Assim que entrei no elevador ele olhou para mim. Vinha de algum andar acima. Pareceu-me, a princípio, familiar, mas depois que a porta se fechou e a máquina se pôs em movimento deduzi que se tratava de uma paquera. O elevador descia moroso, os andares se anunciavam no visor. No quarto pavimento, parou mais uma vez. Entrou uma mulher alta, elegante, usava chapéu largo. O homem, porém, não a olhou em nenhum momento. Reparei, por trás das lentes escuras dos meus óculos, que continuava a me espreitar. Lembrei então da mulher dos búzios.
“Não demora, vai surgir alguém na sua vida.”
Frase costumeira nesse tipo de serviço. Sempre conhecemos alguém, todos os dias encontramos pessoas com quem travamos algum tipo de relacionamento.
“Ele vai admirar muito você, não digo amar, mas apreciar sua beleza, sua inteligência”, completou. As pequenas pedras permaneciam sobre a mesa forrada com uma toalha branca, meio desbotada em alguns pontos, uma xícara de chá jazia sobre o móvel de cozinha, era possível vê-la da sala exígua.
O elevador continuou sua descida, parou no segundo andar. O homem saiu e segurou a porta para mim. Instintivamente também saí.
“Mas não é a portaria”, disse surpresa.
“Ainda faltam dois, achei que você quisesse vir comigo”, disse acintosamente.
“Ir com você? Nem o conheço...”
“Você é linda. E deve ser também muito inteligente. Achei que estava à procura de alguém como eu”, sua vaidade era maior do que a altura física, e ele era alto o bastante. Na verdade, um negro bonito. Pensei em frações de segundo o que aconteceria se o seguisse. Depois, tremi.
“Não se preocupe, sou treinador de ginástica olímpica, tenho um cartão, já deve ter ouvido falar de mim, preparo atletas...”
O homem falava, eu permanecia em meio ao desamparo do corredor. O elevador já havia partido e eu ainda não premera o botão para que ele voltasse. Quando reparei que subia, não parou no andar, teria que esperar descer de novo.
“No amor, deve-se aproveitar as oportunidades”, a voz da mulher, uma espécie de cartomante, quiromante, jogadora de búzios misturada com mãe de santo. Quem a indicou foi a mãe de uma colega de escola de minha filha.
“Quais suas intenções?”, perguntei.
“Quais podem ser as intenções de alguém como eu, que a observa desde o momento em que a vi e não mais desgrudei os olhos?”
Ri, sem jeito. Enfim, decidi. Iria me atirar, um salto arriscado, mas quem sabe, assim como os atletas dele, eu ganharia pelo menos uma medalha.
“Como podemos fazer?”
“Basta que venha comigo”, o sorriso da vitória estampou em seu rosto.
Deu-me a frente, seguimos o longo corredor. Na penúltima porta, pediu que eu parasse. Enfiou a chave abaixo da maçaneta, abriu a porta e, de modo cortês, convidou-me a entrar.
“O seu apartamento tem apenas uma cama e nada mais, é sórdido”, falei e me voltei decidida a ir embora.
“É apenas para eu descansar, tenho também um baú onde guardo as minhas coisas, me serve de mesa ou de cadeira quando preciso, você pode sentar sobre ele enquanto faço um café.”
“Você tem um apartamento para descansar em um prédio comercial de Copacabana e chega nele às onze da manhã”, afirmei em tom inquisitorial.
“Eu poderia perguntar o que você faz em Copacabana, saindo de um prédio mal-afamado como esse, também às onze da manhã.”
“Vim a uma cartomante”, deixei escapar.
“E ela não lhe falou sobre mim?”, sorriu seguro de si tocando, carinhoso, os meus cabelos.
“De certa forma, sim.”
“E o que mais?”, parecia curioso.
“Disse que eu não o temesse.”
Decidi não ir embora. Ele fez um café maravilhoso. Depois nos deitamos, ainda vestidos.
Beijou-me e continuou acariciando meus cabelos. Eu permanecia de bruços. Vestia blusa de malha curta e calça jeans, trajes juvenis para uma mulher de quase 40 anos. Mas ele pareceu gostar.
“Quer descansar primeiro?, amor”, perguntou suave.
“Sim”, falei e fechei os olhos.
Acho que dormimos durante duas horas. Ao acordar, estava nua. Ele tirara toda a minha roupa sem que eu sentisse. Ninguém conseguira tal façanha em toda a minha vida amorosa. Meus seios apontavam para cima. Sussurrei em seu ouvido, quase inaudível:
“Você é meu homem”, e o beijei na boca.
quarta-feira, agosto 31, 2011
quarta-feira, agosto 24, 2011
Adoro este meu namorado
Tenho uma amiga que adora transar ao ar livre ou em lugares inesperados, como no Horto, num ônibus de viagem, dentro d’água numa praia, ou no escurinho de uma boate depois de alguém lhe ter roubado a calcinha. Diz que o mais excitante, porém, é ir nua ao encontro do namorado, sair de casa de madrugada apenas de sapato e bolsa, o calçado pode ser botas compridas, dessas que sobem até os joelhos. Já passou cada situação! Algumas vezes quase perdeu a hora de voltar, o dia prestes a amanhecer; em outras, por pouco não foi surpreendida, imaginou-se presa, sem recursos e sem argumentos. Mas, nada disso. Apesar do friozinho na barriga, sempre gozou ainda mais forte.
Eu, porém, sou diferente. Adoro fazer amor, mas dentro de um quarto. Ou mesmo na extensão de um apartamento. Nada de alguém a me olhar. Já fiz uma extravaganciazinha, sim, satisfiz a fantasia de um namoradinho de ocasião. Saí nua de seu apartamento e bati para que ele abrisse e me recebesse peladinha. Uma vez, apenas. E senti intenso desconforto. Ele demorou a girar a maçaneta. Até pensei que poderia me pregar uma peça e me deixar trancada do lado de fora. Enfim, abriu e me recebeu nos seus braços quentes. Eu me esvaía em suor.
Por falar em suor, vamos ao principal. Como fico encharcada ao transar! Conto por partes.
Ao arranjar um namorado, tenho sempre o cuidado de levar a camisinha, porque por eles transamos em pele. Além de ser perigoso, ainda posso engravidar. Pena que com a camisinha não se possa ficar cavalgando durante muito tempo sobre o homem. Na maioria das vezes ela escorrega e escapa. Para que isso não aconteça, a relação sexual precisar ser rápida.
Mas com este que estou namorando tudo acontece de um modo como jamais experimentei. Ele me diz “pode confiar em mim, não vou gozar.” No começo, incrédula, não conseguia me soltar. Quantos homens nos dizem isso e não conseguem segurar, acabam despejando tudo dentro da gente... Com ele, no entanto, é muito diferente. “Se solta, Cris, pode ir adiante, não se preocupe.” Ligeira, salto sobre ele, minha vagina já úmida absorve seu pênis. Quase morro de tesão. Cavalgo sem parar, totalmente enlouquecida. Em algum momento, digo: “ai, não aguento, vou perder a cabeça.” Ele rebate: “perde a cabeça, perde, vou adorar." Em delírio, acrescento com uma ponta de temor: "amor, te segura, não vais perder a tua também." Contei outro dia seis orgasmos. Ao parar, sou uma poça de suor. É o momento de eu deitar, ele vestir a camisinha e vir sobre mim. Então, ele goza...
Estou adorando esse namorado. Nunca tive alguém assim. Não quero jamais perdê-lo. Em nenhum lugar vou encontrar outro homem a quem possa me entegar e gozar tantas vezes. E sem camisinha! Já pensou, ter um namorado que goze em segundos e me deixe a ver navios? Nem pensar.
Mas ir lá fora nua como a minha amiga, sair de casa pelada e trepar em lugares públicos... Não consigo me imaginar. Adoro o meu quarto. Adoro tanto mais esse meu namorado.
Eu, porém, sou diferente. Adoro fazer amor, mas dentro de um quarto. Ou mesmo na extensão de um apartamento. Nada de alguém a me olhar. Já fiz uma extravaganciazinha, sim, satisfiz a fantasia de um namoradinho de ocasião. Saí nua de seu apartamento e bati para que ele abrisse e me recebesse peladinha. Uma vez, apenas. E senti intenso desconforto. Ele demorou a girar a maçaneta. Até pensei que poderia me pregar uma peça e me deixar trancada do lado de fora. Enfim, abriu e me recebeu nos seus braços quentes. Eu me esvaía em suor.
Por falar em suor, vamos ao principal. Como fico encharcada ao transar! Conto por partes.
Ao arranjar um namorado, tenho sempre o cuidado de levar a camisinha, porque por eles transamos em pele. Além de ser perigoso, ainda posso engravidar. Pena que com a camisinha não se possa ficar cavalgando durante muito tempo sobre o homem. Na maioria das vezes ela escorrega e escapa. Para que isso não aconteça, a relação sexual precisar ser rápida.
Mas com este que estou namorando tudo acontece de um modo como jamais experimentei. Ele me diz “pode confiar em mim, não vou gozar.” No começo, incrédula, não conseguia me soltar. Quantos homens nos dizem isso e não conseguem segurar, acabam despejando tudo dentro da gente... Com ele, no entanto, é muito diferente. “Se solta, Cris, pode ir adiante, não se preocupe.” Ligeira, salto sobre ele, minha vagina já úmida absorve seu pênis. Quase morro de tesão. Cavalgo sem parar, totalmente enlouquecida. Em algum momento, digo: “ai, não aguento, vou perder a cabeça.” Ele rebate: “perde a cabeça, perde, vou adorar." Em delírio, acrescento com uma ponta de temor: "amor, te segura, não vais perder a tua também." Contei outro dia seis orgasmos. Ao parar, sou uma poça de suor. É o momento de eu deitar, ele vestir a camisinha e vir sobre mim. Então, ele goza...
Estou adorando esse namorado. Nunca tive alguém assim. Não quero jamais perdê-lo. Em nenhum lugar vou encontrar outro homem a quem possa me entegar e gozar tantas vezes. E sem camisinha! Já pensou, ter um namorado que goze em segundos e me deixe a ver navios? Nem pensar.
Mas ir lá fora nua como a minha amiga, sair de casa pelada e trepar em lugares públicos... Não consigo me imaginar. Adoro o meu quarto. Adoro tanto mais esse meu namorado.
quarta-feira, agosto 17, 2011
Boa ideia, Martha
Tirei um casaco grosso e comprido de dentro do guarda-roupa e o vesti. “Que tal, Júlia?”
Ela olhou e sorriu:
“Vai à boate apenas com ele sobre o corpo?”
“Quem sabe?”, fiz uma ligeira pose.
“Já fizemos isso antes, lembra? Eles vão logo reparar, essa fantasia já está muito batida.”
“Brincadeirinha.”
Ela trouxera do quarto ao lado várias peças passadas pela empregada, que viera no dia anterior.
“Por que ela não pendurou junto com as outras roupas?”
“Sabe como são essas secretárias de hoje em dia, pensam que trabalham demais, e logo para uma mulher sozinha como eu”, falou e deixou sobre a cama um vestido que tinha botões na parte da frente, iam de cima a baixo.
“Você vai com ele?”, apontei enquanto recolocava o casaco no armário.
“Vou experimentar.”
“Não vamos à festa para arranjar namorado, não é mesmo, Júlia? Nossa intenção é apenas diversão, mas caso apareça alguém interessante...”
“... a gente não deixa passar”, sorriu enquanto, também nua, jogava o vestido sobre o corpo. “Lembra da Rita?”, acrescentou.
“Qual Rita?”
“Uma que mora na Gávea.”
“Ah, sei, uma maluquete.”
“Essa mesma, todos dizem isso a respeito dela, mas até que é engraçada.”
Permaneci em pé, escutando Júlia. Ela me oferecia uma infinidade de roupas, tínhamos as mesmas medidas. Eu estava propensa a ir com a saia e a blusa com que viera de casa; esperaria, porém, ela falar sobre a amiga.
“Ela me contou que certa vez saiu à noite com um vestido semelhante a esse, todo abotoado na frente. Uma provocação ao namorado, que pedira a ela que usasse uma roupa sem nada por baixo. A Rita é demais. Sabe o que ela falou quando os dois retornaram a casa? Disse que queria ter encontrado um buraco.”
“Buraco? Não entendi.”
“Ele também não, mas ela explicou: ‘Um vão deserto ou coisa parecida, onde pudéssemos fazer amor.’ Ele replicou: ‘mas por que você não disse?’ Rita assumiu aquele ar distante que só ela sabe fazer, sempre querendo que os homens adivinhem os seus desejos. Dias depois ela saiu de novo com o mesmo vestido, mas sozinha. Paquerou um desconhecido. E não é que o homem fez a vontade dela? Perguntei se ela insinuara alguma coisa. Disse que não, ele mesmo é que percebera. 'Enfim, mais inteligente do que o meu namorado, que tem até curso superior’, falou com aquela voz de quem está exausta de tantos homens a seus pés. E ainda mais uma coisa: não foi suficiente que ele lhe desabotoasse o vestido, trepou com ele nuazinha. E você, Martha, vai ficar também aí pelada, encostada no armário?”
“Não, estava esperando você acabar de contar. Acho que vou com a minha roupa mesmo.”
“Não quer variar um pouco?” Júlia parecia feliz com todas aquelas opções. “Lembra?”, continuou, “tenho muitas saias, blusas, vestidos, calças compridas e uma vez fiquei sem ter o que vestir no banheiro da casa da Ana.”
“Foi aquela brincadeira do casaco, lembro!”
“Agora você ri, bandida, mas esteve envolvida na peça que me pregaram.”
“Ah, Júlia, foi apenas uma brincadeirinha. Ana falou que o Roberto estava flertando com a Isabel e você se insinuava para ele. Então inventaram aquela história do vestido, um versace, sabiam que você adora a tal grife, levaram o seu casaco e fizeram você esperar no banheiro.”
“Me deixaram pelada por mais de uma hora, por pouco não voltei nua para a festa.”
“Mas fui eu que te salvei. Assim que descobri onde estava o casaco, levei até você. Sabe que demorei a perceber que você havia ido àquela festa apenas com ele sobre a pele, assim como a Rita e o vestido de botões...”
“Quando voltei à sala, o Roberto e a Isabel já haviam ido embora. Fiquei a ver navios...”
“Foi isso, acharam que você ganharia fácil a disputa contra a Isabel, por isso a armadilha.”
“Ardilosas, vocês todas."
Júlia virou-se para mim após olhar-se mais uma vez no espelho: "acho que ficou bom, não?"
"Ficou ótimo."
"Vista aquele camisão ali, Martha, vai também ficar ótimo em você.”
“Tem razão, é curto mas caiu em meu corpo com perfeição. Será que não vou sentir frio?”
“Vou levar o casaco, qualquer coisa te empresto, meu vestido é de mangas compridas.”
“Júlia, tive uma ótima idéia.”
“Qual?”
“Quando cansarmos de nossas roupas, vamos ao banheiro e as trocamos. Você me passa esse vestido de botões e eu entrego o camisão a você. Vamos confundir os homens.”
“Boa ideia, Martha, gostei muito, vai ser muito divertido. Pronta?”
“Pronta. Falta só o batom, espere um instantinho.”
Ela olhou e sorriu:
“Vai à boate apenas com ele sobre o corpo?”
“Quem sabe?”, fiz uma ligeira pose.
“Já fizemos isso antes, lembra? Eles vão logo reparar, essa fantasia já está muito batida.”
“Brincadeirinha.”
Ela trouxera do quarto ao lado várias peças passadas pela empregada, que viera no dia anterior.
“Por que ela não pendurou junto com as outras roupas?”
“Sabe como são essas secretárias de hoje em dia, pensam que trabalham demais, e logo para uma mulher sozinha como eu”, falou e deixou sobre a cama um vestido que tinha botões na parte da frente, iam de cima a baixo.
“Você vai com ele?”, apontei enquanto recolocava o casaco no armário.
“Vou experimentar.”
“Não vamos à festa para arranjar namorado, não é mesmo, Júlia? Nossa intenção é apenas diversão, mas caso apareça alguém interessante...”
“... a gente não deixa passar”, sorriu enquanto, também nua, jogava o vestido sobre o corpo. “Lembra da Rita?”, acrescentou.
“Qual Rita?”
“Uma que mora na Gávea.”
“Ah, sei, uma maluquete.”
“Essa mesma, todos dizem isso a respeito dela, mas até que é engraçada.”
Permaneci em pé, escutando Júlia. Ela me oferecia uma infinidade de roupas, tínhamos as mesmas medidas. Eu estava propensa a ir com a saia e a blusa com que viera de casa; esperaria, porém, ela falar sobre a amiga.
“Ela me contou que certa vez saiu à noite com um vestido semelhante a esse, todo abotoado na frente. Uma provocação ao namorado, que pedira a ela que usasse uma roupa sem nada por baixo. A Rita é demais. Sabe o que ela falou quando os dois retornaram a casa? Disse que queria ter encontrado um buraco.”
“Buraco? Não entendi.”
“Ele também não, mas ela explicou: ‘Um vão deserto ou coisa parecida, onde pudéssemos fazer amor.’ Ele replicou: ‘mas por que você não disse?’ Rita assumiu aquele ar distante que só ela sabe fazer, sempre querendo que os homens adivinhem os seus desejos. Dias depois ela saiu de novo com o mesmo vestido, mas sozinha. Paquerou um desconhecido. E não é que o homem fez a vontade dela? Perguntei se ela insinuara alguma coisa. Disse que não, ele mesmo é que percebera. 'Enfim, mais inteligente do que o meu namorado, que tem até curso superior’, falou com aquela voz de quem está exausta de tantos homens a seus pés. E ainda mais uma coisa: não foi suficiente que ele lhe desabotoasse o vestido, trepou com ele nuazinha. E você, Martha, vai ficar também aí pelada, encostada no armário?”
“Não, estava esperando você acabar de contar. Acho que vou com a minha roupa mesmo.”
“Não quer variar um pouco?” Júlia parecia feliz com todas aquelas opções. “Lembra?”, continuou, “tenho muitas saias, blusas, vestidos, calças compridas e uma vez fiquei sem ter o que vestir no banheiro da casa da Ana.”
“Foi aquela brincadeira do casaco, lembro!”
“Agora você ri, bandida, mas esteve envolvida na peça que me pregaram.”
“Ah, Júlia, foi apenas uma brincadeirinha. Ana falou que o Roberto estava flertando com a Isabel e você se insinuava para ele. Então inventaram aquela história do vestido, um versace, sabiam que você adora a tal grife, levaram o seu casaco e fizeram você esperar no banheiro.”
“Me deixaram pelada por mais de uma hora, por pouco não voltei nua para a festa.”
“Mas fui eu que te salvei. Assim que descobri onde estava o casaco, levei até você. Sabe que demorei a perceber que você havia ido àquela festa apenas com ele sobre a pele, assim como a Rita e o vestido de botões...”
“Quando voltei à sala, o Roberto e a Isabel já haviam ido embora. Fiquei a ver navios...”
“Foi isso, acharam que você ganharia fácil a disputa contra a Isabel, por isso a armadilha.”
“Ardilosas, vocês todas."
Júlia virou-se para mim após olhar-se mais uma vez no espelho: "acho que ficou bom, não?"
"Ficou ótimo."
"Vista aquele camisão ali, Martha, vai também ficar ótimo em você.”
“Tem razão, é curto mas caiu em meu corpo com perfeição. Será que não vou sentir frio?”
“Vou levar o casaco, qualquer coisa te empresto, meu vestido é de mangas compridas.”
“Júlia, tive uma ótima idéia.”
“Qual?”
“Quando cansarmos de nossas roupas, vamos ao banheiro e as trocamos. Você me passa esse vestido de botões e eu entrego o camisão a você. Vamos confundir os homens.”
“Boa ideia, Martha, gostei muito, vai ser muito divertido. Pronta?”
“Pronta. Falta só o batom, espere um instantinho.”
quarta-feira, agosto 10, 2011
O mais gato não estava entre eles
Esse frio é muito traiçoeiro, não permite que a gente ande com pouca roupa, sobretudo à noite. Prefiro o verão, é lógico, e, como gosto de andar nua, resolvi dar um drible nessa estação de baixas temperaturas. Sobrevivi, digo já, nem peguei um resfriadinho. Meu coração bateu mais rápido, mas foi outro o motivo. No final, como me diverti!
Numa dessas noites saí com três amigas, pensávamos se iríamos ou não a uma festa no único clube que há em Ibicuí. Antes, paramos o carro na praia e saltamos para caminhar pela areia. Ventava, mas estávamos muito agasalhadas. Inventei então a brincadeira.
“Saio nua do carro”, gritei.
“Está louca, Margarida, vai pegar uma pneumonia”, disse Celinha.
“Não pego, não, tenho uma ideia que vai agradar vocês.”
“Margarida, por favor, não abuse, não estamos no verão, não quero ver uma amiga doente”, falou Joana.
“Não vou ficar doente, prometo a vocês.”
“Margarida, atenda o que suas amigas, inclusive eu, estamos pedindo, sabemos que você adora andar pelada, mas hoje é demais, acho que está uns 14 graus”, completou Sabrina.
“Não se preocupem, meninas, minha ideia é genial.”
“Genial, Marg? Com esse frio?”, voltou a falar Celinha.
“Por favor, acreditem em mim, vou voltar ao carro e mostro a vocês.”
Fiz o que prometi, sob os olhares surpresos das três meninas. Tirei toda a roupa, inclusive as íntimas.
“Chegue aqui perto uma de vocês.”
Joana foi a primeira a se aproximar.
“Abra o casaco, por favor”, pedi pela fresta da porta traseira.
Ela atendeu.
Saí do carro e entrei no casaco de minha amiga.
“Célia, venha, abrace a Joana, com o casaco aberto”, pedi.
Ela abriu como fizera a primeira e a abraçou. Eu, nuinha, no meio das duas.
“Sabrina, venha também, abrace as suas duas amigas.”
Sabrina pareceu gostar da brincadeira, ainda falou:
“Margarida, você é terrível.”
“Vamos caminhar um pouco pela areia, pedi, todas vocês desse jeitinho em que estão, abraçadinhas e comigo no meio do abraço de vocês.”
Andamos uns trinta metros.
“Vamos voltar, Marg, já está bom, não vamos à festa?”
No mesmo instante, parou um automóvel ao lado do nosso.
“Ih, agora, como vamos fazer?”, assustou-se Celinha.
“Calma”, falei, “já passei por situações piores, eu resolvo.”
Três rapazes saltaram e vieram em nossa direção.
“Vamos virar o abraço ao contrário, vou contar até três, vocês todas ao mesmo tempo deem uma volta de 180 graus, vão ficar num abraço invertido, eu permaneço no centro e dentro do sobretudo da Sabrina, que é o mais comprido. Não se soltem, falem que estão fazendo uma espécie de celebração e peçam que eles esperem próximo ao carro.”
Contei até três, as meninas fizeram a volta direitinho.
“O que vocês estão fazendo aí nesse frio, e agarradas umas às outras?”, perguntou um deles.
“Uma celebração”, falou, nervosa, Célia.
“Calma, não fique nervosa”, sussurrei, “quem está pelada sou eu.”
“Vocês nos dão licença? Ainda não acabamos, será que podem voltar pra perto do carro?”, disse Joana, num tom de voz que demonstrava domínio sobre a situação.
“Não vão à festa?”, soou outra voz masculina.
“Se vocês permitirem que terminemos, sim”, completou.
Eles recuaram.
“Girem todas juntas para a direita”, pedi.
Obedeceram.
“Agora, parem. Isso, girem para a esquerda”, eu instruía.
“Como você vai sair daí Marg? Eles estão quase encostados no nosso carro.”
“Sem problemas”, vamos caminhar na direção do carro, ok? Tudo na maior seriedade.
Pusemo-nos a caminho.
Quando faltavam três ou quatro passos, Sabrina deu de rir.
“Por que ela está rindo?”, quis saber um deles.
“Faz parte do ritual”, rebateu, segura, Joana.
As risadas de Sabrina aumentaram.
“Peça a eles que virem de costas, Joana, com rigidez na voz como você fez há pouco, não permita que olhem”, falei.
“Rapazes, se quiserem que acompanhemos vocês, virem de costas, ainda não terminamos. Caso um de vocês não obedeça, não poderemos ir à festa, estamos pedindo aos nossos deuses para aproveitarmos a noite com muita alegria, boa companhia e segurança.”
Eles acreditaram. Chegamos juntinho à porta.
“O controle, Celinha, está trancada”, pela primeira vez me assustei.
“Agora essa, onde está?” Soltou os braços mas não saiu da posição. Demorou, mexeu nos bolsos, escutei, enfim, o som que destravou as portas.
Abri e saltei no banco de trás.
A festa foi ótima, só fomos embora às cinco da manhã. Cada um dos rapazes ficou com uma das meninas. Eu? Todos me amam, pude escolher o mais gato, que, lógico, não estava entre eles.
Numa dessas noites saí com três amigas, pensávamos se iríamos ou não a uma festa no único clube que há em Ibicuí. Antes, paramos o carro na praia e saltamos para caminhar pela areia. Ventava, mas estávamos muito agasalhadas. Inventei então a brincadeira.
“Saio nua do carro”, gritei.
“Está louca, Margarida, vai pegar uma pneumonia”, disse Celinha.
“Não pego, não, tenho uma ideia que vai agradar vocês.”
“Margarida, por favor, não abuse, não estamos no verão, não quero ver uma amiga doente”, falou Joana.
“Não vou ficar doente, prometo a vocês.”
“Margarida, atenda o que suas amigas, inclusive eu, estamos pedindo, sabemos que você adora andar pelada, mas hoje é demais, acho que está uns 14 graus”, completou Sabrina.
“Não se preocupem, meninas, minha ideia é genial.”
“Genial, Marg? Com esse frio?”, voltou a falar Celinha.
“Por favor, acreditem em mim, vou voltar ao carro e mostro a vocês.”
Fiz o que prometi, sob os olhares surpresos das três meninas. Tirei toda a roupa, inclusive as íntimas.
“Chegue aqui perto uma de vocês.”
Joana foi a primeira a se aproximar.
“Abra o casaco, por favor”, pedi pela fresta da porta traseira.
Ela atendeu.
Saí do carro e entrei no casaco de minha amiga.
“Célia, venha, abrace a Joana, com o casaco aberto”, pedi.
Ela abriu como fizera a primeira e a abraçou. Eu, nuinha, no meio das duas.
“Sabrina, venha também, abrace as suas duas amigas.”
Sabrina pareceu gostar da brincadeira, ainda falou:
“Margarida, você é terrível.”
“Vamos caminhar um pouco pela areia, pedi, todas vocês desse jeitinho em que estão, abraçadinhas e comigo no meio do abraço de vocês.”
Andamos uns trinta metros.
“Vamos voltar, Marg, já está bom, não vamos à festa?”
No mesmo instante, parou um automóvel ao lado do nosso.
“Ih, agora, como vamos fazer?”, assustou-se Celinha.
“Calma”, falei, “já passei por situações piores, eu resolvo.”
Três rapazes saltaram e vieram em nossa direção.
“Vamos virar o abraço ao contrário, vou contar até três, vocês todas ao mesmo tempo deem uma volta de 180 graus, vão ficar num abraço invertido, eu permaneço no centro e dentro do sobretudo da Sabrina, que é o mais comprido. Não se soltem, falem que estão fazendo uma espécie de celebração e peçam que eles esperem próximo ao carro.”
Contei até três, as meninas fizeram a volta direitinho.
“O que vocês estão fazendo aí nesse frio, e agarradas umas às outras?”, perguntou um deles.
“Uma celebração”, falou, nervosa, Célia.
“Calma, não fique nervosa”, sussurrei, “quem está pelada sou eu.”
“Vocês nos dão licença? Ainda não acabamos, será que podem voltar pra perto do carro?”, disse Joana, num tom de voz que demonstrava domínio sobre a situação.
“Não vão à festa?”, soou outra voz masculina.
“Se vocês permitirem que terminemos, sim”, completou.
Eles recuaram.
“Girem todas juntas para a direita”, pedi.
Obedeceram.
“Agora, parem. Isso, girem para a esquerda”, eu instruía.
“Como você vai sair daí Marg? Eles estão quase encostados no nosso carro.”
“Sem problemas”, vamos caminhar na direção do carro, ok? Tudo na maior seriedade.
Pusemo-nos a caminho.
Quando faltavam três ou quatro passos, Sabrina deu de rir.
“Por que ela está rindo?”, quis saber um deles.
“Faz parte do ritual”, rebateu, segura, Joana.
As risadas de Sabrina aumentaram.
“Peça a eles que virem de costas, Joana, com rigidez na voz como você fez há pouco, não permita que olhem”, falei.
“Rapazes, se quiserem que acompanhemos vocês, virem de costas, ainda não terminamos. Caso um de vocês não obedeça, não poderemos ir à festa, estamos pedindo aos nossos deuses para aproveitarmos a noite com muita alegria, boa companhia e segurança.”
Eles acreditaram. Chegamos juntinho à porta.
“O controle, Celinha, está trancada”, pela primeira vez me assustei.
“Agora essa, onde está?” Soltou os braços mas não saiu da posição. Demorou, mexeu nos bolsos, escutei, enfim, o som que destravou as portas.
Abri e saltei no banco de trás.
A festa foi ótima, só fomos embora às cinco da manhã. Cada um dos rapazes ficou com uma das meninas. Eu? Todos me amam, pude escolher o mais gato, que, lógico, não estava entre eles.
quarta-feira, agosto 03, 2011
Esses homens adoram...
As garotas me admiram muito. Dizem: “puxa, você tem um corpinho, e é bem mais velha do que nós!” Sorrio e lhes afirmo que não acumulem preocupações, assim sempre serão lindas, como são aos 17 ou 18 anos. Mais uma coisa, também muito importante, que saibam amar. Muitas pessoas pensam que amar é sinônimo de sofrer. Ledo engano. Amar significa gostar muito de tudo que existe. Deve-se levar a vida com muita alegria. Se você é alegre, não haverá quem não queira se aproximar. Na verdade, as apessoas vão se sentir atraídas por você como as atrai os raios do sol numa manhã fria de inverno.
Faz algumas horas que saímos para uma festa, dois casais. Não preciso dizer o tanto que sou mais velha do que todos eles, incluindo o meu namoradinho. Amor e simpatia prescindem da matemática.
Dançamos toda a noite. Madrugada alta, paramos na orla. Corri com ele até a beira d’água enquanto o outro casal se beijava próximo à calçada. Tirei toda a roupa. Na verdade um vestidinho que não me cobria muito. Ele já está acostumado ao meu jeito, mas os outros dois coraram ao me ver pelada.
“Calma, pessoal, não se vexem tanto, quem está nua sou eu.”
Quando conheci o meu namorado, a primeira coisa que falou foi:
“Que beleza o seu corpo, parece uma gata de 20 anos, e esse seu biquíni poucas garotas teriam coragem de usar”, me segredou depois de alguns beijinhos.
Disse a ele que, juntos, iríamos nos divertir muito. E não deu outra. Ensinei alguns dos meus artifícios. Ele adorou. Além do biquíni mínimo e de permitir que me deixasse nua dentro d’água, insinuei que adoro sair só de camisa, de preferência uma camisa dele.
Numa noite trouxe uma dessas de mangas compridas, uma espécie de camisa social.
Numa noite trouxe uma dessas de mangas compridas, uma espécie de camisa social.
“Você vai apenas de camisa?”, fingiu (acho) surpreender-se.
Dei-lhe um beijo no rosto.
Descemos à garagem e saímos no seu carro. Passeamos pela zona sul. Pedi que estacionasse e que caminhássemos no calçadão.
“Mas você está descalça”, falou.
“Não faz mal, não se vem à praia de sapatos.”
Tomamos água de coco num dos quiosques do Leblon.
“As pessoas estão olhando muito para você”, reparou já tarde.
“Deve ser porque formamos um casal perfeito”, falei com os lábios prontos a lhe capturar a boca.
“Pode ser que estejam investigando se você usa calcinha.”
“É mesmo, você acertou! E quer saber mais? Esqueci.”
“O quê?”
“A calcinha, ora", e taquei-lhe mais um beijo.
Voltando à madrugada à beira-mar, com o casal amigo.
“Você não disse que gostou do meu vestido?”, perguntei à moça, “pode ficar com ele por hoje.”
“Mas não posso chegar em casa sem o meu, o que vou dizer?”, seu rosto espelhou preocupação.
“Diga que trocou com uma amiga. Aliás, nem precisa trocar, vista o meu e leve o seu também. Uma amiga emprestou, fale à sua mãe caso ela queira saber.”
“Mas e você?”
“Eu? Sempre gostei de andar nua. E ele adora”, apontei ao meu namoradinho e o beijei na boca.
“A senhora é... Oh, senhora, não, você”, desculpou-se a mocinha, “é meu modelo de vida. Já que vai nua, vou também”, tirou toda a roupa e veio me abraçar. Depois voltou ao rapaz, que estava eufórico.
Agora estamos as duas sentadas num pedaço deserto da praia, cada uma fumando o seu cigarro. Aguardamos o sol nascer. Os rapazes? Foram guardar nossas roupas no carro e aproveitaram para ir comprar cerveja. Esses homens adoram uma bebida.
quarta-feira, julho 27, 2011
Depois você deixa sua gata peladinha
O shopping sempre foi um paraíso para mim. Gosto de frequentá-lo pelo menos uma vez na semana. Hoje, domingo, aproveitei o tempo frio e vim.
Ao chegar, encontrei um ex-namoradinho. Até hoje é apaixonado por mim. Bastou avistar-me para se aproximar eufórico e me beijar. Olhou minha roupa. Parece que se surpreendeu: um vestido que mais parece um suéter. Para falar a verdade, é um suéter mesmo. Comprei na última vez que visitei uma das lojas deste mesmo shopping. Mas, em meu corpo, o tal agasalho caiu como uma luva, transformou-se num vestidinho quase micro. Como estamos no inverno, vesti meias de malha que entram por baixo do suéter, proporcionando à mulherzinha aqui uma baita sensualidade. Pensamentos maldosos – ou será o inverso? – sempre a me deixar nua.
Vou aproveitar que encontrei esse meu namoradinho. Depois dos tradicionais beijinhos, pusemo-nos a caminhar pelos largos corredores. Parei em quase todas as vitrines e mostrei a ele calças, blusas, cachecóis, calçados, uma infinidade de roupas e objetos de adorno que pretendo comprar pouco a pouco. Sabia que ele apenas ia olhar e suspirar. Se tivesse dinheiro, me presentearia com as coloridas peças que apontei.
Andamos mais um pouco e sentamos num dos bancos centrais. Estiquei o vestidinho para cruzar as pernas e não dar cineminha de graça. Ele me olhou de lado, assim como dois terços dos homens que passeavam aquela hora, até mesmo os que estavam acompanhados. Descruzei as pernas e as inverti, desta vez a esquerda sobre a direita. Sorri, ligeira, e esperei suas palavras.
Esse meu namoradinho quase nada fala, sempre foi assim, sempre esperando por mim, acho que por isso não fiquei com ele muito tempo. Disse a mim mesma: nada pronunciarei, espero até que ele fale alguma coisa.
Um chocolate recheado com licor?, enfim, falou.
A loja da Kopenhagen. Dar-me-ás, pilheriei, bombons recheados de licor?
Correu até a loja. Demorou uns minutinhos e voltou com a pequena embalagem. Tão bonitinha que senti pena ao abri-la.
Esses bombons são uma delícia, caro, não, e os dois são para mim? Não quer unzinho? Ele meneou a cabeça negativamente. Acho que vou comer agora. Abri um deles, que delícia. O licor escorreu pra dentro da minha boca, um prazer sexual, como diria minha terapeuta. Suguei toda a bebida, gostosura.
Coma o outro, sugeriu.
Será que ele quer me ver bêbada ou me deseja correndo ao banheiro?, imaginei. Mas cedi. Mordi a pontinha do outro e suguei mais uma vez o licor; depois, aos poucos, mordisquei o chocolate. Nada de pavoroso aconteceu. Apenas descruzei as pernas dentro do suéter, esperei um pouquinho, indecisa, e voltei a cruzá-las.
A seguir, suspirei: ah, esse meu namoradinho, por que não fiquei com ele? Tantas moças querendo-o. Ele é tão meigo, adora me presentear, e esse chocolate me deixou com uma pontinha de tesão. Dei um beijinho em sua face. Ele não esperava.
Você veio de automóvel?, perguntei.
Vim, surpreendeu-se.
Aquele jipe do seu pai?, aqueci seus olhos.
Esse mesmo.
Bonito carro.
Quer dar uma volta?, olhou e esperou minha resposta.
Vou, mas me compra mais um bombom.
Ok, seu pedido, uma ordem. Foi até a loja e voltou com mais dois!
Agora estou a mastigar o restinho do segundo, já sei o que vai acontecer, nada de bêbada nem de corrida ao banheiro – oh, meus intestinos no chocolate! Estou me vendo peladinha, no banco traseiro do jipe, ninguém a nos reparar, é noite e os vidros são indevassáveis.
Você vai me dar mais um presentinho, não?, falta uma semana pros meus dezesseis anos, sopro no seu ouvido.
Um vestido mais curto?
Isso, solto quase um gemido, e depois você deixa sua gata de novo peladinha, aninhada no seu colinho.
Ao chegar, encontrei um ex-namoradinho. Até hoje é apaixonado por mim. Bastou avistar-me para se aproximar eufórico e me beijar. Olhou minha roupa. Parece que se surpreendeu: um vestido que mais parece um suéter. Para falar a verdade, é um suéter mesmo. Comprei na última vez que visitei uma das lojas deste mesmo shopping. Mas, em meu corpo, o tal agasalho caiu como uma luva, transformou-se num vestidinho quase micro. Como estamos no inverno, vesti meias de malha que entram por baixo do suéter, proporcionando à mulherzinha aqui uma baita sensualidade. Pensamentos maldosos – ou será o inverso? – sempre a me deixar nua.
Vou aproveitar que encontrei esse meu namoradinho. Depois dos tradicionais beijinhos, pusemo-nos a caminhar pelos largos corredores. Parei em quase todas as vitrines e mostrei a ele calças, blusas, cachecóis, calçados, uma infinidade de roupas e objetos de adorno que pretendo comprar pouco a pouco. Sabia que ele apenas ia olhar e suspirar. Se tivesse dinheiro, me presentearia com as coloridas peças que apontei.
Andamos mais um pouco e sentamos num dos bancos centrais. Estiquei o vestidinho para cruzar as pernas e não dar cineminha de graça. Ele me olhou de lado, assim como dois terços dos homens que passeavam aquela hora, até mesmo os que estavam acompanhados. Descruzei as pernas e as inverti, desta vez a esquerda sobre a direita. Sorri, ligeira, e esperei suas palavras.
Esse meu namoradinho quase nada fala, sempre foi assim, sempre esperando por mim, acho que por isso não fiquei com ele muito tempo. Disse a mim mesma: nada pronunciarei, espero até que ele fale alguma coisa.
Um chocolate recheado com licor?, enfim, falou.
A loja da Kopenhagen. Dar-me-ás, pilheriei, bombons recheados de licor?
Correu até a loja. Demorou uns minutinhos e voltou com a pequena embalagem. Tão bonitinha que senti pena ao abri-la.
Esses bombons são uma delícia, caro, não, e os dois são para mim? Não quer unzinho? Ele meneou a cabeça negativamente. Acho que vou comer agora. Abri um deles, que delícia. O licor escorreu pra dentro da minha boca, um prazer sexual, como diria minha terapeuta. Suguei toda a bebida, gostosura.
Coma o outro, sugeriu.
Será que ele quer me ver bêbada ou me deseja correndo ao banheiro?, imaginei. Mas cedi. Mordi a pontinha do outro e suguei mais uma vez o licor; depois, aos poucos, mordisquei o chocolate. Nada de pavoroso aconteceu. Apenas descruzei as pernas dentro do suéter, esperei um pouquinho, indecisa, e voltei a cruzá-las.
A seguir, suspirei: ah, esse meu namoradinho, por que não fiquei com ele? Tantas moças querendo-o. Ele é tão meigo, adora me presentear, e esse chocolate me deixou com uma pontinha de tesão. Dei um beijinho em sua face. Ele não esperava.
Você veio de automóvel?, perguntei.
Vim, surpreendeu-se.
Aquele jipe do seu pai?, aqueci seus olhos.
Esse mesmo.
Bonito carro.
Quer dar uma volta?, olhou e esperou minha resposta.
Vou, mas me compra mais um bombom.
Ok, seu pedido, uma ordem. Foi até a loja e voltou com mais dois!
Agora estou a mastigar o restinho do segundo, já sei o que vai acontecer, nada de bêbada nem de corrida ao banheiro – oh, meus intestinos no chocolate! Estou me vendo peladinha, no banco traseiro do jipe, ninguém a nos reparar, é noite e os vidros são indevassáveis.
Você vai me dar mais um presentinho, não?, falta uma semana pros meus dezesseis anos, sopro no seu ouvido.
Um vestido mais curto?
Isso, solto quase um gemido, e depois você deixa sua gata de novo peladinha, aninhada no seu colinho.
quarta-feira, julho 20, 2011
Paraíso
Desde que fui morar naquela pequena cidade, o que mais me impressionou foi o lago que ficava a trezentos metros dos fundos de minha casa. Um lago é sempre alguma coisa imponente. Suas águas tranquilias transmitem uma espécie de certeza que não sentimos quando observamos outros tantos acidentes da natureza. Um lago não é como um rio, que flui incessante. Não podemos dizer que não nos banhamos duas vezes no mesmo lago. Num lago não há como medir o tempo. Nele, o tempo não passa. Dia e noite, sempre os mesmos, e me causando forte impressão.
Numa determinada manhã, resolvi ir até ele e nadar um pouco. Admirei-me mais ao sentir suas águas mornas. Mesmo com a temperatura de meia estação, a água ali era sempre quente. Ao chegar o inverno, também não deixei de frequentá-lo. Saía de casa toda agasalhada. Mas ao tocar a ponta do pé em suas águas, podia tirar toda a roupa e entrar para me sentir aquecida. Ele só podia ser um lago oriundo de atividades vulcânicas. Não havia coisa melhor do que mergulhar e nadar naquelas águas que só se agitavam com minhas braçadas e movimentos de pernas.
Com exceção do período de chuvas, preferi dali em diante banhar-me à noite. Dois os motivos: o primeiro, ficava deserto, nenhum dos frequentadores diurnos apareciam; o segundo, eu podia entrar nua no lago. Meu horário era após as dez horas, quando a maioria dos moradores do lugarejo já estava na cama. Nas noites mais escuras, aventurava-me a sair de casa, nua. Furtiva, caminhava até a beira d’água e logo me vestia apenas com suas águas tépidas.
Mas como nenhum paraíso dura para sempre, acabei descoberta. Flutuava tranquila numa noite sem lua, sem fazer ruído algum, era um braço da mãe natureza que permanecia meio submerso meio à flor d’água. Senti um respingo. Agitei-me a princípio. Não podia ser gota de chuva, o céu estava estrelado. Pensei tratar-se de algum peixe maior. Ora, peixes por ali deviam ser pequenos. Mas em uma das extremidades do lago estavam dois rapazes. Teriam-me visto? Estariam a me observar durante muitos dias? Afastei-me, sorrateira e sem fazer ruído, para a outra margem. Mas eles tinham ouvidos de pescador. Acompanharam meus movimentos.
Lutamos a madrugada inteira. Como o pescador solitário que solta a linha e deixa sua presa cansar, eu era a grande raia exausta. Não tardaria a amanhecer, o céu já se avermelhava a oriente. Temi que todos do lugarejo viessem para admirar peixe jamais visto naquelas águas brandas. Voltei à margem mais próxima de minha casa. Os dois me seguiram, esperaram, todo sorrisos. Quando fiz que ia sair, hesitei.
Lutamos a madrugada inteira. Como o pescador solitário que solta a linha e deixa sua presa cansar, eu era a grande raia exausta. Não tardaria a amanhecer, o céu já se avermelhava a oriente. Temi que todos do lugarejo viessem para admirar peixe jamais visto naquelas águas brandas. Voltei à margem mais próxima de minha casa. Os dois me seguiram, esperaram, todo sorrisos. Quando fiz que ia sair, hesitei.
“Algum dos dois é cavalheiro para me emprestar uma camiseta?”
“Queremos te ver nua há tanto tempo. Faz dez noites que te acompanhamos, não faz sentido emprestar uma camiseta agora.”
Sorri e me levantei. Fizeram questão de me acompanhar, lado a lado.
À porta de casa, beijei a ambos fazendo de conta que me despedia.
"Não vais nos oferecer um café?", perguntou um deles.
"Vieram aqui apenas para tomar café?", pisquei os dois olhos e sorri.
À noite não resisti, voltei ao lago. Mas os rapazes já não estavam lá.
"Não vais nos oferecer um café?", perguntou um deles.
"Vieram aqui apenas para tomar café?", pisquei os dois olhos e sorri.
À noite não resisti, voltei ao lago. Mas os rapazes já não estavam lá.
sexta-feira, julho 15, 2011
Boa sorte, garotas
Cora, você não está à vontade, não estou acostumada a vê-la assim .
Ah, Mara, você sabe, não tenho o hábito de praticar essas coisas.
O que tem de mais ficarmos nuas da cintura para cima? Somos tão bonitas. Vamos fazer uma surpresa, eles vão gostar. Basta que representemos: somos as mulheres mais vestidas do mundo. Olhe para a Cíntia, veja como é boa atriz, está perfeita no papel.
Não exagere, Mara, também não sou tanto assim.
Hoje você está perfeita, Cíntia, seu porte é de muita naturalidade.
Obrigada.
De nada. Cora, vou contar um episódio vivido por mim. Acho que vai fazer você se soltar.
Conta, então, de repente...
Lembra do Bruno? Aquele que mora em Botafogo.
Sim, lógico, lembro, ele é tão bonito.
Então. Uma vez fui à casa dele, estava calor. Por minha conta tirei a blusa e o sutiã. Ficamos conversando, bebendo e namorando que nem dei conta em que parte da casa tinha deixado as duas peças. De repente tocaram a campainha. Ele foi atender. Era um casal amigo. Sem lembrar que eu estava nua da cintura para cima, mandou-os entrar. E eu? Esqueci também da minha própria nudez. Quando chegaram à sala e o Bruno fez as apresentações, a moça soltou um gritinho e tapou a boca com uma das mãos. Só então nos demos conta da situação.
E você?
Fiz de conta que não era comigo. Peguei meu copo e bebi mais um pouco. Pedi depois licença e fui à cozinha. Voltei com mais dois copos para os recém chegados. Tudo na maior seriedade. Eles sentaram e continuamos a conversa. Lembro que fiquei nua até depois de irem embora. E não se tocou mais no assunto.
Mara, acho que para eu ficar à vontade, depende de outra coisa.
Cora, o que depender de mim, faço, não há problema algum.
Você me deixa ficar com o Agenor?
Ah, sei que você é apaixonada por ele. Se conseguir, pode ficar. Acho que ele também vai gostar de você.
Que bom! Veja como fiquei feliz, repare, a partir de agora sou a mulher mais à vontade do mundo.
É, quando você fala no Agenor, fica soltinha.
E eu Mara, vou ficar com quem?
Cíntia, não se preocupe, vem um rapaz lindo, chama-se Adalberto, você vai adorar.
Jura?
Juro.
Ouviram? Estão chegando, tocaram o interfone.
Ouvimos, Cíntia, atende você, aperte o três que o portão abrirá.
Ai, meu Deus, será que o Agenor vai me querer?
Quanto a isso, não se preocupe, Cora. Mas lembre-se: estamos vestidíssimas! E não trema, viu? Esses bicos dos seios precisam transmitir tranquilidade.
Bicos dos seios?
Isso mesmo, Cora, sente-se e respire fundo. Não vá estragar tudo.
Ok, está bom assim?
Está razoável. Boa sorte, garotas.
Ah, Mara, você sabe, não tenho o hábito de praticar essas coisas.
O que tem de mais ficarmos nuas da cintura para cima? Somos tão bonitas. Vamos fazer uma surpresa, eles vão gostar. Basta que representemos: somos as mulheres mais vestidas do mundo. Olhe para a Cíntia, veja como é boa atriz, está perfeita no papel.
Não exagere, Mara, também não sou tanto assim.
Hoje você está perfeita, Cíntia, seu porte é de muita naturalidade.
Obrigada.
De nada. Cora, vou contar um episódio vivido por mim. Acho que vai fazer você se soltar.
Conta, então, de repente...
Lembra do Bruno? Aquele que mora em Botafogo.
Sim, lógico, lembro, ele é tão bonito.
Então. Uma vez fui à casa dele, estava calor. Por minha conta tirei a blusa e o sutiã. Ficamos conversando, bebendo e namorando que nem dei conta em que parte da casa tinha deixado as duas peças. De repente tocaram a campainha. Ele foi atender. Era um casal amigo. Sem lembrar que eu estava nua da cintura para cima, mandou-os entrar. E eu? Esqueci também da minha própria nudez. Quando chegaram à sala e o Bruno fez as apresentações, a moça soltou um gritinho e tapou a boca com uma das mãos. Só então nos demos conta da situação.
E você?
Fiz de conta que não era comigo. Peguei meu copo e bebi mais um pouco. Pedi depois licença e fui à cozinha. Voltei com mais dois copos para os recém chegados. Tudo na maior seriedade. Eles sentaram e continuamos a conversa. Lembro que fiquei nua até depois de irem embora. E não se tocou mais no assunto.
Mara, acho que para eu ficar à vontade, depende de outra coisa.
Cora, o que depender de mim, faço, não há problema algum.
Você me deixa ficar com o Agenor?
Ah, sei que você é apaixonada por ele. Se conseguir, pode ficar. Acho que ele também vai gostar de você.
Que bom! Veja como fiquei feliz, repare, a partir de agora sou a mulher mais à vontade do mundo.
É, quando você fala no Agenor, fica soltinha.
E eu Mara, vou ficar com quem?
Cíntia, não se preocupe, vem um rapaz lindo, chama-se Adalberto, você vai adorar.
Jura?
Juro.
Ouviram? Estão chegando, tocaram o interfone.
Ouvimos, Cíntia, atende você, aperte o três que o portão abrirá.
Ai, meu Deus, será que o Agenor vai me querer?
Quanto a isso, não se preocupe, Cora. Mas lembre-se: estamos vestidíssimas! E não trema, viu? Esses bicos dos seios precisam transmitir tranquilidade.
Bicos dos seios?
Isso mesmo, Cora, sente-se e respire fundo. Não vá estragar tudo.
Ok, está bom assim?
Está razoável. Boa sorte, garotas.
sábado, julho 09, 2011
É tudo verdade
Sonho sempre que estou pelada. Isso é um inferno para mim! Vejo que estou no meio da rua e não tenho nada para me cobrir. Tenho medo de que um dia esses sonhos se tornem realidade. Às vezes penso em cantar nua em cima do trio elétrico, no carnaval, apenas o corpo pintado. Mas será que o sonho não é realização inconsciente desse desejo?
Uma amiga me disse que também tinha esse tipo de sonho. Aparecia nua nos lugares mais movimentados e nunca tinha nada para se tapar. Morria de vergonha. Até que um dia descobriu que se fingisse que não estava nua, ninguém a reparava. A partir daí, começou a curtir o sonho. Falei a ela: “comigo acontece de outro modo, quando começo a pensar que posso dominar o sonho, acordo.” Ela disse que no começo também era assim, mas é uma questão de exercício. “O sonho é um faz de conta, como no teatro, se nos damos conta de que estamos atuando, tudo se modifica, você pode então andar nua ao bel-prazer, as pessoas nem reparam. Quando se tem o domínio, pode-se aproveitar mais, e pra você que é uma cantora famosa, que não tem tanta liberdade como nós, vai ser ainda melhor.”
Não sei, não. Outro dia comprei um biquíni minúsculo. Fui à praia e fiquei ao sol. Disfarçada de boné e óculos escuros, ninguém me reconheceu. Mas os homens ficaram me olhando muito. Pensei: não estou sonhando, tenho certeza, nem sinto vergonha apesar de estar quase nua. Mas nós, mulheres, não sentimos vergonha na praia, porque todas se vestem assim, é um lugar apropriado para isso. Se estivesse de biquíni no centro da cidade, nem pensar... Mas se sonho que estou nua no centro, o biquíni seria uma grande solução. Mas nem isso acontece.
Hoje, ao dormir, vou tentar controlar meus sonhos. Se puder andar pelada e ninguém notar, vai ser ótimo. Mas vai que eu me engane e saia nua de noite, de verdade. Só em pensar fico toda arrepiada. Há quem diga que já saiu nua, com o namorado. Será?
Lembro agora de uma história engraçada. Há alguns anos, quando ainda não era famosa e andava de ônibus, escutei duas adolescentes conversando. Uma contava à outra que ela e uma amiga ficaram peladas na piscina de um clube. “O problema foi que eu e a Jéssica lançamos os nossos biquínis de dentro d’água para a cadeira onde estivéramos, aí apareceu um homem...” Não pude saber o que aconteceu depois porque elas se levantaram e saltaram antes de mim. Confesso que fiquei excitada. Mas, pensando bem, uma coisa é certa, se conseguem ficar peladas na piscina, já não precisam do sonho.
Uma amiga me disse que também tinha esse tipo de sonho. Aparecia nua nos lugares mais movimentados e nunca tinha nada para se tapar. Morria de vergonha. Até que um dia descobriu que se fingisse que não estava nua, ninguém a reparava. A partir daí, começou a curtir o sonho. Falei a ela: “comigo acontece de outro modo, quando começo a pensar que posso dominar o sonho, acordo.” Ela disse que no começo também era assim, mas é uma questão de exercício. “O sonho é um faz de conta, como no teatro, se nos damos conta de que estamos atuando, tudo se modifica, você pode então andar nua ao bel-prazer, as pessoas nem reparam. Quando se tem o domínio, pode-se aproveitar mais, e pra você que é uma cantora famosa, que não tem tanta liberdade como nós, vai ser ainda melhor.”
Não sei, não. Outro dia comprei um biquíni minúsculo. Fui à praia e fiquei ao sol. Disfarçada de boné e óculos escuros, ninguém me reconheceu. Mas os homens ficaram me olhando muito. Pensei: não estou sonhando, tenho certeza, nem sinto vergonha apesar de estar quase nua. Mas nós, mulheres, não sentimos vergonha na praia, porque todas se vestem assim, é um lugar apropriado para isso. Se estivesse de biquíni no centro da cidade, nem pensar... Mas se sonho que estou nua no centro, o biquíni seria uma grande solução. Mas nem isso acontece.
Hoje, ao dormir, vou tentar controlar meus sonhos. Se puder andar pelada e ninguém notar, vai ser ótimo. Mas vai que eu me engane e saia nua de noite, de verdade. Só em pensar fico toda arrepiada. Há quem diga que já saiu nua, com o namorado. Será?
Lembro agora de uma história engraçada. Há alguns anos, quando ainda não era famosa e andava de ônibus, escutei duas adolescentes conversando. Uma contava à outra que ela e uma amiga ficaram peladas na piscina de um clube. “O problema foi que eu e a Jéssica lançamos os nossos biquínis de dentro d’água para a cadeira onde estivéramos, aí apareceu um homem...” Não pude saber o que aconteceu depois porque elas se levantaram e saltaram antes de mim. Confesso que fiquei excitada. Mas, pensando bem, uma coisa é certa, se conseguem ficar peladas na piscina, já não precisam do sonho.
quarta-feira, julho 06, 2011
Depois te recompenso
Só se eu contar? Juras que fazes o que estou pedindo? Então, tá. Mas conto rápido, não tenho muito tempo. Ganhei uma lingerie linda. Nunca tinha vestido uma igual. Lingerie para o corpo inteiro, aberta apenas nas costas, como se fosse meia calça emendada à blusa, sobe até o pescoço e termina em mangas três quartos. É preta, transparente, tecido finíssimo trabalhado com alguns detalhes em relevo. “Deve ter sido caríssima”, suspirei ao recebê-la. “Nem tanto, você sempre merece mais”, melodiosa a voz dele. Aonde fui vestida assim? Escuta. Madrugada, um frio! “Não vou aguentar”, falei. O casaco de veludo, lembrei; apenas ele, a lingerie e o sapato meio salto. Fomos a uma festa. Na serra. Festa de inverno, que coisa gostosa. Eu dentro do carro e ele saindo para comprar o que eu queria comer ou beber. Andei, sim, depois que tomei coragem. Como ninguém me conhecia naquele lugar, caminhei pela rua principal. Mas não foi nada demais, o casaco ia até um pouquinho acima dos joelhos. Todas as pessoas me olhavam. Acho que ninguém me desprezaria. Adivinha. Queriam-me sem o casaco, é lógico. Mas ficaram só na vontade, não dei esse prazer. Nua, apenas para o meu amor. Permanecemos em torno de uma hora entre as pessoas do lugarejo, estava quentinho ali, uma fogueira imensa, rojões, acho que alguns em minha homenagem, ou em homenagem a lingerie, não sei bem. Bebi um tantinho a mais, isso é verdade. Fiquei tão alegre. Acho que ainda estou. Mas sempre fui assim, sabes, sou feliz. Então, entramos no carro, descemos algumas ruas, todas desertas, um silêncio, o farfalhar da festa ficando para trás. Foi aí que disse a ele: “preciso fazer xixi.”“Tenho um copo”, mostrou. Mas fico vexada caso faça xixi ao lado de alguém, ele ouvindo o barulhinho. Portanto, saí do carro. “Espera aqui, vou àquela esquina, não saias daí, viu, não venhas atrás de mim que morro de vergonha.” “Mas e a lingerie?”, perguntou. “É mesmo, é inteiriça.” Tirei-a toda, nuinha, apenas o casaco a cobrir-me. Entrei numa rua estreita, achei que ainda estava muito perto dele, dobrei mais outra. Fiz minha necessidade. Mas como volto? Tão escuro, três variantes de pequenas ruas. Eu, perdida! Acho que ele vai pensar que fugi. Não posso voltar à festa e lá tentar alguém para me levar de volta. Vão lembrar que sou a mulher que usava a lingerie. Só que agora estou sem. Minha salvação foi esse orelhão, teu número guardado de memória e a ligação a cobrar. Mas... espera... ah, como sou tonta! Estou quase ao lado do carro dele. Dei tantas voltas e saí no mesmo lugar. Ele está piscando os faróis para mim. Depois conto o desfecho, não vou precisar mais de ti. Pelo menos hoje. O problema agora será outro. Ele vai querer saber para quem estou telefonando. O que vou dizer? Nem imagino. Desculpa-me. Depois te recompenso. Tchau!
quarta-feira, junho 22, 2011
Uma foto minha
Meu amigo me mostrou a foto. Fiquei surpresa. Nunca fui fotografada nua correndo na rua. Ou melhor, não apareço na foto nua por inteiro, mas apenas de miniblusa, bolsa a tiracolo e sandália meio salto. Nada mais. E estou com cara de apavorada, como se estivesse fugindo de alguém, ou temendo ser surpreendida. Ele ainda pôs o seguinte título: Rachel correndo nua. Não sei como conseguiu me fotografar. Como gosto de andar nua, não vou dizer que a foto seja falsa. Mas não me lembro de corrida tão atabalhoada nem do esperto fotógrafo. Olhando com mais atenção pode-se reparar minha perfeita maquiagem e o contorno nítido do meu rosto. A própria fotografia se apresenta bem acabada. Ao fundo, está escuro, é noite, há a luz dos postes, percebem-se alguns carros estacionados. Não há viva alma além de mim.
Já namorei este meu amigo. Ele é muito bonito e gostoso. Diz que, quando me insinuei a ele naquela noite, pediu em contrapartida apenas a possibilidade de fazer meu retrato numa cena externa.
Digamos que seja tudo verdade. Não há problema uma foto minha, eu pelada na rua. O mais prazeroso, porém, é namorar com ele. Não há nada mais gostoso. De suas carícias naquela noite, não me esqueci. Fui à casa dele, bebemos vinho, ficamos excitadíssimos. Depois me levou para o quarto. Fizemos amor de todas as maneiras. Uma mulher não gosta de descrever os pormenores do seu ato de amor, geralmente o deixa implícito, melhor que todos o imaginem, pensem no que há de mais estimulante numa relação a dois. Gosto de ressaltar o momento em que fico nua, altiva e desinibida. Acrescento aqui curto episódio: o namorado a procurar todo o meu corpo com mãos de mil carícias, a me beijar a boca; o ato de eu deitar sobre ele, ou ele sobre mim, não importa.
Mas a foto, não lembro...
Ou será que esqueci de propósito? Diz ele: “pedi para você ir lá fora, sua reação foi afirmativa e imediata.” Ainda, segundo ele, saí nua de casa. Sua sugestão era que eu fosse até a calçada, vestida.
Acho que recordo apenas o ar frio. Era noite de outono. Também lembro que quase pedi para vestir um casaquinho. Fora isso, mais nada.
Agora ele me mandou essa foto, anexa a uma mensagem. Apesar de aparecer um tantinho vexada, não posso recusá-la. Fiquei tão bonitinha. Mas fiz uma ressalva: “olhe, não vá postá-la por aí, viu?” Não demorou a me responder: “você é tão exibida, aposto que está doidinha para ser admirada por seus fãs.”
Então, após refletir um pouquinho, mudei de opinião. Antes que acontecesse, eu mesma a postei. Espero que todos me apreciem. E gostem!
Já namorei este meu amigo. Ele é muito bonito e gostoso. Diz que, quando me insinuei a ele naquela noite, pediu em contrapartida apenas a possibilidade de fazer meu retrato numa cena externa.
Digamos que seja tudo verdade. Não há problema uma foto minha, eu pelada na rua. O mais prazeroso, porém, é namorar com ele. Não há nada mais gostoso. De suas carícias naquela noite, não me esqueci. Fui à casa dele, bebemos vinho, ficamos excitadíssimos. Depois me levou para o quarto. Fizemos amor de todas as maneiras. Uma mulher não gosta de descrever os pormenores do seu ato de amor, geralmente o deixa implícito, melhor que todos o imaginem, pensem no que há de mais estimulante numa relação a dois. Gosto de ressaltar o momento em que fico nua, altiva e desinibida. Acrescento aqui curto episódio: o namorado a procurar todo o meu corpo com mãos de mil carícias, a me beijar a boca; o ato de eu deitar sobre ele, ou ele sobre mim, não importa.
Mas a foto, não lembro...
Ou será que esqueci de propósito? Diz ele: “pedi para você ir lá fora, sua reação foi afirmativa e imediata.” Ainda, segundo ele, saí nua de casa. Sua sugestão era que eu fosse até a calçada, vestida.
Acho que recordo apenas o ar frio. Era noite de outono. Também lembro que quase pedi para vestir um casaquinho. Fora isso, mais nada.
Agora ele me mandou essa foto, anexa a uma mensagem. Apesar de aparecer um tantinho vexada, não posso recusá-la. Fiquei tão bonitinha. Mas fiz uma ressalva: “olhe, não vá postá-la por aí, viu?” Não demorou a me responder: “você é tão exibida, aposto que está doidinha para ser admirada por seus fãs.”
Então, após refletir um pouquinho, mudei de opinião. Antes que acontecesse, eu mesma a postei. Espero que todos me apreciem. E gostem!
quinta-feira, junho 16, 2011
Viver todo esse prazer...
Quero que saibas que não sou prostituta, o que faço é por gosto. Podes pensar que para mim seria mais fácil reclamar algum dinheiro, quantia que me pagasse o risco. Mas não é isso que me satisfaz, somente o toque sutil de tuas mãos, o beijo, ou uma série deles, o namoro ainda que por uma noite. Muitos perguntam se não temo. Claro que tenho medo, quanto a isso não resta dúvida. Alguns, nessa estrada noturna, depois do gozo me deixam nua. Sei que desejas saber como faço para voltar sem roupa à Vila. Tenho minhas precauções. Sei onde me vestir. E não é com folhas de árvore. Há esconderijos, duas ou três estações, onde posso parar, descansar, pensar no que fazer. São lugares onde viva alma não me conhece nem suspeita de minha aparição, onde deixo um vestido inteiro, panos, ou mesmo moldes de papel do meu manequim, próprios para fantasias passageiras ou para correr a casa, e não é de primeira que se desfazem, a não ser que os molhe a chuva. Já fui costureira, sabias?
As meninas invejam-me. São tantos os meus namorados. Querem ao menos um para si. Mas eles vêm apenas a mim. Elas são como galinhas que apenas cacarejam, mas não tomam coragem de rondar fora da Vila, morrem de vergonha, temem os desconhecidos, ou mesmo incidente que lhes revele a identidade.
Toma-me em teus braços. Isso, assim. Tens suavidade. Sente minha pele quente. Depois vamos a mais conversa. Descobriste agora? Venho completa, todas as peças. Há homens rudes, desejam despir a mulher, peça a peça, não admitem que lhe falte uma delas. Podem até nem devolver, mas gostam de tirá-las, às vezes com cuidado, outras tantas com violência, de modo a danificá-las, a esgarçá-las, assim como nos arranham a pele.
Tira, vai, pode me deixar nua, tenho meus sortilégios. Mais tarde conto sobre eles, agora quero apenas teu sexo. A cabine de teu caminhão é tão espaçosa... Dás prazer em dobro. Isso, segura aí, aperta, aperta que me vem o gozo. Queres trazer por trás a outra mão? Já devias ter explorado melhor esse caminho...
Os homens gostam de gozar assim. Permito. Admiram-me a habilidade, não deixo escapar uma gota. Não precisas me tapar o nariz nem contar até dez. Engulo tudo muito rápido, tão depressa que não hás de acreditar. Mas queres que eu vá além, que engula líquido de teu frasco? E se for veneno? Há quem deseja nos matar, sabias? Mas me garantes que é alguma coisa sã, que além disso me dará um barato? Ou será que me há de sair caro? Vou beber, confio em ti. Mas não me vás fazer como um que vinha de Vitória e me empurrou goela abaixo remédio que fez soltar meus intestinos. Quis-me agachada, sem defesa, mal cheirosa e sob seu olhar...
Sei que há ainda os piores. Não foi por aqui, mas na cidade. Uma amiga teve de comer de um pote, pensou ser chocolate o presente do namorado. Quando descobriu o verdadeiro conteúdo não pôde recusar, o homem tinha uma arma. Imagina o que comeu. Depois teve de correr a um hospital. Sorte não ter morrido.
Viver é muito perigoso, como li num livro. E viver todo esse prazer é muito mais perigoso.
Mas vem, sei que te conheci há menos de uma hora, também sei que não é desses deixados para trás na conversa. Deita-te sobre mim, goza, não faz mal, transborda-me do teu prazer!
As meninas invejam-me. São tantos os meus namorados. Querem ao menos um para si. Mas eles vêm apenas a mim. Elas são como galinhas que apenas cacarejam, mas não tomam coragem de rondar fora da Vila, morrem de vergonha, temem os desconhecidos, ou mesmo incidente que lhes revele a identidade.
Toma-me em teus braços. Isso, assim. Tens suavidade. Sente minha pele quente. Depois vamos a mais conversa. Descobriste agora? Venho completa, todas as peças. Há homens rudes, desejam despir a mulher, peça a peça, não admitem que lhe falte uma delas. Podem até nem devolver, mas gostam de tirá-las, às vezes com cuidado, outras tantas com violência, de modo a danificá-las, a esgarçá-las, assim como nos arranham a pele.
Tira, vai, pode me deixar nua, tenho meus sortilégios. Mais tarde conto sobre eles, agora quero apenas teu sexo. A cabine de teu caminhão é tão espaçosa... Dás prazer em dobro. Isso, segura aí, aperta, aperta que me vem o gozo. Queres trazer por trás a outra mão? Já devias ter explorado melhor esse caminho...
Os homens gostam de gozar assim. Permito. Admiram-me a habilidade, não deixo escapar uma gota. Não precisas me tapar o nariz nem contar até dez. Engulo tudo muito rápido, tão depressa que não hás de acreditar. Mas queres que eu vá além, que engula líquido de teu frasco? E se for veneno? Há quem deseja nos matar, sabias? Mas me garantes que é alguma coisa sã, que além disso me dará um barato? Ou será que me há de sair caro? Vou beber, confio em ti. Mas não me vás fazer como um que vinha de Vitória e me empurrou goela abaixo remédio que fez soltar meus intestinos. Quis-me agachada, sem defesa, mal cheirosa e sob seu olhar...
Sei que há ainda os piores. Não foi por aqui, mas na cidade. Uma amiga teve de comer de um pote, pensou ser chocolate o presente do namorado. Quando descobriu o verdadeiro conteúdo não pôde recusar, o homem tinha uma arma. Imagina o que comeu. Depois teve de correr a um hospital. Sorte não ter morrido.
Viver é muito perigoso, como li num livro. E viver todo esse prazer é muito mais perigoso.
Mas vem, sei que te conheci há menos de uma hora, também sei que não é desses deixados para trás na conversa. Deita-te sobre mim, goza, não faz mal, transborda-me do teu prazer!
quinta-feira, junho 09, 2011
"Nada mais excitante do que seus pés"
Ele trouxe a câmera. Olhei reticente, acabei perguntando:
“O que você vai fazer com isso?”
“É uma câmera, para que serve?”
“Sei para que serve, mas você vai fotografar quem?”
“Adivinha?”, sorriu depois da interrogação.
“Não tenho a mínima ideia”, dissimulei.
“Jura?”
“Bem, jurar já é misturar as coisa.”
“Então, já que você entendeu, vista-se como quiser, vou fotografá-la.”
“Você me pediu?”
“Senhorita, queira me perdoar, acaso gostaria que eu fotografasse vossa beleza?”
“Verdade?”, sorri, “ou cantada?”
Fez uma mesura, posicionou a câmera, permaneci na mesma postura, clicou.
“A senhorita é bela mesmo sem fazer pose, venha ver.”
“Aceitável”, afirmei.
“Então?”
Depois de cinquenta minutos já tinha vestido e despido todas as minhas roupas. Aliás, faltavam os biquínis.
“Que tal?”, apareci, muito mais corpo do que pano.
No final, disse a ele:
“Espere, agora uma surpresa.”
Saí de trás do biombo envolvida apenas numa canga abóbora, tão bonita. Fez três cliques, eu enrolada nela. A seguir, a surpresa: deixei escorregar o tecido semitransparente.
“As mulheres adoram ficar nuas”, falou enquanto me fotografava de todas as maneiras.
Quando acabou, suspirei:
“Olhe onde você vai colocar essas fotos...”
“Você nunca fotografou nua?”
“Já, e nem sei onde andam as tais fotos. Acho que com um ex-namorado.”
“Confie em mim, envio todas a você.
Perguntou se as queria por e-mail.
“Talvez, mas imprima algumas. Depois das câmeras digitais ninguém mais tem fotos de papel.”
Vieram as fotos. Por e-mail e papel.
“Ah, eu mato esse homem, olhe o que ele fez...”
Depois de examinar todas as fotos, não encontrei os nus, mas algumas em que figuravam apenas os meus pés. Pés ora calçados, ora despidos. No final, um bilhete:
“Nada mais excitantes do que seus pés.”
Oh, veja, eu lá quero saber de fotos de meus pés? Além do mais, não tenho como provar que são os meus!
“O que você vai fazer com isso?”
“É uma câmera, para que serve?”
“Sei para que serve, mas você vai fotografar quem?”
“Adivinha?”, sorriu depois da interrogação.
“Não tenho a mínima ideia”, dissimulei.
“Jura?”
“Bem, jurar já é misturar as coisa.”
“Então, já que você entendeu, vista-se como quiser, vou fotografá-la.”
“Você me pediu?”
“Senhorita, queira me perdoar, acaso gostaria que eu fotografasse vossa beleza?”
“Verdade?”, sorri, “ou cantada?”
Fez uma mesura, posicionou a câmera, permaneci na mesma postura, clicou.
“A senhorita é bela mesmo sem fazer pose, venha ver.”
“Aceitável”, afirmei.
“Então?”
Depois de cinquenta minutos já tinha vestido e despido todas as minhas roupas. Aliás, faltavam os biquínis.
“Que tal?”, apareci, muito mais corpo do que pano.
No final, disse a ele:
“Espere, agora uma surpresa.”
Saí de trás do biombo envolvida apenas numa canga abóbora, tão bonita. Fez três cliques, eu enrolada nela. A seguir, a surpresa: deixei escorregar o tecido semitransparente.
“As mulheres adoram ficar nuas”, falou enquanto me fotografava de todas as maneiras.
Quando acabou, suspirei:
“Olhe onde você vai colocar essas fotos...”
“Você nunca fotografou nua?”
“Já, e nem sei onde andam as tais fotos. Acho que com um ex-namorado.”
“Confie em mim, envio todas a você.
Perguntou se as queria por e-mail.
“Talvez, mas imprima algumas. Depois das câmeras digitais ninguém mais tem fotos de papel.”
Vieram as fotos. Por e-mail e papel.
“Ah, eu mato esse homem, olhe o que ele fez...”
Depois de examinar todas as fotos, não encontrei os nus, mas algumas em que figuravam apenas os meus pés. Pés ora calçados, ora despidos. No final, um bilhete:
“Nada mais excitantes do que seus pés.”
Oh, veja, eu lá quero saber de fotos de meus pés? Além do mais, não tenho como provar que são os meus!
domingo, junho 05, 2011
Acho que estou esquecendo alguma coisa
Aceitei o convite para ir à casa de um ex-namorado. É sempre arriscado visitar alguém cujos braços já frequentamos. Mas fui. Arrumei-me de modo a destacar meu corpo. Uma blusa justa, que deixava um tantinho da barriga de fora, uma pequena jaqueta a proteger-me do sereno e de arrepios e a calça strech, de modo a ressaltar meu bumbum.
Ao chegar, reparei que ele tinha pensado em tudo. Uma mesa plena de iguarias e um bom vinho aguardavam-me. Fundo musical de piano expandia-se suave, envolvendo a sala num misto de beatitude e desejo. Será que ele desejava me conquistar de novo? Fora ele que me dera o fora...
Abriu a garrafa de vinho. Pediu para que eu o experimentasse. Gostei. Movi a cabeça saliente; sorri insinuante.
Permaneci sentada num pequeno divã, enquanto ele ficou frente a mim, numa cadeira bonita, dessas de madeira antiga. Conversamos. Lembramos velhos tempos, velhos amigos. Comemos e bebemos. O vinho acentuava nosso entusiasmo.
Em algum momento, tirei da bolsa a câmera. Que bom que todos temos hoje uma máquina de retratos!
“Quer fazer uma foto minha?”, perguntou.
“Sim; posso?”
“Tenha a bondade.”
Fiz a foto. Ele segurava a taça de vinho e sorria. Levantei-me e procurei outro ângulo. Fotografei-o mais uma vez. Observei as fotos na tela; ficaram lindas. Mostrei a ele. Guardei a câmera e conversamos mais um pouco.
Depois de algum tempo, falou:
“Vou mostrar uma coisa a você.”
Ligou o computador. Logo chegou a uma tela em que havia uma foto minha. E eu estava nua! Então lembrei que eu me deixara fotografar por ele. Havia outras fotos minhas. Mostrou-me todas.
“Você enrubesceu”, falou-me em voz baixa, quase um galanteio.
“Enrubesci?, não acredito.”
Meneou a cabeça, depois saiu da página em que eu me apresentava de corpo ereto, desinibida e de frente.
“Volte lá, quero ver uma das fotos.”
Voltou ao local. Apontei a ele:
“Olha, essa é a mais bonita.”
“É a que ficou melhor”, frisou.
“Isso mesmo. Sabe, faz tanto tempo que ninguém me fotografa...”
“Se você quiser, estou pronto.”
“Ainda não; vou pensar. Pode ser que eu saia de face vermelha em todas as fotos...”
Sorriu. Terminamos a garrafa de vinho. Comi ainda duas torradinhas com pasta de caviar. Olhei as horas.
“Já pensa em partir?”
“Vou ficar mais uns minutinhos.”
“Então vamos escutar uma cantora que descobri faz um mês ou dois. Ela é americana, mas também canta em francês."
Colocou o CD. Prestei atenção em silêncio à primeira música.
“Excelente”, eu disse.
Ouvimos mais um pouco.
“Você deseja mais alguma coisa?”
“Queria beber mais vinho.”
“Vinho, não tenho. Quer ir até lá embaixo para comprarmos?”
“Vamos; pode ser que eu crie coragem depois.”
“Coragem? Para quê?”, quis saber.
“Depois te conto.”
Descemos, procuramos um bar nas proximidades. Como já passava da meia-noite, muita gente estava junto ao balcão; conversavam e tomavam cerveja.
Conseguiu uma caneca de vinho para mim.
“Esse não é da mesma qualidade do que você bebeu lá em casa, mas...”
Tomei assim mesmo. Não era mau o vinho.
Voltamos ao apartamento.
Pedi licença e fui ao banheiro. Demorei um pouquinho.
Saí devagar. Ele, naquele momento, estava sentado no mesmo local onde eu estivera. Quando me viu, fingiu não se surpreender. Eu estava nuazinha. Portei-me como se fosse a mulher mais vestida do mundo. Sentei na cadeira que antes fora dele.
Pedi a bolsa, tirei a máquina e a entreguei nas mãos dele.
Fez várias fotos. Eu escolhia a pose e ele clicava. Depois me perguntou se podia descarregar no computador. Permiti. Continuei nua ao lado dele enquanto via minhas fotos se espalharem pela tela luminosa.
“O vinho fez bem a você”, falou.
“E como, estava uma delícia.”
Levantou-se e saiu da sala por algum tempo. Quando retornou, ouvimos mais um CD: um quarteto para cordas.
Após vinte minutos, fui ao banheiro; queria me vestir. Mas, surpresa: minhas roupas não estavam lá.
Saí, nada falei; ele já fizera semelhante brincadeira outrora.
“Preciso ir”, tomei a bolsa, coloquei-a a tiracolo.
“Já?”
“Tenho um compromisso.”
“Então vamos, vou chamar um táxi pra você.”
Descemos pelo elevador social.
“Acho que estou esquecendo alguma coisa”, disse a ele.
“Será a máquina de fotos?”
“Não, a máquina está aqui na bolsa.”
Quando íamos deixar o prédio, vinha uma pessoa. Então ele me abraçou junto a uma das pilastras e cobriu meu corpo com o seu, que era bem maior. Beijou-me a boca.
“Já descobri o que você esqueceu”, falou excitado.
“O quê?”, perguntei fingida.
“Não notou que você está pelada?”
“Eu, pelada?”, abaixei a cabeça e tapei os seios com um dos braços, “e você nem pra me avisar!”, fui perfeita na representação.
Subimos de novo ao apartamento.
“Acho que só vou devolver amanhã”, colocou-me na cama.
“Não posso, juro, tenho um compromisso.”
“Então você é capaz de ir ao seu compromisso nua?”
“Prefiro voltar aqui outro dia e prometo que volto nua.”
“Promete mesmo?”
“Claro; você me conhece.”
Vesti-me. Despedimo-nos.
E fui ao meu compromisso.
Lá fiquei nua de novo. Até de manhãzinha.
Ao chegar, reparei que ele tinha pensado em tudo. Uma mesa plena de iguarias e um bom vinho aguardavam-me. Fundo musical de piano expandia-se suave, envolvendo a sala num misto de beatitude e desejo. Será que ele desejava me conquistar de novo? Fora ele que me dera o fora...
Abriu a garrafa de vinho. Pediu para que eu o experimentasse. Gostei. Movi a cabeça saliente; sorri insinuante.
Permaneci sentada num pequeno divã, enquanto ele ficou frente a mim, numa cadeira bonita, dessas de madeira antiga. Conversamos. Lembramos velhos tempos, velhos amigos. Comemos e bebemos. O vinho acentuava nosso entusiasmo.
Em algum momento, tirei da bolsa a câmera. Que bom que todos temos hoje uma máquina de retratos!
“Quer fazer uma foto minha?”, perguntou.
“Sim; posso?”
“Tenha a bondade.”
Fiz a foto. Ele segurava a taça de vinho e sorria. Levantei-me e procurei outro ângulo. Fotografei-o mais uma vez. Observei as fotos na tela; ficaram lindas. Mostrei a ele. Guardei a câmera e conversamos mais um pouco.
Depois de algum tempo, falou:
“Vou mostrar uma coisa a você.”
Ligou o computador. Logo chegou a uma tela em que havia uma foto minha. E eu estava nua! Então lembrei que eu me deixara fotografar por ele. Havia outras fotos minhas. Mostrou-me todas.
“Você enrubesceu”, falou-me em voz baixa, quase um galanteio.
“Enrubesci?, não acredito.”
Meneou a cabeça, depois saiu da página em que eu me apresentava de corpo ereto, desinibida e de frente.
“Volte lá, quero ver uma das fotos.”
Voltou ao local. Apontei a ele:
“Olha, essa é a mais bonita.”
“É a que ficou melhor”, frisou.
“Isso mesmo. Sabe, faz tanto tempo que ninguém me fotografa...”
“Se você quiser, estou pronto.”
“Ainda não; vou pensar. Pode ser que eu saia de face vermelha em todas as fotos...”
Sorriu. Terminamos a garrafa de vinho. Comi ainda duas torradinhas com pasta de caviar. Olhei as horas.
“Já pensa em partir?”
“Vou ficar mais uns minutinhos.”
“Então vamos escutar uma cantora que descobri faz um mês ou dois. Ela é americana, mas também canta em francês."
Colocou o CD. Prestei atenção em silêncio à primeira música.
“Excelente”, eu disse.
Ouvimos mais um pouco.
“Você deseja mais alguma coisa?”
“Queria beber mais vinho.”
“Vinho, não tenho. Quer ir até lá embaixo para comprarmos?”
“Vamos; pode ser que eu crie coragem depois.”
“Coragem? Para quê?”, quis saber.
“Depois te conto.”
Descemos, procuramos um bar nas proximidades. Como já passava da meia-noite, muita gente estava junto ao balcão; conversavam e tomavam cerveja.
Conseguiu uma caneca de vinho para mim.
“Esse não é da mesma qualidade do que você bebeu lá em casa, mas...”
Tomei assim mesmo. Não era mau o vinho.
Voltamos ao apartamento.
Pedi licença e fui ao banheiro. Demorei um pouquinho.
Saí devagar. Ele, naquele momento, estava sentado no mesmo local onde eu estivera. Quando me viu, fingiu não se surpreender. Eu estava nuazinha. Portei-me como se fosse a mulher mais vestida do mundo. Sentei na cadeira que antes fora dele.
Pedi a bolsa, tirei a máquina e a entreguei nas mãos dele.
Fez várias fotos. Eu escolhia a pose e ele clicava. Depois me perguntou se podia descarregar no computador. Permiti. Continuei nua ao lado dele enquanto via minhas fotos se espalharem pela tela luminosa.
“O vinho fez bem a você”, falou.
“E como, estava uma delícia.”
Levantou-se e saiu da sala por algum tempo. Quando retornou, ouvimos mais um CD: um quarteto para cordas.
Após vinte minutos, fui ao banheiro; queria me vestir. Mas, surpresa: minhas roupas não estavam lá.
Saí, nada falei; ele já fizera semelhante brincadeira outrora.
“Preciso ir”, tomei a bolsa, coloquei-a a tiracolo.
“Já?”
“Tenho um compromisso.”
“Então vamos, vou chamar um táxi pra você.”
Descemos pelo elevador social.
“Acho que estou esquecendo alguma coisa”, disse a ele.
“Será a máquina de fotos?”
“Não, a máquina está aqui na bolsa.”
Quando íamos deixar o prédio, vinha uma pessoa. Então ele me abraçou junto a uma das pilastras e cobriu meu corpo com o seu, que era bem maior. Beijou-me a boca.
“Já descobri o que você esqueceu”, falou excitado.
“O quê?”, perguntei fingida.
“Não notou que você está pelada?”
“Eu, pelada?”, abaixei a cabeça e tapei os seios com um dos braços, “e você nem pra me avisar!”, fui perfeita na representação.
Subimos de novo ao apartamento.
“Acho que só vou devolver amanhã”, colocou-me na cama.
“Não posso, juro, tenho um compromisso.”
“Então você é capaz de ir ao seu compromisso nua?”
“Prefiro voltar aqui outro dia e prometo que volto nua.”
“Promete mesmo?”
“Claro; você me conhece.”
Vesti-me. Despedimo-nos.
E fui ao meu compromisso.
Lá fiquei nua de novo. Até de manhãzinha.
terça-feira, maio 31, 2011
A gente se encontra qualquer dia desses
Para uma mulher, se a relação sexual é de camisinha é muito melhor. Não suja nem há perigo de problema algum, como gravidez ou doença. Tenho amigas que hesitam em namorar de camisinha. Querem que o namorado exiba exames de sangue de três em três meses. Prefiro a camisinha. Posso sair com quem quiser e nem me preocupo. Já houve vezes em que eu mesma levava a camisinha na bolsa. Quando percebia alguém interessado em mim e via que a relação iria além de uma simples conversa, perguntava: “trouxeste a camisinha?” Caso ele não a tivesse, apresentava-a eu.
Sabe-se que hoje em dia o sexo vem em primeiro lugar; depois, o amor. Quando é boa a trepada, é mais fácil a gente se apaixonar. Há amigas que me contam que conheceram um homem em uma festa e ficaram doidinhas para transar com ele na mesma noite, mas não o fizeram porque não encontraram o lugar apropriado. Meu problema não é o lugar. Para trepar sempre se dá um jeito. Já fiz amor em cada lugar que vocês nem imaginam. Mas é preciso que ele tire seu sexo de dentro da calça e vista a camisinha. Caso contrário, nada feito. Quero uma trepada limpa.
Outro dia estava na Lapa. Apareceu-me um homem lindo, jovial, bem vestido, alegre, do jeito que gosto. Estava sozinho numa mesa de bar. Eu tomava uma caipirinha com uma amiga. Ele olhou para nós duas e sorriu. Nada falei à minha amiga. Sorri em retribuição. Em algum momento, fui ao toalete. Ao voltar, entregou-me um bilhete quando passei perto dele. Era o número do telefone. Pensei: está investindo, pena que não seja para hoje. Aparentemente teria de me conformar. Não queria abandonar minha amiga no meio da noite. Pensei como faria para que ele se juntasse a nós. Minha amiga não gosta de que desconhecidos se aproximem dela sem que alguém os recomende. Sei que vocês vão achá-la uma mulher conservadora. E ela realmente é. Pedi licença para dar um telefonema. Liguei para ele, duas mesas depois de nós. Falei baixinho:
“Ei, estás me ouvindo. Venha até aqui. Mas faça de conta que me conhece há tempos. Meu nome é Júlia, viu? Fique aqui com a gente. Assim minha amiga não vai ficar aborrecida.”
Ele veio. Fez um teatro imenso ao fingir que me reconhecia. Minha amiga ainda sussurrou:
“Mas esse cara não estava sentado a duas mesas daqui?”
“Não reparei”, respondi com toda a inocência.
Ficamos os três juntos. Conversamos sobre vários assuntos. Ele trabalhava com produção cultural. Veja só que legal. Falava dessas coisas em plena Lapa, e já passavam das duas da madrugada.
Em determinado momento, minha amiga fez menção de ir embora. Não pedi que ficasse mais um pouco. Tinha de acompanhá-la até em casa. Mas disse a ela o seguinte:
“Espera um instantinho? Vou mostrar a ele o sobrado aqui ao lado onde há um atelier. Cinco minutinhos, tá?”
Puxei o homem pelo braço. Entramos no sobrado. Estava aberto, mas vazio. Logo depois da porta de entrada há um vão à direita. Puxei o homem para lá.
“Queria acompanhar vocês, ficar mais tempo com você, principalmente.”
“A gente fica”, falei a ele, “mas minha amiga está com problemas, saí com ela para que se distraísse. Amanhã prometo que te ligo."
Agarrei o homem, beijei-lhe a boca. Ele me apertou, puxou meu corpo para bem junto do seu, encostou seu sexo em mim. Eu vestia um vestido reto e curto.
“Você tem camisinha?”, perguntei.
“Mas, aqui?”, falou baixinho.
“Se você quer deixar para outro dia...”
“Está bem, tenho.”
Tirou da carteira a camisinha, virou de costa. Quando voltou, já estava com o pênis dentro dela. Pênis grande aquele. Daí em diante, vocês já sabem o que aconteceu.
“Você passou dos cinco minutos”, disse minha amiga ao me ver voltar sozinha.
“Foi porque ele precisou de uma embalagem.”
“Embalagem?”, perguntou curiosa.
“Decidiu fazer um investimento.”
“Ah, sim, ele é produtor cultural.”
Pegamos um táxi. Deixei-a em casa.
Ainda bem que aproveitei aquela madrugada, porque perdi o número do telefone dele. Mas, quem sabe, a gente se encontra qualquer dia desses.
quinta-feira, maio 26, 2011
E foi na mesma noite
Lena telefonou e me contou uma história engraçadíssima. Ela tomou um ônibus ontem na Tijuca, sentou ao lado de um homem de meia idade. Segundo ela, um senhor de aparência muito respeitável. Ela sorriu, pediu licença e quando ocupou o lugar junto à janela seu telefone tocou. Atendeu. Era a Maria Clara, lembra dela? Aquela que trabalha no BC e adora sair depois do expediente para tomar chope e conversar. Lena começou a contar à amiga um fato que lhe aconteceu na noite anterior. Vou tentar reproduzir suas palavras:
“Clara, ontem a Vânia me apresentou um homem, muito agradável por sinal. Mas não é que no final ele veio com aquela conversa de querer me levar para um lugar mais sossegado onde pudéssemos ficar a sós e conversar melhor... Disse que compraria pelo caminho uma garrafa de vinho. Falou que eu era uma graça, mulher perfeita para ele. Veja só, como eu ia sair com um homem que conheci naquela mesma noite? Não tenho nada contra ele, confesso que até gostei, estava bem vestido, sua conversa era interessante. Eu disse: hoje não dá, amanhã tenho que acordar cedo, vamos marcar para outro dia. Ele ficou insistindo, insistindo... Mas tive de dizer, determinada: nesta noite não posso, tenho um compromisso amanhã de manhã.”
Interrompo aqui as palavras de Lena para te dizer o seguinte. O cara que estava ao lado dela no ônibus começou a ficar interessado na conversa, acho que sintonizou melhor o ouvido e ficou escutando o que ela contava à amiga; depois, deu um ligeiro sorriso. Lena só pra provocar continuou falando do dito homem, das qualidades dele, e repetia que lhe negara a saída na mesma noite.
Continuava Lena:
“Ele já me telefonou duas vezes hoje, precisa ver como fala comigo. Acabei marcando para sairmos amanhã. Vamos ver onde isso vai dar.”
Enfim, desligou e reparou que o passageiro ao lado continuava a sorrir e aparentou que diria alguma coisa. Mas acho que ficou sem jeito. Ela pensou “se ele me abordar, dependendo da conversa correspondo, e se me chamar para descer do ônibus, aceito, tanto que seja para ir a algum bar perto de casa. Mas apenas para bater papo, porque se acontecer como o da noite anterior, tenho uma desculpa: você está me fazendo esse convite porque ouviu meu telefonema, não foi?” Lógico que ele ia responder que não, nada a ver com o telefonema, o importante era ela, uma bela mulher etc.
Mas, na verdade, o que aconteceu é que o homem saltou muito antes, na rua Riachuelo – o ônibus ia da Tijuca para o Jardim Botânico – e nossa amiga continuou até as Laranjeiras. Ele não lhe dirigiu palavra alguma durante o percurso em que estiveram juntos. Lena disse que naquele momento ficou um pouco decepcionada. Depois pensou, puxa, será que não gostou de mim, dei até um sorrisinho.
Ao saltar em Laranjeiras, porém, o homem a esperava no ponto:
“Como é possível, você desceu na Riachuelo!” falou alto sem pensar.
“Quis fazer uma surpresa”, e trazendo à frente uma das mãos ofereceu-lhe uma orquídea.
O que aconteceu depois? Ah, imagina! E foi na mesma noite.
“Clara, ontem a Vânia me apresentou um homem, muito agradável por sinal. Mas não é que no final ele veio com aquela conversa de querer me levar para um lugar mais sossegado onde pudéssemos ficar a sós e conversar melhor... Disse que compraria pelo caminho uma garrafa de vinho. Falou que eu era uma graça, mulher perfeita para ele. Veja só, como eu ia sair com um homem que conheci naquela mesma noite? Não tenho nada contra ele, confesso que até gostei, estava bem vestido, sua conversa era interessante. Eu disse: hoje não dá, amanhã tenho que acordar cedo, vamos marcar para outro dia. Ele ficou insistindo, insistindo... Mas tive de dizer, determinada: nesta noite não posso, tenho um compromisso amanhã de manhã.”
Interrompo aqui as palavras de Lena para te dizer o seguinte. O cara que estava ao lado dela no ônibus começou a ficar interessado na conversa, acho que sintonizou melhor o ouvido e ficou escutando o que ela contava à amiga; depois, deu um ligeiro sorriso. Lena só pra provocar continuou falando do dito homem, das qualidades dele, e repetia que lhe negara a saída na mesma noite.
Continuava Lena:
“Ele já me telefonou duas vezes hoje, precisa ver como fala comigo. Acabei marcando para sairmos amanhã. Vamos ver onde isso vai dar.”
Enfim, desligou e reparou que o passageiro ao lado continuava a sorrir e aparentou que diria alguma coisa. Mas acho que ficou sem jeito. Ela pensou “se ele me abordar, dependendo da conversa correspondo, e se me chamar para descer do ônibus, aceito, tanto que seja para ir a algum bar perto de casa. Mas apenas para bater papo, porque se acontecer como o da noite anterior, tenho uma desculpa: você está me fazendo esse convite porque ouviu meu telefonema, não foi?” Lógico que ele ia responder que não, nada a ver com o telefonema, o importante era ela, uma bela mulher etc.
Mas, na verdade, o que aconteceu é que o homem saltou muito antes, na rua Riachuelo – o ônibus ia da Tijuca para o Jardim Botânico – e nossa amiga continuou até as Laranjeiras. Ele não lhe dirigiu palavra alguma durante o percurso em que estiveram juntos. Lena disse que naquele momento ficou um pouco decepcionada. Depois pensou, puxa, será que não gostou de mim, dei até um sorrisinho.
Ao saltar em Laranjeiras, porém, o homem a esperava no ponto:
“Como é possível, você desceu na Riachuelo!” falou alto sem pensar.
“Quis fazer uma surpresa”, e trazendo à frente uma das mãos ofereceu-lhe uma orquídea.
O que aconteceu depois? Ah, imagina! E foi na mesma noite.
segunda-feira, maio 23, 2011
As pessoas me apreciam
“Amor, fecha essa janela, já está claro, as pessoas do outro prédio vão me ver aqui pelada.”
“Não há ninguém lá, ainda é cedo, todos devem estar dormindo.”
“Fecha, amor, alguém pode estar olhando por trás da cortina.”
Tudo começou na madrugada. Depois de duas horas num bar, tendo bebido dois martinis com maçã e meu namorado alguns chopes, viemos para a sua casa.
Começamos então nossas brincadeiras. Ele tirou toda a minha roupa, e cada vez que eu tentava me tapar com alguma coberta ele a roubava de mim. Por fim, tirou até mesmo o lençol que forrava a cama, não tive mais onde me esconder. Namoramos então exageradamente.
“Amor, por favor, fecha pelo menos a cortina e me deixa dormir mais um pouco.”
“Diga que você gosta de ficar nua, você adora correr o risco de ser surpreendida peladinha...”
“Gosto, mas não quando estou morrendo de sono, você sabe que durmo até mais tarde.”
“Lembra quando quis sair nua no meu carro?”
“Lembro, amor, mais eram duas da madrugada, estava tudo escuro, agora não, me deixa dormir.”
“Lembra quando entrou na lagoa, nua, só a luz do quiosque ao longe?”
“Amor, eram três da manhã, não tinha uma viva alma por perto.”
“E quando você fez toda aquela encenação, bateu na minha porta completamente nua?”
“Mas era também de madrugada, e você me deixou dormir até as dez ou onze, por favor...”
Fechei os olhos, fiquei com o bumbum para cima, virei a cabeça para o canto da parede. Dormi.
Algum tempo depois, ele me sacode.
“O que foi dessa vez? Juro que vou embora, vou dormir em casa, e não volto mais.”
“Só se você for embora pelada.”
“Amor, deita aqui comigo, esqueça essas histórias, à noite juro que represento as fantasias que você quiser.”
“Jura, mesmo?”
“Juro, amor, mas fecha a cortina.”
Acordei três horas depois. Havia um recado escrito a lápis de que ele tinha ido comprar comida. Escrevera mais um aviso:
“Não se vista, por favor, me espere nua.”
Como ia me vestir? Esse meu namorado taradinho sempre esconde minhas roupas. O máximo que consigo é encontrar uma camiseta dele, vesti-la e sentar no computador para me distrair enquanto ele não chega.
Escrevo um pequeno poema no mural de um amigo surfista, no Facebook:
As ondas me levam ou eu as dirijo? Fico em pé e sei que lá da areia algumas pessoas me apreciam...
“Não há ninguém lá, ainda é cedo, todos devem estar dormindo.”
“Fecha, amor, alguém pode estar olhando por trás da cortina.”
Tudo começou na madrugada. Depois de duas horas num bar, tendo bebido dois martinis com maçã e meu namorado alguns chopes, viemos para a sua casa.
Começamos então nossas brincadeiras. Ele tirou toda a minha roupa, e cada vez que eu tentava me tapar com alguma coberta ele a roubava de mim. Por fim, tirou até mesmo o lençol que forrava a cama, não tive mais onde me esconder. Namoramos então exageradamente.
“Amor, por favor, fecha pelo menos a cortina e me deixa dormir mais um pouco.”
“Diga que você gosta de ficar nua, você adora correr o risco de ser surpreendida peladinha...”
“Gosto, mas não quando estou morrendo de sono, você sabe que durmo até mais tarde.”
“Lembra quando quis sair nua no meu carro?”
“Lembro, amor, mais eram duas da madrugada, estava tudo escuro, agora não, me deixa dormir.”
“Lembra quando entrou na lagoa, nua, só a luz do quiosque ao longe?”
“Amor, eram três da manhã, não tinha uma viva alma por perto.”
“E quando você fez toda aquela encenação, bateu na minha porta completamente nua?”
“Mas era também de madrugada, e você me deixou dormir até as dez ou onze, por favor...”
Fechei os olhos, fiquei com o bumbum para cima, virei a cabeça para o canto da parede. Dormi.
Algum tempo depois, ele me sacode.
“O que foi dessa vez? Juro que vou embora, vou dormir em casa, e não volto mais.”
“Só se você for embora pelada.”
“Amor, deita aqui comigo, esqueça essas histórias, à noite juro que represento as fantasias que você quiser.”
“Jura, mesmo?”
“Juro, amor, mas fecha a cortina.”
Acordei três horas depois. Havia um recado escrito a lápis de que ele tinha ido comprar comida. Escrevera mais um aviso:
“Não se vista, por favor, me espere nua.”
Como ia me vestir? Esse meu namorado taradinho sempre esconde minhas roupas. O máximo que consigo é encontrar uma camiseta dele, vesti-la e sentar no computador para me distrair enquanto ele não chega.
Escrevo um pequeno poema no mural de um amigo surfista, no Facebook:
As ondas me levam ou eu as dirijo? Fico em pé e sei que lá da areia algumas pessoas me apreciam...
quinta-feira, maio 19, 2011
Você é muito profissional
Estava no píer, em C. Frio, era uma manhã de domingo, ainda cedo. O vento, suave, soprava em direção ao continente. Sobre meu corpo, apenas um vestido leve, soltinho, nem dormira na noite anterior, fora a uma festa, despedira-me dos amigos e decidira ver o amanhecer. O sol matinal, principalmente o seu aparecimento gradativo no horizonte, sempre me deu muita energia. Seus raios, os riscos vermelhos e alaranjados no céu, que pouco a pouco vão empurrando a escuridão para oeste, recuperam-me de qualquer noite em claro ou mal dormida. Daí, que, naquela manhã, não fui para casa. Como a brisa da madrugada ainda perdurava, mantinha-me abraçada ao meu próprio tronco, com as mãos cruzadas sobre os seios. Até então não percebera presença de pessoa alguma. Mas ouvi um ligeiro ruído; depois, alguns passos. Vi um homem. Não sei o que pensou, mas meu vestido curto, leve, eu sozinha, ainda o restinho da madrugada, tudo isso acho que contribuiu para que, pouco a pouco, ele se aproximasse. Nada falou, mas senti que ansiava por trocar algumas palavras. Os seres humanos são assim, não vivem sem uma troca, sobretudo se lhes é vantajosa. Embora mulher e sempre na posição de desvantagem, fui a primeira a dizer oi, ou bom dia, não lembro ao certo. Na verdade, uma atmosfera de alegria me contagiava, todo aquele espetáculo que se anunciava era promissor, não conseguiria permanecer calada ao lado de outra pessoa diante de um domingo que pouco a pouco se azulava.
“Bom dia”, correspondeu e sorriu.
“Bonito, não?”
“Muito bonito.”
“Você está hospedada na casa da Vera, não?”
“Não, não sou eu, deve ser outra pessoa, não estou hospedada com ninguém, vim de uma festa, tenho uma pequena casa em Arraial.”
“Desculpe, confundi você.”
“Não tem problema, estou acostumada com essas confusões, e olha que às vezes são maneiras de continuar a conversa”, ri em seguida, fazendo que ele se descontraísse.
“Não, não, minha intenção não foi essa.”
“E se fosse, que mal teria? As pessoas gostam de se aproximar uma das outras e as mulheres gostam de ser admiradas.”
“Assim você me rouba todas as armas.”
“E quem disse que não sei sobre as armas dos homens?”
Riu de novo.
“Você é bonita, e ainda sozinha a essa hora é um convite e tanto.”
“Você quer me convidar para quê? Tenho a alternativa de recusar, não é mesmo?”
“Claro. Mas já que você falou em convite, sou fotógrafo, adoraria fotografar você.”
“Só aceito se for profissionalmente, sou modelo.”
“Ótimo, então podemos fazer um acordo.”
O sol já aparecia, o dia de domingo se consolidava, respirei fundo, olhei para o mar e deixei que o homem falasse.
“Você tem um meio de contato?”
“Tenho, pena que não trouxe um cartão. Mas você anota meu celular, também meu e-mail.”
Ele anotou meu nome e tudo que era preciso.
“Flávia, telefono para você, não vai demorar.”
“Estou acostumada a trabalhar para revistas de moda, tudo muito profissional, você me entende, não? Nunca tive problema algum. Geralmente me pegam no aeroporto, me levam para o estúdio, fazem as fotos, me pagam, e me levam de volta. Temos apenas que fazer um pequeno contrato.”
“Ok, combinado.”
“Uma perguntinha só”, insisti, “de quantas pessoas é a sua equipe?”
“No máximo três pessoas, e há também uma mulher. Não se preocupe.”
“Não há mal algum. Mesmo que todos sejam homens, poso do mesmo jeito.”
Despediu-se. Disse que tinha um compromisso duas horas depois e que precisava descansar. Antes de ir, pediu desculpas:
“Me chamo Arnaldo, não me apresentei antes”, estendeu-me a mão. Mas acabei aproximando meu rosto para beijá-lo. Ele não se surpreendeu.
Três ou quatro dias depois, telefonou. Eu já estava no Rio. A ligação era de São Paulo, falou sobre local, dia e hora, a seguir me enviou por e-mail todos os detalhes, o pequeno contrato, a quantidade de fotos, para que fim eram etc.
Na sexta da mesma semana, embarquei no Santos Dumont.
Uma moça, segurando um cartaz com o meu nome e sobrenome, esperava-me à porta do desembarque, no aeroporto de Congonhas. Ajudou-me a carregar a bagagem, na verdade uma sacola de mão e a bolsa. Entramos no táxi que já nos aguardava, atravessamos toda a cidade. Encontrei Arnaldo apenas no estúdio, no décimo oitavo andar de um prédio comercial, acho que próximo ao centro, não sei precisar ao certo.
“Que prazer em ter você conosco.” Beijou-me
“O prazer também é meu”, falei tentando me tornar íntima do ambiente que nos circundava.
Serviu-me café e uns biscoitos, perguntou se a viagem fora boa. Perguntas de praxe. Depois me mostrou o estúdio e falou sobre o tipo de fotos que desejava.
Trabalhava para uma grife. Mostrou-me as roupas que eu teria de vestir, apresentou-me ao maquiador.
Depois de tudo preparado, começamos a fotografar. Sempre tive muita experiência. Fiz centenas de fotos com as mais diversas roupas: vestidos, saias, blusas e, no final, biquínis. Em algumas eu não devia aparecer totalmente vestida. Às vezes apenas de blusa, outras tantas só de saia e assim sucessivamente.
Paramos às 13h00 para o almoço. Retornamos às 14h30min e continuamos a fotografar.
Quando terminamos, deviam ser mais ou menos 17h. Estava exausta.
“Você quer permanecer aqui em São Paulo, ou volta hoje mesmo para o Rio?”
“Prefiro voltar”, respondi feliz pela possibilidade.
“Para nós seria um prazer levá-la para jantar, apresentá-la à noite paulistana.”
“Fica para outra vez, estou muito cansada, e amanhã tenho mais um compromisso.”
Despedimo-nos. A equipe era composta por quatro pessoas, uma a mais do que me falara no começo, mas acho que isso aconteceu porque se esqueceu de incluir o maquiador, ou a moça que me foi apanhar no aeroporto.
Foi ela ainda que me levou de volta. Peguei o vôo das 19h45min.
Na verdade, aquela primeira conversa no píer, em Cabo Frio, me rendeu um bom dinheiro. Já pensou se eu fosse uma mulher austera, que não conversasse com homem algum? Estaria agora no prejuízo.
Dias depois, enquanto aguardava Rita – uma amiga – vestir-se para sairmos, contei-lhe o episódio.
“E você, não aproveitou?”, sua curiosidade um dia ainda haverá de matá-la.
“Acha que não aproveitei? Já não falei quanto me pagaram?”
“Mas você não quis passear com eles, não namorou ninguém. Um homem tão fino, tão bonito, tão...
“Profissional”, completei.
“O que há de mal nisso? Ouço falar de modelos e mesmo de atrizes que namoram fotógrafos, diretores, outros atores e até mesmo gente da própria equipe.”
“Mas você não acha que isso prejudica?”
“Não, basta saber separar as coisas.”
“Separar como, Rita? Se transo com alguém, fica tudo misturado. E, além disso, há homens em muitos outros lugares.”
“Não sei disso, Flávia. Não tenho ninguém faz tempo. Acho que se me surge uma oportunidade como essa, não deixo passar.”
“Você fala assim porque nunca trabalhou como modelo. Quando se é desse ramo, não é assim que as coisas funcionam.”
“Tive um namorado que me fotografou nua, podia ter-me tornado modelo. As fotos ficaram lindas.”
“Onde estão essas fotos agora?”
“Ficaram com ele.”
“E não preocupa você o que ele possa fazer com elas?”
“Não acho que ele vá fazer mau uso delas.”
“Quero ver a sua reação caso ele coloque as fotos num desses sites pornô...”
“Ah, sabe, às vezes dou uma olhadinha na Internet pra ver se me encontro.”
“Você gosta de correr perigo, não? Sente prazer nisso... Saiba uma coisa, quem é modelo profissional não posa de graça nem gosta de correr riscos.”
“Ah, sei que sou doidinha, não faz mal posar nua e de graça se o homem é bonito.”
“Então se você tivesse conhecido o fotógrafo, em Cabo Frio, imagino o resultado.”
“Acho que agarrava o homem ali mesmo no píer. E se o vestido fosse como o seu, certamente seria levado pelo vento...”
“Rita, sei que existe gente pra tudo, mas você é muito louca, não sei como posso ser sua amiga.”
“Poxa, Flávia, você é muito profissional. Vai dizer que nunca deu uma fugidinha com um cara desses. Conta, vai, já deu sim, acho que até já me contou...”
Acabamos as duas rindo, enquanto saíamos para um restaurante no Leblon.
“Bom dia”, correspondeu e sorriu.
“Bonito, não?”
“Muito bonito.”
“Você está hospedada na casa da Vera, não?”
“Não, não sou eu, deve ser outra pessoa, não estou hospedada com ninguém, vim de uma festa, tenho uma pequena casa em Arraial.”
“Desculpe, confundi você.”
“Não tem problema, estou acostumada com essas confusões, e olha que às vezes são maneiras de continuar a conversa”, ri em seguida, fazendo que ele se descontraísse.
“Não, não, minha intenção não foi essa.”
“E se fosse, que mal teria? As pessoas gostam de se aproximar uma das outras e as mulheres gostam de ser admiradas.”
“Assim você me rouba todas as armas.”
“E quem disse que não sei sobre as armas dos homens?”
Riu de novo.
“Você é bonita, e ainda sozinha a essa hora é um convite e tanto.”
“Você quer me convidar para quê? Tenho a alternativa de recusar, não é mesmo?”
“Claro. Mas já que você falou em convite, sou fotógrafo, adoraria fotografar você.”
“Só aceito se for profissionalmente, sou modelo.”
“Ótimo, então podemos fazer um acordo.”
O sol já aparecia, o dia de domingo se consolidava, respirei fundo, olhei para o mar e deixei que o homem falasse.
“Você tem um meio de contato?”
“Tenho, pena que não trouxe um cartão. Mas você anota meu celular, também meu e-mail.”
Ele anotou meu nome e tudo que era preciso.
“Flávia, telefono para você, não vai demorar.”
“Estou acostumada a trabalhar para revistas de moda, tudo muito profissional, você me entende, não? Nunca tive problema algum. Geralmente me pegam no aeroporto, me levam para o estúdio, fazem as fotos, me pagam, e me levam de volta. Temos apenas que fazer um pequeno contrato.”
“Ok, combinado.”
“Uma perguntinha só”, insisti, “de quantas pessoas é a sua equipe?”
“No máximo três pessoas, e há também uma mulher. Não se preocupe.”
“Não há mal algum. Mesmo que todos sejam homens, poso do mesmo jeito.”
Despediu-se. Disse que tinha um compromisso duas horas depois e que precisava descansar. Antes de ir, pediu desculpas:
“Me chamo Arnaldo, não me apresentei antes”, estendeu-me a mão. Mas acabei aproximando meu rosto para beijá-lo. Ele não se surpreendeu.
Três ou quatro dias depois, telefonou. Eu já estava no Rio. A ligação era de São Paulo, falou sobre local, dia e hora, a seguir me enviou por e-mail todos os detalhes, o pequeno contrato, a quantidade de fotos, para que fim eram etc.
Na sexta da mesma semana, embarquei no Santos Dumont.
Uma moça, segurando um cartaz com o meu nome e sobrenome, esperava-me à porta do desembarque, no aeroporto de Congonhas. Ajudou-me a carregar a bagagem, na verdade uma sacola de mão e a bolsa. Entramos no táxi que já nos aguardava, atravessamos toda a cidade. Encontrei Arnaldo apenas no estúdio, no décimo oitavo andar de um prédio comercial, acho que próximo ao centro, não sei precisar ao certo.
“Que prazer em ter você conosco.” Beijou-me
“O prazer também é meu”, falei tentando me tornar íntima do ambiente que nos circundava.
Serviu-me café e uns biscoitos, perguntou se a viagem fora boa. Perguntas de praxe. Depois me mostrou o estúdio e falou sobre o tipo de fotos que desejava.
Trabalhava para uma grife. Mostrou-me as roupas que eu teria de vestir, apresentou-me ao maquiador.
Depois de tudo preparado, começamos a fotografar. Sempre tive muita experiência. Fiz centenas de fotos com as mais diversas roupas: vestidos, saias, blusas e, no final, biquínis. Em algumas eu não devia aparecer totalmente vestida. Às vezes apenas de blusa, outras tantas só de saia e assim sucessivamente.
Paramos às 13h00 para o almoço. Retornamos às 14h30min e continuamos a fotografar.
Quando terminamos, deviam ser mais ou menos 17h. Estava exausta.
“Você quer permanecer aqui em São Paulo, ou volta hoje mesmo para o Rio?”
“Prefiro voltar”, respondi feliz pela possibilidade.
“Para nós seria um prazer levá-la para jantar, apresentá-la à noite paulistana.”
“Fica para outra vez, estou muito cansada, e amanhã tenho mais um compromisso.”
Despedimo-nos. A equipe era composta por quatro pessoas, uma a mais do que me falara no começo, mas acho que isso aconteceu porque se esqueceu de incluir o maquiador, ou a moça que me foi apanhar no aeroporto.
Foi ela ainda que me levou de volta. Peguei o vôo das 19h45min.
Na verdade, aquela primeira conversa no píer, em Cabo Frio, me rendeu um bom dinheiro. Já pensou se eu fosse uma mulher austera, que não conversasse com homem algum? Estaria agora no prejuízo.
Dias depois, enquanto aguardava Rita – uma amiga – vestir-se para sairmos, contei-lhe o episódio.
“E você, não aproveitou?”, sua curiosidade um dia ainda haverá de matá-la.
“Acha que não aproveitei? Já não falei quanto me pagaram?”
“Mas você não quis passear com eles, não namorou ninguém. Um homem tão fino, tão bonito, tão...
“Profissional”, completei.
“O que há de mal nisso? Ouço falar de modelos e mesmo de atrizes que namoram fotógrafos, diretores, outros atores e até mesmo gente da própria equipe.”
“Mas você não acha que isso prejudica?”
“Não, basta saber separar as coisas.”
“Separar como, Rita? Se transo com alguém, fica tudo misturado. E, além disso, há homens em muitos outros lugares.”
“Não sei disso, Flávia. Não tenho ninguém faz tempo. Acho que se me surge uma oportunidade como essa, não deixo passar.”
“Você fala assim porque nunca trabalhou como modelo. Quando se é desse ramo, não é assim que as coisas funcionam.”
“Tive um namorado que me fotografou nua, podia ter-me tornado modelo. As fotos ficaram lindas.”
“Onde estão essas fotos agora?”
“Ficaram com ele.”
“E não preocupa você o que ele possa fazer com elas?”
“Não acho que ele vá fazer mau uso delas.”
“Quero ver a sua reação caso ele coloque as fotos num desses sites pornô...”
“Ah, sabe, às vezes dou uma olhadinha na Internet pra ver se me encontro.”
“Você gosta de correr perigo, não? Sente prazer nisso... Saiba uma coisa, quem é modelo profissional não posa de graça nem gosta de correr riscos.”
“Ah, sei que sou doidinha, não faz mal posar nua e de graça se o homem é bonito.”
“Então se você tivesse conhecido o fotógrafo, em Cabo Frio, imagino o resultado.”
“Acho que agarrava o homem ali mesmo no píer. E se o vestido fosse como o seu, certamente seria levado pelo vento...”
“Rita, sei que existe gente pra tudo, mas você é muito louca, não sei como posso ser sua amiga.”
“Poxa, Flávia, você é muito profissional. Vai dizer que nunca deu uma fugidinha com um cara desses. Conta, vai, já deu sim, acho que até já me contou...”
Acabamos as duas rindo, enquanto saíamos para um restaurante no Leblon.
quarta-feira, maio 11, 2011
O que vai ser de mim daqui pra frente?
Minha vida ia muito boa, até que apareceu uma mensagem no meu correio eletrônico: “seria uma miragem ou foi você que passou hoje por volta das doze horas em frente ao restaurante R.? Eu estava lá e não pude deixar de admirá-la.” Um amigo meu, também professor, assinava. Já faz algum tempo ele vem me enviando mensagens. Comenta alguma coisa sobre a nossa profissão, alguma atitude do sindicato, ou mesmo me manda textos e links de matérias que publica em alguns sites. Desde a última mensagem, porém, comecei a perder a tranquilidade.
Miragem? Normalmente miragens aparecem quando alguém está sedento, atravessando um deserto e a imagem de um oásis lhe vem à mente. Trata-se de um tipo de delírio em meio à situação muito adversa. Ah, eu e minha mania de analisar tudo o que os outros dizem. Eu seria a salvação para ele, que vive em meio a dificuldades, como a atravessar um deserto?
Fiz trinta e dois anos, não tenho namorado nem quero ter. Já os tive em pouca quantidade, mas no momento não os desejo. Há outras maneiras de namorar, isto é, de aproveitar a vida.
Às vezes, sozinha no meu quarto, entro numa dessas redes sociais e converso com os meus amigos. Muitos me conhecem apenas do mundo virtual, sabem da minha fisionomia e do meu corpo pelas fotos que posto. O que me proporciona maior prazer, entretanto, é conversar com eles inteiramente nua e eles nada saberem sobre isso. É interessante, nem imaginam que estão a falar com alguém que está na cama, em pele, com o computador sobre as pernas. Não sei dizer o motivo – nem procuro saber – de eu sentir tanto prazer nessa situação. Depois que desligo o notebook, mergulho sob o edredom e durmo tranquila o resto da madrugada. Ao acordar, a primeira coisa que faço é ligar o aparelho, que deixo sempre ao lado da cama, ver meus e-mails e falar com alguém que esteja online.
Outro dia ainda senti prazer maior. Escrevi uma história erótica: eu saía nua no meu carro, de madrugada, passeava por diversos lugares da cidade sem parar o veículo e, depois, ainda escuro, voltava para casa. Imaginem o prazer que esse texto me proporcionou: em primeiro lugar o tema; depois, escolher as palavras, ordenar as frases, elaborar imagens, apurar o estilo... Será que preciso mesmo de namorado?
Agora vem esse meu amigo dizendo que viu uma miragem. Não sei por que, mas me deu uma vontade louca de dizer a ele que a miragem era eu mesma, e que se ele me chama de miragem posso considerar sua afirmação um tanto ofensiva, porque sou uma mulher, algo bem mais concreto do que uma miragem. Se ele quiser tirar a prova, pode vir aqui em casa para constatar a minha realidade, pode fazer um exame mais apurado sobre o meu corpo. Sem problemas...
Ah, antes eu era tão feliz, bastava-me a nudez e o computador. Agora, não sei o que aconteceu. Toda hora o desejo de tê-lo ao meu lado. O que vai ser de mim daqui pra frente?
Miragem? Normalmente miragens aparecem quando alguém está sedento, atravessando um deserto e a imagem de um oásis lhe vem à mente. Trata-se de um tipo de delírio em meio à situação muito adversa. Ah, eu e minha mania de analisar tudo o que os outros dizem. Eu seria a salvação para ele, que vive em meio a dificuldades, como a atravessar um deserto?
Fiz trinta e dois anos, não tenho namorado nem quero ter. Já os tive em pouca quantidade, mas no momento não os desejo. Há outras maneiras de namorar, isto é, de aproveitar a vida.
Às vezes, sozinha no meu quarto, entro numa dessas redes sociais e converso com os meus amigos. Muitos me conhecem apenas do mundo virtual, sabem da minha fisionomia e do meu corpo pelas fotos que posto. O que me proporciona maior prazer, entretanto, é conversar com eles inteiramente nua e eles nada saberem sobre isso. É interessante, nem imaginam que estão a falar com alguém que está na cama, em pele, com o computador sobre as pernas. Não sei dizer o motivo – nem procuro saber – de eu sentir tanto prazer nessa situação. Depois que desligo o notebook, mergulho sob o edredom e durmo tranquila o resto da madrugada. Ao acordar, a primeira coisa que faço é ligar o aparelho, que deixo sempre ao lado da cama, ver meus e-mails e falar com alguém que esteja online.
Outro dia ainda senti prazer maior. Escrevi uma história erótica: eu saía nua no meu carro, de madrugada, passeava por diversos lugares da cidade sem parar o veículo e, depois, ainda escuro, voltava para casa. Imaginem o prazer que esse texto me proporcionou: em primeiro lugar o tema; depois, escolher as palavras, ordenar as frases, elaborar imagens, apurar o estilo... Será que preciso mesmo de namorado?
Agora vem esse meu amigo dizendo que viu uma miragem. Não sei por que, mas me deu uma vontade louca de dizer a ele que a miragem era eu mesma, e que se ele me chama de miragem posso considerar sua afirmação um tanto ofensiva, porque sou uma mulher, algo bem mais concreto do que uma miragem. Se ele quiser tirar a prova, pode vir aqui em casa para constatar a minha realidade, pode fazer um exame mais apurado sobre o meu corpo. Sem problemas...
Ah, antes eu era tão feliz, bastava-me a nudez e o computador. Agora, não sei o que aconteceu. Toda hora o desejo de tê-lo ao meu lado. O que vai ser de mim daqui pra frente?
quarta-feira, maio 04, 2011
O suspiro
Olho-me no espelho... Um suspiro. Não sei por que, mas acho que suspirei pelos quilos a mais, pela forma que deixo a desejar, preguiça de ir à academia, ou mesmo de correr de manhã na orla marítima.
Lembro-me de um antigo namorado que tive em Lisboa. Queria fotografar o meu suspiro. E mais, eu nua.
Não foi difícil tirar a roupa. Mas registrar em máquina de retratos – como se dizia naqueles tempos – o suspiro, isto sim, custou-nos uma tarde inteira. Clicava. Mas não se dava por satisfeito.
“Faltou-te o suspiro”, ralhava-me.
“Mas como um suspiro poderá aparecer numa fotografia?”, eu insistia na pergunta.
“Lógico que aparece, se bem suspirado”, afirmava convicto.
E cliques e mais cliques. Nada do suspiro.
Enfim, tive eu a ideia. Sempre eu a dar sugestões. Mas não foi que adiantou?
“Que tal me colocares sob ameaça? Ou mesmo contar-me uma história interessante, pode ser esta até aterrorizante. Talvez suspire no clímax, ou assuste-me de tal monta que irás conseguir teu intento.”
“Sugeres-me que, além de permaneceres nua, eu te assuste?”
“Isso. Mas um grande susto, ou grande a ameaça...”
“Ameaça? Deixe-me pensar”, suspirou ele.
“Uma faca, estarás a me espetar”, oficializei.
“Uma faca não hás de temer.”
“Não? Como temo! Penso logo a pele retalhada, ou mesmo uma cicatriz. Jamais vistes uma tez tão clara como a minha, não concordas?”
“Uma faca, não”, respondeu sem ouvir-me as últimas palavras. “A tesoura, pega-ma”, ordenou.
Custou-me um quarto de hora. Eu, em seu estúdio, à procura da tesoura.
Pediu que fechasse os olhos. Obedeci. Só os abrisse ante sua ordem plena.
“Sim”, sucinta. “E o suspiro?”
“Espera”, não titubeou.
Dois minutos depois, gritou:
“Não mexas o corpo. Abre, agora, os olhos!”
A câmera no tripé, nas mãos a tesoura a cortar-me o vestido comprado em Londres, não sei a quantas libras...
“Ah!”, dei o grito. Inútil mexer-me, o vestido tosquiado.
Enfim, o suspiro registrado...
Lembro-me de um antigo namorado que tive em Lisboa. Queria fotografar o meu suspiro. E mais, eu nua.
Não foi difícil tirar a roupa. Mas registrar em máquina de retratos – como se dizia naqueles tempos – o suspiro, isto sim, custou-nos uma tarde inteira. Clicava. Mas não se dava por satisfeito.
“Faltou-te o suspiro”, ralhava-me.
“Mas como um suspiro poderá aparecer numa fotografia?”, eu insistia na pergunta.
“Lógico que aparece, se bem suspirado”, afirmava convicto.
E cliques e mais cliques. Nada do suspiro.
Enfim, tive eu a ideia. Sempre eu a dar sugestões. Mas não foi que adiantou?
“Que tal me colocares sob ameaça? Ou mesmo contar-me uma história interessante, pode ser esta até aterrorizante. Talvez suspire no clímax, ou assuste-me de tal monta que irás conseguir teu intento.”
“Sugeres-me que, além de permaneceres nua, eu te assuste?”
“Isso. Mas um grande susto, ou grande a ameaça...”
“Ameaça? Deixe-me pensar”, suspirou ele.
“Uma faca, estarás a me espetar”, oficializei.
“Uma faca não hás de temer.”
“Não? Como temo! Penso logo a pele retalhada, ou mesmo uma cicatriz. Jamais vistes uma tez tão clara como a minha, não concordas?”
“Uma faca, não”, respondeu sem ouvir-me as últimas palavras. “A tesoura, pega-ma”, ordenou.
Custou-me um quarto de hora. Eu, em seu estúdio, à procura da tesoura.
Pediu que fechasse os olhos. Obedeci. Só os abrisse ante sua ordem plena.
“Sim”, sucinta. “E o suspiro?”
“Espera”, não titubeou.
Dois minutos depois, gritou:
“Não mexas o corpo. Abre, agora, os olhos!”
A câmera no tripé, nas mãos a tesoura a cortar-me o vestido comprado em Londres, não sei a quantas libras...
“Ah!”, dei o grito. Inútil mexer-me, o vestido tosquiado.
Enfim, o suspiro registrado...
quinta-feira, abril 28, 2011
Vai ser bárbaro
Tenho uma amiga que adora viajar para a cidade do namorado: “é bom porque lá ninguém me conhece, não reparam minhas extravagâncias.”
“Que tipo de extravagâncias?”, eu quis saber.
“Ah, várias, posso usar a roupa que quiser, ou mesmo sair nua?”
“Nua?”, surpreendi-me.
“Ou quase, é a maneira de dizer, você entende. Aqui, nesta cidade pequena, aonde quer que se vá encontra-se um conhecido. Se a roupa é curta, falam, se é comprida também. Uma vez perdi a paciência, disse: vou sair nua só pra essa gente parar de falar, assim é capaz de me deixarem em paz.”
“Você teve coragem?”
“Tive, mas às duas da madrugada. E só dei uma voltinha. Minha roupa ficou dentro do carro.”
“Nunca pensei em fazer tal coisa, mas suas idéias são legais.”
“Ouça mais uma coisa. Na cidade do meu namorado, usei uma saia curtíssima, de uma grife famosa. Se quisesse saía nua, mas seria deselegante. Fui passear à noite com a tal saia, ninguém falou nada. E se falassem, não conheço lá pessoa alguma. Mas aqui... Ainda disse a meu namorado: você quer que eu faça aquela cena que vimos num filme, a cena da mulher que chega carregando uma mala, mas que não traz roupa alguma sobre o corpo? Se você quiser, não tem problema, aqui ninguém me conhece. Caso me vejam nua, não faz mal.”
“Você fez a cena?”
“Fiz. Ele adorou. E ninguém viu. Depois tivemos uma noite quentíssima.”
“Mas e aqui, como você faz?”
“Aqui não faço. Esse monte de gente a espionar a vida alheia, principalmente as mulheres. E em relação aos homens, caso a gente esteja sozinha, logo aparece algum engraçadinho achando que estamos subindo pelas paredes, pensam que vão resolver o nosso problema. São umas bestas.”
Minha amiga foi embora e fiquei a pensar sobre nossa conversa.
Fui à praia no dia seguinte. Como vivo quase sempre sozinha, falei a mim mesma: quer saber de uma coisa, não vou ligar para o que os outros falam. Vesti o meu menor biquíni, arranjei um lugar mais destacado, poucas pessoas em volta, abri o guarda-sol, sentei na cadeira de praia e comecei a ler uma revista. Como foi bom! Apesar de não ser tão jovem, apesar de já não ter o corpinho da maioria dessas meninas adolescentes, senti-me bem com meu biquíni comprado numa loja do Rio Sul, no Rio, um dos menores que vi na vitrine.
Até agora, se falaram mal de mim não sei, já se passaram uns dez dias desde a primeira vez que o usei. Já fui à praia mais duas vezes.
Também gosto de caminhar depois da praia, ao entardecer. Ontem fiz outra investida corajosa. Para não molhar a camiseta regata depois do banho de mar, tirei a parte de cima do biquíni e fui caminhar pela orla. Como as alças da camiseta são compridas, meus seios ficaram aparecendo nas laterais. Percebi que alguns homens me olharam e sorriram. Um deles, que vinha passeando com a namorada, chegou a arregalar os olhos. O problema, porém, não são eles. São as mulheres. Elas são invejosas. Como ardem de desejos mas não têm coragem de realizá-los, sempre falam mal das mais ousadas. Mas não há problema, podem falar o que quiserem.
A partir de agora, caso eu queria andar nua, ando, ninguém tem nada a ver com isso. Sei que existe a lei, que o nudismo total é proibido. Mas não vou sair completamente nua por aí, é lógico. Posso dar umas voltinhas mais à vontade. Caso conheça um homem bonito que goste de extravagâncias, melhor. Vai ser bárbaro. Que se calem as invejosas!
“Que tipo de extravagâncias?”, eu quis saber.
“Ah, várias, posso usar a roupa que quiser, ou mesmo sair nua?”
“Nua?”, surpreendi-me.
“Ou quase, é a maneira de dizer, você entende. Aqui, nesta cidade pequena, aonde quer que se vá encontra-se um conhecido. Se a roupa é curta, falam, se é comprida também. Uma vez perdi a paciência, disse: vou sair nua só pra essa gente parar de falar, assim é capaz de me deixarem em paz.”
“Você teve coragem?”
“Tive, mas às duas da madrugada. E só dei uma voltinha. Minha roupa ficou dentro do carro.”
“Nunca pensei em fazer tal coisa, mas suas idéias são legais.”
“Ouça mais uma coisa. Na cidade do meu namorado, usei uma saia curtíssima, de uma grife famosa. Se quisesse saía nua, mas seria deselegante. Fui passear à noite com a tal saia, ninguém falou nada. E se falassem, não conheço lá pessoa alguma. Mas aqui... Ainda disse a meu namorado: você quer que eu faça aquela cena que vimos num filme, a cena da mulher que chega carregando uma mala, mas que não traz roupa alguma sobre o corpo? Se você quiser, não tem problema, aqui ninguém me conhece. Caso me vejam nua, não faz mal.”
“Você fez a cena?”
“Fiz. Ele adorou. E ninguém viu. Depois tivemos uma noite quentíssima.”
“Mas e aqui, como você faz?”
“Aqui não faço. Esse monte de gente a espionar a vida alheia, principalmente as mulheres. E em relação aos homens, caso a gente esteja sozinha, logo aparece algum engraçadinho achando que estamos subindo pelas paredes, pensam que vão resolver o nosso problema. São umas bestas.”
Minha amiga foi embora e fiquei a pensar sobre nossa conversa.
Fui à praia no dia seguinte. Como vivo quase sempre sozinha, falei a mim mesma: quer saber de uma coisa, não vou ligar para o que os outros falam. Vesti o meu menor biquíni, arranjei um lugar mais destacado, poucas pessoas em volta, abri o guarda-sol, sentei na cadeira de praia e comecei a ler uma revista. Como foi bom! Apesar de não ser tão jovem, apesar de já não ter o corpinho da maioria dessas meninas adolescentes, senti-me bem com meu biquíni comprado numa loja do Rio Sul, no Rio, um dos menores que vi na vitrine.
Até agora, se falaram mal de mim não sei, já se passaram uns dez dias desde a primeira vez que o usei. Já fui à praia mais duas vezes.
Também gosto de caminhar depois da praia, ao entardecer. Ontem fiz outra investida corajosa. Para não molhar a camiseta regata depois do banho de mar, tirei a parte de cima do biquíni e fui caminhar pela orla. Como as alças da camiseta são compridas, meus seios ficaram aparecendo nas laterais. Percebi que alguns homens me olharam e sorriram. Um deles, que vinha passeando com a namorada, chegou a arregalar os olhos. O problema, porém, não são eles. São as mulheres. Elas são invejosas. Como ardem de desejos mas não têm coragem de realizá-los, sempre falam mal das mais ousadas. Mas não há problema, podem falar o que quiserem.
A partir de agora, caso eu queria andar nua, ando, ninguém tem nada a ver com isso. Sei que existe a lei, que o nudismo total é proibido. Mas não vou sair completamente nua por aí, é lógico. Posso dar umas voltinhas mais à vontade. Caso conheça um homem bonito que goste de extravagâncias, melhor. Vai ser bárbaro. Que se calem as invejosas!
quinta-feira, abril 21, 2011
Nua subindo a escada
És fogo, percebes? Sei que sou bonita e sensual, mas já passei dos quarenta, essas coisas não são mais para mim, já as pratiquei quando era adolescente. Sei que morres de tesão só em me imaginar nua subindo a escada de tua casa, mas me responde, e se alguém me vir? Na rua sempre passa algum vizinho, sei que ninguém me conhece por aqui, porém não vai ficar bem se me surpreendem, vamos ficar mal falados, sobretudo tu, que és morador antigo deste lugar. Gostarias de ter má fama no lugar onde moras? Olha, te conto o que aconteceu quanto eu tinha quinze anos. Acho que vais ficar satisfeito, os homens adoram ouvir esse tipo de história, tanto mais quando contada pelas próprias mulheres.
Tive um namoradinho que me fez o mesmo pedido. Só que aconteceu na minha própria casa. Na época, eu e minha mãe morávamos na Vila da Penha. Naquele tempo eu e ele namorávamos sentados na escada. Ele gostava que eu usasse vestido, ou saia curta. Com o correr do tempo as intimidades cresceram, como é comum em todos os namoros. Eu era virgem, mas deixava que tocasse os meus seios por debaixo da blusa. Depois de algumas semanas, permiti que subisse as mãos pelas minhas pernas. Num outro dia suas mãos me venceram a guarda e tocaram minha calcinha. Mais adiante ele mexeu naquele ponto onde toda mulher sente prazer. Aliás, foi com ele que comecei a perceber uma sensação ainda não experimentada. Quando tocava no meu clitóris, quase todas as outras sensações que eu tivera até então perdiam a graça, aquela era a maior de todas. Numa noite, falou: “você desce sem calcinha?” Repliquei: “sem calcinha? Acho que morro de vergonha.” Ele completou: “morre não.” Era muito engraçado aquele meu namorado. Fui lá em cima e voltei como me pediu. Sentei e afastei um pouquinho as pernas. Foi uma festa. De repente ouvi a voz de minha mãe: “Rosa!” Tomei um tremendo susto. Será que ela havia notado alguma coisa? “Rosa, venha até aqui”, me chamou. Subi morrendo de medo de que ela descobrisse que eu nada vestia sob a roupa. Mas não era isso. Pediu que eu fosse até a esquina, num botequim, comprar um maço de cigarros. Fui ao bar com meu namorado. Morri de medo de encontrar alguém. Ele ainda falou: “deixa de ser boba, garota, a rua está escura e, além disso, você não está nua.” Depois daquele dia, passei a descer algumas vezes sem calcinha. Houve mais uma coisa engraçada. Também vais gostar de ouvir isso. Eu tinha um vestido fino, laranja, frente única. Quando o usava, não podia vestir o sutiã. Numa noite, saí com a tal roupa e sem calcinha. Ficamos namorando, como sempre, na escada. Num momento mais quente daquele agarra-agarra, ele me levantou o vestido até o pescoço deixando meus seios e todo o restante do meu corpo de fora. Num outro momento em que acabava de me beijar, num movimento rápido puxou o vestido por cima da minha cabeça e me deixou nua. Já pensou? Eu nuazinha, sentada na escada. Ele correu até o portão da rua com o vestido nas mãos e disse: só devolvo se você vier aqui buscá-lo. Nem me mexi, fiquei encolhidinha no degrau onde estava. Disse então para mim, “vamos fazer um trato, devolvo o vestido, mas você sobe nua a escada...” Olhei para cima, medi a distância. “Sua mãe não está em casa”, completou. Me levantei e corri escada acima. Depois que entrei, deixei o rapaz do lado de fora segurando o meu vestido. Gritei a ele: “vê o que é melhor, namorar apenas o meu vestido ou a mim?” “Lógico que é namorar você”, respondeu. Abri a porta ainda nua e lhe dei um beijo na boca; depois, me devolveu o vestido. Dali da porta o arremessei na direção do sofá e continuei nua agarrada a ele. Ainda perguntou: não vai se vestir? Respondi: não. E se sua mãe chegar? Azar o dela, falei.
Gostaste da minha historinha? Agora, pensa, tenho quarenta e cinco anos, tirar o vestido e subir pelada a escada não vai ficar bem...
Tive um namoradinho que me fez o mesmo pedido. Só que aconteceu na minha própria casa. Na época, eu e minha mãe morávamos na Vila da Penha. Naquele tempo eu e ele namorávamos sentados na escada. Ele gostava que eu usasse vestido, ou saia curta. Com o correr do tempo as intimidades cresceram, como é comum em todos os namoros. Eu era virgem, mas deixava que tocasse os meus seios por debaixo da blusa. Depois de algumas semanas, permiti que subisse as mãos pelas minhas pernas. Num outro dia suas mãos me venceram a guarda e tocaram minha calcinha. Mais adiante ele mexeu naquele ponto onde toda mulher sente prazer. Aliás, foi com ele que comecei a perceber uma sensação ainda não experimentada. Quando tocava no meu clitóris, quase todas as outras sensações que eu tivera até então perdiam a graça, aquela era a maior de todas. Numa noite, falou: “você desce sem calcinha?” Repliquei: “sem calcinha? Acho que morro de vergonha.” Ele completou: “morre não.” Era muito engraçado aquele meu namorado. Fui lá em cima e voltei como me pediu. Sentei e afastei um pouquinho as pernas. Foi uma festa. De repente ouvi a voz de minha mãe: “Rosa!” Tomei um tremendo susto. Será que ela havia notado alguma coisa? “Rosa, venha até aqui”, me chamou. Subi morrendo de medo de que ela descobrisse que eu nada vestia sob a roupa. Mas não era isso. Pediu que eu fosse até a esquina, num botequim, comprar um maço de cigarros. Fui ao bar com meu namorado. Morri de medo de encontrar alguém. Ele ainda falou: “deixa de ser boba, garota, a rua está escura e, além disso, você não está nua.” Depois daquele dia, passei a descer algumas vezes sem calcinha. Houve mais uma coisa engraçada. Também vais gostar de ouvir isso. Eu tinha um vestido fino, laranja, frente única. Quando o usava, não podia vestir o sutiã. Numa noite, saí com a tal roupa e sem calcinha. Ficamos namorando, como sempre, na escada. Num momento mais quente daquele agarra-agarra, ele me levantou o vestido até o pescoço deixando meus seios e todo o restante do meu corpo de fora. Num outro momento em que acabava de me beijar, num movimento rápido puxou o vestido por cima da minha cabeça e me deixou nua. Já pensou? Eu nuazinha, sentada na escada. Ele correu até o portão da rua com o vestido nas mãos e disse: só devolvo se você vier aqui buscá-lo. Nem me mexi, fiquei encolhidinha no degrau onde estava. Disse então para mim, “vamos fazer um trato, devolvo o vestido, mas você sobe nua a escada...” Olhei para cima, medi a distância. “Sua mãe não está em casa”, completou. Me levantei e corri escada acima. Depois que entrei, deixei o rapaz do lado de fora segurando o meu vestido. Gritei a ele: “vê o que é melhor, namorar apenas o meu vestido ou a mim?” “Lógico que é namorar você”, respondeu. Abri a porta ainda nua e lhe dei um beijo na boca; depois, me devolveu o vestido. Dali da porta o arremessei na direção do sofá e continuei nua agarrada a ele. Ainda perguntou: não vai se vestir? Respondi: não. E se sua mãe chegar? Azar o dela, falei.
Gostaste da minha historinha? Agora, pensa, tenho quarenta e cinco anos, tirar o vestido e subir pelada a escada não vai ficar bem...
quinta-feira, abril 14, 2011
A lata
Margarida, deixa eu te contar, aconteceu uma coisa engraçadíssima comigo ontem, você vai morrer de rir, não falei ainda pra ninguém, e acho que nem vou falar, vou contar só pra você, escuta. Estava na praia, aqui mesmo em Arraial, não tinha muita gente, o sol e o mar uma gostosura. Logo apareceu um homem pra ficar me olhando. Eu, como você sabe, com aquele biquíni mínimo. Ele se aproximou, sorriu e puxou conversa, uma besteira ou outra. Acabei batendo papo com ele. Até que o homem era agradável. Bebemos uma ou duas cervejas, e a conversa foi esquentando. Se chama Abel. Foi se encostando e eu vendo que não demorava ele ia querer me comer ali mesmo. Entrei na água, mas o cara veio junto, ficou me puxando pelos braços, segurando minhas mãos. Encostei sem querer nele e reparei que já estava daquele jeito, excitadíssimo. Voltamos pra debaixo do guarda-sol, ou para o lado, onde ele sentou. Perguntou se eu não queria que ele esfregasse o protetor nas minhas costas. Aceitei. Só então reparei que tinha umas mãozinhas ótimas. Acabei dizendo que feliz era a namorada dele, com aquelas mãos a fazer carícias ela devia adorar. Pronto, foi o suficiente. Dali em diante a coisa ferveu. Não resisti, Margarida, acabei cedendo. Olhei em volta, havia algumas pessoas, não podíamos trepar na praia. Ele notou a minha preocupação e disse: "você pode deixar o guarda-sol aí mesmo, não há problema algum, vem comigo." Segui o tal do Abel. Ele me levou para um quarto, atrás de um restaurante que fica do outro lado da rua. Até que o lugar estava limpo. Ele começou a me acariciar e não demorou a tirar o meu biquíni. Olha, Margarida, foi uma trepada ótima, perfeita, nem sei contar. Quando acabamos, só então reparei que o lugar não tinha banheiro nem papel. Mas o engraçado é o que vem agora. Ele falou que o banheiro era o do restaurante. Lógico que depois de trepar eu não ia sair correndo pra dentro do restaurante à procura do toalete. E eu estava apenas de biquíni, se caminhasse daquele jeito até a beira do mar para me lavar dentro d’água podia não dar muito certo. Já pensou se vazasse, e a vergonha? A solução: o homem foi lá fora e voltou com uma lata, dessas que comportam alguma coisa que se usa nos restaurantes. Então fiquei agachadinha, de pernas abertas, esperando descer tudo. Naquele momento me deu uma vontade louca de fazer xixi. Virei pra ele e falei: "não olha não, viu", e me soltei. Ao sair dali, reparei a situação grotesca: eu de biquíni voltando pra junto do meu guarda-sol e o homem ainda atrás de mim carregando a lata onde deixei o muco do nosso sexo e o meu xixi. Quando sentei na cadeira de praia, ele sentou ao meu lado, pousou a lata por perto e continuou conversando comigo como se nada tivesse acontecido. Quase pedi pra ele jogar tudo aquilo fora, mas achei melhor fingir que não tinha nada a ver comigo. Ah, Margarida, será que depois que fui embora ele levou a lata com o meu xixi pra casa? Há gente pra tudo nesse mundo, e é cada um que me aparece...
quinta-feira, abril 07, 2011
Você está uma gracinha
As festas na casa da Andreia sempre são ótimas. Todos se divertem a valer. Muita dança, comidinhas, coquetéis, e cada rapaz lindo... Acho que o forte dessas festas sempre foi a numerosa presença deles. Por aqui, na cidade, há o costume de se dizer que sobram mulheres, acho que mais ou menos três para cada homem. Nas festas organizadas pela minha amiga, porém, as mulheres sempre podem escolher. São tantos os rapazes bonitos.
Ontem, Andreia organizou mais uma de suas festas. Acho que viu o filme “A rede social”, a tal fita sobre o facebook. Ainda não assisti, mas dizem que é ótima. Algumas amigas estão comentando que as comemorações encenadas no filme foram inspiradas nas da Andreia. Isso mesmo, festas com garotas de biquíni é com a minha amiga. Ela programa tudo direitinho. Em determinada hora, entramos em cena. Antes dançamos vestidas, maravilhosas, mas há o momento em que deixamos de lado saias e vestidos para aparecermos apenas de biquíni. As mulheres adoram ficar nuas; os homens, de apreciá-las. No momento em que dançamos de biquíni, eles podem chegar bem perto, soprar versos em nossos ouvidos, nos paquerar e, enfim, tocar nossos belos corpos. No final, corremos deles e aparecemos de novo vestidas.
Mas na festa de ontem, fomos um pouco além. A dona da casa sempre pede que não fiquemos nuas por inteiro. E sempre respeitamos. Caso um dos rapazes nos agrade, depois de tudo acabar vamos embora com ele. Daí em diante é por nossa conta. Esforçamo-nos para continuar respeitando essa regra básica. Mas não foi fácil, ou melhor, ontem foi impossível. Apesar de tudo, a festa continuou com beleza e brilho. Fingimos que não aconteceu nada demais.
Quando chegou a vez de eu e Marina dançarmos depois que se apagaram as luzes pela terceira vez, os rapazes estavam eufóricos. Pena que não existe adjetivo para designar um biquíni tão pequeno como o meu. As luzes recomeçaram a piscar, a girar, a música a nos envolver, enfim, demos tudo de nós. Um deles – dançava bem o rapaz – aproximou-se, chegou juntinho a mim e, num gesto mágico, desfez os meus lacinhos. A calcinha desapareceu nas suas mãos. Nem me incomodei, já estive nua em outras festas. Adorei. Temi pela Andreia, porque, para ela, nu total jamais. Diz que temos de ter limites, pelo menos na sua casa. Ainda preciso falar sobre a Marina, que entrou comigo na pista. Ela ficou sem o sutiã, obra de um jovem de cabelos louros, que veio pela primeira vez. Não deixamos de dançar, as duas; ela, com os seios nus; eu, sem a calcinha. Delírio total. O meu rapaz soprou, num rodopio da dança: te levo nua no meu carro. Nua, nua?, incentivei. Isso, bem nua!, repetiu. Fiquei toda arrepiada. Continuamos a dançar, e eu a suspirar. Quando a música estava prestes a acabar e veio o sinal para darmos a vez às próximas duas mulheres, corri. Mas ele me segurou e, num vão mais escuro, me beijou.
Quando Andreia me viu, eu ainda nua, lamentei: liga não. Ela riu e completou: você está uma gracinha!
Logo depois, o rapaz de novo. E o seu carro... delírio total!
Ontem, Andreia organizou mais uma de suas festas. Acho que viu o filme “A rede social”, a tal fita sobre o facebook. Ainda não assisti, mas dizem que é ótima. Algumas amigas estão comentando que as comemorações encenadas no filme foram inspiradas nas da Andreia. Isso mesmo, festas com garotas de biquíni é com a minha amiga. Ela programa tudo direitinho. Em determinada hora, entramos em cena. Antes dançamos vestidas, maravilhosas, mas há o momento em que deixamos de lado saias e vestidos para aparecermos apenas de biquíni. As mulheres adoram ficar nuas; os homens, de apreciá-las. No momento em que dançamos de biquíni, eles podem chegar bem perto, soprar versos em nossos ouvidos, nos paquerar e, enfim, tocar nossos belos corpos. No final, corremos deles e aparecemos de novo vestidas.
Mas na festa de ontem, fomos um pouco além. A dona da casa sempre pede que não fiquemos nuas por inteiro. E sempre respeitamos. Caso um dos rapazes nos agrade, depois de tudo acabar vamos embora com ele. Daí em diante é por nossa conta. Esforçamo-nos para continuar respeitando essa regra básica. Mas não foi fácil, ou melhor, ontem foi impossível. Apesar de tudo, a festa continuou com beleza e brilho. Fingimos que não aconteceu nada demais.
Quando chegou a vez de eu e Marina dançarmos depois que se apagaram as luzes pela terceira vez, os rapazes estavam eufóricos. Pena que não existe adjetivo para designar um biquíni tão pequeno como o meu. As luzes recomeçaram a piscar, a girar, a música a nos envolver, enfim, demos tudo de nós. Um deles – dançava bem o rapaz – aproximou-se, chegou juntinho a mim e, num gesto mágico, desfez os meus lacinhos. A calcinha desapareceu nas suas mãos. Nem me incomodei, já estive nua em outras festas. Adorei. Temi pela Andreia, porque, para ela, nu total jamais. Diz que temos de ter limites, pelo menos na sua casa. Ainda preciso falar sobre a Marina, que entrou comigo na pista. Ela ficou sem o sutiã, obra de um jovem de cabelos louros, que veio pela primeira vez. Não deixamos de dançar, as duas; ela, com os seios nus; eu, sem a calcinha. Delírio total. O meu rapaz soprou, num rodopio da dança: te levo nua no meu carro. Nua, nua?, incentivei. Isso, bem nua!, repetiu. Fiquei toda arrepiada. Continuamos a dançar, e eu a suspirar. Quando a música estava prestes a acabar e veio o sinal para darmos a vez às próximas duas mulheres, corri. Mas ele me segurou e, num vão mais escuro, me beijou.
Quando Andreia me viu, eu ainda nua, lamentei: liga não. Ela riu e completou: você está uma gracinha!
Logo depois, o rapaz de novo. E o seu carro... delírio total!
sexta-feira, abril 01, 2011
Primeiro de abril?
Hoje, primeiro de abril, recebi esta mensagem. Será verdadeiro o que vai nela?
Vieste aqui, bebeste uma garrafa de vinho francês. Tiraste toda a roupa! Desfilaste de salto alto. Peladinha. Tuas pernas, como se agissem por conta própria, afastaram-se uma da outra, convidaram-te a mergulhar num céu de diamantes. Mas depois tua face enrubesceu, e pareces que vens envergonhada até hoje, com raiva de ti mesma. Acho que te arrependeste porque te deixaste levar pelo grito do próprio corpo. Mas foi tão bom! Volta, não demora. O papel de mulher envergonhada não cabe a ti. Enumeremos alguns argumentos a teu favor.
Houve uma outra vez em que fomos à praia e, pelo que me pareceu, não sentiste vergonha alguma. Lembras? Deixei-te nua dentro d’água. Lógico que estavas preparada; já tinhas sido instigada por uma mensagem minha à qual respondeste que não haveria problema algum tirares toda a roupa, colocavas-te como a mulher mais corajosa do mundo.
Ficamos num pedaço de areia semideserto, entramos n'água – que não estava fria – e me permitiste furtar o teu biquíni. Nua por inteiro, coberta apenas pela água azul-clara do mar, sorriste-me ingênua como jamais. Passou um homem, ele não percebeu. Abracei-te pelas costas, o corpo nu roçando o meu. Tuas duas peças, longe, lá junto ao guarda-sol. Ao sair d’água, ainda nua, estendi a toalha, correste em minha direção. Mas qual touro que não alcança o pano vermelho, driblei-te. Permaneceste ereta, a estudar o terreno, mas assustadiça, uma das mãos a cobrir os seios e a outra... Mais tarde ainda voltamos mais uma vez à praia. Sentaste na areia. Ao entardecer te atiraste a mim, ainda nua; enfim, aconteceu... No final do dia, voltamos no meu carro, tu ao meu lado, no banco do carona, enrolada apenas na toalha curta.
Faz dois anos outro fato. Vieste aqui numa noite de sábado. Tirei toda a tua roupa. Fomos passear. Vestiste apenas uma camisa minha; fazias de conta que era um vestido curto; portaste-te sóbria, como uma mulher que veste para o passeio. Depois, ao descermos Santa Teresa, numa das escadas levantei-te a barra da camisa. Não satisfeita, pediste: tira tudo. Voltaste, enfim, nua! Como gozamos, os dois ao mesmo tempo.
Outra vez, salvei-te. Bateste nua à minha porta, eram três da manhã. Apenas a bolsa e, sob os pés, sapatos de salto. Estavas assustadíssima. Eu, ainda com cara de sono, olhei surpreso tua nudez. Nunca me contaste o que aconteceu naquela madrugada. Ao amanhecer, saí para comprar-te uma roupa. Um vestido bem curto, só de provocação. Vestiste-o, beijaste-me e foste embora. Não disseste palavra alguma.
Agora, não queres responder às minhas mensagens, mostra-te amuada por causa da última vez. Mas vê, sobretudo, as coisas sempre aconteceram de modo a te favorecer. E, a mim, de proporcionar desejo e satisfação.
Não faltes. Caso vaciles, da próxima vez que bateres aqui em dificuldades não serei tão cavalheiro.
Tenho mais uma boa nova: um presentinho. Sei que não és mercenária, mas sabes como são vaidosas as mulheres. Como aprecias, comprei uma medalhinha de ouro. Ao te colocares nua, haverá algo mais a brilhar além do teu corpo.
Vieste aqui, bebeste uma garrafa de vinho francês. Tiraste toda a roupa! Desfilaste de salto alto. Peladinha. Tuas pernas, como se agissem por conta própria, afastaram-se uma da outra, convidaram-te a mergulhar num céu de diamantes. Mas depois tua face enrubesceu, e pareces que vens envergonhada até hoje, com raiva de ti mesma. Acho que te arrependeste porque te deixaste levar pelo grito do próprio corpo. Mas foi tão bom! Volta, não demora. O papel de mulher envergonhada não cabe a ti. Enumeremos alguns argumentos a teu favor.
Houve uma outra vez em que fomos à praia e, pelo que me pareceu, não sentiste vergonha alguma. Lembras? Deixei-te nua dentro d’água. Lógico que estavas preparada; já tinhas sido instigada por uma mensagem minha à qual respondeste que não haveria problema algum tirares toda a roupa, colocavas-te como a mulher mais corajosa do mundo.
Ficamos num pedaço de areia semideserto, entramos n'água – que não estava fria – e me permitiste furtar o teu biquíni. Nua por inteiro, coberta apenas pela água azul-clara do mar, sorriste-me ingênua como jamais. Passou um homem, ele não percebeu. Abracei-te pelas costas, o corpo nu roçando o meu. Tuas duas peças, longe, lá junto ao guarda-sol. Ao sair d’água, ainda nua, estendi a toalha, correste em minha direção. Mas qual touro que não alcança o pano vermelho, driblei-te. Permaneceste ereta, a estudar o terreno, mas assustadiça, uma das mãos a cobrir os seios e a outra... Mais tarde ainda voltamos mais uma vez à praia. Sentaste na areia. Ao entardecer te atiraste a mim, ainda nua; enfim, aconteceu... No final do dia, voltamos no meu carro, tu ao meu lado, no banco do carona, enrolada apenas na toalha curta.
Faz dois anos outro fato. Vieste aqui numa noite de sábado. Tirei toda a tua roupa. Fomos passear. Vestiste apenas uma camisa minha; fazias de conta que era um vestido curto; portaste-te sóbria, como uma mulher que veste para o passeio. Depois, ao descermos Santa Teresa, numa das escadas levantei-te a barra da camisa. Não satisfeita, pediste: tira tudo. Voltaste, enfim, nua! Como gozamos, os dois ao mesmo tempo.
Outra vez, salvei-te. Bateste nua à minha porta, eram três da manhã. Apenas a bolsa e, sob os pés, sapatos de salto. Estavas assustadíssima. Eu, ainda com cara de sono, olhei surpreso tua nudez. Nunca me contaste o que aconteceu naquela madrugada. Ao amanhecer, saí para comprar-te uma roupa. Um vestido bem curto, só de provocação. Vestiste-o, beijaste-me e foste embora. Não disseste palavra alguma.
Agora, não queres responder às minhas mensagens, mostra-te amuada por causa da última vez. Mas vê, sobretudo, as coisas sempre aconteceram de modo a te favorecer. E, a mim, de proporcionar desejo e satisfação.
Não faltes. Caso vaciles, da próxima vez que bateres aqui em dificuldades não serei tão cavalheiro.
Tenho mais uma boa nova: um presentinho. Sei que não és mercenária, mas sabes como são vaidosas as mulheres. Como aprecias, comprei uma medalhinha de ouro. Ao te colocares nua, haverá algo mais a brilhar além do teu corpo.
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