quinta-feira, maio 30, 2013

Uma sensação e tanto

Às vezes acontecem coisas que deixam a gente em puro estado de êxtase. Uma delas me ocorreu enquanto andava de bicicleta na ciclovia que margeia a orla marítima, aqui na Zona Sul do Rio. Saí de casa de short e camiseta, comecei o meu passeio e, ao passar pelo Leme, comecei a sentir algo estranho dentro de mim, algo que percorreu as minhas pernas, arrepiou-me, imiscuiu-se nas minhas entranhas e estacionou no baixo ventre. Comecei então a ter aquela sensação que normalmente sinto quando estou na cama fazendo amor. Fiquei toda molhada e, de repente, gozei. Isso mesmo, não tenho outra palavra para expressar o que me aconteceu naquele momento.

Dois dias depois voltei a pedalar na mesma orla, mas dessa vez saí de casa de biquíni, o menor biquíni que possuo. Nem liguei para o que as pessoas pensariam ou falariam de mim, principalmente o porteiro do prédio onde moro. Subi na bicicleta e me pus a pedalar. Depois de alguns minutos, comecei a experimentar a mesma sensação. Então pensei em algo que pudesse me estimular mais, algumas fantasias que todas as pessoas têm na hora do sexo. Pensei no namorado que gostava de me levar nua no banco do carona. A sensação foi aumentando, o tal calor subiu de novo por minhas pernas e percorreu-me o interior do corpo. Fiquei toda molhada de novo. Olhei o mar, as pessoas que estavam na praia, respirei fundo, tremi, agarrei-me com mais força ao guidão da bicicleta e... gozei. Que bom!

Ainda no mesmo passeio, lembrei-me de um amigo com quem conversara certa vez sobre a sensação de êxtase. Ele praticava ioga. Falou que havia exercícios que podiam levar ao gozo sexual sem que se tocasse no parceiro. Mas era preciso muita preparação e cuidado. O sucesso resultaria de uma prática disciplinada, às vezes longa. Quanto ao cuidado, o praticante deveria dar atenção ao seu batimento cardíaco, que sempre se acelera no momento de prazer máximo.

Mas a sensação de gozar pedalando, apesar de me deixar a mil por hora, não agita meu coração mais do que acontece quando estou na cama a namorar alguém. Tudo flui com naturalidade. O que acho de positivo nisso é que a mulher capaz de gozar assim acaba tornando-se até certo ponto autossuficiente. Pode até ter um parceiro, mas terá o prazer à hora que bem entender, o que a tornará muito mais feliz. Vestir um biquíni mínimo é também um fator que facilita muito. Além da sensação de nudez que proporciona, enquanto se pedala ele roça bem lá no fundo. E tem mais uma coisa. Outro dia um homem me olhou tanto, que achei que me flagrava em pleno gozo. Resultado: fiquei molhada em dobro.

sexta-feira, maio 24, 2013

Toda serelepe

Você fala que saí na foto toda serelepe. Gostei da palavra, tão mimosa. De agora em diante vou me portar assim, toda serelepe. Reparou o meu rosto? Não olho na direção da câmera, mas um pouquinho para baixo, como se quisesse observar os pés de quem me fotografa. Então parece que me escondo, parece que não consigo evitar uma ponta de vergonha. Notei também que lhe agradou a minha sandália, bonitinha, não? Vermelha, de meio salto. Tenho certeza de que a pose é encantadora, eu bem esticadinha, as pernas juntas, o braço esquerdo encostado ao corpo. Com o braço direito seguro a coleira de minha cadela, Lana, que aparece à direita. Bonita ela, é jovem, não tem ainda um aninho. Adora passear com a dona. Repare a lateral, à esquerda de quem olha, e o fundo da fotografia. Há o calçamento, um meio muro com plantas; atrás, o jardim de uma casa; é possível também enxergar um homem, ele olha de modo disfarçado para mim. Acho que o surpreendi. Volte os olhos ao meu corpo. Veja a pulseira de contas que uso no pulso direito, acima da mão com que conduzo Lana. Gostou? Ah, outro detalhe, minhas unhas vermelhas combinam com a cor da sandália. O mais interessante, porém, é meu sorriso. Aparento certo vexo. Também não era para menos, você não acha? Que outra expressão eu poderia trazer? Repare os meus seios. Não sou tão narcisista assim, mas os acho tão bonitos, tão – como dizem por aí – bem feitos. Reparou o umbigo? Que delícia, não é mesmo? Desça os olhos mais um pouquinho. E então? Não posso dizer mais. Eu, na rua, de manhãzinha, eu e minha cadela. Precisei ter muita coragem. Como poderia transmitir desenvoltura assim tão... tão...? Repare o pelo da Lana, muito bem tratado; agora volte a vista, me observe de novo. O meu pelo? Não, não tenho pelo... Na verdade, vou em pelo! Por isso a ponta de vexo, por isso, talvez, toda serelepe!

quinta-feira, maio 23, 2013

Escrevi um conto inspirado em você

Tenho um ex que é escritor, e vez ou outra ele envia mensagens para mim. Eis uma conversa por e-mail que tivemos recentemente.

Oi, Beth, tudo bem? Escrevi um conto inspirado em você, quero-lhe enviar colado ao e-mail, mas pergunto antes: posso? Não lhe desejo causar problemas.
Beijos,
Paulo

Não respondi logo, acho que ele chegou a pensar que eu não queria mais assunto. Ontem, porém, escrevi:

Paulo, cadê o conto que você escreveu inspirado em mim? Mande logo. Obrigada!

Oi, Beth, tudo bem? Ainda não tinha enviado porque estava esperando sua concordância. Aí vai.
Beijos,
Paulo

Paulo, nem tudo nesse conto foi inspirado em mim, nunca tive dois namorados ao mesmo tempo. Aqui em Glicério todos me consideram muito. Estou praticamente casada, e o Guilhermino depois que veio morar aqui já fez muitas amizades. Todos os homens falam muito bem de mim pra ele.
Abraços,
Beth

Oi, Beth, desculpe se o conto não corresponde ao que você é. Nem foi essa a minha intenção. Apenas me inspirei em você e criei a história usando a imaginação. As personagens dos contos não precisam corresponder às da vida real.
Beijos,
Paulo

Pouco a pouco minha raiva foi desaparecendo, então li de novo a história e passei a entendê-la de outro modo. Passei até a admirá-la. O que afirmei na mensagem, no entanto, é verdade, jamais namorei dois homens ao mesmo tempo. Mas há outros fatos no conto que me comprometem, e ele poderia tê-los apresentado como argumento mais consistente para questionar a fragilidade do motivo que me levou a ficar aborrecida. Quando namorei o escritor, cometi algumas loucuras que, acredito, nenhuma outra mulher teria coragem de cometer. Caso meu atual marido venha a saber disso, mudará sua opinião sobre mim.

Certa vez ao sairmos de madrugada  eu e esse meu ex , ele me prometeu provocar uma sensação que eu jamais sentira. Parou o carro à beira da estrada, pediu que eu tirasse toda a roupa, a deixasse dentro do carro e saltasse. Como sempre fui destemida, concordei. Ele deu a partida, acelerou e se foi. Ao me ver nua e sozinha, envolvida pela escuridão da noite, percebi a loucura que eu estava fazendo. Fiquei então agitadíssima, o coração a mil por hora. Quando percebi os faróis de outro carro que se aproximava, me atirei no mato, quietinha. Depois que as luzes se foram levantei e descobri que eu estava molhadinha. Mas entre as pernas. Gozei de verdade, e foi um gozo longo, como jamais senti. O namorado voltou vinte minutos depois. Quase pedi que partisse e me deixasse ali mais um pouco. Outra loucura aconteceu na praia. Estávamos dentro d’água quando ele me instigou a tirar o biquíni e entregá-lo em suas mãos. Não demorei a aceitar o novo desafio. Ele levou o meu biquíni e o guardou na bolsa, que ficara na areia; depois voltou e continuamos namorando, eu nua nos seus braços. Também já saí de casa totalmente nua, e por duas ou três vezes. Tanto da minha casa, como do apartamento dele, que fica no Rio. Na minha, desci pelada dois lances de escada; no Rio, saí do apartamento, subi um andar e voltei de elevador; depois bati à porta e esperei um tempo imenso para que ele abrisse.

Oh, todos esses fatos no conto e eu preocupada porque ele sugeriu que namorei dois homens ao mesmo tempo! Querem saber de uma coisa? Acho que nas noites de insônia, é ele quem ainda namoro.

quinta-feira, maio 16, 2013

Você tem um corpão...

“Você tem um corpo e tanto”, o hóspede falou enquanto eu providenciava o jogo de toalhas que a camareira deixara de colocar. É lógico que eu não podia sorrir, estava acostumada a esse tipo de cantada e a seriedade, mesmo que forçada, é sempre golpe poderoso para desarmar os homens.

“Você tem um corpão!”, insistiu agarrando-me o quimono.

Acabei sorrindo, mas de um jeito delicado, não queria que visse na minha atitude um destrato, pois vinha à cidade a trabalho e se hospedava no hotel quase toda semana.

A camareira chegou com o novo jogo de toalhas, entrou e o colocou sobre a cama. Agradeci. Ela pediu licença e se retirou.

“Está bom assim?”, perguntei séria, recomposta.

“Está, mas com você por perto é melhor.”

Sorri mais uma vez, me despedi e saí do apartamento.

Sou gerente do hotel há alguns anos, sempre procuro primar pela eficiência. Queremos manter o cliente, ele é o mais importante para nós.

Quando aquele hóspede desceu e passou por mim – eu estava próxima à recepção –, piscou o olho.

Não mais o vi naquele dia. Mas no seguinte, ao entardecer, a recepcionista procurou por mim: “o hóspede do 803 está à sua procura”. Tive vontade de perguntar o motivo, mas refleti e fiquei em silêncio. Liguei para o 803.

“Alô?”, escutei sua voz.

“Pois não, do que se trata dessa vez?”, perguntei com frieza.

“Você poderia vir até aqui?”

“Não é melhor dizer o que deseja? Subo e resolvo seu problema de uma vez por todas.”

“Ah, que ótimo, vou lhe dizer, então...”

Subi. Ele deixara a porta aberta. Mesmo assim bati de leve com o nó de um dos dedos.

“Entre, por favor.”

”Ok, e então?”, perguntei com uma ponta de sorriso.

“Você tem um corpão...”

“Não é permitido assediar as funcionárias do hotel”, falei.

“Não estou assediando você, mas admirando, já lhe disse, você tem um corpo e tanto.”

“Sabe que posso chamar a polícia e registrar queixa contra você?”

“Sei, mas você não vai fazer isso, não é mesmo?”

“Você sabe quantas vezes por dia ouço esse seu elogio?"

“Imagino”, respondeu com uma dose de alegria.

“Então de agora em diante, exijo que você me respeite. Trabalho aqui faz três anos e nunca dei confiança para hóspede algum.”

“Ok, me desculpe, pensei que estivesse gostando da paquera.”

Dei as costas e desci. Entrei no escritório e sentei. Tirei da bolsa um pequeno espelho, olhei meu rosto, os olhos, a pintura.

Tive uma amiga que dizia a mesma coisa: "você tem um tremendo corpo, se o meu fosse assim eu estava feita." "É mesmo?", eu retrucava. Ela concluía: "Se sem ser tão bonita como você já arranjo uma porção de admiradores, ganho deles tantos presentes, imagine se eu tivesse o corpo como o seu." 

Você tem um corpão... Lembrei a voz do engraçadinho. Se ao menos usasse um pouco de sutileza, quem sabe, até me levava o biquíni. Continuei a me olhar no pequeno espelho. De repente, tomei nas mãos o telefone e liguei para a recepção. Ao ouvir a voz da funcionária, falei: "por favor, Aline, me ligue com o 803. Quando o homem atendeu, falei com uma ponta de ironia:

"Você tem um corpanzil!"

"Corpanzil?", pareceu surpreender-se; talvez por estranhar a palavra, talvez por reconhecer minha voz.

"É como se diz corpão à maneira culta", completei.

Deu uma sonora gargalhada. Quando amainou o riso, concluí:

"Desce ao segundo andar e bate no 201, é o meu escritório, tenho uma coisa pra te mostrar.

quinta-feira, maio 09, 2013

Sobre o sofá da sala de estar

Sobre o sofá da sala de estar, as pernas cruzadas, espero... O que mais posso fazer?  Tudo começou com um jogo. No momento do amor, ele sussurrou-me ao ouvido, sempre com jeito meloso, peculiar a ele:

“Marta, vais ficar o tempo todo nua.”

Pôs-se a me acariciar. Depois do gozo eles esquecem, pensei, nenhum deles cumpre o que disse momentos antes, é como se passassem uma borracha, ou mesmo agissem como se nada tivessem pronunciado. Levantam-se, vestem-se e se vão. Mas este agiu diferente, continuou impetuoso.

“Estás a se aproveitar”, beijei seu rosto depois de lhe soprar essas palavras.

“Eu? Estou a te dar proveito, não é o que desejas?” Alisou-me o ombro, o bico dos seios e o umbigo.

Saltei mais uma vez sobre suas coxas...

“Gosto de brincar, não é mesmo? E tu gostas do esconde-esconde”, falei.

Namorávamos com suavidade voraz.

“Amor, onde a bolsa?”, perguntei.

“Bolsa?”, fez-se de desentendido.

“Deixa pra lá”, fingi que nada acontecia, e eu arrepiada sobre o sofá.

Já arrumado, colocou por último a gravata, beijou-me a boca, despediu-se num muxoxo quase silencioso.

Logo que bateu a porta, pensei em procurar a bolsa. Onde ele a escondera? Será que fizera como na última vez quando a deixara no box junto à escada, no lado de fora do apartamento? Daria uma rápida corrida, mesmo nua, e a traria de volta. Mas... abateu-me intensa preguiça. Passou pouco tempo e escutei alguém a empurrar o carrinho. Lá se vai o zelador, falei comigo, lá se vai a bolsa, talvez alguém aproveite alguma das peças, tudo tão caro, tudo pelos olhos da cara.

“Amor, te trarei um presente logo mais”, falara ele no momento áureo do amor.

“Presente?”, choraminguei em meio às suas carícias.

“O vestido...”, não o deixei completar, minhas mãos impuseram-lhe mais ardor.

E lá se vai o homem que zela pela limpeza do edifício, não sabe que deixa nua uma mulher. Tudo fruto de um jogo entre mim e o namorado, um tipo de esconde-esconde a nos provocar arrepios. E eu sentada, de pernas cruzadas, sobre o sofá da sala de estar.

quinta-feira, maio 02, 2013

Mastiga com vontade

– Por quanto tempo ainda você vai me deixar nesse canto da sala, apenas de calcinha? Já posei para as fotos que você pediu.

– Lena, por que as mulheres sempre escondem os seios quando nuas diante de um homem?

– Ora, porque é onde sentem mais vexo.

– Já deixo você se vestir, mas ouve primeiro esta história, ok? É de alguém que também posou aqui neste mesmo apartamento. Ela escreveu um livro de contos, e dedicou um deles a mim.

– A você?

– A mim, Lena, verdade. Ouve. Faz das minhas palavras as delas.


Ele deixou um bombom ao meu lado e disse: “quando estiveres prestes a gozar, me avisa, vou colocar o bombom na tua boca, mastiga então com vontade e engole tudo. Quero-te gozando também com o chocolate.”

Apenas ao escutar o pedido já fiquei arrepiada. Mas vamos do começo.

Cheguei à região dos Jardins às quatro da tarde. Não demorei a encontrar o endereço. Ao bater, veio atender uma espécie de governanta uniformizada.

“Pois não?”

Falei a senha.

“Por favor”, abriu caminho e me mandou seguir. Atravessamos o corredor comprido. Chegamos ao pátio, havia um jardim bem no centro.

“Atravesse o jardim e entre por aquela porta”, apontou à outra extremidade.

Segui em frente. Não deixei de observar as flores, que estavam tão vívidas. Ao atingir a porta desejada, bati. Ela fez sinal para eu mover a maçaneta. Obedeci e entrei.

Na antessala havia um aviso: tire toda a roupa e a pendure no cabide. Olhei para o interior do cômodo. Meus olhos demoraram a se acostumar à meia luz. Passei a mão nos meus próprios seios. Mesmo antes de me despir já me senti nua. Avancei dois passos, mas parei e olhei de novo o cabide vazio dependurado numa espécie de apoio transversal. Novamente li o bilhete: “tire toda a roupa...”

Um tanto vexada, cumpri o que me era pedido. Mantive os sapatos e a bolsa dependurada ao ombro. Sabia que devia continuar em frente, meu dever era entrar e explorar todos os cômodos. Após descobrir um dos toaletes e o quarto de dormir, entrei numa espécie de escritório. Uma das paredes abrigava várias prateleiras com livros que subiam até o teto. Uma escada de três degraus estava ao lado, era para os livros que estavam mais acima. Quando me voltei, vi um enorme livro de arte sobre a mesa. Tomei-o nas mãos, sentei na poltrona e o abri. De repente, brilhou a luz de um flash.

“Fotos não estão no acordo”, falei sem tirar os olhos do livro.

Apareceu um homem vestido de terno. Sorriu, baixou a máquina.

“Você será recompensada muito além do que espera.”

“Será?” Disfarcei minha nudez com uma parte do livro, depois o abracei como um agasalho que me salvaria do frio.  Com o sorriso, teci um manto para disfarçar a ponta de vexo que a falta das roupas me provocava.

“Gosta de chocolate?”, ele soube contornar a situação.

“Na maioria das vezes, sim”, respondi sorridente.

“Sirva-se”, apontou o pote com bombons, “chocolates servem como agasalho”, observou meu corpo arrepiado.

“São tantos, acho que vou me esconder debaixo de um cobertor”, vagarosa, mastiguei dois. O homem me esperava.

“Uma boa ginástica também serve de aquecimento”, apontou outra porta e fez sinal para que o seguisse. Entramos numa espécie de mini academia.

Antes de entrar no cômodo, reparei a porta. Era toda trabalhada com esculturas em baixo relevo. Retratavam mulheres nuas nas mais diversas posições. Ao ver que eu admirava a obra de arte, perguntou:

“Será que você consegue imitá-las no exercício?”

Entrei sem nada responder. Sentei num aparelho que se usa para aumentar o volume muscular das pernas. Fiz os primeiros movimentos.

“Ótimo, não sabia que você é tão boa nisso.”

Depois de alguns minutos, subi na bicicleta.

“Sempre quis pedalar nua”, sorri na direção dele.

“Então você vai querer vir aqui muitas vezes.”

“Quem sabe”, envolvi-o de novo na minha simpatia enquanto aumentava a velocidade.

“Ai, acho que vou perder a cabeça”, falei em meio às acelerações. “Acho que hoje a perco de vez.”

“Espere um pouco,  ainda há algo mais excitante”, apontou-me outra sala.

“Estou tão bem aqui sobre a bicicleta...”

“Deixe-a para outra hora, controle-se e venha comigo.”

Antes de atravessar a próxima porta, tive de me banhar num pequeno chuveiro manual. Ele fez questão de direcionar a chuveirada de água morna na minha direção. Entramos numa sala de banho. No meio, havia o ofurô, a banheira japonesa.

“A água está escura”, observei.

“Chocolate com uma pitada de licor, você não aprecia?”

“Chocolate?”

“Isso. Você entra primeiro. Eu vou depois e me banho junto com você.”

Enquanto ele se despia, falei de um ex-namorado.

“Ele deixou um bombom ao meu lado e disse: ‘quando estiveres prestes a gozar, me avisa. Vou colocar o bombom na tua boca, mastiga então com vontade e engole tudo. Quero-te gozando também com o chocolate.”

“Aqui faremos o mesmo, mas vamos tomar o chocolate todo, até deixar a banheira sequinha.”

“Jura?”, fiquei assustadíssima.

“Oh, se juro.”

Entramos. Em poucos segundos me tornei negrinha, a toca na cabeça me salvava os cabelos. Não tive de sorver todo o chocolate da banheira, pois morreria afogada. Mas os dois, bebemos boa parte. Depois lambemos um ao outro. E, no final, perdi a cabeça... Deixei que ele gozasse dentro de mim. Como não havia mais jeito, ainda mergulhei de boca no seu pênis, tudo misturado ao chocolate.


– E então, Lena, o que achaste?

– Não sei. Mas vou destapar os seios e estender os braços para aceitar um bombom de chocolate!

quinta-feira, abril 25, 2013

O ovo e a galinha

Meu namorado adora cozinhar, e eu adoro comer o que ele prepara. Enquanto ele terminava de arrumar numa enorme travessa a salada, eu separava os molhos. No fogo, uma massa; à parte, os acompanhamentos. Entre eles havia champignon. Se eu pudesse, mergulhava no pote.

Quero que me atenda em um pedido, falou.

Estou toda entregue a ti.

Verdade?

Olhou para mim enquanto suas mãos ágeis trabalhavam as verduras.

Abre a geladeira e traz dois ovos cozidos.

Fui até lá e fiz o que pediu, trouxe os ovos num prato de sobremesa.

Às ordens, eu disse depois de entregá-los. Junto lhe deixei um beijinho numa das faces.

Há mais uma coisa, ele disse. Olhou na minha direção enquanto colocava os ovos, sem cortá-los, numa posição que decorava a travessa.

Sim?, eu aguardava o pedido.

Você fica nua durante o jantar?

Nua? Como assim?

Nua, ora, você senta nua à mesa e janta comigo.

Sim, mas vou fazer melhor. Permites que eu vista uma miniblusa?, é quase um top, acho que fica mais elegante; te prometo que tenho ainda outra surpresa.

Ok, combinado, a miniblusa, falou amoroso e me beijou antes de levar a travessa até a mesa. Depois voltou ao fogão para acabar de preparar a massa.

Fui ao quarto e voltei vestida com a miniblusa.

Você não fez o que eu pedi, veio também de saia, observou amuado. Pedi que viesse nua, disse ao mesmo tempo que tirava a massa do forno.

Calma, amor, é para criar um clima. Vesti a minissaia mas tiro já, assim que a mesa estiver posta.

Ajudei-o a trazer copos, pratos e talheres para a sala de jantar. Depois peguei uma garrafa de vinho tinto no bar, que fica logo depois da porta de entrada.

O macarrão está delicioso, falou.

Voltei à cozinha e peguei os temperos.

E então?, perguntou.

Então?

Virei de costas e tirei a saia. Deixei que ele me apreciasse o bumbum. Depois a arremessei a uma cadeira. Fiquei de frente e andei até ele.

Após longos segundos num abraço bastante fofo, sentamos para o jantar. A massa, já pela aparência, era uma delícia; os acompanhamentos, ainda melhores. Meu namorado serviu o vinho. Achei o nome engraçado: Corvo. Segundo ele, era de origem italiana. Brindamos e tomamos os primeiros goles. Eu, sentadinha, de pernas cruzadas, o friozinho do estofado excitando a minha pele nua.

Experimente o palmito, ofereceu.

Começamos a comer, saboreamos a salada, depois assaltamos o macarrão.

Amor, lembra os ovos que cozinhei, onde estão?, perguntou.

Tchan, tchan, tchan, tchan..., respondi.

Como assim?

A surpresa!, falei.

Surpresa? Você os fez desaparecer?

Lembras uma vez que me sussurraste ao ouvido que sou tua galinha fofinha?

Você, minha fofinha?, falou ainda mastigando e saboreando a comida.

Isso mesmo, galinha, franguinha.

E o que tem?

Já vais saber. Acho que tudo combina com esta noite, e como me pediste para ficar peladinha, melhor.

Fui até o tapete.

Amor, vem até aqui, pedi.

Sentei de cócoras.

O que você vai fazer?, sua pergunta mostrava surpresa.

Não é nada disso que estás pensando. Perguntaste pelos ovos, não? Coloca uma das mãos bem entre as minhas pernas.

Ele começou a achar excitante os meus movimentos.

Pronto, agora... Pari um dos ovos, bem sobre a palma de sua mão.

Que maravilha!, estupefação da parte dele.

Calma, amorzinho, não esqueças que eram dois.

Coloquei para fora o segundo. Começamos então a saboreá-los.

Depois? Depois ele mergulhou dentro de mim. E eu engoli tudinho.

segunda-feira, abril 22, 2013

Mais uma vez, por favor

Valdo sentou na cadeira e eu me coloquei de pé, as pernas abertas sobre suas coxas. Pouco a pouco fui abaixando, numa ligeira flexão, os músculos das coxas tensionados, todo o meu peso concentrado neles. Com facilidade consegui que me penetrasse. A sensação de prazer foi tanta, que tornou menor o meu esforço para sustentar o próprio corpo. Repeti os movimentos ascendentes e descendentes, ora engolia o seu pênis inteiro, ora permitia que escapasse até a extremidade. Cada vez que o empurrava de novo para dentro, eu emitia um gemido de prazer. Ao perceber próximo o gozo de meu namorado, intensifiquei os movimentos, queria o êxtase junto com ele. Durante alguns segundos imprimi tanta velocidade, que era certo ter os músculos doloridos no dia seguinte. Mas o prazer que eu sentia naquele momento compensava.

"Valdo, ainda bem que já mandei a crônica para o jornal, já passa das oito, achei que não voltarias,"

Ele nada retrucou, como era seu costume, apenas me beijou na boca, um beijo longo e saboroso.

"Por que demoraste tanto? Já estava desesperada."

"Tinha um assunto a resolver."

"E precisavas ter levado as minhas roupas?"

"Assim estaria mais perto de ti."

"Por que não me levaste junto?"

"Não podia, assunto de homens."

"Por que não me deixaste lá embaixo, eu a passear, a ver alguma vitrine?", sugeri.

"Queria ter certeza de que faria amor com você."

"Quase não consegues, estava prestes a alçar voo. A janela é larga."

"Mas você permaneceu pousada."

"Verdade. Mas agora quero minhas roupas, preciso ir embora. Gostaste da resistência de meus músculos?"

"Gostei de todos os teus músculos. Mas você ainda treme, o que há?"

"É o risco. Vi que entraste com as mão vazias."

"Verdade. O que você vai fazer?", sorriu e me soprou um beijo.

"Me come mais uma vez, vai, estou trêmula e arrepiada. Me come, assim fico calma. Depois dou um jeito."

quinta-feira, abril 18, 2013

Vamos a uma festa?

Quando fui estudar Letras na PUC de BH, logo que cheguei ao campi da universidade uma amiga me apontou o alojamento dos estudantes do Centro Tecnológico:

“Aqui moram os rapazes da engenharia, eles são completamente loucos. Fazem festas toda semana, convidam as garotas, vivem bêbados. Quando uma de nós passa em frente ao CT, eles gritam como se nunca tivessem visto uma mulher. E, além de tudo isso, possuem um varal de calcinhas. Não me pergunte a quem pertenciam porque não sei dizer.”

Ouvi a história e achei tudo muito engraçado.

Dias depois, após o começo das aulas, tive de passar algumas vezes em frente ao alojamento desses rapazes. Eles, na verdade, agiam exatamente como minha amiga me contara. Gritavam, falavam besteiras, apontavam para o citado varal e perguntavam se eu não queria participar da próxima festa que estavam preparando.

Transcorreram-se alguns dias até que conheci Aline, uma caloura recém-chegada de Vitória. Era o tipo da pessoa animada para qualquer coisa, sempre aberta a todo tipo de novidade. Após sairmos de uma aula, ela falou: 

“Você já reparou os rapazes do CT? São tão bonitos.”

“Não se aproxime deles”, alertei assustada, “dizem que são terríveis, e depois será você que ficará com má fama.”

“Má fama?”, ironizou.

No sábado, Aline me telefonou.

“Vamos a uma festa?”

“Onde?”, eu quis saber.

“Adivinha?”

“Não é a dos rapazes do CT?”

“Claro que não”, assegurou.

Fomos as duas. Eu vesti um vestido estampado soltinho, de fazenda leve, que descia até um pouquinho acima dos joelhos. Já Aline usou um desses vestidinhos super curtos, coladinho ao corpo.

A festa ficava num bairro um tanto distante da universidade. Tivemos de pegar um ônibus. Chegamos lá pelas onze da noite, à hora combinada.

A casa, local da festa, estava toda decorada. Logo que entrei cutuquei minha amiga:

“Aline, só estou vendo homens, cadê as moças?”

“Ah, que bom que só existem homens por aqui”, ela sorriu muito animada.

Depois de algum tempo chegaram as garotas. Mas a grande maioria dos convidados era composta por rapazes. Alguns deles se aproximaram e se mostraram muito afetuosos. Um logo me conquistou. Aline também não demorou a arranjar um par.

A festa ocorreu num clima de muita música, muita bebida e azaração. Lá pelas tantas era difícil encontrar alguém sóbrio. Eu e Aline nos juntamos a outras meninas e dançamos repetidas vezes, chegamos até a ensaiar alguma coreografia. A festa acabou lá pelas quatro da manhã. Alguém nos levou para o meu pequeno apartamento, no centro da cidade. Mas nem eu nem minha amiga sabemos dizer quem.

Na segunda seguinte, ao passar em frente ao CT, reconheci alguns dos rapazes que estiveram na festa. Ao me verem, começaram a gritar e a fazer a maior algazarra. Um deles apontou para o varal das calcinhas, que alguém colocara na janela, em destaque. Um rapaz louro gritou que nele havia mais duas. Todos os outros fizeram coro. Ai, não tive onde enfiar a cabeça.

quinta-feira, abril 11, 2013

Ficou uma coisa tua aqui

Eu estava no apartamento de João, mas achava que não deveria ter aceitado o convite. Sentada no estofado para duas pessoas, eu olhava para ele, que se acomodara numa cadeira junto à mesa. Pilhas de livros se espalhavam em vários pontos da sala, e a mesa não era exceção. Meu rosto revelava a aparência de uma mulher vencida, uma mulher que se deixa levar pelas sensações. Era quase o mesmo que, lá embaixo, na rua principal, ter concordado acompanhar um desconhecido. Lembrei-me do tempo em que era mais jovem: não demorava a aceitar fazer sexo com qualquer rapaz bonito. Mas como já passei dos quarenta, pensei já ter superado a fase dos namoros tentadores. Embora estivesse ali por vontade própria, meu sentimento era de frustração. Fôramos ao cinema duas vezes, a algum bar ou restaurante, depois conversamos muito pelo telefone nas três que se seguiram. Apesar de já sentir uma ponta de paixão por ele, não era minha intenção transar, pelo menos tão cedo.

Quer beber alguma coisa?, perguntou.

Acho que não, já bebemos não faz muito tempo, respondi afoita.

Vou tomar uma cerveja, tenho na geladeira, falou.

Ele foi até a cozinha e voltou com a garrafa e dois copos. Pedi que não colocasse para mim. Encheu um dos copos e tomou um longo gole, olhou na minha direção e sorriu. Continuei séria, ressentida, embora esse sentimento fosse comigo mesma. Acho que se eu não tivesse tomado a iniciativa ele teria permanecido no mesmo lugar, sentado junto à mesa e bebendo sua cerveja durante toda a noite. Tocava uma música instrumental no aparelho de som.

Está gostando de ter vindo?, perguntou.

É, ainda está cedo, o que faríamos depois do restaurante?

Por isso convidei para subir um pouquinho, depois levo você em casa, falou e sorriu.

Acho que sorri também, Não sei o que deu em mim, mas levantei e ultrapassei o biombo que separa o quarto da sala, entrei no quarto e me atirei na cama.

João, venha até aqui, pedi.

Ele primeiro parou à beira da cama, me apreciou deitada numa posição transversal à cabeceira.

Venha me abraçar, falei séria, voltada para ele.

João deitou ao meu lado, me abraçou, mas não demorou a dizer:

Você vai ficar toda amarrotada.

Foi então que tirei o vestido e entreguei nas mãos dele.

Ele saiu do quarto e voltou pouco depois, deitou-se sobre mim e começamos um namoro gostoso. Meu corpo quente me fez esquecer tudo que pensara antes. Entreguei-me a ele. Como fazia tempo que não transava com pessoa alguma, quando comecei a sentir o pênis de João tive um pouco de medo. Cheguei a falar:

Você é muito grande para mim.

Mas ele foi vagaroso e paciente. Pouco a pouco meus gemidos foram vencidos e eu o aconchegava dentro de mim.

Duas horas depois ainda estávamos um sobre o outro, mas cochilávamos.

Quando me dei conta das horas, entrávamos pela madrugada. Lembrei-me de novo do momento inicial, quando estivera sentada no estofado. A sensação de mulher de aluguel voltou-me. Como o momento do ardor sexual já havia passado, comecei a sentir uma ponta de arrependimento. Apesar de tudo ter sido tão bom, achei que as coisas poderiam ter caminhado mais devagar. Do jeito que aconteceu, ele teria pleno domínio sobre mim. Não queria ter cedido com tanta facilidade. Acho que o esforço para a conquista torna a relação mais duradoura.

Sentei na cama, cruzei as pernas e olhei para João. Ele parecia adormecido.

Preciso ir, já está muito tarde, vou chamar um táxi, falei.

Um táxi?, repetiu.

Isso.

Levo você.

Não precisa, chamo um táxi.

Fique até amanhã, falou ainda sonolento.

Levantou-se e sentou ao meu lado. Aproveitou para me abraçar e me dar um beijo no rosto.

Não posso, minhas filhas vão chegar de uma festa.

O que tem isso? Elas já são quase adultas.

Não insista, preciso ir, pegue o meu vestido, por favor.

Ele se levantou e saiu do quarto. Mas voltou de mãos vazias.

Você vai mesmo embora?

Vou. E é melhor eu mesma chamar o táxi.

Calcei a sandália, caminhei até a sala e peguei o celular dentro da bolsa. Liguei para uma cooperativa de táxis. Depois levantei, pendurei a bolsa no ombro e caminhei até a porta. Eu não voltaria, estava decidida.

Ei, espere, Glena, acho que ficou uma coisa tua aqui, falou.

Abri a porta e saí. Não podia ficar ali nem mais um minuto. O que quer que eu deixava para trás seria para sempre.

quinta-feira, abril 04, 2013

O importante foi que ele...

Faz algum tempo, estava caminhando pela orla marítima quando vi uma jovem de short e camiseta branca. Ela corria, uma corrida de atleta, mas reparei que ia sem sutiã, seus seios e mamilos estavam bem nítidos na semitransparência do tecido. Lembrei que eu, em certa ocasião, ao vir correr e caminhar na praia, às vezes também não vestia o top, apenas a blusinha. Em certos dias corria tanto que me punha a suar. Então caminhava até a beira d’água e, se o  dia fosse de poucos banhistas, tirava rapidinho a blusa e mergulhava. Depois esperava a oportunidade de sair da água. Corria então até onde havia deixado a camiseta. Era boa a sensação de correr e manter a forma, mas melhor mesmo o mergulho, sentir a água fria tomando meu corpo, os meus seios nus, era quase como fazer sexo, mas com o toque sutil do mar, o deslizar das espumas e o frisson provocado pela expectativa do que estava por vir. Alguém me descobriria nua sob o frágil manto de espumas? Alguém pensaria que a camiseta era uma peça esquecida sobre a areia e a levaria consigo? Meu coração acelerava. Eu tinha vontade de ficar nua por inteiro. Mas sempre consegui voltar a tempo, vestir-me e continuar a caminhada; naquele momento já refrescada, livre do calor e do suor. E a mocinha, será até onde ia? Também mergulharia seminua, no final da praia?

Ao voltar a vista para o calçadão, percebi um homem a me olhar. Depois, sorriu; mais adiante me seguiu. Por que ele não acompanhou a jovem que ia sem sutiã? Eu tão vestida... uma bermuda de lycra que descia até os joelhos, a blusa de ginástica e por baixo o top, dos grandes. O admirador acabou por vir falar comigo.

“Conheço você, não? Da academia de musculação.”

E não é que conhecia mesmo? Fiquei a falar com ele. Andamos juntos. Convidou-me para um passeio de bicicleta.

“Que tal? É tão bom. E tenho logo duas.”

Fomos ao encontro das bicicletas. Pedalamos os dezesseis quilômetros de orla. Enquanto seguíamos, vez ou outra eu olhava o mar. Estava bravio. Poucos os banhistas, e um ou outro atleta. No fim da praia, voltava a moça que eu vira sem sutiã. Atrás dela um jovem. Quem sabe a seguia? Sorri para o meu companheiro, que nada sabia daquela história nem nada conhecia sobre meus tempos de tomar banho de mar nua.

No fim da manhã, ele me convidou para uma festa que aconteceria à noite.

“Uma festa?”, ainda repeti. “Mas você não acorda cedo para vir correr e pedalar?”, insisti.

“Uma vez ou outra não é nada demais.”

Só não lembro se o namorei depois da festa, pois sempre tive muitos namorados. Houve até um que me pediu para correr nua, de madrugada, na beira da praia. Não é que corri? Ele ficou tão eufórico que chegou a dizer: “não devia ter deixado você se vestir. É tão bonita nua.” Será que ele deixou mesmo eu me vestir?

Às vezes essas coisas acontecem. Uma amiga me contou que certa vez, após terminar de transar com um cara, não encontrou sequer uma peça das próprias roupas.

“Rosa, o homem era tarado”, falou.

“E você, o que fez?”

“O que eu podia fazer?”, respondeu com um sorriso nervoso. “Ainda tive sorte de sair viva.”

“Ah, não exagere”, falei, “você me contou que saiu com esse homem mais de uma vez.”

“Será?, não lembro.

“Mas eu lembro. E sei que você ainda espalhou por aí: ‘o importante foi que ele me fez gozar!’.”

quinta-feira, março 28, 2013

Quero ouvir você tocar piano

Aquele ex-namorado reapareceu de repente, e eu sempre tão apaixonada por ele. O telefone tocara:

“Aqui é o Elias, como vai, Cris?”

Tive de me fazer difícil:

“Elias? Que Elias?”

“Será que você não se lembra de mim? O Elias, o do apartamento no Leme.”

“Oi, quanto tempo”, tentei conter o entusiasmo, “o que você conta de novo?”

“Outro dia fui a um concerto e me lembrei de você.”

“Foi mesmo? Que bom”, estava radiante, mas com a voz fraquinha queria demonstrar um pouco de frieza.

“Quero encontrar você? Vamos conversar um dia desses”, pediu.

“Vamos, sim. Mas, sabe”, coloquei algum obstáculo. Talvez ele pensasse que eu estava de namoro com alguém e não pudesse vê-lo. “Temos de marcar o dia.”

“Uma tarde, assim não atrapalho você nem seus compromissos.”

Meus compromissos? Ri. Será que ele achou mesmo que eu estava de namoro com outro?

“Oh, sim, tenho muitos compromissos ultimamente”, eu disse, “mas uma tarde, quem sabe?”

Desligamos os telefones sem deixar nada agendado.

Na semana seguinte, fui eu que acabei ligando:

“Ainda está de pé o encontro?”

“Claro que está, e tem mais uma coisa.”

“Mais uma coisa?”, fingi surpresa, “o quê?”

“Quero ouvir você tocar piano.”

Convidei Elias para aparecer lá em casa na tarde do dia seguinte, às quatro em ponto.

Ele chegou, me beijou e sentou. Toquei Chopin. Ouviu surpreso. Jamais tive alguém que me ouvisse ao piano com tanto entusiasmo. E olha que estudei piano a vida inteira.

Quando interrompi o pequeno concerto foi para ir à cozinha fazer um café forte.

“Adoro esse seu café”, exclamou.

“Gosta mais do café do que de me ouvir ao piano?”, tentei acusar o sacrilégio.

“Claro que não. Tudo em seu devido lugar.”

Ficou mais um pouco. Toquei então Schubert. Às seis e meia ele se foi. Beijou-me e partiu. E eu achando que ele viera para me namorar.

Na semana seguinte, o telefone de novo. Ele. Queria mais um concerto.

E assim repetiram-se os encontros e multiplicaram-se os concertos. Ele vinha apenas para me ouvir. Depois tomava café e às seis e meia partia.

Na última tarde trouxe uma caixa de chocolates. Sabe que sempre adorei chocolates. Sabe que quando como chocolates... Bem, vamos ao que aconteceu. Em poucas palavras.

Naquela tarde quis ser trágica. Toquei Beethoven. No intervalo, como sempre, fiz café forte. Comi o chocolate enquanto ele bebia o café. Comi mais do que um. Antes de começar a segunda parte do concerto, fui ao quarto. Ele ainda tomava os últimos goles de sua xícara e comia um biscoitinho que coloquei para acompanhar o café. Voltei então à sala. Mas voltei nua. Agi como se a minha nudez fosse a coisa mais natural do mundo. Parei ao seu lado, olhei para ele e sorri. Permaneci alguns segundinhos de pé, as mãos cruzadas um pouquinho abaixo do umbigo, um pouquinho acima dos meus poucos pelinhos. Depois dei mais três passos e sentei ao piano. Toquei Mahler. Toquei com toda a seriedade. Aliás, sempre toco com muita seriedade. Toquei a peça até o fim. E ele ouvindo, impassível.

Quando acabei... Bem, quando acabei vocês já sabem o que aconteceu.

quinta-feira, março 21, 2013

De biquíni e de bicicleta

Não posso voltar pra casa depois do anoitecer, vou passar vergonha, falo.

Que vergonha, nada, você está gostando, não? Pois fique até amanhã.

Amanhã?

O que tem? Você é uma pessoa adulta.

Mas deixei a bicicleta lá embaixo.

Quanto a isso, não se preocupe, eu resolvo.

Estou nua na cama de um namorado que arranjei nesta mesma tarde.

Você é muito bonita. Quando a vi pedalando na orla, logo disse a mim mesmo: não posso perder esta mulher.

Quando passei por ele, também o admirei. Ele, um quarentão de porte atlético, caminhava. Na volta, reparei que estava quase no mesmo lugar. Fez sinal para eu parar. Obedeci. Meus poros exigiam. Depois, não poderia ser diferente, a conversa de sempre. Nossos corpos se falaram, sabíamos que se entenderiam. Acabei indo com ele. Primeiro aceitei tomar uma coca-cola, após um quarto de hora o segui. Atravessamos a Atlântica, entramos na primeira transversal, bem ali no posto 5. Chegamos ao prédio onde mora. Subimos. Último andar, uma espécie de cobertura. Que paisagem linda. O  mar, as ilhas, o  outro lado da baía, acho que um pedaço das praias de fora de Niterói. Fiquei na amurada a apreciar. Ele veio por trás, me abraçou, e eu só de biquíni, como estava na praia sobre a bicicleta. Trouxe uma dose de uísque. Tomei um pequeno gole. Ele ficou com o copo na mão, abraçado a mim. Deixou que eu apreciasse a vista por muito tempo, depois entramos no apartamento. Daí em diante, o  amor. Rapidinho, eu mesma me despi. Ele, demorado, me acariciou Tem experiência em toques e abraços.

Finda a tarde, e eu preocupada.

Nunca voltei de biquíni de noite pra casa.

Não se preocupe, fique até amanhã, caso queira ir mais tarde, empresto uma camisa.

Empresta, mesmo?

Claro. Empresto e levo você em casa.

Você me deixa experimentar? Quero escolher a melhor camiseta. Que caia como um vestidinho.

Faça como quiser. Posso levá-la de automóvel. Guardo a bicicleta pra você.

Não, não precisa. Volto sozinha. Quero apenas uma blusa. Mas quem sabe, só pra amanhã de manhã. E se chover.

Ele ri e, de novo, escorrega para dentro de mim.

sexta-feira, março 15, 2013

Ela adorava contar aquela história

Rosa, o cara já deixou você nua numa estrada, já tirou o seu biquíni numa praia e lhe fez ficar de molho dentro d’água um tempo enorme correndo o risco de ser surpreendida por outras pessoas, pediu para você sair do apartamento pelada e bater na porta fazendo de conta que chegava nua, você ainda vai procurar por ele?

Você não sabe como sou apaixonada, Maíra.

Apaixonada? O homem parece um maníaco, um tarado, e você se diz apaixonada...

É porque você nunca passou por isso. Caso apareça alguém assim na sua vida, acabará me dando razão.

Rosa, preste atenção, só namoro homens que sejam carinhosos comigo, que se preocupem com a minha integridade, não uma pessoa que vá me expor nua por aí a correr riscos.

Maíra, não é bem assim. Já contei essa história em outros lugares, e houve quem quisesse conhecê-lo. Uma mulher me pediu o endereço dele porque quer aparecer nua à sua porta, de surpresa.

Rosa, acho que essas suas amigas são tão loucas quanto você.

Se minhas amigas são loucas, você também é, pois é uma delas.

Rosa, por favor, sou sua amiga mas não sou capaz de sair por aí com um homem de tal índole.

Maíra, ouça só. Quando eu era mais jovem, tive uma amiga chamada Heloísa. Ela adorava contar uma história que dizia ter acontecido com uma conhecida. Naquela época as garotas só saíam de carro com os rapazes se fossem noivas. A conhecida dessa Heloísa certa vez foi passear com um homem dez anos mais velho. Ele a levou uma noite  para uma praia deserta, tirou-lhe toda a roupa e ficaram os dois a namorar até alta madrugada. Mas, perto do amanhecer, ele partiu e a deixou nua naquele lugar. Enquanto nós, aflitas, imaginávamos o sufoco que a moça passou, Heloísa dizia que não aconteceu nada de mais depois disso, apenas chegou um carro da polícia com dois policiais, a quem ela contou o que acontecera. Eles acreditaram na história da garota, a ajudaram e prometeram prender o homem. Heloísa contava essa história com intenso orgulho. Mas sabe qual a verdade? Descobri depois que isso tudo aconteceu a si mesma. E se ela própria espalhava tal fato, era porque gostava.

E o que isso tem a ver com você?

Adivinha?

Não consigo fazer a ligação, Rosa.

Maíra, acho que você precisa se tornar mais inteligente.

Já entendi, Heloísa é apenas um nome. Isso que você acabou de contar aconteceu com você.

Viu?, você não é burra.

Rosa, não sou burra, mas o que isso tem a ver com os dias de hoje?

Ah, Maíra, tem tudo a ver. Será que você não percebe que gosto de homens que me deixem nua por aí?

Conta só mais uma coisa. E aquele primeiro, os policiais o encontraram?

Os policiais não, mas eu sim.

E o que houve com ele?

Não houve nada, Maíra. Ele é esse meu atual namorado.

domingo, março 10, 2013

Estou morta de tesão!

Outro dia fui ao shopping com um homem que conheci faz pouco tempo. Tão bonito ele. Passeamos, tomamos café e percorremos várias lojas de roupas de mulher.

“Quero comprar alguma coisa”, sorri, um sorriso que foi quase um beijo.

Ele devolveu-me o beijo. Entramos numa loja famosíssima. Cada peça cara! Quem sabe faria uma surpresa à mulher bela que ia ao seu lado?

Experimentei saias, vestidos e uma calça comprida. Comprei tudo o que provei. As roupas acompanharam tão bem as curvas do meu corpo, uma beleza. O preço? Não preciso falar, digo apenas que, para o amor, nada é tão caro. Meu amigo estendeu a mão no momento em que fomos ao caixa.

“Deixe por minha conta, um presentinho”, agora suas as palavras, e mais do que um beijo.

Sorri, abracei-o e retribuí-lhe o beijo.

Adiante, mais uma loja. Dessa vez, de blusas. Aventurei-me já de braços dados, um casal de namorados; ou melhor, de noivos; ou, talvez, de recém-casados.

Cada blusa linda! Várias as cores, vários os modelos: curtas, barriguinha de fora; compridas, mangas três-quartos; frente única; decotada; e houve até um top, quase um sutiã. Adivinhem. Difícil? Claro que não. Comprei todas, inclusive o top.

Andamos ainda pelos corredores do shopping. Paramos num pequeno quiosque para comer bolo de laranja. Que bom gosto tem esse meu recente amigo! Gosta de bolos. O mesmo gosto que eu. Ouvimos várias canções, brasileiras e americana, canções que nos fazem flutuar pelo ambiente. Antes de chegarmos ao estacionamento, acho que já me tornara sua mulher. Então, ele me falou.

“Quero-lhe fazer mais uma surpresa.”

Tirou a carteira do bolso, pegou duas notas de cem, dobrou e as colocou no bolso traseiro de minha calça jeans.

“Que é isso?”, achei engraçada a brincadeira.

“Algo mais que estou comprando pra você, mas não digo agora.”

“Adoro mistério”, falei e me dependurei no seu pescoço. Taquei-lhe um beijo na boca.

Saímos ainda a passear pela cidade. Já anoitecera.

“Vamos à minha casa?”, convidou-me. “Tomemos uma taça de vinho.”

“Adoro vinho”, sorri. Um sorriso que foi outro beijo.

Resumo a história.

Que casa linda a do meu namorado. Logo ao entrar, despenquei num estofado maravilhoso. Uma sala de móveis imponentes. E lá veio ele com o vinho e alguns minis sanduíches.

Abraçou-me, e foram muitos os beijos. Depois sussurrou juntinho ao meu ouvido:

“Vou deixar você peladinha.”

“Vai?”, continuei agarrada a ele.

“Peladinha, peladinha.”

“Que bom!”, palavras de uma mulher eufórica.

“Hoje você é toda minha.”

“Sou toda sua”, repeti.

“E aquela surpresa, lembra? As notas de cem.”

“Sei, o que tem elas?”

“É pra você. Mas significa que comprei também essa roupinha que você traz sobre o corpo, ok?”

“Ok”, eu disse, mais um beijo na boca, mais um beijo estalado nos seus lábios.

“Mas vai deixá-la aqui em casa. Uma simpatia, sabe? Quero que você volte outras vezes. Está bom assim?”

“Está ótimo”, arfei. “Deixo a roupa, deixo o que você quiser. Só te peço uma coisa.”

“Peça, estou aqui para lhe satisfazer”, sorrisos e brilhos no rosto dele.

“Me come, vai. Me come. Estou morta de tesão!”

domingo, março 03, 2013

Aquela não lhe era estranha

Estou na praia, mas é noite e visto apenas o biquíni, imagina?

Mulher salta do carro, de fio dental, e pede um refrigerante num quiosque da orla, passa de meia-noite. O carro se vai e ela fica só. Seria um bom início de história, não?

A cor do biquíni? Vermelho. Depois, caminho sobre a areia como se fosse entrar na água para um ligeiro banho. Uma pessoa aqui, outra ali me olham. Mas não me inibo, sei representar, disfarço bem o arrepio e o breve tremor. Estou sozinha? Em parte, sim. Mas pedi a um amigo que ficasse por perto e aparecesse caso eu o chamasse. Além do minúsculo traje, o telefone pequeno preso na tirinha, ao lado de um dos lacinhos.

Ao ver que um homem se aproxima, não grito pelo meu amigo, volto ao quiosque e peço uma garrafinha de água. O empregado sorri. Sabe que ali só aparecem madames e aquela não lhe é estranha. Ao acabar de beber a água, meu amigo, preocupado e inoportuno, surge no carro cinza metálico, desce e me entrega a canga.

“Vá embora”, devolvo-lhe o pano.

Ele obedece.

O desconhecido volta a me espreitar, mas se demora a chegar. O que acontecerá? Tenho tempo pra pensar?

Primeira hipótese: Na certa ele vai me agarrar. Será que poderei contra-argumentar: “estamos num país civilizado, você tem que respeitar meu direito de andar de biquíni à noite.”

Segunda: o homem me chama de prostituta. “Só as mulheres de aluguel andam assim, de repente você nem mulher é, mas um travesti...” Vou responder: “nada disso, apenas uma mulher a passear, e à vontade, pode perguntar ao empregado do quiosque, ele me conhece de outros carnavais.” Ah, carnaval? Certamente toco mais fogo no homem.

Outra possibilidade: ele insiste para eu namorá-lo porque se sente só e precisa de uma mulher bonita e compreensiva. Estes são os carentes, o tipo de homem que mais aparece por aí, querem uma caridade. Já viu alguma mulher trepar por caridade? Nem sendo freira.

Uma possível saída é o telefonema. Saco o telefone da tirinha do biquíni qual uma arma e aponto para meu amigo voltar. Um grande problema, porém. Na afobação arranco junto o biquíni, portanto, mesmo sem querer facilito as coisas.

O homem caminha na minha direção. Agora é certo que ele vem falar comigo.

Ainda tenho tempo de lembrar da Vânia e da Carlinha. Tão mais ousadas que eu.

Vânia vai à praia à noite no verão vestindo apenas uma canga. Nada sob. Corre à areia, solta o pano, deita sobre ele e fica horas a fio. Só se cobre de novo quando está próximo o sol.

Carlinha vai além... “Carlinha, será que você não tem medo de ser agarrada?”, perguntei várias vezes. Vai à praia durante a noite vestida apenas pelo... carro! Sai da garagem peladinha, estaciona e passeia nua na areia; antes de amanhecer, volta Carlinha. Sempre peladinha!

O desconhecido encosta ao meu ouvido e pergunta:

“Quer jantar comigo?”

Lógico que aceitei.

Mais uma coisa, ele nem notou que eu estava de biquíni.

domingo, fevereiro 24, 2013

Vem, vem f. comigo

Acordei excitadíssima, a madrugada ia alta, sentia-me como se recém-chegada de uma festa onde dançara a noite inteira com homem de corpo musculoso, homem que prometia bom sexo mas que acabou na cama de outra; na garganta, meu grito travado, vem, vem foder comigo!

Ajeitei o travesseiro, apoiei a cabeça de modo mais confortável, meu coração saltava; vem, aperta o meu corpo, sobe sobre mim, enfia-me teu sexo, deixa-me gozar de todas as maneiras; sua chegada anunciou-se, relincho de corcel ligeiro; a cama estremeceu, sombras dançaram no ar, visões perderam-se nas paredes; como numa disputa acirrada, revolvi os lençóis livrando-me deles, em segundos estava sobre o seu corpo, ele enfiava o seu sexo duro dentro de mim; eu pulava, quase uma corrida cujos obstáculos me enchiam de prazer, ia e vinha num arfar que se ritmava com mais violência a cada salto, o ar era quente, nossos suores misturavam-se; interrompi de repente os movimentos e comecei a girar, tive o cuidado de não deixar seu pênis escapar; como sou canhota, escolhi o sentido anti-horário, 360 graus de sexo bem redondo; atravessei-lhe o ventre com um dos pés, depois o outro, ligeiro movimento à esquerda e já estava sentada ocupando-lhe estrategicamente o lado direito, os dois pés pousados, paralelos um ao outro; depois afastei a perna esquerda e lhe ultrapassei as coxas; rápida, recolhi a perna direita, agora lhe dava as costas, seu sexo continuava inteiro dentro de mim; cuidadosa, continuei avançando os pés, o esquerdo a 45 graus, depois o direito, a engrenagem resistia; faltando apenas um quarto para completar o círculo, trabalhei com maior cuidado, o eixo já estava por demais lubrificado; mais um impulso e minha perna esquerda saltou seu pescoço, o pé apoiado no travesseiro lhe ladeava a cabeça, um pequeno esforço e minha perna direita escorregou próxima ao seu tórax, eu apresentava as pernas bem abertas, por pouco quase o deixei escapar, seu pênis desfez o nó em que se manteve dentro da minha vagina durante todo o percurso; ajeitei-me e, na posição de partida, reiniciei os movimentos ascendentes e descendente, permanecia sobre o seu corpo, meus pés na altura de sua bacia; em pousos segundos senti seu sêmen esguichar dentro de mim, tornou-se-lhe impossível segurar o gozo até mesmo por mínima fração de tempo; aproveitei seus últimos espasmos, queria sugar até a última gota a consequência extrema do meu ardor; depois me larguei ao seu lado, ele a me envolver num longo e silencioso abraço, eu a transbordar seu sexo sobre os lençóis, um jorro lento e sadio, absorvera-o mais do que podia, mas queria-me banhada pelo lastro do seu prazer; na parede defronte dançavam vultos comemorando uma olimpíada, disputa entre os deuses, que celebravam a minha vitória e a de meu homem.

Levantei quando o dia jorrava um olho de luz através da veneziana; andei nua pela casa, fui à cozinha beber água; ao voltar e olhar a janela da sala vi os outros prédios, a cidade ainda dormia, homens e mulheres, juntos ou sós, sonhavam seus sonhos de amor; eu, lânguida mas ainda excitadíssima, loba no cio, desejava a segunda, quem sabe, a terceira investida; e sempre o círculo anti-horário, o tempo neutro, o sexo perene, o grito travado, embora ele na cama de outra; vem, vem foder comigo!

quinta-feira, fevereiro 21, 2013

Já que tá, deixa ficar

Quando nosso grupo de dança ainda não era profissional, certa vez viajamos para uma apresentação em Vitória. Logo que chegamos à cidade, fomos para o hotel. Como os quartos eram duplos, ficamos juntas eu e Rejane. Lá pelas onze da noite, quando quase todos já estavam dormindo, cochichei no ouvido de minha amiga:

“Onde será que está o Jardel?”

Jardel era o único dançarino do grupo. Aliás, ele nascera homem, mas seu corpo, apesar de grande, era quase o de uma mulher. Ele tinha até um pouco de seios. Certa vez vestiu-se de mulher. Ninguém desconfiou que não fosse uma das nossas.

Rejane também não sabia o número do apartamento do rapaz. Pusemo-nos a investigar. Lembramos que ele fora um dos últimos a receber a chave, por isso deveria estar num dos números mais altos do andar. Percorremos todo o corredor e paramos diante da porta do último apartamento. Encostamos o ouvido e ouvimos som de TV lá dentro.

“Vamos bater”, sugeri, “caso não seja o dele, a gente inventa uma história e pede desculpas.”

Bati três vezes. Acertamos na mosca. Era o quarto de Jardel.

“O que vocês desejam?”, perguntou com ar de surpresa.

“Ficar um pouco com você”, falei apressada.

Ele abriu a porta e nós entramos.

“Vocês não acham que é hora de descansar.”

“Mas nós queremos namorar você”, falei e o agarrei pelas costas.

“Namorar?”, mostrou-se surpreso.

“Isso, mesmo, nós duas, ao mesmo tempo.”

Enquanto eu o segurava por trás, Rejane abraçou Jardel e tacou-lhe um beijo na boca.

“Gente, por favor, ainda não pensei em namorar alguém, nem sei se vou escolher mulher para isso. Por enquanto, penso na minha carreira.”

“Sei que você pensa em sua carreira, todas nós pensamos, mas o que haverá demais se nos divertirmos um pouco?”, argumentei enquanto acariciava suas costas.

“Nos divertirmos?”, perguntou ele.

“Isso, vamos fazer de nossos corpos uma grande diversão”, Rejane falou e fez cócegas sobre o seu ventre.

“Não sei, não estou acostumado a esse tipo de diversão”, tentava esquivar-se.

“Basta que você deixe por nossa conta”, afirmei.

Rapidamente o despimos. Rejane beijou-lhe a boca de novo enquanto eu comecei a brincar com o pênis do rapaz. Não demorou estava duríssimo.

“Gente, por favor, estou sentindo uma coisa super estranha”, pôs-se a repetir isso várias vezes.

“No começo é assim mesmo, depois você acostuma”, falou Rejane.

Coloquei seu pênis dentro da minha boca, chupei-o com muita voracidade.

Depois de algum tempo, invertemos as posições. Enquanto Rejane o abocanhava, eu beijava-lhe a boca e fazia carinho no restante do seu corpo.

“Rejane, cuidado pra ele não gozar, também quero um pouco, viu?”, alertei

O namoro durou muito tempo. Em alguns momentos, fizemos que ele dançasse nu para nós, pedimos que desfilasse ora fazendo de conta que era mulher, ora que era homem. Quando fazia o papel feminino, tinha de tentar esconder o pênis, que permaneceu ereto durante a maior parte do tempo.

Fiz que ele metesse em mim, mas logo Rejane, preocupada, alertou: “quero também, viu?.”

“Será que você consegue dar duas trepadas?”, perguntei a ele.

“Acho que sim. No começo eu estava temeroso, mas agora estou adorando.”

“Déborah, acho que de hoje em diante ele vai resolver ser homem”, Rejane sorriu. Depois se deitou e pediu que ele fosse sobre ela. Enquanto eles trepavam, fiz que Jardel chupasse os meus seios.

“Não goza dentro não, deixa pra gozar na minha boca”, pediu Rejane.

“Também quero”, saltei e esperei a minha vez.

Quando ele gozou, teve porra de sobra para nós duas.

“Que delícia”, falei, “você é muito gostoso, eu já desconfiava”, completei.

“Adorei, meninas, acho que vou querer que voltem sempre.”

“Voltar sempre?”, perguntei. “Olha que somos mulheres difíceis”, franzi a testa e caí na gargalhada.

Ele nos abraçou, as duas ao mesmo tempo. De repente, sugeriu:

“Que tal começarmos de novo?”

Enquanto rolávamos os três sobre a cama, ouvimos alguém bater na porta. Jardel correu e abriu. Um homem negro, alto, entrou no apartamento. Eu e Rejane gritamos quase juntas, gritamos, saltamos e nos cobrimos com nossas pequenas mãos.

“Calma, meninas”, falou Jardel, “vocês me fizeram uma surpresa, não? Agora sou eu que faço a vocês.”

“Mas, Jardel, estamos nuas”, vociferou Rejane.

“Eu sei, querida, não há nada de mais nisso.” Ainda voltado para nós duas, continuou: “apresento a vocês o meu amigo João. Meninas, ele trabalha no hotel, ninguém pode saber que está aqui.” Então voltou-se para o homem: “João, essas são minhas amigas Déborah e Rejane, estrelas da companhia de dança.”

O recém-chegado olhou-nos com ligeiro sorriso e falou com voz baixa e delicada: “muito prazer”.

“O que ele veio fazer aqui?”, perguntei.

“Ora, veio conversar comigo. Mas quero dizer uma coisa a ele”. Jardel virou-se para homem: “João, sei que veio aqui por causa de mim, mas acho que você vai acabar pensando como eu. Essas duas são adoráveis, conseguiram me divertir muito, uma diversão como nunca senti. Elas não vão negar nada a você.”

“Déborah, e agora, o que vamos fazer?”, a voz de Rejane era de aflição.

“Ora, amiga, não há nada a fazer. Vamos seguir o conselho de Jardel, vamos todos nos divertir. Como diz aquele velho ditado: 'já que tá, deixa ficar'.”

domingo, fevereiro 17, 2013

Melhor que seios?

Morro de vergonha se tenho de mostrar os seios. Faço qualquer coisa, mas ficar de peito de fora diante de um homem me mata. Tenho um amigo que mora em Copacabana. Ele leva várias mulheres ao seu apartamento com o objetivo de fotografá-las. A maioria tira rapidinho toda a roupa. Mas eu não consigo despir a blusa, ou o top. Exibir os seios, no meu caso, é uma verdadeira angústia. Outro dia fui de novo ao tal apartamento. Ele fez tantas fotos minhas, cada uma mais linda do que a outra. Mas na hora que me pediu para tirar o sutiã, foi um Deus nos acuda. Não consegui. Já tomei calmante, fumei baseado, bebi vodca... Tudo em vão.

“Jéferson, há tantas outras poses, nada demais eu ficar de blusa, ou de top, você não acha?”

“Concordo, Luíza, mas falta uma pontinha de você para estar completa, ou melhor, perfeita.”

“Mas qual o problema de eu não estar completa ou perfeita? Na vida nada é completo nem perfeito.”

“Luíza, assim você já está querendo introduzir uma questão filosófica. Desejo apenas fotografar seus seios nus.”

Certa vez fui a uma praia com umas amigas. Segundo elas o lugar era famoso por ser permitida a prática de nudismo. Ligeiras, desfizeram-se de todas as peças. Eu não pude. Aliás, tirei a roupa, mas conservei o top.

“Por favor, não toquem em mim”, pedi, “se tiver de mostrar os seios, eu morro”, falei muito preocupada.

“Mas você viaja até aqui e não fica nua.”

“Não estou vestida”, repliquei.

“Não?”, a amiga insistia.

“Estou sem a parte de baixo, você não notou?”

Voltando ao meu amigo do apartamento.

“Luíza”, ele falou outro dia, “fui incumbido de fazer umas fotos para uma revista norte-americana. Lembrei logo de você. Mas temos de superar aquele problema.”

“Problema? Que problema?”, ingênua eu, não?

“O dos seios.”

Dei então a solução.

“Não sei se eles vão aceitar, Luíza. Dizem que tem de haver uma foto da modelo nua por inteiro.”

“Deixa comigo, pode ser que aceitem o que estou pensando.”

Daí veio a foto que me fez famosa internacionalmente, invejada até mesmo pelas melhores modelos mundo afora. Fiquei nua, mas de costas, um pouquinho inclinada para a direita e com a cabeça voltada para a câmera, aparece apenas o bico de um seio.

Se quiserem mais, ficarão a ver navios. Melhor navios do que seios? Para uns, talvez; para outros, porém, melhor que me roubem o sutiã!

domingo, fevereiro 10, 2013

Será que exagerei na dose?

Nós, mulheres, sempre temos algum ex-namorado que vez ou outra sofre uma recaída e nos procura. Depois da invenção da internet, então, nem se fala. Os e-mails e as mensagens nas redes sociais se oferecem com tanta facilidade que, quando eles dão conta do que fizeram, já é tarde demais. Um dia desses recebi uma mensagem de um homem que namorei em 2004. Quanto tempo, não é mesmo? Ele dizia:

Querida, sinto muita saudade de você. Sei que já faz tempo que não nos vemos. Talvez você já tenha tido muitos namorados depois de mim, ou, quem sabe, vai ver que até casou. Não faz mal, não fico aborrecido com isso. Gostaria apenas de fazer um pequeno e fácil pedido a você. Será que poderia me enviar uma foto sua? Apenas uma bastaria para saciar o meu desejo. Caso você esteja disponível, até podemos nos encontrar. Mas não faço essa proposta agora, nem mesmo sei se é decente cogitá-la. Uma foto, por enquanto, me bastaria. Beijos. R.

Lembrei os momentos em que passamos juntos. Foram ótimos, não resta dúvida. Mas como eu morava e ainda moro em BH e ele no Rio, o relacionamento não vingou. Uma amiga diz que se há amor, não importa a distância, dá-se um jeito. Mas no nosso caso, não sei. Se aquilo não foi amor, não posso dizer o que tenha sido.

Quando namoramos, ele fez várias fotos minhas. Em muitas delas, apareço nua. Essas fotos ficaram com ele. Mas eis que oito ou nove anos depois ele quer mais uma. Não respondi de imediato. Deixei que pensasse que eu iria ignorá-lo. Há três dias, porém, resolvi atender o seu pedido. Fiz a foto: estou sentada numa poltrona, de pernas cruzadas; no rosto, um ligeiro sorriso.

Dias depois veio o agradecimento.

Querida Rita de Cássia, que foto! Estou em permanente enleio. Não consigo me afastar de você pelo mínimo espaço de tempo, por isso fiz muitas cópias e espalhei a sua bela imagem por toda a casa. Meu agradecimento vai além, porque quando lhe fiz o pedido não contava que me enviaria uma foto dessas... Estou novamente apaixonadíssimo. Você continua (como posso dizer?) linda como sempre.

Fiquei na dúvida, será que exagerei na dose?

domingo, fevereiro 03, 2013

Sou engraçada, sim...

Sua camisa é tão bonita. É da banda, não? Você me empresta? Ah, entendi, só se eu contar o que aconteceu. Então me abrace, me esconda nesse seu largo tronco. Assim conto a minha historinha e me mantenho oculta, longe de olhares afoitos. A banda está tão animada, que bom! A gente se diverte. Escute.

Foi aqui nessa pracinha mesmo. Você já me conhece de vista, não?, sabe que adoro andar de biquíni. Saio de casa para ir à praia de biquíni, nenhum pano a me cobrir, só a carteira de plástico transparente contendo a identidade, colada aqui no meu braço esquerdo; ando pela orla de biquíni; depois da praia vou a algum bar tomar chope de biquíni; converso aqui ou ali com um ou outro, de biquíni. E hoje que é carnaval, lógico que não poderia deixar de sair com o meu traje predileto, o menor biquíni, e de lacinhos. Fui à praia; depois, adivinhe, vim aqui para o bloco. Dancei à beça. Tomei dois ou três chopes. Então apareceu um rapaz, acho que novo nas imediações. Mas tão bonito, que corpo! Logo me conquistou; logo me dependurei no seu pescoço. Que emoção... Então ele começou a ficar excitadíssimo com meus beijos e abraços. Falei a ele aqui na praça não podemos transar, vamos deixar para outra hora, hoje é carnaval. Mas ele insistiu a gente tem de dar um jeito. Mas com tanta gente tentei desconversar olha o que você vai aprontar continuei e lhe dei mais um beijo. Ele foi me conduzindo no ritmo da banda para o lado de uma árvore, e falou aqui na praça há um ponto cego. Ponto cego? perguntei. Isso, ponto cego reafirmou um local onde ninguém pode nos ver. Você acredita que há um lugar onde ninguém pode nos ver, numa praça? Realmente, ele me convenceu. Ficamos ali, agarradinhos. Você quer que eu mostre o lugar? Assim que acabar o relato  levo você até lá. Escute. E não é que ninguém nos viu mesmo? Ficamos a namorar, a nos agarrar, a nos beijar. Até que ele falou tenho um costume, sabe? um costume como o daquele cantor, esqueci o nome dele, gosto também de fazer coleção de calcinhas, sempre levo de lembrança uma calcinha de minhas namoradas. Calcinha contra-argumentei mas estou de biquíni. Hoje quero começar uma nova coleção, desta vez de biquínis falou. Ele me apertou mais, e sabe o que fez? Acho que não preciso descrever, só digo que me levou ao orgasmo. Isso mesmo, gozei ali naquele cantinho. Mas não é que o danado começou a nova coleção dele hoje mesmo? Quer saber como corri até aqui? Corri, simplesmente. Como nos sonhos, corremos e ninguém nos vê. Acho que tive sorte. Aí apareceu você com esses braços compridos, o tronco largo. Quer ir até o ponto cego? É logo ao lado da árvore, a da direita. Vamos sim. Já sei, você também quer me levar ao orgasmo. Olhe que sou osso duro de roer, viu? Ok, mas promete depois me emprestar sua camiseta? Então, combinado. Adoro carnaval, e não posso perder esse desfile só porque estou com o bumbum de fora. Você quer saber o meu nome? Gisele. A modelo? Não, não. Ou melhor, quem sabe. No carnaval faz mais sentido desfilar aqui na General Osório do que nos Estados Unidos. Você está rindo. Sou engraçada, sim...