terça-feira, novembro 15, 2016

Tirou o biquíni e o entregou na minha mão

Na verdade, tudo não passou de uma brincadeira de verão. Íamos à praia para ter a pele bronzeada mas, principalmente, para olhar os rapazes bonitos. Apostávamos se viriam conversar conosco. Quando se aproximavam, fazíamos de conta que éramos mulheres difíceis, sérias, não incentivávamos a conversa. Mas sempre estávamos doidinhas para namorá-los. Às vezes quando entrávamos na água, algum deles mergulhava. Eu achava que era para ver de perto as minhas pernas, reparar o meu biquíni bem pequenino. Aí veio a Fanny com a tal brincadeira:

“Quer valer como não descobre?”, perguntou.

“Não descobre o quê?”, eu não havia entendido.

“Não descobre que você está nua.”

“Nua? Como?”, custei a perceber o que ela insinuava.

“Vamos apostar”, falou. “Tiro o biquíni, deixo com você, quando um deles vier conversar aposto que não descobre.”

“E se descobrir?”

“Não descobre, não; nem vou pensar nisso.”

Ela não se fez de rogada. Tirou o biquíni e o entregou na minha mão. Ficou apenas de top. Veio um, veio dois, conversaram durante vários minutos, acho que uma meia hora. Nenhum deles deu falta do biquíni. Quando percebi que ela ganharia a aposta, sai da água e levei a peça comigo.

Depois de algum tempo, Cecília apareceu e me falou:

A Fanny está chamando você, e olha que está furiosa?”

"Onde ela está?"; fingida, eu.

"Lá, dentro d'água", apontou.

“Ok”, respondi.

Voltei.

“Você saiu da água, cadê o meu biquíni”, perguntou, parecia tão calma, uma artista a Fanny..

“Guardei lá na minha bolsa”, falei. “Espere que volto já.”

Então ela mergulhou rapidinho. Sem que eu esperasse, desfez os meus lacinhos. Só entendi o ardil, quando senti o biquíni escapar.

“Volto logo, deixa que eu mesma vou buscar”, falou e se afastou.

“Ei, volte aqui”, gritei agitadíssima. Ela vestiu o meu biquíni e se foi.

Ao me perceber só, fiquei quietinha, temia atrair alguém. Estava, porém, desesperada.

Depois de intermináveis vinte minutos, lá veio ela de volta.

“Que susto, Fanny, pensei que você não voltaria.”

“Fiz isso pra você ver como é estimulante correr risco”, fez cara de santa e me devolveu a calcinha. Estava escondida dentro do seu biquíni.

Suspirei, então:

“Fanny, você tem razão, é muito bom. Fiquei e estou toda trêmula, mas acho que gozei.”

Ela riu e completou: “gozou sem que algum dos rapazes viesse conversar com você? Espere que vou deixar você nua de novo!”

“Não, Fanny, por favor, assim eu morro.”

“Não morre, não.”

Realmente, não morri. E à noite ainda acabei pelada pelas mãos de um rapagão, o que mostrou os olhos mais abertos durante o dia. Era tudo o que eu queria.

terça-feira, novembro 08, 2016

Você ficou nua, como a mulher de quem acabou de falar?

Certa vez eu falara a ele que faria uma surpresa. Havia comprado uma sainha, improvisaria uma blusa curtinha, vestiria o conjunto e desfilaria à noite, só pra ele. Mas nunca cumpri minha promessa. Sempre que o encontrava, saíamos, víamos um filme e depois jantávamos num restaurante da orla marítima. Na volta, logo ao entrarmos a casa, nos agarrávamos e nos beijávamos. Ele, então, tirava minha roupa e mergulhávamos num sexo quente, pleno de ardor. A surpresa ficava sempre para a próxima semana.

Mas na semana passada resolvi fazer o contrário. Quando ele chegou pra me pegar, eu vestia a tal sainha e blusinha, levava nas mãos uma echarpe, para caso de um frio repentino. Percebi que ele se surpreendeu, porém nada falou. Entramos num táxi e fomos ao cinema. Dentro da sala, outro ato inesperado de minha parte. Tomei uma de suas mãos e a coloquei sobre minha coxa esquerda. A mão quente tomou grande parte da minha perna, a sainha subira confortavelmente. Ele chegou mais perto, moveu o tronco como se quisesse arranjar-se mais confortável na poltrona. Ainda no escuro do cinema, beijamo-nos, cheguei a sussurrar no seu ouvido gostou? Ele me beijou mais uma vez. Há muito que prometo, cheguei a soprar. Ele relaxou no recosto e assistimos ao filme.

Você, com essa sainha, o melhor seríamos ir a uma boate, vai fazer o maior sucesso, sugeriu. Uma boate apenas para nós dois?, insinuei. Não, uma boate de verdade, você dançando agarradinha a mim. Tudo bem, concordei.

A boate era bem pequena, havia o bar e a exígua pista de dança. A música, como sempre, era alta, ecoava terrivelmente em nossos ouvidos; as luzes, de enlouquecer. Como estava muito cheio, ele me abraçou e não me largou um momento sequer. Acho que temia que eu fosse levada por algum homem sozinho, ou alguém a me enfiar as mãos sob a minissaia. Bebemos as nossas caipirinhas e dançamos agarradinhos. Algumas mulheres também se agarravam aos homens. Havia alguns que ficavam ao redor da pista, aguardavam olhares maliciosos. A ideia da boate fora boa. Eu me soltava, acelerada pela bebida. Depois de algum tempo, percebi alguns estofados, rodeavam as paredes da boate, onde namoravam mulheres e homens; alguns, pelos gestos ousados, pareciam apaixonados. Dançávamos alucinadamente, ele resguardava-me com as mãos, não desejava perder nem mesmo um milímetro do meu corpo. Percebi entre as mulheres uma que dançava com um micro vestido. Não podia levantar os braços sob o risco de deixar seu bumbum de fora. Como era safadinha, vez ou outra se exibia, girava, e revelava. Os homens a olhavam, queriam-na nua. Um deles chegou-se a ela, abraçou-a e, disfarçadamente, tocou suas coxas. Ela jogou o corpo pra trás, inclinando-se num precário equilíbrio, o vestido subiu um tantinho, o suficiente para revelar que ela estava totalmente depilada. Não sei dizer por quê, mas senti inveja da mulher. Queria eu fazer o mesmo? Meu namorado continuava a me abraçar. Estou morrendo de tesão, disse no seu ouvido, em meio a todo o barulho da boate. Mas ele escutou. Saímos da pista e nos colocamos em uma das extremidades, onde não havia tanta gente. Queria que houvesse um buraco, falei. Um buraco?, repetiu como se não entendesse. Pra você me deixar nua e me comer, acrescentei. Olhamos em volta. A parede era forrada de veludo, muita gente se agarrava encostada nela; no fundo, os toaletes; ao lado uma porta sem letreiro. Pedimos licença e escapamos. Meu namorado mexeu na maçaneta, a porta abriu-se. Lá dentro, outros casais, mais estofados, pessoas que se agarravam. Numa ponta, descobrimos um lugar vago. Sentamos, eu sobre seu colo. Imaginem, eu de sainha, as pernas abertas, sobre as pernas de meu namorado. Ninguém olhou pra nós, não estavam interessados. Não fizemos o principal, mas senti o seu sexo no meio das minhas pernas. É melhor irmos, ele disse, vamos nos agarrar em um lugar em que fiquemos à vontade. Tudo bem, consenti. Queria sentir seu pênis dentro de mim, na posição em que estávamos não era possível. Olhei ao redor e reparei que ninguém trepava ali, apenas as saias, ou vestidos, iam acima da discrição exigida. Enquanto ele foi ao caixa pagar nossos cartões, corri ao toalete, um quadrado também muito estreito, onde cabiam duas pessoas diante da pia, ou do espelho; meio metro atrás estava uma porta de metal que dava entrada ao local onde ficava o vaso. Diante da pia, havia quatro mulheres, a princípio não entendi o que discutiam. O mais curioso: uma delas estava inteiramente nua. Perguntei se a cabine onde ficava o vaso estava disponível. Uma delas disse sim, as outras continuaram discutindo. Entrei, fechei a porta e prestei atenção à conversa. Você fala com ele, ele vai resolver, sempre resolve, falou a que estava nua. Outra interveio com duas perguntas repetidas, como se estivesse muito surpresa: mas como?, mas como? Depois explico, disse a nua, vá falar com ele, não é a primeira vez que acontece. Saí da cabine, perguntei se poderia lavar as mãos. A nua afastou-se e apontou a torneira, não demonstrava vexo algum. Ao abrir a porta do toalete ainda ouvi as mulheres: quando amanhecer, quero saber como você vai fazer pra sair pelada da boate, fale com ele, ele vai resolver, está muito barulho... As vozes se perderam, abafadas pela música alta e bem ritmada. Meu namorado abraçou-me, saímos e tomamos logo um táxi.

Enquanto o táxi rolava pela orla da lagoa, contei ao namorado sobre a mulher nua no banheiro. Sabe, achei aquilo muito engraçado, a mulher dava a entender que não tinha o que vestir, como pode ter acontecido?, certamente ela não saiu nua de casa. Ele riu, talvez tenha achado o assunto excitante. Já terminei nua a noite, mas faz tempo, aconteceu num daqueles bailes de carnaval de antigamente, rolava de tudo. Você ficou nua, como a mulher de quem acabou de falar? Sim, fiquei, todo mundo ficava, o que tem? Nada, nada, ele disse preocupado de que eu não ficasse aborrecida. Acho que sua pergunta revelava por que a mulher estava nua, devia ter acontecido o mesmo que acontecia a nós naqueles famosos bailes. Você gostou da minha sainha?, disse baixinho no seu ouvido e o beijei. Adorei, ele respondeu, mas prefiro você sem ela. Sem ela?, repeti. Isso mesmo, acrescentou, sem a saia. Então tira, pode tirar, me deixa nua, soprei-lhe. Mas aqui no táxi?, pareceu surpreender-se. Não faz mal, a nua serei eu. Então, ele atendeu o meu pedido, quero dizer, a minha quase súplica, porque eu já estava morrendo de vontade de trepar com ele. Ele resolve, fale com ele que ele sempre resolve. Enquanto eu gozava, a voz da nua ecoava na minha cabeça.

terça-feira, novembro 01, 2016

O sofá

O sofá jazia na rua, junto a um poste. Esperava pela compaixão de alguém. Ou pelo caminhão da limpeza pública. Era um sofá de pano. Via-se que estava gasto, um tanto desbotado, mas ainda servia. Quem quisesse sentaria nele e descansaria. Não era isso, porém, que me despertava o sofá. Lembrava um namorado. E fazia mais de dez anos. O namorado tivera um sofá semelhante. O pano estampado de listras cinzas e brancas. O namorado insistira em me levar ao seu apartamento. O namoro ainda ia cru, duas semanas de encontros, apenas. Eu não queria, não do jeito dele. O sofá jazia na rua. Ninguém viera buscá-lo até aquele momento. Nem havia alguém que o espreitasse. O sofá do namorado era convidativo. Ele perguntou se eu bebia alguma coisa. Havia vinho e cerveja na geladeira. Não, obrigada. Bebera momentos antes num bar, com ele. Insistira e eu acabei sentada sobre o sofá de sua sala. Uma sala limpa, aceitável, alguns livros numa estante. Cruzei as pernas, o vestido comprido, de flores verdes e fundo branco, escondia minhas pernas. Esperava a reação do namorado. Ele observava minha fisionomia ressentida. Vencera. Conseguira-me sentada no seu sofá. Descruzei as pernas, olhei-o desafiadora. Por que a mulher sempre é levada ao local mais fácil?, acho que pensei naquele momento. Merecia um hotel. Não o Palace, mas um hotel razoável, paredes claras, a luz quebrada ao meio. O sofá era convidativo. Ele sentou ao meu lado. Deu-me um longo abraço, um começo de beijo. Eu, rígida, como se não quisesse o beijo, como se recusasse o abraço. Não queria o apartamento, muito menos o sofá. Sentia-me vencida. Sim, eu era uma mulher vencida. Mas não sabia dizer o que seria uma mulher vencedora. Não naquele momento. Descobriria duas ou três horas depois. Mas a dor de se sentir vencida é um fato quase irrecuperável. O sofá, o da rua, eu diante dele fazia tempo. Quem via a mulher louca diante daquele refugo? Louca ou mendiga, dá no mesmo. Minhas roupas, no entanto, revelavam uma mulher limpa. Talvez queira levar o sofá para casa, alguém pensaria. Talvez esteja cansada e queira sentar. Nada disso. Era o namorado. Eu estava sentada ao seu lado. De repente levantei, dei alguns passos. Queria conhecer o resto do apartamento. Começava a conquista. Entrei no quarto, caminhei até a janela. O outro lado da rua, um prédio de apartamentos, uma mulher passou rapidamente de um cômodo a outro. Estava envolvida numa toalha. Sua rapidez revelava o desejo de não ser descoberta. Voltei à sala. Entrei na cozinha, na área de serviço, nas dependências de empregada. Havia um secador pequeno na área de serviço, pequeno e vazio. Ele não lavava as roupas? Voltei à sala. Sorria dentro de mim. Ele não lavava as roupas. Ele ainda sentando, à espera. Seu olhar indagativo. Eu aceitava? Não sei. Entrei no quarto mais uma vez e deitei na cama. Venha até aqui, gritei. Deitada, esperava que subisse sobre meu corpo. Seu vestido vai ficar todo amarrotado, preocupava-se ele com meu asseio. Não faz mal, não ligo aos vestidos. Deitou enfim sobre mim. Beijou-me. Um beijo longo. Assim que acabou, tirei o vestido e o arremessei sobre uma cadeira. Arre a todos os vestidos. Meus seios se aprumaram. Ele sabia que eu não usava sutiã. Deitei-me e ele veio de novo sobre mim. Tira minha calcinha, ordenei. Sou eu que rejo a orquestra, falei dentro de mim. Começamos um duelo vigoroso. Eu sabia que não haveria vencedores. E numa orquestra há muitos homens. Homens e mulheres. No sexo, ambos ganham. Ou perdem. Depende do ponto de vista. Mas o vestido sobre a cadeira mostrava minha determinação. Uma determinação de mulher que não tem medo de sair nua andando quadras e quadras. Eu era essa mulher. A princípio vencida pelo namorado, levada cordata à sua casa. Mas depois. Bem, depois há sempre aquele que diz que já não é possível a vitória. Mas eu vencera. Tanto vencera que fiz questão de reger uma orquestra. Eu, que jamais aprendera música nem sabia tocar instrumento algum. Uma mulher que não tinha a preocupação de ir embora amarrotada. Melhor, então, a vitória final. Não iria embora amarrotada. Não iria embora. Ou Iria embora nua. E de cabeça erguida. Os seios aprumados. Seria presa? Não me importava a prisão. Importava reger a orquestra. Antes de sair ainda sentei uma vez no sofá. Para calçar a sandália. O sofá. Que jazia na rua. 

terça-feira, outubro 25, 2016

Trepar pelo zap

Ele me enviou uma mensagem pedindo uma história. Lembrei então que, no meio de todo o fogo da nossa última transa, perguntei se gostava de ouvir sacanagem. A maioria dos homens gosta, principalmente na voz das mulheres. Talvez fosse isso, agora ele pedia por escrito. Sou boa na fala, mas no papel... Não respondi logo, também achei imprudente dizer que não entendera seu pedido. Dois dias depois enviei a história. Ele respondeu, mas em forma de convite, queria me encontrar de novo.

Você quer enfiar no meu cu?, quer? Eu trouxe uma pomada, você passa no meu rego e enfia, você vai gozar muito. Você quer que eu pegue?, mas deixe contar mais uma coisa. Calma, por favor, se segura, não vai gozar agora. A pomada é geladinha, e como eu gozo, acho que gozo primeiro com ela, depois com o teu pau. Mas escuta, eu trouxe também uma renda branca, transparente. Sabe que já saí uma vez enrolada nela. Verdade, era de madrugada. Não preciso dizer que deixei o homem louco. Quem? Ah, um homem que estava comigo. Desenrolei a renda do meu corpo e fiquei peladinha no banco do carona. Ele dirigiu pela Dutra, a renda pela janela do carro, eu segurando pela ponta dos dedos. Quase escapou. Já pensou?, eu ter de voltar pelada pra casa?, mas pelada ou a renda era a mesma coisa. Vou pegar, está na bolsa, a renda e a pomada, mas primeiro a renda, desfilo pra você, vou lá fora, fica bonitinha, viu, posso vestir como um vestido longo, ou como um minivestido, ou vestidinho, não sei como dizer, então tem de ficar dobrada, perde um pouco da transparência, mas minhas coxas nuas são um tesão, ameaçam mostrar tudo. Você quer?, mas espera, quero dizer mais uma coisa. Trouxe também um creme, um creme para o corpo inteiro. Você passa sobre a minha pele?, espalha bem? Não imagina como sinto prazer com isso. Eu, toda brilhosa, bastante cremosa. Mas uma coisa de cada vez. Primeiro a renda e o desfile, mesmo aqui no quarto do hotel, ou ali fora, quem sabe, desfilo e bato à porta pra você abrir; depois o creme sobre o corpo inteiro, você querendo me agarrar e eu toda escorregadia, um gozo só; no final, a pomada, mas é preciso ter cuidado, se a dose for grande vou engolir tudo muito rápido, você tem de passar a medida certa, caso contrário teu pau vai afundar dentro de mim, aí não vou sentir muito prazer. O gozo está em eu sentir a medida certa, ou em eu ter de me equilibrar sobre um estreito fio de arame. De cada lado está a possibilidade de eu perder o gozo, o ato de continuar avançando sobre o fio será o próprio gozo. Por falar nisso, você já viu uma mulher gozar? (Ai, pro zap essa história já está imensa), você já viu? Acho que não, as mulheres quase não gozam, ou gozam muito pouco. Mas eu gozo, gozo muito, você vai ver. A pomada na dose certa, quero sentir uma ardidinha, um pouco de arrepio, você enfiando em mim. Calma, não, agora não, se segura, nem peguei todas as coisas que trouxe. Você não aguenta?, por que os homens acabam com o prazer sempre tão cedo? Vamos fazer diferente. Goza aqui, na minha boca, está vendo? Vai. Cuidado pra não escapar. Vou engolir tudinho. Você nem vai precisar tapar meu nariz. Agora, goza tudo. Sei, sou tagarela, mas não falo mais, abro apenas a boca...

terça-feira, outubro 18, 2016

Melhor mesmo é fotografar

Não faz muito tempo, eu era maluquinha. Namorava todos os homens que apareciam no meu caminho. Ganhava tantos presentes, que não tinha onde guardá-los. Certa vez vivi uma experiência sedutora.

Conheci um fotógrafo. Devido à profissão, ele não perdia a oportunidade de fotografar tudo que achava interessante. Então, aproveitava também para fazer umas fotos minhas. Naquele tempo ainda não existiam as máquinas digitais. Fazíamos as fotos e tínhamos de esperar alguns dias para ver se ficaram boas. Toda semana, pedia para ele me fotografar. Ele atendia, e as fotos iam se avolumando. Tenho todas as cópias até hoje. Numa determinada fase do nosso namoro, quando já vivíamos mais intensamente a relação, pedi que me fotografasse nua. No início, recusou. Mas depois, após eu insistir, começou a fazer as fotos. Às vezes eu usava algum tecido para cobrir determinadas partes do corpo, só para provocar quem acaso viesse a apreciar as fotos. Mas, na maioria, eu saí nua por inteiro. Toda mulher tem um ponto vulnerável, e o meu passou a ser as fotos de mim mesma. Certa vez, tentei pregar-lhe uma peça. Levei uma das fotos a uma agência de publicidade. Queria que fizessem um outdoor. Perto de onde eu morava, havia um monte deles. Após insistir e pagar uma pequena fortuna, consegui o outdoor por três dias. Eu aparecia nua, mas de perfil; no alto, ia escrito: “venha, Antônio, estou lhe esperando”. Ninguém de onde moro me reconheceu. Pelo menos foi o que pude deduzir. Lembro que saí de casa todas as manhãs para passear bem defronte à minha própria imagem. Houve apenas duas diferenças entre a mulher da grande foto e eu. Passeei vestida e de óculos escuros. Nem meu namorado percebeu a minha imagem. Mas faço uma ressalva: ele era muito distraído. Depois de substituída a foto por uma propaganda qualquer, contei a ele. Mas não acreditou.

O tempo passou. Meu namorado foi embora do Brasil. Eu não quis acompanhá-lo. Fiquei por aqui. Daí surgiram outros. E como não descobrissem o meu ponto fraco, eu lhes soprava no ouvido, você não tem uma câmera? Após a primeira foto, eles também se tornavam dependentes dessa arte. E do meu corpo.

Chegaram, então, as digitais e os celulares que fazem fotos. Tudo ficou mais fácil na minha vida de namoradeira prestes a ser clicada nua. Cada admirador passou a colecionar um punhado de fotos minhas.

O engraçado é que sempre após o término dos namoros, as fotos ficavam com eles. Aliás, houve um que, tristonho, voltou com o intuito de devolvê-las. Nada disso, disse-lhe eu, fica de presente. Mas você está nua, ainda tentou me convencer. Não tem problema, retruquei, o que há de mal nisso?

Na semana passada, após longo inverno sem namorado, surgiu a ocasião de a maluquinha aqui entrar em ação de novo. No apartamento do homem, pedi, faça uma foto minha. Ele atendeu. Pedi mais uma vez, quero uma foto nua. Nua?, replicou, acho que fingindo surpresa. E fui tirando a roupa. E foi ele me clicando. Depois das fotos, ainda nua, contei-lhe a minha longa história de fotografias. Lógico que sem ressaltar os namorados. Você não tem medo que essas fotos vazem?, arregalou os olhos. Vazem?, repeti. Isso mesmo, que caiam na internet?, acrescentou. Nunca pensei nisso, respondi, e não vou me preocupar agora, mas peço uma coisa a você, ok? Ok, respondeu, já sei, que eu tome muito cuidado com essas fotos... Nada disso, concluí, quero que você venha até aqui bem pertinho, tire a roupa e enfie esse peru gostoso bem fundo dentro de mim. Ele veio. Sabe, sussurrei-lhe no ouvido, esta história de fotos é muito boa, melhor, porém, é trepar, e uma trepada bem gostosa...

terça-feira, outubro 11, 2016

Vou como a cadela

Não sei como o conheci. Rondo sua casa e espero que ele me veja. Talvez pense obra do acaso, não conta que planejo tudo de modo meticuloso. Como, no entanto, demora a aparecer, começo a ficar preocupada. Já faz três semanas. Todos os dias levo a cadela a passear. Contorno a quadra, dobro à primeira rua, mais alguns passos e desfilo diante da casa dele, uma construção de dois andares, janelas de madeira, uma árvore frondosa no terreno de frente. No bairro, de um tempo para cá começaram a subir os muros. Segurança, medo de roubos, não sei. O que posso dizer é que tiram a beleza original das casas, algumas de mais de meio século. A sua não é tão antiga, talvez vinte ou trinta anos. Espero que a porta se abra, que ele surja, de preferência só, saindo para as  compras ou para o trabalho. Não sei se trabalha, pelo aspecto parece uma pessoa de certa cultura, talvez escritor, ou quem sabe diretor de cinema. A cadela puxa a guia, cheira a terra junto a uma pequena árvore, procura indícios de outro cão; eu, atrás. O que é capaz de fazer uma mulher quando está apaixonada? A pergunta martela minha cabeça. A cadela não quer esperar, puxa, deseja outros sítios. Começo a pensar em espionar a casa, sozinha. Deixo que ela me conduza, segue dando a volta na quadra, depois para, me olha, espera minha decisão, já não tem capacidade de cuidar da própria vida.

Penso voltar à noitinha, à hora que ele provavelmente entra. Mas como ter certeza de que ele voltará ao entardecer? Caso alguém me veja rondando a casa por muito tempo, suspeitará, quase ninguém circula na rua, a exceção são os próprios moradores. Melhor será o amanhecer, quando as pessoas saem para o trabalho, poderei trazer de novo a cadela. Caso dê com ele, como chamar sua atenção? Não ficará bem correr até o homem e fazer uma declaração de amor. Essas coisas não estam na moda e, na verdade, são coisas de cinema. Na verdade, ele é que precisa olhar pra mim e sentir alguma atração. Por isso, visto uma short bem pequeno e uma camiseta. Minhas pernas, sempre admiradas pela maioria dos homens, funcionarão como instrumento de sedução também para ele.

Sigo o que programei durante cinco dias, mas nem vestígio do homem. Na semana seguinte, abandono as investidas. Saio com a cadela, mas ando nas proximidades de onde moro, o pequeno animal parece satisfeito, cansa-se menos.

No sábado, aceito o convite de uma amiga. Encontro-a num bistrô, ao entardecer. Quando estamos conversando, colocando as novidades em dia, eis que ele se aproxima. Entra no bistrô e senta a uma das mesas, bem ao centro. Acompanho seus movimentos. Também tento prestar atenção na história que me conta Sara. Mas confesso, sua voz se perde no vazio. Ao mesmo tempo, faço de tudo para que ela não note que estou transtornada. Minha amiga fala sobre um namorado, sua voz traz algum entusiasmo, mas, pouco a pouco, perde a entonação inicial. Fico a pensar qual a causa, quem sabe minha desatenção. Se esse o motivo, nada comenta. No final, diz que depois de sair duas ou três vezes com o homem, perdeu-o pra outra mulher. Mas por que ele não ficou com vocês duas, digo sem muito refletir. Faz cara de espanto, depois cai na gargalhada. Ele, da mesa onde bebe uma pequena garrafa de cerveja, olha para nós duas, mas depois volta às páginas do livro que tem sobre a mesa. Você fala como a Gisele, intervém, ela bateu à porta de um homem e disse que queria ir a um restaurante com ele, nem notou que ele morava com uma mulher; dias depois o encontrou de novo, então trepou com ele na garagem do prédio onde moram, dentro do automóvel. Por que ela não levou o homem ao apartamento dela?, quero saber. Não sei, não falou sobre isso, ela pensa como você, não se incomoda em dividir o homem com outra, minha amiga termina e espera minha reação. Quero dizer que não penso assim, que minha concepção de relacionamento é outra, mas acho inútil a explicação.

Ficamos mais um quarto de hora no bistrô, às 6h30min minha amiga diz que precisa partir, tem um compromisso. Após ir embora, penso em voltar e tentar seduzir o homem, mas ele está tão concentrado na leitura, que acho inútil qualquer iniciativa minha. Volto pra casa.

Entro. A cadela vem fazer festa. Depois se coloca junto à porta. Quer passear. Pego a guia e vamos para fora. Qual caminho seguir? O tal quarteirão, talvez, quem sabe. Não posso ir tão vestida, penso. Já sei, vou como a cadela!

terça-feira, outubro 04, 2016

Lívia queria, e podia, transformar o jogo em amor

No fundo mesmo, ela se julgava uma deusa. E as deusas apareciam nuas. Ao menos nas estátuas. Se haviam sido reais em épocas remotas, ninguém podia afirmar. Mas Lívia era real até demais, às duas tarde, numa praia do litoral norte. E ganhava quando comparada a uma deusa grega ou romana. Lógico que não tirava a roupa sob o sol. Ao entrar na água do mar chamava Clara, uma adolescente que a acompanhava no último verão. Não sei o que provoca em você tanto arrepio, observava a menina, deve ser porque a água está gelada, completava. E a deusa mostrava apenas a cabeça da estátua, até que um dia... Até que um dia surgiu um bonitão. A praia sempre tão vazia; algumas mulheres ao banho de sol; um ou outro garoto a jogar bola num pedaço de areia distante dali. A menina que ia com Lívia a pressionar um tablet. Mas onde estava naquele momento? Ah, um garoto estava ao lado dela e levava uma revista. Minha tia se acha uma deusa, e quer tomar banho de mar nua. Será que a menina contara? O bonitão a explorar a maresia, a descobrir a estátua de deusa que ao contrário do que se poderia imaginar flutuava. O jogador, ao perceber a bolinha prestes a se fixar numa das casas da roleta, durante uma fração de segundo vai ao paroxismo porque sente que está prestes a tudo perder. Lívia sentiu o mesmo quando viu o bonitão aproximar-se. Ele vinha como quem não quer nada. O jogador apostara na cor, assim maior a chance. Lívia apostou no negro, só que colocou tudo que tinha. Respirou fundo, arrepiou-se, o friozinho no estômago e a nuvem que, de repente, turvou o sol. A roleta ia ao seu favor, ao menos temporariamente, uma nuvem efêmera e única fez sombra. Lívia tinha a capa, uma máscara que lhe alimentava o mistério.

Está fria a água, disse o bonitão.

Ela sentiu-a mais gelada. Não frisou o rosto nem sorriu.

Pena que tão pouca as pessoas; o bonitão economizava nos verbos.

Onde a menina? Por que não olhava na direção dela? Por que não vinha em socorro?, pensou Lívia, que precisava tanto de mais fichas. Ah, ela enamorara-se do garoto e da revista dele. Via-se, apesar da distância.

A nuvem corria no céu, a roleta girava, a incerteza dos instantes seguintes tornava a máscara impossível. A face é efêmera, assim como a rosa, assim como a nuvem que logo se desfaz sob o sol revelador. O bonitão também sabia jogar. E apostava no vermelho. Nos lábios de Lívia. Mergulhou ele, não demorou a voltar à tona, trazia os louros da vitória. A revelação. As fichas amontavam-se ao favor dele. Lívia entregava-se, entregava o jogo. Nem sempre é possível vencer. Sua sorte, agora, mostrava-se no sorriso do bonitão, um sorriso calado, assim como a expressão neutra do rosto de Lívia. Ela teria de saber perder, ou pelo menos fingir que sabia. Mas, pensou melhor, não saía a perder. Talvez até estivesse a ganhar. A menina, lá longe, enamorara-se do garoto, da revista dele, e ele do tablet dela. Lívia girava a roleta no sentido inverso, queria, e podia, transformar o jogo em amor.

terça-feira, setembro 27, 2016

Assim não tenho complicações

Eu estava em pé. Vestia uma minissaia e uma camiseta curta. Ele olhava pra mim. Num determinado momento veio na minha direção. Estávamos dentro de casa e o botão da minha saia aberto; ela presa apenas pelo fecho. Ele me abraçou, me beijou, uma de suas mãos desceu meu fecho e a minissaia foi ao chão. Na verdade, era o que eu desejava. De calcinha e camiseta, agarrada a ele. Não costumo levar pra casa os homens que conheço há pouco. Falo que moro com alguém, ou que tenho uma filha. Assim eles me convidam pra um hotel, ou mesmo pra casa deles. Aquele eu conhecera no Shopping.

Ele estava na praça de alimentação, comia seu lanche, e eu pedi pra sentar ao seu lado. Pouco a pouco surgiu a conversa, alimentada pelo pedaço de bolo que eu comia. Acabamos em sorrisos plenos. Ele perguntou se eu tomava um café. Agradeci, mas lembro que falei que o aguardaria. Ele foi à cafeteria em frente e logo retornou. Eu poderia ter ido embora nesse tempinho. Quando estivesse de volta, ele daria com a cadeira vazia, a mulher lhe pregara uma peça. Fiquei, esperei por ele. Tomou o café devagar, a conversa cresceu de novo, acho que conversamos sobre as lojas do shopping. Como sempre gosto de comprar roupas, estava ali pra levar algumas, depois iria até o segundo piso. Ele disse que as lojas também o agradavam, e que faz compras na C&A. Não disse a ele que as roupas da C&A não me servem, ou que não gosto da loja. Eu, na verdade, com quase quarenta anos, compro roupas nas lojas de roupas de jovens, roupas esportivas, camisetas, calças colantes, minissaias etc. No segundo piso, pedi que me esperasse, entrei numa loja bonita. A vendedora veio logo falar comigo, perguntou meu nome, aquele sorriso azul, ou cor de rosa, não sei. Comprei várias peças. No final, era mais do que eu podia pagar. No entanto, como gosto de superar os meus limites, levaria as compras. Qual não foi a minha surpresa quando vi o homem tirar o cartão da carteira e ir ao caixa pagar tudo o que comprei. Um presente, falou, um presente, amanhã compro mais. Ai, me senti pelada nas mãos dele, e dentro do Shopping. Dali fomos pra minha casa, um pulinho. Não foi logo depois que ele tirou minha roupa, nem me deixou de calcinha e camiseta. Na primeira transa, sempre fico um pouco vexada, cheguei a dizer. Não se preocupe, retrucou, a gente tem tempo. E tivemos mesmo.

Ele me telefonou todos os dias, foi à minha casa três dias depois, voltou no sábado e só na terça seguinte é que começamos a nos agarrar, eu a fazer de conta que não queria a saia fora do corpo. Numa das visitas, antes de transarmos, aconteceu uma coisa engraçada. Eu disse a ele que o biquíni de praia ficou uma gracinha no meu corpo. Deve ter ficado mesmo, pagaria pra ver, completou. Quer que eu vista? Sim, respondeu de pronto. Fui ao quarto, três minutos depois voltei à sala, de biquíni. Um biquíni à toa mesmo. Desfilei. Cheguei perto dele, parei. Ele aplaudiu. E os lacinhos tão frágeis, pedindo pra serem desatados. Mas o homem manteve a elegância. Disse apenas pra eu sentar um pouquinho, fazer de conta que estava na praia. Aceitei a sugestão. Ele pagou, pagou mesmo, dinheiro, antes de ir embora. Mas nada de escândalo, deixou duas notas de cem na pequena estante que tenho na sala. Eu ainda de biquíni.

Na terça, como já falei, fui eu que não aguentei, desabotoei a saia, a camiseta aparecendo meus mamilos, cineminha. Só faltava ele me deixar nua. E aconteceu. Mas não foi assim tão de repente. Primeiro muitos beijos e abraços, abraços apertados, meus seios comprimidos pela corpulência do namorado. Beijo com sabor de amora. Sério. Gostinho de bala. Ainda fiquei só de calcinha um tempo, os seios nus, e ele me apalpando, beijando meus mamilos. No final, tirou minha calcinha, não a largou pelo chão, nem sobre o sofá da sala, guardou no bolso da própria bermuda. Achei, a princípio, o gesto estranho. Até lembrei uma amiga, contou que o namorado adora levá-la pra passear. Ela de minissaia e a calcinha no bolso dele. Quem sabe é o mesmo homem, cheguei a temer. Mas no final entendi, ele pagaria, pagaria a calcinha, me pagaria sem calcinha. Olha que por dinheiro faço tudo, saio até nua. Mas não vou dar a ideia. Se ele me paga pra sair vestida... Assim, não tenho complicações. E a trepada foi dez. Nada de camisinha. Só disse, aliás, gemi no ouvido dele vou perder a cabeça, está muito gostoso, mas não perde a tua não, ok? Não perde, não, não goza dentro porque vou ter problemas. Já sei, ele disse, sei que você vai adorar, vou te dar um presentão. Tudo bem, suspirei, mas goza então na minha boca. Gozei muito. Como ele não podia ficar pra trás (não é mesmo?, não quero perder um homem de tantas qualidades), abaixei, ele gozou na minha boca. Eu me equilibrando na ponta do pinto dele. Engoli. Fiz o melhor que pude. Melhor do que isso? Ah, o dinheiro. Ele sempre a me pagar. A loja, o cabelereiro, o passeio, tudo que preciso. Que todas tenham a sorte de um dia terem um homem como esse meu. E a calcinha no bolso da bermuda dele...

terça-feira, setembro 20, 2016

Literatura policial

“Um australiano que teve vontade de viver a vida e que viveu”, eu dizia ao meu amigo.

“Quem é o autor?”

“Simenon, George Simenon.”

“Ah, interessante”, mostrou admiração.

Estávamos em Rio das Ostras, sentáramos na areia e olhávamos o mar.

“Literatura policial, você não gosta?”

“Gosto”, afirmou, “Mas o que há de mais nessa história?”, ele quis saber.

“Um caso de amor.”

“Casos de amor? Casos de amor sempre são interessantes.”

“E nesse há um assassinato.”

“De quem?”, ele estava curioso.

“Do australiano. Ele não era jovem, tinha uma amante da mesma idade, bebiam juntos, faziam muitas coisas juntos.”

“Só isso?”

“Não, mas acho melhor você ler o livro”, falei e me viverei para ele, “acho que está aqui na bolsa.”

“Não, por enquanto não, prefiro que você me conte o principal dessa história.”

“Vocês homens são práticos, não?, sempre o principal, nada de leituras.”

Passou um ambulante vendendo cerveja, fiz sinal a ele. O homem parou, pedi uma long neck. Paguei e ele se foi. Tomei um gole. Meu amigo disse que queria saber da história.

“Ele arranjou uma mulher mais jovem, A amante então o seguiu e o matou, com uma faca.”

“E não foi presa?”

“Não. Contando assim pode não ter graça. Mas o inspetor achou melhor poupá-la, tinha poucos meses de vida, tanto menos quanto mais bebesse.”

“Bebesse?”, surpresa da parte dele.

“Isso. E era ao mesmo tempo um caso de alcoolismo.”

“Então, acho que você também gosta de facas”, meu amigo falou.

“E você de mulheres nuas, não?”

“Acho que todo homem gosta.”

“Então, você também tem uma história.”

“Tenho. Ambientada nessa praia.”

“Agora sou eu que quero ouvir, pois conte.”

“Aconteceu com uma amiga.”

“E como foi?”, a curiosa agora era eu.

“Não foi uma história de detetives, mas ela teve de se esconder, por pelo menos uma hora e meia.”

“Pouco tempo.”

“Na situação dela, o tempo foi imenso.”

“Por quê?”

“Porque ela estava nua, dentro d’água, nessa mesma praia. O namorado sempre quis vê-la tomando banho de mar nua. Ele pediu o biquíni e ela deu. Tirou e deixou nas mãos do homem. Só que não contava que ele sairia d’água e guardaria o biquíni na bolsa. Ela coberta apenas pela capa provisória das ondas e espumas, e as pessoas passando pra lá e pra cá, um dia de sol, de tardinha.”

“Poxa, mau esse namorado. Eu é que não queria saber dele.”

“Verdade? Olha que você ia gostar. Toda mulher gosta de andar nua.”

“Há mulheres que gostam, mas não é o meu caso, me sinto desconfortável quando estou nua.”

“Mas não era o caso dela. No início, ela gostou muito. Mas quando viu que ele não voltava, começou a ficar preocupada. E no final...”, meu amigo parou de contar para fazer suspense. “No final, uma moça parou para falar com ela, era uma amiga que a reconheceu.”

“Ela então pediu ajuda.”

“Nada disso, diz que até teve vontade, mas ficou caladinha.”

“E aí?”

“Gostou, não? Está curiosa.”

“Quem não ficaria?’

“A amiga não notou que ela estava nua. Aí, depois que a tal amiga se foi o namorado voltou, devolveu o biquíni, ela o vestiu e tudo acaba bem. Disseram que até foram comer uma pizza!”

“E quem contou a história?”

“Ela mesma. Mas não para mim. Para uma amiga, que me contou. Mas me pediu silêncio. Como você não a conhece, estou contando.”

“Então, acabou bem.”

“Sim. Sem facadas. Um caso de amor, de amor e de tesão. E uma pizza de muzarela!”

Ri. Ele riu também. Então olhou para os lacinhos do meu biquíni, e pediu um gole de cerveja.

terça-feira, setembro 13, 2016

Na mira da onça

Contam que num lugar chamado Estrela vivia uma mulher muito tarada. O nome Estrela era porque ficava no alto de uma montanha, mais perto do céu e das estrelas. Todos adoravam aquele lugar de difícil acesso, onde nunca chegara o telefone nem chegaria a internet. 

Certo dia apareceram por lá muitas pessoas, iam a um banho de cachoeira. Os visitantes deixaram a condução no sopé da montanha e subiram a pé, contemplando a natureza, os pastos, as árvores. Sentiam na pele o sol ainda brando, respiravam o orvalho ainda fresco da noite. No meio dos excursionistas havia um rapaz claro já um pouco maduro, de cabelos loiros, que nunca tivera uma mulher. Todos iam muito alegres, mas Jonathan sempre na sua e caladão. Monique, da janela de sua bela casa no meio daquela relva, árvores, cercas e curral, via a multidão subindo em direção à cachoeira. Quase nunca ia às quedas d'água, mas naquele dia, depois de ter descoberto o rapaz, aprontou-se com um biquíni de lacinhos, sutiã tomara que caia, viseira, uma saída de cachoeira toda em crochê trazida de uma viagem que fizera ao nordeste, sandália rasteirinha e caminhou devagar e charmosa misturando-se às pessoas. Parou precisamente onde estava Jonathan, que ficou um pouco afastado de toda aquela muvuca. Olhou o rapaz sem que ele reparasse que ela estava ao seu lado.


Ele lhe lembrou um namorado que ela arranjara ao acaso, fazia uns dois anos, ali mesmo pelos lados da Estrela. Naquela vez a farra foi tão boa, que a morena deixou-se despir dentro d'água. Namoraram sobre uma pedra, todas as posições, ninguém pra incomodar. A safadinha também não esqueceu que o vestidinho que lhe cobria o corpo acabou indo por água abaixo. Não faz mal, pensou à época, ainda está escuro, volto pra casa coberta pelo ardor de um homem verdadeiro.

Monique tinha belos seios e um corpo de violão. Aproximou-se  de Jonathan e segurou-o por trás. O rapaz chegou a se assustar, mas diante da beleza da mulher esperou pra ver o que ia acontecer. Ela foi logo fazendo um cafuné no seu pescoço. Ele jamais imaginaria que naquele lugar vivia uma mulher tão bela e fogosa. Aquilo mais parecia um conto de fadas. Ele ficou muito excitado. Não perdeu tempo, arrastou Monique, enfiando-se com ela pelos cipós e se escondendo de todos. Não se apresentaram nem conversaram. Num gesto rápido, abaixou o sutiã da mulher. Saltaram dois belos seios nos quais não se fartou de chupar. Ela ardia em fogo. Jonathan fez penetrar na buceta melada de Monique o seu exuberante pau. Para quem jamais experimentara uma mulher, até que ele se saiu bem. Ela, como ótima instrutora, o deleitava com as mais variadas técnicas sexuais. A  morena ficou de frente, de costas, veio por cima, por baixo, gemia e gritava de gozo. No final, a ousada fêmea fez que Jonathan se deitasse. Ela abriu as pernas o máximo que pode e, como hábil bailarina, deu um giro de trezentos e sessenta graus tendo como eixo o peru do rapaz. Os dois foram aos delírios de prazer. Correram por entre as árvores e fizeram tudo de novo por mais uma, duas, três vezes. Enquanto a felina não pediu arrego, Jonathan não a perdoou. Foi o dia que o leão venceu a onça.

terça-feira, setembro 06, 2016

Batas

Sempre gostei de usar blusas soltas, conhecidas também com batas, dessas que descem até abaixo do umbigo. Há outras mais compridas, que vão até às coxas. Gosto de todas, mas prefiro as mais curtas. Um dia desses, o namorado me deu uma de presente. Acho que comentei alguma coisa e ele anotou. Uma bata linda, verde clara, adorei. Há uma coisa que não contei a ele. Sinto um prazer enorme em andar dentro de casa vestindo apenas a bata. Isso mesmo, a bata e a calcinha. É tão confortável. Quando usei o presente, ele disse que eu estava linda.

Saímos, passeamos, acho que fomos ao cinema, fizemos um lanche. Depois trouxe o namorado pra minha casa. Logo ao entrar, começamos a nos abraçar, beijar, um agarra agarra e tanto. Antes de chegar ao quarto, já estava eu sem a calça comprida, apenas a bata sobre o corpo, como costumo fazer quando estou sozinha. Ele falou você fica bem assim, só de bata, as pernas de fora, e essa calcinha pequenina. Fiz um gesto inocente, na verdade uma pose, o sorriso nos lábios, as pernas um pouquinho curvadas e as mãos sobre as coxas. Merece uma foto, ele completou. Mas lógico que não clicou, ficamos apenas nas palavras. Mais um pouquinho eu continuava de bata, mas sem a calcinha. Daí em diante, não preciso contar, fizemos a festa.

Meu namorado ficou com a imagem na cabeça: eu de calcinha e de bata. Seria bom se você pudesse sair assim, de calcinha e de bata, sugeriu. Sorri. Vai ser um escândalo, respondi com fisionomia de quem tem na pele um arrepio. Sabe, tenho uma amiga que topa qualquer coisa, já saiu até nua, acrescentei. É mesmo, como ela faz?, ele quis saber. Hum, eu dando ideia, o que iria acontecer comigo? Ah, acho que ela sai de casa pra garagem, entra no carro e dirige nua. Jura?, ele, curioso, dirige nua?, repetiu. É totalmente louca, acho que já foi nua encontrar o namorado, afirmei. Ficamos nisso, ele não perguntou nada mais, nem nada acrescentei.

Lembrei um episódio de minha adolescência. Certa vez fui à praia com dois amigos também adolescentes. Na volta, paramos na minha casa, fizemos um lanche, depois os levei pro meu quarto. Pedi licença, fui ao banheiro, tomei uma ducha e voltei enrolada na toalha. Vocês permitem que eu fique nua?, não é sem vergonhice não, adoro ficar nua depois que chego da praia, mas não significa que vocês possam me agarrar, compreenderam? A princípio eles ficaram surpresos, e adoraram me ver nua, deitada na cama; eles juntos a mim, um de cada lado. A partir daquele dia, passamos a fazer aquele programa. Praia, minha casa, lanche, e eu nua no quarto entre os dois. Chegamos mesmo a namorar, os três ao mesmo tempo. Eles, como só tinham a ganhar, jamais comentaram com alguém. O namoro, porém, nunca foi além de beijos e carícias, dois pares de mãos a percorrer meu corpo.


Que legal essa tua amiga, foi encontrar nua o namorado. Acho que ele me imaginou batendo nua à porta dele. Já pensou se alguém do apartamento ao lado abre antes de você?, perguntei em meio a uma breve gargalhada.

Num outro dia, andava eu sempre de bata pela casa, mas estava sozinha. Desfilei de um lado a outro, fui à cozinha, preparei um lanche levinho. Que prazer. No sábado à noite, encontrei o namorado,

Vestia saia curtinha, blusinha leve, verão, perfume no ar. Como você está linda, ele disse surpreso. Está muito calor, retruquei. E saímos no carro dele. Um passeio pela orla, a parada num quiosque, água de coco e um sorvete. Que namoro inocente, vocês dirão. Será?, voltamos pra casa depois da meia noite e fizemos outra festa. Ele pediu pra eu desfilar apenas vestindo a blusinha. Somava-se a ela apenas a bolsa a tiracolo e a sandália plataforma. O homem ficou morrendo de tesão. Até que eu disse tenho uma surpresa, espere um instantinho. Abri a porta, e saí como estava vestida. Volto já. Percebi que ele ficou a mil. Quis ir comigo. Não posso deixar você sair assim por aí, quis ele intervir. Nada disso, vai dar tudo certo, assegurei. Ele pensou que eu ia ficar ali pela porta de casa, no pequeno jardim. Eu havia apanhado a chave do carro, escondidinha, e saí pruma volta no quarteirão. Ao ver que eu já ia longe, e de automóvel, ele quase enlouqueceu. Quando voltei, ele fez charminho. Deixou-me batendo à porta um bom tempinho. Eu, seminua. Olhe, se passar alguém na rua vou com ele, viu, tem tanta gente querendo me namorar. Então, abriu a porta e eu me atirei nos seus braços. Você é totalmente louca, sentenciou. Depois disso, bem, vocês imaginem. Meu namorado ficou com a pulga atrás da orelha, como minha avó dizia. Como você aprendeu essas coisas todas? Todos os homens vão querer você, caso saibam das tuas artimanhas.

No último sábado, saí de vestidinho. Ele me perguntou você me deixa te levar pra passear peladinha? Hum, quem sabe, eu estava esperando a sugestão, mas não fui me atirando de cabeça. Vamos andar um pouquinho, depois pensamos nisso, suspirei sem que ele notasse. E saímos pro nosso passeio. Um passeio demorado, uma volta completa, com água de coco e sorvete. Então, chegou a hora de passear nua. O que você está fazendo?, perguntou num faz de conta. O que você sugeriu, estiquei o pescoço e taquei-lhe um beijo. Tirei o vestidinho. Eu, de calcinha, os peitinhos de fora. Está bom assim? ele veio acariciar-me, tocar-me os dois seios. Falta uma coisinha, disse eu rindo que só. Tirei a calcinha, um gesto rápido, de acrobata. Você abre a mala do carro?, perguntei. Está aberta. Saltei, corri até a traseira, levantei a tampa e coloquei lá dentro o vestidinho e a calcinha. Pronto, agora podemos ir, falei depois de entrar e bater a porta. Tocava uma música romântica no rádio, nós dois rolando na autoestrada. Não olha pra mim não, afirmei cruel, você está ao volante. Cuidado!, cheguei a dar um gritinho. Suspirei, cruzei as pernas e dei uma risadinha, esquecida do mundo lá fora. Numa saída lateral a uma estrada secundária, ele desviou; logo depois, parou. O final, vocês imaginem com muito amor, muito mesmo.

Depois da praia eu nua de novo na minha cama; de cada lado, meus namoradinhos de adolescência!

terça-feira, agosto 30, 2016

Vice-versa

O difícil é convencê-lo. Como posso deixar você assim, quase uma da madrugada e num lugar tão deserto?, nervo puro o homem. Desde o começo avisei que não daria explicações sobre isso, rebato, e tem mais uma coisa, lembra que aceitei a sua aproximação, deixo você realizar o seu desejo, sempre nos encontramos duas horas antes e ficamos muito à vontade. O homem respira fundo. Teme que me aconteça algo ruim. Não vai acontecer nada, fique tranquilo, uma mulher bonita tem sorte, depois de amanhã estaremos juntos de novo, você vai poder invadir o meu corpo, como gosta de dizer. Ele fica sério. Toma a sacola nas mãos sem mostrar muito jeito, aponta sem saber como agir. São roupas, digo já sem paciência, nunca viu roupa de mulher?, depois de amanhã pego de volta, cuida porque são roupas caras, e tudo está pelos olhos da cara. Ele acaba aceitando. Entra no carro, mas demora a dar a partida. Bato duas vezes na lataria da porta. Não o vejo, mas faço sinal que se vá. Assim que o carro desaparece, sinto aquele friozinho no estômago, comum nessas situações. Ao longe faróis anunciam a aproximação de outro veículo. Da beira da estrada, pulo para dentro do mato, me agacho. Sei que não é quem aguardo. Para uma picape. Desce um homem grande. Acho que desconfia, talvez me tenha visto de relance. Meu coração acelera. Permaneço quietinha, guardo até mesmo a respiração. Chego a suar. Dou com as nádegas na terra, entre a vegetação. Se esse homem me encontra, já sei o que vai acontecer, penso, ainda sem soltar o ar. Escuto som de água correndo, depois sinto o cheiro. Xixi. Isso mesmo. O desconhecido urina quase ao meu lado. Ao longe ouço o som de outro automóvel. Assim que passa, um cão gane. O ronco do motor anuncia a partida do automóvel. O grandalhão se vai. Solto a respiração. Volto cautelosa à beira da pista. Limpo com as mãos o naco de terra que me gruda às coxas e ao bumbum. Procuro o perfume dentro da bolsa, mas faróis novamente se aproximam, e o alerta vem piscando. É o sinal. Carlos para, abre a porta. Entro. Ai, você ainda me mata, pouso as mãos sobre as coxas depois de beijá-lo. A questão deste é outra, quer saber como faço para chegar nua até ali. Nada de perguntas, vamos aos fatos, declaro. Então ele me leva a um hotel, desses em que se entra com o automóvel dentro da garagem do apartamento. Juntos tomamos banho. Carlos me ensaboa e eu passo as mãos sobre o seu tórax. Quando voltamos ao quarto, tira da bolsa a garrafa térmica. Ela contém água morna. Serve-me um grande gole num copo que há sobre o frigobar. Encho a boca com a água. Está suave. Sento-me na cama. Ele chega o pênis bem junto do meu rosto. Abro a boca. Deixo que deslize através dos meus lábios até mergulhar no líquido tenro, que guardo entre as bochechas. Fazemos um sexo oral delicioso. Seu pênis indo e vindo, banhado na água morna. Carlos se extasia e não demora a gozar. Quando tira fora o sexo tapa-me a boca, pede que eu engula a água junto com a porra. Faço hum hum como sinal de aprovação. Assim que vê os músculos do meu pescoço demonstrarem o movimento de deglutição me solta e corre a beijar minha boca. Deitamos e ele enfia seu sexo na minha vagina. Quando está próximo o fim da madrugada digo a ele vamos, não tenho o que vestir. Ele morre de tesão e me come mais uma vez, pleno de voracidade. Saímos às cinco e quinze. Ainda predominam as sombras, mas à oriente se percebe alguma claridade. Quando chegamos a casa beijo o namorado, olho ambos os lados, abro a porta do automóvel e corro. Amanhã você me conta como faz para vir nua ao meu encontro, ainda o ouço. Ok, respondo, amanhã falamos sobre isso. Já pensei também em começar por Carlos. Ser deixada na estrada depois da meia-noite por ele e apanhada pelo namoradinho da matinê. Mas, desse modo, saberiam o meu segredo. Logo, nada de vice-versa.

terça-feira, agosto 23, 2016

A calcinha ficou no bolso dele!

Ele sempre me pedia para eu vir com o vestido curto, coladinho ao corpo. Eu não podia sair lá da Baixada, onde moro, tomar o trem vestida, ou melhor, nua daquele jeito, os homens querendo-me despir com seus corpos, beliscando minhas coxas e outras coisas mais. Iam me chamar de piranha, vadia, vagabunda. Eu estaria a serviço de quem pagasse mais. Por isso o vestidinho veio na bolsa, e eu de macaquinho, as pernas de fora, mas comportadas. À tarde, encontrei com o namorado. Fomos a um hotel. Bonito o lugar, pode-se dizer requintado. Ele gosta de conversar, de me abraçar, beijar, de ficar agarrado comigo, quase inocente. Olhei o cardápio e telefonei pedindo um lanche. Continuamos nosso papo e nossos toques. O lanche não demorou. Comi com gosto. Ele apenas ficou olhando para mim, me apreciando. Quando acabei, ainda esperei um pouco, sorri, fui até a janela e olhei lá embaixo. Depois voltei e disse que ia ao banheiro. Demorei uns dez minutos. Tomei um banho, escovei os dentes e vesti o vestidinho. Abri a porta e disse:

“Surpresa.”

Ele ficou realmente excitado. O vestido curtinho, coladinho, subia quando eu dava alguns passos. Ao chegar perto dele, não deixei que viesse logo me agarrar, não queria que colocasse as mãos por baixo do pano. Pelo menos naquele momento. Fiquei um pouquinho distante. Desfilei. Só depois fui chegando a ele, me encostando. O namorado me pegou pela cintura, me levantou.

“Não vou tirar o teu vestido, não, mas a calcinha.”

Me colocou no chão, deslizou as mãos pelas minhas coxas e trouxe a pequena peça enroladinha, puxou até os joelhos, depois desceu aos tornozelos, ultrapassou o calcanhar e a calcinha nas mãos dele. Guardou em um dos bolsos. Tal ação me provocou arrepios. Há homens que adoram nos deixar sem a calcinha não apenas no momento do sexo, mas também gostam de guardá-la com eles. ‘Depois compro outras pra você’, dizem. Já tive namorados assim.

Mas este não ia roubar minha calcinha. Ele adorava meter em mim seu grande pênis. Primeiro pediu que eu o chupasse. Quando me dei por satisfeita, levantei a cabeça, deitei, ele veio me penetrar. No meio do caminho, falou:

“Vamos fazer coisa melhor.”

Sentou numa cadeira, pediu que eu me aproximasse, que abrisse as pernas, o vestidinho sobre o corpo, e que descesse e subisse várias vezes sobre o sexo dele. Eu é que devia regular os movimentos, o nível da penetração.

Uau, que delícia.

Não posso nem pensar. Deixei mesmo que ele gozasse dentro de mim. Estava tão gostoso que não tive coragem de tirar. Ele cuidou para que não sujasse o vestidinho.

“Você passeia comigo com o vestidinho?”

“Como pego o trem depois?, vão me agarrar”, retruquei.

“Fazemos assim, passeamos, depois vai ao banheiro do Mc Donalds e troca pelo macaquinho.”

Concordei. Fomos ao passeio. Era fácil perceber todos os homens a me acompanhar com os olhos. Não é só no trem que há tarados.

Anoiteceu, tomamos um suco no café da Cultura.

“Então, vamos”, pedi.

“Ao Mc Donald, que não serve só hamburguês”, ele completou.

Ri. No banheiro, ao vestir o macaquinho foi que lembrei: onde a calcinha?

Na saída, nada falei, sorri, beijei-o e parti.

Quando cheguei a casa, lembrei: a calcinha ficou no bolso dele!

Ah, deixa pra lá. O importante e que tudo foi muito bom. E o vestidinho pronto para entrar em ação de novo.

terça-feira, agosto 16, 2016

Trinta minutos

Olha, Sirlene, o homem é bonito. Ela ria, três copos de cerveja, ria desbragada. Olha, Sirlene, vamos manter a compostura, modos, podemos desejar, mas discrição acima de tudo. Cruzou as pernas para o outro lado, a esquerda agora sobre a direita. Nas paredes, fotos de cantores, a música paga, jukebox. Quer ouvir de novo, Sirlene? Quanto a ficha? A mesma música mais uma vez, emoção. O homem de costas para o balcão olhava em linha reta. Não sei se a mim ou a ela. Sei que olhava, tenho certeza. Às duas? Talvez. Não, não, às duas não. Sirlene ria, olhou pra mim. Você gostou, hein?, eu disse, na verdade gosta de todos, cada semana um, ou todos ao mesmo tempo, não sei. Ela suspirou duas ou três palavras; quero pagar pra ver. Quatro palavras, afinal. Deixe que ele venha, não precisa avançar tanto, Sirlene, com dificuldade eles gostam mais, traçam planos, estratégias. Lembra a Emengarda? Sei que já está entrada em anos, Emengarda e o vestidão, mas eles não desistem, o que conta é o sorriso enigmático, eles não sabem se avançam ou esperam, se ela sorri pra eles ou pra dentro. Verdade, Sirlene, há mulheres que sorriem pra dentro, tudo pra dentro, isso mesmo, querem tudo ao avesso, não apenas o sorriso, o homem também, o homem pra dentro delas, o prazer assim é maior, o jogo demorado, às vezes a noite inteira, e Emengarda nua às quatro e trinta da madrugada, só tenho meia hora ela diz aos homens, tenho compromisso, eles fazem de conta que não entendem, mas ela goza, e como, lógico que eles também, mas ela não deixa que eles gozem primeiro, sabichona a velha, ou melhor, nem tão velha, madura, ou no ponto, sei lá. Não acredita, Sirlene?, por que então a mulher fica num bar até as quatro e trinta com um copo de guaraná?, além do gozo, a mulher não bebe, juro, nem uma gota, deixa pro gozo, sem bebida é mais intenso. Como sei disso? Lógico que não foi ela quem me contou. As paredes têm ouvido, Sirlene, aliás, têm olhos também. Não se trata de fofoca, mulher, não me dou com fofoqueiras. Sei que a ladeira é cheia delas, mas não me dou com fofoqueira alguma. Verdade, amiga, quem me conta, jura, e não brinca, é pessoa séria. Emengarda tem um segredo. Relato da mesma pessoa, pessoa séria, posso afirmar. Modos, mulher, faz como a Emengarda, pernas fechadas, discrição, no final quando sobra ela e o homem, às quatro e trinta, ela diz só tenho trinta minutos, tenho compromisso. Mas enquanto bebe o guaraná, nada fala, nada de expansões vazias, o homem tem de sofrer, se for fácil, vai embora logo, eles ficam, esperam a hora que ela vai. E só às quatro e trinta, apenas meia hora. Sirlene, calma, ele não vai agora. Está olhando pra mim? É porque sou mais difícil, mulher, não estou me abrindo pra ele, não mostro as pernas num bar, nada de vestido curto, nada de calcinha na bolsa, eles se interessam, depois vem falar ao meu ouvido. Não sei, vou responder espero o namorado. Eles morrem de raiva e de tesão quando ouvem que a mulher espera outro homem. Pagam pra ver, ficam até ela ir embora. Ele não veio, tenho enfim de dizer, me deu bolo. É a única vez que sorrio. Não sabem se é de disfarçada desilusão ou porque fiz que esperassem até quatro e trinta da madrugada, a noite quase perdida. Como Emengarda. Nenhuma de nós dá nada por ela, e sempre trepa mais do que a gente. E de vestidão. Eles não desconfiam que ela se insinua com vestidões. A mulher tem ardil, acaba a noite sempre com um homem, nada de noite perdida, e cada um mais bonito do que o outro. E querem voltar, se deixar querem até morar com ela. Emengarda se transforma quando tira o vestidão. Certa vez deixou um deles tão louco que ele lhe levou o vestidão. Mas ela não ligou, tinha outro em casa. Sirlene, você não escutou o que ele me falou, sei, o jukebox, a música, o volume alto. Você espera por mim? São quatro e trinta, tenho compromisso, apenas trinta minutos, viu, apenas trinta minutos.

quarta-feira, agosto 10, 2016

Você quer que eu fique nua pra você?

Você quer que eu fique nua pra você?, tudo bem, mas vamos a um hotel, não gosto de namorar dentro de carro nem lá embaixo na areia da praia, eu disse.

Eu o conhecera já fazia duas ou três semanas, ele viera trabalhar na cidade, na verdade um lugarejo, mas que tinha instalações para exploração de petróleo em alto mar. Passamos a nos encontrar quase todos os dias, frequentamos o principal restaurante, que ficava na orla marítima. Ele atendeu ao meu pedido. Ensinei o caminho e fomos a um hotel na cidade vizinha.

Durante o tempo em que ele permaneceu na minha cidade, ficamos juntos. Levei-o uma ou duas vezes pra casa. Mas não quis que virasse costume. Como nesse tipo de lugar quase todos se conhecem, logo começa o falatório, e eu não estava a fim de ouvir bobagens. Sabia que ele não ficaria pra sempre, o trabalho dele não permitia, eu tinha consciência também de que quando ele partisse seria muito difícil encontrá-lo de novo. Nos seus últimos dias, resolvi fazer algo marcante, algo que me tornaria inesquecível a ele.

Tenho uma fantasia, falei. Fantasia?, ele me olhou curioso, sorriu e esperou a explicação. Nada de carnaval, lembra quando saímos nas primeiras vezes?, você queria tirar minha roupa dentro do carro, pedi então pra irmos a um hotel; aqui há um pequeno morro, de lá dá pra ver a cidade inteira, embora a escalada seja um pouco cansativa; minha fantasia é tirar a roupa lá no topo; não podia pedir isso a você naquele dia; vamos hoje? Ele concordou, achou a ideia muito boa e engraçada. Ensinei o caminho. Guiou até as proximidades. Deixamos o carro bem protegido, num trecho da estada que pouca gente conhece. Começamos a subida.

Sabia que não encontraríamos pessoa alguma naquelas bandas, mas mesmo assim preferi tomar o caminho mais difícil, afastado da possibilidade de um encontro casual com qualquer habitante da cidade. Algumas vezes tínhamos de andar no meio do mato; outras, aparecia um tipo de trilha, que nos ajudava. Faltando cem metros para atingirmos o topo, encontramos uma espécie de caverna. Como eu já conhecia o local, entrei e o chamei. Ali dentro o abracei, beijei-o na boca e ficamos agarrados um ao outro por um longo tempo. Você não me quer nua?, incentivei. Ele fez que sim com a cabeça. Tirei então toda a roupa, enrolei a blusa, a calcinha e o sutiã e os coloquei dentro da calça comprida, enrolei a calça e a escondi num dos cantos da gruta. Quem cavou isso aqui?, ele perguntou. Não sei, esse lugar já existe faz tempo. Você não tem medo que alguém more nesse lugar, algum desconhecido?, você vai deixar suas roupas aqui?, ele duvidava. Não vem ninguém não, vamos subir. Peguei o namorado pelo braço e continuamos a escalada. Após um tempinho, atingimos a parte mais alta. Sempre à frente, mostrei os quatro cantos da cidade. Foi engraçado, eu nua puxando o homem de um lado a outro pra mostrar a paisagem. Ninguém ainda teve essa mesma ideia, de vir aqui pra namorar?, ele estava preocupado. Acho que não, falei, a cidade tem lugares mais fáceis de se chegar, onde se pode namorar sem ser incomodado.

E realmente foi assim, namoramos bastante e não apareceu ninguém enquanto estivemos ali. Mas o namorado se mostrou um pouco intranquilo. Você não precisa ficar preocupado, relaxe, eu dizia, quem está nua sou eu. Abracei-o mais uma vez e trouxe o seu sexo de novo para o meio das minhas pernas. É bom a gente gozar com essa paisagem bonita em volta, debaixo desse céu salpicado de estrelas, veja como brilham, falei O céu estava sem nuvens e sem lua, dava para ver até mesmo a via láctea. Quando ele pensou em descer, resolvi pregar uma peça. Contei uma história.

Você deve estar pensando que trago aqui todos os namorados, ou todos os homens que conheço, mas não é isso não; confesso que já vim, fiquei nua, mas apenas com dois deles; e o mais engraçado foi o que aconteceu uma das vezes. Alguém surpreendeu vocês, e como você estava nua..., ele insinuou. Não, não foi bem assim, sabe a caverna?, fiz como agora, deixei minhas roupas lá, mas quando voltamos elas tinham desaparecido. Jura?, ele fez cara de surpresa. Juro, procurei tudo, mas não encontrei, o rapaz ficou como você, mais apavorado do que eu. Não posso voltar nua pra casa, disse a ele, mas temos um jeito, me empresta tua camisa, pedi. Ele vestia uma blusa de mangas compridas de tecido aflanedado, pois era outono e ele parecia sentir frio à toa. Sem a blusa vou ficar doente, mas tenho outra solução, vou descer sozinho e volto com uma roupa pra você, ele assegurou. Acreditei no homem e fiquei esperando, agora me pergunte se ele voltou?, eu disse finalizando o relato. E como você fez? Ah, isso não posso contar, morro de vergonha. Você voltou pelada pra casa?, perguntou ansioso. Não posso dizer que não, mas também não posso dizer que sim. Agarrei o homem, tirei seu sexo para fora da calça e trepamos mais uma vez. Descemos calados, já alta a madrugada. Entramos no carro e ele me deixou em casa. Antes de ir embora, ainda o beijei pela última vez. Você ficou me devendo, ele acrescentou. Eu?, o quê?, retorqui. O fim da história. Ah, não liga não, brincadeirinha, sabe como é a vida numa cidade pequena, sorri e acenei um adeusinho. Fiquei olhando o carro até desaparecer no final da rua.

Ah, meu namoradinho que me deixou nua, tomara que um dia desses você apareça de novo por aqui.

terça-feira, agosto 02, 2016

Calça legging

Estou no centro da cidade, acabo de sair de uma reunião de trabalho. Como meu universo é o das artes, ando sempre muito à vontade. Gosto mesmo é de vestir calça legging e um camisão, por baixo o top. Não há homem que deixe de me olhar, principalmente depois que passo. Às vezes tenho vontade de me virar para surpreendê-los reparando minha bunda. Já sei até o que imaginam, minhas nádegas volumosas, a marca da calcinha e, quem sabe, a camisa comprida levantada! Encontro, de repente, um amigo. Já não o vejo faz tempo. Ele se curva pra me beijar. Sou baixinha mas, como revanche, quem já trepou comigo sabe o tanto que sou gostosa. E nesse dia eu estou ardendo. Por que tanta excitação? Sou sincera, não sei dizer o motivo. Talvez a calça apertada, a calcinha entrando que dá gosto, tudo contribuindo pra elevar minha temperatura. Ele pergunta o que eu estou fazendo. Assunto de trabalho, respondo, mas já está resolvido. Vamos tomar um café? Prefiro um chope, respondo. Não consigo reparar, mas aposto que meu amigo ficou arrepiado. Os homens adoram mulheres que surpreendem. Seguimos a um bar na Cinelândia. Ele me olha, sorri, e toca num dos meus braços durante a conversa. Sorrio que só, sou feliz. Também é feliz a tarde de quinta-feira.

Conheço aquele amigo faz uns quatro ou cinco anos. Também assunto de trabalho. E faz uns três anos que não o vejo. Ele lançou um livro e me convidou, saímos alguns dias depois. No momento em que tomamos o chope me pergunto, será que trepei com ele? Sei lá, tantos namorados.

Fica bem essa roupa em você, ele diz. Você acha?, às vezes penso que me torna extravagante. Que nada, continua, as mulheres devem usar o que lhes cai melhor, essas calças colantes sempre chamam a atenção dos homens, e o que há melhor no mundo do que as mulheres? Meu amigo tem boa conversa, melhor, boa cantada, e eu já vou quase nadando nas águas dele, águas cada vez mais quentes. Bebemos um, dois, três chopes. Ele pergunta se como alguma coisa. Não, nada de comida, respondo. Ele ri, já sei, a elegância, acrescenta. Abro-me num sorriso que convida. Ele sente a carícia. Que tal mais um?, sugiro. O garçom volta com dois copos grandes. No final, estamos soltinhos. Mas meu amigo não me convida pra sair, apenas diz que está feliz por ter me encontrado, não esperava coisa melhor para aquela tarde. Penso o que lhe impede de me convidar a um hotel, e ali em volta tem tantos. Meu amigo é um homem elegante. Precisamos marcar um dia desses um encontro, com mais tempo, ressalta. Então, percebo que tem um compromisso, talvez um compromisso mais importante do que levar uma mulher bonita a um hotel, alguém que ele não vê faz tempo. Você não quer casar comigo?, ele pergunta, é o homem mais natural do mundo. Por essa eu não esperava, casar?, jura? Ele jura. Vou deixar meu número com você, falo, você me pegou desprevenida, quem sabe seja a calça legging, tiro a calça e tudo se acaba... Meus olhos ficam úmidos. Ele nota. Talvez seu objetivo seja emocionar uma mulher. Há homens que sentem mais prazer nisso do que numa boa trepada. Pra me vingar digo, ainda com os olhos úmidos, sabe, tive um namorado que me roubou as calças leggings, juro, me deixou só de camisão, e eu pensando que ele queria casar comigo! Ambos caímos numa gargalhada gostosa. Juro que não vou roubar suas calças, não é do meu feitio, acrescenta. Seu negócio é casamento!, exclamo. Isso, casamento, e você é tão bonita. Jura que não foi o chope?, pergunto. Você acha que três ou quatro chopes vão fazer um homem querer casar?, ele. Sei lá, há gente pra tudo. Até pra roubar calças leggings, completa, me telefona, tenho de ir agora, mas me telefona, olha que não é todo dia que aparece alguém pedindo pra casar.

Meu amigo se vai. Fico a passar o que ele quer comigo.

Ligo três dias depois. Você tem uma cantada, hein, todas as mulheres vão querer teus braços.

Vamos a um motel, no centro da cidade. Mas não visto, naquela tarde, calça legging. Casamento? Melhor sermos amantes, sussurro no seu ouvido, sai mais caro mas é melhor. E tem mais uma coisa, você sempre vai querer roubar minhas calças.

terça-feira, julho 26, 2016

E já houve quem me roubasse outras coisas

Não sei por que cargas d’água reapareceu-me um ex-namorado lá dos anos 1990, e já deitava eu na cama com ele. Pelas tantas da madrugada, foi ele quem começou a conversa.

Já consegues dormir nua?

Se não me engano, desde sempre, retorqui.

Quando vivemos juntos eras muito pudica, dizias não conseguir pegar no sono caso estivesses sem roupa, sobretudo as roupas de baixo.

Acho que agora sou outra pessoa.

Da cama era possível ver através da janela ampla e aberta os prédios do outro lado da rua. A maioria não tinha sequer uma luz acesa. Caso alguém nos olhasse de lá, veria apenas a janela escura. Apesar de verão, um ar brando penetrava o ambiente e nos refrescava.

Se te comportasses assim naquele tempo, acho que ainda estaríamos juntos, disse ele.

Assim, como?

Deitar a dormir nua, assim como fazes hoje.

De lá pra cá, passaram-se muitos verões, e com eles muito se aprende.

E o que mais aprendeste?

Muitas coisas. Mas se queres saber mesmo de roupas, eis. Não se pode ter muitos namorados e querer mantê-las sobre o corpo, há sempre um que no-las rouba.

Roubaram a roupa de ti?

Isso. Levam as de baixo como troféu, ou como lembrança, lá sei.

E o que de melhor também aprendeste a fazer?, estava ele curioso.

Alguns tapam-me o nariz e a boca na hora do gozo, não me querem a respirar.

Aprendeste mergulho sem respirador?

Sempre fui boa de fôlego. Brincam com a possibilidade de matar a mulher, querem o fio da navalha, ou mesmo o do equilibrista.

Sério?

Mais do que sério.

E como te saíste?

Aprendi a gozar mais, tanto maior a falta do ar.

Ah, isso sei eu, queres sempre cavalgar no gozo, se possível toda a noite.

Sentou-se na cama e tomou um gole d’água do copo que ficava à cabeceira.

Ainda tens o costume de beber água à noite? Logo, não mudaste tanto.

Não, sou o mesmo.

Então, sei que estás a remoer-te de curiosidade. Conto mais. Os homens não querem só trepar, desejam a fantasia. E já houve quem me roubasse outras coisas.

O que trazias a mais?

Um cordão, algum dinheiro, um maço de cigarrilhas. O dinheiro e o ouro acho que queria para comprar alguma droga, ou pagar uma dívida, quem sabe.

E te meteste com gente assim?

Como saber? O homem é bonito, dá a bisca numa boate, paga um jantar, depois quer o cordão. E entenda uma coisa dessas.

Deste parte à polícia?

Nada quero com polícias, nem com porteiros de hotel.

Repousou o copo na mesinha, aproximou-se e tocou-me o cabelo.

E o que há de mais?, ardia o homem.

Houve um que me deixou apenas a sandália e a bolsa. Partiu antes de mim, e não estava eu onde moro, mas num quarto de hotel.

E o que fizeste?

Liguei à recepção e pedi um mensageiro.

E eles?

Mandaram o rapaz. Dei-lhe dinheiro e disse, vai a uma loja de esportes e compra a camisa do Porto. Mas do Porto?, rebateu, ainda era um garoto, aqui todos torcem pelo Benfica.

Não importa. Encontra uma do Porto.

Ele foi e voltou com a camisa. Dei o que prometi: aliás, entendes-me, dei duas coisas, entre elas uma boa gorjeta. Deixei o boy eufórico. Vesti-me e parti. A bolsa no ombro, a sandália nos pés e apenas camisa do Porto.

Fizeste maior sucesso, então?

Na terra de benfiquistas, ser Porto é gozar com o olhar galanteador de todos os homens.

Tornaste esperta. Acho que vou me apaixonar novamente por ti.

Não faças isso. Já estou na paixão de todos os homens. Do Porto e de Lisboa!

terça-feira, julho 19, 2016

Cortei um dobrado para convencê-lo que eu precisava vestir pelo menos um camisão

Outro dia encontrei um ex-namorado, fazia dez anos que não o via. Muito tempo, não? Nem sei como o reconheci. Aliás, no caso, sei sim. Não pude deixar de dizer, após algum tempo de conversa:

Você era fogo, viu.

Ele me encarou sorridente e retrucou:

Ainda sou.

Eu vestia um camisão, por baixo o top e calça legging. Ele olhou minha roupa com certa inveja.

Sabe, outro dia deixei uma namorada só de blusa, ele disse.

Imagino. E como ela fez?, perguntei fingindo falso interesse.

Ah, as mulheres sempre dão um jeito, dissimulou.


Ele era fogo mesmo. Como poderia esquecer? Viajei à cidade dele, o homem fez uma festa. Como gostou de me ter nos seus braços. E me queria nua o tempo todo.

Trouxe um livro, você permita que eu o leia um pouquinho?, perguntei.

Permito, mais sente nua ali no sofá, cruze as pernas e leia o livro.

Vou fazer um café para nós, falei à tardinha.

Ótimo, mas vai à cozinha assim como você está, nuinha.

Passei o dia e a noite sem vestir roupa alguma. Ainda bem que na cidade dele fazia calor.

À noite, convidou-me para passear. Quando abri a mala para escolher um vestido levinho, ou uma saia curta, ele contrapôs:

Nada disso, você vai nua.

Jura?, ainda perguntei.

Vai sim, aqui não tem problema.

Amor, não vai ficar bem eu sair nua por aí.

Cortei um dobrado para convencê-lo que eu precisava vestir pelo menos um camisão.

Apenas, ele definiu com esta pequena palavra.


Entramos no café e continuamos a lembrar o passado.

Que bom que nos reencontramos, afirmou, o que você veio fazer na minha cidade?

Ah, estou de férias, e faz tanto tempo que não venho.

Desde quando estivemos juntos?

Não, vim duas vezes. Agora aqui mudou muito, está melhor, inauguraram dois ou três museus, vim visitar.

Quer dizer que você gosta de museus, ele suspirou.

Adoro, estudei produção cultural, não sei se cheguei a falar, museus são a minha especialidade.

Acabamos de tomar o café, cruzei uma das pernas, o camisão revelou uma parte de minhas coxas. Embora coberta pela calça, exibia o volume das minhas coxas. Um desconhecido, à mesa ao lado, sorriu farsesco.

Você não quer passear? Vamos aproveitar. Tem algum compromisso?, ele olhou pra mim com certa ânsia.

Pra falar a verdade, tenho, marquei com uma amiga.

Chama a amiga para passear conosco.

Jura?

Juro.

Chamo. Mas você vai querer apenas uma ou duas mulheres nuas no seu carro?

Ele riu. Lembrou minha viagem de outrora ao Rio. Num momento do passeio roubou meu camisão. Tive de voltar nua pra casa dele.

Saímos do café e fomos ao estacionamento.

Você me leva ao hotel primeiro?, pedi.

Levo, e espero por você.

Se quiser pode subir, dei a moeda a ele. Meu olhar devia estar brilhante, podia refletir todo um céu. Ele é tão bonito, foi minha vez de suspirar.

Na suíte, nua nos braços do homem, ele perguntou:

E sua amiga?

Ah, ela espera.

quarta-feira, julho 13, 2016

Tive de escondê-lo

Um pinto faiscou um segundo em meus olhos, e me transformou toda em arrepio. Foi na praia, mês que antecedia o verão, o tempo ainda fresco e as águas do mar geladas de dar dó. O pinto, naquele momento, era supremo. É tudo o que posso afirmar. E veio a preencher a solidão que eu sentia em meio a guarda-sóis afastados, caminhantes longínquos e mulheres que tomavam sol. Como vou falar do pinto sem ser chula? Vejamos, uma história primeiro. Certa vez tive um namorado dez anos mais jovem que eu, mas era homem maduro. Nem sei porque terminamos, coisa do destino, talvez. Levava-me a passear, trazia-me à praia. Vivíamos o embate de dois polos antagônicos: a noite profunda e o dia com toda a sua luz. Foi numa noite profunda. Íamos de automóvel, ele a dirigir, e eu relaxada no banco do carona. Então, a surpresa invadiu-me os olhos, uma mulher de calcinha, na rua, gritei e me virei a ele. Mulher?, repetiu, nada disso, parece mulher mas não é, sentenciou. Foi numa parte suspeita do centro da cidade. E continuamos mergulhados na noite, queríamos ainda a madrugada. Os homens não sofrem de celulite, afirmei, caso se tornem mulheres, ou fingem sê-las, não sei bem, suas pernas são lisas de dar inveja. Sério?, pareceu duvidar. Sério, falei com convicção. Como você sabe, já viu um exemplo desses de perto?, suas palavras e seu olhar incisivo enquanto segurava o volante pareceram desafiar-me. Sim, afirmei, como se não quisesse revelar um grande segredo. Onde aconteceu?, quis ele saber, esperou, a respiração um tanto opressa, como se minha resposta fosse transformar tudo que nos viria pela frente. Num desfile de modas, acrescentei  Ah, bom, ele replicou aliviado. Mas a historinha não foi bem assim. Certa vez viajamos, quatro mulheres. Que bagunça, não é mesmo? Fomos a um hotel, desses que dão para a praia, no Nordeste. Lá, aproximou-se de nós alguém que pensamos a princípio ser uma mulher. Fazia bem o papel, demoramos a descobrir o que realmente era. Quando de fato aconteceu, não fizemos alarde, agimos com a maior discrição. Na noite anterior ao dia em que regressaríamos, saímos as quatro e mais a fingida mulher. Bebemos mais do que podíamos. No hotel, um fio de tesão começou a correr em cada uma de nós, em consequência inventamos uma brincadeira; saíamos nuas do quarto para bater no quarto das outras, já que ficamos hospedadas em duplas. Após muitas risadas, decidimos ir ao quarto de nossa amiga / amigo. Ela assustou-se com o mulheril. Dissemos faça como nós, vamos desfilar. Ela, ou ele, não sei como dizer, enrubesceu. Mas uma das mulheres conseguiu despi-la. Pudemos ver, então, um pênis mediano. Algumas começaram a agarrá-lo e ele começou a crescer. Ela disse não sinto tesão por mulher, mas quem sabe vocês possam me dar prazer e, ao mesmo tempo, obter a diversão que desejam. Cada uma de nós a exercitou um pouco, mas o pênis não enrijecia como desejávamos. Há um jeito de eu sentir tesão, ela falou, mas vocês precisam me dar de presente suas calcinhas. Calcinhas?, mas viemos nuas. Não faz mal, rebateu, busquem-nas, era culta a mulher. Lorena voltou aos nossos quartos e pegou tantas calcinhas quantas conseguiu carregar. Trepamos então com a travesti durante boa parte da noite, seu pênis endureceu tanto como o de um verdadeiro macho. Jamais consegui entender a relação entre nossas calcinhas e ereção. Como esse tipo de gênero não ejacula com facilidade, pudemos aproveitar bastante. Só que, no final, ela não devolveu nossas pequeninas peças, considerou-as como pagamento. Levamos, porém, tudo na esportiva, e rimos muito no avião de volta.

Um pinto faiscou em meus olhos e me transformou toda em arrepio. Alguém sorriu pra mim. Não estava nu, ou nua, não sei bem explicar. Na verdade, era eu a nua, e não queria deixar a coisa entre sorrisos. Gostei do arrepio, que já não me abandonava. Daqui em diante, vai depender do pinto, disse a mim mesma. Como o da amiga / amigo lá das férias no hotel. Com alguma lábia e com o tempero do gozo, mantém-me a mil e, quem sabe, leva-me também a calcinha!, completei. Se sabemos conduzir, as coisas acontecem como a gente deseja. Entramos na água. Quem sabe a fantasia não era um meio de conquistar as mulheres. Como já conhecia o truque, vesti-o com o meu biquíni. Lindo o biquíni, afirmou solene. Seu pinto logo virou frangote e pulou porta afora. Tive, então, de escondê-lo. Que se tornasse enorme galo, mas que cantasse dentro de mim.

terça-feira, julho 05, 2016

Simpatia

“Como é que é?”, perguntou Lana, muito surpresa, enquanto Janete lhe trazia uma xícara de chá.

“Você não entendeu?, é uma maneira de surpreender os homens, eles ficam curiosíssimos, e acabam querendo nos namorar.

Lana segurou a xícara, suas mãos chegaram a tremer. Ambas estavam sentadas à mesa, frente a frente, costumavam visitar-se mutuamente para tomar chá, e nesta quinta, a vez de receber era de Janete.

“Janete, você não tem medo de que pode acontecer o pior?”

“Pior?, não se trata de uma coisa que envolva vida ou morte, é apenas uma brincadeira.”

Após tomar um gole do chá e repousar a xícara sobe o pires, Lana continuou:

“Brincadeira?, mas pode sair caro, e tanto mais nesta cidade onde quase todos se conhecem e falam demais. Seria melhor você arranjar namorado pelas vias normais.”

“Vias normais?”, pestanejou Janete.

“Já que você costuma ir à praia, por que você não deixa que eles se aproximem, que paquerem você como todos os homens costumam fazer?”

“Mas assim não posso escolher?”

“Ah, você quer o filé mignon.”

“Adivinhou, Lana, nada desses bugres que ficam à espreita. Entro n’água, escolho o mais bonito e ponho meu plano em ação.”

“Esse negócio de deixar o biquíni nas mãos de um desconhecido me deixa trêmula, e estou apenas imaginando. Você sabe que quando eu morei na serra, tive um caso com um jovem de lá. A gente namorava no escuro da estrada, dentro e fora do carro, na madrugada. Estava tudo bem até que o sujeitinho resolveu roubar minha calcinha. Fiquei furiosa, nem falei mais com ele. Agora, você com essa ideia, o biquíni nas mãos de um desconhecido. Fala sério, Janete, isso não pode ser verdade.”

“Claro que é, por que eu iria mentir pra você?”

“Me conta como você faz, vai. Ainda não entendi essa história direito.”

“Falei sim, você é que não prestou atenção. Mas, tudo bem, conto de novo. É assim: você chega à praia, com aquele charme todo, vestindo um biquíni mínimo. Dá uma olhada em volta, mas tudo muito bem dissimulado. Arma o guarda-sol, abre a cadeira e senta um pouco. É bom estar de óculos escuros. Então você continua olhando, reparando os homens, os rapazes, vendo se há alguém que vale a pena. Caso isso aconteça, você fica atenta se ele paquera você. Se ele não tiver reparado, espere um pouco, até ver o homem mergulhando. Quando isso acontecer, você vai atrás. Mas não precisa grudar nele. Espere um pouco até a hora de atacar.”

“Atacar, como assim?”

“Aí, entra a história do biquíni. Você tira, transforma em uma bolinha de pano, aproxima-se do cara e pergunta: ‘você pode me fazer um favorzinho?’ Lógico que ele vai dizer que sim. ‘Segura isso pra mim um instante?’ Você entrega o biquíni a ele e mergulha, volta alguns segundos depois e pede de volta, veste e sorri para o homem. É lógico que quando você der a ele a bolinha e pano, ele não vai imaginar que é o seu biquíni. Esse é o enigma. E se você não demorar a voltar, ele não vai descobrir, porque não terá tempo pra pensar. Só depois que você estiver fazendo o movimento pra vestir a calcinha é que, talvez, ele repare."

“E depois, o que isso vai resultar?”

“Lana, dá um resultado ótimo. O homem vai sorrir, e você vai dizer: é uma simpatia, sabe, ajuda a desencalhar’. Ele vai se interessar, e está no papo. Consegue-se namorar, pelo menos para o dia, o homem mais bonito da praia. Mas é lógico que tudo tem de ser feito com a maior discrição.”

“Janete, você é louca. E amanhã, quando você for à praia de novo? Os homens não vão estar todos sabendo dessa história?”

“Nada disso, é só não vulgarizar, e não escolher os caras daqui, você os conhece, não? Como aquele que roubou tua calcinha.”

“Janete, sabe do que eu gosto mesmo? Gosto de uma trepada bem dada, bem funda, que arranca suspiros e faz a gente gozar pra valer.”

“Eu também gosto. Mas você precisa sentir a sensação que desperta na gente quando o biquíni está nas mãos do desconhecido e a gente não sabe o que vai acontecer. Vale muito, só não vale essa trepada funda. Mas quem sabe mais tarde, a agente tem o cara para a tal trepada. A Lúcia transava na praia mesmo.”

“A Lúcia?, do Osório?”

“Ela.”

“Janete, já sei, virou moda, todas as mulheres que você conhece estão praticando o que você contou. Apenas eu estou sendo ingênua.”

“Não, todas não, apenas eu e a Lúcia, agora você, contar pra mais gente vai dar problema.”

A dona da casa sorriu e bebeu o último gole de chá.