quinta-feira, abril 18, 2013

Vamos a uma festa?

Quando fui estudar Letras na PUC de BH, logo que cheguei ao campi da universidade uma amiga me apontou o alojamento dos estudantes do Centro Tecnológico:

“Aqui moram os rapazes da engenharia, eles são completamente loucos. Fazem festas toda semana, convidam as garotas, vivem bêbados. Quando uma de nós passa em frente ao CT, eles gritam como se nunca tivessem visto uma mulher. E, além de tudo isso, possuem um varal de calcinhas. Não me pergunte a quem pertenciam porque não sei dizer.”

Ouvi a história e achei tudo muito engraçado.

Dias depois, após o começo das aulas, tive de passar algumas vezes em frente ao alojamento desses rapazes. Eles, na verdade, agiam exatamente como minha amiga me contara. Gritavam, falavam besteiras, apontavam para o citado varal e perguntavam se eu não queria participar da próxima festa que estavam preparando.

Transcorreram-se alguns dias até que conheci Aline, uma caloura recém-chegada de Vitória. Era o tipo da pessoa animada para qualquer coisa, sempre aberta a todo tipo de novidade. Após sairmos de uma aula, ela falou: 

“Você já reparou os rapazes do CT? São tão bonitos.”

“Não se aproxime deles”, alertei assustada, “dizem que são terríveis, e depois será você que ficará com má fama.”

“Má fama?”, ironizou.

No sábado, Aline me telefonou.

“Vamos a uma festa?”

“Onde?”, eu quis saber.

“Adivinha?”

“Não é a dos rapazes do CT?”

“Claro que não”, assegurou.

Fomos as duas. Eu vesti um vestido estampado soltinho, de fazenda leve, que descia até um pouquinho acima dos joelhos. Já Aline usou um desses vestidinhos super curtos, coladinho ao corpo.

A festa ficava num bairro um tanto distante da universidade. Tivemos de pegar um ônibus. Chegamos lá pelas onze da noite, à hora combinada.

A casa, local da festa, estava toda decorada. Logo que entrei cutuquei minha amiga:

“Aline, só estou vendo homens, cadê as moças?”

“Ah, que bom que só existem homens por aqui”, ela sorriu muito animada.

Depois de algum tempo chegaram as garotas. Mas a grande maioria dos convidados era composta por rapazes. Alguns deles se aproximaram e se mostraram muito afetuosos. Um logo me conquistou. Aline também não demorou a arranjar um par.

A festa ocorreu num clima de muita música, muita bebida e azaração. Lá pelas tantas era difícil encontrar alguém sóbrio. Eu e Aline nos juntamos a outras meninas e dançamos repetidas vezes, chegamos até a ensaiar alguma coreografia. A festa acabou lá pelas quatro da manhã. Alguém nos levou para o meu pequeno apartamento, no centro da cidade. Mas nem eu nem minha amiga sabemos dizer quem.

Na segunda seguinte, ao passar em frente ao CT, reconheci alguns dos rapazes que estiveram na festa. Ao me verem, começaram a gritar e a fazer a maior algazarra. Um deles apontou para o varal das calcinhas, que alguém colocara na janela, em destaque. Um rapaz louro gritou que nele havia mais duas. Todos os outros fizeram coro. Ai, não tive onde enfiar a cabeça.

quinta-feira, abril 11, 2013

Ficou uma coisa tua aqui

Eu estava no apartamento de João, mas achava que não deveria ter aceitado o convite. Sentada no estofado para duas pessoas, eu olhava para ele, que se acomodara numa cadeira junto à mesa. Pilhas de livros se espalhavam em vários pontos da sala, e a mesa não era exceção. Meu rosto revelava a aparência de uma mulher vencida, uma mulher que se deixa levar pelas sensações. Era quase o mesmo que, lá embaixo, na rua principal, ter concordado acompanhar um desconhecido. Lembrei-me do tempo em que era mais jovem: não demorava a aceitar fazer sexo com qualquer rapaz bonito. Mas como já passei dos quarenta, pensei já ter superado a fase dos namoros tentadores. Embora estivesse ali por vontade própria, meu sentimento era de frustração. Fôramos ao cinema duas vezes, a algum bar ou restaurante, depois conversamos muito pelo telefone nas três que se seguiram. Apesar de já sentir uma ponta de paixão por ele, não era minha intenção transar, pelo menos tão cedo.

Quer beber alguma coisa?, perguntou.

Acho que não, já bebemos não faz muito tempo, respondi afoita.

Vou tomar uma cerveja, tenho na geladeira, falou.

Ele foi até a cozinha e voltou com a garrafa e dois copos. Pedi que não colocasse para mim. Encheu um dos copos e tomou um longo gole, olhou na minha direção e sorriu. Continuei séria, ressentida, embora esse sentimento fosse comigo mesma. Acho que se eu não tivesse tomado a iniciativa ele teria permanecido no mesmo lugar, sentado junto à mesa e bebendo sua cerveja durante toda a noite. Tocava uma música instrumental no aparelho de som.

Está gostando de ter vindo?, perguntou.

É, ainda está cedo, o que faríamos depois do restaurante?

Por isso convidei para subir um pouquinho, depois levo você em casa, falou e sorriu.

Acho que sorri também, Não sei o que deu em mim, mas levantei e ultrapassei o biombo que separa o quarto da sala, entrei no quarto e me atirei na cama.

João, venha até aqui, pedi.

Ele primeiro parou à beira da cama, me apreciou deitada numa posição transversal à cabeceira.

Venha me abraçar, falei séria, voltada para ele.

João deitou ao meu lado, me abraçou, mas não demorou a dizer:

Você vai ficar toda amarrotada.

Foi então que tirei o vestido e entreguei nas mãos dele.

Ele saiu do quarto e voltou pouco depois, deitou-se sobre mim e começamos um namoro gostoso. Meu corpo quente me fez esquecer tudo que pensara antes. Entreguei-me a ele. Como fazia tempo que não transava com pessoa alguma, quando comecei a sentir o pênis de João tive um pouco de medo. Cheguei a falar:

Você é muito grande para mim.

Mas ele foi vagaroso e paciente. Pouco a pouco meus gemidos foram vencidos e eu o aconchegava dentro de mim.

Duas horas depois ainda estávamos um sobre o outro, mas cochilávamos.

Quando me dei conta das horas, entrávamos pela madrugada. Lembrei-me de novo do momento inicial, quando estivera sentada no estofado. A sensação de mulher de aluguel voltou-me. Como o momento do ardor sexual já havia passado, comecei a sentir uma ponta de arrependimento. Apesar de tudo ter sido tão bom, achei que as coisas poderiam ter caminhado mais devagar. Do jeito que aconteceu, ele teria pleno domínio sobre mim. Não queria ter cedido com tanta facilidade. Acho que o esforço para a conquista torna a relação mais duradoura.

Sentei na cama, cruzei as pernas e olhei para João. Ele parecia adormecido.

Preciso ir, já está muito tarde, vou chamar um táxi, falei.

Um táxi?, repetiu.

Isso.

Levo você.

Não precisa, chamo um táxi.

Fique até amanhã, falou ainda sonolento.

Levantou-se e sentou ao meu lado. Aproveitou para me abraçar e me dar um beijo no rosto.

Não posso, minhas filhas vão chegar de uma festa.

O que tem isso? Elas já são quase adultas.

Não insista, preciso ir, pegue o meu vestido, por favor.

Ele se levantou e saiu do quarto. Mas voltou de mãos vazias.

Você vai mesmo embora?

Vou. E é melhor eu mesma chamar o táxi.

Calcei a sandália, caminhei até a sala e peguei o celular dentro da bolsa. Liguei para uma cooperativa de táxis. Depois levantei, pendurei a bolsa no ombro e caminhei até a porta. Eu não voltaria, estava decidida.

Ei, espere, Glena, acho que ficou uma coisa tua aqui, falou.

Abri a porta e saí. Não podia ficar ali nem mais um minuto. O que quer que eu deixava para trás seria para sempre.

quinta-feira, abril 04, 2013

O importante foi que ele...

Faz algum tempo, estava caminhando pela orla marítima quando vi uma jovem de short e camiseta branca. Ela corria, uma corrida de atleta, mas reparei que ia sem sutiã, seus seios e mamilos estavam bem nítidos na semitransparência do tecido. Lembrei que eu, em certa ocasião, ao vir correr e caminhar na praia, às vezes também não vestia o top, apenas a blusinha. Em certos dias corria tanto que me punha a suar. Então caminhava até a beira d’água e, se o  dia fosse de poucos banhistas, tirava rapidinho a blusa e mergulhava. Depois esperava a oportunidade de sair da água. Corria então até onde havia deixado a camiseta. Era boa a sensação de correr e manter a forma, mas melhor mesmo o mergulho, sentir a água fria tomando meu corpo, os meus seios nus, era quase como fazer sexo, mas com o toque sutil do mar, o deslizar das espumas e o frisson provocado pela expectativa do que estava por vir. Alguém me descobriria nua sob o frágil manto de espumas? Alguém pensaria que a camiseta era uma peça esquecida sobre a areia e a levaria consigo? Meu coração acelerava. Eu tinha vontade de ficar nua por inteiro. Mas sempre consegui voltar a tempo, vestir-me e continuar a caminhada; naquele momento já refrescada, livre do calor e do suor. E a mocinha, será até onde ia? Também mergulharia seminua, no final da praia?

Ao voltar a vista para o calçadão, percebi um homem a me olhar. Depois, sorriu; mais adiante me seguiu. Por que ele não acompanhou a jovem que ia sem sutiã? Eu tão vestida... uma bermuda de lycra que descia até os joelhos, a blusa de ginástica e por baixo o top, dos grandes. O admirador acabou por vir falar comigo.

“Conheço você, não? Da academia de musculação.”

E não é que conhecia mesmo? Fiquei a falar com ele. Andamos juntos. Convidou-me para um passeio de bicicleta.

“Que tal? É tão bom. E tenho logo duas.”

Fomos ao encontro das bicicletas. Pedalamos os dezesseis quilômetros de orla. Enquanto seguíamos, vez ou outra eu olhava o mar. Estava bravio. Poucos os banhistas, e um ou outro atleta. No fim da praia, voltava a moça que eu vira sem sutiã. Atrás dela um jovem. Quem sabe a seguia? Sorri para o meu companheiro, que nada sabia daquela história nem nada conhecia sobre meus tempos de tomar banho de mar nua.

No fim da manhã, ele me convidou para uma festa que aconteceria à noite.

“Uma festa?”, ainda repeti. “Mas você não acorda cedo para vir correr e pedalar?”, insisti.

“Uma vez ou outra não é nada demais.”

Só não lembro se o namorei depois da festa, pois sempre tive muitos namorados. Houve até um que me pediu para correr nua, de madrugada, na beira da praia. Não é que corri? Ele ficou tão eufórico que chegou a dizer: “não devia ter deixado você se vestir. É tão bonita nua.” Será que ele deixou mesmo eu me vestir?

Às vezes essas coisas acontecem. Uma amiga me contou que certa vez, após terminar de transar com um cara, não encontrou sequer uma peça das próprias roupas.

“Rosa, o homem era tarado”, falou.

“E você, o que fez?”

“O que eu podia fazer?”, respondeu com um sorriso nervoso. “Ainda tive sorte de sair viva.”

“Ah, não exagere”, falei, “você me contou que saiu com esse homem mais de uma vez.”

“Será?, não lembro.

“Mas eu lembro. E sei que você ainda espalhou por aí: ‘o importante foi que ele me fez gozar!’.”

quinta-feira, março 28, 2013

Quero ouvir você tocar piano

Aquele ex-namorado reapareceu de repente, e eu sempre tão apaixonada por ele. O telefone tocara:

“Aqui é o Elias, como vai, Cris?”

Tive de me fazer difícil:

“Elias? Que Elias?”

“Será que você não se lembra de mim? O Elias, o do apartamento no Leme.”

“Oi, quanto tempo”, tentei conter o entusiasmo, “o que você conta de novo?”

“Outro dia fui a um concerto e me lembrei de você.”

“Foi mesmo? Que bom”, estava radiante, mas com a voz fraquinha queria demonstrar um pouco de frieza.

“Quero encontrar você? Vamos conversar um dia desses”, pediu.

“Vamos, sim. Mas, sabe”, coloquei algum obstáculo. Talvez ele pensasse que eu estava de namoro com alguém e não pudesse vê-lo. “Temos de marcar o dia.”

“Uma tarde, assim não atrapalho você nem seus compromissos.”

Meus compromissos? Ri. Será que ele achou mesmo que eu estava de namoro com outro?

“Oh, sim, tenho muitos compromissos ultimamente”, eu disse, “mas uma tarde, quem sabe?”

Desligamos os telefones sem deixar nada agendado.

Na semana seguinte, fui eu que acabei ligando:

“Ainda está de pé o encontro?”

“Claro que está, e tem mais uma coisa.”

“Mais uma coisa?”, fingi surpresa, “o quê?”

“Quero ouvir você tocar piano.”

Convidei Elias para aparecer lá em casa na tarde do dia seguinte, às quatro em ponto.

Ele chegou, me beijou e sentou. Toquei Chopin. Ouviu surpreso. Jamais tive alguém que me ouvisse ao piano com tanto entusiasmo. E olha que estudei piano a vida inteira.

Quando interrompi o pequeno concerto foi para ir à cozinha fazer um café forte.

“Adoro esse seu café”, exclamou.

“Gosta mais do café do que de me ouvir ao piano?”, tentei acusar o sacrilégio.

“Claro que não. Tudo em seu devido lugar.”

Ficou mais um pouco. Toquei então Schubert. Às seis e meia ele se foi. Beijou-me e partiu. E eu achando que ele viera para me namorar.

Na semana seguinte, o telefone de novo. Ele. Queria mais um concerto.

E assim repetiram-se os encontros e multiplicaram-se os concertos. Ele vinha apenas para me ouvir. Depois tomava café e às seis e meia partia.

Na última tarde trouxe uma caixa de chocolates. Sabe que sempre adorei chocolates. Sabe que quando como chocolates... Bem, vamos ao que aconteceu. Em poucas palavras.

Naquela tarde quis ser trágica. Toquei Beethoven. No intervalo, como sempre, fiz café forte. Comi o chocolate enquanto ele bebia o café. Comi mais do que um. Antes de começar a segunda parte do concerto, fui ao quarto. Ele ainda tomava os últimos goles de sua xícara e comia um biscoitinho que coloquei para acompanhar o café. Voltei então à sala. Mas voltei nua. Agi como se a minha nudez fosse a coisa mais natural do mundo. Parei ao seu lado, olhei para ele e sorri. Permaneci alguns segundinhos de pé, as mãos cruzadas um pouquinho abaixo do umbigo, um pouquinho acima dos meus poucos pelinhos. Depois dei mais três passos e sentei ao piano. Toquei Mahler. Toquei com toda a seriedade. Aliás, sempre toco com muita seriedade. Toquei a peça até o fim. E ele ouvindo, impassível.

Quando acabei... Bem, quando acabei vocês já sabem o que aconteceu.

quinta-feira, março 21, 2013

De biquíni e de bicicleta

Não posso voltar pra casa depois do anoitecer, vou passar vergonha, falo.

Que vergonha, nada, você está gostando, não? Pois fique até amanhã.

Amanhã?

O que tem? Você é uma pessoa adulta.

Mas deixei a bicicleta lá embaixo.

Quanto a isso, não se preocupe, eu resolvo.

Estou nua na cama de um namorado que arranjei nesta mesma tarde.

Você é muito bonita. Quando a vi pedalando na orla, logo disse a mim mesmo: não posso perder esta mulher.

Quando passei por ele, também o admirei. Ele, um quarentão de porte atlético, caminhava. Na volta, reparei que estava quase no mesmo lugar. Fez sinal para eu parar. Obedeci. Meus poros exigiam. Depois, não poderia ser diferente, a conversa de sempre. Nossos corpos se falaram, sabíamos que se entenderiam. Acabei indo com ele. Primeiro aceitei tomar uma coca-cola, após um quarto de hora o segui. Atravessamos a Atlântica, entramos na primeira transversal, bem ali no posto 5. Chegamos ao prédio onde mora. Subimos. Último andar, uma espécie de cobertura. Que paisagem linda. O  mar, as ilhas, o  outro lado da baía, acho que um pedaço das praias de fora de Niterói. Fiquei na amurada a apreciar. Ele veio por trás, me abraçou, e eu só de biquíni, como estava na praia sobre a bicicleta. Trouxe uma dose de uísque. Tomei um pequeno gole. Ele ficou com o copo na mão, abraçado a mim. Deixou que eu apreciasse a vista por muito tempo, depois entramos no apartamento. Daí em diante, o  amor. Rapidinho, eu mesma me despi. Ele, demorado, me acariciou Tem experiência em toques e abraços.

Finda a tarde, e eu preocupada.

Nunca voltei de biquíni de noite pra casa.

Não se preocupe, fique até amanhã, caso queira ir mais tarde, empresto uma camisa.

Empresta, mesmo?

Claro. Empresto e levo você em casa.

Você me deixa experimentar? Quero escolher a melhor camiseta. Que caia como um vestidinho.

Faça como quiser. Posso levá-la de automóvel. Guardo a bicicleta pra você.

Não, não precisa. Volto sozinha. Quero apenas uma blusa. Mas quem sabe, só pra amanhã de manhã. E se chover.

Ele ri e, de novo, escorrega para dentro de mim.

sexta-feira, março 15, 2013

Ela adorava contar aquela história

Rosa, o cara já deixou você nua numa estrada, já tirou o seu biquíni numa praia e lhe fez ficar de molho dentro d’água um tempo enorme correndo o risco de ser surpreendida por outras pessoas, pediu para você sair do apartamento pelada e bater na porta fazendo de conta que chegava nua, você ainda vai procurar por ele?

Você não sabe como sou apaixonada, Maíra.

Apaixonada? O homem parece um maníaco, um tarado, e você se diz apaixonada...

É porque você nunca passou por isso. Caso apareça alguém assim na sua vida, acabará me dando razão.

Rosa, preste atenção, só namoro homens que sejam carinhosos comigo, que se preocupem com a minha integridade, não uma pessoa que vá me expor nua por aí a correr riscos.

Maíra, não é bem assim. Já contei essa história em outros lugares, e houve quem quisesse conhecê-lo. Uma mulher me pediu o endereço dele porque quer aparecer nua à sua porta, de surpresa.

Rosa, acho que essas suas amigas são tão loucas quanto você.

Se minhas amigas são loucas, você também é, pois é uma delas.

Rosa, por favor, sou sua amiga mas não sou capaz de sair por aí com um homem de tal índole.

Maíra, ouça só. Quando eu era mais jovem, tive uma amiga chamada Heloísa. Ela adorava contar uma história que dizia ter acontecido com uma conhecida. Naquela época as garotas só saíam de carro com os rapazes se fossem noivas. A conhecida dessa Heloísa certa vez foi passear com um homem dez anos mais velho. Ele a levou uma noite  para uma praia deserta, tirou-lhe toda a roupa e ficaram os dois a namorar até alta madrugada. Mas, perto do amanhecer, ele partiu e a deixou nua naquele lugar. Enquanto nós, aflitas, imaginávamos o sufoco que a moça passou, Heloísa dizia que não aconteceu nada de mais depois disso, apenas chegou um carro da polícia com dois policiais, a quem ela contou o que acontecera. Eles acreditaram na história da garota, a ajudaram e prometeram prender o homem. Heloísa contava essa história com intenso orgulho. Mas sabe qual a verdade? Descobri depois que isso tudo aconteceu a si mesma. E se ela própria espalhava tal fato, era porque gostava.

E o que isso tem a ver com você?

Adivinha?

Não consigo fazer a ligação, Rosa.

Maíra, acho que você precisa se tornar mais inteligente.

Já entendi, Heloísa é apenas um nome. Isso que você acabou de contar aconteceu com você.

Viu?, você não é burra.

Rosa, não sou burra, mas o que isso tem a ver com os dias de hoje?

Ah, Maíra, tem tudo a ver. Será que você não percebe que gosto de homens que me deixem nua por aí?

Conta só mais uma coisa. E aquele primeiro, os policiais o encontraram?

Os policiais não, mas eu sim.

E o que houve com ele?

Não houve nada, Maíra. Ele é esse meu atual namorado.

domingo, março 10, 2013

Estou morta de tesão!

Outro dia fui ao shopping com um homem que conheci faz pouco tempo. Tão bonito ele. Passeamos, tomamos café e percorremos várias lojas de roupas de mulher.

“Quero comprar alguma coisa”, sorri, um sorriso que foi quase um beijo.

Ele devolveu-me o beijo. Entramos numa loja famosíssima. Cada peça cara! Quem sabe faria uma surpresa à mulher bela que ia ao seu lado?

Experimentei saias, vestidos e uma calça comprida. Comprei tudo o que provei. As roupas acompanharam tão bem as curvas do meu corpo, uma beleza. O preço? Não preciso falar, digo apenas que, para o amor, nada é tão caro. Meu amigo estendeu a mão no momento em que fomos ao caixa.

“Deixe por minha conta, um presentinho”, agora suas as palavras, e mais do que um beijo.

Sorri, abracei-o e retribuí-lhe o beijo.

Adiante, mais uma loja. Dessa vez, de blusas. Aventurei-me já de braços dados, um casal de namorados; ou melhor, de noivos; ou, talvez, de recém-casados.

Cada blusa linda! Várias as cores, vários os modelos: curtas, barriguinha de fora; compridas, mangas três-quartos; frente única; decotada; e houve até um top, quase um sutiã. Adivinhem. Difícil? Claro que não. Comprei todas, inclusive o top.

Andamos ainda pelos corredores do shopping. Paramos num pequeno quiosque para comer bolo de laranja. Que bom gosto tem esse meu recente amigo! Gosta de bolos. O mesmo gosto que eu. Ouvimos várias canções, brasileiras e americana, canções que nos fazem flutuar pelo ambiente. Antes de chegarmos ao estacionamento, acho que já me tornara sua mulher. Então, ele me falou.

“Quero-lhe fazer mais uma surpresa.”

Tirou a carteira do bolso, pegou duas notas de cem, dobrou e as colocou no bolso traseiro de minha calça jeans.

“Que é isso?”, achei engraçada a brincadeira.

“Algo mais que estou comprando pra você, mas não digo agora.”

“Adoro mistério”, falei e me dependurei no seu pescoço. Taquei-lhe um beijo na boca.

Saímos ainda a passear pela cidade. Já anoitecera.

“Vamos à minha casa?”, convidou-me. “Tomemos uma taça de vinho.”

“Adoro vinho”, sorri. Um sorriso que foi outro beijo.

Resumo a história.

Que casa linda a do meu namorado. Logo ao entrar, despenquei num estofado maravilhoso. Uma sala de móveis imponentes. E lá veio ele com o vinho e alguns minis sanduíches.

Abraçou-me, e foram muitos os beijos. Depois sussurrou juntinho ao meu ouvido:

“Vou deixar você peladinha.”

“Vai?”, continuei agarrada a ele.

“Peladinha, peladinha.”

“Que bom!”, palavras de uma mulher eufórica.

“Hoje você é toda minha.”

“Sou toda sua”, repeti.

“E aquela surpresa, lembra? As notas de cem.”

“Sei, o que tem elas?”

“É pra você. Mas significa que comprei também essa roupinha que você traz sobre o corpo, ok?”

“Ok”, eu disse, mais um beijo na boca, mais um beijo estalado nos seus lábios.

“Mas vai deixá-la aqui em casa. Uma simpatia, sabe? Quero que você volte outras vezes. Está bom assim?”

“Está ótimo”, arfei. “Deixo a roupa, deixo o que você quiser. Só te peço uma coisa.”

“Peça, estou aqui para lhe satisfazer”, sorrisos e brilhos no rosto dele.

“Me come, vai. Me come. Estou morta de tesão!”

domingo, março 03, 2013

Aquela não lhe era estranha

Estou na praia, mas é noite e visto apenas o biquíni, imagina?

Mulher salta do carro, de fio dental, e pede um refrigerante num quiosque da orla, passa de meia-noite. O carro se vai e ela fica só. Seria um bom início de história, não?

A cor do biquíni? Vermelho. Depois, caminho sobre a areia como se fosse entrar na água para um ligeiro banho. Uma pessoa aqui, outra ali me olham. Mas não me inibo, sei representar, disfarço bem o arrepio e o breve tremor. Estou sozinha? Em parte, sim. Mas pedi a um amigo que ficasse por perto e aparecesse caso eu o chamasse. Além do minúsculo traje, o telefone pequeno preso na tirinha, ao lado de um dos lacinhos.

Ao ver que um homem se aproxima, não grito pelo meu amigo, volto ao quiosque e peço uma garrafinha de água. O empregado sorri. Sabe que ali só aparecem madames e aquela não lhe é estranha. Ao acabar de beber a água, meu amigo, preocupado e inoportuno, surge no carro cinza metálico, desce e me entrega a canga.

“Vá embora”, devolvo-lhe o pano.

Ele obedece.

O desconhecido volta a me espreitar, mas se demora a chegar. O que acontecerá? Tenho tempo pra pensar?

Primeira hipótese: Na certa ele vai me agarrar. Será que poderei contra-argumentar: “estamos num país civilizado, você tem que respeitar meu direito de andar de biquíni à noite.”

Segunda: o homem me chama de prostituta. “Só as mulheres de aluguel andam assim, de repente você nem mulher é, mas um travesti...” Vou responder: “nada disso, apenas uma mulher a passear, e à vontade, pode perguntar ao empregado do quiosque, ele me conhece de outros carnavais.” Ah, carnaval? Certamente toco mais fogo no homem.

Outra possibilidade: ele insiste para eu namorá-lo porque se sente só e precisa de uma mulher bonita e compreensiva. Estes são os carentes, o tipo de homem que mais aparece por aí, querem uma caridade. Já viu alguma mulher trepar por caridade? Nem sendo freira.

Uma possível saída é o telefonema. Saco o telefone da tirinha do biquíni qual uma arma e aponto para meu amigo voltar. Um grande problema, porém. Na afobação arranco junto o biquíni, portanto, mesmo sem querer facilito as coisas.

O homem caminha na minha direção. Agora é certo que ele vem falar comigo.

Ainda tenho tempo de lembrar da Vânia e da Carlinha. Tão mais ousadas que eu.

Vânia vai à praia à noite no verão vestindo apenas uma canga. Nada sob. Corre à areia, solta o pano, deita sobre ele e fica horas a fio. Só se cobre de novo quando está próximo o sol.

Carlinha vai além... “Carlinha, será que você não tem medo de ser agarrada?”, perguntei várias vezes. Vai à praia durante a noite vestida apenas pelo... carro! Sai da garagem peladinha, estaciona e passeia nua na areia; antes de amanhecer, volta Carlinha. Sempre peladinha!

O desconhecido encosta ao meu ouvido e pergunta:

“Quer jantar comigo?”

Lógico que aceitei.

Mais uma coisa, ele nem notou que eu estava de biquíni.

domingo, fevereiro 24, 2013

Vem, vem f. comigo

Acordei excitadíssima, a madrugada ia alta, sentia-me como se recém-chegada de uma festa onde dançara a noite inteira com homem de corpo musculoso, homem que prometia bom sexo mas que acabou na cama de outra; na garganta, meu grito travado, vem, vem foder comigo!

Ajeitei o travesseiro, apoiei a cabeça de modo mais confortável, meu coração saltava; vem, aperta o meu corpo, sobe sobre mim, enfia-me teu sexo, deixa-me gozar de todas as maneiras; sua chegada anunciou-se, relincho de corcel ligeiro; a cama estremeceu, sombras dançaram no ar, visões perderam-se nas paredes; como numa disputa acirrada, revolvi os lençóis livrando-me deles, em segundos estava sobre o seu corpo, ele enfiava o seu sexo duro dentro de mim; eu pulava, quase uma corrida cujos obstáculos me enchiam de prazer, ia e vinha num arfar que se ritmava com mais violência a cada salto, o ar era quente, nossos suores misturavam-se; interrompi de repente os movimentos e comecei a girar, tive o cuidado de não deixar seu pênis escapar; como sou canhota, escolhi o sentido anti-horário, 360 graus de sexo bem redondo; atravessei-lhe o ventre com um dos pés, depois o outro, ligeiro movimento à esquerda e já estava sentada ocupando-lhe estrategicamente o lado direito, os dois pés pousados, paralelos um ao outro; depois afastei a perna esquerda e lhe ultrapassei as coxas; rápida, recolhi a perna direita, agora lhe dava as costas, seu sexo continuava inteiro dentro de mim; cuidadosa, continuei avançando os pés, o esquerdo a 45 graus, depois o direito, a engrenagem resistia; faltando apenas um quarto para completar o círculo, trabalhei com maior cuidado, o eixo já estava por demais lubrificado; mais um impulso e minha perna esquerda saltou seu pescoço, o pé apoiado no travesseiro lhe ladeava a cabeça, um pequeno esforço e minha perna direita escorregou próxima ao seu tórax, eu apresentava as pernas bem abertas, por pouco quase o deixei escapar, seu pênis desfez o nó em que se manteve dentro da minha vagina durante todo o percurso; ajeitei-me e, na posição de partida, reiniciei os movimentos ascendentes e descendente, permanecia sobre o seu corpo, meus pés na altura de sua bacia; em pousos segundos senti seu sêmen esguichar dentro de mim, tornou-se-lhe impossível segurar o gozo até mesmo por mínima fração de tempo; aproveitei seus últimos espasmos, queria sugar até a última gota a consequência extrema do meu ardor; depois me larguei ao seu lado, ele a me envolver num longo e silencioso abraço, eu a transbordar seu sexo sobre os lençóis, um jorro lento e sadio, absorvera-o mais do que podia, mas queria-me banhada pelo lastro do seu prazer; na parede defronte dançavam vultos comemorando uma olimpíada, disputa entre os deuses, que celebravam a minha vitória e a de meu homem.

Levantei quando o dia jorrava um olho de luz através da veneziana; andei nua pela casa, fui à cozinha beber água; ao voltar e olhar a janela da sala vi os outros prédios, a cidade ainda dormia, homens e mulheres, juntos ou sós, sonhavam seus sonhos de amor; eu, lânguida mas ainda excitadíssima, loba no cio, desejava a segunda, quem sabe, a terceira investida; e sempre o círculo anti-horário, o tempo neutro, o sexo perene, o grito travado, embora ele na cama de outra; vem, vem foder comigo!

quinta-feira, fevereiro 21, 2013

Já que tá, deixa ficar

Quando nosso grupo de dança ainda não era profissional, certa vez viajamos para uma apresentação em Vitória. Logo que chegamos à cidade, fomos para o hotel. Como os quartos eram duplos, ficamos juntas eu e Rejane. Lá pelas onze da noite, quando quase todos já estavam dormindo, cochichei no ouvido de minha amiga:

“Onde será que está o Jardel?”

Jardel era o único dançarino do grupo. Aliás, ele nascera homem, mas seu corpo, apesar de grande, era quase o de uma mulher. Ele tinha até um pouco de seios. Certa vez vestiu-se de mulher. Ninguém desconfiou que não fosse uma das nossas.

Rejane também não sabia o número do apartamento do rapaz. Pusemo-nos a investigar. Lembramos que ele fora um dos últimos a receber a chave, por isso deveria estar num dos números mais altos do andar. Percorremos todo o corredor e paramos diante da porta do último apartamento. Encostamos o ouvido e ouvimos som de TV lá dentro.

“Vamos bater”, sugeri, “caso não seja o dele, a gente inventa uma história e pede desculpas.”

Bati três vezes. Acertamos na mosca. Era o quarto de Jardel.

“O que vocês desejam?”, perguntou com ar de surpresa.

“Ficar um pouco com você”, falei apressada.

Ele abriu a porta e nós entramos.

“Vocês não acham que é hora de descansar.”

“Mas nós queremos namorar você”, falei e o agarrei pelas costas.

“Namorar?”, mostrou-se surpreso.

“Isso, mesmo, nós duas, ao mesmo tempo.”

Enquanto eu o segurava por trás, Rejane abraçou Jardel e tacou-lhe um beijo na boca.

“Gente, por favor, ainda não pensei em namorar alguém, nem sei se vou escolher mulher para isso. Por enquanto, penso na minha carreira.”

“Sei que você pensa em sua carreira, todas nós pensamos, mas o que haverá demais se nos divertirmos um pouco?”, argumentei enquanto acariciava suas costas.

“Nos divertirmos?”, perguntou ele.

“Isso, vamos fazer de nossos corpos uma grande diversão”, Rejane falou e fez cócegas sobre o seu ventre.

“Não sei, não estou acostumado a esse tipo de diversão”, tentava esquivar-se.

“Basta que você deixe por nossa conta”, afirmei.

Rapidamente o despimos. Rejane beijou-lhe a boca de novo enquanto eu comecei a brincar com o pênis do rapaz. Não demorou estava duríssimo.

“Gente, por favor, estou sentindo uma coisa super estranha”, pôs-se a repetir isso várias vezes.

“No começo é assim mesmo, depois você acostuma”, falou Rejane.

Coloquei seu pênis dentro da minha boca, chupei-o com muita voracidade.

Depois de algum tempo, invertemos as posições. Enquanto Rejane o abocanhava, eu beijava-lhe a boca e fazia carinho no restante do seu corpo.

“Rejane, cuidado pra ele não gozar, também quero um pouco, viu?”, alertei

O namoro durou muito tempo. Em alguns momentos, fizemos que ele dançasse nu para nós, pedimos que desfilasse ora fazendo de conta que era mulher, ora que era homem. Quando fazia o papel feminino, tinha de tentar esconder o pênis, que permaneceu ereto durante a maior parte do tempo.

Fiz que ele metesse em mim, mas logo Rejane, preocupada, alertou: “quero também, viu?.”

“Será que você consegue dar duas trepadas?”, perguntei a ele.

“Acho que sim. No começo eu estava temeroso, mas agora estou adorando.”

“Déborah, acho que de hoje em diante ele vai resolver ser homem”, Rejane sorriu. Depois se deitou e pediu que ele fosse sobre ela. Enquanto eles trepavam, fiz que Jardel chupasse os meus seios.

“Não goza dentro não, deixa pra gozar na minha boca”, pediu Rejane.

“Também quero”, saltei e esperei a minha vez.

Quando ele gozou, teve porra de sobra para nós duas.

“Que delícia”, falei, “você é muito gostoso, eu já desconfiava”, completei.

“Adorei, meninas, acho que vou querer que voltem sempre.”

“Voltar sempre?”, perguntei. “Olha que somos mulheres difíceis”, franzi a testa e caí na gargalhada.

Ele nos abraçou, as duas ao mesmo tempo. De repente, sugeriu:

“Que tal começarmos de novo?”

Enquanto rolávamos os três sobre a cama, ouvimos alguém bater na porta. Jardel correu e abriu. Um homem negro, alto, entrou no apartamento. Eu e Rejane gritamos quase juntas, gritamos, saltamos e nos cobrimos com nossas pequenas mãos.

“Calma, meninas”, falou Jardel, “vocês me fizeram uma surpresa, não? Agora sou eu que faço a vocês.”

“Mas, Jardel, estamos nuas”, vociferou Rejane.

“Eu sei, querida, não há nada de mais nisso.” Ainda voltado para nós duas, continuou: “apresento a vocês o meu amigo João. Meninas, ele trabalha no hotel, ninguém pode saber que está aqui.” Então voltou-se para o homem: “João, essas são minhas amigas Déborah e Rejane, estrelas da companhia de dança.”

O recém-chegado olhou-nos com ligeiro sorriso e falou com voz baixa e delicada: “muito prazer”.

“O que ele veio fazer aqui?”, perguntei.

“Ora, veio conversar comigo. Mas quero dizer uma coisa a ele”. Jardel virou-se para homem: “João, sei que veio aqui por causa de mim, mas acho que você vai acabar pensando como eu. Essas duas são adoráveis, conseguiram me divertir muito, uma diversão como nunca senti. Elas não vão negar nada a você.”

“Déborah, e agora, o que vamos fazer?”, a voz de Rejane era de aflição.

“Ora, amiga, não há nada a fazer. Vamos seguir o conselho de Jardel, vamos todos nos divertir. Como diz aquele velho ditado: 'já que tá, deixa ficar'.”

domingo, fevereiro 17, 2013

Melhor que seios?

Morro de vergonha se tenho de mostrar os seios. Faço qualquer coisa, mas ficar de peito de fora diante de um homem me mata. Tenho um amigo que mora em Copacabana. Ele leva várias mulheres ao seu apartamento com o objetivo de fotografá-las. A maioria tira rapidinho toda a roupa. Mas eu não consigo despir a blusa, ou o top. Exibir os seios, no meu caso, é uma verdadeira angústia. Outro dia fui de novo ao tal apartamento. Ele fez tantas fotos minhas, cada uma mais linda do que a outra. Mas na hora que me pediu para tirar o sutiã, foi um Deus nos acuda. Não consegui. Já tomei calmante, fumei baseado, bebi vodca... Tudo em vão.

“Jéferson, há tantas outras poses, nada demais eu ficar de blusa, ou de top, você não acha?”

“Concordo, Luíza, mas falta uma pontinha de você para estar completa, ou melhor, perfeita.”

“Mas qual o problema de eu não estar completa ou perfeita? Na vida nada é completo nem perfeito.”

“Luíza, assim você já está querendo introduzir uma questão filosófica. Desejo apenas fotografar seus seios nus.”

Certa vez fui a uma praia com umas amigas. Segundo elas o lugar era famoso por ser permitida a prática de nudismo. Ligeiras, desfizeram-se de todas as peças. Eu não pude. Aliás, tirei a roupa, mas conservei o top.

“Por favor, não toquem em mim”, pedi, “se tiver de mostrar os seios, eu morro”, falei muito preocupada.

“Mas você viaja até aqui e não fica nua.”

“Não estou vestida”, repliquei.

“Não?”, a amiga insistia.

“Estou sem a parte de baixo, você não notou?”

Voltando ao meu amigo do apartamento.

“Luíza”, ele falou outro dia, “fui incumbido de fazer umas fotos para uma revista norte-americana. Lembrei logo de você. Mas temos de superar aquele problema.”

“Problema? Que problema?”, ingênua eu, não?

“O dos seios.”

Dei então a solução.

“Não sei se eles vão aceitar, Luíza. Dizem que tem de haver uma foto da modelo nua por inteiro.”

“Deixa comigo, pode ser que aceitem o que estou pensando.”

Daí veio a foto que me fez famosa internacionalmente, invejada até mesmo pelas melhores modelos mundo afora. Fiquei nua, mas de costas, um pouquinho inclinada para a direita e com a cabeça voltada para a câmera, aparece apenas o bico de um seio.

Se quiserem mais, ficarão a ver navios. Melhor navios do que seios? Para uns, talvez; para outros, porém, melhor que me roubem o sutiã!

domingo, fevereiro 10, 2013

Será que exagerei na dose?

Nós, mulheres, sempre temos algum ex-namorado que vez ou outra sofre uma recaída e nos procura. Depois da invenção da internet, então, nem se fala. Os e-mails e as mensagens nas redes sociais se oferecem com tanta facilidade que, quando eles dão conta do que fizeram, já é tarde demais. Um dia desses recebi uma mensagem de um homem que namorei em 2004. Quanto tempo, não é mesmo? Ele dizia:

Querida, sinto muita saudade de você. Sei que já faz tempo que não nos vemos. Talvez você já tenha tido muitos namorados depois de mim, ou, quem sabe, vai ver que até casou. Não faz mal, não fico aborrecido com isso. Gostaria apenas de fazer um pequeno e fácil pedido a você. Será que poderia me enviar uma foto sua? Apenas uma bastaria para saciar o meu desejo. Caso você esteja disponível, até podemos nos encontrar. Mas não faço essa proposta agora, nem mesmo sei se é decente cogitá-la. Uma foto, por enquanto, me bastaria. Beijos. R.

Lembrei os momentos em que passamos juntos. Foram ótimos, não resta dúvida. Mas como eu morava e ainda moro em BH e ele no Rio, o relacionamento não vingou. Uma amiga diz que se há amor, não importa a distância, dá-se um jeito. Mas no nosso caso, não sei. Se aquilo não foi amor, não posso dizer o que tenha sido.

Quando namoramos, ele fez várias fotos minhas. Em muitas delas, apareço nua. Essas fotos ficaram com ele. Mas eis que oito ou nove anos depois ele quer mais uma. Não respondi de imediato. Deixei que pensasse que eu iria ignorá-lo. Há três dias, porém, resolvi atender o seu pedido. Fiz a foto: estou sentada numa poltrona, de pernas cruzadas; no rosto, um ligeiro sorriso.

Dias depois veio o agradecimento.

Querida Rita de Cássia, que foto! Estou em permanente enleio. Não consigo me afastar de você pelo mínimo espaço de tempo, por isso fiz muitas cópias e espalhei a sua bela imagem por toda a casa. Meu agradecimento vai além, porque quando lhe fiz o pedido não contava que me enviaria uma foto dessas... Estou novamente apaixonadíssimo. Você continua (como posso dizer?) linda como sempre.

Fiquei na dúvida, será que exagerei na dose?

domingo, fevereiro 03, 2013

Sou engraçada, sim...

Sua camisa é tão bonita. É da banda, não? Você me empresta? Ah, entendi, só se eu contar o que aconteceu. Então me abrace, me esconda nesse seu largo tronco. Assim conto a minha historinha e me mantenho oculta, longe de olhares afoitos. A banda está tão animada, que bom! A gente se diverte. Escute.

Foi aqui nessa pracinha mesmo. Você já me conhece de vista, não?, sabe que adoro andar de biquíni. Saio de casa para ir à praia de biquíni, nenhum pano a me cobrir, só a carteira de plástico transparente contendo a identidade, colada aqui no meu braço esquerdo; ando pela orla de biquíni; depois da praia vou a algum bar tomar chope de biquíni; converso aqui ou ali com um ou outro, de biquíni. E hoje que é carnaval, lógico que não poderia deixar de sair com o meu traje predileto, o menor biquíni, e de lacinhos. Fui à praia; depois, adivinhe, vim aqui para o bloco. Dancei à beça. Tomei dois ou três chopes. Então apareceu um rapaz, acho que novo nas imediações. Mas tão bonito, que corpo! Logo me conquistou; logo me dependurei no seu pescoço. Que emoção... Então ele começou a ficar excitadíssimo com meus beijos e abraços. Falei a ele aqui na praça não podemos transar, vamos deixar para outra hora, hoje é carnaval. Mas ele insistiu a gente tem de dar um jeito. Mas com tanta gente tentei desconversar olha o que você vai aprontar continuei e lhe dei mais um beijo. Ele foi me conduzindo no ritmo da banda para o lado de uma árvore, e falou aqui na praça há um ponto cego. Ponto cego? perguntei. Isso, ponto cego reafirmou um local onde ninguém pode nos ver. Você acredita que há um lugar onde ninguém pode nos ver, numa praça? Realmente, ele me convenceu. Ficamos ali, agarradinhos. Você quer que eu mostre o lugar? Assim que acabar o relato  levo você até lá. Escute. E não é que ninguém nos viu mesmo? Ficamos a namorar, a nos agarrar, a nos beijar. Até que ele falou tenho um costume, sabe? um costume como o daquele cantor, esqueci o nome dele, gosto também de fazer coleção de calcinhas, sempre levo de lembrança uma calcinha de minhas namoradas. Calcinha contra-argumentei mas estou de biquíni. Hoje quero começar uma nova coleção, desta vez de biquínis falou. Ele me apertou mais, e sabe o que fez? Acho que não preciso descrever, só digo que me levou ao orgasmo. Isso mesmo, gozei ali naquele cantinho. Mas não é que o danado começou a nova coleção dele hoje mesmo? Quer saber como corri até aqui? Corri, simplesmente. Como nos sonhos, corremos e ninguém nos vê. Acho que tive sorte. Aí apareceu você com esses braços compridos, o tronco largo. Quer ir até o ponto cego? É logo ao lado da árvore, a da direita. Vamos sim. Já sei, você também quer me levar ao orgasmo. Olhe que sou osso duro de roer, viu? Ok, mas promete depois me emprestar sua camiseta? Então, combinado. Adoro carnaval, e não posso perder esse desfile só porque estou com o bumbum de fora. Você quer saber o meu nome? Gisele. A modelo? Não, não. Ou melhor, quem sabe. No carnaval faz mais sentido desfilar aqui na General Osório do que nos Estados Unidos. Você está rindo. Sou engraçada, sim...

segunda-feira, janeiro 28, 2013

Quando temos à vista um bom ator esquecemos que o teatro é de mentirinha

Uma vela branca no meio da tela e o mar entre o verde e o azul, é o quadro na estreita parede da sala. Ao lado, uma estante de livros subindo até o teto. Podem-se observar volumes de literatura, filosofia e alguns de arte, desses que são vendidos como catálogos em exposições. No canto oposto uma mesa quadrada de quatro lugares; ao centro, um vaso de flores amarelas e brancas, imitação de cerejeira.

Paulo avança na direção do quarto, mas ao ultrapassar a porta para e, de modo gentil, me cede a passagem. Não é a primeira vez que exploro o seu apartamento, sei e desejo o que estava por vir. Antes da visita, o cinema; a seguir, duas taças de vinho. Dali em diante, o amor. Liga o ar-condicionado e aciona o CD player. Voz de mulher acompanhada de poucos instrumentos espalha-se por todo o cômodo. A cama, confortável, com travesseiros altos na cabeceira, convida.

Meu namorado sempre pensa em tudo, procura fazer o máximo para agradar. No amor, da mesma forma, tenta todos os ardis para não decepcionar. Mas, ao mesmo tempo, sempre se mostra exigente. Quer ouvir a minha voz, os meus gemidos, pede-me que o excite com algumas palavras inesperadas.

“Palavras inesperadas?”, indago em busca de uma direção.

“A surpresa é o inesperado”, aponta-me o destino.

Gosta de contar histórias, na hora do amor. Seu sexo é acompanhado de palavras e imagens. Constrói poemas, cria enredos, brotam-lhe da boca metáforas que jamais ouvi de homem algum. Às vezes saboreio narrativas em que vou sempre nua, envolta apenas em frágeis véus ou mesmo embalada apenas pelas sombras e pelo sopro da noite. Ele adora amplidões, desertos e madrugadas, lugares onde se pode ter como frágil lâmpada apenas o cintilar das estrelas tardias. Sua voz provoca viagens a praias em que ondas vorazes nos salpicam gotículas geladas, pequenas pérolas prenhes de sal. Suas mãos orientam as sutilezas do meu corpo. O calor da nossa pele basta-nos.

“Vou levar você através de corredores escuros”, sussurra-me, “acostume à pouca luz, seus olhos vão descobrir o brilho que só é permitido às almas loucas de amor.”

Paulo enfia-me em labirintos dos quais custo a encontrar o caminho de volta. Além dos percalços naturais do lugar, não me deixa à mão um fio de Ariadne. Ou melhor, não me permite fio algum. Não tenho como desfiar a roupa que não trago sobre o corpo. Caso a trouxesse, ele viveria o fetiche de inutilizá-la. Destrói tecidos, os mais grossos e os mais finos, nos instantes extremos do gozo. Como já lhe conheço os costumes, trago às escondidas roupa reserva. Mas ele é esperto, quase sempre descobre qualquer peça sobressalente.

Não é mal contar histórias em que ao final estou nua de corpo e alma. Pior seria não ter nos braços aquele que me ama perdidamente, mesmo que seu amor seja apenas representação. Quando temos à vista um bom ator, esquecemos que o teatro é de mentirinha.

Depois me presenteia. Todos os presentes do mundo, tantas as lojas...

Vou no barco, a vela branca, o mar verde e azul. Sobre a pele, o brônzeo sol.

quinta-feira, janeiro 24, 2013

Debaixo d'água?

Glória, adoro caminhar toda manhã aqui no calçadão. Aliás, caminho e pedalo, por isso tenho esse corpinho, como você acabou de reparar. Fico feliz pelo elogio. Nem pareço que já passei dos cinquenta, não é mesmo? Vou dizer ainda mais uma coisa. Se eu quiser, arranjo um namorado a qualquer momento. E um namorado bem jovem. Eles olham muito pra mim. Há aqueles que nem disfarçam, não desgrudam os olhos, insistem pra ver se eu correspondo. Adoram ficar me azarando, como eles dizem. Ontem mesmo dei bola pra um jovem. Devia ter menos do que vinte cinco. O rapaz ficou eufórico, começou logo dizendo: “sei que não se deve perguntar a idade a uma mulher, mas você, que já deve estar beirando os quarenta, nem parece, é uma garotinha”. Glória, garotinha, vê se pode; e, além disso, achando que nem cheguei aos quarenta. É de dar de rir, você não acha? Depois ele me convidou pra entrar na água. “Vamos tomar uma banho de mar”, sugeriu. Aceitei. Mas ouça só. Lá atrás das ondas, ele quase me deixou nua. Uso biquínis pequenos, você me conhece. Não é que ele cismou de querer puxar os laçarotes? Acabamos agarrados um ao outro durante um tempo enorme. Beijos pra cá, beijos pra lá e suas mãos deslizando sobre o meu corpo. E eu ali quase pelada. Glória, olhe só à sua direita, a uns dez metros, você que usa óculos escuros, disfarce e observe, é um rapaz, e está me olhando, parece ser tão direto, mas não é o de ontem, não, esse deve ser ainda mais jovem, vou esperar um pouquinho pra ver o que acontece. Lembra da Rita? Ela também é boa nisso, apesar de ser um pouquinho mais velha do que eu. Vem caminhar na praia e arruma logo um namorado. Só gente de bem. Conseguiu até um homem rico. O problema é que ela não tem juízo, quer experimentar cada dia um diferente. Há esses corredores que se organizam em equipes, uma espécie de clube, correm juntos, participam de maratonas. Às vezes se arranja namorado entre eles, sabe? Mas prefiro a minha independência. Venho à praia e caminho sozinha, faço meus exercícios, fico com esse corpinho que você está vendo. O resultado: todos os homens a me olhar, inclusive os muito jovens. Glória, o rapaz continua a me olhar, é um garoto, você não acha? Não tenho problema algum com diferenças de idade. Já pensou se ele me convida para ir à casa dele, ao quarto dele? Vou de biquíni mesmo. Quem sabe, dessa vez sou eu que o convido. Glória, vem ele aí, vai parar aqui pra falar com a gente. Viu como é verdade? Sempre faço o maior sucesso. Vou agir como de costume, amiga, vou mergulhar de cabeça.  Assim deixo que meu corpo deslize por suas mãos.

Oi, amor, sou Vera, sim, isso, já conversamos, sim, fique aqui, se gosto de mergulhar? Adoro. Você pratica mergulho submarino? Debaixo d’água? Nunca pensei nisso, mas deve ser ótimo. Olha que aprendo rapidinho... 

segunda-feira, janeiro 21, 2013

Dia e noite de biquíni

Saio de casa em torno das dez da manhã para ir à praia. Levo comigo apenas a sacolinha plástica transparente com o protetor solar e algum dinheiro. Nada visto além do biquíni. E olha que é uma coisinha à toa. Na cabeça, uso um boné. Após sair da praia, mesmo que já esteja próximo o entardecer, às vezes vou a algum bar ou restaurante. Já fiquei de biquíni andando por aí até as onze da noite. As pessoas me olham, algumas se surpreendem. Mas eu não ligo. O importante é que sempre me divirto. Vergonha, jamais sinto. As mulheres adoram andar nuas, e eu não sou exceção. Passeio com alguns rapazes, mas tudo na maior amizade. Quando rola algum namoro, marco o encontro para outra ocasião. Não quero estragar os dias e as noites de verão agarrada a alguém. Sempre há aquele que acha ser fácil me conquistar, pensa que só por eu andar seminua significa que desejo trepar com todo o mundo. Esses logo se decepcionam, descobrem que nada tenho a ver com as suas fantasias. Algumas meninas dizem que é perigoso andar de biquíni fora da praia, ou mesmo fora da faixa de areia. Mas quanto a isso, nunca tive problemas. Na Zona Sul é difícil aparecer homem que seja capaz de bolinar uma mulher. Podem até ter vontade, mas não vão além disso. Caso a mulher esteja sozinha de madrugada, nua numa rua escura, alguém se aventurará a persegui-la. Mas aí são outros quinhentos. Não vou dar tão mole assim. O fato de andar nua, como diz a minha mãe a respeito do meu modo de vestir, não significa que eu queira me exibir. Ando de biquíni pelas ruas de Ipanema para agradar a mim e não aos homens. É uma atitude muito natural. Toda garota que fizer o mesmo vai adorar. Na primeira vez pode até sentir um friozinho na barriga e ter vontade de correr para casa, ou mesmo de pedir uma camiseta emprestada a algum rapaz benevolente. Mas se insistir vai gostar tanto, que seu único trabalho daí em diante será escolher o modelo de biquíni que melhor lhe sobressaia o corpo.

segunda-feira, janeiro 14, 2013

Abri a porta e saltei de novo escada abaixo

Desci do sótão onde moro ao térreo, três andares. Eram onze da noite. Deixei a escada e caminhei dois passos até a parede que limita a construção ao terreno que dá acesso portão de entrada. Estava aberto. Só então reparei uma mulher encostada no portal direito. Ela olhava para a rua. Sua atitude era de quem esperava alguém. Como eu estava nua, temi que ela me descobrisse. Voltei e me escondi atrás da parede que antecede a escada.

Por que minha nudez?  Uma historinha. Certa vez o namorado sugeriu que eu saísse nua de casa, aguardasse um pouquinho e depois batesse à porta fazendo de conta que chegava sem roupa alguma para namorá-lo; dali em diante, tanto na sua casa, como na minha, ou mesmo em algum hotel suburbano, palco ocasional de nossa paixão desvaira, passamos a praticar o jogo, um verdadeiro frisson. Moram outras pessoas nos dois andares restantes do pequeno prédio, por isso, resolvo abusar. Num deles, meus filhos; no outro, o apartamento está alugado a um casal. A perspectiva de ser surpreendida me causa arrepios ainda mais intensos. Além de tudo, sou a proprietária do prédio.

Aquela mulher estranha no portão me intrigou. Tentei descobrir quem era. Pela postura, até lembrava minha filha. Achei que usava uma roupa que conheço; mas tive dúvidas, me pareceu um pouco mais alta. Subi de volta os dois lances da escada, bati e esperei meu namorado abrir. Ele demorou a atender. Assim que entrei, disse a ele:

“Vi uma mulher lá embaixo, parece Lídia.”

“Ela viu você?”, perguntou aflito.

“Não, mas foi por pouco. Já pensou se ela estivesse subindo bem no momento em que eu descia? Não teria como me esconder.”

“Qual desculpa você daria?”

“Nem sei, mas seria engraçado ela encontrar a mãe nua fora de casa.”

Meu namorado me abraçou, me puxou para o canto da parede onde sempre gosta de me apertar. Não sei se gosta mais de mim ou do tal canto. Começou a me bolinar. Não demorou a colocar o pênis entre as minhas coxas.

“Você é muito gostosa, sabia? E quando faz essas coisas, gosto mais de você;”

“Que coisas?”, me esfregava nele e sentia seu sexo no meu, já estava toda molhadinha.

“A sua ousadia de sair nua de casa.”

“Olha que qualquer dia desses isso vai acabar não dando certo.”

“Você acha mesmo?”

“Se acho? Lembra do hotel? Faltou pouco para o homem me flagrar nua. Ainda bem que naquela noite eu tive um pressentimento e não fui lá fora.”

Ele me beijou, encaixou o pênis na minha vagina.

“Se fosse”, prosseguiu depois de interromper um beijo, “se fosse, o homem tinha encontrado você nua. Será que nos expulsariam do hotel?”

“Ser expulsa de hotel não seria nada, mesmo pelada. Pior se ele me tivesse levado pro quarto e me comido. Eu não poderia dizer nada. Nem você.”

“Te comido?” meu namorado já estava arfando, suas palavras vinham em espasmos, “te comido? Eu não deixaria...”

“Não deixaria? Lembra o tamanho do homem? Era um negão imenso. E devia ter um peru enorme.”

“Da próxima vez... da próxima vez que... que fomos àquele hotel, você vai nua... vai nua de novo. Se alguém te surpreender, vou te salvar.”

“Não goza agora não, espera mais um pouquinho”, falei tentando escapar.

“Por que você tirou? Está tão bom...”

“Tenho de ir lá embaixo descobrir quem é aquela mulher.”

Abri a porta e saltei de novo escada abaixo.

segunda-feira, janeiro 07, 2013

Adolescentes

Stella, está vendo essa senhora aqui ao nosso lado? Lado direito, pertinho de você. Não parece, mas é uma senhora. Se você olhar apenas para o corpo, vai pensar que se trata de uma jovem de vinte e poucos anos; caso, porém, olhe para o rosto, perceberá que ela já é entrada nos anos. Uns dizem que tem cinquenta e tantos, outros afirmam que já passa dos sessenta. O importante para nós, que estamos aqui na praia falando da vida dos outros, é o corpo que ela tem. Repare o biquininho dela. Muitas garotas não teriam coragem de vesti-lo. Há várias histórias sobre essa mulher. Ouça, por favor, sei que a gente tem que dar um desconto porque o povo inventa muito, é como aquele ditado: quem narra um conto aumenta um ponto. Mas há uma coisa que eu mesma presenciei: ela adora garoto. Acho que é porque tem o corpo quase de adolescente, por isso prefere namorar com eles. Ela sempre vem à praia e fica nesse pedaço de areia. Outro dia um rapaz pediu a ela para acender o cigarro. Ela atendeu, conversou um pouco com ele; depois o jovem não mais desgrudou dela. Ainda há outra história. Você conhece o cinema Roxy, aqui pertinho? Então, ela estava na última sessão com um rapaz muito novo. Ele deveria estar ali pelos dezoito ou dezenove anos de idade. Quando o filme acabou, ambos saíram do cinema agarradinhos. Dê uma olhada de viés, Stella, repare bem, ela está lendo uma revista dessas que falam de atores e atrizes de TV, acho que tem até a ver com o BBB. Ela parece séria, não é mesmo? Tenho de falar bem baixinho. Olhe agora, Stella, mas disfarce, não olhe direto, estão vindo dois jovens na direção dela. Isso mesmo, acho que acabaram de deixar a adolescência, se tiverem 18 anos é muito. Observe, um deles se abaixou, o outro está olhando para o mar. Reparou? Ela já até se levantou.

“Vocês podem dar uma olhadinha aqui nas minhas coisas?”

“Oh, sim, claro, claro.”

Stela, que susto, pensei que a mulher tivesse nos descoberto, ainda bem que fez apenas um pedido. Repare, estão entrando no mar, a praia ainda está vazia, não? Veja que surpresa, um deles foi pegar a prancha de surf. Estão nadando para longe, já atravessaram duas arrebentações, e o mar hoje está agitado. Ela nada bem, sabe, parece que já foi campeã de natação.

Stella, repare, repare, um dos garotos vem lá. Já faz uns vinte minutos que entraram na água. Agora ele volta sozinho, e vem na nossa direção. Viu como nos olhou? Ele abriu a bolsa da mulher e guardou alguma coisa lá dentro. Stella, juro que não entendi o que ele colocou ali dentro. Tem gente que aposta que já a viu tomando banho nua aqui na praia. Eu sempre achei que fosse invenção, mas agora estou na dúvida. Que tal a gente olhar a bolsa da mulher? Será que eles vão perceber? Stella, é lógico que estou excitada. Numa situação dessas, qualquer mulher fica excitada. Vai dizer que você não está? Tive uma amiga que fazia de pulseira o biquíni. Lá longe, dentro d’água, ela o tirava e o colocava no pulso, dizia que era o maior barato, um orgasmo. Você acha melhor a gente dar uma olhadinha só para tirar a prova dos nove? Está bem, vamos abrir a bolsa e olhar. Mas quem vai à ação? Stella, calma, devagar. O que é, Stella? Ah, não, coloque no mesmo lugar, Stella, por favor, não, não faça isso, não podemos agir assim, é deslealdade. E essa mulher me conhece de vista. Se você fizer isso, eu vou ter problemas. Stella, por favor, volte aqui, volte, Stela...

quinta-feira, janeiro 03, 2013

Três historinhas de réveillon

Tenho três adoráveis historinhas de réveillon, e sei que vocês vão adorá-las. Não foram vividas por mim, é claro, mas mesmo assim dou a voz de narração às amigas que me contaram. Não preciso citar seus nomes...


No réveillon fui à praia ver os fogos, vesti um vestidinho todo dourado, quase um tubinho,  tomara-que-caia. Preciso dizer que era curtinho curtinho? Todos os rapazes me olharam. Ao aproximar os minutos derradeiros, encontrei Gerson, um amigo/namorado. Ele me abraçou, me beijou, me apertou e acabamos ficando juntos o tempo todo. À meia-noite comemoramos a chegada do ano novo. Os fogos coloriam o céu fazendo vários desenhos, e eram tantos os foguetes... As pessoas espocavam champanhe e brindavam. Meu amigo trazia uma garrafa, explodiu a rolha e começamos também a brindar e a beber. Então foi o momento de ele me abraçar com mais força, abraços tão apertados que pôde sentir meu corpo nos mínimos detalhes. De repente, em meio à festa e à alegria, ele me pergunta: Selma, você está nua? Não, Gerson, você não está vendo que estou de vestidinho?, respondo. Ele ainda suspirou: Não acredito. Completei: Você me conhece, não, Gerson? Dali ele queria me levar para algum lugar suspeito, ou melhor, para algum lugar de muito respeito. Mas eu contradisse: Espere dar quatro da manhã, Gerson, quero agora é festejar!


Wilma, você é louca, todos dizem, e perguntam: por que não vem passar o ano novo com a gente? Prefiro ficar só, à espera do meu príncipe encantado. E não é que todo ano ele vem? Mas tenho um segredo. Quando faltam dez minutos, preciso estar nuazinha, isso mesmo, nada a me cobrir. Então saio do apartamento e vou a um lugar determinado. Um lugar ao ar livre, é claro. Há ali vegetação e o mar nas proximidades. Meu príncipe aparece quando faltam três minutos para o ano terminar. Me beija e me envolve com o seu imenso corpo. Ninguém pode me ver, nem reparar que estou nua! Ficamos a nos beijar enquanto o ano velho passa o bastão ao ano novo. E que bastão! Mas há um segredo nesse feitiço. Tenho de correr para casa antes que se completem quinze minutos do novo ano. Quando falta um minutinho, ou mesmo trinta segundinhos, dou-lhe ainda um último beijo e corro, rapidinha. Lembrem, não tenho nem sapatinho para perder!


Eliete, a única exigência que faço a você é que venha nua, entendeu? Você tem de vir nua. Esse meu namorado gosta de me pedir coisas difíceis. Mas não posso decepcioná-lo. Ele me faz todas as vontades, logo no dia seguinte tenho o que quero em minhas mãos. Ok, Manuel, vou ver o que posso fazer. Sempre falo a mesma coisa, mas acabo dando um jeito. Dessa vez, o que relato aconteceu hoje mesmo, ou melhor, ainda está acontecendo. Marcamos o encontro num hotel, algumas horas depois dos festejos do primeiro dia do ano. Após comemorar o réveillon com alguns amigos (Manuel não pôde estar entre eles, pois tinha compromisso de trabalho), fui ao seu encontro. Antes de chegar, parei o carro e subi ao apartamento, não ao nosso, mas a um próximo. Reparei que a porta estava aberta. Entrei, tirei toda a roupa e a coloquei numa sacola, depois escondi a sacola num vão que há ao lado da varanda. Em todos os apartamentos há o mesmo vão. Na saída, pego de volta, pensei, no dia de hoje esse local não é muito frequentado. Depois, nuazinha, corri ao nosso apartamento. Manuel já me esperava. Sua alegria foi triunfal ao me ver realizar o seu pedido. Como você conseguiu?, perguntou. Segredinho, nada contei. Fizemos amor loucamente. Ele me beijou, abraçou, me levantou. Dançamos, brincamos, brindamos. Então começou a me penetrar. Está tão apertado, você é virgem, é?, perguntou. Claro, o que você acha, virgem pelada, especial para você. Fiquei molhadinha e ele escorregou para dentro de mim. Foram tantos os meus gritinhos. Adoro gritar quando sou penetrada, e mais ainda quando gozo. Meu gozo parecia não acabar nunca. Foram manhã e tarde maravilhosas. Quando chegou a hora de irmos embora, perguntei: quem sai primeiro? Ele: saímos juntos. Juntinhos, afirmei. Agora estou aqui no carro aguardando, ainda nua, enquanto ele está lá no shopping. Adivinhem fazendo o quê?


Margarida, que bom encontrar você, quero mostrar umas fotos...

Quero ver, Raquel, adoro fotografia, você me conhece.

Estão aqui, olhe, estou tão bonita, não estou?

Você está nua!

Nua, não, não está reparando o meu vestidinho?

Que vestidinho, Raquel? Para mim, nestas fotos, vestido só se for a pele.

Há o vestidinho sim, depende da maneira como se olhe.

Ah, acho que entendi, Raquel. Deixe-me ver. São três fotos, não?

Isso, três, Margarida.

Vamos à primeira. Você está de pé, um pouquinho curvada para a esquerda, as coxas grossas, os seios rijos, barriguinha nem pensar, como você é bonita nua, nunca imaginei; a segunda, você está sentada na beira da cama, as pernas cruzadas, as mãos juntas sobre um dos joelhos de modo que apenas um seio está descoberto, que pose adorável, é capaz de despertar nos homens as mais loucas fantasias; terceira foto, você ainda está sentadinha, e também peladinha, um dos pés toca o chão enquanto o outro ficou sobre a cama, suas pernas estão um pouquinho abertas, coisa de centímetros, e pode-se ver que você está depiladíssima,  para completar, seus seios estão soltos, ficam ótimos assim. Raquel, gostei, gostei muito do seu vestidinho.

Sabia que você ia gostar, Margarida! Deixa eu te dar um beijo. Feliz ano novo!

quarta-feira, dezembro 26, 2012

Faz parte do show

Estou sentada, de pernas cruzadas, esperando a minha vez, porém nua. Isso mesmo, sem roupa alguma. Cheguei ao apartamento faz vinte minutos. O homem atendeu e perguntou: “candidata?”. “Sim”, sorri, tenho de ser simpática. “Entre, por favor.” Segui aquele que parecia ser uma espécie de assistente. Trouxe-me até esta sala, vazia por sinal. “Tire toda a roupa, pendure-a no cabideiro e sente-se ali”, apontou a cadeira, único objeto existente no cômodo além do cabideiro. “É para tirar a roupa toda, entendeu?”, completou. “Sim”; monossilábica, respondi.

Enquanto espero, lembro-me de um namoradinho, já faz uns sete anos, nunca mais o vi. Na época, levou-me para uma casa de praia e insistiu para me fotografar nua. Sentei numa cadeira muito parecida com esta, só que de ferro, dessas que se alugam com mesas para festas; cruzei as pernas para um lado, para o outro, depois fiquei de pé, de frente, de lado, de costas com o pescoço virado e o rosto olhando para a câmera. Numa das fotos ele me pegou de surpresa, quis me fotografar antes de eu estar preparada. Rápida, tentei dar as costas e tapar os seios com a precariedade das minhas pequenas mãos, um gesto instintivo e inútil. Ele clicou. Até que a foto ficou engraçada. A mais bonita, porém, é aquela em que estou sentadinha como agora, as pernas cruzadas, os seios cobertos parcialmente por um dos braços.

Aqui neste estúdio, penso: para onde me irão levar? Tenho tanto receio de ficar longe de minhas roupas. Mas tenho de representar. Qualquer ponta de temor seria considerada uma fraqueza. Será que me vão mandar nua para casa? Acho que não chegam a esse ponto. Talvez eu até possa processá-los caso isso aconteça. Mas já não conseguiria ser candidata em lugar nenhum. Para quem se aventura nesse ramo, não é possível a mínima hesitação. Luzia disse que a levaram nua para passear de automóvel. Eles nos conduzem de um lado a outro, falam com diversas pessoas da produção, pedem que esperemos, até esquecem que estamos sem roupa na frente de tanta gente. Essas pessoas também parecem não nos reparar, tratam tudo como a coisa mais normal no mundo.

Tenho uma amiga chamada Isa. Na verdade ela já é uma senhora, quase trinta anos mais velha do que eu, e gorda que só. Às vezes vou com ela à praia. Usa um biquíni mínimo, apesar do peso. Quando estamos dentro d’água, cobertas até o pescoço, ela pede: “Sandra, leva o meu biquíni aonde estão as nossas coisas e guarda ele bem escondidinho?” Ela, então, me passa o top e a calcinha. “Isa, se te descobrem nua, você vai passar a maior vergonha”, não deixo de mostrar a minha preocupação. “Não descobrem, não, ninguém olha pra uma mulher gorda.” E fica um tempo enorme tomando banho de mar. Certa vez permaneceu dentro d’água a tarde inteira. Ninguém notou sua nudez. “Sinto um prazer enorme nisso”, segreda-me. “Qualquer hora vou fazer como você”, afirmo. “Aí vai dar problema”, ela diz, “você é muito bonita, todos os homens estão te olhando, é bom ficar nua ao teu lado porque os homens só têm olhos pra você, eu fico invisível.” Rimos as duas.

“Psiu, psiu, Sandra”, chamam-me lá de fora. Levanto e vou até a janela. Vejo num apartamento do bloco em frente um grupo de mulheres: “Vem aqui, vem aqui”, gritam. Fico sem entender. “É com você mesma”, continuam, “venha até aqui.” “Não posso, estou esperando o assistente”, retruco. “Vem, vem”, continuam, “faz parte do show.”

Ouço sons dentro do cômodo onde estou. É o assistente que volta. Olha para mim e diz: “faz parte do show”, vira as costas e sai. As moças continuam a me chamar. “Vem, vem.” “Como faço pra ir até aí?” “Saia do apartamento, vá ao corredor, tome o elevador e desça ao térreo, atravesse o jardim e entre no outro bloco, sexto andar, 601”, grita a mais espevitada. “Estou nua!”, mas elas sabem, a mesma voz fala de lá: “faz parte do show.”

Respiro fundo, deixo o apartamento e aperto o botão para chamar o elevador. De repente o mesmo assistente aparece ao meu lado. “Me dê o iphone, você já postou muita coisa hoje." “Um segundinho”, dou as costas, imagino ele olhando a minha bunda. Lá vou eu, nua porta afora, depois conto o final... Feliz 2013 p/todos vocês!

quinta-feira, dezembro 20, 2012

Nua por uma noite

Uma mulher para andar nua por aí precisa ser muito bonita; na verdade, deve ter o corpo perfeito. Sempre acreditei que tenho essa qualidade, por isso insisto em sair algumas vezes sem roupa alguma; em outras, seminua. Também gosto que me fotografem. Já tive dois ou três namorados que me clicaram como vim ao mundo. As fotos ficaram lindas. Um problema, porém: nunca recolhi as tais fotos, sempre as deixei com eles. Mas não tive problemas por causa disso. Eles foram suficientemente honestos. Ficaram com as fotos para lembrar de mim quando não mais me tinham por perto. Tenho lido ou escutado muitas histórias de fotos tiradas por namorados, que foram parar na internet. Há homens que fazem chantagem com as mulheres. Ou elas cumprem o que eles exigem, ou eles as colocam nuas na rede. Comigo isso nunca aconteceu. Meus namorados jamais me procuraram para me chantagear. E nunca encontrei em sítio algum uma foto em que estivesse nua. Confesso que às vezes sinto um arrepio. Pode ser que alguém tenha postado uma delas. De repente a pergunta: “essa, por acaso, não é você?” O que direi caso isso aconteça? Tentarei disfarçar ou afirmarei que não se trata de foto minha, mas de alguém muito semelhante? Posso dizer que é uma montagem. Com a tecnologia atual é possível despir as mulheres sem que elas concordem. Quando penso nas poses que fiz para os namorados, sinto ligeiro frisson. Na verdade vou contar um segredinho: às vezes sinto vontade de que eles tornem pública a minha nudez. Quero que as pessoas me admirem. Como disse no começo, para posar nua é preciso ser perfeita. Já que estou incluída nesse item... Lembro a brincadeira que vez ou outra faço para excitar alguns desses homens com quem namoro. Saio de casa em pelo e peço que o namorado tranque a porta. Espero um ou dois minutos do lado de fora, depois bato para que ele venha abrir. O tempo que permaneço nua correndo o risco de ser descoberta, ou mesmo correndo o risco de um deles não abrir, me deixa a mil por hora. Aparecer, portanto, nua num sítio, na internet, seria até excitante. Quem sabe, passar não todo o tempo mas uma noite nua na rede não será mais excitante do que estar a bater nua por apenas um minutinho na porta do namorado?

sábado, dezembro 15, 2012

Arrepiada

No Arpoador, como a calçada é alta, o passeio forma um paredão em relação ao nível da areia da praia. Assim, à noite, aquele pedaço de areia torna-se um espaço quase privilegiado para casais que desejam namorar sem serem observados. Hoje, quase ninguém mais namora às escondidas, mas sempre há pessoas que gostam do risco, homens e mulheres que sentem imenso prazer em descer à praia de madrugada e ficar ali se agarrando. Revelei esse desejo ao meu namorado. Ele, no começo, achou perigoso. Porém, após eu insistir, acabou cedendo. E ficou morrendo de tesão quando eu, nua, o abracei, nas areias da praia.

“Você não tem medo de que apareça alguém?”, parecia nervoso.

“Não penso nisso, só quero o prazer.”

“Mas podemos ser presos. Já pensou, você nua na delegacia? Vai ser o maior escândalo.”

“Esquece isso, por favor. Agora, trepa comigo”, pedi.

Começamos a namorar. Ele pouco a pouco foi esquecendo o perigo, encostou-me no paredão, levantou-me e encaixou seu pênis entre as minhas coxas. O friozinho da noite contrabalançava ao ardor que eu emanava pelos poros. Fechei os olhos e também esqueci onde estava. Pedi em seguida que ele se deitasse e fui sobre ele, seu pênis sempre ereto.

Ouvíamos a explosão da arrebentação e o rugir do mar, que ia e vinha em espumas que deslizavam sobre a areia. Também era possível escutar o ruído dos automóveis que desciam a avenida.

Permanecemos enroscados um ao outro por quase uma hora. Depois que gozei, deitei-me sobre ele. Meu namorado forrara a areia com a própria camisa.

Embalamo-nos num sono leve e confortável. Quando demos pela hora, o céu parecia anunciar a manhã. Meu namorado antecipou-se:

“Vamos embora, já vai ficar claro.”

“Espera ainda um pouquinho”, pedi.

Abracei com força seu tórax e rolamos pela areia, quis que ele ficasse sobre mim.

“Já está tarde”, falou.

“Não te preocupa, só mais um pouquinho”, pedi.

Transamos mais uma vez. Quando acabamos, já era dia.

Então, anunciei:

“Vais ter de me levar pelada para casa.”

“Por quê?”

“Não reparaste que cheguei nua?”

“Lembro que, no carro, você estava vestida; mas quando chegamos aqui embaixo, não sei como você fez para aparecer nua.”

“Combinei com uma amiga, bobo. Pedi que ela levasse minhas roupas. Falei a ela: tenho um namoradinho novo, ele tem cara de que é capaz de resolver qualquer problema.”

Beijei sua boca. Ele me abraçou.

“Por que você não deixou suas roupas por perto?”, ele.

“Porque gozo em dobro correndo riscos.”

“Você é terrível, Mara. Vou ver o que posso fazer.”

Ainda sussurrei:

“Olha como estou arrepiadinha!”

quarta-feira, dezembro 12, 2012

O canto da sala de estar

Ele levanta-me num dos cantos da sala; eu, encostada à parede, meu corpo sustentado apenas pelo seu baixo ventre e por suas coxas ligeiramente inclinadas. Flutuo como uma borboleta. O que me torna humana é o seu pênis dentro de mim. Demora o homem. Quer-me em contínuo estado de êxtase, apraz-lhe constatar minha vivência de total prazer. Meu momento de explosão não custa a anunciar-se. Ele espera pelo seu com segurança quase cirúrgica, sabe que tem tempo.

Hoje ao olhar o mesmo canto da sala, tenho saudades do namorado. Já vieram outros, mas não me apanham com o mesmo jeito. Deitam-me na cama e sobem sobre o meu corpo, a trepada convencional; às vezes gozam primeiro, deixam-me a desejar o namoradinho que aparava cuidadoso o meu voo arrojado.

Já pensei sugerir a mesma posição, mas estaria comportando-me com extrema vulgaridade. Posso apenas fazer semblantes. Quando pensam que estou a gozar devido a seus másculos manejos enganam-se, mais viva é a imaginação que trago do amante equilibrista.

Às vezes acho que fui louca quando terminei o relacionamento. Sabia que jamais encontraria homem semelhante. Ele mostrou-se triste ao partir. Mas nada falou. Nem era preciso. Sabia que, a mim, seria impossível esquecê-lo.

As extravagâncias que pratico hoje são frutos daquele tempo. Uma vez que já não me é possível alguém com tamanha habilidade, restam-me atitudes que me aceleram a pulsação, que me multipliquem os arrepios. Logo, atravessar a cidade à noite ao volante, apenas os vidros do carro e carroceria a esconderem minha nudez, é uma dessas invenções. O risco de ser surpreendida é o meu cantinho de parede.

Há outros tipos de invenções. Um dia desses ouvi de uma amiga que certa vez agarrara um homem pelas costas. Estavam na praia, dentro d’água. Ele a princípio assustou-se. Mas ela, hábil, tapou-lhe os lábios com um longo beijo. Como tudo acaba, o beijo também acabou. A amiga, no entanto, permaneceu grudada a ele e, num gesto ligeiro, pediu-lhe que nada falasse, queria apenas sentir seu corpo. A seguir, ela mesma tirou-lhe o pênis fora da sunga e o encaixou dentro do biquíni. Foi muito feliz naquela tarde. Poderia ter optado pela nudez total, sugeriu, o biquíni escondido dentro do calção de banho do homem. O risco os faria gozar dobrado. Mas deixou tal aventura para um dia vindouro.

Um cantinho de parede, porém, acende-me todas as luzes, transforma meus braços em asas, livra-me da gravidade, sensibiliza-me aos mais sutis sabores; abocanho então dardo veloz, rijo músculo de algum deus olímpico.

quinta-feira, dezembro 06, 2012

Amor à vista

Chego mais cedo na sexta-feira. Ligo a televisão. Vejo uma pessoa interessante dando entrevista para o jornal nacional ou NF TV.

É o meu príncipe encantado! Homem magro, jovial, usa óculos e cabelos longos. Sempre esperei que um dia fosse conhecê-lo. Sua imagem bastou para que eu começasse a sonhar com noites quentes, bebidas alucinógenas e atitudes desafiadoras.

Mas como encontrar essa pessoa na cidade grande? É como procurar agulha no palheiro.

Todas as noites antes de dormir voo em pensamento e me encontro com aquele homem assim que pego no sono. Ele chega de mansinho, estreita-se entre mim e a parede do meu quarto, fala baixinho no meu ouvido:

“Vim dormir com você.”

Embalada nesse aconchego sussurro: “Que bom que você veio!”

Ao som de um Jazz, começamos a namorar. São beijos deliciosos, promessas de amor e um sacode sexual que nenhuma mulher negaria realizar.

Já esgotados de prazer, cada um vira para um lado e dorme.

Quase todas as noites, o mesmo ritual. Acordo com a alma satisfeita.

Será apenas fantasia, imaginação minha, ou ele é um anjo que aparece e que me faz tão bem a ponto de me sentir realizada?

quinta-feira, novembro 29, 2012

Crônica

Preciso escrever a minha crônica diária e enviá-la ao jornal, mas me aconteceu algo inesperado. Estou nua, sentada numa cadeira de ferro e trancada numa sala comercial. Para manter a elegância e não demonstrar vergonha ou temor, cruzo as pernas, a direita sobre a esquerda, os seios cobertos pela metade por um dos meus braços como uma correia em meia diagonal. Vejo-me em tal situação por causa do namorado. Ele me quer sempre nua; além disso, me pede que eu represente. Tenho de fazer de conta que sou a pessoa mais vestida do mundo, dessa vez no escritório de um amigo seu às cinco e meia da tarde, no centro do Rio, um prédio de vinte e tantos andares em que há muitas outras salas onde trabalham advogados, médicos, dentistas, contadores etc. Tirei a roupa e dei nas mãos de meu namorado. Pediu licença e foi guardá-la numa outra sala, ou num outro escritório, não sei bem. Abriu a porta e saiu. Ouvi sua voz quando falou com alguém que transitava no corredor. Talvez tenha ido à rua comprar um maço de cigarros. Aqui, no lado de dentro, apenas as paredes, também nuas, e a cadeira que me serve de assento. Aguardo, aliás, espero. Espero que ele volte. Lá fora o sol se põe, as cores da tarde se dissolvem num azul que pouco a pouco avança e se torna cada vez mais negro. Tenho até às oito para enviar a crônica ao jornal. Hoje quero escrever sobre a viagem de Sandrinha ao mar Báltico. Onde, porém, o meu namorado? Encontrei-o  ao acaso faz trinta minutos, no café da esquina da Rodrigo Silva. Gisele, vamos ao escritório de um amigo, sugeriu. Aceitei. Quando entramos, a sala vazia, nada do amigo. Não demorei a perceber o que meu namorado queria. Mas, Valdo, a essa hora?, estou trabalhando, eu disse. É pra já, não vai demorar nada, insistiu ele. Ok, concordei e fui tirando a roupa. Ei, volte aqui, não me vai fazer perder o compromisso, alertei. E lá foi ele porta afora. Se não volta? Se lhe acontece alguma coisa? Uma síncope, ou mesmo um assalto. A cidade está tão violenta, plena de perigos. Vai que ele tenha sido sequestrado... E eu tenho de escrever e mandar a minha crônica. Oh, ato falho, pois não estou pensando nele nem nos perigos que corre, mas em mim, no meu emprego, na minha crônica. Amanhã vocês saberão o desfecho dessa história, depois de amanhã a viagem de Sandrinha. Ainda bem que existem os smartphones, ainda bem que, com um deles, sempre se dá um jeito.