homem, ele não percebeu. Abracei-te pelas costas, o corpo nu roçando o meu. Tuas duas peças, longe, lá junto ao guarda-sol. Ao sair d’água, ainda nua, estendi a toalha, correste em minha direção. Mas qual touro que não alcança o pano vermelho, driblei-te. Permaneceste ereta, a estudar o terreno, mas assustadiça, uma das mãos a cobrir os seios e a outra... Mais tarde ainda voltamos mais uma vez à praia. Sentaste na areia. Ao entardecer te atiraste a mim, ainda nua; enfim, aconteceu... No final do dia, voltamos no meu carro, tu ao meu lado, no banco do carona, enrolada apenas na toalha curta.

Faz dois anos outro fato. Vieste aqui numa noite de sábado. Tirei toda a tua roupa. Fomos passear. Vestiste apenas uma camisa minha; fazias de conta que era um vestido curto; portaste-te sóbria, como uma mulher que veste para o passeio. Depois, ao descermos Santa Teresa, numa das escadas levantei-te a barra da camisa. Não satisfeita, pediste: tira tudo. Voltaste, enfim, nua! Como gozamos, os dois ao mesmo tempo.

Outra vez, salvei-te. Bateste nua à minha porta, eram três da manhã. Apenas a bolsa e, sob os pés, sapatos de salto. Estavas assustadíssima. Eu, ainda com cara de sono, olhei surpreso tua nudez. Nunca me contaste o que aconteceu naquela madrugada. Ao amanhecer, saí para comprar-te uma roupa. Um vestido bem curto, só de provocação. Vestiste-o, beijaste-me e foste embora. Não disseste palavra alguma.

Agora, não queres responder às minhas mensagens, mostra-te amuada por causa da última vez. Mas vê, sobretudo, as coisas sempre aconteceram de modo a te favorecer. E, a mim, de proporcionar desejo e satisfação.

Não faltes. Caso vaciles, da próxima vez que bateres aqui em dificuldades não serei tão cavalheiro.

Tenho mais uma boa nova: um presentinho. Sei que não és mercenária, mas sabes como são vaidosas as mulheres. Como aprecias, comprei uma medalhinha de ouro. Ao te colocares nua, haverá algo mais a brilhar além do teu corpo.

quinta-feira, março 24, 2011

Frêmito de prazer

Acho que essa história aconteceu no final dos anos 80, escutem só, é um arrepio.

Era um domingo ensolarado, decidi ir à praia do Flamengo. Logo ao chegar, reparei que estava lotadíssima. E desde o momento em que pisei na areia, a paquera foi intensa. Naquele verão tínhamos adotado biquínis minúsculos. Em todo lugar em que parávamos, havia homens ou rapazes a nos olhar. Uns iam e vinham, outros estacavam em frente a uma de nós e se demoravam, queriam em troca um sorriso convidativo. Senti naquela manhã um ligeiro frisson. Até as meninas que iam às tendas de sorvetes ou refrigerantes trocavam olhares excitados e não ficavam indiferentes aos rapazes que mediam seus seios e bumbuns.

Eu deitara de costas, olhava uma revista quando percebi um homem junto a mim. Foi além do olhar, perguntou se podia ficar ao meu lado. Nada respondi, mas mesmo assim ele ficou. Continuei a folhear a revista, acho que alguma coisa sobre televisão; em algum momento, lancei de soslaio o olhar na sua direção. Estava me observando. Como também aconteceria uma hora mais tarde, no banho de mar, pude constatar que ele era mestre na arte da captura. Não precisou de amarra alguma para me deixar juntinho dele. Sentou-se ao meu lado e, como se não quisesse nada, pôs-se a olhar em frente, um olhar pleno. Depois lembro que falou alguma coisa.

Conversei com ele, poucas palavras, muitas intenções. Deitou então, também virado de costas, encostando ao meu o seu corpo largo; não demorou a escorregar uma das mãos por baixo do meu ventre e percorrer um caminho que a deixou dois dedos dentro do meu biquíni.

Notou meu arrepio. Continuou pousado ali. Como a praia estava cheia, aquele sarro imprevisto me deixou excitada. Era quase uma transa às escondidas, no meio da multidão. Mexi-me involuntária e, para disfarçar, virei mais uma página da revista.

Evitamos as palavras. Sob o vozerio de domingo, roçamos nossos corpos, tateamos nossos poros...

Após alguns minutos, juntei meus lábios aos seus. Se nossos beijos extravagantes contaminariam outros amantes, não era da nossa conta...

Amoldamo-nos tanto um ao outro que parecíamos namorados de outros tempos.

Sempre quando eu percebia que ele queria me falar, tacava-lhe um beijo e sorria. Eu, que sempre fora exigente nas palavras e nos assuntos, sabia que qualquer investida dele que não fosse ao meu corpo fracassaria. Percebeu que eu não queria vozes nem histórias, apenas seu corpo quente, sua boca plena de volúpia e seus dedos a me descobrir segredos adormecidos.

Quando não mais suportávamos os raios do sol, entramos no mar. Apartamo-nos em mergulhos, a água a escorrer por cabelos e faces. Depois outro beijo e novo mergulho. Ele me abraçava, prendia-me pela cintura e depois soltava. Então suas mãos continuavam o trabalho, submersas nas águas, a me tentar em carinhos caprichados.

Numa das vezes em que dele me soltei, dei impulso como se quisesse nadar de costas. Ele deixou que meu corpo deslizasse por suas mãos, mas quando meus quadris passavam por elas, segurou as pontas dos laçarotes do meu biquíni. Adivinhem o que aconteceu!

Ficamos grudadinhos um ao outro durante muito tempo. Namoramos num extremo êxtase. Acho que nunca senti tanto prazer.

Naquele tempo eu trabalhava à tarde, mesmo no domingo. Quis falar a ele que precisava ir, pois pegava às duas, mas não tive coragem. Estiquei o tempo por mais que pude, sempre pensando em alguma solução que evitasse meu atraso ao serviço.

Quando tive de deixá-lo, dei-lhe o número do meu telefone, disse o que fazia e onde trabalhava. Ele, no entanto, nunca ligou nem me procurou.

Corri para o trabalho direto da praia. Vestia um vestido curto, que usava como saída de praia. Pra disfarçar e não chegar molhada, parei em um local em que havia algumas árvores e onde julgava que as pessoas não dariam por minha presença. Em dois movimentos rápidos tirei o biquíni e o coloquei na bolsa.

Apenas o vestido sobre o corpo vermelho de tanto sol.

Com o corpo ainda salgado e com a pele quente, cheguei ao cinema. Eu era bilheteira. Cumprimentei um ou dois funcionários e corri para o meu lugar. O friozinho do ar-condicionado acalmou o meu ardor.

Trabalhei tranquila, sem que ninguém me incomodasse. Num dos intervalos, fui ao banheiro, ajeite-me, depois voltei.

Quando cheguei em casa tarde da noite, pensei no meu recente namorado. Tudo que vivemos na manhã que ainda ia tão próxima me proporcionou mais um frêmito de prazer.

Sabor dos primeiros tempos

Revendo as postagens mais antigas, encontrei a do link que vai a seguir, vejam como é linda! Ofereço àqueles que não tiveram oportunidade de me acompanhar nos primeiros tempos.
Beijos,
Margarida

quinta-feira, março 17, 2011

Esta vida é muito boa

Tudo começou quando falei ao meu namorado:

“Tenho dezessete anos, me iniciei no sexo com você aos quinze, você praticamente mora aqui em casa e estamos juntos faz mais de dois anos. Não quero que leve a mal o que vou te dizer, mas estamos vivendo praticamente uma vida de casados. Ainda sou muito jovem, preciso ter outras experiências, quem sabe um dia possamos nos encontrar de novo, então já teremos vivido mais e saberemos o que realmente queremos dali pra frente. Se continuarmos juntos, acho que nosso amor não dura muito, não demora vamos dizer que nos conhecemos muito cedo, que éramos inexperientes e não aproveitamos a vida.”

Ele me olhou sem nada dizer, mas acho que já esperava por esse tipo de conversa. Havia muito minha atenção a ele diminuíra. Quando percebeu que eu não tinha mais o que falar, perguntou o que todo homem pergunta nesta hora:

“Você tem certeza de que é isso mesmo que você quer?”

“Nunca se sabe ao certo o que se quer, acho que li isso num livro, mas por enquanto tenho.”

Ele se foi.

Comecei uma vida nova. Passei a ter muitos amigos e a sair com os mais diversos tipos de pessoas.

Logo conheci um rapaz através de uma amiga. Deixei-o frequentar a minha casa, mas avisei que não queria compromisso, apenas amizade. Caso rolasse alguma coisa, tudo bem, mas ele não poderia dizer que era meu namorado. Como é difícil um homem e uma mulher estarem juntos sem que aconteçam toques e carícias e que estes, enfim, se transformem em sexo. Ficamos juntos por algum tempo. Acabamos transando no meu próprio quarto, num domingo à tarde. Era carnaval. Se eu quisesse, poderia ter ficado com ele por mais tempo. Temerosa de que se repetisse o que aconteceu comigo e meu primeiro namorado, passei a sair mais e a não ter tempo para ele. Percebeu minha indiferença. Sem nada dizer, desapareceu.

Depois de algumas semanas, viajei com uma amiga cuja família tem casa em Cabo Frio. Uma ótima viagem. Só havia mulheres na casa. Resolvemos, numa noite, ir à discoteca. Lá nenhuma de nós ficou sozinha. Ângela, minha amiga e dona da casa, pediu que caso algum dos rapazes nos acompanhassem no fim da noite tudo deveria acontecer na maior discrição. O melhor seria marcar para o dia seguinte, na praia. Cumpri o que ela me pediu, mas as duas outras acabaram levando a tiracolo seus recentes cachos. A situação ficou um pouco confusa. Só lá pelas seis da manhã foi que elas conseguiram despachá-los. Mas partiram felizes, pois conseguiram o que pretendiam.

O rapaz que ficou mais tempo ao meu lado na boate não apareceu na praia. Mas um homem de uns trinta e poucos anos ficou me olhando, até que se aproximou e pediu para me fazer companhia. Permiti, sob os olhares curiosos das minhas outras três amigas. Na verdade, não aconteceu nada além disso. Apenas quando resolvi dar um mergulho, ele me acompanhou. Dentro d’água, tocou o meu corpo. Mas não houve clima para nada mais. À noite, sim, saímos, apenas nós dois. O homem, que se chamava Carlos, me levou a um bar muito bonito. Depois... Bem, depois não preciso contar o que aconteceu. Mas fomos para a casa dele...

Todas essas experiências comprovavam que eu estava certa quando terminei com o meu primeiro namorado. Conhecer novos homens, saber como cada um age, como seguram nosso corpo, o modo como se dirigem a uma mulher, tudo isso é muito importante. Estava no caminho certo. Era mesmo cedo par colar em alguém.

Apareceu, depois, um homem bem mais velho. Esses são ótimos, porque já tem a vida estabelecida. Pagam tudo e nada perguntam. São carinhosos, sabem se relacionar com as mulheres. O mais difícil, porém, é encontrar um que não tenha compromisso. O que conheci podia sair comigo o dia e a hora que eu quisesse, mas descobri que ele tinha uma mulher, e ela era mais velha do que ele. Minha mãe ficou preocupada, porque, apesar de não se meter nos meus relacionamentos, queria que eu terminasse a faculdade e me tornasse uma mulher independente. Em companhia de alguém mais velho, achava que eu sairia prejudicada. Podia me acomodar, viver uma espécie de prostituição entre aspas.

Não demorou e me vi livre dele, apesar de a separação me deixar um pouco triste. Mas as conversas eram outras, os gostos também, e não seria o dinheiro que iria contribuir para que eu tapasse o sol com a peneira.

Então arranjei algumas amigas que não queriam saber de relacionamentos, mas que gostavam muito de transar. Saíam e trepavam naquela mesma noite com o homem recém conhecido, não importava em que lugar se encontravam. Podia ser dentro do carro, na própria boate, em algum hotel, ou até mesmo num banheiro, fossem eles de qualquer local.

Comecei a achar essa atitude um tanto grosseira. Estava acostumada a ter relações sexuais com homens que gostavam de mim, por isso, conhecer alguém e transar na mesma noite, não sentia como algo positivo. Mas resolvi experimentar. Passei a agir um pouco diferente delas: nunca saía com o primeiro que aparecia. Esperava o tempo passar. Quando tudo levava a crer que não mais surgiria homem algum digno de mim, acontecia o contrário. Minhas amigas, que já tinham experimentado os seus e os mandado andar, ficavam furiosas. Diziam: “Stela, você é sortuda pra cacete.”

Passava o tempo e aquela vida até parecia muito agradável. Satisfazia-me e não tinha que ficar aturando homem algum depois. Na verdade, quando se tem a vida organizada, arranjar um namorado acaba acarretando muitos problemas. O namorado jamais pensa como a gente. Às vezes é impossível um acordo, acabamos sempre fazendo o que não desejamos. O homem, mesmo dizendo que não é machista, acaba por impor sua vontade, porque sempre acha que tem razão. É uma questão cultural.

Para aumentar minha satisfação, fiz mais uma descoberta. Não há lugar melhor para se frequentar do que bares e restaurantes de hotéis de luxo. Neles, além de o ambiente ser mais selecionado, os locais para se fazer amor são mais discretos, como a própria suíte de quem nos deseja. E, caso se precise trepar em toaletes, os dos hotéis são vazios, limpos e discretos.

Outro dia, uma colega de faculdade me perguntou: “nesses relacionamentos ocasionais, não pode aparecer algum louco e fazer algum mal a você?” Respondi que sim. O que iria fazer, mentir? Mas nunca aconteceu. Ou melhor, só houve um pequeno problema, disse a ela: “um deles roubou minha calcinha.” Ela riu, e completou: “ah, isso não é nada, uma taradice dessas até que é boa!”

Mas não sei, não. Lembram-se do meu primeiro namorado? Ele se formou e está trabalhando, um emprego ótimo, fez concurso, ganha muito bem. Mais uma coisa, disse-me a minha mãe, que esteve com ele: arranjou uma namorada linda. Parece que não demora e vão casar.

Já se passaram quatro anos desde o dia em que terminei com ele. Será que já está na hora de eu ter um namorado fixo? Acho que ainda é cedo. Mas sábado passado aconteceu uma coisa que me deixou um pouco preocupada. Fiz amor com um homem lindo, que também conheci naquela mesma noite. Estávamos numa festa na casa de uma amiga. Mas o problema foi que nem ele nem eu tínhamos camisinha. Aliás, tentei arranjar com alguma amiga, mas parecia que ninguém tinha camisinha. Trancamo-nos no banheiro. Adivinhem o que aconteceu? Isso mesmo que vocês estão pensando. A carne é fraca.

Bem, daqui pra frente o que posso fazer é tentar ter mais cuidado. Mas há uma coisa que digo, sem dúvida alguma: esta vida é muito boa.

quarta-feira, março 09, 2011

Última noite

Calma, calma, sei que você está a mil, mas não se afobe, vamos dançar, me acompanhe:

“Mais que calor ô ô ô ô ô ô, mais que calor ô ô ô ô ô ô, atravessando o deserto do Saara, o sol estava quente e queimou a nossa cara, mas que calor ô ô ô ô ô ô... Olha a cabeleira do Zezé, será que ele é, será que ele é? Olha a cabeleira do Zezé, será que ele é, será que ele é? Será que ele é bossa nova, será que ele é Maomé... Quanto beijo, ó, quanta alegria, mais de mil palhaços no salão, Pierrot está chorando pelo amor da Colombina, no meio da multidão...”

Sei qual é o teu desejo, mas agora vamos nos divertir, depois, quem sabe, eu deixo, mas por enquanto quero só brincar. Vem, me abraça, me beija, pode tocar no meu corpo molhado, suado, você também está acabado em suor, e essa música não nos deixa conversar. Me abraça, vamos que é a última noite, a folia logo acaba, depois... Te atrai o meu corpo magro, te atrai mais ainda o meu biquíni minúsculo, não é mesmo? Não, não faça assim, agora não, já te pedi, depois..., depois, prometo. Claro, verdade, cumpro minha palavra...

“Bandeira branca amor, não posso mais... Tristeza não tem fim, felicidade sim... Lá lá lá lá, lá lá lá lá lá!, lá lá lá lá, lá lá lá lá lá!... Ó jardineira, por que estás tão triste, o que te foi que aconteceu...” Não posso ficar nem mais um minuto com você, sinto muito amor, mas não pode ser... Colombina, onde vai você? Eu vou dançar o iê iê iê... Lá lá lá lá, lá lá lá lá lá!, lá lá lá lá, la lá lá lá lá!... Cidade maravilhosa, cheia de encantos mil, cidade maravilhosa, coração do meu Brasil...”

Chega mais perto, amor. Me beija mais uma vez, isso, que bom! Me abraça de novo porque já vai acabar. Você me pediu para vir de noiva, eu vim: o veuzinho e o biquíni. Gostou? Adorou! Fiz a tua vontade. Todas as outras pessoas estão se beijando, mas você quer algo mais, não é mesmo?, e quer agora. Sei que algumas mulheres permitem tudo, mas não é o meu caso, ao menos por enquanto... Vamos depois lá pra fora, há a barraca, lembra, você me deixa nua pelo caminho.

“Cidade maravilhosa...”

Não, aqui não, você quer trepar com uma mulher ou quer deixá-la em maus lençóis? Quero dizer, sem lençol algum? Me devolva! Não, não, não! Assim não te levo comigo... Vai, devolve, não posso sair sem o biquíni por aí... Ah, assim está bom, deixa eu amarrar... Venha, é a última música!

“Cidade maravilhosa... cheia de encantos mil...”

Sei que tenho encantos, tanto é verdade que ficamos juntos dois dias seguidos, e depois da festa estamos aqui de novo, na minha barraca, que preparei para receber o amor de carnaval... Enquanto isso, a cidade lá fora dá os últimos suspiros de folia. Vem, já me deixaste nua, agora podes tudo, sobe sobre mim, me acaricia, isso, assim assim. Você é muito gostoso...

terça-feira, março 08, 2011

É carnaval!

Aqui neste lugarejo, os foliões não deixam escapar sequer um minuto da folia. Entro no ritmo, e na segunda feira sou mais ousada na fantasia. Visto um collant de decote acentuado e fio dental. Bordei a frente com puro brilho, e o visto com uma minissaia de fitilho colorido. Minhas pernas são cobertas somente com purpurinas.


Os blocos de rua já me acham na praça. Todos muito animados, mas mesmo assim as beatas do local se interrogam. Será que aquela devassa ali é a mesma pantera cor de rosa ou a mulher maravilha sem máscara?

Conheço um rapaz que trabalha como barman na praça e começo a contar como é a vida no lugarejo em dia comum.

“E você, por que veio morar aqui, se sua vida neste lugar não tem muito sentido?”

“A gente precisa conhecer outras realidades. Em dias úteis gosto de tranquilidade. Leio, escrevo e uma vez por mês vou receber a pensão que meu falecido, da marinha, deixou para mim. E você, como veio parar aqui?”

“Já estive outras vezes neste local com esse meu negócio. As pessoas daqui bebem muito, por isso venho para cá em época de festas.”

A banda do bloco, barulhenta, não deixa a gente conversar. Aproveito para dar aquele show, na ponta dos pés. Minha sandália alta destaca a marcha da jardineira, e eu canto: “Ô jardineira por que estás tão triste...” O contrário de mim, que estou bastante alegre. É só sair de casa que logo chove na minha horta.

Lico, o barman, deve ser casado, está a serviço e não trouxe a família. Não terá o mesmo sabor ficar com um homem daqui. Mas bem que estas mulheres merecem ser chifradas.

Caminho lentamente com o bloco, mas o capixaba não tira o olho de mim, dos meus cabelos negros e longos. Lico está mesmo é doido para se embalar neles. Se ele topar, depois, no final da noite, eu o levarei para uma barraca armada aqui perto. Pensei em tudo, até no conforto. Aqui não há motel, somente pousada. E sem máscara a fofoca vai pegar fogo.

Me acabo ao som de “Bandeira branca”, “Cabeleira do Zezé” e outras marchinhas.

O dia já está amanhecendo, quase não há mais ninguém na rua. Faço um sinal para o capixaba e ele, mesmo cansado de aturar os foliões, me segue. No caminho, tiro aquele brilho todo com um belo banho de chuveirão. Lico faz o mesmo.

Na barraca, deixei bebida e roupões, próprios para a ocasião. Mas antes disso, já vou nua ao seu lado, além dele apenas as últimas estrelas, que insistem em me acompanhar. Nos deliciamos, os dois, ao som das águas que descem das montanhas.

“Não estou aqui porque você me fez um sinal. Mas porque gostei muito de você. As pessoas precisam deixar de vez em quando a capa em que se escondem durante o ano, e você sabe fazer isso muito bem”

“Nossa, Lico! Dizem que amor de carnaval é passageiro.”

“Comigo, não. Sou solteiro, e hoje, no último dia do carnaval, iremos nos fantasiar de noivos, você topa? E se quiser conhecer minha cidade, será um prazer.”